Almiro, P.A., & Simões, M.R. (2014).
Questionário de Personalidade de Eysenck – Forma Revista
(EPQ-R). In L.S. Almeida, M.R. Simões, & M.M. Gonçalves (Eds.), Instrumentos e contextos de
avaliação psicológica – Vol. II (pp.211-229). Coimbra: Edições Almedina.
QUESTIONÁRIO DE PERSONALIDADE DE EYSENCK – FORMA REVISTA (EPQ-R)
PEDRO ARMELIM ALMIRO & MÁRIO R. SIMÕES
1. Indicações
Dimensões avaliadas
O Questionário de Personalidade de Eysenck – Forma Revista (EPQ-R; designação original
inglesa, Eysenck Personality Questionnaire – Revised), construído por S. Eysenck, H. Eysenck e
Barrett em 1985, é um instrumento de avaliação da personalidade, reconhecido
internacionalmente, e utilizado em diversos contextos (e.g., clínico, forense, saúde, militar,
organizacional, educacional) (Barrett, Petrides, S. Eysenck, & H. Eysenck, 1998; Furnham, S.
Eysenck, & Saklofske, 2008; Lynn, 1981; Nyborg, 1997). Este questionário, cuja versão original é
inglesa, baseia-se no denominado Modelo P-E-N (Big Three) de H. Eysenck e avalia as três
dimensões fundamentais da personalidade: Psicoticismo (P), Extroversão (E) e Neuroticismo (N). A
versão portuguesa do EPQ-R é composta por 70 itens, dicotómicos (Sim/Não), cotados de modo
directo ou inverso, distribuídos por quatro escalas: N (23 itens), E (20 itens), P (9 itens), e uma
escala de Mentira/Desejabilidade Social, L (Lie, 18 itens).
População-alvo
O EPQ-R pode ser aplicado a sujeitos com mais de 16 anos (adolescentes, adultos e idosos),
para fins de investigação e avaliação psicológica na comunidade e em contextos clínicos e
forenses.
2. História
O EPQ-R resulta do desenvolvimento e aperfeiçoamento, ao longo de mais de cinco décadas,
de vários instrumentos de avaliação da personalidade elaborados por H. Eysenck (Furnham, S.
Eysenck, & Saklofske, 2008). Para definir as dimensões essenciais na descrição da personalidade e
do temperamento, H. Eysenck efectuou em 1944 um estudo no Mill Hill Emergency Hospital
(Londres) com 700 militares que sofriam de perturbações neuróticas e verificou que N e E são
fundamentais (H. Eysenck, 1998). O primeiro questionário de personalidade construído pelo autor
foi o Maudsley Medical Questionnaire (MMQ), de 1952, cujo objectivo era medir as dimensões N e
E. Apesar de ser útil na discriminação entre grupos normativos e doentes neuróticos, a avaliação
realizada pela dimensão E era desajustada para diferenciar as perturbações distímicas das
perturbações histéricas (designações de H. Eysenck baseadas numa perspectiva dimensional, e não
categorial, da psicopatologia). As perturbações distímicas remetem para a personalidade neurótica
introvertida: no Eixo I do DSM-IV-TR, Perturbações do Humor (Depressivas) e Perturbações da
Ansiedade, e no Eixo II, Perturbações da Personalidade Cluster-C. As perturbações histéricas dizem
respeito à personalidade neurótica extrovertida: no Eixo I do DSM-IV-TR, Perturbações
Somatoformes e Perturbações Dissociativas, e no Eixo II, Perturbações da Personalidade Cluster-B
(excepto Anti-social). Posteriormente, em 1959, surgiu o Maudsley Personality Inventory (MPI;
versão portuguesa, Vaz Serra, & Allen Gomes, 1973), que avaliava as mesmas dimensões,
incluindo os itens do MMQ e alguns itens do Guilford-Zimmerman Temperament Survey (GZTS;
Guilford, & Zimmerman, 1956). Neste questionário, as dimensões N e E tinham uma correlação
negativa, o que contrariava o princípio de ortogonalidade (Vaz Serra, Ponciano, & Fidalgo Freitas,
1980). Para colmatar a referida limitação, H. Eysenck e S. Eysenck desenvolveram, em 1964, o
Eysenck Personality Inventory (EPI; Inventário de Personalidade de Eysenck; forma A e B; versão
portuguesa, Vaz Serra, Ponciano, & Fidalgo Freitas, 1980), cujas dimensões N e E eram
independentes. O EPI possuía melhores qualidades psicométricas do que o MPI e surgiu com uma
nova escala de mentira (Lie), a escala L (H. Eysenck, & S. Eysenck, 2008).
