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Enfermagem e Prevenção da Violência Obstétrica

TCC violência obstétrica

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ameliaangelim
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Enfermagem e Prevenção da Violência Obstétrica

TCC violência obstétrica

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UNIP-UNIVERSIDADE PAULISTA

CAMPUS: CIDADE UNIVERSITÁRIA


CURSO: ENFERMAGEM

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

Amélia Letícia Ferreira ANGELIM


Deuzivania de Menezes Caldas Sá TORRES
Rebeca Larissa Rocha GOMES
Sheila Soares da SILVA

PETROLINA - PE
2023
Amélia Letícia Ferreira ANGELIM
Deuzivania de Menezes Caldas Sá TORRES
Rebeca Larissa Rocha GOMES
Sheila Soares da SILVA

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

Monografia apresentada à Universidade


Paulista – UNIP- Campus Petrolina,
como requisito parcial para a obtenção
do titulo de graduação em enfermagem.
Orientadora: Profª Renilde Pereira
Campos

PETROLINA – PE
2023
ANGELIM, A. L. F.; TORRES, D. M. C. T.; NASCIMENTO; SILVA, S. S.

Violência obstétrica: atuação do enfermeiro na prevenção de violência


obstétrica/Amélia Letícia Ferreira Angelim, Deuzivania de Menezes Caldas
Sá Torres, Rebeca Larissa Rocha Gomes, Sheila Soares da Silva– Petrolina
- PE, 2023.
xi, 53 f.: il.; 29 cm.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) -
Universidade Paulista - UNIP, Petrolina - PE, 2023.

Orientadora: Profa. Renilde Pereira Campos

Inclui referências.

1. Saúde da Mulher; Violência; Obstetrícia; Trabalho de Parto; Parto I.


ANGELI, A. L. F, II. Santos, Renilde C. (orientador).

Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema Integrado de Biblioteca XXX


Bibliotecária: XXX CRB-XXX
Amélia Letícia Ferreira ANGELIM
Deuzivania de Menezes Caldas Sá TORRES
Rebeca Larissa Rocha GOMES
Sheila Soares da SILVA

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

Monografia apresentada à Universidade


Paulista – UNIP- Campus Petrolina,
como requisito parcial para a obtenção
do titulo de graduação em enfermagem.
Orientadora: Profª Renilde Pereira Campos
Aprovado em:

BANCA EXAMINADORA

_______________________/__/___
Prof. Nome do Professor
Universidade Paulista - UNIP
_______________________/__/___
Prof. Nome do Professor
Universidade Paulista – UNIP
_______________________/__/___
Prof. Nome do Professor
AGRADECIMENTOS

Agradeçamos Primeiramente a Deus, por nos ajudar a ultrapassar todos os obstáculos


encontrados durante essa trajetória. Aos nossos pais e familiares por ter nos incentivados nos
momentos em que nos achávamos sem forças para continuar, e também nos momentos em
que estivemos ausentes por está focados no nosso objetivo. Agradecemos também a profª
Renilde Pereira Campos e aos demais pelas palavras de abraço e pela força dada em todo esse
período, somos gratos por tudo. Deus abençoe a todos.
RESUMO
A violência obstétrica vem afetando diversas mulheres devido ao aumento de casos que
ocorrem no dia a dia e a sua consequência deve ser sanada e uma das formas é através da
assistência humanizada prestada pela equipe de Enfermagem. Objetivo: Descrever a atuação
do enfermeiro na prevenção de violência obstétrica. Método: Esta pesquisa trata-se de um
estudo de abordagem qualitativa, descritiva, utilizando como metodologia um estudo de
revisão bibliográfica com o objetivo de sistematizar as referências bibliográficas referentes ao
tema escolhido que foi sobre a atuação do enfermeiro na prevenção de violência obstétrica. A
coleta foi realizada durante o mês de setembro e outubro de 2023. O levantamento de
referências bibliográficas ocorreu através da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando as
bases de dados eletrônicos SCIELO e LILACS, com artigos publicados no período entre 2020
e 2022, disponível em livre acesso, online e de forma gratuita e completa, em língua
portuguesa. Foram utilizados os descritores: “Violência Obstétrica”, “Saúde da mulher”;
“Violência contra a mulher”, “Enfermagem” e “Obstetrícia”. Resultados: Na primeira etapa
da pesquisa ocorreu a leitura dos títulos e resumos da amostra total, levando-se em
consideração os critérios de inclusão e exclusão. As bases de dados mostraram 32 referências.
Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 20 artigos foram excluídos, restando 12
artigos. Logo em seguida, a leitura na íntegra, 7 artigos respondiam a pergunta norteadora
para esta pesquisa. Conclui-se que a atuação da enfermagem no combate à violência
obstétrica deve ser respaldada no programa de humanização, pois garante o desenvolvimento
de competências profissionais e estratégias que visam na aquisição de conhecimentos,
habilidades para intervir na realidade das gestantes, pois a educação em saúde e respeito da
assistência voltada à mulher é primordial e humanizadora, sendo ela é capaz de reduzir
intervenções desnecessárias e o cuidado mais integral.

Palavras-chave: Violência Obstétrica; Saúde da mulher; Violência contra a mulher;


Enfermagem; Obstetrícia.
ABSTRACT
Obstetric violence has been affecting several women due to the increase in cases that occur on
a daily basis and its consequences must be remedied and one of the ways is through the
humanized assistance provided by the Nursing team. Objective: To describe the role of nurses
in preventing obstetric violence. Method: This research is a study with a qualitative,
descriptive approach, using as a methodology a bibliographic review study with the objective
of systematizing the bibliographic references referring to the chosen topic, which was about
the role of nurses in preventing obstetric violence. The collection was carried out during the
months of September and October 2023. The survey of bibliographic references took place
through the Virtual Health Library (VHL), using the electronic databases SCIELO and
LILACS, with articles published in the period between 2020 and 2022, available in free
access, online and free of charge and completely, in Portuguese. The following descriptors
were used: “Obstetric Violence”, “Women’s health”; “Violence against women”, “Nursing”
and “Obstetrics”. Results: In the first stage of the research, the titles and abstracts of the total
sample were read, taking into account the inclusion and exclusion criteria. The databases
showed 32 references. After applying the inclusion and exclusion criteria, 20 articles were
excluded, leaving 12 articles. After reading in full, 7 articles answered the guiding question
for this research. It is concluded that nursing action in combating obstetric violence must be
supported by the humanization program, as it guarantees the development of professional
skills and strategies aimed at acquiring knowledge, skills to intervene in the reality of
pregnant women, as health education and respect for assistance aimed at women is essential
and humanizing, as it is capable of reducing unnecessary interventions and providing more
comprehensive care.

Keywords: Obstetric Violence; Women's Health; Violence Against Women; Nursing;


Obstetrics
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Estudos incluídos na revisão bibliográfica da literatura. Petrolina, PE,


Petrolina, 2023...........................................................................................................30
SUMÁRIO

[Link]ÇÃO...........................................................................................................10
2. PROBLEMATIZAÇÃO.............................................................................................12
[Link] TEÓRICO......................................................................................14
3.1 Gestação e parto.........................................................................................................14
3.2 Violência obstétrica....................................................................................................16
3.2.1 Tipos de violência obstétrica...................................................................................17
4 Direitos da mulher no trabalho de parto........................................................................20
5 Conduta de Enfermagem para a assistência obstétrica humanizada..............................21
6 Práticas que devem ser abolidas no trabalho de parto...................................................22
7 Práticas que devem ser encorajadas no trabalho de parto.............................................26
[Link].......................................................................................................28
[Link]...........................................................................................................29
[Link]ÃO..............................................................................................................35
[Link]ÃO...........................................................................................................41
REFERÊNCIA...............................................................................................................42
10

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende analisar a violência obstétrica e o trabalho da


Enfermagem na prevenção considerando que esse tipo de violência contra a mulher
ocorre em pelo menos três momentos, na gestação, no parto e no atendimento em
situações de abortamento.
A expressão violência refere-se a qualquer forma de agressão que pode ser
evidenciada nas formas sexual, psicológica e física, pode ocorrer por negligência e/ou
privação, contra si mesmo ou contra outro individuo, comunidade ou grupo, o que pode
resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação
(SACRAMENTO, 2006).
O Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher
(1996) define a violência contra a mulher como “qualquer ato ou conduta baseada no
gênero, causando morte, dano ou sofrimento de ordem física, sexual ou psicológico à
mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada”. Desta maneira, este tipo de
violência pode ocorrer em diferentes ambientes, dentre eles a violência praticada em
gestantes em alguma rede de assistência de saúde, na qual é chamada de violência
institucional obstétrica (SILVA et al., 2023).
Este tipo de violência está associada como uma violência executada por
profissionais que fazem parte de equipes de saúde durante o trabalho de parto e parto, e
que normalmente ocorrem devido as mulheres não conhecerem o processo fisiológico e
práticas de assistência e direitos e deveres durante o trabalho de parto e parto e por
acreditarem de forma equivocada que o médico e outros profissionais de saúde que
estejam inseridos nestes momentos são os únicos detentores de conhecimentos e
habilidades técnicas para a execução do trabalho de parto e parto (WOLFF, 2008).
Segundo a pesquisa Nascer no Brasil, coordenada pela Fiocruz, aponta um dado
assustador, que uma em cada quatro brasileiras que deram luz foram vítimas de
violência obstétrica. Este ato envolve assédio moral e físico, desrespeito, abuso e
negligência, que iniciam no período pré-natal até a finalização do parto, somente nos
últimos anos esse tema está sendo discutido pelos órgãos responsáveis, conselhos e
comunidade científica (FIOCRUZ, 2014).
A formação da Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento (ReHuNa),
em 1993, e do Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN), em
11

