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Jungkook e o Caos do Amor Proibido

Enviado por

Bruna Valentin
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Capítulo 14

JUNGKOOK

Porra.
Tudo estava desmoronando.
E eu sabia que a culpa era minha, tudo que estava acontecendo, todos os pavores que me
perseguiam, a mágoa evidente nos olhos castanhos de Taehyung, tudo isso era a porra
da minha culpa, porque eu havia perdido o controle da situação e me encontrava no
próprio limbo que construir para mim.
Se me perguntasse a alguns dias atrás se eu me imaginava na situação que me
encontrava agora, eu teria rido e falado que nunca seria possível. Porque exatamente a
poucos dias atrás, eu estava fazendo a pessoa que eu mais amava, feliz. Ainda conseguia
me lembrar completamente de todos os sorrisos que ele ofereceu para mim, todas as
belas covinhas que eu fiz questão de contar cada uma, os belos olhos castanhos
observando sonhadoramente o céu azulado, naquela mesma hora, eu fiquei sem ar.
Preso naquela imagem linda do seu rosto sorridente contemplando a maresia do mar.
Como uma linda pintura a óleo. Eu poderia facilmente descrever a localização de cada
pinta que desenhava seu corpo, e naquele dia, eu amei ainda mais cada uma delas. O
tempo tinha sido inexistente, pouco importava outra coisa que não fossemos nós e eu
me amaldiçoava a cada minuto por não ter durado mais. Quando voltamos, de repente,
tudo que era lindo como um sonho, virou um pesadelo. Um tormento que me perseguia
tanto acordado como a noite, fazia exatamente três dias que eu não dormia, três dias que
tentava fazer de tudo para descobrir pelo menos quem era o responsável, três malditos
dias que não conseguia nem sequer olhar para os olhos do meu noivo que estava
sofrendo por minha causa, três noites... que eu selava seu sono. Tudo pelo maldito
medo, de alguém feri-lo e tocá-lo.

Como já tinham feito....

— Desgraçado, eu vou acabar com você — Amaldiçoou ao lembrar do envelope que


havia recebido pouco depois do meu retorno com Taehyung. Eram três fotos de
Taehyung deitado na nossa cama, completamente nu, dormindo lindamente. Uma das
fotos, um estranho tocava sua coxa revelada, uma mão, marcando o que era meu.
Aquelas fotos foram o suficiente para eu enxergar tudo vermelho, meu escritório havia
se tornado um verdadeiro caos de coisas quebradas, aquelas fotos foram meu pesadelo e
o filho da puta bastardo sabia que aquilo seria o estopim para mim e como se não
bastasse, ele havia invadido o sistema da empresa novamente, conseguiu roubar poucos
milhões, mas foi o suficiente para deixar a empresa e os funcionários preocupados e
com mais serviço para descobrir o que realmente havia conseguido. Foda-se, eu pouco
me importava com o dinheiro, se ele queria dinheiro, ele podia levar tudo, menos o bem
mais valioso, meu Taehyung. Só a ideia de imaginar que o desgraçado havia chegado
tão perto, na porra da nossa casa, onde deveria ser um lugar seguro nosso, isso me
deixava perturbado. Sentia-me incapaz, inapropriado para proteger e até mesmo para
amar Taehyung, eu não o merecia, eu nem conseguia olhá-lo nos olhos, meu peito se
apertava toda vez que o observava quando ele olhava para algum lugar distante para
afastar as lágrimas. Saber que eu era a causa de cada uma delas, fazia-me sentir um
grande de um filho da puta, a sua magreza que surgia aos poucos me deixava
preocupado e sempre atento as queixas da Sra Min que parecia aflita tanto quanto eu.

Eu sou indigno do Kim Taehyung e toda vez que eu pensava em beijá-lo ou levá-lo para
nossa cama, eu lembrava disso.

Eu havia demitido todos os seguranças de plantão daquela noite, a raiva tinha me


consumido de tal maneira que faltou pouco eu agredir cada um ali, não havia como o
desgraçado ter invadido minha casa que é vigiada o tempo inteiro, não havia como. E
toda vez que eu parava para pensar em todas as possibilidades que pudesse ter
acontecido, eu enlouquecia. Taehyung achava que eu ficava a noite fora a trabalho, mas
a verdade é que eu passava metade do meu dia o vigiando pelas câmeras que espalhei
pela casa e na outra, vigiando nossa residência alguns metros de distância para ver se o
filho da puta teria coragem de aparecer de novo. E quando ele aparecesse, eu não daria
chance de explicar, um tiro na sua cabeça seria o suficiente para resolver toda a porra
dos problemas. E seria isso que eu faria – ele havia ameaçado e tocado no que era meu,
iria pagar com a vida e foda-se o resto.

