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Tambor de Mina: Cultura e Identidade Maranhense

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TERREIRO DE MINA PEDRA DE ENCANTARIA: Uma análise sobre o Tambor de Mina no

Maranhão
Malanya Moreira Diniz1

RESUMO:O presente artigo tem como objetivo o maior


conhecimento da religião do Tambor de Mina como
manifestação religiosa das classes subalternas. Outro objetivo
é combater o preconceito racial e exclusão social em relação
às comunidades populares. Não se objetiva aumentar a
quantidade de adeptos a religião, mas identificar os
pensamentos das classes populares, como forma de conhecer
a historicidade da religião e sua ligação com a cultura
maranhense. Busca- se entender a religião como elemento
formador da identidade cultural de um povo abrangendo
aspectos econômicos e simbólicos.
Palavras-chave: cultura popular, sincretismo, tambor de mina

ABSTRACT: The present article has as objective the greater


knowledge of the religion of the Drum of Mine like religious
manifestation of the subaltern classes. Another objective is to
combat racial prejudice and social exclusion in relation to
popular communities. It is not intended to increase the number
of adherents to religion, but to identify the thoughts of the
popular classes, as a way of knowing the historicity of religion
and its connection with Maranhão culture. It seeks to
understand religion as forming element of the cultural identity of
a people embracing economic and symbolic aspects.
Keywords: popular culture, syncretism, mine drum

1 INTRODUÇÃO

A religiosidade no Maranhão possui marcas expressivas na cultura popular, como é


percebido nas festas ocorridas no ano inteiro que por sua vez são marcadas pelo
sincretismo cultural, a exemplo do Tambor de Mina, religião de matriz africana que assimila
elementos do catolicismo em suas manifestações culturais.
Segundo Émile Durkheim (2000 apud GUERREIRO, 2012) a religião é um dos
aspectos básicos constitutivos da cultura de toda sociedade, além de um fundamento da
estrutura social. Dessa maneira, o Tambor de Mina constitui um núcleo de expressão da
cultura africana, assim como espaço de divulgação do pensamento popular.
O Tambor de Mina surgiu do Maranhão por volta do século XIX, as festas
características da religião constituem um importante elemento de análise do folclore popular

1
Graduanda em Serviço Social. Universidade Federal do Maranhão- UFMA. E-mail: malanyamdiniz@[Link]
maranhense, sendo assim, tais festas são uma oportunidade da abertura do terreiro à
comunidade mais ampla, onde é possível observar a devoção, e as várias formas que a
religião buscou para se recriar, se revitalizar e se reencontrar dentro de sua própria fé,
mesmo diante de uma sociedade preconceituosa e resistente.
A presente pesquisa tem como objetivo o maior conhecimento da religião do
Tambor de Mina como manifestação religiosa das classes subalternas. Outro objetivo é
combater o preconceito racial e exclusão social em relação às comunidades populares. Não
se objetiva aumentar a quantidade de adeptos à religião, mas identificar os pensamentos
das classes populares, como forma de conhecer a historicidade da religião e sua ligação
com a cultura maranhense. Busca-se entender a religião como elemento formador da
identidade cultural de um povo, abrangendo aspectos econômicos e simbólicos.

2 Cultura Erudita e Cultura Popular: Breve Histórico Sobre o Folclore Maranhense

Analisar a cultura é fundamental para compreender os diversos aspectos sócio-


políticos e econômicos das sociedades, visto que “cultura é uma dimensão do processo
social, da vida de uma sociedade. [...] é uma construção histórica, seja como concepção,
seja como dimensão do processo social.” (SANTOS, 2002, p.44)

Dentre as preocupações com o conceito de cultura destacam-se as noções sobre


culturas popular e erudita. Inicialmente, “a partir de uma ideia de refinamento pessoal,
cultura se transformou na descrição das formas de conhecimento dominantes nos Estados
nacionais que se formavam na Europa a partir do fim da Idade Média” (SANTOS, 2002,
p.44). Dessa maneira, possuir cultura era sinônimo de possuir bens, poder e status, o que
colaborou para o desenvolvimento de uma produção de culturas próprias da elite dominante,
excluindo, portanto, toda representação dos mais oprimidos, considerados “aculturados”,
inferiores, que mais tarde constituiriam a cultura popular.

