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Processo de Enfermagem em Saúde Mental

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Departamento de Enfermagem de Saúde Mental e Gerontologia

15.º Ciclo de Estudos Conducentes ao Grau de Licenciatura em Enfermagem |

3.º Ano – 1.º Semestre

Ensino Clínico em Cuidados de Saúde Primários/ Hospitalares II

Casa de Saúde São Rafael, CSSR | Irmão Unidade Sinforiano

Ano Letivo 2024/2025

Processo de Enfermagem

Discente:

Carla Maria Pestana Duarte, nº 2022111552

Regente da Unidade Curricular:

Enfermeira Luísa Bettencourt

Supervisor Pedagógico:

Enfermeira Ana Júlia

Supervisor Clínico:

Enfermeira Cátia Veiga

Angra do Heroísmo, 28 de outubro de 2024


Processo de Enfermagem

Siglas e Acrónimos

APIR - Associação Portuguesa de Insuficiência Renal

AVC - Acidente Vascular Cerebral

AVD`s - Atividades de Vida Diárias

BAV - Bloqueio Aurículo Ventricular

CEGLE - Curso do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Licenciado em


Enfermagem

CIPE - Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem

CSSR - Casa de Saúde de São Rafael

CT - Colesterol Total

CVC - Cateter Venoso Central

CVP - Cateter Venoso Periférico

DE - Diagnóstico de Enfermagem

DECI - Dispositivos Eletrónicos Cardíacos Implantáveis

DGS - Direção Geral da Saúde

DM - Diabetes Mellitus

DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

Dx - Diagnóstico

EAS - European Atherosclerosis Society

ECG - Eletrocardiograma

EPI`S - Equipamentos de Proteção Individual

ESC - European Society of Cardiology

EU - União Europeia

FEVE - Fração de Ejeção Ventricular Esquerda

HDL - Lipoproteínas de Alta Densidade

1
Processo de Enfermagem

IACS – Infecções Associadas aos Cuidados de Saúde

IC - Insuficiência Cardíaca

IHME - Institute for Health Metrics and Evaluation

IMC - Índice de Massa Corporal

LDL - Lipoproteínas de Baixa Densidade

MRSA - Staphylococcus aureus resistente à Meticilina

OMS - Organização Mundial de Saúde

PAD - Pressão Arterial Diastólica

PAS - Pressão Arterial Sistólica

PE - Processo de Enfermagem

PII – Plano de Intervenções Individualizado

PMD - Pacemaker

PTGO - Prova de Tolerância à Glicose Oral

PUA – Perturbações do Uso de Álcool

SNG - Sonda Nasogástrica

SpO2 - Saturação Periférica de Oxigénio

TAC - Tomografia Axial Computorizada

TFG - Taxa de Filtração Glomerular

TG`s - Triglicerídeos

2
Processo de Enfermagem

Índice
0. Introdução................................................................................................ 7
1. Aplicação do Processo de Enfermagem: Anamnese/Colheita de Dados.......9
1.1 Identificação do Utente.......................................................................9
1.1 Antecedentes Pessoais.........................................................................10
1.2 Antecedentes Familiares..................................................................11
1.4 História da doença atual........................................................................11
1.5 Genograma Familiar............................................................................. 12
2. Exame Físico............................................................................................. 13
2.1 Aspeto Físico Geral do Utente................................................................13
2.2 Avaliação Antropométrica.....................................................................14
2.3 Saturação Periférica de Oxigénio...........................................................15
3. Exame do Estado Mental............................................................................ 16
3.1 Aspeto do Utente na Entrevista Inicial...................................................16
3.2 Funções Mentais................................................................................... 17
3.3 Funções Psicomotoras..........................................................................17
4. Revisão Bibliográfica do Quadro Clínico do Utente...................................18
4.1 Tabagismo....................................................................................... 18
4.2 Alcoolismo...................................................................................... 18
4.2.1 Perturbações do Uso de Álcool.....................................................19
4.3 Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica...............................................19
4.4 Insuficiência Cardíaca......................................................................22
4.5 Doença Renal Crónica.............................................................................. 24
4.6 Staphylococcus aureus resistentes à Meticilina.................................25
5. Esquema Terapêutico.............................................................................. 27
5.1 Furosemida 40 mg................................................................................. 28
5.2 Aminofilina 225 mg................................................................................ 28
5.3 Donepezilo 5 mg................................................................................... 29
5.4 Rosuvastatina 10 mg............................................................................. 29
5.5 Oxazepam 15 mg................................................................................... 30
5.6 Dopagliflozina 10mg.............................................................................. 30
5.7 Linagliptina 5 mg................................................................................... 30
5.8 Budesonida 160 µg + Formoterol 5 µg + Brometo de glicopirrónio 7.2 µg. 31
5.9 Queatipina 25mg................................................................................... 31
6. Atividades de Vida Diárias segundo Nancy Roper........................................32
7. Plano de Cuidados de Enfermagem.............................................................34

3
Processo de Enfermagem

8. Conclusão................................................................................................. 38
9. Referências Bibliográficas..........................................................................39
10. Anexos................................................................................................... 41
Anexo I – Estádios de Desenvolvimento Humano............................................41
ANEXO A – Escala de Barthel Norma Nº 054/2011 de 27/12/2011, pp. 13............42
ANEXO B – Escala De Braden – Norma Nº 017/2011 de 19/05/2011, pp. 2-4.......43
ANEXO C – Escala de Quedas De Morse – Norma Nº 008/2019 de 09/12/2019, pp.
16-17.......................................................................................................... 44

4
Processo de Enfermagem

Índice de Tabelas

5
Processo de Enfermagem

Índice de Figuras

6
Processo de Enfermagem

0. Introdução
O Ensino Clínico em Cuidados de Saúde Primários/Hospitalares II, integra-se no
plano de estudos do 15.º Curso do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de
Licenciado em Enfermagem (CECGLE), da Escola Superior de Saúde, da
Universidade dos Açores, polo de Angra do Heroísmo, no ano letivo 2024/2025. Foi
proposta a realização deste EC na Casa de Saúde São Rafael (CSSR), na Unidade
Irmão Sinforiano, no período de 14 de outubro a 17 de janeiro. Durante este decurso,
estou sob a supervisão pedagógica da enfermeira Ana Júlia e supervisão clínica da
enfermeira Cátia Veiga.

A CSSR é um Centro Assistencial da área de Psiquiatria, Saúde Mental e


Reabilitação Psicossocial, que concede um tratamento e reabilitação continua aos
clientes com recaídas, descompensações ou internamentos hospitalares resultantes
de estados clínicos agravantes. A CSSR é constituída por diversas especialidades,
desde a psiquiatria de curta, média e longa duração, psicogeriatria, unidade de
tratamento de alcoologia e derivados, e a nível residencial e ocupacional. Além disso,
dispõe de uma vasta equipa multidisciplinar que outorga um plano de intervenções
individualizado (PII) atualizado, perante as necessidades individuais de cada utente,
visando manter e/ou melhorar o autocuidado, como também a nível de reinserção
social e inserção laboral.

A Unidade Irmão Sinforiano, psicogeriatria, destina-se a pessoas com idade


superior ou igual a 65 anos, que apresentem transtornos mentais. No entanto, nesta
especialidade, também poderão ser recebidos utentes com idades inferiores a 65
anos, desde que apresentem elevado grau de deterioração intelectual, indicador de
possível demência pré-senil ou deficiência mental.

Além disso, há também outra valência associada a este serviço a Unidade S.


Ricardo Pampuri, residência de apoio máximo, destinada à prestação de cuidados de
saúde a pessoas com diagnóstico de problemas na área da saúde mental com
dependência física e deterioração cognitiva moderada e/ou elevada.

Um dos parâmetros de avaliação deste EC consta da execução de um processo


de enfermagem (PE). A elaboração do PE será baseada na teoria das Atividades de
Vida Diárias (AVD`s) de Nancy Roper, a um utente institucionalizado. A escolha desta
teórica deve-se ao paralelismo entre a teórica e as diretrizes do serviço em questão.