“Estou mais perto do que imagina, você perto... é apenas uma oportunidade para eu
me aproximar, não se engane.”

Essas foram as palavras gravadas em uma das fotos que eu havia queimado na noite que
recebi. Pensei que queimar cada uma na lareira, eu pudesse esquecer um pouco, mas
não, cada mínimo detalhe das fotos e da frase percorria minha mente, cada maldito dia e
noite. A última vez que eu havia dormido, eu estava nos braços do Taehyung em alto
mar, eu tinha literalmente apagado após fazermos amor e acordei com seus lindos olhos
me observando. Agora, toda vez que eu abria o notebook e olhava em uma das câmeras,
eu me condenava um pouco mais, ele chorava muito e as vezes forçava um sorriso para
disfarçar e quando não aguentava mais, ia até o estoque esvaziar mais uma garrafa de
vinho. Por isso era fundamental que eu acabasse logo com isso, focar em achar o
maldito que estava brincando comigo, depois ia dar um jeito do Jimin sumir e depois eu
faria tudo e qualquer coisa, pra aproximar o Taehyung de mim novamente. Ele afastado,
de certa forma era mais seguro, dessa forma ele não ficaria curioso e não faria qualquer
besteira para me proteger, porque eu sei que ele faria isso, eu me lembrava até hoje o dia
que o Yugyeom apontou a arma para ele e como o mesmo parecia disposto a levar o tiro
se isso garantisse que a arma não fosse apontada para mim. Eu não estava disposto a
fazê-lo correr esse risco novamente. Não de novo.

— Senhor, quem eu coloco para vigiar o Sr Taehyung? — Swing pergunta atrás de mim,
eu olho mais uma vez para o andar de cima, pensando em voltar e ter o homem que eu
amo de volta para meus braços. Mas desisto, porra, não era para ser assim. Chuto a
lataria da BMW estacionada sem me importar ao escutar algo da traseira cair e quebrar.
Nada saiu como eu planejava, eu tentaria deixar o Taehyung mais calmo e menos
preocupado hoje, mas havia simplesmente piorado tudo. Mas eu não estava esperando
aquilo, filhos. — Senhor? — Swing me chama novamente, o que só me deixou mais
aborrecido, ele parecia sempre estar julgando minhas escolhas e eu não queria saber sua
opinião, ele não era pago para isso.

— Apenas suba, Swing! Fique com ele e por deus, se você sair do lado dele, sou capaz
de matar você com as próprias mãos! — Grito sem paciência e nem me viro para ver sua
reação, apenas relaxo um pouco quando escuto a porta do elevador abrir e depois fechar.
Lanço um último olhar em direção ao segundo andar novamente, antes de entrar no
carro, dar a ré e sair.
Filhos.
Taehyung queria filhos.
E em nenhum momento da minha vida, eu havia parado para pensar na possibilidade de
criar uma criança, não era algo que circulava minha mente, pelo simples fato que eu não
queria uma criança como eu no mundo, não queria ter que adotar uma criança e ver que
um dia ela possa ficar parecida comigo, totalmente fodida psicologicamente. Não,
absolutamente não. Ela poderia ter uma família melhor, uma em que o pai não havia
sido estuprado pelo próprio professor, que não tenha visto a própria mãe definhando aos
poucos com a depressão e por último um pai que não seja um sádico. Não.
Minhas mãos apertam o volante com força, e forço o pé no acelerador sem me importar
com mais nada. Por mais que eu forçava a minha mente a não lembrar, ela sempre
voltava para Taehyung e em seu pedido para voltar para ele. Merda, eu queria, queria
muito. Mas eu não podia. Não podia dar aquela esperança que ele tanto esperava de
mim, eu era a porra de alguém fodido psicologicamente e meu pior erro foi amar tanto
alguém como eu amo Taehyung. O amor nos torna egoístas, ao ponto de você perceber
que mesmo sabendo que você faz mal aquela pessoa que você ama, você não consegue
deixá-la ir, pelo simples fato de amar demais e pouco importava o que era correto.

Mas, pensar em uma criança como Taehyung, cheio de vida e talentoso correndo pela
casa, é um pensamento que me pega de repente e enche meu peito com uma sensação
nova que nunca havia experimentado. Uma criança como Taehyung, não como eu.
Como o meu amor, tão bonito quanto e pronto para responder qualquer coisa. Não. Mas
ela não seria como o Taehyung, porque não seria apenas o Taehyung a criar e sim eu
também. E o que eu entendia de crianças? Absolutamente nada.

