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Ricardo João Martinho

Licenciado em Ciências da Engenharia Electrotécnica e de


Computadores

Desempenho de Sistemas de Comunicações


Full-Duplex

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em


Engenharia Electrotécnica e de Computadores

Orientador : Prof. Dr. Rodolfo Alexandre Duarte Oliveira,


Prof. Auxiliar, Universidade Nova de Lisboa

Júri:
Presidente: Prof. Dr. Luis Augusto Bica Gomes de Oliveira
Arguente: Prof. Dr. Franciso António Taveira Branco Nunes Monteiro
Vogal: Prof. Dr. Rodolfo Alexandre Duarte Oliveira

JUNHO, 2015
iii

Desempenho de Sistemas de Comunicações Full-Duplex

Copyright c Ricardo João Martinho, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade


Nova de Lisboa

A Faculdade de Ciências e Tecnologia e a Universidade Nova de Lisboa têm o direito,


perpétuo e sem limites geográficos, de arquivar e publicar esta dissertação através de ex-
emplares impressos reproduzidos em papel ou de forma digital, ou por qualquer outro
meio conhecido ou que venha a ser inventado, e de a divulgar através de repositórios
científicos e de admitir a sua cópia e distribuição com objectivos educacionais ou de in-
vestigação, não comerciais, desde que seja dado crédito ao autor e editor.
iv
“The best way to predict your future is to create it.”
- Abraham Lincoln
vi
Agradecimentos

Primeiro que tudo, queria agradecer ao meu orientador, Professor Rodolfo Oliveira por
todas as horas, minutos e segundos disponibilizados no meu acompanhamento, nas lon-
gas conversas não planeadas e por toda a paciência demonstrada. Agradeço-lhe tam-
bém todos os conselhos e todas as verificações associadas a este trabalho, especialmente
quando se encontrava sobrelotado de trabalho. Agradeço também aos outros docentes
da secção de Telecomunicações por me terem contagiado o seu gosto por esta área.
Seguidamente, gostaria de agradecer à FCT-UNL e ao DEE pelas condições que me
foram proporcionadas, as quais proporcionaram o meu crescimento pessoal e profis-
sional. Também agradeço à Fundação para a Ciência e Tecnologia pelo apoio prestado
através dos projetos ADIN (PTDC/EEI-TEL/2990/2012) e MANY2COMWIN (EXPL/EEI-
TEL/0969/2013).
Aos meus pais e à minha avó, por me terem proporcionado todas as condições (e
mais algumas) para terminar este curso e me tornar engenheiro. Mesmo perante todas as
dificuldades, nunca nada me faltou. Um obrigado especial por tudo. Ao resto dos meus
familiares mais próximos (eles sabem quem são), por estarem presentes e por fazerem de
mim parte de quem eu sou.
Queria também agradecer aos meus companheiros da Sala 3.5, quer da secção de Tele-
comunicações, quer da secção de Electrónica, em especial ao José Pedro Reis, Gonçalo
Lourenço, Tiago Bento, Rui Cardoso, Paulo Martins, Frederico Monteiro, Sara Ribeiro,
Nuno Pereira, Ricardo Madeira, Halyna Korol, Filipe Viegas e João Pinto pela companhia
ao pequeno-almoço, almoço e lanche, pelos momentos de descontracção e de entreteni-
mento, sem nunca descuidar o trabalho. Um agradecimento a todos vós que participaram
na compra da "nossa" máquina de café, a qual foi companheira de todos, nos últimos 6
meses.
Quero agradecer de forma um pouco mais sentida ao João Miguel (sim Vasco, és tu),
Tomás "Nano" Ribeiro, António Sá, Cristiana Nóbrega, Joana e Rita França, Sara Brito e
Diogo Jorge pelos momentos vividos, pela amizade, pelos conselhos e pela "parvoíce".
Também agradecer ao Pedro Martins e João Barata Oliveira pelos momentos passa-
dos nos primeiros anos na Faculdade (Toca a despachar o Curso!). Ao Filipe Araújo,

vii
viii

pelos passeios de bicicleta, em ritmo de competição (havemos de fazer mais). Ao Ricardo


Trony, à Camila Pereira e à Liliana Pedro por todo o apoio dado ao longo dos anos e pela
amizade que ainda perdura. Ao Frederico Figueiredo e ao Rafael Robalo, por convosco
ter vivenciado o mundo do ciclismo (embora apenas de formação), e por tudo o que ficou.
Gostaria também de agradecer ao Professor André Mora e ao Professor José Manuel
Fonseca, pela confiança e pela oportunidade que me foi dada. Foi um prazer! Obrigado.
Por último, e não menos importante, queria expressar um especial agradecimento
à Sofia Marques por tudo. Por estar lá, por fazer parte da minha vida, e por toda a
motivação, amor e carinho. As palavras não fazem jus a tudo aquilo que significas para
mim.
Resumo

O aumento do volume de tráfego gerado em redes sem fios e a elevada taxa de ocu-
pação do espectro Rádio-Eléctrico tem levado à procura e desenvolvimento de sistemas
de elevada eficiência espectral. Recentemente, diversos grupos de investigação têm abor-
dado a possibilidade de um dispositivo sem fios transmitir e receber dados em simultâ-
neo na mesma banda. Estes dispositivos enquadram-se nos denominados “sistemas de
comunicação Full-Duplex”, os quais, no limite, podem duplicar a capacidade da rede,
quando comparados aos sistemas Half-Duplex.
A grande dificuldade de implementação destes sistemas está associada ao cancela-
mento da auto-interferência. Esta interferência é provocada pela transmissão do próprio
nó e, uma vez que apresenta uma potência muito superior à do sinal transmitido por
outro dispositivo, impossibilita a captura desse sinal. Para permitir a transmissão e re-
cepção de dados em simultâneo, os dispositivos Full-Duplex utilizam mecanismos de
cancelamento do sinal auto-interferente, reduzindo-o para valores de potência próximos
do nível de ruído.
Nesta dissertação são abordados diversos tipos de mecanismos de redução da auto-
interferência, caracterizando as suas vantagens, desvantagens e limitações de utilização.
De forma a estudar o funcionamento dos sistemas Full-Duplex, é caracterizado o efeito
residual do cancelamento da auto-interferência e a capacidade de transmissão deste tipo
de sistemas, incluindo a capacidade de recepção de múltiplos pacotes. Por fim, é pro-
posto um protocolo de acesso ao meio para cenários onde vários dispositivos desejam
comunicar com um nó receptor, utilizando um sistema de comunicação Full-Duplex.

Palavras-chave: Desempenho de Sistemas Full-Duplex, Capacidade de recepção de Múl-


tiplos Pacotes, Cancelamento de auto-interferência, Protocolos de Acesso ao Meio.

ix
x
Abstract

The growth of the traffic generated by wireless devices, as well as the radio spectrum
saturation, have motivated the development of high spectral efficiency communication
systems. Recently, different research groups have approached the possibility of a sin-
gle device transmit and receive data simultaneously in the same band. These devices
compose the so-called in-band Full Duplex (FD) systems, which at most can double the
network capacity when compared to the traditional Half-duplex systems.
The main challenge in the implementation of an FD system is the self-interference
cancellation. The self-interference (SI) is caused by the undesired received signal trans-
mitted by the same node. When SI’s power is greater than other signal of interest (e.g. a
signal transmitted by another node), the performance of a receiver is generally decreased.
In order to allow the transmission and reception of data in a simultaneous way, several
mechanisms of self-interference cancellation were proposed to approximate the SI power
level close to the noise floor.
In this work we tackle several SI suppression techniques in order to characterize their
advantages, disadvantages and their limitations in the practical sense of use. To bet-
ter characterize the FD systems, the work focuses on studying the residual SI power,
which represents the amount unsuppressed power after executing the SI’s cancelation.
The work also tackles the transmission capacity of FD systems, including the capacity
when multiple packets may be received simultaneously. In the final stage of the work
we propose a medium access control protocol specifically tailored to the scenario where
multiple devices aim to transmit data to a single receiver and simultaneously adopt an
FD communication system.

Keywords: In-Band Full-Duplex Performance, Self-interference Cancellation, Multi-


packet Reception Sistemas, Medium Access Control Protocols.

xi
xii
Conteúdo

Agradecimentos vii

Resumo ix

Abstract xi

Acrónimos xxi

1 Introdução 1
1.1 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 Objectivos e Contribuições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.3 Estrutura da Dissertação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

2 Trabalho Relacionado 5
2.1 Auto-Interferência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.1.1 Cuidados ao nível do hardware . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.1.2 Mecanismos de Cancelamento da auto-interferência . . . . . . . . . 7
2.1.3 Análise ao Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
2.2 Protocolos de Acesso ao Meio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

3 Modelo Full-Duplex 19
3.1 Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência 22
3.1.1 Cancelamento Analógico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
3.1.2 Cancelamento Analógico e Digital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.2 Distribuição da Potência Residual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
3.3 Análise e Validação do Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
3.3.1 Cancelamento analógico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
3.3.2 Cancelamento analógico e digital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.4 Efeitos secundários do cancelamento - ruído de fase . . . . . . . . . . . . . 37
3.5 Capacidade de Recepção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

xiii
xiv CONTEÚDO

4 Probabilidade de Recepção 43
4.1 Caracterização teórica da probabilidade de recepção . . . . . . . . . . . . . 43
4.1.1 Probabilidade de recepção para transmissores com suporte à recep-
ção de múltiplos de pacotes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
4.2 Análise da Capacidade de Recepção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
4.2.1 Impacto da distância ao receptor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
4.2.2 Sistemas Full-Duplex com recepção de múltiplos pacotes . . . . . . 48
4.2.3 Sistemas Full-Duplex em cenários Multi-hop . . . . . . . . . . . . . 50

5 Protocolos de Acesso ao Meio 53


5.1 Caracterização do protocolo MAC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
5.2 Estudo da capacidade de transmissão MPR . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
5.3 Análise de desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

6 Conclusões 61
6.1 Considerações Finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
6.2 Trabalho Futuro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
Lista de Figuras

1.1 Esquema de transmissão em Full-Duplex . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2

2.1 Efeito da transmissão de dois tons puros [AES13]. . . . . . . . . . . . . . . 6


2.2 Esquema simplificado de um receptor convencional. . . . . . . . . . . . . . 6
2.3 Efeito do ADC quando se encontra sobre forte auto-interferência [Jai11]. . 7
2.4 Classificação de canceladores de auto-interferência [Sah+13]. . . . . . . . . 8
2.5 Ordem da aplicação das diversas técnicas de cancelamento [Sah+13]. . . . 8
2.6 Cancelamento em RF (pre/post-mixer) [Sah+13]. . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.7 Cancelamento em banda base [Sah+13]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.8 Exemplo do problema do nó escondido. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.9 Exemplo do problema do nó exposto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.10 Exemplo de Relay e ACK implícito [Cho+10]. . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

3.1 Representação do modelo descrito em [Sah+13]. . . . . . . . . . . . . . . . 19


3.2 Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da am-
plitude (ρan ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
3.3 Validação de fΠ para diversos valores de variância do canal (σr ) e/ou do
sinal emitido (σr ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
3.4 Validação de fΠ para diversos valores de estimação do tempo de propaga-
ção do canal (τan ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
3.5 Validação de fΠ para os cenários A, B e C. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3.6 Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da am-
plitude (ρan ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.7 Validação de fΠ para diversos valores de estimação do tempo de propaga-
ção do canal (τan ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.8 Validação de fΠ para os cenários A, B e C. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
3.9 Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da am-
plitude (ρdig ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

xv
xvi LISTA DE FIGURAS

3.10 Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da am-


plitude (τdig ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.11 Validação de fΠ para os cenários A, B e C. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.12 Validação de fΠ para os cenários A, B e C. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
3.13 Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da am-
plitude (ρdig ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
3.14 Validação de fΠ para diversos valores de estimação do tempo de propaga-
ção do canal (τdig ). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
3.15 Validação de fΠ para os cenários A e B. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
3.16 Função de autocorrelação do ruído de fase em função do atraso. . . . . . . 37
3.17 Comparação do parâmetro βφ2 em função do tempo de propagação do ca-
nal (∆si ) para cancelador analógico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
3.18 Comparação do parâmetro βφ2 em função da estimação do ganho de am-
plitude (ρdig ) (a) e tempo de propagação do canal (∆si ) (b) para cancelador
analógico e digital. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
3.19 Efeitos de propagação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3.20 Comparação entre Distribuição Gamma e Lognormal. . . . . . . . . . . . . 40
3.21 Capacidade para diferentes canceladores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

4.1 Probabilidade de sucesso em função da distância ao receptor. . . . . . . . 45


4.2 Cenário base considerado para a simulação da probabilidade de sucesso. . 46
4.3 Probabilidade de sucesso de vários nós em função da distância do nó 1 ao
receptor FD. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
4.4 (a) Potência residual do canal auto-interferente após cancelamento. (b)
Probabilidade de sucesso de recepção para diferentes cenários de cance-
lamento da auto-interferência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
4.5 Probabilidade de Sucesso de Recepção de Pacotes de cada transmissor às
distancias de 4, 8 e 12 metros. (a) Sem controlo de potência. (b) Com
controlo de potência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
4.6 Probabilidade de Sucesso de Recepção de Pacotes de cada transmissor às
distancias de 2, 3 e 4 metros. (a) Sem controlo de potência. (b) Com con-
trolo de potência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
4.7 Probabilidade de sucesso para transmissor FD-SPR em função da distância
entre 2 nós. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
4.8 Probabilidade de sucesso para transmissor Recepção de Pacote Único (Sin-
gle Packet Reception) (SPR) em função da distância end-to-end. . . . . . . . 52

5.1 Ronda de comunicação do Protocolo MAC [Zha10]. . . . . . . . . . . . . . 54


5.2 Relação entre o número de pacotes transmitidos e o número médio de pa-
cotes recebidos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
LISTA DE FIGURAS xvii

5.3 Relação entre o número de pacotes transmitidos e o número médio de pa-


cotes recebidos (c/ controlo de potência). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
5.4 Parâmetros w e p em função do número de nós que desejam transmitir, de
forma a se atingir o débito máximo da rede. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
5.5 Número médio de pacotes recebidos em função do número de nós que
transmitem dos diversos Protocolos MAC. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
5.6 Desempenho dos diversos protocolos MAC. . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
xviii LISTA DE FIGURAS
Lista de Tabelas

3.1 Valores de βφ2 para vários tipos de cancelador [Sah+13]. . . . . . . . . . . . 21

xix
xx LISTA DE TABELAS
Acrónimos

ACK Confirmação (Acknowledge)

ADC Conversor Analógico - Digital (Analog-to-Digital Convertor)

AP Ponto de Acesso (Access Point)

ARQ Automatic Repeat reQuest

CDF Função de Distribuição Cumulativa

CSMA Carrier Sense Multiple Access

CSMA/CA Carrier Sense Multiple Access with Colision Avoidance

CTS Autorização de Envio (Clear to Send)

DCF Distributed Coordenation Function

FD Full-Duplex

FF Desvanecimento Rápido (Fast-Fading)

FGM Função Geradora de Momentos

HD Half-Duplex

LNA Amplificador de Baixo Ruído (Low Noise Amplifier)

MAC Controlo de Acesso ao Meio (Medium Access Control)

MANET Rede Ad-Hoc com Mobilidade

MPR Recepção de Múltiplos Pacotes (MultiPacket Reception)

PDF Função de Densidade de Probabilidade

PL Perdas de Propagação (Path-Loss)

xxi
xxii ACRÓNIMOS

RF Rádio-Frequência

RTS Pedido de Envio (Request to Send)

SINR Relação Sinal-Ruído-Interferência (Signal to Interference plus Noise Ratio)

SNR Relação Sinal-Ruído (Signal to Noise Ratio)

SPR Recepção de Pacote Único (Single Packet Reception)

SF Desvanecimento Lento (Slow-Fading ou Shadowing)


1
Introdução

As comunicações sem fios fazem parte do quotidiano da sociedade moderna. Embora


apenas nas últimas décadas tenham passado a ter um papel fulcral no dia a dia, o apa-
recimento das mesmas remonta aos finais do século XIX. No entanto, os sistemas de
comunicação sem fios são designados de sistemas Half-Duplex (HD), uma vez que a
transmissão de dados não ocorre em simultâneo na mesma frequência, ou seja, os dados
são transmitidos em instantes diferentes de tempo (TDD) ou em simultâneo utilizando
duas frequências distintas (FDD). Esta situação deve-se ao facto da potência recebida
associada ao sinal transmitido pelo próprio nó ser sempre superior à potência recebida
proveniente de outros nós, dificultando a recepção do sinal.
A capacidade de utilizar a mesma frequência em simultâneo (Full-Duplex (FD)) tanto
para a recepção como para a transmissão de dados apresenta-se como uma vantagem,
uma vez que em teoria duplica a capacidade da rede. Esta vantagem é amplamente apre-
ciada devido à escassez de espectro radio-eléctrico disponível para os diferentes tipos de
comunicações sem fios, e consequentemente devido aos elevados custos de licenciamento
para os operadores de telecomunicações.
O principal desafio associado à utilização de técnicas de transmissão Full-Duplex é a
interferência criada pelo próprio transmissor ao sistema de recepção. Esta é denominada
de auto-interferência, apresentando normalmente elevada potência comparativamente
ao sinal recebido, dada a proximidade entre as antenas receptora e emissora.
A figura 1.1 apresenta uma esquematização do princípio de funcionamento de um
sistema Full-Duplex (FD). Quando o nó 1 transmite o sinal (1), o receptor do próprio nó
recebe também esse sinal (1a). Isto dificulta a recepção do sinal transmitido pelo nó 2
(2), uma vez que a potência do sinal auto-interferente (1a) é tipicamente várias ordens de
grandeza superior ao valor de potência recebida do sinal de interesse (2).