Nesse cenário, apenas o conhecimento formado pela classe dominante é


considerado viável e positivo contrapondo-se aos saberes dos mais pobres, vistos como
superáveis e irrelevantes. A partir dessa perspectiva, cultura passa a se relacionar com
questões de poder e dominação, de maneira que a classe popular, destituída das
características daquela, torna-se dominada e excluída de manifestações da cultura erudita.

Entretanto, com as transformações ocorridas na maneira de ver o mundo, novas


perspectivas foram construídas quanto ao estudo da cultura popular, sendo assim, “a cultura
popular tem de ser encarada não como uma criação das instituições dominantes, mas como
um universo de saber em si mesmo constituído, uma realidade que não depende de formas
externas, ainda que se opondo entre elas. (SANTOS, 2002 , p.56)”

Na história do Brasil, é notável a presença e influência das manifestações culturais


populares, e sua riqueza deve-se à variedade de etnias presentes na formação brasileira.
São exemplos de manifestações da cultura popular brasileira os blocos de Carnaval, o
Bumba-Meu-Boi, a literatura de cordel, o samba, o frevo, artesanato e outros. Portanto, as
manifestações culturais têm se constituído em uma maneira de expressar os pensamentos
das populações de classe baixa, seus anseios e causas pelas quais lutam. É o caso do
Tambor de Mina no Maranhão, religião de matriz africana que reafirma a importância da
africanidade no contexto da formação histórica brasileira.

Segundo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional),

a cultura tradicional e popular é o conjunto de criações que emanam de uma


comunidade cultural fundadas na tradição, expressas por um grupo ou por
indivíduos e que reconhecidamente respondem à expectativas da comunidade
enquanto expressão de sua identidade cultural e social; a normas e valores se
transmitem oralmente, por imitação ou de outras maneiras. Suas formas
compreendem, entre outros, a língua, a literatura, a música, a dança, os jogos, a
mitologia, os rituais, os costumes, o artesanato, a arquitetura e outras artes.

No Maranhão, o folclore se confunde com a própria história do estado. Segundo Carlos


Alberto Brandão (1984, p.31), constituem o fato histórico

as maneiras de pensar e agir de um povo, preservadas pela tradição popular e pela


imitação, e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e
instituições que se dedicam ou à renovação e conservação do patrimônio científico e
artístico humano ou à fixação que uma orientação religiosa e filosófica.

As manifestações folclóricas são frutos de um longo processo histórico,


representando a vivência de antigas populações e transmitindo a mesma para as próximas
gerações. Apesar da globalização e da entrada de elementos estrangeiros no
comportamento das comunidades brasileiras, o folclore ainda permanece forte, se
reinventando e assimilando novos elementos.

Um exemplo de manifestação popular e representativa do folclore brasileiro é o


Tambor de Mina, que mistura religiosidade e cultura popular, organizando festas em culto às
entidades da religião. No Tambor de Mina, as festas são organizadas como uma obrigação
e devem ser seguidas rigorosamente pelos praticantes e verificam-se que os limites entre
religião e folclore, entre o sagrado e o profano, encontram-se intrinsecamente ligados, não
sendo possível verifica-los separadamente. As entidades do Tambor de Mina, (caboclos,
voduns, orixás e gentis), gostam das festas do folclore local. Dessa maneira, as
comunidades organizam festas utilizando elementos do folclore popular. Os terreiros do
Tambor de Mina constituem um espaço fundamental de manutenção e difusão do folclore e
colaboram para a divulgação dos saberes das comunidades populares.

Cultura é toda manifestação que representa a identidade de um povo.


