Resenha Energética 2021 Brasil
Resenha Energética 2021 Brasil
ENERGÉTICA
BRASILEIRA
EDIÇÃO
2022
1
ANO BASE 2021
MME | Resenha Energética Brasileira
Ministério de Minas e Energia
Secretário Executivo
Hailton Madureira de Almeida
Coordenador-Geral
Gustavo Santos Masili
Equipe Técnica
Bruna Rodrigues de Oliveira
Carlos Augusto Amaral Hoffmann
Daniele de Oliveira Bandeira
Esdras Godinho Ramos
Gilberto Kwitko Ribeiro
João Antônio Moreira Patusco – Consultor (até Maio de 2022)
Letícia dos Santos Benso Maciel (até Julho de 2022)
Nathália Akemi Tsuchiya Rabelo
Ubyrajara Nery Graça Gomes
William de Oliveira Medeiros
Apoio Administrativo
Rayane Naiva de Sousa
Agradecimentos:
Consulte em:
Apresentação ______________________________________________________________ 6
Matriz Energética Brasileira ___________________________________________________ 6
Emissões de Gases de Efeito Estufa _____________________________________________ 8
Comércio Externo de Energia __________________________________________________ 9
Matriz Elétrica Brasileira______________________________________________________ 9
Matrizes de Oferta Elétrica – SIN, Isolados e Autoprodutor Cativo ____________________ 10
Geração dos Autoprodutores _________________________________________________ 11
Capacidade Instalada de Geração _____________________________________________ 12
Linhas de Transmissão ______________________________________________________ 14
Universalização de Acesso à Energia ___________________________________________ 15
Leilões no Setor de Energia Elétrica ____________________________________________ 15
Petróleo – Oferta e Demanda ________________________________________________ 16
Gás Natural – Oferta e Demanda ______________________________________________ 17
Instalações de Petróleo e Gás ________________________________________________ 17
Reservas de Petróleo e Gás __________________________________________________ 19
Bioenergia ________________________________________________________________ 20
Frota de Veículos Leves e Motos ______________________________________________ 21
Consumo Setorial de Energia _________________________________________________ 22
Preços de Energia ao Consumidor _____________________________________________ 23
Mundo – Matriz Energética __________________________________________________ 24
Mundo – Matriz Elétrica _____________________________________________________ 25
Mundo – Matriz de Consumo Final ____________________________________________ 26
Mundo – Bioenergia ________________________________________________________ 27
Mundo – Intensidade Energética ______________________________________________ 28
Mundo – Bioenergia em Transportes ___________________________________________ 30
Brasil – Dados Gerais de Energia ______________________________________________ 31
Brasil – Produção Industrial __________________________________________________ 32
Notas____________________________________________________________________ 32
Apresentação
Esta Resenha Energética tem por objetivo Energia – MME, e com a participação de
apresentar os principais indicadores de agentes do setor energético e de outros
desempenho do setor energético brasileiro de ministérios (ANP, ANEEL, ANM, ONS, CCEE,
2021, nas áreas de petróleo, gás natural, PETROBRAS, ELETROBRAS e MAPA), concluiu o
bioenergia, energia elétrica, carvão mineral e levantamento dos dados das cadeias
setores intensivos em energia, além da análise energéticas brasileiras de 2021. Isso permitiu
de dados agregados das cadeias energéticas e elaborar as análises mencionadas, em
comparações internacionais. complementação com informações de boletins
A Empresa de Pesquisa Energética - EPE, em mensais das secretarias do MME e de outras
coordenação com o Ministério de Minas e instituições.
A Oferta Interna de Energia – OIE [1], em 2021, 15,0% em relação a 2020 e de 8,4% em relação
foi de 301,5 milhões de toneladas equivalentes a 2019.
de petróleo (tep), ou 301,5 Mtep, mostrando
aumento de 4,5% em relação a 2020, como As fontes renováveis recuaram 3,8 pontos
resultado da melhora econômica pós- percentuais (de 48,5% para 44,7%) na matriz
pandemia. Em relação a 2014, ano de recorde energética brasileira em razão da redução na
da OIE (305,6 Mtep), o recuo foi de 1,3%. participação dos grupos Hidráulica e
Eletricidade e de Derivados de Cana-de-Açúcar.
