Cuidado de Enfermagem ao Indivíduo Vítima
de Trauma
Conteudista: Prof.ª M.ª Alexandra de Oliveira Fernandes Conceição
Revisão Textual: Esp. Jéssica Dante
Objetivos da Unidade:
Desenvolver competências no cuidado de enfermagem a pessoas com Trauma
Torácico, incluindo pneumotórax, hemotórax, derrame pleural e drenagem
torácica;
Capacitar os profissionais de enfermagem no cuidado a pessoas com Trauma
Cranioencefálico;
Desenvolver habilidades no cuidado de enfermagem a pessoas com
Traumatismo Raquimedular (TRM).
📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
📄 Material Teórico
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Introdução
A atuação dos profissionais de enfermagem desempenha um papel crucial no cuidado
de pacientes que enfrentam diversas formas de trauma, tais como Trauma Torácico,
Trauma Cranioencefálico e Traumatismo Raquimedular (TRM). Este material didático
tem como objetivo principal capacitar e desenvolver competências essenciais nesse
contexto, proporcionando aos profissionais as habilidades necessárias para prestar
assistência de qualidade a indivíduos que enfrentam essas condições desafiadoras.
No âmbito do Trauma Torácico, concentramos nossa atenção em condições como
pneumotórax, hemotórax, derrame pleural e drenagem torácica. Isso requer não
apenas a identificação precoce dos sinais e sintomas associados a essas condições,
mas também a realização de avaliações respiratórias abrangentes, a monitorização
cuidadosa da drenagem torácica e a aplicação de intervenções de enfermagem
apropriadas. Afinal, nosso objetivo é promover a recuperação dos pacientes e prevenir
complicações que possam surgir ao longo do processo de tratamento.
Além disso, abordamos o Trauma Cranioencefálico, onde a ênfase recai sobre a
avaliação neurológica minuciosa, a monitorização da pressão intracraniana, o controle
da hipertensão intracraniana e o reconhecimento de sinais de deterioração
neurológica.
Nesse contexto, é fundamental que os profissionais de enfermagem estejam
plenamente capacitados para fornecer cuidados específicos e personalizados aos
pacientes, especialmente aqueles com politraumatismo, levando em consideração a
gravidade e a complexidade das lesões.
Por fim, discutimos o cuidado de enfermagem no contexto do Traumatismo
Raquimedular (TRM), que envolve aspectos cruciais, como a estabilização da coluna
cervical, o manejo da ventilação e a monitorização neurológica. Além disso, os
profissionais de enfermagem devem estar preparados para identificar e tratar
complicações associadas a lesões na coluna vertebral e oferecer apoio emocional e
educacional tanto ao paciente quanto à família, contribuindo assim para uma
abordagem holística e compassiva no cuidado de pessoas afetadas por essas situações
tão desafiadoras.
Cuidado de Enfermagem à Pessoa com Trauma
Torácico (Pneumotórax, Hemotórax, Derrame
Pleural, Drenagem Torácica)
As vítimas de trauma torácico com lesões em um único órgão têm uma taxa de
mortalidade que varia entre 4% e 8%. Quando há envolvimento de outro órgão, essa
taxa aumenta para 10% a 25%. Nos casos de acometimento de múltiplos órgãos, essa
porcentagem se eleva para 35%.
O trauma torácico pode ser dividido em dois tipos principais: aberto (penetrante) e
fechado (contuso). A gravidade da lesão está diretamente relacionada ao tipo de
trauma.
Categorias Principais de Lesões Torácicas:
Lesões da parede torácica;
Lesões pulmonares;
Lesões mediastinais;
Lesões diafragmáticas.
Entre as lesões mais frequentemente encontradas incluem-se:
Fraturas costais;
Lesões cardíacas;
Lesões da aorta;
Lesões das vias aéreas;
Lesões do diafragma;
Lesões com Maior Risco Imediato de Morte.
Algumas lesões apresentam risco imediato de morte e requerem atenção urgente:
Obstrução da via aérea;
Pneumotórax hipertensivo;
Pneumotórax aberto;
Tamponamento cardíaco;
Hemotórax maciço;
Lesões com Potencial de Risco de Morte.
Outras lesões, também devem ser consideradas com potencial de risco de morte e
devem ser diagnosticadas e tratadas durante a avaliação secundária:
Pneumotórax simples;
Hemotórax;
Contusão pulmonar;
Tórax instável;
Traumatismo contuso do coração;
Ruptura traumática da aorta;
Ruptura traumática do diafragma;
Ferimentos transfixantes do mediastino.
A avaliação primária, conhecida como ABC (Airways, Breathing, Circulation), é uma fase
crítica e crucial no atendimento a pacientes com trauma. Neste momento, o foco
principal é identificar e tratar as lesões que representam um risco imediato de morte.
Vídeo
Avaliação Primária - Tudo Sobre o XABCDE do TRAUMA
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA - Tudo Sobre o XABCDE do TRAUMA
Airways (Vias Aéreas)
Durante esta etapa, é de suma importância avaliar a permeabilidade das vias aéreas do
paciente. Obstruções podem ocorrer devido a vômito, sangramento, edema ou
aspiração de conteúdo bronquial. A avaliação começa com a inspeção da cavidade oral e
tórax, seguida pela palpação do pescoço e tórax, e auscultação pulmonar para detectar
estertores ou creptos. É fundamental que o profissional conduza o exame físico com
uma hipótese diagnóstica pré-formulada.
Além disso, é importante destacar que, na última edição do ATLS ou SAVT (Suporte
Avançado de Vida no Trauma), a lesão na árvore traqueobrônquica, embora rara,
passou a ser considerada extremamente grave. Sintomas como hemoptise, enfisema
subcutâneo, pneumotórax hipertensivo e cianose são indicativos dessa lesão, exigindo
intervenção cirúrgica imediata para garantir a via aérea definitiva.
Breathing (Respiração)
Nesta fase, o foco recai sobre três lesões potencialmente fatais: pneumotórax
hipertensivo, pneumotórax aberto e hemotórax maciço. É importante lembrar que a
permeabilidade das vias aéreas não garante uma ventilação adequada.
No caso de pneumotórax hipertensivo, o paciente pode apresentar dor torácica,
taquipneia/dispneia, murmúrio vesicular abolido e desvio da traqueia. Isso pode levar a
um choque obstrutivo, e o tratamento inclui a punção de alívio, seguida, se necessário,
pela toracostomia por dedo e drenagem torácica. Os sintomas incluem dor no peito,
dificuldade para respirar, desconforto respiratório, aumento da frequência cardíaca,
pressão arterial baixa, desvio da traqueia para o lado oposto, ausência de som
respiratório em um dos lados do tórax, inchaço das veias do pescoço e coloração
azulada da pele (cianose).
No pneumotórax aberto, a entrada de ar atmosférico ocorre devido a uma lesão aberta.
O paciente apresentará sintomas semelhantes ao pneumotórax hipertensivo, e o
tratamento envolve o fechamento da lesão com um curativo de três pontas e drenagem
torácica.
O hemotórax maciço, caracterizado por um grande volume de sangue acumulado na
cavidade pleural, é uma situação crítica. Os sinais incluem murmúrios vesiculares
abolidos, macicez à percussão e sinais de choque. A drenagem torácica é essencial,
juntamente com a reposição volêmica (cristaloides e transfusão de sangue) para
abordar a perda sanguínea. Os sintomas são dificuldade para respirar, desconforto
respiratório, pressão arterial baixa, colapso das veias do pescoço, desvio da traqueia
para o lado oposto e som abafado à percussão do tórax.
