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Resultados da Olimpíada Matemática 2006

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Rodolfo Luiz
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Número 4 Novembro 2006

Solução Oficial:
• Olimpı́ada Matemática Rioplatense •
Resultados Traçando o segmento CG paralelo a DE, com G so-
bre BD, dividimos BDEF em dois outros retângulos,
BF CG e DECG. Portanto,
Será realizada entre os dias 7 e 11 de dezembro a 15a E
edição da Olimpı́ada Matemática Rioplatense. Estudantes
brasileiros começaram a participar da competição em 1995
com o envio de uma delegação de São Paulo e posterior-
mente com uma delegação de Fortaleza em 1996. Publi- D C
camos neste número os problemas e soluções da seletiva de F
Fortaleza e os estudantes classificados.
Nı́vel A G
1◦ Guilherme Vieira Melo
2◦ Gleycianne Arruda de Freitas Silva
3◦ Felipe Vieira de Paula A B
4◦ Élvis Falcão de Araújo
5◦ Renan da Silva Braga A(BDEF ) = A(BCD) + A(BF C) + A(DEC) =
Nı́vel 1 A(BCD) + A(BCG) + A(DCG) = 2A(BCD) =
1◦ Mateus Bezerra Alves da Costa A(ABCD)
2◦ Denı́lson Araújo da Páscoa e daı́ A(ABF ED) = A(ABD) + A(BDEF ) =
1 3 3
3◦ Rodolfo Nobre Bitu de Morais 2 A(ABCD)+A(ABCD) = 2 A(ABCD) = 2 ·1·2 = 3.
4◦ Lucas Bernardo Marinho
2. Paladino escreve o número 2006 como uma soma de
5◦ José Ailton Azevedo Araújo Filho
parcelas naturais e, em seguida, calcula o produto P
Nı́vel 2
das mesmas. Determine, com justificativa, o maior
1◦ Guilherme Philippe Figueiredo
valor que Paladino pode obter para P .
2◦ Samuel Aguiar Batalha
3◦ Pedro Pinheiro de N. Bessa Solução Oficial:
4◦ Carlos Eduardo Pinheiro Rocha Não é vantajoso Paladino utilizar uma parcela n ≥ 5.
5◦ Antônio Deromir Neves da Silva Júnior De fato, como 3(n − 3) ≥ n para n ≥ 5, se Paladino
Nı́vel 3 trocar uma parcela igual a n por duas parcelas, uma
1◦ Leandro Farias Maia igual a 3 e outra igual a n − 3, o produto aumen-
2◦ Régis Prado Barbosa tará. Como também não é vantajoso Paladino uti-
3◦ Ramon Moreira Nunes lizar parcelas iguais a 1, para o produto ser máximo
4◦ Adenilson Arcanjo de Moura Júnior todas as parcelas devem ser iguais a 2, 3 ou 4. Como
5◦ Mateus Oliveira de Figueiredo 4 = 2 + 2 e 2 · 2 = 4, podemos supor que Paladino usa
somente parcelas 2 ou 3. Por fim, como 3+3 = 2+2+2,
mas 3 · 3 > 2 · 2 · 2, para tornar o produto máximo
Paladino deve usar no máximo uma ou duas parcelas
• Problemas e Soluções da Seletiva •
iguais a 2. Mas desde que 2006 − 2 − 2 = 2002 não
é múltiplo de 3, Paladino deve utilizar uma parcela 2
e (2006 − 2)/3 = 668 parcelas 3. Logo, o maior valor
Nı́vel A possı́vel de P é 2 · 3668 .

1. ABCD é um retângulo de lados AD = 1 e AB = 2. 3. Mostre que, ao subtrairmos uma potência de dois de


BDEF é outro retângulo, de diagonais BE e DF , tal um cubo perfeito, nunca obteremos 1 como resultado.
que o ponto C está sobre o lado EF . Determine os Solução de Rebeca Camurça Cunha:
possı́veis valores da área do pentágono ABF ED.

