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Apresentação
A origem da palavra democracia, no grego, nos lembra que "demos" significa povo, e
"cratos", poder. Ou seja, democracia é o poder exercido pelo povo. É um sistema em que a
vontade popular se manifesta pela escolha livre dos governantes, expressa por meio do
voto, e pela união dos cidadãos. Garantir esse direito é proteger a essência da democracia,
que promove a justiça, a igualdade de oportunidades e a participação ativa em todos os
aspectos da sociedade.
Neste contexto, a Polícia Militar assume um papel fundamental na segurança do processo
eleitoral, assegurando que a ordem pública seja mantida, que os eleitores exerçam seu
direito com tranquilidade e que os trabalhadores da Justiça Eleitoral realizem suas funções
em segurança. Reconhecemos que, como parte deste processo democrático, cada policial
militar desempenha uma missão de grande relevância para a preservação dos pilares que
sustentam a nossa sociedade.
A entrega desta cartilha busca orientar e sanar as principais dúvidas dos nossos operadores
de segurança, para que o policiamento nas eleições seja conduzido com eficiência,
responsabilidade e excelência.
A cada eleição, seja na capital ou no interior, o efetivo policial é mobilizado para garantir a
ordem e transmitir segurança aos cidadãos. Por isso, o Comando da Polícia Militar exalta o
comprometimento de cada policial que se dedica a esta missão. Sabemos que o
profissionalismo, a prudência e os deveres inerentes à nossa profissão serão, como
sempre, os pilares das nossas ações.
Alexandre Corrêa Mendes – Cel PM
Comandante-Geral da PMMT
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1. Condutas Vedadas aos Agentes Públicos
De acordo com a Lei nº 9.504/1997 e com a mais recente Resolução TSE nº 23.610/2019,
os agentes públicos, incluindo os policiais militares, devem observar rigorosamente as
condutas vedadas durante o período eleitoral para garantir a igualdade de oportunidades
entre os candidatos. Entre as principais proibições que devem ser destacadas estão:
Cessão de Bens e Serviços Públicos:
É proibido ceder ou utilizar bens móveis ou imóveis pertencentes à administração pública
em benefício de candidatos, partidos políticos ou coligações. Essa vedação inclui o uso de
veículos oficiais, computadores e outros equipamentos para fins de campanha. Policiais
Militares não podem, por exemplo, utilizar viaturas, uniformes ou qualquer outro recurso
público para promover candidatos ou partidos. (Art. 73, I da Lei nº 9.504/1997).
Uso de Servidores Públicos:
A cessão de servidores ou a utilização dos serviços destes, durante o horário de
expediente, para atuar em comitês de campanha eleitoral é proibida, a menos que o
servidor esteja licenciado ou em férias. A lei proíbe qualquer envolvimento dos servidores
em atividades eleitorais durante o exercício de suas funções públicas (Art. 73, III da Lei nº
9.504/1997).
Propaganda Eleitoral na Internet:
Policiais Militares e outros agentes públicos estão proibidos de utilizar sites oficiais ou
quaisquer páginas administradas pelo governo para a veiculação de propaganda eleitoral. A
utilização de perfis institucionais para fins de promoção política é vedada e passível de
sanção (Art. 57-C da Lei nº 9.504/1997).
Distribuição Gratuita de Bens:
É proibida a distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou
subvencionados pelo poder público, com o objetivo de promover candidatos. A exceção
ocorre apenas em casos de calamidade pública, estado de emergência ou em programas
sociais já previstos em lei e em execução antes do ano eleitoral (Art. 73, IV da Lei nº
9.504/1997).
Penalidades:
A prática de qualquer das condutas vedadas pode resultar em sanções graves, como
multas, cassação do registro ou diploma do candidato beneficiado e até a inelegibilidade,
conforme a gravidade da infração e as decisões da Justiça Eleitoral (Art. 73, § 4º e § 5º da
Lei nº 9.504/1997).