O EPQ-R é a versão revista do Eysenck Personality Questionnaire (EPQ; Questionário de
Personalidade de Eysenck; versão portuguesa, Castro Fonseca, S. Eysenck, & A. Simões, 1991), que
foi elaborado por H. Eysenck e S. Eysenck, em 1975, e no qual foi integrada uma nova escala para
medir a dimensão P (fundamentada em estudos realizados com doentes bipolares, psicóticos e
psicopatas; cf. H. Eysenck, & M. Eysenck, 1985), mantendo a escala L. O EPQ-R (100 itens; S.
Eysenck, H. Eysenck, & Barrett, 1985) surgiu para contornar as limitações da escala P do EPQ
(precisão reduzida, baixa amplitude, distribuição inadequada).
3. Fundamentação teórica
A personalidade é definida por H. Eysenck como uma organização mais ou menos estável e
perdurável do “carácter”, do “temperamento” e dos “aspectos intelectuais” e “físicos” de um
sujeito, que determina o seu ajustamento único ao meio ambiente; o “carácter” reflecte o sistema
comportamental volitivo (vontade); o “temperamento”, o sistema comportamental afectivo
(emoção); os “aspectos intelectuais”, o sistema comportamental cognitivo (inteligência); e os
“aspectos físicos”, a configuração corporal e neuroendócrina do sujeito (H. Eysenck, & M. Eysenck,
1985). As dimensões de personalidade, enquadradas no modelo hierárquico de H. Eysenck,
constituem os elementos básicos da estrutura de personalidade e consistem, essencialmente, nos
factores disposicionais que a determinam de modo constante e persistente. As dimensões
englobam quatro níveis distintos de organização (ascendente) do comportamento humano: no
primeiro nível, encontram-se as respostas específicas, que se referem aos comportamentos cuja
ocorrência não depende das características estruturais, manifestando-se em função da
especificidade da situação; no segundo, as respostas habituais, que dizem respeito aos
comportamentos ou respostas específicas e que são recorrentes em circunstâncias similares; no
terceiro, os traços de personalidade consistem nas construções teóricas que derivam das
intercorrelações observadas entre as respostas habituais; no quarto nível, os tipos de
personalidade, que remetem para as organizações resultantes das intercorrelações entre traços,
formando constelações, e que originam um constructo de ordem superior.
As dimensões de personalidade podem ser estudadas através da análise factorial, sendo que
os factores de primeira-ordem correspondem aos traços de personalidade e os factores de
segunda-ordem aos tipos de personalidade (H. Eysenck, 1998). A dimensão N organiza-se num
continuum entre a personalidade neurótica (ou emocionalmente instável) – que engloba traços
como a emotividade, ansiedade, depressão, hiper-preocupação, irritabilidade fácil, sentimentos
de culpa, baixa auto-estima, timidez, entre outros – e a personalidade estável – caracterizada
pelos traços opostos, como a serenidade, controlo, boa disposição, entre outros. A dimensão E
também se organiza num continuum, que abrange num pólo a personalidade extrovertida –
englobando traços como a sociabilidade, vivacidade, actividade, assertividade, dominância,
espontaneidade, espírito de aventura, optimismo, entre outros – e no outro a personalidade
introvertida – reunindo traços como a cautela, introspecção, inibição, baixa sociabilidade,
pessimismo, entre outros. A dimensão P, que se estabelece num continuum entre normalidade e
psicopatologia, caracteriza os sujeitos que são criativos, egocêntricos, pouco empáticos,
desconfiados, rígidos, desajustados, impulsivos, hostis e agressivos, entre outros traços (H.
Eysenck, & S. Eysenck, 2008).
De acordo com H. Eysenck (1990a, 1990b), as diferenças individuais na personalidade são
influenciadas por factores psicobiológicos (fisiológicos, neurológicos, bioquímicos) geneticamente
determinados. Na dimensão E, as diferenças resultam do nível de actividade do sistema activador
reticular ascendente (SARA), que estimula o córtex cerebral, através da formação reticular,
provocando maior ou menor excitabilidade cortical (arousal cortical): os introvertidos têm um
SARA mais activo e um limiar de excitação mais baixo do que os extrovertidos; ao invés, os
extrovertidos possuem um limiar de excitação mais elevado e por isso procuram a estimulação
externa para atingirem o nível óptimo de arousal. Na dimensão N, as diferenças dependem da
actividade do sistema nervoso autónomo (SNA) e da sua interacção com o sistema límbico (SL) na
regulação das emoções (arousal límbico): nos sujeitos neuróticos os circuitos neuronais do SNA/SL
encontram-se mais activos e o seu limiar de excitação é mais baixo do que nos sujeitos
emocionalmente estáveis. Na dimensão P, existem diferenças bioquímicas e fisiológicas verificadas
entre sujeitos saudáveis e doentes, e que estão associadas ao elevado nível de testosterona
(agressividade), às baixas concentrações de 5-HIAA e MAO (impulsividade), à maior concentração
de HLA-B27 (sistema imunológico) e ao processo dissociativo que ocorre nestes doentes, ao nível
do sistema nervoso central (SNC), entre a activação emocional e os inputs sensoriais. Contudo, o
autor considerou os dados relativos a P insuficientes e menciona os estudos desenvolvidos por
Zuckerman, sobre os marcadores biológicos, como uma base explicativa plausível (cf. H. Eysenck,
1990a). A comprovação das influências genéticas presentes nas dimensões de personalidade
definidas no modelo de H. Eysenck (P, E, N) surgiu com as diversas investigações realizadas
(gémeos monozigóticos e dizigóticos) em Inglaterra, na Austrália, na Finlândia e na Suécia (cf. H.
