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Júri:
Presidente: Prof. Dr. Luis Augusto Bica Gomes de Oliveira
Arguente: Prof. Dr. Franciso António Taveira Branco Nunes Monteiro
Vogal: Prof. Dr. Rodolfo Alexandre Duarte Oliveira
JUNHO, 2015
iii
Primeiro que tudo, queria agradecer ao meu orientador, Professor Rodolfo Oliveira por
todas as horas, minutos e segundos disponibilizados no meu acompanhamento, nas lon-
gas conversas não planeadas e por toda a paciência demonstrada. Agradeço-lhe tam-
bém todos os conselhos e todas as verificações associadas a este trabalho, especialmente
quando se encontrava sobrelotado de trabalho. Agradeço também aos outros docentes
da secção de Telecomunicações por me terem contagiado o seu gosto por esta área.
Seguidamente, gostaria de agradecer à FCT-UNL e ao DEE pelas condições que me
foram proporcionadas, as quais proporcionaram o meu crescimento pessoal e profis-
sional. Também agradeço à Fundação para a Ciência e Tecnologia pelo apoio prestado
através dos projetos ADIN (PTDC/EEI-TEL/2990/2012) e MANY2COMWIN (EXPL/EEI-
TEL/0969/2013).
Aos meus pais e à minha avó, por me terem proporcionado todas as condições (e
mais algumas) para terminar este curso e me tornar engenheiro. Mesmo perante todas as
dificuldades, nunca nada me faltou. Um obrigado especial por tudo. Ao resto dos meus
familiares mais próximos (eles sabem quem são), por estarem presentes e por fazerem de
mim parte de quem eu sou.
Queria também agradecer aos meus companheiros da Sala 3.5, quer da secção de Tele-
comunicações, quer da secção de Electrónica, em especial ao José Pedro Reis, Gonçalo
Lourenço, Tiago Bento, Rui Cardoso, Paulo Martins, Frederico Monteiro, Sara Ribeiro,
Nuno Pereira, Ricardo Madeira, Halyna Korol, Filipe Viegas e João Pinto pela companhia
ao pequeno-almoço, almoço e lanche, pelos momentos de descontracção e de entreteni-
mento, sem nunca descuidar o trabalho. Um agradecimento a todos vós que participaram
na compra da "nossa" máquina de café, a qual foi companheira de todos, nos últimos 6
meses.
Quero agradecer de forma um pouco mais sentida ao João Miguel (sim Vasco, és tu),
Tomás "Nano" Ribeiro, António Sá, Cristiana Nóbrega, Joana e Rita França, Sara Brito e
Diogo Jorge pelos momentos vividos, pela amizade, pelos conselhos e pela "parvoíce".
Também agradecer ao Pedro Martins e João Barata Oliveira pelos momentos passa-
dos nos primeiros anos na Faculdade (Toca a despachar o Curso!). Ao Filipe Araújo,
vii
viii
O aumento do volume de tráfego gerado em redes sem fios e a elevada taxa de ocu-
pação do espectro Rádio-Eléctrico tem levado à procura e desenvolvimento de sistemas
de elevada eficiência espectral. Recentemente, diversos grupos de investigação têm abor-
dado a possibilidade de um dispositivo sem fios transmitir e receber dados em simultâ-
neo na mesma banda. Estes dispositivos enquadram-se nos denominados “sistemas de
comunicação Full-Duplex”, os quais, no limite, podem duplicar a capacidade da rede,
quando comparados aos sistemas Half-Duplex.
A grande dificuldade de implementação destes sistemas está associada ao cancela-
mento da auto-interferência. Esta interferência é provocada pela transmissão do próprio
nó e, uma vez que apresenta uma potência muito superior à do sinal transmitido por
outro dispositivo, impossibilita a captura desse sinal. Para permitir a transmissão e re-
cepção de dados em simultâneo, os dispositivos Full-Duplex utilizam mecanismos de
cancelamento do sinal auto-interferente, reduzindo-o para valores de potência próximos
do nível de ruído.
Nesta dissertação são abordados diversos tipos de mecanismos de redução da auto-
interferência, caracterizando as suas vantagens, desvantagens e limitações de utilização.
De forma a estudar o funcionamento dos sistemas Full-Duplex, é caracterizado o efeito
residual do cancelamento da auto-interferência e a capacidade de transmissão deste tipo
de sistemas, incluindo a capacidade de recepção de múltiplos pacotes. Por fim, é pro-
posto um protocolo de acesso ao meio para cenários onde vários dispositivos desejam
comunicar com um nó receptor, utilizando um sistema de comunicação Full-Duplex.
ix
x
Abstract
The growth of the traffic generated by wireless devices, as well as the radio spectrum
saturation, have motivated the development of high spectral efficiency communication
systems. Recently, different research groups have approached the possibility of a sin-
gle device transmit and receive data simultaneously in the same band. These devices
compose the so-called in-band Full Duplex (FD) systems, which at most can double the
network capacity when compared to the traditional Half-duplex systems.
The main challenge in the implementation of an FD system is the self-interference
cancellation. The self-interference (SI) is caused by the undesired received signal trans-
mitted by the same node. When SI’s power is greater than other signal of interest (e.g. a
signal transmitted by another node), the performance of a receiver is generally decreased.
In order to allow the transmission and reception of data in a simultaneous way, several
mechanisms of self-interference cancellation were proposed to approximate the SI power
level close to the noise floor.
In this work we tackle several SI suppression techniques in order to characterize their
advantages, disadvantages and their limitations in the practical sense of use. To bet-
ter characterize the FD systems, the work focuses on studying the residual SI power,
which represents the amount unsuppressed power after executing the SI’s cancelation.
The work also tackles the transmission capacity of FD systems, including the capacity
when multiple packets may be received simultaneously. In the final stage of the work
we propose a medium access control protocol specifically tailored to the scenario where
multiple devices aim to transmit data to a single receiver and simultaneously adopt an
FD communication system.
xi
xii
Conteúdo
Agradecimentos vii
Resumo ix
Abstract xi
Acrónimos xxi
1 Introdução 1
1.1 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 Objectivos e Contribuições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.3 Estrutura da Dissertação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2 Trabalho Relacionado 5
2.1 Auto-Interferência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.1.1 Cuidados ao nível do hardware . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.1.2 Mecanismos de Cancelamento da auto-interferência . . . . . . . . . 7
2.1.3 Análise ao Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
2.2 Protocolos de Acesso ao Meio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
3 Modelo Full-Duplex 19
3.1 Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência 22
3.1.1 Cancelamento Analógico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
3.1.2 Cancelamento Analógico e Digital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.2 Distribuição da Potência Residual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
3.3 Análise e Validação do Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
3.3.1 Cancelamento analógico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
3.3.2 Cancelamento analógico e digital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.4 Efeitos secundários do cancelamento - ruído de fase . . . . . . . . . . . . . 37
3.5 Capacidade de Recepção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
xiii
xiv CONTEÚDO
4 Probabilidade de Recepção 43
4.1 Caracterização teórica da probabilidade de recepção . . . . . . . . . . . . . 43
4.1.1 Probabilidade de recepção para transmissores com suporte à recep-
ção de múltiplos de pacotes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
4.2 Análise da Capacidade de Recepção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
4.2.1 Impacto da distância ao receptor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
4.2.2 Sistemas Full-Duplex com recepção de múltiplos pacotes . . . . . . 48
4.2.3 Sistemas Full-Duplex em cenários Multi-hop . . . . . . . . . . . . . 50
6 Conclusões 61
6.1 Considerações Finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
6.2 Trabalho Futuro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
Lista de Figuras
xv
xvi LISTA DE FIGURAS
xix
xx LISTA DE TABELAS
Acrónimos
FD Full-Duplex
HD Half-Duplex
xxi
xxii ACRÓNIMOS
RF Rádio-Frequência
1
1. I NTRODUÇÃO 1.1. Motivação
1
Tx Rx
Nó 1 1a 2a Nó 2
Rx Tx
2
1.1 Motivação
Ao longo dos últimos anos, principalmente devido à evolução tecnológica, as comunica-
ções sem fios tornaram-se uma realidade em vários domínios de utilização. Até ao final
do século passado, a maioria das comunicações sem fios tinham por base esquemas de
comunicação unidireccionais utilizando equipamentos com alta potência de transmissão,
como por exemplo, Radio AM. Já durante a primeira década do presente século, com a
vulgarização de diversos equipamentos tecnológicos, como computadores pessoais, tele-
móveis e smartphones, o número de equipamentos ligados a redes sem fios aumentou de
forma significativa.
