ChatGPT na Educação: Potenciais e Dicas
ChatGPT na Educação: Potenciais e Dicas
RESUMO
Este artigo teve como objetivo investigar o uso do ChatGPT na educação e verificar como torná-lo
um aliado da educação. Para tal, se desenvolveu uma pesquisa de abordagem qualitativa. De acordo
com o objetivo traçado, os tipos de pesquisa foram, descritiva e exploratória, baseado em consultas
à ferramenta ChatGPT. Quanto aos procedimentos técnicos, optou-se pela pesquisa bibliográfica
realizada no portal eletrônico cooperativo de periódicos científicos SciELO. Os resultados desta
pesquisa mostram que, embora, o uso do ChatGPT na sala de aula ainda esteja em seus estágios
iniciais, é inegável que esta tecnologia tem o potencial de influenciar positivamente a prática
educacional. Como contribuição, o artigo traz 10 sugestões de como os professores devem usar o
ChatGPT na educação e, seis dicas de como minimizar os impactos negativos da IA na sala de aula.
ABSTRACT
This article aimed to investigate the use ChatGPT in education and see how to make it an ally of
education. For this, a qualitative approach research was developed. According to the outlined
objective, the types of research were descriptive and exploratory, based on queries to the ChatGPT
tool. As for the technical procedures, it was opted for the bibliographical research carried out in the
cooperative electronic portal of scientific journals SciELO. The results of this research show that,
although the use of ChatGPT in the classroom is still in its early stages, it is undeniable that this
technology has the potential to positively influence educational practice. As a contribution, the
article brings 10 suggestions on how teachers should use ChatGPT in education and six tips on how
to minimize the negative effects of AI in the classroom.
1
Doutora em Ciências da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Professora titular do Centro
Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - CEFET-MG. E-mail: marciagrossi@[Link]
2
Mestre em Educação Tecnológica pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - CEFET-MG. Chefe
Seção de Sistemas do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. E-mail: rvnvicente@[Link]
3
Mestranda em Educação Tecnológica pelo CEFET-MG. E-mail: camilakkdeaguiar@[Link]
4
Mestranda em Educação Tecnológica pelo CEFET-MG. E-mail: deboraf_rios@[Link]
5
Mestranda em Educação Tecnológica no CEFET-MG. E-mail: flaviajanabaia@[Link]
Revista Synthesis | Faculdade de Pará de Minas - FAPAM
1 INTRODUÇÃO
A Inteligência Artificial (IA) é “um ramo das ciências da computação que busca construir
mecanismos, físicos ou digitais, que simulem a capacidade humana de pensar e de tomar decisões”
(BARBOSA; PORTES, 2023, p.16). A IA foi definida como a ciência e a engenharia de produzir
máquinas inteligentes por John McCarthy (SICHMAN, 2021) em uma conferência de especialistas
da área da computação em Darmouth College em 1956.
Desde então as pesquisas sobre a IA, continuam crescendo e essa “tem se transformado no
decorrer de seus anos de existência” (VICARI, 2021, p. 73). Parreira, Lehmann e Oliveira (2021, p.
979) entendem que a IA existe em duas gerações. Na 1ª geração (restrita) a “máquina que exibe
comportamento inteligente, isto é, responde ajustadamente ao ambiente e age com probabilidade de
sucesso”. Os autores apresentam alguns exemplos desta geração da IA: interagir adequadamente
numa conversa; competir em jogos estratégicos, como o xadrez; interpretar dados complexos. “A
inteligência artificial restrita está contida numa faixa específica de tarefas e só nestas pode substituir
o desempenho humano. São exemplos o Siri, o Google Search e os atendedores virtuais usados por
bancos e outras empresas” (PARREIRA; LEHMANN; OLIVEIRA, 2021, p. 980).
A 2ª geração (geral) existe quando o processador de uma máquina funciona como “uma
‘mente’, com entradas e saídas corretas, no sentido em que os humanos têm mentes. É um sistema
com capacidade de aplicar inteligência a qualquer problema e não só a uma tarefa ou problema
específico” (PARREIRA; LEHMANN; OLIVEIRA, 2021, p. 980). Os autores apresentam como
exemplos desta geração: programa de conversação ELIZA; o robô Xiaoice (robô apresentador de
TV) da Microsoft e os robôs simbióticos como Sophia e Erica.