Eysenck, 1990b). As pesquisas mais recentes também têm confirmado estes dados (e.g., Gillespie
et al., 2008).
4. Estudos realizados em Portugal
Data e objectivos
O presente estudo do EPQ-R teve início em 2007, com o objectivo de adaptar, validar e aferir
este instrumento para a população portuguesa, estabelecer as normas para a interpretação dos
resultados e explorar as suas potencialidades em contextos clínico e forense.
Amostra e metodologia
A investigação das propriedades psicométricas do EPQ-R, no âmbito da Teoria Clássica dos
Testes (TCT) e da Teoria da Resposta ao Item (TRI), e o estabelecimento de normas, efectivaram-se
com o recurso a uma amostra nacional representativa (género e idade), constituída por 1689
sujeitos (783 homens e 906 mulheres; idades entre 16 e 60 anos, M=32,34 e DP=11,22; grupos
etários, 16-20, 21-30, 31-40, 41-50, 51-60) e geograficamente distribuída por NUTS (Norte, Centro,
Lisboa, Alentejo, Algarve, Açores, Madeira). Na TCT, foi examinada a validade de constructo, a
validade de critério concorrente e a precisão. Na TRI, a qualidade dos itens (validade e precisão)
foi estimada através do Modelo de Rasch (1PL). Os dados foram analisados nos programas SPSS
(17.0), EQS (6.1) e WINSTEPS (3.69). No contexto normativo (amostras independentes), foram
ainda definidas normas específicas para idosos (N=205; idade superior a 60 anos) e militares
(N=568). O EPQ-R foi também validado no contexto clínico (N=207; Perturbações Depressivas,
Ansiedade, Bipolares, Psicóticas, Comportamento Alimentar, Personalidade) e no contexto forense
(N=85; processos de Violência Doméstica, Promoção e Protecção, Regulação das
Responsabilidades Parentais).
Resultados relativos à validade
No que concerne à validade de constructo do EPQ-R, na TCT, recorreu-se à análise factorial
exploratória (AFE) e à análise factorial confirmatória (AFC) para examinar os dados (N=1689;
tamanho da amostra apropriado, excedendo o mínimo de 10:1, recomendado por Nunnally,
1978). Na AFE, utilizou-se o método de análise em componentes principais (ACP), com rotação
factorial direct oblimin, conforme foi implementado no estudo do EPQ-R original (S. Eysenck, H.
Eysenck, & Barrett, 1985). A adequação da amostra foi confirmada pelo KMO (.88) e pelo teste de
esfericidade de Bartlett (2=24433.60; df=2415; p<.000). Os preceitos adoptados na extracção dos
factores consistiram, por um lado, no critério de Kaiser-Guttman, e por outro, no scree test de
Cattell (cf. Nunnally, 1978). A solução de quatro factores obtida – N, E, L, P –, que replica a
estrutura original, é a mais adequada e consistente. Os eigenvalues assumiram valores superiores
a 2.0. Kline (1994) sugere que as saturações iguais ou superiores a .30 devem ser consideradas
significativas e este foi o critério igualmente utilizado no estudo do instrumento original (S.
Eysenck, H. Eysenck, & Barrett, 1985). Na AFE foram retidos 70 itens, distribuídos pelos quatro
factores: o primeiro factor (N, 23 itens; eigenvalue=7.27) explica 10,39% da variância total
(saturações entre .69 e .38; média .50); o segundo factor (E, 20 itens; eigenvalue=4.90) explica
7,00% da variância (saturações entre .67 e .33; média .49); o terceiro factor (L, 18 itens;
eigenvalue=3.75) explica 5,35% da variância (saturações entre .61 e .35; média .45); e o quarto
factor (P, 9 itens; eigenvalue=2.24) explica 3,20% da variância (saturações entre .59 e .28; média
.39; foi mantido na estrutura um item com saturação .28 por possuir outros índices adequados de
precisão e validade na TCT e na TRI). As correlações (r de Pearson; critério de Cohen, 1988) entre
os factores do EPQ-R são fracas ou nulas (entre -.20 e .23), o que indica que estes são
independentes. O princípio da ortogonalidade foi confirmado. Quanto à reduzida percentagem de
variância explicada, vários estudos apresentam dados similares, com valores a oscilarem entre
20% e 30%, quer com versões do EPQ-R (e.g., Alexopoulos, & Kalaitzidis, 2004), quer com outros
instrumentos de personalidade como o NEO-PI-R (Lima, & Simões, 1997) ou o ZKPQ-III-R (e.g.,
Gomà-i-Freixanet, Valero, Puntí, & Zuckerman, 2004).