Quando eu percebo, estou parado em frente a entrada de um antigo bar onde eu


frequentava antes de conhecer o Taehyung, nas noites que eu tinha pesadelo, eu
costumava vir aqui, beber bastante e sempre terminava na cama de alguém. Não que
esse fosse o caso agora, porque não precisava de sexo enquanto a única pessoa na qual
eu era fascinado, estava em casa nesse exato momento me odiando. Mas sim, beber para
esquecer todos os erros que eu havia cometido até aqui e apagar a imagem do Taehyung
me olhando magoado. Quando eu entro, o lugar está bastante movimentado, várias
mesas no salão com pouca luz, vários grupos de amigos bebendo e conversando, outras
mesas com pessoas se pegando e fumando, tocava uma música suave e refletores
coloridos no teto. Caminho até a bancada do bar sem olhar para nenhum canto, ignoro
os olhares das mulheres e rapazes, provavelmente querendo garantir uma boa trepada
para esquecer todo o resto.

— Me dê o que você tiver de mais forte — Peço ao rapaz do bar quando me sento na
pequena bancada. Espero ele se afastar para pegar meu celular e olhar a mensagem que
Swing havia mandado poucos minutos atrás.

“Tudo certo, senhor. Sr Kim acabou de dormir.”

Engulo em seco e nem mesmo agradeço quando o copo com uma bebida que eu não
fazia ideia do que era, é colocada na minha frente. Nem perco tempo de pensar no que
seria, viro a primeira golada, sentindo o gosto amargo descer pela minha garganta e
queimar. Forte. Bem forte, o suficiente para um copo de tamanho médio como esse
deixar alguém alterado.

— Entre todos os lugares que pensei que pudesse te ver, esse me surpreendeu — Respiro
fundo ao escutar o dono da voz e apenas olho de soslaio quando ele se senta ao meu
lado e pede um Bourbon. Jimin estava sentado ao meu lado, mas diferente das outras
vezes, ele não sorria sarcasticamente como tinha sido das outras vezes. Pelo contrário,
ele parecia inquieto e pelos olhos inchados, andou chorando. Não que eu me importasse,
porque na verdade, eu não dava a mínima.

— Não que isso seja da sua conta, mas é a primeira vez em muito tempo que eu venho
aqui — Respondo, virando a bebida mais uma vez e sentindo o líquido queimar. Não me
importava com a presença de Jimin mais, depois de receber as fotos e perceber que a mão não
era parecida com a sua, aquilo me aliviou um pouco. Meu maior medo era que ele fosse o
perseguidor, mas pelo visto é só alguém do meu passado e que não faz mais importância para
mim.

— Tormento no paraíso, Jeon? — Ele solta uma piada com um sorriso, me olhando. E
ao perceber que eu não mostrei sequer uma reação e apenas continuei olhando para o
nada, ele respirou fundo e encarou o mesmo ponto que eu — Sei que é difícil de
acreditar, mas... eu nunca deixei de me importar com você.

Sorrio sem humor.

— É, você está certo. Não acredito em você.

— E tudo bem, você tem razão — Ele segura o copo com força e começa a encará-lo —
Eu o abandonei e nem olhei para trás. Não culpo por pensar nisso.

Tomo mais um gole da minha bebida, sentindo uma leve tontura. Eu não queria lidar
com essa merda agora, pouco me importa o que Jimin pensava naquela época quando
foi embora. Nada mais daquilo importava para mim, eu havia superado tudo aquilo e a
minha cura, tinha sido Taehyung. Era ele, a única pessoa que importava no momento.

— Isso é passado, Jimin — Repito seu nome com um gosto amargo na boca. As vezes é
estranho repetir seu nome e acreditar que ele voltou depois de tanto tempo — Seus
motivos e intenções, não importam mais.

— Mas eu penso que poderia ter sido diferente — Ele diz com um tom mais alto o que me
faz olhá-lo. Ele parecia prestes a fazer uma confissão e foi a única razão de continuar
encarando-o —Se eu não tivesse ido embora, estaríamos juntos — Ele sorri e se
aproxima lentamente de mim. Mas que porra, o que ele estava fazendo? — Você e eu,
estaríamos fazendo tantas coisas juntos. Você não teria conhecido ele e não estaria
sentindo o que está sentindo agora.

