Provas no Direito Processual do Trabalho
Provas no Direito Processual do Trabalho
PROCESSUAL
DO TRABALHO
Provas
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DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
Provas
Priscila Margarido
Sumário
Provas................................................................................................................................................. 3
1. Provas no Processo do Trabalho.. ............................................................................................. 3
1.1. Prova Emprestada no Processo do Trabalho. . ..................................................................... 6
1.2. Ônus da Prova............................................................................................................................ 8
1.3. Inversão do Ônus da Prova.................................................................................................... 11
1.4. Teoria da Carga Dinâmica do Ônus da Prova.. ....................................................................12
1.5. A Prova Ilícita no Processo do Trabalho..............................................................................15
1.6. Momento de Produção da Prova no Processo do Trabalho............................................16
2. Espécies de Prova. . ..................................................................................................................... 17
2.1. Interrogatório e Depoimento Pessoal................................................................................. 17
2.2. Prova Documental...................................................................................................................19
2.3. Prova Testemunhal.. ............................................................................................................... 27
2.4. Prova Pericial.......................................................................................................................... 34
2.5. Inspeção Judicial. . ................................................................................................................... 39
Resumo.............................................................................................................................................40
Questões de Concurso..................................................................................................................44
Gabarito............................................................................................................................................60
Gabarito Comentado......................................................................................................................61
Anexo................................................................................................................................................ 96
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PROVAS
Olá, companheiro(a) desta jornada de estudos (que será breve e exitosa!).
Hoje trataremos das provas no processo do trabalho; matéria bem gostosa e de fácil assi-
milação. Tenho certeza de que quando terminar de estudá-la, você ficará com um gostinho de
quero mais. Rsrs
Boa leitura e boa resolução de exercícios! Não se esqueça da importância de resolver to-
dos os exercícios e ler a todos os comentários. Você tem à sua disposição a melhor ferramen-
ta para memorização do conteúdo. Aproveite!
Mantenha o foco no seu objetivo e a plena certeza de que irá alcançá-lo. Já deu certo.
Abraços.
Priscila
EXEMPLO
O reclamante alega que trabalhava 20 horas por dia, com 15 minutos de intervalo, 7 dias por semana.
Isso não é o que normalmente acontece e chega a beirar o humanamente impossível. Pode até ser
que seja verdade, mas se trata de fato à primeira vista inverossímil, então cabe ao reclamante fazer
prova de que é verdade, independentemente de o reclamado ter contestado o fato. Assim, ainda
que o reclamado seja revel, ou tenha apresentado a defesa sem os cartões de ponto (que são a
prova formal do horário de trabalho), caberá ao reclamante fazer prova de sua alegação.
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Em relação aos fatos que não dependem de prova, dispõe o art. 374 do CPC, aplicável ao
processo do trabalho:
A confissão que dispensa a produção de prova é a real (quando a parte expressamente con-
fessa algo que é contrário a ela, reconhecendo que os fatos se deram da forma como a outra
parte relatou) e não a confissão ficta (que decorre, por exemplo, da revelia ou da ausência da
parte à audiência de instrução).
• Fato incontroverso: é aquele que é alegado por uma parte e não é contestado pela parte
contrária; ou é admitido (confessado) expressamente pela parte contrária.
• Presunção de existência e veracidade: trata-se de um raciocínio lógico por meio do qual,
a partir da existência de um determinado fato, se passa a acreditar na existência de ou-
tro que provavelmente lhe seja consequência. Ou seja, por meio da existência de um fato
se presume a ocorrência de outro. Essas presunções podem decorrer da lei (a própria lei
presume) ou da experiência comum do que ordinariamente acontece (geralmente essa
presunção está consolidada na jurisprudência).
EXEMPLO
a) de presunção legal: parágrafo único do art. 456 da CLT (“A falta de prova ou inexistindo cláu-
sula expressa a tal respeito, entender-se-á que o empregado se obrigou a todo e qualquer servi-
ço compatível com a sua condição pessoal”); b) presunção decorrente da experiência comum
do que ordinariamente acontece: Súmula 16 do TST (“Presume-se recebida a notificação 48
(quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O seu não-recebimento ou a entrega após o
decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário”).
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“O juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordina-
riamente acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, ressalvado, quanto a estas, o exame
pericial.”
Art. 852-D. O juiz dirigirá o processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas,
considerado o ônus probatório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerar exces-
sivas, impertinentes ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às regras de
experiência comum ou técnica.
Há uma observação importante a ser feita: mesmo que o juiz possua conhecimentos técni-
cos, não poderá dispensar a prova pericial nos casos em que a lei a exige (ex. insalubridade e
acidente do trabalho). Portanto, se o reclamante pede adicional de insalubridade e o reclama-
do é revel, o juiz deverá marcar perícia técnica do mesmo jeito.
Mais uma observação: falei agora há pouco que, em regra, o direito não precisa ser prova-
do, lembra? Mas há uma exceção prevista no CPC:
“Art. 376. A parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-lhe-á
o teor e a vigência, se assim o juiz determinar”.
Como o direito do trabalho é regulado por legislação federal (e o juiz é obrigado a conhecer
a legislação federal), esse dispositivo é utilizado com menos frequência no processo do traba-
lho, mas não deixa de ser cabível.
EXEMPLO
Exemplo de direito que precisa ser provado no processo do trabalho: acordos e convenções
coletivas, Tratados Internacionais, leis municipais que estabeleçam o horário de funcionamen-
to do comércio, etc.
DICA
As Convenções da OIT ratificadas pelo Brasil entram no nosso
ordenamento jurídico com status de lei ordinária federal, por-
tanto, o juiz tem obrigação de conhecê-las e não precisam ser
provadas nos autos.
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Como falei no início da aula, não aprofundaremos a questão dos princípios, pois são prati-
camente os mesmos que estudamos quando vimos os princípios do processo do trabalho. No
entanto, é preciso destacar dois princípios específicos:
• Aquisição processual da prova: uma vez produzida a prova, ela passa a ser do processo.
Independentemente de quem tenha produzido a prova, ela não pertence à parte e sim
ao processo. Tanto é que a prova trazida pela parte (ex. testemunha) pode fazer prova
contra ela própria.
Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver
promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento.
• Aptidão para a prova: de acordo com o princípio, quem produz a prova no processo do
trabalho não é quem tem o ônus processual, mas quem tenha melhores condições de
fazer a prova.
Isso não é inversão do ônus da prova, mas consiste apenas em determinar que a parte
que tem maior facilidade para produzir a prova o faça. Portanto, não se aplica no processo do
trabalho a regra do ônus da prova (art. 818 da CLT) de forma rígida.
EXEMPLO
O reclamante alega que fazia horas extras. A empresa tinha mais de 20 funcionários e, portan-
to, precisava manter registro de ponto. Pois bem, pelo art. 818, I, da CLT, o reclamante teria de
fazer prova da jornada alegada na inicial (incumbe ao reclamante a prova de fato constitutivo
de seu direito). No entanto, é muito mais fácil a prova para o reclamado: basta trazer os cartões
de ponto aos autos. Portanto o reclamado é que tem aptidão para a prova.
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Uma parte (pequena) da doutrina diz que a prova emprestada não pode ser aceita, uma
vez que viola princípios do processo do trabalho (imediatidade do juiz na colheita da prova e
identidade física do juiz). No entanto, esse argumento não é suficiente para afastar a utiliza-
ção da prova emprestada. É só pensarmos no caso de recurso: o TRT não colheu diretamen-
te a prova e a analisa normalmente para dar procedência ou não ao recurso. Os princípios
da imediatidade do juiz na colheita da prova e identidade física do juiz devem ser observa-
dos sempre que possível e facilitam a prolação de decisão por parte do juiz, contudo, não
haverá nulidade simplesmente pelo fato de não terem sido rigorosamente observados.
Sempre que for possível produzir a prova no próprio processo, é preferível. Contudo, se
não for possível a produção da prova ou ela for muito difícil, deve ser aceita a utilização da
prova emprestada para que não acabe ocorrendo cerceamento de defesa da parte.
EXEMPLO
Exemplo comum de utilização de prova emprestada: A testemunha prestou depoimento em
um determinado processo que um colega de trabalho ajuizou contra a empresa em que tra-
balhavam. Um outro colega de trabalho também ajuizou ação e arrolou a mesma testemu-
nha. Mas a testemunha mudou de cidade e ninguém sabe de seu paradeiro. Não há outra
testemunha que tenha presenciado os fatos. Nesse caso, o depoimento que a testemunha
prestou no primeiro processo pode ser utilizado como prova emprestada no segundo pro-
cesso. Se fosse possível que a testemunha viesse a juízo novamente e prestasse depoi-
mento no segundo processo, seria melhor. Isso porque ela falaria especificamente sobre
os fatos que o segundo reclamante quer provar. Mas se não é possível, a prova emprestada
deve ser permitida. Se não o fosse, o reclamante, que não tem outra testemunha, teria tido
cerceado seu direito de defesa.
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O PULO DO GATO
E as provas produzidas em inquérito civil público ou policial podem ser utilizadas como prova
emprestada? Não, uma vez que esses inquéritos não precisam observar o contraditório (esses
inquéritos ocorrem na esfera administrativa e o contraditório somente ocorrerá em juízo). Se
um inquérito civil público ou policial for trazido ao processo do trabalho, deve ser tido com
um simples documento que somente influirá na convicção do juízo se respaldado por outras
provas produzidas nos autos. Ou seja, não se trata de prova emprestada de outro processo
(sequer há processo no caso), mas de simples documento.
A CLT não tem previsão específica sobre a prova emprestada, sendo utilizado o art.
372 do CPC:
“O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que
considerar adequado, observado o contraditório”.
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Portanto, a regra geral (prevista nos incisos I e II do art. 818) é a de que o reclamante tem
o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito e o reclamado o ônus de provar fatos im-
peditivos, extintivos ou modificativos de tal direito. A essa regra a doutrina dá o nome de ônus
estático da prova.
Se a parte que tem o ônus não se desincumbir dele, não o cumpri-lo, a decisão será favo-
rável à parte contrária. No entanto, o juiz somente se valerá disso quando não houver provas
suficientes nos autos. Se houver prova suficiente no processo para formar o convencimento,
o juiz julga de acordo com as provas. O juiz só vai analisar quem tinha o ônus de provar algu-
ma coisa e não o fez quando não conseguir formar seu convencimento com as provas dos
autos. Portanto, a regra do ônus da prova é uma regra de julgamento (ou seja, aplicada pelo
juiz quando vai julgar e percebe que não há prova suficientemente robusta para formar seu
convencimento).
Acerca do ônus da prova, o TST tem algumas súmulas importantes:
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Súmula n. 461
FGTS. DIFERENÇAS. RECOLHIMENTO. ÔNUS DA PROVA
É do empregador o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois
o pagamento é fato extintivo do direito do autor (art. 373, II, do CPC de 2015).
I – correto. É isso que diz a Súmula 461/TST. Antigamente havia muita controvérsia sobre o
assunto e boa parte da doutrina e da jurisprudência dizia que a prova era ônus do empregado.
Mas como a prova é mais facilmente produzida pelo empregador, houve a edição desta Súmu-
la do TST pacificando a matéria.
II – correto. Súmula 460/TST. Aqui também se trata de uma situação em que havia divisão
jurisprudencial e que o TST, levando em conta quem teria mais aptidão para produzir a prova,
pacificou a matéria. O empregador deverá provar, por exemplo, que o empregado utiliza veículo
próprio ou carona para ir ao serviço.
III – correto. Nós vimos que sempre que há pedido de insalubridade ou periculosidade é ne-
cessária a realização de perícia, né? Mas se a empresa já fazia o pagamento, é sinal de que
ela reconhecia a existência do perigo no local de trabalho e não há qualquer controvérsia que
demande perícia (não precisa de perícia para dizer se o ambiente é ou não perigoso, pois a
empresa já reconheceu que é).
Letra a.
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Conforme se verifica no dispositivo citado acima, a inversão do ônus da prova é uma fa-
culdade do juiz e pode ocorrer se estiverem presentes um dos dois requisitos: hipossufici-
ência da parte (dificuldade em produzir a prova) ou verossimilhança da alegação (aparência
de verdade).
Qual o momento em que o juiz deve fazer a inversão do ônus da prova? Embora não seja
pacífico, o entendimento que vem se firmando é no sentido de que a inversão deva ser feita
antes do início da audiência de instrução e julgamento, e sempre em decisão fundamentada.
É importante que seja antes da audiência de instrução porque é nessa audiência que serão
produzidas as provas. E a parte precisa saber qual o seu ônus e as provas que produzirá para
se desincumbir dele.
Se a inversão for feita pelo juiz apenas no momento de prolatar a sentença, as partes serão
pegas de surpresa e terá havido aí um cerceamento de defesa (se a parte soubesse antes da
inversão, poderia ter buscado a produção de uma prova diferente).
