Cuidado de Enfermagem ao Indivíduo em
Emergências Hemorrágicas
Conteudista: Prof.ª M.ª Alexandra de Oliveira Fernandes Conceição
Revisão Textual: Luiza Venturini
Objetivos da Unidade:
Desenvolver competências no cuidado de enfermagem a pessoas com Acidente
Vascular Hemorrágico (AVH);
Capacitar os profissionais de enfermagem no cuidado a pessoas com
hemorragias digestivas, com foco na abordagem de emergência.
📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
📄 Material Teórico
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Introdução
No campo da Enfermagem, a capacitação e a aquisição de competências específicas
desempenham um papel fundamental na prestação de cuidados de saúde de qualidade.
Este material didático visa atender a uma necessidade crítica em nossa disciplina,
fornecendo aos estudantes de graduação em Enfermagem um conhecimento técnico e
científico abrangente no cuidado de enfermagem a pessoas com duas condições
médicas desafiadoras: o Acidente Vascular Hemorrágico (AVH) e as hemorragias
digestivas.
O AVH é uma condição neurológica grave e frequentemente fatal que resulta da ruptura
de um vaso sanguíneo intracraniano, levando a um sangramento cerebral. A
abordagem adequada a esse cenário exige a identificação ágil de sinais e sintomas
específicos, uma avaliação neurológica abrangente, o monitoramento contínuo dos
sinais vitais e a administração de medicamentos, como agentes anticoagulantes
reversíveis. Além disso, a colaboração na execução de procedimentos emergenciais,
como a trombólise, é essencial para otimizar as chances de recuperação do paciente.
Por outro lado, as hemorragias digestivas representam outra área crítica de
intervenção de enfermagem. O reconhecimento precoce dos sinais de hemorragia
digestiva, a adequada monitorização hemodinâmica, a administração de fluidos e
hemoderivados, o controle do sangramento por meio de intervenções farmacológicas
e procedimentos específicos, assim como a assistência na realização de endoscopia
terapêutica quando indicada, são componentes essenciais do cuidado de enfermagem
a pacientes com essa condição.
A complexidade e a urgência desses cenários clínicos demandam profissionais de
enfermagem altamente qualificados e atualizados. Portanto, convidamos os
estudantes a explorar este material didático de forma dedicada e aprofundada,
adquirindo as competências necessárias para enfrentar desafios clínicos críticos,
contribuindo para a promoção da saúde e o bem-estar dos pacientes. O conhecimento
e as habilidades adquiridas aqui serão instrumentais no desenvolvimento de
profissionais de enfermagem comprometidos com a excelência no cuidado de
indivíduos afetados por AVH e hemorragias digestivas, bem como em outras áreas da
prática clínica.
Acidente Vascular Hemorrágico (AVH)
O Acidente Vascular Hemorrágico (AVH), também conhecido como hemorragia
intracerebral, é uma condição médica grave que ocorre quando há um sangramento
dentro do cérebro devido à ruptura de um vaso sanguíneo. Vamos explorar suas
principais causas. A pressão arterial elevada é uma das principais causas de AVH. Ela
pode enfraquecer os vasos sanguíneos cerebrais ao longo do tempo, tornando-os mais
propensos a se romperem. Malformações vasculares, as anomalias nos vasos
sanguíneos do cérebro, como Malformações Arteriovenosas (MAVs) ou aneurismas,
podem levar ao AVH quando essas estruturas se rompem. Pacientes em uso de
medicamentos anticoagulantes, como a varfarina, têm um risco aumentado de
hemorragia intracerebral, uma vez que esses medicamentos dificultam a coagulação
do sangue. Lesões na cabeça, especialmente aquelas que envolvem fraturas cranianas,
podem causar ruptura de vasos sanguíneos no cérebro, levando ao AVH.
O risco de AVH aumenta com a idade, sendo mais comum em idosos. Ter familiares
com histórico de AVH pode aumentar o risco. Estudos sugerem que os homens têm um
risco ligeiramente maior de AVH em comparação com as mulheres. Fumar também
aumenta o risco de hipertensão arterial, o que, por sua vez, aumenta o risco de AVH.
O diagnóstico de AVH envolve uma combinação de avaliação clínica e exames de
imagem. Na avaliação clínica, deve ser realizada uma avaliação neurológica para
verificar a função cerebral, incluindo os reflexos, a força muscular, a sensibilidade e a
coordenação. A Tomografia Computadorizada (TC) é geralmente o exame inicial de
escolha, pois pode identificar o sangramento cerebral. A Ressonância Magnética (RM)
também é usada para avaliar a extensão do dano.
O tratamento do AVH depende da causa, do tamanho do sangramento e da condição
geral do paciente. Em alguns casos, pode ser necessária cirurgia para remover o
sangramento, aliviar a pressão no cérebro ou tratar malformações vasculares. Se o
sangramento for causado por coagulopatia, a reversão dos efeitos dos anticoagulantes
pode ser necessária. Os medicamentos podem ser administrados para reduzir a
pressão intracraniana ou prevenir convulsões. Se a hipertensão arterial for a causa ou
um fator contribuinte, o controle rigoroso da pressão arterial é essencial para prevenir
recorrências. Após o tratamento agudo, a reabilitação neurológica pode ser necessária
para ajudar os pacientes a recuperar funções perdidas.
Vídeo
O que é AVC? Aprenda agora tudo sobre o AVE (Acidente Vascular
Encefálico)
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Gerenciamento Emergencial de Hemorragia Intracerebral
(ICH)
De acordo com as recomendações mais recentes da Canadian Stroke Best Practice, na 7ª
Edição de 2020, no tratamento de pacientes com hemorragia intracerebral espontânea,
quando um paciente apresenta sintomas que sugerem a ocorrência de uma hemorragia
intracerebral (ICH), como confusão mental, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos,
fraqueza ou paralisia, é crucial realizar uma Tomografia Computadorizada (TC) ou
Ressonância Magnética (RM) sem contraste imediatamente para confirmar o
diagnóstico. Ambas as técnicas de imagem são eficazes na detecção precisa de
hemorragias no cérebro. Vale mencionar que em 15% a 25% dos casos de ICH
espontânea, há uma causa subjacente relacionada a problemas nos vasos sanguíneos,
como malformações arteriovenosas, aneurismas ou trombose do seio venoso cerebral.
Portanto, é importante considerar estudos adicionais, como angiografia por TC (CTA),
angiografia por RM (MRA) ou angiografia por subtração digital (DSA), para identificar
essas condições vasculares.
Após o diagnóstico confirmado de ICH, um dos objetivos mais importantes é evitar que
o hematoma (acúmulo de sangue) se expanda. Isso é crucial, pois a expansão do
hematoma pode causar deterioração neurológica precoce e resultados clínicos ruins.
Vários fatores, como a presença de sangramento adicional, densidade irregular no
hematoma, início precoce dos sintomas, uso de medicamentos anticoagulantes e o
tamanho inicial do hematoma, podem aumentar o risco de expansão do hematoma.
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Avaliação Clínica de Enfermagem
Triagem e Avaliação Inicial
O enfermeiro, muitas vezes, é o primeiro profissional de saúde a entrar em contato
com o paciente suspeito de AVCH. Ele deve ser capaz de identificar rapidamente os
sinais e sintomas do AVCH, como fraqueza facial, perda de força em um lado do corpo,
dificuldade na fala e dor de cabeça súbita e intensa.
