UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA
CAMPUS VIII – ARARUNA
CENTRO DE CIÊNCIAS, TECNOLOGIA E SAÚDE
COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA CIVIL
RIAN VITOR FLORIANO DO NASCIMENTO SILVA
APLICAÇÃO DA METODOLOGIA SCRUM ASSOCIADA A TECNOLOGIA BIM
PARA PROJETOS HIDROSSANITÁRIOS
ARARUNA – PB
2024
RIAN VITOR FLORIANO DO NASCIMENTO SILVA
APLICAÇÃO DA METODOLOGIA SCRUM ASSOCIADA A TECNOLOGIA BIM
PARA PROJETOS HIDROSSANITÁRIOS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
Coordenação do Curso de Graduação em
Engenharia Civil da Universidade Estadual da
Paraíba, como requisito parcial à obtenção do
título de Bacharel em Engenharia Civil.
Área de concentração: Construção Civil.
Orientador: Prof. Dr. Igor Souza Ogata.
ARARUNA – PB
2024
É expressamente proibida a comercialização deste documento, tanto em versão impressa como eletrônica.
Sua reprodução total ou parcial é permitida exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, desde que, na
reprodução, figure a identificação do autor, título, instituição e ano do trabalho.
S586a Silva, Rian Vitor Floriano do Nascimento.
Aplicação da metodologia scrum associada a tecnologia
bim para projetos hidrossanitários [manuscrito] / Rian Vitor
Floriano do Nascimento Silva. - 2024.
50
49 f. : il. color.
Digitado.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Engenharia civil) - Universidade Estadual da Paraíba, Centro
de Ciências, Tecnologia e Saúde, 2024.
"Orientação : Prof. Dr. Igor Souza Ogata, Coordenação do
Curso de Engenharia Civil - CCTS".
1. Engenharia Hidráulica. 2. Sistemas hidráulicos. 3.
Sistemas sanitários. 4. Sistemas pluviais. I. Título
21. ed. CDD 627
Elaborada por Tiago José da Silva Pereira - CRB - 15/450 BSC8
RIAN VITOR FLORIANO DO NASCIMENTO SILVA
APLICAÇÃO DA METODOLOGIA SCRUM ASSOCIADA A TECNOLOGIA BIM PARA
PROJETOS HIDROSSANITÁRIOS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
Coordenação do Curso de Graduação em
Engenharia Civil da Universidade Estadual da
Paraíba, como requisito parcial à obtenção do
título de Bacharel em Engenharia Civil.
Área de concentração: Construção Civil.
Aprovado em: 31/10/2024.
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dr. Igor Souza Ogata (Orientador)
Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
Profa. Me. Simone Danielle Aciole Morais Marinho
Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
Profa. Me. Emanuella Silva Pereira de Macedo
Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
Aos meus pais, que foram os engenheiros da
minha vida, DEDICO.
AGRADECIMENTOS
A Deus, por ser sempre o caminho, a verdade e a vida para mim. Agradeço também às
valorosas intercessões de Nossa Senhora e São José, que me permitiram vencer as inúmeras
dificuldades da minha vida.
A minha família, em especial ao meu pai e a minha mãe, que foram os primeiros
engenheiros da minha vida, e com eles aprendi e continuo aprendendo até hoje. Aos meus avós,
que sempre foram a base da minha vida. Aos meus primos, em especial a Jephesson, que foi a
minha fonte de inspiração acadêmica e profissional.
Ao meu professor, que se tornou meu sócio e, acima de tudo, amigo, Igor Ogata,
obrigado por sempre me orientar tanto em questões acadêmicas, profissionais quanto pessoais.
As professoras Maria Adriana, Simone Danielle e Emanuella Silva, que contribuíram tanto para
minha formação como engenheiro civil.
Aos meus nobres colegas de curso, em especial a Cléber, Débora, Lavínio, Pedro
Thiago, Brenilson e Maria Eduarda, por tornarem esses 5 anos um pouco mais leves com
conversas e risadas.
Por fim, agradeço a todos que deixei de citar, mas que contribuíram de forma direta ou
indireta para minha formação.
“O BIM está começando a mudar a maneira
como vemos os edifícios, como eles funcionam
e as formas de construí-los. (Eastman et al,
2014)”
RESUMO
Os projetos hidrossanitários desempenham um papel fundamental na qualidade e eficiência das
edificações, sendo responsáveis por garantir o abastecimento de água e a destinação final de
esgoto. Diante da crescente demanda por soluções rápidas e precisas, este trabalho tem como
objetivo propor um roteiro prático para a elaboração de projetos hidrossanitários, unindo o
sistema Building Information Modeling (BIM) à metodologia ágil Scrum, proporcionando uma
abordagem eficiente e integrada. A metodologia foi desenvolvida em etapas, chamadas sprints,
conforme o método Scrum, em que esses marcos são estruturados de acordo com as fases do
projeto hidrossanitário e indicam o fluxo de etapas a ser seguido. A organização dos marcos foi
baseada na NBR 15575-6:2013, fornecendo respaldo normativo para o desenvolvimento do
projeto. O fluxo do projeto seguiu as diretrizes estabelecidas para cada sistema — desde água
fria e quente até esgoto e águas pluviais — respeitando as normas técnicas vigentes. Como
resultado, o roteiro foi estruturado em um fluxograma geral de etapas, dividido em macroetapas.
Cada macroetapa possui um fluxo interno que guia a realização do projeto, permitindo organizar
as atividades em uma sequência lógica, proporcionando entregas mais rápidas e maior precisão
na fase de execução. Isso se contrapõe às metodologias convencionais, que não apresentam uma
estrutura sequencial e carecem de aspectos de planejamento integrado do projeto. Dessa forma,
o resultado deste trabalho contribui para a engenharia como um todo, ao introduzir uma
metodologia de projeto sistematizada que servirá como roteiro para futuros projetistas,
reduzindo o tempo de execução dos projetos sem comprometer a qualidade das entregas.
Palavras-Chave: Gerenciamento de projetos; Sistemas hidráulicos; Sistemas sanitários;
Sistemas pluviais
ABSTRACT
Hydrosanitary projects play a fundamental role in the quality and efficiency of buildings,
ensuring water supply and wastewater disposal. Given the growing demand for fast and accurate
solutions, this work aims to propose a practical framework for the development of hydrosanitary
projects by integrating the Building Information Modeling (BIM) system with the agile Scrum
methodology, providing an efficient and integrated approach. The methodology was developed
in stages, referred to as sprints, following the Scrum method. These milestones are structured
according to the phases of the hydrosanitary project, outlining the workflow to be followed.
The organization of these milestones was based on the NBR 15575-6:2013 standard, providing
regulatory support for project development. The project workflow adhered to the guidelines
established for each system — ranging from cold and hot water to wastewater and stormwater
drainage — while complying with current technical standards. As a result, the framework was
structured into an overarching flowchart of steps, divided into macro-stages. Each macro-stage
includes an internal flow guiding project execution, enabling activities to be organized in a
logical sequence, resulting in faster deliveries and greater accuracy during the execution phase.
This approach contrasts with conventional methodologies, which lack a sequential structure and
integrated project planning aspects. Thus, the outcome of this study contributes to engineering
as a whole by introducing a systematic project methodology that serves as a framework for
future designers, reducing project execution time without compromising delivery quality.