1
1. I NTRODUÇÃO 1.1. Motivação

1
Tx Rx

Nó 1 1a 2a Nó 2

Rx Tx
2

Figura 1.1: Esquema de transmissão em Full-Duplex

1.1 Motivação
Ao longo dos últimos anos, principalmente devido à evolução tecnológica, as comunica-
ções sem fios tornaram-se uma realidade em vários domínios de utilização. Até ao final
do século passado, a maioria das comunicações sem fios tinham por base esquemas de
comunicação unidireccionais utilizando equipamentos com alta potência de transmissão,
como por exemplo, Radio AM. Já durante a primeira década do presente século, com a
vulgarização de diversos equipamentos tecnológicos, como computadores pessoais, tele-
móveis e smartphones, o número de equipamentos ligados a redes sem fios aumentou de
forma significativa.
Actualmente os clientes exigem uma experiência de utilização de serviços de alta qua-
lidade, forçando o desenvolvimento de soluções de rede de alto desempenho. Por outro
lado, o espectro radio-eléctrico apresenta uma taxa de ocupação muito elevada, o que
leva à procura de soluções de elevada eficiência espectral. Esta escassez provoca elevados
custos de licenciamento do espectro rádio-eléctrico. Este tipo de exigências, quer finan-
ceiras, quer por parte dos clientes, motiva o desenvolvimento de sistemas de transmissão
sem fios altamente eficientes, pelo que os sistemas FD são uma solução a considerar.
A dificuldade da aplicação das técnicas de transmissão FD passa pela capacidade de
se conseguir anular o sinal auto-interferente. Para isso são utilizadas técnicas passivas
e/ou mecanismos de cancelamento que têm como base o conhecimento prévio do sinal
transmitido. Estas dificuldades, mesmo com o actual desenvolvimento tecnológico ao
nível da electrónica, ainda não estão totalmente solucionadas, mas é espectável virem
a sê-lo num futuro próximo. Um dos grandes desafios está associado à dificuldade de
modelação das imperfeições geradas pela cadeia de transmissão do sinal (erros de quan-
tização dos conversores analógico-digital (ADC), ruídos de fase, entre outros).
Por forma a aproveitar os benefícios associados à utilização das técnicas FD, os meca-
nismos convencionais associados à transmissão de dados (desde o hardware às camadas
de controlo lógico) necessitarão de ser adaptados. Um dos objectivos deste trabalho con-
siste na análise do efeito residual do cancelamento da auto-interferência, assim como da
capacidade de comunicação para diversas arquitecturas de rede, tendo em vista futuros
desenvolvimentos nesta área.

2
1. I NTRODUÇÃO 1.2. Objectivos e Contribuições

1.2 Objectivos e Contribuições

Os objectivos da execução desta dissertação são:

• Apresentar um levantamento bibliográfico das diversas técnicas de cancelamento


do sinal auto-interferente. Este objectivo passa também por classificar os diversos
mecanismos utilizados e analisar as vantagens, desvantagens e limitações da sua
utilização, quer de forma individual, quer colectivamente.

• Estudar o modelo apresentado em [Sah+13], principalmente o efeito residual do


cancelamento da auto-interferência, tendo como objectivo verificar quais os parâ-
metros que mais influenciam positivamente e negativamente o cancelamento do
sinal auto-interferente.

• Estudar a capacidade de recepção de transmissores Full-Duplex para diferentes ce-


nários de rede, para diferentes tipos de cancelamento e para diferentes tipos de
receptores. Desta forma, será necessário apresentar modelos formais para a carac-
terização dos efeitos de propagação assim como da recepção de pacotes. O modelo
que caracteriza a recepção de pacotes considera que um pacote é recebido com su-
cesso quando Relação Sinal-Ruído-Interferência (Signal to Interference plus Noise
Ratio) (SINR) é superior a um determinado limite de decisão [NEW06]. Em para-
lelo, pretende-se estudar o efeito da capacidade de recepção quando são utilizados
mecanismos de controlo de potência.

• Propor e estudar o desempenho de um protocolo Controlo de Acesso ao Meio (Me-


dium Access Control) (MAC) (baseado em [Zha10]) para transmissores Full-Duplex
com capacidade de recepção de múltiplos pacotes, mais especificamente para cená-
rios onde diversos dispositivos desejam comunicar com um nó receptor. Para este
estudo serão considerados os resultados obtidos nos diversos capítulos da disser-
tação.

As principais contribuições deste trabalho são:

• A elaboração de um levantamento bibliográfico sobre as diversas técnicas de cance-


lamento da auto-interferência, juntamente com uma análise cuidada das vantagens,
desvantagens e limitações do seu uso. Mais importante do que uma análise sepa-
rada de cada um dos mecanismos, são apresentados os factores limitativos asso-
ciados à utilização em cascata de vários mecanismos de cancelamento.

• A caracterização formal da distribuição da potência residual após cancelamento


analógico e/ou digital, a qual permitirá aperfeiçoar os mecanismos de estimação,
melhorando o cancelamento agregado do sinal auto-interferente.

3
1. I NTRODUÇÃO 1.3. Estrutura da Dissertação

• O estudo da capacidade da rede para diferentes parâmetros de cancelamento, para


redes com transmissores com capacidade MPR, e para cenários multi-hop. Este es-
tudo permitirá analisar os benefícios e as limitações da utilização de técnicas Full-
Duplex.

• O protocolo MAC proposto e o estudo do débito da rede apresentado permite de-


monstrar que, com a introdução de transmissores FD e com as devidas adaptações
aos mecanismos de transmissão convencionais, é possível aumentar a capacidade
da rede de forma significativa.

No seguimento deste trabalho preparou-se um artigo intitulado "Characterization of


the Residual Self-Interference in Full-Duplex Systems", o qual será submetido oportuna-
mente para uma revista ou conferência na área das redes sem fios.

1.3 Estrutura da Dissertação


No capítulo 2 são abordados diversos mecanismos de cancelamento e supressão da auto-
interferência, as suas vantagens, desvantagens e limitações. Este capítulo ainda inclui
um levantamento bibliográfico dos principais desafios dos protocolos de acesso ao meio
(MAC) para sistemas Half-Duplex e Full-Duplex.
Ao longo do capítulo 3 é efectuada uma caracterização formal do efeito residual do can-
celamento do sinal auto-interferente para diversos tipos de cancelamento analógico e
digital. Posteriormente é apresentada e validada a distribuição da potência residual da
auto-interferência, assim como as restantes componentes do modelo Full-Duplex utili-
zado. A título de conclusão, neste capítulo é apresentada uma comparação da capacidade
de transmissão para as diferentes topologias de canceladores.
Após análise de todas as parcelas do modelo Full-Duplex apresentado, no capítulo 4
procede-se ao estudo da capacidade de transmissão para diferentes estruturas de rede.
No capítulo 5 é analisado o desempenho de um protocolo MAC para redes em que vários
dispositivos transmitem para um nó receptor.
Para finalizar a dissertação, no capítulo 6 são apresentadas algumas considerações finais
do trabalho realizado e apresentados alguns tópicos para desenvolvimento futuro.

4
2
Trabalho Relacionado

2.1 Auto-Interferência
Para maximizar o desempenho dos sistemas FD , é necessário reduzir, ou se possível
cancelar na totalidade, a auto-interferência. Estes mecanismos de cancelamento terão de
conseguir reduzir a potência do sinal auto-interferente para valores próximos do nível de
ruído, por forma a que os valores de desempenho se aproximem do dobro dos sistemas
HD.
Os valores típicos de potência da auto-interferência são aproximadamente 110dB superi-
ores ao nível do ruído [BMK13].
Segundo [BMK13], a auto-interferência pode ser causada por:

• Componentes lineares e não lineares - Atenuações associadas a múltiplos ganhos


lineares e não lineares quer ao canal de transmissão, quer aos vários componentes
electrónicos existentes no radio;
• Ruído do transmissor - Ruído associado ao funcionamento de osciladores locais ou
de amplificadores de potência. Este ruído manifesta-se principalmente nas frequên-
cias adjacentes (side-bands).

Cada uma das componentes pode ser observada na figura 2.1.

2.1.1 Cuidados ao nível do hardware

O desenvolvimento tecnológico apoia-se nas capacidades e limitações de cada equipa-


mento. A principal limitação associada à utilização do FD é a interferência provocada
pelo próprio nó, a qual dificulta a sua implementação.

5
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência

Figura 2.1: Efeito da transmissão de dois tons puros [AES13].

Sendo um dos objectivos do trabalho identificar e classificar os mecanismos de can-


celamento dessa interferência, é necessário verificar quais são as etapas pelas quais um
determinado sinal passa até ser recebido, e quais as suas limitações.
A figura 2.2 apresenta o desenho típico de um receptor convencional HD. Quando o
sinal é recebido passa por um filtro que elimina o sinal fora da banda de interesse. Pos-
teriormente esse sinal é amplificado utilizando um Amplificador de Baixo Ruído (Low
Noise Amplifier) (LNA), dado que o sinal recebido é muitas ordens de grandeza infe-
rior ao sinal base para o circuito em questão. Numa terceira fase, o sinal é colocado em
banda base, é utilizado um filtro passa baixo para eliminar algum ruído de alta frequên-
cia produzido pelo processo de downconvertion e, finalmente, o sinal é convertido para
o domínio digital, utilizando um Conversor Analógico - Digital (Analog-to-Digital Con-
vertor) (ADC).

 j ct  (t )
e
Sinal
Amplificador Conversor recebido
Rx Filtro Filtro
de baixo Analógico
Passa-Banda Passa-Baixo
ruído (LNA) Digital (ADC)

Figura 2.2: Esquema simplificado de um receptor convencional.

Existem algumas questões relativas ao hardware do receptor que se têm de ter em


conta quando se considera sistemas de cancelamento de auto-interferência [AES13]. A
mais importante reflecte-se no ADC.
A situação, ilustrada na figura 2.3, acontece quando estamos na presença de dois sinais
com amplitudes muito distintas. Nesta situação existem duas situações: ou o conversor
fica saturado devido ao sinal de grande amplitude, ou existe uma adaptação do ADC ao
sinal com maior potência e a quantização do sinal de menor amplitude é destrutiva (ADC
Dynamic Range [Sab+14]). Em qualquer dos casos, deixa de ser possível a recuperação do
sinal de pequena amplitude (o sinal de interesse). Porém, existem soluções para evitar

6
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência

estas situações. O aumento da resolução do conversor é uma delas. Ao aumentar o


numero de bits de quantização diminui-se o efeito destrutivo sobre o sinal de pequena
amplitude. No entanto, o aumento do número de bits tem efeitos sobre a complexidade
e o custo do hardware. Outra situação é a aplicação de mecanismos de cancelamento do
sinal de maior amplitude (sinal auto-interferente) ao nível analógico, ou seja, antes da
fase de conversão para o domínio digital.

Figura 2.3: Efeito do ADC quando se encontra sobre forte auto-interferência [Jai11].

Uma segunda situação que é necessário ter em conta ao nível do hardware são os pro-
cessos de upconvertion (passagem do sinal de banda base para a frequência de transmis-
são) e downconvertion (passagem do sinal à frequência de transmissão para banda base).
Estes processos, embora aparentemente inversos, não o são exactamente. Tudo depende
da qualidade do oscilador utilizado para os mesmos. Pequenas variações da fase e am-
plitude dos osciladores podem piorar a capacidade de cancelar o sinal auto-interferente.
Além disso, não é possível garantir que dois nós diferentes tenham a fase do gerador
de sinais perfeitamente sincronizada. No entanto, tendo em conta que o sinal interfe-
rente é produzido pelo próprio nó emissor, se os osciladores locais associados à cadeia
de emissão do sinal e à cascata de cancelamento estiverem sincronizados o impacto desta
componente de ruído é reduzida [Sah+13].
Relativamente ao LNA, este poderá operar numa zona de funcionamento linear por
forma a evitar o aparecimento de ruido associado à amplificação do sinal de menor po-
tência.

2.1.2 Mecanismos de Cancelamento da auto-interferência

As diversas técnicas de redução/cancelamento do sinal auto-interferente podem ser clas-


sificadas em mecanismos de cancelamento activo ou técnicas de supressão passiva. Na fi-
gura 2.4 propõe-se uma classificação dos diversos mecanismos de redução/cancelamento

7
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência

da auto-interferência.

Redução da auto-interferência

Supressão Passiva Cancelamento Activo

Analógico Digital

RF (pre/post mixer) Banda Base

Figura 2.4: Classificação de canceladores de auto-interferência [Sah+13].

As técnicas de cancelamento activas da auto-interferência têm por base o conheci-


mento do sinal enviado com o intuito de gerar dinamicamente um sinal que cancela o
sinal auto-interferente recebido. Nestas técnicas o conhecimento do canal de propagação
pode ser utilizado para melhorar o sinal de cancelamento.
Por outro lado, os mecanismos de supressão passiva do sinal auto-interferente têm
como princípio a utilização de técnicas de redução da potência de recepção do sinal auto-
interferente, sem ser necessário gerar um sinal de cancelamento. A maior parte das técni-
cas tenta isolar a antena receptora das ondas emitidas pela antena emissora (por exemplo
através de diferentes polarizações [DS10]), reduzindo assim a amplitude do sinal auto-
interferente.
Por forma a diminuir a auto-interferência, normalmente o seu cancelamento é efec-
tuado através da utilização de várias técnicas em cascata (passivas e activas). Por isso, e
tendo em conta as limitações ao nível do hardware, principalmente os efeitos do ADC, as
diversas técnicas de cancelamento são normalmente efectuadas segundo a ordem apre-
sentada na figura 2.5.

Znoise (t)
Xsignal (t)

Xsi (t) Cancelamento Conversor Yresidual


Cancelamento Cancelamento
Analógico Analógico
Passivo Digital Activo
Activo Digital (ADC)

Figura 2.5: Ordem da aplicação das diversas técnicas de cancelamento [Sah+13].

Preferencialmente, o sinal auto-interferente (Xsi ) será atenuado por mecanismos de

8
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência

cancelamento passivos antes de ser capturado. Posteriormente será aplicado o cance-


lamento analógico, tendo como principal objectivo evitar que o processo de conversão
analógico-digital provoque danos sobre o sinal recebido (Xsignal ) (descritos na sub-secção
2.1.1). Por fim o cancelamento digital é aplicado para melhorar o resultado agregado do
cancelamento.
Tanto o cancelamento activo digital como analógico têm como base o conhecimento do
canal auto-interferente. No entanto, a adaptação dos canceladores activos a parâmetros
dinâmicos é muito mais simples no domínio digital do que no domínio analógico. Desta
forma, e uma vez que a utilização exclusiva do cancelador digital não é satisfatória de-
vido às limitações do ADC, o cancelador analógico pretende reduzir as componentes de
maior peso do sinal auto-interferente (por exemplo, componente em linha de vista). Esta
parametrização pode ser estimada durante a construção do transmissor, o que possibilita
simplificar o mesmo. Isto permite que o ADC funcione em regimes de potência menores,
reduzindo o ruído de quantização, proporcionando um melhor cancelamento global.

[Link] Supressão Passiva

De uma forma simplificada, estes mecanismos podem ser vistos como uma tentativa de
aumentar as perdas de propagação (pathloss) do canal de auto-interferência [Sah+13].
Através de um posicionamento cuidado das antenas, [Cho+10] mostra que a colo-
cação de duas antenas emissoras a uma distancia λ e λ/2, respectivamente, da antena
receptora cria um "ponto espacial nulo" na posição de recepção. Teoricamente se a atenu-
ação de cada um dos canais for idêntica e não existir nem erro de fase, nem mais do que
um raio de propagação, o cancelamento seria perfeito. No entanto, tendo em conta que a
transmissão é efectuada numa banda e não apenas numa única frequência, a ocorrência
de efeitos dispersivos e de reflexão dos canais impossibilita o cancelamento perfeito. Este
mecanismo de supressão, além de criar complicações na capacidade de comunicação com
a vizinhança devido ao aparecimento dessas zonas "nulas" em diversas direcções, apre-
senta limitações na largura de banda da comunicação, dado que para larguras de banda
superiores a 100MHz a performance é drasticamente deteriorada.
A utilização de antenas direccionais [Eve+11; Eve12] também ajuda a reduzir a auto-
interferência, desde que as mesmas sejam colocadas de forma a evitar que os lóbulos
principais se interceptem. Mais uma vez, embora seja benéfico do ponto de vista da di-
minuição da auto-interferência, esta técnica implica que em algumas regiões possa existir
interferência provocada pela sobreposição de lóbulos, o que pode criar dificuldades de
comunicação com outros nós. Esta situação é especialmente importante se existir mobili-
dade dos nós.
Também existem trabalhos relacionados com a polarização das antenas [Eve12] onde
se propõe que a antena emissora e receptora sejam colocadas de forma ortogonal para
evitar o acoplamento mútuo. Também é abordada a possibilidade de utilização de ma-
teriais isoladores no percurso em linha de vista, reduzindo assim a potência do sinal

9
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência

auto-interferente.
Uma outra solução para reduzir a auto-interferência é aumentar a distância entre a
antena emissora e a antena receptora. No entanto, isto é impraticável em equipamentos
de dimensão reduzida [Sab+14].
Os terminais podem ainda utilizar uma única antena para transmitir e receber. Nesta
solução, utilizada há várias décadas nos sistemas de radar, é também possível isolar a
transmissão da recepção através de circuladores passivos [Sab+14], os quais são normal-
mente implementados através de ferrite magnetizada. No entanto, esta solução aumenta
consideravelmente as dimensões e o peso dos terminais, impossibilitando a sua imple-
mentação em terminais móveis.

[Link] Cancelamento Activo

Como anteriormente indicado, o cancelamento activo tem por base o conhecimento do


sinal transmitido com o objectivo de possibilitar a anulação do sinal auto-interferente.
Os mecanismos de cancelamento activo podem ser classificados em analógicos e digitais
[Sah+13], consoante o domínio onde as respectivas técnicas são aplicadas.

Sinal de interesse
Znoise
rup hsi
yresidual
xsi

pre rup post

Cancelador Analógico

Figura 2.6: Cancelamento em RF (pre/post-mixer) [Sah+13].

Sinal de interesse Znoise

rup hsi
rdown
xsi yresidual
Banda
base
Cancelador
Analógico

Figura 2.7: Cancelamento em banda base [Sah+13].