7
Processo de Enfermagem

O processo de enfermagem (PE) é um instrumento de base ciêntifica que sustenta


as ações de enfermagem, de forma dinâmica e contínua, e permite solucionar os
problemas e necessidades de cada utente. O PE sistematiza a avaliação, evidencia o
raciocínio, a tomada de decisão e o julgamento clínico sobre as respostas do utente
aos problemas e processos da vida. É um instrumento metodológico e imprescindível
para o planeamento e realização do plano de cuidados. Além disso, integra e organiza
as informações, facilita a comunicação entre a equipa interdisciplinar e contribui para a
qualidade do cuidado e segurança do utente (Oliveira & Peres, 2021). O processo de
enfermagem tem como finalidade promover, prevenir e reabilitar ou tratar da saúde e
bem-estar dos utentes, através de práticas baseadas em evidência. É necessário
planificar atempadamente os cuidados, garantindo cuidados mais humanizados e
individualizados, de acordo com as condições de cada utente (Almeida, 2011).

O PE está organizado em cinco etapas: colheita de dados (anamnese);


diagnóstico; planeamento; implementação e avaliação. Inicia-se pela recolha e análise
de dados. Posteriormente, são identificados os problemas e estabelecidos os
diagnósticos de enfermagem, com recurso à CIPE 2015. Com base nos diagnósticos,
são planeadas intervenções de enfermagem, que serão implementadas e
seguidamente avaliadas, quanto à sua eficácia. (Oliveira & Peres, 2021).

Este trabalho será baseado no modelo teórico das atividades de vida diárias de
Nancy Roper. Este modelo assenta em 12 atividades, que serão mencionadas ao
longo do trabalho. Esta perspetiva tem como objetivo capacitar o utente a alcançar a
máxima satisfação pessoal e independência em qualquer atividade que se encontre
comprometida (Fonseca, Coroado & Pissarro, 2017).

Com o auxílio da enfermeira Cátia, o utente J. foi escolhido para a realização deste
PE, por apresentar um quadro clínico complexo, ser um utente dependente em
algumas das atividades de vida diárias e estar disposto e interessado em falar sobre a
sua história de vida.

Este trabalho está estruturado da seguinte forma: apresentação e identificação do


utente e respetiva colheita de dados, no qual incluem informações sobre os
antecedentes pessoais e familiares, a história da doença atual e o genograma familiar.
Seguido do exame físico e mental. Posteriormente, será apresentada a
fundamentação teórica pertinente e o respetivo esquema terapêutico. Serão
abordadas as atividades vida diárias de Nancy Roper, o plano de cuidados, a
conclusão, as referências bibliográficas e, por fim, os anexos.

8
Processo de Enfermagem

O presente trabalho tem como objetivo desenvolver e aplicar um PE


fundamentado, com base no modelo teórico de Nancy Roper, envolvendo os
conhecimentos adquiridos durante este EC, de modo a obter melhores práticas de
enfermagem.

1. Aplicação do Processo de Enfermagem: Anamnese/Colheita de Dados

1.1 Identificação do Utente


O utente J.F.P.S tem 79 anos de idade e é natural da freguesia da Nossa Senhora
da Conceição, Angra do Heroísmo. É casado, mas refere que ao longo da sua história
de vida foi namoradeiro. Termina o 4º ano de escolaridade e começa no mundo do
trabalho aos 11 anos de idade. Até aos seus 55 anos, idade com que se reforma,
trabalhou como mecânico, no serviço militar, como motorista de pesados e auxiliar de
escritório de uma fábrica. Refere ainda que, consome álcool desde adolescente,
inicialmente com o seu pai, posteriormente com amigos. Refere que fumava cerca de
4 maços de tabaco diários.

Nome J.F.P.S
Idade 79 anos
Sexo Masculino
Nacionalidade Portuguesa
Naturalidade Ilha Terceira
Localidade Nossa Senhora da Conceição - Angra do
Heroísmo
Estádio de Desenvolvimento Vida Adulta Tardia (Idoso)1
Estado Civil Casado
Nível de Instrução 4º ano de escolaridade
Profissão2 Motorista
Situação de Emprego Reformado
Religião Católico
Filiação Mãe (M.A.P) ; Pai (A.N.S)
Descendência 3 filhos e 1 neta
Data de 1º Internamento 30-05-2023
1
De acordo com Papalia et. al (2013) Anexo I
2
De acordo com a Classificação Portuguesa de Profissões 2010
(CPP2010) do Instituto Nacional de Estatística, edição de 2011.

9
Processo de Enfermagem

Motivo de Internamento Alcoólico, tentativa de tratamento


Hábitos Tabágicos Fumador de 4 maços/dia
Tabela 11 – Colheita de Dados

1.1 Antecedentes Pessoais


O utente J. nasceu dia 3 de janeiro de 1945 e é natural da Ilha Terceira. A sua
infância ficou marcada com a perda do seu único irmão mais novo. Refere que
começou a trabalhar desde os seus 11 anos de idade a transportar compras até às
casas de famílias sem meios e possibilidades. Trabalhou, posteriormente, como
mecânico, aos 20 anos ingressou no serviço militar, durante 28 meses, no qual passou
pelo continente e pela Madeira, e aos 22 anos, trabalhou como motorista de pesados.
Aos 30 anos trabalhou como auxiliar num escritório de uma fábrica e reformou-se aos
seus 55 anos de idade.

O utente iniciou hábitos etílicos e tabágicos também desde muito cedo, com
família e amigos principalmente em touradas, que ao longo do tempo foram
exacerbando por começar a ganhar o seu próprio dinheiro. Refere que deixou esses
mesmos hábitos em 1996, no entanto, teve uma recaída em 2023, ano em que ficou
internado na CSSR.

O utente conta que conheceu muitas mulheres, enfatizando uma delas que
conheceu na baixa do Funchal, em 1975, na chegada de Lisboa com o seu amigo no
navio de guerra. Comunicaram-se por cartas durante alguns meses, no entanto,
passados uns anos, nunca mais obteve resposta da mesma.

Há 10 anos, o utente por odontalgia com evolução, remove os dentes por


completo. Em 2018, foi submetido a uma nefrectomia à esquerda por carcinoma do
urotélio que, de momento, é portador de rim único com doença renal crónica (DRC).
Em março de 2021, por cardiopatia e bloqueio aurículo ventricular (BAV) completo, foi
colocado Pacemaker, revisto a 16 de maio de 2023. Em janeiro de 2023 retomou
tabagismo, segundo o próprio, que em maio voltou a suspender. Nas últimas semanas
de maio de 2023, após anos sem consumir álcool, teve uma recaída. Segundo, o
processo clínico o utente em casa não cumpria o esquema terapêutico de forma
adequada, e apresentava períodos de insónia e desorientação.

No dia 1 de junho de 2023 foi internado no hospital, por alteração do estado de


consciência, polipneico e com broncoespasmo, resultando em Edema Agudo do

10
Processo de Enfermagem

Pulmão (EAP). Teve exacerbações de DPOC, acompanhadas de acessos de tosse e


dispneia ao longo do ano. Já em outubro do mesmo ano, o utente ainda deambulava
com dificuldade, no qual tempos depois, com o agravamento do seu estado clínico,
ficou de cadeira de rodas.

Atualmente é casado, tem 3 filhos e 1 neta, referindo que a sua mulher vem
visitá-lo todos os domingos e feriados e mantém contacto telefónico com os seus
filhos.

O utente tem como antecedentes pessoais, hipertensão arterial. No entanto, de


momento, apresenta-se normotenso, não sendo fulcral avaliar tensão arterial. O utente
é portador da diabetes mellitus tipo II, no entanto, como tem valores de glicémia
controlados, não se faz vigilância da mesma. O utente toma linagliptina para manter os
níveis de glicose dentro dos parâmetros normais. É portador de dislipidemia, que de
momento, está controlada pela terapêutica farmacológica, fazendo toma de
rosuvastatina ao jantar. Faz toma de Furosemida e Dapagliflozina para o tratamento
da sua insuficiência cardíaca. Além disso, tem ainda presente nos antecedentes
pessoais, microlitíase, isto é, formação de pequenos cálculos renais.

1.2 Antecedentes Familiares


Relativamente aos antecedentes familiares do utente, o seu avô como o seu pai,
tinham hábitos etílicos desde novos. O avô não foi referido com que idade faleceu,
mas o pai foi referido que faleceu aos 87 anos de idade. A mãe do senhor J. faleceu
aos 95 anos e era empregada doméstica. O irmão faleceu com 13 anos de idade com
meningite bacteriana aguda.

