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Benefícios do Método Bobath no AVE

AVE

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ANAIS IX SIMPAC 19

TRATAMENTO NEUROEVOLUTIVO BOBATH E SEUS BENEFICIOS


NO ACIDENTE VASCULAR ENCEFALICO:
REVISAO DA LITERATURA

Amanda Cristina Teixeira Santos2, Eustáquio Luiz Paiva de Oliveira3

Resumo: O Tratamento Neuroevoltivo Bobath é uma estratégia terapêutica


amplamente utilizada em afecções neurológicas com alterações da função, do
movimento e do controle postural. Pacientes acometido por acidente vascular
encefálico apresentam diversos comprometimentos que limitam sua capacidade
funcional e qualidade de vida. A terapia neuroevolutiva é baseada na preparação
de uma tarefa funcional específica, em que há vivência, execução e aprendizagem
do movimento, portanto, importante estratégia no tratamento desses pacientes.
Este estudo tem o objetivo de avaliar os efeitos da abordagem neuroevolutiva no
tratamento de pacientes após acidente vascular encefálico. Trata-se de uma revisão
da literatura realizada nas principais bases de dados. Os resultados apontaram
uma melhora na capacidade funcional dos pacientes após acidente vascular
encefálico, submetidos ao tratamento neuroevolutivo. Contudo, sugere-se que
estudos prospectivos sejam conduzidos para ratificar esses achados.

Palavras–chave: Bobath, fisioterapia, AVE, disfunção neurológica pós AVE.

Introdução

O Conceito Neuroevolutivo Bobath surgiu na década de 50 através


da contribuição do casal Bobath, Karel e Berta Bobath. Nesta época, Berta
Bobath recebeu como paciente um famoso pintor, hemiplégico adulto, com
uma espasticidade importante e durante seu tratamento ela observou que as
espasticidades poderiam ser modificadas por meio de posturas e movimentos,
a assim começou elaborar o que hoje se conhece como Tratamento
Neuroevolutivo Bobath. O Conceito é uma abordagem para a solução de

2
Graduando em Fisioterapia – FACISA/UNIVIÇOSA. e-mail: amandanardy@[Link]
3
Docente do Curso de Fisioterapia – FACISA/UNIVIÇOSA. e-mail: eustaquiopaiva@univicosa.
[Link]

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20 ANAIS IX SIMPAC

problemas, avaliação e tratamento de indivíduos com distúrbios da função,


do movimento e do controle postural, devido a lesões do sistema nervoso
central, contribuindo para comprovação de que o sistema nervoso é capaz
de aprender a responder a estímulos inibitórios dos padrões de movimento
que interferem com a movimentação normal. As técnicas utilizadas visam à
inibição e facilitação através dos pontos-chave de controle (articulações do
paciente) e estimulação de padrões de movimentos normais, para possibilitar
a aquisição da funcionalidade dos pacientes. As três estratégias mais utilizadas
nesse Conceito são: Placing (habilidade de interromper o movimento em
qualquer amplitude, voluntariamente ou automaticamente, é um alto ajuste
postural), Holding (habilidade de manter o seguimento cujo movimento foi
interrompido, na posição em que se colocou este seguimento quando se realizou
o placing) e Tapping (é uma maneira de se atingir o placing). Essa técnica é
um meio de aumento o tônus postural pelo estimulo tátil e proprioceptivo,
para ativar grupos musculares fracos, obter graduação adequada da inervação
reciproca, estimular as reações de balanço, e promover padrões sinérgicos de
movimento. Pode ser dividido em quatro tipos: de inibição, de pressão, por
deslizamento e alternada (ALCÂNTARA et al, 2014, MIKOŁAJEWSKA,
2013). O acidente vascular encefálico (AVE) se caracteriza pela instalação de
um déficit neurológico focal, repentino e não convulsivo determinado por
uma lesão cerebral, secundária a um mecanismo vascular e não traumático,
podendo ser classificado em isquêmico e hemorrágico. Os comprometimentos
do AVE, dependerão da região afetada pela lesão, porém em grande parte dos
pacientes é observado déficits somatossensitivos, dor, déficit visual, déficits
motores, distúrbios da fala e da linguagem, disfagia, disfunção cognitiva
e perceptiva (COSTA et al, 2014). O tratamento inicial é a internação, que
pode ser seguida de procedimentos cirúrgicos ou não, sendo utilizada
medicação para controle da lesão. Após a alta hospitalar é iniciado tratamento
fisioterapêutico, que visa melhorar os déficits provocados pela lesão, através de
técnicas de cinesioterapia, eletrotermofototerapia e Bobath (ALCÂNTARA et
al, 2014). Portanto, o objetivo deste trabalho é avaliar os efeitos da abordagem
neuroevolutiva no tratamento de pacientes após acidente vascular encefálico.

