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Análise Sismoestratigráfica da Bacia de Almada

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DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

ANÁLISE
SISMOESTRATIGRÁFICA DAS
SEQUÊNCIAS TRANSICIONAL E
DRIFTE DA BACIA DE ALMADA

JOSÉ WELINGTON DOS SANTOS JÚNIOR

SALVADOR – BAHIA
OUTUBRO – 2019
Documento preparado com o sistema LATEX.
Documento elaborado com os recursos gráficos e de informática do CPGG/UFBA
Análise Sismoestratigráfica das sequências Transicional e Drifte da
Bacia de Almada

por
José Welington dos Santos Júnior
Geólogo (Universidade Federal da Sergipe – 2014)

Orientador: Prof. Dr. Michael Holz

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
Submetida em satisfação parcial dos requisitos ao grau de
MESTRE EM CIÊNCIAS
EM
GEOFÍSICA
ao
Conselho Acadêmico de Ensino
da
Universidade Federal da Bahia

Comissão Examinadora

Dr. Michael Holz

Dr. Claudio Borba

Dr. Joelson da Conceiçao Batista

Aprovada em de outubro de 2019


A presente pesquisa foi desenvolvida no Grupo de Estratigrafia Teórica e Aplicada, com recursos
do CnPq.

C416 dos Santos Júnior, José Welington,


Análise Sismoestratigráfica das sequências Transicional e
Drifte da Bacia de Almada / José Welington dos Santos Júnior.
— Salvador, 2019.
94 f.: il.

Orientador: Prof. Dr. Michael Holz


Dissertação (Mestrado) - Pós-Graduação em Geofísica. Insti-
tuto de Geociências da Universidade Federal da Bahia, 2019.

1. Sismoestratigrafia. 2. Estratigrafia de Sequências 3. Bacia


de Almada 4. Atributos Sísmicos 5. Transicional 6. Drifte

550.3(134.3)(043)
"As oportunidades multiplicam-se à
medida que são agarradas"(Sun
Tzu)
Agradecimentos

Primeiramente a Deus, que permitiu que isso acontecesse da maneira mais incrível possível:
aprendendo; conhecendo pessoas; compartilhando vivências e conhecimentos.

À minha família: minha mãe, Marinalva; minha esposa e companheira, Flávia; meus irmãos,
Fábio e Viviane; meu tio Zé; minha cunhada Márcia. Pessoas que sempre estiveram do meu
lado e entenderam o meu propósito, os dias que não estive próximo, o cansaço com a luta.

Ao meu orientador, Michael Holz, por toda a compreensão que teve com a minha jornada.
Ensinamentos de academia e de vida que sempre levarei comigo e que espero poder contar
sempre que a vida permitir.

Aos amigos que o GETA me deu, e que faço aqui questão de mencionar: Adevilson, Ana
Clara, André, Caio, Cora, Daniel, Edric, Flávio, Leonardo, Lorena, Vinícius, Maísa, Maria,
Paulão, Priscilla e Wilker. Quem me conhece, sabe o quanto eu valorizo as amizades que
eu tenho, e eu valorizo cada momento que passamos juntos: reuniões, broncas, brincadei-
ras...enfim, foram dois anos de muito companheirismo ao lado de vocês. Isso não acabará
nunca! Estarão sempre na minha cabeça e no meu coração.

Aos professores Porsani, Alex e Michelângelo, pela colaboração e paciência que tiveram
comigo nessa jornada.

Aos integrantes do laboratório Progeologia: professor Antônio Garcia, Samuel, Márcio, Ka-
ren, Arthur, Misael, juntamente com a galera do Projeto Geoengenharia. Com vocês a minha
jornada na pesquisa foi iniciada. Serei sempre grato a vocês.

Agradeço ao Centro de Pesquisa em Geofísica e Geologia (CPGG/UFBA) e à Coordenação


de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo suporte acadêmico, apoio
financeiro e logístico que tornou possível a realização deste trabalho.

Agradeço à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pelo for-
necimento dos dados que viabilizaram esta pesquisa.

Deixei por último, neste agradecimento, as pessoas que sempre olham para mim, apesar de

4
não estarem mais aqui conosco: meus avós, Luiz e Alice, e meu pai Welington. Tenho a
certeza de que eles estão muito orgulhosos por mim.

A MINHA GRATIDÃO A VOCÊS SERÁ ETERNA. OBRIGADO!

5
Resumo

O presente trabalho visa a interpretação de dados de poço e de linhas sísmicas 2D pós-


empilhadas da área que abrange a Bacia de Almada, auxiliada pela interpretação de perfis
geofísicos de poço. A base de dados compreende um conjunto de 50 linhas sísmicas pós-
stack migradas, sendo 22 linhas dip e 28 linhas strike. A metodologia do trabalho conta
com as principais etapas para a realização de uma interpretação sismoestratigráfica padrão,
contemplando a confecção de sismograma sintético de dado de poço para correlação com
as linhas sísmicas, além da utilização de atributos sísmicos, úteis para a identificação de
terminações estratais, superfícies estratigráficas e feições estruturais, como discordâncias e
falhas, por exemplo.

A análise sismoestratigráfica permitiu compreender o processo de preenchimento da Ba-


cia de Almada, desde a região do embasamento raso até a região de águas profundas, onde
foram identificadas uma sequência de segunda ordem referente à fase transicional e seis
sequências de segunda ordem associadas à fase drifte. As interpretações mostraram que a
evolução do drifte passou por três fases distintas do ponto de vista deposicional: primeiro
uma fase transgressiva, compreendida entre o Turoniano e o Eomaastrichtiano, seguida de
uma fase de sedimentação concentrada na região de plataforma entre o Neomaastrichtiano
e o Mesoeoceno e finalmente uma fase regressiva, compreendida do Mesoeoceno ao recente.
Foram mapeadas algumas feições geológicas importantes da bacia, tais como complexos de
transporte de massa e um cânion na região da plataforma e talude, conhecido como Cânion
de Almada.

A Bacia de Almada encontra-se inserida na categoria das bacias brasileiras da margem


leste passiva, no sudeste do Estado da Bahia. Apesar da disponibilidade de dados sísmi-
cos e do seu potencial petrolífero, ainda é considerada uma bacia pouco explorada. A área
de estudo consiste de um polígono de aproximadamente 9500km2 . O mapeamento estrati-
gráfico considerou as discordâncias que limitam o topo da sequência rifte, através da DPR
(Discordância Pós-rifte); topo da sequência Transicional, através da DPT (Discordância Pós-
Transicional); e os topos de cada sequência Drifte.

6
Resumo 7

A interpretação sísmica estrutural considerou a Falha de Aritaguá que, junto com outras
falhas normais que se desenvolveram na região, compartimentou a bacia em três trechos
principais de falhas normais de alto ângulo e rejeito, formando-se assim um sistema de
falhas. O mapeamento estratigráfico considerou sequências de segunda e terceira ordem. Os
resultados da interpretação permitiram a confecção de mapas e seções geológicas, de maneira
a ilustrar os principais sistemas sedimentares atuantes em cada estágio de sedimentação da
bacia, de acordo com seus respectivos tratos tectônicos interpretados.

Palavras Chaves: Sismoestratigrafia. Estratigrafia de Sequências. Bacia de Almada.


Transicional. Drifte. Atributos sísmicos.
Abstract

The present work aims to interpret well data and post-stacked 2D seismic lines from the
Almada Basin area, aided by the interpretation of well geophysical profiles. The database
comprises a set of 50 migrated post-stack seismic lines, 22 dip lines and 28 strike lines. The
methodology of the work has the main steps for the accomplishment of a standard seismic
stratigraphic interpretation, contemplating the elaboration of synthetic seismogram of well
data for correlation with the seismic lines, besides the use of seismic attributes, useful for the
identification of stratum terminations, stratigraphic surfaces and structural features such as
disagreements and faults, for example.

The seismic stratigraphic analysis allowed us to understand the process of filling the
Almada Basin, from the shallow basement region to the deepwater region, where a third
order sequence related to the transitional phase and six third order sequences associated
with the Drifte phase were identified. Interpretations have shown that drifte evolution has
gone through three distinct depositional phases: first a transgressive phase, between the
Turonian and the Eomaastrichtian, followed by a concentrated sedimentation phase in the
plateau region between the Neomaastrichtian and the Mesoeocene and finally a regressive
phase, from Mesoocene to recent. Some important geological features of the basin were
mapped, such as mass transport complexes and a canyon in the platform and slope region,
known as Almada Canyon.

The Almada Basin is included in the category of passive east bank Brazilian basins in
southeastern Bahia. Despite the availability of seismic data and its oil potential, it is still
considered a poorly explored basin. The study area consists of a polygon of approximately
9500km2 . The stratigraphic mapping considered the disagreements that limit the top of
the rift section through the DPR (Post-Rift Disagreement); top of the Transitional section,
through DPT (Post Transitional Disagreement); and the tops of each Drifte subsection.

The structural seismic interpretation considered the Aritaguá Fault that, along with
other normal faults that developed in the region, compartmentalized the basin into three
main sections of normal high angle faults and tailings, thus forming a fault system. Stra-

8
Abstract 9

tigraphic mapping considered second and third order sequences. The interpretation results
allowed the elaboration of maps and geological sections, in order to illustrate the main sedi-
mentary systems acting in each sedimentation stage of the basin, according to their respective
interpreted tectonic tracts.

Keywords: Seismic stratigraphy. Sequence stratigraphy. Almada Basin. Transitional


Drifte Seismic attributes.
Índice

Agradecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6

Abstract . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8

Índice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

Índice de Tabelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

Índice de Figuras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15

1 Geologia da Bacia de Almada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18


1.1 Formação do Atlântico Sul . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.1.1 Megassequência Continental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
1.1.2 Megassequência Transicional Evaporítica . . . . . . . . . . . . . . . . 20
1.1.3 Megassequência Carbonática de Plataforma Rasa . . . . . . . . . . . 20
1.1.4 Megassequência Marinha Transgressiva . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
1.1.5 Megassequência Marinha Regressiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
1.2 Bacia de Almada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

2 Aspectos Teóricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
2.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
2.2 Unidades Sedimentares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.3 Variáveis que controlam a sedimentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.4 Tratos de Sistemas Geométricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
2.5 Noções de Sismoestratigrafia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

3 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
3.1 Banco de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

10
Índice 11

3.1.1 Controle de Qualidade de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37


3.1.2 Linhas Sísmicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
3.1.3 Carregamento dos Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3.2 Interpretação dos Perfis Geofísicos de poços . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
3.3 Correlação Sísmica-Poço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3.4 Atributos Sísmicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
3.5 Interpretação Sísmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.6 Interpretação Estrutural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.7 Interpretação Estratigráfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
3.7.1 Indicação das superfícies estratigráficas . . . . . . . . . . . . . . . . . 48

4 Análise Sismoestratigráfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
4.1 Falha de Aritaguá . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
4.2 Canion de Almada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
4.3 Discordância Pós-Rifte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
4.4 Discordância Pós-Transicional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
4.5 Sequência Transicional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
4.6 Sequência DRIFTE-1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
4.7 Sequência DRIFTE-2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.8 Sequência DRIFTE-3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
4.9 Sequência DRIFTE-4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
4.10 Sequência DRIFTE-5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
4.11 Sequência DRIFTE-6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

5 Análise de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
5.1 Seções Sísmicas Interpretadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
5.2 Seções Sísmicas Compostas Interpretadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
5.3 Mapas de Topos Estruturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
5.4 Mapas de Isópacas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61

6 Conclusões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73

Referências Bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
Índice de Tabelas

12
Índice de Figuras

1.1 Reconstruções paleogeográficas para as sequências sin-rifte (I, II e III) e as


megassequências evaporítica transicional e plataforma carbonática rasa (Mo-
dificado de Chang (1990)) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
22figure.1.2
1.3 Principais feições estruturais associadas à Bacia de Almada. Área de estudo
destacada pelo polígono vermelho. Fonte: Ferreira et. al.(2009) . . . . . . . . 23
1.4 Principais feições estruturais associadas à Bacia de Almada. Área de estudo
destacada pelo polígono vermelho. Fonte: Ferreira et. al.(2009) . . . . . . . . 24
1.5 Carta estratigráfica da Bacia de Almada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

2.1 Quadro comparativo da hierarquização das unidades sedimentares (modificado


de Holz,2012). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
29figure.2.2
2.3 Padrão de empilhamento estratal de acordo com a relação entre o nível de
base (NB) e aporte sedimentar (modificado de Catuneanu, 2006). . . . . . . 30
2.4 Conceitos de transgressão, regressão normal (RN) e regressão forçada (RF),
definidos como a interação entre mudanças no nível de base e a taxa de sedi-
mentação (modificado de Catuneanu, 2006). . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
2.5 Principais terminações de refletores. Fonte: Vail e Mitchum (1977). . . . . . 33
2.6 Configurações internas de sismofácies. Modificado de Vail et. al.(1977). . . . 33
2.7 Parâmetros de reflexão de sismofácies e seus respectivos significados geológi-
cos. Fonte: Mitchum et al. (1977) apud Veeken (2007) . . . . . . . . . . . . 35