A taxa positiva da OIE foi menor do que a do A oferta hidráulica foi afetada por um baixo
Produto Interno Bruto – PIB, de +4,6%. O setor regime de chuvas e a oferta de derivados de
de serviços, que foi severamente afetado pela cana-de-açúcar também foi afetada por
pandemia em 2020, apresentou recuperação e condições climáticas adversas como a estiagem
finalizou 2021 com volume de serviços 6,6% durante o ciclo produtivo das lavouras, e pelas
superior ao nível pré-pandemia, de fevereiro baixas temperaturas em junho e julho de 2021
de 20201. Nessa recuperação, destaca-se o em importantes regiões produtoras. As fontes
setor aéreo, com aumento no PIB de 37,0% em renováveis não tiveram uma redução maior
relação a 2020, mas ainda 13,5% inferior a devido a Outras Renováveis, incluindo Eólica e
2019. No setor industrial, destaca-se o PIB do Solar, que apresentaram um aumento de
subsetor de Aço e Derivados, com aumento de 13,2%.
A tabela 1 mostra a composição da OIE de 2020 Transporte e Industrial, que haviam sido muito
e 2021, onde se observa um aumento na OIE afetados pela pandemia em 2020 e pela maior
total de 4,5%. Os combustíveis fósseis geração de energia térmica para compensar a
apresentaram um aumento de 12,4%, redução de geração hidráulica devido à
impulsionados pela recuperação dos setores de escassez de chuvas.
Em 2021, as emissões de Gases de Efeito Estufa IEA. Foi alcançado o maior nível anual, desde
do Brasil pelo uso da energia foram de 433,1 1900, em decorrência de maior geração
milhões de toneladas de dióxido de carbono elétrica por carvão mineral na maioria dos
equivalente (MtCO2eq), representando um países desenvolvidos e na China. No Brasil, a
aumento de 13,2% sobre as emissões de 2020 relação entre as emissões e a OIE em 2021
e 11,0% abaixo do recorde de emissões de ficou em 1,44 tCO2/tep, indicador 33,0%
2014, ano de elevada geração termelétrica por inferior ao do bloco da OCDE, e 37,0% inferior
fontes fósseis, de 484,6 MtCO2eq. Devido à ao mundial.
recuperação da economia mundial frente à
pandemia de Covid-19, houve um aumento de As emissões na geração elétrica aumentaram
6% nas emissões de gases de efeito estufa no 49,2%, em razão de uma maior geração
mundo, alcançando 33,4 GtCO2eq em 2021 termelétrica por combustíveis fósseis,
(excluindo emissões por processos industriais), originada por uma forte seca em 2021, que
segundo o relatório Global Energy Review da reduziu a geração hidráulica em 8,5%.
Em 2021, a Oferta Interna de Energia Elétrica – anuais de expansão vão diminuindo: 875,6%
OIEE ficou em 679,2 TWh, montante 3,9% em 2017, 316,1% em 2018, 92,2% em 2019,
superior ao de 2020. Entre as renováveis, a 61,5% em 2020 e 55,9% em 2021.
geração solar apresentou a maior taxa de A supremacia da geração hidráulica continua,
crescimento em 2021 (55,9%), sendo que a mas reduziu sua participação na matriz elétrica,
geração distribuída já contribuiu com 53,8% da de 64,4% em 2020 para 56,8% em 2021,
geração solar total. Apesar da solar ter incluindo importação.
aumentado a sua participação na OIEE, as taxas
Bagaço
6,5
Outras
Renov.
Óleo
Gás 4,0
11,7
58,5
Gás Eólica
Industrial 13,6
8,0
Urânio
9,9 Hidro Solar
Carvão 78,1% 72,7 3,2
11,8
renovável
A geração eólica aumentou 26,7%, com Brasil, respondendo por 30,6% da geração total,
destaque para o Rio Grande do Norte que se e ultrapassando a Bahia (28,8%).
tornou o estado com maior geração eólica do
Tabela 4: Geração Eólica, por Estado Brasileiro (GWh) – 2020 e 2021.