As pessoas significativas para o utente são a sua esposa que visita-o aos
domingos e feriados, os seus filhos e o seu neto.

1.4 História da doença atual

No dia 30 de maio de 2023, o utente foi internado, na CSSR, na alcoologia,


durante 48h, para tentativa de tratamento, pois apresentava comportamentos aditivos,
hábitos etílicos, fugia de casa para o café, no qual consumia bebidas alcoólicas e
apresentava comportamentos violentos e desadequados para com a esposa.
Posteriormente, ingressou na Unidade Ir. Sinforiano, psicogeriatria, na qual permanece

11
Processo de Enfermagem

até a atualidade, referindo que está internado na instituição, porque a mulher não tem
condições para tratar do mesmo.

O senhor J. apresenta fatores de risco a história de alcoolismo e tabagismo,


fumava cerca de 4 maços de tabaco por dia. No que concerne às patologias, tem
presente, Diabetes Mellitus tipo II, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)
(acrescentando que associado à parte respiratório o utente tem rinite alérgica, asma e
bronquite aguda) Hipertensão Arterial (HTA), Dislipidemia, Insuficiência Cardíaca e
Doença Renal Crónica (DRC), e associado à DRC o utente apresenta microlitíase.

1.5 Genograma Familiar

Figura 1- Genograma Familiar

12
Processo de Enfermagem

2. Exame Físico

2.1 Aspeto Físico Geral do Utente

Cabeça e Pescoço
Cabelo Cabelo grisalho, em reduzida quantidade. Couro cabeludo
íntegro e a cabeça simétrica e redonda.
Face É moreno e apresenta rugas por toda a face.
Olhos Tem sobrancelhas grisalhas e grossas. As pupilas são
isocóricas e foto-reativas.
Não tem prótese ocular, mas refere défice visual em estado
avançado.
Orelhas e Ouvidos As orelhas são simétricas e da mesma coloração da pele do
utente. São proporcionais, relativamente ao tamanho da
face.
Nariz e Seios Nariz simétrico à face. Narinas húmidas e coradas.
Perinasais
Boca Os lábios são finos e húmidos.
No que diz respeito à dentição, apresenta edentulismo total,
com presente dislalia dentária. Ocorre, ocasionalmente,
hiperatividade lingual ao falar. A língua encontra-se
centralizada, rosada e sem lesões. Não utiliza prótese
dentária.
Pescoço O pescoço é simétrico e da mesma cor que a pele da face.
Consegue movimentá-lo, sem apresentar queixas álgicas.
Sistema Cutâneo e Unhas
Cor Apresenta uma pele hidratada e corada, é moreno, raça
caucasiana.
Temperatura e Não apresenta sinais de hipotermia nem hipertermia, não
Humidade apresenta humidade ou qualquer tipo de viscosidade.
Textura Tem a face enrugada, ao contrário do resto do corpo.

13
Processo de Enfermagem

Turgor e O utente apresenta elasticidade e turgor normal da pele. Na


Mobilidade mobilidade, necessita de cadeira de rodas, pois apresenta
dependência total na marcha.
Lesões Pele integra e sem lesões.
Vascularização Utente com preenchimento capilar inferior a 2 segundos, sem
edema.
Tronco e Membros
Tronco Apresenta hipercifose torácica. Em relação ao tórax é
simétrico e sem deformidades.
Abdómen O utente apresenta uma ligeira distensão abdominal.
Depressível à apalpação. Apresenta cicatriz abdominal na
direção umbilical e na vertical.
Órgãos Genitais Os órgãos genitais não têm deformidades ou malformações,
no entanto, por vezes, apresenta eritema perineal. Apresenta
controlo de esfíncter vesical, no entanto, pela incapacidade e
comprometimento, na mobilidade, possui fralda.
Ânus Sem alterações. Tem controlo do esfíncter anal.
Membros Os membros superiores e inferiores são simétricos, de
superiores e dimensões proporcionais ao corpo. Tem uma anatomia
membros normal dos dedos das mãos e dos pés, ambas com um
inferiores comprimento médio, com espessura média, limpas sem
micoses. Sem pilosidade.
Capacidade Motora O utente não consegue-se movimentar com a cadeira de
rodas. Tem a marcha comprometida.
Tabela 12 – Aspeto físico geral do utente J.F.P.S

2.2 Avaliação Antropométrica

Peso (Kg) Altura Índice de Massa Perímetro


Corporal (IMC) Abdominal
1,78cm
Tabela 13 – Parâmetros antropométricos avaliados

Classificação IMC
Pré-Obesidade 25.0 – 29.9
Obesidade Classe I 30.0 – 34.9
Obesidade Classe II 35.0 – 39.9

14
Processo de Enfermagem

Obesidade Classe III ≥ 40.0


Tabela 14 – Classificação do IMC (DGS, 2005)

2.3 Saturação Periférica de Oxigénio

15
Processo de Enfermagem

3. Exame do Estado Mental

3.1 Aspeto do Utente na Entrevista Inicial

Vestuário e Asseio A indumentária é preparada pelos colaboradores da


instituição. O utente refere não interferir na escolha da
mesma. É adequada à estação do ano. O utente apresenta-
se com aspeto cuidado e limpo.
Higiene Pessoal Relativamente aos cuidados de higiene, são realizados
diariamente no WC, com auxílio de um profissional.
Posição / Postura O utente, por vezes, na cadeira de rodas apresenta uma
postura incorreta, hipercifose torácica. A marcha está
comprometida. Realiza transferências com ajuda, da cadeira
de rodas para o leito e vice-versa. O senhor J. permanece na
cadeira de rodas durante o dia no salão com os restantes
utentes a ver televisão.
Idade Aparente O utente J. tem 79 anos e em geral aparenta corresponder à
idade cronológica.
Expressão Facial O utente revela alta expressividade, desde as expressões
faciais, gestos e o tom de voz. Manifestando a sua opinião,
sempre que necessário, demonstrando claramente as usas
emoções.
Contacto Visual Mantém contacto visual durante um diálogo.
Atividade O utente revela tique quando comunica, relativamente à sua
Psicomotora e boca, mas é de salientar que o mesmo apresenta
Comportamento edentulismo. Na entrevista realizada no gabinete médico
mostrou-se colaborativo e entusiasmado em falar comigo
sobre a sua história.
Atitude face ao O senhor J. é cooperativo e comunicativo. Manteve-se
Examinador disponível para eventuais dúvidas para o desenvolvimento
do meu PE.
Comunicação com Comunica de forma detalhada, alongada com todo o
o Examinador pormenor. Por vezes, vagueava no seu discurso,
respondendo à pergunta principal e um pouco mais do

16
Processo de Enfermagem

necessário. Respondeu com clareza a todas as minhas


questões, sem problema de falar sobre nenhum assunto.
Sentimentos Durante a entrevista, o utente transmitiu sentimentos de
Despertados saudade, dos momentos e histórias de amor calorosas que
teve no passado.
Mas também expressou tristeza, devido à perda de um irmão
de 13 anos.
Tabela 15 – Aspeto do Utente na Entrevista Geral

3.2 Funções Mentais

Consciência Apresentou um discurso consciente, sem sinais de confusão.


Atenção Durante a entrevista como também durante o seu dia,
apresenta-se em estado de vigília.
Sensoperceção Não apresentou alterações da perceção.
Orientação Orientado no tempo e no espaço.
Memória Lembra-se do seu passado, o ano em que foi, dos detalhes,
desde a sua infância até ao momento atual.
Afetividade e Apresenta um humor positivo e por vezes sexista.
Humor
Pensamento O utente apresenta um pensamento assertivo, está
consciente do seu motivo de internamento e assume que a
sua esposa não tinha condições para cuidar do mesmo
sozinha.
Conduta O utente respeita os demais restantes utentes da instituição.
É amigável e comunicativo com toda a equipa
multidisciplinar.
Juízo crítico Nas decisões e ações o senhor J. demonstra ter presente
juízo crítico perante elas.
Linguagem O utente mostra uma linguagem clara e explícita.
Tabela 16 – Funções mentais

3.3 Funções Psicomotoras

Sono Não apresenta períodos de sonolência diurnos. Por vezes,


quando já deitado na cama, tem um período de delírio
referindo a “Maria”, que não é a atual esposa do mesmo.
Porém, pelo resto da noite tem um padrão de sono com
qualidade, dormindo cerca de 7 a 8 horas.