3.1 Informações do header que serão utilizadas no carregamento. . . . . . . . . . 39


3.2 Informações de dados de poços sendo carregadas . . . . . . . . . . . . . . . . 40
3.3 Área de estudo, mostrando as linhas sísmicas, poço e dados culturais utilizados. 41
3.4 Tabela de fácies sedimentares de acordo com a média de GAPI no perfil GR 42
43figure.3.5
3.6 Informações do header que serão utilizadas no carregamento. . . . . . . . . . 45

13
Índice de Figuras 14

3.7 Atributos sísmicos calculados e plotados em seção no software IHS Kingdom


(amplitude, TecVA, fase e frequência instantâneas). Fonte: Vilas-Boas (2016). 47

4.1 Localização do sistema de falhas da parte emersa (oeste) e imersa (leste) da


bacia, mostrando o arcabouço estrutural simplificado comas suas falhas limí-
trofes com direção N50E (modificado de Netto & Sanches 1991). Localização
do sistema de falhas da parte emersa (oeste) e imersa (leste) da bacia, mos-
trando o arcabouço estrutural simplificado comas suas falhas limítrofes com
direção N50E (modificado de Netto & Sanches 1991). . . . . . . . . . . . . . 50
4.2 Interpretação que mostra a localização do Cânion de Almada. . . . . . . . . 52

5.1 Seção sísmica dip da região norte da Bacia de Almada: (A) não interpretada;
(B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o atributo amplitude . . . . 63
5.2 Seção sísmica dip da região centro-norte da Bacia de Almada: (A) não inter-
pretada; (B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o atributo amplitude 64
5.3 Seção sísmica dip da região centro-sul da Bacia de Almada: (A) não interpre-
tada; (B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o atributo amplitude 65
5.4 Seção sísmica dip da região central da Bacia de Almada: (A) não interpretada;
(B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o atributo amplitude . . . . 66
5.5 Seção sísmica cortando toda a porção da região leste da Bacia de Almada: (A)
não interpretada; (B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o atributo
amplitude . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
5.6 Seção sísmica localizada na porção central da Bacia de Almada: (A) não
interpretada; (B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o atributo
amplitude . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
5.7 Seção sísmica composta que passa pelas porções proximal, de talude e distal
da Bacia de Almada: (A) não-interpretada, (B) [Link] ambos os
casos, utilizando o atributo amplitude . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
5.8 Seção sísmica composta que passa pelas porções proximal e de talude do centro
norte da Bacia de Almada: (A) não-interpretada, (B) [Link] ambos
os casos, utilizando o atributo amplitude . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
5.9 Mapas de topo estrutural para as superfícies interpretadas no referido trabalho 71
5.10 Mapas de isópacas para as superfícies interpretadas no referido trabalho . . . 72
Introdução

A indústria do petróleo impulsionou, nos últimos 80 anos, diversas áreas científicas que
sofreram grandes avanços tecnológicos, entre elas a geofísica, que estuda o substrato geo-
lógico através dos denominados métodos indiretos. Entre os métodos geofísicos, a sísmica
de reflexão é aquela que apresenta o maior sucesso na exploração de acumulações de hidro-
carbonetos, por conta da profundidade que pode ser alcançada durante uma investigação e,
também, pela quantidade de informações fornecidas pelas seções sísmicas, responsáveis pelo
imageamento das feições em subsuperfície, a partir do registro do tempo duplo de trânsito
de ondas acústicas.

Assim, a principal ferramenta utilizada para este estudo é a estratigrafia de sequências.


Esta ferramenta revolucionou os conceitos teóricos para o entendimento do preenchimento
sedimentar de uma bacia, tornando-se um passo essencial e indispensável. A estratigrafia
de sequências, ao qual estuda a gênese e a sucessão espacial e temporal de unidades chama-
das de sequências deposicionais (Holz, 2012), atua como uma ferramenta na interpretação
estratigráfica dos dados sísmicos, ou também chamada de sismoestratigrafia. As sequên-
cias analisadas refletem a interação entre as taxas de eustasia, subsidência e suprimento de
material. Atualmente, pesquisadores estão retratando estas adaptações da estratigrafia de
sequências para as bacias que diferem do contexto de margem passiva. Para riftes continen-
tais, o trabalho tido como referência é o de Prosser (1993). Outros autores também retratam
estas adaptações, como Catuneanu, Martins-Neto e Eriksson (2012) e Küchle (2011)

A interpretação sísmica, utilizando-se dos conceitos da estratigrafia de sequências, requer


grande conhecimento do intérprete sobre os depósitos sedimentares da bacia investigada, bem
como da associação com outras informações geofísicas, como dados de perfis geofísicos de
poços, e geológicas, como estudo de afloramentos, testemunhos e amostras de calha. Seu
principal objetivo é a confecção de um modelo geológico de bacia. Para a confecção do
mesmo, faz-se necessária a utilização de etapas básicas, entretanto cruciais, como o carrega-
mento de dados, até as etapas mais complexas, como a identificação do sistema deposicional
de um determinado intervalo de interesse. A principal ferramenta para esta análise é a es-
tratigrafia de sequências. Esta ferramenta revolucionou os conceitos teóricos vigentes para

15
Introdução 16

o entendimento do preenchimento sedimentar de uma bacia, tornando-se um passo essencial


e indispensável.

A análise de atributos sísmicos pode auxiliar o intérprete na identificação de termina-


ções estratais e continuidade de refletores, além do reconhecimento de feições estruturais e
estratigráficas (Payton, 1977). Os atributos basicamente são informações contidas no sinal
sísmico, obtidas através de medições diretas, lógicas ou baseadas na experiência de conheci-
mentos anteriores (Taner, Koehler e Sheriff, 1979). A utilização de atributos sísmicos (como
o TecVA, amplitude, fase e frequência instantânea) permitem o realce de feições nas se-
ções como falhas, refletores de diferentes sismofácies e variações de amplitude que não são
facilmente visualizáveis na seção sísmica em amplitude.

De acordo com Küchle (2011), com a quebra do monopólio e subsequente atuação da


Agência Nacional do Petróleo como concessionária de blocos de exploração e produção de
hidrocarbonetos em território brasileiro, as Bacias de Almada, bem como as de Camamu e
Jequitinhonha, renovaram-se como bacias de fronteira exploratória.

A margem continental brasileira é constituída por várias bacias, dentre as quais se en-
contra a Bacia de Almada, localizada na área de estudo do trabalho. Situada no extremo
sul do Estado da Bahia, entre os paralelos 140 e 140 37’ Sul e os meridianos 380 e 390 Leste,
estendendo-se mar adentro até a crosta oceânica e ocupando uma área de aproximadamente
7500km2 , até a cota batimétrica de 3000m, de acordo com Gontijo (2007). O limite norte
da bacia ainda encontra certo grau de especulação, mas neste trabalho foi colocado como
sendo o Alto de Taipus, e ao sul pelo Alto de Olivença, fazendo fronteira com a Bacia de
Jequitinhonha. Ferreira (2009) mapeou e constatou a presença de rochas evaporíticas no
registro sedimentar da sequência de transição dessa bacia. Mesmo com uma boa disponi-
bilidade de dados sísmicos e com o aumento das operações exploratórias nos últimos anos,
estudos mais aprofundados ainda são necessários, principalmente quando comparada com
outras bacias sedimentares da margem leste brasileira, como as bacias de Santos e Campos.
A bacia está integrada ao sistema rifte que se implantou no Cretáceo Inferior, quando teve
início o processo de separação das placas Sul-Americana e Africana.

Diversos estudos foram realizados na região, a partir da década de 60, mesmo com
pequena disponibilidade de tecnologias para análise sismoestratigráfica. Com as ferramentas
disponíveis hoje em dia (sísmica 2D e 3D, estratigrafia de sequências, modelagem geológica,
etc.), novas descobertas podem ser feitas nos próximos anos.

No presente trabalho, serão estudadas as sequências transicional e drifte da Bacia de


Almada, a partir de dados de poço e de sísmica 2D, onde ocorrerá a junção das interpretações
dos dados com a ferramenta da estratigrafia de sequências como linha de raciocínio para o
Introdução 17

entendimento da história de deposição das rochas que compõem o registro geológico local.
1
Geologia da Bacia de Almada

1.1 Formação do Atlântico Sul

As bacias das margens Leste, Sudeste e Equatorial incluem várias bacias, dentre as quais
podem ser citadas as de Pelotas e Campos, passando pelas Bacia de Almada, Camamu,
Sergipe-Alagoas e Pernambuco-Paraíba, de acordo com Chang (1974), ocupando a planície
costeira, plataforma continental e talude da porção oeste do Oceano Atlântico Sul. Foram
originadas a partir da separação entre os continentes Sul-americano e Africano, como parte
do processo de fragmentação do Supercontinente Gondwana, iniciado no Triássico, com a
implantação de riftes no Atlântico Central. O evento de implantação desse sistema de riftes,
também conhecido como a Reativação Wealdeniana (Almeida 1967 apud Zalán 2004), foi em
parte controlado pelas estruturas impressas no embasamento durante a Orogenia Brasiliana
ou Pan-Africana (Almeida et al. 1977; Almeida et al. 2000). Na região do Atlântico Sul, o
processo de abertura foi iniciado no Neojurássico, com a instalação dos primeiros riftes na
costa da Argentina (intervalo de 170 a 120 Ma da Figura 2.1; Urien e Zambrano 1996 apud
Almeida e Carneiro 2004). Nessa região, a crosta oceânica foi implantada no Eocretáceo,
deslocando o sistema de riftes para norte do Lineamento vulcânico de Florianópolis (Asmus
1984) até a Sub-bacia de Alagoas.

A estratigrafia geral, do Jurássico até o Cretáceo, das bacias da margem do Leste Brasi-
leiro, pode ser representada por cinco megassequências: continental, evaporítica transicional,
plataforma carbonática rasa, transgressiva marinha e regressiva marinha (Ponte, 1978). A
figura 1.1 abaixo mostra um resumo de todas as megassequências que serão analisadas.

18
Geologia da Bacia de Almada 19

Figura 1.1: Reconstruções paleogeográficas para as sequências sin-rifte (I, II e III)


e as megassequências evaporítica transicional e plataforma carbonática
rasa (Modificado de Chang (1990))

1.1.1 Megassequência Continental

Formada por três sequências que, em conjunto, formam a chamada sequência rifte ou sequên-
cia sin-rifte, sendo a primeira sequência, denominada sin-rifte I, foi pouco afetada por falha-
mentos, enquanto as outras duas sequências, sin-rifte II e III, foram intensamente falhadas.

• Sin-rifte I - Durante o Jurássico (Andar Dom João ou Volgiano), duas áreas separaram-
se como consequência do processo inicial de ruptura do continente Gondwana. Ao norte
da Bacia do Espírito Santo, uma enorme depressão foi formada, conhecida como a De-
pressão Afro-Brasileira (Ponte, 1971), que logo foi preenchida por um complexo de
Geologia da Bacia de Almada 20

leques fluviais de clima árido e depósitos grosseiros fluviais com quantidade restrita de
evaporitos, representando ambientes locais de playas, juntamente com depósitos eóli-
cos. Ao sul da Bacia do Espírito Santo ocorreu uma sequência vulcânica, como ocorre
na Bacia do Baixo do Rio Congo no Zaire.;

• Sin-rifte II - Ocorreu durante o Cretáceo Inferior, gerando uma série de meio-grábens,


rapidamente subsidentes, ao longo de toda a margem. Ao norte, formou-se uma série
de lagos profundos e estratificados com clásticos flúvio-deltaicos, além de calcarenitos
relacionados a inundações episódicas. Ao sul, o vulcanismo foi bastante acentuado
(Ponte e Asmus, 1978). Com o tempo, os lagos se tornaram progressivamente mais
rasos e os eventos vulcânicos menos marcantes. Os lagos ao norte foram preenchidos
por pacotes de clásticos flúvio-deltaicos e ao sul a sedimentação passou a se caracterizar
por rochas lacustres de textura fina associadas com clásticos vulcânicos;

• Sin-Rifte III - Esta sequência, depositada durante o Barremiano, é caracterizada pela


presença de coquinhas de grande extensão e continuidade lateral, intercaladas com
siliciclásticos grosseiros a finos, formando, de acordo com Bertani (1984), depósitos de
ambientes do tiplo playa e lagos de clima úmido.

1.1.2 Megassequência Transicional Evaporítica

Depositada durante o Aptiano, é composta por sedimentos considerados de transição entre


ambientes continentais e marinhos. Foi depositada durante uma ampla discordância pós-
rifte (que, no presente trabalho, será chamada de DPR), responsável pela peneplanização
geral da topografia modelada pela sequência rifte. Essa superfície foi coberta por clásticos
grosseiros derivados das terras altas adjacentes, e gradualmente inundada por água salgada
proveniente do oceano. Uma pequena passagem do mar evaporítico formou-se ao longo de
toda a margem do Leste Brasileiro ao norte da Bacia de Pelotas e culminou na deposição de
uma suíte completa de evaporitos.