2000, no Brasil, são períodos históricos para a progressão dos direitos humanos das
mulheres durante o trabalho de parto e parto (DINIZ et al., 2015).
A criação destas redes de apoio trazem a propagação de mudança de paradigmas,
pois a ocorrência de violência obstétrica é um problema ainda habitual nas práticas da
atenção destinada à mulher durante o trabalho de parto e parto e que perpassa em
questões de gênero, classe, raça e institucional, sendo caracterizado por tratamento
desumanizado pelos próprios profissionais de saúde, abuso de poder e medicalização,
desacreditar ou desencorajar o processo natural do parto, provocando a perda da
autonomia da mulher em decidir livremente sobre seu corpo, impactando negativamente
na qualidade de vida das mulheres (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO
PAULO, 2013).
Falando de forma específica sobre o Programa de Humanização do Pré-Natal e
Nascimento (PHPN), teve como objetivo resolver as reivindicações sociais pela melhora
da qualidade da atenção ao parto e nascimento e possibilitar estratégias contra o uso
irracional e danoso, de tecnologias invasivas no transcorrer do parto, almejando
priorizar a qualidade da relação mulher e o trabalhador de saúde (KARINE et al., 2021).
Diante do contexto descrito, uma das estratégias para combater a violência
institucional obstétrica é iniciando uma assistência pré-natal humanizada, envolvendo a
gestante e os profissionais de saúde através da empatia, compromisso, respeito e escuta
ativa e passiva, observando a mulher como ser biopsicossocial, capaz de apresentar
modificações físicas, psicológicas, sociais, espirituais e culturais, não devendo ser
restrita à apenas aspectos biológicos da gestante (BRASIL, 2011).
Nesse contexto, o profissional de saúde deve assumir a responsabilidade sobre a
assistência pré-natal e parto humanizados, em especial, o enfermeiro, que possui a
responsabilidade pela assistência ao pré-natal de baixo risco nas Unidades Básicas de
Saúde, desenvolvendo orientações individuais ou grupal as gestantes durante todo
processo gravídico, o que possibilita minimizar medos e ansiedades, o reconhecimento
sobre direitos durante o trabalho de parto e parto, discernimento das gestantes sobre as
intervenções que caracterizam violência obstétrica, riscos à saúde da mulher e do bebê e
promover humanização da assistência (SILVA et al., 2015).
Diante do exposto, o trabalho de pesquisa tem como objetivo geral descrever a
atuação adequada do Enfermeiro no combate à violência obstétrica e objetivos
específicos definir violência obstétrica, conceituar humanização na assistência no
12

trabalho de parto e listar práticas que devem ser abolidas e encorajadas no trabalho de
parto

2. PROBLEMATIZAÇÃO

O modelo de assistência ao parto era de forma intervencionista e medicalizada


da qual a mulher não era a protagonista e muito menos não tinha a autonomia sobre o
processo do parto que ocorre no seu próprio corpo e muitas vezes a ocorrência de
cesarianas crescia de forma indiscriminada. Assim, o modelo da assistência ao parto
obstétrico ter muitas peculiaridades e complexidades, os fatores que envolvem o parto e
a sua assistência precisam ser discutidos, inclusive sobre a qualidade do cuidado
obstétrico (PATAH; MALIK, 2011).
Antigamente, era comum que os partos fossem realizados no domicílio da
mulher e acompanhados por parteiras e só ocorria com a presença do médico se o parto
fosse considerado complicados e que ela não conseguia resolver. Além do parto, a
parteira auxiliava nos afazeres da casa e no puerpério. Era uma época em que o hospital
não era um ambiente seguro para a mulher parir (LEISTER; RIESCO, 2013).
Porém a partir dos anos 50, houve uma mudança nos padrões de natalidade e
morbimortalidade, surgindo a chamada “epidemia de cesarianas'', caracterizada por um
modelo assistencial voltado para o protagonismo do médico, resultando em intervenções
e na perda da autonomia e protagonismo da mulher (BATISTA, RISSIN; 2018).
O que também motivou a alta taxa de cesariana em alguns países, como no
Brasil que chega a 90% nos hospitais e de quase 45% na rede pública, porém o
recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é que seja de, no máximo,
15% e o processo do parto continuou cada vez mais um evento médico e a mulher
perdendo o seu protagonismo e sendo colocada à procedimentos desnecessários (LEAL
et al., 2021),
Em 2018, a OMS emitiu recomendações conhecidas como “Intrapartum care for
a positive childbirth experience” sobre o cuidado no trabalho de parto e parto, com o
objetivo de padronizar uma assistência padrão para as gestantes e com a finalidade de
reduzir práticas desnecessárias que devem ser evitadas, a exemplo, a episiotomia e uso
rotineiro de ocitocina (LEAL et al., 2021).
A enfermagem foi introduzida no cenário do parto para trazer uma maior
atenção a parturiente e com a busca de uma maior consciência de menos intervenções e
13

uma maior assistência humanizada, tendo em vista que o cuidado sempre foi o
instrumento principal de trabalho da categoria da enfermagem, pois a imagem da (o)
enfermeira (o) sempre esteve intimamente ligada ao cuidado. Assim, faz-se necessário
que a enfermagem compreenda sobre a violência obstétrica e as condutas para um parto
humanizado.
De forma sumária, a importância da discussão sobre violência obstétrica, torna-
se relevante porque este tipo de violência é capaz de provocar sequelas que podem
trazer danos à mulher por um longo período. Além deste ponto, o tema também foi
escolhido através do relato de umas das autoras, que afirma ter sido testemunha de um
caso de violência obstétrica. Assim, surgiu a seguinte questão norteadora: “Qual a
atuação do enfermeiro na prevenção de violência obstétrica?”
14

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 Gestação e parto

O parto é um evento que atravessou por grandes transformações no transcorrer


de décadas, a saber, outrora não existiam técnicas que reduziam a dor no parto e muito
menos exercícios ou estratégias que melhorasse esta atividade, assim muitas vezes as
mulheres se isolavam para parir, geralmente sem nenhum auxílio ou cuidado, apenas
seguiam seus instintos (SILVA, 2009).
Na antiguidade os partos eram realizados por mulheres de confiança da família e
eram conhecidas como “aparadeiras ou parteiras" e ocorriam no domicílio e estas
parteiras acompanhavam as gestantes o transcorrer de toda a gestação, parto e pós-parto,
além dos cuidados aos recém-nascidos (BRENES, 1991).
Estes costumes mantiveram-se até a década de 40, quando os partos passaram a
ser institucionalizados, o que favoreceu para a redução de mortalidade materna e
perinatal, porém foi um período que o parto passou a ser medicalizado, não havia o
respeito pelo processo natural do parto e o protagonismo no processo do trabalho de
parto era do médico e não da mulher. Na década de 80 houve a intensificação de críticas
sobre estas situações e a necessidade de mudanças na assistência ao parto, período este
conhecido como o movimento de “humanização do parto” (MOURA et., 2007).
Essa proposta de humanização do parto foi levada para diversos debates em
grandes conferências internacionais, o que fez com que o parto fosse respeitado como
um evento normal e natural, o que reforçou sobre a importância de o parto vaginal ser
desprovido de condutas desnecessárias que oferecem riscos para a mãe e o bebê
(NICIDA et al., 2020).
O parto vaginal humanizado diferencia da cesárea, principalmente por ser
realizado de acordo com a vontade da mulher, da qual esta tem o controle de todo o
processo, a exemplo, a posição que deseja parir, entre outros, assim o parto humanizado
não utiliza de pressa para o nascimento do bebê. Diferente do que ocorre no parto
cesáreo que é um procedimento cirúrgico em que há necessidade de anestesia raquidiana
e de um corte na região abdominal para a retirada do feto (SOUZA et al., 2019).
A humanização no parto envolve atitudes acolhedoras, feitas de maneira
delicada e afetuosa por partes dos profissionais de saúde em relação à parturiente e a seu
bebê, características estas que fazem parte da atuação da equipe de Enfermagem, além
15

