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Sobre a relação jurídica tributária
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A RELAGAO JURIDICA TRIBUTARIA
PRINCIPIOS E REGRAS GERAIS
CONSIDERAGOES GERAIS
Ry [LGT/ Art? 42 102
‘A Lei Geral Tributéria, aprovada pelo Decreto-Lei 398/98, de 17/12/1998,
entrou em vigor em 01/01/1999 e pretendia enunciar e definir os princfpios
gerais que regem o direito fiscal portugués e os poderes da administragao
tributaria e garantias dos contribuintes.
Muitas das solugées ento encontradas foram, entretanto, refinadas, visto
que ano algum passou em que nao ocorresse uma alteracdo, mais ou menos
importante, na Lei que até é um decreto-lei.
Consagraram-se, assim, na letra da Lei algumas construgées doutrinarias
dos impostos e densificaram-se preceitos constitucionais orientadores. Distin-
guiram-se as taxas dos tributos, na medida em que as primeiras pressupdem
uma contrapartida directa do pagamento que é efectuado, isto 6, pelo paga-
mento da taxa ao contribuinte tem que ser prestado um determinado servico
publico', deve ser removido um obstaculo juridico* ao seu comportamento ou,
1 Como exemplo paradigmatico a taxa de justiga como contrapartida do acesso a justia
2- Por exemplo, uma licenga de construgao.
Grupo Editorial Vida Econémica ©Pagina 22
Roteiro de Justiga Fiscal
2 le dominio ptiblico’, ge
to, deve-se Ihe permitir a utilizagao de um bem a ca naneantie
entio, dev trapartida directa de uma destas trés , entdo,
nao existir uma con
js i xa.
estamos perante um imposto e nao uma ta:
em assentar na capaci.
F temos que estes devi
Como pressupostos dos tributos ; ado rane,
dade contributiva revelada, através do rendimento, eee a ern
Mas, acima de tudo, os impostos destinam-se a sotisiaaen: a dS opemtanidcae
ceiras do Bstado, a promogao da justiga social, Sc imicta odd ead
© comecgées nas desigualdades na distribuigao da riqueza e do .
Mas, embora os fins que se destinem a atingir sejam nobres, nao podem ser
atingidos a qualquer custo. A tributagéio tem que res eitar rineipios consti-
tucionais: generalidade, igualdade, legalidade e justica material.
Pretende-se que o prinefpio da legalidade tributaria e constitucional seja o
Barante de todos os outros, dai que estejam sujeitos a esse principio a incidén-
cia do imposto, a taxa, os beneficios fiscais,
as garantias dos contribuintes, a
definigaio dos crimes fiscais e 0 regime das it
infracges tributarias.
ainda, sujeitos ao principio da legalidad.
8) A liquidagao e cobranga dos tributes,
© caducidad
Esto,
incluindo os prazos de Prescricaéo
©) A definicao das obrigacdes acessérias;
© A definigdo das sangies fiscais sem natureza criminal;
©) As regras de procedimento e processo tributario
Esté, também, consagrado na Lei Geral Tributaria 0 prinef
de acesso a0 direito. ff garantido o
acesso a justica tributdria para a tutela
plenae efectiva de todos os direitos ou interesses legalmente p
rotegidos e todos
e lesem direitos ou interesses legalmente
Protegidos sao impugnaveis ou recorriveis nos termos da lei
ipio constitucional
Este direito de impugnagao dos actos tributari
um 6énus. Se determinado acto era impugnavel e
ou inctiria o ndo impugna, contribuindo,
‘108 acarreta, também, em si,
© destinatério, por desleixo
desse modo, para 0 avolumar dos
3 Por exemplo a ccupaglo de um paaseio para um quiosque,
© Grupo Editorial Vida EconémicaPrrchedin: exkaced den dish fe
ored fr
(OS ie pote womcth po /t4ye sort dn
Os poderes da Administragao Tributaria versus as garantias dos contribuintes
prejuizos causados, entao a responsabilidade extracontratual do Estado por
esses danos fica também mitigada ou mesmo afastada‘. impede ;
O pagamento do imposto nos termos de lei que atribua benficios ou van-
tagens no conjunto de certos encargos ou condigées nao 6 > direito de
reclamagao, impugnagao ou recurso, nao obstante a possibilidade de rentincia
expressa. Significa isto que, se mesmo quando o pagamento do imposto con-
fere ao pagador vantagens especiais este nao se vé impedido de reclamar ou
impugnar determinado acto tributario, entdo, quando este nao retira qualquer
beneficio especial do cumprimento da obrigagiio tributaria, também nao poder&
ver coarctado o seu direito a aceder 4 justica.
OS PRINCIPIOS GERAIS DO PROCEDIMENTO
i [LGT Arts, 55° a 60.
0 procedimento tributério, seja ele inspectivo, de reclamacao graciosa de
revisio oficiosa ou outro, submete-se a principios gerais que devem nortear
as diligéncias, os actos e a decisdo final. A obediéncia a estes principios é a
primeira garantia de um procedimento equitativo e justo.
A Lei Geral Tributaria elenca varios principios gerais mas tal nao significa
que estes se esgotem naqueles, nao deixando, enquanto principios gerais de
direito, de serem aplicdveis os previstos no Cédigo de Procedimento Adminis-
trativo e mesmo os previstos pela Constituigao.
‘[Link] tributdria deve exercer as suas atribuigdes na prossecugao
do interesse ptiblico, de acordo com os principios da legalidade, da igualdade,
da proporcionalidade, da justiga, da imparcialidade e da celeridade, no respeito
pelas garantias dos contribuintes e demais obrigados tributdrios.
4 Atente-se no disposto no art.’ 4° da Lei 67/2007, que regula a matéria: “Quando o comportamento culposo
do lesado tenha concorrido para a produgdo ou agravamento dos danos causados, designadamente por nao ter
utiizado a via provessual adequada a eliminagdo do acto juridico lesivo, cabe ao tribunal determinar, com base
ha gravidade das culpas de ambas as partes e nas consequéncias que delas tenham resultado, se a indemnizagio
deve ser totalmente concedida, reduzida ou mesmo excluida”’.
Grupo Editorial Vida Econémica ©
eee
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arte.
ica tributériaagina 24
Roteiro de Justiga Fiscal
Quanto aos previstos na LGT:
a
* Os 6rgaos da administracao tributaria e os contribuintes estao sujeitos a um dever
de colaboragao reciproco.