Circulation (Circulação)
Nesta etapa, duas condições graves devem ser consideradas: tamponamento cardíaco e
PCR traumática.
O tamponamento cardíaco ocorre quando há acúmulo de fluido no saco pericárdico,
levando ao risco de choque restritivo. Sinais como a tríade de Beck (hipotensão, estase
jugular e abafamento de bulhas), sinal de Kussmaul e ritmo AESP indicam
tamponamento cardíaco. A confirmação pode ser feita por ultrassonografia FAST. A
conduta inclui encaminhar o paciente para uma toracotomia de emergência ou, se um
cirurgião não estiver disponível, realizar uma pericardiocentese temporária.
Na PCR traumática, a inconsciência e a ausência de pulso são indicativos. O protocolo
ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia) deve ser iniciado, incluindo
ressuscitação cardiopulmonar e seguimento do ABCD do ACLS.
Essas etapas são cruciais no atendimento ao trauma, visando identificar e tratar
rapidamente as lesões que representam risco de morte imediata. O conhecimento e a
execução adequada dessas fases são essenciais para melhorar as chances de
sobrevivência e recuperação dos pacientes traumatizados.
Vídeo
Trauma Torácico
Trauma Torácico #SanarFlix
O diagnóstico precoce e a abordagem de acordo com o protocolo do ATLS
desempenham um papel fundamental no tratamento de lesões torácicas traumáticas,
pois o atendimento na "hora de ouro" está associado a uma maior probabilidade de
redução da morbimortalidade. A gravidade das lesões torácicas varia
consideravelmente, dependendo do espectro da lesão e de possíveis acometimentos de
outros órgãos.
Após a conclusão da avaliação primária, é hora de realizar a avaliação secundária do
paciente. Enquanto na avaliação primária nossa preocupação estava em identificar
lesões com risco iminente de morte, na avaliação secundária nosso foco muda para a
busca de lesões que podem representar uma ameaça à vida, mas não apresentam risco
imediato de morte. É fundamental ressaltar que nesse momento consideramos que o
paciente está em uma condição estável, o que torna o monitoramento contínuo uma
parte importante do processo.
Existem várias lesões potencialmente preocupantes que podem ser encontradas na
avaliação secundária, e algumas delas merecem destaque, como o pneumotórax
simples, a contusão pulmonar e o tórax instável. No entanto, é crucial enfatizar que
cada etapa do fluxo de avaliação não deve ser ignorada ou pulada. Cada passo é
essencial para garantir a segurança e o bem-estar do paciente. Portanto, siga
rigorosamente o protocolo de avaliação, passo a passo, para garantir uma avaliação
completa e precisa do paciente.
A avaliação secundária é baseada nas evidências científicas e deve ser adaptada de
acordo com as particularidades dos serviços de saúde. A abordagem de conduta clínica
envolve a seguinte sequência de avaliação:
Sinais Vitais e Entrevista Sampla (com o
Paciente, Familiares ou Terceiros)
Identificação do paciente (nome e idade);
Verificação dos sinais vitais, incluindo respiração (frequência,
ritmo e amplitude), pulso (frequência, ritmo e volume) e pressão
arterial;
Avaliação da pele, incluindo temperatura, cor, turgor e umidade;
Entrevista SAMPLA: sintomas (principal queixa), Alergias,
Medicamentos e/ou tratamentos em uso, Passado
médico/prenhez (gravidez) – problemas de saúde ou doença
atual, ingestão de líquidos ou alimentos (última refeição),
ambiente do evento;
Observação: em pacientes inconscientes ou impossibilitados de
responder, buscar informações com circundantes ou familiares.
Avaliação Complementar
Realização de oximetria de pulso, se disponível;
Verificação da glicemia capilar, se disponível.
Exame da Cabeça aos Pés, Frente e Dorso
Objetivo específico: localizar ferimentos, sangramentos, afundamentos, desvios,
hematomas, alterações na cor da pele ou mucosas, assimetrias, instabilidades,
alterações de motricidade e sensibilidade.
Cabeça e face: inspecionar e palpar o couro cabeludo, orelhas,
ossos da face, olhos, pupilas (verificar diâmetro, reação à luz e
simetria pupilar), nariz e boca. Observar alterações na coloração e
temperatura da pele;
Pescoço: avaliar região anterior e posterior, especialmente
procurando por distensão das veias e/ou desvio da traqueia;
Tórax: observar se há uso de musculatura acessória, tiragem
intercostal, movimentos assimétricos, afundamentos,
ferimentos, incluindo o sinal do cinto de segurança etc.;
Abdome: observar contusões ou lesões abertas, distensão
abdominal, dor à palpação e ao rechaço, abdome em tábua e sinal
do cinto de segurança;
Pelve: observar sangramentos, contusões ou lesões abertas.
Realizar palpação das cristas ilíacas em busca de dor e/ou
instabilidade, realizando compressão látero-medial e ântero-
posterior;
Membros: observar especialmente a palpação de pulsos distais e a
perfusão dos membros (reenchimento capilar). Avaliar a força
motora, solicitando que o paciente movimente os pés e/ou eleve
uma perna de cada vez, aperte a mão do profissional e/ou eleve
um braço de cada vez, se não houver suspeita de lesão. Avaliar a
sensibilidade. Sempre realizar a avaliação comparando um
membro com o outro;
Dorso (se possível): inspecionar a presença de deformidades,
contusões, hematomas e ferimentos. Palpar processos
espinhosos durante o posicionamento na prancha longa em
busca de dor.
Esse protocolo de avaliação visa identificar possíveis lesões e alterações no paciente,
garantindo uma abordagem completa e sistemática para garantir seu bem-estar.
Cuidado à Pessoa com Trauma Cranioencefálico
(Avaliação Neurológica, Hipertensão
Intracraniana e Medida da Pressão Intracraniana);
Politraumatismo
O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbidade e
mortalidade em todo o mundo, tendo um impacto significativo na qualidade de vida.
Apesar de ocorrer em questão de segundos, seus efeitos podem perdurar por longos
períodos, afetando não apenas a pessoa afetada, mas também seus familiares e a
sociedade como um todo. Poucos eventos na vida de um indivíduo podem desencadear
mudanças tão profundas em seus papéis, relações e objetivos, uma vez que os
sobreviventes podem apresentar déficits temporários ou permanentes no
funcionamento físico, cognitivo, comportamental, emocional, social e/ou profissional.
Lesões traumáticas, como o TCE, representam a principal causa de morte em pessoas
com idades entre 5 e 44 anos em todo o mundo, correspondendo a cerca de 10% do
total de mortes. Isso resulta em enormes prejuízos socioeconômicos para a sociedade,
devido à faixa etária afetada. Nos Estados Unidos, por exemplo, ocorrem anualmente
cerca de 1,7 milhão de casos de TCE, resultando em hospitalizações, atendimentos de
emergência e óbitos significativos.
No Brasil, a situação não é diferente, com um aumento constante no número de
ocorrências a cada ano. O TCE é uma causa significativa de mortalidade, afetando
principalmente jovens do sexo masculino e sendo frequentemente associado a
acidentes de transporte. Dados epidemiológicos de várias fontes demonstram taxas
alarmantes de hospitalizações e óbitos relacionados ao TCE em diferentes regiões do
país.
Esses números refletem o impacto do TCE na saúde pública e destacam a necessidade
de políticas de prevenção e cuidados adequados para essa população vulnerável. Os
gestores de políticas públicas e profissionais de saúde enfrentam um desafio
significativo ao lidar com essa questão, dada sua incidência, impacto socioeconômico
e o fato de afetar principalmente a população jovem e produtiva. Portanto, a
conscientização, prevenção e tratamento adequado do TCE são essenciais para reduzir
sua prevalência e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas.