[Link]/sigma 1 [Link]@[Link]
É facil ver que para n = 1, 2, 3 a equação não admite o número de lâmpadas ligadas no triângulo equilátero
soluções. Fatorando obtemos: (q − 1)(q 2 + q + 1) = 2n . central de três lâmpadas:
Como q − 1|2n devemos ter q = 2 ou q = 2k + 1 para
algum k ∈ N. Claramente q = 2 não produz solução. • não há lâmpada ligada no triângulo central: além dessas
Se q = 2k+1 temos 2n = 8k 3 +12k 2 +6k. Como n > 3, 3 lâmpadas desligadas, deve haver pelo menos mais 4:
8|2n . Se k é ı́mpar 8k 3 +12k 2 +6k não é múltiplo de 8. uma em cada um dos três triângulos equiláteros pequenos
2k (4k 2 + 6k + 3) = 2n .
Se k é par 8k 3 + 12k 2 + 6k = |{z} que têm por vértice um dos vértices do triângulo maior,
| {z }
P P +P +I=I
e uma no triângulo equilátero que tem por vértices os
Então P · I = 2n . Uma potência de 2 nunca possui pontos médios do triângulo maior.
um fator ı́mpar maior que 1 em sua fatoração. Logo
a equação 2n + 1 = q 3 não admite solução. (P=Par, • há exatamente uma lâmpada ligada no triângulo central:
I=ı́mpar) suponha, sem perda de generalidade, que tal lâmpada é a
da figura abaixo.
4. Quinze lâmpadas, inicialmente todas desligadas, for-
mam um triângulo equilátero, como na figura abaixo: bc

c
b + +

c
b c
b + b +

c
b c
b c
b rs bc bc rs

c
b c
b c
b c
b bc r rs r bc

c
b c
b c
b c
b c
b
Então, além das duas lâmpadas desligadas do triângulo
central, deve haver ao menos duas lâmpadas desligadas
a) Prove que é possı́vel ligar oito lâmpadas, de dentre as marcadas com +, ao menos uma dentre as
tal modo que não haja três delas que sejam os marcadas com , ao menos uma dentre as marcadas com
vértices de um triângulo equilátero.  e ao menos uma dentre os vértices do triângulo maior.
Assim, deve haver pelo menos 2 + 2 + 1 + 1 + 1 = 7
b) Prove que, se ligarmos quaisquer nove lâmpadas,
lâmpadas desligadas.
sempre ao menos três delas serão os vértices de
um triângulo equilátero.
• há exatamente duas lâmpadas ligadas no triângulo
(Nota: um triângulo é equilátero quando todos os seus central: suponha, sem perda de generalidade, que tais
lados têm um mesmo comprimento). lâmpadas são as da figura abaixo.

Solução Oficial: bc

(a) Podemos ligar 8 lâmpadas como mostra a figura abaixo: rs rs

c
b rs bc rs

b b + b b +

b c
b b bc + bc + bc

b c
b c
b b
Além da lâmpada desligada no triângulo central, a
b bc c
b c
b b lâmpada no ponto médio da base do triângulo maior deve
estar desligada. Também devem estar desligada ao menos
2 lâmpadas dentre as marcadas com +, ao menos duas
(b) Provemos que se não há três lâmpadas ligadas for- dentre as marcadas com  e ao menos uma dentre aque-
mando um triângulo equilátero, então deve haver pelo las situadas nos vértices do triângulo maior. Assim, deve
menos 7 lâmpadas desligadas. Para tanto, analisemos haver pelo menos 1 + 1 + 2 + 2 + 1 = 7 lâmpadas desligadas.