* A colaboragao da Adm. Fiscal compreende, entre outros:
A informagao publica, regular e sistemética sobre 0s seus direitos e obrigagses,
~ A publicagao, no prazo de 30 dias, das orientagdes genéricas sobre a interpre.
tagao e aplicagao das normas tributarias;
- Aassisténcia necessdria ao cumprimento dos deveres acessérios;
- A notificagao do sujeito passivo ou demais interessados para esclarecimento
das diividas sobre as suas declaragdes ou documentos;
- Aprestagao de informagées vinculativas, nos termos da lei;
- Oesclarecimento regular e atempado das fundadas duvidas sobre a interpreta-
¢40 e aplicagao das normas tributdrias;
- Oacesso, a titulo pessoal ou mediante representante, aos seus processos indi-
viduais ou, nos termos da lei, aqueles em que tenham interesse directo, pessoal
e legitimo;
- A criagao, por lei, em casos justificados, de regimes simplificados de tributagao
e a limitagao das obrigagdes acessorias as necessarias ao apuramento da situ-
agao tributaria dos sujeitos passives;
~ A publicagao, nos termos da lei, dos beneficios ou outras vantagens fiscais
salvo quando a sua concessao nao comporte qualquer margem de livre apre-
ciagao da administragao tributdria;
- OQ direito ao conhecimento pelos contribuintes da identidade dos funcionarios
responsaveis pela direcgao dos procedimentos que lhes respeitem;
- A comunicagdo antecipada do inicio da inspeceao da escrita, com a indicagao
do seu Ambito e extensdo e dos direitos e deveres que assistem ao sujeito pas-
sivo.
* A colaboragao dos contribuintes com a Administragao Tributdria compreende o
cumprimento das obrigagées acessorias previstas na lei e a prestacao dos escla-
recimentos que esta /hes solicitar sobre a sua situagao tributaria, bem como sobre
as relagdes econdmicas que mantenham com terceiros
* A Administragao Tributdria deve, no procedimento, realizar todas as diligéncias ne-
cessdrias a satistacao do interesse publico e a descoberta da verdade material,
nao estando subordinada a iniciativa do autor do pedido
© Grupo Editorial Vida EconémicaOs poderes da Administragdo Tributdria versus as garantias dos contribuintes
asin Pagina 25
nO, procedimento da inspeceao e os deveres de cooperagao deverao ser os adequa-
dos e proporcionais aos objectivos a prosseguir.
+ Aparticipagao dos contribuintes na formacéo das décisdes que Ihes digam respeito
pode efectuar-se:
= Direito de audigao antes da liquidagao;
- _Direito de audigao antes do indeferimento total ou parcial dos pedidos, reclama-
96es, recursos ou peticoes;
- Direito de audigao antes da revogagao de qualquer beneficio ou acto adminis-
trativo em matéria fiscal;
- Direito de audigao antes da decisao de aplicacao de métodos indirectos, quan-
do no haja lugar a relatério de inspecgéo;
- Direito de audig¢ao antes da conclusao do relatério da inspeceao tributdria.
+ Nao hé lugar a audiéncia prévia:
ica tributaria
- No caso de a liquidago se efectuar com base na declaragao do contribuinte ou
a deciso do pedido, reclamagao, recurso ou peticao Ihe seja favordvel;
Wrelagao ju
- No caso de a liquidagao se efectuar oficiosamente, com base em valores ob-
jectivos previstos na lei, desde que 0 contribuinte tenha sido notificado para
apresentacao da declaragao em falta, sem que o tenha feito
EE Principioda Celeridade
* O procedimento tributdrio deve ser conclufdo no prazo de seis meses, devendo a
Administracao Tributaria e os contribuintes abster-se da pratica de actos intiteis ou
dilat6rios.
Os actos do procedimento tributério devem ser praticados no prazo de_10 dias,
salvo disposicao legal em sentido contrério
O incumprimento do prazo contado a partir da entrada da peti¢ao do contribuinte no
servico competente da administra¢ao tributdria, faz presumir o seu indeferimento
para_efeitos de recurso hierdrquico, recurso _contencioso ou impugnacao ‘judicial
(excepto se a delonga for imputavel ao contribuinte por incumprimento do dever de
colaboragao)
Grupo Editorial Vida Econémica ©Roteiro de Justiga Fiscal
jar-se sobre todos 0s assuntos
initragdo Tibutdriaesté obvigada a pronunciar :
he Aint Tib ise aojam apresentados por meio de reclamagBes, recur
lei pelos sujeitos passivos OU quem tiver ‘interesse legitimo.
Z istracdo Tributdria se tiver pronunci
: siséio quando a Administracao
Néo erste dover do. oe “masmo autor com idénticos objecto
fandamentos ou tiver sido ultrapassado © prazo legal de eee do ete tributario,
Embora néo esteja obrigada a apreciar o pedido, esid-o de notificaro interessado
Eee
SSE
O contribuinte tem aireito a informagao sobre:
+ A fase em que se encontra 0 procedimento e a data previsivel da sua concluséo;
‘Aexisténcia e teor das dentincias dolosas néo confirmadas @ a identificagao do seu
autor;
+ Assua concreta situagao tributaria.
e aerated
+ A decisao do proceaimento é sempre fundamentada por mel inta ex
(0 das raz6es de factoe de direito que a motivaram, podendo a fundamentagao
consistir em mera declaracao de concordancia com os fundamentos de anteriores
pareceres, informagées ou propostas, incluindo os que integram o relatério da fis-
calizagao tributaria.
+ A fundamentagao dos actos tributdrios pode ser efectuada de forma sumétia, de-
vendo sempre conter as disposigGes legais aplicaveis, a qualificagao 6 quantifica-
(980 dos factos tributdrios e as operagdes de apuramento da matéria tributével e do
imposto.
* A fundamentagao deve ser clara, por forma a habilitar a pessoa comum a perceber
qual foi pereurso cogniscive do-decisor e porque decidiu num sentide e nao noutro.
© Grupo Editorial Vida EconomicaOs poderes da Administragdo Tributéria versus as garantias dos contribuintes
AS NORMAS TRIBUTARIAS
Na determinagao do sentido das normas fiscais e na qualificagaio dos factos
a que as mesmas se aplicam so observadas as regras e principios gerais de
interpretag&o e aplicagao das leis.