10
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência

O cancelamento activo analógico pode ser efectuado quer em banda-base (figura 2.7)
quer na banda de Rádio-Frequência (RF) (figura 2.6) utilizada para transmissão. (hsi
representa o canal auto-interferente, e rup e rdown o processo de upconvertion e downcon-
vertion, respectivamente) Neste último, o sinal auto-interferente pode ser processado an-
tes ou depois do processo de upconvertion, sendo denominado de pre-mixer ou post-mixer,
respectivamente. A inclusão do cancelamento analógico tem um impacto directo na com-
plexidade do receptor, principalmente quando o mesmo permite adaptações associadas
à estimação do canal auto-interferente.
Existem diversas técnicas de cancelamento activo analógico, estando entre elas, a uti-
lização de uma segunda cadeia de rádio em paralelo com o sinal transmitido. Neste
processo é gerado um sinal invertido do sinal emitido, o qual é utilizado para cancelar a
auto-interferência (após o processo de upconvertion) [Sah+13]. Outra opção é a utilização
de canceladores BALUN [Jai+11], os quais são considerados um método de cancelamento
post-mixer dado que o cancelamento é efectuado na frequência da portadora. A aplicação
de rotação de fase do sinal enviado para cancelar o sinal auto-interferente é proposto em
[Lee13], sendo semelhante à inversão do sinal.
Por fim, o cancelamento activo digital é efectuado após a conversão Analógico-Digital
do sinal resultante do cancelamento analógico, por forma a melhorar o desempenho do
cancelamento.

2.1.3 Análise ao Desempenho

Ultimamente têm sido propostos diferentes esquemas para cancelamento de interferên-


cia. Em [Cho+10] são utilizadas 2 antenas emissoras posicionadas de forma a criar um
ponto nulo na posição da antena de recepção. Como já tinha sido explorado anterior-
mente, este tipo de arquitectura cria problemas ao nível da comunicação em diversas
direcções devido ao aparecimento de zonas "nulas". Para atenuar esta situação, [Cho+10]
propõe uma redução de potência numa das antenas emissoras. Os autores demonstram
que uma redução da potência de emissão de uma das antenas em 6 dB diminui conside-
ravelmente o efeito destrutivo da transmissão nas zonas "nulas".
Além da abordagem convencional (uma antena receptora e uma antena emissora), é
proposto em [BMK13] a utilização de apenas uma antena para a emissão e recepção em
banda larga.
Os trabalhos citados anteriormente incluem mecanismos de cancelamento analógico
e/ou Digital. [Cho+10] apresenta uma análise efectuada utilizando sistemas 802.15.4
(ZigBee), apresentando desempenhos 88 % superiores ao esquema HD. Quando testado
em sistemas 802.11, dado que a largura de banda e a potência da transmissão são supe-
riores, os autores reportaram problemas no cancelamento do sinal auto-interferente. Por
outro lado, no segundo trabalho [BMK13] foi utilizada a camada física da norma 802.11ac,
sendo que os resultados foram semelhantes aos obtidos em [Cho+10].
A nível das técnicas de cancelamento activo analógicas, os valores de atenuação dos

11
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência

canceladores variam tipicamente entre os 20 dB [Cho+10] e os 40 dB [Sah+13; Syr+14]


sendo atingidos valores superiores a 60 dB em [BMK13]. Nestes trabalhos, mas ao nível
do cancelamento digital, são apresentados valores entre os 10 dB e os 40 dB.
Ao nível da supressão passiva, foi efectuado um estudo em [SPS11] relativo ao posi-
cionamento e direcção de antenas. Os autores consideraram uma área equivalente a um
computador portátil e analisaram a potência recebida. Chegou-se à conclusão que con-
figurações diferentes no posicionamento das antenas podem atenuar a potência do sinal
auto-interferente até 30 dB.
No entanto, nos diversos trabalhos analisados, com a excepção de [BMK13], nenhuma
cascata de canceladores/supressores consegue reduzir o níveis de potência do Wifi (20
dBm) para níveis de potência do ruído (-90dBm).
Do ponto de vista analítico, mais importante que os resultados obtidos para um de-
terminado esquema prático, interessa caracterizar as dependências dos diversos cance-
ladores relativamente às suas características de funcionamento de forma a permitir de-
terminar os seus limites de desempenho. Em [Sah+13; BMK13; Syr+14; AES13] tenta-se
verificar quais serão esses limites tendo em conta as principais componentes limitativas
em cada um dos componentes do transmissor, e em cada uma das etapas de cancela-
mento. De salientar que a necessidade de cancelamento analógico antes da conversão
analógico-digital, o erro de fase entre o sinal recebido e a estimação do mesmo, assim
como os actuais limites tecnológicos associados à electrónica (por exemplo, os efeitos não
lineares dos amplificadores de potência e dos ADC) são factos que limitam a capacidade
de cancelamento da auto-interferência.
Uma primeira conclusão é a dependência da correlação entre o sinal auto-interferente
e o efeito residual de cada cancelador [Sah+13]. Este dado é importante porque ao ser
efectuado um cancelamento analógico perfeito, o cancelador digital não terá efeito sobre
o sinal, podendo até piorar o cancelamento.
Uma segunda conclusão está relacionada com o impacto do ruído de fase no cancela-
mento analógico. Dado que a qualidade do cancelamento depende do erro de fase, que
por sua vez depende da estimação do canal (a nível da atenuação e atraso), isto implica
existem diferentes limites máximos de desempenho consoante o tipo de cancelador ac-
tivo analógico utilizado (pre-mixer, post-mixer, banda base). Estas limitações estão associ-
adas aos procedimentos de tratamento do sinal efectuados em cada cancelador. O ruído
de fase está tipicamente associado à qualidade dos osciladores, e aos efeitos dispersivos
do canal de auto-interferência. De uma forma simplificada, o efeito residual do cancela-
mento activo analógico pode ser decomposto em ruído associado ao erro de fase e outra
componente associada directamente à potência do sinal auto-interferente.
Uma terceira conclusão está ligada à primeira conclusão, mas aplicada aos mecanismos
de supressão passiva. Quando o cancelamento passivo aumenta, a correlação entre os
sinais de interesse e auto-interferentes poderá ser menor, o que pode implicar uma me-
nor capacidade de cancelamento, quer analógico quer digital. No entanto, a cascata dos
diversos canceladores poderá aumentar o desempenho global do cancelamento [Sah+13].

12
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio

Do ponto de vista do hardware, [BMK13] apresenta como necessário que o cancela-


mento analógico atenue a auto-interferência pelo menos 50dB para que o ADC funcione
num regime de potência menor, reduzindo assim os erros de quantização.
Já do ponto de vista do desempenho, o mesmo trabalho apresenta resultados de testes
com equipamentos experimentais (Canceladores BALUN) onde se conclui que para obter
vantagens na utilização de transmissões FD é necessário a Relação Sinal-Ruído (Signal to
Noise Ratio) (SNR) rondar os 45dB.

2.2 Protocolos de Acesso ao Meio


Nos sistemas de comunicações sem fios, o meio de transmissão (espectro radio-eléctrico)
é partilhado pelas múltiplas tecnologias de transmissão. Entre tecnologias, a divisão do
espectro resolve a maior parte dos problemas de interferência, dado que cada tecnologia
tem uma banda reservada para o seu funcionamento. No entanto, existem vários sistemas
(por exemplo, o Wifi) onde a quantidade de dispositivos activos em simultâneo poderá
limitar o desempenho do sistema devido ao aumento da interferência. Diversas técnicas
são utilizadas para controlar o acesso, como a divisão temporal ou espectral da gama de
frequências disponíveis para o uso de cada tecnologia. No entanto, é impraticável que
cada dispositivo tenha uma banda disponível apenas para ele.
O facto do meio de transmissão ser partilhado implica que cada nó tenha acesso ex-
clusivo ao meio, caso contrário, ocorrerá uma colisão entre múltiplas transmissões, o que
pode impossibilitar a recepção das mesmas.
Os protocolos de MAC têm como principal função garantir o acesso de todos os nós
à rede de forma a aumentar o débito e a justiça de acesso, sendo que para redes HD
pretendem solucionar alguns dos problemas mais comuns, entre eles:

• Nó Escondido - Acontece quando dois nós estão a comunicar, e um terceiro que


não está no alcance do nó emissor, mas está ao alcance do nó receptor, tenta iniciar
uma comunicação para um ou com outro nó ao seu alcance.

A B C

Figura 2.8: Exemplo do problema do nó escondido.

Observando o exemplo da figura 2.8, se C estiver a enviar dados para B, A (nó


escondido) não sabe que B está a receber, porque, do seu ponto de vista, o meio

13
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio

de transmissão está livre. Desta forma ao tentar iniciar uma transmissão, o nó A


provoca uma colisão em B.
• Nó Exposto - Acontece quando dois nós em alcance um do outro têm dados para
transmitir para destinos diferentes, os quais não partilham a mesma área de trans-
missão.

A B C D

Figura 2.9: Exemplo do problema do nó exposto.

Considerando o cenário da figura 2.9, vamos assumir que B e C têm dados para
transmitir para A e D, respectivamente. Como B-A não interfere com C-D, dado
que o alcance de transmissão não se sobrepõe nos receptores, ambas as transmissões
poderiam ser efectuadas em simultâneo. No entanto, se C estiver a enviar dados
para D, B assume que o canal está ocupado e fica à espera que a transmissão termine
para enviar dados para A.
• Justiça de Acesso - passa por garantir que todos os nós de uma rede têm uma
probabilidade de utilização do canal semelhante, ou seja, que todos os nó possuam
aproximadamente a mesma probabilidade de acesso ao meio.

Para a resolução destes problemas, são implementadas várias soluções. Inicialmente,


se uma rede tem múltiplos dispositivos activos, é necessário garantir que os mesmos
não transmitem em simultâneo. Para isso é introduzida uma fase de contenção, típica-
mente Carrier Sense Multiple Access (CSMA), por forma a evitar que existam colisões,
aumentando o desempenho da rede. A norma 802.11 no modo Distributed Coordena-
tion Function (DCF) implementa o Carrier Sense Multiple Access with Colision Avoi-
dance (CSMA/CA) que, além do mecanismo de contenção, inclui um temporizador ex-
ponencial (Exponential Backoff ) para forçar um nó a aguardar um determinado tempo se
existirem transmissões a decorrer. Assim, é reduzida a probabilidade de colisão na cap-
tura do canal.
Relativamente ao problema do nó exposto, a norma 802.11 implementa o esquema
RTS/CTS (Pedido de Envio (Request to Send) (RTS)/Autorização de Envio (Clear to
Send) (CTS)) juntamente com CSMA/CA. Este esquema exige que exista uma fase na
ronda de comunicação, na qual os nós que queiram transmitir enviam um RTS e o nó
destinatário responde com um pacote a informar que está livre para receber (RTS). Desta
forma, todos os nós ao alcance de transmissão de ambos os nós em transmissão, sabem

14
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio

que existe uma transmissão a ocorrer, pelo que devem aguardar que esta termine para
procederem a tentativa de captura do canal. No entanto, esta solução não é perfeita,
principalmente para redes móveis, uma vez que apenas os nós que "ouviram" os pacotes
RTS/CTS estão conscientes da comunicação em curso. Este mecanismo também tende a
solucionar a problemática do nó exposto desde que os nós se encontrem sincronizados.
Se o nó exposto "ouvir" um RTS de um nó vizinho, mas não o CTS de resposta, pode de-
duzir que é um terminal exposto e pode transmitir para um outro vizinho em simultâneo
sem prejudicar a transmissão actual.
Relativamente à justiça de acesso, em cenários de controlo centralizado é possível ge-
rir o acesso ao meio por forma a garantir que todos os nós partilham do mesmo tempo
de transmissão. No entanto, isto é muito difícil de garantir em redes distribuídas, uma
vez que seria necessário transmitir uma quantidade considerável de informação de con-
trolo para tentar proporcionar justiça no acesso. Para o caso de redes Rede Ad-Hoc com
Mobilidade (MANET) a situação ainda se torna um pouco mais complicada, devido à
necessidade de encaminhamento.
Durante os últimos anos, foram desenvolvidos novos protocolos MAC para explorar
as vantagens e condicionantes do FD, tendo em conta as diversas topologias de rede
existentes. Os tipos de MAC podem ser divididos em duas classes, os centralizados e
os distribuídos [Kim+13]. A principal diferença entre eles é o facto da decisão relativa
ao acesso ao meio ser gerida por um nó coordenador (tipicamente um Ponto de Acesso
(Access Point) (AP)) ou de uma forma distribuída (por cada nó da rede), respectivamente.
Naturalmente que cada classe tem as suas vantagens e desvantagens. Enquanto na
coordenação centralizada o débito poderá ser superior, esta necessita de ter um conhe-
cimento preciso da rede e do tráfego de cada nó, por forma a agendar as transmissões
que maximizem o débito da mesma. Já do lado da coordenação distribuída, o facto de
ser mais difícil obter informações concretas, tende a diminuir o débito da rede, além de
dificultar a coordenação do acesso ao meio.
A utilização do FD soluciona alguns dos desafios dos protocolos MAC. Por exem-
plo, considerando um cenário single-hop e volumes de dados simétricos entre dois nós,
a problemática do nó escondido pode ser solucionada mais facilmente, uma vez que, ao
transmitirem em simultâneo, o meio de transmissão deixa de estar livre para qualquer nó
no raio de alcance do sinal. Já para terminais com volumes de tráfego assimétrico, será
necessário alguns cuidados adicionais como a utilização de um "tom ocupado"(busy-tone)
[ZSS13; Jai+11].
Relativamente aos problemas do nó exposto, existem algumas soluções exploradas
em [Dua+14; SPS11; Sin+11] para coordenação distribuída e [ZSS13; Kim+13] para coor-
denação centralizada. De um modo geral, a solução passa primeiro por procurar opor-
tunidades de transmissão FD, e seguidamente por perceber se existem outros caminhos
de transmissão (flows) que podem ser explorados sem prejuízo da transmissão primária
(a primeira transmissão efectuada no meio de transmissão), denominada de transmissão
secundária. Isto possibilita o aumento de desempenho da rede, desde que não provoque

15
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio

colisões num dos nós da transmissão primária.


Para redes infra-estruturadas, onde é possível a existência de um controlo centrali-
zado, as oportunidades de FD podem ser pesquisadas através de uma análise de auto-
interferência entre nós e, desta forma, torna-se possível agendar as transmissões de forma
a evitar colisões. No entanto, isto requer uma fase de recolha de informação de todos os
nós, o que provoca um impacto negativo no débito máximo da rede. Uma das soluções
para esta situação é permitir a transmissão de múltiplos pacotes apenas com um conjunto
de pacotes de controlo, reduzindo o overhead por pacote transmitido [Kim+13].
Para redes Ad-Hoc, a coordenação têm obrigatoriamente de ser distribuída, pelo que
o agendamento é mais dificultado. Em [SPS11; Dua+14] são propostas alterações à norma
802.11 DCF de forma a garantir a retrocompatibilidade com as versões actuais (permi-
tindo ligações HD e FD em simultâneo). Estas propostas seguem a mesma linha de
pensamento relativamente à descoberta de oportunidades de transmissão em FD, assim
como a descoberta de possíveis transmissões secundárias. No entanto, este conhecimento
é mais complicado de obter do que nas redes com controlo centralizado, dado que é im-
praticável transmitir este tipo de informação para todos os nós de uma rede. O protocolo
"ContraFlow" proposto em [Sin+11] também é uma solução baseada no 802.11 DCF sendo
que no entanto pretende garantir justiça no acesso, a qual não é garantida directamente
pelo 802.11 DCF.
Relativamente a cenários multi-hop [Cho+10; Jai+11; Tam+13], as abordagens são um
pouco diferentes dado a natureza da rede. Num cenário multi-hop, o ideal é conseguir
transmitir um pacote enquanto o mesmo esta recebido. Este funcionamento pode-se
classificar, como assíncrono, dado que a informação flui apenas numa direcção. Uma
das vantagens do FD é a capacidade de Relay quase instantâneo [Sab+14], uma vez que
um dos maiores problemas relativos a redes multi-hop são os atrasos end-to-end [Cho+10].
Enquanto para redes HD com n nós intermédios o atraso end-to-end é dado aproximada-
mente por n × tpacote , para FD podemos considerar o tempo um pouco superior a tpacote
(figura 2.10). Ao nível de desempenho, considerando num cenário tipo estrela em que n
nós comunicam directamente com o nó central, o débito máximo aumenta de 1/n para 1
(dado que a limitação passa a ser dada pelo débito do canal (link) de ligação). [Cho+10]
ainda indica que o Automatic Repeat reQuest (ARQ) pode ser removido dos pacotes de
controlo, uma vez que se pode considerar a transmissão do nó seguinte (Relay) como um
Confirmação (Acknowledge) (ACK) implícito (figura 2.10).
Em [Tam+13], é proposto um protocolo com enfoco no modo Relay, o qual apresenta
melhorias a rondar o 70 % comparativamente com CSMA/CA. Este protocolo MAC têm
em conta o tempo necessário para o cancelamento da auto-interferência ser efectuado, e
utiliza um mecanismo assíncrono de transmissão. Um segundo objectivo deste trabalho
passa por evitar colisões sem descartar os impactos no desempenho, pelo que é salien-
tada a necessidade de procurar oportunidades para a transmissão secundária. Com este
intuito, o RFD-MAC (Relay Full-Duplex MAC) utiliza uma tabela de vizinhos com in-
formação referente à existência de pacotes sucessivos para se decidir quais os nós que

16
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio

Figura 2.10: Exemplo de Relay e ACK implícito [Cho+10].

têm prioridade, sendo esta incluída no cabeçalho dos pacotes. Tendo em conta apenas o
desempenho em cenários multi-hop, em [Jai+11] é proposta a possibilidade de existirem
pacotes pré-carregados no transmissor, os quais necessitam de ser flexíveis, por forma a
atingir uma redução da latência da transmissão secundária. Isto permitiria que o enca-
minhamento do pacote se iniciasse de forma mais célere, reduzindo o atraso end-to-end.