O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é uma condição séria que ocorre quando o
cérebro sofre lesões devido a um trauma externo. Essas lesões podem envolver
fraturas no crânio, lacerações no couro cabeludo e afetar o funcionamento das
estruturas cerebrais, como as meninges e os vasos sanguíneos relacionados. O
resultado são mudanças no cérebro que podem ter implicações cognitivas e
funcionais, podendo ser temporárias ou permanentes.
As causas do TCE estão predominantemente relacionadas a eventos traumáticos
causados por fatores externos, e as principais são:
Acidentes Automobilísticos (50% dos casos):
esse tipo de acidente afeta principalmente
adolescentes e adultos jovens.
Surpreendentemente, entre os 15 e 24 anos, os
acidentes de trânsito resultam em mais mortes
do que todas as outras causas combinadas;
Quedas (30% dos casos): as quedas tendem a ocorrer mais
frequentemente em idosos. Além disso, no Brasil, as quedas de
lajes são um problema significativo, embora não sejam
amplamente registradas em estatísticas internacionais;
Causas "Violentas" (20% dos casos): este grupo inclui
ferimentos causados por projéteis de arma de fogo e armas
brancas, que podem resultar em TCE.
Além dessas causas principais, é importante mencionar que acidentes durante
atividades esportivas e recreacionais também podem contribuir para o TCE.
Fatores de Risco e Prevenção
É fundamental destacar que o consumo de bebidas alcoólicas está associado a 72% dos
casos de TCE. Além disso, mais de 50% dos óbitos resultantes de acidentes de
motocicleta estão relacionados ao TCE. Medidas preventivas, como o uso de cinto de
segurança, demonstraram eficácia na redução em até 60% da ocorrência de TCE grave
e da mortalidade associada a ele. Da mesma forma, o uso de capacetes ao andar de
moto pode reduzir a taxa de mortalidade em até 30%.
Fisiopatologia das Lesões no Traumatismo
Cranioencefálico (TCE)
O TCE desencadeia uma série complexa de eventos fisiopatológicos que afetam o
cérebro de várias maneiras. Essas lesões podem ser divididas em duas categorias
principais: lesões primárias e lesões secundárias, cada uma com suas características
distintas.
Lesões Primárias
São aquelas que ocorrem imediatamente como resultado direto do trauma inicial.
Existem diferentes mecanismos que desencadeiam essas lesões:
Trauma Direto: em casos de ferimentos
penetrantes, como um golpe de arma branca que
penetra no crânio, a lesão primária é resultado
direto do trauma sobre o parênquima cerebral;
Trauma de Desaceleração: em traumas fechados, nos quais não há
contato externo com o conteúdo intracraniano, ocorre quando há
uma desaceleração brusca da cabeça após o impacto. Esse
movimento gera forças desiguais dentro do cérebro devido à
variação nas densidades das estruturas cerebrais. Isso pode
resultar na ruptura de veias, estiramento de axônios e impacto do
cérebro contra a caixa craniana. Essas lesões podem ser focais,
como contusões e fraturas do crânio, ou mais difusas, como
concussões e lesões axonais difusas.
Lesões Secundárias
Começam a se desenvolver após o trauma inicial e podem persistir por dias, semanas
ou meses. Elas resultam da interação de vários fatores intracerebrais e extracerebrais,
levando à morte de células que não foram inicialmente afetadas pelo trauma, mas que
sofrem consequências tardias.
A compreensão desses mecanismos fisiopatológicos é crucial para o diagnóstico e
tratamento adequados do TCE. As lesões cerebrais associadas ao TCE podem ter uma
ampla gama de manifestações clínicas, incluindo alterações cognitivas,
comportamentais e funcionais.
Vídeo
Você Sabe o que É Traumatismo Cranioencefálico - TCE
VOCÊ SABE O QUE É TRAMATISMO CRANIOENCEFÁLICO - TCE
Caracterização Clínica das Lesões no TCE
O TCE também pode resultar em lesões específicas nos envoltórios cranianos e no
próprio cérebro. Alguns exemplos dessas lesões incluem:
Escalpo: lesões cutâneas que podem levar a
sangramento significativo, especialmente em
crianças;
Fraturas Cranianas: qualquer quebra no osso craniano. Isso pode
incluir fraturas lineares, cominutivas (múltiplas), diastáticas
(aumento das suturas), com afundamento ou em depressão.
Lesões Focais
Contusões Cerebrais
Essas contusões são responsáveis por cerca de 45% das lesões traumáticas primárias e
frequentemente ocorrem juntamente com outras lesões, como hematomas. Elas
resultam de traumas sobre vasos pequenos ou diretamente sobre o parênquima
cerebral, causando extravasamento de sangue e edema na área afetada, com
subsequente necrose e isquemia secundárias.
Hematoma Extradural Agudo (HEDA)
É uma condição em que ocorre uma acumulação de sangue entre a dura-máter, uma
das membranas que reveste o cérebro, e a tábua óssea do crânio. Essa condição, que
representa aproximadamente 2% das internações hospitalares, afeta
predominantemente homens, com uma proporção de quatro homens para uma
mulher. É importante destacar que o HEDA é raro em pacientes com menos de 2 anos e
em pessoas com mais de 50 anos.
Geralmente, o HEDA é secundário a fraturas que resultam em sangramento arterial,
onde o sangue extravasado se movimenta rapidamente, deslocando estruturas e
ocupando espaços no espaço extradural. Em cerca de 70% dos casos, o hematoma
assume uma forma hemisférica.
A apresentação clássica do HEDA é caracterizada por uma rápida perda de consciência,
seguida por um período de lucidez que pode variar de minutos a horas. Posteriormente,
ocorre uma nova deterioração do nível de consciência, acompanhada de obnubilação,
hemiparesia contralateral ao local do trauma e dilatação pupilar ipsilateral. É
importante notar que, por vezes, a dilatação pupilar pode ser contralateral ao
hematoma extradural, o que configura o fenômeno de Kernohan.
Devido à gravidade dessa condição e ao risco de aumento da pressão intracraniana, o
HEDA é considerado uma emergência neurocirúrgica. O diagnóstico costuma ser
confirmado por meio de exames de imagem, como a Tomografia Computadorizada
(TC) do crânio, onde o hematoma extradural frequentemente se apresenta como uma
lente biconvexa de alta densidade adjacente ao crânio.
Hipertensão Intracraniana
A hipertensão intracraniana (HIC) é uma condição em que há um aumento anormal da
pressão dentro do crânio, que pode resultar em sérios danos ao cérebro e ao sistema
nervoso central. Para entender a fisiopatologia da HIC, é importante conhecer alguns
conceitos-chave:
Espaço Intracraniano: o crânio é uma estrutura
rígida que protege o cérebro. Dentro do crânio, há
três componentes principais: o tecido cerebral
(cérebro), o líquido cerebrospinal (LCR) que
circula ao redor e dentro do cérebro, e o sangue
contido nos vasos sanguíneos intracranianos;
Volume Intracraniano: o volume dentro do crânio é fixo, devido à
sua natureza rígida. Esse volume inclui o volume do cérebro, do
LCR e do sangue. Qualquer aumento no volume de um desses
componentes, como sangue extra ou edema cerebral (inchaço do
cérebro), pode levar ao aumento da pressão intracraniana;
Pressão Intracraniana (PIC): a pressão intracraniana é a pressão
exercida pelo conteúdo dentro do crânio sobre as estruturas
cerebrais. Normalmente, a pressão intracraniana é mantida em
níveis relativamente baixos para garantir o fluxo adequado de
sangue para o cérebro e evitar compressão das estruturas
cerebrais.
