PROVAS
CONCEITO DE PROVA:
tudo aquilo que contribui para a formação do convencimento do
órgão julgador
é todo elemento pelo qual se procura mostrar a existência e a
veracidade de um fato
OBJETIVO DA PROVA:
formar o convencimento do juiz referente a um fato alegado
influenciar no convencimento do julgador.
SISTEMAS DE APRECIAÇÃO DAS PROVAS
1 SISTEMA DA VERDADE REAL (PROVA TARIFADA)
- As provas têm valor preestabelecido
- o valor de cada prova é predefinido, não existindo, portanto uma
valoração individualizada, de acordo com cada caso concreto
- o sistema da prova tarifada entende que os meios de prova têm
valor probatório fixado em abstrato pelo legislador (OU SEJA, SERIA
POSSIVEL EXISTIR PROVAS COM MAIS VALIDADE QUE AS OUTRAS)
2 SISTEMA DA ÍNTIMA CONVICÇÃO OU CERTEZA MORAL
- o juiz é livre para apreciar a prova e não precisa
fundamentar sua decisão
- É EXCEÇÃO,
- Vigora em nosso ordenamento, como exceção, no julgamento pelo
Tribunal do Júri
3 LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO OU PERSUASÃO RACIONAL
- SISTEMA ADOTADO EM NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO
- CF/88 ART 93 E CPP ART 155
- o juiz natural tem ampla liberdade na valoração das
provas, desde que fundamente a sua decisão
- MOTIVAÇÃO DAS DECIÕES
CLASSIFICAÇÃO DOS MEIOS DE PROVA
Os meios de prova podem ser classificados quanto ao objeto,
à forma e quanto ao sujeito: OBJETO FORMA SUJEITO
QUANTO AO OBJETO:
Provas Diretas: são aquelas que por si sós demonstram o fato objeto
da investigação, ou seja, referem-se diretamente ao fato a ser
provado.
Provas Indiretas: são aquelas que não demonstram diretamente,
mas permitem deduzir tais circunstâncias a partir de um
raciocínio lógico dedutível e irrefutável
QUANTO A FORMA:
Pericial/Material: qualquer materialidade que corporifica a
demonstração do fato. São produzidas por exame.
Oral/Testemunhal: aquela que é feita por afirmação pessoal.
Documental: feita por prova escrita ou gravada.
QUANTO AO SUJEITO
Real/Material: é aquela extraída dos vestígios deixados pelo
crime. consiste em algo externo e distinto da pessoa
Pessoal: sua origem está na pessoa. Emana da manifestação
consciente do ser humano.
As provas também podem ser classificadas como:
• Nominadas: que estão expressamente previstas no Código de
Processo Penal, como por exemplo, a Prova Testemunhal, Prova
Pericial, Interrogatório do acusado etc.
• Inominadas: que não estão previstas no CPP, mas são
aceitas, como as fotografias, vídeos etc
QUANTO AOS EFEITOS DAS PROVAS
• Plena: conduz a um juízo de certeza. São colhidas na fase
judicial, passando pelo crivo do contraditório e da ampla defesa.
• Não plena (indiciária): mera probabilidade; é insuficiente para
condenação, MAS SUFICIENTE PARA DECRETAÇÃO DE MEDIDAS
CAUTELARES.
São colhidas na fase pré-processual, durante o inquérito policial.
FATOS QUE DISPENSAM A COMPROVAÇÃO DA PROVA
Existem fatos que simplesmente não precisam ser provados no
direito processual penal:
1- Fatos Notórios: São fatos que a sociedade presume serem do
conhecimento de todos
2- Fatos Axiomáticos (Intuitivos): São os fatos evidentes. Por
exemplo, em um desastre de avião, encontra-se o corpo de
uma das vítimas completamente carbonizado. Desnecessário
provar que estava morta
3- Fatos Legalmente Presumidos: providos do próprio
ordenamento jurídico, com previsão legal já constituída,
podendo ser divididos em:
Presunção juris tantum: essa será uma presunção relativa,
dispensada de prova a priori, no entanto admitirá prova em
sentido contrário.
Presunção juris et de jure: já aqui, teremos uma presunção
absoluta, não admitindo prova em contrário, como por
exemplo, menores de 18 anos são inimputáveis.
4- Fatos Inúteis e Irrelevantes:
PROVAS NÃO REPETÍVEIS, CAUTELARES E ANTECIPADAS
PROVAS NÃO REPETÍVEIS
- produzidas na fase pré-processual
- não serão passíveis de repetição uma vez que, muito
provavelmente ocorrerá o desaparecimento da prova com o passar
do tempo.
PROVAS CAUTELARES(PERIGO/RISCO/DEMORA)
- produzidas quando existe perigo na demora (periculum in
mora), risco do desaparecimento da prova ou algum
impedimento que dificulte sua obtenção
sendo assim necessária sua produção na fase investigativa
PROVAS ANTECIPADAS
- produzidas antes do momento fixado em lei, em razão de
urgência e relevância
- O entendimento atual é que existe o contraditório nesta
modalidade (PROVAS ANTECIPADAS), de maneira real e
temporânea, ou seja, no momento da sua produção.