1.1.3 Megassequência Carbonática de Plataforma Rasa

Ocorreu durante o Albiano, quando a estreita passagem marinha para os evaporitos do Ap-
tiano permitu a formação de uma extensa plataforma carbonática de alta energia, composta
por calcários de água rasa. Ao longo da antiga linha de costa Albiana, sistemas clásticos do
tipo fan-delta foram desenvolvidos e se intercalaram com rochas carbonáticas.
Geologia da Bacia de Almada 21

1.1.4 Megassequência Marinha Transgressiva

No fim do Albiano, a sequencia de carbonatos de alta energia deu lugar a uma sequência de
baixa energia, composta por calcilutitos, margas e folhelhos, depositados a partir de ambiente
mais profundo.

1.1.5 Megassequência Marinha Regressiva

Composta por um grupo de sistemas deposicionais, como fandeltas, plataforma carbonática,


talude e bacia, gerando um padrão progradacional, onde dominam os sistemas siliciclásticos
a sul e plataformas carbonáticas a norte. Algo interessante a notar é que o sistemas de águas
profundas vão sofrendo sensíveis diferenças seguindo do sul ao norte: na Bacia de Campos,
por exemplo, existem extensos corpos turbidíticos de areia, ficando mais pobres em areias,
passando pela Bacia de Almada, chegando na Bacia de Sergipe-Alagoas.

1.2 Bacia de Almada

A bacia de Almada pertence ao conjunto de bacias da margem continental brasileira. Sua


evolução possui um padrão sistemático bem definido, compreendendo primeiramente uma
sequencia continental, passando por uma fase transicional comumente evaporítica e, final-
mente, evoluindo para uma sequência marinha (transgressiva e depois regressiva). Está
localizada na costa leste brasileira, limitada pelos paralelos 14o 15’ e 15o S , tratando-se de
um polígono que ocupa uma área de aproximadamente 7500km2 . De acordo com Gontijo
(2007), limita-se a norte com a Bacia de Camamu (sendo que este limite ainda é objeto
de discussão) pelo Alto de Taipus, identificado em águas rasas; a sul, com a Bacia de Je-
quitinhonha, pelo alto do embasamento conhecido como Alto de Olivença; a oeste, com o
embasamento pré-cambriano, através de falhas normais, sendo a principal delas a Falha de
Aritaguá; e a leste a bacia se prolonga até atingir a cota batimétrica de 3000 metros. A
figura 1.1 mostra a localização da Bacia de Almada.

Alguns autores consideram que a Bacia de Almada é parte integrante da Bacia de


Camamu-Almada, como Ferreira (2009), que sugere que elas se encontrem seccionadas pela
chamada Zona de Acomodação Taipus-Mirim (ZATM). Outros autores, que também tratam
a Bacia de Camamu-Almada como única, consideram que a ZATM seja apenas uma feição
estrutural que não delimita partes de uma mesma bacia ou as bacias separadamente, como
mostrada na figura 1.3. Neste trabalho, a Bacia de Almada será considerada como única
para análise.
Geologia da Bacia de Almada 22

Figura 1.2: Localização da Bacia de Almada, onde a região dentro do retângulo


vermelho constitui-se na área de estudo. Fonte: (Brandão., 2017)

A configuração estrutural da Bacia de Almada é típica de uma bacia de margem passiva,


que evoluiu após um estágio inicial de estiramento, até a fragmentação do Supercontinente
Gondwana, durante o Eocretáceo. Está relacionada a duas fases de subsidência distintas:
rifte e termal. A primeira ocorre durante a fase de fraturamento do Gondwana (tafrogenese),
relacionado à extensao litosférica (Chang e Kowsmann 1987), responsável pela configura-
çao do arcabouço estrutural da bacia. A arquitetura básica do estágio rifte é de grábens,
horsts e principalmente meio-grábens (Ojeda, 1983), com falhas normais de direção NE-SW,
estendendo-se até a crosta oceânica. Subsequentemente ocorre a fase de subsidência termal,
devido ao resfriamento da anomalia térmica produzida durante a extensao crustal (Chang e
Kowsmann, 1987).

Falhas normais sintéticas e antitéticas de direção N-S aproximadamente dividem a Bacia


de Almada em três compartimentos estruturais (Netto e Sanches 1991): oeste, central e leste.
O compartimento oeste estende-se por praticamente metade da área emersa da bacia, sendo
limitado a leste pela falha do Apipique. Entre as falhas do Apipique e de Aritaguá, está o
Geologia da Bacia de Almada 23

Figura 1.3: Principais feições estruturais associadas à Bacia de Almada. Área de


estudo destacada pelo polígono vermelho. Fonte: Ferreira et. al.(2009)

compartimento central. A leste da falha de Aritaguá, situa-se o compartimento leste, como


mostra a figura 1.4.

A Falha de Aritaguá, de acordo com Netto (1991), possui um traço encurvado e côncavo
para o leste, com movimentação normal, separando o embasamento de um grande baixo es-
trutural a ela associado, fazendo com que as falhas mais próximas à borda oeste mergulhem
em direção ao depocentro, ou seja, com planos que mergulham para o leste, além de pos-
síveis componentes de transcorrência sinistral em relação ao bloco baixo localizado a leste,
estendendo-se para além da parte emersa. Cuinas Filho (1991) identificou que o sistema de
falhas na parte sul da bacia apresenta direções preferenciais para NE, refletindo a direção
da Zona de Cisalhamento Itabuna-Itaju do Colônia (figura 1.3), formada no pré-cambriano
e reativado no mesozoico, que controlou a formação da bacia na porção terrestre separando
o embasamento de um grande baixo estrutural a ela associado, podendo estar relacionada a
um contexto estrutural de borda falhada.
Geologia da Bacia de Almada 24

Figura 1.4: Principais feições estruturais associadas à Bacia de Almada. Área de


estudo destacada pelo polígono vermelho. Fonte: Ferreira et. al.(2009)

O intervalo de estudo abrange as sequências transicional e drifte da Bacia de Almada.


Essas formações depositadas distribuem-se entre o Coniaciano e o Holoceno, compondo um
sistema transgressivo e posteriormente regressivo (figura 1.5), de acordo com Netto (1991)

A seguir, será feita uma análise geral da Bacia de Almada, com uma descrição das
sequências sedimentares de cada estágio, além de suas respectivas unidades litoestratigráficas,
baseada na carta estratigráfica proposta por Gontijo (2007).

• Embasamento - As rochas mais antigas do embasamento são de idade neo-arqueana,


compostas por gnaisses, rochas máficas e ultramáficas pertencentes ao Orógeno Itabuna-
Salvador-Curaçá;

• Sequência Pré-Rifte Esse estágio de evolução tectono-sedimentar ocorre entre o Ne-


ojurássico e o Eocretáceo, composto por esforços extensionais, gerados a partir da
ascensão de plumas mantélicas, que foram responsáveis por uma flexura continental
do paleocontinente Gondwana, também denominada de Depressão Afro-Brasileira, de
acordo com Cainelli (2003). A partir disso, iniciou-se a deposição de uma significa-
tiva sequência sedimentar, compostos por arenitos fluviais e folhelhos lacustres das
Formações Sergi, de idade Jurássico Superior, e Itaípe, do Cretáceo Inferior, ambas
Geologia da Bacia de Almada 25

pertencentes ao Grupo Brotas;

• Sequência Rifte Drifte desenvolveu-se no Cretáceo Inferior (Andar Rio da Serra ao


Alagoas Inferior), entre o Barremiano e o Aptiano, e apresenta-se fragmentada, devido
à interação contínua entre as plumas mantélicas oriundas do manto superior e a crosta
continental do Gondwana, apresentando assim falhas normais de alto ângulo de mer-
gulho e grandes rejeitos, gerando um significativo espaço de acomodação, permitindo
a geração de lagos profundos. Assim, foi dominante a deposição de sedimentos finos,
como argilas e areias finas, além de areias médias a grossas oriundas de eventos de
fluxos gravitacionais, pertencentes à Formação Morro do Barro, além de conglomera-
dos e leques aluviais próximos à região de borda falhada, pertencentes à Formação Rio
de Contas, e depósitos flúvio-deltaicos na margem de lagos continentais, representados
pela Formação Taipus-Mirim;

• Sequência Transicional ou Pós-Rifte A megassequência transicional, de idade ap-


tiana (Andar Alagoas), marca a separação definitiva do Gondwana, de acordo com
Gamboa (2008), que resulta no fim do rifteamento, iniciando-se, assim, a fase de sub-
sidência térmica da bacia, em detrimento à subsidência mecânica. Nesta fase ocorrem
as primeiras incursões marinhas na bacia, iniciando assim o estabelecimento de de um
ambiente marinho proximal, de acordo com Gontijo (2007). É marcada por extensas
áreas ocupadas por domos de sal em regiões de águas profundas, sendo que estes domos
tem uma presença restrita em regiões mais proximais. É associada às sequências evapo-
ríticas do Membro Igrapiúna e sobrepostas aos carbonatos e siliciclásticos continentais
do Membro Serinhaém, que compõem a Formação Taipus-Mirim; e

• Sequência Pós-Rifte ou de Margem Passiva A megassequência pós-rifte marca


o início da sedimentação marinha na bacia, com uma sequência transgressiva e oura
regressiva. No Albiano formou-se uma plataforma carbonática rasa, com deposição dos
calcarenitos e calcilutitos da Formação Algodões, que gradam para margas e folhelhos
na direção da bacia. A partir do Cretáceo Superior, em ambiente marinho, depositou-
se a Formação Urucutuca, composta de folhelhos de talude e raros arenitos. A partir
do Eoceno, ocorrem fácies litorâneas e plataformais progradantes, que correspondem
às areias da Formação Rio Doce e calcários da Formação Caravelas. Na região emersa
da bacia, ocorrem registros esparsos da Formação Barreiras, de origem aluvial e idade
terciária a quaternária.
Geologia da Bacia de Almada 26

Figura 1.5:
Carta Estratigráfica da Bacia de Almada. Fonte: Gontijo (2007)
2
Aspectos Teóricos

2.1 Introdução

A estratigrafia é uma ciência geológica que estuda os tratos rochosos, bem como seus atribu-
tos físicos, de acordo com a sua gênese e disposição temporal. Tal definição contempla todos
os tipos de rochas (sedimentares, ígneas e metamórficas), onde o estratígrafo tem a respon-
sabilidade de descrever a sucessão de rochas, e assim interpretar sua origem. A interpretação
é baseada em diversos fatores, por exemplo, a litoestratigrafia utiliza como principal fator o
aspecto litológico das rochas, separando-as em conjuntos que diferem em granulometria e/ou
composição mineral. Entretanto, existem diversas outras maneiras de interpretar e classifi-
car os estratos rochosos, entre elas a: cronoestratigrafia, bioestratigrafia, pedoestratigrafia,
aloestratigrafia, dentre outros. Contudo, elas utilizam de características determinísticas das
rochas, sem abordar diretamente o contexto geológico do ambiente que as formou.

Com o advento da sedimentação episódica, (Hsü, 1983) e (Dott, 1983), o conceito da es-
tratigrafia de sequências, representando uma revolução no meio geocientífico, foi fortemente
embasado na estratigrafia formal porém muito mais aplicável aos modelos universais. O novo
modelo permite dividir o preenchimento de uma bacia sedimentar em pacotes (sequências
deposicionais) geneticamente relacionados e delimitados pelas discordâncias e concordâncias
relativas; portanto, diferente do modelo anterior, a estratigrafia de sequências visa a com-
preensão dos fatores que influenciam na sedimentação (clima, tectônica e eustasia), e assim
descrever a história de deposição dos estratos rochosos presentes numa região.

27
Aspectos Teóricos 28

2.2 Unidades Sedimentares

Mesmo o novo modelo de estratigrafia apresenta como base conceitual a análise de litofácies,
pois é a partir dela que se é inferido os sistemas deposicionais e seus agrupamentos genéticos.
Posteriormente a uma análise de fácies sedimentares (conhecida como a unidade sedimentar
básica fundamental) é que o estratígrafo passa a ter um caráter mais interpretativo a respeito
dos mecanismos de controle do preenchimento sedimentar de uma bacia, diferente do caráter
apenas descritivo das formações na "antiga estratigrafia".

A partir do conjunto de fácies sedimentares é que são obtidos as demais unidades sedi-
mentares, analisado para cada uma delas o padrão de empilhamento. Cada unidade sedi-
mentar tem sua abrangência espacial e temporal, onde quanto menor a ordem da unidade,
maior será essa abrangência, ou seja, uma sequência deposicional constitui uma espessura
de sedimentos, bem como um tempo de formação, muito maior do que uma parassequência
(exemplificando em magnitudes, uma sequência deposicional pode representar alguns mi-
lhares de metros de espessura que foram formados durante milhões de anos, enquanto que
parassequências não ultrapassam dezenas de metros formados num período de dezenas de
milhares de anos). Como resumo, a figura 2.1 esquematiza a hierarquização das unidades
sedimentares.

Figura 2.1: Quadro comparativo da hierarquização das unidades sedimentares (mo-


dificado de Holz,2012.

