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Modulo 5

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Seja muito bem-vindo ao Módulo 5! Último módulo do nosso curso!


Será muito gostoso falar sobre princípios e diretrizes morais que direcionam nosso modo de agir, até porque,
especialmente na sua profissão, lado a lado com o cliente, a ética tem um valor inestimável!
Vamos lá?

O módulo está dividido em 6 seções:


1. Código de Defesa do Consumidor

2. SAC e Ouvidoria

3. Código de Conduta

4. Finanças Pessoais

5. Sigilo Bancário

6. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais

Sumário

SEÇÃO 1 - CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

1.1. Direitos Básicos do Consumidor

1.1.1. PROCON – Programa de Proteção e Defesa do Consumidor

1.1.2. Práticas Comerciais

1.1.3. Proteção Contratual

1.1.4. Vícios na Qualidade ou Disparidade de Oferta ou Mensagem

1.1.5. Prazos para Reclamação

1.1.6. Publicidade do Produto Ofertado

1.1.7. Sanções Administrativas e Infrações Penais

1.1.8. Cobrança de Dívidas

SEÇÃO 2 – SAC e OUVIDORIA

2.1. SAC

2.2. Ouvidoria

SEÇÃO 3 – AURORREGULAÇÃO ANEPS

3.1. Informações Gerais

3.2. Código de Conduta e Melhores Práticas de Agentes de Correspondentes (PF)

3.3. Código de Conduta e Melhores Práticas - Correspondentes (PJ)

3.4. Regimento de Governança

SEÇÃO 4- FINANÇAS PESSOAIS

4.1. Controle de Gastos

4.2. Endividamento
4.3. Uso consciente do crédito

SEÇÃO 5- SIGILO BANCÁRIO

5. Sigilo Bancário

SEÇÃO 6- LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS

6. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais

SEÇÃO 1 - CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

1.1. Direitos Básicos do Consumidor

Para aquecermos nos conceitos que trataremos nesta seção, iniciamos apresentando o Código Brasileiro de Defesa do
Consumidor, de acordo com a Wikipédia:
Quando tratamos dos Direitos Básicos do Consumidor, nos referimos sobretudo ao conjunto de normativas que
estabelecem os princípios que devem permear as relações entre consumidores e fornecedores de bens e serviços.
O Artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor traz, em sua redação, os direitos básicos do consumidor que, como
dissemos, tem o objetivo principal de preservar o consumidor em suas relações comerciais. São eles:

a) Proteção da Vida, Saúde e Segurança - estabelece que o consumidor deve ser informado ao adquirir um produto ou
serviço que coloque em risco a sua saúde;

b) Educação e Divulgação sobre o consumo adequado de produtos e serviços - garante que qualquer pessoa deva ser
informada sobre o consumo adequado de qualquer produto e serviço;

c) Informação adequada e clara sobre os distintos produtos e serviços - estabelece que todo o consumidor deve ter
clareza sobre a quantidade do produto e ou serviço, tipo, composição, qualidade e preço;

d) Proteção contra publicidade enganosa e ou abusiva - estabelece a proteção contra práticas comerciais coercitivas,
desleais e / ou abusivas, garantindo o direito de exigir que receba tudo o que foi anunciado sobre o produto e serviço;

e) Modificação de cláusulas contratuais - estabelece que as cláusulas contratuais devem ser cumpridas e não podem ser
onerosas em revisões em razão de fatos supervenientes;

f) Prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos - estabelece que se de alguma
forma o consumidor for prejudicado, pela parte que lhe prestou ou vendeu serviço ou produto, ele poderá ser indenizado;

g) Acesso aos órgãos jurídicos e/ou administrativos para a prevenção e reparação de danos - estabelece ao consumidor
o direito de acesso à Justiça para a reparação de eventuais danos que vier a sofrer em consequência das relações
comerciais;

h) Facilitação na defesa de seus direitos - estabelece de fato a facilitação na defesa de seus direitos, podendo inclusive
haver a inversão do ônus da prova;

i) Eficaz prestação de serviços públicos - assegura a adequada prestação dos serviços públicos;

j) Garantia de práticas de crédito responsável, educação financeira e prevenção e tratamento de situações de


superendividamento - cláusula incluída a partir da Lei 14181 -
estabelece a proteção, reparação, revisão ou repactuação nos casos de superendividamento;

k) Preservação do mínimo existencial, também oriunda a partir da Lei do Superendividamento - assegura a cada pessoa
uma vida digna, como saúde, alimentação e educação, na repactuação de dívidas e/ou concessão de créditos;

l) Informação acerca dos preços dos produtos - estabelece que os preços devem ser informados de forma precisa, por
unidade de medida e/ou outra unidade conforme especificação de produto e/ou serviço.

1.1.1. PROCON – Programa de Proteção e Defesa do Consumidor


Quando tratamos de direitos do consumidor, precisamos destacar o papel do PROCON, que se caracteriza como o órgão
pioneiro na proteção e defesa do consumidor.

A Fundação PROCON funciona como um órgão auxiliar do Judiciário, criada para solucionar os conflitos entre o consumidor
e a empresa que vende um produto ou presta um serviço, e na fiscalização do mercado de consumo, de modo a evitar e
punir práticas abusivas pelos fornecedores de bens e/ou serviços.

Dentre a sua atuação, podemos destacar as atividades desenvolvidas:

➢ Educação para o consumo;

➢ Recebimento e processamento de reclamações administrativas, individuais e coletivas, contra fornecedores de bens ou


serviços;

➢ Orientação aos consumidores e fornecedores acerca de seus direitos e obrigações nas relações de consumo;

➢ Fiscalização do mercado consumidor para fazer cumprir as determinações da legislação de defesa do consumidor;

➢ Acompanhamento e propositura de ações judiciais coletivas;

➢ Estudos e acompanhamento de legislação nacional e internacional, bem como de decisões judiciais referentes aos
direitos do consumidor;

➢ Pesquisas qualitativas e quantitativas na área de defesa do consumidor;

➢ Suporte técnico para a implantação de Procons Municipais Conveniados;

➢ Intercâmbio técnico com entidades oficiais, organizações privadas, e outros órgãos envolvidos com a defesa do
consumidor, inclusive internacionais;

➢ Disponibilização de uma Ouvidoria para o recebimento, encaminhamento de críticas, sugestões ou elogios feitos pelos
cidadãos quanto aos serviços prestados pela Fundação Procon, com o objetivo de melhoria contínua desses serviços.

1.1.2. Práticas Comerciais

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor ou CDC, podemos definir como práticas comerciais todo o ato que
objetiva entregar um produto ou serviço a um consumidor.

Vale ressaltar, que consumidor é toda a pessoa, física ou jurídica, que adquire um bem de consumo, sob forma de produtos
ou serviços, ou seja, todo o indivíduo exposto a práticas comerciais.

O CDC estabelece formas e regramentos para a realização das ofertas e propostas comerciais, evidenciando que todas as
informações ou publicidade, devem ser claras, precisas, em Língua Portuguesa, com todas as especificações e descrições
necessárias, com prazos, garantias, condições de reembolsos, entre outros, para que seja possível ao consumidor saber
exatamente e com todos os detalhes o produto que está recebendo e/ ou contratando.

Dentro de uma prática comercial, no caso de haver por parte do fornecedor, qualquer forma de não cumprimento do que foi
contratado ou anunciado ou recusa na oferta ora estabelecida, o consumidor tem o direito de exigir o cumprimento forçado
da obrigação, ou a troca do produto ou serviço, ou até mesmo a rescisão com todo o reembolso garantido, e indenizações
previstas por perdas e danos.
.

1.1.3. Proteção Contratual


Para o melhor entendimento deste item, vale comentarmos a definição de contrato de consumo, que se trata da relação
jurídica estabelecida de forma escrita ou verbal, entre consumidor e fornecedor, tendo por objeto um bem de consumo.

Assim, o CDC traz em sua redação que os contratos entre fornecedores e consumidores devem ser claros, ostensivos e
proporcionando a compreensão necessária de todo o seu conteúdo ao consumidor, garantindo que os seus direitos não
sejam lesados e estabelecendo o equilíbrio das relações entre as partes de forma leal e transparente, coibindo atos
abusivos, de má fé ou que caracterizem desvantagem aos consumidores.

Nos casos de desequilíbrio entre esta relação, o CDC prevê a mudança ou até supressão de cláusulas caracterizadas como
desproporcionais. Também fica estabelecido que quando uma contratação ocorrer fora de estabelecimento comercial, o
consumidor terá um prazo de até 7 dias para desistir do contrato.

Considerando os princípios de legalidade, transparência e boa-fé, se forem observadas qualquer indício de existência de
cláusulas consideradas abusivas, ou seja, que demonstrem vantagens de forma exagerada aos fornecedores, elas podem
adquirir nulidade.

Citamos aqui, para melhor entendimento, alguns exemplos, de acordo com os artigos 51 a 53:
Tratando-se de proteção contratual, o Código de Defesa ao Consumidor também faz ênfase aos Contratos de Adesão, que
são aqueles com redação já pronta e realizada de forma unilateral pelo fornecedor, no qual há espaços apenas para a
inserção de dados pessoais do consumidor, impossibilitando desta forma a discussão ou modificação de conteúdos entre as
partes.

Desta forma, considerando a limitação de direitos, tais cláusulas devem ser descritas em destaque garantindo a
compreensão integral dos termos estabelecidos.

1.1.4. Vícios na Qualidade ou Disparidade de Oferta ou Mensagem

O Código de Defesa do Consumidor, traz em sua redação uma Seção, que trata exclusivamente da responsabilidade do fornecedor
por vício do produto e do serviço.

Neste contexto, podemos conceituar como vícios, as características de qualidade ou quantidade que tornem os produtos
inadequados ao fim a que se destina, podendo ter seu valor diminuído, ou decorrentes da disparidade com as indicações
constantes da oferta ou mensagem publicitária realizada por distintos fornecedores e prestadores de serviços.

Os produtos com diferença das indicações do recipiente, embalagem, rotulagem ou publicidade são considerados com
vícios, por exemplo: produtos deteriorados, produtos com data de validade vencida, produtos falsificados e produtos nocivos
à saúde.