Na AFC, testou-se o ajustamento da estrutura factorial do EPQ-R obtida pela AFE, através do
método de estimação de máxima verosimilhança, a partir da matriz de covariância. Para o efeito,
consideraram-se quatro indicadores de ajustamento: rácio qui-quadrado/graus de liberdade
(2/df), Comparative Fit Index (CFI), Standardized Root Mean Square Residual (SRMR) e Root Mean
Square Error of Approximation (RMSEA).
Tal como na pesquisa de Dazzi (2011), a AFC do modelo global do EPQ-R foi efectuada
mediante o parcelamento dos itens, pelo método item-to-construct balance. Os 70 itens do
instrumento foram agregados em parcelas, definindo 18 indicadores para analisar as quatro
variáveis latentes constituintes do modelo (5 parcelas para os factores N, E e L, em cada, e 3
parcelas para o factor P). Assim, o modelo global do EPQ-R, para o qual os factores introduzidos
foram correlacionados entre si e não foram estabelecidas covariâncias entre os erros, revela um
bom ajustamento: 2(129)=533.786, p<.001; 2/df=4.13; CFI=.96; SRMR=.042; RMSEA=.043 – rácio
2/df<5, índice CFI>.95, índice SRMR<.08, índice RMSEA<.06 (cf. Schumacker, & Lomax, 2004). As
parcelas apresentam cargas factoriais adequadas: N, entre .80 e .74; E, entre .78 e .68; P, entre .63
e .51; L, entre .70 e .59. Por conseguinte, estes dados, obtidos na AFC (Figura 1), confirmam que a
estrutura factorial do EPQ-R (N, E, P, L) é adequada e robusta e também evidência da sua validade
de constructo.
Figura 1 – EPQ-R: estrutura factorial obtida pela AFC
N_P1 0.61 E80*
0.79
N_P2 0.67 E81*
0.74*
N 0.79* N_P3 0.61 E82*
0.75*
N_P4 0.66 E83*
0.80*
N_P5 0.60 E84*
-0.22*
E_P1 0.73 E75*
0.68
E_P2 0.70 E76*
0.31* 0.71*
E 0.70* E_P3 0.71 E77*
0.76*
E_P4 0.65 E78*
0.78*
-0.25* E_P5 0.63 E79*
-0.09*
P_P1 0.78 E90*
0.63
P 0.57* P_P2 0.82 E91*
-0.05*
0.51*
P_P3 0.86 E92*
-0.29*
L_P1 0.77 E85*
0.64
L_P2 0.76 E86*
0.65*
L 0.70* L_P3 0.71 E87*
0.64*
L_P4 0.77 E88*
0.59*
L_P5 0.81 E89*
No âmbito da TRI, testou-se a unidimensionalidade das escalas do EPQ-R, através do método
da análise de componentes principais dos resíduos (ACPR): o componente principal de N explica
33,0% da variância, com eigenvalue 11.3, e o seu primeiro contraste (unidade de variância
residual) explica 6,3% da variância, com eigenvalue 2.2; o componente principal de E explica 34,2%
da variância, com eigenvalue 10.4, e o primeiro contraste explica 6,1%, com eigenvalue 1.9; o
componente principal de P explica 17,4% da variância, com eigenvalue 1.9, e o primeiro contraste
explica 14,9%, com eigenvalue 1.6; o componente principal de L explica 36,2% da variância, com
eigenvalue 10.2, e o primeiro contraste explica 5,5%, com eigenvalue 1.5. Deste modo, as escalas E
e L preenchem na totalidade o critério de Linacre (1999) – variância explicada pelo componente
principal da dimensão superior a 20% e eigenvalue do primeiro contraste inferior a 2.0. Na escala
N, apesar da variância explicada pelo componente principal cumprir o critério, o eigenvalue do
primeiro contraste excede ligeiramente 2.0; contudo, no critério de Fisher (2007), se a variância
explicada pelo primeiro contraste for baixa, entre 5% e 10%, considera-se que existe
unidimensionalidade. A escala P não cumpre nenhum dos critérios.
No exame da validade de constructo, a TRI confirma os resultados alcançados na TCT,
sugerindo que as escalas N, E e L são unidimensionais; contudo, o mesmo não se verifica
relativamente à escala P, cujas limitações psicométricas verificadas na análise dos seus itens (TRI)
terão influenciado os resultados. Em oposição, na AFC, o ajustamento (ao nível dos itens) do
modelo do factor P é adequado (2(25)=69.158, p<.001; 2/df=2.76; CFI=.96; SRMR=.028;
RMSEA=.032), evidenciando a sua unidimensionalidade (cf. Almiro, 2013).