A fisiopatologia da hipertensão intracraniana envolve um desequilíbrio entre o volume
intracraniano e a capacidade do crânio em acomodar esse volume extra. Isso pode
ocorrer devido a várias condições, incluindo:
Aumento de Volume Cerebral: isso pode ocorrer
devido a lesões cerebrais traumáticas, tumores
cerebrais, hemorragias intracranianas ou edema
cerebral, onde o cérebro fica inchado devido à
acumulação de líquido;
Aumento do Volume de Sangue: hemorragias intracranianas,
como as associadas ao hematoma extradural agudo (HEDA)
mencionado, podem levar ao aumento do volume de sangue no
crânio;
Aumento do Volume de Líquido Cerebrospinal: algumas
condições, como hidrocefalia, podem levar ao acúmulo anormal
de líquido cerebrospinal, aumentando a pressão intracraniana.
O aumento da pressão intracraniana pode comprimir o tecido cerebral e os vasos
sanguíneos, prejudicando o fluxo sanguíneo cerebral. Isso pode levar a sintomas
graves, como cefaleia intensa, vômitos, alterações no nível de consciência, convulsões,
déficits neurológicos e, em casos extremos, coma e morte cerebral.
Vídeo
Pressão Intracraniana – PIC
Pressão Intra-Craniana - PIC
Existem várias maneiras de medir a PIC, mas os métodos mais comuns incluem:
Monitorização Invasiva: isso envolve a inserção
de um cateter ou sensor de pressão diretamente
no espaço intracraniano. A técnica mais comum é
a colocação de um cateter de fibra óptica ou um
sensor de pressão intraventricular, que é inserido
através de um orifício no crânio;
Monitorização Externa: em alguns casos, é possível medir a PIC
de forma menos invasiva usando sensores de pressão externos
colocados na superfície do crânio. Esses métodos podem incluir
transdutores de pressão ou dispositivos de ultrassom
transcraniano;
Interpretação das Medidas de PIC: a pressão intracraniana
normal varia, mas geralmente é mantida abaixo de 15 mmHg
(milímetros de mercúrio) em adultos. Quando a PIC excede esse
valor, pode ser um sinal de aumento da pressão intracraniana e
comprometimento do fluxo sanguíneo cerebral. Isso pode levar a
danos cerebrais graves.
A monitorização da pressão intracraniana (PIC) desempenha um papel crucial na
gestão de pacientes com risco de aumento dessa pressão. Ela permite à equipe médica
avaliar a eficácia do tratamento, prevenir danos cerebrais adicionais por meio da
detecção precoce de aumentos da PIC, tomar decisões terapêuticas importantes, como
drenagem de líquido cerebrospinal ou cirurgia, e, por fim, melhorar as perspectivas de
recuperação do paciente, reduzindo o risco de sequelas neurológicas graves. É uma
ferramenta essencial na abordagem de condições médicas que afetam a pressão
intracraniana. O controle da pressão intracraniana é crucial para evitar danos cerebrais
irreversíveis e melhorar as chances de recuperação do paciente.
Hematoma Subdural Agudo (HSA)
O Hematoma Subdural Agudo (HSA) é uma condição em que ocorre o acúmulo de
sangue no espaço subdural, resultado do rompimento de veias-ponte ou vasos
corticais. É importante notar que em 50% dos casos de HSA, há lesões associadas, que
podem incluir edema cerebral, lesão axonal difusa (LAD) e contusões cerebrais. Essa
condição corresponde a até 60% dos casos de hematomas pós-traumáticos e
geralmente está relacionada a lesões que envolvem uma rápida movimentação da
cabeça, como quedas ou agressões.
Ao realizar uma Tomografia Computadorizada (TC) do crânio, o HSA se apresenta
como uma massa em forma de meia-lua, espontaneamente hiperdensa, localizada
adjacente à tábua interna do crânio. O diagnóstico precoce e a intervenção adequada
são essenciais para o tratamento eficaz do HSA e para minimizar suas complicações.
O Hematoma Subdural Crônico (HSDC), por outro lado, é mais comum em idosos, com
uma incidência de 31% entre os 60 e 70 anos de idade. Essa condição afeta mais
homens do que mulheres, com uma proporção de três homens para uma mulher. A
causa mais frequente do HSDC é o trauma craniano resultante de quedas, e cerca de
50% dos pacientes com HSDC têm histórico de alcoolismo crônico.
Os sintomas e sinais neurológicos associados ao HSDC podem variar amplamente e,
frequentemente, apresentam uma progressão lenta ao longo do tempo. Ao realizar
uma TC de crânio para diagnosticar o HSDC, é possível identificar uma imagem
característica em forma de lente côncavo-convexa, que geralmente possui uma
atenuação de densidade mais baixa ou semelhante à do parênquima cerebral
circundante.
Vídeo
Hematoma Extradural/Epidural
HEMATOMA EXTRADURAL / EPIDURAL (Vídeo Aula) - TCE #2
Hematoma Intracerebral
Representa cerca de 20% dos hematomas intracranianos e frequentemente está
associado a contusões lobares extensas. Sua causa primária é a ruptura de vasos
intraparenquimatosos, principalmente nos lobos frontais e temporais.
Pode ocorrer com maior frequência em pacientes que fazem uso de anticoagulantes.
É fundamental compreender essas lesões e seus mecanismos para uma abordagem
eficaz no diagnóstico e tratamento do TCE. Isso ajuda a melhorar o prognóstico e a
qualidade de vida dos pacientes afetados por essa condição complexa.
Lesões Difusas
Concussão: é considerada a forma mais leve de lesão difusa e
geralmente resulta de uma aceleração rotacional da cabeça sem a
presença de uma força significativa de contato. O quadro clínico
clássico da concussão inclui uma perda transitória de consciência
que dura menos de 6 horas, seguida pelo retorno ao estado
normal. As imagens de Tomografia Computadorizada (TC) e
Ressonância Magnética (RM) do crânio geralmente não
apresentam anormalidades visíveis. A fisiopatologia exata da
concussão ainda não está completamente estabelecida;
Lesão Axonal Difusa (LAD): ocorre como resultado de aceleração
rotacional e/ou angular mais significativa da cabeça. Existem três
graus de gravidade da LAD:
Leve: cerca de 19% dos casos de LAD são
considerados leves. Os pacientes podem
experimentar um coma pós-trauma com
duração de 6 a 24 horas e podem apresentar
déficits neuropsicológicos, incluindo algum
grau de perda de memória. Aproximadamente
15% desses casos evoluem para óbito;
Moderado: cerca de 45% dos casos de LAD
são classificados como moderados. Os
pacientes apresentam coma por um período
superior a 24 horas, sem evidência de
comprometimento do tronco cerebral. A taxa
de mortalidade atinge 24% desses casos, e
aqueles que se recuperam podem apresentar
sequelas;
Grave: aproximadamente 36% dos casos de
LAD são considerados graves. Os pacientes
experimentam um coma que dura mais de 24
horas e apresentam sinais de lesão no tronco
cerebral. A taxa de mortalidade para esses
casos é de 51%.