Actualmente os clientes exigem uma experiência de utilização de serviços de alta qua-
lidade, forçando o desenvolvimento de soluções de rede de alto desempenho. Por outro
lado, o espectro radio-eléctrico apresenta uma taxa de ocupação muito elevada, o que
leva à procura de soluções de elevada eficiência espectral. Esta escassez provoca elevados
custos de licenciamento do espectro rádio-eléctrico. Este tipo de exigências, quer finan-
ceiras, quer por parte dos clientes, motiva o desenvolvimento de sistemas de transmissão
sem fios altamente eficientes, pelo que os sistemas FD são uma solução a considerar.
A dificuldade da aplicação das técnicas de transmissão FD passa pela capacidade de
se conseguir anular o sinal auto-interferente. Para isso são utilizadas técnicas passivas
e/ou mecanismos de cancelamento que têm como base o conhecimento prévio do sinal
transmitido. Estas dificuldades, mesmo com o actual desenvolvimento tecnológico ao
nível da electrónica, ainda não estão totalmente solucionadas, mas é espectável virem
a sê-lo num futuro próximo. Um dos grandes desafios está associado à dificuldade de
modelação das imperfeições geradas pela cadeia de transmissão do sinal (erros de quan-
tização dos conversores analógico-digital (ADC), ruídos de fase, entre outros).
Por forma a aproveitar os benefícios associados à utilização das técnicas FD, os meca-
nismos convencionais associados à transmissão de dados (desde o hardware às camadas
de controlo lógico) necessitarão de ser adaptados. Um dos objectivos deste trabalho con-
siste na análise do efeito residual do cancelamento da auto-interferência, assim como da
capacidade de comunicação para diversas arquitecturas de rede, tendo em vista futuros
desenvolvimentos nesta área.
2
1. I NTRODUÇÃO 1.2. Objectivos e Contribuições
3
1. I NTRODUÇÃO 1.3. Estrutura da Dissertação
4
2
Trabalho Relacionado
2.1 Auto-Interferência
Para maximizar o desempenho dos sistemas FD , é necessário reduzir, ou se possível
cancelar na totalidade, a auto-interferência. Estes mecanismos de cancelamento terão de
conseguir reduzir a potência do sinal auto-interferente para valores próximos do nível de
ruído, por forma a que os valores de desempenho se aproximem do dobro dos sistemas
HD.
Os valores típicos de potência da auto-interferência são aproximadamente 110dB superi-
ores ao nível do ruído [BMK13].
Segundo [BMK13], a auto-interferência pode ser causada por:
5
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência
j ct (t )
e
Sinal
Amplificador Conversor recebido
Rx Filtro Filtro
de baixo Analógico
Passa-Banda Passa-Baixo
ruído (LNA) Digital (ADC)
6
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência
Figura 2.3: Efeito do ADC quando se encontra sobre forte auto-interferência [Jai11].
Uma segunda situação que é necessário ter em conta ao nível do hardware são os pro-
cessos de upconvertion (passagem do sinal de banda base para a frequência de transmis-
são) e downconvertion (passagem do sinal à frequência de transmissão para banda base).
Estes processos, embora aparentemente inversos, não o são exactamente. Tudo depende
da qualidade do oscilador utilizado para os mesmos. Pequenas variações da fase e am-
plitude dos osciladores podem piorar a capacidade de cancelar o sinal auto-interferente.
Além disso, não é possível garantir que dois nós diferentes tenham a fase do gerador
de sinais perfeitamente sincronizada. No entanto, tendo em conta que o sinal interfe-
rente é produzido pelo próprio nó emissor, se os osciladores locais associados à cadeia
de emissão do sinal e à cascata de cancelamento estiverem sincronizados o impacto desta
componente de ruído é reduzida [Sah+13].
Relativamente ao LNA, este poderá operar numa zona de funcionamento linear por
forma a evitar o aparecimento de ruido associado à amplificação do sinal de menor po-
tência.
7
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência
da auto-interferência.
Redução da auto-interferência
Analógico Digital
Znoise (t)
Xsignal (t)
8
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência
De uma forma simplificada, estes mecanismos podem ser vistos como uma tentativa de
aumentar as perdas de propagação (pathloss) do canal de auto-interferência [Sah+13].
Através de um posicionamento cuidado das antenas, [Cho+10] mostra que a colo-
cação de duas antenas emissoras a uma distancia λ e λ/2, respectivamente, da antena
receptora cria um "ponto espacial nulo" na posição de recepção. Teoricamente se a atenu-
ação de cada um dos canais for idêntica e não existir nem erro de fase, nem mais do que
um raio de propagação, o cancelamento seria perfeito. No entanto, tendo em conta que a
transmissão é efectuada numa banda e não apenas numa única frequência, a ocorrência
de efeitos dispersivos e de reflexão dos canais impossibilita o cancelamento perfeito. Este
mecanismo de supressão, além de criar complicações na capacidade de comunicação com
a vizinhança devido ao aparecimento dessas zonas "nulas" em diversas direcções, apre-
senta limitações na largura de banda da comunicação, dado que para larguras de banda
superiores a 100MHz a performance é drasticamente deteriorada.
A utilização de antenas direccionais [Eve+11; Eve12] também ajuda a reduzir a auto-
interferência, desde que as mesmas sejam colocadas de forma a evitar que os lóbulos
principais se interceptem. Mais uma vez, embora seja benéfico do ponto de vista da di-
minuição da auto-interferência, esta técnica implica que em algumas regiões possa existir
interferência provocada pela sobreposição de lóbulos, o que pode criar dificuldades de
comunicação com outros nós. Esta situação é especialmente importante se existir mobili-
dade dos nós.
Também existem trabalhos relacionados com a polarização das antenas [Eve12] onde
se propõe que a antena emissora e receptora sejam colocadas de forma ortogonal para
evitar o acoplamento mútuo. Também é abordada a possibilidade de utilização de ma-
teriais isoladores no percurso em linha de vista, reduzindo assim a potência do sinal
9
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência
auto-interferente.
Uma outra solução para reduzir a auto-interferência é aumentar a distância entre a
antena emissora e a antena receptora. No entanto, isto é impraticável em equipamentos
de dimensão reduzida [Sab+14].
Os terminais podem ainda utilizar uma única antena para transmitir e receber. Nesta
solução, utilizada há várias décadas nos sistemas de radar, é também possível isolar a
transmissão da recepção através de circuladores passivos [Sab+14], os quais são normal-
mente implementados através de ferrite magnetizada. No entanto, esta solução aumenta
consideravelmente as dimensões e o peso dos terminais, impossibilitando a sua imple-
mentação em terminais móveis.
Sinal de interesse
Znoise
rup hsi
yresidual
xsi
Cancelador Analógico
rup hsi
rdown
xsi yresidual
Banda
base
Cancelador
Analógico
10
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência
O cancelamento activo analógico pode ser efectuado quer em banda-base (figura 2.7)
quer na banda de Rádio-Frequência (RF) (figura 2.6) utilizada para transmissão. (hsi
representa o canal auto-interferente, e rup e rdown o processo de upconvertion e downcon-
vertion, respectivamente) Neste último, o sinal auto-interferente pode ser processado an-
tes ou depois do processo de upconvertion, sendo denominado de pre-mixer ou post-mixer,
respectivamente. A inclusão do cancelamento analógico tem um impacto directo na com-
plexidade do receptor, principalmente quando o mesmo permite adaptações associadas
à estimação do canal auto-interferente.