de cuidados humanísticos, favorecendo a fisiologia do parto e introduzindo tecnologias


que proporcionam o cuidado e conforto à mulher, inserindo em seu atendimento
habilidades e competências profissionais. Além disso o parto humanizado refere-se ao
conceito de que a atuação do enfermeiro se inicia desde o pré-natal, onde passa
orientações à gestante e a seu acompanhante (SILVA; SANTOS; PASSOS, 2022).
Estas mesmas autoras afirmam que a enfermagem é uma categoria profissional
que tem contato com as mulheres desde o puerpério e o pós-parto, o que assegura para
que estas mulheres tenham a oportunidade de um parto com toda a atenção humanizada,
individualizada e atendendo as situações de complexidade, oferecendo informações
necessárias e dando total segurança, utilizando de técnicas de relaxamento, alívio da
dor, diminuindo os medos e anseios.
Considerando que o parto é o desfecho natural da gestação e durante a gestação
ocorre modificações gestacionais para o momento do parto, a exemplo, o relaxamento
dos ligamentos pélvicos, a flexibilidade da musculatura perineal, a adaptação de órgãos
e estruturas contribuindo para o avanço do feto pelo trajeto do parto, o que faz com este
conhecimento seja necessário para que o profissional de saúde que acompanha o
trabalho de parto possa identificar o processo como natural e permitindo que a
participação materna de forma ativa (BALASKAS, 2015).
No desfecho do terceiro trimestre por volta das 37-38 semanas o feto chega ao
termo, indicando que atingiu o ápice de desenvolvimento dentro útero e está pronto para
o nascimento e isso só ocorre devido ao trabalho de parto que é uma série de eventos
anátomo-fisiológicos que possibilitam a saída do feto através da pelve materna pela via
vaginal (MONTENEGRO; BRAGA; REZENDE-FILHO, 2011).
O parto pela via vaginal também conhecido como parto normal, vaginal, natural
ou transpélvico, ocorre livremente, sem qualquer intercessão quanto a seu início e
avanço. Sendo que neste tipo de parto não ocorre a utilização de fórceps, anestesia e
outros procedimentos cirúrgicos para a saída do feto. Já o parto cesariano, que se dá
pela via abdominal, já necessita de instrumentos cirúrgicos e anestesia (BRASIL, 2015).
Para considerar uma via de parto apropriada deve-se seguir alguns critérios,
como: estática fetal, proporcionalidade fetopélvica, co-morbidades maternas,
complicações fetais, entre outros. A maioria dos partos, seja ele, baixo risco ou de alto
risco, podem ocorrer pela via vaginal sem prejuízos à saúde da parturiente ou do bebê,
porém há necessidade da identificação das contraindicações ao parto vaginal,
considerando sempre a autonomia materna.
16

3.2 Violência obstétrica

A origem do termo violência, do latim, violentia, caracteriza o ato de violar


outra pessoa ou a si próprio e que pode levar a danos físicos, por exemplo: tortura,
ferimentos, morte ou danos psíquicos, ameaças, humilhações, ofensas, expressões à atos
contrários à liberdade e à vontade de alguém, ferindo a moral e ética (MODENA, 2016).
O processo de nascimento no século passado era visto como algo natural, o que
poderia ser realizado por uma parteira que era dotada de conhecimentos sobre gravidez
e parto devido a sua vasta experiência, o que lhe cabia respeito e confiança, assim esta
mulher oferecia assistência e atenção ao parto que era feito na residência (PIMENTA, et
al., 2013).
A história aponta que mulheres são vítimas constantes de diferentes formas de
violência, entre elas, evidencia-se a violência obstétrica que é um tipo de violência
contra a mulher. Ainda persiste a divulgação pela imprensa e mídias sociais sobre o
desrespeito e o descaso com as gestantes no atendimento à assistência ao parto, seja
setor público ou privado de saúde, o que reforça a necessidade de intervenções para
garantir a segurança e os melhores desfechos de saúde para as gestantes (ZANARDO, et
al., 2017).
A violência obstétrica está relacionada pela dor, sofrimento, abusos, maus tratos,
desrespeito, negligência provocados na gestante durante o trabalho de parto em
instituições de saúde e que são evitáveis, o que podem causar consequências para a mãe
e para o bebê (OMS, 2014). Além disso, outros fatores podem levar a violência
obstétrica, tais como, a classe social, a diferença racial, a escolaridade e a renda
((D’ORSI et al., 2014).
Este tipo de violência favorece o aumento dos índices de morbimortalidade
materno e infantil, sendo que existem práticas recomendadas pela Organização Mundial
de Saúde (OMS) sobre formas de minimizar a dor e o tempo de trabalho de parto,
através da assistência adequada dos profissionais de saúde, tais como, liberdade de
deambulação, alimentação com alimentos e líquidos leves, a liberação da presença do
acompanhante que a parturiente fez a escolha, o que pode favorecer para a diminuição
do medo, temor e tensão durante o decorrer da evolução do trabalho de parto (BRANDT
et al., 2018).
17

A violência obstétrica tem sido provocada em diversas mulheres ao longo dos


anos e é uma realidade vivida no mundo inteiro, sendo que no Brasil, uma em cada
quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto (OMS, 2014).
Assim, supõe-se que cerca de dois milhões de mulheres sofram com a violência
obstétrica anualmente. Sobre este tipo de violência, a cesariana desnecessária também
possui uma prevalência alta no Brasil (FIOCRUZ, 2012). Importante acrescentar que a
violência obstétrica ocorre durante o seu ciclo gravídico-puerperal, assim desde o pré-
natal, pré-parto, parto e pós-parto (CARVALHO, 2015).
No decorrer do parto, as mulheres ficam vulneráveis e sensibilizadas para serem
acometidas por algum tipo de violência obstétrica e que muitas vezes ocorrem por medo
e a subordinação ao profissional de saúde que está prestando a assistência neste
momento, que por sua vez, pode passar despercebida pela mulher, devido a alegria do
nascimento. Porém, algumas mulheres podem sofrer agressões, o que acaba tornando o
momento do parto algo dolorido não apenas pelo fisiológico, mas também psicológico
(BRANDT, et al., 2018).
Estes autores também apontam que além disso, muitas mulheres não possuem
conhecimentos necessários para identificar que algumas intervenções são consideradas
violência, tais como, a episiotomia, que é praticado muitas vezes sem indicação por
profissionais.
No Brasil, políticas de humanização estão cada vez mais sendo disseminada na
população, inclusive voltado para as mulheres para conscientização dos seus direitos, a
exemplo, a política de humanização do parto e nascimento (REHUMA) no ano de 1993,
Programa de Humanização no pré-natal e nascimento (PHPN) nos anos 2000 que se
tornaram marco da promoção dos direitos humanos das mulheres, destacando durante o
trabalho de parto e parto, a uma assistência humanizada voltada para a prestação de uma
assistência que prioriza a qualidade do cuidado garantindo respeito aos direitos e sua
individualidade, valorizando a autonomia, protagonismo no processo do cuidado. É uma
forma de transformar o processo contrário a humanização que se tornou cada vez mais
gradativa, em procedimentos que visam a suavizar as dores e temores das mulheres que
necessitam de atendimento e cuidados, com destaque para os profissionais de saúde, o
enfermeiro, neste processo (LEMOS et al., 2019).

3.2.1 Tipos de violência obstétrica


18

De forma ampla, para caracterizar a violência obstétrica, aponta-se que envolve


condutas que são cometidas durante o ciclo gravídico-puerperal da mulher, podendo ser
praticado por profissionais de saúde ou servidores públicos, seja na rede privada ou
pública, de ordem física, sexual ou psicológica (CARVALHO, 2015).
Existem seis principais tipos de agressões que podem ser consideradas como
violência obstétrica, dentre elas: violência física, violência institucional, violência
moral, violência sexual, violência psicológica e violência verbal (BRANDT et al.,
2018), sendo descritas a seguir:

- Violência física

No contexto físico, a violência obstétrica, ocorre com atos ou negligências que


são cometidos no corpo da mulher, o que poderá causar dor e sofrimento, através de
práticas que não são baseadas em evidências científicas e que não são consentidas pela
mulher (CARVALHO, 2015).
Entre as práticas e intervenções desnecessárias e violentas provocadas no corpo
da mulher, estão a utilização de ocitocina, lavagem intestinal, a recusa na liberação para
que a mulher possa ingerir líquidos e alimentos, ruptura da bolsa, raspagem dos pelos
sem a sua autorização, realizar exames em excesso, e manobra de Kristeller, limitar a
posição de parto por uma que não é a desejada pela mulher, não dispor de estratégias de
alívio para a dor sendo natural ou anestésico, cesariana eletiva e uso de fórceps sem
indicação clínica e a não utilização de analgesia, imobilizações (OMS, 2017).

