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Criptococose: Diagnóstico e Tratamento

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Sayla Martielly
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CENTRO UNIVERSITÁRIO FG-UNIFG

UC: MECANISMOS DE AGRESSÃO E


DEFESA
SÉRIE E-BOOK

CRIPTOCOCOSE
DESVENDADA
UMA ANÁLISE COMPLETA DOS
MECANISMOS, DIAGNÓSTICOS E
TRATAMENTOS

SAYLA MARTIELLY,EVELLYN FERNANDES


JOICE OLIVEIRA, GRASIELA MARTINS, ANDREIA
ELIANA, VITÓRIA FRANCISCA, JAYALA PINHEIRO
CRIPTOCOCOSE
DESVENDADA
UMA ANÁLISE COMPLETA DOS
MECANISMOS, DIAGNÓSTICOS E
TRATAMENTOS

SAYLA MARTIELLY,EVELLYN FERNANDES


JOICE OLIVEIRA, GRASIELA MARTINS, ANDREIA
ELIANA, VITÓRIA FRANCISCA, JAYALA PINHEIRO

COLABORADORES: MIRELLE COSTA PIGNATA


VIANA E TALLIS MARTINS CAFIEIRO
Imagem: cientista em processo de descoberta

Apresentação: da criptococose.

É com grande satisfação que apresentamos este e-book, dedicado ao


estudo aprofundado da Criptococose, uma micose sistêmica de relevância
significativa para a saúde pública global.
Desde a sua descoberta final do século XIX, tem sido objeto de intensos
estudos. A obra se insere no contínuo esforço em promover o
conhecimento científico e tecnológico na área da microbiologia,
destacando temas que são de importância crítica para pesquisadores,
profissionais de saúde e estudantes.
A Criptococose, causada principalmente pelas espécies Cryptococcus
neoformans e Cryptococcus gattii, representa um desafio clínico e
epidemiológico, especialmente em indivíduos imunocomprometidos. A
infecção, adquirida pela inalação de esporos fúngicos presentes no
ambiente, pode evoluir de forma grave, afetando o sistema nervoso
central e outros órgãos, com consequências potencialmente fatais. Por
isso, a compreensão de sua patogênese, os avanços no diagnóstico e as
estratégias terapêuticas são essenciais para o manejo eficaz da doença.
Os capítulos que compõem esta obra apresentam uma visão detalhada
da biologia do Cryptococcus, os mecanismos de infecção, os fatores
predisponentes, e as manifestações clínicas. Também são explorados os
métodos laboratoriais utilizados no diagnóstico, os tratamentos
disponíveis, e as medidas de controle e prevenção. Por meio de uma
análise fundamentada em evidências científicas, oferecemos um recurso
essencial para todos que se interessam pela microbiologia clínica e pelas
doenças fúngicas.
Considerando a alta prevalência em regiões com infraestrutura de saúde
limitada, abordamos a necessidade de fortalecer os sistemas de saúde
para melhorar o diagnóstico precoce e o acesso a tratamentos.
Esperamos que este e-book sirva como uma fonte valiosa de
conhecimento, estimulando novas pesquisas e auxiliando na formação de
estratégias que possam reduzir o impacto desta importante micose.
Desejamos a todos uma excelente leitura e um enriquecimento
significativo no campo da micologia médica!
SUMÁRIO
- Introdução …………………………………………………................ 05
- Histórico …………………………………………………………………. 06
- Características gerais ………………………………….…………….… 07
- ⁠T axonomia …………………………………………………………….. 08
- ⁠E pidemiologia …………………………………………………..………. 09
- ⁠E tiologia ………………………………………………….…………….... 10

- ⁠T ransmissão …………………………………………………………….. 11

- ⁠S intomas ………………………………………………………………… 12
- ⁠C oinfecção por Criptococose e HIV …………………………………… 13

- ⁠D iagnóstico ………………………………………………………………. 14
- ⁠T ratamento ………………………………………………………………. 15
- ⁠M edidas de Profilaxia …………………………………………………… 16

- ⁠C uriosidades ……………………………………………………………… 17
Introdução: Imagem: organismo encapsulado, posteriormente
identificado como cryptococcus.