Existem diversas técnicas de cancelamento activo analógico, estando entre elas, a uti-
lização de uma segunda cadeia de rádio em paralelo com o sinal transmitido. Neste
processo é gerado um sinal invertido do sinal emitido, o qual é utilizado para cancelar a
auto-interferência (após o processo de upconvertion) [Sah+13]. Outra opção é a utilização
de canceladores BALUN [Jai+11], os quais são considerados um método de cancelamento
post-mixer dado que o cancelamento é efectuado na frequência da portadora. A aplicação
de rotação de fase do sinal enviado para cancelar o sinal auto-interferente é proposto em
[Lee13], sendo semelhante à inversão do sinal.
Por fim, o cancelamento activo digital é efectuado após a conversão Analógico-Digital
do sinal resultante do cancelamento analógico, por forma a melhorar o desempenho do
cancelamento.
11
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.1. Auto-Interferência
12
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio
A B C
13
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio
A B C D
Considerando o cenário da figura 2.9, vamos assumir que B e C têm dados para
transmitir para A e D, respectivamente. Como B-A não interfere com C-D, dado
que o alcance de transmissão não se sobrepõe nos receptores, ambas as transmissões
poderiam ser efectuadas em simultâneo. No entanto, se C estiver a enviar dados
para D, B assume que o canal está ocupado e fica à espera que a transmissão termine
para enviar dados para A.
• Justiça de Acesso - passa por garantir que todos os nós de uma rede têm uma
probabilidade de utilização do canal semelhante, ou seja, que todos os nó possuam
aproximadamente a mesma probabilidade de acesso ao meio.
14
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio
que existe uma transmissão a ocorrer, pelo que devem aguardar que esta termine para
procederem a tentativa de captura do canal. No entanto, esta solução não é perfeita,
principalmente para redes móveis, uma vez que apenas os nós que "ouviram" os pacotes
RTS/CTS estão conscientes da comunicação em curso. Este mecanismo também tende a
solucionar a problemática do nó exposto desde que os nós se encontrem sincronizados.
Se o nó exposto "ouvir" um RTS de um nó vizinho, mas não o CTS de resposta, pode de-
duzir que é um terminal exposto e pode transmitir para um outro vizinho em simultâneo
sem prejudicar a transmissão actual.
Relativamente à justiça de acesso, em cenários de controlo centralizado é possível ge-
rir o acesso ao meio por forma a garantir que todos os nós partilham do mesmo tempo
de transmissão. No entanto, isto é muito difícil de garantir em redes distribuídas, uma
vez que seria necessário transmitir uma quantidade considerável de informação de con-
trolo para tentar proporcionar justiça no acesso. Para o caso de redes Rede Ad-Hoc com
Mobilidade (MANET) a situação ainda se torna um pouco mais complicada, devido à
necessidade de encaminhamento.
Durante os últimos anos, foram desenvolvidos novos protocolos MAC para explorar
as vantagens e condicionantes do FD, tendo em conta as diversas topologias de rede
existentes. Os tipos de MAC podem ser divididos em duas classes, os centralizados e
os distribuídos [Kim+13]. A principal diferença entre eles é o facto da decisão relativa
ao acesso ao meio ser gerida por um nó coordenador (tipicamente um Ponto de Acesso
(Access Point) (AP)) ou de uma forma distribuída (por cada nó da rede), respectivamente.
Naturalmente que cada classe tem as suas vantagens e desvantagens. Enquanto na
coordenação centralizada o débito poderá ser superior, esta necessita de ter um conhe-
cimento preciso da rede e do tráfego de cada nó, por forma a agendar as transmissões
que maximizem o débito da mesma. Já do lado da coordenação distribuída, o facto de
ser mais difícil obter informações concretas, tende a diminuir o débito da rede, além de
dificultar a coordenação do acesso ao meio.
A utilização do FD soluciona alguns dos desafios dos protocolos MAC. Por exem-
plo, considerando um cenário single-hop e volumes de dados simétricos entre dois nós,
a problemática do nó escondido pode ser solucionada mais facilmente, uma vez que, ao
transmitirem em simultâneo, o meio de transmissão deixa de estar livre para qualquer nó
no raio de alcance do sinal. Já para terminais com volumes de tráfego assimétrico, será
necessário alguns cuidados adicionais como a utilização de um "tom ocupado"(busy-tone)
[ZSS13; Jai+11].
Relativamente aos problemas do nó exposto, existem algumas soluções exploradas
em [Dua+14; SPS11; Sin+11] para coordenação distribuída e [ZSS13; Kim+13] para coor-
denação centralizada. De um modo geral, a solução passa primeiro por procurar opor-
tunidades de transmissão FD, e seguidamente por perceber se existem outros caminhos
de transmissão (flows) que podem ser explorados sem prejuízo da transmissão primária
(a primeira transmissão efectuada no meio de transmissão), denominada de transmissão
secundária. Isto possibilita o aumento de desempenho da rede, desde que não provoque
15
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio
16
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio
têm prioridade, sendo esta incluída no cabeçalho dos pacotes. Tendo em conta apenas o
desempenho em cenários multi-hop, em [Jai+11] é proposta a possibilidade de existirem
pacotes pré-carregados no transmissor, os quais necessitam de ser flexíveis, por forma a
atingir uma redução da latência da transmissão secundária. Isto permitiria que o enca-
minhamento do pacote se iniciasse de forma mais célere, reduzindo o atraso end-to-end.
Em [XZ14] é quantificado o ganho teórico para diversos cenários de rede. Este tra-
balho demonstra que o ganho global dos sistemas FD, utilizando os protocolos MAC
actuais, só se aproxima do dobro dos sistemas HD em cenários single-link. No caso de
redes com contenção o débito atingido foi aproximadamente 1,5 vezes superior à utili-
zação de transmissores HD. Um outro tema explorado neste trabalho é a reutilização
espacial onde se percebe que a utilização do FD diminui em alguns casos a possibilidade
de comunicação entre nós, para cenários distribuídos.
Ainda ao nível do acesso ao meio, o trabalho realizado por [Sab+14] aponta como
17
2. T RABALHO R ELACIONADO 2.2. Protocolos de Acesso ao Meio
18
3
Modelo Full-Duplex
Tx Rx
Nó 1 hsi Nó 2
Rx Tx
hsignal
Assumindo que cada canal apresenta uma resposta impulsiva com apenas 1 raio, o
19
3. M ODELO F ULL -D UPLEX
em que hsignal , hsi , ∆signal e ∆si são os ganhos de amplitude e os tempos de propagação
de cada canal, respectivamente, e δ(t) representa a função delta-dirac.
Detalhando um pouco mais, Psignal e Psi são os valores normalizados das potências re-
cebidas do sinal de interesse e do sinal auto-interferente, respectivamente. O sinal de
interesse é designado por xsignal enquanto o sinal transmitido pelo próprio nó (sinal que
provoca a auto-interferência) é representado por xsi . hresidualsi representa o canal auto-
interferente após cancelamento, ou seja, o efeito residual do cancelamento. Admitindo
cancelamento analógico, hresidualsi é descrito como
hresidualsi [iT ] = hsi (δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan ), (3.3)
onde τan e ρan são os valores estimados do atraso e do ganho de amplitude desse mesmo
canal. Quando τan = ∆si e ρan = 1 a estimação é perfeita e a equação (3.3) toma valor
nulo. Neste caso o cancelamento é perfeito.
20
3. M ODELO F ULL -D UPLEX
hresidualsi [iT ] = hsi (δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan −
ρdig δ[iT − ∆si − τdig ]e−jωc (∆si −τdig ) + (3.4)
ρdig ρan δ[iT − τan − τdig ]e−jωc (τan −τdig ) ),
onde τan , τdig , ρan e ρdig são os valores de estimação do atraso e do ganho de amplitude
do canal auto-interferente para o cancelamento analógico e digital, respectivamente. O
cancelamento é perfeito quando ρdig = ρan = 1, τan = ∆si e τdig = 0.
znoise representa ruído térmico gaussiano no receptor e zphase−noise representa ruído
branco gaussiano, independente do ruído térmico e do sinal de interesse. Este último
representa o efeito dos erros de fase, associados às imperfeições dos geradores de sinal.