Do ponto de vista da justiça em redes distribuídas, [Dua+14] demonstra que existem


formas de adaptar o 802.11 DCF para FD e tentar garantir que os diversos nós, sejam eles
HD ou FD tenham a mesma probabilidade de captura do canal. Para isso, é necessário
ter em conta o modo de funcionamento dos transmissores FD, e forçá-los a ter um com-
portamento similar aos HD quando não estão a enviar dados (principalmente associado
aos tempos de espera no fim de cada transmissão de forma evitar que os nós FD se an-
tecipem relativamente aos HD). Os autores demonstram ainda que será necessário ter
um cuidado de gestão dos ACK, relativamente aos tempos de timeout, principalmente
no caso de trafego assimétrico de dados.

Em [XZ14] é quantificado o ganho teórico para diversos cenários de rede. Este tra-
balho demonstra que o ganho global dos sistemas FD, utilizando os protocolos MAC
actuais, só se aproxima do dobro dos sistemas HD em cenários single-link. No caso de
redes com contenção o débito atingido foi aproximadamente 1,5 vezes superior à utili-
zação de transmissores HD. Um outro tema explorado neste trabalho é a reutilização
espacial onde se percebe que a utilização do FD diminui em alguns casos a possibilidade
de comunicação entre nós, para cenários distribuídos.

Ainda ao nível do acesso ao meio, o trabalho realizado por [Sab+14] aponta como

17
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio

grande vantagem do FD a capacidade de detectar colisões e a possibilidade de ser rece-


bido um feedback instantâneo numa comunicação entre dois nós. Além disso, são referi-
das uma série de oportunidades de desenvolvimento de protocolos que tirem partido do
FD para diversos cenários. Entre elas, a redução do comprimento das rotas de encami-
nhamento wireless (uma vez que os caminhos de encaminhamento podem se interceptar,
sem prejudicar o desempenho), a capacidade de sensing permite que se encontrem opor-
tunidades de comunicação FD (com partilha do algoritmo de backoff ) e ainda, em redes
cognitivas, a redução de interferência provocada pelos nós secundários nos nós primá-
rios.

18
3
Modelo Full-Duplex

Neste capítulo é apresentado um modelo para sistemas de comunicação bidireccionais,


o qual caracteriza a interferência residual provocada pelo cancelamento imperfeito do
sinal auto-interferente. Dada a necessidade de se obter uma caracterização da potência
residual após cancelamento da auto-interferência, este capítulo parte do trabalho apre-
sentado em [Sah+13], o qual apresenta uma análise detalhada de diversos sistemas FD
tendo em conta várias arquitecturas de cancelamento. Desta forma, decidiu-se utilizar
como base o modelo para sinais de banda curta com cancelamento analógico e digital
com estimação imperfeita do canal de auto-interferência.
O modelo conceptual adoptado neste capítulo encontra-se ilustrado na figura 3.1
em que hsignal e hsi representam o canal referente ao sinal desejado e ao sinal auto-
interferente, respectivamente.

Tx Rx

Nó 1 hsi Nó 2

Rx Tx
hsignal

Figura 3.1: Representação do modelo descrito em [Sah+13].

Assumindo que cada canal apresenta uma resposta impulsiva com apenas 1 raio, o

19
3. M ODELO F ULL -D UPLEX

canal associado ao sinal de interesse (desejado) e ao sinal auto-interferente é dado res-


pectivamente por hsignal (t) e hsi (t),

hsignal (t) = hsignal × δ(t − ∆signal ),


(3.1)
hsi (t) = hsi × δ(t − ∆si ),

em que hsignal , hsi , ∆signal e ∆si são os ganhos de amplitude e os tempos de propagação
de cada canal, respectivamente, e δ(t) representa a função delta-dirac.

Procedendo à amostragem do sinal recebido pelo nó 1 (figura 3.1) obtém-se o sinal


p p
y1 [iT ] = Psignal hsignal [iT ] ∗ xsignal [iT ] + Psi |hsi |βφ zphase−noise [iT ]+
p (3.2)
Psi hresidualsi [iT ] ∗ xsi [iT ] + znoise ,

onde T representa o período de amostragem e i ∈ Z representa cada uma das amostras.


A operação de convolução é representada por "∗". A primeira parcela da equação (3.2)
refere-se ao sinal de interesse, ou seja, ao sinal que se pretende receber. A segunda parcela
refere-se ao ruído provocado pelo erro de fase do canal de auto-interferência. A terceira
parcela representa a componente residual provocada pelo cancelamento imperfeito do
canal auto-interferente. A última parcela representa ruído térmico gaussiano associado
ao receptor.

Detalhando um pouco mais, Psignal e Psi são os valores normalizados das potências re-
cebidas do sinal de interesse e do sinal auto-interferente, respectivamente. O sinal de
interesse é designado por xsignal enquanto o sinal transmitido pelo próprio nó (sinal que
provoca a auto-interferência) é representado por xsi . hresidualsi representa o canal auto-
interferente após cancelamento, ou seja, o efeito residual do cancelamento. Admitindo
cancelamento analógico, hresidualsi é descrito como

hresidualsi [iT ] = hsi (δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan ), (3.3)

onde τan e ρan são os valores estimados do atraso e do ganho de amplitude desse mesmo
canal. Quando τan = ∆si e ρan = 1 a estimação é perfeita e a equação (3.3) toma valor
nulo. Neste caso o cancelamento é perfeito.

Como abordado na sub-secção 2.1.1, o cancelamento analógico torna-se praticamente


obrigatório para a utilização do cancelamento digital, principalmente devido ao compor-
tamento dos ADC’s. No entanto, o cancelamento analógico não possibilita uma adapta-
ção directa às variações do canal, devido à sua própria natureza. A inclusão do cancela-
mento digital na cascata de cancelamento permite que o cancelamento se possa adaptar a
essas variações temporais do canal auto-interferente. Desta forma, o canal residual após

20
3. M ODELO F ULL -D UPLEX

a inclusão do cancelador digital toma a representação

hresidualsi [iT ] = hsi (δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan −
ρdig δ[iT − ∆si − τdig ]e−jωc (∆si −τdig ) + (3.4)
ρdig ρan δ[iT − τan − τdig ]e−jωc (τan −τdig ) ),

onde τan , τdig , ρan e ρdig são os valores de estimação do atraso e do ganho de amplitude
do canal auto-interferente para o cancelamento analógico e digital, respectivamente. O
cancelamento é perfeito quando ρdig = ρan = 1, τan = ∆si e τdig = 0.
znoise representa ruído térmico gaussiano no receptor e zphase−noise representa ruído
branco gaussiano, independente do ruído térmico e do sinal de interesse. Este último
representa o efeito dos erros de fase, associados às imperfeições dos geradores de sinal.
O ruído de fase está associado ao parâmetro βφ , que representa o erro de fase do re-
ceptor/emissor, o qual toma valores diferentes consoante o tipo de cancelador utilizado.
2 e σ2
Esses valores podem ser visualizados na tabela 3.1, onde σsi down são as variâncias
do desvio de fase do sinal auto-interferente e do processo de downconvertion, respecti-
vamente. Rφsi (k) e Rxsi (k) representam a auto-correlação do desvio de fase do sinal
auto-interferente e do próprio sinal auto-interferente, respectivamente. A obtenção da
função de auto-correlação é detalhada na secção 3.4.

Tabela 3.1: Valores de βφ2 para vários tipos de cancelador [Sah+13].


Pre-Mixer Post-Mixer Banda-base
Cancelador 2 × (1 − R 2 × (1 − R 2 + σ2
2σsi φsi (∆si )) 2σsi φsi (τan − ∆si )) σsi down
Analógico
2 2 2 2 2
Cancelador (σsi + σdown ) × (1 + |ρan | − (σsi + σdown ) × (1 + |ρan | − 2

Analógico 2|ρan |Rxsi (τan − ∆si )) + 2|ρan |Rxsi (τan − ∆si )) + 2 + σ2


σsi down
2 × (1 − R 2 × (1 − R
e Digital 2σsi φsi (∆si )) 2σsi φsi (τan − ∆si ))

Considerando que o sinal transmitido pelo próprio nó tem por base valores aleató-
rios com uma distribuição gaussiana de média nula, com o aumento de ∆si (atraso do
canal), o valor da autocorrelação tende a ser nulo. Sabendo que o erro de estimação tem-
poral para o cancelador post-mixer será sempre menor que para o cancelador pre-mixer,
utilizando cancelamento analógico (|∆si − τan | 6 25%∆si ), a segunda parcela da equa-
ção (3.2) terá um valor de potência inferior para o cancelador post-mixer, uma vez que
depende do erro de estimação e não directamente do tempo de propagação do canal
auto-interferente. Para o cancelador de banda-base, o valor de potência da mesma par-
cela está apenas relacionado com a variância do ruído de fase do emissor e do receptor
(considerando que os processos de upconvertion e downconverstion são independentes).
Quando é utilizado cancelamento analógico e digital, o valor de βφ2 passa também a
ter em conta a autocorrelação do sinal auto-interferente, e a estimação do ganho de am-
plitude do canal interferente. As conclusões são similares às indicadas utilizando apenas
cancelamento analógico, uma vez que para uma determinada estimação (ρan , τan ) o factor

21
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência

βφ2 é menor para o cancelador post-mixer do que para o cancelador pre-mixer. A compara-
ção directa dos diversos canceladores será apresentada na secção 3.4.
Nas secções seguintes serão analisados os efeitos residuais do cancelamento da auto-
interferência. Estes resultados serão classificados em formato de distribuições de pro-
babilidade e posteriormente validados através de simulação. Por fim, será abordada a
capacidade de recepção para diferentes canceladores.

3.1 Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-


Interferência

Nesta secção será caracterizada a potência residual após cancelamento. A análise será
feita primeiro para o cancelamento analógico e posteriormente para o cancelamento ana-
lógico e digital. Cada caracterização irá partir de um canal com apenas 1 raio, sendo
posteriormente generalizado para K raios.

3.1.1 Cancelamento Analógico

Canal com efeitos de desvanecimento rápido (Rayleigh) com 1 raio

Assumindo um canal auto-interferente com efeito de desvanecimento rápido (fast-fading),


simulado por uma distribuição de Rayleigh então a variável hsi da equação (3.3) é dada
por hr + jhj em que hr e hj são variáveis aleatórias cuja Função de Densidade de Proba-
bilidade (PDF) é uma distribuição normal com média nula e variância σr2 .
Substituindo hsi = N (0, σr2 ) + jN (0, σr2 ) na equação (3.3), e representando-a como
tendo uma distribuição normal complexa e circularmente simétrica CN (0, σr2 ), obtêm-se

hresidualsi [iT ] = CN (0, σr2 )(δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan ). (3.5)

Tendo em conta que ∆si e τan são constantes, podemos representar o problema através
de
hresidualsi [iT ] ∗ xsi [iT ] = αa ∗ xsi − αb ∗ xsi , (3.6)

em que αa = CN (0, σr2 )e−jωc ∆si e αb = CN (0, σr2 )ρan e−jωc τan , sendo equivalente a

αa = CN (0, σr2 ),
(3.7)
αb = CN (0, ρ2an σr2 ).

Prova 1. Partindo de

αa = CN (0, σr2 )e−jωc ∆si ,


αb = CN (0, σr2 )ρan e−jωc τan ,

22
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência

e uma vez que e−jωc ∆si = cos(ωc ∆si ) − jsen(ωc ∆si ), obtêm-se

αa = Re{CN (0, σr2 )}cos(ωc ∆si ) − jRe{CN (0, σr2 )}(0, σr2 )}sen(ωc ∆si )
+ jIm{CN (0, σr2 )}cos(ωc ∆si ) + Im{CN (0, σr2 )}sen(ωc ∆si )
= Re{CN (0, σr2 )}cos(ωc ∆si ) + Im{CN (0, σr2 )}sen(ωc ∆si )
− j(Re{CN (0, σr2 )}sen(ωc ∆si ) − Im{CN (0, σr2 )}cos(ωc ∆si )),

αb = ρan Re{CN (0, σr2 )}cos(ωc τan ) − jρan Re{CN (0, σr2 )}sen(ωc τan )
+ j(ρan Im{CN (0, σr2 )}cos(ωc τan ) + ρan Im{CN (0, σr2 )}sen(ωc τan )
= ρan Re{CN (0, σr2 )}cos(ωc τan ) + ρan Im{CN (0, σr2 )}sen(ωc τan )
− j(ρan Re{CN (0, σr2 )}sen(ωc τan ) − ρan Im{CN (0, σr2 )}cos(ωc τan )).

Sabendo que αN (0, σ 2 ) = N (0, α2 σ 2 ) ,

αa = Re{CN (0, cos2 (ωc ∆si )2 σr2 )} + Im{CN (0, sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )}
− j(Re{CN (0, sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )} − Im{CN (0, cos2 (ωc ∆si )σr2 )}),

αb = Re{CN (0, ρ2an cos2 (ωc ∆si )2 σr2 )} + Im{CN (0, ρ2an sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )}
− j(Re{CN (0, ρ2an sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )} − Im{CN (0, ρ2an cos2 (ωc ∆si )σr2 )}),

e que N (µ1 , σ12 ) ± N (µ2 , σ22 ) = N (µ1 ± µ2 , σ12 + σ22 ) e ainda que cos2 (x) + sen2 (x) = 1 e
Re{CN (0, σ 2 )} = Im{CN (0, σ 2 )} = N (0, σ 2 ):

αa = N (0, cos2 (ωc ∆si )2 σr2 + sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )


− j(N (0, sen2 (ωc ∆si )2 σr2 + cos2 (ωc ∆si )σr2 )
= N (0, σr2 ) − jN (0, σr2 )
= CN (0, σr2 ))

αb = N (0, ρ2an cos2 (ωc ∆si )2 σr2 + ρ2an sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )
− j(N (0, ρ2an sen2 (ωc ∆si )2 σr2 + ρ2an cos2 (ωc ∆si )σr2 ))
= N (0, ρ2an σr2 ) − jN (0, ρ2an σr2 )
= CN (0, ρ2an σr2 )

Convoluindo αa e αb com o sinal circular e simétrico xsi = N (0, σx2 )+jN (0, σx2 ), obtém-se

αa ∗ xsi = CN (0, 2σr2 + 2σx2 ),


(3.8)
αb ∗ xsi = CN (0, 2ρ2an σr2 + 2σx2 ).

23
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência

Prova 2. Partindo de

αa ∗ xsi = CN (0, σr2 ) ∗ CN (0, σx2 )


= N (0, σr2 ) ∗ N (0, σx2 ) + j(N (0, σr2 ) ∗ N (0, σx2 ))−
j(N (0, σr2 ) ∗ N (0, σx2 )) + N (0, σr2 ) ∗ N (0, σx2 ),

αb ∗ xsi = CN (0, ρ2an σr2 ) ∗ CN (0, σx2 )


= N (0, ρ2an σr2 ) ∗ N (0, σx2 ) + j(N (0, ρ2an σr2 ) ∗ N (0, σx2 ))−
j(N (0, ρ2an σr2 ) ∗ N (0, σx2 )) + N (0, ρ2an σr2 ) ∗ N (0, σx2 ),

e dado que N (µ1 , σ12 ) ∗ N (µ2 , σ22 ) = N (µ1 + µ2 , σ12 + σ22 ), obtem-se

αa ∗ xsi = N (0, σr2 + σx2 ) + jN (0, σr2 + σx2 ) − jN (0, σr2 + σx2 ) + N (0, σr2 + σx2 )
= N (0, 2σr2 + 2σx2 ) + jN (0, 2σr2 + 2σx2 )
= CN (0, 2σr2 + 2σx2 ),

αb ∗ xsi = N (0, ρ2an σr2 + σx2 ) + jN (0, ρ2an σr2 + σx2 ) − jN (0, ρ2an σr2 + σx2 ) + N (0, ρ2an σr2 + σx2 )
= N (0, 2ρ2an σr2 + 2σx2 ) + jN (0, 2ρ2an σr2 + 2σx2 )
= CN (0, 2ρ2an σr2 + 2σx2 ).

Como CN (0, σ 2 ) = N (0, σ 2 ) + jN (0, σ 2 ) cada uma das componentes (|αa ∗ xsi | e |αb ∗
xsi |) pode ser representada por uma distribuição de Rayleigh,
p
|αa ∗ xsi | = Rayleigh( 2σr2 + 2σx2 )
p (3.9)
|αb ∗ xsi | = Rayleigh( 2ρ2an σr2 + 2σx2 ).

Tendo como objectivo o cálculo da potência residual após cancelamento, e sabendo


que αa ∗ xsi e αb ∗ xsi são realizações em instantes de tempo diferentes, respectivamente
em ∆si e τ , a potência é obtida através da equação

Pyresidualsi = |αa ∗ xsi |2 + |αb ∗ xsi |2 , (3.10)

a qual pode ser vista como

L
X
Pyresidualsi = Rayleigh2l (σl ), (3.11)
l=1

sendo que neste caso L = 2. No entanto, uma vez que ambas as parcelas da equação
(3.10) têm como base um mesmo canal hsi e, dado serem convoluídas pelo mesmo sinal
xsi , as mesmas estão correlacionadas.

24
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência

Canal com efeitos de desvanecimento rápido (Rayleigh) com K raios

Estando na presença de um canal com K respostas impulsivas, podemos considerar que


o canal é representado obtido através de

K
X
hsi = CN (0, σr2n ). (3.12)
n=1

Assumindo que todas as resposta impulsivas ocorrem em instantes de tempo diferentes,


estamos na presença de K distribuições normais complexas. As variáveis αa e αb , e as
convoluções dos mesmos com xsi , também são representadas por distribuições normais
complexas. Assim, o canal residual pode ser visto como

K
X
CN (0, σr2n ) × (δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρann δ[iT − τann ]e−jωc τann ) ,

hresidualsi [iT ] =
n=1
(3.13)
sendo que a representação do problema da equação (3.6) pode ser vista como

K
X
hresidualsi [iT ] ∗ xsi = (αan ∗ xsi − αbn ∗ xsi ) , (3.14)
n=1

o que equivale a um somatório de L = 2K distribuições Rayleigh ao quadrado (provas 1


e 2),

L
X
Pyresidualsi = Rayleigh2l (σl ).
l=1

Uma vez que qualquer das distribuições Rayleigh têm por base o mesmo sinal auto-
interferente (xsi ), estas são correlacionadas entre si.