O CDC prevê também, no rol da responsabilidade do fornecedor, os serviços prestados. Neste caso, o termo vício se refere
à funcionalidade, adequação e qualidade do serviço prestado, e não apenas à negligência do prestador de serviços.

Os vícios podem ser definidos como aparente ou oculto. Vícios aparentes são aqueles percebidos a partir do momento da
entrega de um produto e/ou serviço, e o vício oculto é percebido no decorrer do tempo, de acordo com a utilização.

A responsabilidade pelos vícios é atribuída unicamente aos fornecedores dos produtos e serviços, e em qualquer situação
de vícios ora mencionados, os consumidores tem seus direitos garantidos pela lei, e a partir da manifestação do consumidor
o fornecedor tem o prazo de 30 dias para a resolução da situação, ou deverá: reexecutar os serviços sem custo adicional;
restituir imediatamente a quantia paga pelo produto e serviço com as correções monetárias, sem prejuízo de eventuais
perdas e danos ou então o abatimento proporcional do preço.

.
1.1.5. Prazos para Reclamação

Até agora explanamos diversos pontos importantes para o melhor entendimento do Código de Defesa do Consumidor,
assim com os direitos e deveres das relações comerciais no que tange fornecedores e consumidores, e para aperfeiçoar
este entendimento, discorreremos aqui sobre os prazos para a realização das reclamações por parte dos consumidores.

1.1.6. Publicidade do Produto Ofertado

A publicidade é uma forma utilizada por fornecedores para divulgação de produtos e serviços e consequente influência para
o consumo.
Ela deve ser clara, transparente, expondo verdadeiramente e com todas as características preservadas o produto/serviço
divulgado.

No caso de existência ou percepção de realização de publicidade enganosa e/ou abusiva, o Código de Defesa do
Consumidor traz responsabilização e sanções ao fornecedor e as definem como qualquer divulgação que possa fomentar
uma ideia desleal ou discriminatória sobre o produto e ou serviço, induzindo ao erro do consumidor ou deixando em formato
duvidoso qualquer característica do que está sendo adquirido, ou ainda incite violência ou induza a comportamento
prejudicial ou perigoso à vida ou à saúde do consumidor.

Vale ressaltar, que conforme estabelecido no art. 38 do CDC o ônus da prova sobre a característica enganosa ou abusiva,
cabe ao fornecedor.

Assim, podemos concluir, conforme enfatizados nos artigos do Código de Defesa do Consumidor, que nenhuma forma de
abuso será permitida ou tolerada no que tange às práticas comerciais.

1.1.7. Sanções Administrativas e Infrações Penais

As sanções administrativas previstas no art. 56 do CDC podem ser representadas pela aplicação de multas, apreensão e
inutilização do produto, cassação do registro do produto, proibição de fabricação, suspensão de fornecimento de produtos
ou serviços, interdição total ou parcial do estabelecimento, suspensão temporária da atividade, intervenção administrativa e
imposição de contrapropaganda.

É importante ressaltar que o fornecedor além de ser responsabilizado administrativamente, poderá ainda responder
civilmente e penalmente por seus atos.

Quando falamos de infrações penais, o Código discorre sobre itens considerados como crimes, no que se refere às
relações de consumo, atribuindo a eles penalidades específicas de acordo com a gravidade do ato:

➢ Omissão de dizeres sobre a nocividade ou periculosidade de produtos, e ausência de comunicação aos consumidores
e/ou autoridades;

➢ Realização de serviço de alto grau de periculosidade, contrariando determinação de autoridade competente;

➢ Fazer afirmação falsa ou enganosa, no que se refere às características, qualidade, quantidade, segurança, desempenho,
durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços;

➢ Promover publicidade de forma enganosa ou abusiva;

➢ Induzir por meio de publicização de produtos e serviços o consumidor a se comportar de forma prejudicial a sua saúde ou
segurança;

➢ Agir com má fé na reparação de produtos, peça ou componentes de reposição usados, sem autorização do consumidor;

➢ Nos casos de cobrança de dívidas, ameaçar, constranger, coagir ou expor de alguma, o consumidor, interferindo com seu
trabalho, descanso ou lazer;

➢ Impedir ou dificultar o acesso do consumidor às informações de seus dados e cadastros, assim como realizar as
correções solicitadas de forma imediata;

➢ Não entregar ao consumidor o termo de garantia adequadamente preenchido e com especificação clara de seu conteúdo.

1.1.8. Cobrança de Dívidas

Acabamos de discorrer sobre as infrações penais previstas no CDC, incluindo uma em específico que se refere a cobranças
de dívidas.

O Código de Defesa do Consumidor regulamenta por meio de artigo 42 que na realização de cobrança de débitos, o
consumidor inadimplente não poderá ser exposto a ridículo, nem submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.

Garante também ao consumidor cobrado de forma indevida, a devolução do dobro do valor, do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais.

Vale mencionar que conforme previsto na lei, os documentos de cobrança de débitos apresentados ao consumidor, deverão
constar o nome, o endereço e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional de
Pessoa Jurídica – CNPJ do fornecedor do produto ou serviço correspondente.
Uma das formas de bloquear o recebimento de ligações de telemarketing é a plataforma “NÃO PERTURBE”, criada pela
ANATEL em 2019, que preconiza que o bloqueio acontece em até 30 dias da solicitação e inclui: ofertas de serviços de
telecomunicações das operadoras de telefonia e operações de consignado – empréstimo consignado e cartão de crédito –
de instituições financeiras.

Destaca-se, contudo, lembrar que o bloqueio não se aplica a ligações que forem realizadas ao consumidor para:
confirmação de dados, prevenção a fraudes, realização de cobranças e retenção de solicitações de portabilidade, com ou
sem oferta de refinanciamento e oferta de outros produtos bancários e outras modalidades de crédito.

SEÇÃO 2 – SAC e OUVIDORIA

O SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e Ouvidoria são canais de comunicação existentes como facilitadores na
relação consumidor e fornecedor.

2.1. SAC

O SAC é regulamentado pelo Decreto 6523/2008 e caracteriza-se como o primeiro canal de contato entre o consumidor e o
fornecedor.

Pode ser utilizado para registro de reclamações, tirar dúvidas, obter informações ou solicitar suspensão ou cancelamentos
de contrato.

Alguns setores que prestam serviços públicos possuem a obrigatoriedade legal de disponibilizarem estes serviços aos
consumidores, são eles: energia elétrica, telefonia, internet, televisão por assinatura, planos de saúde, aviação civil, ônibus
interestaduais, seguradoras, bancos, financeiras, operadoras de cartões de crédito, consórcios, entre outros.
O acesso ao SAC deve ser gratuito e disponível ininterruptamente, ou seja, vinte e quatro horas por dia durante todos os
dias da semana.

Também se faz obrigatória a disponibilização de um protocolo pela empresa no início do contato, para que o consumidor
possa acompanhar de forma facilitada a sua reivindicação, assim como todas as ligações deverão ser gravadas e mantidas
no formato original pelo prazo mínimo de noventa dias.

Elencamos aqui os principais direitos do consumidor salvaguardados pelo SAC:


2.2. Ouvidoria

A Ouvidoria também possui atuação relacionada à proteção dos direitos dos consumidores, sobretudo quando estes
entenderem que suas demandas não foram resolvidas em outros canais de comunicação, ou quando não se sentirem
satisfeitos com a resolução dada, além de atender as demandas encaminhadas pelo Banco Central do Brasil, por órgãos
públicos ou por outras entidades públicas ou privadas

Para iniciarmos, vale considerar que a primeira regra sobre Ouvidoria foi a Resolução
3.477 de 26 de julho de 2007, editada pela Resolução 3.849 de 25 de março de 2010 e com nova edição pelo CMN por
meio da Resolução 4.433, de 23 de julho de 2015.

Os principais objetivos das alterações foram: aperfeiçoar o conceito normativo de ouvidoria, dar mais transparência à sua
atuação, estabelecer mecanismos que propiciem maior racionalidade e condições mais adequadas para o cumprimento de
suas atribuições.

As ouvidorias dos bancos foram instituídas por determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central
do Brasil, para receber e tratar as reclamações de clientes e usuários que não forem solucionadas pelo atendimento
habitual realizado pelas agências ou por quaisquer outros pontos ou canais de atendimento.

Elas possuem a finalidade principal de tratar questões de clientes e usuários que não se sentirem satisfeitos com o
resultado do tratamento de suas reclamações e desejarem revisão da questão.
A Ouvidoria possui autonomia e competência para mediação de conflitos, proposição da direção da instituição a adoção de
medidas corretivas em decorrência da análise das demandas recebidas, provocando assim melhorias nos produtos e
serviços oferecidos.

Tratando-se de instituições financeiras, todas as ouvidorias são fiscalizadas pelo BACEN (Banco Central).

O prazo de resposta para as ouvidorias a partir da data de registro é de dez dias úteis, podendo ser prorrogado,
excepcionalmente e de forma justificada, uma única vez, por igual período, limitado o número de prorrogações a 10% (dez
por cento) do total de demandas no mês. Devendo o demandante ser informado sobre os motivos da prorrogação, sendo
obrigatória a gravação do atendimento quando realizado por meio telefônico e a divulgação de informações sobre o acesso
à ouvidoria na página inicial do sítio eletrônico da instituição na internet.
O BACEN também tem um canal aberto para reclamações contra instituições fiscalizadas pelo Banco Central, contudo o
fluxo correto, como dissemos, é tentar a resolução no banco (agência, SAC, Ouvidoria) e, somente nos casos em que não
obtiver a solução, é possível registrar a reclamação diretamente no Banco Central.

O Banco Central não interfere na solução do seu caso individual, mas sua reclamação ajuda na fiscalização do sistema
financeiro.

Veja como acontece:

E ainda em paralelo o Banco Central realiza várias iniciativas com base nas reclamações, por exemplo:

➢ Ações de Fiscalização

➢ Melhoria na Legislação

➢ Ranking de Instituições por índice de reclamações

➢ Ações de Educação Financeira

ASSIMILANDO O CONHECIMENTO:
Quais são as atribuições das Ouvidorias?