Keywords: Project management; Hydraulic systems; Sanitary systems; Rainwater systems
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Componentes do sistema hidrossanitário --------------------------------------------------16
Figura 2 – Equipe Scrum -----------------------------------------------------------------------------------26
Figura 3 – Fluxograma Scrum -----------------------------------------------------------------------------27
Figura 4 – Fluxograma Metodológico -------------------------------------------------------------------29
Figura 5 – Fluxograma geral das sprints ----------------------------------------------------------------33
Figura 6 – Fluxo da sprint 00 ------------------------------------------------------------------------------35
Figura 7 – Fluxo da sprint 01 ------------------------------------------------------------------------------36
Figura 8 – Fluxo da sprint 02 ------------------------------------------------------------------------------37
Figura 9 – Fluxo da sprint 03 ------------------------------------------------------------------------------38
Figura 10 – Fluxo da sprint 04 ----------------------------------------------------------------------------39
Figura 11 – Fluxo da sprint 05 ----------------------------------------------------------------------------40
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
BIM Building Information Modeling
NBR Norma Brasileira
ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
ONU Organizações da Nações Unidas
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------- 12
1.1 Objetivo geral ---------------------------------------------------------------------------- 15
1.2 Objetivos específicos -------------------------------------------------------------------- 15
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ---------------------------------------------------- 16
2.1 Projetos hidrossanitários --------------------------------------------------------------- 16
2.1.1 Sistema hidráulico ------------------------------------------------------------------------ 17
2.1.2 Sistema sanitário-------------------------------------------------------------------------- 18
2.1.3 Sistema pluvial ---------------------------------------------------------------------------- 21
2.2 Normas técnicas -------------------------------------------------------------------------- 22
2.2.1 Normas obrigatórias --------------------------------------------------------------------- 22
2.2.2 Normas complementares ---------------------------------------------------------------- 23
2.3 Modelagem de informação da construção – BIM ---------------------------------- 24
2.4 Metodologia SCRUM ------------------------------------------------------------------- 26
3 METODOLOGIA ----------------------------------------------------------------------- 29
3.1 Revisão bibliográfica -------------------------------------------------------------------- 30
3.2 Organização das etapas ----------------------------------------------------------------- 31
4 RESULTADOS --------------------------------------------------------------------------- 33
4.1 Concepção do projeto – Sprint 00 ----------------------------------------------------- 33
4.2 Informações do projeto – Sprint 01 --------------------------------------------------- 35
4.3 Modelagem do projeto – Sprint 02 ---------------------------------------------------- 36
4.4 Compatibilização – Sprint 03 ---------------------------------------------------------- 37
4.5 Dimensionamento do projeto – Sprint 04 -------------------------------------------- 38
4.6 Detalhamento do projeto – Sprint 05 ------------------------------------------------- 40
5 DISCUSSÃO ------------------------------------------------------------------------------ 41
6 CONCLUSÃO ---------------------------------------------------------------------------- 43
REFERÊNCIAS ------------------------------------------------------------------------- 45
ANEXO A – FLUXOGRAMA DE PROJETO (PARTE A) --------------------- 48
ANEXO B – FLUXOGRAMA DE PROJETO (PARTE B) ---------------------- 49
12
1 INTRODUÇÃO
A engenharia civil, segundo Queiroz (2019), é uma área multidisciplinar que
desempenha um papel fundamental na concepção, planejamento, execução, operação e
manutenção de infraestruturas que permeiam nossa sociedade. Essa área do conhecimento é
constituída de vários setores, incluindo o setor da construção civil, que tem testemunhado um
aumento significativo nos últimos anos impulsionado, de acordo com Vieira e Nogueira (2018),
pelo crescimento econômico do país nos últimos anos. Como consequência do aumento na
atividade construtiva vem ocorrendo uma demanda crescente por projetos, uma vez que, estes
desempenham um papel central no fornecimento de diretrizes e especificações necessárias para
garantir segurança, funcionalidade e sustentabilidade nas edificações e sistemas construídos,
em conformidade com Rufino (2011). Além disso, os projetos de engenharia, como base para
o setor da construção civil devem, de acordo com Fraga e Alves (2021) estar alinhados com as
condições de sustentabilidade. Dentro desse contexto tem-se a agenda 2030, instituída pela
Organização das Nações Unidas (ONU) que apresenta os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) onde, dentre eles as ODS 11 e 12 se destacam: o ODS 11 propõe a
urbanização sustentável, enquanto o ODS 12 enfatiza padrões de produção e consumo
responsáveis (Nações Unidas Brasil, 2015). Com isso, os projetos podem desempenhar um
papel central no alcance desses objetivos, ao incorporar soluções que promovam cidades mais
sustentáveis e reduzir o consumo de materiais na execução das obras.
Dentre os diversos tipos de projetos da engenharia civil, os projetos hidrossanitários
destacam-se como componentes essenciais para o funcionamento adequado das edificações,
sendo responsáveis, segundo Pinheiro (2022), pela concepção e dimensionamento dos sistemas
de abastecimento de água, coleta e destinação final do esgoto, e drenagem de águas pluviais, de
modo a garantir o fornecimento de recursos essenciais para as atividades humanas e a
preservação do meio ambiente.
Visando projetos hidrossanitários que atendam ao aumento da demanda do setor da
construção civil, a padronização e regulamentação técnica desempenham um papel crucial,
estabelecendo parâmetros que visam a qualidade, segurança e eficiência das construções. No
contexto brasileiro, as Normas Brasileiras (NBRs), desenvolvidas pela Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT), assumem uma posição central na definição desses padrões, não
apenas fornecendo diretrizes técnicas, mas também moldando práticas e processos na indústria
da construção civil e em pesquisas científicas. Sendo assim, as normas que regulam desde a
instalação de sistemas prediais de água fria e quente, por meio da ABNT NBR 5626/2020, até
13
o manejo adequado de esgoto residencial, pela ABNT NBR 8160/1999 e drenagem de águas
pluviais, reguladas reguladas pela ABNT NBR 10844/1989 representam o respaldo técnico e
as boas práticas de projeto. Entretanto, sua importância transcende esse aspecto ao propiciar a
garantia da qualidade da água potável, a segurança dos usuários e a preservação do meio
ambiente refletindo diretamente na saúde pública e no bem-estar das comunidades, de acordo
com Thomaz (2023).
Apesar do suporte oferecido pelas normas técnicas, as demandas do setor da
construção civil estão cada vez maiores, como já mencionado por Vieira e Nogueira (2018),
exigindo que as obras sejam realizadas em tempo hábil nesse contexto. A busca por
metodologias inovadoras que otimizem o processo de concepção, planejamento e execução de
edificações é constante e, dentre essa, destaca-se o sistema Building Information Modeling
(BIM), uma abordagem revolucionária que, segundo Eastman (2014), transcende a simples
representação visual de um projeto, integrando todas as fases do empreendimento em um
modelo digital coeso e detalhado.
Seguindo o pensamento de Miranda (2023), o BIM vai além da tradicional modelagem
3D, incorporando informações detalhadas sobre materiais, texturas e elementos construtivos, o
que o torna uma ferramenta completa e versátil para profissionais da construção. Ao permitir a
geração automática de representações tradicionais, como plantas baixas e cortes, o BIM,
Venancio e Brito (2018), garante a consistência e a precisão das informações ao longo do
processo de elaboração de um projeto, além disso, o sistema BIM facilita a colaboração entre
equipes multidisciplinares, reduzindo erros e otimizando o fluxo de trabalho. Isso ocorre devido
aos softwares paramétricos e tridimensionais, em que as equipes podem trabalhar de forma
integrada, visualizando o projeto de maneira mais próxima do resultado final e identificando
eventuais problemas precocemente.
No contexto dos projetos hidrossanitários, Barbosa (2023) destaca que o BIM ainda
oferece vantagens adicionais, permitindo a integração de sistemas prediais de água fria, água
quente, esgoto e drenagem de águas pluviais de forma coesa e eficiente, bem como, a
visualização antecipada e precisa do projeto até a geração automática de tabelas de
quantitativos.
Outra ferramenta que se destaca na garantia da celeridade em projetos da construção
civil são os métodos de gestão de projetos, que desempenha um papel fundamental na condução
eficaz de empreendimentos em diversas áreas, buscando maximizar a eficiência, qualidade e
satisfação do cliente, conforme destaca Baldissera (2021). No entanto, diante da crescente
complexidade e dinamicidade do setor da construção civil, metodologias tradicionais muitas
14
vezes se mostram inadequadas para lidar com as demandas emergentes. Desse modo, surge a
metodologia ágil Scrum, que na visão de Bastos e Bastos (2021) se trata de uma abordagem
revolucionária que visa melhorar os processos de gestão de projetos por meio da flexibilidade,
colaboração e adaptabilidade. Tendo, segundo Cervone (2011) como principal destaque, frente
a outras metodologias ágeis, a sua simplicidade tanto de organização quanto de funcionamento,
permitindo que diferentes membros possam ser inseridos dentro desse framework.
Essa metodologia enfatiza a colaboração, o trabalho em equipe e a capacidade de
adaptação rápida, elementos essenciais para o sucesso de qualquer empreendimento. Sutherland
(2014), destaca que, no cerne do Scrum estão os ciclos iterativos e incrementais chamados de
Sprints, que proporcionam uma estrutura clara e flexível para a execução do projeto, de forma
que, através de reuniões de planejamento, revisão e retrospectiva, as equipes SCRUM
conseguem definir metas, avaliar o progresso e identificar oportunidades de melhoria de forma
contínua e iterativa.
As equipes Scrum podem ser classificadas, segundo Bastos e Bastos (2021) em três
papeis fundamentais - Product Owner, Scrum Master e Scrum Team que desempenham funções
específicas para garantir o sucesso do projeto. O Product Owner é responsável por definir os
requisitos e prioridades do produto sendo, portanto, o representante do cliente no
desenvolvimento, por sua vez, o Scrum Master atua como facilitador, removendo obstáculos e
promovendo um ambiente de trabalho produtivo. Já o Scrum Team, composto por uma equipe
multifuncional, tem autonomia para priorizar e executar as atividades do Sprint de acordo com
as necessidades do projeto.
Sua abordagem ágil e colaborativa oferece uma série de benefícios para projetos
hidrossanitários, dentre esses benefícios pode-se destacar a maior flexibilidade, transparência e
eficiência na execução das atividades. Em que sua associação com o sistema BIM implica na
realização de uma maior estudo compatibilização entre as disciplinas de projeto, como também,
um maior planejamento do projeto, em si, onde tais características contribuem, na fase de
execução da obra, com menos retrabalho e por consequinte um menor desperdício de materiais
sendo, portanto, alinhado com a ODS 12 sobre consumo e produção sustentável.
Sendo assim, esta pesquisa se propõe a explorar e analisar como a metodologia Scrum
pode ser associada ao sistema BIM para otimizar o processo de desenvolvimento de projetos
hidrossanitários, garantindo uma alta qualidade de compreensão na fase de execução, como
também, dando uma maior celeridade no processo de desenvolvimento desse, criando, assim,
um roteiro prático de projeto.
15
1.1 Objetivo geral
Elaborar um manual prático para a concepção de projetos hidrossanitários, integrando
BIM e metodologia Scrum, visando auxiliar engenheiros civis a aprimorar a qualidade e a
agilidade desses projetos.