— E o que eu estou sentindo agora? — Pergunto curioso, porque eu não fazia a mínima
ideia do caralhos que eu estava sentindo e que sensação era aquela no meu peito que
parecia que iria me sufocar a qualquer momento.

— A sensação de ser incapaz para alguém, esse vazio — Sua mão para em cima do meu
peito, por cima da camisa. Pisco várias vezes, estava tonto para caralho por causa da
bebida que havia terminado rápido demais — Vocês são de mundos diferentes, Jeon.
Ele não passou pelo que você passou, não entende. Você acha que ele vai se sentir
satisfeito com você, mas sabemos que não é verdade, porque vai chegar uma hora que
ele vai querer mais e sabemos que você não vai poder dar, por simplesmente não
conseguir — Jimin me observa, próximo de mim. Tão próximo que podia sentir seu
perfume misturado com especiarias, não era familiar para mim, por mais que fosse
cheiroso, não me atraia como eu me sentia sempre que Taehyung cruzava meu caminho
com seu cheiro doce — Somos iguais e você sabe disso.

Ele não estava errado em dizer que eu não era o suficiente para o Taehyung. E que
somos diferentes, eu insistir e me apaixonei por alguém que é de um mundo totalmente
o oposto do meu. Apaixonado não, me tornei a porra de um viciado que não conseguia
viver mais sem a droga que eram seus beijos. Eu era a sombra e Taehyung era a luz com
brisa leve que se fundiu comigo, e eu o consumir, por puro egoísmo e obsessão. O
arrastei para a minha escuridão e agora não conseguia viver mais sem a luz que ele
trazia para minha minha vida. Por mais que eu não fosse o suficiente para ele... porra, eu
faria o que fosse necessário para ele se sentir satisfeito comigo.

Somos iguais.

Eu não era igual ao Jimin, eu tinha conhecido o amor, eu amava alguém mais do que
minha própria vida e Jimin nunca foi capaz de amar ninguém. Ele manipulava, usava e
descartava depois. Eu não, não iria existir mundo para mim se Taehyung não habitasse
nele.

— Não somos iguais — Falo quase em um sussurro. Estava em guerra comigo mesmo,
magoado, com raiva por ter partido o coração da única pessoa que eu me importava e ter
estragado a única coisa que havia acontecido na minha vida — Não somos — Repito de
novo, afastando os pensamentos obscuros que me assombravam.

— Você está enganando-se — Ele ri baixinho, ainda próximo de mim. Eu devia afastá-lo,
sua mão estava tocando minha camisa e eu não estava gostando daquilo. Mas estava
preso, meus pensamentos estavam me dominando, como muito tempo atrás — Se você
está aqui, é porque algo aconteceu... porque não me conta? Nunca escondemos nada um
do outro, antigamente.

— Ele quer filhos — Não sabia exatamente porque eu havia contado aquilo para Jimin,
eu estava deixando uma brecha para ele. Mas, eu precisava compartilhar aquele lado
caliginoso e solitário que eu escondia do Taehyung, bem, até hoje. Jimin pareceu
surpreso por eu ter compartilhado algo tão rapidamente, seus olhos me observam, me
analisando e ele solta um suspiro profundo.

— E você odeia a ideia de ter filhos — Ele concluiu e eu o observei. Odeio a ideia de
ter filhos, mas eu odeio a ideia de ter filhos com o Taehyung? Era isso que minha mente
não conseguia chegar a uma conclusão, parecia que eu estava em um limbo em busca de
respostas que pareciam que não existiam — É algo que você não pode dar a ele, por que
insistir nisso ainda? — Ele se aproximou ainda mais, sua boca estava muito próxima, eu
estava meio tonto por causa da bebida forte, mas aqueles não eram os lábios que eu
queria beijar. Reconheceria a boca do homem que eu amava em qualquer situação que
eu pudesse me encontrar, não importava o quão fodido eu estava — Você pode ter mais,
voltar como era antes, ainda há tempo.

Voltar como eu era antes? Eu não queria.


Não.
Eu não era nada, até conhecer Taehyung.
Não queria o antes, eu queria os três dias atrás antes de eu estragar tudo.
Eu queria meu noivo e nada mais.
Eu parti seu coração e eu me sentia uma merda por ter sido a causa das suas lágrimas.
Eu não o merecia...
E nunca iria merecê-lo.
Porque eu não era nada.
Enquanto ele, era tudo.