- Violência institucional

A violência obstétrica institucional pode ser caracterizada pela busca em


diversos serviços até receber atendimento; falta de acolhimento, escuta e tempo para a
clientela; rispidez, falta de atenção, negligência e maus-tratos provocados pelos
profissionais que atendem aos usuários, sendo motivados por discriminação, a exemplo,
idade, gênero, orientação sexual, racismo, deficiência física, mulheres soropositivas
para o HIV, distúrbio mental; mulheres em decurso de abortamento (SANTOS;
SOUZA, 2015).

- Violência moral
19

A violência moral obstétrica é caracterizada quando toda ação verbal ou


comportamental provoque na mulher um tratamento desumanizado com o uso de
linguagem inadequada e rude, com discriminações, humilhações, críticas quanto
questões pessoais ou particulares da gestante, quando os profissionais da saúde realizam
comentários desagradáveis, discriminatórios e vexatórios dentro do cenário obstétrico
(VIEIRA, 2017).

- Violência sexual

Na ordem sexual, refere-se as ações que podem ocorrer com o acesso aos órgãos
sexuais ou partes íntimas do corpo da mulher e que infringem a sua intimidade ou
pudor, o que pode ocasionar abuso de poder e confiança por parte dos profissionais que
lhes prestam serviço (CARVALHO, 2015).
São exemplos de violência sexual obstétrica, assédio, episiotomia, exames de
toque invasivos, cesariana sem fundamentação baseadas em evidencias médicas, ruptura
ou descolamento de membranas sem o seu consentimento informado, exigências sobre a
posição para parir (VIEIRA; APOLINÁRIO, 2017).

- Violência psicológica

A violência psicológica ocorre através de comportamentos ou ações verbais que


provoquem na mulher sensações de vulnerabilidade, inferioridade, instabilidade
emocional, abandono, insegurança, medo, além da perda de dignidade, respeito ou
integridade (CARVALHO, 2015).

- Violência verbal

A violência verbal pode ser caracterizada por um tratamento indelicado por parte
dos profissionais através de gritos, o que pode causar na parturiente pavor e insegurança
(SANTOS; SOUZA, 2015). A violência verbal pode provocar a sensação de
humilhação, pois muitas vezes vem acompanhado de comentários constrangedores e
ofensivos à gestante devido a sua idade, raça, nível de escolaridade, orientação sexual,
20

religião, crença, número de filhos ou abortos, condição socioeconômica, estado civil


(BRANDT; SOUZA; MIGOTO; WEIGERT, 2018).

4. Direitos da mulher no trabalho de parto

Sobre violência obstétrica, torna-se importante descrever sobre algumas normas


que tratam da proteção de determinados direitos das mulheres no âmbito da obstetrícia,
sendo:
- Lei do acompanhante n° 11.108/2005: garantir o direito das mulheres de serem
acompanhadas durante o parto e após o parto no âmbito do Sistema Único de Saúde-
SUS. Com o objetivo de não deixar nenhuma lacuna, no ano de 2013 foi acrescentado a
Lei nº 12.895/2013, o § 3º no artigo 19- J, onde obriga os hospitais de todo o País a
manter, em local visível e de fácil acesso, aviso informando sobre o direito da
parturiente a um acompanhante. Portanto, verifica-se que o direito ao acompanhante
abrange todas as parturientes, atendidas tanto no setor público quanto privado, e ambos
os setores são obrigados a informá-las desse direito da forma mais clara e objetiva
possível.
- Lei n° 11.634/2007: deixou estipulado que as gestantes atendidas pelo Sistema Único
de Saúde (SUS) têm o direito de saber e saber com antecedência onde ocorrerá o parto,
e serão atendidas em caso de intercorrências no pré-natal. O artigo 1°, § 2 da respectiva
lei, aduz que a maternidade onde a gestante será vinculada deverá ser apta a prestar
todas as assistências necessárias, conforme a situação de risco gestacional, além disso,
no Artigo 2° complementa instituindo que nos casos de inaptidão técnica devera
também cuidar da transferência segura da gestante. Essa lei tem o intuito justamente de
evitar a chamada peregrinação na busca de vaga em hospital, pois nos casos em que a
gestante se desloca por diversos hospitais até conseguir atendimento poderá resultar em
morte materna, podendo considerar essa peregrinação como uma das principais causas
dessa tragédia.
- Lei n° 13.434/2017: A presente lei acrescentou ao artigo 292 do Código de Processo
Penal o parágrafo único que vem estabelecendo que seja proibido algemar mulheres
grávidas em comportamento médico-hospitalar durante os preparativos para o parto e
durante o parto, bem como algemar imediatamente após o parto.
21

- Resolução CFM n° 2.144/2016: Essa resolução do Conselho Federal de Medicina


permite que a mulher escolha a cesariana eletiva 2, ou seja, permite que a mulher tenha
o direito de escolha, podendo decidir em ter o parto cesáreo ainda que não haja
indicação médica. O principal objetivo consiste justamente em garantir a autonomia da
vontade da gestante, porém, sempre obtendo orientação do médico sobre os riscos e
benefícios de tal procedimento.

5. Conduta de enfermagem para a assistência obstétrica humanizada

A gestação é um processo biológico, que deveria fluir naturalmente e sem


grandes intervenções, porém passou a ser tratado como processo patológico que vem
sendo embutido desde o início do pré-natal atribuindo este momento como um risco
iminente, necessitando de intervenções obstétricas, inclusive a assistência totalmente
institucionalizada (BRASIL, 2001).
No momento de conduzir os cuidados obstétricos, seja antes, durante e após o
parto, torna-se importante entender que toda mulher tem o direito de receber tratamento
livre de maus-tratos ou danos, receber informação, consentimento esclarecido com
possibilidade de recusa, direito ao respeito às suas escolhas, liberdade de estar com o
acompanhante durante toda a internação no centro obstétrica, privacidade e sigilo, ser
tratada com respeito, ter um tratamento igualitário e livre de discriminação, receber
cuidados profissionais com liberdade e autonomia (SILVA et al, 2014).
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a enfermagem obstétrica é a
categoria profissional mais capacitada para as práticas de violência e uma assistência
segura ao processo de parto e nascimento. Além disso, a equipe de enfermagem deve
oferecer um cenário para que a mulher esteja à vontade, encorajando-a nos momentos
de dor durante o parto, possibilitar uma acomodação de leito com limpeza, ventilação e
iluminação adequados; promover privacidade a gestante com a utilização de biombos
entre as camas; procurar ofertar a alimentação em horários flexíveis e banho com água
corrente e sabonete e roupas limpas e propiciar posições confortáveis para a mulher
ficar durante o parto (MOURA et al., 2018).
A equipe de enfermagem deve buscar dirimir todas as dúvidas da parturiente,
além de preocupações ou medo sobre o trabalho de parto; oferecer informações sobre os
sinais e sintomas das fases do trabalho de parto e como amenizá-los, explicar sobre a
evolução do trabalho de parto e pré-parto e o aumento da intensidade e frequência das
22

contrações uterinas, o tempo e intervalos para cada exame/ausculta fetal a cada 30


minutos, sobre as posições para o parto e os cuidados imediatos com o recém-nascido
(MOURA et al., 2018).
Diante das ações ditas anteriormente, a atuação da enfermagem é de grande
importância para motivar o parto fisiológico e humanizado, dando ênfase que a mulher é
a protagonista deste momento, buscando diminuir as influências externas que conduz
para um parto com intervenções, além de buscar por estratégias não farmacológicas para
o alívio da dor, sendo considerada como medidas de assistência humanizada que a
Enfermagem pode conduzir, como a deambulação da parturiente, limitação do uso
rotineiro de ocitocina e episiotomia, estimulação da respiração e relaxamento, o
estímulo ao parto vertical e a presença do acompanhante (OLIVEIRA; PENNA, 2018).

6. Práticas que devem ser abolidas no trabalho de parto

O parto é considerado um evento esperado e um período resolutivo do ciclo


gravídico-puerperal, muitas vezes desejado, mas também temido pelas mulheres, pois é
a passagem e mudanças de um estado para outro. O parto normal ou vaginal quando
comparado à cesárea, possui diversas vantagens, que o torna a melhor via de parto.
Além disso, é natural, respeitando a fisiologia do processo do parto, com menos custos e
proporcionando à mulher uma recuperação bem mais rápida (BRASIL, 2012).