Da GD total (9,81 TWh), 7,38 TWh foram A geração total de APE em 2021 foi estimada
injetados na rede, correspondendo a 21,5% dos em 114,0 TWh, representando 20,0% do
excedentes. A GD solar participou com 91,9% consumo final brasileiro de energia elétrica
no total da GD, tendo injetado na rede 6,75 (19,7% em 2020 e 18,8% em 2019). Do total da
TWh. geração APE, 59,3% foram destinados ao
11 MME | Resenha Energética Brasileira
consumo próprio (sem uso da rede pública), é o único com superávit, gerando 124,3% acima
10,6% corresponderam à participação do consumo próprio (110% em 2013), e com
acionária em hidrelétricas distantes dos locais participação de 31,1% na geração elétrica total
de consumo, e 30,1% foram vendidos ao de APE (29% em 2011).
mercado (excedentes). O setor sucroalcooleiro
Linhas de Transmissão
100
O número total de medidores de energia
74,90 76,40 elétrica chegou a 88,26 milhões em 2021,
80
mostrando alta de 1,7% sobre 2020 (+1,52
milhão). As classes Comercial e Residencial
60
2020 2021 tiveram aumentos no número de medidores.
A classe residencial inclui habitações de uso
40
Total 2021: 88,3 milhões permanente e não-permanente, e não inclui
as ligações clandestinas (perdas comerciais).
20
5,86 5,91 4,71 4,68 As ligações clandestinas aparecem nas
0,80 0,80 0,47 0,47 pesquisas do IBGE como unidades
0
residenciais eletrificadas.
Residencial Comercial Rural Demais classes Industrial
Figura 7: MW Contratados
1
Desconto na Receita Anual Permitida (RAP).
Ao final de 2021, a malha brasileira de transferência estava com 2,25 mil km. No
gasodutos de transporte contava com 9,3 mil exterior, para que o gás importado possa chegar
km, praticamente a mesma de 2020. A malha de à fronteira com o Brasil, há 450 km na Argentina
Ao final de 2021, estavam em produção 401 São Paulo, com 9,3% (7,0% em 2014 e 9,1% em
campos de petróleo, sendo que Bahia, Rio 2020) e o Espírito Santo, com 7,2% (15,0% em
Grande do Norte, Espírito Santo e Rio de Janeiro 2013 e 8,4% em 2020). Três estados produtores
respondiam por 82,3% desses campos. Em tiveram alta, o Rio de Janeiro (0,1%), São Paulo
termos de produção de petróleo, Rio de Janeiro, (1,0%) e Maranhão (22,5%).
São Paulo e Espírito Santo responderam por
97,2%. Bahia e Rio Grande do Norte têm muitos Na produção nacional de gás natural, de 48,8
campos de baixa produtividade, visto que são bilhões de m³ (83% no mar), em 2021, o estado
em terra. do Rio de Janeiro ficou com 63,9% (40,0% em
2015 e 63,4% em 2020), seguido de São Paulo
Da produção de petróleo e óleo de xisto de (12,4%), Amazonas (10,2%) e Maranhão (4,4%).
168,8 milhões de m³ em 2021, 97,0% ocorreram Destaque para a expansão de 5,6% no RJ, de
no mar. O Rio de Janeiro ficou com 80,5% da 26,8% na Bahia e 58,5% no Maranhão, os únicos
produção (73,0% em 2013 e 79,2% em 2020); estados com alta.
Tabela 10 – Campos e Produção de Petróleo e Gás, por Estado.