Avaliação da escala de gravidade do AVCH, como
o National Institute of Health Stroke Score (NIHSS)
ou a Escala de Coma de Glasgow (ECG), para
determinar a gravidade do quadro e a
necessidade de intervenções imediatas;
Para aqueles com níveis de consciência diminuídos, a Escala de
Coma de Glasgow (ECG) é apropriada;
Pacientes com ECG igual ou inferior a 8 devem ser avaliados para
suporte das vias aéreas;
Em casos graves de AVCH com deterioração neurológica, é
necessário estar preparado para a realização de intervenções,
como a intubação endotraqueal, para proteger as vias aéreas;
Pacientes com suspeita de aumento da pressão intracraniana
devem receber intervenções temporárias para controlar a
pressão;
A avaliação da pressão arterial deve ser realizada imediatamente
na chegada do paciente na emergência e, subsequentemente, a
cada intervalo de 15 minutos até que a pressão arterial alvo seja
atingida e mantida nas primeiras 24 horas;
O monitoramento subsequente da pressão arterial deve ser
adaptado aos pacientes individuais de acordo com a estabilidade
dos sinais vitais e da pressão intracraniana;
Pacientes que usam anticoagulantes devem ter a medicação
suspensa, e deve-se considerar a reversão imediata,
independentemente da indicação. O tipo de reversão depende do
agente anticoagulante específico;
Realizar consulta com a neurocirurgia pode ser vital em casos de
ICH grande e cirurgicamente acessível.
Diagnóstico e Imagem
Coletar informações clínicas detalhadas do
paciente e do histórico médico, incluindo o uso de
anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários;
Coordenar a realização de exames de imagem, como Tomografia
Computadorizada (TC) ou Ressonância Magnética (RM) do
cérebro, para confirmar o diagnóstico de AVCH e identificar a
localização e a extensão da hemorragia.
Monitoramento e Tratamento da Pressão Arterial
Monitorar continuamente a pressão arterial, com
atenção especial à manutenção da pressão
arterial dentro das metas estabelecidas;
A administração de medicamentos anti-hipertensivos, quando
indicada, deve ser realizada de acordo com as diretrizes médicas.
Vídeo
Qual é a Meta de Pressão Arterial no Paciente com AVC?
Descrição da indicação em tamanho 17pt, se houver.
Qual é a meta de pressão arterial no paciente com AVC?
Cuidados Específicos
Implementar medidas para prevenir e tratar
complicações, como a prevenção de úlceras de
pressão e pneumonia associada à ventilação
mecânica;
Monitorar e tratar complicações frequentes, como convulsões e
hiperglicemia.
Coordenação da Equipe de Saúde
O enfermeiro desempenha um papel central na
coordenação da equipe de saúde, assegurando
que todos os aspectos do cuidado estejam
alinhados com as diretrizes e os protocolos de
manejo do AVCH.
Educação ao Paciente e à Família
Fornecer informações ao paciente e à família
sobre a condição, os tratamentos e o prognóstico;
Orientar sobre medidas preventivas para evitar recorrências de
AVCH, como controle da pressão arterial, estilo de vida saudável e
aderência à medicação.
Reabilitação e Cuidados Pós-AVC
Participar ativamente da transição do paciente
para a fase de reabilitação, garantindo que os
objetivos de cuidado sejam estabelecidos em
colaboração com o paciente e a família;
Assegurar que o paciente receba os cuidados necessários durante
a reabilitação, a qual pode incluir terapias física, ocupacional e
fonoaudiológica;
Oferecer suporte emocional ao paciente e à família, reconhecendo
o impacto emocional significativo que o AVCH pode ter;
Facilitar o acesso a serviços de apoio psicológico e grupos de
suporte;
É essencial ressaltar que o manejo do AVCH requer uma
abordagem interprofissional, na qual o enfermeiro desempenha
um papel-chave na prestação de cuidados de alta qualidade, na
educação do paciente e da família, bem como na coordenação da
equipe de saúde. Além disso, é importante que o enfermeiro esteja
atualizado com as diretrizes e recomendações mais recentes
relacionadas ao tratamento do AVCH para garantir a melhor
assistência possível ao paciente;
É importante continuar monitorando pacientes com hemorragia
intracerebral em relação à sua prontidão para a reabilitação, indo
além dos prazos convencionais estabelecidos para pacientes com
acidente vascular cerebral isquêmico. Isso se deve às evidências
emergentes de trajetórias de recuperação prolongadas nessa
população de pacientes.
Vídeo
Emergências Neurológicas | O que Você Precisa Saber?
EMERGÊNCIAS NEUROLÓGICAS | o que você precisa saber?
Diagnósticos de Enfermagem
Os diagnósticos de enfermagem para pacientes com hemorragia cerebral são
essenciais para orientar o plano de cuidados e proporcionar cuidados de qualidade.
Aqui estão alguns diagnósticos de enfermagem relevantes:
Risco de lesão cerebral secundária: pacientes com hemorragia
cerebral têm risco de lesões cerebrais adicionais devido ao
aumento da pressão intracraniana, a edema cerebral ou
deterioração da função neurológica. Isso pode ser monitorado por
meio de avaliações neurológicas frequentes;
Déficit neurológico agudo: a hemorragia cerebral frequentemente
resulta em déficits neurológicos, como hemiplegia, afasia,
alterações na visão ou dificuldade de deglutição. A avaliação
cuidadosa dos déficits neurológicos é essencial para planejar a
reabilitação e o cuidado do paciente;
Risco de aumento da Pressão Intracraniana (PIC): O
sangramento cerebral pode aumentar a PIC, o que pode levar a
danos cerebrais adicionais. A monitorização da pressão
intracraniana é necessária para evitar complicações;
Risco de convulsões: pacientes com hemorragia cerebral têm
maior risco de desenvolver convulsões. Os enfermeiros devem
estar alertas para sinais de convulsões e administrar medicações
anticonvulsivantes conforme prescrito;
Déficit de autocuidado: devido aos déficits neurológicos, os
pacientes com hemorragia cerebral podem ter dificuldade em
realizar atividades básicas de autocuidado, como higiene pessoal e
alimentação. O suporte na realização dessas atividades é
fundamental;
Comunicação ineficaz: afasia, uma perda da capacidade de se
comunicar verbalmente, é comum em pacientes com hemorragia
cerebral. O enfermeiro deve utilizar técnicas alternativas de
comunicação para facilitar a interação com o paciente;
Dor aguda: pacientes com hemorragia cerebral podem
experimentar cefaleia intensa. O manejo da dor é importante para
o conforto do paciente;
Risco de infecção: devido à imobilidade e à presença de
dispositivos invasivos, como sondas vesicais e cateteres
intravenosos, os pacientes com hemorragia cerebral estão em
risco de desenvolver infecções. A manutenção da higiene e o
cuidado adequado dos dispositivos são essenciais;
Déficit de mobilidade física: a fraqueza muscular e a paralisia
podem ocorrer após uma hemorragia cerebral. A prevenção de
úlceras de pressão e a promoção da mobilidade passiva são
importantes;
Ansiedade: tanto os pacientes quanto suas famílias
frequentemente experimentam ansiedade significativa devido à
gravidade do AVC hemorrágico. O apoio emocional e a educação
são cruciais para ajudar a lidar com a ansiedade;
Risco de hemorragia recorrente: pacientes com hemorragia
cerebral podem estar em risco de hemorragia recorrente. O
manejo cuidadoso dos fatores de risco, como pressão arterial
elevada, é importante para prevenir recorrências.
É importante lembrar que o plano de cuidados de enfermagem deve ser adaptado às
necessidades individuais de cada paciente, levando em consideração a gravidade da
hemorragia cerebral e o estágio de recuperação. Além disso, a colaboração
interprofissional é fundamental para garantir o melhor resultado possível para o
paciente com hemorragia cerebral.
Leitura
Diagnósticos de Enfermagem para Pacientes com Afecções
Neurológicas
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ACESSE
Importante!