Há quem defenda que a inversão deva ser feita no momento da sentença ou mesmo feita
pelo Tribunal ao analisar um recurso, sob a justificativa de que o ônus da prova é uma regra
de julgamento. Contudo, esse último não é o entendimento majoritário e acaba confundido
conceitos: o ônus da prova é, sim, uma regra de julgamento (o juiz decide contra quem tinha
o ônus e não se desincumbiu dele quando não há prova suficiente nos autos para formação
do seu convencimento), mas a inversão do ônus da prova não é uma regra de julgamento, é
uma regra de conduta (é inverter quem deve provar cada coisa e, nesse caso, é preciso que
se dê oportunidade à parte de cumprir o dever que antes não era seu, mas lhe foi atribuído
pelo juiz).
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O que era utilizado antes da reforma trabalhista era a inversão do ônus da prova com base
no art. 6º do Código de Defesa do Consumidor. Após a reforma, passou-se a aplicar os pará-
grafos do artigo 818 da CLT. Daqui a pouco eu vou te explicar que inversão do ônus da prova e
distribuição dinâmica do ônus não são, a rigor, a mesma coisa. Mas, antes, vamos terminar de
estudar a distribuição dinâmica.
Pois bem, da mesma forma que ocorre na inversão do ônus, também na distribuição dinâ-
mica o juiz deve informar as partes acerca dessa distribuição antes da audiência de instrução.
Isso está previsto de forma expressa no § 2º do art. 828. Aqui não há discussão se deve ser
feito antes da instrução ou pode ser feito na sentença. A CLT é expressa no sentido de que a
distribuição dinâmica do ônus da prova deva ser feita antes da abertura da instrução. O intuito
é que a parte possa providenciar todas as provas cabíveis e não haja cerceamento de defesa.
Se parte entender necessário, pode requerer o adiamento da audiência. OBS: Não é obri-
gatório o adiamento da audiência; depende de requerimento da parte. Pode ser que a parte já
tenha as testemunhas suficientes ali e prefira tocar o barco.
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EXEMPLO
Exemplo de necessidade de adiamento da audiência: o reclamante pleiteia recebimento de
horas extras. A empresa alega que tinha apenas 2 funcionários e que o reclamante não fazia
horas extras. O ônus da prova, pela carga estática, é do reclamante (deve fazer prova constitu-
tiva de seu direito → provar que trabalhou em regime de horas extras). Aberta a audiência de
instrução, o reclamante diz que traria o motorista do ônibus que o deixava no ponto próximo à
sua casa como testemunha do horário de saída empresa, mas que ele faleceu. Tratava-se da
única testemunha. O juiz diz que aplicará a distribuição dinâmica e que a empresa reclamada
deve provar que o reclamante não trabalhava em sobrejornada. A empresa não contava com
isso, porque o ônus originariamente não era dela. Ela pode pedir o adiamento da audiência para
que traga as provas na audiência seguinte.
A distribuição diversa do ônus da prova, no processo do trabalho, não pode ser convencio-
nada pelas partes, conforme decidiu o TST por meio da Instrução Normativa 39:
“Art. 2º Sem prejuízo de outros, não se aplicam ao Processo do Trabalho, em razão de inexistência
de omissão ou por incompatibilidade, os seguintes preceitos do Código de Processo Civil:
(...)
VII – art. 373, §§ 3º e 4º (distribuição diversa do ônus da prova por convenção das partes);”
O que é essa Súmula faz é presumir que a dispensa de funcionário que tenha HIV ou outra
doença grave que gere estigma ou preconceito é discriminatória, atribuindo ao empregador o
ônus de provar que não houve essa discriminação, que a dispensa foi feita por outro motivo.
Como seria muito difícil ao empregado provar que a dispensa foi feita em razão de discrimi-
nação, é feita a distribuição dinâmica e atribuído ao empregador o encargo de provar que o
motivo para dispensa foi qualquer outro (corte de despesas, desempenho insuficiente do em-
pregado, etc.) que não a discriminação.
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Como prometido, vamos falar da diferença entre distribuição dinâmica e inversão do ônus da
prova, que são, a rigor, figuras distintas, embora muito parecidas. Para que haja a distribuição
dinâmica não é preciso que exista a verossimilhança (que é exigida na inversão). Além disso,
na inversão do ônus o juiz dá uma decisão prévia e abstrata, invertendo de forma geral o ônus
(é como se ele dissesse, por ex., “reclamado, a partir de agora você deve provar a inexistência
de fato constitutivo do direito do reclamante. Se vira”). Já na distribuição dinâmica o juiz man-
da a parte provar um fato específico ou apresentar uma prova específica que a outra parte não
tem condições de fazer.
DICA
Eu trouxe para você a diferença apontada pela doutrina entre
inversão do ônus da prova e distribuição dinâmica do ônus da
prova. Ocorre que essa diferença não costuma ser levada em
conta em concursos. Você vai perceber lá na hora dos exercí-
cios que normalmente a questão chama de inversão do ônus
da prova, mas traz as disposições dos parágrafos do art. 818
da CLT que, a rigor, são referentes à distribuição dinâmica do
ônus da prova. Então a minha dica é que você não se apegue
muito a essas terminologias (saiba que são diferentes; mas se
em prova você perceber que estão sendo tratadas como se
fosse tudo a mesma coisa, aceite de coração aberto e respon-
da tudo de acordo com o que preveem os parágrafos do art.
818, combinado?).
Não se aplica o princípio do in dubio pro operário no campo probatório. Não confunda: o in
dubio pro operário do processo do trabalho não tem nada a ver com o in dubio pro reo do pro-
cesso penal. De acordo com o princípio do in dubio pro operário, quando a norma puder ser
interpretada de duas maneiras diferentes, deve-se preferir a interpretação que seja favorável
ao trabalhador. É, portanto, um princípio utilizado para interpretação da legislação e não para
análise de provas. Não se pode dizer que em caso de prova dividida ou ausência de provas o
juiz do trabalho deva decidir favoravelmente ao reclamante; nesse caso o juiz deverá decidir
pelas regras de ônus da prova.
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Para que o juiz utilize a proporcionalidade e passe por cima do regramento constitucional,
ele deve observar o seguinte: a) não deve haver outro meio de se conseguir a prova; b) a prova
deve ser imprescindível para resolver a controvérsia; c) a parte que produziu a prova ilícita deve
ter agido com lealdade e boa-fé, sem cometer excessos; d) ponderação de princípios no caso
concreto para saber qual merecerá maior proteção.
EXEMPLO
O empregado ficou durante anos preso em uma fazenda, sendo submetido a trabalho escra-
vo. O empregador, por diversão, tirava fotos em seu celular das condições desumanas a que
o trabalhador era submetido, inclusive das surras que levava do capataz. Em determinado
dia o empregado conseguiu pegar o celular do empregador e fugir da fazenda. Levou o celu-
lar a um advogado, que imprimiu as fotos e juntou ao processo. Essas fotos não poderão
ser usadas como prova? A rigor, não. Mas a gravidade do caso é tamanha (empregado sub-
metido a condições análogas a de escravo) que, pelo princípio da proporcionalidade, é pos-
sível superar o princípio da vedação da prova obtida por meio ilícito, utilizando-se a prova
no processo.
Quando se trata de prova ilícita, o assunto mais comentado e também mais cobrado em
concursos se refere à gravação telefônica. Encontra-se pacificado na jurisprudência entendi-
mento segundo o qual é possível se utilizar como prova a gravação de diálogo feita por um
participante sem o conhecimento do outro. O que não se admite é que um terceiro grave a
conversa sem que os participantes saibam.
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Nesses casos, pode haver a produção antecipada de prova? Sim. Embora a CLT não trate
do assunto, pode ser utilizado o CPC (arts. 381 a 383) de forma subsidiária. A produção ante-
cipada ocorre antes mesmo de distribuída a ação principal. O foro competente para produção
antecipada deve seguir a regra geral do processo do trabalho: local da prestação de serviços
(art. 651 da CLT).
Não vou tratar com você sobre o procedimento de produção antecipada de provas porque
ele não costuma ser cobrado em provas de processo do trabalho, ok? Basta você saber que
o procedimento (que é oriundo do processo civil) pode ser utilizado no processo do trabalho.
Em relação ao momento da produção da prova no procedimento sumaríssimo, dispõe o ar-
tigo 852-H, da CLT: “Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento,
ainda que não requeridas previamente”.
2. Espécies de Prova
2.1. Interrogatório e Depoimento Pessoal
As duas expressões costumam ser usadas como sinônimos, mas tecnicamente não são.
O interrogatório é o meio de prova pelo qual o juiz faz perguntas à parte com o intuito de
esclarecer os fatos da causa. O juiz não busca a confissão (ela pode até ocorrer, mas não é o
objetivo do juiz. O juiz quer apenas saber o que de fato aconteceu). Trata-se de um ato perso-
nalíssimo entre o juiz e a parte. O juiz determina de ofício o interrogatório e o renova quantas
vezes entender necessário antes da sentença.
O interrogatório está previsto no art. 848 da CLT:
Art. 848 - Terminada a defesa, seguir-se-á a instrução do processo, podendo o presidente, ex officio
ou a requerimento de qualquer juiz temporário (LEIA-SE: O JUIZ, DE OFÍCIO), interrogar os litigantes.
§ 1º - Findo o interrogatório, poderá qualquer dos litigantes retirar-se, prosseguindo a instrução com
o seu representante.
§ 2º - Serão, a seguir, ouvidas as testemunhas, os peritos e os técnicos, se houver.
Aplica-se ao processo do trabalho o art. 379 do CPC (este artigo consagra a máxima de
que ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo):
Art. 379. Preservado o direito de não produzir prova contra si própria, incumbe à parte:
I – comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado;
II – colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for considerada necessária;
III – praticar o ato que lhe for determinado.
Já o depoimento pessoal é quando parte requer que a outra seja ouvida em juízo, com o
objetivo principal de extrair uma confissão.
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O depoimento pessoal não é previsto de forma expressa na CLT (o art. 848 trata apenas do
interrogatório) e por isso existem doutrinadores que defendem que não há depoimento pes-
soal no processo no trabalho, mas apenas interrogatório determinado pelo juiz (e para quem
entende assim, o advogado da parte contrária não poderia fazer reperguntas, pois o interroga-
tório é ato entre a parte e o juiz). No entanto, é majoritário o entendimento de que é admissível
o depoimento pessoal no processo do trabalho, aplicando-se de forma subsidiária o CPC. O
depoimento pessoal é uma excelente forma de prova e não há razão para que não seja aceito
no processo do trabalho. Superado isso, vamos voltar ao estudo do depoimento pessoal no
processo trabalhista.
A parte é intimada a comparecer à audiência em que prestará depoimento pessoal, cons-
tando expressamente do mandado que em caso de ausência serão presumidos confessados
os fatos contra ela alegados.
Mas, na prática, tudo acontece ao mesmo tempo, em um só ato: primeiro o juiz faz as
perguntas para esclarecimento dos fatos da causa e para formar eu convencimento (seria o
interrogatório) e depois as partes fazem as reperguntas, objetivando a confissão (seria o de-
poimento pessoal).
Acerca do depoimento pessoal, estabelece a CLT:
Art. 819 - O depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar a língua nacional será
feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz ou presidente.
§ 1º - Proceder-se-á da forma indicada neste artigo, quando se tratar de surdo-mudo, ou de mudo
que não saiba escrever.
§ 2º As despesas decorrentes do disposto neste artigo correrão por conta da parte sucumbente,
salvo se beneficiária de justiça gratuita.
Art. 820 - As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiri-
das, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus representantes ou advogados.
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Art. 387. A parte responderá pessoalmente sobre os fatos articulados, não podendo servir-se de
escritos anteriormente preparados, permitindo-lhe o juiz, todavia, a consulta a notas breves, desde
que objetivem completar esclarecimentos.
Art. 388. A parte não é obrigada a depor sobre fatos:
I – criminosos ou torpes que lhe forem imputados;
II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo;
III – acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu companhei-
ro ou de parente em grau sucessível;
IV – que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas no inciso III.
Parágrafo único. Esta disposição não se aplica às ações de estado e de família.
O PULO DO GATO
As partes não prestam compromisso de dizer a verdade (apenas as testemunhas) e, portanto,
não estão sujeitas ao crime de falso testemunho.
Art. 405. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o
escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua presença.
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EXEMPLO
Pegar assinatura numa folha em branco e preencher com declaração que não foi dada pelo
dono da assinatura.
EXEMPLO
Cartões de ponto preenchidos e assinados pelo próprio empregado, mas que foram preenchi-
dos com horários determinados pelo empregador e não horários efetivamente trabalhados
pelo empregado. Trata-se de falsidade ideológica, pois a ideia contida ali é falsa.