Percebe-se que a IA tem apresentado uma evolução gradativa e, “sempre foi cercada de
enormes expectativas, e em inúmeras vezes essas não foram completamente atingidas” (SICHMAN,
2021, p. 37). O autor esclarece que devido a este fato existem períodos de grande entusiasmo e de
grande financiamento e, também períodos de decepção e de recursos escassos. Acredita-se que o
momento atual é de entusiasmo e ao mesmo tempo de preocupação, devido o avanço das
tecnologias que apontam para criação de “uma super - inteligência com maior capacidade que os
melhores cérebros humanos” (PARREIRA; LEHMANN; OLIVEIRA, 2021, p. 980).
O desafio para a existência de uma máquina com essa capacidade está presente em várias
áreas da sociedade, dentre essas a educação, qual “será cada vez mais complexa, porque a sociedade
vai se tornando mais complicada, rica e exigente em todos os campo” (MORAN, 2004, p. 01),
especificamente, no que diz respeito ao uso do Generative Pre-Trained Transformer (ChatGPT), o
qual foi lançado pela OpenAI em 22 de novembro de 2022 e, a partir daí, tem sido objeto mais
discutido na academia (IRIGARAY; STOCKER, 2023, MARCUS; DAVIS; AARONSON, 2022,
ROSSONI; CHATGPT, 2023).
O ChatGPT, uma versão superior ao Chatbot, é uma ferramenta da IA que usa a técnica de
aprendizado de máquina (transformes) e “funciona através da análise de padrões de grandes
conjuntos de dados (big data) de linguagem natural, utilizando IA para produzir respostas
elaboradas e, originais, às consultas e perguntas inseridas em uma página com a estrutura de um
chat” (PERES, 2023).
Na educação, o ChatGPT pode realizar determinadas atividades pedagógicas que os alunos
poderiam fazer, tais como: pesquisar e responder as perguntas feitas pelos professores; resolver
problemas de matemática; redigir textos na íntegra (poesias, redações, resenhas, artigos);
esquematizar os tópicos de apresentações, de Trabalhos de Conclusões de Curso (TCC) e até de
dissertações de mestrado. Assim, há uma preocupação por parte dos professores com as
informações utilizadas pelo ChatGPT na realização de tarefas: elas são confiáveis? São
tendenciosas? Além disso, tem-se a preocupação com o plágio.
Estas preocupações ficam evidenciadas em Irigary e Stocker (2023) quando os autores
trazem à tona questões sobre o comprometimento da integridade científica dos artigos, “na medida
em que, embora os algoritmos de IA sejam projetados para serem objetivos, ainda podem ser
influenciados pelos dados usados para treiná-los ou pelos preconceitos dos humanos que os
projetam” (IRIGARAY; STOCKER, 2023, p. 01).
Portanto, diante deste cenário surgiram as questões: o ChatGPT pode prejudicar o
aprendizado dos alunos? A forma de aprender e de ensinar irá mudar? Como tornar o ChatGTP um
aliado da educação? Para responder estas questões foi realizada uma pesquisa que teve o objetivo de
investigar o uso do ChatGPT na educação e verificar como torná-lo um aliado da educação.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A IA busca pensar como os seres humanos para que possam analisar, raciocinar, aprender e
decidir de maneira lógica e racional. Dirigir um veículo, acionar um eletrodoméstico ou controlar
uma indústria automatizada demanda de um conjunto de algoritmos e dispositivos que, de forma
conjunta e ordenada, que simula a ação humana para realizar essas ações específicas (MEDEIROS,
2018). Ainda segundo o autor, a IA possui abordagens distintas conforme a pesquisa a ser realizada,
que pode ser da forma de simular a fisiologia do cérebro ao emular a comunicação dos neurônios,
ou ter o enfoque na maneira da mente lidar com símbolos e abstrações.
Assim, a IA apresenta-se como um conjunto tecnológico composto por hardwares e
softwares, que por meio da interpretação de dados externos possam aprender e realizar ações
específicas, e ou apresentar novas soluções e resultados de forma autônoma (BARBOSA; PORTES,
2023). Contudo, a definição de IA ainda é desafiadora, pois existem considerações importantes na
reprodução do comportamento e inteligência humana que por vezes não se apresenta
imperativamente racional, mas sim baseada em seus princípios. Portanto, o entendimento de IA
pode centrar-se em sistemas de informação digitais que raciocinam, manipulam o conhecimento e
crenças, interagem com o ambiente, decidem e aprendem através da análise do conhecimento
existente em grandes bases de dados (COZMAN; PLONSKI; NERI, 2021).