Esta pesquisa oferece uma análise detalhada de uma micose sistêmica


de grande relevância para a saúde pública, especialmente em indivíduos
imunocomprometidos. A doença foi inicialmente relatada pelos médicos
Otto Busse e Rino Stagno, que descreveram um caso de osteomielite
causado por um organismo encapsulado posteriormente identificado
como Cryptococcus neoformans. A partir dessa descoberta, a compreensão
da infecção evoluiu significativamente, sendo estabelecida a associação
entre o fungo e quadros graves que afetam principalmente o sistema
nervoso central e o trato respiratório.
O Cryptococcus neoformans, parte de um complexo de leveduras
patogênicas, caracteriza-se pela presença de diversos fatores de
virulência que permitem a persistência no organismo e o
desenvolvimento de sintomas severos. A gravidade da infecção é
notoriamente preocupante em pacientes com HIV/AIDS, linfomas ou
outras condições que afetam o sistema imunológico, embora também
possa acometer indivíduos com imunidade preservada, sobretudo em
casos envolvendo Cryptococcus gattii.
O tratamento da infecção envolve o uso de antifúngicos como
anfotericina B, fluconazol e itraconazol. A necessidade de diagnóstico
precoce é essencial para evitar complicações fatais, reforçando a
importância de estratégias clínicas aprimoradas.
O livro busca esclarecer os principais aspectos desta micose, abordando
desde a patogênese e fatores de risco até o diagnóstico laboratorial e os
avanços nas opções terapêuticas. A obra visa contribuir para o
aprimoramento do conhecimento técnico-científico sobre essa infecção
oportunista, destacando a importância de práticas de saúde pública
voltadas para a prevenção, detecção e tratamento, com o objetivo de
reduzir a mortalidade associada.

05
----------CAPÍTULO 1----------

Histórico
C. neoformans foi isolado pela primeira vez do suco
de pêssego em 1894 na Itália por Francesco Sanfelice,
que o denominou de Saccharomyces neoformans. No
mesmo ano, o patologista Otto Busse descreveu o
primeiro caso de criptococose isolado de uma lesão
na tíbia e o chamou de Saccharomyces (Kwon-chung;
et al., 2014). O micologista Vuillemin, em 1901,
estudou as leveduras descritas em 1894 por Brusse e
Sanfelice e observou que havia ausência de
ascósporos e fermentação de carboidratos, tais
características eram semelhantes às encontradas no
gênero Saccharomyces. Vuillemin classificou como
gênero Cryptococcus e ficou denominado como C.
hominise C. neoformans (Pasa, 2011). Durante o
século XX, foram relatadas diversas infecções por
esses agentes etiológicos em várias partes do corpo,
entre eles: pulmão, pele e cérebro.
A imagem ilustra o efeito invasivo do Cryptococcus
neoformans, retratando de forma artística a
porosidade que o fungo pode causar em tecidos
humanos, como visto em infecções pulmonares e
neurológicas, destacando visualmente os danos
potenciais da doença.
O primeiro caso de meningoencefalite humana foi
descrito no ano de 1905, e em 1912, Rusk e Farnell
descreveram dois casos de criptococose no Sistema
Nervoso Central (SNC) e um nos pulmões (Seixas,
2008). Por décadas, os agentes da criptococose
estiveram reunidos em duas espécies que incluíram
cinco sorotipos, a espécie compreende os sorotipos A
(var. grubi), D (var. neoformans) e o híbrido AD, que
apresenta características de ambos os sorotipos A e
D, e a espécie C. gattii abrange os sorotipos B e C
(Kwon-chung; et al., 2014).