1.2 Objetivos específicos
• Revisar as NBR's aplicáveis para garantir a conformidade técnica dos projetos
hidrossanitários;
• Analisar e destacar os benefícios do BIM em projetos hidrossanitários;
• Adequar a metodologia Scrum e suas especificidades para o contexto de projetos
hidrossanitários.
16
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Projetos hidrossanitários
Dentro do contexto de instalações prediais, os projetos hidrossanitários desempenham
um papel essencial na qualidade das edificações. Um vez que, como define a NBR 15575-
6/2013 os sistemas hidrossanitários têm como principal finalidade fornecer água potável para
os usuários, podendo, ou não, dispor de um sistema de reuso, além das instalações de coleta e
destinação final de esgoto gerado, como também meios que permitam a coleta e
encaminhamento adequado das águas pluviais (Figura 1).
Figura 1 – Componentes do sistema hidrossanitário
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
Na visão de Carvalho Júnior (2009), o componente hidráulico do sistema
hidrossanitário, também conhecido como sistema de água fria, responsável por fornecer água
para os usuários, pode ser entendido como o conjunto de condutos específicos, reservatórios,
equipamentos e dispositivos de utilização que propiciam o abastecimento adequado dos pontos
de utilização hidráulicos da edificação. Esse sistema deve ser projetado de tal maneira que seja
capaz de garantir a quantidade suficiente de água para a utilização por parte dos usuários, ao
mesmo tempo em que preserva a qualidade de água fornecida pela companhia de saneamento
local.
Esse tipo de instalação também pode ser composto por sistemas de águas quentes que
irão garantir que a água proveniente do sistema de abastecimento seja aquecida a uma
temperatura controlada por meio de aquecedores específicos e, esta, por meio de tubos
individuais resistentes as altas temperaturas, seja destinada aos pontos de utilização com
pressão e velocidades compatíveis com o uso pretendido (Carvalho Júnior, 2009).
17
O outro componente do sistema hidrossanitário é a coleta e destinação final de esgoto,
que, segundo Creder (2006), é definido como o conjunto de tubulações específicas e
equipamentos que têm a função de direcionar o esgoto doméstico gerado, proveniente do uso
de aparelhos sanitários, para longe da edificação. Dependendo da localidade, o esgoto pode
culminar na rede pública coletora de esgoto ou até mesmo em um sistema de tratamento
individualizado composto por, por exemplo, fossa séptica e sumidouro ou outras estruturas
pertinentes para o tratamento desses efluentes.
Vale a pena ressaltar que esse componente do sistema hidrossanitário deve ser
projetado de forma a impedir que a instalação de fornecimento de água potável seja
contaminada pelo esgoto gerado, bem como possuir soluções que viabilizem a expulsão de
odores e impeçam seu retorno para o interior da residência (Carvalho Júnior, 2009).
E, ainda, dentro da definição de sistema hidrossanitário proposta pela NBR 15575-
6/2013, existem as instalações pluviais, que, em uma visão mais completa pode ser definido
com as tubulações e equipamentos específicos que visam captar as águas provenientes de
chuvas e conduzir essas para o sistema de rede pública de coleta pluvial, meio-fio ou até mesmo,
caso seja dotado, para um sistema de reservação para o próprio uso da edificação (Macintyre,
1990). Sendo assim, no conceito de Dariva e Araújo (2019) pode-se, definir um projeto de um
sistema hidrossanitário como sendo o documento que visa conceber as soluções necessárias
dentro de uma instalação hidrossanitária, seja ela residencial ou predial, através do
planejamento de condutos, equipamentos, acessórios e peças.
2.1.1 Sistema hidráulico
O sistema hidráulico é constituído de três partes, denominadas de alimentador predial,
reservação e distribuição (Carvalho Júnior, 2009).
O alimentador predial é o conjunto de elementos que garantem a recepção da água na
instalação hidráulica, seja por meio de rede pública ou por sistema privado, este último utilizado
apenas quando a primeira opção não está disponível (Carvalho Júnior, 2009). Quando se utiliza
a rede pública, o autor ressalta que a entrada da água é realizada por meio do ramal predial,
uma estrutura executada pela concessionária pública responsável pelo abastecimento. Esse
ramal predial conecta à rede pública de distribuição à instalação predial, garantindo o
fornecimento com pressão e vazão adequadas, além de realizar a medição correta do consumo,
por meio de um hidrômetro.
18
Logo após alimentador predial é instalado o sistema de reservação que, no contexto
das edificações brasileiras, é comum o uso de reservatórios instalados acima das edificações,
conhecidos como reservatórios superiores. Essa configuração decorre da deficiência no
fornecimento de água pela rede pública, que, segundo o instituto Trata Brasil cerca de 22% das
residências no país não recebem água diariamente. Devido a isso, Creder (2009) entende que,
em uma instalação predial de água, independentemente do tipo de alimentação predial e da
existência de bombeamento, exige a presença de reservatórios para garantir a regularidade do
fornecimento. Essa regularidade é garantida pelo armazenamento durante os períodos com
abastecimento e também pela cota de instalação, que deve ocorrer acima dos pontos de
consumo, proporcionando abastecimento por gravidade, de modo a assegurar uma distribuição
eficaz da água, promovendo uma pressão adequada nos pontos de saída.
Ao analisar o sistema hidráulico pós-reservação, é possível verificar que ele é
composto por um conjunto de canalizações que interligam os pontos de consumo ao
reservatório, as quais são definidas como barrilete, coluna, ramais e sub-ramais. O barrilete,
originado logo após o reservatório, desempenha um papel central no sistema, sendo capaz de
apresentar duas configurações: a concentrada e a ramificada, a opção concentrada oferece a
vantagem de abrigar os registros de operação em uma área restrita, facilitando o controle do
sistema. Por outro lado, o barrilete ramificado é mais econômico, permite uma distribuição de
tubulações mais espaçada junto ao reservatório, com registros posicionados antes do início das
colunas de distribuição, que descem do barrilete, sendo direcionadas verticalmente e
alimentando os ramais que podem se dividir em sub-ramais nas peças de utilização dos
pavimentos (Macintyre, 1990).
No sistema hidráulico, além da estruturação física de suas partes constituintes, é
importante definir a forma de esquematizar e demonstrar as soluções adotadas, bem como os
detalhamentos. Carvalho Júnior (2009) destaca que o desenho das instalações hidrossanitárias
é fundamentado no projeto arquitetônico, ressaltando a importância desse ser bem realizado,
que inclua peças sanitárias e equipamentos devidamente definidos e localizados, conforme as
normas para desenho técnico.
2.1.2 Sistema sanitário
Outro componente do sistema hidrossanitário são as instalações sanitárias que,
segundo Carvalho Júnior (2009), são constituídas de um conjunto de tubulações, dentro e fora
das edificações, que cumprem o papel de conduzir os efluentes domésticos, utilizando
19
desconectores, ramais de descarga, ramais de esgoto, tubos de queda, tubos de ventilação,
subcoletores, coletores prediais, caixas de inspeção, caixas de gordura e destinação final.
Os desconectores são dispositivos essenciais para evitar que maus odores retornem da
tubulação, além de encaminharem os efluentes e seus gases para os tubos do ramal de descarga,
ramal de esgoto, tubo de queda, tubo de ventilação, subcoletor e coletor predial. Estes
desconectores são caracterizados pelos sifão e ralos.
O sifão comumente instalado em pias, lavatórios e tanques, bem como a caixa sifonada
que é uma estrutura de formato cilíndrico, com a finalidade de receber os efluentes provenientes
de lavatórios, banheiras, chuveiros de banheiro e as águas provenientes da lavagem de pisos,
nesse último caso, sendo provida essencialmente de uma grelha. Em relação aos ralos, estes
podem ser classificados como ralos secos — que não possuem proteção hídrica — e ralos
sifonados — que contam com essa proteção. Normalmente, os ralos secos são empregados para
receber águas provenientes de chuveiros, pisos laváveis, áreas externas, terraços, varandas,
entre outros (Carvalho Júnior, 2009).
Outro elemento do sistema sanitário é o ramal de descarga, sendo caracterizado como
uma tubulação responsável por receber diretamente os efluentes provenientes de aparelhos
sanitários específicos, tais como lavatórios, pias e ralos de chuveiros. Esses ramais devem ser
conectados a caixas sifonadas, porém, em situações em que há efluentes com gordura – como
os provenientes de pias de cozinha – Creder (2006) indica que devem ser conectados a caixas
de gordura, em edificações térreas, ou tubos de gordura, em pavimentos superiores. Vale a pena
ressaltar que, dentro do grupo de aparelhos sanitários, a bacia sanitária é a única que não possui
ramal de descarga, pois deve ser conectada diretamente à caixa de inspeção ou a tubo de queda
próprio.
Em relação ao ramal de esgoto, este exerce um papel crucial ao receber os efluentes
provenientes dos ramais de descarga em instalações prediais, destinando-os para uma caixa de
inspeção ou tubo de queda, para, em seguida, serem destinados à destinação final por um coletor
predial (Carvalho Júnior, 2009). Nesse sentido, o tubo de queda é uma tubulação vertical
presente em edificações de dois ou mais pavimentos que, conforme Macintyre (1990), é
destinado a receber os efluentes tanto dos ramais de esgoto quanto dos ramais de descarga que
faz a ligação entre os pavimentos.