- Restrição de posição para o parto

Durante a posição no processo do parto, o importante é que a mulher se sinta


livre para assumir, de forma espontânea, a posição que mais lhe oferece conforto e que a
faça se sentir melhor, o que irá influenciar direta e indiretamente no processo de parto e
nascimento (ODENT, 2002). Entretanto, devido a tecnocratização e da hospitalização
durante o processo de parir, o médico foi o primeiro a estimular mulheres a adotar a
postura em decúbito dorsal, mas a reclinada era aconselhada somente no momento do
parto, no entanto seu uso foi estendido também para o trabalho de parto devido a
aceleração pelo crescimento dos hospitais e maternidades (DUNN, 2000).
Com a medicalização do parto, a posição de litotomia, no período expulsivo,
passou a ser apontada como a mais apropriada para o nascimento (GAYESKI;
BRUGGEMANN, 2009), o que faz com que a parturiente e o feto perdem o
23

protagonismo neste processo, devido a assumir uma posição passiva, deixando de lado a
fisiologia da mulher e a naturalidade do processo de parturição, enquanto os
profissionais assumem o poder exclusivo de decisão sobre o nascimento, realizando
uma série de intervenções obstétricas muitas vezes não necessárias (MAMEDE;
MAMEDE; DOTTO, 2007).
O parto realizado na posição vertical está relacionado ao tempo reduzido do
período expulsivo quando comparados aos partos em posição horizontal (NILSEN,
SABATINO E LOPES; 2011). Além disso, a posição vertical auxilia no aumento da
frequência e da intensidade das contrações uterinas, auxiliando em uma maior eficácia
durante o trabalho de parto com redução nos níveis de cansaço e desgaste da parturiente
(NILSEN, SABATINO, LOPES, 2011). A mulher se sente mais protagonista do
processo de parir, considerando que esta posição vertical colabora para a realização da
força, descida e expulsão do feto, decorrente da gravidade (GAYESKI,
BRUGGEMANN, 2009), melhora no manejo da dor, reduz desconforto e diminuição
das lacerações vaginais ou perineais (BRASIL, 2001).
Outra vantagem da posição vertical durante o trabalho do parto, é a não
realização da episiotomia de forma indiscriminada, visto que em relação a posição
vertical, o decúbito dorsal restringe a participação da mulher durante o parto,
diminuindo a eficiência da força materna exercida no período expulsivo (BARACHO et
al., 2009).
Outra posição de destaque durante a assistência durante o trabalho de parto e que
deve ser estimulada entre os profissionais de saúde que prestam assistência a parturiente
é a posição sentada e semi-sentada são posições favoráveis para a abertura da pelve,
aumentando a força da gravidade e auxilia no esforço para baixo. O parto de cócoras
também envolve uma assistência humanizada, pois é identificado como um parto mais
natural por ser vertical e, portanto, fisiológico e que proporciona a mulher a sensação de
controle do processo de parto (RICCI, 2013). Outra vantagem do parto de cócoras é o
menor esforço no período expulsivo, além de facilitar a rotação e a descida fetal,
ampliar os diâmetros da pelve em 25% e melhorar a oxigenação fetal (SABATINO
2010).
A posição de quatro é outra forma que deve ser estimulada na humanização do
parto, pois oferta benefícios quando o feto estiver numa posição posterior e na presença
de edema de colo, além de reduzir a pressão que a cabeça fetal faz no colo do útero e na
face interna das estruturas da bacia, pois esta posição amplia os diâmetros da pelve, o
24

que facilita a rotação interna do feto e diminui a pressão nas vísceras maternas
(GOMES, 2010).

- Episiotomia

A episiotomia é um procedimento cirúrgico que causa uma incisão no períneo


para aumentar o canal de parto no momento que o bebê está nascendo e para isso de
início utiliza-se um bisturi e logo em seguida uma tesoura cirúrgica. Os danos destes
procedimentos, a exemplo, incômodos, dores e perda de sensibilidade na região do
períneo, que pode durar de semanas e persistir por anos ou até mesmo serem
permanentes, além de ser considerada uma forma de mutilação genital da mulher, causa
aumenta o risco de hemorragia e más disfunções sexuais a longo prazo (VALARINI,
2013).
Além destes problemas, a litotomia está relacionada ao chamado popular “ponto
do marido”, pois durante a sutura da episiotomia, o profissional médico dá um ponto a
mais, com o objetivo de deixar a vagina mais apertada no intuito de conservar o prazer
do homem nas relações sexuais (CIELLO et al, 2012).

- Manobra de Kristeller

A Manobra de Kristeller é uma manobra que usa de força física por parte do
profissional de saúde para empurrar o bebê a sair do útero materno com as mãos ou com
a própria pessoa subindo em cima do abdômen da mulher, o que provoca desrespeito à
sua integridade física e psicológica, além da criança correr o risco de sofrer trauma
encefálico e a mãe a riscos de hemorragia devido a fraturas nas costelas, trauma das
vísceras abdominais e descolamento da placenta (CIELLO et al, 2012).
Atualmente, a manobra de Kristeller é tratada como uma das práticas claramente
prejudiciais ou ineficazes e que devem ser eliminadas do parto, uma vez que pode
desencadear a atonia uterina, a qual representa a principal causa de hemorragia e choque
hipovolêmico e tem importância fundamental na morbimortalidade materna, sendo a
causa principal de histerectomia pós-parto (BRASIL, 2014).

- Cesáreas eletivas
25

A cesárea foi desenvolvida como um procedimento cirúrgico para ser utilizado


na situação de salvar a vida da mãe e/ou da criança em situações de complicações na
gestação ou no parto, porém no Brasil e em outros países este procedimento é realizado
de forma indiscriminada não oferecendo nenhum tipo de benefício para a mãe ou a
criança (BARBOSA et al., 2003).

- Toque vaginal

O toque no canal vaginal que tem o intuito de conferir a evolução da dilatação


do colo do útero realizado diversas vezes, inclusive em hospitais escola, sem
necessidade, apenas para garantir o aprendizado do corpo de discentes, o que acaba
proporcionando muitas vezes a exposição da intimidade da mulher, assim, a sua
integridade física, o seu direito inviolável à intimidade, acaba sendo considerado em
violência de cunho institucional, físico e sexual (ALMEIDA, 2018).

- Proibição do acompanhante

Diversos estudos comprovam a importância do acompanhante no processo de


parturição, pois o cuidado proporcionado pelos acompanhantes contribuiu para a
humanização do parto e nascimento, como também oferece conforto, calma e segurança,
aliviando a tensão das parturientes (ALMEIDA, 2018).
O Ministério da Saúde (MS) aponta que a presença do acompanhante apresenta
benefícios e que as gestantes que contam com um acompanhante no parto e puerpério
imediato ficam mais tranquilas e seguras durante o processo, havendo diminuição do
tempo de trabalho de parto e do número de cesáreas. A permanência de outra pessoa
junto à mulher contribui, ainda, com a redução do risco de acometimento por depressão
pós-parto (BRASIL, 2008).

- Aplicação de ocitocina

A ocitocina é um hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado no lobo


posterior da hipófise, sendo responsável por estimular as contrações uterinas,
promovendo contrações potentes e frequentes, além de atuar também na amamentação,
pois é responsável por estimular a ejeção do leite materno (ZUGAIB, 2016).
26

A ocitocina é a medicação mais utilizada em obstetrícia para estimular o parto,


mesmo não sendo recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS),
evidenciando uma intensa medicalização com a droga na parturição, tem efeitos
negativos para a mãe e para o feto, como hiperestimulação uterina, taquissistolia,
alteração da frequência cardíaca fetal (ZUGAIB, 2016), hemorragia pós-parto,
hiperestimulação uterina, náuseas, vômitos e até mesmo baixo índice de Apgar
(COSTA, 2014).

- Privação de alimentos e bebidas

No que se refere à ação comum de proibir a ingestão de alimentos líquidos ou


sólidos no trabalho de parto é atribuído ao medo da aspiração de conteúdo estomacal
durante uma anestesia. Porém, o risco está relacionado à anestesia geral, em mulheres
de risco habitual. Levando em consideração a demanda do organismo em manter uma
hidratação e um aporte calórico apropriado à mulher durante o parto, bem como
oferecer conforto e bem-estar, o consentimento para a mulher consumir alimentos leves
ou fluidos durante o trabalho de parto não aumenta a ocorrência de complicações
(BRASIL, 2014).

- Fórceps

A utilização do fórceps tem como objetivo acelerar o processo expulsivo do


bebê, com a utilização de um instrumento cirúrgico similar a uma pinça, introduzindo-o
no canal genital da mulher e regulando-o nos lados da cabeça da criança para retirá-la
do canal de parto (ZUGAIB, 2012).
Este método é considerado uma violência obstétrica e pode ocasionar a morte do
bebê, além de ser um fator de risco para o desenvolvimento de incontinência urinária na
mãe e para a ocorrência de traumatismo vaginal ou perineal. Dentre as complicações
para a parturiente em decorrência do uso do fórceps, destacam-se as fissuras perineais,
vaginais e roturas de esfíncter do ânus. E para o neonato, observam-se situações de
maior gravidade, dentre as quais estão o “esmagamento dos nervos parietais, fraturas
cranianas e lesões oculares” (ZUGAIB, 2012).