[LGT/ Arts. 11. a 13”
Estas regras gerais esto consagradas no art.’ 9.° do Cédigo Civil:
Regra 1. A interpretagdo ndo deve cingir-se G letra da lei, mas reconstituir a
partir dos textos 0 egislativo, tendo sobretudo em conta a unidade
do sistema juridico, as circunstancias em que a lei foi elaborada e as condigdes
especificas do tempo em que é aplicada.
Regra 2. Nao pode, porém, ser considerado pelo intérprete 0 pensamento
legislativo que no tenha na letra da lei um minimo de correspondéncia verbal,
ainda que imperfeitamente expresso.
Regra 3. Na fixagdo do sentido e alcance da lei, o intérprete presumiré.
que o legislador consagrou as solugées mais acertadas e soube exprimiro seu
pensament .
Regra 4. Sempre que, nas normas fiscais, se empreguem termos préprios de
outros ramos de direito, devem os mesmos ser interpretados no mesmo sentido
daquele que ai tém, salvo se outro decorrer directamente da I
Se a Lei Tributaria refere um conceito de direito como “interrup¢ao”, “sus-
pensiio” ou prescricao, ent&o esse conceito deve ser entendido, no Ambito tribu-
tario, com as mesmas caracteristicas que tem no Ambito dos outros ramos do
direito. Contudo, se existirem nas normas tributarias outros conceitos, entao
siio esses os conceitos especiais que devem ser aplicados. O exemplo classico de
conceitos fiscais é 0 de “prédio”. Para o IMI prédio é “toda a fracgdo de territério,
abrangendo as dguas, plantacées, edificios e construgdes de qualquer natureza
nela incorporados ou assentes, com cardcter de permanéncia, desde que faca
parte do patriménio de uma pessoa singular ou colectiva e, em circunstancias
normais, tenha valor econdmico, bem como as aguas, plantasées, edificios ou
5 - Esta e as seguintes constantes da Lei Geral Tributaria e nio do Cédigo Civil
Grupo Editorial Vida Econ6mica ©
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;
éPagina 28
Roteiro de Justiga Fiscal
nteriores, dotados de autonomia econémi,
a :
trem implantados, embora sitwados nyp,,
te integrante de um patriménio divers,
construgées, nas circunstancias
em relagdo ao terreno onde se nce
fracgao de territério que constitua ed
ou nao tenha natureza patrimonial —— -
neeito que se afasta muito do conceito civil de prédio em fi
Lee construgdes nele existentes que
as -
este 6 mistico (uma parte delimitada do soe e ine
nao tenham autonomia econdmica) ou urba:
{qualquer edificio ineorporag,
7
0)".
no solo, com os terrenos que Ihe sirvam de logradouro)
No entanto, sempre que na relagao tributéria estejamos perante um “predic,
6 coneeito fiscal que prevalece sobre o conceito civil. Poder ser um “prédigr
para efeitos de tributacdo em IMI, uma “roulotte’ vassente num terreno com
cardcter de permanéncia e afecta a fim nao transitérig todavia, civilmente,
nunca aquela realidade constituiria um “prédio”.
Regra 5. Persistindo a divida sobre o sentido das normas de incidéncig
aplicar, deve atender-se a substancia econémica dos factos tributarios®,
, poo
Regra 6: As lacunas resultantes de normas tributarias abrangidas nq
reserva de lei da Assembleia da Republica nao sao susceptiveis de integragio
do so susceptiveis de integraga
analégica.
Porventura a mais importante regra enquanto salvaguarda do principio da
seguranga juridica do contribuinte e limitacio & regra 5. A Administracao Fiscal
est vedada a possibilidade de, por analogia, “criar” novos factos tributarios
por referéncia a outros factos tipificados por tDUTATIOS.
st er tees APIA CO, DOr AE IDUPALIOS
Com as sucessivas alteragdes legislativas toma especial acuidade a aplicacéo
no tempo das leis tributérias.
ALGT vem consagrar o principio da nao retroactividade, isto é, as normas
tributérias aplicam-se apenas aos factos posteriores & sua entrada em vigor,
nao podendo ser criados quaisquer impostos retroactivos. Se o facto tributdrio
for de formagao sucessiva (como acontece com os impostos periddicos — IRS,
6 - Art’ 2° CIMI.
7- Art 204. do Cédigo Civil.
© Grupo Editorial Vida Econémicaoder ee
Os poderes da Administragao Tributdria versus as garantias dos contribuintes
IRC, etc.), a lei nova s6 se aplica ao periodo decorrido a partir da sua entrada
em vigor®.
As normas sobre procedimento e Processo sao de aplicacéio imediata, sem
prejuizo das garantias, direitos e interesses legitimos anteriormente consti-
tuidos dos contribuintes. Nao serdio, todavia, de aplicagéio imediata as normas
que, embora integradas no processo de determinacao da matéria tributavel,
tenham por funcao o desenvolvimento das normas de incidéncia tributdria’®.
No que respeita a territorialidade, e sem prejuizo do disposto especialmente
em cada um dos cédigos tributarios e ‘convengées internacionais de que Portugal
seja parte (e salvo disposigao legal em sentido contrario), as normas tributarias
aplicam-se aos factos que ocorram no territério nacional.
A tributagao pessoal derroga esta norma geral abrangendo todos os rendi-
mentos obtidos pelo sujei ssivo com domicilio, sede ou direcgio efectiva em
territério portugués, independentemente do local onde sejam obtidos.
— oe.
OUTROS DIREITOS DOS CONTRIBUINTES
LGT / Art.’ 64.°
Quic¢é um dos mais importantes direitos dos contribuintes € 0 direito ao sigilo
fiscal. Os dirigentes, funciondrios e agentes da administracao tributaria estao
obrigados a guardar sigilo sobre os dados recolhidos quanto A situagiio tribu-
taria dos contribuintes e aos elementos de natureza pessoal que obtenham no
procedimento, nomeadamente os decorrentes do sigilo profissional ou qualquer
outro dever de segredo legalmente regulado. Caso a Administragao Tributaria
9 - Daf as dtividas que se levantam quanto & constitucionalidade da criagio do iltimo escaliio de IRS e a sua
aplicagao aos rendimentos auferidos anteriormente a entrada em vigor da alteragio. A recente decisio do Tribunal
Constitucional através do acérdio n.° 39/2010, proferido nos processos 523 e 524/2010 que considerou que “as
eis [Link] 11/2010 e 12 -A/2010 prosseguem um fim constitucionalmente legitimo, isto é, a obtencdo de receita
fiscal para fins de equilibrio das contas piiblicas, tém cardcter urgente e premente e no contexto de antincio das
‘medidas conjuntas de combate ao défice e 4 divida puiblica acumulada, nao sd0 susceptiveis de afectar 0 principio
da confianca tnsito no Estado de Direito, pelo que nao é possivel formular um jutzo de inconstitucionalidade”
nao as sana na totalidade em especial porque foi uma decisio com 7 votos favordveis em 12,
10 - Porque isso poderia tornar a tributagao retroactiva,
Grupo Editorial Vida Economica ©
SS
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Roteivo de Justiga Fiscal
est a nformagoes a terceiros, aquele dever de gi.