Ao realizar uma TC de crânio, muitas vezes, é possível observar
pequenas hemorragias devido à ruptura dos axônios, que não são
visíveis diretamente à TC. Essas hemorragias costumam ser
acompanhadas de ruptura de vasos sanguíneos adjacentes e são
mais comuns em regiões como as subcorticais frontais, corpo
caloso, núcleos da base, tálamo e mesencéfalo;
Hemorragia Meníngea Traumática: resulta da ruptura de vasos
sanguíneos superficiais no espaço subaracnoide, geralmente
devido a uma grande aceleração angular. Essa condição ocorre em
cerca de 39% dos casos de Traumatismo Cranioencefálico (TCE)
graves.
No momento da admissão do paciente com TCE, a avaliação inicial realizada pelo
enfermeiro é crucial para determinar a gravidade da lesão. Isso inclui a avaliação do
nível de consciência, a resposta a estímulos verbais e dolorosos, a abertura dos olhos e
a capacidade motora.
O enfermeiro utiliza a Escala de Coma de Glasgow (ECG) para medir esses parâmetros
e, com base nessa avaliação, pode estimar a gravidade do TCE. Essa informação é
essencial para direcionar os próximos passos do tratamento.
Essas lesões difusas podem ser graves e requerem cuidados médicos específicos para
avaliação, diagnóstico e tratamento adequados em casos de TCE. É fundamental
reconhecer os diferentes graus de gravidade dessas lesões para garantir o manejo
apropriado e minimizar as complicações associadas ao TCE.
A avaliação da gravidade do Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é comumente
realizada por meio da Escala de Coma de Glasgow (ECG), desenvolvida por Teasdale e
Jennett em 1974. Essa escala é amplamente aceita em todo o mundo devido à sua
simplicidade e utilidade na avaliação não apenas da gravidade inicial do TCE, mas
também da progressão do quadro neurológico ao longo do atendimento clínico. Além
disso, a ECG proporciona uma forma padronizada e rápida de comunicação entre os
profissionais de saúde ao registrar a "pontuação" atribuída ao paciente após cada
avaliação.
A Escala de Coma de Glasgow avalia três parâmetros principais: a melhor resposta
verbal, a abertura dos olhos e a melhor resposta motora. Cada parâmetro recebe uma
pontuação, e a soma desses valores resulta na pontuação total da ECG, que varia de 3 a
15. Quanto maior a pontuação, maior a resposta do paciente e menor a gravidade do
TCE. A seguir, encontra-se a ECG com seus parâmetros e escores correspondentes:
Tabela 1 – Escala de coma de Glasgow
Escala de Coma de Glasgow (ECG) Pontuação
Melhor Resposta Verbal
Nenhuma 1
Sons Incompreensíveis 2
Palavras Inadequadas 3
Confusa 4
Orientada 5
Abertura dos Olhos
Nenhuma 1
Resposta à Dor 2
Escala de Coma de Glasgow (ECG) Pontuação
Resposta à Fala 3
Espontânea 4
Melhor Resposta Motora
Nenhuma 1
Descerebração 2
Decorticação 3
Retirada 4
Localiza o Estímulo Doloroso 5
Obedece ao Comando Verbal 6
Fonte: Adaptada de TEASDALE; JENNETT, 1974
Essa escala é usada para avaliar o nível de consciência e a resposta neurológica de um
paciente após um trauma cranioencefálico ou outras condições médicas. Cada
categoria recebe uma pontuação, e a soma total indica o nível de gravidade do coma,
com uma pontuação mais alta indicando uma resposta neurológica mais favorável.
A avaliação inicial de um paciente com trauma cranioencefálico (TCE) pode ser
aprimorada com a inclusão de informações sobre a manutenção da consciência, perda
de memória e duração desses sintomas. Isso possibilita uma classificação mais
refinada da gravidade do TCE e, como resultado, um atendimento mais adequado. A
seguir, apresentamos uma tabela que descreve a gravidade do TCE com base na Escala
de Coma de Glasgow (ECG) e outros achados sintomáticos:
Tabela 2 – Gravidade do TCE baseado na ECG
Classificação
ECG e Outros Achados
da Gravidade
ECG = 15 sem perda de consciência ou
Mínima
amnésia.
ECG = 14 ou 15 com amnésia transitória ou
Leve
breve perda de consciência.
ECG = 9 a 13 ou perda de consciência
Moderada superior a 5 minutos ou déficit neurológico
focal.
Grave ECG = 5 a 8.
Crítico ECG = 3 a 4.
Fonte: Adaptada de BROCK; CERQUEIRA DIAS, 2008
Essa Tabela oferece uma maneira mais específica de classificar a gravidade do TCE com
base nas informações clínicas disponíveis, complementando a avaliação inicial feita
pela Escala de Coma de Glasgow.
Caso Clínico
Um paciente de 32 anos de idade é admitido no departamento de emergência após um
acidente de trânsito grave. Ele estava dirigindo uma motocicleta em alta velocidade
quando colidiu com um veículo. Ele foi encontrado inconsciente no local do acidente
por um transeunte que chamou uma ambulância.
Ao ser avaliado pela equipe médica, o paciente está com um ferimento na cabeça e não
responde a estímulos verbais ou dolorosos. Ele foi rapidamente submetido a uma
Tomografia Computadorizada (TC) do crânio, que não revelou fraturas ósseas, mas
mostrou edema cerebral.
O enfermeiro de plantão decide avaliar o nível de consciência do paciente usando a
Escala de Coma de Glasgow (ECG). Os resultados da avaliação são os seguintes:
Melhor resposta verbal: Sem resposta (1 ponto);
Abertura dos olhos: Sem resposta (1 ponto);
Melhor resposta motora: Sem resposta (1 ponto);
Total da pontuação na ECG: 3 pontos.
Com base na avaliação da ECG e nas informações clínicas disponíveis, qual é a
classificação da gravidade do trauma cranioencefálico (TCE) deste paciente?
Justifique sua resposta e discuta possíveis medidas de tratamento e prognóstico.
Discussão
O paciente apresenta uma pontuação total de 3 pontos na ECG, o que reflete uma
resposta muito limitada aos estímulos. Isso significa que o paciente não responde
verbalmente, não abre os olhos e não apresenta nenhuma resposta motora
significativa.
O fato de o paciente não responder a estímulos verbais ou dolorosos é altamente
preocupante e sugere um comprometimento neurológico grave. A ausência de abertura
dos olhos também é um sinal significativo de comprometimento da função cerebral.
O edema cerebral identificado na TC do crânio indica que há inchaço do cérebro, o que
pode estar comprimindo estruturas cerebrais e dificultando ainda mais a função
cerebral normal.
O tratamento para um paciente com um TCE crítico geralmente envolve medidas
urgentes para controlar o aumento da pressão intracraniana, como a administração de
medicamentos para reduzir o edema cerebral e a elevação da cabeça para ajudar a
facilitar o retorno venoso. Além disso, é comum a monitorização rigorosa da pressão
intracraniana para ajustar o tratamento conforme necessário.
O prognóstico de um TCE com pontuação de 3 na ECG é geralmente sombrio. Esses
pacientes frequentemente enfrentam riscos significativos de incapacidades graves,
estado vegetativo ou mesmo morte cerebral. O tratamento e o prognóstico podem
variar dependendo da extensão e da localização das lesões cerebrais, além de outros
fatores individuais.
O acompanhamento e a reavaliação frequente do estado neurológico do paciente são
essenciais para determinar a evolução do quadro e ajustar o tratamento conforme
necessário. Em casos graves como esse, a equipe médica geralmente trabalha em
estreita colaboração para fornecer o melhor suporte possível ao paciente e à sua
família.