- Lavagem intestinal
27

O enema que é a lavagem intestinal que é incômoda e constrangedora para


muitas mulheres, seu uso não traz benefícios para o trabalho de parto, não devendo ser
feita (ZUGAIB, 2012).

7 Práticas que devem ser encorajadas no trabalho de parto

Segundo as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, do Ministério


da Saúde (2017), as práticas que precisam ser estimuladas durante o trabalho de parto
são: 1. Plano individual determinando onde e por quem o parto será realizado, feito em
conjunto com a mulher durante a gestação e comunicando o seu marido/companheiro e,
se aplicável, a sua família; 2. Avaliação do risco gestacional durante o pré-natal,
reavaliado a cada contato com o sistema de saúde e no momento do primeiro contato
com o prestador de serviços durante o trabalho de parto, e ao longo de este último; 3.
Monitoramento do bem-estar físico e emocional da mulher durante o trabalho de parto e
ao término do processo de nascimento; 4. Oferecimento de líquidos por via oral durante
o trabalho de parto e parto; 5. Respeito à escolha da mãe sobre local do parto, após ter
recebido informações; 6. Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico
onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante; 7.
Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto; 8. Apoio empático pelos
prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto; 9. Respeito à escolha da
mulher sobre seus acompanhantes durante o trabalho de parto e parto; 10. Fornecimento
às mulheres de todas as informações e explicações que desejarem; 11. Métodos não
invasivos e não farmacológicos de alívio da dor, como massagens e técnicas de
relaxamento, durante o trabalho de parto; 12. Monitoramento fetal por meio de ausculta
intermitente; 13. Uso de materiais descartáveis apenas uma vez e descontaminação
adequada de materiais reutilizáveis, durante todo o trabalho de parto e parto.;14. Uso de
luvas no exame vaginal, durante o parto do bebê e no manuseio da placenta;15.
Liberdade de posição e movimento durante o trabalho de parto; 16. Estímulo a posições
não supinas durante o trabalho de parto; 17. Monitoramento cuidadoso do progresso do
trabalho de parto, por exemplo por meio do uso do partograma; 18. Administração
profilática de ocitocina no terceiro estágio do parto em mulheres com risco de
hemorragia pós-parto, ou que correm perigo em conseqüência da perda de até uma
pequena quantidade de sangue; 19. Condições estéreis ao cortar o cordão umbilical; 20.
28

Prevenção da hipotermia do bebê; 21. Contato cutâneo direto precoce entre mãe e filho
e apoio ao início da amamentação na primeira hora após o parto, segundo as diretrizes
da OMS sobre o aleitamento materno; 22. Exame rotineiro da placenta e membranas
ovulares.

8. METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório e descritivo com abordagem


qualitativa mediante uma revisão bibliográfica da literatura.
O levantamento dos artigos científicos ocorreu através da extração da Biblioteca
Virtual em Saúde (BVS), utilizando as bases de dados eletrônicos: SCIELO e LILACS,
levando em consideração os artigos publicados no período compreendido entre 2020 e
2022, disponível em livre acesso, online e de forma gratuita e completa, sendo
publicados em língua portuguesa. Com relação a busca de dados foram utilizados os
seguintes Descritores em Saúde (DECS): “Violência Obstétrica”, “Saúde da mulher”;
“Violência contra a mulher”, “Enfermagem” e “Obstetrícia” cruzados através do
operador booleano “AND. A pergunta norteadora do presente estudo será: “Qual a
atuação do enfermeiro na prevenção de violência obstétrica?”
Para a análise na íntegra dos artigos selecionados foram utilizados um
instrumento de coleta e síntese dos dados, com o propósito de extrair, organizar e
sumarizar as informações, o que irá facilitar a formação do banco de dados. O
instrumento elaborado para coleta e análise dos artigos em uma revisão bibliográfica
contemplou os seguintes itens: nome do artigo, ano de publicação, autores, principais
achados e conclusões.
Passos que foram seguidos para a coleta de dados:
1) a pré-seleção dos artigos que ocorreu através da leitura prévia dos resumos levando
em consideração os critérios de exclusão;
2) a leitura na íntegra dos artigos que foram identificados de interesse para o estudo;
3) ordenação e sintetização das informações contidas nos artigos;
4) registro e análise dos resultados contendo nome do artigo, ano de publicação, autores,
resultados e conclusões da pesquisa;
5) análise descritiva da amostra bibliográfica encontrada e discussão sobre a atuação a
atuação do enfermeiro na prevenção de violência obstétrica
29

9. RESULTADOS

Após combinações com os descritores “Violência Obstétrica”, “Saúde da


mulher”; “Violência contra a mulher”, “Obstetrícia” e “Enfermagem” cruzados através
do operador booleano “AND, as buscas nas bases de dados mostraram 32 referências.
Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 20 artigos foram
excluídos, restando 12 artigos. A partir daí foi realizado a leitura na íntegra, sendo
identificados que 7 artigos respondiam a pergunta norteadora para esta pesquisa. Os
artigos que foram utilizados para compor a amostra da revisão bibliográfica estão
representados na Tabela 1.
30

Tabela 1 - Estudos incluídos na revisão bibliográfica da literatura. Petrolina, PE, Petrolina, 2023
Nome do artigo Autores e ano de Principais achados Conclusões
publicação
Representações Paiva et al., 2022 Observou-se que a Entre os profissionais de saúde, os
sociais da participação de enfermeiros representam o parto
violência enfermeiros na como um processo fisiológico, que
obstétrica para assistência ao faz parte da esfera feminina e
puérperas e trabalho de parto, enfatizam a importância do
profissionais da parto e puerpério relacionamento interpessoal, frente à
saúde: análise está ligada, atenção que deve ser dada à mulher.
fatorial de diretamente, à A sensibilidade destes profissionais
correspondência qualificação do possibilita a percepção das
cuidado prestado. necessidades das mulheres, sendo
possível, a partir desta, promover um
ambiente de interação, propício para
a construção de relações baseadas em
confiança mútua.
Violência Orso et al., 2021 O estudo aponta A inserção de enfermeira obstetra no
Obstétrica: sobre a necessidade trabalho de parto é primordial,
experiência da da atuação da enriquecedora e humanizadora, pois
31

equipe enfermeira obstetra a sua atuação ajuda a reduzir


multidisciplinar desde o trabalho de intervenções desnecessárias e
em saúde parto, parto e pós- contribui para o cuidado mais
parto e que devem integral. Além disso, a sua
ser respaldado na participação recomendada pela
dignidade, porém Organização Mundial da Saúde, pela
ainda por questões prática baseada em cuidados, e não
culturais, muitas em intervenções, contribuindo para
mulheres não redução dos altos índices de
conseguem exercer mortalidade materna.
sua autonomia
durante o parto.
Violência Souza et al., 2021 Durante a A enfermagem com a capacitação
obstétrica: assistência de devida é capaz de buscar ações que
fatores enfermagem visam o bem-estar da mulher durante
desencadeantes algumas medidas o trabalho de parto ofertando uma
e medidas são reconhecidas assistência humanizada.
preventivas de para a não
enfermagem ocorrência da
violência
32

obstétrica, por
exemplo: esclarecer
com uma
linguagem
acessível,
procedimentos e
ações que ajudam
durante a
parturição.
O olhar de Menezes et al., 2019 Que a conduta de O tratamento diferencial da
residentes em enfermagem para Enfermagem baseado em atributos
Enfermagem combater a considerados positivos (casada, com
Obstétrica violência obstétrica gravidez planejada, adulta, branca,
para o contexto também seja livre de classe média, saudável, entre
da violência de preconceitos e outros), em detrimento daqueles com
obstétrica nas discriminações, atributos considerados negativos
instituições levando em conta (pobre, jovem ou velha demais,
as necessidades e a preta, com baixa escolaridade, entre
subjetividade de outros) devem ser evitados pois caso
cada usuária do contrário também pode estar
33

sistema de saúde. envolvido em violência obstétrica.