17
Processo de Enfermagem

Apetite O utente ingere todas as refeições do serviço, por vezes


completas ou meias, dependendo da ementa.
Sexualidade O utente considera-se totalmente heterossexual,
namoradeiro, atualmente é casado e tem 3 filhos.
Tabela 17 – Funções Psicomotoras

4. Revisão Bibliográfica do Quadro Clínico do Utente


Este capítulo trata por abordar e aprofundar as patologias associadas ao utente e
os cuidados e intervenções necessárias para aplicar ao mesmo.

4.1 Tabagismo

O consumo de tabaco é um dos principais problemas globais de saúde pública,


contribuindo para a pobreza, desigualdades sociais e poluição do meio ambiente. O
início do consumo desta substância começa desde muito cedo, levando a que mais de
um terço dos jovens fume ao longo das suas vidas. Fumar contribui para diversas
complicações tais como: cancro, doenças respiratórias crónicas, diabetes mellitus tipo
II, doenças cérebro-cardiovasculares e diminuição de fertilidade.

Segundo o Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), em 2017, morreram
mais 13 000 pessoas, só em Portugal, por doenças relacionadas ao tabaco (IHME,
2018, cit in Serviço Nacional de Saúde, 2019).

“A Região Autónoma dos Açores evidenciou a prevalência de consumo mais


elevada: 27,1% de fumadores de ambos os sexos com 15 ou mais anos: 39,4%
homens e 15,4% mulheres, comparativamente às outras regiões e de Portugal
Continental” (Instituto Nacional de Estatística IP, 2016, cit in Serviço Nacional de
Saúde, 2019).

Relação com o utente: O utente fumava cerca de 4 maços de cigarros por dia. Ao
longo do internamento apresentou algumas recaídas. No entanto, de momento, não
fuma.

4.2 Alcoolismo

O consumo de álcool é um dos maiores problemas de saúde pública e Portugal


continua a ser um dos países com um elevado consumo de bebidas alcoólicas,
nomeadamente por parte de jovens. Verifica-se também que as bebidas alcoólicas são

18
Processo de Enfermagem

elemento de socialização incentivado e promovido culturalmente e socialmente.


Existem diversas complicações relacionadas ao consumo excessivo de álcool, desde
a: cirrose, malnutrição ou cancro. Sem abordar as diversas manifestações
habitualmente associadas tais como: violência, maus-tratos, pobreza, sinistralidade
rodoviária, desemprego, entre outros (Lagarto M., 2021).

“Os portugueses bebem com maior frequência à refeição (50% pelo menos
semanalmente e 25% destes, quase diariamente) e com familiares (44% pelo menos
semanalmente e um pouco mais de um terço destes, quase diariamente), sendo estas
formas predominantes de beber, não igualadas, nem ultrapassadas por outros países”
(SICAD, 2019, cit in Lagarto M., 2021).

Relação com o utente: O utente tinha hábitos etílicos e comportamentos agressivos e


desadequados para com a esposa. Foi internado por esse mesmo motivo. O utente
refere que na sua família, o seu pai e o seu avô também consumiam bebidas
alcoólicas em grande quantidade. De momento, não ingere bebidas alcoólicas.

4.2.1 Perturbações do Uso de Álcool

As perturbações do uso de álcool (PUA) são um problema de saúde pública que


tem vindo a crescer mundialmente, nomeadamente na população geriátrica. Em
Portugal, os indivíduos com 60 ou mais anos de idade, tem maior probabilidade de
consumir diariamente álcool, comparativamente às restantes faixas etárias (Nogueira
et. al, 2021).

Existem evidências que possa haver fatores genético influenciados às pessoas


com hábitos etílicos, como também fatores associados à natureza social, ambiental e
psicológica, desde a solidão, estilos de vida, queixas álgicas, prolongando-se da vida
adulta, através de episódios recorrentes, à vida geriátrica (Nogueira et. al, 2021).

Este estilo de vida acarreta diversas consequências e riscos para a saúde, desde
um crescente número de internamentos e comorbilidades associadas, como também,
alterações a nível fisiológico, desde demências, exacerbações de DPOC, neoplasias,
entre outros. Abrange desde a menor quantidade de água consumida pelos idosos à
maior concentração de álcool absorvida, assim como as consequentes interações de
fármacos com esses consumos. Existem instrumentos devidamente validados para o
diagnostico de PUA na população geriátrica. Assim conclui-se que quanto mais velha
a faixa etária maior se torna a vulnerabilidade da pessoa aos efeitos do álcool
(Nogueira et. al, 2021).

19
Processo de Enfermagem

4.3 Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

A DPOC é uma doença crônica que compromete o sistema respiratório de forma


progressiva. Inicia-se pela obstrução do fluxo aéreo, associada a uma resposta
inflamatória pulmonar anormal, em consequência da inalação de gases e partículas
nocivas que, por oxidação, provocam alterações do epitélio e das pequenas vias
aéreas. Subsequentemente, há destruição dos tecidos parenquimatosos, alterações
alveolares, das vias aéreas e dos mecanismos de defesa do organismo (Ferreira et al.,
2021). Quanto maior é a resistência das vias aéreas maior é o comprometimento da
expiração, promovendo a hiperinsuflação pulmonar e diminuindo a capacidade
inspiratória. (Global Initiative for Chronic Obstructive Pulmonary Disease, 2015, cit in
Guia Orientador de Boa Prática: Reabilitação Respiratória (Vol. 10), Ordem dos
Enfermeiros) Esta doença é tratável e prevenível, no entanto, assume-se que poderá
manifestar-se a nível sistémico (Ferreira et al., 2021).

A DPOC resulta de uma complexidade de fatores. Os fatores ambientais, no qual


existe uma “exposição acumulativa e prolongada de gases e partículas nocivas, tais
como o fumo do tabaco, poluição resultante da combustão em ambientes fechados e
poluição atmosférica”. No que concerne aos fatores individuais, incluem-se “fatores
genéticos, envelhecimento, asma e hiper-reactividade das vias aéreas,
desenvolvimento comprometido ou historial de infecções respiratórias durante a
infância” (Ferreira et al., 2021).

Os sintomas mais comuns da DPOC englobam a tosse, dispneia, expectoração e


fadiga.

A tosse é sintoma base desta patologia, que no início pode ser intermitente e
normalmente matinal, mas que progressivamente vai-se tornando presente ao longo
do dia (Ferreira et al., 2021).

A dispneia, é nomeadamente evidenciada pelos mínimos esforços ou mesmo em


repouso, frequentemente progressiva e torna-se persistente com a evolução da
doença (Ferreira et al., 2021).

A expectoração, normalmente é viscosa e com espeto mucoide, caso ocorra


alteração na cor ou volume da mesma pode ser indicador de exacerbação da DPOC
(Ferreira et al., 2021).

20
Processo de Enfermagem

A fadiga, está presente nomeadamente na população idosa, contribuindo em


alterações a nível muscular, perturbações do sono como também alimentares (Ferreira
et al., 2021).

O diagnóstico é realizado a pessoas com idade superior a 40 anos, sintomáticas e


com exposição aos fatores de risco, referidos anteriormente. É realizado uma
espirometria como prova de broncodilatação, para além da anamnese e do exame
físico. Para exclusão de outro diagnóstico alternativo, é realizado raio-X tórax ou
tomografia computorizada (Ferreira et al., 2021). Além disso, deve ainda ser aferido o
estado de oxigenação no sangue, através de uma gasometria, para identificar possível
hipoxemia (Ribeiro, 2012).

As pessoas com DPOC devem ser seguidas clinicamente de seis em seis meses.
O plano terapêutico inicial, passa pela cessão tabágica, prática de exercício físico,
hábitos de vida saudáveis, autogestão da doença, adesão à terapêutica e técnicas
inalatórias, controlo de comorbilidades, vacinação antigripal e antipneumocócica e
avaliação da necessidade de reabilitação respiratória, como por exemplo,
oxigenoterapia. Os benefícios destas intervenções vão para além da melhoria da
condição física e psicológica como também da adoção de comportamentos saudáveis
a longo prazo (Ferreira et al., 2021).