Ainda para a melhor compreensão da IA é importante realizar a distinção entre mais dois
termos que se relacionam, mas que devem ser diferenciados pela relação hierárquica que existem
entre eles, que são: machine learning e deep learning (SANTANA, 2018), o que pode ser
observado na Figura 1. As machines learning são técnicas baseadas na análise estatística de dados
de problemas, que se utilizam de algoritmos para extrair características e aprendizado que poderão
ser utilizados nas tomadas de decisões. Já as deep learning demandam um volume maior de dados
para a análise e treinamento para a construção de redes neurais profundas, ou seja, esse tipo de
aprendizado consegue extrair padrões para realizar ações com alto grau de complexidade e
dificuldade. Esta técnica combina ainda áreas como visão computacional e processamento de
linguagem natural (SANTANA, 2018).
Figura 1 indica a hierarquia da IA e como essas técnicas diferentes se integram para modelar
e emular a inteligência humana. A machine learning é a técnica que possibilita aos sistemas a
capacidade de aprenderem sozinhos e tomarem decisões autônomas, seguindo o processamento de
dados e identificação de padrões. Já a deep learning é a capacidade de aprendizado do sistema que
segue a mesma lógica da ligação entre os neurônios no cérebro humano.
Isto posto, as aplicações que se utilizam de técnicas de IA estão sendo essenciais para o
desenvolvimento de novas tecnologias que permitem diversas mudanças nos hardwares e softwares
para torná-los mais inteligentes. Ainda, segundo o autor, as aplicações de IA estão cada vez mais
presentes no cotidiano da sociedade para realizar ações e reconhecer padrões para produzir o
conhecimento por meio do aprendizado de máquina (MEDEIROS, 2018).
Na Figura 2 têm-se exemplos de aplicações com técnicas de IA para o auxílio e/ou ação de
forma autônoma ou semiautônoma de atividades realizadas pela sociedade: aplicações bancárias,
portais de busca, aplicativos de navegação, dentre outros, os quais são exemplos de que essa
tecnologia está presente no cotidiano das pessoas.
Chatbot foi desenvolvido a partir de algoritmos da machine learning, enquanto o ChatGPT utiliza
da deep learning. Com isto, é “diferente a maneira como eles processam e como respondem às
perguntas que são feitas por seus usuários” (NERIS, 2023, online).
A autora explica que “enquanto os Chatbots utilizam uma programação um pouco mais
específica para interpretar e responder às perguntas, o ChatGPT utiliza a inteligência artificial e o
machine learning para criar respostas que sejam mais naturais além de mais precisas” (NERIS,
2023, online).
Então, o ChatGPT como uma aplicação que se utiliza de um modelo de IA baseado em deep
learning para estabelecer uma conversa com o usuário e trazer repostas a partir da análise de uma
vasta base de dados, pode impactar os processos de ensino e aprendizagem, bem como a produção
científica de uma forma mais ampla. A expectativa é que a inteligência artificial evolua e, com o
tempo possa escrever textos mais complexos e mais difíceis de serem identificados como gerados
por uma máquina (BARBOSA; PORTES, 2023).
contextualizadas nos textos, contos, códigos de programação, dentre outros (BARBOSA; PORTES,
2023).
A Figura 3 apresenta as principais características do ChatGPT, bem como a técnica de IA
usada pela empresa para o seu desenvolvimento. Mas ainda não é possível se basear no ChatGPT
para tomar todas as decisões, pois, os próprios criadores da plataforma alertam que as respostas
dadas por ele podem ser imprecisas. Por ser construído com base em estatística dos padrões
existentes em uma grande base de dados, o ChatGPT possui limitações para a compreensão
completa do significado e contexto dos textos (IRIGARAY; STOKER, 2023).