Imagem: homem com porosidade no rosto


causado nos tecidos atingidos

06
--------------------CAPÍTULO 2--------------------

Características Gerais
A criptococose é uma micose
sistêmica grave, causada por fungos
do gênero Cryptococcus, sendo as
espécies mais comuns Cryptococcus
neoformans e Cryptococcus gattii.
Essa infecção é adquirida
principalmente pela inalação de
esporos fúngicos presentes em
ambientes contaminados, como
solos e fezes de aves, especialmente
de pombos, além de certas espécies
de árvores. A imagem retrata um
pesquisador em um laboratório,
analisando amostras em um
ambiente onde a presença de
pombos sugere a ligação entre esses
Imagem: pesquisador realizando a descoberta
animais e a disseminação dos aprofundada da criptococose
esporos de
Cryptococcus neoformans, ressaltando a importância de entender os habitats
desses fungos para prevenir a infecção.
Embora o Cryptococcus gattii tenha uma maior associação com árvores e não
esteja diretamente relacionado a aves, o Cryptococcus neoformans está
amplamente relacionado a ambientes com fezes de pássaros. O desenvolvimento
da criptococose é particularmente preocupante em pacientes
imunocomprometidos, especialmente aqueles com HIV/AIDS, linfomas ou outras
doenças que enfraquecem o sistema imunológico. Em tais indivíduos, a doença
pode progredir rapidamente, resultando em graves complicações, como
meningite. No entanto, a infecção pelo Cryptococcus gattii também pode ocorrer
em indivíduos imunocompetentes, embora seja menos comum. Dado seu impacto
potencial, ela representa um desafio significativo para a saúde pública, exigindo
atenção tanto para o diagnóstico precoce quanto para o tratamento adequado.
Desde o surgimento da epidemia de AIDS, a criptococose tornou-se uma infecção
oportunista significativa entre pacientes com o sistema imunológico
comprometido. O Cryptococcus neoformans é a espécie mais prevalente e está
amplamente associada a essas infecções, especialmente em locais com alta
incidência de HIV/AIDS. Por outro lado, a infecção por Cryptococcus gattii, embora
mais rara, também se destaca por atingir indivíduos com o sistema imunológico
intacto, sendo mais frequente em pessoas com mais de 50 anos ou com doenças
pulmonares pré-existentes. 03
03 07
------------CAPÍTULO 3------------

Taxonomia
Desde os primeiros isolamentos de Cryptococcus,
sua taxonomia vem sendo revista. A imagem acima
oferece uma representação visual da estrutura
celular do Cryptococcus, destacando a complexidade
morfológica dessas espécies fúngicas, reforçando a
importância das variações genéticas mencionadas no
texto. Com base em diferenças genéticas, o sorotipo
A de Cryptococcus neoformans foi considerado como
variedade distinta (Cryptococcus neoformans var
grubii) do sorotipo D35. Esta designação tem sido
progressivamente utilizada por diversos autores.
Em recente revisão filogenética, diferentes genes
(URA5, CNLAC1, CAP59, CAP64, IGS e ITSrRNA,
mtLrRNA) de Cryptococcus neoformans var gattii e de
Cryptococcus neoformans var neoformans foram
analisados.
Independente do marcador utilizado, a variedade
gattii constituiu grupo monofilético distinto e
divergente da variedade neoformans. De fato, são
reconhecidas pelo menos duas espécies do complexo
Cryptococcus neoformans: Cryptococcus gattii
(Cryptococcus neoformans var gattii) e Cryptococcus
neoformans (Cryptococcus neoformans var
neoformans).

