DIODO
A união de um cristal tipo P e um cristal tipo N, obtém-se uma junção
PN, que é um dispositivo de estado sólido simples: o diodo semicondutor de
junção.
Figura 1-5
Devido a repulsão mútua os elétrons livres do lado N espalham-se em
todas direções, alguns atravessam a junção e se combinam com as lacunas.
Quando isto ocorre, a lacuna desaparece e o átomo associado torna-se
carregado negativamente. (um íon negativo)
Figura 1-6
Cada vez que um elétron atravessa a junção ele cria um par de íons.
Os íons estão fixos na estrutura do cristal por causa da ligação covalente. À
medida que o número de íons aumenta, a região próxima à junção fica sem
elétrons livres e lacunas. Chamamos esta região de camada de depleção.
Além de certo ponto, a camada de depleção age como uma barreira
impedindo a continuação da difusão dos elétrons livres. A intensidade da camada
de depleção aumenta com cada elétron que atravessa a junção até que se atinja
um equilíbrio. A diferença de potencial através da camada de depleção é
chamada de barreira de potencial. A 25º C, esta barreira é de 0,7V para o silício
e 0,3V para o germânio.
O símbolo mais usual para o diodo é mostrado a seguir:
POLARIZAÇÃO DO DIODO
Polarizar um diodo significa aplicar uma diferença de potencial às
suas extremidades.
Supondo uma bateria sobre os terminais do diodo, há uma polarização
direta se o polo positivo da bateria for colocado em contato com o material tipo
P e o polo negativo em contato com o material tipo N.
POLARIZAÇÃO DIRETA
No material tipo N os elétrons são repelidos pelo terminal da bateria e
empurrados para a junção. No material tipo P as lacunas também são repelidas
pelo terminal e tendem a penetrar na junção, e isto diminui a camada de
depleção. Para haver fluxo livre de elétrons a tensão da bateria tem de
sobrepujar o efeito da camada de depleção.
POLARIZAÇÃO REVERSA
Invertendo-se as conexões entre a bateria e a junção PN, isto é,
ligando o polo positivo no material tipo N e o polo negativo no material tipo P, a
junção fica polarizada inversamente.
No material tipo N os elétrons são atraídos para o terminal positivo,
afastando-se da junção. Fato análogo ocorre com as lacunas do material do tipo
P. Podemos dizer que a bateria aumenta a camada de depleção, tornando
praticamente impossível o deslocamento de elétrons de uma camada para outra.
CURVA CARACTERÍSTICA DE UM DIODO
A curva característica de um diodo é um gráfico que relaciona cada
valor da tensão aplicada com a respectiva corrente elétrica que atravessa o
diodo.
POLARIZAÇÃO DIRETA
Figura 1-7 Figura 1-8
Nota-se pela curva que o diodo ao contrário de, por exemplo, um
resistor, não é um componente linear. A tensão no diodo é uma função do tipo:
kT I
U = RF .I + ln + 1 Eq. 1-1
q IS
TENSÃO DE JOELHO
Ao se aplicar a polarização direta, o diodo não conduz intensamente
até que se ultrapasse a barreira potencial. À medida que a bateria se aproxima
do potencial da barreira, os elétrons livres e as lacunas começam a atravessar a
junção em grandes quantidades. A tensão para a qual a corrente começa a
aumentar rapidamente é chamada de tensão de joelho. (No Si é aprox. 0,7V).
POLARIZAÇÃO REVERSA DO DIODO
Figura 1-9 Figura 1-10
O diodo polarizado reversamente, passa uma corrente elétrica
extremamente pequena, (chamada de corrente de fuga).
Se for aumentando a tensão reversa aplicada sobre o diodo, chega
um momento em que atinge a tensão de ruptura (varia muito de diodo para diodo)
a partir da qual a corrente aumenta sensivelmente.
OBS.: Salvo o diodo feito para tal, os diodos não podem trabalhar na
região de ruptura.
GRÁFICO COMPLETO.
Figura 1-11
ESPECIFICAÇÕES DE POTÊNCIA DE UM DIODO
Em qualquer componente, a potência dissipada é a tensão aplicada
multiplicada pela corrente que o atravessa e isto vale para o diodo:
P=UxI Eq. 1- 2
Não se pode ultrapassar a potência máxima, especificada pelo
fabricante, pois haverá um aquecimento excessivo. Os fabricantes em geral
indicam a potência máxima ou corrente máxima suportada por um diodo.
Ex.: 1N914 - PMAX = 250mW
1N4001 - IMAX = 1 A
Usualmente os diodos são divididos em duas categorias, os diodos
para pequenos sinais (potência especificada abaixo de 0,5W) e os retificadores
(PMAX > 0,5W).
RESISTOR LIMITADOR DE CORRENTE
Num diodo polarizado diretamente, uma pequena tensão aplicada
pode gerar uma alta intensidade de corrente. Em geral um resistor é usado em
série com o diodo para limitar a corrente elétrica que passa através deles.
RS é chamado de resistor limitador de corrente. Quanto maior o RS,
menor a corrente que atravessa o diodo e o RS.
Figura 1-12
RETA DE CARGA
Sendo a curva característica do diodo não linear, torna-se complexo
determinar através de equações o valor da corrente e tensão sobre o diodo e
resistor. Um método para determinar o valor exato da corrente e da tensão sobre
o diodo, é o uso da reta de carga.
Baseia-se no uso gráfico das curvas do diodo e da curva do resistor.