De certo que a partir do lançamento ChatGPT está havendo uma preocupação entre
pesquisadores e educadores com os processos de ensino e aprendizagem dos alunos, para que haja a
adequada produção do conhecimento (BARBOSA; PORTES, 2023). Mas o ChatGPT bem como
outras ferramentas tecnológicas podem, a partir de uma reestruturação da prática pedagógica, ser
utilizado nos processos educacionais. Para os professores a aplicação pode ser um assistente na
preparação de aulas e atividades personalizadas, com o objetivo de desenvolver o pensamento
crítico na avaliação e validação das respostas fornecidas. Já para os alunos o ChatGPT pode
fornecer explicações adicionais às questões complexas e proporcionar um ambiente de
aprendizagem personalizado e autônomo (PAGE, 2023).
3 METODOLOGIA
Nesta pesquisa, realizada no 1º semestre de 2023, optou-se por uma abordagem qualitativa.
De acordo com o objetivo traçado, os tipos de pesquisa foram, descritiva e exploratória, baseado em
consultas à ferramenta ChatGPT. Quanto aos procedimentos técnicos, optou-se pela pesquisa
bibliográfica realizada no portal eletrônico cooperativo de periódicos científicos SciELO. A
pesquisa foi realizada em quatro etapas:
1ª etapa: seleção dos artigos publicados sobre a temática, a qual guiou-se pelos seguintes passos:
1º) Busca, sem recorte de tempo, dos artigos publicados no banco de dados Scielo utilizando os
seguintes descritores: Inteligência artificial e educação; IA e educação; ChatGPT;
2º) Exclusão dos artigos que apareceram repetidos na busca;
3º) Exclusão dos artigos que não estavam na língua portuguesa;
4º) Exclusão dos artigos que, embora tenham aparecido na busca, não se relacionavam com a
temática da presente pesquisa.
2ª etapa: identificação dos temas pesquisados nos artigos selecionados na 1ª etapa desta presente
pesquisa.
3ª etapa: apresentação de uma entrevista, composta por sete questões, com o ChatGPT para
conhecer a opinião da própria IA sobre o seu uso, desafios e impactos na educação.
4ª etapa: sugestões de como usar o ChatGPT e torná-lo um aliado do professor na sala de aula,
baseando-se nas pesquisas apresentadas nos artigos selecionados na 2ª etapa desta presente pesquisa
e na entrevista com o ChatGPT (3ª etapa).
A busca pelos artigos resultou em um total de 38 artigos e, depois da exclusão dos artigos,
conforme explicitado na metodologia, o número final de artigos para análise foi de 13.
Após uma leitura dos 13 artigos foi possível identificar como a temática desta presente
pesquisa foi tratada nestes artigos, ou seja, seus principais temas (Quadro 1).
Quadro 1: Principais temas tratados nos periódicos da SciELO que envolvem a IA, o ChatGPT e a Educação
Artigos Principais temas tratados
1º IA como apoio nas ações contra evasão escolar universitária.
2º Desafio das tecnologias de IA na educação.
3º Influências das Tecnologias da IA no ensino.
4º Impacto da IA na escolha de radiologia como especialidade médica por estudantes de medicina.
Revista Synthesis, v.12, n. 1, p. 01-20, 2023. |8
Revista Synthesis | Faculdade de Pará de Minas - FAPAM
A partir dos dados apresentados no Quadro 1, observa-se que mesmo antes do lançamento
do ChatGPT, que os autores já tinham várias questões sobre a IA aplicada à educação, tais como:
Para o autor, a discussão sobre o ChatGPT pode ajudar na “compreensão sobre os limites e
os desafios relacionados ao uso da Inteligência Artificial (IA) para a construção do conhecimento
acadêmico” (PERES, 2023, p. 5 - 6). Irigary e Stocker (2023, p. 02) defendem que esta discussão
deve acontecer em toda etapa escolar, uma vez que a escola deve se preocupar com a formação de
“profissionais que sejam capazes de pensar criticamente, identificar oportunidades e desafios”.
Os autores complementam a isso, a necessidade de preparar os profissionais para elaborar
soluções para problemas complexos. E, concluem: “a simples digitação de uma pergunta em um
computador não os fará desenvolver tais competências” (IRIGARY; STOCKER, 2023, p. 02).