Recomendações Adicionais
A PGE/MT também recomenda que gestores e agentes públicos tenham cautela na
participação de eventos financiados com recursos públicos, principalmente em situações
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que possam ser interpretadas como promoção pessoal ou política, evitando o uso ostensivo
de cores, símbolos ou associações com candidatos durante o período eleitoral.
Dados atualizados para as Eleições 2024:
● Municípios: 142
● Zonas Eleitorais: 57
● Locais de Votação: 1.502
● Seções Eleitorais: 8.789
● Eleitores: 2.588.666
2. Atribuições da Polícia Militar
2.1. A função do Policial Militar nas Eleições
O Policial Militar colaborará com a Justiça Eleitoral na preservação da ordem pública e
segurança no entorno dos 1.478 locais de votação do Estado de Mato Grosso. A atuação da
Polícia Militar é parte integrante da consolidação da democracia.
Para que o Policial Militar entenda melhor a importância do seu trabalho e a dimensão
desse evento de grande relevância, é importante observar os seguintes aspectos:
2.2. Missão
A Polícia Militar do Estado de Mato Grosso atuará no pleito eleitoral de 2024 em duas
situações distintas:
Na sua atribuição constitucional, realizará normalmente o policiamento ostensivo;
De forma complementar, irá atuar na segurança dos locais de votação, apuração,
totalização e divulgação de resultados, garantindo que:
● O eleitor vote de maneira livre e espontânea;
● Os mesários possam trabalhar com segurança;
● Os juízes, promotores eleitorais e demais autoridades possam exercer suas funções;
Os trabalhos a serem desenvolvidos pela Justiça Eleitoral possam ser executados por seus
servidores e colaboradores dentro da normalidade e segurança esperada.
3. Aspectos que devem ser observados pelo Policial Militar
A regra geral da legislação eleitoral é a garantia do voto ao eleitor, conforme o Código
Eleitoral, que prevê em seu art. 234: “Ninguém poderá impedir ou embaraçar o exercício do
sufrágio.”
O limite entre o abuso e a atuação regular está descrito na lei. Esta cartilha foi elaborada
para auxiliar o Policial Militar no que diz respeito às ocorrências mais frequentes nas
eleições, para que, com a devida reflexão e atenção à legislação pertinente, aliada ao bom
senso, o trabalho seja cumprido com elevado grau de profissionalismo.
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3.1. A quem compete o poder de polícia na Justiça Eleitoral?
O Poder de Polícia durante o pleito eleitoral está vinculado à figura do Juiz da Zona
Eleitoral, e no local de votação ao Presidente da Mesa (Art. 139 do Código Eleitoral).
Art. 139. Ao presidente da mesa receptora e ao juiz eleitoral cabe a polícia dos trabalhos
eleitorais.
Atenção: A lei estabelece várias atribuições e poderes ao
presidente da mesa receptora de votos (art. 127, 139, 140,
141, 147, 154, 191, 235 do CE), podendo inclusive dispor de
força pública para a manutenção da ordem.
Art. 140 (...)
§ 1º O presidente da mesa, que é durante os trabalhos a autoridade superior, fará retirar do
recinto ou do edifício quem não guardar a ordem e compostura devidas e estiver praticando
qualquer ato atentatório à liberdade eleitoral.
3.2. O Policial Militar pode adentrar na seção eleitoral?
Sim, mas somente se estiver exercendo seu próprio voto ou na hipótese de flagrante, por
ordem do presidente da mesa ou outra autoridade competente (art. 141 c/c 238 do CE).
Atenção: Antes de usar do extremo em PRENDER alguém em
flagrante delito, reflita!
3.3. O eleitor pode ser preso ou detido no dia da votação?
Em regra, não. O Código Eleitoral (art. 236) proíbe a prisão ou detenção de qualquer eleitor
desde 5 (cinco) dias antes e até 48 (quarenta e oito) horas após o encerramento da eleição,
salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime
inafiançável, ou por desrespeito a salvo-conduto.
