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Soluções Aproximadas em Elementos Finitos

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CAPÍTULO 7 SOLUÇÕES APROXIMADAS POR ELEMENTOS FINITOS

1 Aproximações com continuidade de ordem um

Nos problemas de barras submetidas exclusivamente à força normal, a ordem


máxima de derivada que aparece na forma bilinear é igual a um. Mostrou-se,
no capítulo anterior, que a aproximação mais simples apresenta continuidade
em termos dos seus valores (ordem zero de derivada), mas a derivada primeira
é contínua por partes, isto é: derivada primeira contínua no interior de cada
elemento. Por esse motivo, diz-se que a aproximação gerada em todo o
domínio é de classe C0.

Já nos problemas de barras em flexão, porque as formas bilineares envolvem a


segunda ordem de derivada da função solução, a aproximação mais simples
possível deve apresentar continuidades de ordem zero e um, porém com
derivada de segunda ordem contínua por partes (isto é, contínua no interior de
cada elemento). Diz-se, então, que a aproximação gerada em todo o domínio é
de classe C1.

A construção de tal tipo de aproximação pela Técnica dos Elementos Finitos


segue a mesma metodologia apresentada anteriormente, sendo que agora as
funções base atreladas aos nós devem obedecer aos requisitos de continuidade
comentados acima.
~
v(x)

aprox. linear aprox. com 1a. derivada contínua

~
v ~
v ~
v ~ ~
v ~ ~
v
v v
130 - Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) -
Sergio [Link]ça

io

10 20 io eo no

u'1 e1

u1 eo

i1

e1
1

Figura 1 – Construção de aproximação global contínua na primeira derivada

Uma maneira de atender aos requisitos de continuidade em cada nó consiste


em combinar convenientemente duas funções: uma responsável pela
aproximação do valor da função e a outra pelo valor de sua primeira derivada.
Tais funções estão representadas na Figura 1.

A relação que exprime em notação indicial a função aproximativa é a


seguinte:

 x )  vi io ( x )  vii1( x )
v( c / i  1, ,n (1)
- Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) - 131
Sergio [Link]ça

Observando-se a relação anterior, nota-se que em cada nó (i) aparecem agora


dois parâmetros: vi e vi . Tais parâmetros, no caso das vigas, passarão a
representar deslocamentos e giros das seções associadas aos nós da
discretização.

Por construção as funções base io , que aparecem na (1), são responsáveis
estritamente pela aproximação do campo de deslocamentos e, nesse sentido,
apresentam valor unitário no nó i, porém com primeira derivada nula no
mesmo nó. Já as funções i1 têm por objetivo realizar exclusivamente a
aproximação das derivadas de primeira ordem, possuindo a característica de
apresentar um valor unitário para a sua primeira derivada no nó i enquanto que
o seu valor primário é nulo no mesmo nó. Ainda por definição, nos outros nós
cada uma das funções e suas derivadas tem valores nulos. Por construção as
funções io e i1 possuem suportes (regiões aonde podem assumir valores
não-nulos) definidos pelos elementos adjacentes ao nó e podem ser
representadas em cada elemento por polinômios cúbicos, únicos uma vez que
se considere a correspondência direta entre o número de parâmetros
envolvidos na definição do polinômio e as condições nodais que devem
obedecer.

Por exemplo, denotando-se por L os comprimentos dos elementos adjacentes


ao nó i, adianta-se que as funções-base ficam expressas pelas seguintes
relações:

 x
3
x
2

  2    3   (0  x  L )
 L L
io   3 2 (2)
2  x  1  3  x  1  1 ( L  x  2 L)
  L  L 

 x3 x 2
 L2  L (0  x  L )
 i1   (3)
  x  L 3

2
 x  L 2

 x  L ( L  x  2 L)
 L2 L

Para ilustrar a obtenção dessas aproximações, considere-se o elemento finito


de viga de comprimento L, com dois nós e a restrição das funções de
aproximação nodais ao domínio do elemento, conforme mostra a Figura 2a.
132 - Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) -
Sergio [Link]ça

v1
a) v2
x
1 2
y

v1 v2
L

b) 1 1
21
1 11 1
20
10

Figura 2- Elemento finito de viga

A expressão que define a aproximação no domínio do elemento é a seguinte:

 x )  v1 10 ( x )  v2  20 ( x )  v1 11( x )  v2 21( x )


v( (4)

onde v1 , v1, v2 e v2 são parâmetros associados aos nós do elemento, com a
convenção de sinais positivos indicada na Figura 2a.