Kim Taehyung

Acordo assustado ao escutar o barulho de algo se quebrando no andar de baixo. Me


encolho por alguns instantes e aperto o roupão que eu vestia. Sentia uma leve dor de
cabeça por causa da garrafa de vinho que havia bebido por inteiro e meu rosto
provavelmente estava manchado de lágrimas, até porque só me lembrava disso antes de
pegar no sono. Abro a porta do quarto devagar com o coração acelerado. Estava um
pouco assustado, mas sei que não podia ser ninguém desconhecido a casa estava sendo
vigiada constantemente e ultimamente havia tantos seguranças espalhados pela
propriedade que eu nem me surpreendia mais quando aparecia um que eu não conhecia.
— Swing? — Chamo-o ao colocar meus pés no corredor. Ele havia ficado na casa para
me proteger, não que eu concordasse, mas ultimamente eu não parecia ter mais opinião
própria para nada. E foi muito humilhante ter Swing por perto enquanto eu acabava com
uma garrafa inteira enquanto chorava pateticamente. Ao não ter nenhum retorno da sua
voz, desço as escadas observando todo andar debaixo. Estava tudo quieto, mas o que me
surpreendeu foi a luz da cozinha acesa e o barulho de armários sendo abertos vindo de
lá. Lentamente e sem fazer barulho, vou me aproximando da cozinha. Meu coração
acelera mais ainda em surpresa, ao ver Jungkook na pia lavando as mãos enquanto
resmungava algo consigo mesmo.

— Jungkook? — Chamo, observando. Merda, pela forma que ele cambaleava e


resmungava sem ter sequer um equilíbrio, ele estava bêbado. E eu nunca havia visto
Jungkook bêbado, ele nunca foi de beber muito depois que nos conhecemos. Eu não
sabia o que fazer. Observei ele lavar as mãos e me aproximei ao notar que ele havia
machucado a mão com o copo que havia quebrado. Ele ainda não havia notado minha
presença, estava totalmente focado no estava fazendo.

— Merda — Ele resmunga ao fechar a torneira.

—Jungkook, você está bem? — Ele se inclina ao ouvir minha voz, se apoiando na pia com
pouco equilíbrio.

— Taehyung — Ele repreende, me observando de cima a baixo. Observo o corte na sua


palma e sem pensar duas vezes, abro a segunda gaveta da cozinha e pego o kit de
primeiros socorros que senhora Min sempre deixava ali. Coloco em cima da bancada,
próximo onde ele estava e seguro sua mão — Não queria te acordar — Ele diz,
deixando que eu limpasse a ferida com o vidro de soro que estava dentro da maleta.
Havia aprendido a tratar feridas na marra no meu passado, não que isso importasse no
momento, mas ver Jungkook ferido, me fez ter um deja vu das quantidades de vezes que
havia limpado a ferida da minha mãe.

Continuei em silêncio enquanto limpava sua ferida, estava magoado e com raiva por ele
ter bebido. Eu havia ligado tantas vezes enquanto ele estava bebendo em algum lugar
por ali. Ele não estava em condições de ter vindo dirigindo, será que ele havia ligado
para algum motorista? Ele geme um pouco quando começo a enrolar a ferida com uma
atadura, seus olhos estavam sempre em mim e observando o que eu fazia atentamente.

— Você é tão lindo... tão poderoso e você nem imagina — Ele sussurra, seus olhos
brilhavam em minha direção, com admiração e algo mais que não conseguia identificar
— Consegue imaginar o poder que você tem sobre mim?
— Pronto — Respiro fundo ao terminar o curativo. Ele sorrir, ainda me observando —
Onde você esteve? — Seu sorriso se amplia e ele coloca seus dedos em meus lábios,
me silenciando.

— Shhhh.

Certo, ele estava muito bêbado.

— Você fica muito bem de vermelho, já falei isso? — Ele diz ao mover sua mão para o
meu cabelo, distribuindo caricias enquanto sorria sem parar.

— E você está muito bêbado —Digo, fazendo com que ele se apoiasse em mim, para levá-lo
para cima — Vamos pra cama.

— Com você — Ele ri em silêncio. Gentilmente, coloco meus braços em sua cintura ao
perceber que ele gambelava sem equilíbrio nenhum para andar sozinho.

— Quem foi te buscar? — Pergunto, enquanto subíamos lentamente as escadas.

— Você é tão bonito, Tae — Ele se inclina para mim e cheira meu pescoço, quase nos
derrubando — E cheiroso para um caralho.

— Jungkook, ande. Eu vou te colocar na cama — Na verdade, ele precisava muito de


um banho, ele cheirava álcool puro, mas eu não iria conseguir dar banho nele sozinho e
sem condições de deixá-lo fazer isso sozinho.