Violência Castro et al., 2020 Constatou-se a A Enfermagem é capaz de se
obstétrica e os ocorrência de destacar na redução de
cuidados humilhações no procedimentos invasivos
de enfermagem: momento do parto desnecessários, através de métodos
reflexões a e a realização de não farmacológicos, o acolhimento
partir da procedimentos digno, escuta ativa e apoio físico e
literatura desnecessários emocional, porém é necessário o
fornecimento de capacitação tendo
em vista uma assistência humanizada
Atuação dos Veloso et al 2020 Que toda a equipe Observou-se que a Enfermagem é
profissionais de de Enfermagem indispensável para o
saúde e o necessita ser desenvolvimento da humanização no
processo de qualificada e combate a violência obstétrica.
humanização no sensibilizada
centro obstétrico quanto à
humanização do
cuidado e assuntos
associados ao
acolhimento para
34

combater a
violência
obstétrica.
Violência Silva et al 2020 A necessidade de A importância da formação dos
obstétrica: a compreender a Enfermeiros sobre a violência
abordagem da importância da obstétrica os torna capazes para
temática na temática da contribuir no cuidado integral,
formação de violência obstétrica corroborando para um processo que
enfermeiros na formação pode reduzir este tipo de violência.
obstétricos educativa do
Enfermeiro no
ciclo gravídico, em
razão da
necessidade de um
Enfermeiro
Obstétrico
qualificado para o
atendimento
humanizado.
35

8. DISCUSSÃO

Levando em consideração a questão norteadora desta pesquisa que foi “Qual a


atuação do enfermeiro na prevenção de violência obstétrica?” os artigos encontrados
apontaram que este profissional exerce importante função na assistência para a
intervenção voltada para a violência obstétrica, considerando que este profissional
possui várias estratégias de atuação na prevenção deste tipo de violência.
A violência durante o parto é caracterizada por qualquer ato ou intervenção ao
binômio mãe-filho realizado sem o prévio consentimento da mulher, assim, a
Enfermagem, necessita colocar em prática o uso dos termos calma e segurança, no
momento que atendem a mulher em processo de trabalho de parto, colocando também
em prática a capacidade de estabelecer vínculo com a parturiente, pois normalmente é o
primeiro profissional que tem contato com a mulher neste momento, o que necessita já
neste momento proporcionar segurança (PAIVA et al. 2020).
Diante disso, subentende-se que os cuidados prestados pelos profissionais de
saúde devem ser respaldados no respeito e dignidade, condições fundamentais para o
momento de escolhas para toda mulher a grávida, assim estes profissionais devem
garantir uma experiência positiva sobre a maternidade, porém ainda por questões
culturais, muitas mulheres não conseguem exercer o seu empoderamento frente ao
nascimento, considerando que a forma ideal do cuidado nem sempre está presente na
rotina do padrão de atendimento de alguns profissionais (ORSO et al, 2021).
Por isso tona-se importante que os profissionais de saúde, inclusive os
enfermeiros, reconheçam o parto como um processo fisiológico/natural, que faz parte da
esfera feminina e enfatizar a importância do relacionamento interpessoal, frente à
atenção que deve ser dada à mulher, inclusive a reconhecendo como a protagonista do
cenário em razão do momento vivenciado e todos os aspectos inerentes a esse, sejam
positivos ou negativos. A sensibilidade dos profissionais de saúde possibilita a
percepção das necessidades das mulheres, sendo possível, a partir desta, promover um
ambiente de interação, propício para a construção de relações baseadas em confiança
mútua (PAIVA et al., 2022).
Para que a violência obstétrica não continua enraizada no modelo tecnocrata,
torna-se importante evidenciar que este tipo de violência ocorre na maioria das vezes
quando a Enfermagem não é capacitada ou não leva em consideração a literatura
científica sobre o processo de humanização e o conhecimento de intervenções essenciais
36

para um trabalho de parto digno e com respeito aos direitos das mulheres, assim a
promoção de capacitações a estes profissionais são um dos eixos norteadores da política
de humanização e principalmente focando na qualidade da assistência contra a violência
obstétrica (PAULA et al., 2020).
Porém, é importante considerar que a Enfermagem possui atuação relevante na
educação em saúde como uma das atribuições necessárias para a sua profissão, inclusive
em desmistificar a cultura da cesárea, buscando ressaltar as gestantes as vantagens de
um parto vaginal e sem interferências, quando necessários, para que esta possa decidir
com mais consciência sobre o procedimento a ser selecionado (VELOSO et al., 2020).
Estes autores ainda reforçam sobre o papel da Enfermagem que oferece boas
práticas obstétricas que minimizam as diversas formas de violência obstétrica com
várias condutas que podem ser colocadas em prática como a explicação sobre todo o
processo que irá decorrer do trabalho de parto e parto, sabendo ouvir as suas
necessidades e escolhas, através da escuta ativa, impedindo procedimentos invasivos
que podem causar dor, com exceção em situações que são indicadas, ser presente,
promover o direito de acompanhante durante o trabalho de parto, além de orientações
sobre outros direitos que a mulher possui.
É notório que entre as práticas a serem abolidas para evitar a violência obstétrica
e que foram reconhecidas em um estudo envolvendo a Enfermagem foram as condutas
como posicionamento litotômico preestabelecido, manobra de Kristeller,
episiotomia, jejum prolongado, uso de forma inadequada ocitocina, laqueadura não
consentida e cesariana sem indicação, o que demostra que esta categoria profissional
reconhece as condutas que não devem ser seguidas na sua assistência durante o trabalho
de parto (ORSO et al., 2021).
Outras práticas a serem observadas e que fazem parte das ações a serem seguidas
pelo profissional de enfermagem para as boas práticas obstétricas durante o parto e o
nascimento, com o objetivo de prevenir a violência obstétrica, é observar a importância
da prática do acolhimento digno e de respeito, no que se atribui à apresentação do
profissional no início da assistência, esclarecendo de forma clara o papel do enfermeiro
nos cuidados, o apoio emocional e físico, oferecer condições adequadas de ambiente
para que a mulher sinta-se confortável e à vontade, além de uma escuta ativa, facilitando
dirimir dúvidas ou preocupações sobre o trabalho de parto, o que promove o controle da
ansiedade, uma vez que nesse momento é comum a mulher vivenciar esse sentimento
(CASTRO; ROCHA, 2020).
37

Estes mesmos autores ainda apontam outros cuidados que a Enfermagem pode
ajudar para a redução de procedimentos invasivos, tais como rupturas de membranas,
episiotomias, aceleração ou indução do parto, parto cesariana, sob condição de que
sejam necessários devido a complicações, sendo necessário explicar à mulher, é
encorajando a mulher quanto ao uso dos métodos não-farmacológicos, a exemplo, o
banho de imersão e aspersão, massagens lombares, utilização de bolas para massagem
perineal, o “cavalinho”, exercícios respiratórios e utilização das técnicas de
musicoterapia e aromaterapia, que além de contribuírem para o relaxamento e alívio da
dor, oferecem um cuidado humanizado e livre de intervenções desnecessárias.
É eminente a importância do desempenho da equipe de Enfermagem na redução
da violência no campo obstétrico, por causa à sua ação intimamente direta durante as
fases clínicas do processo de pré-parto, parto e puerpério, vaginal e cesariana, que
oferecem as mulheres e seus familiares, cuidados humanizados e integrais (SOUZA et
al., 2021).
A Enfermagem não pode ser fruto da resistência de outros profissionais de saúde
que ainda por desconhecimento ou falta de empatia as mulheres agem de forma
desrespeitosa sobre os direitos no processo do parto e atendimento, configurando-se
com obstáculos para implementação da humanização da atenção. Assim, quando
ocorre a ausência de familiaridade com temas voltados para a violência obstétrica,
caracteriza-se o distanciamento dos princípios da humanização no parto (ORSO et al.,
2021).
Assim, uma reflexão sobre a violência obstétrica na formação de Enfermeiros se
torna de relevância notória no cenário brasileiro, principalmente por destacar a
necessidade da abordagem da violência contra a mulher na grade curricular durante a
formação acadêmica desses profissionais, seja na graduação, seja na pós-graduação
(SILVA et al., 2020), assim não deve menosprezar a violência obstétrica, o que é muito
comum devido as relações de poder estabelecidas por profissionais sobre o corpo da
mulher em que muitas acabam por aceitar tudo que é imposto, pois não reconhecem este
tipo de violência, por acreditarem que o profissional possui todo o conhecimento sobre
o que deve ou não ser feito durante o processo do parto (ORSO et al., 2021).
Tendo em vista o respeito pelo momento do parto pelos enfermeiros e a
autonomia da mulher neste momento, podemos perceber que o parto representa
naturalidade, portanto, talvez por esse motivo fazem menos uso de intervenções durante
a assistência ao parto, o que representa a necessidade de uma participação por parte dos
38