No que se refere ao tratamento farmacológico é de eleição a terapêutica


farmacológica inalada, os broncodilatadores, que são considerados primeira linha na
terapêutica da DPOC, reduzindo a obstrução do fluxo aéreo, por relaxamento do
musculo das vias aéreas, diminuindo, consequentemente, o nível de agudizações. A
terapêutica deve ser iniciada primeiramente com broncodilatadores de curta duração,
e se, houver necessidade, seguir até aos broncodilatadores de longa duração,
individuais ou em associação. Tem-se os β2-agonistas de curta duração e ação
(SABA), associados ou não a anticolinérgicos de curta duração e ação (SAMA). Por
sua vez, os anticolinérgicos de longa duração e ação (LAMA), reduzem o número de
agudizações comparativamente aos agonistas β2 de longa duração (LABA). E a
terapêutica tripla (LAMA/LABA/ICS), atua tanto a nível dos sintomas como de
possíveis agudizações (Ferreira et al., 2021).

No entanto, no início da terapêutica farmacológica é necessário realizar uma


avaliação individual dos sintomas e risco de agudização do utente. Posteriormente, à
implementação da terapêutica é necessário reavaliar, de modo a garantir que os
objetivos do tratamento foram alcançados. Caso assim sejam, deve-se manter o

21
Processo de Enfermagem

tratamento, caso contrário, deve ser realizado um ajuste terapêutico, seja com
intensificação, redução ou substituição. (Ferreira et al., 2021).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a Doença Pulmonar Obstrutiva


Crônica (DPOC) poderá ser a 3ª causa de morte em 2030. Atualmente, é das
principais causas de morbilidade e mortalidade no mundo, particularmente em
indivíduos do sexo masculino e na faixa etária com maior ou igual a 60 anos (Ferreira
et al., 2021). De acordo com o relatório da OCDE (2021) sobre o estado da saúde dos
países da União Europeia (EU), em Portugal, em 2020, a DPOC causou 3054 mortes,
correspondendo a 2,7% da mortalidade desse mesmo ano em Portugal (Alves &
Ferreira, 2022).

De acordo com o Roteiro de cuidados na DPOC (2023), estima-se que 86 a 98%


das pessoas com DPOC tem, pelo menos, uma doença crônica associada. O
aprofundamento e conhecimento destas doenças pode contribuir para a diminuição do
seu impacto e das complicações associadas ao nível do diagnóstico, terapêutica e
prognóstico.

4.3.1 Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica Avançada

A DPOC avançada é dita como uma doença progressiva e terminal. Caracteriza-se


pela inadequada oxigenação do sangue e/ou descarboxilação por parte dos pulmões,
levando a cabo um acrescido trabalho respiratório e energético, potencializando o
desequilíbrio metabólico. Quando já não há capacidade de manter uma ventilação
alveolar para eliminar o dióxido de carbono pode surgir hipercapnia e acidose
respiratória. A oxigenoterapia e ventilação mecânica são as principais terapêuticas que
apresentam benefícios ao nível de oxigenação do sangue, tecidos e células. (Agustí et
al., 2023).

Relação com o utente: O utente tem comorbilidades associadas ao diagnostico da


DPOC que, podem trazer desvantagens a nível do tratamento e do prognostico, desde
insuficiência cardíaca, diabetes, dislipidemia e doença renal crónica. O senhor J. faz
duas inalações de Budesonida 160 µg + Formoterol 5 µg + Brometo de glicopirrónio
7.2 µg ao pequeno-almoço e jantar (12/12h). Este inalador insere-se no tratamento
triplo e está indicado para pessoas com DPOC moderada a grave. A Budesonida é um
corticoide ajuda a diminuir a inflamação das vias aéreas e exorbitações. O Formoterol
é um beta-agonista de longa duração (LABA) que proporciona alívio de sintomas como
a dispneia. O Brometo de Glicopirrónio é anticolinérgico de longa ação (LAMA)

22
Processo de Enfermagem

melhorando a ventilação e diminuindo a hiperinsuflação. No dia 1 de junho de 2023 foi


internado no hospital por alteração do estado de consciência, sinais de dificuldade
respiratória e acidémia respiratória por etiologia mista: respiratória, cardíaca, renal,
iatrogénica, resultando em Edema Agudo do Pulmão (EAP).

4.4 Insuficiência Cardíaca


A insuficiência cardíaca (IC) é um problema de saúde pública que remete para
mais de 23 milhões de pessoas no mundo e a sua prevalência e incidência aumentam
à medida que a idade avança. Devido ao contínuo envelhecimento da população,
estima-se que a prevalência geral de IC, em Portugal, deverá triplicar até 2060 (Mota
T., 2024).

Segundo a European Society of Cardiology (ESC), a insuficiência cardíaca (IC) é


uma síndrome, decorrente de uma alteração cardíaca estrutural ou funcional,
resultando no aumento de pressões intracardíacas e/ou diminuição do débito cardíaco,
quer seja durante algum esforço ou em repouso e são responsáveis pela inadequada
perfusão tecidual. Os sintomas mais típicos incluem a dispneia paroxística noturna,
edema maleolar e fadiga, podendo ser acompanhados de sinais como a elevação da
pressão venosa jugular, crepitações pulmonares e edema periférico (Sociedade
Europeia de Cardiologia, Recomendações – Insuficiência Cardíaca, 2021). Estes
sintomas devem ser avaliados todas as consultas, de modo a monitorizar a resposta
do utente ao tratamento. Normalmente, a IC inicia-se com disfunção sistólica do
ventrículo esquerdo, sendo a doença das artérias coronárias, a estenose aórtica e a
hipertensão sistémica, as três causas mais comuns de diminuição da contratilidade do
ventrículo esquerdo (Homem et. al, 2023).

A avaliação inicial é de extrema importancia para identificar possíveis etiologias,


caracterizar o estadio da doença, facilitar a escolha terapêutica, juntamente com o
utente e determinar o prognóstico. A história clínica, o exame físico e
eletrocardiograma (ECG), são essências para realizar o diagnóstico de IC (Freitas &
Cirino, 2017)

De acordo com o American College of Cardiology (ACC) e a American Heart


Association (AHA), a insuficiência cardíaca classifica-se em quatro estágios. No
estágio A, incluem-se utentes sem doença cardíaca ou sintomas cardíacos, mas com
elevado risco de desenvolvimento. O estágio B inclui utentes com alterações cardíacas
mas assintomáticos. O estágio C inclui alterações cardíacas e sintomatologia. Por

23
Processo de Enfermagem

último, o estágio D, inclui utentes que não respondem adequadamente ao tratamento e


necessitam de intervenção especial (Freitas & Cirino, 2017).

Segundo a New York Heart Association (NYHA), os utentes dividem-se em: CF I


destinada a utentes assintomáticos durante atividades quotidianas; CF II, utentes com
sintomas desencadeados por atividades quotidianas; CF III, inclui utentes com
sintomas provocados por pequenos esforços; e CF IV, desencadeada por sintomas
aos mínimos esforços ou até mesmo em repouso. (Freitas & Cirino, 2017).

A fração de ejeção do ventrículo-esquerdo (FEVE) é critério de eleição para


classificar a IC. Esta divide-se em: IC com fração de ejeção preservada, IC com fração
de ejeção reduzida; IC com fração de ejeção ligeiramente reduzida; e IC com fração
de ejeção melhorada (Homem et. al, 2023).

Existem diversos fatores de risco, relativamente à IC, dos quais, incluem: diabetes,
tabagismo, consumo excessivo de álcool, infeções virais. (Freitas & Cirino, 2017).

A IC diagnostica-se através da identificação da causa subjacente, que


normalmente é uma doença do miocárdio, causa da disfunção ventricular sistólica. Os
distúrbios do ritmo cardíaco, a patologia do pericárdio e endocárdio também podem
contribuir para a IC (Homem et. al, 2023). Para um correto diagnóstico é necessário ter
em conta uma história médica completa e um exame físico minucioso de modo a
responder de forma eficaz à etiologia e aos possíveis fatores de exacerbação de IC
(Freitas & Cirino, 2017).

O tratamento é realizado através da terapêutica farmacológica, controlando os


sintomas, pela colocação de dispositivos eletrónicos cardíacos implantáveis (DECI),
assistência ventricular esquerda portátil ou transplante cardíaco. Se não for tratada
rápida e eficazmente, pode levar à morte (Homem et. al, 2023).

Assim, o enfermeiro tem um papel preponderante na orientação das pessoas


sobre a utilização da terapêutica e manutenção do regime, o número de doses diárias,
influenciando a adesão ao tratamento. Os indivíduos diagnosticados com IC devem
incorporar práticas de autocuidado, incluindo as atividades de vida diárias.