— Tudo bem, você que manda — Diz, como tentasse se concentrar em subir as escadas.
Quando chegamos no andar de cima, abro a porta do quarto e coloco na cama de casal.

— Pronto, cama.

— Cama — Ele ri — Quero você aqui comigo, não durmo sem você — Ele diz quando
eu começo a tirar seus sapatos, queria discutir e dizer que aquilo é mentira, já que eu
estou há dias dormindo sozinho. Mas não era o momento, para ele beber como havia
bebido, então ele não estava bem, assim como eu não estava — Venha para cá, Tae.
— Jungkook, eu tenho que tirar suas roupas primeiro — Busco algum apoio na ponta da
cama, enquanto eu trabalhava em tirar sua camisa social. Jungkook resmunga sobre
querer se deitar ao meu lado, mas eu ignoro. Após retirar a camisa, revelando o definido
abdômen nas quais muitas vezes beijei e marquei com minhas mãos, ele se deita,
parecendo cansado. Retiro os sapatos caros, deixando-o apenas de meias e a calça jeans,
eu até que gostaria de tirar para deixá-lo confortável, mas pela forma que ele estava
deitado na cama, seria uma luta fracassada — Bem, acho que está bom — Observo ele
deitado, com os olhos fechados enquanto ainda resmungava coisas incompreensíveis.
Trazê-lo até aqui, tinha sido um pouco exaustivo para mim, provavelmente era uma
consequência da minha má alimentação.

Coloco seu telefone e a carteira que havia tirado de dentro da calça, na cabeceira.
Cuidadosamente o cubro com a coberta fina, não conseguindo evitar um sorriso em meu
rosto ao ver a expressão adormecida. Quando começo a me afastar, para deixa-lo
dormir, sinto suas mãos suavemente segurarem meus pulsos, com pouca força. Com os
olhos fechados, ele resmunga baixinho.

— Fique comigo, eu não consigo sonhar sem você ao meu lado — Diz um pouco
enrolado e baixinho. O aperto em meu coração é instantâneo e pensava em seriamente
abrir mão da briga que tivemos e considerar apenas deitar ali com ele e esquecer tudo —
Taehyung... — Ele chama meu nome, como uma súplica. Aos poucos ele vai sendo
levado pelo sono e sua mão escorre do meu pulso.

— Só dessa vez... — Digo para mim mesmo, desamarrando meu roupão para deitar ao
lado do único homem que conseguia fazer meu coração feliz e triste ao mesmo tempo.

Paro meu movimento quando escuto o celular vibrar em cima da cabeceira. O visor
iluminando o quarto quase totalmente escuro. Não reconheço o número que aparece sem
identificação. Quando seguro o celular em minhas mãos pronto para atender, um
calafrio estranho, quase como um prelúdio, me circula antes de deslizar no botão verde.

— Alô? — Atendo, com a voz seca e quase desesperada por algum motivo. O outro
lado da linha fica em silêncio, mas eu conseguia escutar o respirar suave de alguém do
outro lado — Quem é? — Pergunto, com o coração acelerado.

— Ah, Taehyung? Bem, nunca pensei que iria ter o prazer de conhecê-lo por ligação, é
uma grande surpresa mesmo — A voz melódica e masculina do outro lado diz,
parecendo estar se divertindo com a situação. Quem era ele? E como sabia meu nome?
— E quem é você? — Pergunto novamente, olhando rapidamente para Jungkook, que
dormia profundamente — Você é o motorista que trouxe o Jungkook para casa?

A risada do outro lado da linha, me assusta. Ele estava rindo na minha cara, não
parecendo se importar nem um pouco com o meu tom na ligação. Aperto o telefone nas
minhas mãos, frustrado e começo a caminhar para fora do quarto.

— Primeiramente, Kim Taehyung — Ele para de ri e solta um suspiro longo — Sim, eu


deixei seu noivo em casa — A forma que ele pronunciou a palavra noivo, me deixa em
alerta, aperto os lábios com força e espero — Segundo, acho que não me apresentei
devidamente, prazer Kim, sou Park Jimin.

Não.

Não.

— Acho que Jungkook não contou que eu voltei, não é? — Ele diz, se aproveitando do meu
silêncio — Já faz vários meses, Taehyung. Eu encontro com seu noivo regularmente,
não parou para perceber nem por um momento? — Ele ri, cuspindo as palavras
enquanto o choque tomava meu corpo em grandes ondas de desespero e desolamento —
Que estupido você é, deixa eu adivinhar, ele dizia que estava ocupado? Pobre
Taehyung, mal sabia que enquanto ele te mantinha mancinho, era a mim, a quem ele
encontrava quase todas as noites.