[Link]/sigma 2 [Link]@[Link]
Nı́vel 1 relação que fornece a igualdade desejada.
1. Veja o problema 1 do nı́vel A.
Nı́vel 2
2. Veja o problema 4 do nı́vel A
q q 1. Um cubo de aresta n é particionado em n3 cubinhos
3. Resolva a equação x = x − x1 + 1 − 1
x no conjunto unitários. Dois cubinhos unitários são adjacentes se
dos números reais. partilham uma face. A e B disputam o seguinte jogo
Solução de Mateus Bezerra Alves da Costa: no cubo: A começa em um cubo unitário de sua
escolha, se movendo para um cubo unitário adjacente
Elevando a expressão ao quadrado obtemos: a esse. Então B, partindo desse último cubo unitário,
√ se move para um outro cubo unitário adjacente ao
(x2 − x) − 2 x2 − x + 1 = 0. Fazendo x2 − x = y
√ √ √ mesmo. A e B se alternam em suas jogadas, sem
temos: y − 2 y + 1 = 0 ⇒ ( y − 1)2 = 0 ⇒ y =
√ nunca revisitar um cubinho já escolhido, e o primeiro
2 1+ 5
1 ⇒ y = 1. As raı́zes de x − x = 1 são x1 = que não conseguir jogar perde. Se A e B jogam com
√ 2 as melhores estratégias possı́veis, quem ganhará o
1− 5
e x2 = . Substituindo os valores de x1 e x2 jogo?
2
na expressãor do problema obtemos que apenas x1 é
1 Solução de Guilherme Philippe Figueiredo:
solução pois x2 − 6∈ R.
x2 1◦ caso: n par. Basta A dividir mentalmente o cubo
4. Seja ABC um triângulo com incentro I e tal que AB < n3
em paralelepipedos 1 × 1 × 2. Assim ele começa em
BC. Se M é o ponto médio do lado AC e N é o ponto 2
qualquer casa e se move para o quadrado que está no
médio do arco ABC da circunferência circunscrita ao
cA = I N
b B. mesmo paralelepipedo. Para cada movimento de B ,
triângulo, prove que I M
A vai cair em um novo paralelepipedo, assim sempre
Solução Oficial: terá um cubinho para A se movimentar.
Seja P o ponto médio do arco AC da circunferência cir- 2◦ caso: n ı́mpar. A dividirá o cubo em n camadas
cunscrita que não contém B, então P , I, B e P , M , N n × n.
são ternos de pontos colineares. Ademais, é um fato bem n n
conhecido que P A = P I.

N n n
B

Camada tipo I Camada tipo II

I
A colocará n − 1 camadas consecutivas do tipo I e 1
M do tipo II. Da mesma forma ele vai dividir em partes
A C 1 × 1 × 2, deixando um cubinho por fora na camada II
n−1
e completerá as camadas I com paralelepipedos
2
formando um de (n − 1) × 1 × 1. Assim se ele começar
P onde está indicado com a seta, ele sempre terá onde ir
e o B nunca irá para a casa sozinha. A sempre ganha!
Como o triângulo P AN é retângulo em A, temos pelas 2. Veja o problema 3 do nı́vel 1.
relações métricas em triângulos retângulos que P N ·P M =
P A2 = P I 2 , e daı́ 3. Veja o problema 4 do nı́vel 1.
PN PI
= .
PI PM 4. Determine todos os inteiros positivos a e b tais
Como I PbM = N Pb I, temos por LAL que P N I ≃ P IM . que an + bn seja, para todo inteiro positivo n, a
Logo, I M cP = P IN b . Como P M cA = 90◦ , segue do teo- (n + 1)−ésima potência de um inteiro positivo.
rema do ângulo externo que
cA + 90◦ = I BN
IM b + B NI
b = P BN
b + BN
b I = 90◦ + B N
b I, Solução Oficial:

[Link]/sigma 3 [Link]@[Link]
Se an + bn = cn+1 , com c ∈ N, então 1 < c < a + b. pássaros em cada um de 15 desses pontos, e 4 pássaros
De fato, é claro que não podemos ter c = 1. Por outro em cada um dos 20 pontos restantes. É imediato que
lado, se c ≥ a + b, então dois pássaros serão serão mutuamente visı́veis se e
somente se estiverem situados em um mesmo ponto.
cn+1 > cn ≥ (a + b)n ≥ an + bn . Portanto, há
   
Segue então que existe 1 < c < a + b tal que 5 4
· 15 + · 20 = 270
an + bn = cn+1 para infinitos valores de n ∈ N. 2 2
Suponha, sem perda de generalidade, que a ≥ b, e
consideremos dois casos: pares de pássaros mutuamente visı́veis.