O ruído de fase está associado ao parâmetro βφ , que representa o erro de fase do re-
ceptor/emissor, o qual toma valores diferentes consoante o tipo de cancelador utilizado.
2 e σ2
Esses valores podem ser visualizados na tabela 3.1, onde σsi down são as variâncias
do desvio de fase do sinal auto-interferente e do processo de downconvertion, respecti-
vamente. Rφsi (k) e Rxsi (k) representam a auto-correlação do desvio de fase do sinal
auto-interferente e do próprio sinal auto-interferente, respectivamente. A obtenção da
função de auto-correlação é detalhada na secção 3.4.
Considerando que o sinal transmitido pelo próprio nó tem por base valores aleató-
rios com uma distribuição gaussiana de média nula, com o aumento de ∆si (atraso do
canal), o valor da autocorrelação tende a ser nulo. Sabendo que o erro de estimação tem-
poral para o cancelador post-mixer será sempre menor que para o cancelador pre-mixer,
utilizando cancelamento analógico (|∆si − τan | 6 25%∆si ), a segunda parcela da equa-
ção (3.2) terá um valor de potência inferior para o cancelador post-mixer, uma vez que
depende do erro de estimação e não directamente do tempo de propagação do canal
auto-interferente. Para o cancelador de banda-base, o valor de potência da mesma par-
cela está apenas relacionado com a variância do ruído de fase do emissor e do receptor
(considerando que os processos de upconvertion e downconverstion são independentes).
Quando é utilizado cancelamento analógico e digital, o valor de βφ2 passa também a
ter em conta a autocorrelação do sinal auto-interferente, e a estimação do ganho de am-
plitude do canal interferente. As conclusões são similares às indicadas utilizando apenas
cancelamento analógico, uma vez que para uma determinada estimação (ρan , τan ) o factor
21
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência
βφ2 é menor para o cancelador post-mixer do que para o cancelador pre-mixer. A compara-
ção directa dos diversos canceladores será apresentada na secção 3.4.
Nas secções seguintes serão analisados os efeitos residuais do cancelamento da auto-
interferência. Estes resultados serão classificados em formato de distribuições de pro-
babilidade e posteriormente validados através de simulação. Por fim, será abordada a
capacidade de recepção para diferentes canceladores.
Nesta secção será caracterizada a potência residual após cancelamento. A análise será
feita primeiro para o cancelamento analógico e posteriormente para o cancelamento ana-
lógico e digital. Cada caracterização irá partir de um canal com apenas 1 raio, sendo
posteriormente generalizado para K raios.
hresidualsi [iT ] = CN (0, σr2 )(δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan ). (3.5)
Tendo em conta que ∆si e τan são constantes, podemos representar o problema através
de
hresidualsi [iT ] ∗ xsi [iT ] = αa ∗ xsi − αb ∗ xsi , (3.6)
em que αa = CN (0, σr2 )e−jωc ∆si e αb = CN (0, σr2 )ρan e−jωc τan , sendo equivalente a
αa = CN (0, σr2 ),
(3.7)
αb = CN (0, ρ2an σr2 ).
Prova 1. Partindo de
22
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência
e uma vez que e−jωc ∆si = cos(ωc ∆si ) − jsen(ωc ∆si ), obtêm-se
αa = Re{CN (0, σr2 )}cos(ωc ∆si ) − jRe{CN (0, σr2 )}(0, σr2 )}sen(ωc ∆si )
+ jIm{CN (0, σr2 )}cos(ωc ∆si ) + Im{CN (0, σr2 )}sen(ωc ∆si )
= Re{CN (0, σr2 )}cos(ωc ∆si ) + Im{CN (0, σr2 )}sen(ωc ∆si )
− j(Re{CN (0, σr2 )}sen(ωc ∆si ) − Im{CN (0, σr2 )}cos(ωc ∆si )),
αb = ρan Re{CN (0, σr2 )}cos(ωc τan ) − jρan Re{CN (0, σr2 )}sen(ωc τan )
+ j(ρan Im{CN (0, σr2 )}cos(ωc τan ) + ρan Im{CN (0, σr2 )}sen(ωc τan )
= ρan Re{CN (0, σr2 )}cos(ωc τan ) + ρan Im{CN (0, σr2 )}sen(ωc τan )
− j(ρan Re{CN (0, σr2 )}sen(ωc τan ) − ρan Im{CN (0, σr2 )}cos(ωc τan )).
αa = Re{CN (0, cos2 (ωc ∆si )2 σr2 )} + Im{CN (0, sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )}
− j(Re{CN (0, sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )} − Im{CN (0, cos2 (ωc ∆si )σr2 )}),
αb = Re{CN (0, ρ2an cos2 (ωc ∆si )2 σr2 )} + Im{CN (0, ρ2an sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )}
− j(Re{CN (0, ρ2an sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )} − Im{CN (0, ρ2an cos2 (ωc ∆si )σr2 )}),
e que N (µ1 , σ12 ) ± N (µ2 , σ22 ) = N (µ1 ± µ2 , σ12 + σ22 ) e ainda que cos2 (x) + sen2 (x) = 1 e
Re{CN (0, σ 2 )} = Im{CN (0, σ 2 )} = N (0, σ 2 ):
αb = N (0, ρ2an cos2 (ωc ∆si )2 σr2 + ρ2an sen2 (ωc ∆si )2 σr2 )
− j(N (0, ρ2an sen2 (ωc ∆si )2 σr2 + ρ2an cos2 (ωc ∆si )σr2 ))
= N (0, ρ2an σr2 ) − jN (0, ρ2an σr2 )
= CN (0, ρ2an σr2 )
Convoluindo αa e αb com o sinal circular e simétrico xsi = N (0, σx2 )+jN (0, σx2 ), obtém-se
23
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência
Prova 2. Partindo de
e dado que N (µ1 , σ12 ) ∗ N (µ2 , σ22 ) = N (µ1 + µ2 , σ12 + σ22 ), obtem-se
αa ∗ xsi = N (0, σr2 + σx2 ) + jN (0, σr2 + σx2 ) − jN (0, σr2 + σx2 ) + N (0, σr2 + σx2 )
= N (0, 2σr2 + 2σx2 ) + jN (0, 2σr2 + 2σx2 )
= CN (0, 2σr2 + 2σx2 ),
αb ∗ xsi = N (0, ρ2an σr2 + σx2 ) + jN (0, ρ2an σr2 + σx2 ) − jN (0, ρ2an σr2 + σx2 ) + N (0, ρ2an σr2 + σx2 )
= N (0, 2ρ2an σr2 + 2σx2 ) + jN (0, 2ρ2an σr2 + 2σx2 )
= CN (0, 2ρ2an σr2 + 2σx2 ).
Como CN (0, σ 2 ) = N (0, σ 2 ) + jN (0, σ 2 ) cada uma das componentes (|αa ∗ xsi | e |αb ∗
xsi |) pode ser representada por uma distribuição de Rayleigh,
p
|αa ∗ xsi | = Rayleigh( 2σr2 + 2σx2 )
p (3.9)
|αb ∗ xsi | = Rayleigh( 2ρ2an σr2 + 2σx2 ).
L
X
Pyresidualsi = Rayleigh2l (σl ), (3.11)
l=1
sendo que neste caso L = 2. No entanto, uma vez que ambas as parcelas da equação
(3.10) têm como base um mesmo canal hsi e, dado serem convoluídas pelo mesmo sinal
xsi , as mesmas estão correlacionadas.