star aquelas i GK de gi
teja obrigada a pres :
eos ‘a quem tiver legal acesso aS informagées. ello
slo por parte da Administragio Tributaria cessa em cagy gg
O dever de sigilo pt
i relacac
+ Autorizacdo do contribuinte para a revela¢
Autorizacao coor
0 da sua situacao tributgyig
[da administragdo tributéria com outras entidades ng.
al da
+ Cooperagiio leg: ‘
i ida dos seus poderes; :
: Seek uch e cooperagao da anne ebutéei com as
administragées tributérias de outros paises resul ae le convengseg
internacionais a que o Estado Portugués esteja vinculado, sempre gue
estiver prevista reciprocidade;
+ Colaboragio com a justiga nos termos do Cédigo de Processo Civi) «
Cédigo de Processo Penal.
Este dever de confidencialidade nao absoluto, visto que parte das infor.
magies obtidas pode ser divulgada, nomeadamente:
Através de listas de contribuintes cuja situacdo tributdria nao se encon,
tre regularizada, designadamente listas hierarquizadas em fungi do
montante em divida, desde que ja tenha decorrido qualquer dos prazos
legalmente previstos para a prestacdo de garantia ou tenha sido decid.
daa sua dispensa!™;
A publicagao de rendimentos declarados ou apurados por categorias de
rendimentos, contribuintes, sectores de actividades ou outras,
do com listas que a administracdo tributdria deve organizar am
tea fim de assegurar a transparéncia e publicidade,
de acor-
walmen-
Considera-se como situagdo tributéria re
Bacio,
de mor
gularizada, para efeitos de divul-
© pagamento integral de quaisquer tributos, a inexisténcia de situagdes
dispée-se que “A divulgagio de listas prevista na alines
Sniayida pelo Decreto -Lein* 398/98, de 17 de Dezembro,
ia (LGM),
aplicivel as contribuintes devedores & seguraney
© Grupo Editorial Vida EconémiOs poderes da Administragéo Tributdria versus as garantias dos contribuintes
iy LOry Arto 77"
CT eae M Later
eee ee
A deciséo do procedimento é sempre fundamentada por meio de sucinta exposi-
g40_das 1az6es de facto e de direito que a motivaram, podendo a fundamentagao
consistir em mera declaracao de concordancia com os fundamentos de anteriores
pareceres, informagées ou propostas, incluindo os que integram o relatério da fis-
calizagao tributaria
A fundamentagao dos actos tributdrios pode ser efectuada de forma sumétia, de-
vendo sempre conter as disposigées legais aplicdveis, a qualificagao e quantifica-
¢40 dos factos tributarios e as operagdes de apuramento da matéria tributdvel e do
imposto
A fundamentagao deve ser glara e congruente por forma a habilitar a pessoa co-
mum a perceber qual foi o percurso cogniscivo do decisor e porque decidiu num
sentido e nao noutro.
Os actos em matéria tributaria que afectem direitos e interesses legitimos do contri-
buinte sé produzem efeitos em relacdo aos mesmos quando Ihe sejam validamente
notificados.
A notificagdo para ser valida deve conter:
pOUCA PAO pale serVelte Cove Conley
- Adecisao e a sua fundamentagao;
— eee
- Aiindicagao dos meios de defesa;
- Areferéncia ao prazo para reagir: contra o acto notificado;
- A indicagéo da entidade que praticou 0 acto e se o fez no uso de delegagao ou
subdelegagao de competéncias.
Se a notificagao for omissa quanto a qualquer dos pontos anteriores:
- Ointeressado pode requerer, no prazo de 30 dias ou no prazo da reclamacao,
recurso ou outro meio judicial que caiba da decisdo, se inferior, a notificagao
dos requisitos que tenham sido omitidos ou a passagem de certidao que os
contenha.
- Neste caso, o prazo de reacgao ao acto inicia-se na data em que os dados omi-
tidos sejam notificados ou a certidao entregue.
Grupo Editorial Vida Econ6mica ©
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Roteiro de Justiga Fiseal
nT eee Keane) =
PT ne acca
Nota™:
Direito ao pagamento em prestacdes —
* No Ambito da execugao fiscal i :
+ Fora da execugao fiscal, por exemplo, no ambito do Decreto-Lel 492/88, de 30/; 12
(Regime de Cobranca e Reembolso dos Impostos sobre Rendimento)
OS SUJEITOS DA RELAGAO JURIDICA TRIBUTARIA
I LGT/ Arts. 15°09"
No que diz respeito A personalidade e capacidade tributarias, nao existem
diferencas significativas do regime civil. A personalidade tributéria consiste
na susceptibilidade de se ser sujeito de relacdes juridicas tributdrias e, salvo
isposicao da Lei em contririo, tem capacidade tributaria quem tiver perso-
nalidade tributéria.
Todavia, no que respeita a capacidade, existem algumas especificidades,
a saber:
O cumprimento dos deveres tributdrios pelos incapazes nao invalida 0
respectivo acto, sem prejuizo do direito de reclamagio, recurso ou im-
pugnagao do representante;
Os direitos ¢ os deveres dos incapazes e das entidades sem personalide-
de juridica so exercidos, respectivamente, pelos seus representantes,
designados de acordo com a lei civil, e pelas pessoas que adminishie?
ES
13 - O direito ao pay rf
de coimas so ae adon oe Ina Erpsingten no ambito da execucao fiscal, a juros indemnizatérios ou A redusi?
Proprio. O direito a juros ‘indemnizatérios é tratado mais a frente.