Vejamos um quadro comparativo entre falsidade material e falsidade ideológica para cla-
rear o assunto:
Recibo de salário com assinatura falsa Recibo de salário assinado pelo próprio
(o empregador falsifica a assinatura do empregado, mas com valor de salário não
empregado) verdadeiro
Art. 427. Cessa a fé do documento público ou particular sendo-lhe declarada judicialmente a falsi-
dade.
Parágrafo único. A falsidade consiste em:
I – formar documento não verdadeiro;
II – alterar documento verdadeiro.
Os arts. 426 e 428 do CPC tratam da apreciação dos documentos aparentemente viciados:
Art. 426. O juiz apreciará fundamentadamente a fé que deva merecer o documento, quando em pon-
to substancial e sem ressalva contiver entrelinha, emenda, borrão ou cancelamento.
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Art. 428. Cessa a fé do documento particular quando:
I – for impugnada sua autenticidade e enquanto não se comprovar sua veracidade;
II – assinado em branco, for impugnado seu conteúdo, por preenchimento abusivo.
Parágrafo único. Dar-se-á abuso quando aquele que recebeu documento assinado com texto não
escrito no todo ou em parte formá-lo ou completá-lo por si ou por meio de outrem, violando o pacto
feito com o signatário.
Se o juiz estiver em dúvida sobre determinado documento, poderá determinar perícia gra-
fotécnica (para constatar falsidade material) e também determinar a produção de prova oral
sobre a matéria constante no documento.
Não haverá realização de perícia se a parte que juntou o documento impugnado concordar
em retirá-lo dos autos (art. 432 do CPC).
Há a possibilidade de apresentação de documento digital, previsto na Lei n. 11.419/2006.
Esses documentos serão considerados originais, desde que haja garantia da origem e do sig-
natário (signatário é quem assina o documento). Ao final da aula vou colocar esta lei e vale a
leitura, ok?
Hoje em dia uma das formas mais comuns de prova é a conversa por meio de WhatsApp. É
uma prova válida? Se juntada por um dos interlocutores da conversa, sim. Se a parte contrária
impugnar a autenticidade da prova, o juiz poderá determinar a realização de perícia para verifi-
car a existência de falsidade material, ou produção de qualquer outra prova
De acordo com o art. 396 do CPC, o juiz poderá determinar que a parte exiba qualquer do-
cumento ou coisa que esteja em seu poder. Prevê o art. 397 do CPC:
Embora este art. 397 dê a ideia de que deve haver sempre pedido da parte (o caput do
dispositivo fala em “pedido formulado pela parte”), o juiz também pode determinar de ofício a
exibição de documento que ele entenda imprescindível para solução da controvérsia.
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Art. 398. O requerido dará sua resposta nos 5 (cinco) dias subsequentes à sua intimação.
Parágrafo único. Se o requerido afirmar que não possui o documento ou a coisa, o juiz permitirá que
o requerente prove, por qualquer meio, que a declaração não corresponde à verdade.
Art. 399. O juiz não admitirá a recusa se:
I – o requerido tiver obrigação legal de exibir;
II – o requerido tiver aludido ao documento ou à coisa, no processo, com o intuito de constituir prova;
III – o documento, por seu conteúdo, for comum às partes.
Art. 400. Ao decidir o pedido, o juiz admitirá como verdadeiros os fatos que, por meio do documento
ou da coisa, a parte pretendia provar se:
I – o requerido não efetuar a exibição nem fizer nenhuma declaração no prazo do art. 398 ;
II – a recusa for havida por ilegítima.
Parágrafo único. Sendo necessário, o juiz pode adotar medidas indutivas, coercitivas, mandamen-
tais ou sub-rogatórias para que o documento seja exibido.
Art. 401. Quando o documento ou a coisa estiver em poder de terceiro, o juiz ordenará sua citação
para responder no prazo de 15 (quinze) dias.
Art. 402. Se o terceiro negar a obrigação de exibir ou a posse do documento ou da coisa, o juiz de-
signará audiência especial, tomando-lhe o depoimento, bem como o das partes e, se necessário, o
de testemunhas, e em seguida proferirá decisão.
Art. 403. Se o terceiro, sem justo motivo, se recusar a efetuar a exibição, o juiz ordenar-lhe-á que
proceda ao respectivo depósito em cartório ou em outro lugar designado, no prazo de 5 (cinco) dias,
impondo ao requerente que o ressarça pelas despesas que tiver.
Parágrafo único. Se o terceiro descumprir a ordem, o juiz expedirá mandado de apreensão, requisi-
tando, se necessário, força policial, sem prejuízo da responsabilidade por crime de desobediência,
pagamento de multa e outras medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias ne-
cessárias para assegurar a efetivação da decisão.
Art. 404. A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou a coisa se:
I – concernente a negócios da própria vida da família;
II – sua apresentação puder violar dever de honra;
III – sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus parentes consan-
guíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo de ação penal;
IV – sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou profissão, devam
guardar segredo;
V – subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem a recusa
da exibição;
VI – houver disposição legal que justifique a recusa da exibição.
Parágrafo único. Se os motivos de que tratam os incisos I a VI do caput disserem respeito a apenas
uma parcela do documento, a parte ou o terceiro exibirá a outra em cartório, para dela ser extraída
cópia reprográfica, de tudo sendo lavrado auto circunstanciado.
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JURISPRUDÊNCIA
JORNADA DE TRABALHO. REGISTRO. ÔNUS DA PROVA
I – É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados (ESTÁ DESATU-
ALIZADA NESTA PARTE: HOJE É EXIGIDO REGISTRO PARA EMPREGADOR QUE CONTA
COM MAIS DE 20 (VINTE EMPREGADOS) o registro da jornada de trabalho na forma do
art. 74, § 2º, da CLT. A não-apresentação injustificada dos controles de frequência gera
presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova
em contrário.
II – A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento
normativo, pode ser elidida por prova em contrário.
III – Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são
inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que
passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir.
EXEMPLO
Se está anotado na CTPS que o empregado foi contratado em 23/5/2018, presume-se que o
contrato começou nessa data. Agora, se o reclamante pede reconhecimento da existência de
vínculo empregatício em período anterior, alegando que a CTPS somente foi registrada depois
de 5 meses de trabalho, é o reclamante quem deve provar que a anotação não corresponde à
realidade. Isso porque se trata de fato constitutivo de seu direito e porque a anotação da CTPS
tem presunção relativa de veracidade.
JURISPRUDÊNCIA
CARTEIRA PROFISSIONAL
As anotações apostas pelo empregador na carteira profissional do empregado não geram
presunção juris et de jure”, mas apenas juris tantum”.
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§ 2º - O instrumento de rescisão ou recibo de quitação, qualquer que seja a causa ou forma de dis-
solução do contrato, deve ter especificada a natureza de cada parcela paga ao empregado e discri-
minado o seu valor, sendo válida a quitação, apenas, relativamente às mesmas parcelas.
Art. 464 - O pagamento do salário deverá ser efetuado contra recibo, assinado pelo empregado; em
se tratando de analfabeto, mediante sua impressão digital, ou, não sendo esta possível, a seu rogo.
Parágrafo único. Terá força de recibo o comprovante de depósito em conta bancária, aberta para
esse fim em nome de cada empregado, com o consentimento deste, em estabelecimento de crédito
próximo ao local de trabalho.
E se o pagamento for feito em dinheiro e não tiver recibo assinado pelo empregado? Presu-
me-se que o pagamento não foi feito e é ônus do empregador provar o pagamento.
Se há recibo assinado e o empregado alega que o valor não é correto, pois, na verdade, re-
cebia mais, como fica a prova? O empregado é que deverá provar que o valor não está correto.
O recibo de pagamento assinado pelo empregado tem presunção relativa de veracidade.
• Cartões de ponto: Os cartões de ponto são os documentos que registram os horários de
entrada e saída dos empregados. Estabelece o art. 74 da CLT:
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O empregador que deveria ter registro de ponto (por ter mais de 20 funcionários no esta-
belecimento), mas não tem, pode fazer prova, por outro meio, de que a jornada alegada pelo
reclamante não é verdadeira? Embora haja alguma divergência sobre o assunto, o TST entende
que pode ser apresentado outro meio de prova (diz o item II da Súmula 338: A presunção de
veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento normativo, pode ser eli-
dida por prova em contrário).
Se o empregador apresenta cartão de ponto, presume-se que ele é verdadeiro e o empre-
gado é que terá que provar que há alguma falsidade ali. Mas se o empregador não apresenta o
documento, presume-se verdadeira a jornada da inicial e será ônus do empregador apresentar
alguma outra prova da jornada, capaz de suprir a ausência do registro de ponto.
A súmula 338 trata de um tema importante: jornada britânica. Diz-se que a anotação é bri-
tânica quando, pelas anotações, o empregado entra e sai todos os dias exatamente no mesmo
horário, sem qualquer variação (ex. todos os dias entra às 8h00 e sai às 17h00). Isso é pratica-
mente impossível; pequenas variações fazem parte do dia a dia. No caso de jornada britânica
o cartão de ponto é considerado fraudulento (porque foge do que ordinariamente acontece)
e não serve como meio de prova. É como se o cartão não tivesse sido apresentado. Aí presu-
me-se verdadeira a jornada alegada na inicial e é ônus do reclamado comprovar que a jornada
alegada não é verdadeira.
De acordo com o final do § 1º do art. 74, da CLT, é permitida a pré-assinalação do período
de repouso. O que é isso? É a possibilidade de já vir anotado no cartão de ponto o horário de
intervalo, que se presume sempre cumprido. O empregado não precisa registrar a hora que sai
para o intervalo e a hora que volta. Pode registrar, mas não é obrigatório. A lei possibilita que
ao invés de o empregado fazer esse registro, já conste no cartão, por exemplo, que o intervalo
todos os dias é cumprido das 12h às 14h (quanto ao intervalo, não tem problema ser anotação
britânica). Como a lei permite essa pré-assinalação, é ônus do empregado comprovar que o
intervalo não foi respeitado.
Os cartões de ponto precisam ser assinados pelo empregado? Não há consenso na doutri-
na e na jurisprudência, mas a corrente majoritária é no sentido de que não precisa ser assina-
do, pois a lei não faz tal exigência ao tratar dos registros de ponto.
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JURISPRUDÊNCIA
JUNTADA DE DOCUMENTO
A juntada de documentos na fase recursal só se justifica quando provado o justo impedi-
mento para sua oportuna apresentação ou se referir a fato posterior à sentença.
Art. 830. O documento em cópia oferecido para prova poderá ser declarado autêntico pelo próprio
advogado, sob sua responsabilidade pessoal.
Parágrafo único. Impugnada a autenticidade da cópia, a parte que a produziu será intimada para
apresentar cópias devidamente autenticadas ou o original, cabendo ao serventuário competente
proceder à conferência e certificar a conformidade entre esses documentos.
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Como consta no dispositivo acima, o próprio advogado pode declarar autêntico o docu-
mento, sob sua responsabilidade pessoal. Se a parte não tiver advogado (estiver exercendo o
jus postulandi), ela própria poderá declarar a autenticidade do documento.
Se o documento for impugnado, deverão ser apresentados os originais. Como a lei não fixa
um prazo, o juiz concede o prazo que entender razoável de acordo com a complexidade dos
documentos a serem juntados.
Aplica-se também ao processo do trabalho o quanto disposto no art. 425 do CPC:
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Há algum fato no processo do trabalho que somente possa ser provado por documento?
Para parte da doutrina, o pagamento de salário somente pode ser provado por recibo, que é
um documento (interpretação literal do art. 464 da CLT). Para outra parte, o recibo é a prova
primordial do pagamento, mas isso não impede que seja provado por qualquer meio de prova.
Dispõe o art. 464 da CLT:
Art. 464 - O pagamento do salário deverá ser efetuado contra recibo, assinado pelo empregado; em
se tratando de analfabeto, mediante sua impressão digital, ou, não sendo esta possível, a seu rogo.
Parágrafo único. Terá força de recibo o comprovante de depósito em conta bancária, aberta para
esse fim em nome de cada empregado, com o consentimento deste, em estabelecimento de crédito
próximo ao local de trabalho.
Não poderão ser testemunhas as pessoas que forem incapazes, impedidas ou suspeitas.
A CLT trata da matéria em um único dispositivo:
Art. 829 - A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer
das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação.
Como você pode observar, o art. 829 da CLT traz um caso de impedimento (parentesco até
o 3º grau) e um caso de suspeição (amigo íntimo ou inimigo). Dá para perceber que a previsão
da CLT é bem incompleta, né? Então, o jeito é aplicarmos o CPC mais uma vez.
O art. 447 do CPC dispõe o seguinte:
Art. 447. Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou
suspeitas.
§ 1º São incapazes:
I – o interdito por enfermidade ou deficiência mental;
II – o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os
fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está habilitado a transmitir as
percepções;
III – o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos;
IV – o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam.
