RMN – ressonância magnética nuclear
O que é?
A ressonância magnética nuclear, conhecida como RMN, é um exame de imagem
que permite aos médicos visualizarem o interior do corpo humano de um paciente.
Um exame de alta precisão para diagnosticar doenças, como tumores, AVC,
Alzheimer, entre outras doenças. É um exame muito útil e indispensável para
definir o estadiamento de um tumor da próstata
Além isso, o RMN é uma ferramenta de estudo de técnica analítica para
determinar estruturas moleculares e composições químicas de uma amostra,
atuando na análise da interação dos núcleos.
Como funciona?
Durante o exame, o paciente é posicionado dentro de um aparelho chamado
de “magneto”, que gera o campo magnético.
Os prótons no interior dos tecidos do paciente giram e produzem pequenos
campos magnéticos. Em seguida são submetidos a um campo magnético forte,
gerando ondas de radiofrequência que emitem um sinal que interagem com
os átomos presentes no corpo. Esse sinal é captado por uma antena e
processados por um computador, que os transforma em imagens detalhadas
e em alta resolução.
No entanto, quando o paciente entra na máquina não deve estar com nenhum
objeto metálico consigo, pois durante o exame, esse campo magnético gerado é
extremamente forte, criando um poderosíssimo ímã, que pode atrair de forma
violenta qualquer material que seja de metal.
Exemplo detalhado
A análise de etanol em um estudo médico usando RMN (ressonância magnética
nuclear) para entender melhor as interações do etanol no corpo humano e a
diagnosticar intoxicações ou condições associadas ao consumo.
Para estar analise é preciso entender a estrutura do Etanol:
Grupo Metil (CH₃-): um grupo de três átomos de hidrogênio ligados a um
átomo de carbono.
Grupo Metileno (-CH₂-): dois átomos de hidrogênio ligados a um carbono
vizinho ao grupo hidroxila.
Grupo Hidroxila (-OH): um único átomo de hidrogênio ligado a um átomo de
oxigênio.
Etapas de análise:
1. Preparo da Amostra
Dissolve uma amostra em um solvente deuterado (como CDCl₃, ou D₂O) para
evitar interferências dos sinais de hidrogênio do solvente no espectro de RMN
de ^1H.
2. Análise por RMN de Hidrogênio
Aquisição do Espectro: colocar a amostra em um campo magnético e
aplicamos pulsos de radiofrequência. Os núcleos de hidrogênio
(prótons) no composto absorvem energia e geram um espectro.
3. Interpretação do Espectro:
Deslocamento Químico (δ): Os picos no espectro correspondem a diferentes
grupos de prótons no composto, ou seja, cada grupo de hidrogênios em ambientes
químicos diferentes gera um sinal distinto no espectro de RMN.
No etanol, há três ambientes químicos únicos para os hidrogênios:
Grupo Metil (CH₃) com δ 1,0 ppm;
Grupo Metileno (CH₂) com δ 3,5 ppm, pois está mais próximo do átomo
de oxigênio (um grupo eletronegativo que desloca o sinal para a direita).
Grupo Hidroxila (OH) com δ 4,5 ppm, mas essa posição pode variar
bastante dependendo do solvente e das condições da amostra.
4. Integração de Picos: A área sob cada pico é proporcional ao número de
hidrogênios equivalentes naquela posição. No caso do etanol:
CH₃, correspondente ao grupo metil tem uma área 3 vezes maior do
que o sinal do OH, pois possui três hidrogênios.
CH₂, pertence ao grupo metileno, por isso será 2 vezes maior que a
do OH.
OH, sinal será o menor com uma área proporcional a um único
próton.
5. Acoplamento J ou Spin- Spin: quando os sinais são divididos em múltiplos
devido à interação com hidrogênios vizinhos, ajudando a identificar a
conectividade entre os átomos de hidrogênio. Como exemplo: o CH₃ (metil):
Este sinal aparece como um triplo (três picos próximos) devido ao
acoplamento com os dois hidrogênios do grupo metileno (CH₂). E devido a
regra do n + 1, um grupo CH₃ (com três hidrogênios) terá um sinal dividido
em três picos por seus dois vizinhos (CH₂)
Enfim a análise do etanol pelo RMN permite confirmar a identidade do etanol e
fornece insights sobre sua estrutura, permitindo uma interpretação mais detalhada
dos ambientes químicos dentro da molécula.
Vantagens
A ressonância magnética é a única maneira de conseguir ver o corpo interior.
Além disso, outras vantagens são:
Ao contrário da tomografia computorizada (TC) e da radiografia (RX), não
utiliza radiação ionizante.
É capaz de gerar imagens em mais planos e reconstruir órgãos e regiões
anatômicas em 3D.
Diagnostica esclerose múltipla, tumores cerebrais, tendinite, tumores
ósseos, derrames em estágios iniciais.
Visualizar infecções no cérebro, medula espinal ou articulações, lesões nos
ombros, ligamentos rompidos no pulso, joelho e tornozelo.
Gera imagens axiais e imagens no plano sagital e coronal, logo gera
imagens de qualquer plano.
Imagem do UFABC
Desvantagens
Embora este exame apresenta inúmeras vantagens para diagnósticos, apresenta
as seguintes desvantagens:
Não é acessível para todas as pessoas, por questão de segurança. Como
as mulheres grávidas, pessoas com marca passo, prótese vascular, DIU e
peso corporal também influencia na utilização desse equipamento.
A máquina faz barulhos durante o exame. São sons contínuos e rápidos,
provocado pelo aumento da corrente elétrica nos fios magnéticos
gradientes que estão enfrentando a resistência do campo magnético
principal. Quanto mais forte o campo principal, mais alto é os barulhos.
Sendo necessário que os pacientes usem fones de ouvidos ou abafadores.
Exame dura entre 20 minutos a 90 minutos com o paciente imóvel durante
todo este tempo. E qualquer movimento da parte examinada pode distorcer
as imagens.
Equipamentos são caros, logo o exame é caro também.
A experiencia dos pacientes é muito incomoda, o que leva a inúmeras
pessoas com problemas de claustrofobia.
Bibliografia
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