4.5 Doença Renal Crónica


A doença renal crônica é definida pela perda gradual da função renal. A DRC está
classificada em fases iniciais (estádios 1-2), fases intermédias (estádios 3-4), e fase
avançada ou doença renal terminal (estádio 5). Nas fases iniciais, normalmente as

24
Processo de Enfermagem

pessoas estão assintomáticas, porém têm maior risco de desidratação e sensibilização


aos medicamentos. O risco para doenças cardiovasculares também aumenta
progressivamente. A identificação da DRC é frequente nas fases intermédias, por
apresentar um aumento nos níveis de ureia e creatinina na corrente sanguínea. No
decorrer da degradação da função renal a tensão arterial tendencialmente aumenta,
devido à dificuldade acrescida por parte dos rins para excretar sódio e água. Já na
fase avançada poderá ocorrer modificações na quantidade de urina excretada. O
número de proteínas e os níveis de creatinina e potássio aumentam, resultando em
complicações como anemia ou até mesmo a morte, sendo necessário, um transplante
renal (Associação Portuguesa de Insuficiência Renal (APIR), 2019).

Esta patologia é silenciosa, no qual os sintomas, por vezes só começam a suceder


após 90% da perda funcional do rim. Os sintomas incluem: hipertensão arterial,
alterações a nível do volume e número de micções, alterações no aspeto da urina,
hematúria, membros inferiores edemaciados, lombalgia, náuseas e vómitos, entre
outros (Associação Portuguesa de Insuficiência Renal (APIR), 2019).

O diagnóstico da doença renal crónica é estabelecido quando a taxa de filtração


glomerular (TFG) é menor a 60ml/min/1,73m² ou quando existe indício de lesão renal,
durante um período superior a três meses, independentemente do valor da TFG. A
taxa de filtração glomerular permite identificar qual o estádio da doença renal.
Ecografia ou Tomografia Axial Computorizada (TAC) permite identificar possíveis
cálculos renais ou neoplasias, como também pode ser realizado uma biopsia renal, no
qual, é retirado um pouco de tecido renal e seguido para análise (Associação
Portuguesa de Insuficiência Renal (APIR), 2019).

Relação com o utente: O utente é portador de rim único com doença renal crónica.
Foi operado dia 6 de março de 2018 de nefrectomia esquerda por carcinoma do
urotélio sem controlo por urologia desde 2020.

4.6 Staphylococcus aureus resistentes à Meticilina


O Staphylococcus aureus é um microrganismo patogénico para o ser humano, ou
mais patogénico como, Staphylococcus aureus resistente à Meticilina (MRSA), agente
disseminador de infeções associadas aos cuidados de saúde. Devido ao seu elevado
fator de virulência. S. aureus, é responsável pela colonização entre 25% a 33% da
população saudável e faz parte de um grupo de microorganismos ESKAPE
(Enterococcus faecium, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter

25
Processo de Enfermagem

baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacter). Segundo EARSS (2011),


Portugal foi o País Europeu com maior proporção de MRSA (referente somente a
isolados no sangue e líquor), atingindo os 55% em 2011. Esta bactéria tem a
capacidade de prevalecer em objetos e no ambiente durante dias a meses, sendo um
importante reservatório de bactérias (Rodrigues & Coelho, 2020).

S. aureus tem características especificas devido à sua capacidade de resistência a


antibióticos, quando em 1940, pela primeira vez, emergiu o S. aureus resistente à
penicilina. Posteriormente, para combater a esta resistência foram fabricadas outras
derivadas, novas penicilinas semissintéticas. No entanto, em 1961, foi relatado, no
reino unido, a resistência pela MRSA. Atualmente, o MRSA encontra-se disseminado
um pouco por todo o mundo, correspondendo ao principal agente causador de
infecções associadas aos cuidados de saúde (IACS) (Rodrigues & Coelho, 2020).

Os profissionais de saúde, nomeadamente os enfermeiros, como pessoas


presentes na área de interação entre serviços de saúde e a comunidade, são
potenciais vetores na transmissão cruzada e proliferação de MRSA (Rodrigues &
Coelho, 2020).

Os fatores de risco para a transmissão de MRSA incluem, principalmente, más


práticas de higienização das mãos e de utilização de equipamentos de proteção
individual (EPI`s), bem como lesões abertas na pele, principal porta para entrada de
microrganismos. Atualmente, tem se verificado que as infeções causadas na
comunidade por MRSA, não provem de qualquer contacto prévio com os serviços de
saúde, isto por serem estirpes geneticamente diferentes das infeções hospitalares
(Rodrigues & Coelho, 2020).

Relação com o utente: Dia 3 de outubro de 2024, utente com urocultura positiva
para Staphylococcus aureus resistente a flucloxacilina, benzilpenicilina e gentamicina,
sensivel á vancomicina e trimetriprim/Sulfametoxazol, MRSA. Iniciou
trimetriprim/Sulfametoxazol 12/12h durante 7 dias (sendo eficaz) e cumpriu isolamento
por contacto, sendo adotados EPI adequados, durante a prestação de cuidados.

26
Processo de Enfermagem

5. Esquema Terapêutico

Terapêutica Forma Via de Dosagem Hora de


Administraçã Administração
o
Furosemida Comprimido Oral 0.5 Jejum (08:00)
40mg comprimido
Aminofilina Comprimido 1 comprimido Pequeno-
225mg de Libertação Oral almoço e
Prolongada Jantar (12/12h)
Donepezilo Comprimido Oral 1 comprimido Jantar (18:00)
5mg
Rosuvastatina Comprimido Oral 2 comprimidos Jantar (18:00)
10mg
Oxazepam Comprimido Oral 1 comprimido Jantar (18:00)
15mg
Dopaglifozina Comprimido Oral 1 comprimido Almoço (12:00)
3
10mg

3
Medicamento sem código no Hospital – Oriundo do Domicílio

27
Processo de Enfermagem

Linagliptina Comprimido Oral 1 comprimido Pequeno-


5mg4 almoço (09:00)
Budesonida
160 µg +
Formoterol 5 Solução Pequeno-
µg + Brometo Inalatória Inalatória 2 inalações almoço e
de Jantar (12/12h)
glicopirrónio
7.2 µg5
Queatiapina Comprimido Oral 1 comprimido SOS
6
25mg
Tabela 1 – Esquema terapêutico

5.1 Furosemida 40 mg

Substância Ativa Furosemida 40 mg


Grupo Farmacológico Diurético de Ansa
Indicações Este fármaco está indicado para o
tratamento de edemas (retenção de
líquidos) associados à insuficiência
cardíaca, cirrose e doença renal. Tem
também indicação terapêutica para o
tratamento de hipertensão ligeira a
moderada.
Reações Adversas Reações alérgicas graves, choque
anafilático, nefrite, formação de coágulos
sanguíneos, vasculite, fraqueza
muscular, vómitos.
Relação com o utente: O utente é portador de insuficiência
cardíaca.
Tabela 2 – Terapêutica: Furosemida 40mg

4
Medicamento sem código no Hospital – Oriundo do Domicílio
5
Medicamento sem código no Hospital – Oriundo do Domicílio
6
Obs: Se agitação/inquietação

28
Processo de Enfermagem

5.2 Aminofilina 225 mg

Substância Ativa Aminofilina 225 mg


Grupo Farmacológico Xantinas
Indicações É indicado no alívio dos sintomas da
asa, obstrução das vias respiratórias,
broncoespasmo reversível associado a
DPOC. Previne crises de asma e
obstrução reversível das vias áreas.
Reações Adversas Náuseas, Cefaleias, taquicardia,
palpitações, arritmia ventricular,
tremores, convulsões.
Relação com o utente: Utente com diagnóstico de DPOC.
Tabela 3 – Terapêutica: Aminofilina 225 mg

5.3 Donepezilo 5 mg

Substância Ativa Donepezilo 5 mg


Grupo Farmacológico Medicamentos utilizados no tratamento
sintomático das alterações das funções
cognitivas
Indicações Este fármaco está indicado para utentes
sintomáticos da doença de Alzheimer
ligeira a moderadamente grave.
Sintomas de perda de memória,
confusão e alterações de
comportamento.
Reações Adversas Diarreia, Náuseas, Cefaleias, perda de
apetite, hepatite.
Relação com o utente O utente por vezes apresenta alterações
a nível do discurso.
Tabela 4 – Donepezilo 5 mg