Segundo José Luís do Santos (1949, p.44) “cultura é uma dimensão do processo social, da
vida de uma sociedade. [...] é uma construção histórica, seja concepção, seja como
dimensão do processo social.” Investiga os aspectos culturais de um povo consiste em
identificar a historicidade do mesmo, abrangendo fatores econômicos, políticos, sociais e
culturais.
A cultura está intrinsicamente ligada aos aspectos mais íntimos da vida
humana, deve-se a isso o fato das manifestações culturais dizerem tanto a respeito da
subjetividade dos indivíduos, visto que influenciam as maneiras de falar, vestir, entender o
mundo e se comportar diante dos estímulos recebidos. Roque Daraia afirma que

a cultura influencia e determina até mesmo a esfera biológica das pessoas: a hora
de sentir fome, as doenças que pode “fazer surgir” e até a capacidade de
contribuição para a morte uma que, sendo excluída e rejeitada de sua comunidade,
não vê saída para fugir desse isolamento social e pode cometer suicídio. É, portanto,
fator determinante na organização social de uma sociedade. (DARAIA apud COSTA,
2004, p. 257 )

Uma das preocupações levantadas nas Ciências Sociais contemporâneas é a


relação entre globalização e cultura e sua ligação com questões voltadas à
homogeneização, etnocentrismo e cultura das massas. Segundo Santos (2009, p.14)

as tensões entre culturas e identidades locais e globais constituem hoje um notável


ponto de conflito permeando as relações entre as diversas sociedades. O principal
ponto de alimentação desse conflito é a homogeneização que impõe a substituição
de manifestações locais por manifestações culturais globais.

A globalização ampliou as fronteiras nacionais para além das fronteiras


físicas, provocando o aumento da interdependência econômica entre as nações. Como meio
de ampliar a influência do sistema econômico vigente, a globalização além de interferir em
setores econômicos, exerce grande influência em todas as esferas da vida social, sejam
elas política ou cultural. Costa (2004, p.255) argumenta sobre o tema afirmando:

o avanço do processo de globalização pode ser considerando como uma das


marcas do mundo moderno. Globalizam-se as empresas, os mercados, as
economias, etc. O enfoque de algumas análises e discussões sobre a globalização
enfatiza os campos econômico e financeiro em detrimento dos campos cultural e
social, por exemplo. Segundo essas análises as economias nacionais não
sobreviverão isoladas e necessariamente deverão estar em contato umas com as
outras, intensificando os fluxos comerciais, financeiro e sociais.

Dentre os efeitos causados pela globalização e a intensa troca de características


culturais diferentes está o desenvolvimento de culturas híbridas que
refere-se a uma mescla entre expressões culturais; locais e globais, sem que
necessariamente, haja um quadro de dominação – ainda que seja de suma
importância problematizar essa possibilidade. Em uma cultura híbrida, o que é local
e o que é global coexistem, formando uma nova configuração cultural, um novo
conjunto cultural que não é igual ao que havia antes do recebimento de “influências
externas”, mas também não é uma mera reprodução cultural daquilo que se recebe.
(BOURSEAU, 2017)

Percebe-se a presença do hibridismo cultural no reagge, na própria língua


portuguesa, na formação do continente Sul-americano, a culinária brasileira, os estilos
literários, a arquitetura em alguns prédios históricos brasileiros e outros.

O constante contato entre diferentes culturas resulta em outra característica da


globalização: o sincretismo cultural. Segundo Stuart e Shaw o sincretismo

não é um termo com significado fixo pois seus sentidos foram historicamente
constituídos e reconstruídos. Identificar um ritual ou tradição como sincréticos é dizer
pouco pois todas as religiões têm origens compostas e são continuamente
reconstruídas. Parece mais importantes focalizar o processo da síntese religiosa.
(STUART; SHAW apud FERRETTI,2008, p.5)

No Brasil o sincretismo está muito presente devido a sua formação social, visto que
esta se deu a partir do contato direto com as culturas indígena, africana e europeia. Diante
disso, foram formadas religiões brasileiras com aspectos sincréticos, como é o caso das
religiões de matriz africana, tais com a Umbanda, e o Tambor de Mina; e também no
catolicismo popular. Entretanto, o sincretismo não é encontrado apenas nesses espaços,
está presente nas manifestações religiosas de modos geral, pois “o sincretismo pode ser
visto como característica do fenômeno religioso”. (FERRETTI, 1997, p. 183).