24
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência
K
X
hsi = CN (0, σr2n ). (3.12)
n=1
K
X
CN (0, σr2n ) × (δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρann δ[iT − τann ]e−jωc τann ) ,
hresidualsi [iT ] =
n=1
(3.13)
sendo que a representação do problema da equação (3.6) pode ser vista como
K
X
hresidualsi [iT ] ∗ xsi = (αan ∗ xsi − αbn ∗ xsi ) , (3.14)
n=1
L
X
Pyresidualsi = Rayleigh2l (σl ).
l=1
Uma vez que qualquer das distribuições Rayleigh têm por base o mesmo sinal auto-
interferente (xsi ), estas são correlacionadas entre si.
hresidualsi [iT ] = CN (0, σr2n )×(δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan −
ρdig δ[iT − ∆si − τdig ]e−jωc (∆si −τdig ) + (3.15)
ρdig ρan δ[iT − τan − τdig ]e−jωc (τan −τdig ) ),
sendo que a convolução entre o canal residual e xsi pode ser representado como
25
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.1. Caracterização da Potência Residual do Cancelamento da Auto-Interferência
com
Desta forma, e seguindo o mesmo raciocínio das provas (1) e (2), obtém-se
αa = CN (0, σr2 ),
αb = CN (0, ρ2an σr2 ),
(3.17)
αc = CN (0, ρ2dig σr2 ),
αd = CN (0, ρ2an ρ2dig σr2 ),
p
|αa ∗ xsi | = Rayleigh( 2σr2 + 2σx2 ),
p
|αb ∗ xsi | = Rayleigh( 2ρ2an σr2 + 2σx2 ),
q (3.18)
|αc ∗ xsi | = Rayleigh( 2ρ2dig σr2 + 2σx2 ),
q
|αd ∗ xsi | = Rayleigh( 2ρ2dig ρ2an σr2 + 2σx2 ).
Pyresidualsi = |αa ∗ xsi |2 + |αb ∗ xsi |2 + |αc ∗ xsi |2 + |αd ∗ xsi |2 , (3.19)
L
X
Pyresidualsi = Rayleigh2l (σl ),
l=1
neste caso, com L = 4. Uma vez que todas as componentes de Pyresidualsi partilham o
mesmo canal, as L distribuições Rayleigh estão correlacionadas.
De forma análoga à generalização efectuada para um canal com K raios para o cancelador
analógico, considerando que o canal é representado obtido através de
K
X
hsi = CN (0, σr2n ).
n=1
26
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.2. Distribuição da Potência Residual
K
X
CN (0, σr2n ) ×(δ[iT − ∆si ]e−jωc ∆si − ρan δ[iT − τan ]e−jωc τan −
hresidualsi [iT ] =
n=1
De forma análoga ao método apresentado para o canal com apenas 1 raio, a convolução
entre o canal residual e o sinal auto-interferente pode ser representada como
K
X
hresidualsi ∗ xsi = (αa ∗ xsi − αb ∗ xsi − αc ∗ xsi + αd ∗ xsi ) , (3.21)
n=1
K
X
|αan ∗ xsi |2 + |αbn ∗ xsi |2 + |αcn ∗ xsi |2 + |αdn ∗ xsi |2 ,
Pyresidualsi = (3.22)
n=1
L
X
Pyresidualsi = Rayleigh2l (σl ).
l=1
Estas distribuições Rayleigh encontram-se correlacionadas uma vez que são geradas a
partir do mesmo sinal auto-interferente (xsi ).
L
X L
X
Π= Rayleigh2l (σl ) ≈ Erlangl (ml , ηl ) (3.23)
l=1 l=1
em que os parâmetros das distribuições Erlang (ml ,ηl ), podem ser obtidos através da
27
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.2. Distribuição da Potência Residual
v
u
u E((Yi − mi ηi )(Yj − mj ηj ))
em que ρi,j =t p ;
var(Yi )var(Yj )
Identificando cada distribuição Erlang como πl , a equação (3.23) pode ser vista como
Π = π1 + π2 + ... + πl , (3.25)
28
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo
29
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo
PDF Potência Residual diferentes ρan CDF Potência Residual diferentes ρan
0.08 1
Simulação ρan =1
0.07
Modelo ρan =1 0.8
0.06 Simulação ρan =0.6
Probabilidade
Probabilidade
0.05 Modelo ρan =0.6
0.6 Simulação ρ =1
an
Simulação ρan =0.2
0.04 Modelo ρan =1
Modelo ρ =0.2
0.03
an 0.4 Simulação ρan =0.6
Modelo ρ =0.6
0.02 an
0.2 Simulação ρan =0.2
0.01
Modelo ρan =0.2
0 0
0 20 40 60 80 0 20 40 60 80
Potência Residual Potência Residual
(a) (b)
Figura 3.2: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (ρan ).
CDF Potência Residual diferentes σ2 e σ2 CDF Potência Residual diferentes σ2 e σ2
r x r x
0.07 1
Simulação σ2r =1 σ2x =1
0.06
Modelo σ2r =1 σ2x =1 0.8
0.05
Simulação σ2r =2 σ2x =1 2
Simulação σr =1 σx =1
2
Probabilidade
Probabilidade
(a) (b)
Figura 3.3: Validação de fΠ para diversos valores de variância do canal (σr ) e/ou do sinal
emitido (σr ).
PDF Potência Residual diferentes τan CDF Potência Residual diferentes τan
0.07 1
Simulação τan =5e−10
0.06
Modelo τan =5e−10 0.8
0.05 Simulação τ =1.5e−09
an
Probabilidade
Probabilidade
(a) (b)
Figura 3.4: Validação de fΠ para diversos valores de estimação do tempo de propagação
do canal (τan ).
30
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo
PDF Potência Residual diferentes cenários CDF Potência Residual diferentes cenários
0.07 1
Simulação Cenário A
0.06 Modelo Cenário A
Simulação Cenário B 0.8
0.05 Modelo Cenário B
Simulação Cenário C
Probabilidade
Probabilidade
Modelo Cenário C 0.6
0.04
(a) (b)
Figura 3.5: Validação de fΠ para os cenários A, B e C.
.
• Cenário A - ρan = [0.1, 0.55, 1], τan = [0.75, 1, 1.25] ns, σx2 = σr2 = 1 e ∆si = 1 ns;
• Cenário B - ρan = [0.7, 0.85, 1], τan = [0.75, 1.1, 1.25] ns, σx2 = σr2 = 1 e ∆si = 1 ns.
31
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo
PDF Potência Residual diferentes ρan CDF Potência Residual diferentes ρan
0.025 1
Simulação ρan =[0.7 0.85 1]
Probabilidade
Modelo ρan =[0.1 0.55 1]
0.015 0.6
(a) (b)
Figura 3.6: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (ρan ).
.
PDF Potência Residual diferentes τan CDF Potência Residual diferentes τan
0.03 1
Simulação τan=[0.75 1 1.25]ns
0.025 Modelo τan=[0.75 1 1.25]ns 0.8
Simulação τan=[0 1 2]ns
0.02
Probabilidade
Probabilidade
(a) (b)
Figura 3.7: Validação de fΠ para diversos valores de estimação do tempo de propagação
do canal (τan ).
.
32
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo
PDF Potência Residual diferentes cenários CDF Potência Residual diferentes cenários
0.03 1
Simulação Cenário A
Modelo Cenário A
0.025
Simulação Cenário B 0.8
Modelo Cenário B
0.02
Probabilidade
Probabilidade
0.6
0.015
0.4
0.01
Simulação Cenário A
0.2 Modelo Cenário A
0.005
Simulação Cenário B
Modelo Cenário B
0 0
0 50 100 150 200 0 50 100 150 200
Potência Residual Potência Residual
(a) (b)
Figura 3.8: Validação de fΠ para os cenários A, B e C.
forma directa a uma melhoria ou degradação do cancelamento, uma vez que estando na
presença de sinais em instante de tempo diferente, uma melhor estimação da amplitude
(ρdig ) pode implicar uma maior potência residual, em vez de provocar uma redução da
mesma (equação (3.4)). Já relativamente ao parâmetro τdig as conclusões são semelhan-
tes, sendo possível verificar os ganhos associados à capacidade de captura de fase do
sinal auto-interferente, após cancelamento digital. Pode-se verificar a redução acentuada
da potência residual, caso τdig tome valor nulo (de notar que o caso de cancelamento
perfeito, verifica-se quando ∆si = τan , ρan = ρdig = 1 e τdig = 0).
