Futsal
Futsal é o futebol adaptado para prática em uma quadra esportiva por times de
5 jogadores. As equipes, tal como no futebol, têm como objetivo colocar a bola
na meta adversária, definida por dois postes verticais limitados pela altura por
uma trave horizontal. Quando tal objetivo é alcançado, diz-se que um gol foi
marcado, e um ponto é adicionado à equipe que o atingiu. O goleiro, último
jogador responsável por evitar o gol, é o único autorizado a segurar a bola com
as mãos. A partida é ganha pela equipe que marcar o maior número de gols
em 40 minutos divididos em dois tempos.
Devido às proporções da área de jogo, o menor número de jogadores e a
facilidade em que se pode jogar uma partida, o futsal já é considerado por
muitos como o esporte mais praticado do Brasil, superando o futebol que ainda
assim é o mais popular.[4]
Desde a sua criação até à atualidade existiram diversas variantes da
modalidade assim como diversas designações, cujas regras divergem em
alguns pontos. Sensivelmente desde a década de 1990 que a variante da
modalidade com maior dimensão e mediatismo é designada de Futsal e é
disputada segundo as leis e égide da FIFA, enquanto que a modalidade
disputada segundo as leis da Associação Mundial de Futsal (AMF) é designada
de Futebol de salão. Existe ainda uma terceira variante da modalidade
designada de Showbol (também conhecida como Futebol Indoor (português europeu))
sendo das 3, a que tem menor divulgação mundial.
História
O esporte teria sido inventado por volta de 1934, pelo professor Juan Carlos
Ceriani Gravier, da Associação Cristã de Moços (ACM)
de Montevidéu, Uruguai, dando-lhe o nome de indoor football.[5] O Uruguai,
durante a década de 1930, era a grande referência no futebol, no qual a
sua seleção havia sido bicampeã olímpica e sede da primeira Copa do Mundo
de Futebol, promovida pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), sendo
também a primeira seleção campeã do torneio.[6] O futebol estava em ascensão
nos dois países e o intercâmbio dentro das associações era constante.[5]
Em 1935, os professores João Lotufo e Asdrubal Monteiro, após se graduarem
no Instituto Técnico da Federação Sul-Americana como secretários diretores
de educação física da ACM, regressaram ao Brasil e introduziram o indoor
football que passou a ser chamado de "futebol de salão". Por possuir
características do regulamento, ainda a iniciar, o pequeno tamanho da quadra
e o peso da bola, causavam muitos acidentes pela potência dos chutes.[7]
Já no ano de 1948, passado João Lotufo para Secretário Geral da ACM de São
Paulo, transferiu Asdrubal Monteiro para o cargo de Diretor de Educação
Física, com a proposta de que os dois resolvessem os problemas negativos da
prática desse esporte, elaborando assim, um novo regulamento com elementos
do futebol, hóquei na grama, basquetebol e polo aquático.[8]
Durante dois anos, Lotufo e Monteiro, estudaram, observaram e ampliaram as
novas regras, chegando ao protótipo do esporte atual, ou seja, o limite de cinco
jogadores e as marcações da quadra. Ao chegar a um resultado satisfatório,
que justificou na publicação dessa regra em 1950, o esporte foi intensamente
praticado nas ACM de São Paulo e Rio de Janeiro.[8]
Antes das regras serem estabelecidas, praticava-se o esporte com times de
cinco a sete jogadores. A bola foi sendo deixada mais pesada numa tentativa
de reduzir sua capacidade de quicar e consequentemente suas frequentes
saídas de quadra. A "bola pesada" acabou por se tornar uma das mais
interessantes características originais do futebol de salão.[5][8]
Em 1957 surgiu a primeira iniciativa de se uniformizar as regras do esporte,
através da criação do Conselho Técnico de Assessores de Futebol de Salão,
por Sylvio Pacheco, então presidente da Confederação Brasileira de
Desportos (CBD).[9]
Devido a sua praticidade, tanto no reduzido número de jogadores necessários
em uma partida, quanto no espaço menor que exigia, o esporte rapidamente
adquiriu crescente popularidade, atingindo outras localidades, gerando novos
torneios e conquistando adeptos em todas as capitais do país. Em 28 de julho
de 1954, foi fundada a primeira federação de desporto no Brasil, a Federação
Metropolitana de Futebol de Salão, atual Federação de Futebol de Salão do
Rio de Janeiro, tendo Ammy de Moraes como seu primeiro presidente.
[10]
A Federação Mineira de Futebol de Salão seria fundada nesse mesmo ano,
seguida da Federação Paulista, em 1955, e das
federações Cearense, Paranaense, Gaúcha e Baiana, em 1956,
a Catarinense e a Norte Rio-Grandense, em 1957 e a Sergipana em 1959. Nas
décadas seguintes seriam gradualmente estabelecidas federações em todos os
estados da União.[11]
Na década de 1960, foi criada a Confederação Sul-Americana de Futebol de
Salão (CSFS), composta pelos países do Brasil, Argentina, Paraguai, Peru e
Uruguai, sendo a primeira associação do esporte em âmbito continental.