Atender, registrar, instruir, analisar e dar tratamento formal e adequado às demandas dos clientes e usuários de produtos e
serviços, prestar esclarecimentos aos demandantes acerca do andamento das demandas, informando o prazo previsto para
resposta e encaminhar resposta conclusiva para a demanda no prazo previsto.

Além disso, deve: manter o conselho de administração ou, na sua ausência, a diretoria da instituição, informado sobre os
problemas e deficiências detectados no cumprimento de suas atribuições e sobre o resultado das medidas adotadas pelos
administradores da instituição para solucioná-los, elaborar e encaminhar à auditoria interna, ao comitê de auditoria, quando
existente, e ao conselho de administração ou, na sua ausência, à diretoria da instituição, ao final de cada semestre, relatório
quantitativo e qualitativo acerca das atividades desenvolvidas pela ouvidoria no cumprimento de suas atribuições.
SEÇÃO 3 – AURORREGULAÇÃO ANEPS

3.1. Informações Gerais

Criada em 2022, a Autorregulação ANEPS se destina a pessoa jurídica e profissionais de qualquer denominação,
pessoa física, que atuem na intermediação de operações de crédito e produtos financeiros.

A Autorregulação está disposta no Código de Conduta e Melhores Práticas e Regimento de Governança, os quais
concentram os princípios e regramentos que estabelecem as bases éticas e de conduta do correspondente no exercício de
sua atividade, disciplinando sua forma de relacionamento com clientes (consumidores), empregadores, parceiros,
instituições financeiras e sociedade como um todo.
Há um Código de Conduta e Melhores Práticas específico para pessoas jurídicas e outro para pessoas físicas, ambos
disponíveis por meio do portal da ANEPS, aplicável a todos os Correspondentes do país, por meio do qual estão
disciplinados os fundamentos de: Transparência, Equidade, Qualidade, Sustentabilidade Corporativa e Prestação de
Contas.

O Regimento de Governança especifica o funcionamento e a governança da autorregulação ANEPS que é composto por 3
(Três) órgãos: Comitê de Governança, Comitê Gestor e Comitê de Ética.

A Adesão à Autorregulação ANEPS para novos associados se dará no momento da associação, e para os novos
profissionais que se certificarem pela ANEPS mediante leitura e aceite do respectivo código e regimento de governança.
Os termos da denúncia devem estar descritos com clareza a exposição dos fatos, sob pena de não ser reconhecida como
denúncia ou haver impedimento de apuração.
As sanções disciplinares que poderão ser interpostas aos Correspondentes cuja denúncia tenha sido proferida como
procedente pelo Comitê de Ética, de acordo com os critérios do Regimento de Governança da Autorregulação, consiste
em:
3.2. Código de Conduta e Melhores Práticas de Agentes de Correspondentes (PF)

O Profissional signatário se compromete com os Correspondentes com os quais estiver vinculado a:

I. Seguir as diretrizes operacionais estabelecidas;

II. Contribuir, contundentemente, para resultados cada vez mais eficazes dos aspectos relacionados aos planos de
qualidades dos contratantes dos correspondentes com os quais trabalha;

III. Contribuir, contundentemente, para resultados cada vez mais eficazes dos aspectos relacionados ao Sistema de
Controles Internos dos correspondentes com os quais trabalha;

IV. Estar sempre atento às restrições impostas pela legislação que rege atividade de Correspondente com o qual possui
vínculo em relação a situações de conflito de interesses;

V. Declarar para o Correspondente com o qual possui vínculo quaisquer relacionamentos que possam influenciar em suas
decisões e na qualidade do serviço prestado como agente de correspondente;

VI. Jamais manifestar opinião que possa denegrir ou prejudicar a imagem do correspondente, ou de qualquer instituição
financeira.

VII. Manter sigilo em relação a informações confidenciais a que tenha acesso em razão de sua atividade profissional,
excetuadas as hipóteses em que a sua divulgação seja legalmente exigida;

VIII. Recusar participação em atividades independentes que concorram direta ou indiretamente com o correspondente com
o qual possui vínculo, a não ser que obtenha autorização expressa para tanto, evitando ao máximo interesses conflitantes
ou competitivos.

IX. Recusar e informar ao seu contratante sobre quaisquer oferta ou tentativa de aliciamento com outros correspondentes
com o objetivo de desvio de proposta ou informações de clientes.
No que se refere a prevenção a fraude, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, o profissional signatário da
autorregulação tem o compromisso de:

I. Não se vincular com correspondentes de reputação inidônea, que possam estar envolvidos em atividades ilícitas e cujos
recursos sejam de origem ilegítima;

II. Seguir a aplicação das políticas e procedimentos de seu contratante, na intermediação de operações de crédito e
produtos financeiros;

III. Manter seu cadastro atualizado;

IV. Assegurar sua qualificação profissional mantendo suas certificações vigentes na forma da regulamentação;

V. Alertar os clientes, nas operações, sobre como evitar fraudes além de reforçar a necessidade de informar os órgãos
reguladores em casos de conhecimento, dúvida ou suspeita de fraude;

VI. Não realizar eventuais cobranças de taxas, depósitos ou remunerações de qualquer natureza do cliente, ilegais ou
indevidas;
VII. Cumprir as orientações do contratante sobre as medidas técnicas e administrativas para evitar vazamento de dados
pessoais dos clientes;

VIII. Realizar treinamento para evitar o crime PLDFT;

IX. Realizar o reporte de transações suspeitas para os órgãos competentes de acordo com os procedimentos vigentes;

X. Negar participação em qualquer negócio ilícito ou que envolva fraude, simulação, manipulação ou distorção de preços,
declarações falsas ou lesão aos direitos dos clientes;

XI. O Profissional se compromete a conduta de repúdio a qualquer prática correlacionada ou que suscita o financiamento ao
terrorismo.

Com relação às atividades realizadas pelo profissional signatário devem ser observadas, entre outros aspectos:

I. A transparência;

II. Os mais elevados padrões éticos e de credibilidade do Sistema Financeiro Nacional;

III. Propiciar condições para a expansão sustentável do mercado de crédito brasileiro e demais produtos e serviços
financeiros;

IV. Estimular as boas práticas de mercado;

V. Empenhar-se para o aprimoramento contínuo da competência e do prestígio da atividade de agente, conhecendo e


observando todas as resoluções, normas, leis e regulamentos aplicáveis ao exercício de suas atividades, buscando a
minimização dos riscos;

VI. Não fornecer dados imprecisos a respeito dos serviços que é capaz de prestar, bem como com relação às suas
qualificações, aos seus títulos acadêmicos e à experiência profissional;

VII. Utilizar-se de especial diligência na identificação e respeito aos deveres envolvidos em sua atividade, priorizando os
interesses dos clientes em relação aos seus próprios;

VIII. Manter-se constantemente atualizado em relação a notícias e normas relacionadas com a sua atividade no mercado
financeiro;

IX. Jamais manifestar opinião infundada que possa denegrir ou prejudicar a imagem da instituição financeira ou
correspondente com o qual possui vínculo;

X. Divulgar dados de sua Certificação de maneira a demonstrar sua importância e seriedade;

XI. Evitar fornecer informações ou fazer pronunciamentos a respeito de negócios sob a responsabilidade de outros
profissionais certificados, a menos que esteja obrigado a fazê-lo no cumprimento de suas responsabilidades profissionais;

XII. Suspender temporariamente seu certificado em caso de férias, licenças ou afastamentos, a fim de prevenir o uso
indevido de sua certificação por terceiros.
3.3. Código de Conduta e Melhores Práticas - Correspondentes (PJ)

O Código de Conduta e Melhores Práticas para Correspondentes (PJ) da Autorregulação ANEPS destaca um capítulo
específico sobre Controles Internos, definindo que o correspondente deve instituir, revisar ou manter um Sistema de
Controles Internos, considerando cinco pilares, de forma a assegurar o cumprimento das:
I. Responsabilidades Orgânicas inerentes ao seu negócio;

II. Responsabilidades Regulatórias;

III. Responsabilidades Procedimentais relacionadas aos seus contratantes;

IV. Responsabilidades em relação a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais;

V. Responsabilidades em relação Autorregulação do setor.

3.4. Regimento de Governança

São atribuições do Comitê de Governança:

I. Aprovar o Código de Conduta e Melhores Práticas da Autorregulação;

II. Revisitar anualmente o Código de Conduta e Melhores Práticas da Autorregulação, ou antes se pertinente;

III. Recepcionar propostas do Comitê Gestor de inclusões ou exclusões no Código e deliberar;

IV. Recepcionar propostas de Diretrizes Procedimentais do Comitê Gestor para apoiar o cumprimento do Código de
Autorregulação e deliberar;

V. Conduzir discussões com o Poder Público sobre a Autorregulação;

VI. Zelar pela aplicabilidade dos fundamentos do Código de Autorregulação;

VII. Constituir o Comitê de Ética;

VIII. Constituir o Comitê Gestor;

IX. Ter ciência de quaisquer sanções aplicadas pelo Comitê de Ética;

X. Deliberar sobre a indicação de sanção do Comitê de Ética quando se tratar de “Revogação do selo de Autorregulação de
Correspondente do Sistema de Autorregulação de Correspondente no País”;

XI. Resolver quaisquer aspectos não contemplados no Código de Conduta e Melhores Práticas da Autorregulação.

São atribuições do Comitê Gestor:

I. Acompanhar a regulamentação do segmento e propor ao Comitê de Governança a inclusão de aspectos no Código de


Conduta e Melhores Práticas da Autorregulação;
II. Acompanhar as melhores práticas do mercado e propor ao Comitê de Governança a inclusão de aspectos no Código de
Conduta e Melhores Práticas da Autorregulação;

III. Acompanhar as deliberações da Autorregulação da Febraban/ABBC e propor ao Comitê de Governança a inclusão de


aspectos no Código de Conduta e Melhores Práticas da Autorregulação;

IV. Definir os mecanismos de monitoramento do cumprimento das disposições instauradas no Código de Conduta e
Melhores Práticas;

V. Acompanhar a eficiência dos mecanismos de monitoramento;

VI. Dar o suporte técnico e operacional ao Comitê de Governança e ao Comitê de Ética sempre que necessário.

VII. Esclarecer quaisquer dúvidas em relação ao Código de Autorregulação as partes interessadas.

São atribuições do Comitê de Ética:

I. Legitimar o Código de Conduta e Melhores Práticas da Autorregulação por meio recepção e análise de denúncias
consideradas pertinentes, encaminhadas pelo responsável do “Reclame ANEPS”.