Na Figura 1-12, a corrente I através do circuito é a seguinte:
UR US − UD
I= = Eq. 1-3
RS RS
No circuito em série a corrente é a mesma no diodo e no resistor. Se
forem dadas a tensão da fonte e a resistência RS, então são desconhecidas a
corrente e a tensão sob o diodo. Se, por exemplo, no circuito da Figura 1-12 o
US =2V e RS=100Ω, então:
2 − UD
I= = − 0,[Link] + 20mA Eq. 1-4
100
Se UD = 0V → I = 20mA. Esse ponto é chamado de ponto de
saturação, pois é o máximo valor que a corrente pode assumir.
E se I = 0A → UD = 2V. Esse ponto é chamado corte, pois representa
a corrente mínima que atravessa o resistor e o diodo.
A Eq. 1-4 indica uma relação linear entre a corrente e a tensão (y = ax
+ b). Sobrepondo esta curva com a curva do diodo tem-se:
Figura 1-13
(I = 0A, U = 2V) - Ponto de corte → Corrente mínima do circuito.
(I = 20mA, U = 0V) - Ponto de saturação → Corrente máxima do circuito.
(I = 12mA, U = 0,78V) - Ponto de operação ou quiescente → Representa a
corrente através do diodo e do resistor. Sobre o diodo existe uma tensão de
0,78V.
Aproximações do diodo
Para análise de circuitos eletrônicos, devemos lembrar que respostas
matematicamente exatas não têm muito sentido, do ponto de vista prático, se
considerarmos que dispositivos tais como resistores, diodos etc, possuem
tolerância de valores. É necessário, portanto conhecer tais variáveis, a fim de
que se possam aproximar ao máximo os valores teóricos dos práticos. A seguir
apresentaremos as aproximações, considerando diodos de silício.
Primeira aproximação - diodo ideal
Considera-se como diodo ideal, ou primeira aproximação, o fato do
mesmo agir como um condutor perfeito, isto é, queda de tensão zero quando
polarizado diretamente; e isolante perfeito, corrente zero, quando polarizado
reversamente.
Segunda aproximação
Para que o diodo comece a conduzir, é necessário que a tensão de
polarização ultrapasse o valor da barreira de potencial. Em se tratando de diodos
de silício, o limiar da condução situa-se próximo de 0,7V. A idéia é comparar o
diodo a uma chave ideal ligada em série com uma bateria de 0,7V, que se fecha
assim que a tensão de polarização direta ultrapassa este valor, e que se abre
toda vez que ela se torna menor que 0,7V ou reversa (negativa). A figura 2.7
ilustra com detalhes o que foi descrito.
Terceira aproximação
Como terceira aproximação do diodo, inclui-se ao circuito da segunda
aproximação uma resistência ligada em série com a bateria, que representa a
resistência linear das regiões P e N (resistência de corpo - RD).
A corrente direta, fluindo através desta resistência, origina uma queda
de tensão, que varia proporcionalmente ao aumento da corrente; isto é, quanto
maior a corrente, maior será a queda de tensão através de R D. A tensão total,
através do diodo (VF), é igual à soma da tensão de limiar (0,7V) com a queda de
tensão através da resistência de corpo (RD). A figura 2.8 ilustra o que foi descrito.
VF = 0,7V + (IF .RD )
Observação : Geralmente, utiliza-se a segunda aproximação para
resolução de circuitos envolvendo diodos.
Exemplo 1-1 Utilizar a 2ª aproximação para determinar a corrente do diodo no
circuito da figura abaixo:
SOL.: O diodo está polarizado diretamente, portanto age como uma chave
fechada em série com uma bateria.
RESISTÊNCIA CC DE UM DIODO
É a razão entre a tensão total do diodo e a corrente total do diodo. Podem-
se considerar dois casos:
RD - Resistência cc no sentido direto
RR - Resistência cc no sentido reverso
RESISTÊNCIA DIRETA
É a resistência quando é aplicada uma tensão no sentido direto sobre o
diodo. É variável, pelo fato do diodo ter uma resistência não linear.
Por exemplo, no diodo 1N914 se for aplicada uma tensão de 0,65V entre
seus terminais existirá uma corrente I=10mA. Caso a tensão aplicada seja de
0,75V a corrente correspondente será de 30mA. Por último se a tensão for de
0,85V a corrente será de 50mA.
Com isto pode-se calcular a resistência direta para cada tensão aplicada:
RD1 = 0, 65/10mA = 65Ω.
RD2 = 0, 75/30mA = 25Ω.
RD3 = 0, 85/50mA = 17Ω.
Nota-se que a resistência cc diminuiu com o aumento da tensão
RESISTÊNCIA REVERSA
Tomando ainda como exemplo o 1N914. Ao aplicar uma tensão de -20V
a corrente será de 25nA, enquanto uma tensão de -75V implica numa corrente
de 5μA. A resistência reversa será de:
RR1 = 20/25nA = 800MΩ.
RR2 = 75/5μA = 15MΩ.
A resistência reversa diminui à medida que se aproxima da tensão de
ruptura.
Teste estático do diodo
Utilizando o ohmímetro, podemos detectar se um diodo encontra-se em curto
ou aberto. Isto é possível através da relação entre as medidas de resistência
direta e reversa do mesmo. Um diodo será considerado em bom estado, pelo
teste estático se a relação entre as medidas de resistência direta pela reversa
for igual ou maior que 1/1000.