[12]
Decorrente da CSFS, em 25 de julho de 1971, teve início a Federação
Internacional de Futebol de Salão (FIFUSA), tendo como primeiro
presidente João Havelange.[13] A Federação Internacional de Futebol de
Salão (FIFUSA) autorizou a prática de futebol de salão feminino em 23 de abril
de 1983.[14]
Em 1982, foi realizado o primeiro Campeonato Mundial, vencido pelo Brasil
com vitória sobre o Paraguai na decisão.[15] Após mais duas edições
organizadas pela FIFUSA, a FIFA decidiu tomar parte como órgão
governamental do esporte, alterando inclusive a sua nomenclatura de "futebol
de salão" para "futsal".[5] Outras modificações foram realizadas, como a redução
no peso da bola para dar maior dinâmica ao jogo, dimensão oficial de 40x20m
na quadra de jogo e mudanças nos uniformes da arbitragem.[5] No ano de 1989,
a FIFA organizou a primeira edição da sua Copa do Mundo, que a partir
de 1992 passou a ser realizada de quatro em quatro anos.[9]
Futebol de salão e futsal
O termo fut-sal foi originalmente cunhado pela FIFUSA em reação à proibição
da FIFA de se usar o nome futebol por entidades que não ela própria. No
entanto, acabou sendo adotado posteriormente sem o hífen pela própria FIFA,
tornando-se assim associado à forma que o esporte adquiriu sob a autoridade
desta entidade. O Futebol de salão tem como órgão governamental
a Associação Mundial de Futsal (AMF), cuja sede situa-se no Paraguai.
Embora mantenham em comum sua essência, a criação de algumas regras
diferenciadas criou peculiaridades em cada uma das modalidades: o futsal,
com uma bola mais leve e com a valorização do uso dos pés adquiriu maior
semelhança com o futebol de campo e ganhou maior dinâmica com novas
regras que o tornaram mais ágil, como por exemplo, permitir que o goleiro atue
como um jogador de linha quando ele está fora da sua área; o futebol de salão,
buscando sempre preservar as regras originais, manteve mais as
características de um esporte indoor, com um jogo mais no chão, reduzindo o
jogo aéreo, devido ao peso da bola, com laterais e escanteios cobrados com as
mãos. Dessa forma, a dinâmica do jogo em uma e outra modalidade tornou-se
sensivelmente diferenciada. O fato de pertencerem a entidades diferentes, por
certo deverá, com o passar do tempo, demarcar modalidades diferenciadas.[16]
No modo dos agrupamentos políticos em torno do esporte, até o final da
década de 90 o futebol de salão era administrado por uma entidade chamada
Federação Internacional de Futebol de Salão ou simplesmente FIFUSA, com
sede no Brasil; quando foi proposto um acordo oficialmente em 2000, pelo qual
a FIFUSA se tornaria um departamento da FIFA e esta passaria a comandar o
futebol de salão. No entanto, por motivos diversos a parceria não vingou, e
cada entidade seguiu seu caminho. A FIFA, contudo, manteve seu projeto
criando uma comissão própria da modalidade, mudando o nome do esporte
para futsal,[17] e atraindo para sua tutela federações nacionais, com a promessa
de padronizar as regras e difundir o esporte pelo mundo. À FIFUSA congregou
as entidades continentais relacionadas ao futebol de salão e apoiou a criação
de novas. Por divergências de seus membros em 2002 a FIFUSA foi sucedida
pela AMF, e acabou paralisando suas atividades em 2004. Com a AMF estão
as confederações: CSFS – Confederação Sul-Americana de Futebol de Salão,
FIFUSA - Federação Internacional de Futebol de Salão, UEFS - União
Europeia de Futsal, CPFS - Confederação Pan-Americana de Futebol de
Salão, CONCACFUTSAL – Confederação do Norte, América Central e Caribe
de Futebol de Salão, CAFUSA - Confederação Africana de Futebol de Salão,
CAFS – Confederação Asiática de Futebol de Salão e CFSO – Confederação
de Futebol de Salão da Oceania.[18]
Fundamentos
Os principais fundamentos do futsal são[19]:
Passe: É quando o jogador passa a bola para um companheiro da sua
equipe.
Drible: É o ato em que o jogador utiliza-se da bola para enganar o
adversário.
Finta: É o ato de enganar o adversário sem tocar na bola.
Cabeceio: É a ação de cabecear a bola que tem como objetivo defender ou
marcar um gol.
Chute: É a ação de chutar a bola,quando a bola estiver parada ou em
movimento, visando dar a ela uma trajetória em direção a um objetivo, seja
este o gol, outro jogador ou tirá-la de jogo (existem varias formas de chute).
Recepção: É a ação de interromper a trajetória da bola vinda de passes ou
arremessos.
Condução: É a ação de progredir com a bola por todos os espaços
possíveis de jogo.
Domínio de bola: Como no futebol, usa-se os pés para dominar a bola.
Chute no gol: Com um dos pés, chute a bola no gol.
Posições dos jogadores
Goleiro/Guarda-Redes - Defende o gol de todos os ataques do adversário
e também pode atacar, não podendo tocar na bola no campo de defesa do
adversário.
Fixo - Defensor, semelhante ao zagueiro.
Ala (esquerdo e direito) - Trabalham a bola na lateral da quadra.
Pivô - Atacante, o que fica mais próximo do gol adversário.