2.3 Variáveis que controlam a sedimentação

Hiatos deposicionais, eventos catastróficos e mudanças climáticas são alguns exemplos de


fatores que deixam "marcas"no registro sedimentar de uma bacia, pois interfere no conjunto
entre clima, tectônica e eustasia, responsável pelo controle da sedimentação. Tal controle
passa pelo conceito de nível de base, que influencia na relação entre aporte sedimentar e
espaço de acomodação.
Aspectos Teóricos 29

Simplificadamente, em fases de nível de base alto, existe muito espaço para ser preen-
chido pelo sedimento suprido; o contrário ocorre em nível de base baixo. Tais processos
resultam, respectivamente, nas transgressões e regressões. No caso de nível de base alto,
o sedimento não chega a se distribuir por toda a bacia, ficando confinado nos ambientes
continentais e junto à linha de costa. Se o nível de base continua subindo, aumenta-se o
espaço de acomodação, e assim a linha de costa se retrai gradativamente, configurando uma
transgressão.

No caso das bacias brasileiras de margem leste passiva, cada estágio de sua evolução
tectono-sedimentar é controlado por um fator principal diferente, como por exemplo, na fase
rifte das bacias o fator mais importante é a tectônica, enquanto que na fase drifte, a eustasia
assume a maior importância. A Figura 2.2 mostra um modelo esquemático de todos os
estágios da evolução de uma bacia de margem passiva, elucidando os fatores principais na
sedimentação.

Figura 2.2: Modo esquemático de evolução de uma bacia de margem passiva com
seus respectivos estágios, litologias, mecanismos controladores e fatores
principais de sedimentação. Fonte:(Holz, 2017)

2.4 Tratos de Sistemas Geométricos

Um conjunto de parassequências (introduzido por Van Wagoner et. al. (1988)) com um
mesmo padrão de empilhamento, determina um trato de sistemas geométrico (termo proposto
por Thorne e Shift (1991)). O trato reúne um padrão de parassequências que pode ser
Aspectos Teóricos 30

progradacional, retrogradacional ou agradacional com relação à linha de costa, apresentando,


portanto, um arranjo de fácies característico e uma geometria de empilhamento específica
para cada trato de sistemas (vide Fig. 2.3). O avanço dos sedimentos em relação à linha
de costa é influenciado principalmente pelas variações do nível de base, contudo, não é um
indicador direto para sua avaliação, e sim sua relação com o aporte sedimentar; por exemplo,
se num período geológico o mar transgride sobre a linha de costa, entretanto, o volume de
sedimentos supera o espaço criado, ocorrerá então uma progradação (mecanismo que ocorre
nos chamados tratos de sistemas de nível baixo e de nível alto na estratigrafia de sequências
clássica).

Figura 2.3: Padrão de empilhamento estratal de acordo com a relação entre o nível
de base (NB) e aporte sedimentar (modificado de Catuneanu, 2006).

O modelo da estratigrafia de sequências clássica, aplicável com sucesso nas bacias de


margem passiva, contempla quatro principais tratos de sistemas geométricos na composição
de uma sequência deposicional, limitada entre duas superfícies de discordância. São eles:

• Trato de sistemas de nível baixo


Aspectos Teóricos 31

• Trato de sistemas transgressivo

• Trato de sistemas de nível alto

• Trato de sistemas de regressão forçada

Na Fig. 2.4 segue uma curva da variação do nível de base ao longo do tempo, identifi-
cando os respectivos tratos de sistemas geométricos, dentro de um ciclo que determina uma
sequência sedimentar.

Basicamente, a sequência sedimentar se inicia com depósitos progradantes num trato de


sistemas de nível baixo (TSNB), repousando sobre a superfície discordante, até que o sistema
se torne retrogradacional, ou seja, o mar transgride e o espaço de acomodação se torna
superior ao aporte sedimentar, o que resulta no trato de sistemas transgressivo (TST), que se
encontra imediatamente após a superfície regressiva máxima (SRM). Quando o mar atinge as
maiores distâncias sobre a costa, forma-se então a chamada superfície transgressiva máxima
(STM) da sequência, e sobre o ela repousam os depósitos progradantes do trato de sistemas
de nível alto (TSNA). Ao demonstrarem uma inconsistência no modelo clássico, quando
se assumia apenas os três tratos de sistemas anteriores, Thorne e Shift (1991) trouxeram a
ideia do trato de sistemas de regressão forçada (TSRF) que, de uma maneira geral, ocorre em
regime de mar regressivo, onde o espaço de acomodação diminui drasticamente em relação ao
aporte sedimentar. Os depósitos deste último trato encontram-se sobre a superfície basal de
regressão forçada (SBRF), que na parte mais proximal coincide com a discordância limite da
sequência, contudo na parte mais distal, iniciando aproximadamente na primeira terminação
estratal superior, eles divergem, contornando o TSRF.

2.5 Noções de Sismoestratigrafia

A sismoestratigrafia, definida primeiramente por Vail et al. (1977), utiliza a ferramenta


da estratigrafia de sequências para interpretação de dados sísmicos, tendo em vista que as
reflexões sísmicas e suas respectivas terminações estratais permitem a aplicação direta de
conceitos geológicos baseados em uma estratigrafia física. Através de tal interpretação é
possível a localização de sequências deposicionais nas seções sísmicas, e juntamente com
informações geológicas da área e dados fornecidos por perfilagem de poços, ou ainda outros
perfis geofísicos (como gravimetria, magnetometria, condutividade, etc.), permitem mapear
as camadas e feições presentes em subsuperfície, e assim identificar possíveis estruturas que
concebem o armazenamento de hidrocarbonetos.
Aspectos Teóricos 32

Figura 2.4: Conceitos de transgressão, regressão normal (RN) e regressão forçada


(RF), definidos como a interação entre mudanças no nível de base e a
taxa de sedimentação (modificado de Catuneanu, 2006).

As terminações de refletores configuram um dos primeiros parâmetros a serem analisados


na interpretação sísmica, sendo fundamental na definição dos limites de uma sequência de-
posicional, bem como das superfícies que limitam tratos de sistemas geométricos, já que eles
são correlacionáveis com as terminações estratais, ou seja, na imagem sísmica representam o
padrão dos estratos geológicos [Link] como definido pela escola da Exxon
no Memoir 26 (Payton, 1977) e discutido por Vail (Bally, 1987), as terminações são onlap,
downlap, toplap e truncamento erosivo, como mostrado na figura 2.5.

Outro critério a ser analisado na sismoestratigrafia é referente ao padrão dos refletores,


levando em consideração principalmente a intensidade de sua amplitude, continuidade e
disposição. Tais critérios configuram o chamado estudo das fácies sísmicas (ou sismofácies),
Aspectos Teóricos 33

Figura 2.5: Principais terminações de refletores. Fonte: Vail e Mitchum (1977).

Figura 2.6: Configurações internas de sismofácies. Modificado de Vail et. al.(1977).

onde exemplos de classificações de configurações internas são ilustradas na Figura 2.6.

A seguir, é exibido um resumo dos conceitos e aplicações das principais terminacões de


refletores de uma sequência deposicional:
Aspectos Teóricos 34

• Onlap - É uma terminação estratal onde reetores horizontais, terminam contra uma
superfície inclinada e evidencia hiato entre as rochas acima e abaixo da superfície
marcada. Geralmente encontrado na base dos pacotes estratigrácos, representam a
sedimentação desenvolvida durante a subida do nível de base após a geração do limite
de sequências, representando dessa forma eventos transgressivos;

• Downlap - É uma terminação estratal na qual refletores inclinados terminam sobre


uma superfície inclinada ou não com um ângulo maior do que o ângulo da superfície
de deposição. Geologicamente, representa uma situação de progradação.;

• Toplap - É uma terminação estratal superior onde refletores inclinados terminam em


forma hiperbólica contra uma superfície horizontal ou não que envolve não deposi-
ção/bypass sedimentar, ou seja, pouco ou nenhuma erosão. Geologicamente, trata-se
de situação de progradação do trato de nível alto ou baixo em águas relativamente ra-
sas e com baixa taxa de subsidência, típicas de bacias de margem passiva ou de bacias
intracratônicas.;

• Truncamento Erosivo - É uma superfície erosiva que claramente envolve bascula-


mento e/ou erosão dos estratos. Geologicamente, reflete a resposta da sedimentação a
uma queda acentuada do nível de base, seguido de erosão.

A partir desta ferramenta, juntamente com informações geológicas complementares, é


possível mapear feições situadas em subsuperfície, inferir padrões deposicionais, reconhecer
fácies, agrupar em tratos, delimitar superfícies genéticas e definir sequências deposicionais.

Embora as terminações sejam uma ferramenta útil, elas são muitos bem aplicadas quando
não se tem uma tectônica pós-deposicional presente na bacia. Nesses casos, é difícil distinguir
a relação estratigráfica original, por exemplo, um downlap pode ser confundida com onlap.
Outro fator que contribui de forma negativa para o mapeamento das terminações, embora
seja um problema inerente apenas ao dado 2D é a direção em que a linha sísmica é feita em
relação a direção de deposição, isto é, se dip, ou strike pois um onlap claro em uma linha
dip possivelmente não aparecerá na strike.

Demarcadas as terminações estratais, são mapeadas as superfícies sísmicas ou superfícies


de onlap, downlap, truncamento ou discordância e toplap sendo feita a individualização das
sequências sísmicas com posterior agrupamento em sequências deposicionais. Uma análise
mais rigorosa pode ser feita para segmentar as sequências em tratos de sistemas conforme o
modelo clássico (bacias de margem passiva).

Em uma análise mais específica o intérprete sísmico poderá avaliar qualitativamente cada
Aspectos Teóricos 35

sequência em termos de fácies sísmicas, isto é, amplitude, continuidade, frequência do sinal,


e também a forma com que determinadas feições aparecem. Essa segmentação em fácies
permite associar a determinados sistemas deposicionais que estejam presentes no contexto
da bacia. Um melhor resultado pode ser conseguido quando se calibra determinadas fácies,
ou sejam, suas propriedades com informações litológicas ou interpretações já estabelecidas
com base em poços.

Após a delimitação das sequências deposicionais e dos tratos geométricos, o próximo as-
pecto que deve ser observado na sismoestratigrafia refere-se a fácies sísmicas, que representa
o padrão de configuração dos refletores sísmicos, considerando os parâmetros de intensidade
da amplitude, continuidade e frequência representados na figura 2.7 (Veeken, 2007). Cada
parâmetro pode estar relacionado a alguma variação geológica e a análise de cada um per-
mite a realização de certas interpretações. A amplitude, por exemplo, indica contrastes de
impedância acústica que geologicamente se referem à velocidade-densidade das rochas da su-
cessão estratigráfica. A continuidade dos refletores, por outro lado, pode refletir o padrão de
acomodação dos depósitos. Por fim, a frequência sísmica pode indicar a variações litológicas
verticais.

Figura 2.7: Parâmetros de reflexão de sismofácies e seus respectivos significados


geológicos. Fonte: Mitchum et al. (1977) apud Veeken (2007)
3
Metodologia

A metodologia do projeto passa pelas etapas convencionais de uma interpretação sismo-


estratigráfica de linhas sismicas 2D, interpretação de perfis geofísicos e posterior análise
sismoestratigráfica da Bacia de Almada, dando uma às seções transicional e drifte da bacia.

Inicialmente os dados foram organizados e submetidos a um controle de qualidade, para


serem posteriormente carregados no software de interpretação sísmica. Os perfis geofísicos
do poço, especialmente os de raios gama, foram interpretados sob a óptica da estratigrafia de
sequências, assim como a interpretação sísmica realizada em seguida. A interpretação sismo-
estratigráfica foi também auxiliada pela análise de atributos sísmicos do traço complexo, e
com as interpretações feitas sobre os dados de poços, através da correlação sísmica-poço reali-
zada com a confecção de sismogramas sintéticos. As superfícies demarcadas na interpretação
ilustraram a disposição das camadas em subsuperfície da região estudada.

Através do software IHS/Kingdom, foi possível realizar a metodologia descrita, de ma-


neira que tais softwares já se encontram em computadores disponíveis aos alunos de pós-
graduação em geofísica da UFBA, nas dependências do GETA-UFBA (Grupo de Estratigra-
fia Teórica e Aplicada - UFBA). Os dados de linhas sísmicas e perfis de poços são públicos,
fornecidos pela ANP, em parceria com o GETA, através do projeto RECAMU.

Na interpretação das seções sísmicas, primeiramente deve-se demarcar as terminações


de refletores, para então delimitar superfícies estratigráficas, de modo a separar as sequên-
cias deposicionais. Integrando as informações geológicas e as de perfilagens geofísicas de
poços com as superfícies estratigráficas demarcadas, deve-se então mapear as fácies sísmicas
e caracterizar os possíveis sistemas deposicionais associados a cada sequência deposicional.
Realizada a interpretação, e encontrando concordâncias com informações geológicas já pre-

36
Metodologia 37

sentes na literatura, é possível então criar modelos geológicos da região estudada.