As intensas transformações presentes no mundo contemporâneo têm provocado o


aumento das preocupações quanto a preservação das culturas locais em detrimento das
culturas globais. A criação das culturas globais e locais fogem do controle dos indivíduos,
visto que é algo externo à ele, fruto de identificação pessoal. Dessa maneira “a cultura local
não é propriedade de alguém, nem mesmo do povo ou do Estado. Tem suas peculiaridades
que a diferem das demais culturais, mas é passível de apreensão por aqueles que
genealogicamente não fazem parte de determinada tradição cultural.” (COSTA, 2004, p.
258).

Apesar de muitas vezes conceitos de hibridização e sincretismo serem confundidos


com mistura, ou seja, como um aspecto negativo, a assimilação com novas culturas surge
como uma forma de preservação das manifestações culturais. Além disso, é da própria
natureza humana a característica de estar em constante transformação, dessa maneira, os
aspectos culturais humanos também passam por adaptações e assimilações, pois conforme
Ulf Hannerz
para que se mantenha duradoura, tem de estar em movimento, ou seja, as pessoas,
enquanto atores e redes de atores, têm de inventar cultura, refletir sobre ela, fazer
experiências com ela, recordá-la (ou armazená-la de alguma outra maneira) discuti-
la e transmiti-la. (COSTA, 2004, p.258).

Desde que o contato entre diferentes culturas não estabeleça uma relação
hierárquica entre elas, a assimilação de novos aspectos culturais permite que a arte, os
modos de pesar e agir de determinado povo permaneçam vivos, pois em vez de serem
excluídos se adaptam à nova realidade.

2.1 Contextualização Histórica do Tambor de Mina

O Tambor de Mina é uma religião afro-brasileira surgida em São Luís do Maranhão


na primeira metade do século XIX. O termo “mina” deriva do forte de São Jorge da Mina,
empório de escravos dos quais muitos vieram para o Brasil através do tráfico português.
Acredita-se que tenha sido estruturado por meio de duas ‘casas grandes’ abertas por
africanas libertas: a Casa das Minas-Jeje e a Casa de Nagô. Apesar de ser encontrado
principalmente no Maranhão, o Tambor de Mina também é observado em outras regiões
brasileiras, como Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília e foram levadas à esses
estados por meio de emigrantes maranhenses que praticavam a religião.

Assim como o Candomblé da Bahia, o Tambor de Mina caracteriza-se por seguir


inúmeras tradições de origem africana, embora a rigidez à esse modelo possa variar de
acordo com as determinações dos terreiros. No Tambor de Mina “são cultuadas e recebidas,
em transe, entidades espirituais africanas (voduns e orixás) e entidades espirituais que
começaram a ser reconhecidas pelos negros do Brasil (gentis, caboclos)” (FERRETTI, 2002,
p.25)

O sincretismo cultural recebe inúmeras abordagens, na análise de André Droogers


(1980, p.142), dentre as quais vale destacar, acontece “quando uma religião sai da sua
cultura de origem e precisa adaptar-se a uma outra cultura”. O sincretismo é uma marca
fundamental do Tambor de Mina. As entidades cultuadas são associadas com os santos
católicos, assim como os feriados condizem com as festividades católicas.