Após um trauma cranioencefálico (TCE), os pacientes podem enfrentar uma série de
desafios que afetam sua qualidade de vida. Essas sequelas podem ser categorizadas em
três grupos principais: físicas, cognitivas e emocionais/comportamentais. Entender
essas consequências é crucial para o tratamento e a reabilitação eficazes.
Impactos Físicos: as complicações físicas decorrentes do TCE
podem abranger diversas áreas do corpo. Isso inclui problemas
musculoesqueléticos, distúrbios cardiovasculares, disfunções
endocrinológicas e alterações nos sistemas gastrointestinal e
urinário. Além disso, problemas respiratórios e distúrbios no
sistema sensório-motor podem surgir como resultado do TCE.
A espasticidade muscular é uma complicação comum, levando a
contraturas e deformidades. Pacientes podem desenvolver
padrões de hemiplegia ou hemiparesia, afetando a função de um
hemicorpo. Também podem ocorrer distúrbios sensoriais, como
perda de sensibilidade tátil, dor, temperatura e propriocepção;
Impactos Cognitivos: as sequelas cognitivas do TCE
frequentemente envolvem problemas de atenção, memória e
funções executivas. Os pacientes podem ter dificuldade em se
concentrar e lembrar informações. Funções executivas, como
planejamento e tomada de decisões, também podem ser
prejudicadas;
Impactos Emocionais/Comportamentais: isso pode incluir perda
de autoconfiança, motivação reduzida, depressão, ansiedade e
dificuldade de autocontrole. Desinibição, irritabilidade e agressão
também são comportamentos observados. Essas mudanças no
comportamento e no estado emocional podem afetar
profundamente a qualidade de vida;
Disfagia Orofaríngea: uma complicação específica após o TCE é a
disfagia orofaríngea, que afeta a capacidade de engolir alimentos e
líquidos com segurança. Isso pode levar a complicações
nutricionais e respiratórias. Identificar e gerenciar
adequadamente a disfagia é fundamental para a saúde do paciente.
A atuação do enfermeiro no diagnóstico e cuidados relacionados ao traumatismo
craniano (TCE) é fundamental para garantir a segurança e o bem-estar do paciente.
Aqui estão algumas das principais ações de enfermagem no diagnóstico e cuidados
com pacientes com TCE:
Principais Diagnósticos de Enfermagem
Risco de Lesão Cerebral Secundária: avaliar
constantemente os sinais vitais, níveis de
consciência e resposta pupilar para detectar
qualquer deterioração neurológica. Monitorar os
sinais de aumento da pressão intracraniana,
como cefaleia intensa, vômitos persistentes e
alterações na respiração;
Risco de Disfagia Orofaríngea: avaliar a capacidade de deglutição
do paciente. Isso pode incluir observar a deglutição de alimentos e
líquidos, bem como monitorar sinais de aspiração, como tosse
durante a alimentação;
Déficit de Autocuidado: banho/Higiene: Avaliar a capacidade do
paciente de realizar atividades de autocuidado, como tomar banho
e realizar a higiene pessoal. Se necessário, providenciar
assistência para garantir a higiene adequada;
Déficit de Comunicação: avaliar a capacidade de comunicação do
paciente, seja por fala, escrita ou outros meios. Se houver
dificuldades devido a sequelas cognitivas ou físicas, providenciar
métodos alternativos de comunicação, como quadros de
comunicação ou tecnologia assistiva;
Risco de Lesões Musculoesqueléticas: avaliar a função muscular e
articular do paciente para identificar a espasticidade, contraturas
ou fraqueza muscular. Implementar medidas preventivas, como
mobilização precoce e terapia ocupacional;
Distúrbios da Autopercepção: avaliar a percepção do paciente em
relação às suas limitações físicas e cognitivas. Proporcionar apoio
psicológico e incentivar a adaptação às mudanças na percepção de
si mesmo.
Cuidados de Enfermagem
Realizar avaliações neurológicas frequentes para
detectar quaisquer mudanças no estado de
consciência, resposta pupilar, força muscular,
reflexos e sensibilidade;
Monitorar rigorosamente os sinais vitais, especialmente a
pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, bem como a
saturação de oxigênio, para detectar qualquer deterioração;
Avaliar a capacidade de deglutição do paciente antes de iniciar a
alimentação oral. Se houver risco de aspiração, pode ser
necessária a administração de dietas modificadas ou alimentação
por sonda;
Implementar protocolos de posicionamento adequado para
prevenir contraturas e deformidades musculoesqueléticas.
Incentivar a mobilização precoce e realizar terapia física conforme
necessário;
Fornecer apoio emocional ao paciente e à família, uma vez que o
TCE pode ter impactos significativos na saúde mental e
emocional. Encaminhar para suporte psicológico, se necessário;
Educar o paciente e seus familiares sobre os sintomas a serem
observados, medicamentos prescritos, cuidados pós-alta e sinais
de alerta que requerem atenção médica imediata.
É importante lembrar que o cuidado ao paciente com traumatismo craniano é
multidisciplinar, envolvendo não apenas enfermeiros, mas também médicos,
terapeutas, psicólogos e outros profissionais de saúde. A abordagem de equipe é
essencial para garantir o melhor resultado possível para o paciente.
Cuidado de Enfermagem à Pessoa Traumatismo
Raquimedular (TRM)
O Traumatismo Raquimedular (TRM) é uma condição médica que impõe um impacto
considerável em diversos aspectos da sociedade, abrangendo desde o âmbito
hospitalar até o impacto nas famílias e indivíduos afetados. Suas sequelas, muitas
vezes irreversíveis, têm implicações profundas, tanto para profissionais da saúde que
atuam no sistema de saúde pública e privada quanto para a comunidade em geral.
No contexto brasileiro, a incidência de lesões medulares é notavelmente alta em
comparação com a média global estimada. Com uma estimativa de aproximadamente
942 novos casos por mês e 11.304 novos casos por ano, essa condição representa um
desafio significativo para a saúde pública no país. É relevante observar que a maioria
dos pacientes afetados por lesões medulares é composta por homens, com causas
frequentes incluindo acidentes de trânsito, ferimentos por armas de fogo, quedas de
altura e mergulhos em águas rasas.
Diversos estudos têm destacado a associação crucial entre a estabilidade
cardiopulmonar e a recuperação funcional em pacientes que enfrentam lesões
medulares agudas. Durante o período imediato após uma lesão aguda, o tecido nervoso
revela uma notável sensibilidade às flutuações na pressão arterial e nos níveis de
oxigenação sanguínea. Isso se torna particularmente relevante em pacientes com
lesões cervicais e torácicas superiores, pois eles frequentemente manifestam
alterações na dinâmica respiratória e experimentam uma vasodilatação periférica
significativa.
É imperativo que todos os profissionais envolvidos no cuidado inicial do Traumatismo
Raquimedular (TRM) adotem uma abordagem agressiva no sentido de evitar lesões
secundárias. Essa abordagem proativa e focada na estabilização cardiorrespiratória não
apenas promove a sobrevivência imediata do paciente, mas também desempenha um
papel no potencial de recuperação funcional e qualidade de vida a longo prazo das
pessoas afetadas por essa condição.
O exame neurológico detalhado deve ser realizado após estabilização inicial em todos
os pacientes com TRM. O método preconizado é o ASIA Score associado ao ASIA
Impairment Score (A-E).
Tabela 3 – Avaliação Neurológica no Traumatismo Raquimedular (TRM)
Grau de
Força Descrição
Muscular
0 Paralisia total.
1 Contração visível ou palpável.
Movimento ativo, amplitude de movimento
2
total se eliminada a gravidade.
Movimento ativo, movimento com
3
amplitude normal contra a gravidade.