© Grupo Editorial Vida EconémicaOs poderes da Administragéo Tributéria versus as garantias dos contribuintes
Os actos em matéria tributéria praticados pelo representante em nome
do representado produzem efeitos na esfera juridica deste, nos limites
dos poderes de representagao que lhe forem conferidos por lei ou por
mandato;
Qualquer dos cénjuges pode praticar todos os actos relativos a situagao
tributaria do agregado familiar e ainda os relativos aos bens ou inte-
resses de outro cénjuge, desde que este os conhega e nado se lhes tenha
expressamente oposto, presumindo-se 0 conhecimento e a auséncia de
oposi¢do expressa até prova em contrario.
Nem todos os actos tem que ser praticados pelo préprio, seu cOnjuge, ou
mandatério. E admitida, também, a gestao de negécios, desde que o acto nao
seja de natureza puramente pessoal e produz efeitos em relagao ao dono do
negécio nos termos civil. Todavia, enquanto a gestio de negécios nao for rati-
ficada, o-gestor de negécios assume os direitos e deveres do sujeito passivo da
relacdo tributaria.
Em caso de cumprimento de obrigagdes acessérias ou de pagamento, a
gesto de negécios presume-se ratificada apés o termo do prazo legal do seu
cumprimento.
O sujeito passivo é a pessoa singular ou colectiva, o patriménio ou a orga-
nizagdo de facto ou de direito que, nos termos da lei, esta vinculado ao cum-
primento da prestacao tributaria, seja como contribuinte directo, substituto
ou responsdvel. Q sujeito activo da relagao tributdria é a entidade de direito
pUblico titular do direito de exigir o cumprimento das obrigagdes tributarias,
quer directamente quer através de representante.
Nao obstante, nao é sujeito passivo quem suporte 0 encargo do imposto
por repercussao legal ou deva prestar informagées sobre assuntos tributérios
de terceiros, exibir documentos, emitir laudo em processo administrative ou
judicial ou permitir o acesso a iméveis ou locais de trabalho.
ALGT prevé, também, um conceito de domicilio, sobrepondo-se, como vimos
4 ‘icili wrevisto no Cédigo Civil. O domicili
anteriormente, ao domicilio, como vem p! ig micilio
fiscal do sujeito passivo 6, salvo disposicfio em contrario:
‘Seal do sujeito passive & Salvo Ssposao en oe
a) Para as pessoas singulares, 0 local da residéncia habitual;
'ara_as pessoas singulares, 0 local da residéncia habitua)
b) Para as pessoas colectivas, o local da sede ou direcefo efectiva ou, na
falta destas, do seu estabelecimento estavel em Portugal.
Grupo Editorial Vida Econémica ©
Pagina 33
A rolagao juridica tributdriaagina 34
Roteiro de Justica Fiscal
‘ito passivo a administragio tributgs. .
seagio do domieilio do sujeito P sas
‘Acomunicad cficaz™, perante esta, uma eventual mags
: ta torna in' = Ga
ora
de domiciho st ae toriedade de nomeagao de representante fiscal} Por
Bxiste, tambon Mjvos residentes no estrangeiro, bem Como 05 GUE, emo,
todos os sujeitos pa jo nacional, se ausentem deste por periodo super,
na residentes Bo momo as pessoas colectivas e outras entidades legalments
a seis meses,
equiparadas que cessem & actividade.
Independentemente das sangées aplicdveis, depende da designacao de repre.
sentante 0 exercicio dos direitos dos sujeitos passivos nele referidos porante g
administragdo tributdria, incluindo os de reclamacao, recurso ou impugnagio,
Podem ser varias as pessoas sobre quem impende a responsabilidade do
pagamento do imposto e, como tal, podem ser executadas para obter 0 sey
pagamento™, Em termos tributdrios, existem 3 tipos de responsaveis:
. Em_termos tributarigs, exter
+ Os responsdveis origindrios, ou seja, aqueles que so em primeiro lugar
responsAveis pelo pagamento do imposto;
+ Os responsveis solidérigs, aqueles que sdo responsveis pelo paga-
mento do imposto nos mesmos termos dos devedores origindrios;
+ Qs responsdveis subsididrios”, isto é, aqueles que sé respondem pelo
imposto caso se verifique a impossibilidade de cobranga aos devedores
originarios e solidérios para com os primeiros.
Salvo disposicao da lei em contrério, quando os nressupostas do facto tribu-
tario se verifiquem em relagiio a mais de uma pessoa, todas so solidariamente
responsdveis pelo cumprimento da divida tributdria. Eo caso da propriedade
comum de um bem cuja propriedade é sujeita a imposto ou a responsabilida-
de dos sujeitos passivos sobre quem impende a direcgdo do agregado familiar
relativamente aos rendimentos do mesmo'.
CER A EERE, at
14-On! 5 doart 39°) ; :
pein es st ecemie’ CEPT prevé que, caso a carta registada com aviso de recepeao seja devolvida por nio
fins, consdoeand tn BO 9 destinatério jé 1d ni residin), deve ser remetida uma segunda no prazo de 18
'stinatério notificado mesmo que a segunda venha devolvida.
16-AAdministr
que disponha, +” Pode oficiosamente rectificar o domictlio dos sujeitos passivos se tal resultar dos elements
16. A responsabilidad tributdtia abr
cdi rel ria abrange, nos termos fixados na lei, a totalidade da divida tributdria, 0358
17- A responssbilidade é
gam pensails ; ‘ubsidria 6 analisada em detalhe no ambito do processo de execusio isa
sto 6, se o imével & bem com fi
entre os proprietérios. Se ambos os sujerte cae
ponsabilidade pelo pagamento do respectivo IMI é solidane
em conjunto, ambos so solids
08 08
poe Eitan Passivos integram 0 mesmo agregado familiar e entregaram°
Tesponsaveis pelo pagamento da divida.
© Grupo Editorial Vida EconomicaTRS liquidado sem que um dos cénjuges se possa dispor a pagar “a sua meta-
de”, ficando liberto da responsabilidade do pagamento do restante. Efectuando
um dos responsdveis soliddrios 0 pagamento da totalidade da divida, libera os
restantes perante a Administragao Fiscal,
No caso de liquidagao de sociedades de responsabilidade ilimitada ou de
outras entidades sujeitas ao mesmo regime de responsabilidade, os sécios ou
membros sao solidariamente responsdveis, com aquelas e entre si, pelos im-
postos em divida.
Aregra da subsidiaridade existe, todavia, para a responsabilidade tributé-
ria de dividas de outrem a menos que seja expressamente derrogada na Lei.