Os candidatos, por sua vez, não podem ser presos ou detidos desde 15 (quinze) dias antes
das eleições, salvo em flagrante delito.
Atenção: Observe e diferencie flagrância de crime comum ou
crime eleitoral.
3.4. O PM diante de flagrante de Crime Eleitoral
Conforme a legislação eleitoral, ocorrendo qualquer prisão, o preso deverá ser
imediatamente conduzido à presença do Juiz competente e, caso seja verificada a
ilegalidade da detenção, esta será relaxada, com a devida responsabilidade do agente
coator (Código Eleitoral, art. 236, § 2º).
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Por essa razão, o conduzido deverá ser de imediato apresentado à Polícia Federal e, na
ausência desta, à Polícia Judiciária Civil. O policial condutor deverá informar ao oficial
responsável sobre a situação, solicitando que seja dada ciência ao Juiz Eleitoral.
É recomendável que os agentes de segurança se informem previamente sobre as
orientações do juiz eleitoral na localidade em que irão atuar. Haverá situações em que a
pessoa detida será conduzida até a delegacia de Polícia Federal; em outras, poderá ser
conduzida à Polícia Civil, e, a critério do juiz eleitoral, poderá ser deslocada para outros
locais, dependendo da capacidade existente ou mesmo ao "Cadeião".
Para os casos de atuação do PM em áreas isoladas, como na Zona Rural, se houver
dificuldades em apresentar o infrator à autoridade competente, deverá ser especificado no
Boletim de Ocorrência o motivo da demora na apresentação, devendo, sempre que
possível, comunicar a situação ao oficial de área.
Atenção: Quando houver cadeiões, o preso deve ser
encaminhado a esse local.
3.5. Na flagrância de outros crimes
É importante ressaltar que, no dia das eleições, ocorrendo flagrante de crime que não seja
eleitoral ou conexo ao eleitoral, o PM deverá atuar dando os encaminhamentos de uma
ocorrência normal junto à Delegacia responsável.
3.6. Principais crimes eleitorais
Corrupção eleitoral:
3.6.1) Quando ocorrer (Art. 302, I, II, III e IV, do Código de Processo Penal):
3.6.2) Registrar em vídeo de forma não ostensiva, se possível;
3.6.3) Prender em flagrante delito quem estiver "comprando o voto" e o eleitor que o estiver
"vendendo", pelo crime do art. 299 do Código Eleitoral, conduzindo-os em seguida à
presença do juiz eleitoral para a análise da presença do art. 236, §2º do Código Eleitoral e,
em caso negativo, à presença da autoridade policial competente para a lavratura do auto de
prisão em flagrante, nos termos do art. 304, caput e §§, do Código de Processo Penal,
concedendo-lhes, ao final, liberdade provisória mediante fiança, nos termos do art. 322 do
Código de Processo Penal.
3.6.4) Ainda no ato da prisão, apreender o dinheiro em espécie utilizado no ato criminoso,
bem como o que o autor da compra estiver de posse em seus bolsos, carteira, bolsa ou
similar, o que estiver no interior do veículo a bordo do qual estava e, ainda, o material de
propaganda que estiver eventualmente de posse.
3.6.5) Identificação completa do(s) veículo(s) abordo do(s) qual(is) o(s) cidadão(s)
flagrado(s) se encontrava(m), inclusive fotografando-se seu(s) documento(s) (CRLV) e suas
placas.
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Concentração ilegal de eleitores:
Art. 302. Promover, no dia da eleição, com o fim de impedir, embaraçar ou fraudar o
exercício do voto, a concentração de eleitores sob qualquer forma, inclusive o fornecimento
gratuito de alimento e transporte coletivo.
Impedir ou embaraçar o exercício do voto:
Art. 297. Impedir ou embaraçar o exercício do sufrágio.