Imagem:
Sorotipo D35

08
Imagem: paciente afetado pela
criptococose.
--------------------CAPÍTULO 4--------------------

Epidemiologia
Frequentemente, em 70% dos casos a Criptococose ocorre em homens adultos
entre 30 e 60 anos, com raros casos na população pediátrica (Veronesi, 2015). A
Criptococose é uma infecção rara na população pediátrica, mesmo naquelas
infectadas pelo HIV, o que corresponde em torno de 1 a 1,4%, enquanto que nos
adultos a prevalência varia de 4 a 8% (Salomão, 2017). A imagem acima ilustra
um cenário clínico de hospitalização, reforçando o impacto da Criptococose,
principalmente em pacientes imunocomprometidos, como os infectados pelo
HIV, que necessitam de cuidados intensivos devido à gravidade da infecção.
Cryptococcus é cosmopolita, com ocorrência em diversos substratos orgânicos e
está frequentemente associado ao habitat de aves, excretas secas, ricas em
fontes de nitrogênio, tais como ureia e creatinina. Condições favoráveis ao
crescimento abundante desta levedura formam microfocos, notadamente em
centros urbanos e relacionados a pombos (Salomão, 2017). De acordo com
Murray et al. (2020), C. Neoformans e C. gattii são ambos patogênicos para
indivíduos imunocompetentes, mas o primeiro geralmente é mais encontrado
como patógeno oportunista. Também é o agente mais frequente na meningite
fúngica e com tendência a ocorrer nos indivíduos com imunidade celular
enfraquecida. C. neoformans é encontrado em todo o mundo associado ao solo
contaminado com excretas de aves e, por outro lado, C. gattii geralmente é
encontrado nas regiões tropicais e subtropicais, em associação aos eucaliptos.
Ainda sobre C. neoformans, é o principal patógeno oportunista que acomete
pacientes com AIDS. Nessas pessoas, quando a contagem de linfócitos CD4+
estiverem inferiores a 200/mm³ estão propensos a desenvolver forma sistêmica
de Criptococose com acometimento do SNC (Lima e Lima, 2013; Murray et al.,
2020).
Cryptococcus causa cerca de um milhão de novos casos de Criptococose a cada
ano e aproximadamente cerca de 625 mil mortes nos três primeiros meses após
a infecção (Rêgo et al., 2018).

09
--------------------CAPÍTULO 5--------------------
Etiologia
O gênero Cryptococcus é constituído de 34 espécies de
fungos. Foi isolado pela primeira vez por Sanfelice, na
Itália, em 1895, a partir de sucos de frutas deterioradas.
Um ano antes, o primeiro caso de infecção criptococócica
em seres humanos tinha sido relatado por Busse e
Buschke, na Alemanha. Cryptococcus pertence à classe
Blastomycetes, família Cryptococcaceae, gênero
Cryptococcus, com duas espécies de importância clínica
humana e animal, a saber, C. neoformans e C. gattii.
Demais espécies são saprofíticas e são raras na
ocorrência de doenças em humanos e animais (VERONESI,
2015). A imagem acima ilustra a relação próxima entre C.
neoformans e os pombos, um dos principais hospedeiros
desse fungo em ambientes urbanos. A cena retrata a
presença de pombos em áreas urbanas, o que reforça a
associação descrita no texto entre C. neoformans e fezes
dessas aves, que são uma das principais fontes de
infecção, especialmente em ambientes contaminados,
como calçadas e áreas públicas.
Esses fungos têm uma cápsula polissacarídica
característica, que é um dos principais fatores de
virulência, auxiliando na proteção contra o sistema imune
do hospedeiro. C. neoformans é amplamente encontrado
em fezes de pombos e em solos contaminados, sendo
mais comum em regiões urbanas. Já C. gattii está
associado a áreas com vegetação, especialmente em
árvores como o eucalipto, e é prevalente em regiões
tropicais e subtropicais.
A infecção por Cryptococcus, conhecida como
criptococose, pode causar desde infecções pulmonares
leves até meningoencefalite criptocócica, uma condição
grave que afeta o sistema nervoso central. A via de
infecção geralmente ocorre pela inalação de esporos, que
podem atingir os pulmões e, em casos mais severos,
disseminar-se para o cérebro e outras partes do corpo.
O fungo apresenta de 5-10 mm de diâmetro, possui
espessa cápsula gelatinosa e reproduz-se por
brotamento.
Essas características tornam o estudo e o controle do
Cryptococcus essenciais para a saúde pública,
principalmente em grupos de risco.
10
--------------------CAPÍTULO 6--------------------

Transmissão Imagem: etiologia da criptococose


pelo microscópio.