Movimento ativo, total amplitude do
4 movimento, contra gravidade e contra
alguma resistência.
Movimento normal, com amplitude normal,
5
contra gravidade e resistência normal.
Não Testável devido a fatores como dor,
NT
imobilização ou contratura.
Grau de
Descrição
Sensibilidade
Grau de
Força Descrição
Muscular
0 Sensibilidade ausente.
1 Sensibilidade alterada.
2 Sensibilidade normal.
Fonte: Adaptada de AMERICAN SPINAL INJURY ASSOCIATION, 2019
Tabela 4 – Escala de Deficiência de ASIA
Nível de
Descrição
Deficiência
Completa: Nenhuma função motora ou
A sensorial preservada nos segmentos
sacrais.
Incompleta: Função sensorial, mas
nenhuma função motora está preservada
B
abaixo do nível neurológico e inclui o
segmento sacral S4-S5.
Incompleta: Função motora é
preservada abaixo do nível neurológico,
C e mais da metade dos músculos
principais abaixo do nível neurológico
tem um grau de 3 ou 4.
Nível de
Descrição
Deficiência
Incompleta: Função motora é
preservada abaixo do nível neurológico e
D pelo menos metade dos músculos
principais tem um grau de força de 3 ou
mais.
Normal: Funções motoras e sensoriais
E
estão normais.
Fonte: Adaptada de AMERICAN SPINAL INJURY ASSOCIATION, 2019
Leitura
International Standards for Neurological Classification of SCI (ISNCSCI)
Worksheet
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ACESSE
A avaliação neurológica utilizando o sistema de graduação da força muscular e da
sensibilidade, juntamente com a Escala de Deficiência de ASIA, é fundamental para a
determinação do nível e da gravidade da lesão medular, auxiliando na elaboração do
plano de tratamento e na previsão do prognóstico do paciente com TRM.
Cuidados Iniciais na Lesão Medular Aguda
Durante os primeiros 3 dias após uma lesão medular aguda, é essencial uma
monitorização contínua da função cardíaca, hemodinâmica e respiratória de todos os
pacientes. No caso de lesões medulares altas, como as cervicais e torácicas altas, essa
monitorização deve se estender por um período mais longo, geralmente de 7 a 10 dias.
Principais Intervenções Iniciais
Corrigir a hipotensão de forma agressiva,
evitando que a Pressão Arterial Sistólica (PAS)
caia abaixo de 90 mmHg;
Manter a Pressão Arterial Média (PAM) entre 85-90 mmHg
durante os primeiros 7 dias após o trauma;
Mobilizar o paciente em bloco, mantendo a cabeceira da cama
plana e considerando a posição de Trendelenburg reverso (15-30
graus) para aqueles com lesões instáveis que ainda não passaram
por estabilização cirúrgica;
Realizar mudança de decúbito em bloco a cada 2 horas,
juntamente com medidas gerais para prevenir o desenvolvimento
de escaras (conhecido como Protocolo PC 013 – Prevenção de
Úlcera);
Inserir uma sonda vesical de demora nos casos em que a função
vesical tenha sido comprometida pela lesão medular;
Iniciar acompanhamento fisioterápico para otimizar a
mobilização e a reabilitação do paciente;
Iniciar o suporte nutricional o mais cedo possível, idealmente
dentro das primeiras 72 horas, assim que o peristaltismo
intestinal estiver presente;
Instituir profilaxia para trombose venosa profunda (TVP)
precocemente, geralmente dentro de 48 horas, em pacientes com
grave déficit neurológico. Recomenda-se uma abordagem
combinada, que inclui medidas mecânicas e farmacológicas
(como o uso de heparina de baixo peso molecular). A heparina
deve ser suspensa 1 dia antes de qualquer procedimento cirúrgico
e reiniciada 1 dia após o procedimento.
Estas intervenções visam garantir um cuidado adequado e precoce para pacientes com
lesão medular aguda, minimizando complicações e promovendo uma melhor
recuperação.
É fundamental destacar que cerca de 60% dos pacientes com lesão medular
apresentam algum grau de preservação nas funções sensoriais e/ou motoras abaixo do
nível da lesão. Em um passado não muito distante, a taxa de sobrevivência para
pacientes com lesões medulares agudas era inferior a 5%. No entanto, devido ao
desenvolvimento de novas técnicas de tratamento, essa taxa aumentou para mais de
95%.
A lesão medular pode resultar na perda completa das funções motoras, sensoriais e
autonômicas abaixo do nível da lesão. Durante a fase inicial da lesão, conhecida como
"choque espinhal", ocorre uma completa inatividade das inervações vasomotoras e
viscerais. Isso pode levar a arritmias cardíacas, episódios de hipotensão e hipertensão
(conhecidos como “disreflexia autonômica”), atonia dos ductos urinários, estômago e
intestino, além de sintomas como paralisia do íleo, desregulação endócrina com
hiperglicemia e distúrbios no equilíbrio de eletrólitos e controle da temperatura
corporal. À medida que o choque espinhal diminui, geralmente após quatro a seis
semanas após o acidente, reflexos patológicos e espasticidade podem se desenvolver
devido à ausência de controle superior.
Muitas das lesões na medula espinhal são causadas por eventos secundários que
ocorrem minutos a semanas após a lesão primária, resultante da contusão inicial da
medula espinhal. Existem quatro mecanismos de lesão primária associados ao trauma
raquimedular: impacto com compressão persistente, frequentemente causado por
ruptura de discos intervertebrais, fragmentos ósseos e fraturas deslocadas; impacto
com compressão transitória, como em casos de hiperextensão; distensão devido a
forças relacionadas à flexão, extensão, rotação ou deslocamento, afetando o fluxo
sanguíneo; e, por fim, laceração ou transecção.
Os sintomas do TRM podem variar dependendo da extensão e localização da lesão, mas
geralmente incluem:
Perda de movimento ou função sensorial abaixo
do nível da lesão;
Dificuldade em respirar, dependendo do nível da lesão;
Alterações na função autonômica, como controle da bexiga e
intestino;
Dor e desconforto na área afetada;
Espasticidade muscular;
Complicações secundárias, como úlceras de pressão e infecções.
O diagnóstico do TRM é confirmado por exames de imagem, como ressonância
magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC), que identificam a localização e
a gravidade da lesão. E o tratamento depende da extensão e localização da lesão, mas
geralmente incluem:
Estabilização da Coluna Vertebral: É essencial
imobilizar a coluna vertebral para evitar lesões
adicionais durante o transporte do paciente ao
hospital;
Cirurgia: Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para
alinhar e estabilizar a coluna vertebral ou remover fragmentos
ósseos ou discos herniados que estejam comprimindo a medula;
Reabilitação: A reabilitação é uma parte fundamental do
tratamento, visando recuperar as funções perdidas e melhorar a
qualidade de vida do paciente;
Controle da Dor: A dor é uma preocupação constante no TRM, e a
administração de analgésicos é parte integrante do tratamento;
Cuidados com as Complicações: Prevenção de complicações,
como as lesões por pressão, infecções do trato urinário e
pneumonia;
Apoio Psicológico: Os pacientes com TRM frequentemente
enfrentam desafios emocionais e psicológicos. O apoio emocional
é importante para promover o bem-estar mental.