§ 2º São impedidos:
I – o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral, até o
terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse
público ou, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, não se puder obter de outro modo a
prova que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito;
II – o que é parte na causa;
III – o que intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa jurídica,
o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes.
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§ 3º São suspeitos:
I – o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo;
II – o que tiver interesse no litígio.
§ 4º Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, impedidas ou
suspeitas.
§ 5º Os depoimentos referidos no § 4º serão prestados independentemente de compromisso, e o
juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer.
JURISPRUDÊNCIA
TESTEMUNHA. AÇÃO CONTRA A MESMA RECLAMADA. SUSPEIÇÃO
Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra
o mesmo empregador.
O inciso III, do § 1º, do art. 447 estabelece que é incapaz de depor o menor de 16 anos. No
entanto, a doutrina trabalhista majoritária diz que o menor de 18 anos (e não 16) não pode
ser ouvido como testemunha, uma vez que a testemunha precisa firmar o compromisso de
dizer a verdade sob pena de responder por crime de falso testemunho (diz-se que a testemu-
nha é compromissada) e o menor de 18 é inimputável. A doutrina divide da seguinte forma:
a partir de 18 anos é ouvido como testemunha. Entre 16 e 18 anos é ouvido na qualidade de
informante (o informante não presta compromisso e, portanto, não se sujeita ao crime de
falso testemunho).
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Dois dos artigos mais cobrados em concursos, quando o assunto é prova testemunhal, são
os seguintes:
Art. 821 - Cada uma das partes não poderá indicar mais de 3 (três) testemunhas, salvo quando se
tratar de inquérito, caso em que esse número poderá ser elevado a 6 (seis).
RITO SUMARÍSSIMO:
Art. 852-H (...)
2º As testemunhas, até o máximo de duas para cada parte, comparecerão à audiência de instrução
e julgamento independentemente de intimação.
Procedimento
SUMÁRIO
Inquérito judicial (como não há
Procedimento Procedimento
para apuração de previsão legal
ORDINÁRIO SUMARÍSSIMO
falta grave específica,
segue-se o art.
821 da CLT)
3 para cada parte 2 para cada parte 6 para cada parte 3 para cada parte
O PULO DO GATO
O número máximo de testemunhas é para as partes e não para o juiz. Assim, se no rito ordiná-
rio, por exemplo, cada parte já tiver ouvido 3 testemunhas e o juiz entender que é preciso ouvir
mais, para esclarecimento dos fatos, poderá ouvir quantas entender necessárias (ouvirá como
testemunhas do juízo e não das partes).
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De acordo com o parágrafo único, se a parte convidou a testemunha, mas ela não com-
pareceu, poderá ser requerido o adiamento da audiência e a intimação da testemunha para
que compareça à próxima audiência, sob pena de ser conduzida coercitivamente e pagar uma
multa caso falte novamente.
Na primeira audiência em que a testemunha deveria ter ido e não foi, a parte que a con-
vidou precisa fazer prova desse convite para conseguir o adiamento da audiência? Embora
alguns juízes exijam essa prova, não há previsão legal nesse sentido para o processo ordiná-
rio. Apenas em relação ao rito sumaríssimo é que há a exigência (Art. 852-H (...) § 3º Só será
deferida intimação de testemunha que, comprovadamente convidada, deixar de comparecer.
Não comparecendo a testemunha intimada, o juiz poderá determinar sua imediata condução
coercitiva).
A parte pode dizer ao juiz que não precisa intimar a testemunha e que a trará na audiência
seguinte. Se houver nova ausência, a audiência não será novamente adiada e a parte perderá o
direito de ouvir tal testemunha.
Aplica-se à testemunha o art. 819 da CLT, que já vimos lá no depoimento pessoal:
Art. 819 - O depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar a língua nacional será
feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz ou presidente.
§ 1º - Proceder-se-á da forma indicada neste artigo, quando se tratar de surdo-mudo, ou de mudo
que não saiba escrever.
§ 2º As despesas decorrentes do disposto neste artigo correrão por conta da parte sucumbente,
salvo se beneficiária de justiça gratuita.
Art. 824 - O juiz ou presidente providenciará para que o depoimento de uma testemunha não seja
ouvido pelas demais que tenham de depor no processo.
Como já vimos, o juiz faz as perguntas às testemunhas e depois as reperguntas dos ad-
vogados. Quem colhe a prova (quem fala diretamente com a testemunha) é o juiz. Os depoi-
mentos serão resumidos em ata de audiência (art. 828, parágrafo único. Transcrito no próximo
tópico). Não é preciso que conste exatamente as mesmas palavras que a testemunha falou; o
que deve constar é um resumo.
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Qualificar as testemunhas nada mais é do que pegar os seus dados. Dispõe o art. 828,
caput, da CLT:
Art. 828 - Toda testemunha, antes de prestar o compromisso legal, será qualificada, indicando o
nome, nacionalidade, profissão, idade, residência, e, quando empregada, o tempo de serviço pres-
tado ao empregador, ficando sujeita, em caso de falsidade, às leis penais.
Parágrafo único. Os depoimentos das testemunhas serão resumidos, por ocasião da audiência,
pelo secretário da Junta ou funcionário para esse fim designado, devendo a súmula ser assinada
pelo Presidente do Tribunal e pelos depoentes.
Depois de qualificada, a testemunha será compromissada, nos termos do art. 458 do CPC:
Art. 458. Ao início da inquirição, a testemunha prestará o compromisso de dizer a verdade do que
souber e lhe for perguntado.
Parágrafo único. O juiz advertirá à testemunha que incorre em sanção penal quem faz afirmação
falsa, cala ou oculta a verdade.
A testemunha, embora tenha sido indicada por uma das partes, não está lá para defender
interesse da parte que a indicou e sim para colaborar com o juízo. Portanto, em caso de de-
claração falsa responderá por crime de falso testemunho.
Pode ocorrer que, após a qualificação e antes de prestado o compromisso, a parte perce-
ba que a testemunha indicada pela parte contrária não pode depor por ser incapaz, impedida
ou suspeita. Haverá, então, a apresentação de contradita.
A CLT não dispõe nada sobre o procedimento da contradita, então deve ser utilizado o CPC:
Art. 457. Antes de depor, a testemunha será qualificada, declarará ou confirmará seus dados e
informará se tem relações de parentesco com a parte ou interesse no objeto do processo.
§ 1º É lícito à parte contraditar a testemunha, arguindo-lhe a incapacidade, o impedimento ou a
suspeição, bem como, caso a testemunha negue os fatos que lhe são imputados, provar a con-
tradita com documentos ou com testemunhas, até 3 (três), apresentadas no ato e inquiridas em
separado.
§ 2º Sendo provados ou confessados os fatos a que se refere o § 1º, o juiz dispensará a testemu-
nha ou lhe tomará o depoimento como informante.
§ 3º A testemunha pode requerer ao juiz que a escuse de depor, alegando os motivos previstos
neste Código, decidindo o juiz de plano após ouvidas as partes.
Repetindo (como você sabe, a repetição é a chave da memorização ): a contradita deve
ser apresentada após a qualificação e antes de a testemunha prestar compromisso. Se
não for feita no momento oportuno, ocorre a preclusão da oportunidade de apresentar a
contradita.
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Obs.: Se uma parte oferece a contradita e a parte contrária e a testemunha negam os fatos
(por exemplo, o reclamado diz que a testemunha do reclamante é amiga íntima dele;
ambos negam), aquele que ofereceu a contradita precisa fazer prova de suas alega-
ções. Como vai provar? Por meio de qualquer prova (pode ser pelo depoimento de
outra testemunha, fotos, mensagens em redes sociais, etc.). Mas pode acontecer
de a parte que levantou a contradita não ter provas lá na hora da audiência, afinal,
como não há rol de testemunhas, foi só lá na hora que a parte ficou sabendo quem
seria a testemunha da parte contrária. Nesse caso, o juiz não decidirá a contradita
na própria audiência. Deverá adiar a audiência para que a parte possa fazer prova da
contradita.
Se o juiz acolher a contradita, poderá ouvir a testemunha como mera informante. O infor-
mante não presta compromisso de dizer a verdade sob pena de responder por crime de falso
testemunho e, por isso, a credibilidade que merece seu depoimento é menor.
Art. 822 - As testemunhas não poderão sofrer qualquer desconto pelas faltas ao serviço, ocasiona-
das pelo seu comparecimento para depor, quando devidamente arroladas ou convocadas.
O PULO DO GATO
O artigo 822 fala em “falta”, o que pressupõe ausência durante o dia todo, ou seja, a testemu-
nha pode faltar ao serviço no dia em que compareceu à Justiça do Trabalho para ser ouvida
como testemunha. Como ela fez um grande bem público, ela pode sair da audiência e ir tomar
um sorvete ao invés de voltar para o trabalho. Já a parte somente pode se ausentar pelo pe-
ríodo de tempo em que for necessário para participar da audiência (sai do trabalho, vai para
audiência, e volta para o trabalho quando acabar). Prevê a Súmula 155 do TST: “AUSÊNCIA AO
SERVIÇO. As horas em que o empregado falta ao serviço para comparecimento necessário,
como parte, à Justiça do Trabalho não serão descontadas de seus salários”.
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Art. 823 - Se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será
requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada.
DICA
Se aparecer em concurso uma alterativa dizendo que a perícia
é obrigatória em casos de insalubridade e periculosidade, pode
considerar a alternativa correta. Embora também seja neces-
sária a perícia em casos de acidente ou doença do trabalho, a
matéria é menos abordada.
Art. 195
(...)
§ 2º - Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, seja por Sindicato em
favor de grupo de associado, o juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não
houver, requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do Trabalho.
Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico
ou científico.
§ 1º Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente habilitados e os órgãos
técnicos ou científicos devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz
está vinculado.
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§ 2º Para formação do cadastro, os tribunais devem realizar consulta pública, por meio de divulga-
ção na rede mundial de computadores ou em jornais de grande circulação, além de consulta direta
a universidades, a conselhos de classe, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Ordem dos
Advogados do Brasil, para a indicação de profissionais ou de órgãos técnicos interessados.
§ 3º Os tribunais realizarão avaliações e reavaliações periódicas para manutenção do cadastro,
considerando a formação profissional, a atualização do conhecimento e a experiência dos peritos
interessados.
§ 4º Para verificação de eventual impedimento ou motivo de suspeição, nos termos dos arts. 148 e
467 , o órgão técnico ou científico nomeado para realização da perícia informará ao juiz os nomes e
os dados de qualificação dos profissionais que participarão da atividade.
§ 5º Na localidade onde não houver inscrito no cadastro disponibilizado pelo tribunal, a nomeação
do perito é de livre escolha pelo juiz e deverá recair sobre profissional ou órgão técnico ou científico
comprovadamente detentor do conhecimento necessário à realização da perícia.
E se o reclamado tiver, por exemplo, confessado que o local de trabalho é insalubre, preci-
sará de perícia? Se for confissão real (e não ficta), pode ser dispensada a perícia desde que não
haja divergência entre as partes em relação ao grau de insalubridade (a insalubridade pode ser
em grau mínimo (adicional de 10%), médio (adicional de 20%) e máximo (adicional de 40%)). Se
o reclamado confessar a existência de insalubridade e as partes estiverem de acordo quanto
ao grau, pode ser dispensada a perícia. Se houver divergência quanto ao grau, será necessária
a perícia. Também haverá necessidade de perícia se for confissão ficta, como já vimos.
Se não for possível a realização da perícia, admite-se a prova emprestada, como já vimos hoje.
De acordo com o art. 464 do CPC, “A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avalia-
ção”. Vamos ver cada uma delas:
a) exame: inspeção de pessoas, animais e coisas. É o caso da perícia médica para apuração de
incapacidade ou de doença decorrente do trabalho, bem como o caso da perícia grafotécnica;
b) vistoria: inspeção de imóveis ou lugares. É o caso das perícias para apuração de insalu-
bridade e periculosidade, pois o perito avalia o local onde o trabalho era exercido;
c) avaliação: serve para estimar o valor de determinadas coisas, bens ou obrigações. Seria
o caso da perícia contábil.
Prevê o § 1º do referido artigo 464 do CPC:
“§ 1º O juiz indeferirá a perícia quando: I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de
técnico; II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III - a verificação for impraticável”.
“Art. 852-H
(...)
§ 4º Somente quando a prova do fato o exigir, ou for legalmente imposta, será deferida prova técni-
ca, incumbindo ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da perícia e nomear perito”.
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2.4.1. Procedimento
Art. 3º Os exames periciais serão realizados por perito único designado pelo Juiz, que fixará o prazo
para entrega do laudo.
Parágrafo único. Permitir-se-á a cada parte a indicação de um assistente, cuja laudo terá que ser
apresentado no mesmo prazo assinado para o perito, sob pena de ser desentranhado dos autos.
Não caia na besteira de ler o art. 826 da CLT. Ele foi revogado tacitamente pela Lei n.