Cada uma das funções base ilustradas na Figura 2b é representada por um


polinômio cúbico na forma:

 io ( x)  1 x 3   2 x 2   3 x   4

sendo os coeficientes  i (c/ i = 1,...,4) determinados a partir da imposição de


restrições específicas nos limites do elemento. Assim, para 1o ( x) valem as
seguintes condições:

10 ( 0 )  1 ; 10 ( L )  0 ; 10 ( 0 )  0 ; 10 ( L )  0

Para este caso a função base resulta:

2 3 3 2
10 ( x )  x  2 x 1 (5)
L3 L
- Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) - 133
Sergio [Link]ça

A função 11 ( x) , por sua vez, apresenta as seguintes condições de contorno:

11 (0)  0 ; 11 ( L)  0 ; 11 (0)  1 ; 11 ( L)  0

resultando em:

x3 2 2
11 ( x)   x x (6)
L2 L

A função base  2 o ( x) tem por condições de contorno:

 20 ( 0 )  0 ; 20 ( L )  1 ;  20 ( 0 )  0 ; 20 ( L )  0

e apresenta a forma:

2 3 3 2
 20 ( x )   x  2x (7)
L3 L

Finalmente, a função base  21 ( x) deve obedecer às condições:

 21 (0)  0 ;  21 ( L)  0 ;  21 (0)  0 ;  21 ( L)  1

e assume a forma:

x3 x2
 21 ( x)  2  (8)
L L

2 Elemento finito de viga

O Método dos Elementos Finitos propõe que a aproximação global seja


construída pelas contribuições de aproximações definidas nos domínios de
cada elemento.

Considerando-se o elemento finito como um elemento estrutural isolado, de


forma compatível com o modelo cinemático das vigas em flexão, sobre ele
podem ser aplicadas: força externa distribuída por unidade de comprimento,
bem como forças e momentos concentrados nas extremidades, conforme
ilustra a Figura 3.
134 - Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) -
Sergio [Link]ça

e
e
M1 e
1 2
M2

e (E,I) e
V1
V2e
Le

Figura 3 – Forças externas no elemento de viga

A expressão do P.T.V. para o elemento apresenta a seguinte forma:


Le Le

  E I e ve  ve dx   qe  ve dx  M1  ve ( 0 )  V1  ve ( 0 )  M 2  ve ( Le )  V2  v ( Le )


e e e e e

0 0

(9)

A partir dessa relação identificam-se as formas bilinear e linear seguintes:


L

 
B ie , ej  K ije    E I e ie"  e"j dx ; c / i, j  1, , 4
0
Le
(10 a,b)
F    q 
e
j e
e
j dx  M  e
1
e'
j  0   V   0   M   Le   V   Le 
1
e e
j
e
2
e'
j 2
e e
j
0

Nas relações anteriores ie ou  ej representam uma das funções ie0 ( x) ou


ie1 ( x) , anteriormente deduzidas. Numerando-se i e j seqüencialmente de um a
quatro, as funções base passam a ser identificadas por: 1e  10e ; 2e  11e ;
3e   20e ; 4e   21e .

Assim sendo, a função aproximativa para o elemento de viga resulta:

 2 x3 3 x 2   x3 2 x 2 
ve ( x )  ve1  3  2  1  ve1  2   x
 L L  L L 
(11)
 2x 3x 
3 2
x 3
x 
2

 ve 2   3  2   ve2  2  
 L L  L L
- Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) - 135
Sergio [Link]ça

A aproximação de Galerkin para o campo de deslocamentos virtuais resulta:

 2 x3 3 x2   x3 2 x 2 
 ve ( x )   ve1    1   v
e1  2
  x
 L  L 
3 2
L L
(12)
 2 x3 3 x 2   x3 x 2 

  ve 2   3  2    ve 2  2  
 L L  L L

Considerando-se o número de graus de liberdade nodais, a matriz de rigidez


do elemento resulta com ordem (4x4) e o vetor de forças nodais equivalentes
com ordem (4x1).