II. Proferir julgamento de procedência ou não da denúncia;

III. Aplicar as sanções, conforme critérios descritos no presente Regimento;

IV. Dar ciência ao Comitê de Governança sobre quaisquer denúncias consideradas procedentes e respectivas sanções
adotadas.

SEÇÃO 4- FINANÇAS PESSOAIS


É possível que, nesse momento, você se questione por qual motivo deve aprender sobre finanças pessoais, mas acredite:
tudo que disser aos clientes, será, muitas vezes, o ponto de decisão dele, além de contribuir, também, com suas finanças
pessoais!

Ademais, há a possibilidade de o cliente não possuir recurso para o pagamento de dívidas (empréstimos e financiamentos)
o que pode, inclusive, afetar a própria instituição financeira.

De acordo com a Wikipédia, orçamento é a parte de um plano financeiro estratégico que compreende a previsão de receitas
e despesas futuras para a administração de determinado exercício. É uma ferramenta valiosa para o gerenciamento da vida
financeira.

A partir da realização de um Orçamento é possível realizar um planejamento, traçar e estabelecer metas, sejam elas
pessoais ou para setores e empresas.

O orçamento familiar é uma planificação dos rendimentos que uma família obtém, sejam salários, prêmios, abonos ou
subsídios, rendimentos de capital, entre outros, e do destino que lhes dá, como despesas, poupanças ou investimentos em
um determinado período.

Assim, podemos entender que o orçamento familiar pode ser definido como um plano financeiro que engloba as receitas e
despesas de uma família, e que contribui para uma visão real de controle e organização efetiva no âmbito familiar
potencializando o estabelecimento de metas, a saúde financeira e até mesmo a conquista de sonhos.

As famílias são capazes de melhorar sua saúde financeira, criando hábitos mais saudáveis e fazendo o acompanhamento
do planejado versus o realizado, veja algumas dicas:
4.1. Controle de Gastos

A organização financeira, inclui a real compreensão e visualização de todas as despesas e receitas da família. Um controle
de gastos efetivo requer rotina e disciplina.

Atualmente existem muitos aplicativos e planilhas de excel que podem ser usados como ferramentas com esta finalidade.

É essencial o acompanhamento dos gastos, e um bom método é associá-lo a uma categoria, por exemplo: saúde,
alimentação, educação, lazer, moradia, transporte, entre outros, de modo a analisar o consumo real.

O controle de gastos permite realizar a gestão de recursos de forma organizada e responsável garantindo que as receitas
cubram as despesas, evitando assim o endividamento.

O planejamento orçamentário não adiantará se não houver sistematicamente o controle dos gastos, até porque é possível
que haja um gasto inesperado e, se não houver reserva financeira, é possível que tenha que recorrer a algum tipo de
empréstimo.

Ou, porque não pensar o contrário, o controle de gastos foi tão assertivo que o cliente pode começar a pensar em algum
tipo de financiamento para realizar seus sonhos!
Preste atenção em algumas dicas:

4.2. Endividamento

Podemos definir como endividamento a relação entre o valor das dívidas da família com o Sistema Financeiro Nacional e a
renda das famílias acumuladas nos últimos doze meses.

Neste mesmo sentido, temos o conceito de endividamento de risco, também praticado pelo BACEN, que é quando um
indivíduo possui um volume de dívida acima de sua capacidade de pagamento de forma persistente e com baixa qualidade
do crédito.

Além do já citado, a análise e entendimento de distintos indicadores, retratam que o endividamento é um fenômeno cujas
dimensões podem alcançar o tomador de crédito.

Nestes casos se fazem necessários um tratamento imediato e sobretudo preventivo, incluindo-se aqui a educação
financeira, uma explanação correta sobre os riscos potenciais de uma decisão mal informada e uma tomada de crédito que
se realizada de forma impulsiva pode causar uma piora no cenário, além da disseminação real sobre a importância do
entendimento dos conceitos de orçamentos e a comparação entre os produtos e serviços financeiros antecedendo a sua
contratação, de forma a evitar a contratação inapropriada de crédito na intenção de realizar a renegociação de dívidas.
Vale aqui enfatizar, que além de todas as consequências mencionadas, a dificuldade e até impossibilidade de
gerenciamento de seus recursos financeiros implicam diretamente na qualidade de vida e saúde mental dos indivíduos.

Pois é, sua atividade é tão especial que chega a esse nível!


A Lei do Superendividamento incluiu ou alteração a redação do Código de Defesa do Consumidor, entre outros:

Princípios:

✔ fomento de ações direcionadas à educação financeira e ambiental dos consumidores;

✔ prevenção e tratamento do superendividamento como forma de evitar a exclusão social do consumidor.

Dos Direitos Básicos do Consumidor:

✔ a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade,
características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;

✔ a preservação do mínimo existencial, nos termos da regulamentação, na repactuação de dívidas e na concessão de


crédito.

Das Cláusulas Abusivas, aquelas que:

✔ estabeleçam prazos de carência em caso de impontualidade das prestações mensais ou impeçam o restabelecimento
integral dos direitos do consumidor e de seus meios de pagamento a partir da purgação da mora ou do acordo com os
credores.

E, inclui, integralmente o Capítulo: DA PREVENÇÃO E DO TRATAMENTO DO SUPERENDIVIDAMENTO, abaixo transcrito:

Art. 54-A. Este Capítulo dispõe sobre a prevenção do superendividamento da pessoa natural, sobre o crédito responsável e
sobre a educação financeira do consumidor.

§ 1º Entende-se por superendividamento a impossibilidade manifesta de o consumidor pessoa natural, de boa-fé, pagar a
totalidade de suas dívidas de consumo, exigíveis e vincendas, sem comprometer seu mínimo existencial, nos termos da
regulamentação.

§ 2º As dívidas referidas no § 1º deste artigo englobam quaisquer compromissos financeiros assumidos decorrentes de
relação de consumo, inclusive operações de crédito, compras a prazo e serviços de prestação continuada.

§ 3º O disposto neste Capítulo não se aplica ao consumidor cujas dívidas tenham sido contraídas mediante fraude ou má-
fé, sejam oriundas de contratos celebrados dolosamente com o propósito de não realizar o pagamento ou decorram da
aquisição ou contratação de produtos e serviços de luxo de alto valor.
Art. 54-B. No fornecimento de crédito e na venda a prazo, além das informações obrigatórias previstas no art. 52 deste
Código e na legislação aplicável à matéria, o fornecedor ou o intermediário deverá informar o consumidor, prévia e
adequadamente, no momento da oferta, sobre:

I - o custo efetivo total e a descrição dos elementos que o compõem;

II - a taxa efetiva mensal de juros, bem como a taxa dos juros de mora e o total de encargos, de qualquer natureza,
previstos para o atraso no pagamento;

III - o montante das prestações e o prazo de validade da oferta, que deve ser, no mínimo, de 2 (dois) dias;

IV - o nome e o endereço, inclusive o eletrônico, do fornecedor;

V - o direito do consumidor à liquidação antecipada e não onerosa do débito, nos termos do § 2º do art. 52 deste Código e
da regulamentação em vigor.

§ 1º As informações referidas no art. 52 deste Código e no caput deste artigo devem constar de forma clara e resumida do
próprio contrato, da fatura ou de instrumento apartado, de fácil acesso ao consumidor.

§ 2º Para efeitos deste Código, o custo efetivo total da operação de crédito ao consumidor consistirá em taxa percentual
anual e compreenderá todos os valores cobrados do consumidor, sem prejuízo do cálculo padronizado pela autoridade
reguladora do sistema financeiro.

§ 3º Sem prejuízo do disposto no art. 37 deste Código, a oferta de crédito ao consumidor e a oferta de venda a prazo, ou a
fatura mensal, conforme o caso, devem indicar, no mínimo, o custo efetivo total, o agente financiador e a soma total a pagar,
com e sem financiamento.

Art. 54-C. É vedado, expressa ou implicitamente, na oferta de crédito ao consumidor, publicitária ou não:

II - indicar que a operação de crédito poderá ser concluída sem consulta a serviços de proteção ao crédito ou sem avaliação
da situação financeira do consumidor;

III - ocultar ou dificultar a compreensão sobre os ônus e os riscos da contratação do crédito ou da venda a prazo;

IV - assediar ou pressionar o consumidor para contratar o fornecimento de produto, serviço ou crédito, principalmente se se
tratar de consumidor idoso, analfabeto, doente ou em estado de vulnerabilidade agravada ou se a contratação envolver
prêmio;

V - condicionar o atendimento de pretensões do consumidor ou o início de tratativas à renúncia ou à desistência de


demandas judiciais, ao pagamento de honorários advocatícios ou a depósitos judiciais.

Art. 54-D. Na oferta de crédito, previamente à contratação, o fornecedor ou o intermediário deverá, entre outras condutas
I - informar e esclarecer adequadamente o consumidor, considerada sua idade, sobre a natureza e a modalidade do crédito
oferecido, sobre todos os custos incidentes, observado o disposto nos arts. 52 e 54-B deste Código, e sobre as
consequências genéricas e específicas do inadimplemento;

II - avaliar, de forma responsável, as condições de crédito do consumidor, mediante análise das informações disponíveis
em bancos de dados de proteção ao crédito, observado o disposto neste Código e na legislação sobre proteção de dados;
III - informar a identidade do agente financiador e entregar ao consumidor, ao garante e a outros coobrigados cópia do
contrato de crédito.