No que diz respeito ao tubo de ventilação, ele é responsável por conectar
desconectores, ramais de descarga ou ramais de esgoto de aparelhos sanitários a uma coluna de
ventilação ou a um tubo ventilador primário. Essa ligação a uma coluna de ventilação deve ser
feita de maneira a impedir o ingresso de esgoto sanitário ao seu interior, sendo crucial que a
20
tubulação de ventilação seja instalada com um aclive mínimo de 1%, de modo a permitir o
escoamento por gravidade de qualquer líquido eventualmente adentre, como por exemplo água
de chuva, e deve estar situada a uma altura mínima de 2 m acima de um terraço, caso a laje seja
utilizada para outros fins além da cobertura.
A fim de destinar os efluentes para fora da edificação, são instalados os subcoletores,
que podem ser definidos como tubulações horizontais destinadas a receber os efluentes
provenientes de um ou mais tubos de queda ou de ramais de esgoto. De acordo com Carvalho
Júnior (2009), estes tubos devem ter um diâmetro mínimo de 100 mm e declividade mínima de
2%, bem como é recomendada a intercalação de caixas de inspeção, as quais são cruciais para
facilitar a verificação e manutenção do sistema, sempre que houver mudança de direção no
subcoletor ou interligação com outras tubulações de esgoto, como, por exemplo, o coletor
predial, que é definido pela NBR 8160/1999 como o trecho de tubulação que se estende entre a
última inserção de subcoletor, ramal de esgoto ou de descarga, ou caixa de inspeção geral, e o
coletor público ou o sistema de tratamento individual de esgoto.
Ainda fazem parte dos elementos de um sistema sanitário as caixas de inspeção e de
gordura, que são definidas como estruturas que recebem os efluentes sanitários e permitem o
acesso do usuário. No caso da caixa de inspeção, esse acesso possibilita a inspeção, limpeza e
desobstrução das tubulações, sendo estrategicamente instalada em pontos de mudança de
direção e declividade, bem como quando o comprimento dos subcoletores e coletores prediais
ultrapassar 12 metros. Por sua vez, a caixa de gordura apresenta a função de reter as gorduras,
graxas e óleos contidos no esgoto proveniente, geralmente, de pias de cozinha evitando
obstruções na rede de esgoto interna da edificação e garantindo seu adequado funcionamento
devido à remoção periódica, que deve fazer parte do plano de manutenção predial da instalação
(Creder, 2006).
Como último elemento das instalações sanitárias, existe a destinação final dos
efluentes, que podem ser individuais ou coletivos, em que os sistemas individuais são adotados
quando cada empreendimento é dotado de seu próprio sistema de coleta, escoamento e
tratamento de esgoto, frequentemente através da combinação de fossa séptica e sumidouro ou
de outras estruturas necessárias. Essa solução só deve ser adotada em situações em que não
exista, na localidade, uma rede pública de coleta de esgoto sanitário disponível. Contudo,
quando há a coleta por rede pública, os sistemas coletivos devem ser utilizados, direcionando
os esgotos provenientes de edificações até um ponto específico para tratamento, seguido pelo
lançamento controlado em corpos d'água.
21
2.1.3 Sistema pluvial
O sistema pluvial apresenta uma normativa específica definida na NBR 10844/1989,
que estabelece os requisitos e critérios essenciais para os projetos de instalação de drenagem de
águas pluviais em edifícios, assegurando níveis aceitáveis de funcionalidade, segurança,
higiene, conforto, durabilidade e economia, proporcionando diretrizes fundamentais para o
desenvolvimento desses sistemas, a fim de prevenir alagamentos e erosão do solo.
Para garantir o escoamento e a coleta da água da chuva nos edifícios, são necessárias
calhas, condutores verticais e condutores horizontais. As calhas desempenham o papel de captar
as águas de chuva provenientes do telhado, encaminhando-as para os condutores verticais. No
processo de concepção das calhas, são definidos os tipos e as características das seções, que são
influenciados por condições específicas do projeto, bem como os materiais, que podem ser de
aço galvanizado, folhas-de-flandres, cobre, PVC rígido, fibra de vidro, concreto ou alvenaria
(Carvalho Júnior, 2009).
Por sua vez, os condutores verticais são tubulações verticais projetadas para recolher
as águas captadas pelas calhas e direcioná-las para a parte inferior das edificações, com
finalidade de despejar essas águas livremente na superfície do terreno ou conduzi-las até as
redes coletoras, podendo ser localizados no próprio terreno ou presos ao teto do subsolo, por
meio de braçadeiras, o que ocorre especificamente em edifícios com esse pavimento. Quanto
aos coletores horizontais, estes desempenham a função de recolher as águas provenientes dos
condutores verticais ou da superfície do terreno e de conduzi-las para os locais permitidos pelos
dispositivos legais (Carvalho Júnior, 2009).
De forma complementar, o sistema pluvial também contém elementos de arquitetura,
como cobertura, beirais e esquadrias. A cobertura tem por função principal assegurar que o
interior da edificação e seus ocupantes fiquem protegidos das intempéries climáticas (Carvalho
Júnior, 2009). Nesse sentido, existe o conceito de “águas”, que pode ser entendido como as
partes de um telhado, as quais possuem uma inclinação específica em todo o seu comprimento.
Desse modo, um telhado pode ser constituído de várias águas, que tem por finalidade de realizar
o escoamento de água para algum sistema de captação específico no projeto de instalações
pluviais.
Em relação aos beirais, estes são estruturas instaladas no comprimento do telhado,
além das paredes mais externas da edificação, para evitar que água da chuva danifique os
revestimentos externos, assim como as esquadrias, nas quais são alocadas as calhas do sistema
pluvial e, eventualmente, as platibandas, elementos arquitetônicos que visam esconder os
22
telhados, deixando-os embutidos na edificação através da construção de uma mureta que
contorna todo o telhado e, dentro do contexto de instalações pluviais, os sistemas de coleta e
destinação também ficam embutidos.
2.2 Normas técnicas
No âmbito da construção civil, as NBR's desempenham um papel crucial no que tange
a garantia de qualidade nos serviços desempenhados, pois fornecem um referencial dos itens
que as normas abrangem (SINDUSCON-MG, 2013) e, embora, em geral, não possuam força
de lei, as NBR’s podem adquirir caráter obrigatório quando requisitadas por órgãos específicos,
como, por exemplo, em processos licitatórios de acordo com o artigo 42 da Lei nº 14.133 de
2021 o objeto que está sendo licitado deve estar de acordo com as normas técnicas da ABNT
ou de outros órgãos (BRASIL, 2021).
Thomaz (2023) complementa a compreensão, ao enfatizar que as NBRs exercem um
papel significativo na padronização e organização dos processos organizacionais relacionados
ao trabalho e à documentação, sendo, portanto, essenciais para garantir a uniformidade e
eficiência nas práticas empresariais, contribuindo para a qualidade e segurança das atividades
desenvolvidas.
De acordo com a ABNT (2024) sobre a normalização, é possível verificar que o
processo de formulação e aplicação de regras busca solucionar ou prevenir problemas,
promovendo a economia global, e utilizando a tecnologia como instrumento. Nesse sentido, é
importante que esses documentos sejam estabelecidos por consenso e aprovados por
organismos reconhecidos, fornecendo diretrizes para atividades ou resultados, a fim de alcançar
uma ordenação eficaz em determinado contexto, sem negligenciar os aspectos de segurança.
2.2.1 Normas obrigatórias
Dentro do contexto das instalações prediais em sistemas hidrossanitários, a norma que
trata dos sistemas prediais de água fria e quente é a NBR 5626/2020. Nela são estabelecidos
parâmetros essenciais para o projeto, execução, operação e manutenção desses sistemas, NBR
5626/2020 sendo voltada exclusivamente para sistemas de água potável. A norma busca
assegurar o bom desempenho, o uso racional de água e energia, bem como a preservação da
qualidade da água e, em sua última revisão, trouxe importantes atualizações, relacionadas às
inovações tecnológicas do mercado, inserindo novidades para o sistema de reservação,
23
bombeamento, informações de vazões fornecidas e requiridas, parâmetros de velocidade e
pressão na rede, bem como características que visam melhorar a segurança no
dimensionamento, foram atualizadas (Almeida; Teixeira, 2021).
Por sua vez, para as instalações sanitárias, foi estabelecida a NBR 8160/1999, que
define parâmetros fundamentais para projetos sanitários de esgoto residencial e estabelece
requisitos e recomendações para o projeto, execução, ensaio e manutenção dos sistemas prediais
de esgoto sanitário, visando garantir higiene, segurança e conforto dos usuários, com foco na
qualidade desses sistemas. Contudo, vale a pena observar que a NBR 8160/1999 não se aplica
aos sistemas de esgoto industrial ou assemelhados, a menos que estejam associados à geração
de esgoto sanitário.
Zilio et al. (2019) ressaltam que a última revisão da NBR 8160/1999 ocorreu nos anos
90, indicando a possibilidade de que a norma não esteja mais alinhada com as práticas e
tecnologias atuais. Essa constatação aponta para a necessidade de uma possível revisão da
norma para garantir sua eficácia e atualidade diante das demandas e avanços no campo dos
sistemas de esgoto residencial, como ocorreu na norma de água fria e quente, atualizada em
2020.