Prevenção secundária de acidente vascular cerebral em indivíduos
com hemorragia intracerebral
Existem fatores de risco no estilo de vida que podem aumentar o risco
de hemorragia intracerebral, sendo alguns mais influentes nessa
condição do que no acidente vascular cerebral isquêmico. O
tabagismo, o sedentarismo e o consumo excessivo de álcool são de
particular preocupação nesse contexto. Em estudos, foi observado
que o consumo elevado de álcool, definido como mais de 14 doses por
semana em mulheres ou mais de 21 doses por semana em homens,
aumenta o risco de hemorragia intracerebral em maior proporção do
que o risco de acidente vascular cerebral isquêmico. Além disso, a
falta de envolvimento em atividades físicas moderadas ou intensas
por pelo menos 4 horas por semana também foi associada a um
aumento no risco de hemorragia intracerebral.
Em relação à prevenção secundária, a redução da pressão arterial no
longo prazo pode diminuir o risco de recorrência de hemorragia
intracerebral. Foi demonstrado que a redução da pressão arterial para
valores abaixo de 130/80 mmHg é segura e reduz o risco de futuras
hemorragias intracerebrais. No entanto, os benefícios clínicos desse
tratamento ainda não foram completamente estabelecidos.
A administração de estatinas, que são usadas para prevenir acidentes
vasculares cerebrais isquêmicos recorrentes, pode aumentar o risco
de hemorragia intracerebral em alguns casos. Portanto, a decisão de
usar estatinas após uma hemorragia intracerebral deve ser
cuidadosamente ponderada, levando em consideração o histórico
clínico do paciente e os riscos associados.
No que diz respeito à terapia antitrombótica, a decisão de retomar
esse tratamento após uma hemorragia intracerebral é complexa, uma
vez que existe um risco aumentado de sangramento. No entanto, para
pacientes com fibrilação atrial não valvar, a prevenção de eventos
isquêmicos futuros também deve ser considerada. Portanto, essa
decisão deve ser individualizada, levando em consideração os riscos e
os benefícios para cada paciente. Ela deve ser cuidadosamente
discutida entre a equipe médica e o paciente.
Essas diretrizes são essenciais para enfermeiros no atendimento de
pacientes com ICH. O manejo eficaz pode salvar vidas e melhorar a
qualidade de vida dos pacientes. É crucial que os acadêmicos de
Enfermagem compreendam essas recomendações e estejam
preparados para aplicá-las em situações clínicas reais.
Caso Clínico
Paciente com AVCH
Paciente: João, masculino, 65 anos.
História Clínica: João foi trazido à unidade de emergência pelo serviço de resgate após
sua esposa encontrá-lo com fraqueza repentina no lado direito do corpo e dificuldade
para falar. A esposa observou esses sintomas aproximadamente 45 minutos antes de
chamar o resgate. Ela não tinha conhecimento de qualquer condição médica prévia que
João tivesse, mas ele fumava cerca de 20 cigarros por dia e ocasionalmente bebia
álcool. Não havia histórico de uso de medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes
plaquetários.
Exame Físico: João está consciente, mas confuso. Fraqueza notável no braço e na
perna direitos. Fala arrastada e ininteligível. Pressão arterial: 190/110 mmHg.
Frequência cardíaca: 90 bpm. Saturação de oxigênio: 95% em ar ambiente. Não há
outros achados clínicos significativos.
Avaliação inicial: O enfermeiro realiza uma avaliação rápida da escala de gravidade
usando o National Institute of Health Stroke Score (NIHSS). Registra os principais
achados neurológicos, incluindo a fraqueza do braço e da perna direitos e a dificuldade
na fala.
Manutenção das vias aéreas: as vias aéreas de João estão
desobstruídas, mas o enfermeiro monitora de perto a sua
respiração, uma vez que a fala arrastada pode indicar
comprometimento da deglutição;
Monitorização dos sinais vitais: a pressão arterial elevada é
identificada, e o enfermeiro começa a monitorar a pressão arterial
de João a cada 15 minutos, de acordo com as diretrizes;
Realização da TC de crânio: o enfermeiro coordena a realização de
uma Tomografia Computadorizada (TC) de crânio, que é
necessária para confirmar o diagnóstico de AVCH e determinar a
extensão da hemorragia cerebral. João é transportado para a TC
com urgência;
Coleta de histórico clínico: o enfermeiro obtém informações
sobre o histórico médico de João, hábitos de tabagismo e
consumo de álcool, bem como o uso atual de medicações;
Administração de medicação: com orientações médicas, o
enfermeiro administra a medicação para reduzir a pressão arterial
de João e controlar a hipertensão;
Comunicação com a família: o enfermeiro informa à esposa de
João sobre a situação, a necessidade de realizar exames e a
possível admissão na unidade de AVC;
Registro de dados e observações: todos os dados clínicos, os
resultados de exames e as intervenções realizadas são
cuidadosamente registrados na ficha de atendimento.
Esse caso clínico ilustra um cenário típico de atendimento de um paciente com
suspeita de AVCH na unidade de emergência. O enfermeiro é encarregado da avaliação e
da identificação precoce dos sinais e sintomas, da estabilização do paciente, da
coordenação de exames de imagem e da administração de medicação, seguindo as
diretrizes e os protocolos de manejo do AVCH. Além disso, a comunicação eficaz com a
família é essencial para fornecer informações e apoio durante um momento tão crítico.
Administração de Medicamentos no AVCH
A administração de medicamentos é uma das responsabilidades essenciais da equipe
de enfermagem em um ambiente de atendimento de emergência. Essa tarefa
desempenha um papel crítico na recuperação dos pacientes e pode ter implicações
diretas em seus resultados clínicos. Portanto, é fundamental que a equipe de
enfermagem esteja plenamente ciente da importância da segurança na administração
de medicamentos durante o atendimento de emergência.
A administração de medicamentos é um processo complexo que requer atenção
meticulosa e cuidado para garantir a segurança do paciente. Aqui estão algumas razões
pelas quais a segurança na administração de medicamentos é de suma importância:
Impacto direto na saúde do paciente: os medicamentos têm o
potencial de salvar vidas, aliviar sintomas e tratar condições
médicas. No entanto, quando administrados incorretamente,
podem causar efeitos colaterais prejudiciais e até mesmo
representar riscos à vida do paciente;
Prevenção de erros medicamentosos: erros na administração de
medicamentos, como dose incorreta, medicamento errado ou via
inadequada, podem ocorrer em emergências devido à pressão do
tempo e à complexidade do ambiente. A prática segura ajuda a
prevenir esses erros;
Resposta rápida e eficaz: em emergências, cada minuto conta.
Administrar medicamentos de forma segura e eficaz é essencial
para garantir que o paciente receba o tratamento necessário o
mais rápido possível. No atendimento de um paciente com
Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH), alguns
medicamentos podem ser administrados para tratar e controlar
os sintomas, bem como para prevenir complicações.
Os principais medicamentos utilizados incluem:
Agentes anti-hipertensivos: muitas vezes, a
pressão arterial do paciente com AVCH está
elevada, e a redução da pressão arterial é
fundamental para evitar mais danos cerebrais.
Bloqueadores dos receptores de angiotensina
(por exemplo, losartana);
Inibidores da enzima conversora de
angiotensina (por exemplo, enalapril);
Betabloqueadores (por exemplo, metoprolol);
Diuréticos (por exemplo, furosemida);
Antagonistas de cálcio (por exemplo,
nifedipino).