No que se refere à validade concorrente, foram efectuados vários estudos com o EPQ-R,
utilizando como critério de validação externo os resultados obtidos em alguns dos mais
importantes instrumentos de avaliação clínica e da personalidade (Tabela 1, r de Pearson): o
Inventário Depressivo de Beck II (BDI-II; versão portuguesa, Martins, 2000), que avalia a depressão
(N=103); o Inventário de Estado-Traço de Ansiedade (STAI; versão portuguesa, Silva, 2006), que
mede a ansiedade (estado e traço) (Ans-E, N=81, Ans-T, N=292); o Inventário de Sintomas
Psicopatológicos (BSI; versão portuguesa, Canavarro, 2007), que avalia nove grupos de sintomas
psicopatológicos (N=304); a Escala de Desejabilidade Social de Marlowe-Crowne (MCSDS; versão
preliminar portuguesa, Almiro, M.R. Simões, & Sousa, 2012), que é uma medida de desejabilidade
social (N=254); a Escala de Avaliação da Vulnerabilidade ao Stress (23 QVS; Vaz Serra, 2000), que
avalia a vulnerabilidade do sujeito ao stress e a sua propensão para desenvolver psicopatologia
(N=116); e o Inventário dos Cinco Factores (NEO-FFI; versão portuguesa, Lima, 2008), que mede
cinco factores de personalidade (N=112).
Tabela 1 – EPQ-R: dados dos estudos de validade concorrente (BDI-II, STAI, BSI, MCSDS,
* **
23QVS, NEO-FFI) [ p<.05; p<.01].
EPQ-R
Instrumentos de Avaliação
N E P L
** ** **
BDI-II .70 -.31 .30
** * **
Ansiedade-Estado (Ans-E) .54 -.24 .39
STAI ** ** ** **
Ansiedade-Traço (Ans-T) .71 -.22 .36 -.24
** * ** **
Índice Geral de Sintomas (IGS) .68 -.14 .31 -.20
** **
I. Somatização .51 .21
** * ** **
II. Obsessões-Compulsões .53 -.13 .15 -.26
** ** * *
III. Sensibilidade Interpessoal .56 -.20 .14 -.13
** ** ** **
IV. Depressão .63 -.19 .22 -.17
BSI ** ** **
V. Ansiedade .63 .26 -.18
** ** **
VI. Hostilidade .60 .42 -.33
** * **
VII. Ansiedade Fóbica .44 -.14 .28
** ** *
VIII. Ideação Paranóide .48 .34 -.13
** ** **
IX. Psicoticismo .60 .25 -.25
** ** **
MCSDS -.26 -.17 .74
** **
23 QVS .74 -.43
** ** **
Neuroticismo (N) .80 -.44 .46
** **
Extroversão (E) -.50 .75
** ** **
NEO-FFI Abertura à Experiência (O) -.35 .24 -.32
** ** ** **
Amabilidade (A) -.36 .24 -.40 .31
* * **
Conscienciosidade (C) -.21 -.19 .36
Os elevados coeficientes de correlação alcançados (critério de Cohen, 1988) são
comprovativos da enorme proximidade que existe entre o constructo de Neuroticismo, mensurado
pelo EPQ-R, e os constructos de depressão do BDI-II (r=.70), de ansiedade-traço (r=.71) e de
ansiedade-estado (r=.54) do STAI [no estudo militar (N=530, sub-amostra), a correlação entre a
escala N e a ansiedade-traço foi de .66], de vulnerabilidade ao stress da 23 QVS (r=.74) e as
dimensões psicopatológicas do BSI (r=.68) [no estudo clínico (N=131, sub-amostra de pacientes), a
correlação entre a escala N e o BSI (índice geral de sintomas) foi de .64]. Os dados demonstram
também que existe uma forte relação entre o constructo de Neuroticismo do EPQ-R e o constructo
de neuroticismo medido pelo NEO-FFI (r=.80), bem como entre o constructo de Extroversão do
EPQ-R e o constructo de extroversão avaliado pelo NEO-FFI (r=.75). No EPQ-R, o constructo de
Mentira/Desejabilidade Social analisado pela escala L possui uma enorme proximidade com a
desejabilidade social da MCSDS (r=.74) [no estudo forense (N=85), a correlação entre a escala L e a
MCSDS foi de .70].
Resultados relativos à precisão
Na precisão do EPQ-R, foram obtidos os seguintes alfas de Cronbach (método da consistência
interna): N (.87), E (.83), P (.55) e L (.78). Segundo o critério de DeVellis (1991), os coeficientes de
precisão de N e E são considerados “muito bons”, o de L é “respeitável” e o de P é “inaceitável”.