Bioenergia
A oferta total de bioenergia em 2021 foi de 93,1 bagaço de cana, por 33,9 Mtep (68,6%). Na
Mtep (1.808,5 mil bep/dia), montante matriz energética brasileira, o bagaço
correspondente a 30,9% da matriz energética representou 11,2% e o etanol, 5,2%.
brasileira (33,6% em 2020 e 29,3% em 2015). Os Em 2021, a produção de etanol ficou em 30,0
produtos da cana (bagaço e etanol), com 49,4
milhões de m³ (Mm³), mostrando baixa de 8,3%
Mtep, responderam por 53,1% da bioenergia e em relação a 2020 (-7,3% em 2020, +5,6% em
por 16,4% da matriz (OIE). A lenha, com 26,1 2019, +19,9% em 2018, -2,1% em 2017). O
Mtep, respondeu por 28,0% da bioenergia e por consumo rodoviário, de 28,6 Mm³, recuou 3,5%
8,7% da matriz. Outras bioenergias (lixívia, em relação ao ano anterior. Em 2021, o Brasil
biogás, resíduos de madeira, resíduos da apresentou queda de 7,8% nas exportações de
agroindústria e óleos vegetais), com 17,6 Mtep, etanol e de 54,9% nas importações, mantendo
responderam por 18,8% da bioenergia e por
assim seu perfil de exportador líquido do
5,8% da matriz.
combustível, com 1.435,9 mil m³ (1.068,0 mil m³
Na composição da oferta de produtos da cana, o em 2020 e 496,0 mil m³ em 2019).
etanol respondeu por 15,5 Mtep (31,4%), e o
A produção de biodiesel foi de 6.766 mil m³ em correspondendo a 11,9% do diesel total (12,1%
2021, com alta de 5,0% sobre 2020 (+8,6% em em 2020).
2020, +10,7% em 2019 e +24,7% em 2018),
Tabela 13: Produção de Biodiesel, por Estado (mil m³)
Em 2021, foram licenciados 2,12 milhões de Dos licenciamentos de 2021, 35 mil veículos
veículos nacionais e importados, com alta de foram elétricos ou híbridos (2020: 19,7 mil,
3,0% sobre 2020 (2020:-26,2%, 2019:12,9%, 2019: 11,8 mil, 2013: 0,5 mil). A frota de
2018:13,7%, 2017:9,2%, 2016:-20,2%, 2015:- veículos automotores, ao final de 2021, foi
25,6%). Os automóveis leves ficaram com 73,5% estimada em 46,6 milhões de unidades, sendo
dos licenciamentos, os comerciais leves com 44,1 milhões de automóveis e comerciais leves
19,7%, os caminhões com 6,1% e os ônibus, (0,7% sobre 2020), segundo o Sindicato
0,7%. Entre 2003 e 2021, foram licenciados Nacional da Indústria de Componentes para
cerca de 38 milhões de veículos flex-fuel. Veículos Automotores - Sindipeças. A figura 10
inclui ônibus e caminhões.
Figura 10: Veículos Totais, por Tipo (%) Figura 11: Frotas (milhões).
100% 50
44,1
43,8
43,5
42,4
Motos Carros
41,6
15,7
17,5 40,7
40,6
90% 20,2 45
39,6
32,1 29,6
37,4
35,5
10,4 10,6
70%
30,7
10,1 10,3 35
10,1
28,3
10,0
26,2
60%
9,7 30
24,3
9,7
22,6
50% 9,8
21,1
20,0
9,7 25
40%
17,1
16,8
16,8
16,6
16,3
15,8
15,6
72,8 20
15,2
30% 59,2
12,4
56,5
11,7
51,0
10,4
42,1 46,9 15
37,4
9,5
20%
8,6
7,3
10
6,3
5,5
4,9
10%
4,4 3,4 2,5 1,9 1,4 1,2 0,8 0,6 0,4 0,3 0,3 0,2 5
0%
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 0
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
O consumo total de gasolina + etanol + gás frota, dos avanços tecnológicos e da crise
natural, em gasolina equivalente ([Link].), por econômica que reduz o percorrido médio.
veículo do ciclo Otto (exclui motos), ficou em Estima-se um consumo de 8,6 milhões de m³ de
1.154 litros em 2021, com alta de 4,6% sobre [Link]. para as motos (17 mil km/ano, e 32 km/l),
2020 (-11,6% em 2020, em razão do COVID-19). respondendo por 17,0% do total do ciclo Otto.