Medicamentos para controle da coagulação: se o paciente estiver
usando medicamentos anticoagulantes, como a varfarina, pode
ser necessário administrar agentes para reverter o efeito
anticoagulante. Isso pode incluir o uso de vitamina K e
concentrados de complexo protrombínico (PCC). Para pacientes
que estiverem usando anticoagulantes orais diretos (DOACs),
como apixabana ou rivaroxabana, agentes específicos para
reversão, como o idarucizumabe, podem ser considerados;
Medicamentos para controle da dor e agitação:
Analgésicos: se o paciente estiver com dor de
cabeça intensa, podem ser administrados
analgésicos, como paracetamol ou opioides,
para alívio da dor;
Sedativos: pacientes agitados podem receber
sedativos, como diazepam ou midazolam,
para ajudar a manter a calma e reduzir o
desconforto;
Medicamentos para controle da Pressão Intracraniana (PIC): em
alguns casos, especialmente quando há sinais de aumento da PIC
devido à hemorragia cerebral, pode ser necessário administrar
medicamentos, como manitol ou solução salina hipertônica a 3%,
para reduzir a pressão intracraniana;
Medicamentos para prevenção de crises convulsivas:
anticonvulsivantes, como fenitoína ou levetiracetam, podem ser
administrados para prevenir convulsões;
Medicamentos para outros sintomas: dependendo dos sintomas
específicos do paciente, podem ser necessários medicamentos
adicionais para controlar náuseas, vômitos ou outras queixas.
É importante observar que a administração de medicamentos no tratamento de um
AVCH deve ser feita sob a supervisão de profissionais de saúde, seguindo diretrizes
clínicas específicas. A escolha dos medicamentos e a dosagem exata dependem das
condições clínicas do paciente, incluindo o tipo e a localização da hemorragia cerebral,
o estado neurológico e outros fatores individuais.
Além disso, o tratamento de um AVCH não se limita apenas à administração de
medicamentos; envolve também a coordenação de exames de imagem, monitorização
contínua e, em alguns casos, intervenções cirúrgicas, como a evacuação do hematoma.
Todo o plano de tratamento deve ser personalizado para atender às necessidades do
paciente.
Tratamento Cirúrgico para o AVCH
O tratamento cirúrgico de emergência para o Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico
(AVCH) é uma abordagem importante em casos selecionados, especialmente quando
há uma coleção significativa de sangue no cérebro que está causando aumento da
pressão intracraniana e comprometendo a função cerebral. A cirurgia pode ser
realizada para remover o sangue acumulado e aliviar a pressão intracraniana. Os
procedimentos cirúrgicos de emergência para AVCH incluem:
Craniotomia para evacuação do hematoma intracerebral: nesse
procedimento, o cirurgião faz uma incisão no couro cabeludo e
remove uma porção do crânio (craniotomia) para acessar a área
onde o hematoma intracerebral está localizado.
O hematoma é, então, cuidadosamente removido, permitindo que
o sangue acumulado seja drenado, aliviando, assim, a pressão
sobre o tecido cerebral adjacente. Após a remoção do hematoma,
o osso do crânio é frequentemente recolocado e fixado no lugar
com placas e parafusos cirúrgicos;
Drenagem externa ou interna: em alguns casos, quando a pressão
intracraniana continua sendo um problema após a remoção do
hematoma, pode ser necessário inserir um dispositivo de
drenagem temporária (cateter) dentro do cérebro para remover o
excesso de líquido e sangue.
A drenagem pode ser realizada externamente, processo pelo qual
o líquido é coletado em um reservatório externo, ou
internamente, com a colocação de um cateter diretamente dentro
da cavidade cerebral para drenagem contínua;
Craniectomia descompressiva: em casos graves em que o edema
cerebral é um problema significativo, o cirurgião pode optar por
uma craniectomia descompressiva.
Nesse procedimento, uma parte do crânio é removida e não é
recolocada imediatamente. Isso permite que o cérebro se expanda
sem ser comprimido pelo crânio, reduzindo a pressão
intracraniana. Mais tarde, após a redução do edema cerebral,
outra cirurgia pode ser realizada para recolocar o osso do crânio.
É importante observar que a decisão de realizar cirurgia de emergência em casos de
AVCH depende de vários fatores, incluindo o tamanho e a localização do hematoma, a
gravidade dos sintomas neurológicos, a condição geral do paciente e outras
considerações clínicas. Nem todos os pacientes com AVCH serão submetidos à
cirurgia, e a decisão é tomada após uma avaliação cuidadosa da equipe médica.
Vídeo
Craniectomia Descompressiva – Cirurgia
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ASSISTA
Principais Cuidados de Enfermagem
Os cuidados de enfermagem após uma craniectomia, que é a remoção temporária de
uma porção do crânio para aliviar a pressão intracraniana, são essenciais para a
recuperação do paciente e a prevenção de complicações.
Monitoramento Neurovascular Contínuo:
Avaliação frequente dos sinais vitais, do nível de
consciência, das respostas verbal e motora do
paciente. Qualquer alteração deve ser relatada
imediatamente à equipe médica.
Controle da Pressão Intracraniana (PIC):
Monitoramento da PIC é crítico. Isso pode ser
feito através de um cateter intraventricular
(ventriculostomia), da monitorização de pressão
intraparenquimatosa ou de outros métodos;
Mantenha a cabeça do leito elevada a 30 graus para ajudar a
controlar a pressão intracraniana.
Controle da Temperatura Corporal:
Evite hipertermia (aumento da temperatura
corporal), pois isso pode aumentar o
metabolismo cerebral e a pressão intracraniana;
Mantenha a temperatura corporal do paciente dentro de limites
normais.
Monitoramento da Drenagem Liquórica:
Se um dreno ventricular ou lombar foi colocado,
monitore a drenagem e a aparência do líquido
cefalorraquidiano para detectar sinais de
infecção ou vazamento;
Mantenha a posição adequada do dreno conforme indicado pelo
cirurgião.
Prevenção de Infecções:
Mantenha estrita técnica asséptica ao lidar com o
local da incisão;
Administre antibióticos conforme prescrito para reduzir o risco
de infecção;
Observe sinais de infecção, como febre, vermelhidão, inchaço ou
drenagem purulenta no local da incisão.
Controle da Dor e Desconforto:
Administre analgésicos conforme prescrição para
aliviar a dor pós-operatória;
Avalie regularmente a intensidade da dor e a resposta do paciente
ao tratamento.
Prevenção de Complicações Respiratórias:
Avalie a função respiratória do paciente e
incentive a respiração profunda e a tosse para
prevenir complicações pulmonares, como
pneumonia;
Mobilize o paciente precocemente para evitar atelectasia (colapso
dos alvéolos).
Mobilização e Prevenção de Complicações Venosas e
Tromboembólicas:
Promova a mobilização precoce do paciente para
prevenir a formação de coágulos sanguíneos e
complicações venosas;
Use meias de compressão graduada ou dispositivos de
compressão pneumática intermitente conforme indicado.
Monitoramento do Nível de Consciência:
Avalie regularmente o nível de consciência do
paciente, incluindo a resposta a estímulos
verbais e motores;
Esteja preparado para relatar qualquer alteração significativa na
função neurológica.
Hidratação e Nutrição Adequadas:
Garanta que o paciente esteja bem hidratado e
receba nutrição adequada para apoiar a
cicatrização e a recuperação.
Apoio Psicossocial:
Forneça apoio emocional ao paciente e à família,
pois a craniectomia pode ser uma experiência
estressante;
Eduque a família sobre o que esperar e como cuidar do paciente
em casa após a alta hospitalar.
Monitoramento da Incisão Cirúrgica:
Avalie a incisão cirúrgica quanto a sinais de
infecção, hematoma ou deiscência (abertura);
Mantenha a área limpa e seca.
Lembrando que o cuidado de enfermagem após uma craniectomia é altamente
especializado e requer atenção constante e avaliação cuidadosa da condição do
paciente. O trabalho em equipe interdisciplinar com médicos, fisioterapeutas,
terapeutas ocupacionais e outros profissionais de saúde é fundamental para garantir a
recuperação bem-sucedida do paciente.