Voto tentado ou repetido:
Art. 309. Votar ou tentar votar mais de uma vez, ou em lugar de outrem.
Aliciamento violento de eleitores:
Art. 301. Usar de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, em
determinado candidato ou partido, ainda que os fins visados não sejam conseguidos.
Violação do sigilo do voto:
Art. 312. Violar ou tentar violar o sigilo do voto.
Transporte irregular de eleitores
Há tipificação de crime de transporte de eleitores em modalidades distintas tanto na Lei n.
6.091/74 (art. 11 c/c art. 5º e 10º), quanto no Código Eleitoral (art. 302).
Atenção: Em caso de flagrante de qualquer dos crimes
eleitorais mencionados, o Policial Militar deverá proceder com
a prisão em flagrante e seguir os procedimentos descritos na
legislação eleitoral, sempre informando o juiz eleitoral e
conduzindo o infrator à autoridade competente.
Alimentação de Eleitores
Art. 8º. (Lei 6.091/74) Somente a Justiça Eleitoral poderá, quando imprescindível, em face
da absoluta carência de recursos de eleitores da zona rural, fornecer-lhes refeições,
correndo, nesta hipótese, as despesas por conta do Fundo Partidário.
O art. 8º trata de situações de urgência e imprescindibilidade de alimentos a eleitores de
determinado local da Zona Rural. O legislador visou evitar a manipulação da vulnerabilidade
do eleitorado, determinando que o fornecimento de alimentação seja feito apenas pela
Justiça Eleitoral. Caso contrário, o eleitor poderia ser influenciado a votar em determinado
candidato com base no sentimento de necessidade, viciando sua vontade e reduzindo sua
capacidade de discernimento.
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Art. 10. (Lei 6.091/74) É vedado aos candidatos, órgãos partidários ou qualquer pessoa
fornecer transporte ou refeições aos eleitores da zona urbana.
O art. 10, de forma similar, proíbe o fornecimento de alimentação por candidatos, partidos
ou seus representantes, tanto na zona urbana quanto, por interpretação extensiva, na zona
rural. O objetivo é evitar que ações sociais sejam usadas como artifício para manipulação
do voto, o que poderia configurar crime eleitoral conforme o art. 299 do Código Eleitoral
(compra e venda de votos).
Atenção: No contexto do art. 302, o fornecimento de
alimentação pode ser interpretado como uma forma de
promover a concentração de eleitores, o que pode embaraçar
o exercício livre do voto, como exemplificado em ações de
partidos que organizam eventos "beneficentes" em locais
próximos aos de votação.
Portanto, o fornecimento gratuito de alimentos ou refeições a
eleitores, tanto da zona rural quanto da zona urbana, no dia da
eleição, constitui crime eleitoral.
Utilização de Veículos Oficiais em Campanha Eleitoral
Art. 11. (Lei 6.091/74) Constitui crime eleitoral:
V - Utilizar, no decurso dos 90 dias que antecedem o pleito, veículos e embarcações
pertencentes à União, Estados, Territórios, Municípios, autarquias ou sociedades de
economia mista em campanhas eleitorais.
Impedimento do Exercício de Propaganda Eleitoral Lícita
Art. 332. (CE) Impedir o exercício de propaganda eleitoral lícita é crime.
Inutilizar ou Embaraçar Propaganda Regular
Art. 331. (CE) Inutilizar, alterar ou perturbar os meios de propaganda devidamente
empregados também é crime.
Esses dispositivos buscam resguardar o direito à propaganda eleitoral, conforme
estabelecido pelo Art. 248 do Código Eleitoral, que proíbe qualquer interferência na
propaganda eleitoral lícita.