5.584/1970. O perito é um só, nomeado pelo juiz. O que as partes podem fazer é indicar assis-
tente técnico, que é um profissional de confiança da parte que o indicou. O assistente age em
defesa do interesse da parte que o contratou, não se aplicam a ele as hipóteses de suspeição
ou impedimento, pois eles não são imparciais mesmo. O assistente é remunerado pela própria
parte e deve apresentar o laudo no mesmo prazo fixado para o perito.
O juiz nomeia apenas um perito para cada perícia. Mas se forem necessárias, por exemplo,
perícia de insalubridade e perícia médica, serão nomeados dois peritos diferentes (provavel-
mente um engenheiro do trabalho e um médico do trabalho).
JURISPRUDÊNCIA
PERÍCIA. ENGENHEIRO OU MÉDICO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE E PERICULOSI-
DADE. VÁLIDO. ART. 195 DA CLT
O art. 195 da CLT não faz qualquer distinção entre o médico e o engenheiro para efeito de
caracterização e classificação da insalubridade e periculosidade, bastando para a elabo-
ração do laudo seja o profissional devidamente qualificado.
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Art. 479. O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto no art. 371 , indicando na senten-
ça os motivos que o levaram a considerar ou a deixar de considerar as conclusões do laudo, levando
em conta o método utilizado pelo perito.
-----------
Art. 480. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova perícia quan-
do a matéria não estiver suficientemente esclarecida.
§ 1º A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre os quais recaiu a primeira e destina-
-se a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos resultados a que esta conduziu.
§ 2º A segunda perícia rege-se pelas disposições estabelecidas para a primeira.
§ 3º A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz apreciar o valor de uma e de outra.
Se o resultado da perícia for inconclusivo e o juiz não ficar satisfeito com a qualidade do
serviço, poderá nomear novo perito. Mas o juiz não pode decidir questão técnica simplesmente
pela sua cabeça, sem qualquer embasamento. Se achar o resultado da perícia insatisfatório,
o juiz nomeia outro perito ou afasta a conclusão pericial e decide em sentido contrário, mas
sempre de forma extremamente fundamentada nas demais provas constantes nos autos.
Estudamos a matéria quando vimos o ponto justiça gratuita. Mas vamos revisar aqui, pois
como você já sabe, a repetição... ☺
Quem paga os honorários periciais é a parte que foi sucumbente na pretensão objeto da
perícia (veja: não é sucumbente na ação, mas sim sucumbente no objeto da perícia)
EXEMPLO
O reclamante pediu adicional de insalubridade, horas extras e adicional noturno. Ele ganhou
horas extras e adicional noturno. Mas em relação à insalubridade, a perícia concluiu que o local
não era insalubre. O reclamante foi sucumbente em relação ao objeto da perícia (pedido de
insalubridade) e terá de pagar os honorários periciais.
A questão está tratada no art. 790-B da CLT (artigo importantíssimo! Leia com bastante atenção):
Art. 790-B. A responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na
pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita.
§ 1º Ao fixar o valor dos honorários periciais, o juízo deverá respeitar o limite máximo estabelecido
pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho.
§ 2º O juízo poderá deferir parcelamento dos honorários periciais.
§ 3º O juízo não poderá exigir adiantamento de valores para realização de perícias.
§ 4º Somente no caso em que o beneficiário da justiça gratuita não tenha obtido em juízo créditos
capazes de suportar a despesa referida no caput, ainda que em outro processo, a União responderá
pelo encargo.
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O valor dos honorários periciais é devido ao perito, que é um particular que executou um
trabalho nos autos e precisa ser remunerado. Portanto, os honorários periciais não são abran-
gidos pela justiça gratuita.
Conforme se extrai do § 4º acima transcrito, se a parte que foi sucumbente no objeto da pe-
rícia for beneficiária da justiça gratuita e não tiver recebido crédito suficiente para fazer frente
à despesa, quem pagará os honorários periciais será a União.
O que vimos até aqui se refere à fase de conhecimento.
Na fase de execução, prevê o art. 879, § 6º, da CLT:
§ 6º Tratando-se de cálculos de liquidação complexos, o juiz poderá nomear perito para a elabora-
ção e fixará, depois da conclusão do trabalho, o valor dos respectivos honorários com observância,
entre outros, dos critérios de razoabilidade e proporcionalidade.
O referido artigo não estabelece de quem é a responsabilidade pelo pagamento dos hono-
rários periciais em fase de execução. A corrente majoritária é no sentido de que o pagamento
deva ser feito pelo executado.
Não é cabível a exigência de honorários periciais prévios no processo do trabalho. Além
da vedação estar prevista no § 3º do art. 790 da CLT, está disposta na OJ 98 da SDI-II do TST:
JURISPRUDÊNCIA
OJ 98 SDI-II/TST
MANDADO DE SEGURANÇA. CABÍVEL PARA ATACAR EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO PRÉVIO
DE HONORÁRIOS PERICIAIS
É ilegal a exigência de depósito prévio para custeio dos honorários periciais, dada a
incompatibilidade com o processo do trabalho, sendo cabível o mandado de segurança
visando à realização da perícia, independentemente do depósito.
JURISPRUDÊNCIA
HONORÁRIOS DO ASSISTENTE TÉCNICO. A indicação do perito assistente é faculdade
da parte, a qual deve responder pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no
objeto da perícia.
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EXEMPLO
Em audiência as testemunhas divergem sobre o local onde fica o relógio de ponto dentro da
empresa. O juiz decide ir ele mesmo verificar onde fica o tal relógio. O juiz pode suspender a
audiência e ir imediatamente, ou marcar uma data para inspeção.
Art. 481. O juiz, de ofício ou a requerimento da parte, pode, em qualquer fase do processo, inspecio-
nar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato que interesse à decisão da causa.
Art. 482. Ao realizar a inspeção, o juiz poderá ser assistido por um ou mais peritos.
Art. 483. O juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa quando:
I – julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva observar;
II – a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou graves dificuldades;
III – determinar a reconstituição dos fatos.
Parágrafo único. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e
fazendo observações que considerem de interesse para a causa.
Art. 484. Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado, mencionando nele tudo
quanto for útil ao julgamento da causa.
Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com desenho, gráfico ou fotografia.
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RESUMO
• Os fatos que não dependem de prova são os seguintes: fatos notórios, fatos afirmados
por uma parte e confessados pela parte contrária, fatos incontroversos, fatos sobre os
quais haja presunção de existência e veracidade.
• A prova emprestada ocorre quando uma prova produzida num determinado processo é
utilizada (diz-se “trasladada”) em outro. O instituto é amplamente admitido no processo
do trabalho.
Para que seja possível a utilização da prova emprestada, alguns requisitos devem ser ob-
servados: a) ter sido produzida em processo judicial em que figuraram como autor e réu as
mesmas partes, ou pelo menos uma das partes (geralmente a empresa reclamada) e terceiro;
b) ter sido respeitado o contraditório no processo em que a prova foi produzida; c) o fato que
se pretende provar deve ser idêntico nos dois processos.
A prova emprestada pode ser requerida por qualquer das partes, por ambas ou determina-
da pelo juiz.
• O ônus da prova no processo do trabalho está tratado no art. 818 da CLT. A regra geral
(prevista nos incisos I e II do art. 818) é a de que o reclamante tem o ônus de provar
os fatos constitutivos de seu direito e o reclamado o ônus de provar fatos impeditivos,
extintivos ou modificativos de tal direito. A essa regra a doutrina dá o nome de ônus
estático da prova.
Se a parte que tem o ônus não se desincumbir dele, não o cumpri-lo, a decisão será favo-
rável à parte contrária. No entanto, o juiz somente se valerá disso quando não houver provas
suficientes nos autos. Se houver prova suficiente no processo para formar o convencimento, o
juiz julga de acordo com as provas.
Os §§ 1º, 2º e 3º do art. 818 contemplam a teoria da carga dinâmica do ônus da prova, que
consiste na possibilidade de o juiz atribuir o ônus da prova à parte que tenha maiores condi-
ções de produzir a prova.
Na distribuição dinâmica o juiz deve informar as partes acerca dessa distribuição antes
da audiência de instrução. Isso está previsto de forma expressa no § 2º do art. 828. O intuito
é que a parte possa providenciar todas as provas cabíveis e não haja cerceamento de defesa.
Se parte entender necessário, pode requerer o adiamento da audiência.
A distribuição diversa do ônus da prova, no processo do trabalho, não pode ser convencio-
nada pelas partes, conforme decidiu o TST por meio da Instrução Normativa 39:
“Art. 2º Sem prejuízo de outros, não se aplicam ao Processo do Trabalho, em razão de inexistência
de omissão ou por incompatibilidade, os seguintes preceitos do Código de Processo Civil:
(...)
VII – art. 373, §§ 3º e 4º (distribuição diversa do ônus da prova por convenção das partes);”
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• A Constituição Federal veda as provas obtidas por meio ilícito. Entretanto, essa regra
tem sido mitigada em alguns casos concretos, mediante a utilização dos princípios da
proporcionalidade e razoabilidade.
Para que o juiz utilize a proporcionalidade e passe por cima do regramento constitucional,
ele deve observar o seguinte: a) não deve haver outro meio de se conseguir a prova; b) a prova
deve ser imprescindível para resolver a controvérsia; c) a parte que produziu a prova ilícita deve
ter agido com lealdade e boa-fé, sem cometer excessos; d) ponderação de princípios no caso
concreto para saber qual merecerá maior proteção.
• No processo do trabalho não há requerimento de produção de provas. O reclamante
junta seus documentos com a inicial; o reclamado junta os seus com a contestação; e
as provas orais são produzidas em audiência (independentemente de requerimento e de
apresentação de rol de testemunhas).
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E se o pagamento for feito em dinheiro e não tiver recibo assinado pelo empregado? Presu-
me-se que o pagamento não foi feito e é ônus do empregador provar o pagamento.
Se há recibo assinado e o empregado alega que o valor não é correto, pois, na verdade, re-
cebia mais, como fica a prova? O empregado é que deverá provar que o valor não está correto.
O recibo de pagamento assinado pelo empregado tem presunção relativa de veracidade.
O próprio advogado pode declarar autêntico o documento, sob sua responsabilidade pes-
soal. Se a parte não tiver advogado (estiver exercendo o jus postulandi), ela própria poderá
declarar a autenticidade do documento.
• A prova testemunhal é a prova mais comum no processo do trabalho. A prova testemu-
nhal é sempre admissível, exceto em relação aos seguintes fatos: a) fatos já provados
por documento ou confissão da parte; b) fatos que só puderem ser provados por docu-
mento ou perícia.
Não poderão ser testemunhas as pessoas que forem incapazes, impedidas ou suspeitas.
O fato de a testemunha ter ajuizado ação contra o mesmo empregador não a torna, por si
só, suspeita.
Agora, se uma determinada testemunha prestou depoimento no processo do reclamante, o
reclamante não poderá prestar depoimento no processo dessa mesma testemunha, pois isso
configuraria troca de favores.
Número máximo de testemunhas:
Procedimento
SUMÁRIO
Inquérito judicial (como não há
Procedimento Procedimento
para apuração de previsão legal
ORDINÁRIO SUMARÍSSIMO
falta grave específica,
segue-se o art.
821 da CLT)
3 para cada parte 2 para cada parte 6 para cada parte 3 para cada parte
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Art. 823 - Se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será
requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada.
• Quando houver discussão no processo sobre matéria que exija conhecimento técnico,
será necessária a realização de perícia por profissional qualificado. No processo do tra-
balho, em regra, exigem conhecimento técnico as seguintes matérias: insalubridade, pe-
riculosidade e acidente ou doença do trabalho.
Quem paga os honorários periciais é a parte que foi sucumbente na pretensão objeto da perícia.
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QUESTÕES DE CONCURSO
001. (QUADRIX/CRECI - 14ª REGIÃO (MS)/ADVOGADO/2021) A instrução é a fase do pro-
cesso de conhecimento em que são colhidas as provas que formarão o convencimento do juiz
acerca dos fatos narrados pelo autor, pelo réu ou por terceiro. No que se refere aos meios de
prova admitidos no direito processual trabalhista, julgue o item.
A confissão ficta, que goza de presunção absoluta, dá-se à parte que, expressamente intimada com
aquela cominação, não comparecer à audiência em que deveria prestar seu depoimento pessoal.
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lubridade nunca pago ao longo do contrato de trabalho e danos morais decorrentes de assédio
moral. Nessa reclamatória, foi atribuído como valor da causa o importe de cinquenta mil reais.
Acerca dessa situação hipotética, julgue o item que segue.
Carla poderá indicar como testemunhas ex-empregados da empresa. No entanto, a testemu-
nha que tiver ajuizado ação contra a mesma reclamada poderá ser contraditada pela parte
contrária e seu depoimento poderá ser tomado apenas na condição de informante do juízo.