Na precisão teste-reteste (N=124; estabilidade temporal entre 4 a 8 semanas), os coeficientes
atingiram os seguintes valores: N (.86), E (.89), P (.72) e L (.86). Os índices de N, E e L são “muito
bons” e o valor de P é “respeitável” (valores superiores a .70). O baixo coeficiente alfa obtido para
P (.55) deverá ter sido influenciado pelo reduzido número de itens da escala (cf. Nunnally, 1978),
uma vez que o índice de precisão teste-reteste (.72) é adequado. À excepção das limitações de P,
os índices de precisão das escalas N, E e L do EPQ-R são elevados.
Análise dos itens
Na TCT, foi primeiramente estudada uma versão experimental do EPQ-R com 123 itens (AFE,
N=671); a versão final ficou com 70 itens (AFE e AFC, N=1689). Na TRI, com a aplicação do Modelo
de Rasch, procedeu-se ao estudo do EPQ-R, através da análise do índice de dificuldade dos itens
(“acertos” e “erros”) e da sua adequabilidade para avaliar o nível do atributo nos sujeitos
(medição conjunta dos itens e dos sujeitos na escala logit). No contexto da avaliação da
personalidade, o índice de dificuldade deve ser interpretado do seguinte modo: no atributo
medido, o sujeito “acerta” o item quando está de acordo com seu conteúdo (indica que o traço de
personalidade está presente no sujeito) ou “erra” quando está em desacordo. Como o EPQ-R
avalia três dimensões independentes da personalidade (N, E, P) e contém uma escala de validade
(L), a análise de cada uma das escalas foi efectuada em separado; os sujeitos com pontuações
extremas foram eliminados desta análise. Na estatística infit e outfit, considera-se que existe
ajuste (itens e sujeitos) quando os índices oscilam entre .50 e 1.50 (média 1.00); os índices
próximos de 1.00 revelam ajuste perfeito; acima de 1.50, desajuste moderado; acima de 2.00,
desajuste severo; abaixo de .50, “sobreajuste”; o infit constitui o melhor indicador de ajuste
(Linacre, 1999).
Nas escalas N, E, P e L, todos os itens apresentam bons índices de ajuste infit (no global:
mínimo .76 e máximo 1.22; média entre .99 e 1.00) e de ajuste outfit (no global: mínimo .58 e
máximo 1.47; média entre .98 e 1.01) (Tabela 2), cumprindo assim o critério de Linacre (1999). Em
relação aos sujeitos, verifica-se que na escala N, para infit (média .99), 0,72% dos sujeitos revelam
desajuste moderado, e para outfit (média .98) 6,48% têm desajuste moderado e 1,44% desajuste
severo; na escala E, para infit (média 1.00), 1,88% dos sujeitos mostram desajuste moderado e
0,06% desajuste severo, e para outfit (média .98) 5,99% têm desajuste moderado e 4,60%
desajuste severo; na escala P, para infit (média 1.00), 1,35% dos sujeitos revelam desajuste
moderado, e para outfit (média .99), 11,01% têm desajuste moderado e 4,83% desajuste severo; e
na escala L, para infit (média 1.00), 4,94% dos sujeitos mostram desajuste moderado e 0,18%
desajuste severo, e para outfit (média 1.01), 7,59% têm desajuste moderado e 5,67% desajuste
severo.
Em todas as escalas do EPQ-R, os valores da medida (localização na escala logit) para os itens
assumem o ponto médio .00, como é desejável (Tabela 2). Na calibração entre itens/sujeitos, N
(.00/-.25) e L (.00/.22) apresentam um ajuste muito bom entre o índice de dificuldade dos itens e
o nível do atributo nos sujeitos, medindo convenientemente os níveis baixos, médios e elevados
do atributo; na escala E (.00/.81), os itens são relativamente “fáceis” para os sujeitos avaliados,
sendo que estes medem melhor os níveis médios e elevados do atributo do que os níveis baixos
(sujeitos tendencialmente extrovertidos); e na escala P (.00/-1.60), os itens são muito “difíceis”
para os sujeitos, o que significa que a sua medição só se ajusta aos níveis baixos do atributo
(escala patológica).
Tabela 2 – EPQ-R: valores da parametrização dos itens e dos sujeitos e valores da
precisão estimados no âmbito da TRI e da TCT.