Para usar o ChatGPT é preciso fazer um cadastro, para tal deve-se acessar o site
<[Link] e clicar em Sign up para criar uma conta e, em seguida “inserir um
endereço de e-mail e gerar uma senha. O Chatbot enviará uma mensagem ao seu e-mail com um
link de confirmação para que seu perfil seja validado. Após a verificação, você será redirecionado
para a página do ChatGPT” (FERNANDES, 2023, online). A autora lembra que o login também
pode ser feito usando contas do Gmail ou da Microsoft para se cadastrar. Destaca-se que o ChatGPT
foi programado para falar em inglês, para mudar para o português dever-se dar o comando "Falar
em português".
Uma vez cadastrado, os usuários humanos já podem conversar com a IA e, foi isso que os
autores deste artigo fizeram. Eles realizaram uma entrevista com o ChatGPT sobre a temática o uso
do ChatGPT na educação. A seguir estão apresentados os resultados desta entrevista, sendo que
cada pergunta marcada com “E” foi escrita por um entrevistador humano e, cada resposta marcada
com “C” foi escrita pelo ChatGPT.
Ressalta-se que o crédito por essas respostas vai para a ferramenta ChatGPT, que pode ser
acessada por meio da URL: <[Link] Também é importante justificar a
decisão de apresentar a entrevista na íntegra para mostrar o nível de detalhamento das respostas
dadas pela IA.
A seguir a entrevista:
Após fazer o cadastro e começar a usar o ChatGPT, pôde - se observar que a ferramenta
possui uma interface intuitiva e simples, o que já tinha sido observado por Peres (2023).
A partir dos diálogos entre o entrevistador humano e o ChatGPT, percebe-se a alta
capacidade dessa tecnologia para gerar respostas em formato de texto com uma linguagem natural,
como se um ser humano tivesse respondido, como foi explicado por Neris (2023). Entretanto, pôde-
se notar que em nenhuma das respostas o ChatGPT indicou a fonte das respostas fornecidas, o que
afeta a confiabilidade dos dados recebidos pela ferramenta e, também pode estar encobertando um
plágio. Isso representa uma limitação do ChatGPT como apontado por Peres (2023).
Essa limitação foi confirmada, quando foi feito o seguinte comando para o ChatGPT:
“Escreva um artigo sobre a influência do ChatGPT na formação dos professores citando fontes
acadêmicas” e, a resposta do ChatGPT foi: “Infelizmente, como um modelo de linguagem treinado
pela OpenAI, não tenho acesso direto a fontes acadêmicas específicas para citar em um artigo. No
entanto, posso fornecer algumas informações gerais sobre a influência do uso de tecnologias como
o ChatGPT na formação de professores, sem citar fontes acadêmicas específicas”.
Já uma vantagem do uso desta ferramenta é o tempo que a IA gasta para analisar a pergunta
feita a ela e dar a resposta é muito rápido. No caso das sete perguntas feitas ao ChatGPT, o tempo
entre a pergunta feita e a resposta dada foi de segundos. Embora, para perguntas mais complexas o
tempo pode aumentar para minutos.
Outro aspecto que foi verificado foi o detalhamento das respostas. O ChatGPT não apenas
respondeu à pergunta, como também acrescentou no final da resposta, ressalvas, conclusões,
sínteses e até mesmo lembretes. Assim, consta-se que a evolução da IA tem permitido que as
respostas criadas pelo ChatGPT sejam também criativas (BARBOSA; PORTES, 2023, p. 22) e,
com a capacidade de “elaborar textos, letras de música, poesias, contos, códigos de programação,
receitas e assim por diante”. Entretanto, os autores alertam que ainda não se pode tomar decisões
baseadas nas respostas do ChatGPT, uma vez que ele não é perfeito. Inclusive a própria ferramenta
corrobora com esse entendimento ao afirmar (na sua última resposta) que ele pode “gerar respostas
imprecisas ou incorretas, especialmente em áreas complexas, ou nas quais ele ainda não foi
devidamente treinado”.
Quanto aos conteúdos das respostas, esses foram coesos e coerentes com as opiniões dos
autores desta presente pesquisa, bem como dos 13 artigos selecionados para leitura (2ª etapa desta
pesquisa), principalmente quando o ChatGPT (6ª resposta) afirma que “o papel do professor é
fundamental para orientar o aluno no uso responsável e crítico do ChatGPT”.