O principal objetivo do trabalho consiste na interpretação sismoestratigráfica dos depó-


sitos localizados na Bacia de Almada. Contudo, para tal objetivo foi necessário um mapea-
mento prévio das principais falhas da região, como por exemplo a Falha de Aritaguá, que já
foi assunto de trabalhos anteriores, como por exemplo Adegas, Scherer e Born (2012). O ma-
peamento sísmico estrutural foi auxiliado pelos atributos sísmicos calculados, especialmente
o TecVA, e de trabalhos feitos na regiao da bacia, como Gontijo et at. (2007), Carvalho et
al. (1965) e Ferreira et al. (2009), entre outros trabalhos. Os critérios para a interpretação
das principais feições estruturais, como a DPR e o sistema de falha serão apresentados a
seguir.

3.1 Banco de Dados

Os dados sísmicos e de poços foram disponibilizados para o projeto RECAMU - Reavaliação


da seção rifte da Bacia de Camamu, sob a óptica da estratigrafia de sequências e com o
apoio da sismoestratigrafia. Tal projeto é desenvolvido por integrantes do GETA-UFBA,
em parceria com a GEOPARK. As seções sísmicas e perfis adquiridos junto ao projeto
também foram disponibilizados aos alunos de mestrado e graduação em geologia e geofísica
do GETA-UFBA. O presente trabalho utilizou da interpretação de dados de 1 poço e 50
linhas sísmicas de ordem pública.

Os dados de poços adquiridos não incluíam apenas os perfis geofísicos, mas também
continham arquivos gerais de poços com as informações de perfilagens, coordenadas geográ-
ficas, descrições de amostras de calha e etc. Os dados sísmicos adquiridos eram todos 2D
em formato SEG-Y (padrão da Society of Exploration Geophysics).

3.1.1 Controle de Qualidade de Dados

Antes do carregamento dos dados no software de interpretação sísmica utilizado, os mesmos


foram submetidos a um controle de qualidade e um tratamento das informações presentes
em cada arquivo.

O controle de qualidade dos perfis digitais do poço foi realizado por observações relevan-
tes quanto à qualidade/contabilidade dos valores registrados nos perfis geofísicos, onde, em
zonas desmoronadas (registrados pelo cáliper) e informações ausentes de alguns perfis foram
anotados. Para sintetizar as principais informações referentes à interpretação individual do
poço e as curvas que ele contém, é feito um inventário que resume as profundidades mapea-
Metodologia 38

das das principais superfícies estratigráficas, os tipos de curvas perfiladas e as coordenadas


geográficas.

Após a avaliação dos perfis, foi observado que alguns deles necessitavam de correção,
pois apresentavam valores anômalos do padrão das curvas, especialmente em zonas desmo-
ronadas. A correção das curvas foi auxiliada pelos perfis compostos recebidos, onde, em
zonas desmoronadas, foram aplicados alguns métodos matemáticos utilizando equações) que
relacionam diferentes curvas, para obter informações de trechos não perfilados e reduzir o
erro médio associado a essas correções. O tratamento pode ser resumido em três etapas:

• Retirar valores incoerentes (como valores nulos, negativos ou de ordens superiores ao


parâmetro avaliado);

• Avaliar quais são os trechos desmoronados ou que não foram perfilados para ver os
trechos com as medidas mais confiáveis;

• Preencher os trechos não perfilados ou melhorar os desmoronados. Isso pode ser feito
em intervalos onde se tenha o perfil de resistividade para que, através da equação de
Faust, 1953, se obtenha as velocidades. Outra opção, é obter as velocidades através do
perfil de densidade utilizando a equação de Gardner et al. (1974).

3.1.2 Linhas Sísmicas

Como primeiro procedimento após a chegada dos dados sísmicos, foi realizada uma avaliação
da qualidade das amplitudes dos traços, bem como uma verificação das informações do
levantamento de cada linha sísmica (contidas no header dos dados). Todos os arquivos
recebidos estavam em formato SEG-Y. Para tal verificação foi utilizado o software SeisSee,
bem como uma visualização das amplitudes das linhas sísmicas.

As principais informações de aquisição verificadas foram: tempo de registro, taxa de


amostragem, geometria, coordenadas geográficas e o datum escolhido no levantamento. Fei-
ções que se mostraram indesejáveis (ruídos) foram avaliadas de forma subjetiva, através da
visualização do padrão de amplitude dos dados, tais como: reflexões múltiplas (dobro do
tempo, polaridade invertida, etc.), hipérboles de difrações e "sorrisos de migração"(efeitos
de borda).

Outras informações indiretas foram inseridas, tais como se a aquisição é marinha ou


terrestre e uma avaliação geral da qualidade do dado para ser interpretada posteriormente.
O controle de qualidade foi importante não apenas para verificar a concordância entre os
dados solicitados e os recebidos, mas também para auxiliar no carregamento dos dados no
Metodologia 39

software de interpretação sísmica, e numa posterior escolha da linha de referência para o


ajuste sísmico temporal entre as linhas ("mistie analysis").

3.1.3 Carregamento dos Dados

Depois do controle de qualidade, os dados foram todos carregados no software de interpre-


tação sísmica IHS Kingdom escolhido para a aplicação da metodologia, sendo observado o
georreferenciamento para um único datum de referência (sendo escolhido o SAD-69). As
linhas sísmicas encontravam-se inicialmente no formato SEG-Y, padrão definido pela Soci-
ety of Exploration Geophysicists (SEG). As informações necessárias para o carregamento,
como coordenadas geográficas, tempo de amostragem, entre outros, foram encontradas no
trace header, header binário e header EBCDIC. Para a visualização dessas informações foi
utilizado o software SEISEE, como mostrado na figura 3.1.

Figura 3.1: Informações do header que serão utilizadas no carregamento.

As linhas sísmicas foram inseridas logo após a verificação das informações no programa
SEISEE. Os dados de localização dos poços foram inseridas manualmente (nome, coordena-
das da locação, profundidade medida, altura do Kelly Bushing), como mostra a figura 3.2
abaixo.

Os topos de formação foram criados e configurados, seguido do carregamento dos arquivos


de perfis geofísicos dos poços (no formato .las). A fase de carregamento de dados foi concluída
Metodologia 40

Figura 3.2: Informações de dados de poços sendo carregadas

com a inserção dos dados culturais, para que uma noção da localização dos dados fosse
notada.

Perfil Geofísico de Poço

O arquivo em LAS foi importado ao software após a criação do poço, inserindo a coordenada
geográfica da boca e fundo do poço, onde também foram adicionadas tabelas da profundidade
vertical e efetiva dos poços no caso dos poços direcionais.

Dados Sísmicos

Os dados sísmicos em formato SEG-Y foram todos importados, sendo necessária a verifi-
cação do datum sísmico de cada linha (considerando que existem linhas de levantamentos
distintos) e os dados que estavam em diferentes referências do SAD-69, foram convertidos
automaticamente. Em seguida, foi verificada a concordância da leitura das informações car-
regadas, contidas no header do arquivo, como por exemplo, taxa de amostragem, tempo de
registro e coordenadas geográficas do CDP. Ilustrando o carregamento dos dados, foi gerado
o mapa da Figura 3.3 mostrando a disposição das linhas sísmicas (em cinza) e dos poços (em
verde) sobre o mapa estrutural da porção sul da Bacia do Almada.
Metodologia 41

Figura 3.3: Área de estudo, mostrando as linhas sísmicas, poço e dados culturais
utilizados.

Dados Culturais

Após todo o levantamento bibliográfico, foram escolhidos alguns mapas da região de estudo.
A Figura 3.3 ilustra um mapa da região estudada, carregado no software IHS Kingdom,
tendo como referência os trabalhos desenvolvidos por Ferreira et al.(2009), Carvalho et al.
(1965) e Gontijo et al. (2007). Para a importação dos dados culturais, foi necessário um
ajuste de escala e localização dos mapas em relação ao mapa de estudo do projeto. Os mapas
serviram de grande auxílio, não apenas na localização dos poços e dados sísmicos em relação
à área da bacia às quais estão inseridas, mas também na interpretação propriamente dita.

3.2 Interpretação dos Perfis Geofísicos de poços

Respeitando uma interpretação sísmica convencional, primeiramente serão analisados os per-


fis geofísicos do poço selecionado, principalmente os perfis de raios gama (GR), potencial
espontâneo (SP), sônico, cáliper e de densidade, que são perfis muito úteis na identificação
de diferentes litologias, e, consequentemente, na marcação de superfícies estratigráficas.
Metodologia 42

Figura 3.4: Tabela de fácies sedimentares de acordo com a média de GAPI no perfil
GR

Basicamente, os perfis de raios gama são indicadores diretos de argilosidade quando


aplicados em rochas sedimentares, sendo os maiores níveis de radiação gama atribuídos a um
maior conteúdo de argila das formações, explicados pela maior radiação dos argilominerais
em frente à sílica (resultando em níveis maiores de radiação gama em um folhelho do que em
um arenito, por exemplo). A análise dos níveis de radiação gama (quantificados pelo GAPI)
permite a individualização de sete principais fácies sedimentares, ilustradas pela Figura 3.4.

O padrão das curvas de raios gama, junto com a fácies interpretada do nível de radiação,
são úteis na interpretação dos ambientes deposicionais formadores; a inferência dos principais
sistemas deposicionais, referentes às diferentes fácies litológicas, são evidenciadas na tabela
da Figura 3.5.

Na ausência do perfil de raios gama, o perfil de potencial espontâneo permite diferenciar


litologias, similarmente ao GR porém com uma menor confiabilidade. O perfil SP é baseado
no potencial elétrico que aparece, naturalmente, entre dois pontos do terreno ou do interior
de um poço. As argilas, em frente às areias, possuem um potencial de membrana que permite
a condução iônica de elétrons, o que aumenta os valores de SP nas formações de argila, em
comparação com areias. A presença de fluidos influência de forma significativa nos valores
de SP, o que torna a interpretação direta da litologia a partir do log não tanto confiável.
Perfis como o cáliper e o sônico são úteis na identificação de setores do poço que apresentam
desmoronamentos, muitas vezes provocados pela presença de argila pouco compactada.

O perfil cáliper basicamente mede o diâmetro do poço, enquanto que o sônico avalia os
tempos de trânsito de uma onda mecânica atravessando a formação. Os perfis sônico e de
densidade são úteis também na conversão de profundidade para tempo dos perfis de poço.
Metodologia 43

Figura 3.5: Tabela de sistemas deposicionais, fácies características e resposta média


do GR. A escala do GR foi reduzida de 0 a 90 GAPI. Fonte: (Soeiro,
2004)

3.3 Correlação Sísmica-Poço

Após a interpretação dos perfis, foram confeccionados sismogramas sintéticos a fim de cor-
relação entre os dados de poços e as seções sísmicas; vale salientar que para tal correlação
alguns processos devem ser realizados como a conversão de profundidade para tempo na
construção dos sismogramas sintéticos (igualando a unidade vertical analisada, o tempo),
bem como suavizações dos traços sintéticos estimados a partir dos perfis de poço, conside-
rando as diferentes resoluções entre os traços na sísmica (da ordem de dezenas de hertz) e nos
sintéticos construídos com os perfis de poços (atingindo até dezenas de kHz), o que facilita
a comparação e ajuste entre as curvas. O modelo convolucional do traço sísmico explica a
formação de um traço sísmico:
Metodologia 44

t=ω∗r (3.1)

Sendo t o traço sísmico obtido a partir da deconvolução entre a wavelet (w) e a função
refletividade (r). Sinteticamente, no método sísmico um pulso artificial (wavelet) é gerado
na superfície, atravessa as rochas em subsuperfície, e retorna ao encontrar interfaces entre
camadas rochosas que apresentam contrastes de impedância acústica (produto entre a ve-
locidade sísmica, v, e a densidade média da camada, (ρ). A fração da amplitude inicial do
sinal que retorna à superfície é função da magnitude deste contraste de impedância, dado
pela função refletividade:

ρ1 v1 − ρ2 v2
r= (3.2)
ρ1 v1 + ρ2 v2

Sendo ρ1 e v1 respectivamente a densidade e velocidade sísmica para a camada supe-


rior, e ρ2 e v2 respectivamente a densidade e velocidade sísmica para a camada inferior. Na
criação dos traços do sismograma sintético, serão solicitadas as curvas do sônico e de den-
sidade, onde elas trazem aproximações da velocidade sísmica e da densidade das camadas,
respectivamente. Tomando tais velocidades e densidades das camadas, a partir dos perfis
descritos, é possível a obtenção da função refletividade, onde, convolvido com uma wavelet
estimada têm-se então os traços sintéticos (respeitando do traço sísmico). Vale ressaltar que
a estimativa desta wavelet passa por algoritmos presentes no software que simulam um pulso
artificial, um deles por exemplo é o Ricker’s wavelet, sendo um pulso simétrico dado pela
Equação:

4t 2 1 4t
ω(t) = 1 − ( ) exp(− ( )2 ) (3.3)
T 2 T

Onde t representa o tempo, e T o intervalo de tempo entre dois picos negativos.