A ausência de transmissão inter-humana ou de animais


para humanos é uma característica importante da
Criptococose. O risco de infecção está ligado
principalmente à exposição ambiental, com a inalação de
esporos de fungos sendo a principal via de contágio, que
está presente nas árvores, frutas, solos e cereais. Seu
principal meio de contágio em humanos são os
excrementos de pombos (Columba spp.). Com a
potencialidade de colonizar a mucosa dos pombos sem
lhes transmitir a doença, é um hospedeiro natural dessas
aves (Reolon, Perez, Mezzari, 2004). Conforme ilustrado
na imagem, a presença dos pombos em ambientes
urbanos, muitas vezes cercados por elementos naturais e
artificiais, ressalta a importância de se considerar a
interação do ser humano com esses ambientes na
avaliação do risco de infecção. Esses fungos alojam-se
nos pulmões e causam sintomas respiratórios. No
entanto, de acordo com o sistema imune da pessoa, é
possível que o fungo entre na corrente sanguínea e se
dirija para outros locais do corpo, resultando em
sintomas sistêmicos.
Esse tipo de infecção é considerada uma doença
oportunista, pois desenvolve-se mais facilmente em
pessoas que possuem alterações no sistema
imunológico.

Imagem: transmissão direta de aves para o


homem

11
--------------------CAPÍTULO 7--------------------

Sintomas
A doença manifesta-se de maneira variada, dependendo do estado
imunológico do paciente e do local da infecção. Nos pulmões, os sintomas
podem ser leves ou inexistentes, mas em alguns casos incluem tosse, dor
torácica, fadiga e perda de peso. A infecção pode se espalhar para o sistema
nervoso central, causando meningite, que é caracterizada por dores de cabeça
persistentes, visão turva, febre, rigidez no pescoço e, em casos mais graves,
confusão mental e coma.
De modo geral a criptococose pode se apresentar como um processo
pneumônico ou uma infecção do SNC secundária à disseminação
hematogênica e linfática após um foco primário ocorrido no pulmão, o que
ocorre com maior frequência. Mas, em alguns casos pode ocorrer ampla
disseminação, apresentando formas cutâneas, mucocutânea, óssea e visceral
(Murray et al. 2020).
A manifestação clínica mais frequente está relacionada ao SNC seguida do
envolvimento pulmonar. Semelhante à tuberculose e à histoplasmose, o
complexo primário pulmonar-linfonodo pode ser assintomático e apresentar
risco potencial de disseminação quando houver imunodepressão (Veronesi,
2015).
A doença tem curso variável, podendo ser crônica, no entanto fatal se não
tratada. As meninges e o tecido cerebral subjacente são afetados, e
clinicamente apresentam febre, dores de cabeça, meningismo, distúrbios
visuais, alterações mentais e convulsões.
Ela está diretamente vinculada ao ODS 3, que busca garantir saúde e bem-
estar para todos, com ênfase no combate a doenças transmissíveis. Como uma
das principais infecções oportunistas em pessoas vivendo com HIV, ela
representa uma significativa parcela de mortalidade em pacientes
imunocomprometidos. O ODS 3 aborda esses desafios ao promover o
fortalecimento dos sistemas de saúde, garantindo acesso a diagnósticos e
tratamentos precoces, essenciais para reduzir a mortalidade associada à
Criptococose, principalmente em regiões com infraestrutura de saúde
limitada.