PDF Potência Residual diferentes ρdig CDF Potência Residual diferentes ρdig
0.04 1
Simulação ρdig =1
0.035
Modelo ρdig =1 0.8
0.03 Simulação ρdig =0.6
Probabilidade
Probabilidade
(a) (b)
Figura 3.9: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (ρdig ).
Para finalizar foi efectuado o estudo de três cenários:
considerando constantes os valores ρan = 1, τan = 0.75 ns, σx2 = σr2 = 1 e ∆si = 1ns.
33
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo
Probabilidade
Modelo τdig =2e−09
0.2
0.6 Simulação τdig =0
Simulação τdig =4e−09
Modelo τdig =0
0.15 Modelo τdig =4e−09
0.4 Simulação τdig =2e−09
0.1 Modelo τdig =2e−09
0.2 Simulação τdig =4e−09
0.05
Modelo τdig =4e−09
0 0
0 50 100 0 50 100
Potência Residual Potência Residual
(a) (b)
Figura 3.10: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (τdig ).
PDF Potência Residual diferentes cenários CDF Potência Residual diferentes cenários
0.2 1
Simulação Cenário A
Modelo Cenário A
Simulação Cenário B 0.8
0.15 Modelo Cenário B
Simulação Cenário C
Probabilidade
Probabilidade
(a) (b)
Figura 3.11: Validação de fΠ para os cenários A, B e C.
O resto dos parâmetros mantêm os valores apresentados para os resultados da figura 3.11
(∆si = 1ns, τan = 0.75ns, ρan = 1, ρdig = 0.4, σx2 = σr2 = 1).
Analisando os resultados da comparação entre os canceladores, verifica-se que o can-
celamento digital prejudica o cancelamento analógico se não conseguir capturar a fase do
canal residual após o cancelamento analógico (como anteriormente referido no Capítulo
34
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo
PDF Potência Residual diferentes cenários analogico vs digital CDF Potência Residual diferentes cenários analogico vs digital
0.8 1
Simulação Cenário A
0.7 Modelo Cenário A
Simulação Cenário B 0.8
0.6 Modelo Cenário B
Simulação Cenário C
Probabilidade
Probabilidade
0.5 Modelo Cenário C 0.6
0.4
(a) (b)
Figura 3.12: Validação de fΠ para os cenários A, B e C.
2, secção 2.1). Isto deve-se ao facto do mesmo estar a acrescentar novas réplicas sobre
o efeito residual do cancelamento em instantes de tempo diferentes, as quais passam a
poluir o sinal residual em vez de o cancelarem. No entanto, o ganho proporcionado pelo
cancelamento digital quando a fase é capturada é muito significativo (cenário A), quando
comparado com o cenário C (apenas cancelamento analógico).
Procedendo à validação considerando um canal com 3 raios, considerou-se que os
parâmetros ρan = 1, τan = 0.75 ns, σx2 = σr2 = 1, ∆si = 1ns são constantes e procedeu-se
à variação dos parâmetros ρdig (figura 3.13) e τdig (figura 3.15).
PDF Potência Residual diferentes ρdig CDF Potência Residual diferentes ρdig
0.012 1
Simulação ρdig =[0.7 0.8 0.9]
0.01 Modelo ρdig =[0.7 0.8 0.9] 0.8
Simulação ρdig =[0.1 0.5 0.9]
0.008
Probabilidade
Probabilidade
(a) (b)
Figura 3.13: Validação de fΠ para diversos valores do parâmetro de estimação da ampli-
tude (ρdig ).
De forma análoga a todos os outros cenários, os efeitos com maior influência na va-
riação da potência residual na análise parcial são os que mais influenciam os resultados
totais. De notar que o simples facto da captura da fase do sinal por parte do cancelador
digital de um dos três raios do canal auto-interferente provoca uma diminuição signifi-
cativa da potência residual (figura 3.14).
Já na figura 3.15, são apresentados dois cenários em que ambos utilizam os valores
de ρdig = [0.7, 0.8, 0.9], sendo que no cenário A é utilizado τdigital = [0, 1, 2] ns e para o
35
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.3. Análise e Validação do Modelo
Probabilidade
0.01 Modelo τdig=[0 1 2]ns
0.6
0.008
(a) (b)
Figura 3.14: Validação de fΠ para diversos valores de estimação do tempo de propagação
do canal (τdig ).
PDF Potência Residual diferentes cenários CDF Potência Residual diferentes cenários
0.014 1
Simulação Cenário A
0.012 Modelo Cenário A
Simulação Cenário B 0.8
0.01 Modelo Cenário B
Probabilidade
Probabilidade
0.6
0.008
0.006
0.4
(a) (b)
Figura 3.15: Validação de fΠ para os cenários A e B.
36
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.4. Efeitos secundários do cancelamento - ruído de fase
+∞
Z
R(τ ) = S(f )e−j2πf τ df, (3.30)
−∞
0.8
0.8
0.6
0.4 0.6
R
0.2
0.4
0
0.2
−0.2
−0.4 0
0 1 2 3 4 0 10 20 30 40 50
atraso (µs) atraso (ns)
(a) (b)
Figura 3.16: Função de autocorrelação do ruído de fase em função do atraso.
Como esperado, o valor do factor de autocorrelação será quanto menor quanto maior
for o atraso. Na figura 3.16(b) podemos verificar em pormenor a autocorrelação para
atrasos reduzidos, e desta forma confirmar as conclusões apresentadas em [Sah+13] rela-
tivamente ao desempenho comparativo do transmissor pre-mixer e post-mixer. Estas con-
clusões indicam que o desempenho do pre-mixer é sempre pior do que post-mixer, uma
vez que τ − ∆si < ∆si , o que leva a que R(τ − ∆si ) > R(∆si ) e consequentemente o factor
βφ2 maior (tabela 3.1).
Seguidamente vamos estudar a influência dos diversos canceladores no parâmetro βφ2 ,
o qual está associado ao ruído de fase e têm um impacto directo sobre o sinal de interesse.
2
Desta forma, foram efectuados simulações considerando σdown 2 = 0.43 e |∆ − τ | =
= σsi si
37
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.4. Efeitos secundários do cancelamento - ruído de fase
0.25 ∗ ∆si . Para o cancelamento digital, dado a existência de duas ordens de liberdade,
a simulação associada à variação da estimação do ganho de amplitude é efectuada com
∆si constante (42ns) e para a estimação do ganho de amplitude ρan constante (1).
0.6
0.4
0.2
0
0 20 40 60 80
∆si (ns)
β2φ (ρan) − cancelamento analógico e digital β2φ (∆si) − cancelamento analógico e digital
1 pre−mixer 1
post−mixer
baseband
0.8 0.8
potencia β2
φ
potencia β2φ
0.6 0.6
0.4 0.4
pre−mixer
0.2 0.2
post−mixer
baseband
0 0
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 0 20 40 60 80
ρan ∆si (ns)
(a) (b)
38
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.5. Capacidade de Recepção
1
P L(d) = , d > 1, (3.31)
d2
0.6
potência
potência
0.8
0.6
0.4
0.4
0.2
0.2
0 0
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
distância (m) distância (m)
(a) (b)
Figura 3.19: Efeitos de propagação.