Todavia, imputar a terceiros a responsabilidade tributéria por dividas alheias
tem como contrapartida o direito destas a impugnarem ou reclamarem dessa
divida nos mesmos termos que o devedor originario. Para tal, ao ser-lhes exi-
gido esse pagamento, a notificacdo ou citagéio deve conter todos os elementos
que sao necessdrios para a notificagéo do devedor origindrio para que estes se
possam defender.
.. Essa responsabilidade é efectuada no ambito do processo de execuciio fiscal
e quando se verifique que se esté perante uma fundada insuficiéncia dos bens
penhordveis do devedor principal e dos responsdveis solidarios.
Para que esta responsabilidade subsidiaria se efective é necessArio que:
Inexistam bens penhordveis ou estes sejam fundadamente insuficien-
tes para regularizar a divida”;
Estes sejam ouvidos quanto aos fundamentos e extenso da reversdo
antes de a sua responsabilidade ser efectivada;
19 - Ficando, eventualmente, com um direito de regresso sabre os demais responsdveis solidérios pelo que
exceder a sua quota de responsabilidade.
20- A possiblidade de reverter com a mera fundada insuficiéncia de bens ¢ ainda antes de estes serem vendidos
nio existia no Cédigo de Processo Tributério ¢ foi introduzida com a Lei Geral Tributaria. E diseutivel se esta
Rorma que permite a reversio antes da venda de todos os bens do devedor originario é uma norma processual
(aso em que seria aplicsvel as dividas referentes a periodo anterior & sua entrada em vigor ~ 01/01/1999) ou se
€ uma norma substantiva (caso em que apenas seria aplicdvel as dividas posteriores).
Grupo Editorial Vida Econémica ©
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Roteiro de Justiga Fiscal
<4vel subsiidrio cumpra com a divida de imposto ng
o . i
Caso 9) ree dias contados da sua citagio pessoal ), fica isento do aga,
de oposigao (3 e das custas. Se nao o fizer, a sua resbonsabilidada
juros de mora 4 aie
mento dos juros vel pela totalidade da divida.”® No
consolida-se e torna-se responsavel pel tanto,
responsabilidade do devedor See por estes mune se aa
Aresponsabilidade subsididria seré tratada em mais detalhe no émbitg a
processo de execugao fiscal. Esta abrange:
+ Os administradores, directores e gerenios e outras Pessoas que exer,
gam, ainda que somente de facto, fungées de administragio OU gestio
em pessoas colectivas e entes fiscalmente equiparados 840 subsidiaria.
mente responsdveis em relagdo a estas e solidariamente entre si pelag
dividas tributdrias desta quando tiver sido por culpa sua que o Patri.
ménio da pessoa colectiva ou ente fiscalmente equiparado se tomnou in,
suficiente para a sua satisfagio;
+ A mesma responsabilidade impende sobre os membros dos érgios de
fiscalizagdo e revisores oficiais de contas nas pessoas colectivas em que
os houver, desde que se demonstre que a violagio dos deveres tributd.
rios destas resultou do incumprimento das suas fungGes de fiscalizacio,
E aos téenicos oficiais de contas desde que se demonstre a violagdo dos
deveres de assungao de responsabilidade pela regularizagao técnica nas
areas contabilistica e fiscal ou de assinatura de declaragées fiscais, de-
monstrag6es financeiras e seus anexos
Pelas dividas fiscais do estabelecimento individual de responsabilidade
limitada (EIRL) respondem apenas os bens a este afectos. Todavia, em
caso de faléncia do EIRL por causa relacionada com a actividade do seu
titular, responderao todos os seus bens,
salvo se ele provar que o princi-
pio da separacao patrimonial foi devida:
mente observado na sua gestiio;
Os gestores de bens ou direitos de nao residentes sem estabelecimen-
to estavel em territério Portugués sao solidariamente responsdveis em
© Grupo Editorial Vida EconomicaOs poderes da Administragdo Tributdria versus as garantias dos contribuintes
relagéo a estes e entre si por todas as. contribuigdes e impostos do nao
residente relativos ao exercicio do seu cargo”;
+ Quando a retencao na fonte for efectuada a titulo de pagamento por
conta do imposto devido a final, cabe ao substituido a responsabilidade
origindria pelo imposto nfo retido e ao substituto a responsabilidade
subsididria™. Nos restantes casos, 0 substituido é apenas subsidiaria-
mente responsivel pelo pagamento da diferenga entre as importancias
que deveriam ter sido deduzidas e as que efectivamente o foram”.
+ Na liquidagao de qualquer sociedade, devem os liquidatarios comecgar
por satisfazer as dividas fiscais, excepto se as dividas satisfeitas goza-
rem de preferéncia, sob pena de ficarem pessoal e solidariamente res-
ponsdveis pelas importancias respectivas”*,
Os créditos tributarios e as obrigacées tributdrias niio séio susceptiveis de cesso
a terceiros, salvo nos casos previstos na lei”. As obrigacées tributarias originarias
esubsididrias® transmitem-se, mesmo que nfo tenham sido ainda liquidadas, em
caso de sucesso universal por morte, sem prejuizo do beneficio do inventario”.
Sobre a responsabilidade subsididria prevista no ark. 24.* da Lei Geral
Tributiria pode ser consultado na internet 0 ofttio-circulado 60.043/ 2005
de 25/01 da Diresiao de Servizas de Justiga Tributiria. Para as dividas
anteriores @ LIGT deve ser consultado o oficio-circulado 1675, de 17/04
/1995 da mesma Direcpao de Servigos
28 - Nos termos do art.° 27° da LGT, consideram-se gestores de bens ou direitos as pessoas que assumam ou
sejam incumbidas da direcgaio de negécios de entidade nao residente em territério portugués, agindo no interesse
e por conta dessa entidade. O representante fiscal do nao residente, quando pessoa diferente do gestor, deve
obter a identificagao deste e apresenté-la & administragio tributéria, bem como informar no caso da sua ine-
xisténcia, presumindo-se, salvo prova em contrério, que o representante é 0 gestor na falta destas informagées,
24 Ficando este ainda sujeito aos juros compensatérios devidos desde o termo do prazo de entrega até ao ter-
mo do prazo para apresentacdo da declaracdo pelo responsdvel origindrio ou até & data da entrega do imposto
retido, se anterior.
25 - Ficando o substituido desonerado de qualquer responsabilidade pelo pagamento das importancias retidas.