12
Imagem: síndrome da imunodeficiência
adquirida (SIDA)
--------------------CAPÍTULO 8--------------------

Coinfecção por Criptococose e HIV


A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) representa atualmente um dos
maiores problemas de saúde, devido seu caráter pandêmico e sua gravidade. Sabe-
se que as pessoas infectadas pelo vírus HIV possuem grave disfunção do sistema
imune pelo fato de as células-alvo do HIV (linfócitos T CD4), serem importantes
células de defesa do hospedeiro. Calcula-se que por ano, em todo o mundo,
aproximadamente dois milhões de pessoas vão a óbito em consequência de doenças
relacionadas à SIDA (Pizani, 2017 e Santos, 2021).
De acordo com Costa et al. (2014), Pizani (2017) e Santos (2021), nos seres humanos
a Criptococose era considerada uma doença rara. No entanto, com o advento da
epidemia do HIV se alastrando a partir dos anos 80, a doença surgiu como infecção
oportunista nos Estados Unidos da América (EUA), Europa e Austrália, com
prevalência entre 5% e 10% nos portadores de HIV.
Nos indivíduos imunocomprometidos, a infecção criptococócica é tida como a
terceira causa de doença oportunista do SNC. A prevalência varia de 2,9% a 13,3%, o
que corresponde uma importante causa de mortalidade nos pacientes com AIDS
(Barbosa Junior et al. 2013; Pizani (2017), Santos, 2021). Estudos apontam que em
torno de 50% da mortalidade de indivíduos com SIDA tem relação direta com
Criptococose e, a letalidade associada à Criptococose nos doentes HIV positivos varia
de 22,2% a 76,9% (Mezzari et al. 2013).
A imagem acima simboliza de maneira impactante a gravidade das infecções
oportunistas, como a criptococose, que afetam pessoas imunocomprometidas,
especialmente aquelas vivendo com HIV/SIDA. A representação visual de estruturas
celulares, que lembra o formato de um olho, pode ser interpretada como uma
metáfora para a vigilância constante que o sistema imunológico deveria exercer, mas
que é comprometida em pacientes com HIV. A desorganização e invasão por
elementos patogênicos, como os fungos criptocócicos, que se aproveitam dessa
disfunção imunológica, reforçam a gravidade da coinfecção, destacando a
importância de estratégias eficazes de tratamento e prevenção para mitigar a alta
mortalidade associada à criptococose em pacientes com SIDA.

13
--------------------CAPÍTULO 9--------------------

Diagnóstico
O diagnóstico é feito por meio de exames
laboratoriais, incluindo culturas de
amostras de líquidos corporais, como
sangue, urina, expectoração e líquido
cefalorraquidiano. A confirmação
laboratorial é feita com o uso de "tinta da
China" (nanquim) - com evidências de
criptococos visíveis em materiais clínicos.
Trata-se do principal diagnóstico das
meningites criptocócicas: exame do líquor-
LCR. O criptococo também pode ser
isolado na urina ou pus. A sorologia e a
patologia também são consideradas na
confirmação diagnóstica da Criptococose.
Como exame complementar, tomografia
computadorizada, ressonância magnética
ou radiografia de tórax podem demonstrar
danos pulmonares, presença de massa
única ou nódulos múltiplos distintos
(criptococomas). A punção lombar é um
procedimento comumente utilizado para
colher olíquido cefalorraquidiano, que é
analisado para detectar a presença do
Imagem: médico e enfermeira discutindo sobre o
fungo ou de antígenos específicos do diagnóstico da criptococose.

