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A Última Resistência em Andaluzia

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ASSASSIN’S CREED: LAZOS

CAPÍTULO I: “VIVA”

Toda jornada de um guerreiro, começa com um grande marco: uma separação, uma morte, uma
traição... Maquiavel já dizia: “Dê poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é.”

As nuvens negras no céu indicavam que uma tempestade chegaria em breve, entretanto, as nuvens
estavam atrasadas, pois a tempestade já fazia seus estragos em nosso território há uma semana...
Ela trajava uniformes azuis e carregava consigo a bandeira da fraternidade, igualdade e liberdade. O
barulho dos trovões de pólvora era ensurdecedor, seu som estrondeante silenciava os gritos e
súplicas de piedade do meu povo, os lamentos, as rezas. Bonaparte havia dominado toda a Espanha,
éramos a última resistência, o último suspiro de vida e honra do nosso povo, mas Andaluzia caía aos
poucos: casa por casa, cidadão por cidadão, honra por honra. Em poucos dias, o vermelho vivo tingia
as ruas e passarelas da cidade, enquanto que no alto das construções, torres e igrejas a bandeira da
soberana senhora da Liberdade reinava onipotente. A Espanha era dos franceses.

Encaro, os oficiais em minha frente, eles apontavam suas armas para minha família enquanto
zombavam e davam gargalhadas... Meu pai e minha mãe se encontravam em minha frente,
ajoelhados de costas para os oficiais, ao lado deles mais outras cinco pessoas se encontravam da
mesma forma. Meu irmão mais novo abraçava minhas pernas, chorava de olhos fechados, pressentia
o que viria logo em seguida.

— “Les chiens aboient, la caravane passe...” — a voz de um dos oficiais coloca um fim nas
gargalhadas, logo em seguida os outros soldados preparam suas armas e apontam para as pessoas
ajoelhadas. — Quero que saibam que a liberdade tem um preço, um valor... A vida é boa, tenho que
concordar, ela é incrivelmente boa! Uma pena terem nascidos do lado dos derrotados. — ele fala em
um espanhol perfeito.

O homem faz um sinal com a cabeça e então os soldados disparam todos de uma vez. Um som
uníssono de dor ecoa por Andaluzia. Fecho meus olhos enquanto as lágrimas correm pelo meu rosto
e um sentimento de ódio toma meu corpo, aperto o corpo de meu irmão junto ao meu, o pequenino
chorava. Então ouve-se um estrondo vindo de trás da parede, os soldados se assustam e preparam
as armas novamente, entretanto são surpreendidos no mesmo instante com um segundo estrondo
que acontece e dessa vez o muro ao nosso lado vem abaixo lançando soldados e corpos para o ar.
Acabo sendo lançado para longe juntamente com meu irmão, as pessoas gritavam freneticamente,
enquanto o som de tiros e mais explosões aconteciam, os espanhóis não haviam se rendidos por
completo. Pego o pequeno pelo colo então saio correndo pelas ruelas em meio ao tiroteio entre
franceses e espanhóis.

— Vai ficar tudo bem, Paul. Vai ficar tudo bem...

Fala para o garoto enquanto corro, se conseguisse atravessar o centro ele estaria seguro. Continuo
correndo, enquanto corria observava a paisagem ao meu redor: casas queimadas, corpos retalhados,
sangue nas paredes, choros, desgraça... Cerro meus punhos, e solto um grito de ódio em minha
mente. Eu não me importava com a minha morte, mas o Paul tinha que viver, ele tinha que conhecer
o mundo, as coisas boas da vida, os meus pais gostariam daquilo, gostariam de vê-lo bem... Então a
bala atravessa meu corpo me conectando novamente com a realidade, meu corpo desaba no chão,
Paul vai junto. Nossos olhares se cruzam... Cuspo sangue, a bala havia atravessado meu peito.
— Fuja... Fuja Paul!! - grito com

dificuldades.

Lágrimas corriam pelo seu rosto quando o mesmo se vira e continua o trajeto. Sinto meu corpo ser
arrastado pelo chão... Paul estava distante agora. “A cólera é um cavalo fogoso; se lhe largamos o
freio, o seu ardor exagerado em breve a deixa esgotada.”

Perdoe-me Shakespeare, mas discordo de sua afirmativa... A minha cólera jamais irá se esgotar.
Paul...

“Viva...”

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