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d) deferida, pois o fato de a testemunha ter ajuizado reclamação trabalhista contra a reclama-
da torna questionável, como meio de prova, o depoimento dela.
e) indeferida, haja vista que o simples fato de litigar contra a mesma reclamada não é razão
suficiente para gerar suspeição.
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d) o fato de estar litigando contra a empresa não torna Margarida impedida nem suspeita de
depor como testemunha;
e) o juiz deve acolher a contradita se Margarida estiver sendo assistida na sua ação pelo mes-
mo advogado que dá assessoria à autora do caso em que irá depor.
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d) Cada uma das partes, no procedimento ordinário e também quando se tratar de inquérito
para apuração de falta grave, não poderá indicar mais de 3 testemunhas.
e) A testemunha que for parente até o segundo grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer
das partes, prestará compromisso, mas o seu depoimento valerá como simples informação.
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GABARITO
1. E 18. d 35. a
2. C 19. c 36. c
3. d 20. C 37. b
4. c 21. c 38. e
5. d 22. c 39. c
6. c 23. b 40. e
7. b 24. C 41. a
8. b 25. e 42. d
9. E 26. b 43. E
10. b 27. c 44. a
11. C 28. E 45. c
12. C 29. a 46. C
13. c 30. a 47. C
14. C 31. b 48. e
15. a 32. d 49. a
16. b 33. b
17. E 34. d
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GABARITO COMENTADO
001. (QUADRIX/CRECI - 14ª REGIÃO (MS)/ADVOGADO/2021) A instrução é a fase do pro-
cesso de conhecimento em que são colhidas as provas que formarão o convencimento do juiz
acerca dos fatos narrados pelo autor, pelo réu ou por terceiro. No que se refere aos meios de
prova admitidos no direito processual trabalhista, julgue o item.
A confissão ficta, que goza de presunção absoluta, dá-se à parte que, expressamente intimada com
aquela cominação, não comparecer à audiência em que deveria prestar seu depoimento pessoal.
PEGADINHA DA BANCA
A confissão ficta goza de presunção relativa e não de presunção absoluta. O resto está certo.
Obs.: Presunção relativa quer dizer que essa presunção pode ser contrariada por prova em
sentido contrário.
EXEMPLO
O reclamando não comparece à audiência inicial e é declarada sua revelia e aplicada pena de
confissão ficta. Mas o juiz acha muito absurda a tese da inicial e decide interrogar o reclaman-
te. O reclamante acaba confessando várias coisas. Essa confissão será usada como prova
para elidir os efeitos da revelia. Portanto, a presunção de veracidade é apenas relativa, poden-
do ser evitada por outras provas constantes dos autos.
Errado.
A CLT, ao tratar do ônus dinâmico da prova, não faz qualquer ressalva no sentido de que será
aplicado somente ao empregador. Qualquer uma das partes que tenha melhores condições de
produzir a prova, poderá ser intimada a produzi-la.
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a) Errada. Começou lindo, mas se perdeu no “sem qualquer exceção”. O § 1º do art. 818 da CLT
contempla exceção (trata da carga dinâmica do ônus da prova).
b) Errada. está tão errado que ficou até difícil de entender essa redação, não foi? Só sei que
“com exceção à existência de fato modificativo” já deixou tudo errado. Rsrs. O reclamado deve
provar fatos extintivos, impeditivos E modificativos do direito do reclamante (art. 818).
c) Errada. Mesmo caso da alternativa anterior.
d) Certa. A alternativa disse exatamente tudo que está no art. 818 da CLT.
Letra d.
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a) Errada. Completamente errado. Nunca se esqueça disto: dizer que o princípio do in dubio pro
operário está ligado à questão probatória é totalmente errado. E o final da alternativa é absur-
do: dizer que o ônus da prova é sempre invertido não faz o menor sentido, pois a inversão do
ônus da prova é uma exceção.
b) Errada. Para evitar surpresa à parte contrária, a decisão fundamentada de inversão deverá
ser proferida ANTES da instrução para que a parte possa produzir as provas necessárias.
c) Certa. Perfeito. É o que dispõe o § 1º do art. 818 da CLT.
d) Errada. A redação é bem confusa, mas a verdade é que se a incumbência de provar o fato for
muito difícil ou impossível para uma das partes, o juiz passará o ônus à parte contrária.
e) Errada. Se a parte não requerer o adiamento da audiência, a audiência segue. Art. 818,
§ 2º, CLT.
Letra c.
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a) Errada. É válida, mas não é uma discricionariedade do Juízo. A decisão deve ser sempre
fundamentada.
b) Errada. É válida a inversão do ônus da prova.
c) Errada. Não será cabível a inversão do ônus da prova se ela implicar em ônus despropor-
cional a uma das partes. Aliás, a ideia da inversão é justamente evitar que essa dificuldade
excessiva na produção da prova ocorra.
d) Certa. Perfeita.
e) Errada. É possível a inversão do ônus da prova e, além disso, o § 1º do art. 818 da CLT prevê
a distribuição dinâmica do ônus da prova. Portanto, não se pode dizer que “a legislação é ta-
xativa quanto ao ônus da prova do Reclamante, quando se trata de fato constitutivo de direito”,
pois a própria legislação (CLT) traz exceções.
Letra d.
a) Errada. No inquérito judicial parta apuração de falta grave cada parte poderá apresentar até
seis testemunhas.
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b) Errada. Quem indica o perito é o juiz (o perito é alguém de confiança do juiz). As partes têm
a faculdade de indicar um assistente pericial para acompanhar a perícia.
c) Certa. Art. 825 da CLT.
d) Errada. A irmã do reclamante não pode ser testemunha (e, portanto, não presta compromis-
so). Poderá ser ouvida, no máximo, como informante. Art. 829 da CLT.
e) Errada. O advogado pode, sim, declarar o documento autêntico sob sua responsabilidade.
Art. 830 da CLT.
Letra c.
I – Errada.
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III – A decisão judicial, que redistribuir dinamicamente o ônus da prova, deverá ser proferida
antes da abertura da instrução e, a requerimento da parte, implicará o adiamento da audiência
e possibilitará provar os fatos por qualquer meio em direito admitido.
IV – O empregador reclamado, a quem o juízo atribuir o encargo de produzir prova excessiva-
mente difícil, poderá interpor recurso de imediato, a fim de restabelecer o equilíbrio da relação
processual.
Estão corretas as assertivas
a) I, II e III, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I, II e IV, apenas.
d) I e IV, apenas.
I – Errada. A distribuição diversa do ônus da prova não pode ser convencionada pelas partes.
Isso consta expressamente na Instrução Normativa 39 do TST:
“Art. 2º Sem prejuízo de outros, não se aplicam ao Processo do Trabalho, em razão de inexistência
de omissão ou por incompatibilidade, os seguintes preceitos do Código de Processo Civil:
(...)
VII – art. 373, §§ 3º e 4º (distribuição diversa do ônus da prova por convenção das partes);”
Quando a matéria depender de prova técnica (como é o caso do pedido de insalubridade, peri-
culosidade, acidente do trabalho), o juiz deverá mandar realizá-la, ainda que a parte seja revel
ou tenha sido aplicada a pena de confissão ficta. Não pode ser dispensada a perícia em razão
de confissão ficta da parte.
Errado.
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a) Errada. A testemunha será impedida se for parente até o terceiro grau civil.
Art. 829 - A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qual-
quer das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação.
Obs.: Toda testemunha considerada impedida ou suspeita poderá ser ouvida como infor-
mante, a critério do juiz.
c) Errada. As custas ficam a cargo da parte sucumbente. Na Justiça do Trabalho nem tem De-
fensoria Pública.
Art. 819 - O depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar a língua nacional será
feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz ou presidente.
§ 1º - Proceder-se-á da forma indicada neste artigo, quando se tratar de surdo-mudo, ou de mudo
que não saiba escrever.
§ 2º As despesas decorrentes do disposto neste artigo correrão por conta da parte sucumbente,
salvo se beneficiária de justiça gratuita.
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Art. 830. O documento em cópia oferecido para prova poderá ser declarado autêntico pelo próprio
advogado, sob sua responsabilidade pessoal.
Certo.
Art. 823 - Se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será
requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada.
Certo.
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b) Errada. As testemunhas, até o máximo de quatro DUAS para cada parte, comparecerão à
audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. Art. 852-H, § 2º, CLT.
c) Certa. É exatamente o que diz o § 4º, do art. 852-H, da CLT.
d) Errada.
Art. 852-F. Na ata de audiência serão registrados resumidamente os atos essenciais, as afirmações
fundamentais das partes e as informações úteis à solução da causa trazidas pela prova testemunhal.
Letra c.
O ônus dinâmico da prova foi incluído pela reforma trabalhista, no art. 818, § 1º, da CLT. O juiz
poderá determinar que a prova seja produzida pela parte que tem melhores condições para
tanto, independentemente de ser o reclamante ou o reclamado.
Certo.
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Art. 790-B. A responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na
pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita.
§ 1º Ao fixar o valor dos honorários periciais, o juízo deverá respeitar o limite máximo estabelecido
pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho.
§ 2º O juízo poderá deferir parcelamento dos honorários periciais.
§ 3º O juízo não poderá exigir adiantamento de valores para realização de perícias.
§ 4º Somente no caso em que o beneficiário da justiça gratuita não tenha obtido em juízo créditos
capazes de suportar a despesa referida no caput, ainda que em outro processo, a União responderá
pelo encargo.
a) Errada. O Juízo não PODE deferir o parcelamento dos honorários periciais. Art. 790-B,
§ 2º, CLT.
b) Certa. Art. 790-B, § 2º CLT.
c) Errada. O Juízo NÃO pode determinar o adiantamento dos honorários periciais, a fim de pos-
sibilitar a realização da perícia.
d) Errada. Ainda que beneficiário da justiça gratuita, o sucumbente é responsável pelo paga-
mento de honorários periciais.
e) Errada. A União responderá pelo encargo do pagamento dos honorários periciais se a par-
te responsável pelo pagamento for beneficiária da justiça gratuita e não tiver obtido créditos
suficientes para arcar com o pagamento no processo em que a perícia foi feita ou mesmo em
outro processo.
Letra b.
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Não existe rol de testemunhas no processo do trabalho e não é a secretaria quem faz a intima-
ção. A própria parte leva suas testemunhas à audiência. Só haverá intimação pela Vara se a
testemunha não comparecer à audiência e a parte requerer a sua intimação para uma próxima
audiência.
Art. 845 - O reclamante e o reclamado comparecerão à audiência acompanhados das suas testemu-
nhas, apresentando, nessa ocasião, as demais provas.
Errado.
a) Errada.
Art. 823 - Se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será
requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada.
b) Errada. A contradita deve ser apresentada após a qualificação e antes de prestar compro-
misso (deixe a testemunha se apresentar primeiro, depois você entra com a contradita. rsrs).
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c) Errada. As partes devem chegar com as suas testemunhas na audiência. Não há esse prazo
para arrolar testemunhas.
Art. 845 - O reclamante e o reclamado comparecerão à audiência acompanhados das suas testemu-
nhas, apresentando, nessa ocasião, as demais provas.
I – Tudo errado. Procedimento ordinário: 3 testemunhas para cada parte; Procedimento su-
maríssimo: 2 testemunhas para cada parte; Inquérito judicial para apuração de falta grave: 6
testemunhas para cada parte.
II – A testemunha que for parente até o segundo TERCEIRO grau civil, amigo íntimo ou inimigo
de qualquer das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples
informação. (Art. 829, CLT).
III – correto. É o que diz o art. 828, parágrafo único, da CLT.
Letra c.
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c) Errada. Como veremos na aula de recursos, o recurso interposto no STF (recurso extraordi-
nário) não tem efeito suspensivo e, portanto, a execução continua seu trânsito.
d) Certa. Art. 894, § 4º, CLT. (Ainda veremos isso na aula de recursos).
Letra c.
a) Muito errada! As duas partes têm a obrigação de provar, da seguinte maneira:
b) Certa.
Art. 820 - As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiri-
das, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus representantes ou advogados.
Art. 822 - As testemunhas não poderão sofrer qualquer desconto pelas faltas ao serviço, ocasiona-
das pelo seu comparecimento para depor, quando devidamente arroladas ou convocadas.
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d) Errada. O juiz deverá garantir que o depoimento de uma testemunha NÃO seja ouvido pelas
demais que tenham de depor no processo. Art. 824, CLT.
e) Errada. O perito é nomeado pelo juiz; não é escolhido pelas partes. E a nomeação de assis-
tente técnico é uma faculdade da parte (só nomeia se quiser).
Letra b.
JURISPRUDÊNCIA
TESTEMUNHA. AÇÃO CONTRA A MESMA RECLAMADA. SUSPEIÇÃO
Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra
o mesmo empregador.