Vídeo
Lesão Medular (Traumatismo Raquimedular)
LESÃO MEDULAR (Traumatismo Raquimedular) - Rogério Souza (…
(…
Principais Diagnósticos de Enfermagem e
Intervenções
Risco de Lesão Medular Espinhal Secundária
Intervenções:
Imobilizar adequadamente a coluna vertebral,
evitando movimentos bruscos;
Manter a cabeça e o pescoço alinhados durante a movimentação e
transferência do paciente;
Utilizar dispositivos de imobilização, como colares cervicais,
quando indicado;
Inspecionar a coluna vertebral em busca de sinais de
deformidade, como inchaço, hematoma ou assimetria;
Monitorar constantemente os sinais neurológicos e relatar
qualquer alteração imediatamente.
Vídeo
Estudo de Caso: Trauma Raquimedular (TRM)
Estudo de Caso- Trauma Raquimedular- TRM
Dor Aguda
Intervenções:
Avaliar a dor do paciente usando uma escala de
avaliação de dor;
Administrar medicamentos analgésicos conforme prescrito pelo
médico;
Utilizar técnicas não farmacológicas para alívio da dor, como
posicionamento adequado e terapia de calor ou frio;
Avaliar a eficácia do tratamento para ajustar a administração de
analgésicos conforme necessário;
Monitorar e registrar a resposta do paciente ao tratamento da dor.
Déficit de Autocuidado
Intervenções:
Avaliar as habilidades de autocuidado do
paciente, incluindo higiene pessoal, alimentação
e mobilidade;
Colaborar com terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas para
desenvolver um plano de reabilitação que aborde as necessidades
de autocuidado do paciente;
Fornecer assistência direta ao paciente, conforme necessário,
para realizar atividades de autocuidado;
Instruir o paciente e a família sobre técnicas de autocuidado
adaptadas à condição da lesão medular;
Monitorar a independência do paciente nas atividades de
autocuidado e ajustar o plano de cuidados conforme a progressão.
Mobilidade Física Prejudicada
Intervenções:
Realizar avaliações regulares da mobilidade do
paciente, incluindo amplitude de movimento e
força muscular;
Implementar técnicas de transferência seguras e treinamento
para a equipe de cuidados;
Colaborar com fisioterapeutas para desenvolver um programa de
exercícios e mobilização adequado à condição do paciente;
Utilizar dispositivos de assistência, como cadeiras de rodas ou
dispositivos de mobilidade, quando indicado;
Educar o paciente e a família sobre medidas de segurança para
prevenir quedas e lesões adicionais.
Risco de Lesão por Pressão
Intervenções:
Avaliar regularmente a integridade da pele,
especialmente em áreas de pressão, como
calcanhares, cotovelos e nádegas;
Realizar mudanças de decúbito em bloco a cada 2 horas ou
conforme orientação médica;
Utilizar superfícies de suporte especiais, como colchões de
pressão alternada, para reduzir o risco de úlceras por pressão;
Manter a pele limpa e seca, evitando a fricção excessiva;
Instruir o paciente sobre a importância da redistribuição de peso e
da prevenção de pontos de pressão.
Disreflexia Autonômica
Intervenções:
Monitorar os sinais vitais do paciente,
especialmente a Pressão Arterial Sistólica (PAS);
Identificar e tratar os fatores desencadeantes da disreflexia
autonômica, como distensão da bexiga ou estímulo cutâneo;
Elevar a cabeceira do paciente para aliviar a hipertensão arterial
associada à disreflexia;
Administrar medicamentos conforme prescrição médica para
controlar a pressão arterial, se necessário;
Educar o paciente e a equipe de cuidados sobre a identificação
precoce e manejo da disreflexia autonômica.
Esses diagnósticos e intervenções fornecem uma estrutura para o cuidado abrangente
e individualizado de pacientes com trauma raquimedular, visando a prevenção de
complicações e a promoção da reabilitação.
Caso Clínico
Paciente: João, 35 anos, sexo masculino.
Diagnóstico Médico: Trauma Raquimedular devido à acidente de trânsito com
múltiplas fraturas e lesões.
História Clínica
João foi admitido na unidade de emergência após um acidente de trânsito grave. Ele
sofreu múltiplas fraturas em membros superiores e inferiores, bem como uma lesão
raquimedular devido ao impacto. A lesão medular foi identificada como sendo na altura
de T4. Além das lesões ortopédicas, João também apresenta disreflexia autonômica
devido à sua lesão raquimedular.
Principais Sinais e Sintomas:
Paraplegia abaixo do nível de T4;
Hipertensão arterial súbita e grave;
Bradicardia;
Diaforese;
Cefaleia intensa;
Rubor da pele acima do nível da lesão medular.
Avaliação Inicial de Emergência:
1 Avaliação Primária: o enfermeiro, juntamente com a
equipe de emergência, realiza uma avaliação
rápida, porém abrangente, do estado de João. A
avaliação primária segue o protocolo ABCDE (via
aérea, respiração, circulação, exame neurológico,
exposição).
Garante-se que a via aérea de João esteja
desobstruída e que ele esteja recebendo
oxigênio adequado;
Avalia-se sua respiração para verificar se há
comprometimento respiratório devido à lesão
medular;
Verifica-se a circulação, incluindo a pressão
arterial, pulso e perfusão periférica;
Realiza-se um exame neurológico inicial para
identificar paralisia ou déficits neurológicos
abaixo do nível da lesão medular;
Exposição: João é completamente avaliado
em busca de outras lesões, incluindo fraturas
ósseas e lesões cutâneas.
2 Estabilização das Fraturas e da Coluna Vertebral:
Caso seja identificada uma suspeita de lesão
na coluna vertebral, medidas de imobilização
adequadas são iniciadas para evitar danos
adicionais. Isso inclui a aplicação de colares
cervicais e pranchas de imobilização.
3 Monitorização de Sinais Vitais e Disreflexia Autonômica:
O enfermeiro monitora continuamente os
sinais vitais de João, com foco especial na
pressão arterial, frequência cardíaca e
respiratória, saturação de oxigênio e
temperatura;
A presença de disreflexia autonômica é
identificada e tratada imediatamente,
conforme necessário.
O enfermeiro é responsável pela gestão holística dos cuidados de João, garantindo que
todas as necessidades físicas, emocionais e psicossociais sejam atendidas. Isso inclui a
prevenção de complicações, como lesão por pressão, infecções respiratórias e outros
problemas relacionados a sua imobilização. Participa ativamente na troca de
informações críticas sobre o estado de João e auxilia na coordenação dos cuidados a
longo prazo e no desenvolvimento de um plano de reabilitação abrangente e
individualizado. O enfermeiro utiliza técnicas de enfermagem baseadas em evidências
para promover a segurança e o bem-estar do paciente.
📄 Material Complementar
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Conhecer para Cuidar: Caracterização de Indivíduos
com Lesão Medular Atendidos em Centro de
Reabilitação
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📄 Referências
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AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS COMMITTEE ON TRAUMA. Advanced Trauma Life
Suport – ATLS. 10. ed. Chicago: The Committee on Trauma, 2018.
AMERICAN SPINAL INJURY ASSOCIATION. International Standards for Neurological
Classification of SCI (ISNCSCI) Worksheet. 2019. Disponível em: <[Link]
[Link]/international-standards-neurological-classification-sci-isncsci-
worksheet/>. Acesso em: 18/10/2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. [Estatísticas vitais: óbitos por ocorrência segundo causa
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BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos de Intervenção para o SAMU 192 – Serviço de
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BROCK, R. S.; CERQUEIRA DIAS, P. S. S. Trauma de crânio. MedicinaNET, 15/09/2008.
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BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Princípios e práticas de reabilitação. In: SMELTZER,
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LAURETTI, G. R. The clinical and laboratorial evaluation of transdermal ketamine,
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TEASDALE, G.; JENNETT, B. Assessment of coma and impaired consciousness. A practical
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