Boca de Urna
Se flagrado, conforme Art. 302, I, II, III e IV, do Código de Processo Penal, a arregimentação
de eleitores ou a propaganda de boca de urna deve ser tratada com os seguintes
procedimentos:
● Registrar em vídeo, se possível, a ocorrência de distribuição de materiais de
campanha ou propaganda irregular;
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● Abordar os responsáveis, conduzindo-os à delegacia para lavratura de termo
circunstanciado (TCO) conforme o Art. 39, §5º, da Lei nº 9.504/1997, podendo
prendê-los em flagrante se houver resistência ao comparecimento.
Manifestação Individual de Preferência
Não caracteriza crime a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por
partido político, coligação ou candidato, revelada exclusivamente pelo uso de bandeiras,
broches, dísticos e adesivos, conforme Art. 39-A, caput, da Lei 9.504/97.
Recusa ou Abandono do Serviço Eleitoral
Art. 344. (CE) Recusar ou abandonar o serviço eleitoral sem justa causa.
O art. 123, § 3º do CE prevê a possibilidade de nomeação ad hoc de mesários a partir de
eleitores que estejam na fila. Essa nomeação pode ser feita pelo presidente da mesa
receptora no dia das eleições, e o art. 344 também se aplica a essa hipótese.
Desobediência ou Recusa ao Cumprimento de Diligências, Ordens ou Instruções da Justiça
Eleitoral
Art. 347. (CE) Recusar cumprimento ou obediência a diligências, ordens ou instruções da
Justiça Eleitoral, ou opor embaraços à sua execução.
3.7. Da Realização do Policiamento
No policiamento na modalidade de permanência, atente-se que sua principal missão é a
segurança dos locais de votação, apuração e divulgação de resultados. Ausências dos
locais só devem ocorrer em casos excepcionais.
Caso a modalidade seja por Cartão Programa de Policiamento, ao chegar ao local, faça
contato com o responsável, fornecendo os telefones úteis para acionamento da Polícia
Militar.
Se o flagrante for efetuado por mesário ou colaborador da Justiça Eleitoral, o policial
responsável pela segurança deve providenciar a condução do infrator ou prestar suporte
necessário, informando a autoridade sobre a função desempenhada pelo autor do flagrante.
3.8. A Quem Compete Apurar os Crimes Eleitorais?
Quando no local da infração não houver órgãos da Polícia Federal, a Polícia Judiciária Civil
terá atuação supletiva. Constatada a autoria e materialidade de crime eleitoral, o infrator
deverá ser encaminhado à autoridade policial, com a devida coleta de testemunhas e
indícios do fato.
3.9. O Que é Lícito na Propaganda Eleitoral Um Dia Antes da Eleição?
Até às 22 horas do dia anterior à eleição, é permitida a distribuição de material gráfico,
caminhadas, carreatas, passeatas ou carros de som divulgando jingles ou mensagens de
candidatos, desde que não se transformem em comício (art. 39, §9º da Lei 9.504/97).
A Resolução nº 23.610/2019/TSE, art. 15, regula distâncias mínimas e limites de volume em
watts para sons utilizados.
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4. Dicas ao Policial Militar
Sugere-se verificar/providenciar:
4.1. Antes do Pleito
● Conhecer o local designado para levar pessoas presas ou detidas por crime
eleitoral;
● Verificar com o superior a logística do almoço;
● Confirmar a presença de policiais federais ou civis no local de trabalho;
● Conhecer os pontos sensíveis do local de votação, como saídas de emergência e
extintores de incêndio;
● Verificar como e quando as urnas serão entregues e armazenadas, e se o local é
seguro;
● Anotar os telefones úteis (Juiz eleitoral, Promotor eleitoral, chefe de cartório, PM
local, Polícia Federal, Civil, etc.).
4.2. Voo da Madrugada
● Registrar em vídeo de forma não ostensiva;
● Abordar os autores, solicitando seus documentos para qualificação completa, sob
pena de condução à delegacia para lavratura de TCO por desobediência (art. 330 do
Código Penal), apreendendo o material de propaganda;
● Fotografar o material de propaganda encontrado no chão;
● Identificar os veículos utilizados, fotografando documentos e placas;
● Lavrar relatório simplificado do ocorrido, incluindo endereço e local de votação
próximos.