enfermeiros na assistência ao trabalho de parto, parto e puerpério estar ligada


diretamente à qualificação do cuidado prestado, o que irá proporcionar uma redução de
práticas interventivas desnecessárias, indo ao encontro do movimento de humanização
da assistência ao binômio mãe-filho no ciclo gravídico puerperal (PAIVA et a., 2022).
Diante do exposto, ao refletir sobre a assistência ao parto e pós-parto, percebe-se
que as ações dos profissionais de saúde devem seguir critérios pautados em evidências
científicas, o que irá proporcionar em um importante papel de colocar seu conhecimento
a serviço da mulher e ao seu filho, sem somar esforços para proporcionar uma
assistência humanizada e digna para essas pacientes (MENEZES et al., 2020).
Entre os profissionais de saúde, a enfermagem, torna-se um verdadeiro apoio nos
cuidados no parto a ouvir as queixas e necessidades específicas de cada mulher,
valorizando seus sentimentos e crenças, além de informar as condutas que serão
realizadas, explicando a necessidade de realizá-las. Nessa significação, o
relacionamento interpessoal possui grande valor, quando o plano de cuidados passa a
ser individualizado, buscando contemplar aspectos peculiares a cada mulher, dentro do
contexto do parto (PAIVA et a. 2022).
Estas autoras também afirmam que os enfermeiros representam o parto no
nascimento como um processo fisiológico, que faz parte da esfera feminina e enfatizam
a importância do relacionamento interpessoal, frente à atenção que deve ser dada à
mulher, em razão do momento vivenciado e todos os aspectos inerentes a esse, sejam
positivos ou negativos. A sensibilidade dos profissionais possibilita a percepção das
necessidades das mulheres, sendo possível, a partir desta, promover um ambiente de
interação, propício para a construção de relações baseadas em confiança mútua.
Vários exemplos rodeiam a mulher no trabalho de parto e que podem ser
considerados como violência obstétrica, a exemplo, em uma investigação realizada pela
Fundação Perseu Abramo, que levantou que as formas mais comuns de violência são a
agressão por meio de procedimentos dolorosos sem consentimento ou informação, falta
de analgesia e negligência dos profissionais envolvidos na assistência. Nesse estudo
foram feitas entrevistas com 2.365 mulheres de 25 estados da federação, nos quais 9%
das participantes sofreram maus-tratos no atendimento da maternidade, sendo as formas
mais citadas de violência: o toque vaginal de forma dolorosa, negação de algum tipo de
alívio para a dor, gritos, xingamentos ou humilhações e falta de informação sobre os
procedimentos a serem realizados (MENEZES et al., 2020).
39

Estes dados apontam como o parto e o nascimento em nosso país está cada vez
mais violento, com números elevados e crescentes desses procedimentos, o que torna as
mulheres mais vulneráveis a sofrem por intervenções dolorosas e potencialmente
danosas sem que haja qualquer benefício para sua saúde ou a de seu bebê.
O que torna imprescindível que os profissionais de Enfermagem devem prestar
um serviço que seja pensado, avaliado e livre de repreensões verbais, a discriminação e
a negligência durante o atendimento, inclusive não permitindo o aspecto punitivo, que
não garantem à mulher a assistência com liberdade, dignidade e autonomia moral e
ética, além de situações de preconceitos e discriminações, levando em conta as
necessidades e a subjetividade de cada usuária do sistema de saúde (MENEZES et al.,
2020).
Estes mesmos autores, apontam que o acesso aos serviços de saúde, com o
acolhimento respeitoso, livre de qualquer discriminação e de qualquer violência, é
direito de todos os pacientes, o que torna necessário lembrar que o tratamento
diferencial baseado em atributos considerados positivos (casada, com gravidez
planejada, adulta, branca, de classe média, saudável, entre outros), em detrimento
daqueles com atributos considerados negativos (pobre, jovem ou velha demais, preta,
com baixa escolaridade, entre outros), que apareceram nos relatos das residentes em
estudo deve ser banido.
Nesse contexto, a formação do enfermeiro é um dos meios para a conquista das
intervenções voltadas para a violência obstétrica, exigindo o envolvimento, o empenho
e a colaboração de diferentes atores envolvidos, instituições de ensino, serviços de
saúde, entidades de classes e profissionais, o que reforça que o profissional de
Enfermagem seja capaz de conhecer e intervir sobre as diversas situações que permeiam
a saúde da mulher, bem como ao neonato e sua família, com ética, senso de
responsabilidade social e compromisso com a cidadania, de modo culturalmente
sensível às diferenças existentes na população assistida (MENEZES et a., 2020).
Além disso, estes profissionais relacionam os maus tratos no parto a atitudes
violentas de forma ampla, desde a violência verbal, expressa por palavras grosseiras e
censura às parturientes. Representado por atitudes que, muitas vezes, interferem na
autonomia das mulheres no que se refere ao suprimento das suas necessidades básicas,
como deambulação, alimentação e ingestão (PAIVA et al. 2022).
A Enfermagem precisa buscar constantemente pelo fortalecimento do modelo
assistencial humanizado que é relevante para a formação dos profissionais, além da
40

necessidade de preparar a parturiente efetivamente e oferecer uma assistência harmônica


nesse ciclo gravídico-puerperal, que se resume em técnica, procedimento e
embasamento teórico, caso contrário, a falta de informação gera maiores riscos de
complicações no pós-parto para a parturiente (SILVA et al., 2020).
A equipe de Enfermagem precisa compreender as contribuições do cuidado
humanizado que fazem parte de um papel essencial no cuidado à mulher a iniciar
durante o pré-natal, considerando que é neste momento que a ação educativa também
precisa abordar sobre os tipos de violência obstétrica, além de utilizar na sua rotina
práticas clínicas pautadas em evidências, na experiência cuidativa baseada no respeito e
apoio emocional, o que é pertinente a identificação de fatores socioculturais,
fisiológicos e assistenciais para contribuição no processo de renovação da pesquisa
científica. Nesse sentido, justifica-se a reflexão acerca dos profissionais de Enfermagem
no serviço do pré-natal, pois são os primeiros que precisam ser sensibilizados no âmbito
biopsicossocial, garantindo integralidade (SILVA et al., 2020).
Diante do exposto, faz parte do papel da Enfermagem em orientar e esclarecer
desde o pré-natal os benefícios dos métodos não farmacológicos, para que a parturiente
possa vivenciar o parto de forma humanizada e respeitosa, dando oportunidade para que
ela possa manifestar sua autonomia durante o trabalho de parto e o parto considerando
que o desconhecimento da mulher sobre o seu próprio corpo e do processo fisiológico
do parto e a influência da cultura familiar, podem ditar práticas que vão de encontro a
humanização do parto, a exemplo, a episiotomia, utilizada erroneamente como
necessária para a evolução do parto (CASTRO; ROCHA, 2020).
Mesmo com a capacidade da Enfermagem em não contribuir com a não prática
dos casos de violência obstétrica, faz-se necessário que sejam ofertadas capacitações
e atualizações sobre o tema, o que reforça no aprendizado e formação dos
profissionais de saúde pautando no saber científico, na confiança na fisiologia do
corpo da mulher e na condição natural do nascimento, também fornecendo respaldo
legal para quando no momento da assistência for observado a ocorrência da violação
dos direitos básicos das mulheres, pois muitas vezes a Enfermagem vivencia a falta
de fiscalizações nas instituições, privadas ou públicas, e até mesmo pela formação
insatisfatória de alguns profissionais (ORSO et al., 2021).
41

11 CONCLUSÃO

Abordar o tema violência obstétrica na formação do Enfermeiro constitui um


papel estruturante na assistência ao parto, o que torna importante para o aprimoramento
da qualidade do cuidado às usuárias embasadas em protocolos legislação pertinente ao
tema.
Além disso, o ambiente de formação do profissional da Enfermagem é voltado
para o combate a violência obstétrica e em diversos âmbitos, pois a mesma é habilidade
para aprimorar a educação em saúde, a análise de riscos e o reconhecimento da clínica
soberana, o que favorece nas reflexões e habilidades para conter sistemas
desnecessários.
Mas mesmo assim, a inserção da enfermagem no combate à violência
obstétrica necessita ser reafirmada com o modelo de humanização que favorece para
que a mulher seja respeitada, tornando-se um ponto primordial, enriquecedora e
humanizadora, pois ela é capaz de reduzir intervenções desnecessárias, bem como
contribui para o cuidado mais integral, pois segue os princípios preconizados pela
Organização Mundial da Saúde, buscando pela prática baseada em cuidados e
evidências científicas, e não em intervenções, contribuindo para redução dos altos
índices de mortalidade materna e fetal, de modo a reduzir a situação crítica de saúde
da mulher no Brasis.
Ademais, a formação da Enfermagem em serviço necessita que a educação
continuada em saúde seja considerada como a principal ferramenta de capacitação para
reduzir os índices de violência obstétrica, pois garante o desenvolvimento de
competências profissionais visando à aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes
para interagir e intervir na realidade, além de contribuir para a solução dos problemas
oriundos da má formação ou da falta de capacitação, o que pode fundamentar em um
modelo assistencial que facilita a implicação dos profissionais de saúde na configuração
do processo de trabalho qualificado e seguro para as mulheres e seus bebês no parto e
nascimento.
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