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Material e Métodos

Trata-se de uma revisão da literatura nas bases de dados: scielo, pubmed e


google acadêmico e livros acadêmicos no período de 2013 a 2016, obedecendo
aos seguintes critérios de inclusão: ensaios clínicos, estudos transversais
e revisões. Os descritores utilizados foram: Acidente Vascular Encefálico,
Fisioterapia, Método Bobath. Foram incluídos apenas artigos com correlação
direta entre descritores supracitados, publicados em português e inglês.

Resultados e Discussão

Durante analise dos dados foram encontrados artigos correlacionando


o método neuroevolutivo Bobath com AVE que atendiam aos critérios de
inclusão. Dos trabalhos analisados, observam-se estratégias metodológicas
diferentes em relação ao tipo de estudo com um grande número de trabalhos
avaliando principalmente os padrões de marcha, observando em algumas
literaturas aspectos relacionados ao tratamento da marcha. A grande maioria
apresentou como desfecho uma melhora nos padrões de marcha dos pacientes
acometidos pelo acidente vascular encefálico após a terapia neuroevolutiva
Bobath. Entretanto, um trabalho publicado recentemente mostrou que o
treinamento em esteira com suporte de peso obteve melhores efeitos na
reabilitação da marcha quando comparado com o treinamento neuroevolutivo
Bobath (Tabela I).

Considerações Finais

Os resultados deste estudo mostraram que o Tratamento Neuroevolutivo


Bobath pode ser considerado um tratamento benéfico para sequelas do
acidente vascular encefálico, principalmente a marcha. Contudo, sugere-se
que novos estudos prospectivos sejam conduzidos para se possa ratificar ou
refutar os achados encontrados nesse estudo.

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Tabela 1 – Análise dos trabalhos publicados


Autores Objetivo do estudo Tipo do estudo Conclusão
MIKOŁAJEWSKA, Avaliar o efeito do Estudo transversal Resultados
2013 método Bobath na positivos em
marcha de pacientes parâmetros da
pós AVE m arch a for am
obser vados em
pouco tempo de
terapia
GARCIA et al, 2014 Avaliar a eficácia Estudo transversal O tratamento
de um programa de obteve melhoras
reabilitação baseado nas atividades
no conceito de d e c am i n h a d a
Bobath na caminhada n o s p a c i e nt e s
de pacientes AVE analisados.
crônicos

TANQ et al, 2014 Avaliar a mobilidade Estudo transversal B ob at h é uma


e o equilíbrio em intervenção
pacientes pós AVE valiosa para
submetidos ao melhorar a
tratamento Bobath mobilidade das
extremidades
inferiores, a
mobilidade básica
e a capacidade de
equilíbrio para
indivíduos pós
AVE.

Costa et al, 2014 Comparar o método Revisão sistemática O treinamento de


Bobath com a esteira marcha utilizando
de suporte de peso a ESP mostrou
na reabilitação da melhores efeitos
marcha de indivíduos na reabilitação
pós-AVE da marcha, com
maior duração
dos benefícios
alcançados.

AVE = Acidente vascular encefálico; ESP = esteira de suporte de peso.

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Referências Bibliográficas

Alcântara, C.B., Costa, C. M. B., Lacerda, H. S. Uma Base Neurofisiológica Para


o Tratamento da Paralisia Cerebral. Cap. 20: Tratamento Neuroevolutivo –
Conceito Bobath. Editora: Manole. Ano: 2014. P. 315-348.

Costa V.S. et al. Efeitos da Aplicação do Método Bobath e do Treino em Esteira


com Suporte Parcial de Peso na Reabilitação da Marcha Pós-AVC: Uma
Revisão Sistemática. R bras ci Saúde 18(2):161-166, 2014.

Mikołajewska E. The value of the NDT-Bobath method in post-stroke gait


training. Adv Clin Exp Med. 2013 Mar-Apr;22(2):261-72.

Mikołajewska E. Associations between results of post-stroke NDT-Bobath


rehabilitation in gait parameters, ADL and hand functions. Adv Clin Exp
Med. 2013 Sep-Oct;22(5):731-8.

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