Parágrafo único. O descumprimento de qualquer dos deveres previstos no caput deste artigo e nos arts. 52 e 54-C deste
Código poderá acarretar judicialmente a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo ao principal e a dilação
do prazo de pagamento previsto no contrato original, conforme a gravidade da conduta do fornecedor e as possibilidades
financeiras do consumidor, sem prejuízo de outras sanções e de indenização por perdas e danos, patrimoniais e morais, ao
consumidor

Art. 54-F. São conexos, coligados ou interdependentes, entre outros, o contrato principal de fornecimento de produto ou
serviço e os contratos acessórios de crédito que lhe garantam o financiamento quando o fornecedor de crédito:

I - recorrer aos serviços do fornecedor de produto ou serviço para a preparação ou a conclusão do contrato de crédito;

II - oferecer o crédito no local da atividade empresarial do fornecedor de produto ou serviço financiado ou onde o contrato
principal for celebrado.

§ 1º O exercício do direito de arrependimento nas hipóteses previstas neste Código, no contrato principal ou no contrato de
crédito, implica a resolução de pleno direito do contrato que lhe seja conexo.

§ 2º Nos casos dos incisos I e II do caput deste artigo, se houver inexecução de qualquer das obrigações e deveres do
fornecedor de produto ou serviço, o consumidor poderá requerer a rescisão do contrato não cumprido contra o fornecedor
do crédito.

§ 3º O direito previsto no § 2º deste artigo caberá igualmente ao consumidor:


I - contra o portador de cheque pós-datado emitido para aquisição de produto ou serviço a prazo;
II - contra o administrador ou o emitente de cartão de crédito ou similar quando o cartão de crédito ou similar e o produto ou
serviço forem fornecidos pelo mesmo fornecedor ou por entidades pertencentes a um mesmo grupo econômico.

§ 4º A invalidade ou a ineficácia do contrato principal implicará, de pleno direito, a do contrato de crédito que lhe seja
conexo, nos termos do caput deste artigo, ressalvado ao fornecedor do crédito o direito de obter do fornecedor do produto
ou serviço a devolução dos valores entregues, inclusive relativamente a tributos.

Art. 54-G. Sem prejuízo do disposto no art. 39 deste Código e na legislação aplicável à matéria, é vedado ao fornecedor de
produto ou serviço que envolva crédito, entre outras condutas:

I - realizar ou proceder à cobrança ou ao débito em conta de qualquer quantia que houver sido contestada pelo consumidor
em compra realizada com cartão de crédito ou similar, enquanto não for adequadamente solucionada a controvérsia, desde
que o consumidor haja notificado a administradora do cartão com antecedência de pelo menos 10 (dez) dias contados da
data de vencimento da fatura, vedada a manutenção do valor na fatura seguinte e assegurado ao consumidor o direito de
deduzir do total da fatura o valor em disputa e efetuar o pagamento da parte não contestada, podendo o emissor lançar
como crédito em confiança o valor idêntico ao da transação contestada que tenha sido cobrada, enquanto não encerrada a
apuração da contestação;

II - recusar ou não entregar ao consumidor, ao garante e aos outros coobrigados cópia da minuta do contrato principal de
consumo ou do contrato de crédito, em papel ou outro suporte duradouro, disponível e acessível, e, após a conclusão, cópia
do contrato;

III - impedir ou dificultar, em caso de utilização fraudulenta do cartão de crédito ou similar, que o consumidor peça e
obtenha, quando aplicável, a anulação ou o imediato bloqueio do pagamento, ou ainda a restituição dos valores
indevidamente recebidos.

§ 1º Sem prejuízo do dever de informação e esclarecimento do consumidor e de entrega da minuta do contrato, no


empréstimo cuja liquidação seja feita mediante consignação em folha de pagamento, a formalização e a entrega da cópia
do contrato ou do instrumento de contratação ocorrerão após o fornecedor do crédito obter da fonte pagadora a indicação
sobre a existência de margem consignável.

§ 2º Nos contratos de adesão, o fornecedor deve prestar ao consumidor, previamente, as informações de que tratam o art.
52 e o caput do art. 54-B deste Código, além de outras porventura determinadas na legislação em vigor, e fica obrigado a
entregar ao consumidor cópia do contrato, após a sua conclusão.

4.3. Uso consciente do crédito

O crédito é o meio que permite muitas vezes a compra de produtos e serviços sob a forma de obtenção de importância em
dinheiro para pagamento futuro.

Muitas pessoas o veem como a forma imediata de resolução de questões e pendências financeiras ou a possibilidade de
alcançar e conquistar sonhos na esfera material.

Quando falamos em crédito consciente, temos o objetivo principal de enfatizar que a tomada de crédito deve ser feita de
forma planejada e cuidadosa, a partir da análise da real necessidade de consumo e organização de modo a garantir que o
objetivo principal seja alcançado, evitando um endividamento posterior excessivo.

Atualmente há uma grande gama de ofertas de crédito disponíveis no mercado e até uma facilidade em sua imediata
obtenção, porém a escolha deve ser muito bem avaliada, considerando todas as variáveis de prazos, encargos e juros que
deverão ser pagas após a tomada de valor, que podem até contribuir em uma piora de determinada situação financeira e no
não atingimento de um objetivo definido.

Especialistas em planejamento financeiro indicam que para evitar o descontrole financeiro, o tomador de crédito não deve
comprometer mais do que 10% do valor de sua renda com crédito.
SEÇÃO 5- SIGILO BANCÁRIO

5.1. Definição

O Sigilo Bancário foi estabelecido pela Lei Complementar nº 105 de 10 de janeiro de 2001, que dispõe sobre o sigilo das
operações de instituições financeiras e dá outras providências.

O sigilo bancário, conforme estabelecido, é um dever e uma obrigação de toda e qualquer instituição financeira de preservar
e guardar todas as informações e dados dos seus clientes, incluindo todas as informações sobre operações bancárias,
saldos e investimentos, além de todas as informações financeiras, patrimoniais e fiscais.

Para as pessoas físicas e jurídicas, o sigilo bancário é um direito.

Considerando as disposições legais, há o respaldo para algumas situações que não são consideradas violação do dever de
sigilo. Apresentamos a seguir:

✔ a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco;

✔ o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores
inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito;

✔ a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento


de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa;

✔ a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados;


✔ o fornecimento de dados financeiros e de pagamentos, relativos a operações de crédito e obrigações de pagamento
adimplidas ou em andamento de pessoas naturais ou
jurídicas, a gestores de bancos de dados, para formação de histórico de crédito, nos termos de lei específica.

5.2. Quebra de sigilo

Conforme visto, o sigilo bancário possui um aparato legal e a sua quebra só pode ocorrer mediante solicitação do Poder
Judiciário ou das Comissões Parlamentares de Inquérito, quando necessária para apuração de ocorrência de qualquer
ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial.

As instituições financeiras tem por obrigação a conservação do sigilo em suas operações ativas e passivas e em todos os
serviços prestados.

Existem alguns crimes, realizados de forma articulada, são descobertos apenas a partir da quebra do sigilo bancário.

Elencamos assim, os principais crimes passíveis de ocorrer a quebra de sigilo, nos termos da Lei:

✔ Terrorismo;

✔ Tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins;

✔ Contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado a sua produção;

✔ Extorsão mediante sequestro;

✔ Contra o sistema financeiro nacional;

✔ Contra a Administração Pública;

✔ Contra a ordem tributária e a previdência social;

✔ Lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores.

Desta forma, considerando as exceções respaldadas pela legislação em que podem ocorrer a quebra de sigilo bancário,
falaremos abaixo sobre as penalidades previstas.

5.2.1. Penalidades

Considerando que o sigilo bancário é uma garantia de privacidade assegurada pela Constituição Federal, e a obrigação das
instituições financeiras sobre o resguardo e manutenção do Sigilo Bancário dos clientes.

Em caso de descumprimento das obrigações neste sentido, os responsáveis serão penalizados, conforme previsão legal.

Assim, a quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de
um a quatro anos e multa, aplicando-se, no que couber o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, trazendo
a complementação: incorre nas mesmas penas quem omitir, retardar injustificadamente ou prestar falsamente as
informações.

Quando se trata de Servidor Público, se ele utilizar ou viabilizar a utilização de qualquer informação obtida em decorrência
da quebra de sigilo, ele responderá pessoal e diretamente pelos danos decorrentes, sem prejuízo da responsabilidade
objetiva da entidade pública, quando comprovado que o servidor agiu de acordo com orientação oficial.

SEÇÃO 6- LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS

6.1. Histórico

Conheça agora um pouco sobre o histórico da LGPD.


A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais foi criada para garantir a proteção e o controle dos dados pessoais, e foi
sancionada em agosto de 2018, com o período de vacância da Lei de 2 anos.
Assim, entrou oficialmente em vigor em 18/09/2020, contudo, com o PL 1179/20, convertido na Lei nº 14.010/20, as sanções
administrativas foram deferidas para aplicação a partir de agosto de 2021.

Vale ressaltar, contudo, que, cada vez mais em pauta, a Proteção de Dados Pessoais no Brasil não é uma novidade.

Na década de 90, com a Lei nº 8.078/90 (Proteção do Consumidor), que você, como correspondente bancário, deve
conhecer muito bem, o tema de Dados Pessoais já era mencionado.
Em 2010, ganhando cada vez mais importância, surgiram algumas leis sensíveis à Proteção de Dados Pessoais.

Nesse contexto, o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) não pode ser esquecido, visto que passou a regular o uso da
internet no Brasil e trouxe, dentre outros princípios,
o da “Proteção da Privacidade de Dados Pessoais” sendo, inclusive, inserida na LGPD e
reconhecidamente como complementar à LGPD.

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais é a legislação brasileira que regula as atividades de tratamento de dados
pessoais.

A lei estabelece regras sobre a coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais e tem o objetivo
proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa
natural. Além de promover um cenário de segurança jurídica, garantindo a proteção dos dados pessoais de todo cidadão
brasileiro

A Lei se aplica a qualquer operação de tratamento de dados por pessoa natural (física) ou pessoa jurídica de direito público
ou privado, independentemente do país de sua sede ou do país onde estejam localizados os dados, desde que:
A Lei não se aplica se o tratamento de dados pessoais for:

6.2. Fundamentos e Princípios da Lei


Desde o início de sua vigência da Lei, os fundamentos e princípios passaram a fazer parte de quaisquer tipos de tratamento
de dados pessoais realizados por pessoa natural ou pessoa jurídica, de direito público ou privado. Ou seja, são
fundamentos e princípios que norteiam também o exercício de sua profissão, como correspondente bancário, afinal é
inerente à sua função o tratamento de dados pessoais de seus clientes.