26. Quando a liquidagdo seja efectuada em processo de insolvéncia ou faléncia, as dividas devem ser satisfeitas
de harmonia com o disposto na sentenga. Nao obstante, terao tratamento distinto as que so dividas do insol-
vente (vencidas com a declaragao de insolvéncia) e as dividas da massa insolvente, isto é, constituidas apés a
declaragao da insolvéncia e que devem ser pagas com preferéncia nos termos do art. 172.° do CIRE
27 - Bsté prevista, nomeadamente, a figura da sub-rogagao em que um terceiro, mediante a anuéncia do devedor
ou demonstrando interesse legitimo, efectua o pagamento da divida, ficando rogado nos direitos da Administracio
Fiseal. A assungao das dividas pode também ocorrer no Ambito do Decreto-Lei 124/96 que a previa expressamente.
28 - O que permite responsabilizar os herdeiros do gerente da sociedade comercial pelas dividas da sociedade
até ao limite dos bens que estes receberam a titulo de heranga.
29-0 que significa que o herdeiro apenas responde pelas dividas dode cujus até ao valor dos bens que reoebeu em heranca,
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juridica tributariaRoteiro de Justiga Fiscal
O OBJECTO DA RELAGAO JURIDICA TRIBUTARIA
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= VO Aa ra
taria constitui-se com 0 facto tributario. No enta,
determinam essa relagao:
Arelagao juridico-tribu os
. ‘ri as que
existem varias regr: RET IT ee
senciais da relagao juridica tributdria nao Podem sep
+ Qs elementos es: ¢
alterados por vontade das partes;
+ A qualificagéo do negocio juridico efectuada pelas partes, mesmo en
documento auténtico, nao vincula a administragao tributdria;
‘A administragéo tributéria pode subordinar a atribuicao de beneficios
fiscais ou a aplicacdo de regimes fiscais de natureza especial, que nig
sejam de concessao inteiramente vinculada, ao cumprimento de cong.
ges por parte do sujeito passivo, inclusivamente, nos casos previstos
na lei, por meio de contratos fiscais;
+ Aineficdcia dos negécios juridicos® nao obsta A tributagao, no momento
em que esta deva legalmente ocorrer, caso jA se tenham produzido os
efeitos econémicos pretendidos pelas partes;
+ Em caso de simulagdo de negécio juridico, a tributagiio recai sobre 0
negécio juridico real e nao sobre o negécio juridico simulado; contudo,
a tributacdo do negécio juridico real constante de documento auténtico
depende de decisiio judicial que declare a sua nulidade
Integram a relag&o juridica tributdria:
a) O crédito e a divida tributarios;
b) O direito a prestagdes acessérias de qualquer natureza e o correspon-
dente dever ou sujeicéio;
©) 0 direito 4 dedugio, reembolso ou restituigéio do imposto;
4) 0 direito a juros compensatérios;
e) 0 direito a juros indemnizatérios.
© Grupo Editorial Vida EconémicaOs poderes da Administragao Tributdria versus as garantias dos contribuintes
O crédito tributario é indisponivel, sé podendo fixar-se condigées para a sua
redugio ou extingao com respeito pelo princfpio da igualdade e da legalidade
tributaria, via de regra no ambito de um plano de recuperagéio aprovado nos
termos do Cédigo de Insolvéncia e Recuperagéo de Empresa ou de um Proce-
dimento Extrajudicial de Conciliacao”.
O Orcamento de Estado para 2011 veio reforcar esta indisponibilidade do
crédito tributario ao alterar o art.° 30.° da LGT, aditando-The um n.’3, a clarificar
que a indisponibilidade do crédito tributario prevista na LGT prevalece sobre
legislagao especial. Reforca ainda o sentido da alteracao ao dispor-se que “O
disposto no n.° 3 do artigo 30.° da LGT é aplicdvel, designadamente aos proces-
sos de insolvéncia que se encontrem pendentes e ainda nao tenham sido objecto
de homologagdo, sem prejuizo da prevaléncia dos privilégios creditérios dos
trabalhadores previstos no Cédigo do Trabalho sobre quaisquer outros créditos”.
Afigura-se que, mesmo antes desta “clarificacéio”, aquela norma ja era
uma norma imperativa e que néo poderia ser homologado pelo juiz um plano
de recuperagao em que estivesse previsto o perdio de créditos tributarios em
violagdo do previsto naquele normativo. Afigura-se, também, que se ocorrer
a homologaciio, o Ministério Puiblico deveré interpor recurso dessa decisao.
Constitui a obrigagdo principal do sujeito passivo efectuar o pagamento da
diyida tributdria. Sao obrigagses acess6rias do sujeito passivo as que visam
possibilitar o apuramento da obrigacao de imposto, nomeadamente a apresenta-
dio de declaragées, a exibicdio de documentos fiscalmente relevantes, incluindo
itabilidade ou escrita, e a prestagao de informagées.
ndo a obrigacao principal do contribuinte a efectivacio do pagamento,
sta extingue-se com a regularizacao da divida seja através de um montante
pecunidrio — dinheiro, cheque, transferéncia bancaria, vale postal, multibanco
ja através de dacdéo em cumprimento ou compensagao.
Se for efectuado o pagamento da divida tributaria e se se vier a verificar
e 0 pagamento era indevido, podem ser devidos juros indemnizatérios® (a
1esma taxa dos juros compensatérios™) a favor do contribuinte.
11-0 PEC é um procedimento, mediado pelo Instituto de Apoio as Pequenas e Médias Empresas e a Inovagio
),com vista & obtencio, entre a empresa em dificuldades e os seus credores, com o objectivo da celo-
de um acordo de pagamentos entre a empresa ¢ todos ou alguns dos seus credores, que Viabilize a sua
rasdo. Podem aceder ao PEC as empresas que estejam em condigies de requerer judicialmente @ sta
ia, nos termos do CIRE.
me previsto no art 43° da LGT
= Aetualmento fixados em 4% a0 ane, contados a0 dia
Grupo Editorial Vida Econémica ©
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Roteiro de Justiga Fiscal
reclamagao graciosa ou impugnagao judicial, que
igos de que resulte pagamento da divida tributéria em mon.
tante superior ao legalmente devido.