Para simular estes efeitos, a componente de desvanecimento lento será descrita atra-
vés de uma distribuição Gamma, dado que esta se aproxima à distribuição Lognormal
tipicamente utilizada para a representação deste efeito de propagação [ABK01]. A fun-
ção de densidade probabilística da distribuição Gamma é definida como
1 x
P DFSF (x, k, θ) = k
xk − 1 e − θ . (3.32)
Γ(k)θ
39
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.5. Capacidade de Recepção
0.6
0.4
0.2
0
0 2 4 6 8 10
x
x −x2 /2λ2
P DFF F (x, λ) = e , (3.33)
1
parametrizada com λ = 1. Desta forma, uma vez que Rayleigh(X,λ−1/2 ) ≈ Exp(X 2 /2,λ)
a potência associada à mesma é simulada através de uma distribuição exponencial
40
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.5. Capacidade de Recepção
Capacidade
0
10
Capacidade (bits/s/Hz)
−1
10
Base−Band
Pre−mixer
Post−mixer
−2
10
0 5 10 15
Distância (m)
41
3. M ODELO F ULL -D UPLEX 3.5. Capacidade de Recepção
42
4
Probabilidade de Recepção
Nesta secção são abordadas as características do modelo utilizado para o cálculo da pro-
babilidade de sucesso da recepção de pacotes, tendo em conta os efeitos de propagação
referidos na secção 3.5.
Desta forma, a potência total recebida pelo nó Full-Duplex é dada por
bΛ
Pr (Psignal > ). (4.3)
b+1
43
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.1. Caracterização teórica da probabilidade de recepção
Considerando b0 = b/(b + 1), a condição de recepção é dada por Psignal > b0 Λ pelo que
a probabilidade de recepção é definida como
n
X
Pt = Pk . (4.9)
k=1
De forma análoga ao procedimento efectuado para modelo sem MPR, Psignal é substi-
tuído por Pt , que passa a ser o sinal de interesse. A interferência total passa a ser dada
44
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.1. Caracterização teórica da probabilidade de recepção
Probabilidade Sucesso
1
Modelo Nó 1
Simulação Nó 1
0.8
0.6
Ps
0.4
0.2
0
5 10 15 20
Distância do Nó 1 ao receptor (m)
por
Λ = Pt + Phres + P φnoise + N0 . (4.10)
45
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção
10 m
5m
Receptor Nó 1 Nó 2 Nó 3
1-20 m
Figura 4.2: Cenário base considerado para a simulação da probabilidade de sucesso.
Probabilidade Sucesso
1
Modelo Nó 1
Simulação Nó 1
0.8 Modelo Nó 2
Simulação Nó 2
Modelo Nó 3
0.6 Simulação Nó 3
Ps
0.4
0.2
0
5 10 15 20
Distância do Nó 1 ao receptor (m)
46
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção
0.8 0.8
Probabilidade
0.6 0.6
Ps
0.4 0.4
(a) (b)
Figura 4.4: (a) Potência residual do canal auto-interferente após cancelamento. (b) Pro-
babilidade de sucesso de recepção para diferentes cenários de cancelamento da auto-
interferência.
Analisando a figura 4.4(a), podemos verificar que quanto menor for o efeito residual
do cancelamento do canal auto-interferente maior será probabilidade de sucesso de re-
cepção dos pacotes. De notar que o cenário de cancelamento perfeito será equivalente
a um cenário HD, dado que se exclui toda a componente residual do cancelamento, po-
dendo desta forma ser utilizado como comparação directa.
Não obstante, considerando o cenário FD com cancelamento analógico e digital, com
captura de fase (τdig = 0), o mais provável é o alcance da transmissão ser de poucos
metros dado que a partir de certo ponto a probabilidade de sucesso é tão diminuta que é
47
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção
sendo c uma constante, e PRk a potência recebida pelo k-éssimo transmissor numa rede
com n transmissores. Representando PE a potência emitida por cada transmissor, então
PR = PE × P L × SF × F F , sendo que P L, SF e F F são respectivamente os efeitos de
perdas de propagação, de desvanecimento lento e rápido, pelo que a equação (4.13) pode
ser escrita como
Admitindo que a potência média dos efeitos de desvanecimento rápido e lento são iguais
para cada transmissor, e que o efeito de perdas de propagação é dado por 1/dα , podemos
simplificar a solução para
PE1 PE PE
α = α2 = ... = αn = c , PEk 6 1, k ∈ [1, n]. (4.15)
d1 d2 dn
48
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção
Ps
0.4
0.4 0.3
0.2
0.2
0.1
0 0
2 4 6 8 10 12 14 2 4 6 8 10 12 14
Distância do Nó 1 ao receptor (m) Distância do Nó 1 ao receptor (m)
(a) (b)
Figura 4.5: Probabilidade de Sucesso de Recepção de Pacotes de cada transmissor às
distancias de 4, 8 e 12 metros. (a) Sem controlo de potência. (b) Com controlo de potência.
0.9 0.9
0.8 0.8
Ps
Ps
0.7 0.7
Nó 1
Nó 1 Nó 2
0.6 Nó 2 0.6 Nó 3
Nó 3 Nó 4
Nó 4 Agregado s/ controlo potência
0.5 0.5
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
Distância do Nó 1 ao receptor (m) Distância do Nó 1 ao receptor (m)
(a) (b)
Figura 4.6: Probabilidade de Sucesso de Recepção de Pacotes de cada transmissor às
distancias de 2, 3 e 4 metros. (a) Sem controlo de potência. (b) Com controlo de potência.
49
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção
provoca uma degradação do SINR dos outros terminais. À medida que o nó 1 se afasta
do receptor, a potência capturada associada à transmissão do nó 1 é menor, aumentando
o SINR dos outros nós. Este facto melhora a sua probabilidade de sucesso (o efeito é es-
pecialmente visível até ao momento em que o nó 1 atinge a distância do segundo nó mais
próximo do receptor).
Já do ponto de vista das simulações com controlo de potência (figura 4.5(b) e 4.6(b)),
podemos verificar que caso a potência recebida ao nível do receptor seja similar para to-
dos os nós, todos os nós partilham um valor similar da probabilidade de sucesso. No
entanto, ao reduzir a potência de emissão dos nós mais próximos para que os nós mais
distantes melhorem a sua capacidade de comunicação, estamos a prejudicar os nós mais
próximos. Este efeito é facilmente identificável na figura (4.5(b)). A linha a tracejado
é o valor normalizado da probabilidade agregada do cenário sem controlo de potência,
sendo que desta forma podemos perceber a deterioração do valor agregado da probabili-
dade de sucesso quando se aplica controlo de potência (idêntico aos valores individuais
uma vez que todos apresentam aproximadamente o mesmo valor). Este efeito de de-
gradação é muito menos significativo quando estamos perante um cenário com todos
os nós mais próximos do receptor, uma vez que o SINR, não depende apenas da inter-
ferência causada pelos outros nós, mas também do efeito residual do cancelamento da
auto-interferência. O efeito de redução da probabilidade de sucesso verificado no final
dos dois cenários é provocado pelo facto do nó 1 estar colocado numa posição mais dis-
tante do que qualquer outro nó no alcance do receptor. Desta forma, o nó 1 passa a ser o
nó limitativo ao nível de potência máxima de transmissão.
A principal vantagem do controlo de potência, além de garantir justiça no acesso ao
canal, reside no aumento da probabilidade de sucesso da transmissão dos nós mais dis-
tantes. Por exemplo, na figura (4.6(b)) podemos verificar que a probabilidade de sucesso
do nó 4 aumenta cerca de 10 pontos percentuais quando o nó 1 se encontra muito pró-
ximo do receptor, e que mesmo quando o nó 1 se encontra mais afastado (até passar a
ser o nó "limitativo"), apresenta resultados cerca de 3% superiores comparativamente aos
resultados da simulação sem controlo de potência. Essa diferença também pode ser veri-
ficada no cenário com os transmissores mais espalhados, mas no entanto o desempenho
do agregado é muito afectado, prejudicando o desempenho da rede.
Uma das propostas para garantir qualidade do acesso, será perceber até que distância
existem vantagens na utilização do FD relativamente ao FD em cenários em que os trans-
missores têm capacidade de transmissão multi-pacote, uma vez que em situações onde
os nós estão muito afastados do receptor, o efeito residual do cancelamento da auto-
interferência têm um efeito limitativo no desempenho.