Em relação aos projetos hidrossanitários que visam lidar com as águas da chuva, a
ABNT estabeleceu a NBR 10844/1989, definindo parâmetros essenciais para projetos
residenciais de drenagem de águas pluviais. Essa norma tem como objetivo garantir níveis
adequados de funcionalidade, segurança, higiene, conforto, durabilidade e economia nas
instalações de drenagem de águas pluviais, as quais, conforme Carvalho Júnior (2009), devem
ter projetos adequados para recolher e conduzir a vazão de projeto até locais permitidos pelos
dispositivos legais, garantindo estanqueidade e possibilitando a limpeza e desobstrução em
qualquer ponto da instalação.
2.2.2 Normas complementares
Assim como existem as normas obrigatórias, apresentadas na Subseção 2.2.1, também
foram criadas as normas complementares, para definir requisitos e critérios do desempenho dos
sistemas hidrossanitários. Essas regras são regidas pela série NBR 15575, especificamente pela
NBR 15575-6/2013, sendo um marco importante no setor da construção civil, pois trata do
desempenho dos sistemas construtivos de uma edificação, visando atender aos requisitos dos
usuários em termos de comportamento em uso.
24
A inter-relação entre as Normas de Desempenho e as Normas Prescritivas possibilita
o atendimento aos requisitos do usuário com soluções tecnicamente adequadas e
economicamente viáveis. No caso específico dos sistemas hidrossanitários, a NBR 15575-6
estabelece requisitos que visam garantir a saúde, higiene e segurança dos usuários, além de
harmonizarem-se com as características físico-químicas dos demais materiais de construção.
Essa norma visa garantir a segurança dos usuários em relação ao uso da água potável, bem
como a condução adequada de esgotos e águas servidas, onde esses sistemas devem ser
incorporados à construção de forma a não representar riscos à saúde e segurança dos ocupantes
da edificação.
2.3 Modelagem de informação da construção – BIM
O sistema BIM é uma metodologia inovadora que revolucionou o processo de projeto,
construção e manutenção de edificações, unindo todas as fases do empreendimento em um
modelo digital integrado. Segundo Eastman et al. (2014), o BIM deve exibir seis características
principais para ser considerado eficaz, que deve ser digital, espacial (3D), mensurável,
abrangente, acessível e durável. Isso significa que o modelo BIM não somente representa
geometricamente a edificação, mas também incorpora diversas informações sobre materiais,
texturas e elementos construtivos, tornando-o uma ferramenta completa e versátil para o
projetista.
Ao construir o modelo virtual da edificação, o BIM associa a ele informações
detalhadas que vão além do aspecto visual. Conforme destacado por Venancio e Brito (2018),
o modelo BIM integra especificações diversas sobre os elementos do edifício, permitindo a
geração automática de representações tradicionais, como plantas baixas, cortes e elevações.
Qualquer alteração realizada no modelo é refletida de forma automática e coerente em todos os
documentos derivados, garantindo a consistência e a precisão das informações ao longo do
processo de projeto.
Essa capacidade de gerenciar dados de forma digital durante todo o ciclo de vida da
construção é fundamental para a eficiência e a qualidade do empreendimento. Conforme
ressaltado por Martins e Rodrigues Júnior (2019), o BIM possibilita a integração e a colaboração
entre as equipes de projeto, reduzindo a chance de erros e otimizando o fluxo de trabalho. De
modo que, com softwares paramétricos e tridimensionais, as equipes podem trabalhar de forma
integrada, visualizando o projeto de maneira mais próxima do resultado final e facilitando a
identificação de eventuais problemas.
25
O sistema BIM oferece uma série de benefícios significativos para o processo de
projeto e construção de edificações, proporcionando uma abordagem mais eficiente,
colaborativa e precisa. Segundo Eastman et al. (2014), uma das vantagens mais relevantes do
uso do BIM é a visualização antecipada e precisa do projeto, em que o modelo 3D gerado pelo
BIM permite visualizar o projeto em qualquer etapa do processo, proporcionando uma
representação precisa e consistente em todas as vistas possibilitando, dessa forma, um maior
entendimento do objeto por parte do profissional.
Além disso, o BIM também proporciona correções automáticas, os quais, com objetos
controlados por regras programáveis, o modelo torna-se mais adequado para a fase da execução.
O BIM também gera desenhos precisos e consistentes, em que, os desenhos 2D podem ser
extraídos a qualquer etapa do projeto, economizando tempo e reduzindo erros associados à
geração de desenhos de construção. Outro benefício do BIM é a colaboração entre disciplinas
de projeto, em que é possível o trabalho simultâneo de múltiplas disciplinas de projeto,
abreviando o tempo gasto, reduzindo erros e omissões e permitindo a identificação precoce de
problemas de projeto, de forma a melhorar o processo construtivo. Como vantagem do BIM,
ainda existe a verificação das intenções de projeto, em que, o modelo BIM possibilita a
verificação antecipada das intenções de projeto, permitindo visualizações 3D e quantificações
de áreas e materiais, além de apoiar a verificação de requisitos técnicos e qualitativos. Por fim,
o BIM destaca-se por apresentar a extração de estimativas de custo durante o projeto, que podem
ser utilizadas para estimativas de custo em diferentes etapas do projeto, possibilitando uma
análise bem mais detalhada dos custos associados ao empreendimento projetado (Eastman et
al., 2014).
Ademais, como destacado por Miranda et al. (2023), softwares como o Autodesk®
Revit, amplamente utilizados na metodologia BIM, oferecem benefícios adicionais, como a
geração automática de tabelas de quantitativos, conectividade entre vistas, criação de projetos
personalizados e redução significativa de erros, aumentando a produtividade e a eficiência dos
processos construtivos.
Em resumo, o sistema BIM oferece uma abordagem abrangente e integrada para
projetos de construção, abrangendo desde o estágio inicial de concepção até a execução final.
Segundo Eastman et al. (2014), quatro perspectivas distintas delineiam o uso do BIM nos
projetos. No estágio conceitual e de anteprojeto, o BIM fornece um feedback rápido e preciso,
fortalecendo a qualidade das decisões e permitindo uma visualização detalhada da edificação
em termos de volumetria, estrutura e localização no terreno, facilitando a tomada de decisões
relacionadas ao programa do edifício, custos e considerações ambientais.
26
Na fase de projeto e análise dos sistemas prediais, o BIM possibilita a colaboração
entre diferentes profissionais, integrando softwares de análise para avaliar o desempenho do
edifício em aspectos como aquecimento, ventilação, iluminação e sistemas hidrossanitários,
resultando em projetos mais eficientes e funcionais.
O desenvolvimento das informações no nível da construção é facilitado pelo uso do
BIM, que agiliza a geração de documentação padrão da construção e estabelece o modelo BIM
como base legal para essa documentação, representando uma mudança significativa na forma
como os documentos da construção são produzidos e utilizados.
Por fim, a integração de projeto e construção é otimizada pelo BIM, que permite a
entrada de informações diretamente na modelagem no nível de produção, agilizando o processo
construtivo e reduzindo o tempo e os custos associados à construção. Essas diferentes
perspectivas demonstram a versatilidade e o potencial do sistema BIM em todas as fases do
processo de projeto e construção de edificações.
2.4 Metodologia SCRUM
A metodologia Scrum para gestão de projetos foi concebido por Jeff Sutherland em
1993 e, de acordo com ele (Sutherland, 2014), foi idealizada como uma alternativa ao método
cascata, oferecendo uma abordagem mais ágil, eficaz e confiável para o desenvolvimento de
produtos, especialmente no setor de tecnologia. O Scrum reflete a ideia de colaboração, trabalho
em equipe e adaptação rápida às mudanças, características essenciais dessa abordagem, em
oposição as metodologias tradicionais.
Figura 2 – Equipe Scrum
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
27
No Scrum, os projetos são divididos em ciclos chamados de sprints, que têm duração
entre uma semana e um mês. Cada sprint é precedido por uma reunião de planejamento, na qual
as tarefas são identificadas e um compromisso com o objetivo da sprint é definido (Bastos;
Bastos, 2021). Após a conclusão do sprint, ocorrem reuniões de revisão ou de retrospectiva,
nas quais o progresso é avaliado e lições são aprendidas para os próximos sprints.
Figura 3 – Fluxograma Scrum
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
Dentro do Scrum, há três papéis principais: o Product Owner, o Scrum Master e o
Scrum Team. O Product Owner é responsável por definir os requisitos do produto, priorizar o
Product Backlog (lista de requisitos), garantir o retorno financeiro do produto e representando
os interreses do cliente no desenvolvimento do produto. Por sua vez, o Scrum Master atua como
um facilitador, garantindo que a equipe esteja funcionando de forma produtiva, removendo
obstáculos e protegendo o time de interferências externas sendo, portanto, o chefe direto do
projeto. E o Scrum Team é uma equipe multifuncional, composta por 5 a 9 membros, a depender
do produto a ser desenvolvido, que têm autonomia para priorizar e executar as atividades dentro
de um sprint (Bastos; Bastos, 2021).
Dentre os usos práticos da metodologia Scrum, destaca-se sua implementação na
Secretaria Municipal de Obras Públicas e Serviços Urbanos (SEMOP) do município de Santana,
Amapá em um estudo realizado por (Bastos; Bastos, 2021). Em que no setor de Gerência de
Projetos, a aplicação do Scrum contribuiu para a padronização e o gerenciamento eficiente de
projetos de arquitetura e complementares, mostrando-se eficaz além da engenharia de software
e gerando impactos positivos no acompanhamento e desenvolvimento dos projetos. Entre os
benefícios notados, o uso do Scrum possibilitou a discussão remota de correções no projeto, o
que reduziu em 57% o tempo destinado à avaliação presencial por arquitetos e administradores,
28
proporcionando uma execução mais rápida e colaborativa, com redução de materiais e maior
aproveitamento dos recursos disponíveis (Bastos; Bastos, 2021).