29
Processo de Enfermagem

5.4 Rosuvastatina 10 mg

Substância Ativa Rosuvastatina 10 mg


Grupo Farmacológico Antidislipidémico
Indicações Tem indicação para o controlo dos níveis
anómalos de lípidos no plasma,
hipercolesterolemia, prevenindo doenças
cardiovasculares, com adjuvante da
dieta e de outros tratamentos não
farmacológicos não serem eficazes.
Reações Adversas Cefaleias, tonturas, obstipação,
náuseas, dor abdominal, mialgia,
astenia.
Relação com o utente O utente possui dislipidemia como Dx
nos seus antecedentes pessoais.
Tabela 5 - Rosuvastatina 10 mg

5.5 Oxazepam 15 mg

Substância Ativa Oxazepam 15 mg


Grupo Farmacológico Ansiolíticos, sedativos e hipnóticos
Indicações Este fármaco está indicado para o
tratamento e alívio da ansiedade,
tensão, agitação e irritabilidade, como
também dos sintomas da síndrome da
abstinência alcoólica.
Reações Adversas Depressão, ataxia, confusão, tonturas,
miastenia, astenia.
Relação com o utente O utente teve hábitos etílicos
frequentemente.
Tabela 6 – Oxazepam 15 mg

5.6 Dopagliflozina 10mg

Substância Ativa Dopaglifozina 10mg

30
Processo de Enfermagem

Grupo Farmacológico
Indicações Indicado para o tratamento de doentes
adultos com insuficiência cardíaca
Reações Adversas
Relação com o utente
Tabela 7 - Dopagliflozina 10mg

5.7 Linagliptina 5 mg

Substância Ativa Linagliptina 5 mg


Grupo Farmacológico Antidiabético
Indicações Este fármaco é usado para utentes com
diabetes mellitus tipo II, como adjuvante
da dieta e do exercício para melhorar o
controlo da glicemia.
Reações Adversas Hipoglicemia
Relação com o utente O utente é portador de DM2, apesar de
ter níveis de glicose dentro dos valores
normais, não tendo necessidade de
vigilâncias.
Tabela 8 - Linagliptina 5 mg

5.8 Budesonida 160 µg + Formoterol 5 µg + Brometo de glicopirrónio 7.2 µg

Substância Ativa Budesonida 160 µg + Formoterol 5 µg +


Brometo de glicopirrónio 7.2 µg
Grupo Farmacológico Antiasmáticos e broncodilatadores
Indicações É indicado para o tratamento de
manutenção em doentes adultos com
DPOC moderada a grave.
Reações Adversas Candidíase Oral, cefaleias, pneumonia,
hiperglicemia, ansiedade, insónia,
palpitações, tosse, disfonia, náuseas,
espasmos musculares, infeção do trato
urinário.
Relação com o utente O utente é diagnosticado com DPOC.
Tabela 9 - Budesonida 160 µg + Formoterol 5 µg + Brometo de glicopirrónio 7.2 µg

5.9 Queatipina 25mg

Substância Ativa Quetiapina 25mg

31
Processo de Enfermagem

Grupo Farmacológico Antipsicótico


Indicações Este fármaco está indicado para o
tratamento da esquizofrenia, da
perturbação bipolar ou recorrências de
episódios depressivos e para o
tratamento de episódios maníacos a
graves na perturbação bipolar.
Reações Adversas Hemoglobina diminuída, tonturas,
sonolência, cefaleias, sintomas
extrapiramidais, xerostomia.
Relação com o utente O utente por vezes apresenta, por vezes
delírios noturnos “Maria, meu amor”,
porém depois tem um sono tranquilo e
reparador.
Tabela 10 - Queatipina 25mg

6. Atividades de Vida Diárias segundo Nancy Roper


É fundamental incluir uma abordagem holística ao utente, isto é, não ter em conta
só, os aspetos físicos dos cuidados mas olhá-lo como um todo, desde as suas
necessidades psicológicas, sociais e espirituais, de modo a realizar um melhor plano
de cuidados possível.

(AVD´s) Avaliação/Observação
Segurança O senhor J. está orientado na pessoa, tempo e espaço.
Na locomoção, necessita de cadeira de rodas, pois
apresenta marcha comprometida. No momento atual, não
consome tabaco nem álcool. O utente aceita o seu estado
de saúde, aderindo à terapêutica. A medicação do
mesmo é gerenciada pelos enfermeiros. No que
concerne ao uso de dispositivos externos o utente não
possui qualquer tipo (SNG e Cateter Vesical).
Respiração/Circulação (Ver sinais vitais)
O utente tem alguns fatores de risco como doença
pulmonar obstrutiva crônica, diabetes mellitus tipo II, que
no momento, estão controlados, pela medicação, não

32
Processo de Enfermagem

necessitando de vigilâncias. O utente apresenta um bom


preenchimento capilar, isto é, inferior a 2 segundos.
Comunicação O utente é bastante comunicativo, tem um discurso
coerente e a maioria das vezes, assertivo.
Alimentação O utente é independente na alimentação. Dependendo da
ementa das refeições, o utente consome na totalidade,
sendo 5 refeições por dia, pequeno-almoço, almoço,
lanche, jantar e ceia. A dieta prescrita para o senhor J. é
dieta inteira mole, por apresentar edentulismo total.
Eliminação O utente, apesar de usar fralda, tem controlo do esfíncter
anal e vesical, mas como tem síndrome de imobilidade,
necessitando do uso da mesma. No que toca à
eliminação vesical, urina na fralda, em moderada
quantidade, normalmente urina clara e sem odor. O
utente refere que por vezes tem dificuldade em defecar.
Quando apresenta-se obstipado e/ou com abdómen
distendido, são administrados laxantes.
Controle da No que concerne à temperatura corporal, o utente tem se
temperatura corporal apresentado apirético. Apresenta roupas adequadas à
estação do ano e temperatura ambiente.
Higiene e arranjo O senhor J. toma banho todos os dias no wc, no entanto,
pessoal necessita de ajuda. No que toca à indumentária, esta é
escolhida pelos profissionais de saúde, pois o mesmo não
se importa com a escolha. É dependente nos cuidados de
higiene como no seu arranjo pessoal.
Trabalho e lazer No momento, o utente J. é reformado, começou a
trabalhar desde os seus 11 anos e reformou-se aos 55
anos. O utente refere que desempenhou funções como
ajudante de uma mercearia, mecânico, motorista de
pesados, tropa e trabalhou no escritório de uma fábrica.
De momento, gosta de falar com os outros utentes e
equipa multidisciplinar como também de ver televisão.
Mobilidade O utente é dependente na deambulação, necessitando de
cadeira de rodas para a mesma. Permanece sentado na
cadeira de rodas durante o dia, no interior do salão, com
os restantes colegas a ver televisão.
Sono Relativamente ao padrão de sono, o utente tem um sono

33
Processo de Enfermagem

reparador, dormindo pelo menos 7 horas. Durante o dia,


apresenta-se visivelmente desperto.
Sexualidade O senhor J. é casado e tem 3 filhos. Durante a sua vida,
refere que foi um homem namorador e assume-se como
heterossexual.
Morte O utente refere ser católico e não temer a morte, pois é
algo inevitável e que todos um dia iremos passar, mais
cedo ou mais tarde.
Tabela 18 – Atividades de Vida Diárias