4.3. Antes do Início da Votação
4.3.1. Ao chegar ao local de trabalho, apresente-se aos presidentes das mesas receptoras e
ao coordenador eleitoral, colocando-se à disposição e informando o local em que
permanecerá, caso haja necessidade.
4.4. No Transcorrer do Serviço
4.4.1. Não abandone o posto sem informar ao superior imediato e ao coordenador do local
de votação.
4.5. No Encerramento da Votação
4.5.1. Atente para a fila, especialmente se ela se estender para fora do edifício após as 17
horas, pois, a partir deste horário, há previsão legal para a distribuição de senhas, dando ao
eleitor o direito de voto desde que tenha chegado à seção eleitoral até às 17 horas.
Obs.: Caberá ao Juiz Eleitoral e ao presidente da mesa receptora de votos autorizar ou não
a distribuição de senhas a eleitores que chegarem fora do horário em situações
excepcionais ou por medida sanitária.
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4.5. No Transporte da Urna
4.5.1. Conforme os artigos 11, III, 5º, 8º e 10º da Lei 6.091/74.
Art. 5º. Nenhum veículo ou embarcação poderá fazer transporte de eleitores desde o dia
anterior até o posterior à eleição, salvo:
● A serviço da Justiça Eleitoral;
● Coletivos de linhas regulares e não fretados;
● Uso individual do proprietário para o exercício do próprio voto e de membros da sua
família;
● Serviço normal de veículos de aluguel, sem finalidade eleitoral, não atingidos pela
requisição de que trata o art. 2º.
Art. 10. É vedado aos candidatos, órgãos partidários ou qualquer pessoa fornecer
transporte ou refeições aos eleitores da zona urbana.
Art. 11. Constitui crime eleitoral: III - descumprir a proibição dos artigos 5º, 8º e 10º.
4.6. No Local de Apuração (ao PM mais antigo)
O juiz eleitoral ou a pessoa designada (chefe de cartório) estabelecerá as instruções
relativas ao ingresso e restrições de acesso no local de apuração. Recomenda-se que o
local seja vistoriado com antecedência para oferecer sugestões técnicas, como:
● Identificar locais de saída e número de acessos;
● Solicitar orientação ao Corpo de Bombeiros sobre incêndios e tumultos;
● Estabelecer previamente o controle de acesso e número de pessoas no local, se
necessário com crachás;
● Recomendar isolamento por cordas ou barreiras, conforme orientação do juiz
eleitoral.
5. Outras Recomendações
● Ler atentamente a cartilha para garantir a atuação profissional e evitar transtornos
nas atribuições policiais.
● Solicitar autorização ao superior para exercer o direito ao voto ou justificar.
● Não esquecer de levar papel e caneta para anotações e formulários de boletim de
ocorrência.
● Verificar, com antecedência, as dificuldades logísticas da área de trabalho,
especialmente em locais de difícil acesso.
6. Novas Tipificações Penais Eleitorais
As eleições de 2024 trazem novos tipos penais conforme as Leis 13.487/2017, 13.488/2017
e 13.834/2019, que alteraram as Leis nº 9.504/97 (Lei das Eleições), nº 9.096/95 (Lei dos
Partidos Políticos) e nº 4.737/65 (Código Eleitoral).
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Art. 326-A. Imputação falsa com finalidade eleitoral. Pena: reclusão de 2 a 8 anos,
aumentada se feita sob anonimato.
Art. 354-A. Apropriação indébita eleitoral. Pena: reclusão de 2 a 6 anos.
7. Dúvidas frequentes e respostas (adaptado do informativo da CGE-2020)
O Comandante de unidade policial pode solicitar que Policiais Militares peguem material de
campanha eleitoral na sede do partido político ou coligação?