Minhas pernas começam a tremer. Meu coração batia tão forte que não conseguia
escutar mais nada sem ser o telefone em meus ouvidos e o bombear forte. Eu deveria
desligar, eu deveria... mas simplesmente não conseguia, estava travado no meio do
corredor escuro e vazio, sentindo meu coração se partir a cada segundo.

Park Jimin estava aqui. Perto de nós.


Perto de Jungkook.
O primeiro amor dele.
O primeiro amor que ele procurou por muito tempo.
Ele estava aqui e Jungkook escondeu de mim.
Ele mentiu.
— Não...

Foi tudo que eu consegui dizer enquanto deslizava para sentar no chão, sem forças para
continuar em pé.

— É mentira, ele.... Jungkook, ele me ama...

Ele ri mais uma vez.


Aquilo me mata mais um pouco.

Eu sou uma piada para ele?


Eu sou uma piada para os dois?

— Ele te ama? Então, a onde ele estava quando você passou noites nesse apartamento
em lágrimas? Pelo amor de Deus, é humilhante seu estado — Lágrimas amarga descem
pelo meu rosto e sinto o gosto da traição me invadir — Como eu sei disso? Ele me
contou. Você é um passatempo Taehyung, uma fantasia. Agora eu? Eu sou o desejo
dele, o que ele precisa. Você, não é nada. Você quer filhos não é? Jungkook nunca vai
querer isso com você, desista de uma vez.

Desligo o telefone, o jogando-o longe de mim.

Ele compartilhou com Jimin? Como ele teve a coragem de fazer isso comigo?
Compartilhar nossas conversas íntimas para ele? Logo para ele???

Ele mentiu pra mim esse tempo inteiro. Eu acreditei, eu fui idiota em acreditar que isso
daria certo, eu deveria ter ido embora, deixado ele naquele apartamento quando eu tive a
chance. Mas eu fiquei, fiquei porque acreditava em um futuro nosso. E ele me retribui
assim? Mentindo e escondendo a verdade esse tempo todo! Depois de tudo que
passamos juntos, é isso que acontece?

O que eu fui? Ele me amou em algum momento? Foi tudo ilusão? Não pode ser, não é
possível que eu tenha sido apenas mais um pião no jogo deles. Não, não.

Qualquer coisa, menos isso.


As lágrimas descem em abundância, o grito instalado em minha garganta. Me sentia
sufocado, triste, magoado, me sentia... traído. Eu fui traído. Esse tempo todo, foi uma
ilusão, eu deveria saber, havia os sinais, tinha os sinais. Eu ignorei, eu me fiz de cego
porque não estava pronto para encarar a dor que rasgava meu peito da forma mais cruel
e dolorosa. O amor, na mesma forma que ele te dar a mais bela doce felicidade, o seu
preço, é uma dor dilacerante que rasga a sua alma, onde uma vez, o amor ficou.

Meu coração estava partido, quebrado, pela única pessoa que acreditei cegamente que
poderia amá-lo. Eu entreguei o meu coração para Jungkook sem pensar nenhuma vez
que precisaria dele para viver sozinho, entreguei porque eu o amei, entreguei porque...
ele era meu viver. Agora, parecia que ele tinha sido esmagado e jogado em qualquer
lugar, sem a mínima importância. E agora estava sem um e lidava com a dor de entregá-
lo por mais puro egoísmo e luxuria.

Me levanto lentamente, me sentindo tonto e trémulo. Como ele teve a coragem de fazer
isso comigo? O que eu fiz para ele? Porque ele teve que me humilhar desse jeito? Por
que? Por que? Eu havia perdoado todas as coisas que havia acontecido, mas isso? Isso
era o fim. Era muita traição e muita dor envolvida. Eu não aguentava mais. Estava
destruído. Todas as vezes eu me levantei e recomecei por nós, mas agora, não havia nós.
Havia eu, e eu teria que aguentar e lidar com isso. Entro no quarto, sem a coragem de
olhar para o homem que estava deitado na cama, dormindo. Desorientado, pego minha
mochila, poucas roupas e alguns pertences. Não conseguia pensar em nada, apenas na
dor. Tudo doía. Coloco a mochila nas costas e sem olhar, saio do quarto tão rápido
quanto eu entrei. Desço as escadas ainda trémulo e sem forças.
Eu tinha perguntas.
Precisava saber a verdade.
Precisava saber se foi tudo mentira.
Mas não estava pronto, estava sufocado. Eu queria ir embora, deixá-lo.
Quero que ele sinta o que estou sentindo e que provavelmente vou sentir por muito
tempo.