Hemorragias Digestivas (Enfoque
na Emergência)
A hemorragia digestiva aguda é uma situação médica comum que pode levar à
hospitalização de urgência. Ela se manifesta clinicamente por meio da presença de
sangue vivo ou digerido nas fezes (melena), vômito com sangue (hematêmese) ou
sangramento pelo ânus (enterorragia). Existem dois tipos principais de hemorragia
digestiva: a hemorragia digestiva alta (HDA) e a hemorragia digestiva baixa (HDB),
dependendo da sua localização no trato gastrointestinal.
A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma condição médica caracterizada pelo
sangramento que ocorre no trato gastrointestinal superior, incluindo o esôfago, o
estômago e a primeira parte do intestino delgado, conhecida como duodeno.
Entretanto, em casos graves, a HDA pode se manifestar com enterorragia
(sangramento pelo ânus).
As principais causas de HDA incluem:
Úlceras gástricas e duodenais: úlceras no
estômago ou no duodeno podem sangrar,
frequentemente relacionadas ao uso de
medicamentos anti-inflamatórios não esteroides
(AINEs) ou à infecção por Helicobacter pylori;
Varizes esofágicas: pessoas com cirrose hepática podem
desenvolver varizes esofágicas que são propensas a sangrar;
Esofagite: a inflamação crônica do esôfago, muitas vezes causada
pelo refluxo ácido, pode levar a erosões que sangram;
Mallory-Weiss: lágrimas na junção esôfago-estômago podem
ocorrer após episódios de vômito excessivo.
Os sinais e sintomas da HDA podem incluir:
Hematêmese (vômito de sangue vermelho
brilhante ou com aspecto semelhante a borra de
café);
Melena (fezes escuras e alcatroadas devido à presença de sangue
digerido);
Fraqueza;
Tontura;
Pressão arterial baixa (hipotensão);
Frequência cardíaca elevada (taquicardia);
Dor abdominal;
Desmaio.
Para avaliar e diagnosticar a HDA, são realizados os seguintes procedimentos:
Exame físico: o enfermeiro e o médico avaliam os
sinais vitais, examinam o abdômen e verificam a
presença de sangramento visível;
Exames de sangue: os exames de sangue, como a hemoglobina e
o hematócrito, ajudam a determinar a gravidade da perda de
sangue;
Endoscopia digestiva alta: a endoscopia é um procedimento no
qual um tubo flexível com uma câmera é inserido pela boca para
examinar o interior do trato gastrointestinal e localizar a fonte do
sangramento.
O tratamento da HDA pode envolver:
Estabilização: pacientes com HDA grave podem
necessitar de ressuscitação com líquidos
intravenosos e transfusão de sangue para
estabilizar a pressão arterial e os níveis de
hemoglobina;
Terapia medicamentosa: dependendo da causa do sangramento,
os pacientes podem receber medicamentos como inibidores de
bomba de prótons para reduzir a produção de ácido gástrico,
agentes hemostáticos para controlar o sangramento ou
antibióticos para tratar infecções associadas;
Intervenção endoscópica: se uma fonte de sangramento for
identificada durante a endoscopia, procedimentos terapêuticos,
como ligadura com bandas, injeção de substâncias hemostáticas
ou cauterização, podem ser realizados;
Cirurgia: em casos graves em que a hemorragia não pode ser
controlada de outras maneiras, pode ser necessária uma cirurgia.
É fundamental que os enfermeiros estejam cientes dos sinais de HDA, avaliem os
pacientes de forma rápida e precisa e colaborem com a equipe médica para fornecer
tratamento de emergência. A HDA é uma condição séria que requer atenção imediata
para evitar complicações graves.
Vídeo
O que Fazer na Hemorragia Digestiva?
o que fazer na HEMORRAGIA DIGESTIVA?
Hemorragia Digestiva Alta por Varizes Esofagianas
Uma das causas mais graves de HDA é a hipertensão portal, que é frequentemente
associada à cirrose hepática. Essa condição pode levar ao desenvolvimento de varizes
esofagianas e gástricas, que, quando rompidas, resultam em sangramento severo. O
rastreamento de varizes esofagianas é fundamental para o diagnóstico precoce da
hipertensão portal e permite a adoção de medidas preventivas.
O tratamento da hemorragia aguda por varizes esofagianas é um procedimento de
emergência e requer abordagem multidisciplinar. Com o objetivo de corrigir o choque
hipovolêmico que a perda de sangue pode levar, exige a reposição rápida de líquidos
para manter a pressão arterial e a perfusão dos órgãos.
É essencial controlar o sangramento refratário nas varizes esofagianas. Isso pode ser
feito por meio de procedimentos endoscópicos, como a escleroterapia ou a ligadura
elástica.
Prevenir o sangramento refratário precoce com terapias farmacológicas, como o uso
de vasopressina ou análogos da somatostatina, reduz a pressão nas varizes,
diminuindo o risco de sangramento.
A administração de antibióticos é importante para prevenir infecções em pacientes
com varizes esofagianas rompidas.
Reposição Volêmica e Medidas Gerais
Na chegada do paciente com suspeita de HDA, a avaliação clínica cuidadosa é crucial,
especialmente em casos de hepatopatia crônica ou evidências de insuficiência
hepática. A reposição volêmica é uma prioridade para corrigir a hipovolemia, seguida
da identificação e do tratamento do sangramento.
Quando há suspeita de que a HDA seja secundária à hipertensão portal, a administração
de drogas vasoativas que promovem vasoconstrição esplâncnica, como a terlipressina,
somatostatina ou o octreotídeo, deve ser iniciada imediatamente. Essas drogas são
cruciais para controlar o sangramento varicoso. A terlipressina, um análogo sintético
da vasopressina, é uma opção eficaz e é administrada em bolus intravenoso inicial de 2
µg a cada 4 horas, com redução para 1 µg a cada 4 horas após o controle da hemorragia.
Outras drogas vasoativas, como a somatostatina e o octreotídeo, também são utilizadas
em combinação com o tratamento endoscópico. A somatostatina é administrada em
bolus intravenoso de 250 µg, seguida de infusão contínua de 250 µg por hora. O
octreotídeo, um análogo sintético da somatostatina, é administrado em
bolus intravenoso de 50 µg, seguido de infusão contínua de 50 µg por hora. Essas
terapias farmacológicas ajudam a reduzir a pressão nas varizes esofagianas e
contribuem para o controle do sangramento.
O tempo de tratamento com essas drogas vasoativas pode variar de dois a cinco dias, e
é fundamental que a terapia farmacológica seja combinada com intervenção
endoscópica precoce, reposição volêmica cuidadosa e prevenção de infecções.
Vídeo
Hipertensão Portal e Formação de Varizes de Esôfago
HIPERTENSÃO PORTAL E FORMAÇÃO DE VARIZES DE ESÔFAGO l …
Hemostasia Endoscópica
Após a administração das drogas vasoativas e a estabilização hemodinâmica do
paciente, o tratamento endoscópico é indicado. A técnica de escolha para a hemostasia
endoscópica nas varizes esofagianas é a ligadura elástica. Essa técnica tem se
mostrado altamente eficaz no controle do sangramento e apresenta taxas reduzidas de
complicações.
No entanto, em situações em que a ligadura elástica não pode ser realizada devido a
dificuldades técnicas, a escleroterapia pode ser empregada, principalmente durante o
sangramento agudo. O tratamento endoscópico é mais eficaz quando combinado com
o tratamento farmacológico, que deve ser iniciado preferencialmente antes da
Endoscopia Digestiva Alta (EDA). Essa combinação aumenta as chances de controle
inicial do sangramento e reduz o risco de sangramento precoce, embora não tenha
impacto significativo na mortalidade ou em eventos adversos graves.