Segundo os adeptos da religião, a história do Tambor de Mina iniciou-se a mais de


1000 anos. Especificamente no ano de 1099 quando ocorre a conquista de Jerusalém pela
tropa cristã da primeira cruzada. Apesar da derrota dos turcos, alguns postos localizados
nas cidades do litoral são mantidos por estes.
O sultão da Turquia, ainda tendo esperanças de reconquistar Jerusalém, recebe em
uma manhã a notícia de que será necessário proteger suas filhas, as três princesas da
Turquia: Mariana, Jarina e Herundina.

O objetivo do sultão era assegurar suas filhas em um reino da Mauritânia, no


entanto a chegada destas não foi possível.

Na viagem, as princesas passam por um local chamado Estreito de Gibraltar,


considerado pelos adeptos do Tambor de Mina um portal para outros mundos, e a partir
disso, sem perceber, entraram no mundo dos encantados.

Após um longo sono, as princesas despertam na Foz do Rio Amazonas, e lá


encontraram a velha Tapuia, que sofria pela falta de entes queridos que foram levados,
segundo alguns historiadores, para servirem de escravos na Europa.

Logo após uma longa viagem, chegam à Ilha de Paritins, onde situa-se a aldeia de
Caboclo Velho. A partir desse contato, é estabelecida uma conexão destas com o mundo da
encantaria.

Os dias que passaram na aldeia possibilitaram uma “troca entre as culturas” turca e
indígena, onde os turcos de “ajuremaram” e os indígenas se “turcuaram”, estabelecendo,
desse modo, a percepção da irmandade entre esses povos.

Dentre as princesas, Herundina foi a que mais assimilou a cultura nativa da mística
da Litorânea e da força de Tupã.

As princesas e sua comitiva, seguindo o conselho de Caboclo Velho, partiram em


direção ao oceano, para cumprir uma profecia que se anunciava a 400 anos atrás.

Com a derrota, o sultão é exilado de seu reino e destronado. Com sua partida,
começa o segundo ciclo da história que levará à criação do Tambor de Mina realizado na
selva amazônica.

O sultão percorreu o mesmo caminho de suas filhas sem saber o que aconteceu.
Ele acaba se encontrando também com o Caboclo Velho e a partir daí funda-se a religião.

Na aldeia, a sultão é coroado pelos indígenas como rei Marajó devido a estes
acreditarem que o novo rei era a reencarnação de Sumé. Durante a Revolta dos
Tupinambás, fecha-se o chamado “primeiro anel da cobra grande” que concretiza-se na
transformação de Herundina em juremada e na coroação do sultão em Rei Marajó,
ocorrendo dessa forma, novas conquistas e alianças.
No século XVII, na Praia dos Lençóis Maranhenses, acontece o encontro das
princesas turcas com o rei D. Sebastião, que é considerado o senhor e protetor da
encantaria das praias dos Lençóis.

A formação da encantaria caracteriza-se pelas famílias, dentre elas a família da


Turquia, dos Bandeirantes, da Praia do Lençol dentre outras. Foi oferecido por D. Sebastião
às princesas, que estas participassem de alguns das famílias, porém, não aceitaram. Sendo
assim, Mariana resolveu apossar-se do mar, Herundina das matas e Jarina é a única que
decide ir em busca do seu pai.

O “segundo anel da cobra grande” fecha-se quando o sultão hospeda-se no palácio


D. Sebastião, estabelecendo, a partir disso, uma nova aliança entre nobres e gentis.

No século XVIII, no Grão Pará e Maranhão D. Sebastião era cultuado, porém os


rituais eram apenas de pajelança, ou seja, as entidades não incorporavam em mestiços.

A partir do aparecimento de Sebastiãozinho, Aruaninha e Iguaezinho, passam a


ocorrer as incorporações em nativos, fazendo com que os encantados tivessem uma maior
proximidade com o mundo real, sendo mais fácil a contribuição com a evolução da
humanidade. Entre as princesas Herundina foi a primeira a se manifestar, seguida por
Jarina, e por último Mariana que é mais cultuada dentre as irmãs no terreiro de Mina.