Sobre 2008, ano em que foi verificado o A frota de motos tem por base os resultados
recorde de 1.384 litros por veículo, o indicador recentes da PNAD Contínua do IBGE e a curva
de 2021 ficou 17% menor reflexo da maior história do Sindipeças [3]. (1 litro de etanol=0,7 litro de
proporção de veículos de menor cilindrada na gasolina e 1 m³ GN=1 litro de gasolina.)
O Consumo Final de Energia - CFE de 2021 ficou 2021, afetada pelas reduções do uso final do
em 262,2 Mtep, montante 3,5% superior ao de bagaço da cana (-12,0%) e do etanol (-3,3%). Os
2020, e 1,2% inferior ao volume recorde de maiores avanços na bioenergia foram no
265,5 Mtep, verificado em 2014. O CFE consumo da lixívia (+6,2%), biodiesel (+5,3%) e
representou 87,0% da Oferta Interna de lenha (+3,2%). As maiores expansões foram
Energia, sendo 13,0% de perdas na observadas no carvão mineral e gás natural, de
transformação e distribuição. Em 2020, a 13,9% e 10,4% respectivamente. No caso do
parcela de perdas foi um pouco menor, de carvão, o aumento da produção de aço por
12,2%. redução a coque de carvão mineral gerou um
crescimento de 11,8% na demanda industrial
Diferentemente de 2020, quando obteve da fonte. Para o gás natural, houve expansão de
avanço, a bioenergia foi a única com 20,8% no uso industrial.
decréscimo de -3,8% no consumo final em
Tabela 14: Consumo Final de Energia, por Fonte.
mil tep Dentro da bioenergia, destacam-se as
Fonte 21/20%
2020 2021 quedas no uso do bagaço da cana,
principalmente na indústria (-14,8%), diante
Derivados de Petróleo 96.350 103.094 7,0
da produção 15,0% menor de açúcar
Gás Natural 14.619 16.136 10,4
associada ao setor de alimentos e bebidas,
Carvão Mineral 10.147 11.555 13,9 e no setor energético (-8,3%), bem como do
Eletricidade 47.102 49.090 4,2 etanol, com decréscimos de 3,2% no setor
Bioenergia 82.631 79.464 -3,8 de transportes, e de 11,6% de participação
Total 253.432 262.237 3,5
do etanol hidratado nos motores flex.
1.200
1.000
800
600
400
200
0
GN OC CQ EE CM GAS C ETAN GNV OD PET EE GLP GN
IND IND PET IND IMP HID IMP RES RES RES
Na indústria, em 2021, o gás natural (GN IND) uma recuperação em 2021, passando para
passou a ser mais competitivo que o óleo 10,3%, por conta da redução acentuada da
combustível (OC IND) em relação aos anos participação de bagaço de cana, de 22,1% em
anteriores. Apesar da maior facilidade de uso do 2020 para 18,2% em 2021.
gás e usos mais eficientes, os preços e uma O preço reduzido do coque de petróleo
maior expansão de setores de baixo consumo do importado (CQ PET) em relação ao gás natural e
produto (açúcar em 2020) resultaram no recuo ao óleo combustível, de usos industriais, explica
da sua participação no consumo total de energia sua proporção de 69,7% no consumo total de
do setor industrial, de 11,4% em 2018, para energia da indústria de cimento.