Sangramento e Intervenção de Resgate
Em cerca de 10% a 20% dos casos, apesar das medidas endoscópicas e farmacológicas
iniciais, o controle do sangramento pode não ser bem-sucedido ou pode ocorrer
sangramento dentro das primeiras 24 horas. Nesses cenários, uma segunda
intervenção terapêutica endoscópica deve ser tentada.
Se o sangramento persistir, a colocação do balão de Sengstaken-Blakemore é indicada,
embora essa medida seja de alto risco, com complicações potenciais, incluindo
aspiração traqueal, migração, necrose e perfuração esofagiana, com uma taxa de
mortalidade de até 20%. Esse dispositivo deve ser mantido por no máximo 24 horas,
período durante o qual deve ser planejada uma terapêutica invasiva de resgate, como o
implante por hemodinâmica de TIPS (derivação portossistêmica intra-hepática
transjugular) ou cirurgia. Ambos os procedimentos são eficazes na interrupção do
sangramento, mas apresentam alto risco de mortalidade, especialmente em pacientes
com reserva hepática prejudicada (Child C).
É importante destacar que o sangramento pelas varizes esofagianas pode ocorrer em
até 30% a 40% dos pacientes nas primeiras seis semanas, com maior risco nos
primeiros cinco dias. Após esse período, o risco de sangramento diminui
significativamente. Fatores como infecções bacterianas, sangramento ativo na
endoscopia de emergência, classificação de Child-Pugh, entre outros, são
determinantes na ocorrência do sangramento.
Vídeo
Hemorragia Digestiva – Conduta
Hemorragia Digestiva - Conduta
Cuidados de Enfermagem no Atendimento de
Emergência na Hemorragia Digestiva Alta
(HDA)
O atendimento de emergência em casos de Hemorragia Digestiva Alta (HDA) é uma
situação crítica que requer ação rápida e cuidados precisos por parte da equipe de
enfermagem. Nesse contexto, a administração de medicamentos para reposição
volêmica desempenha um papel fundamental na estabilização do paciente. Aqui estão
os principais cuidados do enfermeiro a serem considerados:
Avaliação rápida: o enfermeiro deve realizar uma avaliação inicial
rápida do paciente, priorizando a estabilização hemodinâmica.
Isso inclui a verificação dos sinais vitais, como pressão arterial,
frequência cardíaca, frequência respiratória e saturação de
oxigênio;
Acesso vascular adequado: estabelecer acesso venoso periférico
de calibre adequado é crucial para a administração rápida de
fluidos e medicamentos. Pode ser necessário mais de um acesso;
Administração de fluidos: a reposição volêmica é essencial para
compensar a perda sanguínea. Geralmente, uma solução
fisiológica de 0,9% é utilizada para esse fim. A administração deve
ser cuidadosamente monitorada para evitar sobrecarga de fluidos;
Uso de medicamentos vasoativos: quando há suspeita de HDA
secundária à hipertensão portal e ao sangramento varicoso, a
administração de medicamentos vasoativos como terlipressina,
somatostatina ou octreotídeo é fundamental. A terlipressina é
frequentemente usada e é administrada em bolus intravenoso,
seguida de doses adicionais conforme necessário.
A somatostatina e o octreotídeo são outras opções terapêuticas
que podem ser usadas em combinação com o tratamento
endoscópico para reduzir a pressão nas varizes esofagianas e
controlar o sangramento;
Monitoramento contínuo: durante a administração de
medicamentos vasoativos e fluidos, o enfermeiro deve realizar o
monitoramento contínuo dos sinais vitais, incluindo a pressão
arterial, a frequência cardíaca e a oxigenação. Qualquer alteração
deve ser relatada imediatamente ao médico;
Preparação para intervenções adicionais: o enfermeiro deve estar
preparado para intervenções adicionais, como endoscopia ou
cirurgia, dependendo da causa e da gravidade da HDA.
A administração de medicamentos vasoativos não substitui a
necessidade de intervenções endoscópicas ou cirúrgicas em
muitos casos;
Comunicação e educação: manter uma comunicação eficaz com o
paciente e seus familiares é importante para fornecer
informações sobre o estado do paciente, o tratamento em curso e
responder às preocupações.
Educar o paciente sobre a importância do tratamento e do
seguimento é essencial para a adesão ao plano de cuidados após a
alta hospitalar.
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Cuidado com a Hemorragia Digestiva!
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Hemorragia Digestiva Alta não Varicosa
As Hemorragias Digestivas Agudas (HDAs) de etiologia não varicosa representam uma
parcela significativa dos casos de sangramento gastrointestinal. As principais causas
incluem úlcera péptica gastroduodenal, lesão aguda de mucosa gastroduodenal,
laceração aguda da transição esofagogástrica (síndrome de Mallory-Weiss), câncer
gástrico, esofagites, além de causas mais raras como lesões vasculares
(angiodisplasias, fístula aorto-duodenal, lesão de Dieulafoy), pólipos, hemobilia e
hemosuccus pancreaticus.
Embora muitas HDAs não varicosas cessem espontaneamente em cerca de 80% dos
casos, é fundamental uma abordagem diagnóstica e terapêutica dinâmica para
preservar o equilíbrio hemodinâmico e a vida do paciente. A gravidade do sangramento
nem sempre está relacionada à sua causa, mas sim à idade do paciente, a comorbidades
e ao uso prévio de medicamentos lesivos à mucosa ou anticoagulantes.
Reposição Volêmica
A intensidade da reposição volêmica deve ser determinada de acordo com a gravidade
do sangramento. Após a obtenção de dois acessos venosos calibrosos, a reposição
rápida de volume com cristaloides, como solução fisiológica de 0,9%, é crucial para
normalizar os sinais vitais e os parâmetros hemodinâmicos do paciente. Indivíduos
com instabilidade hemodinâmica devem ser preferencialmente monitorados em uma
unidade de terapia intensiva. A transfusão de concentrado de hemácias visa manter o
hematócrito em torno de 30% em idosos, enquanto valores de 20% a 25% podem ser
tolerados em pacientes jovens e saudáveis, a menos que haja instabilidade
hemodinâmica ou sangramento persistente. Em casos de coagulopatias, pode ser
necessária a utilização de plasma fresco congelado e/ou concentrado de plaquetas.
Terapia Antissecretora
A terapia antissecretora desempenha um papel fundamental no tratamento das HDAs
causadas por úlceras pépticas. Inibidores da Bomba de Prótons (IBP) têm se mostrado
eficazes na redução das taxas de sangramento refratário, na necessidade de
intervenção cirúrgica ou no retratamento endoscópico. Para pacientes de alto risco,
como aqueles com sangramento ativo ou vaso visível não sangrante na endoscopia, o
uso de IBP é altamente recomendado.
As formulações venosas de IBP podem ser administradas em bolus ou por infusão
prolongada. Em casos de falta dessas formulações, doses dobradas de IBP por via oral
podem ser utilizadas. O tratamento oral pode ser iniciado em pacientes que não
apresentam sangramento ativo, úlceras com vaso visível ou coágulo aderido. O
tratamento geralmente envolve o uso de omeprazol endovenoso na dose de 80 mg em
bolus, seguido de infusão de 8 mg/h por 72 horas, antes de ser trocado para a
administração oral de 20 mg por dia por oito semanas.
Outras drogas, como somatostatina ou octreotídeo, podem ser benéficas devido aos
seus efeitos na redução do fluxo esplâncnico, inibição da secreção ácida e suposta ação
citoprotetora gástrica. No entanto, devido ao custo elevado e à disponibilidade limitada,
essas drogas são reservadas para situações em que a terapêutica convencional foi
ineficaz.