3.1.2 Cancelamento Analógico e Digital

Canal com efeitos de desvanecimento rápido (Rayleigh) com 1 raio

Utilizando as mesmas condições da análise efectuada para o cancelamento analógico


(sub-secção 3.1.1), e partido da equação (3.4), referente ao canal residual para cancela-
mento analógico e digital, obtém-se

hresidualsi [iT ] = CN (0, σr2n )×(δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan −
ρdig δ[iT − ∆si − τdig ]e−jωc (∆si −τdig ) + (3.15)
ρdig ρan δ[iT − τan − τdig ]e−jωc (τan −τdig ) ),

sendo que a convolução entre o canal residual e xsi pode ser representado como

hresidualsi [iT ] ∗ xsi [iT ] = αa ∗ xsi − αb ∗ xsi − αc ∗ xsi + αd ∗ xsi , (3.16)

25
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência

com

αa = CN (0, σr2 )e−jωc ∆si ,


αb = CN (0, σr2 )ρan e−jωc τan ,
αc = CN (0, σr2 )ρdig e−jωc (∆si +τdig ) ,
αd = CN (0, σr2 )ρan ρdig e−jωc (τan +τdig ) .

Desta forma, e seguindo o mesmo raciocínio das provas (1) e (2), obtém-se

αa = CN (0, σr2 ),
αb = CN (0, ρ2an σr2 ),
(3.17)
αc = CN (0, ρ2dig σr2 ),
αd = CN (0, ρ2an ρ2dig σr2 ),

p
|αa ∗ xsi | = Rayleigh( 2σr2 + 2σx2 ),
p
|αb ∗ xsi | = Rayleigh( 2ρ2an σr2 + 2σx2 ),
q (3.18)
|αc ∗ xsi | = Rayleigh( 2ρ2dig σr2 + 2σx2 ),
q
|αd ∗ xsi | = Rayleigh( 2ρ2dig ρ2an σr2 + 2σx2 ).

Assumindo que todas as realizações da equação (3.18) ocorrem em instantes de tempo


diferentes, a potência residual da convolução do sinal auto-interferente com o canal resi-
dual passa a ser representada por

Pyresidualsi = |αa ∗ xsi |2 + |αb ∗ xsi |2 + |αc ∗ xsi |2 + |αd ∗ xsi |2 , (3.19)

podendo ser representada pelo somatório de distribuições Rayleigh quadradas

L
X
Pyresidualsi = Rayleigh2l (σl ),
l=1

neste caso, com L = 4. Uma vez que todas as componentes de Pyresidualsi partilham o
mesmo canal, as L distribuições Rayleigh estão correlacionadas.

Canal com efeitos de desvanecimento rápido (Rayleigh) com K raios

De forma análoga à generalização efectuada para um canal com K raios para o cancelador
analógico, considerando que o canal é representado obtido através de

K
X
hsi = CN (0, σr2n ).
n=1

26
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.2. Distribuição da Potência Residual

Assumindo que as respostas impulsivas ocorrem em instantes de tempo diferentes, e


aplicando hsi na equação 3.4, o canal residual pode ser descrito como

K
X
CN (0, σr2n ) ×(δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan −

hresidualsi [iT ] =
n=1

ρdig δ[iT − ∆si − τdig ]e−jωc (∆si −τdig ) +


ρdig ρan δ[iT − τan − τdig ]e−jωc (τan −τdig ) ).
(3.20)

De forma análoga ao método apresentado para o canal com apenas 1 raio, a convolução
entre o canal residual e o sinal auto-interferente pode ser representada como

K
X
hresidualsi ∗ xsi = (αa ∗ xsi − αb ∗ xsi − αc ∗ xsi + αd ∗ xsi ) , (3.21)
n=1

em que αa , αb , αc e αd apresentam os mesmos valores apresentados para o cancelamento


considerando um canal com apenas 1 raio (3.17). Seguindo as provas (1) e (2), a potência
residual pode ser representada por

K
X
|αan ∗ xsi |2 + |αbn ∗ xsi |2 + |αcn ∗ xsi |2 + |αdn ∗ xsi |2 ,

Pyresidualsi = (3.22)
n=1

podendo esta ser dada pela soma do quadrado de L = 4K distribuições de Rayleigh,

L
X
Pyresidualsi = Rayleigh2l (σl ).
l=1

Estas distribuições Rayleigh encontram-se correlacionadas uma vez que são geradas a
partir do mesmo sinal auto-interferente (xsi ).

3.2 Distribuição da Potência Residual


Nesta secção apresenta-se um método de descorrelação do quadrado de distribuições
Rayleigh por forma a se obter uma caracterização da potência residual através de uma
distribuição equivalente.
Desta forma, e de acordo com o trabalho realizado em [KST06; WCW00], a potência
residual do cancelamento (Π) pode ser representada através da soma de L distribuições
de Erlang,

L
X L
X
Π= Rayleigh2l (σl ) ≈ Erlangl (ml , ηl ) (3.23)
l=1 l=1

em que os parâmetros das distribuições Erlang (ml ,ηl ), podem ser obtidos através da

27
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.2. Distribuição da Potência Residual

seguinte metodologia de descorrelação de variáveis aleatórias:

1. Definir Wl como um vector coluna de dimensão 2 × 1 dado por Wl = [W1,1 , W1,2 ];

2. Definir W , a qual terá dimensão Dt × 1. Dt = 2 × L é definido como W =


[W10 W20 ...WL0 ]0 e a sua matriz de co-variância é dada por Kw = E(W W 0 ). L é o
número de Distribuições Rayleigh correlacionadas;

3. Obter Kw através das seguintes condições



 ηi /2
 se i = j e k = l

E(Wi,k , Wj,l ) = ρi,j ηi ηj /2 se i 6= j e k = l, com k=l=1,2

0 outros casos

v
u
u E((Yi − mi ηi )(Yj − mj ηj ))
em que ρi,j =t p ;
var(Yi )var(Yj )

4. Determinar os valores próprios (λl ) da matriz Kw , com multiplicidade algébrica µl ,


sendo que L
P
i=1 µi = Dt;

5. Proceder à geração de L distribuições Erlang (ml , ηl ) com parâmetros ml = µl /2 e


ηl = 4λl /µl .

Sabendo a parametrização das L distribuições Erlang, por definição a Função Gera-


dora de Momentos (FGM) da Variável Aleatória Π é dada por
Z ∞
MΠ (t) = etx fΠ (x) dx. (3.24)
−∞

Identificando cada distribuição Erlang como πl , a equação (3.23) pode ser vista como

Π = π1 + π2 + ... + πl , (3.25)

a FGM de Π é dada por

MΠ (t) = Mπ1 (t) × Mπ2 (t) × ... × Mπl (t), (3.26)

uma vez que, após a aplicação da metodologia de descorrelação apresentada, as diversas


Variáveis Aleatórias são independentes.
Sabendo que a FGM e a função característica de uma variável z estão relacionadas
através da condição
ϕΠ (z) = Miz (t) = Mz (it), (3.27)

a função característica da variável aleatória Π, ϕΠ é dada por


Z ∞
ϕΠ (u) = eixu fΠ (x) dx, (3.28)
−∞

28
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo

pelo que é possível obter a PDF de Π, fΠ , através da sua inversa


Z ∞
1
fΠ = e−ixu ϕΠ (it) dt. (3.29)
2π −∞

Na próxima secção, em simultâneo com a análise da potência residual, o modelo apre-


sentado para a obtenção da PDF da Potência Residual será validado para diversos cená-
rios de cancelamento.

3.3 Análise e Validação do Modelo


Nesta secção são analisados os resultados de cada caracterização do modelo de cancela-
mento da auto-interferência. A organização é similar à secção 3.1, pelo que inicialmente
são analisados os resultados associados ao cancelamento analógico considerando um ca-
nal auto-interferente com 1 raio e com 3 raios (utilizando a caracterização para K raios).
Posteriormente será analisada a potência residual para o cancelamento analógico e di-
gital. Em simultâneo será validada a metodologia de descorrelação do quadrado das
variáveis descritas através de distribuições Rayleigh apresentada na secção 3.2.

3.3.1 Cancelamento analógico


Considerando que o canal residual apresenta um tempo de propagação (∆si ) de 1ns
(equivale a uma distância percorrida pelo sinal auto-interferente de aproximadamente
30cm) e que tanto a variância o sinal auto-interferente (σx2 ) como a variância do canal
(σr2 ) são unitárias, apresentam-se os resultados para o cancelamento analógico parame-
trizado com τan = 0.75ns e ρan = 1. Efectuaram-se diversas simulações por forma a
verificar quais os parâmetros com maior influência na potência residual. Estas simula-
ções passam por variar um parâmetro de cada vez, permitindo também validar o "Mo-
delo"caracterizado pelo somatório de distribuições Erlang, relativamente à Simulação
efectuada.
Na figura 3.2 representa-se a variação da potência residual para ρan = 1, 0.6 e 0.2.
Pode-se concluir que estas variações sobre este parâmetro influenciam significativamente
a forma da PDF e da Função de Distribuição Cumulativa (CDF). Na figura 3.3 podemos
verificar que a variância quer do sinal auto-interferente como do canal têm efeitos muito
significativos na potência média do sinal após cancelamento. Já na figura 3.4 podemos
confirmar que a variação de τan praticamente não tem influência sobre a potência resi-
dual, caso este se mantenha diferente de ∆si (neste caso, a potência residual seria mínima
e apenas associado ao ρan ) (equação (3.5)).
Na figura 3.5 é estudado o comportamento da potência residual para três cenários:

• Cenário A - ρan = 1, ∆si = 1ns , τan = 0.75ns, σr2 = 1 e σx2 = 1;


• Cenário B - ρan = 0.7, ∆si = 1ns , τan = 0.9ns, σr2 = 2 e σx2 = 1;
• Cenário C - ρan = 0.4, ∆si = 1ns , τan = 1.15ns, σr2 = 1 e σx2 = 3.

29
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo

PDF Potência Residual diferentes ρan CDF Potência Residual diferentes ρan
0.08 1
Simulação ρan =1
0.07
Modelo ρan =1 0.8
0.06 Simulação ρan =0.6
Probabilidade

Probabilidade
0.05 Modelo ρan =0.6
0.6 Simulação ρ =1
an
Simulação ρan =0.2
0.04 Modelo ρan =1
Modelo ρ =0.2
0.03
an 0.4 Simulação ρan =0.6
Modelo ρ =0.6
0.02 an
0.2 Simulação ρan =0.2
0.01
Modelo ρan =0.2
0 0
0 20 40 60 80 0 20 40 60 80
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.2: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (ρan ).
CDF Potência Residual diferentes σ2 e σ2 CDF Potência Residual diferentes σ2 e σ2
r x r x
0.07 1
Simulação σ2r =1 σ2x =1
0.06
Modelo σ2r =1 σ2x =1 0.8
0.05
Simulação σ2r =2 σ2x =1 2
Simulação σr =1 σx =1
2
Probabilidade

Probabilidade

0.04 Modelo σ2r =2 σ2x =1 0.6


Modelo σ2r =1 σ2x =1
Simulação σ2 =1 σ2 =3 Simulação σ2r =2 σ2x =1
0.03 r x
0.4
Modelo σ2r =1 σ2x =3 Modelo σ2r =2 σ2x =1
0.02
0.2 Simulação σ2r =1 σ2x =3
0.01
Modelo σ2r =1 σ2x =3
0 0
0 100 200 300 400 0 100 200 300 400
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.3: Validação de fΠ para diversos valores de variância do canal (σr ) e/ou do sinal
emitido (σr ).
PDF Potência Residual diferentes τan CDF Potência Residual diferentes τan
0.07 1
Simulação τan =5e−10
0.06
Modelo τan =5e−10 0.8
0.05 Simulação τ =1.5e−09
an
Probabilidade

Probabilidade

Modelo τan =1.5e−09


0.04
0.6 Simulação τan =5e−10
Simulação τan =3e−09
Modelo τan =5e−10
0.03 Modelo τan =3e−09
0.4 Simulação τan =1.5e−09
0.02 Modelo τan =1.5e−09
0.2 Simulação τan =3e−09
0.01
Modelo τan =3e−09
0 0
0 20 40 60 80 0 20 40 60 80
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.4: Validação de fΠ para diversos valores de estimação do tempo de propagação
do canal (τan ).

30
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo

PDF Potência Residual diferentes cenários CDF Potência Residual diferentes cenários
0.07 1
Simulação Cenário A
0.06 Modelo Cenário A
Simulação Cenário B 0.8
0.05 Modelo Cenário B
Simulação Cenário C
Probabilidade

Probabilidade
Modelo Cenário C 0.6
0.04

0.03 Simulação Cenário A


0.4
Modelo Cenário A
0.02 Simulação Cenário B
0.2 Modelo Cenário B
0.01 Simulação Cenário C
Modelo Cenário C
0 0
0 100 200 300 400 0 100 200 300 400
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.5: Validação de fΠ para os cenários A, B e C.
.

Relativamente à validação para os Cenários A, B e C, naturalmente que os resultados


apresentados vão de encontro ao esperado, uma vez que o mesmo depende principal-
mente dos parâmetros que, separadamente, apresentam efeitos mais significativos.
De seguida realiza-se a análise de potência e validação do modelo para canais com
mais do que 1 raio. As simulações foram efectuadas considerando um canal auto-inter-
ferente com 3 raios, o que exige a existência de 3 parâmetros de estimação do ganho de
amplitude (ρan ) e de estimação temporal do canal (τan ).
Nas figuras 3.6 e 3.7 analisa-se o impacto entre dois conjuntos de valores para ρan e
τan , por forma a estudar o comportamento da potência residual. Podemos verificar que
variações em τan não provocam efeitos sobre a potência residual. No entanto, o mesmo
não é verdade para o parâmetro ρan . Ainda de salientar, que o facto do cancelamento ser
imperfeito nos 3 raios do canal auto-interferente, aumenta consideravelmente a potência
residual quando comparado com os resultados apresentados para o canal com apenas
um raio.
Na figura 3.8 são estudados 2 cenários:

• Cenário A - ρan = [0.1, 0.55, 1], τan = [0.75, 1, 1.25] ns, σx2 = σr2 = 1 e ∆si = 1 ns;

• Cenário B - ρan = [0.7, 0.85, 1], τan = [0.75, 1.1, 1.25] ns, σx2 = σr2 = 1 e ∆si = 1 ns.

Como esperado, a análise comparativa dos cenários A e B demonstra que, os parâ-


metros com impacto mais significativo sobre o desempenho do cancelador têm um efeito
dominante na potência residual. Pode-se também verificar que o facto de τan = ∆si em
apenas uma das K componentes, reduz significativamente a potência residual.
Relativamente à metodologia de descorrelação das distribuições Rayleigh quadradas,
podemos confirmar a sua validação para todos os cenários apresentados para o cancela-
mento analógico.

31
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo

PDF Potência Residual diferentes ρan CDF Potência Residual diferentes ρan
0.025 1
Simulação ρan =[0.7 0.85 1]

0.02 Modelo ρan =[0.7 0.85 1] 0.8


Simulação ρan =[0.1 0.55 1]
Probabilidade

Probabilidade
Modelo ρan =[0.1 0.55 1]
0.015 0.6

0.01 0.4 Simulação ρan =[0.7 0.85 1]


Modelo ρ =[0.7 0.85 1]
an
0.005 0.2 Simulação ρan =[0.1 0.55 1]
Modelo ρan =[0.1 0.55 1]
0 0
0 50 100 150 200 0 50 100 150 200
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.6: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (ρan ).
.
PDF Potência Residual diferentes τan CDF Potência Residual diferentes τan
0.03 1
Simulação τan=[0.75 1 1.25]ns
0.025 Modelo τan=[0.75 1 1.25]ns 0.8
Simulação τan=[0 1 2]ns
0.02
Probabilidade

Probabilidade

Modelo τan=[0 1 2]ns


0.6
0.015
0.4 Simulação τan =[0.75 1 1.25] ns
0.01
Modelo τan =[0.75 1 1.25] ns
0.2 Simulação τan =[0 1 2] ns
0.005
Modelo τan =[0 1 2] ns
0 0
0 20 40 60 80 100 120 0 20 40 60 80 100 120
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.7: Validação de fΠ para diversos valores de estimação do tempo de propagação
do canal (τan ).
.

3.3.2 Cancelamento analógico e digital

De forma similar à efectuada na sub-secção anterior, procedeu-se à realização de um


conjunto de testes por forma a verificar a validação da metodologia de descorrelação
apresentada na secção 3.2 e em simultâneo estudar a potência residual proveniente do
cancelamento analógico e digital. Assumindo σx2 = σr2 = 1, ∆si = 1ns, e que o cance-
lador está parametrizado com ρan = 0.7, τan = 0.75ns, ρdig = 0.4 e τdig = 0, e ainda
considerando como "Modelo" o somatório das distribuições Erlang e como "Simulação"
os resultados simulados, procedeu-se ao estudo de diversos cenários.
Na figura 3.9 é estudada a potência residual quando existem variações no parâmetro
ρdig , enquanto na figura 3.10 é estudada a variação do parâmetro τdig . Mais uma vez,
o parâmetro de estimação do ganho de amplitude (ρdig ) provoca alterações significati-
vas na potência residual, sendo que no entanto não se pode associar o seu valor de uma

32
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo

PDF Potência Residual diferentes cenários CDF Potência Residual diferentes cenários
0.03 1
Simulação Cenário A
Modelo Cenário A
0.025
Simulação Cenário B 0.8
Modelo Cenário B
0.02
Probabilidade

Probabilidade
0.6
0.015
0.4
0.01
Simulação Cenário A
0.2 Modelo Cenário A
0.005
Simulação Cenário B
Modelo Cenário B
0 0
0 50 100 150 200 0 50 100 150 200
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.8: Validação de fΠ para os cenários A, B e C.

forma directa a uma melhoria ou degradação do cancelamento, uma vez que estando na
presença de sinais em instante de tempo diferente, uma melhor estimação da amplitude
(ρdig ) pode implicar uma maior potência residual, em vez de provocar uma redução da
mesma (equação (3.4)). Já relativamente ao parâmetro τdig as conclusões são semelhan-
tes, sendo possível verificar os ganhos associados à capacidade de captura de fase do
sinal auto-interferente, após cancelamento digital. Pode-se verificar a redução acentuada
da potência residual, caso τdig tome valor nulo (de notar que o caso de cancelamento
perfeito, verifica-se quando ∆si = τan , ρan = ρdig = 1 e τdig = 0).