Suponha agora que um pássaro P está situado no


• Se a = c + d, com d > 0, então
ponto A, e um pássaro Q está situado no ponto B,
 a n  b n  a n  d
n
nd onde A e B são distintos mas AOB b ≤ 10◦ . Suponha
c= + > = 1+ ≥1+ , ainda que h pássaros são visı́veis a partir de A mas não
c c c c c
a partir de B, e que k pássaros são visı́veis a partir de
donde n < c(c−1)
, um absurdo. B mas não a partir de A, com h ≤ k. Agora, suponha
d
que todos os pássaros em B voam para A. Então o
número de pares de pássaros mutuamente visı́veis não
• Se c ≥ a, então aumenta. Repetindo esta operação várias vezes, obte-
 a n  n mos ao final uma configuração onde dois pássaros são
b a b
1<c= + ≤ + ≤ 2, mutuamente visı́veis se e somente se estiverem pou-
c c c c sados num mesmo ponto. Ademais, como o número
donde c = 2 e a/c = b/c = 1. de pares de pássaros visı́veis não aumentou ao longo
dessas operações, a fim de minimizar tal número é
Nı́vel 3 suficiente considerar tais configurações. Assim, pelo
princı́pio da casa dos pombos teremos pássaros em no
1. Veja o problema 4 do nı́vel 1. máximo 35 pontos distintos da circunferência. Tome
agora 35 pontos sobre a circunferência, rotulados 1, 2,
2. Veja o problema 4 do nı́vel 2. 3, . . . , 35, e coloque xi ≥ 0 pássaros no ponto i. Nosso
problema se resume a minimizar
3. Prove que existe um polinômio f , de coeficientes in-
teiros e grau 2006, tal que, para todo n ∈ N, os inteiros 35  
X 35
xi 1X
f (n), f (f (n)), f (f (f (n))), . . . sejam primos entre si = xi (xi − 1),
2 2 i=1
dois a dois. i=1

Solução de Leandro Farias Maia. Sabemos que P


com a condição de que 35i=1 xi = 155. Basta então
a ≡ b (mod c) ⇒ f (a) ≡ f (b) (mod c). Tome f (x) = P35 2 P35
maximizar i=1 xi com a condição de que i=1 xi =
x2006 − x2005 + 1, pois assim teremos: f k+1 (n) = 155. Para tanto, note que se 1 ≤ i < j ≤ 35 são tais
f k (n)2006 − f k (n)2005 + 1 ≡ 1 (mod f k (n)) Assim, que xi − xj > 1, então
f (f k+1 )) ≡ f (1) (mod f k (n)) ⇒ f k+2 (n) ≡ 12006 −
12005 + 1 ≡ 1 (mod f k (n)) Segue por indução que (x2i + x2j ) − ((xi − 1)2 + (xj + 1)2 ) = 2(xi − xj − 1) > 0.
f j (n) ≡ 1 (mod f k (n)) para todo j ≥ k + 1, daı́
obtemos que mdc(f j (n), f k (n))|1. Portanto, nosso Logo, em uma distribuição minimizante dos pássaros,
polinômio satisfaz o enunciado!!! os valores dos xi podem diferir de no máximo 1, donde
podemos supor que x1 = · · · = xn = a e xn+1 = · · · =
4. 155 pássaros estão pousados sobre uma circunferência x35 = a + 1, com na + (35 − n)(a + 1) = 155. É
de centro O. Dois pássaros A e B são mutuamente imediato verificar que o mı́nimo é obtido com a = 4 e
b ≤ 10◦ . Assuma que mais
visı́veis se e só se AOB n = 20.
de um pássaro possa pousar em um mesmo ponto.
Determine o menor número possı́vel de pares de
pássaros mutuamente visı́veis. • O TEOREMA DE DILWORTH •
Antonio Caminha
Solução Oficial: Tal maior valor possı́vel é 270.
Primeiramente, para ver que é possı́vel termos 270
pares de pássaros mutuamente visı́veis, tome 35 pon- Em 1950 o matemático americano Robert Dilworth pu-
tos igualmente espaçados ao redor do cı́rculo e ponha 5 blicou um artigo muito interessante na revista Annals of