BIZU: O CONTRADITÓRIO NAS PROVAS NÃO REPETÍVEIS E
CAUTELARES NÃO OCORRERÁ NO MOMENTO DA SUA
PRODUÇÃO NA FASE INVESTIGATIVA
ocorrendo posteriormente na fase processual.
ÔNUS DA PROVA:
encargo que as partes têm de provar os fatos que alegam
- Neste sentido, o ônus da prova será de quem fizer a alegação, em
conformidade com a presunção de inocência, que reverte a
distribuição do ônus no Processo Penal
- a defesa também poderá fazer alegações durante a fase
processual, como nos casos de atenuantes, privilegiadoras, causas
de diminuição de pena, extinção da punibilidade e pedido de
absolvição, sendo nestes casos, incumbido ao réu o ônus da prova
PROVA EMPRESTADA
É possível no processo penal brasileiro, a prova emprestada.
PROVA EMPRESTADA É O APROVEITAMENTO DE OUTRA PROVA,
PRODUZIDA EM OUTRO PROCESSO.
Não obstante o valor precário da prova emprestada, ela é
admissível no processo penal, desde que não constitua o único
elemento de convicção a respaldar o convencimento do julgador.
(STJ – HC 94624)
PROVAS ILÍCITAS
A vedação às provas ilícitas constrange os agentes estatais à
adoção de práticas probatórias legais, já que sabem,
antecipadamente, que as provas produzidas serão nulas
futuramente.
DIFERENÇA ENTRE PROVAS ILEGÍTIMAS E PROVAS ILÍCITAS
PROVA ILEGÍTIMA: É obtida com violação de regras de ordem
processual
PROVA ILÍCITA: É obtida com violação a regras de direito material
ou normas constitucionais.
art. 5º, LVI, da CF/1988, que se dirige às provas ilícitas e ilegítimas:
LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos
existem provas ilícitas que são aceitas pela jurisprudência, em
circunstâncias especiais:
a) Prova favorável ao acusado;
b) Gravação telefônica feita por um dos interlocutores, sem o
conhecimento do outro;
c) Provas cuja produção foi admitida pelo acusado. Ex.: consentir no
cumprimento do MBA durante o período noturno. Contudo, estas é
válida apenas para direitos disponíveis.
d) Gravação feita por terceiro, de conversa mantida em local
público
TEORIA DOS FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA (FRUITS OF THE
POISONOUS TREE)
estabelece que todas as provas que sejam derivadas das ilícitas
não poderão ser admitidas no processo. (ART 157,§1)
Art. 157. (...) § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas
das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade
entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas
por uma fonte independente das primeiras.
EXCEÇÕES À TEORIA DOS FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA
1_Teoria da Descoberta Inevitável:
- a prova derivada seria descoberta de qualquer modo
- também chama de teoria da fonte hipoteticamente independente.
2_ Contaminação Expurgada:
- a prova derivada da ilícita poderia ser obtida por outra fonte legal
- também chamada por teoria da fonte absolutamente
independente
EXEMPLO: policiais invadem ilegalmente um local suspeito de
armazenar drogas. Constatada a presença dos ilícitos, evadem do
local e solicitam autorização judicial para retornarem ao local e
realizar a colheita das provas de maneira lícita
TEORIA DA SERENDIPIDADE
Trata-se da “prova encontrada”
descoberta de maneira fortuita
Poderá ser considerada lícita se presentes todos os requisitos legais
no decurso da investigação e não se verificar nenhuma fraude para
sua obtenção
Podendo ser dividida doutrinariamente como:
SERENDIPIDADE SUBJETIVA: Quando as novas informações atribuem
a participação de um novo sujeito.
SERENDIPIDADE OBJETIVA: Quando as novas informações, atribuem
a existência de novas infrações penais.
SERENDIPIDADE OBJETIVA DE PRIMEIRO GRAU: Quando as novas
informações, possuem nexo causal com a infração originária.
CADEIA DE CUSTÓDIA
O Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) regulamentou o instituto da
Cadeia de Custódia, introduzindo o art. 158-A e seguintes no Código
de Processo Penal.
Basicamente, custodiar significa guardar com cuidado e
vigilância
É uma forma de prevenir a manipulação indevida da prova e
garantia de integridade e, por consequência, credibilidade e
prestabilidade da prova, que tenha o intuito de incriminar ou
isentar a responsabilidade de alguém.
Se as fontes forem alteradas, contaminará os meios e a não
preservação afetará a credibilidade dos meios de prova.
Contudo, nem sempre a quebra da cadeia de custódia
acarretará nulidade da prova colhida. As irregularidades devem
ser observadas pelo juízo ao lado dos demais elementos produzidos
na instrução criminal, e concluir se a prova colhida pode ser levada
em consideração e se ainda é de confiança
Não confundir corpo de delito x cadeia de custódia x exame de
corpo de delito:
• Corpo de Delito: conjunto de todos os elementos materiais. corpo
de delito é o vestígio do crime
• Cadeia de Custódia: registro de procedimentos, movimentação
para manter e documentar a história cronológica do vestígio
• Exame de Corpo de Delito: exame propriamente dito, realizado
pelo perito.