PDF Potência Residual diferentes ρdig CDF Potência Residual diferentes ρdig
0.04 1
Simulação ρdig =1
0.035
Modelo ρdig =1 0.8
0.03 Simulação ρdig =0.6
Probabilidade

Probabilidade

0.025 Modelo ρdig =0.6


0.6 Simulação ρdig =1
Simulação ρdig =0.2
0.02 Modelo ρdig =1
Modelo ρdig =0.2
0.015 0.4 Simulação ρdig =0.6
Modelo ρdig =0.6
0.01
0.2 Simulação ρdig =0.2
0.005
Modelo ρdig =0.2
0 0
0 50 100 150 0 50 100 150
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.9: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (ρdig ).
Para finalizar foi efectuado o estudo de três cenários:

• Cenário A - ρdig = 0.8 e τdig = 1 ns;


• Cenário B - ρdig = 0.6 e τdig = 2 ns;
• Cenário C - ρdig = 0.2 e τdig = 0 ns,

considerando constantes os valores ρan = 1, τan = 0.75 ns, σx2 = σr2 = 1 e ∆si = 1ns.

33
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo

PDF Potência Residual diferentes τ CDF Potência Residual diferentes τ


dig dig
0.35 1
Simulação τdig =0
0.3
Modelo τdig =0 0.8
0.25 Simulação τdig =2e−09
Probabilidade

Probabilidade
Modelo τdig =2e−09
0.2
0.6 Simulação τdig =0
Simulação τdig =4e−09
Modelo τdig =0
0.15 Modelo τdig =4e−09
0.4 Simulação τdig =2e−09
0.1 Modelo τdig =2e−09
0.2 Simulação τdig =4e−09
0.05
Modelo τdig =4e−09
0 0
0 50 100 0 50 100
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.10: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (τdig ).
PDF Potência Residual diferentes cenários CDF Potência Residual diferentes cenários
0.2 1
Simulação Cenário A
Modelo Cenário A
Simulação Cenário B 0.8
0.15 Modelo Cenário B
Simulação Cenário C
Probabilidade

Probabilidade

Modelo Cenário C 0.6


0.1
0.4 Simulação Cenário A
Modelo Cenário A
0.05 Simulação Cenário B
0.2 Modelo Cenário B
Simulação Cenário C
Modelo Cenário C
0 0
0 50 100 150 0 50 100 150
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.11: Validação de fΠ para os cenários A, B e C.

Relativamente à simulação dos 3 cenários apresentados (figura 3.11), as conclusões a re-


tirar são idênticas às retiradas no cancelador analógico, ou seja, os parâmetros que mais
influenciam o resultado final são os que maior influência têm na análise individual.
Por forma a verificar em que situação será benéfico ou não a inclusão do cancelamento
digital após o cancelamento analógico, efectuaram-se simulações com as seguintes confi-
gurações:

• Cenário A - ρdig = 0.6 e τdig = 0ns;


• Cenário B - ρdig = 0.6 e τdig = 1ns;
• Cenário C - Apenas cancelamento analógico.

O resto dos parâmetros mantêm os valores apresentados para os resultados da figura 3.11
(∆si = 1ns, τan = 0.75ns, ρan = 1, ρdig = 0.4, σx2 = σr2 = 1).
Analisando os resultados da comparação entre os canceladores, verifica-se que o can-
celamento digital prejudica o cancelamento analógico se não conseguir capturar a fase do
canal residual após o cancelamento analógico (como anteriormente referido no Capítulo

34
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo

PDF Potência Residual diferentes cenários analogico vs digital CDF Potência Residual diferentes cenários analogico vs digital
0.8 1
Simulação Cenário A
0.7 Modelo Cenário A
Simulação Cenário B 0.8
0.6 Modelo Cenário B
Simulação Cenário C
Probabilidade

Probabilidade
0.5 Modelo Cenário C 0.6
0.4

0.3 0.4 Simulação Cenário A


Modelo Cenário A
0.2 Simulação Cenário B
0.2 Modelo Cenário B
0.1 Simulação Cenário C
Modelo Cenário C
0 0
0 50 100 150 0 50 100 150
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.12: Validação de fΠ para os cenários A, B e C.

2, secção 2.1). Isto deve-se ao facto do mesmo estar a acrescentar novas réplicas sobre
o efeito residual do cancelamento em instantes de tempo diferentes, as quais passam a
poluir o sinal residual em vez de o cancelarem. No entanto, o ganho proporcionado pelo
cancelamento digital quando a fase é capturada é muito significativo (cenário A), quando
comparado com o cenário C (apenas cancelamento analógico).
Procedendo à validação considerando um canal com 3 raios, considerou-se que os
parâmetros ρan = 1, τan = 0.75 ns, σx2 = σr2 = 1, ∆si = 1ns são constantes e procedeu-se
à variação dos parâmetros ρdig (figura 3.13) e τdig (figura 3.15).

PDF Potência Residual diferentes ρdig CDF Potência Residual diferentes ρdig
0.012 1
Simulação ρdig =[0.7 0.8 0.9]
0.01 Modelo ρdig =[0.7 0.8 0.9] 0.8
Simulação ρdig =[0.1 0.5 0.9]
0.008
Probabilidade

Probabilidade

Modelo ρdig =[0.1 0.5 0.9]


0.6
0.006
0.4 Simulação ρ =[0.7 0.8 0.9]
dig
0.004
Modelo ρ =[0.7 0.8 0.9]
dig
0.2 Simulação ρ =[0.1 0.5 0.9]
0.002 dig
Modelo ρ =[0.1 0.5 0.9]
dig
0 0
0 100 200 300 0 100 200 300
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.13: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (ρdig ).
De forma análoga a todos os outros cenários, os efeitos com maior influência na va-
riação da potência residual na análise parcial são os que mais influenciam os resultados
totais. De notar que o simples facto da captura da fase do sinal por parte do cancelador
digital de um dos três raios do canal auto-interferente provoca uma diminuição signifi-
cativa da potência residual (figura 3.14).
Já na figura 3.15, são apresentados dois cenários em que ambos utilizam os valores
de ρdig = [0.7, 0.8, 0.9], sendo que no cenário A é utilizado τdigital = [0, 1, 2] ns e para o

35
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo

PDF Potência Residual diferentes τ CDF Potência Residual diferentes τ


dig dig
0.016 1
Simulação τdig=[0 0.25 0.5]ns
0.014
Modelo τdig=[0 0.25 0.5]ns 0.8
0.012 Simulação τdig=[0 1 2]ns
Probabilidade

Probabilidade
0.01 Modelo τdig=[0 1 2]ns
0.6
0.008

0.006 0.4 Simulação τdig =[0 0.25 0.5] ns


Modelo τdig =[0 0.25 0.5] ns
0.004
0.2 Simulação τdig =[0 1 2] ns
0.002
Modelo τdig =[0 1 2] ns
0 0
0 50 100 150 200 250 0 50 100 150 200 250
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.14: Validação de fΠ para diversos valores de estimação do tempo de propagação
do canal (τdig ).

cenário B, τdigital = [0.1, 1, 2] ns (valores utilizados para a simulação efectuada na figura


3.14).

PDF Potência Residual diferentes cenários CDF Potência Residual diferentes cenários
0.014 1
Simulação Cenário A
0.012 Modelo Cenário A
Simulação Cenário B 0.8
0.01 Modelo Cenário B
Probabilidade

Probabilidade

0.6
0.008

0.006
0.4

0.004 Simulação Cenário A


0.2 Modelo Cenário A
0.002 Simulação Cenário B
Modelo Cenário B
0 0
0 100 200 300 0 100 200 300
Potência Residual Potência Residual

(a) (b)
Figura 3.15: Validação de fΠ para os cenários A e B.

A título de conclusão, enquanto que no cancelamento analógico a dificuldade de es-


timação do tempo de propagação do canal auto-interferente implica um aumento da po-
tência residual, a inclusão do cancelador digital na cascata de cancelamento é extrema-
mente vantajosa desde que τdig = 0. No entanto, caso τdig 6= 0, em vez de se reduzir a
potência residual, a mesma é amplificada. Ainda de salientar que a potência média do
sinal é superior à potência média utilizando apenas o cancelamento analógico, a não ser
que o cancelador digital capture a fase do sinal após o cancelamento analógico (τdig = 0).
Pode-se ainda confirmar a validação da metodologia de descorrelação para o cancela-
mento analógico e digital.

36
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.4. Efeitos secundários do cancelamento - ruído de fase

3.4 Efeitos secundários do cancelamento - ruído de fase

Um efeito importante do cancelamento, representado pela segunda parcela da equação


(3.2) referente ao modelo Full-Duplex, está directamente relacionado com o ruído de fase
ao nível dos osciladores. Como apresentado no capítulo 2, subsecção [Link], existem
diversas topologias de canceladores, sendo que cada um têm o seu modo de operação,
pelo que o erro de fase (βφ2 ) é descrito de forma diferente. As expressões que representam
o erro de fase são descritas na tabela 3.1. De notar que a introdução do cancelamento
digital também tem efeitos sobre este parâmetro.
A função de autocorrelação foi obtida através da aplicação directa do Apêndice A do
trabalho desenvolvido em [Sah+13],

+∞
Z
R(τ ) = S(f )e−j2πf τ df, (3.30)
−∞

considerando como frequência de símbolo 0.25MHz que corresponde a um período de


símbolo de 4 µs (tempo de símbolo da norma 802.11n). Na figura 3.16 é apresentado o
valor do factor de autocorrelação em função do atraso.

Autocorrelação ruido de fase Autocorrelação ruido de fase − pormenor


1 1

0.8
0.8
0.6

0.4 0.6
R

0.2
0.4

0
0.2
−0.2

−0.4 0
0 1 2 3 4 0 10 20 30 40 50
atraso (µs) atraso (ns)

(a) (b)
Figura 3.16: Função de autocorrelação do ruído de fase em função do atraso.

Como esperado, o valor do factor de autocorrelação será quanto menor quanto maior
for o atraso. Na figura 3.16(b) podemos verificar em pormenor a autocorrelação para
atrasos reduzidos, e desta forma confirmar as conclusões apresentadas em [Sah+13] rela-
tivamente ao desempenho comparativo do transmissor pre-mixer e post-mixer. Estas con-
clusões indicam que o desempenho do pre-mixer é sempre pior do que post-mixer, uma
vez que τ − ∆si < ∆si , o que leva a que R(τ − ∆si ) > R(∆si ) e consequentemente o factor
βφ2 maior (tabela 3.1).
Seguidamente vamos estudar a influência dos diversos canceladores no parâmetro βφ2 ,
o qual está associado ao ruído de fase e têm um impacto directo sobre o sinal de interesse.
2
Desta forma, foram efectuados simulações considerando σdown 2 = 0.43 e |∆ − τ | =
= σsi si

37
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.4. Efeitos secundários do cancelamento - ruído de fase

0.25 ∗ ∆si . Para o cancelamento digital, dado a existência de duas ordens de liberdade,
a simulação associada à variação da estimação do ganho de amplitude é efectuada com
∆si constante (42ns) e para a estimação do ganho de amplitude ρan constante (1).

β2φ (atraso) − cancelamento analógico


1
pre−mixer
post−mixer
0.8 baseband
potencia β2φ

0.6

0.4

0.2

0
0 20 40 60 80
∆si (ns)

Figura 3.17: Comparação do parâmetro βφ2 em função do tempo de propagação do canal


(∆si ) para cancelador analógico.

β2φ (ρan) − cancelamento analógico e digital β2φ (∆si) − cancelamento analógico e digital

1 pre−mixer 1
post−mixer
baseband
0.8 0.8
potencia β2
φ

potencia β2φ

0.6 0.6

0.4 0.4

pre−mixer
0.2 0.2
post−mixer
baseband
0 0
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 0 20 40 60 80
ρan ∆si (ns)

(a) (b)

Figura 3.18: Comparação do parâmetro βφ2 em função da estimação do ganho de am-


plitude (ρdig ) (a) e tempo de propagação do canal (∆si ) (b) para cancelador analógico e
digital.
Nas figuras 3.17 e 3.18 podemos verificar o impacto da utilização dos diversos cance-
ladores no parâmetro βφ2 . Como esperado, os canceladores post-mixer apresentam níveis
de potência provocada pelo ruído de fase menores, comparativamente aos canceladores
pre-mixer. Os canceladores de banda-base apresentam valores constantes, uma vez que
não dependem dos parâmetros de estimação do canal auto-interferente. É válido afirmar
que quanto menor o erro de estimação do canal auto-residual, quer do ganho de ampli-
tude quer do tempo de propagação, menor será a potência associada à segunda parcela
da equação (3.2) uma vez que esta depende do parâmetro βφ2 .

38
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.5. Capacidade de Recepção

3.5 Capacidade de Recepção

Relativamente ao sinal de interesse, ou seja, o sinal que é emitido por um nó vizinho e


o qual pretendemos receber (primeira parcela da equação (3.2) referente ao modelo Full-
Duplex), temos de ter em consideração diversos factores.
Tendo em conta que o meio de propagação do sinal apresenta efeitos de atenuação,
torna-se necessário definir as condições de propagação do sinal. O principal efeito a
considerar é o efeito de Perdas de Propagação (Path-Loss) (PL) que está directamente
associado à distância percorrida pelo sinal e à frequência de transmissão. Desta forma,
considerando um ambiente de "espaço livre", o mesmo pode ser representado por

1
P L(d) = , d > 1, (3.31)
d2

negligenciando o efeito da frequência de transmissão.


Ainda podem ser representados os efeitos de Desvanecimento Lento (Slow-Fading ou
Shadowing) (SF) e Desvanecimento Rápido (Fast-Fading) (FF). Estes efeitos estão associ-
ados a variações mais rápidas do canal, não dependentes directamente da distância entre
o emissor e o receptor, sendo que diferença entre ambos está na duração da perturbação.
No primeiro, a atenuação ocorre num intervalo de tempo que engloba múltiplos símbo-
los, enquanto no desvanecimento rápido a duração da perturbação é inferior ao tempo
de um símbolo (ver figura 3.19).

Efeitos de propagação − separados Efeitos de propagação somados


1 1.4
Fast−Fading Sinal
Slow−Fading 1.2
0.8 Path−Loss
1

0.6
potência

potência

0.8

0.6
0.4

0.4
0.2
0.2

0 0
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
distância (m) distância (m)

(a) (b)
Figura 3.19: Efeitos de propagação.

Para simular estes efeitos, a componente de desvanecimento lento será descrita atra-
vés de uma distribuição Gamma, dado que esta se aproxima à distribuição Lognormal
tipicamente utilizada para a representação deste efeito de propagação [ABK01]. A fun-
ção de densidade probabilística da distribuição Gamma é definida como

1 x
P DFSF (x, k, θ) = k
xk − 1 e − θ . (3.32)
Γ(k)θ

39
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.5. Capacidade de Recepção

Na figura 3.20 podemos verificar a semelhança da CDF entre a distribuição Lognor-


mal, parametrizada com média nula (µ = 0) e σ = 3dB, com a distribuição Gamma,
2 2 /2 2
parametrizada com k = 1/(eσ − 1) e com θ = eµ+σ (eσ − 1) [ABK01].

Lognormal CDF vs Gamma CDF


1
lognormal
gamma
0.8
Probabilidade

0.6

0.4

0.2

0
0 2 4 6 8 10
x

Figura 3.20: Comparação entre Distribuição Gamma e Lognormal.

Para a amplitude da componente de desvanecimento rápido será considerada uma


distribuição Rayleigh

x −x2 /2λ2
P DFF F (x, λ) = e , (3.33)
1
parametrizada com λ = 1. Desta forma, uma vez que Rayleigh(X,λ−1/2 ) ≈ Exp(X 2 /2,λ)
a potência associada à mesma é simulada através de uma distribuição exponencial

P DFF F (x) = e−x . (3.34)

Assim, o sinal recebido (xsignal ) terá em consideração as três componentes de propa-


gação acima descritas. De notar que as perdas de propagação serão simuladas conside-
rando que os nós se encontram a uma determinada distância, sendo o valor de atenuação
determinístico.
De forma a averiguar as diferenças de capacidade para os diversos tipos de cancela-
dor, procedeu-se ao cálculo da mesma seguindo o teorema de Shannon-Hartley, o qual
define a capacidade (C) para um canal com ruído gaussiano, como
 
S
C = B log2 1+ , (3.35)
N
onde B é a banda do canal em Hertz, S é a média de potência recebida associada ao sinal
de interesse e N é o valor médio da potência do Ruido.
Uma vez que a capacidade do modelo FD é influenciada pelo sinal auto-interferente,

40
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.5. Capacidade de Recepção

considerando B = 1Hz, a capacidade será calculada através da SINR, passando a ser


obtida através de
C(bits/s/Hz) ≈ log2 (1 + SINR) , (3.36)

sendo que SINR terá em conta os efeitos de propagação acima referidos.


A figura 3.21 representa a capacidade entre os três tipos de canceladores utilizados,
considerando ∆si = 42ns e um cancelador analógico e digital parametrizado com ρan =
0.7, τan = 0.25 × ∆si , ρdig = 0.5 e τdig = 0. Os resultados confirmam as afirmações
efectuadas no início deste capítulo e na sub-secção 3.4, ou seja, o melhor desempenho é
obtido com a utilização do cancelador do tipo post-mixer enquanto o cancelador de banda
base apresenta um desempenho inferior.