29
3 METODOLOGIA
A metodologia proposta neste trabalho classifica-se, quanto à natureza, como uma
pesquisa aplicada, uma vez que seu objetivo é desenvolver um roteiro prático e sistematizado
que contribua para a solução de problemas específicos no campo de projetos hidrossanitários,
beneficiando diretamente os profissionais dessa área. Do ponto de vista dos objetivos, a
pesquisa caracteriza-se como exploratória, pois visa proporcionar maior compreensão sobre a
integração entre o BIM e o Scrum e delinear um novo enfoque para a elaboração desses projetos,
com foco em suas fases e estruturação. Nos procedimentos técnicos, adota-se a pesquisa
documental, baseando-se em materiais já existentes, especialmente normas e documentos
técnicos, que são analisados e adaptados para fundamentar as etapas do método. Em relação à
abordagem do problema, a pesquisa se qualifica como qualitativa, a fim de interpretar e
descrever os processos de desenvolvimento e adaptação das metodologias, sendo essencial para
atribuir significado e contextualizar as etapas no ambiente de projeto, sem necessidade de
quantificações numéricas.
Figura 4 – Fluxograma Metodológico
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
A metodologia deste trabalho organiza-se em dois grandes eixos: a revisão
bibliográfica e a organização das etapas do fluxograma. Na fase de revisão bibliográfica, foram
analisadas as principais normas técnicas que regulam os projetos hidrossanitários residenciais,
incluindo a ABNT NBR 5626:2020, a ABNT NBR 8160:1999 e a ABNT NBR 10844:1989,
30
com o objetivo de entender, de modo geral, o passo-a-passo necessário para a concepção desses
projetos. Além disso, foi revisada a NBR 15575-6:2013, norma complementar que orienta a
estruturação do processo de projeto hidrossanitário, desde as fases preliminares até o
detalhamento final. Paralelamente, foram estudados o framework Scrum e a tecnologia BIM,
visando adaptar o gerenciamento ágil proposto pelo Scrum para o contexto de desenvolvimento
de projetos hidrossanitários e entender como o BIM pode potencializar a eficiência desse
processo. Após a revisão bibliográfica, a elaboração do fluxograma foi iniciada, com a definição
das sprints (ou macroetapas) e o detalhamento de suas tarefas internas, organizadas de maneira
sequencial e lógica, priorizando a clareza na ordem dos elementos para facilitar a execução do
projeto.
3.1 Revisão bibliográfica
A primeira ação visando a construção do fluxograma de projeto hidrossanitário, foi o
estudo das normas técnicas fundamentais que regulamentam a concepção de projetos
hidrossanitários residenciais, sendo essas: a NBR 5626:2020 para o projeto de água fria e
quente, a NBR 8160:1999 para projetos de esgoto, e a NBR 10844:1989 para drenagem pluvial.
Essas normas serviram como base para entender cada etapa de desenvolvimento do projeto,
incluindo desenho, dimensionamento e detalhamento, assim como para identificar os elementos
necessários para a realização dessas etapas em cada disciplina conforme determinado pelas
normas, de modo a assegurar que o fluxograma proposto esteja em conformidade com os
parâmetros normativos vigentes no Brasil.
Em seguida, foi realizada uma análise da NBR 15575-6:2013, norma complementar
que discute o desempenho de sistemas hidrossanitários residenciais, especificamente focada no
Anexo A. Esse anexo sugere uma estrutura organizacional para o processo de projeto,
abrangendo fases desde a coleta de informações, modelagem, detalhamento das instalações, até
a entrega e o pós-obra. Contudo, no presente fluxograma, as fases finais de entrega e pós-obra
foram excluídas, pois sua execução pode variar dependendo da complexidade da edificação e
das escolhas do profissional responsável. O objetivo desse estudo foi alinhar as etapas reguladas
pela norma com o fluxograma proposto, mesmo que a norma em questão seja de caráter
complementar.
Posteriormente, foi estudado o framework Scrum, com o propósito de selecionar as
características mais adequadas para a realidade do desenvolvimento de projetos
hidrossanitários. Do Scrum, foram incorporados ao fluxograma a estrutura da equipe, a divisão
31
das tarefas em sprints, e a organização das reuniões essenciais para a execução das atividades.
Paralelamente, a tecnologia BIM foi estudada para identificar como poderia atuar como aliada
do Scrum, visando aprimorar tanto a velocidade quanto a qualidade dos projetos. O BIM
mostrou-se especialmente vantajoso no suporte à modelagem das instalações, fornecendo dados
necessários em tempo real para, por exemplo, o dimensionamento das tubulações. Essa
tecnologia também permite a geração automática de desenhos técnicos, como vistas isométricas
e esquemas verticais, reduzindo o tempo de projeto e possibilitando a obtenção de quantitativos
automáticos. Outro benefício fundamental do BIM é a compatibilização entre disciplinas,
evitando problemas de interferência durante a execução.
3.2 Organização das etapas
Realizado o estudo da bibliografia pertinente, seguiu-se para a concepção, de fato do
fluxograma para a realização de projetos hidrossanitárias sendo adequada, como mencionado
acima, as normas técnicas vigentes, bem como, o framework Scrum e a tecnologia BIM. A
estrutração do fluxograma é composta por seis sprints que funcionam como macroetapas para
o desenvolvimento do projeto, onde cada uma delas contém itens organizados de forma lógica
e seguindo uma sequência para a execução do objeto.
A primeira sprint – concepção do projeto – foi desenvolvida para permitir que o
usuário escolha a equipe Scrum, em que serão definidos os membros responsáveis por cada
papel dentro do framework, incluindo o Product Owner, que será o representante do cliente, o
Scrum Master, que executará a função de diretor do projeto e o Scrum Team, que será a equipe
de projetistas, onde a quantidade desses pode variar conforme o porte da edificação a ser
projetada, bem como, e nesse item que haverá o planejamento geral do projeto que terá o
objetivo de alinhar expectativas, funções e prazos com a equipe, sendo um, portanto, item
indispensável dessa etapa.
A segunda sprint – informações do projeto – foi montada para que o representante do
projeto juntamente como o diretor de execução, faça um levantamento de dados necessários
para execução do projeto, tais como, informações técnica da edificação, estudo das legislações
pertinentes para o empreedimento, como também, a avaliação das necessidades que o cliente
apresentará e o desenvolvimento do estudo de viabilidade dessas necessidades. Essa sprint
fornecerá as informações mais pertinentes para a execução do projeto hidrossanitário, de modo
que não haja nenhum retrabalho nas sprints futuras.
32
A terceira sprint – modelagem do projeto – foi concebida para que a equipe de
projetistas, de fato, modelem o projeto, seguindo uma sequência lógica de quais itens devem
ser feitos para que o desenho do projeto seja concluído, com itens separados por disciplina:
hidráulica (água fria e água quente) e sanitário (esgoto e pluvial). Nessa sprint estão presentes
os itens referentes a posicionamento dos dispositivos de utilização, modelagem de sistemas e
desenho do traçado de tubulação.
A quarta sprint – compatibilização – será de responsabilidade do diretor do projeto
que usando a tecnologia BIM fará a detecção automática de interferências entre os elementos
das diferentes disciplinas, tanto para itens referentes ao projeto hidrossaniário quanto para os
demais projetos envolvidos naquela edificação, como arquitetura, estrutura, instalações
elétricas e etc. Com a detecção das colisões entre itens, a equipe de projetistas hidraúlicos e
sanitários fará as correções pertinentes, para evitar esse tipo de problema ou, caso necessário,
fará a solicitação de alteração para os projetistas das demais disciplinas envolvidas.
A quinta sprint – dimensionamento do projeto – foi montada para que a Scrum Team
realize os cálculos necessários, de acordo com as normas vigentes, de modo assegurar que as
instalações hidrossanitárias proporcionem para usuário uma utilização segura e satisfatória.
Nessa etapa, a tecnologia BIM servirá como base para esse dimensionamento, uma vez que os
elementos integrantes do projeto, exibem suas informações técnicas e características
pertinentes, agilizando, assim a execução dessa sprint.
A sexta sprint – detalhamento do projeto – é referente a fase final do projeto, onde é
produzida a prancha que contém os elementos necessários para o entendimento e execução do
projeto, bem como, a produção dos documentos técnicos pertinentes, tais como, os memoriais
e os manuais de uso.
33
4 RESULTADOS
Seguindo os itens indicados na metodologia e nos objetivos estabelecidos, foi
elaborado um fluxograma que descreve, passo a passo, o processo de desenvolvimento de
projetos hidrossanitários completos (água fria, quente, esgoto e pluvial) em ambiente BIM,
adotando o Scrum como framework ágil. O fluxograma está estruturado em seis etapas: a inicial,
que define as diretrizes do projeto; quatro etapas intermediárias, que detalham o
desenvolvimento do projeto propriamente dito; e a etapa final, que estabelece os procedimentos
para o detalhmaneto do projeto. Onde cada sprint contém itens a serem realizados, onde tais, a
depender do programa de necessidade ou porte do projeto, podem ser excluídos do fluxo de
projeto.