Construídos os sismogramas sintéticos, eles foram então comparados com as seções sís-
micas, onde a correlação foi realizada pelo ajuste dos picos de reflexões entre as camadas, ao
qual deve-se observar o momento de máximo coeficiente de correlação. Tal ajuste é otimizado
pelo bulk shift, o que seria o deslocamento de uma janela de tempo dos traços sintéticos,
e pela mudança na fase. Todo o processo anteriormente descrito é realizado pelo próprio
software de interpretação, e um exemplo de uma amarração concluída pode ser visualizada
através do painel de correlação da Figura 3.6.
Metodologia 45

3.4 Atributos Sísmicos

Como uma ferramenta na interpretação sísmica, a análise de atributos sísmicos permite


ao intérprete não só melhor mapeamento de feições estruturais, como falhas e contorno
do embasamento, mas também a identificação de terminações estratais, continuidade de
refletores e reconhecimento de diferentes fácies sísmicas, levando a uma interpretação mais
apurada.

Taner et al. (1979), continuando as pesquisas sobre atributos sísmicos iniciada por
O’doherty e Anstey (1971), foi um dos primeiros trabalhos que introduziram a análise dos
atributos do traço em sua parte complexa, que podem ser calculadas através das transforma-
das de Fourier e de Hilbert, obtendo-se a parte real e imaginária do traço, respectivamente.

Após o carregamento dos dados, devem ser calculados, para todas as seções sísmicas
disponíveis, os principais atributos sísmicos do traço complexo utilizados na interpretação
sismoestratigráfica; são eles: amplitude, fase e frequência instantâneas, além do TecVA
(Técnica Volume de Amplitudes).

Basicamente, o atributo de amplitude instantânea (ou envelope) informa a intensidade

Figura 3.6: Informações do header que serão utilizadas no carregamento.


Metodologia 46

do contraste de impedância acústica entre cada interface das camadas geológicas. Já o


atributo de fase instantânea indica a medida de continuidade dos eventos na seção sísmica,
sendo muito útil na identificação de falhas, pinchouts, inclinação de camadas, entre outros.

A interpretação sísmica foi auxiliada com a utilização de alguns atributos sísmicos, de-
finidos por Tanner (2001) como qualquer informação obtida por meio de dados sísmicos,
seja por meio de medições diretas, lógicas ou baseadas nas experiências e nos conhecimentos
anteriores. Entre todos os atributos empregados neste estudo, os mais importantes foram os
do traço complexo: amplitude instantânea, TecVA (Técnica Volume de Amplitudes), além
de fase e frequência instantânea (figura 3.7).

O atributo de amplitude instantânea (também chamado de envelope) retrata a inten-


sidade do contraste de impedância acústica (que reflete a mudança de propriedades físicas
elásticas e de densidade) entre as camadas geológicas. Por outro lado, o atributo de fase
instantânea é útil na identificação de continuidade de refletores nas seções sísmicas, e sua
utilização se mostrou importante na identificação do padrão de inclinação das camadas sedi-
mentares, falhas, padrão geométrico interno das camadas, depósitos de canais, entre outros,
enquanto o atributo de frequência instantânea foi relevante para a determinação da espessura
de camadas, por exemplo. Vale ressaltar que fase e frequência instantâneas se tornaram ainda
mais importantes nas seções que apresentavam baixo padrão de amplitude dos refletores

O atributo de TecVa, também chamado de pseudo-relief, representa reflexões sísmicas


de dados pós-empilhados com aparência de relevo topográfico, a partir de transformações
matemáticas feitas no dado original. A interpretação deste atributo foi utilizada na identi-
ficação de falhas, descontinuidades e estruturas associadas à mudança de sismofácies como
leques aluviais e diápiros de sal.

3.5 Interpretação Sísmica

Após a interpretação dos dados do poço, e sua correlação com as seções sísmicas, chega-se en-
tão à interpretação sísmica, ao qual irá se basear nos conceitos da estratigrafia de sequências
aplicadas às seções drifte, tendo o auxílio da análise de atributos sísmicos empregados.

A interpretação pode ser realizada seguindo dois principais aspectos: estruturais e es-
tratigráficos. Na interpretação estrutural, importantes alvos de identificação são sistemas
de falhas e a superfície de embasamento. O presente trabalho prioriza a caracterização do
padrão de empilhamento dos depósitos sedimentares, por isso o maior foco na interpretação
estratigráfica, definindo as superfícies estratigráficas baseadas na estratigrafia de sequências
para seções drifte, e assim delimitando os tratos de sistemas identificados.
Metodologia 47

Figura 3.7: Atributos sísmicos calculados e plotados em seção no software IHS


Kingdom (amplitude, TecVA, fase e frequência instantâneas). Fonte:
Vilas-Boas (2016).

3.6 Interpretação Estrutural

Inicialmente, na interpretação das seções sísmicas, é indicado a marcação de algumas feições


estruturais ocasionadas com os processos tectônicos sofridos nas bacias estudadas. A indi-
cação das principais falhas presentes nas seções é importante na posterior interpretação das
superfícies estratigráficas, onde, muitas vezes, as falhas são facilmente reconhecidas pela des-
continuidade de refletores que se repetem em diferentes tempos (indicando um deslocamento
vertical ou subvertical das camadas).

Na interpretação estrutural, também se deve investigar a presença de diápiros de sal que


inclinam camadas e podem provocar falhas lístricas no seu entorno. Na região de estudo é
evidente, inclusive aflorante, diápiros de sal na fase drifte da bacia, que são identificáveis nas
seções sísmicas devido a uma sismofácies caótica, com formato diapírico, apresentando uma
Metodologia 48

série de onlaps muitas vezes indicado por refletores inclinados ao seu redor.

3.7 Interpretação Estratigráfica

Seguindo um procedimento básico de interpretação sismoestratigráfica, primeiro devem ser


demarcados as terminações de refletores, para então delimitar as superfícies estratigráficas,
identificando as sequências deposicionais. Integrando as informações geológicas e as de perfi-
lagens geofísicas do poço com as superfícies estratigráficas demarcadas, deve-se então mapear
as fácies sísmicas e assim caracterizar os possíveis sistemas deposicionais associados a cada
sequência.

A caracterização dos sistemas deposicionais numa interpretação estratigráfica, passa pela


definição dos tratos de sistemas associados aos padrões de refletores, apenas possibilitado com
uma boa resolução sísmica (tanto vertical quanto horizontal). Portanto, neste estudo, será
buscada uma definição dos tratos de sistemas tectônicos associados às camadas geológicas
das seções transicional e drifte da bacia.

3.7.1 Indicação das superfícies estratigráficas

Posterior à marcação das principais falhas, como um dos primeiros passos da interpreta-
ção estratigráfica, deverão ser identificadas as superfícies estratigráficas. Primeiramente,
identificam-se as discordâncias, caracterizadas principalmente pela presença de truncamentos
erosivos abaixo e onlaps acima delas, auxiliadas geralmente pela alta amplitude apresentada
pelo refletor correspondente, principalmente em grandes mudanças de litologia (como por
exemplo, as discordâncias que separam diferentes estágios tectônicos, como a discordância
pós-rifte, DPR).
4
Análise Sismoestratigráfica

O principal objetivo do trabalho consiste na interpretação sismoestratigráfica dos depósi-


tos transicional e drifte localizados na Bacia de Almada. Contudo, para tal objetivo, foi
necessário um mapeamento prévio de falhas da região, sobretudo a falha de Aritaguá. O
mapeamento sísmico estrutural foi auxiliado pelos atributos sísmicos calculados, especial-
mente o TecVA, e de trabalhos como os de Neto e Sanchez (1991) e Adegas, Scherer e Born
(2012). Os critérios para a interpretação das principais feições, como a falha de Aritaguá e
o cânion de Almada, serão apresentados a seguir.

4.1 Falha de Aritaguá

A figura 4.l abaixo ilustra o arcabouço estrutural da parte oeste (emersa) da bacia. As
falhas limites definem o padrão romboédrico e têm direção geral N50E, de idade Cretáceo
Inferior (Andar Rio da Serra), pertencente à fase rifte. Este padrão é formado pelas falhas
de Apipique, Aritaguá, Maron e da Serra Pilheira, que delimitam a bacia, colocando o
embasamento em bloco alto e a seção sedimentar no bloco baixo. Estas falhas formam um
sistema, associando falhamentos sintéticos e antitéticos, de direção dominante N-S.

Este compartimento interno, a oeste, estende-se por aproximadamente metade da área


emersa da bacia. O limite leste do compartimento central da bacia corresponde à Falha de
Aritaguá, que possui componente gravitacional, com bloco baixo para leste, e componente
transcorrente, com movimentação sinistral.

A Falha de Aritaguá localiza-se além dos limites da parte emersa da Bacia de Almada.
Possui um traço encurvado e côncavo para leste. No bloco baixo é encontrada a Formação

49
Análise Sismoestratigráfica 50

Figura 4.1: Localização do sistema de falhas da parte emersa (oeste) e imersa


(leste) da bacia, mostrando o arcabouço estrutural simplificado comas
suas falhas limítrofes com direção N50E (modificado de Netto & San-
ches 1991). Localização do sistema de falhas da parte emersa (oeste) e
imersa (leste) da bacia, mostrando o arcabouço estrutural simplificado
comas suas falhas limítrofes com direção N50E (modificado de Netto &
Sanches 1991).

Rio de Contas, de idade Cretáceo Inferior (Barremiano), ausente no bloco alto. De acordo
com Netto e Sanchez (1991), as rochas sedimentares mais antigas que o Andar Aratu têm
o mesmo padrão de espessura em ambos os lados da falha, o que permite datar a Falha de
Aritaguá como de idade Buracica.

4.2 Canion de Almada

De acordo com D’Ávila (2004), o Cânion de Almada é um conduto submarino de origem


tectônica, com canais turbidíticos de alta energia, gerados por fluxo de alta eficiência, inter-
Análise Sismoestratigráfica 51

calados a depósitos pelíticos com influência prodeltaica, frequentemente remobilizados como


fluxo de massa, desenvolvendo depósitos caóticos, com domínio de slumps e debris flows,
que foi ampliado pela repetida passagem de correntes de turbidez, que ocorreram durante o
Cretáceo (mais precisamente entre a fase rifte e o Albiano), através de eventos que reativa-
ram antigas falhas NE e NW do embasamento como sistemas transcorrentes. A continuação
destes esforços, do Cenomaniano ao Maastrichtiano, desenvolveu falhas normais que contro-
laram um cânion submarino que evoluía desde o continente, onde se formava um estuário
entre montanhas, até a região profunda da bacia. O cânion recebeu sedimentos trazidos
por inúmeras cheias fluviais catastróficas, que disparavam fluxos hiperpicnais que evoluíram
como correntes de turbidez, provocando erosão do substrato e levando grande volume de se-
dimentos para a bacia. Parte da carga depositou-se no cânion, formando canais turbidíticos
preenchidos por conglomerados e arenitos.

Segundo Shepard (1981), os mecanismos mais comuns para a formação dos cânins são:

• A erosão por sistemas fluviais e posterior submergência da margem (Spencer, 1903),


como evidenciado pela continuidade dos cânions submarinos com cânions subaéreos e
com os vales de grandes rios;

• A escavação dos cânions por correntes de turbidez (DALY, 1936);

• A origem como vales glaciais afogados (Shepard, 1933) e, menos comumente;

• O controle tectônico para a formação dos cânions (Wegener, 1924). (Bruhn e Mo-
raes, 1989) considerou que o Cânion de Almada foi originado apenas pela escavação
provocada durante a passagem de inúmeras correntes de turbidez.

A figura 4.2 abaixo mostra uma interpretação, através do topo da camada que cha-
maremos posteriormente de DRIFTE-3, que ilustra e posiciona o Cânion de Almada, de
orientação NW-SE.

O condicionamento de fácies de conglomerados e arenitos grossos, por estas falhas, é


registrado por longo período na história da bacia, e estes depósitos estão associados com
as falhas, tanto para a fase pré-rifte e rifte da bacia como para a Formação Urucutuca, de
acordo com Ferreira (2009). Os pacotes mais espessos de conglomerados, estão situados nas
proximidades de falhas do embasamento, que delineiam a borda do cânion, segundo D’Ávila
(2004).

Mendes (1998) classificou o cânion de Almada como maturos, conforme denominação


de Cainelli (1992), apresentando várias e sucessivas fases de erosão e preenchimento, e de
Análise Sismoestratigráfica 52

Figura 4.2: Interpretação que mostra a localização do Cânion de Almada.

cânions de assoalho de bacia, conforme (Bonham-Carter, 1988), sendo que estas feições
negativas foram originadas, controladas e assoreadas durante as variações tectono-eustáticas
entre o Neocretáceo e o Eoterciário. O cânion de Almada situava-se junto à plataforma
continental e apresentaram como principal mecanismo precursor o avanço do sistema fluvial,
causado pela variação negativa do nível do mar. A combinação do tectonismo diastrófico e
da halocinese controlou o posicionamento estrutural e a localização destes paleocânions.
Análise Sismoestratigráfica 53

4.3 Discordância Pós-Rifte

A discordância pós-rifte (DPR), segundo (Dias, 2004), configura uma fase de quiescência
tectônica com falhamentos expressivos ocorrendo somente de forma localizada, ou seja, ex-
pressiva diminuição da taxa de criação de espaço de acomodação, e, além disso, representa
o início do predomínio da atuação subsidência térmica na Bacia de Almada. Essa discor-
dância está relacionada a um evento de expressivo rebaixamento do nível de base. Neste
trabalho, a DPR foi interpretada tanto pela análise do dado de poço quanto pela análise das
linhas sísmicas e, de acordo com o modelo estratigráfico adotado, representa o limite entre
as sequências Rifte e Transicional.