50
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção
0.8
Probabilidade
0.6
0.4
0.2
0
0 5 10 15
Distância entre nós (m)
Considerando uma rede com n nós, um caminho pode ter no máximo h = n − 1 hops.
A probabilidade de sucesso de um percurso com múltiplos hops é dada por
h
Y h
X
P spath (dt , h) = P shop (dk ) : dk = dt (4.16)
k=1 k=1
em que P shop é a probabilidade de sucesso da transmissão entre dois nós (ver figura 4.7),
dt é a distância end-to-end, dk a distância do hop k e h o número de hops. A distância
máxima para h hops será dada por h × dmaxhop . Uma vez que existem várias combinações
de hops cujo somatório das distâncias é igual a dt , P spath será um vector de L elementos,
pelo que a probabilidade de sucesso multi-hop (P smulti−hop ) pode ser escrita como
L
1X
P smulti−hop (dt , h) = P spathk (dt , h). (4.17)
L
k=1
51
4. P ROBABILIDADE DE R ECEPÇÃO 4.2. Análise da Capacidade de Recepção
Probabilidade Sucesso
1
1 hop
2 hop
0.8 3 hop
4 hop
Psmulti−hop
0.6
0.4
0.2
0
0 5 10 15 20 25 30
Distância (m)
Figura 4.8: Probabilidade de sucesso para transmissor SPR em função da distância end-
to-end.
52
5
Protocolos de Acesso ao Meio
53
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.1. Caracterização do protocolo MAC
Receptor Autorização de
transmissão ACK de grupo
DIFS
DIFS
DIFS
SIFS
SIFS
SIFS
RTS RTS ... RTS CTS Transmissão ACK
Considerando que a fase de negociação é composta por w slots RTS e um slot CTS, e
que nmax representa o número máximo de nós que querem transmitir, cada nó irá aceder
ao slot k com uma probabilidade de acesso p. Assumindo que X e N são variáveis alea-
tórias que representam, respectivamente, o número do slot da fase de negociação e o no
de nós que acedem a um determinado slot,
pelo que a probabilidade de N nós acederem num determinado slot k é dada por uma
distribuição binomial
nmax
P (N = n; X = k) = × [Pr (X = k)]n × [1 − Pr (X = k)]nmax −n . (5.3)
n
sendo que com base na duração da fase de negociação e da fase de transmissão, é possível
estudar o desempenho (S),
RTx × Tx
S= , (5.5)
w + TCT S + Tx + TACK
apenas sendo necessário obter um valor médio para o número de pacotes que são recebi-
dos com sucesso (RTx ) quando NTx nós são autorizados a transmitir.
54
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.2. Estudo da capacidade de transmissão MPR
Er
12
b=0.02
b=0.05
b=0.1
Número médio de pacotes recebidos
10
b=0.2
b=0.33
8
0
0 10 20 30 40 50
Número de pacotes transmitidos
Figura 5.2: Relação entre o número de pacotes transmitidos e o número médio de pacotes
recebidos.
Analisando a figura 5.2, podemos verificar que quanto menor for o parâmetro b, me-
nor será a capacidade de recepção, ou seja, o número máximo de pacotes que são recebi-
dos em simultâneo é menor. Ainda podemos verificar, que a partir de um determinado
número de transmissões a capacidade de recepção diminui, prejudicando o desempenho
dos transmissores MPR.
Na figura 5.3 podemos verificar as vantagens associadas ao controlo de potência.
Comparando os resultados com a figura 5.2 conclui-se que o aumento do desempenho
é substancial, por exemplo para b = 0.05 o valor máximo de Pacotes Recebidos (Er )
55
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho
15
10
0
0 10 20 30 40 50
Número de pacotes transmitidos
Figura 5.3: Relação entre o número de pacotes transmitidos e o número médio de pacotes
recebidos (c/ controlo de potência).
pouco excedia 5, enquanto que com controlo de potência esse valor quase atinge 10.
Ainda comparando os resultados, podemos verificar que a quebra de desempenho asso-
ciado ao aumento do número de pacotes transmitidos, acontece com um menor número
de transmissões, e que é mais abrupta. Isto deve-se ao facto do controlo de potência ser
efectuado controlando a potência de emissão de todos os nós associados ao nó receptor,
por forma a que a potência do sinal recebido proveniente de cada nó pelo receptor seja
igual. Ora quando existem mais nós a transmitir do que a relação 1/b (ignorando ruído),
o desempenho diminui uma vez que o SINR torna-se menor que b. Nos resultados apre-
sentados os valores máximos são atingidos antes de 1/b uma vez que é considerado ruído
branco ao nível do transmissor.
56
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho
w = 50 e p = 1/40.
Na figura 5.5 e 5.6 podem ser visualizados os resultados das simulações e do modelo
para os três cenários apresentados.
Analisando estes resultados, podemos verificar que o aumento do desempenho do ce-
nário B relativamente ao cenário A está principalmente associado à limitação do número
de nós que acedem à fase de transmissão. Relativamente ao cenário C, podemos verifi-
car que o número máximo de nós autorizado a transmitir é menor que o valor máximo
obtido na relação Er (figura 5.2 e 5.3). Esta situação está associada ao pequeno ganho a
nível de capacidade entre a transmissão de 6 ou 8 pacotes (para b = 0.1) e ao "custo"que
o aumento do número de Slots tem sobre o débito máximo.
Já relativamente aos resultados obtidos para o débito máximo surgem duas conclusões
importantes. A primeira está associada aos resultados obtidos na figura 5.4, onde se pode
verificar que o débito máximo é obtido com valores de janela de contenção bastante infe-
riores às fixadas para os cenários A e B. Isto acontece devido ao número máximo de nós
a acederem à fase de transmissão ser relativamente baixo, não justificando o aumento da
janela de contenção (w) para valores muito superiores a 8 (para b = 0.1). A segunda está
associada ao desvio entre o valor obtido através do modelo e o valor obtido através de
57
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho
Paramêtros w e p óptimos
0
20 10
p
w
p
−2
0 10
0 10 20 30 40 50
Número de nós
Figura 5.4: Parâmetros w e p em função do número de nós que desejam transmitir, de
forma a se atingir o débito máximo da rede.
10
NTx
0
0 10 20 30 40 50
Número de nós
Figura 5.5: Número médio de pacotes recebidos em função do número de nós que trans-
mitem dos diversos Protocolos MAC.
simulação. Este desvio deve-se ao erro de interpolação do modelo, uma vez que a relação
Er é obtida para valores inteiros de pacotes transmitidos e os resultados provenientes do
modelo apresentam casas decimais. Isto exige que seja efectuada uma interpolação entre
58
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho
Desempenho
3
2.5
1.5
S
1
Simulação Cenário A
Modelo Cenário A
Simulação Cenário B
0.5
Modelo Cenário B
Simulação Cenário C
Modelo Cenário C
0
0 10 20 30 40 50
Número de nós
os dois valores da relação Er existindo um erro associado, o qual é tanto maior, quanto
maior for o número de nós que transmitem dados numa determinada ronda (equação
(5.6)).
59
5. P ROTOCOLOS DE ACESSO AO M EIO 5.3. Análise de desempenho
60
6
Conclusões
61
6. C ONCLUSÕES
analisado o desempenho das diversas topologias de cancelamento. Desta forma, foi apre-
sentado um modelo para a transmissão SPR e MPR e estudada a capacidade de transmis-
são. Foi ainda efectuada uma análise para cenários multi-hop, na qual se verificou uma
melhoria, não muito significativa, da probabilidade de recepção associada ao aumento
do número de hops.
Ao nível do controlo de acesso ao meio, foi proposto um protocolo MAC, e poste-
riormente efectuada uma análise do débito em função do número de nós associados ao
receptor, transmissão sem controlo de potência, com controlo de potência limitando o
número de nós a transmitir ao valor máximo de nós recebidos e por fim um estudo das
condições de probabilidade de acesso p e do tamanho da janela de contenção w que levam
ao débito máximo.
62
Bibliografia
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