Endoscopia Digestiva Alta (EDA)
A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é o método mais sensível e específico para o
diagnóstico das HDAs, com uma acurácia de 92% a 95%. Ela deve ser realizada
preferencialmente nas primeiras 24 horas após a internação, com o paciente
hemodinamicamente estável. Antes do exame, é recomendável fazer uma lavagem
gástrica com 1.000 a 1.500 ml de solução fisiológica de 0,9% para melhorar a
visibilidade durante a endoscopia.
O exame endoscópico tem três objetivos principais: identificar o ponto de
sangramento, realizar hemostasia quando necessário e reconhecer estigmas que
predizem novo sangramento iminente. No caso de úlceras pépticas, alguns achados
endoscópicos, como sangramento ativo em jato, vaso visível ou coágulo aderido, são
relevantes para estimar o risco de um novo sangramento.
A terapêutica endoscópica depende do tipo de lesão. As principais técnicas incluem a
injeção de substâncias esclerosantes, terapêutica térmica (eletrocoagulação ou
termocoagulação), terapêutica mecânica (hemoclip) ou terapêutica com laser. A
escolha da técnica depende da avaliação do endoscopista e da natureza da lesão. A
terapêutica endoscópica tem se mostrado eficaz na redução dos riscos de um novo
sangramento e de necessidade de cirurgia, quando comparada a tratamentos menos
invasivos.
Complicações do Tratamento e dos Procedimentos
Diagnósticos
É importante estar ciente de que complicações podem ocorrer antes, durante ou após a
endoscopia de urgência. Antes do exame, é necessário considerar o risco de aspiração,
hipoventilação e hipotensão, especialmente em pacientes sedados ou com agitação.
Durante e após o exame, principalmente quando há necessidade de terapêutica
endoscópica, é possível que ocorra agravamento do sangramento ou perfuração
gastroduodenal. Portanto, é fundamental estabelecer limites predeterminados para
cada técnica a ser utilizada a fim de evitar complicações graves.
Sangramento Refratário
Em situações em que não se obtém sucesso na hemostasia com medidas clínicas e
após duas tentativas frustradas de terapêutica endoscópica, pode ser necessário
recorrer à angiografia terapêutica (injeção de substâncias vasoconstritoras ou
embolização) ou à cirurgia de emergência. Essas são medidas extremas e de alto risco,
reservadas para casos de sangramento refratário que não responde a outras
intervenções.
Hemorragia Digestiva Baixa (HDB): Causas,
Avaliação e Tratamento
A Hemorragia Digestiva Baixa (HDB) é uma condição clínica caracterizada por
sangramento que ocorre no trato gastrointestinal inferior, ou seja, no cólon, no reto
ou no íleo terminal. Essa condição pode variar desde episódios leves de hematoquezia
(sangue vermelho vivo nas fezes) até hemorragias graves que levam ao choque
hemodinâmico. Neste material, abordaremos as principais causas da HDB, sua
avaliação e as estratégias de tratamento.
As causas da HDB podem variar de acordo com a faixa etária dos pacientes. Em
crianças, o divertículo de Meckel é a causa mais comum de sangramento
gastrointestinal baixo. Já em adultos, as causas mais frequentes incluem:
Doença diverticular: a doença diverticular dos
cólons, especialmente no cólon direito, pode
levar a hemorragias maciças em alguns casos;
Angiodisplasias: são lesões vasculares que tendem a ocorrer em
indivíduos mais velhos, principalmente no ceco e no cólon
ascendente. O sangramento é geralmente recorrente e de volume
reduzido;
Doenças proctológicas: a hemorroida é uma causa comum de
sangramento que geralmente se apresenta com sangue vermelho
vivo nas fezes;
Neoplasias: tumores colorretais podem causar HDB, e o
diagnóstico precoce é crucial;
Doenças inflamatórias intestinais: condições como a doença de
Crohn e a retocolite ulcerativa podem levar a sangramentos
intestinais;
Uso de anti-inflamatórios: o uso prolongado de medicamentos
Anti-Inflamatórios Não Esteroides (AINEs) pode provocar lesões
no trato gastrointestinal, incluindo sangramento.
A abordagem inicial nos casos graves de HDB visa estabilizar o paciente
hemodinamicamente, seguindo os mesmos princípios de tratamento da Hemorragia
Digestiva Alta (HDA). A definição do local do sangramento e o tratamento específico
são objetivos subsequentes.
A realização de uma colonoscopia é frequentemente recomendada quando não se
identifica a fonte do sangramento. Esse procedimento permite visualizar o cólon e o
íleo terminal, facilitando o diagnóstico de doenças como doença diverticular,
angiodisplasias, neoplasias e doenças inflamatórias intestinais.
O tratamento da HDB depende da causa subjacente. As abordagens terapêuticas
incluem:
Tratamento local: em alguns casos, como
angiodisplasias e doenças proctológicas, o
tratamento pode ser realizado localmente
durante a colonoscopia, envolvendo técnicas
como termocoagulação ou injeção de
esclerosantes;
Cirurgia: em situações mais graves, como hemorragias maciças
ou neoplasias, a cirurgia pode ser necessária para controlar o
sangramento e tratar a condição subjacente;
Gerenciamento clínico: dependendo da causa, pode ser
necessário gerenciar clinicamente a doença, como no caso de
doenças inflamatórias intestinais, nas quais o tratamento visa
controlar a inflamação e prevenir recorrências.
Vídeo
Hemorragia Digestiva Baixa
Hemorragia Digestiva Baixa
Doenças do Intestino Delgado e Tratamento
de Hemorragias Maciças
As hemorragias originadas no intestino delgado, particularmente fora do alcance dos
exames endoscópicos convencionais, representam um desafio diagnóstico
significativo e são responsáveis pela maioria dos casos de hemorragias de origem
obscura. A principal causa dessas hemorragias são as lesões vasculares conhecidas
como angiodisplasias, seguidas por neoplasias. Para chegar a um diagnóstico preciso
nessas situações, podem ser necessários exames adicionais, como arteriografia
mesentérica, exames cintilográficos ou até mesmo endoscopia intraoperatória.
No tratamento das angiodisplasias múltiplas do intestino delgado, uma abordagem
terapêutica promissora envolve o uso de terapia hormonal, que combina estrogênio e
progestogênio. Essa terapia hormonal pode ser uma opção eficaz para pacientes com
angiodisplasias múltiplas.
Além disso, a talidomida, uma substância conhecida por sua capacidade de inibir a
formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), tem demonstrado resultados
promissores na prevenção de sangramentos associados às angiodisplasias múltiplas
no intestino delgado. Ela pode ser considerada em casos refratários, em pacientes com
contraindicações para outras terapias ou quando não há resposta satisfatória a outros
tratamentos.
Em casos de hemorragias maciças do intestino delgado, a prioridade é estabilizar o
paciente hemodinamicamente. Isso inclui medidas de reposição volêmica, correção da
anemia e restauração do equilíbrio hemodinâmico.
O exame colonoscópico de urgência nem sempre é capaz de localizar o ponto exato do
sangramento, o que pode dificultar a hemostasia. Nesses casos, a experiência com o
uso de vasoconstritores esplâncnicos, como a somatostatina ou o octreotídeo, é
limitada, mas seu uso pode ser considerado quando a hemorragia persiste, e a cirurgia
imediata é iminente.
A angiografia mesentérica seletiva é uma alternativa diagnóstica que pode identificar o
local exato do sangramento e permitir a embolização ou a injeção local de
vasoconstritores para controlar a hemorragia.