Considerando-se a simetria da matriz de rigidez do elemento, o cálculo de


alguns dos seus termos é explicitado em seguida:
Le

K  B  ,
e
11 1
e
1
e
   E I  
e 1
e"
1e" dx
0

12  E I e
2
Le
 12 x 6 
   E I e  3  2  dx 
0  Le Le  L3e
Le

K12e  B 1e ,2e     E I e 1e" 2e" dx


0

L
 12 x 6  6 x 4  6  E I e
   E I e  3  2  2   dx 
e

0  Le Le  Le Le  L2e
Le

K13e  B 1e ,3e     E I e 1e" 3e" dx


0

Le
 12 x 6  12 x 6  12  E I e
   E I e  3  2   2   dx  
0  Le Le  Le Le  L3e
Le

K  B  ,
e
14 1
e e
4    E I  
e 1
e"
4e" dx
0

Le
 12 x 6  6 x 2  6  E I e
   E I e  3  2  2   dx 
0  Le Le  Le Le  L2e
136 - Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) -
Sergio [Link]ça

Le

K 223  B 2e ,2e     E I e 2e" 2e" dx


0

4  E I e
2
Le
 6x 4 
   E I e  2   dx 
0  Le Le  Le
Le

K  B  ,
e
23
e
2
e
3    E I  e
e"
2
3e" dx
0

Le
 6 x 4  12 x 6  6  E I e
   E I e  2    3  2  dx  
0  Le Le  Le Le  L2e
Le

K  B  ,
e
24
e
2
e
4    E I  e
e"
2
4e" dx
0

L
 6 x 4  6 x 2  2  E I e
   E I e  2   2   dx 
e

0  Le Le  Le Le  Le
Le

K 33e  B 3e ,3e     E I e 3e" 3e" dx


0

12  E I e
2
Le
 12 x 6 
   E I e   3  2  dx 
0  Le Le  L3e
Le

K  B  ,
e
34
e
3
e
4    E I  e
e"
3
4e" dx
0

Le
 12 x 6  6 x 2  6  E I e
   E I e   3  2  2   dx  
0  Le Le  Le Le  L2e

K  B ,    E I e 4e" 4e" dx


Le
e e e
44 4 4
0

4 E I e
2
Le
6x 2 
  E I e  2   dx 
0  Le Le  Le

A matriz de rigidez completa do elemento apresenta a seguinte forma:


- Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) - 137
Sergio [Link]ça

 12 6 12 6 
 L3 
L2e L3e L2e 
 e 
 6 4
 2
6 2 
 L2e Le 
K  E I e 
e Le Le
(13)
12 6 12 6
 3  2  2
 Le Le L3e Le 
 6 2 6 4 
 L2  2
 e Le Le Le 

Por outro lado, considerando-se o caso de força distribuída uniformemente ao


longo do comprimento do elemento, o vetor de forças nodais resulta:

 qe Le e 
 2  V1 
 2

 qe Le  M e 
 12 1

F 
e
 (14)
 q L
e e
 V2 
e

 2 
 q L2 
 e e  M 2e 
 12 

Uma aplicação imediata para a aproximação deduzida consiste em determinar


o deslocamento e o giro da seção na extremidade livre de uma viga em
balanço submetida a uma força concentrada (P) aplicada naquela extremidade.
Supõe-se ainda um produto de rigidez EI constante ao longo da viga e que a
origem do referencial esteja posicionada na extremidade perfeitamente
engastada.

Discretizando-se a viga com um único elemento, os graus de liberdade nodais


do elemento se confundem com os graus de liberdade nodais da estrutura:
v1 , v1, v2 , v2 . Assim, o sistema resolvente é montado diretamente com a matriz
de rigidez do elemento (13) e o vetor de forças nodais (14), este
particularizado, uma vez que: q e  M 2e  0 . Além disso, a força nodal V2e
coincide com a força P aplicada e as forças nodais V1e e M 1e passam a
coincidir com as reações de apoio na extremidade fixa da viga.
138 - Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) -
Sergio [Link]ça

Ao sistema resolvente podem-se acrescentar as condições de contorno do


problema, isto é: v1 , v1  0 .

Considerando-se essas duas condições, nota-se que é possível isolar no


sistema resolvente duas relações envolvendo os graus de liberdade incógnitos,
o que facilita a sua identificação imediata, conforme destacado na relação
seguinte:

 12 6 12 6 
 L3 
L2 L3 L2 
 
 6 4 6 2  v1   V 
 L2 
L L2 L  v1'   M 
 E I   
  
12 6 12 6 v2   P 
 3   2  '
 L L2 L3 L v2   0 
 6 2 6 4 
 2  
 L L L2 L 

P L3 P L2
Da solução do sistema resultam: v2  ; v2  ; M   P L ; V  P.
3E I 2E I

Com as incógnitas determinadas é possível passar ao cálculo da distribuição


dos esforços internos generalizados: momento e cortante. Tais esforços
obedecem às seguintes relações com as derivadas da função de aproximação:

M   EI v( x )
V   EI v( x )

Trata-se, então, de particularizar a expressão (11) para o caso em análise.