Não. A legislação eleitoral de 2024 mantém a vedação da utilização de serviços de servidor
público para comitês de campanha eleitoral de candidato, durante o horário normal de
expediente (Art. 73, III da Lei n.º 9.504/97). O servidor não pode ser direcionado para
atividades de natureza eleitoral, a menos que esteja licenciado.
Policiais Militares podem ser cedidos para comitês de campanha eleitoral de candidato,
partido político ou coligação?
Não. A cartilha de 2024 reafirma que o servidor público, incluindo Policiais Militares, não
pode ser cedido para atuar em comitês eleitorais, salvo se estiver licenciado de suas
funções (Art. 73, III da Lei n.º 9.504/97).
O Comandante pode ceder espaços como quadra, auditório e sala para reuniões de
candidatos?
Não. A legislação de 2024 veda expressamente o uso de bens públicos, móveis ou imóveis,
para campanhas eleitorais, com exceção das convenções partidárias. O uso de bens
públicos como computadores, celulares e veículos também é proibido para fins de
campanha (Art. 73, I da Lei n.º 9.504/97).
Candidatos podem fazer propaganda eleitoral em unidades Policiais Militares, distribuindo
panfletos, cartilhas etc.?
Não. Os candidatos podem visitar repartições públicas, mas a distribuição de qualquer tipo
de propaganda eleitoral dentro das repartições é vedada. O material pode ser distribuído
apenas fora das unidades, nas áreas externas (Art. 37 da Lei n.º 9.504/97).
O Policial Militar pode fazer propaganda eleitoral com seu veículo particular?
Sim. A legislação eleitoral não proíbe que o Policial Militar faça campanha com seu veículo
particular, mas não pode estacionar o veículo em estacionamento público se os adesivos de
propaganda eleitoral excederem as dimensões permitidas (Art. 37, §2º, II da Lei nº
9.504/97).
Os Policiais Militares podem usar camisetas, adesivos, bottons, bonés ou broches que
divulguem candidaturas nas unidades?
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Não. Durante o horário de expediente e enquanto estiverem em serviço, os Policiais
Militares devem usar o uniforme orgânico e não podem realizar propaganda eleitoral (Art.
73, III da Lei n.º 9.504/97).
As atividades administrativas programadas pelas unidades, como palestras e reuniões
comunitárias, estão vedadas no período eleitoral?
Não. Essas atividades podem ser realizadas normalmente. O que a legislação eleitoral
proíbe é a promoção ou uso dessas atividades para fins eleitorais (Art. 73, VI, b da Lei n.º
9.504/97).
Qual é o período permitido para a realização de distribuição de material gráfico, caminhada,
carreata, passeata, acompanhadas ou não por carro de som ou mini trio?
Até as 22 horas do dia que antecede a eleição, as atividades de distribuição de material
gráfico, caminhadas, carreatas, passeatas e carros de som são permitidas, desde que não
configurem comício (Código Eleitoral, Art. 240, parágrafo único, e Lei n.º 9.504/1997, Art.
39, §9º).
8. Referências bibliográficas:
Brasil. Código Eleitoral. Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965. Dispõe sobre o Código
Eleitoral. Disponível em: [Link]
Brasil. Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997. Estabelece normas para as eleições.
Disponível em: [Link]
Brasil. Lei nº 6.091, de 15 de agosto de 1974. Dispõe sobre o fornecimento gratuito de
transporte e alimentação em dias de eleição para eleitores residentes nas zonas rurais.
Disponível em: [Link]
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Resolução nº 23.610, de 18 de dezembro de 2019. Dispõe
sobre propaganda eleitoral e condutas ilícitas em campanha eleitoral. Disponível em:
[Link]
ro-de-2019.
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Cartilha Eleitoral 2024. Documento interno.
Mato Grosso. Cartilha Eleitoral 2024: Condutas Vedadas aos Agentes Públicos nas
Eleições. Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso, 2024.
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