A cirurgia de urgência deve ser considerada quando não é possível interromper o
sangramento de outra forma, especialmente nos casos em que persiste a instabilidade
hemodinâmica e é necessária uma grande quantidade de hemotransfusões. A
laparotomia exploradora de emergência, quando combinada com endoscopia
intraoperatória, pode auxiliar na identificação precisa do ponto de sangramento,
permitindo ressecções cirúrgicas mais precisas e menos invasivas.
Caso Clínico
Você é um(a) enfermeiro(a) que trabalha no setor de emergência de um hospital e
recebeu um paciente de 65 anos de idade trazido por familiares. O paciente apresenta-
se com um histórico de sangramento gastrointestinal agudo e está em mau estado,
com uma evidente alteração no nível de consciência. Os sinais e sintomas são:
Nível de consciência alterado: o paciente está sonolento, confuso
e não responde prontamente às perguntas. Sua resposta verbal é
incoerente e desorganizada;
Palidez extrema: a pele do paciente está pálida e úmida. Você
observa cianose central;
Frequência cardíaca elevada: o paciente apresenta taquicardia
grave, com uma frequência cardíaca acima de 120 batimentos por
minuto;
Pressão arterial baixa: a pressão arterial do paciente é muito
baixa, com leituras sistólicas abaixo de 80 mmHg;
Sangramento ativo: você observa evidências de sangramento
ativo, como vômito com sangue (hematêmese) e fezes escuras,
semelhantes à borra de café (melena);
Dificuldade respiratória: o paciente está com respiração
superficial e rápida devido à hipovolemia grave;
Confusão mental: além da sonolência, o paciente parece
desorientado quanto ao tempo, ao local e à sua identidade.
Diante desse quadro clínico extremamente grave, você deve adotar as seguintes ações
imediatas:
Estabilização das vias aéreas: garantir a permeabilidade das vias
aéreas do paciente, uma vez que a alteração do nível de
consciência pode indicar comprometimento delas;
Monitorização contínua: monitorizar os sinais vitais do paciente,
incluindo frequência cardíaca, pressão arterial, frequência
respiratória e saturação de oxigênio, de forma contínua;
Acesso venoso: estabelecer acesso venoso de grande calibre para
administração rápida de soluções intravenosas isotônicas para
reposição volêmica;
Transfusão sanguínea: caso disponível, preparar
hemocomponentes para transfusão sanguínea, uma vez que o
paciente está em choque devido à perda de sangue;
Comunicação com a família: informar à família sobre a gravidade
da situação e manter uma comunicação transparente e empática;
Preparação para exames diagnósticos: preparar o paciente para
exames diagnósticos, como endoscopia digestiva alta, que pode
ajudar a identificar a fonte do sangramento;
Administração de medicamentos: sob orientação médica,
administrar medicamentos vasoativos ou outros medicamentos
que auxiliem na estabilização hemodinâmica.
Principais diagnósticos de enfermagem
Diante do caso clínico apresentado de um paciente com hemorragia digestiva alta
(HDA) e alteração do nível de consciência, diversos diagnósticos de enfermagem do
North American Nursing Diagnosis Association (NANDA) podem ser relevantes para guiar
o plano de cuidados de enfermagem.
Aqui estão alguns diagnósticos de enfermagem que podem ser aplicáveis:
Déficit de volume de líquidos: devido à perda de sangue
significativa, o paciente está em risco de hipovolemia, o que pode
ser manifestado por hipotensão, taquicardia e alteração do nível
de consciência;
Risco de perfuração gastrointestinal: pacientes com HDA têm um
risco aumentado de perfuração gastrointestinal devido à ação
corrosiva do ácido gástrico no trato digestivo. Isso pode ser uma
preocupação especialmente se houver suspeita de úlcera péptica;
Déficit de oxigenação: a alteração do nível de consciência e a
frequência respiratória elevada podem indicar um déficit na
oxigenação do paciente, requerendo monitorização contínua da
saturação de oxigênio e intervenções adequadas;
Risco de aspiração: devido ao vômito com sangue (hematêmese),
o paciente corre o risco de aspirar o conteúdo gástrico, o que pode
levar à pneumonia aspirativa. Medidas preventivas, como manter
a cabeceira da cama elevada, são necessárias;
Risco de choque hipovolêmico: o paciente com HDA está em risco
de desenvolver choque devido à perda significativa de sangue.
Isso requer monitorização cuidadosa dos sinais vitais e
intervenções para manter a pressão arterial e a perfusão
adequadas;
Alteração da comunicação verbal: o paciente apresenta confusão e
incoerência na fala, indicando uma alteração na comunicação
verbal, o que pode dificultar a avaliação e a compreensão do
paciente;
Ansiedade: tanto o paciente quanto a família podem estar
extremamente ansiosos devido à gravidade da situação. O apoio
psicológico e a educação são essenciais;
Deficiência no autocuidado (alimentação): devido à suspeita de
úlcera péptica ou outra causa de HDA, o paciente pode estar em
risco de deficiência no autocuidado relacionada à alimentação,
devido à restrição de dieta após a estabilização.
É importante destacar que o diagnóstico de enfermagem é uma etapa fundamental do
processo de enfermagem, e os diagnósticos específicos podem variar com base na
avaliação detalhada do paciente e nas necessidades individuais. Os enfermeiros devem
adaptar o plano de cuidados de enfermagem com base na avaliação clínica e nas
respostas do paciente à terapia e ao tratamento.
Esse caso clínico ilustra uma emergência crítica que exige intervenção rápida e
coordenada da equipe de saúde. O enfermeiro desempenha um papel fundamental na
avaliação inicial, na estabilização do paciente e na comunicação com a equipe médica e
a família para garantir o melhor atendimento possível ao paciente com HDA e com
alteração do nível de consciência.
Em Síntese
O AVH, ou hemorragia cerebral, é uma condição grave em que ocorre
sangramento dentro ou ao redor do cérebro. Pode ser causado pelo
rompimento de um vaso sanguíneo cerebral ou por anormalidades
nos vasos sanguíneos cerebrais. Os sintomas incluem dor de cabeça
intensa, perda de consciência, fraqueza muscular e alterações
neurológicas. O diagnóstico é realizado por exames de imagem, como
tomografia computadorizada ou ressonância magnética. O
tratamento depende da causa e pode envolver cirurgia para reparar os
vasos sanguíneos e aliviar a pressão no cérebro.
As HDA são episódios súbitos de sangramento no trato
gastrointestinal, que podem ocorrer em várias partes do sistema
digestivo, como o esôfago, o estômago ou o intestino delgado. As
principais causas incluem úlceras pépticas, varizes esofágicas e
lesões traumáticas. Os sintomas incluem vômito e fezes com sangue,
fraqueza, tontura e pressão arterial baixa. O diagnóstico envolve
exames endoscópicos, como a endoscopia digestiva alta. O
tratamento visa controlar o sangramento e tratar a causa subjacente,
podendo envolver medicação, procedimentos endoscópicos ou
cirurgia, dependendo da gravidade.
O atendimento de urgência e emergência realizado pelo enfermeiro na
estabilização e no cuidado imediato de pacientes com acidente
vascular hemorrágico e hemorragias digestivas agudas contribui
diretamente para a melhoria das chances de recuperação e a redução
de complicações graves.
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Caso Clínico de AVC Hemorrágico: Episódio 126
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Mobilidade em Pacientes com Acidente Vascular
Cerebral
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Conhecimento e Conduta da População sobre o
Acidente Vascular Cerebral
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ACESSE
📄 Referências
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BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com
Acidente Vascular Cerebral. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em:
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HERDMAN, T. H.; KAMITSURU, S.; LOPES, C. T. (org.). Diagnósticos de enfermagem da
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HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner e Suddarth: tratado de enfermagem médico-
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