Portanto, já computando as derivadas das funções de aproximação, resultam:

  12 x 6   6 x 2 
M   EI v2   3  2   v2  2   
  L L   L L 
  12   6 
V   EI v2   3   v2  2  
  L   L 
- Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) - 139
Sergio [Link]ça

Nota-se que o momento é expresso por uma função linear e a cortante por uma
constante. Em particular, no engaste obtém-se: M   P L ; V  P.

Observa-se, finalmente, que a solução obtida no exemplo coincide com a


solução exata. De fato, o problema da viga em balanço sob força concentrada
em sua extremidade tem por solução um polinômio do terceiro grau. Já um
problema semelhante, porém onde a força aplicada distribui-se uniformemente
sobre toda a barra, tem por solução exata um polinômio do quarto grau. Nesse
caso, a solução aproximativa do terceiro grau apresenta erro que se
potencializa na medida em que se consideram ordens de derivadas da solução.

3 Discretização de estruturas em viga

No caso de arranjos estruturais mais complexos em viga também se aplicam as


considerações feitas quando das aplicações às barras sob força axial, relativas
à montagem do sistema global a partir das contribuições de cada elemento
finito da discretização. Por exemplo, a viga ilustrada na Figura 4 pode ser
discretizada em três elementos e ter seu sistema global resolvente montado
pela contribuição de cada elemento, seguindo a mesma regra de
compatibilidade, ou correspondência, entre graus de liberdade exibida quando
da abordagem dos problemas de barras sob força normal.

a a/2 a/2

2 4 6 8

1 2 3

1 3 5 7

Figura 4 - Discretização em três elementos

Neste caso, a ordem da matriz de rigidez do sistema global (sem a imposição


das condições de contorno) é (8X8). Assim sendo, optando-se pela indicação
140 - Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) -
Sergio [Link]ça

na matriz de rigidez e vetor de força nodal de cada elemento da


correspondência entre os graus de liberdade locais, numerados de um a quatro,
e os graus de liberdade nodais globais indicados na Figura 4,
esquematicamente a matriz de rigidez e o vetor de forças nodais globais
equivalentes resultam compostos pelas seguintes contribuições dos elementos:

    0 0 0 0
    0 0 0 0
 
          0 0
 
          0 0
K 
0 0          
 
0 0          
0 0 0 0    
 
 0 0 0 0     

  
  
 
  
 
   
F  
    
 
    
  
 
  

A solução se completa impondo-se as condições de contorno e considerando


as relações de balanço. Resumidamente, não havendo, em correspondência aos
graus de liberdade dos nós internos, força ou momento concentrado aplicados,
devem ser nulas as somas de forças e de momentos resultantes das
contribuições dos elementos; nos graus de liberdade de vinculação, as somas
daquelas contribuições devem corresponder às respectivas forças de reação.

O exemplo seguinte ilustra uma análise simples de uma viga discretizada em


dois elementos, conforme ilustra a Figura 5.
- Soluções aproximadas por elementos finitos (cont.) - 141
Sergio [Link]ça

P
q

L L

2 4 6
1 3
1 2 2
1 3 5

Figura 5 – Exemplo de aplicação

O sistema resultante apresenta a seguinte forma:

 12 6 12 6 
 L3  0 0 
L2 L3 L2
   R1 
 6 4 6 2   
 L2  0 0  M1
L2  
  v1   q L
L L
 
 12 6  12 12   6 6  12 6  1   2  P 
 3   3  3   2  2   3 
L L2 L L   L L  L L2   v2   q L2 

EI       
 6 6 4 4 2  2  
 62 2
 2  2      2
6 12
 L L  L L  L L  L L   v3   q L 
      R 
6   3   2
3

 0 12 6 12 
0  3  2  2  qL 2

 L L L3 L  M
  
 12 
 0 0
6 2

6 4 
 L2 L L2 L 

Para a obtenção de solução para os graus de liberdade e reações de apoio, ao


sistema devem ser somadas as condições de contorno: v1  1  v3  0 .

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