[Link]/sigma 4 [Link]@[Link]
Mathematics ([1]), provando um teorema sobre conjuntos pode ser escrito como a união de no máximo k − 1 anti-
parcialmente ordenados que generalizava, dentre outros, o cadeias (o caso inicial k = 2 é imediato). Seja agora (A, )
famoso teorema de Erdös-Szekeres (teorema 2 abaixo). um conjunto parcialmente ordenado que não possui cadeias
É o propósito desta pequena nota discutir e provar o de comprimento k + 1, e defina B como o subconjunto de
referido teorema de Dilworth (atualmente conhecido como A formado pelos elementos máximos de cadeias de com-
o teorema de Dilworth – ver teorema 1 abaixo), obtendo primento máximo. É imediato verificar que B é uma anti-
o teorema de Erdös-Szekeres a partir do mesmo. Para cadeia em relação a . Ademais, (A \ B, ) não possui
tanto, precisamos entender primeiro o que se entende por cadeias de comprimento k, pois do contrário A possuiria
conjunto parcialmente ordenado. pelo menos uma cadeia de comprimento k + 1. Portanto,
Dizemos que um conjunto A é parcialmente ordenado pela hipótese de indução A \ B pode ser escrito como a
por  (aqui,  deve ser pensada como uma maneira de união de no máximo k anti-cadeias. Juntando B a tal
comparar elementos de A), ou que (A, ) é um conjunto coleção de anti-cadeias, concluı́mos que A pode ser escrito
parcialmente ordenado se as seguintes condições forem sat- como a união de no máximo k + 1 anti-cadeias.
isfeitas para todos a, b ∈ A:
Como corolário do teorema de Dilworth obtemos o
(a) a  a. famoso teorema de Erdös-Szekeres (cf. [2]).
Teorema 2 (Erdös-Szekeres). Dados a, b ∈ N, seja n = ab+
(b) a  b e b  a ⇒ a = b.
1. Toda sequência de (x1 , . . . , xn ) números reais distintos
(c) a  b e b  c ⇒ a  c. possui ou uma subsequência monótona crescente de a + 1
termos ou uma subsequência monótona decrescente de b+1
Observe que não exigimos que dois elementos quaisquer termos.
de A possam ser comparados via , i.e., pode muito bem
Prova. Seja A = {(i, xi ); 1 ≤ i ≤ n} e defina uma relação
ocorrer que existam a, b ∈ A tais que a 6 b e b 6 a.
de ordem parcial ≺ em A pondo
Caso tal ocorra, dizemos que a e b são incomparáveis; caso
contrário, a e b são comparáveis. (i, xi ) ≺ (j, xj ) ⇔ i < j e xi < xj .
Exemplo 1. É imediato verificar que
(a) Seja X um conjunto não-vazio qualquer e A = P(X), (i1 , xi1 ) ≺ (i2 , xi2 ) ≺ · · · ≺ (ik , xik )
o conjunto das partes de X. Para Y, Z ∈ A (i.e.,
Y, Z ⊆ X), definimos Y  Z ⇔ Y ⊆ Z. É imediato é uma cadeia em A se e só se (xi1 , . . . , xik ) é uma sub-
verificar que (A, ) é um conjunto parcialmente orde- sequência monótona crescente de (x1 , . . . , xn ); do mesmo
nado, em geral denotado simplesmente por (P(X), ⊆). modo, para 1 ≤ i1 < i2 < · · · < ik ≤ n,
{(i1 , xi1 ), (i2 , xi2 ), . . . , (ik , xik )}
(b) Para a, b ∈ N, definimos a  b ⇔ a | b (a divide b). É
também imediato verificar que (N, ) é um conjunto é uma anti-cadeia em A se e só se (xi1 , . . . , xik ) é uma
parcialmente ordenado. subsequência monótona decrescente de (x1 , . . . , xn ).
Suponha agora que (x1 , . . . , xn ) não possui sub-
Se (A, ) é um conjunto parcialmente ordenado e a, b ∈ sequências crescentes de tamanho a + 1. Então A não
A, escrevemos a ≺ b para significar que a  b e a 6= b; possui cadeia de comprimento a + 1, e segue do teorema
escrevemos ainda a 6 b para significar que a  b é falso. de Dilworth que A pode ser escrito como a união de l ≤ a
Um subconjunto B de A é uma cadeia em relação a  se, anti-cadeias A1 , . . . , Al . Mas como
para todos a, b ∈ B, tivermos que a  b ou b  a. Um
l
X
tal B é uma anti-cadeia em relação a  se, para todos
a, b ∈ B, tivermos que a 6 b e b 6 a. A tı́tulo de exercı́cio, ab + 1 = |A| ≤ |Ai |,
i=1
sugerimos ao leitor voltar ao exemplo acima e pensar, em
cada caso, em exemplos de cadeias e anti-cadeias. segue do princı́pio da casa dos pombos (cf. [3]) que, para
Podemos finalmente enunciar e provar o teorema de Dil- algum 1 ≤ i ≤ l, tem-se
worth.
ab
|Ai | ≥ ⌊ ⌋ + 1 ≥ b + 1.
Teorema 1 (Dilworth). Seja (A, ) um conjunto parcial- l
mente ordenado. Se A não possui cadeias de comprimento
n+1, então A pode ser escrito como a união de no máximo
n anti-cadeias. Exercı́cio 1. Seja A um conjunto de n2 + 1 inteiros po-
sitivos. Prove que existe um subconjunto B de A, com
Prova. Por indução, suponha que todo conjunto parcial- n + 1 elementos e satisfazendo exatamente uma dentre as
mente ordenado que não possui cadeias de comprimento k condições a seguir:

[Link]/sigma 5 [Link]@[Link]
(a) Para todos a, b ∈ B, tem-se que a | b ou b | a. I12. Seja RSTUV pentágono regular. Construa um
triângulo equilátero PRS com P no interior do
(b) Para todos a, b ∈ B, tem-se que a ∤ b e b ∤ a.
pentágono. Ache a medida do ângulo ∠P T V .
Exercı́cio 2. Generalize o resultado do teorema de Erdös-
Szekeres para conjuntos parcialmente ordenados finitos
(A, ), tais que |A| = ab + 1, para a, b ∈ N. Solução de Renan da Silva Braga e Gelly Whes-
ley Silva Neves
Referências A medida do ângulo interno de um pentágono regular é
108◦. Como △T U V é isósceles, devemos ter ∠U V T = 36◦ .
[1] R. Dilworth. A decomposition theorem for partially or-
Como △P SR é equilátero devemos ter P SR = 60◦ e SP =
dered sets, Ann. Math. 51, 161-166 (1950).
T S. Daı́ △T P S é isósceles com ∠T SP = 108◦ − 60◦ = 48,
[2] P. Erdös e G. Szekeres. A combinatorial problem in então ∠ST P = 66◦ . Conclusão: ∠P T V = 108◦ − 66◦ −
geometry, Comp. Math. 2, 463-470 (1935). 36◦ = 6◦ .
[3] A. C. Morgado et al. Análise Combinatória e Proba- Problemas Avançados
bilidade, IMPA: Coleção Professor de Matemática, Rio
de Janeiro (2000). A16. Mostre que não existem pares de inteiros positivos
(x, y) satisfazendo 3y 2 = x4 + x.
Solução de Tiago Caúla Ribeiro

• FÓRUM DE PROBLEMAΣ • Note que mdc(x, x3 + 1) = 1 e 3|x ou 3|x3 + 1. Se 3|x,


x x
então a igualdade y 2 = (x3 +1) implica que e x3 +
3 3
Neste número do jornal sigma, anunciamos uma com- 1 = (x+ 1)(x2 − x+ 1) = 1(pois 3|x), concluı́mos (pela
petição em homenagem ao seu primeiro ano. As pessoas memsa razão) que x2 − x + 1 é um quadrado perfeito,
que enviarem soluções corretas para os problemas do fórum o que é impossı́vel já que x2 − x + 1 está entre (x − 1)2
acumulam pontos. Na edição de maio-junho da Σigma, e (x + 1)2 e daı́ deveria ser x2 − x + 1 = x2 ⇒ x = 1,
iremos premiar com livros os leitores com maiores pon- contradição. Se agora 3|x3 +1, então x ≡ 2 (mod 3) e,
tuações. O regulamento da competição poderá ser encon- como antes, x é um quadrado perfeito, o que também é
trado no nosso site. Tenham uma ótima diversão e boa impossı́vel, pois nenhum quadado perfeito é da forma
sorte! 3k + 2, k ∈ Z.
Agora, apresentemos algumas soluções enviadas por nos- A20. Seja G um grupo tal que todo elemento x, x 6= 1,
sos leitores: tem ordem p.
Soluções a) Mostre que p é um número primo.
n n n
I11. Prove que o número 8 − 3 − 6 + 1 é sempre b) Mostre que se qualquer subconjunto de p2 − 1
múltiplo 10 para todo n ∈ N. elementos de G contém p elementos que comutam
um com o outro, então G é um grupo abeliano.
Proposto por Gelly Whesley Silva Neves
Solução de Tiago Caúla Ribeiro