10,5% em 2019 e para 8,8% em 2020, mas houve
Em 2018, a demanda mundial de energia foi de bioenergia líquida e do gás natural. Já em vários
14.282,0 Mtep, segundo a Agência países são significativos os aumentos de gás
Internacional de Energia, e de 14.486,0 Mtep natural e nuclear.
em 2019 (+1,4%). Estimativas do DIE para 2020
mostram valor de 13.963,0 Mtep, com recuo Na biomassa sólida, por exemplo, a OCDE
de 3,8% sobre 2019, evidenciando os efeitos do apresenta expansão de 1973 para 2021,
COVID-19 no mundo. Já para 2021, as situação oposta à verificada no Brasil e nos
estimativas mostram recuperação de 5,2% na outros países. De fato, na OCDE, já não se
demanda mundial de energia (14.689,0 Mtep), verifica a substituição de lenha por
já superando em 1,2% o valor de 2019. combustíveis fósseis, movimento ainda
Nos últimos 48 anos, as matrizes energéticas acentuado no resto do mundo. Na OCDE, há
do Brasil e de outros países do mundo expansão do uso da lenha na indústria de papel
apresentaram significativas alterações e celulose, e em aquecimento ambiental,
estruturais. No Brasil, houve forte aumento na principalmente.
participação da energia hidráulica, da
As reduções das participações dos derivados de de US$ 3 para US$ 12; em 1979, de US$ 12 para
petróleo nas matrizes energéticas, entre 1973 US$ 40 e a partir de 1998, quando teve início
e 2021 refletem o esforço de substituição um novo ciclo de aumentos. A pandemia do
desses produtos, decorrente principalmente COVID-19 afetou em maior proporção o
dos choques nos preços de petróleo: em 1973, consumo de derivados de petróleo (ênfase no
De 1973 para 2021, o consumo industrial de “Outros Setores” perde 13,4 p.p. no período,
energia dos países da OCDE recuou de 958 como resultado, principalmente, do
Mtep para 788,0 Mtep, apesar do consumo movimento de urbanização, em que há
final total de energia ter aumentando de 3.076 substituição de lenha e de dejetos de animais
Mtep para 3.961,0 Mtep (4.180,0 Mtep em por gás de cozinha, que é 5 a 10 vezes mais
2019). Nos países desenvolvidos, além da eficiente.
natural inovação tecnológica, que aumenta a
eficiência dos equipamentos, há uma forte A participação do setor energético tende a uma
expansão do uso de sucata (reposição e estabilização entre 7% e 10%. O mesmo ocorre
manutenção superam a expansão de bens), o com os usos não energéticos. “Outros Setores”
que reduz significativamente a transformação tende a ter menor participação relativa nos
primária de minerais metálicos, intensivos em países tropicais, considerando, que nos países
energia. São países praticamente “construídos” frios, 70% a 80% da energia de serviços e
com pouca expansão na construção civil, residencial destinam-se ao aquecimento
comparativamente aos países em ambiental.
desenvolvimento.
O Brasil, na década de 80, absorveu parte da
Em termos de estrutura setorial do consumo indústria “pesada” mundial (intensiva em
final de energia, nos países da OCDE há uma energia), passando a ser grande exportador de
acentuada redução da participação da indústria aço, ferroligas e alumínio. Atualmente, ainda é
e aumentos das participações de transportes e exportador, mas com maior participação de
serviços, comportamentos coerentes com o produtos menos intensivos em energia. A
estado de desenvolvimento dos seus países- indústria, com recorde de participação de 38%
membros. Nos outros países, o agregado no CFE de 2007, passou a 32,3% em 2021.
A bioenergia sólida tende a decrescer nos países líquida: etanol e biodiesel. Enquanto no bloco
em desenvolvimento, em termos relativos e OCDE o consumo total de energia per capita é
absolutos. Nos países desenvolvidos já não há três vezes o indicador do bloco “Não OCDE”, em
mais bioenergia sólida a ser substituída, mas, por termos de bioenergia, o indicador “Não OCDE”
outro lado, há uma expansão da bioenergia supera em cerca de 30,0% o indicador da OCDE.
A maior necessidade de transformação primária uso na indústria “fina” (de maior valor
de minerais metálicos nos países em agregado), são os que mais incrementam suas
desenvolvimento implica na maior utilização do participações, deslocando derivados de petróleo
carvão mineral, principal insumo na produção de e carvão mineral. Já o uso da eletricidade é
ferro-gusa. Nos países da OCDE, os combustíveis crescente em todos os estágios de
mais nobres, como eletricidade e gás, de maior desenvolvimento dos países.