Na análise dos dados de poço, interpretou-se esta superfície com bom grau de confiança,
principalmente devido à mudança na espessura e na ocorrência de litologia na calha, não
sendo registrados indícios de sedimentação evaporítica. O critério utilizado para demarcação
desta superfície foi mudança na amostragem de camadas de folhelhos flúvio-deltaico-lacustres
para camadas mais arenosas, indicando um ambiente deposicional diferente. Ambos os
critérios também foram sustentados pela diminuição no valor registrado no perfil de raio
gama para os folhelhos situados logo abaixo e os folhelhos situados logo acima da marcação
sugerida, indicando um provável evento de rebaixamento do nível de base, provocando erosão
e originando a discordância em questão.

Na interpretação sísmica, o principal critério utilizado para interpretação dessa superfície


foi uma série de truncamentos subjacentes a ela que podem ser vistos em grande parte
das linhas sísmicas da área de estudo. Esta superfície se apresenta como uma extensa
discordância angular sobreposta à sismofácies que representam blocos rotacionados típicos da
sequência rifte e sotoposta a sismofácies que representam diápiros de sal típicos da sequência
transicional.

É importante salientar que em diversas seções sísmicas, especialmente naquelas onde


foram mapeadas espessas camadas de sal, os fenômenos de subida aparente dos refletores
sísmicos, absorção e dispersão do sinal sísmico foram atuantes, dificultando a marcação da
DPR. Dessa forma, o critério utilizado para demarcação da discordância, nestas seções, foi
a identificação do primeiro refletor horizontal de alta amplitude e com continuidade, situado
abaixo da sismofácies caóticas associada às rochas evaporíticas, que configura a base da
camada de sal e, consequentemente, o limite inferior da sequência Transicional.
Análise Sismoestratigráfica 54

4.4 Discordância Pós-Transicional

A Discordância Pós-Transicional (DPT) representa uma importante mudança no contexto ge-


otectônico da sedimentação das bacias da margem leste brasileira. A partir dela, estabelece-se
um regime de subsidência térmica e, também, pode ser correlacionada com topo da forma-
ção litoestratigráfica Taipus-Mirim, de acordo a carta estratigráfica proposta por Gontijo
(2007). Na área de estudo, esta superfície é geralmente bem marcada nos poços devido a
mudanças nos litotipos e variações no perfil de raios gama, porém, na interpretação sísmica
geralmente se mostra como uma superfície de conformidade correlativa, apresentando feições
erosivas somente em porções restritas da bacia, principalmente na porção proximal à margem
flexural.

A análise dos dados de poço configurou um importante auxilio para interpretação dessa
superfície na área de estudo. Para o poço utilizado, a Discordância Pós-Transicional foi
marcada no momento em que as camadas de arenitos diminuem de espessura, dando lugar
ao aumento de espessura dos folhelhos, que configura a mudança da sedimentação de rochas
salinas para sedimentação de folhelhos e rochas carbonáticas. Assim como na marcação da
DPR, os critérios citados foram sustentados por variações negativas do perfil de raio gama,
indicando rebaixamento do nível de base.

A interpretação sísmica da DPT teve mais de um critério para sua demarcação. Em


área de menor expressão geográfica são vistas feições erosivas e, portanto, a Discordância
Pós-Transicional é marcada com base em truncamentos situados sob esta superfície. Por
outro lado, em grande parte da área de estudo, esta superfície foi marcada sobre o refle-
tor que representava a transição de uma sismofácies paralela, com refletores mostrando alta
continuidade horizontal, alto padrão de amplitude e baixa frequência, para uma sismofácies
de baixo padrão de amplitude e configuração interna transparente, sendo associada à prová-
vel presença da intercalação de rochas carbonáticas e folhelhos, que pode apresentar baixo
contraste de impedância acústica, representantes da sequência drifte. Nas porções distais da
bacia, onde há evidências de halocinese, o topo da seção transicional é marcado no topo das
estruturas geradas com a movimentação do sal.

4.5 Sequência Transicional

A sequência transicional foi depositada durante o final do Neoaptiano, formando mini-bacias


evaporíticas de águas rasas, associadas a um ambiente marinho restrito. Em termos lito-
estratigráficos, Gontijo (2007) mostra a presença de camadas siliciclásticas, relacionadas a
Análise Sismoestratigráfica 55

depósitos flúvio-deltaico-lacustres, representando o membro Serinhaém, pertencente à for-


mação Taipus-Mirim, e depósitos evaporíticos, relacionados a um ambiente marinho-restrito,
litoestratigraficamente denominados de membro Igrapiúna da mesma formação.

A sequência transicional foi mapeada ao longo de toda área de estudo; entretanto, é


possível discriminar características importantes em diferentes áreas da bacia, tais como nas
espessuras da camada (intervalo de tempos sísmicos), nos padrões das sismofácies mapeadas
e nas litologias registradas nos perfis litológicos dos poços estudados. Correlacionando esses
aspectos com a interpretação estrutural, foi possível dividir a área de estudo em três diferentes
setores: região proximal, região do talude e região distal.

A análise de poço localizado na parte proximal da bacia permitiu identificar que, nesta
região, a sequência transicional é composta por depósitos associados tanto à sedimentação
siliciclástica, quanto por camadas pelíticas (folhelhos). O poço, localizado na porção centro-
norte da área de estudo, apresenta um registro sedimentar bem representativo desta região
e ilustra a alternância entre diversos ciclos de deposição pelítica, interrompidos por influxos
de sedimentação siliciclástica, indicando, possivelmente, variações no nível de base ao longo
da deposição da seção transicional. No poço selecionado, a seção transicional apresenta uma
espessura total de aproximadamente 70 a 100 metros. Por outro lado, as camadas de folhelho.
A ausência de outros sais na região proximal pode estar relacionada a não deposição de um
ciclo evaporítico completo, onde a variação da salinidade é mais intensa, ou a dissolução
destes minerais que são quimicamente mais solúveis.

Em termos de interpretação sísmica, na região proximal, a seção transicional apresenta


espessura sísmica aproximadamente constante e pode estar associada a dois tipos de sismo-
fácies. A primeira, de configuração interna paralela, geralmente representada por dois pares
de refletores de alta amplitude, com continuidade evidente e baixa frequência. O outro pa-
drão está associado a sismofácies de configuração interna também paralela e contínua, com
refletores de média a baixa amplitude e frequência variando de intermediária a alta. A por-
ção sul da área de estudo não contém dados de poços, na região proximal, mas semelhanças
entre as sismofácies de ambas as regiões são indícios de que o registro sedimentar apresenta
o mesmo comportamento, com a deposição de rochas pelíticas e siliciclásticas.

Na região do talude da bacia, a sequência transicional na região do talude da bacia, não


foi feita nenhuma interpretação através dos dados de poço. Entretanto, na interpretação
sísmica da região do talude, a sequência transicional apresentou valores de espessura variando
com variações. Nas seções sísmicas que a sequência transicional apresenta maiores valores
de espessura, ela está associada a uma sismofácies paralela, com refletores evidenciando alta
continuidade horizontal, alto padrão de amplitude e baixa frequência. Entretanto, nos locais
Análise Sismoestratigráfica 56

em que a sequência apresenta valores de espessuras menores, é relacionada a, no máximo, um


par de refletores, com baixa amplitude e baixa continuidade lateral. Acredita-se que nessas
regiões os dados utilizados não apresentam resolução sísmica confiável para o mapeamento
da sequência transicional.

Exemplos desses casos são vistos na região norte de estudo onde a DPR encontra-se
abruptamente mais rasa e associada a falhas que apresentam expressivos rejeitos, configu-
rando possíveis altos estruturais, resultantes do processo de rifteamento da bacia.

Na região distal, assim como no talude, não foram utilizados dados de poços para a
referida interpretação. Em termos de fácies sísmicas, a sequência transicional encontra-se
associada a uma configuração interna fortemente caótica, com refletores de baixo padrão de
amplitude. Nas linhas sísmicas distais ocorrem os fenômenos de atenuação e dispersão do
sinal sísmico. As maiores espessuras indicam que esta área poderia representar o depocentro
da bacia, no momento de deposição desta sequência, para onde as rochas evaporíticas devem
ter migrado por fluxo gravitacional, das regiões mais rasas. O contínuo acúmulo de sal, asso-
ciado a pressão litostática, exercida pelas sequências superiores, e aos falhamentos da bacia,
foram precursores para ocorrência de fenômenos ligados à halocinese. Tais fenômenos são
comprovados pela identificação, nas seções sísmicas, de diversas estruturas ligadas à movi-
mentação do sal: diápiros, muralhas e almofadas de sal, além de mini-bacias. A deformação
das camadas da sequência Drifte, com dobras e falhas expressivas, que estão sobrepostas a
sequência transicional, também é uma das evidências de atuação da halocinese. Nos diápiros
que apresentam maior expressão vertical são vistas também sismofácies classificadas como
transparentes.

4.6 Sequência DRIFTE-1

A Sequência Drifte-1 é limitada na base pela Discordância Pós-Transicional (DPT) e no


topo pela Superfície 1, que possui caráter erosivo e corresponde à denominada Discordância
Pré-Urucutuca, correspondendo a uma sequencia de idade Albiano-Cenomaniano

Essa sequência se distribui por toda a bacia, cobrindo a seção transicional com espessuras
que variam de pequenas a médias, porém aumentando em direção a bacia. Na região da pla-
taforma, próximo a quebra para o talude ela praticamente inexiste, fruto dos efeitos erosivos
posteriores da Superfície 1 (onde é notada a presença da Discordância Pré-Urucutuca). Na
porção proximal, é reconhecido que durante a sua deposição deve ter ocorrido reativação das
falhas formadas durante a fase rifte, uma vez que algumas falhas atingem essa sequência.
Litologicamente essa sequência formou-se na plataforma carbonática rasa, com deposição
Análise Sismoestratigráfica 57

dos calcarenitos, calcilutitos e, em menor quantidade, arenitos e folhelhos, pertencentes à


Formação Algodões, que corresponde à parte superior do Grupo Camamu, que gradam para
margas e folhelhos na direção da bacia. A Formação Algodões subdivide-se nos membros
Germânia, caracterizado por uma expressiva ocorrência de terrígenos (arenitos e folhelhos),
associados a calcarenitos e calcilutitos, e Quiepe, constituído de calcilutitos e margas, e
quantidades menores de folhelhos calcarenitos e arenitos, como apresentado por Netto et al.
(1994).

Na análise do dado de poço, verifica-se uma intercalação de arenitos (que possui espes-
suras variando de 3 a 50 metros), com espessuras diminuindo da base para o topo, ao mesmo
tempo que é notada a presença de folhelhos (com espessuras que vão de 1 a 10 metros) que,
da base para o topo, inicialmente diminuem de espessura e, conforme vai chegando ao topo
da formação, vai apresentando um novo aumento na espessura da referida litologia. Assim,
com as camadas de arenitos diminuindo sua espessura ao mesmo tempo que os folhelhos
estão aumentando, pode-se concluir que nessa sequência se inicia um momento transgressivo
na bacia, ou seja, um momento onde a taxa de deposição sedimentar é maior que a taxa de
acomodação.

4.7 Sequência DRIFTE-2

A Sequência Drifte-2 é limitada no topo pela Superfície 2 e na base pela Superfície 1, onde
se encontra a Discordância Pré-Urucutuca. A sequência Drifte-2 possui idade Turoniano-
Campaniano.