Solução de Emerson Ramos Barros a) Seja e o elemento neutro do G. Tome x 6= e em G


e considere < x >, o subgrupo cı́clico gerado por
Sabemos que a soma ou diferença entre dois números x. Pelo teorema de Cauchy, para cada divisor
de mesma paridade é sempre par, logo 3n −1n e 8n −6n primo q de p = ((< x >)) = O(x)(ordem de x)
são pares e conseqüentemente, 8n − 3n − 6n + 1 é par. existe um elemento y ∈< x > de ordem q; mas,
Usando a conhecida fatoração xn −y n = (x−y)(xn−1 + por hipótese, a ordem de y deve ser p, donde
xn−2 y + . . . + xy n−2 + y n−1 obtemos: p = q e daı́ p é primo.
b) Tome x, y ∈ G. Para mostrar que x e y comutam
8n − 3n = (8 − 3)(8n−1 + . . . + 3n−1 ) = 5K basta encontrar uma relação do tipo
1n − 6n = (1 − 6)(1n−1 + . . . + 6n−1 ) = −5T
xi y j = y j xi (∗)
Como ambos são múltiplos de 5 , a soma também será.
Assim 8n − 3n − 6n + 1 é múltiplo de 2 e 5, portanto, com i, j ∈ {1, 2, . . . , p−1}. Com efeito, isso é con-
múltiplo de 10. seqüência do fato geral que a, b ∈ G com ab = ba

[Link]/sigma 6 [Link]@[Link]
implica au b = bau , ∀u ∈ Z, como é fácil verificar I17. Cada noite, três pessoas de um grupo de n pessoas
por indução. Assim xi y j = y j xi ⇒ xy i = y i x saem juntas para jantar. Depois de um certo perı́odo
(pois, sendo o(x) = p e p primo, {{xi )u }u∈Z = de tempo se observa que cada par de pessoas jantou
{xu }u∈Z ⇒ xy = yx(por simetria). Agora junto exatamente uma vez. Demonstre que n deixa
suponha que x 6∈< y >, y 6∈< x >. Assim, resto 1 ou 3 na divisão por 6. [2 pontos]
{xa y b }0≤a,b≤p−1 \{e} é um subconjunto de G
com exatamente p2 − 1 elementos. Por hiótese, I18. Uma aranha tem uma meia e um sapato para cada
existem p pares (ik , jk ) ∈ {0, 1, . . . , p − 1}2 tais um de seus oito pés. De quantas maneiras diferentes a
que os elementos do conjunto {xik y jk }pk=1 co- aranha pode se calçar admitindo que a meia tem que
mutem entre si. Há dois casos à analisar: ser colocada antes do sapato? [2 pontos]
Caso 1: ∃k; ik = 0. Neste caso podemos garan-
] j Problemas Avançados
tir que y jk e xi l y l comutam para um certo e
tal que jk , il ∈ {1, 2, . . . , p − 1}, isto é, vale A21. Seja S um conjunto consistindo de m pares (a, b) de
xil y jk = y jk xil . inteiros com a propriedade 1 ≤ a ≤ b ≤ n. Mostre
Caso 2: ik 6= 0, ∀k ∈ {1, . . . , p}. Agora que existem pelo menos
existem l 6= k em {1, 2, . . . , p} tais que il =
ik . Como xil y il e xil y jk comutam, também n2
vale (xil y il )−1 xil j jk = xil y jk ((xil y il )−1 , isto (m − )
4m · 4
é, y ik −jl = xil y jk −jl x−il e daı́ xil y jk −jl = 3n
xjk −jl y il , com il , (jk −jl ) ∈ {1, 2, . . . , p−1}(como
jk − jl 6= 0), não faz mal supor que jk − jl > 0). triplas (a, b, c) tais que (a, b), (a, c) e (b, c) pertecem a
Portanto, ficou provado que uma relação do tipo S.[5 pontos]
(∗) sempre existe entre x e y, donde x e y comu- A22. A sequência de inteiros an é dada por a0 = 0,
tam, ∀x, y ∈ G, e G deve ser abeliano. an = P (an−1 ), onde P (x) é um polinômio cujos coefi-
cientes são inteiros positivos. Mostre que para quais-
Problemas Iniciantes quer inteiros positivos m, k com máximo divisor co-
mum d, o máximo divisor comum de am e ak é ad . [4
I15. Dezesseis pontos são colocados nos centros de um
pontos]
tabuleiro de xadrez 4 × 4 como segue:
A23. Encontre todos os inteiros positivos m e n tais que
ambos 3m + 1 e 3n + 1 são divisı́veis por mn. [4 pontos
]