Observa-se, ainda na figura 14, que os países commodities (à exceção da China). O consumo
em desenvolvimento, como China, Rússia, próprio do setor energético da África do Sul
África do Sul e Brasil, apresentam maiores eleva em 72% a intensidade energética da
intensidades energéticas na indústria que os indústria e, na Austrália, em 71%. No Brasil,
países desenvolvidos. Isso ocorre pois ainda essa elevação foi de 33% em 2021, mais
têm muito por expandir, e pouco por repor e próximo da média mundial, de 30%.
manter, além de serem exportadores de
Figura 15 - Intensidade Energética Industrial em 1980 e 2019 (tep / mil dólares PPP 2017).
O Brasil é um dos países com maior presença influenciado pelo consumo de etanol dos
de bioenergia líquida na matriz de transportes. Estados Unidos. Nos demais países, a
Em 2021, a participação de etanol e biodiesel participação é pouco expressiva (1,3%). Os
na matriz ficou em 22,6% (19,8% em 2017). Nos derivados de petróleo, nestes blocos de países,
países da OCDE, a bioenergia participava com ficam com participações próximas de 90%.
apenas 5,1% em 2021, percentual muito
A baixa participação do gás natural na matriz de sua utilização em veículos, já que a eficiência de
transportes dos países da OCDE pode ser um conversão dos motores à combustão fica em
sinal da inconveniência de se adotarem torno de 30%, enquanto no setor industrial,
políticas favoráveis ao seu uso em veículos. De pode-se obter eficiências que chegam a 80%.
fato, sendo o gás um recurso finito, nobre, não Mesmo na geração elétrica, processos de
renovável e menos poluente do que outros cogeração, conseguem elevar esse valor para
fósseis, não parece recomendável promover a 70%.
Notas
[1] A energia que movimenta a indústria, o transporte, o comércio e demais setores econômicos do país recebe a
denominação de Consumo Final no Balanço Energético Nacional. Essa energia, para chegar ao local de consumo, é
transportada por gasodutos, linhas de transmissão, rodovias, ferrovias etc., processos esses que demandam perdas
de energia. Por outro lado, a energia extraída da natureza não se encontra nas formas mais adequadas para os usos
finais, necessitando, na maioria dos casos, passar por processos de transformação, como as refinarias, que
transformam o petróleo em óleo diesel, gasolina, e outros derivados; as usinas hidrelétricas, que aproveitam a
energia mecânica da água para produção de energia elétrica; as carvoarias, que transformam a lenha em carvão
vegetal, dentre outros. Esses processos também demandam perdas de energia. Segundo práticas internacionais
sobre cadeias energéticas, a soma do consumo final de energia, das perdas na distribuição e armazenagem, e das
perdas nos processos de transformação recebe a denominação de Oferta Interna de Energia – OIE, também,
denominada de Demanda Total de Energia (Total Energy Supply ou Domestic Energy Supply). A estrutura
da OIE por energético é comumente chamada de Matriz Energética.
[2] Atualmente são 38 países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE):
Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Dinamarca, Eslováquia,
Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Israel, Itália,
Japão, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, México, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino
Unido, República Tcheca, Suécia, Suíça e Turquia.
[3] Até 2013, a ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, foi a fonte de dados de
frota de veículos, e a Unica – União da Indústria de Cana de Açúcar, foi a fonte de dados de frota de motos. De 2014
em diante o Sindipeças passou a ser a única fonte. Para o caso específico de motos, observou-se que a Pesquisa
Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD, contínua) tem obtido frotas maiores, o que pressupõe que a curva de
sucateamento aplicada pelo Sindipeças deve estar alta. Assim, a frota foi revista, sendo adicionados 5% às frotas da
PNAD de 2016 a 2018. Para anos anteriores e posteriores são aplicadas as taxas de crescimento da frota Sindipeças.
EDIÇÃO
2022
35
ANO BASE 2021
MME | Resenha Energética Brasileira