Cryptococcus. A detecção precoce é fundamental para prevenir complicações mais


graves e iniciar o tratamento adequado.
A imagem ilustra uma consulta médica, onde um profissional de saúde está
conversando com um paciente, possivelmente discutindo resultados de exames
ou diagnósticos, o que reforça a importância da comunicação clara e precisa entre
médico e paciente no processo de diagnóstico e tratamento. Apesar de rara, a
criptococose pode afetar crianças, sem predisposição por sexo ou raça. Esta
micose sistêmica, subaguda a crônica, é comumente diagnosticada em pacientes
imunodeprimidos, como os soropositivos, sendo considerado o principal fator
predisponente para essa infecção. Outros fatores são: uso prolongado de
imunossupressores, corticoterapia, doenças como diabetes, sarcoidose, doença de
Hodgkin e outras neoplasias hematológicas (linfoma, leucemia, mieloma múltiplo),
lúpus eritematoso, artrite reumatóide, doença de Behçet, e transplante de vísceras
sólidas. Podendo também afetar indivíduos com função imune adequada
(Pappalardo; Melhem, 2003). 03
03 14
--------------------CAPÍTULO 10--------------------

Tratamento
A terapia medicamentosa depende da forma clínica da Criptococose, do
quadro imunológico e de condições de saúde do indivíduo. Todavia,
baseia-se em três drogas principais: Anfotericina B, Flucitosina e
Fluconazol, administradas de forma isolada ou em combinações.
Kwon-Chung et al. (2015) aponta que desde os anos de 1960, a
Anfotericina B é considerada o medicamento padrão ouro no tratamento
da Criptococose. A Anfotericina B (AMB) ou o Fluconazol associados ou
não ao 5- Flucitosina (5FC) são a base do tratamento. Estudos de Molloy
et al. 2018, mostraram resultados satisfatórios como uma semana de
Anfotericina B associado a Flucitosina e 2 semanas de Fluconazol mais
Flucitosina.
Na meningite criptococócia, o tratamento é realizado em três fases:
primeiramente pela fase de indução pelo tempo de duas semanas;
fase de consolidação por oito semanas e, por último, a fase de
manutenção de seis a 12 meses.
Para os imunocompetentes com envolvimento pulmonar, recomenda-se
Flucitosina. Contudo, outros medicamentos como Voriconazol,
Itraconazol ou Posacionazol são alternativas na indisponibilidade ou
contraindicação da Flucitosina.
Os pacientes com AIDS geralmente necessitam de tratamento de
manutenção com Fluconazol ou Itraconazolpor toda a vida. Em
pacientes HIV negativos, o tratamento pode ser suspenso após a
terapia de consolidação. No entanto, pode ocorrer recidiva em
26% dos pacientes dentro de 3 a 6 meses após a suspensão da terapia.
No caso de ser verificado que a pessoa possui uma infecção sistêmica,
ou seja, quando é possível identificar o fungo no sangue, o tratamento
deve ser realizado em internamento para que os sintomas possam ser
controlados e, assim, possam ser prevenidas complicações.

Imagem: fluconazol

15
--------------------CAPÍTULO 11--------------------

Medidas de Profilaxia
Embora não haja medidas preventivas específicas para a Criptococose,
recomenda-se o uso de equipamentos de proteção individual (EPI),
especialmente máscaras, em ambientes com grande acúmulo de fezes de aves.
Diante disso, medidas de controle populacional de pombos devem ser
implementadas, como, por exemplo, reduzir a disponibilidade de alimento, água
e, principalmente, abrigos. Os locais com acúmulo de fezes desses animais
devem ser umidificados para que os fungos possam ser removidos com
segurança, assim como a sua dispersão por aerossóis.
A imagem ilustra um homem em um local público cercado por uma grande
quantidade de pombos, destacando a importância das medidas de controle
populacional e do uso de EPI para prevenir doenças como a Criptococose.