Ligo para a única pessoa que sei que me atenderia em plena madrugada.

— Tae? — Jin atende, no segundo toque — O que aconteceu?

— Eu quero sair daqui... Jin, eu... — Minha voz sai embasbacada e trémula. Escuto a
voz de Namjoon no fundo e limpo as lágrimas que escorriam sem parar. O choro me
assolava, enquanto escutava Jin comentar algo no fundo, meus olhos presos na porta do
elevador, pronto para deixar esse apartamento que um dia já foi um refúgio pra mim e
que agora parecia um buraco que quer me engolir por inteiro.

— Estou indo, se acalme.

Ele diz antes de desligar apressado. Jin sabia que algo estava acontecendo. Ele apenas
estava esperando que eu pedisse ajuda. Antes eu não quis, pois acreditava
profundamente que tudo poderia se resolver. Que estúpido que eu fui, por acreditar que
tudo ficaria bem. Por acreditar em todas as coisas que ele me disse. Eu sou um estúpido.
Limpo a lágrima grossa que escorre em minha bochecha, minhas mãos estavam frias e
tremulas. Olho para o andar de cima mais uma vez, com medo daquele homem acordar
sentir falta do meu corpo ao seu lado e levantar para me procurar. Eu queria muito gritar
com ele, despejar a minha raiva e minha mágoa para cima dele, mas tinha consciência
que não podia fazer isso, porque acima de toda amargura, ainda doía, a dor estava ali,
agarrada ao amor que eu sinto por ele. O fato de amá-lo, tornava tudo pior, por isso não
podia vê-lo, não queria ceder, eu não podia ceder. Entre todas as coisas que podia
imaginar que partiria meu coração, nunca pensei que traição estaria envolvida. Jimin
havia voltado a meses, e ele escondeu de mim. Quem ama, não mente, não omite, não
esconde. Por que ele escondeu de mim?

Ele o ama?

O pensamento havia azedado totalmente minha mente.

Mas por que? Ele havia me deixado aos prantos, sozinho e patético. Ele procurou outro
para confortá-lo e me deixou nessa casa, sem ninguém! Todas as vezes que ele sumia,
todas as vezes que ele chegava tarde, todas as vezes que ele me procurava na cama á
noite...

Ele estava com Jimin.


Ele havia beijado Jimin.
Meu deus, ele havia feito amor com ele?
E depois me beijou como se não fosse nada?

Me apoio no sofá ao sentir uma sincope forte circular minha mente. Estava atordoado
demais, sentia que a qualquer momento fosse desmoronar. Eu ia desmoronar. Só de
pensar em Jungkook beijar ou dormir com outra pessoa, me causava náuseas e mal
estar. Meu deus, parecia minha ruína. Eu me sentia arruinado por ele, destruído.

“ Estou aqui”

Leio a mensagem de Jin que parece no visor e junto minhas forças para entrar no
elevador. À medida que o elevador vai descendo, eu vou me preparando para fazer o
que tiver que fazer para impedir que os seguranças me impedem de sair, eu não ficaria
nesse lugar nem mais um segundo, não seria preso. Por sorte, quando a porta abre no
saguão privado, há apenas dois seguranças que estavam cochilando na entrada. Devagar,
passo entre eles e a visto o carro de Jin. Obviamente Jungkook vai saber tudo amanhã
pelas câmeras, mas não me importaria, esperava estar bem longe quando ele sentir
minha falta.

Jin quando me vê, rapidamente sai do carro e me abraça. Simples assim, sem precisar
dizer nada, desmorono nos seus braços e eu acho que foi o suficiente, com apenas isso,
ele havia juntado as peças.

— Eu vou matá-lo, Tae — Ele diz baixinho, alisando meu cabelo — Ei, tudo bem,
tudo bem. Xiu...

— Dói, dói muito.

Desmorono em seus braços.

—Eu sei Tae, eu sei....

— Eu quero sair daqui, por favor.... — Peço, entre soluços — Me tire de perto dele, me
leve para qualquer lugar, menos aqui.

Jin me aperta em seus braços, como um sinal que estivesse de acordo. O alívio me
assola, junto com o a perto em meu coração, pela simples ideia de deixá-lo. Eu teria que
me acostumar, porque agora, seria para sempre.

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