A24. Dados n > 1 números naturais a1 , a2 , . . . , an não


todos iguais. Prove que existem infinitos primos p
a) Prove que podemos escolher 6 pontos de tal modo tais que
que nenhum triângulo isósceles possa ser desen-
p|ak1 + ak2 + . . . akn
hado com vértices nesses pontos.
para algum número k. [5 pontos]
b) Prove que não podemos escolher 7 pontos com
propriedade acima. A25. Dado um inteiro n ≥ 2, considere n conjuntos finitos
A1 , A2 , . . . An com as seguintes propriedades:
[3 pontos]
1. |Ai | ≥ 2 para qualquer i = 1, 2, . . . , n;
I16. Um tabuleiro de xadrez 8 × 8 é decomposto 2. |Ai ∩ Aj | = 6 1 para qualquer i, j ∈ {1, 2, . . . , n}.
em retângulos que satisfazem simultanemanete as Prove que os elementos do conjunto A1 ∪ A2 ∪
seguintes propriedades: . . . ∪ An podem ser coloridos com duas cores de
modo que nenhum Ai seja monocromático. [6
a) As superfı́cies dos retângulos são disjuntas entre
pontos]
si.
R 2π
b) Cada retângulo cobre um número inteiro de casas A26. Seja Im = 0 cos x cos 2x . . . cos mxdx. Para quais
inteiros m, 1 ≤ m ≤ 10, vale Im 6= 0? [6 pontos]
c) Cada retângulo cobre igual número de casas
brancas e pretas.

Qual é o maior número de retângulos que pode ter a • Resenha de Livros •


decomposição do tabuleiro?[2 pontos] Olimpı́adas Cearenses de Matemática

[Link]/sigma 7 [Link]@[Link]
A Olimpı́ada Cearense de Matemática(OCM) é uma
competição voltada para alunos do ensino Médio e Funda-
mental a qual faz parte do calendário matemático cearense
desde 1981. Esta publicação vem marcar seus 25 anos de
história. A OCM é um ponto de partida para os alunos
cearenses em competições matemáticas e tem revelado, ao
longo dos últimos anos, grandes talentos para essa ciência.
Foi partindo da OCM que o ceará conquistou lugar de
destaque em olimpı́adas internacionais: nos últimos 14
anos, o Ceará obteve 2 pratas, 16 bronzes, 8 menções hon-
rosas na Olimpı́ada Internacional de Matemática(IMO); 5
ouros, 6 pratas e 3 bronzes na Olimpı́ada Ibero Americana
de Matemática(OIM); e 2 ouros, 11 pratas e 15 bronzes na
olimpı́ada do Cone Sul. O resultado expressivo nessas com-
petições está ligado ao apoio direto de professores(grande
parte ex-olı́mpicos) e das escolas de Fortaleza. Este livro
surge, então, como um material de apoio àqueles que pre-
tendem ingressar na carreira de olı́mpı́co. Mais que isso,
poussui uma coleção de problemas interessantes, os quais
serão úteis a professores e alunos que gostam simplesmente
de resolver problemas. O livro é bastante abrangente ,
uma vez que possui exercı́cios desde os mais elementares
até os mais complexos, sendo aplicáveis não só a alunos
de olimpı́ada, mas àqueles que desejam se preparar para
concursos e vestibulares.

Editores Resposáveis:
Antônio Caminha Muniz Neto
Francisco Bruno L. Holanda
Samuel Barbosa Feitosa

As soluções para os problemas dos arti-


gos e do fórum podem ser enviadas para o
e-mail [Link]@[Link] ou direta-
mente pelo o correio para:
Bruno Holanda
Rua Neudélia Monte 440
60833-420 Fortaleza-CE

[Link]/sigma 8 [Link]@[Link]

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