Figura 5 – Fluxograma geral das sprints
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
4.1 Concepção do projeto – Sprint 00
Nessa sprint é estabelecida as diretrizes gerais e a estrutura organizacional para o
desenvolvimento do projeto hidrossanitário, sendo uma fase crítica para definir o rumo das
34
etapas seguintes e, portanto, uma das mais importantes para a execução do projeto. Nesta fase
inicial, o Product Owner — representando os interesses do cliente — assume o papel de
intermediário entre o cliente e a equipe de projetos. Ele é responsável pelo gerenciamento macro
do projeto, cuidando das diretrizes, metodologia e ajustes necessários para assegurar que a
equipe esteja bem alinhada aos objetivos do cliente. É também o Product Owner que escolhe o
Scrum Master, figura central que supervisionará o andamento diário do projeto, realizando uma
gestão direta e prática das atividades, além de assumir a responsabilidade pelas revisões técnicas
e pela compatibilização dos sistemas projetados, tarefa a ser concluída na sprint 03. Juntos, o
Product Owner e o Scrum Master selecionam a equipe de projetistas, que será dimensionada
conforme o porte da edificação e dividida entre as disciplinas de água fria, água quente, esgoto
e pluvial.
Com a equipe definida, inicia-se o planejamento geral do projeto, momento em que o
empreendimento é apresentado aos envolvidos, alinhando expectativas, prazos e diretrizes
gerais para a execução das atividades. Também é nesta fase que se estabelece o cronograma
preliminar das sprints, previstas para ciclos de uma semana (segunda a sexta-feira), embora esse
prazo possa ser estendido para projetos de maior complexidade. Independentemente da duração,
o primeiro dia de cada sprint é marcado por uma reunião de alinhamento conduzida pelo Scrum
Master, onde são discutidos os objetivos, métodos e padrões de entrega promovendo, assim, a
integração da equipe e facilitando o planejamento detalhado das sprints seguintes, assegurando
que as tarefas sejam distribuídas de forma lógica e eficiente. A sprint termina com uma reunião
de revisão no último dia, na qual o Scrum Master e o Product Owner avaliam o progresso e o
fluxo do projeto, buscando identificar ajustes que possam facilitar as próximas etapas. Além
disso, ocorrem as dailys, breves reuniões diárias com no máximo 15 minutos para que a equipe
atualize o andamento das atividades e reporte eventuais problemas permitindo, que a equipe
avalie o progresso inicial e identifiquem possíveis ajustes necessários para aprimorar o fluxo
de trabalho, incluindo a análise de prazos, recursos e metodologias, criando um ambiente de
feedback constante que aumenta a agilidade na adaptação às demandas do projeto. Essas
reuniões asseguram uma comunicação contínua e eficaz, essencial para a manutenção do
cronograma e a qualidade do desenvolvimento do projeto.
35
Figura 6 – Fluxo da sprint 00
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
4.2 Informações do projeto – Sprint 01
Essa sprint também faz parte das fases iniciais e tem como foco reunir informações
detalhadas e relevantes para a elaboração do projeto hidrossanitário, sendo conduzida pelo
Product Owner (representante do cliente) e pelo Scrum Master (diretor do projeto). O primeiro
passo nessa sprint envolve a coleta de dados básicos sobre o empreendimento, incluindo sua
localização, dados do cliente e os objetivos específicos do projeto. A partir dessa base, inicia-
se um levantamento de dados mais detalhado, que engloba normas técnicas das concessionárias
locais, o código de obras do município, e a obtenção mínima dos projetos de arquitetura e
estrutura, além dos laudos geotécnicos (sondagem e infiltração) que identificam as
características do solo.
Após consolidar esses dados, a equipe trabalha, em conjunto com o cliente, na
elaboração do programa de necessidades, que detalha os requerimentos específicos para o
projeto. De posse das normas técnicas, informações do empreendimento e do programa de
necessidades, é realizado um estudo de viabilidade para verificar se os requisitos do cliente
podem ser atendidos conforme as normas e restrições locais. Se as necessidades do cliente
estiverem alinhadas às normas e às especificações técnicas, o projeto avança para a sprint
seguinte; caso contrário, são sugeridas adequações no programa de necessidades, as quais serão
discutidas e aprovadas pelo cliente para tornar viável a concepção do projeto.
36
Figura 7 – Fluxo da sprint 01
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
4.3 Modelagem do projeto – Sprint 02
É nessa onde ocorre a execução propriamente dita do projeto hidrossanitário, sendo
esta etapa de responsabilidade exclusiva do time de projetistas. A sprint é organizada por
disciplinas, dividindo-se em hidráulica (abrangendo os projetos de água fria e água quente) e
sanitária (incluindo esgoto e drenagem pluvial). Na parte hidráulica, a modelagem inicia-se com
a definição dos pontos de utilização, como torneiras, chuveiros e bacias sanitárias, cuja posição
e especificações já estão previamente indicadas no projeto arquitetônico ou no programa de
necessidades. Após essa definição, passa-se à modelagem do alimentador predial, que pode ser
de fornecimento público ou proveniente de um sistema próprio de poço.
Seguindo o fluxo, o próximo passo é a modelagem dos reservatórios, alocando as
caixas d’água e cisternas, conforme suas localizações indicadas no projeto estrutural. Em
seguida, o sistema de recalque é modelado, abrangendo as bombas que transportam a água do
alimentador predial para o reservatório superior. No que tange ao sistema de água quente, é
incluída a modelagem do sistema de aquecimento conforme o tipo escolhido pelo cliente,
seguida pelo traçado da tubulação hidráulica de água fria e quente.
37
Para a parte sanitária, especificamente no projeto de esgoto, inicia-se a modelagem das
caixas de condução, como caixas de inspeção, passagem e gordura, seguido pela definição do
sistema de tratamento de esgoto descentralizado, caso haja, finalizando com o traçado da
tubulação de esgoto. No projeto de drenagem pluvial, a modelagem começa com a definição
dos sistemas de coleta, como calhas e bocais, e segue com a locação das caixas de areia, se
necessárias. É então modelado o sistema de aproveitamento de águas pluviais por cisternas,
elemento que se interliga com o projeto de água fria na modelagem dos reservatórios e do
sistema de recalque. Finalmente, conclui-se com o traçado da tubulação do sistema de drenagem
pluvial, fechando a etapa de modelagem para todas as disciplinas do projeto.
Figura 8 – Fluxo da sprint 02
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
4.4 Compatibilização – Sprint 03
Nessa sprint o foco é assegurar a integração harmônica entre as diversas disciplinas do
projeto, sendo esta etapa coordenada pelo Scrum Master. Após a modelagem e definição de
todos os dispositivos e sistemas das disciplinas de projeto, o Scrum Master utiliza o sistema
BIM, que permite a detecção automática de colisões, para realizar o estudo de compatibilização.
O objetivo é identificar e eliminar possíveis interferências entre as disciplinas internas, como
38
água fria e esgoto, bem como com disciplinas externas que não foram desenvolvidas pela
equipe, tais como drenagem pluvial e estrutura. Essa compatibilização busca antecipar e mitigar
problemas durante a fase de execução da obra, tornando o projeto mais viável e minimizando
retrabalhos para os construtores.
Após o estudo de compatibilização, o Scrum Master apresenta os resultados ao time,
e cabe aos projetistas realizar os ajustes necessários em suas respectivas disciplinas. Nos casos
em que as correções internas não resolvem os conflitos, o Product Owner deve, em nome do
cliente, comunicar as alterações necessárias aos demais projetistas externos. A sprint só é
considerada concluída quando todas as interferências foram resolvidas, ou, caso remanesça
alguma, após um acordo com os demais projetistas que documente as decisões de
compatibilização.
Figura 9 – Fluxo da sprint 03
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
4.5 Dimensionamento do projeto – Sprint 04
Nessa sprint são aplicadas as normas técnicas da ABNT, conforme mencionadas ao
longo deste trabalho. O dimensionamento de cada disciplina deve seguir rigorosamente as
39
diretrizes normativas e as exigências das concessionárias locais. Assim como na sprint 02, a
abordagem é dividida entre as disciplinas hidráulica e sanitária, abrangendo os projetos de água
fria e quente, esgoto e drenagem pluvial. Para o projeto de água fria, o processo de
dimensionamento inicia-se pelo sistema do alimentador predial, seguido pela definição do
sistema de reservação, tomando como base as informações coletadas na sprint 01. Em seguida,
dimensiona-se o sistema de recalque, incluindo a escolha das bombas e a especificação das
tubulações de recalque e sucção. A etapa final consiste no dimensionamento das tubulações,
garantindo o cumprimento dos critérios mínimos de vazão, pressão e outros parâmetros
estabelecidos por normas e dispositivos de utilização. No que tange à água quente, dimensiona-
se o sistema de aquecimento conforme o tipo escolhido pelo cliente, seguido do
dimensionamento do sistema de circulação, para garantir a manutenção da temperatura, e, por
último, das tubulações de acordo com as diretrizes normativas e especificações dos fabricantes.
Na parte sanitária, o dimensionamento do sistema de esgoto começa pela tubulação, seguido
pelas caixas de condução, como caixas de inspeção e gordura, e, finalmente, pelo sistema de
tratamento de esgoto. Para o sistema de drenagem pluvial, inicia-se com o dimensionamento
das calhas, tomando como base as áreas de contribuição, seguido do cálculo das tubulações
pluviais, e finalizando com o sistema de cisternas, caso haja previsão para o reaproveitamento
da água de chuva.