É representada pela Formação Urucutuca, que reúne folhelhos cinza-escuros ou esver-


deados, com intercalações de arenitos turbidíticos relacionados a rebaixamentos do nível do
mar. Em algumas porções da plataforma continental, (Gontijo, 2007) cita o conteúdo em
clásticos grosseiros,representando o preenchimento de canais escavados durante estes rebai-
xamentos eustáticos (inclusive o Cânion de Almada, um dos alvos do referido estudo). A
fase transgressiva continua nessa sequência, sendo que a deposição da Formação Urucutuca
identifica o aprofundamento da bacia e a substituição dos depósitos plataformais (arenitos,
que passam a ter, a partir desse momento, espessuras entre 2 e 5 metros), pertencentes à
Formação Algodões, por pelitos de ambiente batial (com espessuras que variam de 2 a 10
metros). A espessura dos estratos nessa seçao são menores que na sequência anterior (Drifte-
1), mostrando que a sua ocorrência é limitada, talvez por conta dos eventos erosivos da base
e do topo da sequência. A transgressão também é notada por conta do aumento do perfil
GR no poço.
Análise Sismoestratigráfica 58

4.8 Sequência DRIFTE-3

A Sequência DRifte-3 é limitada no topo pela Superfície 3 e na base pela Superfície 3


Campaniano-Paleoceno. No perfil composto do poço, a disponibilidade da coluna litoló-
gica está até o Maastrichiano. Nesse período, nota-se uma espessa camada de folhelho
(aproximadamente 60 metros), intercaladas, a partir do Maastrichiano, com delgadas ca-
madas de arenitos (em torno de 2 metros de espessura) e padrão de GR transgressivo no
iní[Link] acordo com Gontijo (2007), em áreas proximais, conglomerados e algumas lentes
de carbonatos estão presentes nesta seção. A referida litologia não foi encontrada nesse poço
em particular. Chega um momento que o padrão retrogradacional mostrado pelo perfil GR
começa a diminuir, mostrando que esse padrão dá a vez a uma mudança nas intensidades
das taxas de deposição e acomodação, iniciando, a partir desse momento, um padrão pro-
gradacional (taxa de deposição maior que a taxa de acomodação), sendo que essa variação
dos valores de GR, que até então variava muito mais rapidamente, passa a sofrer variações
cada vez menores, indicando uma lenta progradação (lembrando que, a partir do Eopaleo-
ceno, os dados litológicos não estão mais disponíveis no perfil composto, fazendo com que a
continuaçao da interpretaçao seja feita apenas pelo GR)

4.9 Sequência DRIFTE-4

A Sequência DRifte-4 é limitada no topo pela Superfície 4 e na base pela Superfície 3, du-
rante o intervalo Paleoceno-Eoceno. Litologicamente, a Formação Urucutuca continua sendo
depositada, com folhelhos depositados de maneira quase prioritária, juntamente com algu-
mas lentes de arenitos localizados nas porções proximal e distal da bacia. De acordo com
Gontijo (2007), na seção proximal, os folhelhos estão intercalados com marcas e calcarenitos,
marcando a base da seçao progradante da bacia. No talude, as quantidades de arenitos e
calcarenitos diminuem drasticamente, e na parte distal da bacia, os folhelhos estão interca-
lados com arenitos, margas, calcilutitos e calcarenitos, caracterizando um ambiente nerítico
profundo a batial.

O perfil GR é o único modo de interpretarmos o que acontece com as seções, a partir


do Maastrichiano. Assim, foi feito um trabalho conjunto de análise da carta estratigráfica
feita por Gontijo (2007) e análise do GR feito no perfil composto do referido poço. O que se
nota, a partir do Maastrichiano (onde termina a seção litológica do perfil composto), é uma
progradação um pouco mais brusca no início e mais suave a partir da profundidade 1700
metros, mantendo esse padrão até a profundidade 1470 metros, onde temos outro momento
de brusca progradação, que será considerado como o topo desta sequência.
Análise Sismoestratigráfica 59

4.10 Sequência DRIFTE-5

A Sequência DRifte-5 é limitada no topo pela Superfície 5 e na base pela Superfície 4 Eoceno-
Oligoceno. De acordo com Gontijo (2007), esta seção, que continua apresentando caráter
regressivo, é representada pela progradação dos sedimentos pelíticos da Formaçao Urucutuca,
juntamente com os sedimentos plataformais relacionados às Formações Rio Doce (arenitos)
e Caravelas (carbonatos), este último sugerindo o desenvolvimento de uma plataforma car-
bonática na bacia e diminuem drasticamente em direção à bacia. Em relação ao perfil GR
temos, na base dessa seção, a uma profundidade de aproximadamente 1470 metros, uma
abrupta progradação, mostrada através de uma rápida diminuição do GR. A partir disso, os
valores do GR diminuem suavemente, continuando a fase regressiva que se iniciou no topo
da sequência Drifte-3

4.11 Sequência DRIFTE-6

A Sequência DRifte-5 é limitada no topo pela Superfície 6 e na base pela Superfície 5 durante
o intervalo Oligoceno-Mioceno. De acordo com Gontijo (2007), esta sequência continua
com seu caráter regressivo, com a progradação dos sedimentos plataformais relacionados às
formações Rio Doce e Caravelas, além dos folhelhos da formação Urucutuca. Além disso,
encontra-se a formação Barreiras, que ocorre ao longo de toda a faixa litorânea do Brasil.
Em relação ao dado de poço, o perfil GR continua com um padrão levemente progradacional
(diminuição do GR) até o topo da perfilagem produzida
5
Análise de Dados

Após a interpretação e análise sismoestratigráfica da área de estudo, elaborou-se seções


sísmicas, com apenas uma linha e compostas, mapas de topos estruturais para as superfícies
mapeadas, além de mapas de isópacas para cada área estudada.

5.1 Seções Sísmicas Interpretadas

Abaixo estão representadas as seções sísmicas das linhas dip (figuras 5.1, 5.2, 5.3 e 5.4) e
strike (5.5 e 5.6), que foram analisadas no capítulo anterior. São de extrema importância
para o entendimento da área e da dinâmica da camada de sal, bem como das seções que são
depositadas após ela, assim como o entendimento da dinâmica das sequências transicional e
drifte.

5.2 Seções Sísmicas Compostas Interpretadas

Para melhor correlação da sequência transicional, nos diferentes setores da bacia, além de
demonstrar o espessamento das camadas nas sequências transicional e dritfe da Bacia de
Almada, foram confeccionadas seções sísmicas compostas, representadas pelas figuras 5.7 e
5.8. As seções ilustradas foram importantes para delimitar as sequências transicional e drifte
que foi sedimentada acima do sal mostrando, de uma maneira geral, como a bacia é formada.

60
Análise de Dados 61

5.3 Mapas de Topos Estruturais

Após a interpretação sismoestratigráfica realizada, foram confeccionados mapas de tempos


das superfícies estratigráficas encontradas, bem como do topo do embasamento, com o intuito
de sintetizar a disposição das sequências ao longo da área de estudo, que pode ser observada
na figura 5.9. Através dos mapas foi possível inferir a posição dos depocentros no momento
de deposição de cada sequência (indicados pelas cores mais próximas ao violeta), além das
principais falhas (regiões de alta convergência das curvas de nível) e seus rejeitos associados.

A figura configura as plotagens dos valores de tempo sísmico correlacionados com as


superfícies estratigráficas, desde a DPR até a última superfície mapeada, que corresponde
ao topo da Sequência DRIFTE-6. Ilustrando o aprofundamento preferencial das superfícies
que limitam a sequência transicional no sentido sudeste em direção às porções mais distais
da bacia. Os valores mais altos, representados com as cores mais escuras, na região sudeste
da área de estudo, sugerem a localização do depocentro (diápiro de sal), no momento de
deposição desta sequência, nesta parte da bacia.

As imagens demonstram também que o aprofundamento citado das superfícies ocorreu


de forma gradual, sem variações abruptas nos valores de tempo sísmico ao longo da bacia.
Do ponto de vista geológico, pode ser correlacionado com atuação local (vista apenas em
específicas regiões da bacia) da subsidência mecânica, responsável pela criação de falhas com
expressivos rejeitos, e, portanto, a predominância da atuação de um regime de subsidência
térmica que não atuou uniformemente ao longo da Bacia de Almada.

Na porção norte da área de estudo, próximo ao limite com a Bacia de Camamu, as confi-
gurações das curvas de isovalores e as seções sísmicas indicam um raseamento das superfícies
estratigráficas, possivelmente pela presença de altos estruturais ligados às movimentações
tectônicas da Zona de Acomodação Taipus-Mirim.

5.4 Mapas de Isópacas

O mapeamento das superfícies estratigráficas permitiu a confecção de mapas de espessuras


(ou de intervalos de tempo) das sequências sedimentares delimitadas. Estes mapas são
úteis na análise de espessura das camadas rochosas, permitindo assim inferir a localização
dos depocentros durante a deposição de cada sequência interpretada, os períodos de maior
criação de espaço de acomodação, e ainda o sentido dos principais fluxos de sedimentação.
As sequências da fase drifte apresentam espessuras que aumentam gradualmente no sentido
sudeste, na região central da bacia. A partir de análise entre as sequências marinhas, de
Análise de Dados 62

maneira geral, há uma tendência de aumento das espessuras com os depósitos mais recentes.
A figura 5.10 abaixo mostra os mapas de isópacas extraídos das interpretações do referido
trabalho.
Análise de Dados 63

Figura 5.1: Seção sísmica dip da região norte da Bacia de Almada: (A) não inter-
pretada; (B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o atributo
amplitude
Análise de Dados 64

Figura 5.2: Seção sísmica dip da região centro-norte da Bacia de Almada: (A)
não interpretada; (B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o
atributo amplitude
Análise de Dados 65

Figura 5.3: Seção sísmica dip da região centro-sul da Bacia de Almada: (A) não in-
terpretada; (B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o atributo
amplitude
Análise de Dados 66

Figura 5.4: Seção sísmica dip da região central da Bacia de Almada: (A) não in-
terpretada; (B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o atributo
amplitude
Análise de Dados 67

Figura 5.5: Seção sísmica cortando toda a porção da região leste da Bacia de Al-
mada: (A) não interpretada; (B) interpretada. Em ambos os casos,
utilizando o atributo amplitude
Análise de Dados 68

Figura 5.6: Seção sísmica localizada na porção central da Bacia de Almada: (A)
não interpretada; (B) interpretada. Em ambos os casos, utilizando o
atributo amplitude
Análise de Dados 69

Figura 5.7: Seção sísmica composta que passa pelas porções proximal, de talude e
distal da Bacia de Almada: (A) não-interpretada, (B) [Link]
ambos os casos, utilizando o atributo amplitude
Análise de Dados 70

Figura 5.8: Seção sísmica composta que passa pelas porções proximal e de talude
do centro norte da Bacia de Almada: (A) não-interpretada, (B) inter-
[Link] ambos os casos, utilizando o atributo amplitude
Análise de Dados 71

Figura 5.9: Mapas de topo estrutural para as superfícies interpretadas no referido


trabalho
Análise de Dados 72

Figura 5.10: Mapas de isópacas para as superfícies interpretadas no referido traba-


lho
6
Conclusões

As interpretações estrutural e sismoestratigráfica identificou as principais características que


o referido trabalho teve como objetivo. A integração dos dados geológicos e geofísicos foi fun-
damental, possibilitando uma análise das sequências transicional e drifte da área de estudo,
que corresponde à Bacia de Almada.

A interpretação sismoestratigráfica permitiu a identificação das discordâncias que li-


mitam a sequência transicional na base e no topo, que respectivamente correspondem à
Discordância Pós-Rifte (DPR) e a Discordâncias Pós-Transicional (DPT). A DPR consiste
numa expressiva discordância angular, enquanto que a DPT apresenta truncamentos em
porções localizadas da bacia ocorrendo como uma conformidade correlativa na maior parte
da área de estudo. As superfícies foram interpretadas com bom grau de confiabilidade no
dado de poço e demarcadas nas linhas sísmicas, onde.

A análise sismoestratigráfica possibilitou o reconhecimento de 7 sismofácies associadas


ao mapeamento das sequências transicional e drifte: Transicional, DRIFTE-1, DRIFTE-2,
DRIFTE-3, DRIFTE-4, DRIFTE-5 e DRIFTE-6, sendo possível fazer correlações com os
padrões geológicos sedimentares da região. A sismofácies DRIFTE-1, por exemplo, foi corre-
lacionada às intercalações de folhelhos e arenitos da sequência Drifte, sendo um importante
critério para mapear o limite superior da sequência transicional com a drifte.

Os mapas de topos estruturais e de isópacas permitem visualizar o mergulho e espes-


samento da seção transicional predominante para a região sudeste, onde, também a partir
da análise dos mapas citados, foi possível identificar o depocentro da área de estudo, no
momento de deposição dessa sequência. Interpreta-se que camadas de sal devem ter mi-
grado, por fluxo gravitacional, das porções mais rasas da bacia para este depocentro, tanto

73
Conclusões 74

da região do talude quanto da porção norte da área de estudo, no limite entre as bacias de
Camamu e Almada, segundo Ferreira (2009).

No dado de poço utilizado para o presente trabalho, não foram encontradas rochas evapo-
ríticas na sequência transicional. Mesmo assim, foi possível mapear as Discordâncias (DPR
e DPT) e gerar a correlação com a linha sísmica localizada na referida região. No restante
da área de estudo, a sequência transicional é composta majoritariamente por sedimentos
siliciclásticos, com ocorrências pouco expressivas de sais na região proximal e no extremo sul
da bacia.

Na área correspondente ao depocentro, foram mapeadas e interpretadas estruturas au-


tóctones ligadas à elevação da camada de sal, como diápiros, muralhas e almofadas de sal,
como também foram mapeadas estruturas ligadas a deflação de sal.

Após analogias com estudos realizados em outras bacias, percebe-se que a tectônica
do sal pode ter atuado gerando dois principais tipos de trapas acumuladoras de petróleo:
as trapas formadas pelo acunhamento de corpos de rocha reservatório contra os flancos de
diápiros de sal, e trapas associadas às estruturas dômicas desenvolvidas sobre almofadas de
sal.

Por fim, com o objetivo de melhor aproveitamento do potencial exploratório da área de


estudo, sugerem-se que sejam feitas análises geoquímicas para avaliar potencial gerador dos
intervalos que preenchem as mini-bacias na Bacia de Almada.
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