16
--------------------CAPÍTULO 12--------------------

Curiosidades
Há uma hipótese de que a C. neoformans,
variedade gatti (sorotipo B e C) teria
alcançado diversas partes do mundo
através da disseminação de sementes de
Eucalyptus camaldulensis, provenientes da
Austrália, devido aos micélios dicarióticos
contidos nele. Estruturas encontradas nas
flores dessa árvore funcionam como
hospedeiras para o fungo e sua
associação biotrófica. No entanto, tem
sido observada a presença desse fungo
em outras árvores; e tem sido isolado
também em fezes de morcegos, em ocos
de árvores, colmeias de vespas. Em julho,
a revista 'Memórias do Instituto Oswaldo
Cruz' reuniu oito artigos sobre fungos do
gênero Cryptococcus e os impactos que
representam para a saúde. Entre os
destaques está um estudo do panorama
da criptococose na América Latina, onde
mais de 90% dos casos são causados por
C. neoformans. A apresentação clínica mais
comum na região é a meningite
criptocócica, que pode ser tratada com o
uso de antifúngicos como fluconazol e
anfotericina.
A imagem de uma pintura que retrata
uma figura feminina com um pássaro
voando acima de sua cabeça pode
simbolizar a disseminação e a presença do
fungo em diferentes hospedeiros e
ambientes, destacando a complexidade e
a abrangência do problema abordado no
texto.

Imagem: ilustração que pode ser interpretada de


maneira curiosa e diversa.

17
Referências
MANUAL MSD. Criptococose. Disponível em:
[Link]
br/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/infec%C3%A7%C3%
B5es-f%C3%BAngicas/criptococose.

BRASIL. Ministério da Saúde. Criptococose. Disponível


em: [Link]
de-a-a-z/c/criptococose.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA –


IPEA. ODS 3 – Saúde e Bem-estar. Disponível em:
[Link]

INSTITUTO AGF. Criptococose: causas, sintomas,


tratamento e prevenção. Disponível em:
[Link]

Scientific Electronic Arquives. Criptococose: revisão de


literatura. Disponível em:
[Link]
7/1817

[Link]
_Cryptococcus_neoformans_um_fungo_patogenico_op
ortunista

SALOMÃO, R. Infectologia: Bases Clínicas e


Tratamento. Rio de Janeiro, 2017.

MURRAY, P. R.; ROSENTHAL, K. S.; PFALLER, M. A.


Microbiologia Médica. 8ª ed. Rio de Janeiro : GEN,
2020.

PAPPALARDO, M. C.S.M.; MELHEM, M. S.C.


Cryptococcosis: a review of the brazilian experience
For the disease. Ver. Inst. Med. Trop. S. Paulo, vol.45
no.6 São Paulo Nov./Dec. 2003.
Imagem: referencias tiradas de
livros.

18
Kwon-Chung, K. J., et al. (2017) The Case for Adopting
the “Species Complex” Nomenclature for the Etiologic
Agents of Cryptococcosis. mSphere. 2(1),27e00357-16.

PIZANI, A.T.; SANTOS, M.O. Criptococose em pacientes


HIV positivos: revisão sistematica da literatura. Revista
Saúde UniToledo, Araçatuba, SP, v. 01, n. 01, p. 90-
106, mar./ago. 2017.

BARBOSA JUNIOR, A.M. et al. Biological activity of


Cryptococcus neoformans and Cryptococcus gattii
from clinical and environmental isolates. J. Bras. Patol.
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antifúngica de Cryptococcus isolados de pacientes
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Imagem: referências tiradas de


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19
SEIXAS, A. C. N. Criptococose – Estudo clínico,
epidemiológico e microbiológico em hospitais.
Públicos de João Pessoa, Brasil. Monografia
(Departamento de Ciências Farmacêuticas), João
Pessoa, 2008.

"Esperamos que este e-book tenha ajudado a


esclarecer os principais aspectos da criptococose,
oferecendo conhecimento essencial para a
compreensão e prevenção dessa infecção. Continue
explorando, aprendendo e contribuindo para a saúde
e o bem-estar de todos."
Imagem: referências tiradas de
livros.

20

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