De acordo com a Forbes Tech (2023, online) o ChatGPT “atingiu 100 milhões de usuários
ativos mensais em janeiro, apenas dois meses após o lançamento, tornando-se o aplicativo de
consumo de crescimento mais rápido da história”. Por isso, a importância de os professores
aprenderem a usar esta tecnologia a favor da educação. Assim, foram elaboradas 10 sugestões de
como usar o ChatGPT e torná-lo um aliado do professor na sala de aula, pois não tem como ignorar
o fato de que “os avanços tecnológicos estão mais latentes” (GROSSI et al., 2021, p. 64). Estas
sugestões se basearam nas informações contidas nos 13 artigos (2ª etapa desta presente pesquisa) e
nas respostas da entrevista com o ChatGPT (3ª etapa):
1ª) Familiarize com o ChatGPT. Crie uma conta e comece a testar a ferramenta;
2ª) Antes de usar o ChatGPT converse com os alunos, promova debates sobre a IA. Isso vai ajudar o
professor a compreender se seus alunos já a usam e, também vai permitir fazer os acordos
acadêmicos sobre o seu uso;
3ª) Oriente os alunos a serem éticos, lembre-se que ensinamos pelo exemplo. Então, mostre ao
aluno como produzir e, indicar que este texto foi produzido pelo ChatGPT. Isso vai ajudá-los a
combater o plágio;
4ª) Mostre para seus alunos a importância de duvidar das respostas dadas pela IA. Ensine a eles
identificar onde pode estar os possíveis erros e, como verificar a veracidade das respostas recebidas.
Isso vai ajudar aos alunos a desenvolverem o pensamento crítico;
5ª) Ensine os alunos a elaborarem boas perguntas. Agora, mais importante que a resposta, é a
qualidade e a clareza da pergunta;
6ª) Use a IA como complemento das aulas, trazendo um fator motivador para os alunos, afinal eles
gostam de tecnologias. Ela não vai substituir todo o processo de ensino e aprendizagem;
7ª) Promova debates sobre os conteúdos pedagógicos entre, os alunos e a IA tendo o professor
como mediador;
8ª) Incentive a escrita coletiva entre os alunos e a IA. Pode ser a produção de um texto, de um
resumo e até de uma apresentação;
9ª) Use as diversas atividades e os recursos que o ChatGPT permite, como: criar questionários (para
testar os conhecimentos dos alunos); criar tópicos de artigos; criar planos de aula; apresentações
como, por exemplo, o power point; recursos visuais como imagens, pôsteres e/ou vídeos;
10ª) Se prepare para os impactos negativos da IA na educação. Para esta sugestão foi elaborado um
infográfico com seis dicas para minimizar os impactos da IA na sala de aula (Figura 4).
Dentre essas várias formas de o professor usar o ChatGPT, foi escolhido neste presente artigo
solicitar ao ChatGPT para criar um plano de aula, especificamente para uma disciplina do ensino
fundamental I. A seguir o plano de aula sugerido pela IA (Figura 5).
Objetivo: Introduzir os alunos do 3º ano ao ChatGPT como uma ferramenta de aprendizado interativa.
Duração: 45 minutos.
1. Introdução (5 minutos):
• Apresente o ChatGPT como uma inteligência artificial desenvolvida para auxiliar na comunicação e no
aprendizado;
• Explique que o ChatGPT pode responder perguntas, fornecer informações e ajudar a resolver problemas.
2. Discussão sobre Inteligência Artificial (10 minutos):
• Converse com a turma sobre o que eles entendem por "Inteligência Artificial" e peça exemplos;
• Explique brevemente o conceito de IA e sua aplicação em diversas áreas, como assistentes virtuais e chatbots.
3. Demonstração do ChatGPT (15 minutos):
• Realize uma demonstração prática do ChatGPT em tempo real, projetando o sistema em uma tela ou quadro
interativo;
• Peça aos alunos que sugiram perguntas ou tópicos sobre os quais desejam saber mais;
• Digite as perguntas dos alunos no ChatGPT e exiba as respostas geradas;
• Discuta a precisão e utilidade das respostas, destacando seus pontos fortes e limitações.
4. Atividade prática: Perguntas e Respostas (10 minutos):
• Divida a turma em duplas ou grupos pequenos;
• Distribua fichas com perguntas pré-determinadas relacionadas aos conteúdos já estudados em sala de aula;
• Instrua os alunos a utilizarem o ChatGPT para obter as respostas corretas;
• Peça para cada grupo compartilhar as perguntas e respostas encontradas.