Capacidade

0
10
Capacidade (bits/s/Hz)

−1
10

Base−Band
Pre−mixer
Post−mixer
−2
10
0 5 10 15
Distância (m)

Figura 3.21: Capacidade para diferentes canceladores.

41
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.5. Capacidade de Recepção

42
4
Probabilidade de Recepção

4.1 Caracterização teórica da probabilidade de recepção

Nesta secção são abordadas as características do modelo utilizado para o cálculo da pro-
babilidade de sucesso da recepção de pacotes, tendo em conta os efeitos de propagação
referidos na secção 3.5.
Desta forma, a potência total recebida pelo nó Full-Duplex é dada por

Λ = Psignal + Phres + P φnoise + N0 , (4.1)

onde Psignal é a potência do sinal de interesse, Phres é a potência residual do cancelamento


da auto-interferência (3a parcela da eq.(3.2)), P φnoise é a potencia relativa ao ruído de
fase do transmissor (2a parcela da eq.(3.2)), e N0 representa ruído gaussiano associado ao
receptor.
A capacidade de recepção está directamente relacionada com o SINR, representada
por
Psignal
γ= . (4.2)
Λ − Psignal
O sucesso da recepção é aproximada pela condição em que o SINR é maior que um
determinado limiar b, estando este último dependente de diversos factores do receptor.
Tipicamente [NEW06] para SPR os valores de b variam entre 1 e 10 e para Recepção de
Múltiplos Pacotes (MultiPacket Reception) (MPR) b toma valores inferiores a 1 [HKL97].
Assim, a probabilidade de sucesso de recepção é dada por


Pr (Psignal > ). (4.3)
b+1

43
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.1. Caracterização teórica da probabilidade de recepção

Considerando b0 = b/(b + 1), a condição de recepção é dada por Psignal > b0 Λ pelo que
a probabilidade de recepção é definida como

ps = Pr (Psignal > b0 Λ) ≡ 1 − Pr (Psignal − b0 Λ <= 0). (4.4)

Ao definir α = Psignal − b0 Λ, obtém-se

Psignal b + Psignal − bΛ Psignal


α= = − b0 × (Psignal + Phres + Pφnoise + N0 ) . (4.5)
b+1 b+1

Por definição, a função característica da variável α, ϕα é dada por


Z ∞
ϕα (u) = eixu fα (x) dx, (4.6)
−∞

pelo que é possível obter a PDF de α, fα , através de


Z ∞
1
fα = e−ixu ϕα (it) dt. (4.7)
2π −∞

A probabilidade de recepção de cada nó transmissor (equação (4.4)) é representada


por
Z 0
ps = 1 − fα (x) dt. (4.8)
−∞

Considerando que o sinal transmitido é afectado pelos diversos efeitos de propaga-


ção indicadas na secção 3.5 (FF, SF e PL) e, considerando a parametrização descrita na
mesma, procedeu-se à validação da probabilidade de sucesso obtida através da geração
de valores aleatórios (Simulação) relativamente ao resultado resultante da integração da
função característica (Modelo). De forma a proporcionar uma comparação directa com
a secção seguinte (probabilidade de sucesso para transmissores com capacidade de re-
cepção de múltiplos pacotes), manteve-se o parâmetro b = 0.02, dado ser o único que
depende das características do transmissor. Os resultados são apresentados na figura 4.1.

4.1.1 Probabilidade de recepção para transmissores com suporte à recepção de


múltiplos de pacotes
Considerando que n nós transmitem em simultâneo, e que a potência recebida proveni-
ente de cada um deles (Pk ) é dada por variáveis aleatórias independentes e identicamente
distribuídas, a potência total (Pt ) recebida no nó de destino é dada por

n
X
Pt = Pk . (4.9)
k=1

De forma análoga ao procedimento efectuado para modelo sem MPR, Psignal é substi-
tuído por Pt , que passa a ser o sinal de interesse. A interferência total passa a ser dada

44
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.1. Caracterização teórica da probabilidade de recepção

Probabilidade Sucesso
1
Modelo Nó 1
Simulação Nó 1
0.8

0.6
Ps

0.4

0.2

0
5 10 15 20
Distância do Nó 1 ao receptor (m)

Figura 4.1: Probabilidade de sucesso em função da distância ao receptor.

por
Λ = Pt + Phres + P φnoise + N0 . (4.10)

Passando a representar γ como γj , uma vez que a capacidade de recepção individual


de cada transmissão j é dada pelo SINR para cada transmissão, esta relação é descrita
por
Pj
γj = , (4.11)
Λ − Pj
sendo que Pj é a potência recebida associada à transmissão j.
Assim, mantendo o mesmo raciocínio apresentado nas equações 4.2 a 4.4, e tendo em
conta que estamos perante a recepção de múltiplos pacotes, α é definido por
 
n
Pj b + Pj − bΛ Pj X
α= = − b0 ×  (Pk ) + Phres + Pφnoise + N0  . (4.12)
b+1 b+1
k=1,k6=j

Desta forma, pode-se obter a probabilidade de sucesso de cada transmissão (equação


(4.8)), através da sua função característica (equação (4.6)).
Na figura 4.3 pretende-se analisar o efeito de interferência provocada pelos outros
nós transmissores ao considerar um transmissor FD com MPR. A simulação foi efectu-
ada considerando b = 0.02, ∆si = 1ns, ρan = 0.7, τan = 0.75ns, sendo que o nó 2 e 3
encontram-se a uma distância fixa de 5 e 10 metros, respectivamente, enquanto o nó 1,
é colocado a diferentes distâncias entre os 0 e os 20 metros relativamente ao transmissor
FD. Este cenário pode ser observado na figura 4.2.
Comparando directamente os resultados obtidos na figura 4.3, relativos ao nó 1, com
os resultados apresentados na figura 4.1, podemos verificar que ao introduzir outros nós

45
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção

10 m
5m

Receptor Nó 1 Nó 2 Nó 3
1-20 m
Figura 4.2: Cenário base considerado para a simulação da probabilidade de sucesso.

Probabilidade Sucesso
1
Modelo Nó 1
Simulação Nó 1
0.8 Modelo Nó 2
Simulação Nó 2
Modelo Nó 3
0.6 Simulação Nó 3
Ps

0.4

0.2

0
5 10 15 20
Distância do Nó 1 ao receptor (m)

Figura 4.3: Probabilidade de sucesso de vários nós em função da distância do nó 1 ao


receptor FD.

a transmitir em simultâneo, a probabilidade de sucesso diminui mais abruptamente. Isto


deve-se ao facto das transmissões efectuadas pelos restantes nós provocarem uma redu-
ção no SINR. Ainda podemos verificar que quando o nó 1 se afasta do receptor, existe
um aumento da probabilidade de sucesso dos nós 2 e 3. Esta variação de desempenho
está associada ao aumento do SINR devido à diminuição da interferência, uma vez que
a potência recebida proveniente do nó 1 diminui com o aumento da distância (associado
às perdas de propagação).

4.2 Análise da Capacidade de Recepção


Nesta secção são apresentados resultados relativos à probabilidade de recepção de um
sistema FD.
Numa primeira fase é efectuada uma análise em função da distância entre dois nós,
por forma a se verificar até que distância se pode explorar o FD sem grande degradação
da capacidade de recepção.

46
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção

Numa segunda fase, abordar-se-á o mesmo, mas considerando transmissores com


capacidade de recepção de múltiplos pacotes. Em paralelo, serão efectuadas simulações
incluindo controlo de potência, por forma a garantir a mesma probabilidade de sucesso
para cada nó que se encontre a transmitir em simultâneo.
O último passo passa por estudar a capacidade da rede para cenários multi-hop.

4.2.1 Impacto da distância ao receptor

Considerando um transmissor FD, com capacidade MPR (b = 0.02), e utilizando um


cancelador de banda-base, com as mesmas configurações utilizadas nos capítulos e sec-
ções anteriores (σx2 = σr2 = 1, ∆si = 1 ns, e considerando os 3 efeitos de propagação
enumerados anteriormente), procedeu-se à simulação de 3 cenários: cancelamento per-
feito (equivalente ao HD ao nível da probabilidade de sucesso); cancelamento analógico;
cancelamento analógico e digital.
Na figura 4.4 pretende-se analisar a variação da probabilidade de sucesso da trans-
missão (b) (equação (4.8)) associado aos diversos cancelamentos (a). Considerando τan =
0.75ns, ρan = 0.7, τdig = 0ns, ρdig = 0.5, procedeu-se à simulação dos três cenários referi-
dos.

CDF Probabilidade Sucesso


1 1

0.8 0.8
Probabilidade

0.6 0.6
Ps

0.4 0.4

Analógico + Digital (τdig=0) Analógico + Digital (τdig=0)


0.2 0.2
Só Analógico Só Analógico
Cancelamento Perfeito Cancelamento Perfeito
0 0
0 20 40 60 80 2 4 6 8 10 12 14
Potência Residual Distância do Nó 1 ao receptor (m)

(a) (b)
Figura 4.4: (a) Potência residual do canal auto-interferente após cancelamento. (b) Pro-
babilidade de sucesso de recepção para diferentes cenários de cancelamento da auto-
interferência.

Analisando a figura 4.4(a), podemos verificar que quanto menor for o efeito residual
do cancelamento do canal auto-interferente maior será probabilidade de sucesso de re-
cepção dos pacotes. De notar que o cenário de cancelamento perfeito será equivalente
a um cenário HD, dado que se exclui toda a componente residual do cancelamento, po-
dendo desta forma ser utilizado como comparação directa.
Não obstante, considerando o cenário FD com cancelamento analógico e digital, com
captura de fase (τdig = 0), o mais provável é o alcance da transmissão ser de poucos
metros dado que a partir de certo ponto a probabilidade de sucesso é tão diminuta que é

47
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção

preferível comutar o modo de funcionamento para HD para melhorar o desempenho (de


notar que não estão a ser considerados ganhos quer ao nível do posicionamento, quer da
topologia das antenas).

4.2.2 Sistemas Full-Duplex com recepção de múltiplos pacotes

Passando à análise da capacidade MPR, mantendo as mesmas características do trans-


missor apresentadas na subsecção anterior utilizando um cancelador analógico e digital
com captura da fase (resultado a azul da figura 4.4), procedeu-se a diversas simulações.
Uma das formas de se tentar reduzir as injustiças ao nível da rede é controlar a po-
tência dos transmissores, por forma a igualar a probabilidade de sucesso da transmissão.
Tendo este factor em foco, foi implementado um mecanismo de compensação de potência
associado directamente à distância do transmissor, o qual é descrita por:

PR1 = PR2 = ... = PRn = c, (4.13)

sendo c uma constante, e PRk a potência recebida pelo k-éssimo transmissor numa rede
com n transmissores. Representando PE a potência emitida por cada transmissor, então
PR = PE × P L × SF × F F , sendo que P L, SF e F F são respectivamente os efeitos de
perdas de propagação, de desvanecimento lento e rápido, pelo que a equação (4.13) pode
ser escrita como

PE1 × P L1 × SF1 × F F1 = PE2 × P L2 × SF2 × F F2 =


(4.14)
= ... = PEn × P Ln × SFn × F Fn = c.

Admitindo que a potência média dos efeitos de desvanecimento rápido e lento são iguais
para cada transmissor, e que o efeito de perdas de propagação é dado por 1/dα , podemos
simplificar a solução para

PE1 PE PE
α = α2 = ... = αn = c , PEk 6 1, k ∈ [1, n]. (4.15)
d1 d2 dn

Desta forma, em cada simulação são apresentados os valores relativos à probabilidade


de sucesso de recepção de pacotes provenientes de cada transmissor, com e sem controlo
de potência. Para uma análise mais exaustiva, procedeu-se à simulação de dois cenários,
no qual a principal diferença está na disposição dos nós. Enquanto no primeiro cenário
estamos perante uma topologia em que os nós estão mais afastados do nó receptor FD,
no segundo cenário os nós apresentam-se consideravelmente mais próximos do receptor.
Nas duas simulações foi utilizado o cenário semelhante ao apresentado na figura 4.2,
com mais um nó associado ao receptor, sendo que no primeiro cenário os nós 2, 3 e 4
encontram-se fixos a 4, 8 e 12 metros respectivamente, enquanto no segundo cenário os
mesmos estão colocados a 2, 3 e 4 metros do receptor. Desta forma, torna-se possível
analisar os impactos de interferência entre nós na probabilidade de sucesso.

48
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção

Os resultados de cada simulação são apresentados em dois gráficos, sendo o primeiro


simulado sem controlo de potência de emissão, e o segundo com controlo da potência.
Estes resultados dizem respeito à aplicação da equação (4.8) para cenários de transmis-
sores com capacidade MPR. Para efeitos de simulação consideraram-se os mesmos parâ-
metros utilizados na subsecção anterior (τan = 0.75ns, ρan = 0.7, τdig = 0ns, ρdig = 0.5 e
b = 0.02).

Probabilidade Sucesso Probabilidade de Sucessos


1 0.8
Nó 1 Nó 1
Nó 2 0.7 Nó 2
0.8 Nó 3 Nó 3
Nó 4 0.6 Nó 4
Agregado s/ controlo potência
0.6 0.5
Ps

Ps
0.4
0.4 0.3

0.2
0.2
0.1

0 0
2 4 6 8 10 12 14 2 4 6 8 10 12 14
Distância do Nó 1 ao receptor (m) Distância do Nó 1 ao receptor (m)

(a) (b)
Figura 4.5: Probabilidade de Sucesso de Recepção de Pacotes de cada transmissor às
distancias de 4, 8 e 12 metros. (a) Sem controlo de potência. (b) Com controlo de potência.

Probabilidade Sucesso Probabilidade Sucesso


1 1

0.9 0.9

0.8 0.8
Ps

Ps

0.7 0.7
Nó 1
Nó 1 Nó 2
0.6 Nó 2 0.6 Nó 3
Nó 3 Nó 4
Nó 4 Agregado s/ controlo potência
0.5 0.5
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
Distância do Nó 1 ao receptor (m) Distância do Nó 1 ao receptor (m)

(a) (b)
Figura 4.6: Probabilidade de Sucesso de Recepção de Pacotes de cada transmissor às
distancias de 2, 3 e 4 metros. (a) Sem controlo de potência. (b) Com controlo de potência.

Analisando as figuras 4.5(a) e 4.6(a), podemos observar o efeito da interferência pro-


vocada pelos outros nós vizinhos que comunicam em simultâneo com o nó receptor (em
ambos os cenários é considerado que todos os nós transmitem em simultâneo). O au-
mento significativo da probabilidade de sucesso dos nós que se encontram mais longe
do receptor está associado ao afastamento do nó 1 relativamente ao receptor. Uma vez
que os nós transmitem todos à sua potência máxima, a interferência causada por esse nó

49
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção

provoca uma degradação do SINR dos outros terminais. À medida que o nó 1 se afasta
do receptor, a potência capturada associada à transmissão do nó 1 é menor, aumentando
o SINR dos outros nós. Este facto melhora a sua probabilidade de sucesso (o efeito é es-
pecialmente visível até ao momento em que o nó 1 atinge a distância do segundo nó mais
próximo do receptor).
Já do ponto de vista das simulações com controlo de potência (figura 4.5(b) e 4.6(b)),
podemos verificar que caso a potência recebida ao nível do receptor seja similar para to-
dos os nós, todos os nós partilham um valor similar da probabilidade de sucesso. No
entanto, ao reduzir a potência de emissão dos nós mais próximos para que os nós mais
distantes melhorem a sua capacidade de comunicação, estamos a prejudicar os nós mais
próximos. Este efeito é facilmente identificável na figura (4.5(b)). A linha a tracejado
é o valor normalizado da probabilidade agregada do cenário sem controlo de potência,
sendo que desta forma podemos perceber a deterioração do valor agregado da probabili-
dade de sucesso quando se aplica controlo de potência (idêntico aos valores individuais
uma vez que todos apresentam aproximadamente o mesmo valor). Este efeito de de-
gradação é muito menos significativo quando estamos perante um cenário com todos
os nós mais próximos do receptor, uma vez que o SINR, não depende apenas da inter-
ferência causada pelos outros nós, mas também do efeito residual do cancelamento da
auto-interferência. O efeito de redução da probabilidade de sucesso verificado no final
dos dois cenários é provocado pelo facto do nó 1 estar colocado numa posição mais dis-
tante do que qualquer outro nó no alcance do receptor. Desta forma, o nó 1 passa a ser o
nó limitativo ao nível de potência máxima de transmissão.
A principal vantagem do controlo de potência, além de garantir justiça no acesso ao
canal, reside no aumento da probabilidade de sucesso da transmissão dos nós mais dis-
tantes. Por exemplo, na figura (4.6(b)) podemos verificar que a probabilidade de sucesso
do nó 4 aumenta cerca de 10 pontos percentuais quando o nó 1 se encontra muito pró-
ximo do receptor, e que mesmo quando o nó 1 se encontra mais afastado (até passar a
ser o nó "limitativo"), apresenta resultados cerca de 3% superiores comparativamente aos
resultados da simulação sem controlo de potência. Essa diferença também pode ser veri-
ficada no cenário com os transmissores mais espalhados, mas no entanto o desempenho
do agregado é muito afectado, prejudicando o desempenho da rede.
Uma das propostas para garantir qualidade do acesso, será perceber até que distância
existem vantagens na utilização do FD relativamente ao FD em cenários em que os trans-
missores têm capacidade de transmissão multi-pacote, uma vez que em situações onde
os nós estão muito afastados do receptor, o efeito residual do cancelamento da auto-
interferência têm um efeito limitativo no desempenho.

4.2.3 Sistemas Full-Duplex em cenários Multi-hop

Nesta sub-secção será analisado o desempenho do FD em cenários multi-hop. Para efeitos


de simulação, considerou-se um transmissor FD SPR utilizando um cancelador de banda

50
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção

base. A distância máxima considerada entre dois nós é de 14 metros. A probabilidade


de sucesso de um hop pode ser observado na figura 4.7. Os resultados apresentados
na figura 4.7 foram simulados utilizando um transmissor com cancelamento analógico
e digital parametrizado com ∆si = 1ns, τan = 0.75ns, ρan = 0.7, τdig = 0, ρdig = 0.5 e
σx2 = σr2 = 1.
Probabilidade Sucesso
1

0.8
Probabilidade

0.6

0.4

0.2

0
0 5 10 15
Distância entre nós (m)

Figura 4.7: Probabilidade de sucesso para transmissor FD-SPR em função da distância


entre 2 nós.