Figura 10 – Fluxo da sprint 04
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
40
4.6 Detalhamento do projeto – Sprint 05
Essa sprint constitui a etapa final após a modelagem e o dimensionamento corretos do
projeto. Nessa fase, é realizada a criação das pranchas de projeto e dos documentos técnicos
essenciais para sua compreensão e execução. Cada disciplina de projeto — água fria, água
quente, esgoto e pluvial — deve ter sua prancha separada, contendo as vistas necessárias, como
planta baixa geral, plantas específicas dos ambientes, esquemas verticais, vistas isométricas e
outros detalhamentos relevantes. A utilização da tecnologia BIM possibilita que essas vistas
sejam geradas de forma quase automática, dependendo do software adotado, e sejam atualizadas
em tempo real para refletir quaisquer modificações no projeto, garantindo precisão e
consistência visual. Além disso, as pranchas devem incluir tabelas de quantitativos geradas
automaticamente pelo sistema BIM, legendas e notas gerais que promovam uma leitura clara
do projeto. Concluindo esta sprint, são elaborados documentos técnicos para cada disciplina,
incluindo o memorial descritivo, o memorial de cálculo, o manual do usuário e o manual de
operação e manutenção. Esses documentos complementam o entendimento técnico do projeto
e garantem que todas as especificações necessárias estejam acessíveis para as fases de execução
e manutenção da edificação.
Figura 11 – Fluxo da sprint 05
Fonte: elaborado pelo autor, 2024.
41
5 DISCUSSÃO
A divisão do projeto em sprints possibilitou a organização das fases do projeto
hidrossanitário em etapas menores e mais gerenciáveis, cada uma com objetivos claros, prazos
específicos e responsabilidades definidas, proporcionando um fluxo de trabalho sequenciado,
permitindo uma visão completa das atividades em cada ciclo e, assim, facilitando a gestão e o
acompanhamento das tarefas. Em que, metodologia Scrum ofereceu uma plataforma robusta
para a organização das atividades, enquanto o sistema BIM se destacou como uma ferramenta
essencial para o desenvolvimento do projeto
Onde, a sprint de concepção do projeto foi fundamental para estabelecer os alicerces
do projeto, sendo responsável por definir a equipe de trabalho e suas respectivas
responsabilidades. Essa etapa inicial é crucial, pois a escolha de uma equipe bem estruturada,
com funções e papéis claramente delineados, terá impacto direto na eficiência e no sucesso do
projeto como um todo. Além disso, é nessa sprint que ocorre o planejamento das etapas
subsequentes, estabelecendo cronogramas e prioridades que irão guiar todas as fases
posteriores.
Ao passo que, a sprint de coleta de informações inicias demonstrou ser essencial para
garantir que o projeto esteja alinhado tanto às expectativas do cliente quanto às diretrizes
técnicas. Essa etapa reúne dados indispensáveis, como normas técnicas, características do
empreendimento e objetivos do cliente, que servirão como base para todo o desenvolvimento
do projeto. A definição clara das necessidades do cliente nesta fase evita retrabalho e promove
um direcionamento eficaz para as próximas sprints, garantindo que as soluções propostas
atendam aos requisitos demandados.
Como também, a sprint de modelagem do projeto em que, ocorre a execução prática
do projeto, apoiada diretamente no uso da tecnologia BIM. Essa ferramenta possibilita um
desenvolvimento ágil e eficaz, permitindo que o projeto seja modelado de forma precisa e
integrada. O sequenciamento das tarefas em etapas lógicas auxilia o projetista na organização
de seu trabalho, funcionando como um checklist que facilita a modelagem e minimiza falhas.
Dessa forma, a sprint contribui significativamente para a rapidez e qualidade no
desenvolvimento das instalações.
Por consequinte, a sprint de compatibilização é uma das mais relevantes para evitar
conflitos entre as diferentes disciplinas de projeto, como água fria, esgoto e pluvial. Com o
apoio das ferramentas BIM, é possível realizar a detecção de "crashes" de forma automática,
corrigindo incompatibilidades que poderiam resultar em problemas na obra, como consumo
42
excessivo de materiais e atrasos. Essa sprint assegura que o projeto esteja alinhado e exequível,
reduzindo custos e promovendo uma execução mais eficiente.
Na sprint de dimensionamento do projeto tem-se a garantia que todos os sistemas
projetados atendam às normas técnicas vigentes da ABNT, proporcionando segurança,
funcionalidade e eficiência no uso final das instalações. Essa etapa assegura que as tubulações,
reservatórios e demais componentes estejam corretamente dimensionados para atender às
demandas do usuário, evitando falhas de operação e garantindo o correto desempenho das
instalações hidrossanitárias.
E por fim, a sprint de detalhamento é a etapa final do projeto, na qual o produto
completo é preparado para entrega ao cliente. Nela, são elaboradas as pranchas de desenho
técnico, além de documentos como memoriais descritivos, manuais de operação e manutenção,
e tabelas de quantitativos. Essas informações não apenas fornecem o suporte necessário para a
execução da obra, como também orientam o uso e a manutenção adequados das instalações,
assegurando a longevidade e funcionalidade do sistema projetado.
O fluxograma estruturado apresenta uma flexibilidade notável, contemplando a
maioria dos componentes típicos das instalações hidrossanitárias residenciais no Brasil, mas
permitindo ajustes para se adequar às diferentes realidades dos projetos. Dependendo do porte
da edificação, determinados elementos podem ser removidos ou adaptados sem comprometer a
lógica e o fluxo geral do projeto. Além disso, prazos e a composição da equipe podem ser
ajustados conforme a complexidade e a escala do empreendimento, tornando o fluxograma uma
ferramenta versátil para diversos contextos e tipos de construção.
43
6 CONCLUSÃO
Com a conclusão deste trabalho, foi possível desenvolver um roteiro prático que
integra o uso do sistema BIM com a metodologia SCRUM para a elaboração de projetos
hidrossanitários. Em que, a utilização conjunta dessas ferramentas permite uma melhor
organização do processo de projeto, sempre em conformidade com as normas técnicas vigentes.
Esse método de projeto se apresenta como um guia para projetistas de instalações prediais,
oferecendo um passo a passo claro que otimiza tanto a qualidade quanto a agilidade na
elaboração dos projetos.
Além disso, o método proposto demonstra sua flexibilidade, podendo ser adaptado
para diferentes tipos de projetos, desde sobrados até edifícios de múltiplos pavimentos, o que
amplia sua aplicabilidade em diversas realidades do setor da construção civil. É recomendável
que pesquisas futuras aprofundem a integração entre BIM e metodologias ágeis, visando
aperfeiçoar o método proposto ou desenvolver novas abordagens fundamentadas em diferentes
metodologias de gestão de projetos. Com o avanço das tecnologias e a crescente aplicação de
inteligência artificial, há um campo extenso a ser explorado, o qual poderá introduzir inovações
substanciais na concepção e execução de projetos hidrossanitários, contribuindo para a
automação de processos, a precisão no planejamento e a eficiência na gestão de recursos.
Com a conclusão deste trabalho, foi possível desenvolver um roteiro prático que
integra o uso do sistema BIM com a metodologia Scrum para a elaboração de projetos
hidrossanitários. Essa integração propicia não apenas uma melhor organização do processo de
projeto, mas também reforça a conformidade com as normas técnicas vigentes, oferecendo aos
projetistas um guia estruturado que otimiza a qualidade e a agilidade na elaboração de projetos.
Além disso, o método proposto destaca-se por sua flexibilidade, adaptando-se a diferentes
escalas de projetos, desde residências unifamiliares até edifícios de múltiplos pavimentos, o que
amplia significativamente sua aplicabilidade no setor da construção civil.
Essa abordagem integrada também provoca uma transformação na dinâmica de
trabalho dos projetistas. A estruturação em sprints facilita a comunicação contínua entre os
profissionais, promovendo um ambiente colaborativo e reduzindo a ocorrência de erros e
retrabalhos. A divisão clara de responsabilidades e etapas melhora a eficiência do trabalho em
equipe, ao mesmo tempo que valoriza a transparência e a adaptabilidade no desenvolvimento
do projeto.
No contexto de avanços tecnológicos, é importante destacar que a inteligência artificial
pode potencializar ainda mais essa integração. Tal tecnologia integrada ao BIM pode
44
automatizar tarefas como dimensionamento e análise de viabilidade, enquanto algoritmos de
aprendizado podem prever e mitigar conflitos entre disciplinas antes mesmo de ocorrerem. No
Scrum, a inteligência artificial pode ser utilizada para monitorar o andamento das sprints,
identificar gargalos no processo e até mesmo propor melhorias no fluxo de trabalho com base
em dados históricos.
O método aqui apresentado, portanto, não apenas contribui para a melhoria técnica na
elaboração de projetos hidrossanitários, mas também lança as bases para inovações futuras que
podem transformar profundamente o setor. Ele reflete um passo importante na evolução das
práticas de projeto, promovendo um equilíbrio entre tradição normativa, inovação tecnológica
e colaboração profissional.
45
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48
ANEXO A – FLUXOGRAMA DE PROJETO (PARTE A)
49
ANEXO B – FLUXOGRAMA DE PROJETO (PARTE B)