Bizu!!!! o vestígio latente é o vestígio que precisa de técnica para
ser identificado, como por exemplo o vestígio digital.
PROCEDIMENTOS DA CADEIA DE CUSTÓDIA - art. 158-B do CPP
PROVAS EM ESPÉCIE
A prova é o ato que busca comprovar a veracidade dos fatos que
concorreram para a prática de um delito, no qual influenciará
diretamente o julgador.
O prova serve pra provar determinada situação, garantir a
veracidade.
**EXAME DE CORPO DE DELITO E PERÍCIAS EM GERAL**
O perito é o auxiliar do juízo (artigo 159 cpp)
Na falta de perito oficial, o exame será realizado por dois peritos
NÃO oficiais.
O perito responsável pela perícia deve elaborar um laudo no
prazo máximo de 10 dias (prazo impróprio) (ART 160 CPP)
EXAME DE CORPO DE DELITO
O corpo de delito é o vestígio do crime e o exame de corpo de
delito é a perícia deste vestígio.
sempre que houver vestígio, será feito o exame (ele é obrigatório)
(ART 158 CPPP)
Mas na falta do exame (art. 167 do CPP), a prova testemunhal
poderá supri-lo
A confissão jamais poderá suprir o exame de corpo de delito
Nas infrações transeuntes, que são as infrações que NÃO deixam
vestígios, não é necessário realizar o exame de corpo de delito.
Já nas infrações não transeuntes, que são as infrações que deixam
vestígios, é necessária a realização do exame de corpo de delito.
EXAME DE CORPO DE DELITO INDIRETO
É realizado quando impossível o exame direto
situações excepcionais em que desaparecem os vestígios
EX: a prova testemunhal, que poderá suprir a falta – art. 167 do
CPP,
além de filmagens ou fotografias serem admitidos
DETALHE: exame de corpo de delito direito, é o exame feito
diretamente no vestígio, há relação direta entre o perito e aquilo
que está sendo periciado
AUTÓPSIA
Outra forma de perícia -tecnicamente deveria ser chamada aqui
de Necrópsia
Trata-se do exame cadavérico feito para concluir a “causa mortis”
realizado pelo médico legista
realizada após 6h do óbito, salvo se autorizado ou constatado
sinais evidentes de morte (ex.: decapitação)
EXUMAÇÃO
Consiste em desenterrar ou acessar os restos mortais de alguém
finalidade de realizar outra perícia ou complementar perícia
prévia
PERÍCIA DE LOCAL DE CRIME
Local de crime consiste em todo local relacionado com o crime,
o qual deve ser conservado até a chegada dos peritos
O motivo para ocorrência da perícia de local é constatar se
realmente houve a infração penal; qualificação da infração; coleta
dos elementos capazes de identificar o autor e a sua culpabilidade
etc
EXAME GRAFOTÉCNICO
exame comparativo que visa atribuir autoria de uma escrita
INTERROGATÓRIO – tem natureza jurídica de meio misto: meio de
prova e de defesa ao mesmo tempo
e fase da persecução penal, na qual o autor da infração deverá
descrever a sua versão do ocorrido, perante o juiz competente,
acusação e defensoria
Constitui-se de duas partes:
a) sobre a pessoa do acusado; e
b) os fatos.
CONFISSÃO
O próprio réu assume a autoria do fato investigado/processado
Pode ser feita a qualquer instante, inclusive dentro ou fora do
interrogatório
##A confissão é uma atenuante e há dois tipos de confissão e seis
subespécie:##
Essas duas modalidades podem se desdobrar em:
DA PROVA TESTEMUNAL
Testemunha é toda e qualquer pessoa física capaz de depor –
art. 202 do CPP
Em regra, qualquer pessoa tem a obrigação de depor. Ela não
pode exercer o direito ao silêncio, a não ser quando sua
manifestação a incriminar
As autoridades previstas no art. 221 do CPP serão inquiridas em
local, data e hora ajustados entre eles e o juízo.
Apenas o Presidente da República, seu Vice, os Presidentes do
Senado, da Câmara e do STF, quando testemunhas, poderão depor
por escrito se preferirem. (Mas não quando forem réus)
Toda testemunha tem o dever de prestar o compromisso de dizer
somente a verdade (art. 203 do CPP), sob pena de responder por
falso testemunho (art. 342 do CP)
A não prestação de compromisso não dá o direito de mentir à
testemunha. Estes que não prestam compromisso são chamados de
mero informantes.
BIZU: Tal quantidade é por réu e por fato criminoso
EXEMPLO 1 réu que responde por 2 roubos poderá arrolar até 16
testemunhas. Se 2 réus respondem por 1 roubo, o promotor poderá
arrolar 16 testemunhas – art. 401 do CPP.