Certo.
a) Errada. Como te falei há pouco, as duas partes têm a obrigação de provar, da forma como
disposto no art. 818 da CLT.
b) Errada. Ordinário: 3. Sumaríssimo: 2. Inquérito judicial: 6.
c) Errada. A parte não indica perito mesmo; quem escolhe é o juiz. Mas as partes podem no-
mear assistente técnico.
d) Errada. Quem pode declarar o documento autêntico é o advogado.
Art. 830. O documento em cópia oferecido para prova poderá ser declarado autêntico pelo próprio
advogado, sob sua responsabilidade pessoal.
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e) Certa. A testemunha não prestará compromisso e será ouvida como mero informante.
Art. 829, CLT.
Letra e.
a) Errada. Se for tornar excessivamente difícil, a inversão do ônus da prova não pode ser feita.
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empresa “B” negou o despedimento. Nesses casos, o ônus de provar o término do contrato de
trabalho nas reclamações trabalhistas “X” e “Y”, de acordo com o entendimento Sumulado do
Tribunal Superior do Trabalho
a) é, respectivamente, de Ronaldo e da empresa “B”.
b) é, respectivamente, da empresa “L” e de Frederica.
c) é, respectivamente, da empresa “L” e da empresa “B”.
d) é, respectivamente, de Ronaldo e de Frederica.
e) dependerá do rito processual a ser seguido.
Olha, eu juro para você que poucas que poucas vezes vi um enunciado tão confuso. Dava para
ter feito uma redação direta, sem essas voltas... Enfim, a vida de concurseiro não é fácil. Rsrs.
Mas vale à pena e esta fase passa rápido!
Vamos por partes.
1º contrato (empresa L). Pedido: reconhecimento do vínculo de emprego. Argumento da defe-
sa: empresa nega que o reclamante tenha lhe prestado serviços.
2º contrato (empresa B). Pedido: verbas rescisórias. Argumento da defesa: não houve dispensa.
O que diz o TST:
JURISPRUDÊNCIA
Súmula n. 212 do TST
DESPEDIMENTO. ÔNUS DA PROVA
O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de ser-
viço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de
emprego constitui presunção favorável ao empregado.
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O fato de a testemunha ter ação contra o mesmo empregador, com objeto idêntico, não indica,
por si só, que a testemunha seja suspeita.
Súmula 357 do TST:
JURISPRUDÊNCIA
TESTEMUNHA. AÇÃO CONTRA A MESMA RECLAMADA. SUSPEIÇÃO
Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra
o mesmo empregador.
Errado.
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c) Errada. A decisão deve ser proferida antes da abertura da audiência de instrução, e pode
haver adiamento da audiência respectiva a requerimento da parte (art. 818, § 2º, CLT).
d) Errada. O momento adequado é antes da abertura da instrução. E a parte que receber o ônus
de fazer a prova deve se desincumbir dele (ou seja, deve fazer a prova). No entanto, a inversão
“não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente
difícil” (art. 818, § 3º, CLT).
Provavelmente você deva estar pensando que a redação da alternativa não foi das melhores.
E eu concordo com você.
e) Errada. Quando houver impossibilidade ou excessiva dificuldade de uma das partes cumprir
seu encargo probatório, haverá a distribuição dinâmica do ônus da prova, previsto no art. 818,
§ 1º, CLT.
Letra a.
a) Errada. O número máximo de testemunhas no rito ordinário é de 3 para cada parte e não 5.
b) Certa. Art. 818, II, CLT.
c) Certa. Art. 819, CLT.
d) Certa. Art. 823, CLT.
e) Certa. Art. 830, CLT.
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a) Errado. Deve ser antes da abertura da instrução, para que a parte tenha tempo de providen-
ciar as provas necessárias.
b) Certa. Art. 818, § 2º, CLT.
c) Errada. A inversão deve ocorrer antes da abertura da instrução.
d) Errada. Se for após a regular instrução processual, terá sido cerceado o direito da parte de
produzir prova que teria produzido caso soubesse da inversão do ônus probatório.
e) Errada. A inversão deve ocorrer na fase de conhecimento, antes da abertura da instrução.
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d) A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer
das partes não prestará compromisso e seu depoimento valerá como simples informação.
e) Cada uma das partes, no procedimento ordinário e nos casos de inquérito para apuração de
falta grave, não poderá indicar mais de três testemunhas.
a) Errada. O intérprete deve ser nomeado pelo juiz e não pela parte. E quem paga as custas é a
parte sucumbente, ainda que beneficiária da justiça gratuita.
Art. 819 - O depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar a língua nacional será
feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz ou presidente.
§ 1º - Proceder-se-á da forma indicada neste artigo, quando se tratar de surdo-mudo, ou de mudo
que não saiba escrever.
§ 2º As despesas decorrentes do disposto neste artigo correrão por conta da parte sucumbente,
salvo se beneficiária de justiça gratuita.
b) Errada. Nos termos da CLT, o parentesco até o quarto TERCEIRO grau civil não prestará com-
promisso como testemunha no processo do trabalho. Art. 829, CLT.
c) Errada. O depoimento das testemunhas que não souberem falar a língua nacional será feito
por meio de intérprete nomeado pelas partes PELO JUIZ. Art. 819, CLT.
d) Certa. É exatamente o que diz o art. 829 da CLT.
e) Errada. Em relação ao procedimento ordinário está certo; mas no inquérito para apuração de
falta grave poderão ser indicadas até 6 testemunhas por cada parte.
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Procedimento
Inquérito SUMÁRIO
Procedimento Procedimento judicial para (como não há previsão
ORDINÁRIO SUMARÍSSIMO apuração de legal específica,
falta grave segue-se o art. 821 da
CLT)
3 para cada parte 2 para cada parte 6 para cada parte 3 para cada parte
Letra b.
I – Nos casos previstos em lei ou sendo impossível ou excessivamente difícil para a parte
cumprir seu ônus probatório, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, funda-
mentando sua decisão desde logo (ATÉ AQUI ESTAVA PERFEITO). ou deixando para fazê-lo na
sentença, uma vez que se trata de decisão interlocutória. Esse final estragou tudo... A decisão
deve ser fundamentada no momento em que o juiz a toma.
II – Perfeito. art. 818, § 1º, CLT
III – Correto. art. 818, § 3º, CLT.
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IV – Errado. A decisão do juiz de atribuir o ônus da prova de modo diverso deverá ser proferida
após a ANTES DA abertura da instrução e sempre implicará no adiamento da audiência, inde-
pendentemente do DESDE QUE HAJA requerimento da parte, possibilitando provar fatos por
qualquer meio em direito admitido.
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III – Correto.
IV – Errado. Se o reclamado não comparecer à audiência inicial, mas seu advogado estiver
presente, o juiz DEVERÁ aceitar a contestação e os documentos eventualmente apresentados,
com o fim de evitar os efeitos da confissão.
a) Errada. Nos processos que correm pelo procedimento sumaríssimo, cada parte pode indi-
car, no máximo, quatro DUAS testemunhas. (Art. 852-H, § 2º, CLT)
b) Errada. A condução coercitiva de testemunha está prevista no parágrafo único do art. 825
da CLT, transcrito mais abaixo.
c) Certa. É ônus da parte levar as testemunhas à audiência. Apenas se a testemunha convida-
da não comparecer é que haverá intimação para audiência seguinte.
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d) Errada.
Os cegos podem prestar depoimento na condição de testemunha, desde que a ciência do fato
não dependa da visão (art. 447. § 1º, IV, CPC).
As demais pessoas relacionadas (cônjuge, criança e interessados no litígio) não podem ser
ouvidas como testemunhas. Enquanto a criança é incapaz de ser testemunha, o cônjuge é im-
pedido e o interessado no litígio é suspeito.
Letra b.
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JURISPRUDÊNCIA
TESTEMUNHA. AÇÃO CONTRA A MESMA RECLAMADA. SUSPEIÇÃO
Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra
o mesmo empregador.
Letra e.
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JURISPRUDÊNCIA
Súmula n. 212 do TST
DESPEDIMENTO. ÔNUS DA PROVA
O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de ser-
viço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de
emprego constitui presunção favorável ao empregado.
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JURISPRUDÊNCIA
Súmula n. 461
FGTS. DIFERENÇAS. RECOLHIMENTO. ÔNUS DA PROVA
É do empregador o ônus da prova em relação à regularidade dos depósitos do FGTS, pois
o pagamento é fato extintivo do direito do autor (art. 373, II, do CPC de 2015).
c) Errada. A presunção de veracidade da jornada de trabalho pode ser elidida por prova em
contrário, salvo se AINDA QUE prevista em instrumento normativo;
JURISPRUDÊNCIA
Súmula n. 338 do TST
JORNADA DE TRABALHO. REGISTRO. ÔNUS DA PROVA
I – É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados (DESATUALI-
ZADA. A PARTIR DA REFORMA TRABALHISTA SÃO 20 EMPREGADOS) o registro da jor-
nada de trabalho na forma do art. 74, § 2º, da CLT. A não-apresentação injustificada dos
controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho, a
qual pode ser elidida por prova em contrário.
II – A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em instrumento
normativo, pode ser elidida por prova em contrário.
III – Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são
inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que
passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir.
d) Errada. Em processo que verse sobre pedido de equiparação salarial, o reclamante deve provar
apenas que fazia a mesma atividade que o paradigma, sendo ônus reclamado provar qualquer fato
impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do reclamante (a ausência de mesma produtividade
ou mesma perfeição técnica que o paradigma são fatos impeditivos da equiparação salarial)
JURISPRUDÊNCIA
Súmula n. 6 do TST
EQUIPARAÇÃO SALARIAL. ART. 461 DA CLT
(...)
VIII – É do empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo da
equiparação salarial. (ex-Súmula n. 68 - RA 9/1977, DJ 11.02.1977)
(...)
e) Certa.
JURISPRUDÊNCIA
Súmula n. 460
VALE-TRANSPORTE. ÔNUS DA PROVA
É do empregador o ônus de comprovar que o empregado não satisfaz os requisitos indis-
pensáveis para a concessão do vale-transporte ou não pretenda fazer uso do benefício.
Letra e.
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a) Certa.
b) Errada. A revelia somente deve ser aplicada quando o reclamado falta à primeira audiência.
Quando a falta ocorre na segunda audiência (também chamada audiência em prosseguimento
ou audiência de instrução), não se fala mais em revelia, mas apenas em aplicação da pena de
confissão ficta.
c) Errada. A presença do advogado sem o reclamado só faz diferença na primeira audiência
(permite que a defesa seja recebida, mesmo sem a presença do reclamado). Na segunda audi-
ência não adianta nada estar presente só o advogado. O reclamado deveria comparecer para
prestar depoimento pessoal e o advogado não pode substituí-lo nesta missão. Então o que o
juiz deve fazer é aplicar a pena de confissão ficta ao reclamado e não há, em regra, necessida-
de de produção de outras provas (a não ser que seja necessária perícia, ou que o juiz entenda
que a alegação do reclamante é inverossímil, etc.).
d) Errada. não há previsão legal ou jurisprudencial a respeito, assim o juiz deverá apreciar a
situação com equidade e definir o destino do feito como entender justo;
e) Errada. Não será adiada a audiência. O reclamado pode ser representado por qualquer pre-
posto. Se um não puder ir, o reclamado que mande outro. Além disso, ainda que se quisesse
tentar um adiamento, o advogado deveria ter comprovado na própria audiência a impossibi-
lidade de comparecimento do cliente (e mesmo assim é muito discutível a possibilidade de
adiamento).
Letra a.
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JURISPRUDÊNCIA
TESTEMUNHA. AÇÃO CONTRA A MESMA RECLAMADA. SUSPEIÇÃO
Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra
o mesmo empregador.
Letra d.
JURISPRUDÊNCIA
TESTEMUNHA. AÇÃO CONTRA A MESMA RECLAMADA. SUSPEIÇÃO
Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra
o mesmo empregador.
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Obs.: Se os objetos das ações forem diferentes, é pacífico que não há suspeição da testemu-
nha. Além disso, o TST tem entendido que mesmo que a causa de pedir e os pedidos
sejam idênticos, isso não caracteriza, por si só, a suspeição da testemunha. Acerca
desse assunto, vou colocar aqui uma notícia do TST:
JURISPRUDÊNCIA
Notícias do TST
Testemunha não é suspeita por mover ação idêntica contra mesma empresa
Deve-se presumir que as pessoas agem de boa-fé, diz a decisão.
18/6/2020 - A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho determinou que a teste-
munha apresentada por um motorista da Base Indústrias Reunidas Ltda., fabricante dos
colchões Biflex, em Aparecida de Goiânia (GO), seja ouvida em juízo em ação por danos
morais contra a empresa. Ela havia sido considerada suspeita por já ter ajuizado contra
a mesma empresa, mas, segundo o colegiado, a rejeição da testemunha por esse motivo
caracteriza cerceamento de defesa.