De acordo com a redação da Lei, a proteção de dados pessoais possui 7 (sete) fundamentos, e conhecê-los é essencial
para a correta aplicação da Lei.

Os fundamentos têm como premissa embasar toda e qualquer ação que envolva o tratamento de dados pessoais, sendo
eles:

1. O respeito à privacidade;

2. A autodeterminação informativa;

3. A liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião;

4. A inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem;

5. O desenvolvimento econômico e tecnológico e a inovação;

6. A livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor;

7. Os direitos humanos, o livre desenvolvimento da personalidade, a dignidade e o exercício da cidadania pelas pessoas
naturais.

A LGPD também traz em sua redação os 10 (dez) princípios fundamentais que, além da boa fé, regem o tratamento dos
dados pessoais e que devem fazer parte do dia a dia das suas operações em relação aos dados pessoais, são eles:

1. Finalidade: tratar os dados pessoais com base em finalidade clara, objetiva, específica, legítima e informada ao titular;

2. Adequação: compatibilizar com a finalidade de coleta, informada ao titular do dado, coletando apenas o necessário da
forma mais adequada;

3. Necessidade: coletar apenas o necessário para atingir a finalidade, com abrangência dos dados pertinentes,
proporcionais e não excessivos em relação às finalidades;

4. Livre Acesso: garantir ao titular de dados a facilidade para acessar seus dados, assim como a forma e duração do
tratamento, de forma fácil, livre e gratuita.

5. Qualidade dos dados: garantir que os dados estão claros, exatos e relevantes, com fácil possibilidade para atualização,
de acordo com a necessidade e cumprimento da finalidade;

6. Transparência: garantir aos titulares que seus dados estão claros, precisos e de fácil acesso. O titular tem que ter a
clareza do que será feito com o seu dado, assim como quem são os respectivos agentes de tratamento;

7. Segurança: garantir que o tratamento do dado seja realizado da forma mais segura possível, por meio da utilização de
medidas técnicas e administrativas aptas e eficazes que possibilitem a proteção em todas as situações adversas, acidentes
e de eventuais vazamentos;

8. Prevenção: garantir a existência de medidas que previnam a ocorrência de qualquer dano decorrente do tratamento do
dado;

9. Não Discriminação: garantir que o dado não será tratado para fins discriminatórios, ilícitos ou abusivos;

10. Responsabilização e Prestação de Contas: Possibilidade de demonstrar a qualquer tempo, a adoção de medidas
eficazes e eficientes que garantam o cumprimento de todas as normas de proteção de dados pessoais.

6.3. Conceitos

Alguns termos você também precisa conhecer para entender, exatamente, por qual motivo seu trabalho pode impactar a
LGPD.

Agentes de tratamento: o controlador e o operador.

Controlador: uma pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, responsável pelas decisões referentes ao
tratamento de dados.

Operador: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza o tratamento de dados pessoais em nome do
controlador.
Encarregado de Tratamento de Dados (DPO): Pessoa física ou jurídica que atua como canal de comunicação entre o
controlador e os titulares dos dados e a autoridade nacional.

Tratamento de dados: toda operação realizada com dados pessoais, como as que se referem a coleta, produção, recepção,
classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento,
eliminação, avaliação ou controle da informação, modificação, comunicação, transferência, difusão ou extração.

Dados Pessoais: Toda informação relacionada a uma pessoa identificada ou identificável.

Dados Pessoais Sensíveis: Dados relacionados a características da personalidade do indivíduo e suas escolhas pessoais,
quando vinculado a uma pessoa natural: Origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política; filiação a sindicato ou
a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual; dado genético ou
biométrico.

Banco de dados: conjunto estruturado de dados pessoais, estabelecido em um ou em vários locais, em suporte eletrônico
ou físico.

Consentimento: manifestação livre, informada e inequívoca pela qual o titular concorda com o tratamento de seus dados
pessoais para uma finalidade determinada.

Eliminação: exclusão de dado ou de conjunto de dados armazenados em banco de dados, independentemente do


procedimento empregado.

Relatório de impacto à proteção de dados pessoais: documentação do controlador que contém a descrição dos processos
de tratamento de dados pessoais que podem gerar riscos às liberdades civis e aos direitos fundamentais, bem como
medidas, salvaguardas e mecanismos de mitigação de risco.

Transferência internacional de dados: transferência de dados pessoais para país estrangeiro ou organismo internacional do
qual o país seja membro.

Uso compartilhado de dados: comunicação, difusão, transferência internacional, interconexão de dados pessoais ou
tratamento compartilhado de bancos de dados pessoais por órgãos e entidades públicos no cumprimento de suas
competências legais, ou entre esses e entes privados, reciprocamente, com autorização específica, para uma ou mais
modalidades de tratamento permitidas por esses entes públicos, ou entre entes privados.

ANPD: Autoridade Nacional de Proteção de Dados - órgão com atribuições de fiscalizar e divulgar como as informações
pessoais e dados pessoais que circulam e são utilizados pelas empresas devem ser tratados.

6.4. Legitimidade do Tratamento dos Dados

Se agora você está preocupado se pode ou não pode fazer o que comumente faz em seus negócios como correspondente
bancário, calma!
Como você viu, não há proibição de tratamento de dados pessoais, o que há são fundamentos, princípios e regras que a Lei
denomina de hipóteses, em que os dados podem ser tratados.
Respeitando essas hipóteses que legitimam o tratamento de dados, você está no caminho certo!

Conforme conceituado, dado pessoal é toda informação relacionada a uma pessoa natural que a identifique ou possa
identificá-la, ou seja, trata-se de toda e qualquer informação que identifique, direta ou indiretamente uma pessoa, tais como:
nome, CPF, RG, carteira de habilitação, gênero, data e local de nascimento, telefone, endereço residencial, retrato em
fotografia, conta bancária, renda, histórico de pagamentos, endereço de IP (Protocolo da Internet), entre outros.

Assim, a LGPD, que regulamenta o tratamento destes dados pessoais, traz em sua redação as hipóteses em que eles
podem ser tratados, e é o que veremos aqui.

Mas, antes disso, vamos relembrar o que é "tratamento de dados pessoais"!


Em todo o caminho que o dado percorre, desde sua coleta até sua eliminação, há algum tipo de tratamento de dados,
como: coleta, armazenamento, transferência, compartilhamento, exclusão, enfim, tudo o que se pode fazer com um dado.

Agora que relembramos o que são dados pessoais e o que é tratamento de dados pessoais, vamos falar das hipóteses que
legitimam este tratamento.

As hipóteses nada mais são do que as bases legais que autorizam o tratamento dos dados. Assim, para realizar qualquer
atividade de tratamento de dados pessoais é fundamental observar qual a base legal que permite tratá-lo.

A redação da Lei apresenta as hipóteses, conforme verão abaixo, e vamos explicá-las para seu melhor entendimento:

1. Mediante o fornecimento de consentimento pelo titular:


O consentimento é uma espécie de autorização, assinada pelo titular do dado, ou a concordância do titular, que permite o
tratamento de seus dados pessoais.
Importante ressaltar que, para o titular autorizar ou concordar com o tratamento, mediante consentimento, é imprescindível
que ele saiba exatamente qual a finalidade do tratamento, que deve estar especificada.
É necessário e fundamental que o consentimento seja livre, inequívoco, retratando de forma clara e precisa a vontade do
titular.

2. Para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador:


Nesta hipótese, o tratamento é realizado a partir da necessidade de se cumprir outras leis ou regulamentos, ou seja, não é
uma “escolha” dos agentes de tratamento (controlador ou operador) e não é necessário o consentimento do titular, uma vez
que é uma imposição legal.

3. Pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado de dados necessários à execução de políticas
públicas previstas em leis e regulamentos ou respaldadas em contratos, convênios ou instrumentos congêneres:
Mais uma vez, não é uma “escolha” e não há necessidade de consentimento pelo titular. A administração pública, por vezes,
para cumprir seu papel, precisa dos dados pessoais para uma ação específica, tal como a descrição da hipótese
mencionada.

4. Para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados
pessoais:
Nesta hipótese o tratamento é válido para instituições públicas e privadas com a finalidade de realizar estudos e/ou
pesquisas científicas, econômicas ou sociais, e para tanto é preconizado que os dados utilizados sejam, sempre que
possível, anonimizados, impossibilitando a associação do dado ao indivíduo.

5. Quando necessário para a execução de contrato ou de procedimentos preliminares relacionados a contrato do qual seja
parte o titular, a pedido do titular dos dados:
Nesse caso, deve ser observado que é o próprio titular que tem interesse em determinada contratação e, se for necessário
o tratamento de dados para a finalidade específica de interesse do titular, a lei permite que sejam tratados sob pena do
titular não poder fazer a contratação que lhe interessa, inclusive, ele deve saber desse fato.

6. Para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral:


Essa hipótese considera que em casos de processos judiciais, administrativos ou arbitrários estará autorizado o tratamento
dos dados pessoais para finalidades específicas de ordem judicial ou imposição legal.

7. Para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiros: Quando se tratar de proteger a vida e de
garantir a segurança física do titular, os dados pessoais específicos para essa finalidade podem ser tratados sem a
existência de consentimento.

8. Para a tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou
autoridade sanitária:
Esta hipótese está restrita unicamente para procedimento realizado por profissional de saúde, serviços de saúde ou
autoridade sanitária para proteger a saúde do titular.