Considerando uma rede com n nós, um caminho pode ter no máximo h = n − 1 hops.
A probabilidade de sucesso de um percurso com múltiplos hops é dada por

h
Y h
X
P spath (dt , h) = P shop (dk ) : dk = dt (4.16)
k=1 k=1

em que P shop é a probabilidade de sucesso da transmissão entre dois nós (ver figura 4.7),
dt é a distância end-to-end, dk a distância do hop k e h o número de hops. A distância
máxima para h hops será dada por h × dmaxhop . Uma vez que existem várias combinações
de hops cujo somatório das distâncias é igual a dt , P spath será um vector de L elementos,
pelo que a probabilidade de sucesso multi-hop (P smulti−hop ) pode ser escrita como

L
1X
P smulti−hop (dt , h) = P spathk (dt , h). (4.17)
L
k=1

Por palavras, P smulti−hop é o valor médio do sucesso de todas as combinações de cami-


nhos, cujo somatório da distancia de cada hop é igual a dt .
Desta forma, procedeu-se ao cálculo de P smulti−hop em função do número de hops,
utilizando a parametrização aplicada na simulação anterior. Os resultados são apresen-
tados na figura 4.8 e permitem verificar quantos nós serão necessários colocar entre dois
terminais, por forma a obter um determinado desempenho do link.

51
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção

Probabilidade Sucesso
1
1 hop
2 hop
0.8 3 hop
4 hop
Psmulti−hop

0.6

0.4

0.2

0
0 5 10 15 20 25 30
Distância (m)

Figura 4.8: Probabilidade de sucesso para transmissor SPR em função da distância end-
to-end.

Analisando a figura 4.8, podemos verificar o aumento da capacidade de transmissão


com o aumento do número de hops entre dois terminais. No entanto, consegue-se veri-
ficar que o desempenho não é significativamente superior que torne o FD interessante
para comunicação a grandes distâncias. Isto deve-se ao fraco desempenho dos cance-
ladores do sinal auto-interferente, que provocam uma redução significativa do SINR,
degradando muito a capacidade da rede.

52
5
Protocolos de Acesso ao Meio

No seguimento dos capítulos anteriores (análise dos efeitos do cancelamento da auto-


interferência para sistemas Full-Duplex, análise da capacidade de recepção de sistemas
Full-Duplex sem e com capacidade de recepção múltipla de pacotes), neste capítulo é
analisado o desempenho de protocolos de acesso ao meio (MAC) que utilizem sistemas
Full-Duplex.
Numa primeira fase é apresentado um protocolo MAC para redes onde vários dis-
positivos transmitem dados para um nó receptor, assim como uma caracterização mate-
mática do mesmo. Numa segunda fase será efectuada uma análise ao desempenho do
protocolo MAC apresentado, tendo como principal objectivo maximizar o desempenho
do mesmo.

5.1 Caracterização do protocolo MAC


O esquema típico de um protocolo MAC onde vários dispositivos transmitem para um nó
receptor (figura 5.1) passa por uma fase de negociação, onde os nós que desejam transmi-
tir tentam informar o receptor enviando um pacote RTS. Para esta fase estão reservados
k slots de acesso, em que os n nós que desejarem transmitir utilizam para enviar RTS. Se
considerarmos que esta fase tem por base um esquema SPR, quando mais do que um nó
transmitir no mesmo slot existirá uma colisão e, ambos os nós não terão acesso à fase de
transmissão nesta ronda de comunicação.
A autorização de comunicação será dada pelo nó receptor no final da ronda de ne-
gociação, sendo utilizado um pacote CTS o qual informa, de uma só vez, todos os nós
autorizados a transmitir nesta ronda de transmissão.
Na ronda de transmissão, considerando que o receptor tem capacidade MPR, todos

53
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.1. Caracterização do protocolo MAC

os nós autorizados a transmitir procedem ao envio simultâneo dos dados. Em condições


ideais, o receptor será capaz de receber todos os pacotes.

Receptor Autorização de
transmissão ACK de grupo
DIFS

DIFS
DIFS

SIFS

SIFS
SIFS
RTS RTS ... RTS CTS Transmissão ACK

Fase de Negociação Fase de Transmissão

Figura 5.1: Ronda de comunicação do Protocolo MAC [Zha10].

Considerando que a fase de negociação é composta por w slots RTS e um slot CTS, e
que nmax representa o número máximo de nós que querem transmitir, cada nó irá aceder
ao slot k com uma probabilidade de acesso p. Assumindo que X e N são variáveis alea-
tórias que representam, respectivamente, o número do slot da fase de negociação e o no
de nós que acedem a um determinado slot,

N ∈ {0, 1, ..., nmax },


(5.1)
X ∈ {1, 2, ..., w},

a probabilidade de um nó transmitir no slot RTS k ∈ {1, 2, ..., w} é representada por uma


distribuição geométrica
Pr (X = k) = p × (1 − p)k−1 , (5.2)

pelo que a probabilidade de N nós acederem num determinado slot k é dada por uma
distribuição binomial
 
nmax
P (N = n; X = k) = × [Pr (X = k)]n × [1 − Pr (X = k)]nmax −n . (5.3)
n

Aplicando a equação (5.2) à equação (5.3), obtém-se


 
nmax
P (N = n; X = k) = × [p × (1 − p)k−1 ]n × [1 − p × (1 − p)k−1 ]nmax −n , (5.4)
n

sendo que com base na duração da fase de negociação e da fase de transmissão, é possível
estudar o desempenho (S),

RTx × Tx
S= , (5.5)
w + TCT S + Tx + TACK

apenas sendo necessário obter um valor médio para o número de pacotes que são recebi-
dos com sucesso (RTx ) quando NTx nós são autorizados a transmitir.

54
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.2. Estudo da capacidade de transmissão MPR

5.2 Estudo da capacidade de transmissão MPR


Tendo por base o modelo MPR apresentado no capítulo anterior (subsecção 4.1.1) procedeu-
se à análise da probabilidade de sucesso de transmissão MPR. Desta forma, procedeu-se
à simulação de cenários onde o parâmetro b (associado à sensibilidade do receptor) foi
modificado, considerando os efeitos de propagação apresentados na secção 3.5 e controlo
de potência. Definindo Er como o número médio de pacotes recebidos, este valor pode
ser obtido através de
Er = n × Ps , (5.6)

onde n é o número de nós que transmitem e Ps a probabilidade de sucesso dessa trans-


missão (equação (4.8), aplicada a receptores com capacidade MPR). Fazendo variar o
número de pacotes enviados, obteve-se a probabilidade de sucesso associada a essas
transmissões, obtendo-se Er aplicando ou não o mecanismo de controlo de potência. Os
resultados podem ser observados nas figuras 5.2 e 5.3.

Er
12
b=0.02
b=0.05
b=0.1
Número médio de pacotes recebidos

10
b=0.2
b=0.33
8

0
0 10 20 30 40 50
Número de pacotes transmitidos

Figura 5.2: Relação entre o número de pacotes transmitidos e o número médio de pacotes
recebidos.

Analisando a figura 5.2, podemos verificar que quanto menor for o parâmetro b, me-
nor será a capacidade de recepção, ou seja, o número máximo de pacotes que são recebi-
dos em simultâneo é menor. Ainda podemos verificar, que a partir de um determinado
número de transmissões a capacidade de recepção diminui, prejudicando o desempenho
dos transmissores MPR.
Na figura 5.3 podemos verificar as vantagens associadas ao controlo de potência.
Comparando os resultados com a figura 5.2 conclui-se que o aumento do desempenho
é substancial, por exemplo para b = 0.05 o valor máximo de Pacotes Recebidos (Er )

55
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho

Er com controlo potência


25
b=0.02
b=0.05
Número médio de pacotes recebidos b=0.1
20 b=0.2
b=0.33

15

10

0
0 10 20 30 40 50
Número de pacotes transmitidos

Figura 5.3: Relação entre o número de pacotes transmitidos e o número médio de pacotes
recebidos (c/ controlo de potência).

pouco excedia 5, enquanto que com controlo de potência esse valor quase atinge 10.
Ainda comparando os resultados, podemos verificar que a quebra de desempenho asso-
ciado ao aumento do número de pacotes transmitidos, acontece com um menor número
de transmissões, e que é mais abrupta. Isto deve-se ao facto do controlo de potência ser
efectuado controlando a potência de emissão de todos os nós associados ao nó receptor,
por forma a que a potência do sinal recebido proveniente de cada nó pelo receptor seja
igual. Ora quando existem mais nós a transmitir do que a relação 1/b (ignorando ruído),
o desempenho diminui uma vez que o SINR torna-se menor que b. Nos resultados apre-
sentados os valores máximos são atingidos antes de 1/b uma vez que é considerado ruído
branco ao nível do transmissor.

5.3 Análise de desempenho


Nesta secção procedeu-se à análise comparativa do desempenho de três cenários utili-
zando o protocolo MAC apresentado na secção 5.1. Por forma a garantir uma compa-
ração directa entre os valores obtidos (provenientes quer do modelo (secção 5.1), quer
da simulação), o tempo de acknowledge (Tack ), tempo do slot CTS (TCT S ) e de transmis-
são (Tx ) foram fixados em 1, 1 e 30 tempos de slot, respectivamente e considerou-se o
parâmetro b = 0.1.
Os diferentes cenários são apresentados de seguida:

• Cenário A - Protoloco MAC sem aplicação de controlo de potência com janela de


contenção e probabilidade de acesso individual fixa. Neste cenário considerou-se

56
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho

w = 50 e p = 1/40.

• Cenário B - Protoloco MAC com aplicação de controlo de potência com janela de


contenção e probabilidade de acesso individual fixa. Neste cenário considerou-se
w = 50, p = 1/40 e limitou-se o número de nós a aceder à fase de transmissão com
base na capacidade de transmissão MPR (secção 5.2), ou seja, limitou-se o número
de nós a transmitir ao desempenho máximo obtido na relação Er (por exemplo para
b = 0.1 o valor máximo é obtido quando são transmitidos 8 pacotes em simultâneo,
pelo que se existirem 10 RTS recebidos pelo transmissor, apenas 8 irão ter acesso
à fase de transmissão). Incluindo neste cenário transmissão em FD apenas para a
informação de controlo (envio de CTS e ACK de grupo), o desempenho é adaptado
para:
RTx × Tx
S= . (5.7)
w + Tx

• Cenário C - Neste cenário pretende-se calcular o débito máximo do protocolo MAC


apresentado na secção 5.1. Para isso efectuaram-se simulações do modelo variando
os parâmetros associados à transmissão (w e p) por forma a encontrar o desempe-
nho máximo (S) para cada número de nós associados ao receptor. O desempenho
foi calculado da mesma forma que para o cenário B (equação (5.7)), aproveitando
mais uma vez os benefícios da comunicação FD apenas para os pacotes de CTS e
ACK de grupo. Por forma a descobrir o débito máximo do protocolo, foram efec-
tuadas simulações numéricas utilizando o modelo apresentado na secção anterior.
Variando os parâmetros w e p procurou-se o valor máximo de S obtido para cada
conjunto de nós que acedem à fase de negociação. A evolução de w e p óptimos em
função do número de nós pode ser observado na figura 5.4.

Na figura 5.5 e 5.6 podem ser visualizados os resultados das simulações e do modelo
para os três cenários apresentados.
Analisando estes resultados, podemos verificar que o aumento do desempenho do ce-
nário B relativamente ao cenário A está principalmente associado à limitação do número
de nós que acedem à fase de transmissão. Relativamente ao cenário C, podemos verifi-
car que o número máximo de nós autorizado a transmitir é menor que o valor máximo
obtido na relação Er (figura 5.2 e 5.3). Esta situação está associada ao pequeno ganho a
nível de capacidade entre a transmissão de 6 ou 8 pacotes (para b = 0.1) e ao "custo"que
o aumento do número de Slots tem sobre o débito máximo.
Já relativamente aos resultados obtidos para o débito máximo surgem duas conclusões
importantes. A primeira está associada aos resultados obtidos na figura 5.4, onde se pode
verificar que o débito máximo é obtido com valores de janela de contenção bastante infe-
riores às fixadas para os cenários A e B. Isto acontece devido ao número máximo de nós
a acederem à fase de transmissão ser relativamente baixo, não justificando o aumento da
janela de contenção (w) para valores muito superiores a 8 (para b = 0.1). A segunda está
associada ao desvio entre o valor obtido através do modelo e o valor obtido através de

57
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho

Paramêtros w e p óptimos
0
20 10

p
w
p
−2
0 10
0 10 20 30 40 50
Número de nós
Figura 5.4: Parâmetros w e p em função do número de nós que desejam transmitir, de
forma a se atingir o débito máximo da rede.

Número pacotes recebidos na fase de negociação


18
Simulação Cenário A
16 Modelo Cenário A
Simulação Cenário B
Modelo Cenário B
14 Simulação Cenário C
Modelo Cenário C
12

10
NTx

0
0 10 20 30 40 50
Número de nós

Figura 5.5: Número médio de pacotes recebidos em função do número de nós que trans-
mitem dos diversos Protocolos MAC.

simulação. Este desvio deve-se ao erro de interpolação do modelo, uma vez que a relação
Er é obtida para valores inteiros de pacotes transmitidos e os resultados provenientes do
modelo apresentam casas decimais. Isto exige que seja efectuada uma interpolação entre

58
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho

Desempenho
3

2.5

1.5
S

1
Simulação Cenário A
Modelo Cenário A
Simulação Cenário B
0.5
Modelo Cenário B
Simulação Cenário C
Modelo Cenário C
0
0 10 20 30 40 50
Número de nós

Figura 5.6: Desempenho dos diversos protocolos MAC.

os dois valores da relação Er existindo um erro associado, o qual é tanto maior, quanto
maior for o número de nós que transmitem dados numa determinada ronda (equação
(5.6)).

59
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho

60
6
Conclusões

Este trabalho apresenta uma caracterização formal do efeito residual do cancelamento


do sinal auto-interferente, um estudo da capacidade de transmissores Full-Duplex com
capacidade de recepção de múltiplos pacotes para diversos cenários e termina com uma
proposta de protocolo MAC para sistemas FD com capacidade de MPR, juntamente com
o estudo do seu desempenho.

6.1 Considerações Finais

Partindo de um levantamento bibliográfico relacionado com os mecanismos de supressão


e cancelamento da auto-interferência, é efectuada uma análise formal à potência residual
após o cancelamento da auto-interferência. Este estudo parte de uma caracterização ge-
nérica de um canal auto-interferente incluindo efeitos de desvanecimento rápido. Sendo
esta a componente de propagação que apresenta uma variação mais rápida, é consequen-
temente a componente mais difícil de compensar ao nível do hardware. Tendo isso em
consideração, procedeu-se ao estudo da distribuição da potência residual do sinal auto-
interferente. Devido ao facto das variáveis aleatórias que descrevem a potência residual
após o cancelamento se encontrarem correlacionadas, procedeu-se à sua descorrelação
utilizando um algoritmo clássico de descorrelação, obtendo-se uma caracterização da
distribuição probabilística da potência residual. No capítulo 3 foi ainda validado o meca-
nismo de descorrelação das variáveis aleatórias, bem como estudada a potência residual
do cancelamento para diferentes configurações de canceladores.
Para o estudo da capacidade da rede, foram tidos em consideração os principais efei-
tos de propagação (perdas de propagação, desvanecimento lento e rápido), tendo sido

61
6. C ONCLUSÕES

analisado o desempenho das diversas topologias de cancelamento. Desta forma, foi apre-
sentado um modelo para a transmissão SPR e MPR e estudada a capacidade de transmis-
são. Foi ainda efectuada uma análise para cenários multi-hop, na qual se verificou uma
melhoria, não muito significativa, da probabilidade de recepção associada ao aumento
do número de hops.
Ao nível do controlo de acesso ao meio, foi proposto um protocolo MAC, e poste-
riormente efectuada uma análise do débito em função do número de nós associados ao
receptor, transmissão sem controlo de potência, com controlo de potência limitando o
número de nós a transmitir ao valor máximo de nós recebidos e por fim um estudo das
condições de probabilidade de acesso p e do tamanho da janela de contenção w que levam
ao débito máximo.

6.2 Trabalho Futuro


Relativamente à análise formal do efeito residual do cancelamento da auto-interferência,
este trabalho considera que o canal auto-interferente apresenta efeitos de desvanecimento
rápido. Uma vez que estes efeitos provocam flutuações rápidas no canal auto-interferente,
dificultam a boa estimação do canal, provocando uma redução da qualidade do cance-
lamento. No entanto, seria apropriado efectuar uma análise da potência residual con-
siderando modelos de propagação que incluíssem efeitos de desvanecimento lento e de
perdas de propagação. Embora diminutas, devido à proximidade das antenas emissora
e receptora, as perdas de propagação continuam a produzir efeitos sobre o canal auto-
interferente, sendo mais uma variável na estimação do canal. Seria também interessante
obter modelos matemáticos que representassem outros efeitos de ruído associados à ca-
deia de transmissão do sinal, entre eles, ruídos associados ao ADC e ao I/Q imbalance.
Já ao nível da capacidade da rede, este trabalho realiza um estudo tendo em conta os
principais efeitos de propagação (pathloss, desvanecimento rápido e lento). No entanto,
foram considerados canais com respostas impulsivas pouco complexas, e modelos de
perdas de propagação simplificados. A inclusão de modelos de propagação mais com-
plexos (por exemplo, canais mais dispersivos) seria uma mais-valia. Por fim, e também
relacionado com o controlo de acesso ao meio, seria interessante efectuar uma análise da
probabilidade de sucesso de recepção de pacotes que considerasse a distribuição espacial
dos nós. Desta forma seria possível perceber qual o conjunto de nós que devem trans-
mitir e aplicar tal conhecimento ao protocolo MAC por forma a maximizar o débito do
sistema.

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