Suspeição
Rompido o contrato de trabalho, o motorista pediu na reclamação trabalhista o paga-
mento de diversas parcelas trabalhistas e indenização por dano moral no valor de R$
20 mil, sob a afirmação de que sofrera represálias depois de ter ajuizado ação contra
a empresa. Todavia, a testemunha escolhida pelo empregado foi considerada suspeita
pelo juízo da 3ª Vara do Trabalho de Aparecida de Goiás, uma vez que já havia ajuizado
ação também contra a Base.
Defesa
Ao recorrer da sentença, o advogado do motorista sustentou que a recusa para que a
testemunha fosse ouvida causou prejuízos ao empregado, “em flagrante cerceamento de
direito de defesa”. Caso ouvida, segundo o advogado, teria sido possível comprovar os
fatos expostos na petição inicial, sobretudo aqueles relacionados à jornada de trabalho e
os motivos que levaram à rescisão do contrato. “A testemunha era a única capaz de pres-
tar depoimento sobre tal questão”, argumentou o advogado.
Xingada
Todavia, o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) manteve a sentença pelos
mesmos argumentos, acrescentando à decisão a informação de que a testemunha moveu
ação de danos morais contra a Base porque foi xingada pelo proprietário. Segundo o
Regional, isso poderia comprometer sua isenção de ânimo para depor.
Boa-fé
Na visão do relator do recurso do motorista, ministro Cláudio Brandão, o TRT decidiu de
forma oposta ao disposto na Súmula 357 do TST, que diz que “o simples fato de estar liti-
gando ou de ter litigado contra o mesmo empregador não torna suspeita a testemunha”.
Segundo ele, o TST tem decidido reiteradamente nesse sentido também nos casos em
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que a ação ajuizada pela testemunha tenha objeto idêntico ao do processo em que esta
presta depoimento. “Deve-se presumir que as pessoas agem de boa-fé, motivo pelo qual
o julgador deve examinar o teor do depoimento e, ao final, concluir pela sua imprestabili-
dade ou não”, concluiu.
A decisão foi unânime.
(DA/CF)
Processo: RR-11974-60.2017.5.18.0083
Errado.
Tendo em vista que Ceres é funcionário público, será aplicada a previsão do art. 823 da CLT:
Art. 823 - Se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será
requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada.
Letra a.
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a) Errada. Sempre que entender necessário o juiz poderá arguir os peritos e assistentes técni-
cos, objetivando o esclarecimento de pontos relevantes.
b) Errada. No processo do trabalho, em regra, não há intimação de testemunhas. As partes
simplesmente levam as testemunhas à audiência.
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a) Errada. O juiz é o julgador do processo e não pode ser arrolado como testemunha para fa-
lar de processo que ele julgou. O perito pode ser chamado a depor como perito, para prestar
esclarecimentos. Mas é diferente de ser ouvido como testemunha. O perito é um colabora-
dor do juízo.
b) Errada. Se o parentesco for de quarto grau civil, a testemunha deverá prestar compromisso.
Apenas quando for parentesco até o terceiro grau é que há impedimento e a testemunha é ou-
vida como mero informante.
c) Errada. O juiz que funcionou no mesmo processo em primeiro grau de jurisdição não será
nem testemunha nem informante. Ele é o julgador da causa e não pode ser arrolado como
testemunha.
d) Errada. O juiz que atuou no processo, independentemente de ser devedor da parte ou não,
não pode ser testemunha.
e) Certa. O amigo íntimo de uma das partes é suspeito e somente poderá ser ouvido como
informante (ou seja, não presta compromisso de dizer a verdade).
Art. 829 - A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer
das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação.
Letra e.
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a) Certa. A testemunha que não tem isenção para depor pode ser ouvida como mera informan-
te e, neste caso, não prestará compromisso.
b) Errada. Admite-se, mas ele precisará de um intérprete.
Art. 819 - O depoimento das partes e testemunhas que não souberem falar a língua nacional será
feito por meio de intérprete nomeado pelo juiz ou presidente.
§ 1º - Proceder-se-á da forma indicada neste artigo, quando se tratar de surdo-mudo, ou de mudo
que não saiba escrever.
§ 2º As despesas decorrentes do disposto neste artigo correrão por conta da parte sucumbente,
salvo se beneficiária de justiça gratuita.
c) Errada. O ônus da prova está descrito no art. 818 da CLT: o reclamante deve fazer prova do
fato constitutivo de seu direito e a reclamada deve fazer prova dos fatos extintivos, modificati-
vos e impeditivos do direito do reclamante.
d) Errada. O intérprete deve ser nomeado pelo juiz, ficando as custas a cargo da parte sucum-
bente, salvo de beneficiária da justiça gratuita.
e) Errada. O depoimento é um dever público, uma obrigação. A testemunha que se recusar a
depor pagará multa e será conduzida coercitivamente.
Letra a.
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ANEXO
LEI N. 11.419, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006.
Dispõe sobre a informatização do processo judicial; altera a Lei n. 5.869, de 11 de janeiro
de 1973 – Código de Processo Civil; e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sancio-
no a seguinte Lei:
CAPÍTULO I
DA INFORMATIZAÇÃO DO PROCESSO JUDICIAL
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CAPÍTULO II
DA COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA DOS ATOS PROCESSUAIS
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CAPÍTULO III
DO PROCESSO ELETRÔNICO
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§ 2º Os autos de processos eletrônicos que tiverem de ser remetidos a outro juízo ou ins-
tância superior que não disponham de sistema compatível deverão ser impressos em papel,
autuados na forma dos arts. 166 a 168 da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de
Processo Civil, ainda que de natureza criminal ou trabalhista, ou pertinentes a juizado especial.
§ 3º No caso do § 2º deste artigo, o escrivão ou o chefe de secretaria certificará os autores
ou a origem dos documentos produzidos nos autos, acrescentando, ressalvada a hipótese de
existir segredo de justiça, a forma pela qual o banco de dados poderá ser acessado para aferir
a autenticidade das peças e das respectivas assinaturas digitais.
§ 4º Feita a autuação na forma estabelecida no § 2º deste artigo, o processo seguirá a
tramitação legalmente estabelecida para os processos físicos.
§ 5º A digitalização de autos em mídia não digital, em tramitação ou já arquivados, será
precedida de publicação de editais de intimações ou da intimação pessoal das partes e de
seus procuradores, para que, no prazo preclusivo de 30 (trinta) dias, se manifestem sobre o
desejo de manterem pessoalmente a guarda de algum dos documentos originais.
Art. 13. O magistrado poderá determinar que sejam realizados por meio eletrônico a exibi-
ção e o envio de dados e de documentos necessários à instrução do processo.
§ 1º Consideram-se cadastros públicos, para os efeitos deste artigo, dentre outros existen-
tes ou que venham a ser criados, ainda que mantidos por concessionárias de serviço público
ou empresas privadas, os que contenham informações indispensáveis ao exercício da função
judicante.
§ 2º O acesso de que trata este artigo dar-se-á por qualquer meio tecnológico disponível,
preferentemente o de menor custo, considerada sua eficiência.
§ 3º (VETADO)
CAPÍTULO IV
DISPOSIÇÕES GERAIS E FINAIS
Art. 14. Os sistemas a serem desenvolvidos pelos órgãos do Poder Judiciário deverão usar,
preferencialmente, programas com código aberto, acessíveis ininterruptamente por meio da
rede mundial de computadores, priorizando-se a sua padronização.
Parágrafo único. Os sistemas devem buscar identificar os casos de ocorrência de preven-
ção, litispendência e coisa julgada.
Art. 15. Salvo impossibilidade que comprometa o acesso à justiça, a parte deverá informar,
ao distribuir a petição inicial de qualquer ação judicial, o número no cadastro de pessoas físi-
cas ou jurídicas, conforme o caso, perante a Secretaria da Receita Federal.
Parágrafo único. Da mesma forma, as peças de acusação criminais deverão ser instruídas
pelos membros do Ministério Público ou pelas autoridades policiais com os números de regis-
tros dos acusados no Instituto Nacional de Identificação do Ministério da Justiça, se houver.
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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
Art. 16. Os livros cartorários e demais repositórios dos órgãos do Poder Judiciário poderão
ser gerados e armazenados em meio totalmente eletrônico.
Art. 17. (VETADO)
Art. 18. Os órgãos do Poder Judiciário regulamentarão esta Lei, no que couber, no âmbito
de suas respectivas competências.
Art. 19. Ficam convalidados os atos processuais praticados por meio eletrônico até a data
de publicação desta Lei, desde que tenham atingido sua finalidade e não tenha havido prejuízo
para as partes.
Art. 20. A Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, passa a vigorar
com as seguintes alterações:
“Art. 38............................................................................
Parágrafo único. A procuração pode ser assinada digitalmente com base em certificado
emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma da lei específica.” (NR)
“Art. 154.........................................................................
Parágrafo único. (Vetado). (VETADO)
§ 2º Todos os atos e termos do processo podem ser produzidos, transmitidos, armazena-
dos e assinados por meio eletrônico, na forma da lei.” (NR)
“Art. 164........................................................................
Parágrafo único. A assinatura dos juízes, em todos os graus de jurisdição, pode ser feita
eletronicamente, na forma da lei.” (NR)
“Art. 169........................................................................
§ 1º É vedado usar abreviaturas.
§ 2º Quando se tratar de processo total ou parcialmente eletrônico, os atos processuais
praticados na presença do juiz poderão ser produzidos e armazenados de modo integralmente
digital em arquivo eletrônico inviolável, na forma da lei, mediante registro em termo que será
assinado digitalmente pelo juiz e pelo escrivão ou chefe de secretaria, bem como pelos advo-
gados das partes.
§ 3º No caso do § 2º deste artigo, eventuais contradições na transcrição deverão ser sus-
citadas oralmente no momento da realização do ato, sob pena de preclusão, devendo o juiz
decidir de plano, registrando-se a alegação e a decisão no termo.” (NR)
“Art. 202......................................................................
.....................................................................................
§ 3º A carta de ordem, carta precatória ou carta rogatória pode ser expedida por meio ele-
trônico, situação em que a assinatura do juiz deverá ser eletrônica, na forma da lei.” (NR)
“Art. 221.....................................................................
....................................................................................
IV – por meio eletrônico, conforme regulado em lei própria.” (NR)
“Art. 237.....................................................................
Parágrafo único. As intimações podem ser feitas de forma eletrônica, conforme regulado
em lei própria.” (NR)
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“Art. 365....................................................................
...................................................................................
V – os extratos digitais de bancos de dados, públicos e privados, desde que atestado pelo
seu emitente, sob as penas da lei, que as informações conferem com o que consta na origem;
VI – as reproduções digitalizadas de qualquer documento, público ou particular, quando
juntados aos autos pelos órgãos da Justiça e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus
auxiliares, pelas procuradorias, pelas repartições públicas em geral e por advogados públicos
ou privados, ressalvada a alegação motivada e fundamentada de adulteração antes ou durante
o processo de digitalização.
§ 1º Os originais dos documentos digitalizados, mencionados no inciso VI do caput deste
artigo, deverão ser preservados pelo seu detentor até o final do prazo para interposição de
ação rescisória.
§ 2º Tratando-se de cópia digital de título executivo extrajudicial ou outro documento rele-
vante à instrução do processo, o juiz poderá determinar o seu depósito em cartório ou secre-
taria.” (NR)
“Art. 399.................................................................
§ 1º Recebidos os autos, o juiz mandará extrair, no prazo máximo e improrrogável de 30
(trinta) dias, certidões ou reproduções fotográficas das peças indicadas pelas partes ou de
ofício; findo o prazo, devolverá os autos à repartição de origem.
§ 2º As repartições públicas poderão fornecer todos os documentos em meio eletrônico
conforme disposto em lei, certificando, pelo mesmo meio, que se trata de extrato fiel do que
consta em seu banco de dados ou do documento digitalizado.” (NR)
“Art. 417................................................................
§ 1º O depoimento será passado para a versão datilográfica quando houver recurso da
sentença ou noutros casos, quando o juiz o determinar, de ofício ou a requerimento da parte.
§ 2º Tratando-se de processo eletrônico, observar-se-á o disposto nos §§ 2º e 3º do art.
169 desta Lei.” (NR)
“Art. 457..............................................................
.............................................................................
§ 4º Tratando-se de processo eletrônico, observar-se-á o disposto nos §§ 2º e 3º do art.
169 desta Lei.” (NR)
“Art. 556.............................................................
Parágrafo único. Os votos, acórdãos e demais atos processuais podem ser registrados em
arquivo eletrônico inviolável e assinados eletronicamente, na forma da lei, devendo ser impres-
sos para juntada aos autos do processo quando este não for eletrônico.” (NR)
Art. 21. (VETADO)
Art. 22. Esta Lei entra em vigor 90 (noventa) dias depois de sua publicação.
Brasília, 19 de dezembro de 2006; 185º da Independência e 118º da República.
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