9. Quando necessário para atender aos interesses legítimos do controlador ou de terceiros, exceto no caso de
prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais:
Esta hipótese respalda o controlador ou o operador a tratar dados pessoais para atender o seu interesse legítimo, o qual
deve ser concretamente fundamentado, assim como respeitados os direitos de liberdade fundamentais do titular dos dados.
Alguns fundamentos podem justificar por:

a) apoio e promoção de atividades do controlador; e

b) proteção, em relação ao titular, do exercício regular de seus direitos ou prestação de serviços que o beneficiem,
respeitadas as legítimas expectativas dele e os direitos e liberdades fundamentais, nos termos da LGPD.
Para a proteção do crédito, inclusive quanto ao disposto na legislação pertinente: Nesta hipótese, legitima-se o tratamento
para atividades de aprovação de crédito e minimização de riscos na transação, os dados pessoais podem ser consultados.

Para começar vamos então relembrar o que é um Dado Pessoal Sensível.

Dado sensível é todo o dado relacionado a características da personalidade do indivíduo e suas escolhas pessoais, quando
vinculado a uma pessoa natural, podendo ser:

✔ Origem racial ou étnica;


✔ Convicção religiosa;
✔ Opinião política;
✔ Filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político;
✔ Dado referente à saúde;
✔ Dado referente à vida sexual;
✔ Dado genético;
✔ Dado biométrico.

É sempre necessário que se faça uma análise cuidadosa de modo a garantir quando este dado poderá ser tratado, uma vez
que hipóteses utilizadas para tratar dados comuns podem não ser as mesmas que legitimam o tratamento de dados
sensíveis e é disto que vamos tratar.
Sendo assim, você poderá notar que o tratamento de dados pessoais sensíveis não pode ser feito com base no legítimo
interesse, execução de contrato e proteção ao crédito!

Seguem as hipóteses que permitem o tratamento, conforme a redação da LGPD:

1. Quando o titular ou seu responsável legal consentir, de forma específica e destacada, para finalidades específicas;

2. Sem fornecimento de consentimento do titular, nas hipóteses em que for indispensável para:

a) cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador;


b) tratamento compartilhado de dados necessários à execução, pela administração pública, de políticas públicas
previstas em leis ou regulamentos;
c) realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados
pessoais sensíveis;
d) exercício regular de direitos, inclusive em contrato e em processo judicial, administrativo e arbitral;
e) proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiros;
f) tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou
autoridade sanitária; ou
g) garantia da prevenção à fraude e à segurança do titular, nos processos de identificação e autenticação de
cadastro em sistemas eletrônicos, resguardados os direitos do titular e exceto no caso de prevalecerem direitos e
liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais.

A proteção de dados pessoais de crianças e adolescentes é um tema que ganha cada vez mais importância diante do
cenário que reflete a exacerbação do uso de tecnologias da informação e comunicação por pessoas cada vez mais jovens.

A LGPD traz uma seção específica que aborda o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes, e, como não
poderia ser diferente, estabelece medidas de proteção mais
cautelosas, especificando que deve ser realizado em seu melhor interesse, o que por si só já denota a obrigatoriedade do
cuidado, considerando a família, a sociedade e o Estado.

Importante ressaltar também a relação do melhor interesse com a proteção de dados no sentido de limitar o tratamento
sempre ao mínimo possível, sempre e apenas justificados por sua finalidade, considerando apenas o que é essencial,
legítimo, explícito, específico e nunca excessivo. Todo e qualquer tratamento deve ser informado ao titular.

Assim como nos demais casos de tratamento de dados que falamos, aqui também remete a toda e qualquer operação que
envolva, acesso, coleta, extração, transferência, compartilhamento e eliminação de informações pessoais.

Apresentamos a explanação, conforme redação da Lei:

1. O tratamento de dados pessoais de crianças deverá ser realizado com o consentimento específico e em destaque dado
por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal;

2. No tratamento de dados, os controladores deverão manter pública a informação sobre os tipos de dados coletados, a
forma de sua utilização e os procedimentos para o exercício dos direitos;

3. Poderão ser coletados dados pessoais de crianças sem o consentimento, quando a coleta for necessária para contatar
os pais ou o responsável legal, utilizados uma única vez e sem armazenamento, ou para sua proteção, e em nenhum caso
poderão ser repassados a terceiro sem o consentimento;

4. Os controladores não deverão condicionar a participação dos titulares deste artigo em jogos, aplicações de internet ou
outras atividades ao fornecimento de informações pessoais, além das estritamente necessárias à atividade;

5. O controlador deve realizar todos os esforços razoáveis para verificar se o consentimento foi dado pelo responsável pela
criança, consideradas as tecnologias disponíveis;

6. As informações sobre o tratamento de dados deverão ser fornecidas de maneira simples, clara e acessível, consideradas
as características físico-motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais e mentais do usuário, com uso de recursos
audiovisuais quando adequado, de forma a proporcionar a informação necessária aos pais ou ao responsável legal e
adequada ao entendimento da criança.

Primeiramente, vamos relembrá-lo do conceito de transferência de dados pessoais: se refere a toda e qualquer
transferência de dados pessoais para país estrangeiro ou organismo internacional do qual o país seja membro.

É possível, dentro de algumas atividades profissionais em decorrência de operações dos controladores, a necessidade de
se realizar o tratamento de dados juntamente com funcionários, instituições, empresas ou órgãos de outros países, e haver
a necessidade de compartilhar dados. Nestas situações, pode se dar a transferência internacional de dados.

Temos que enfatizar que, assim como nos demais pontos tratados neste módulo, todas as operações de tratamento de
dados, neste caso, a transferência internacional, deve obrigatoriamente estar fundamentada na base legal, devendo esta
ser registrada, visto que implica em maiores riscos aos direitos dos titulares, quer seja proveniente da distância e pela
divergência de legislação dos diferentes países.

Conforme a redação da LGPD, a transferência só é permitida nos casos listados:

1. Para países ou organismos internacionais que proporcionem grau de proteção de dados pessoais adequado ao previsto
na LGPD;

2. Quando o controlador oferecer e comprovar garantias de cumprimento dos princípios, dos direitos do titular e do regime
de proteção de dados previstos na LGPD, na forma de:

a) cláusulas contratuais específicas para determinada transferência;


b) cláusulas-padrão contratuais;
c) normas corporativas globais;
d) selos, certificados e códigos de conduta regularmente emitidos.

3. Quando a transferência for necessária para a cooperação jurídica internacional entre órgãos públicos de inteligência, de
investigação e de persecução, de acordo com os instrumentos de direito internacional;

4. Quando a transferência for necessária para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiros;

5. Quando a autoridade nacional autorizar a transferência;

6. Quando a transferência resultar em compromisso assumido em acordo de cooperação internacional;

7. Quando a transferência for necessária para a execução de política pública ou atribuição legal do serviço público, sendo
dada publicidade conforme a LGPD;

8. Quando o titular tiver fornecido o seu consentimento específico e em destaque para a transferência, com informação
prévia sobre o caráter internacional da operação, distinguindo claramente de outras finalidades;

9. Quando necessário para atender às seguintes hipóteses:

a) para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador;


b) quando necessário para a execução de contrato ou de procedimentos preliminares relacionados a contrato do
qual seja parte o titular, a pedido do titular dos dados;
c) para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral;
d) para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiros.

Se você chegou até aqui, já entendeu que a LGPD permite o tratamento de dados pessoais embasada em várias hipóteses
e uma delas é o consentimento.

✔ O controlador que obteve o consentimento para tratar os dados pessoais e que necessitar comunicar ou compartilhar os
dados com outros controladores deverá obter consentimento específico do titular para esse fim.
✔ O consentimento deverá ser fornecido por escrito ou por outro meio que demonstre a manifestação de vontade do titular.
✔ Caso o consentimento seja fornecido por escrito, esse deverá constar de cláusula destacada das demais cláusulas
contratuais.
✔ Cabe ao controlador o ônus da prova de que o consentimento foi obtido em conformidade com o disposto na LGPD.
✔ É vedado o tratamento de dados pessoais mediante vício de consentimento.
✔ O consentimento deverá referir-se a finalidades determinadas, e as autorizações genéricas para o tratamento de dados
pessoais serão nulas.
✔ O consentimento pode ser revogado a qualquer momento, mediante manifestação expressa do titular, por procedimento
gratuito e facilitado, ratificados os tratamentos realizados sob amparo do consentimento anteriormente manifestado
enquanto não houver requerimento de eliminação.
A LGPD buscou estabelecer o equilíbrio no que se refere ao acesso à informação e à proteção dos dados pessoais dos
indivíduos quando se refere à administração pública, de modo que o tratamento de dados deverá ser realizado unicamente
para o atendimento de sua finalidade pública, considerando o interesse público, com o objetivo de executar as
competências e atribuições legais do serviço público, desde que:

1. Sejam informadas as hipóteses em que, no exercício de suas competências, realizam o tratamento de dados pessoais,
fornecendo informações claras e atualizadas sobre a previsão legal, a finalidade, os procedimentos e as práticas utilizadas
para a execução dessas atividades, em veículos de fácil acesso, preferencialmente em seus sítios eletrônicos;

2. Seja indicado um encarregado quando realizarem operações de tratamento de dados pessoais.

Notem que no item 2, aparece a figura do encarregado de tratamento de dados (DPO), que também vimos o conceito no
módulo anterior e reiteramos aqui:

✔ Encarregado de Tratamento de Dados (DPO): Pessoa física ou jurídica que atua como canal de comunicação entre o
controlador e os titulares dos dados e a autoridade nacional, quanto à aplicação da lei para a proteção dos dados das
pessoas físicas.