5. Encerramento (5 minutos):
• Realize uma breve discussão em grupo sobre as experiências e aprendizados adquiridos com o uso do
ChatGPT;
• Destaque como a tecnologia pode ser útil na busca por informações e no processo de aprendizado;
• Encoraje os alunos a explorarem o ChatGPT de forma responsável, sempre verificando as informações
obtidas.
Observação: Durante toda a aula, lembre-se de enfatizar a importância da supervisão e orientação de um
professor ou adulto responsável ao utilizar qualquer ferramenta online.
Outro ponto essencial contemplado nesse plano sugerido pelo ChatGPT foi a sua
estruturação. Martins (2016) afirma que independente do modelo que o professor adote, o plano
deve prever as atividades propostas, as estratégias didáticas e possíveis intervenções. Esses aspectos
foram percebidos no exemplo acima. Por fim, esse plano de aula também apresentou objetivos
claros, esse ponto também é essencial para o acompanhamento das aprendizagens e se alunos estão
conseguindo produzir o esperado (MARTINS, 2013).
Esse plano de aula mostra que o fazer pedagógico do professor está mudando, ele continua
tendo seu valor e sua importância, mas a IA vai modificando aos poucos o papel do professor e,
“quanto mais situações diferentes experimentar, estará melhor preparado para vivenciar diferentes
papéis, metodologias, projetos pedagógicos, muitos ainda em fase de experimentação” (MORAN,
2004, p. 06). Enfim, não tem com negar que o ChatGPT chegou para ficar e, cabe aos educadores
conhecerem a ferramenta para fazer dela o melhor uso em favor do processo de ensino e
aprendizagem e, para otimizar seu tempo.
Embora, o uso do ChatGPT na sala de aula ainda esteja em seus estágios iniciais, é inegável
que esta tecnologia tem o potencial de influenciar positivamente a prática educacional. Desde a
ampliação do acesso ao conhecimento até a personalização do ensino, o ChatGPT pode abrir novas
possibilidades para os educadores, permitindo que eles aprimorem suas habilidades e promovam
uma aprendizagem mais significativa e envolvente para os alunos. É essencial que os professores
sejam capacitados a utilizar de forma crítica e reflexiva essas tecnologias, integrando-as de maneira
eficaz em suas práticas pedagógicas para maximizar seus benefícios.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao final desta pesquisa pôde-se responder às questões que a originou: o ChatGPT pode
prejudicar o aprendizado dos alunos? A forma de aprender e de ensinar irá mudar? Como tornar o
ChatGTP um aliado da educação?
A resposta para a 1ª pergunta é que não. O uso da tecnologia na educação não é novidade. O
ChatGPT é apenas mais uma e, não vai tirar dos alunos a capacidade de raciocinar, de escrever ou
de pesquisar, por exemplo. O que vai mudar é a forma de aprender. Inclusive, acredita-se que essa
tecnologia pode ajudar na autonomina discinte, desde que o seu uso seja acompanhado por um
professor, principalmente devido à questões éticas e de informações errôneas. Além disso, é
fundamental que os professores estabeleçam com seus alunos regras para o uso do CHatGPT, como
já acontece com outras tecnologias.
A resposta para a 2ª pergunta é que sim, pois que ensinar é um processo complexo que exige
mudanças significativas (MORAN, 2004) e, o que se tem observado é que ao longo dos tempos as
“práticas pedagógicas, os papéis dos professores e dos alunos, a interação entre eles e, o espaço
onde ela ocorre têm sido influenciados pelas organizações sociais, principalmente no que diz
respeito aos avanços tecnológicos” (GROSSI et al., 2021, p. 64), como é o caso do avanço da IA.
A resposta para a 3ª pergunta é que é fundamental entender o potencial do ChatGPT,
enquanto uma tecnologia que pode facilitar algumas práticas pedagógicas e, seguindo, por exemplo,
as 10 sugestões apresentas neste artigo, de como usar o ChatGPT na educação. Porém, dever-se
sempre ter o cuidado com seus impactos. Pensando nisso, também apresentou-se neste artigo
(Figura 4), seis dicas para minimizar os impactos da IA na sala de aula.
Assim, a presente pesquisa respondeu as três perguntas iniciais e, termina lançando uma
nova pergunta: até onde a IA vai chegar, especificamente no campo da educação?
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