Itens Sujeitos Precisão
N
M DP Mín. Máx. M DP Mín. Máx. PSI PSS α
Medida .00 .91 -2.01 1.39 -.25 1.40 -3.50 3.40
Infit 1.00 .10 .76 1.12 .99 .18 .56 1.84
1.00 .83 .87
Outfit .98 .15 .63 1.21 .98 .38 .23 4.36
EP .06 .00 .06 .07 .54 .13 .45 1.05
Itens Sujeitos Precisão
E
M DP Mín. Máx. M DP Mín. Máx. PSI PSS α
Medida .00 1.22 -2.81 1.82 .81 1.37 -3.72 3.43
Infit .99 .12 .79 1.22 1.00 .21 .38 2.08
1.00 .78 .83
Outfit .98 .25 .58 1.47 .98 .60 .16 8.93
EP .07 .02 .06 .12 .60 .14 .50 1.10
Itens Sujeitos Precisão
P
M DP Mín. Máx. M DP Mín. Máx. PSI PSS α
Medida .00 .78 -1.08 1.65 -1.60 .82 -2.29 2.32
Infit 1.00 .07 .90 1.08 1.00 .18 .61 1.60
.98 .00 .55
Outfit .99 .10 .83 1.14 .99 .67 .47 5.83
EP .10 .02 .07 .16 .93 .15 .71 1.10
Itens Sujeitos Precisão
L
M DP Mín. Máx. M DP Mín. Máx. PSI PSS α
Medida .00 1.28 -2.15 2.40 .22 1.26 -3.47 3.49
Infit .99 .08 .86 1.10 1.00 .28 .43 2.15
1.00 .74 .78
Outfit 1.01 .16 .70 1.31 1.01 .66 .21 9.90
EP .06 .01 .06 .08 .61 .10 .55 1.07
[M (média), DP (desvio-padrão), Mín. (valor mínimo), Máx. (valor máximo), EP (erro
padrão), PSI (precisão da separação dos itens), PSS (precisão da separação dos
sujeitos)]
Na precisão, os índices examinados pelo erro padrão (EP) e pela precisão da separação dos
itens (PSI) comprovam a boa qualidade da medição efectuada pelos itens; o índice de precisão da
separação dos sujeitos (PSS) das escalas N (.83), E (.78) e L (.74) é bom, mas o valor para P é nulo –
apesar da boa qualidade dos itens da escala P, o seu nível de dificuldade é elevado, o que se
repercute na sua inadequação para avaliar as características dos sujeitos da amostra normativa.
Numa análise DIF (funcionamento diferencial dos itens), para o género e a idade, verificou-se que
embora alguns itens (poucos) tenham apresentado DIF do Tipo C (preenchendo os dois critérios:
contraste DIF associado ao valor t de Welch significativo e o critério de Mantel-Haenszel), o seu
índice de dificuldade é na generalidade equiparado (em cada variável); estes itens não produzem,
por isso, enviesamentos significativos na medida (cf. Almiro, 2013).
Procedimentos de aplicação e correcção
A aplicação do EPQ-R pode ser individual ou colectiva (questionário de auto-resposta). O
tempo médio de administração individual, em contexto normativo, é de 10 a 15 minutos. Para
cada questão (item), o sujeito deve assinalar “Sim” ou “Não”, de acordo com a sua maneira
habitual de ser, pensar e sentir. Nas quatro escalas, a correcção das respostas (itens directos e
itens que invertem) realiza-se mediante uma chave de cotação e a pontuação obtida é
independente das restantes.
5. Interpretação dos resultados
As normas para a interpretação do EPQ-R foram estabelecidas através de médias e desvios-
padrão (Tabela 3), para o género e para a idade, conforme o estudo da versão original (S. Eysenck,
H. Eysenck, & Barrett, 1985). Este instrumento, embora tenha uma reconhecida aplicabilidade
clínica e forense (cf. Lynn, 1981; Nyborg, 1997), foi construído para avaliar o funcionamento
normal da personalidade. Por isso, a interpretação das pontuações obtidas (N, E, P, L) deve ter
como referência a amostra normativa nacional (N=1689). A avaliação da personalidade efectuada
pelo EPQ-R resulta da descrição das características emocionais e comportamentais (relacionadas
com o carácter, o temperamento e os aspectos intelectuais e físicos) do sujeito, em função das
dimensões N, E e P, que são integradas num sistema compreensivo de análise dos traços. A
avaliação da escala L, como uma medida de Mentira/Desejabilidade Social, constitui um elemento
essencial na apreciação da personalidade do sujeito e do seu nível de sinceridade a responder ao
questionário (trata-se de uma escala de validade).
Tabela 3 – EPQ-R: normas de interpretação para os contextos normativos, clínico e forense.