34
Processo de Enfermagem

7. Plano de Cuidados de Enfermagem


AVD Respiração/Circulação
Dados: Utente com DPOC, ex-fumador de 4 maços/dia. Utente
com necessidade de realizar oxigenoterapia suplementar
1l/min, durante pelos menos 1 mês, para SpO2 alvo de
88-94%. Pele rosada e sem sudorese. Mucosas rosadas e
húmidas.
Foco de Atenção: Dispneia (Pág.54, CIPE nº 2, versão 2015) Cód.
10006461
Diagnóstico de Dispneia (Pág. 159, CIPE nº 2, versão 2015) Cód.
Enfermagem: 10029433
Resultado esperado: Sem dispneia (Pág.175, CIPE nº 2, versão 2015) Cód.
10029264
Intervenções: a) Monitorizar saturação do Justificação:
oxigénio sanguíneo com a) É essencial que a
oxímetro de pulso; SpO2 mantenha valores
b) Oxigenoterapia; alvo (88-94%);
c)Administrar medicação b) A oxigenoterapia é
inalatória; fulcral para manter SpO2
nos valores alvo, sendo
realizada no período
noturno;
c) Os inaladores, são
essenciais, para aliviar
sintomas, por exemplo,
broncoespasmos,
sintomas presentes da
DPOC.
Avaliação: O utente tem mantido boas saturações, dentro dos valores
recomendados, com e sem O2. Durante o dia fica a ar
ambiente, apresenta-se eupneico em repouso, com SpO2
a variar entre 93 e 95%. Durante a noite permanece com
O2 suplementar a 1L com cânula nasal, com SpO2 a
variar entre 92 e 94%. Realiza o inalador de 12/12h, 2
inalações ao pequeno-almoço e duas inalações ao jantar.
Tabela 19 – 1º diagnostico – dispneia presente

35
Processo de Enfermagem

AVD Higiene Pessoal e vestir-se


Dados: Os cuidados de higiene e conforto são realizados, com
auxílio, todos os dias. Apresenta-se diariamente limpo,
com as unhas cortadas e com a barba e cabelo aparado.
Foco de Atenção: Capacidade para tomar banho (Pág. 44, CIPE nº 2, versão
2015, cód. 10000121)
Diagnóstico de Capacidade para tomar banho comprometida (Pág 153,
Enfermagem: CIPE nº 2, versão 2015, cód. 10000956)
Resultado esperado: Capaz de tomar banho (Pág. 154, CIPE nº 2, versão 2015,
cód. 10028224)
Intervenções: a) Assistir na higiene; Justificação:
b) Ensinar sobre autocuidado. a) É essencial assistir o
utente na higiene
pessoal de modo a
promover saúde,
bem-estar e
dignidade do
mesmo, como
também prevenir
possíveis
complicações.
b) É necessário
fornecer técnicas
adaptadas às suas
necessidades, para
promover e
incentivar o
autocuidado.
Avaliação:

36
Processo de Enfermagem

AVD Higiene Pessoal e vestir-se


Dados: O utente necessita de ajuda para vestir-se como também
a arranjar-se. A indumentária é escolhida pelos
profissionais de saúde, pois o mesmo não se importa com
a escolha da mesma. A roupa é adequada à estação do
ano.
Foco de Atenção: Capacidade para vestir-se/despir-se e arranjar-se (Pág.
44, CIPE nº 2, versão 2015, cód.)
Diagnóstico de Capacidade para vestir-se/despir-se e arranjar-se
Enfermagem: comprometida (Pág 153, CIPE nº 2, versão 2015, cód.)
Resultado esperado: Capaz de vestir-se/despir-se e arranjar-se (Pág. 154,
CIPE nº 2, versão 2015, cód. )
Intervenções: a) Vestir o cliente; Justificação:
b) Promover autocuidado; a) Vestir o utente após

c) Assistir no autocuidado. dificuldades e/ou


limitações, sejam elas
físicas ou cognitivas, é
crucial para o conforto e
dignidade do mesmo.
b) Motivar o utente a
participar nas atividades
e no seu arranjo
pessoal, para assegurar
autoestima e confiança;
c) Estar presente mesmo
quando o utente
consegue vestir algo
sozinho, seja só para
ajustar a roupa ou
observar o
comportamento,
identificando novas
dificuldades ou
progressos.

37
Processo de Enfermagem

Avaliação:

AVD Mobilidade

Dados: O utente na mobilidade, necessita de cadeira de rodas,


pois apresenta dependência total na marcha. Permanece
sentado na cadeira de rodas durante o dia, e à noite,
depois da ceia, vai para a cama com auxílio.

Foco de Atenção: Andar (Pág. 39, CIPE nº 2, versão 2015, cód.)

Diagnóstico de Andar comprometido (Pág 150, CIPE nº 2, versão 2015,


Enfermagem: cód.)

Resultado esperado: Capaz de andar (Pág. 153, CIPE nº 2, versão 2015, cód. )

Intervenções: a) Assistir na mobilidade; Justificação:

b) Avaliar capacidade a) É fulcral assistir na


para andar mobilidade ao utente de
modo a reduzir o risco
c) Promover o andar
de queda, promover
usando dispositivo.
segurança e auxiliá-lo
caso necessite.

b) Deve ser avaliada a


capacidade do utente
deambular sozinho,
supervisionando sempre
que necessário;

c) Deve-se incentivar a
deambulação para
prevenir complicações
associadas à imobilidade
e promovendo
autoconfiança e
independência.

Avaliação:

38
Processo de Enfermagem

39
Processo de Enfermagem

8. Conclusão
Combater o estigma em torno das pessoas com deficiência intelectual,
elevar a autoestima das mesmas através da realização pessoal e promover
a independência financeira. Estes indivíduos encontram-se clinicamente
estáveis mas o apoio familiar ou social adequado é lhes inexistente

A CSSR dispõe de uma equipa heteróclita de profissionais de saúde, como


fisioterapeutas, psicólogos, psiquiatras e médicos de família que
proporcionam um atendimento diário aos clientes.

A aprendizagem é, portanto, um processo ininterrupto e aprender com o


próximo é uma das formas mais favorecedoras de obter conhecimento e
experiência. É sabido que cada singular traz consigo perspectivas únicas,
histórias de vida e habilidades diferenciadas, que podem complementar e
ampliar o nosso próprio ponto de vista acerca de variados temas. Ao estar
disposto a ouvir, observar e interagir com os demais utentes, pude aprender
lições significantes sobre empatia, resiliência, e compreensão mútua,
despertando assim um interesse particular em saber mais acerca do Sr.
C.D.R.S e desse modo, o PE exibido referir-se-á ao Sr. C.D.R.S pelo facto
dessa mesma troca de diálogos, conhecimentos e experiências ter-me
enriquecido não só pessoalmente, mas também fortalecido os laços
comunicativos e promovido um ambiente de relação terapêutica e
crescimento mútuo.

40
Processo de Enfermagem

9. Referências Bibliográficas
Almeida, F. L. T. D. (2011). A essência do processo de enfermagem (Bachelor's
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Processo de Enfermagem

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enfermagem: Versão 2015. Lisboa: Lusodidacta;

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Processo de Enfermagem

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Enfermeiros (14ª ed.). Lusodidacta;

10. Anexos

43
Processo de Enfermagem

Anexo I – Estádios de Desenvolvimento Humano

44
Processo de Enfermagem

ANEXO A – Escala de Barthel Norma Nº 054/2011 de 27/12/2011, pp. 13

Quadro 1 - Escala de Barthel

1. Higiene Pessoal
Independente

2. Banho
Toma banho só

3. Alimentação
Independente

4. Utilização do WC
Independente a fazer a barba, lavar a cara, lavar os dentes

5. Subir escadas
Independente, com ou sem ajudas técnicas

6. Vestuário
Independente

7. Controlo urinário
Controla, mesmo algaliado desde que seja capaz de manipular a
sonda
8. Controlo intestinal
Controla sem acidentes, podendo fazer uso de supositório ou
similares

9. Deambulação
Caminha 50m, sem ajuda ou supervisão

10. Transferências cadeira/ cama


Independente

Score:

45
Processo de Enfermagem

ANEXO B – Escala De Braden – Norma Nº 017/2011 de 19/05/2011, pp. 2-4

Quadro 2 - Escala de Braden

1. Perceção sensorial
Nenhuma limitação

2. Humidade
Raramente húmida

3. Atividade
Anda frequentemente/ anda ocasionalmente

4. Mobilidade
Nenhuma limitação/ ligeiramente limitado

5. Nutrição
Excelente/Adequada

6. Fricção e forças de deslizamento


Nenhum problema

Score:

46
Processo de Enfermagem

ANEXO C – Escala de Quedas De Morse – Norma Nº 008/2019 de 09/12/2019, pp.


16-17

Quadro 3 - Escala de Morse

1. Histórico de quedas
Sim
2. Diagnóstico secundário
Sim
3. Ajuda para caminhar
Muletas/canadianas/bengala/andarilho
4. Terapia endovenosa
Não
5. Postura no andar e na transferência
Acamado
6. Estado mental
Consciente das suas capacidades
Score:

47

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