«Quando se determine, em
erro imputdvel aos $erV!
i SOS EM que, ay
se haver erro imputavel aos servigos Nos casos e , ADesar de g
+ Gonsiera-s* Mtuada com base na declaraedo do contnbuinte, este tor sequg
a u pee ei as orientagdes genéricas da administra¢ao tributéria, gey;,
no sei
damente publicadas. ris: gyn ‘
‘Quando néo seja cumprido o prazo legal de restituicao oficiosa dos tributos,
Em caso de anulagao do acto tributdrio por iniciativa da administragao tributéra
ae do 30.° dia posterior & decisdo, sem que tenha sido processada a nota qs
crédito. é Anes
Quando a revisdo do acto tributério por iniciativa do contribuinte se efectuar mais da
um ano aps o pedido deste, salvo se 0 atraso ndo for imputavel & administracay
tributaria.
O Orcamento de Estado para 2011 veio alterar o art.° 61.° do CPPT dis-
pondo sobre quem tem competéncia para o reconhecimento do direito a juros
indemnizatérios:
Quando o fundamento for erro
: imputdvel aos servigos de que
Pele entidede compatents vera” tenha resultado pagamento da
sirt emaepereer dame divida tributaria em montante
superior ao legalmente devido;
2 Pela entidade que determina a Quando no seja cumprido o prazo
Procedimento _restituigdo oficiosa dos tributos _legall de restituigo;
Administrative
Pela entidade que procede ao Quando o fundamento for o atraso
Processamento da nota de crédito _ naquele processamento;
Pela entidade competente para a
decisio sobre o pedido de revisio Quando nao seja cumprido 0 praz®
do acto tributario por iniciativa do legal de revisdo do acto tributario.
contribuinte
Processo Em caso de anulagio judicial do acto tributario, cabe & entidade que
‘Judicial execute a deciséo judicial da qual resulte esse direito determinar 0
___Pasamento dos juros indemnizatérios a que houver lugar
© Grupo Editorial Vida EeonémicaOs poderes da Administragao Tributdria versus as garantias dos contribuintes
Mas essa nao foi a Unica alteragio do OE 2011. Veio, também, instituir a pagina 41
possibilidade de reclamacao para o érgiio periférico regional do nio pagamento
de juros indemnizatérios, nomeadamente:
+ Pode o interessado reclamar, junto do competente orgio periférico re-
gional da administracao tributéria, do nado pagamento de juros indem-
nizatérios nos termos previstos no n.° 1, no prazo de 120 dias contados
da data do conhecimento da nota de crédito ou, na sua falta, do termo
do prazo para a sua emissio.
+ Ointeressado pode ainda, no prazo de 30 dias contados do termo do pra-
zo de execug&o espontanea da decisao, reclamar, junto do competente
6rgao periférico regional da administracio tributéria, do nao pagamen-
to de juros indemnizatérios no caso da execugdo de uma decisao judicial
de que resulte esse direito
Sobre o pagamento de juros indenmizatirios pode ser consultado o oftio-
circulado 6052/2006, de 03 de Outubro, da Direcgao de Servigos de
Justica Tributiria,
i
Aqui foram instraidos os Servigos de que “o pagamento dos correspondentes
Jaros indemnizatirios néo depende de solicitagdo do contribuinte, devendo
ser salisfeito oficiosamente pelos Servigos, desde que verificados os respectivos
pressupostos legais”.
So devidos juros de mora quando o sujeito passivo nao pague o imposto
devido no prazo legal. O prazo maximo de contagem dos juros de mora é de
trés anos, salvo nos casos em que a divida tributaria seja paga em prestagées,
caso em que os juros de mora sao contados até ao termo do prazo do respectivo
pagamento, sem exceder oito anos. No caso de a divida ser paga no prazo de
80 dias contados da data da citagao, os juros de mora sao contados até a data
da emissao desta e nao até a data de pagamento.
A taxa de juro de mora é a definida na lei geral para as dividas ao Estado
€ outras entidades publicas e esté regulada pelo Decreto-Lei 73/99, de 16 de
Margo.
34. Muito embora o prazo méximo do pagamento em prestagdes seja de 10 anos.
Grupo Editorial Vida Econémica ©——
Pagina 42
Roteiro de Justia Fiscal
ra as dividas ao Estado e a outras pessoas
Zo sujei j de mo}
Sao sujeitas a juros sons COlee,
tivas ptiblicas que ndo tenham forma, natureza ou denominagao de empre a
‘lien seja qual for a forma de liquidagdo e cobranca, provenientes ge.
publica, cl
hea .
+ Contribuigoes, impostos, taxas € oem rendimentos quando Peg0s i,
pois do prazo de pagamento voluntario;
‘Alcance, desvios de dinheiros ou outros valores;
Quantias autorizadas e despendidas fora das disposigées legais;
Custas contadas em processos de qualquer natureza, incluindo og de
quaisquer tribunais ou de servigos da Administragao Publica, quando
ndo pagas nos prazos estabelecidos para 0 seu pagamento
Como Orcamento de Estado para 2010 previu-se que a taxa de juros de mora
tem vigéncia anual, com inicio em 1 de Janeiro de cada ano, sendo apuradat ¢
publicitada pelo Instituto de Gestio de Tesouraria e Crédito Pitblico, através
de aviso no Diario da Republica até 31/12 do ano anterior.
‘Aquela taxa é reduzida a metade para as dividas cobertas por garantias
reais constituidas por iniciativa da entidade credora ou por ela aceites e para as
dividas cobertas por garantia bancdria. O montante coberto por garantias reais
6 determinado pela diferenga entre o valor atribuido ao bem dado como garantia
eas garantias de terceiro que gozem de prioridade sobre a garantia em causa.
‘A taxa pode, também, ser excepcionalmente reduzida em caso de recuperagio
financeira, reestrutura¢do empresarial ou processo especial de recuperagao de
empresa nas condigées previstas pelo n.° 6 do art.” 3.° do Decreto-Lei 73/99.
No ano de 2011 os juros de mora seguem um regime distinto ao que vigorou
até ao final do ano de 2010.
Em 2010/12/30 foi publicado na II.* Série do Diario da Republica o Aviso
n.° 27831-F/2010 do Instituto de Gestao da Tesouraria e do Crédito Piblico,
I. P. que, em cumprimento do disposto no artigo 3.° do Decreto —Lei n.” 73/99,
de 16 de Margo, com a redacgiio dada pelo artigo 165.° da Lei n.° 3 -B/2010,
de 28 de Abril, fixou a taxa dos juros de mora aplicdveis as dividas a0 Estado
e outras entidades piiblicas em 6,351 % e que é a aplicdvel desde o dia 1 de
Janeiro de 2011, inclusive.
35 - Média : aa
ny a . das taxas EURIBOR a 12 meses verificadas nos ‘iltimos 12 meses, "6
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