Amostras N E P L
Normativa (N=1689) M (DP) 10,44 (5,53) 12,61 (4,43) 1,01 (1,31) 9,68 (3,72)
Idosos (Normativa) (N=205) M (DP) 11,83 (5,69) 11,01 (4,45) 0,81 (1,15) 13,01 (3,42)
Militares (N=568) M (DP) 8,01 (5,56) 14,81 (3,92) 1,28 (1,47) 10,16 (3,77)
Clínica (N=207) M (DP) 16,96 (5,15) 9,58 (4,91) 1,42 (1,53) 9,99 (3,66)
Forense (N=85) M (DP) 8,22 (6,38) 13,09 (3,92) 0,93 (1,20) 12,82 (3,68)
[M (média), DP (desvio-padrão)]
Através da aplicação do Teste t (p<.001) verificou-se que na amostra normativa (16-60), as
mulheres pontuam mais nas escalas N [t(1562,271)=-6,982] e L [t(1562,303)=-5,241] e os homens
mais na escala P [t(1564)=7,367]; os sujeitos mais novos (16-30) pontuam mais nas escalas N
[t(1686,593)=3,583], E [t(1683,418)=3,945] e P [t(1687)=5,475], enquanto que os sujeitos mais
velhos (31-60) mais na escala L [t(1686,992)=-12,331]. Em comparação com a amostra normativa,
os idosos pontuam mais na escala L (várias comparações, e.g., com o grupo 21-30
[t(407,875)=13,567] e menos na escala E (várias comparações, e.g., com o grupo 21-30
[t(406,164)=-4,346], os militares pontuam mais nas escalas E [t(1062)=6,905] e L
[t(1057,510)=8,147] e menos na escala N [t(1060,717)=-6,531], a amostra clínica pontua mais nas
escalas N [t(408,181)=11,657] e P [t(412)=2,747; p<.01] e menos na escala E [t(411,170)=-5,682], e
a amostra forense pontua mais na escala L [t(167,412)=6,487].
No contexto clínico, além da descrição da personalidade do sujeito em função das três
dimensões avaliadas, a aplicabilidade do EPQ-R centra-se na dimensão N, que reflecte as suas
potencialidades na avaliação do funcionamento psicopatológico e/ou da propensão para o
desenvolvimento de perturbações emocionais. A dimensão N permite discriminar entre sujeitos
doentes e saudáveis, por meio do ponto-de-corte indicado de 14 pontos (73,9% de probabilidade
de identificar os sujeitos doentes e 72,0% de excluir os sujeitos saudáveis) e a associação entre N e
E é fulcral para a definição do perfil de personalidade – personalidade neurótica introvertida
(distimia) (N+, E–) e personalidade neurótica extrovertida (histeria) (N+, E+).
A escala L assume um papel fulcral no âmbito forense, uma vez que permite discriminar
entre sujeitos com perfil de elevada dissimulação e sujeitos com nível “normal” de desejabilidade
social. Nesta distinção, o ponto-de-corte proposto é de 12 pontos (70,0% de probabilidade de
identificar os sujeitos que dissimulam e 67,8% de excluir os que são sinceros). Os pontos-de-corte
foram obtidos utilizando a fórmula de Fisher (cf. Almiro, 2013).
6. Avaliação crítica
A investigação das propriedades psicométricas do EPQ-R (Almiro, 2013; Almiro, & M.R.
Simões, 2007), desenvolvida no âmbito da TCT e da TRI, sugere, na generalidade, bons índices de
precisão e de validade. A estrutura factorial – N, E, P, L – do instrumento original (S. Eysenck, H.
Eysenck, & Barrett, 1985) foi replicada no contexto português, o que comprova a robustez e a
adequabilidade das dimensões de personalidade avaliadas. Os estudos de validade concorrente
realizados evidenciam também a proximidade existente entre N e a depressão, a ansiedade, a
vulnerabilidade ao stress e os sintomas psicopatológicos.
Apesar das escalas N, E e L apresentarem excelentes índices de precisão, a escala P revela
algumas limitações ao nível da consistência interna e da PSS. No Modelo de Rasch, constata-se
igualmente que os seus itens possuem um elevado nível de dificuldade, o que os torna
inadequados para medir convenientemente o atributo – Psicoticismo – nos sujeitos normativos.
Recomenda-se por isso precaução na interpretação das pontuações na escala P.
A análise das qualidades psicométricas da escala P requer estudos com o EPQ-R no contexto
clínico, em amostras mais numerosas de doentes bipolares e psicóticos (as amostras destes
doentes avaliadas no estudo clínico são reduzidas), e no contexto forense (psicologia criminal), em
amostras de reclusos e de sujeitos com personalidade anti-social.
O EPQ-R é adequado para avaliar a personalidade nos diversos contextos normativos
(nomeadamente, organizacional, educacional, vocacional, saúde, entre outros), possuindo normas
específicas para a população idosa e militar.
Considerando a comprovada utilidade do EPQ-R nos domínios de intervenção psicológica
estudados, seria desejável alargar os estudos de validação deste instrumento de modo a obter
normas de interpretação específicas para outros contextos e populações.
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8. Material
O questionário (contém as instruções de aplicação), a chave de cotação e as normas.
9. Edição e distribuição
O EPQ-R pode ser cedido para investigação mediante pedido formal aos autores.
10. Contacto com os autores
Pedro Armelim Almiro. Bolseiro de Doutoramento da FCT (SFRH/BD/37970/2007). Endereço electrónico:
psi.armelim22@[Link].
Mário R. Simões. Laboratório de Avaliação Psicológica. CINEICC. Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação da Universidade de Coimbra. Rua do Colégio Novo, Apartado 6153. 3001-802 Coimbra. Endereço
electrónico: simoesmr@[Link].