O “terceiro anel da cobra grande”, ocorre em 1755 com a chegada de um grande


número de escravos, de diversos países da África, que são acompanhados por suas
divindades que o acalentavam. Dentre estes Verequete se destacava, que logo depois
torna-se responsável pela união das diversas divindades ao realizar uma reunião no centro
da floresta Amazônica, com a presença de orixás, caboclos, vondussos, gentis, marcando a
fundação do Tambor de Mina.

A religião acredita que a história dos homens e dos deuses está difundida, assim
como outras religiões creem em livros sagrados, os adeptos do Tambor de Mina ao dançar
exaltam e cultuam a pujância das entidades e deuses.

3 CONCLUSÃO

As tradições ou os costumes expressos no tambor de mina, é prova viva da


resistência cultural de um povo, perante a uma sociedade etnocêntrica pautada no princípios
ocidentais. Em meio a globalização o tambor de mina, reafirma toda a ancestralidade
africana na formação sócio – histórica brasileira.
As práticas de saberes dessa religião constituem importante produto de
conhecimento popular, apesar de não ter o devido reconhecimento por parte da cultura
erudita, que defende a monocultura do saber ocidental, invalidando os que fogem das suas
determinações, como por exemplo os saberes indígenas e africanos, e somente se
apropriando deles quando rentável para o sistema capitalista.

A pesquisa de campo apresentada proporcionou um choque cultural ao grupo, visto


que nenhum componente teve contato com a religião. Dessa maneira foi possível perceber o
preconceito existente, a falta de conhecimento, e o reconhecimento da pluralidade dos
saberes, diversidade simbólica e de significados.

É papel do assistente social conhecer a diversidade presente no âmbito social, e


contribui para os assegurar os direitos, dando visibilidade as populações marginalizadas,
desmistificando os aspectos do saber popular e objetivando combater preconceitos e
desigualdades.

REFERÊNCIAS

BOUSEAU, Claudia. O que são culturas híbridas?2017 <[Link]


que-sao-culturas-hibridas/ acesso em 26 de dezembro de 2017.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é folclore. [Link]. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984.
112 p.

COSTA, Thatyane Roberta de Castro. A mundialização da cultura e os processos de


homogeneização e formação da cultura global. Universitas – Relações Internacionais.
Brasília, n.1, p.255-257, jan/jun.2004.

DROOGERS, André. Sincretismo. 1981 <perió[Link]/[Link]/


estudos_teologicos/article/view/1335 acesso em 26 de dezembro de 2017

FERRETTI, Mundicarmo Maria Rocha. Desceu na Guma: o caboclo do Tambor de Mina. 2.


ed. ver. e atual. São Luís: EDUFMA, 2002. 374 p.

FERRETTI, Sérgio. Multiculturalismo e sincretismo. In: I CONGRESSO INTERNACIONAL


EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO, 2007, Goiânia. Artigo... São Paulo: Paulinas/UCG, 2008, p.
37-50
FERRETTI, Sérgio. Sincretismo afro-brasileiro e resistência cultural. Horizontes
Antropológicos, Porto Alegre, n.8, p. 182-198, jun. 1998.

GUERREIRO, Silas. A atualidade de teoria da religião de Durkheim e sua aplicabilidade no


estudo das novas espiritualidades. Estudos de Religião. São Paulo, v.26, n.42, 2012.
Edição Especial.

MOREIRA. A.S; OLIVEIRA, I. D. O futuro das religiões na sociedade global. Uma


perspectiva cultural. In. I CONGRESSO INTERNACIONAL EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO,
2007, Goiânia. Artigo... São Paulo: Paulinas/UCG, 2008, p.1-10

SANTOS, José Luiz dos, O que é cultura. São Paulo: Editora Brasiliense, 2006, 374 p.

SOUZA, Li-Chang Shuen Cristina Silva. In. XV CONGRESSO BRASILEIRO DE


SOCIOLOGIA, 2011, Curitiba, Anais... Curitiba: 22 p.

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