EXEMPLO:

Como exemplo de tratamento de Dados pelo Poder Público, temos o caso, em que inclusive ocorreu invasão e sequestro de
dados no CONECTSUS, referentes a Vacinação da Covid-19. Devido às medidas de Segurança, o Ministério da Saúde
conseguiu recuperar os dados.
6.5. Direitos dos Titulares

A Lei determina que o titular de dados tem direito de receber do controlador, em relação aos dados por ele tratados, a
qualquer tempo e mediante requerimento expresso do titular ou de representante legalmente constituído:

1. Confirmação da existência de tratamento;

2. Acesso aos dados;


3. Correção de dados incompletos, inexatos ou desatualizados;

4. Anonimização, bloqueio ou eliminação de dados desnecessários, excessivos ou tratados em desconformidade com o


disposto na LGPD;

5. Portabilidade dos dados a outro fornecedor de serviço ou produto, mediante requisição expressa, de acordo com a
regulamentação da autoridade nacional, observados os segredos comercial e industrial;

6. Eliminação dos dados pessoais tratados com o consentimento do titular, exceto quando autorizada a conservação de
dados pessoais, conforme elencado abaixo:

a) cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador;


b) estudo por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais;
c) transferência a terceiro, desde que respeitados os requisitos de tratamento de dados dispostos na LGPD; ou
d) uso exclusivo do controlador, vedado seu acesso por terceiro, e desde que anonimizados os dados.
7. Informação das entidades públicas e privadas com as quais o controlador realizou uso compartilhado de dados;

8. Informação sobre a possibilidade de não fornecer consentimento e sobre as consequências da negativa;

9. Revogação do consentimento, a qualquer momento, mediante manifestação expressa do titular por procedimento gratuito
e facilitado, ratificados os tratamentos realizados sob amparo do consentimento anteriormente manifestado enquanto não
houver requerimento de eliminação.

Em caso de impossibilidade de adoção imediata da providência requerida pelo titular, o controlador deverá enviar ao titular
resposta em que poderá:

✔ Comunicar que não é agente de tratamento dos dados e indicar, sempre que possível, o agente; ou
✔ Indicar as razões de fato ou de direito que impedem a adoção imediata da providência.

Desta forma, podemos resumidamente afirmar que o titular de dados tem o direito de saber
se o controlador de seus dados faz qualquer tipo de tratamento, e neste caso, a resposta do
controlador também deve atender as prerrogativas legais, sendo realizada de forma imediata
e indicando como o dado foi coletado, os critérios utilizados e a finalidade do tratamento.
O titular também possui o direito de acesso aos dados pessoais tratados pelo controlador, podendo receber cópia desses
dados quando solicitado, além de poder requerer a alteração dos dados pessoais tratados pelo controlador sempre que
estiverem incompletos, inexatos ou desatualizados. E ainda de poder solicitar a anonimização, o bloqueio ou a eliminação
de dados desnecessários, excessivos ou tratados pelo controlador em desconformidade com a legislação.
Quando o assunto é portabilidade, o titular tem direito, por meio de requisição expressa, de solicitar o compartilhamento dos
dados tratados pelo controlador para outra instituição.
Também prevê a lei que, havendo a revogação do consentimento, pelo titular (possibilidade prevista em lei), é um direito
exigir a eliminação dos dados pessoais tratados, salvaguardados os casos em que os dados por normativas legais devam
ser mantidos.

Assim, o titular tem o direito de revogar o consentimento dado anteriormente e, para isso, o controlador deve ter meios
facilitados para o exercício deste direito.

Por fim, ao titular é garantida a possibilidade de rever as decisões tomadas pelos controladores com base em tratamento
automatizado de dados pessoais que afetem seus interesses.

EXEMPLO:

Como exemplo podemos citar as análises de crédito feitas de forma automatizada, que podem ser contestadas pelo titular,
de acordo com o seu interesse.

O titular tem direito ao acesso facilitado às informações sobre o tratamento de seus dados, que deverão ser disponibilizadas
de forma clara, adequada e ostensiva acerca de, entre outras características previstas em regulamentação para o
atendimento do princípio do livre acesso:
Caso haja alteração das informações transmitidas ao titular, o controlador deverá informar ao
titular, com destaque de forma específica do teor das alterações, podendo o titular, nos casos
em que o seu consentimento é exigido, revogá-lo caso discorde da alteração.
Caso as informações fornecidas ao titular tenham conteúdo enganoso ou abusivo ou não tenham sido apresentadas
previamente com transparência, de forma clara e inequívoca, na hipótese em que o consentimento é requerido, este poderá
ser considerado nulo.

Também na hipótese em que o consentimento é requerido, se houver mudanças da finalidade para o tratamento de dados
pessoais não compatíveis com o consentimento original, o controlador deverá informar previamente o titular sobre as
mudanças de finalidade, podendo o titular revogar o consentimento, caso discorde das alterações.

Provavelmente você já ouviu falar na Lei do Cadastro Positivo (Lei Nº12.414/2021) e talvez esteja pensando em algum
possível conflito entre ela e a LGPD.
E a resposta é não. Não há conflito algum.

Você já viu que a LGPD tem como uma das hipóteses, que legitima o tratamento de dados pessoais, a proteção do crédito.

Além disso já conheceu nesse módulo os direitos dos titulares de dados pessoais.
Ao observar a Lei do Cadastro Positivo, você encontra sinergia com a LGPD, algumas delas apresentadas abaixo:

Art. 3º Os bancos de dados poderão conter informações de adimplemento do cadastrado, para a formação do histórico de
crédito, nas condições estabelecidas nesta Lei.
§ 1º Para a formação do banco de dados, somente poderão ser armazenadas informações objetivas, claras, verdadeiras e
de fácil compreensão, que sejam necessárias para avaliar a situação econômica do cadastrado.
§ 3º Ficam proibidas as anotações de:
I - Informações excessivas, assim consideradas aquelas que não estiverem vinculadas à análise de risco de crédito ao
consumidor; e
II - Informações sensíveis, assim consideradas aquelas pertinentes à origem social e étnica, à saúde, à informação
genética, à orientação sexual e às convicções políticas, religiosas e filosóficas.
Art. 5º São direitos do cadastrado:
I - Obter o cancelamento ou a reabertura do cadastro, quando solicitado;
II - Acessar gratuitamente, independentemente de justificativa, as informações sobre ele existentes no banco de dados,
inclusive seu histórico e sua nota ou pontuação de crédito, cabendo ao gestor manter sistemas seguros, por telefone ou por
meio eletrônico, de consulta às informações pelo cadastrado;
III - solicitar a impugnação de qualquer informação sobre ele erroneamente anotada em banco de dados e ter, em até 10
(dez) dias, sua correção ou seu cancelamento em todos os bancos de dados que compartilharam a informação;
IV - Conhecer os principais elementos e critérios considerados para a análise de risco, resguardado o segredo empresarial;
Art. 6º Ficam os gestores de bancos de dados obrigados, quando solicitados, a fornecer ao cadastrado:
I - Todas as informações sobre ele constantes de seus arquivos, no momento da solicitação;
II - Indicação das fontes relativas às informações de que trata o inciso I, incluindo endereço e telefone para contato;
III - Indicação dos gestores de bancos de dados com os quais as informações foram compartilhadas;
IV - Indicação de todos os consulentes que tiveram acesso a qualquer informação sobre ele nos 6 (seis) meses anteriores à
solicitação
V - Cópia de texto com o sumário dos seus direitos, definidos em lei ou em normas infralegais pertinentes à sua relação
com gestores, bem como a lista dos órgãos governamentais aos quais poderá ele recorrer, caso considere que esses
direitos foram infringidos; e
VI - Confirmação de cancelamento do cadastro.
V - Ser informado previamente sobre a identidade do gestor e sobre o armazenamento e o objetivo do tratamento dos
dados pessoais;
VI - Solicitar ao consulente a revisão de decisão realizada exclusivamente por meios automatizados; e
VII - ter os seus dados pessoais utilizados somente de acordo com a finalidade para a qual eles foram coletados.

Os dados pessoais dos clientes são tratados com o devido sigilo? Os documentos com os dados pessoais dos clientes
estão seguros?
“Os agentes de tratamento devem adotar medidas de segurança, técnicas e administrativas, aptas a proteger os dados
pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou
qualquer forma de tratamento inadequado ou ilícito”.

Você é um agente de tratamento de dados?

Sabemos hoje que os dados são um dos ativos mais preciosos e valiosos de uma empresa e, como muitos dizem, são o
novo petróleo.

Deste modo, considerando o cenário atual e as especificações legais, a cada dia se torna mais essencial oferecer às
pessoas um ambiente seguro para que entreguem as suas informações.

Quando o assunto é proteção de dados pessoais, a segurança e o sigilo das informações ganham importante destaque.

Considerando a velocidade e as grandes transformações tecnológicas, o armazenamento e segurança dos dados são
realmente um desafio para os agentes de tratamento de dados, sobretudo os controladores.

6.6. Agentes de Tratamento de Dados

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) também pode determinar ao controlador que elabore relatório de
impacto à proteção de dados pessoais, inclusive de dados sensíveis, referente a suas operações de tratamento de dados e
dispor sobre padrões de interoperabilidade para fins de portabilidade, livre acesso aos dados e segurança. Assim como
sobre o tempo de guarda dos registros, tendo em vista especialmente a necessidade e a transparência.

RELATÓRIO DE IMPACTO À PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS


Assim, os agentes de tratamento, têm a responsabilidade e a obrigação de garantir a
segurança dos dados, mesmo após o término do tratamento, até a sua eliminação,
devem adotar as medidas necessárias, sejam técnicas e administrativas, de modo a garantir a proteção dos dados pessoais
e resguardá-las de acessos não autorizados, de eventuais acidentes, incidentes ou utilização ilícita, enfim de toda e
qualquer forma de tratamento inadequado.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) também pode determinar o término do


tratamento de dados pessoais, quando houver violação à LGPD.
Assim como os cuidados que os agentes devem ter, a lei também especifica sobre a estrutura dos sistemas utilizados, que
devem atender a todos os princípios e requisitos de segurança, boas práticas e governança.
No caso de ocorrência de incidente de segurança, que possa ocasionar risco ou dano ao titular, é previsto na LGPD que o
controlador deve comunicar à Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) e ao titular de dados, em prazo
razoável ou os motivos da demora, no caso de a comunicação não ter sido imediata, o fato, considerando:

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) verificará a gravidade do incidente e poderá, caso necessário para a
salvaguarda dos direitos dos titulares, determinar ao controlador a adoção de providências, tais como:

✔ Ampla divulgação do fato em meios de comunicação; e


✔ Medidas para reverter ou mitigar os efeitos do incidente.

Em razão da gravidade do incidente, será avaliada eventual comprovação de que foram adotadas medidas técnicas
adequadas que tornem os dados pessoais afetados ininteligíveis, no âmbito e nos limites técnicos de seus serviços, para
terceiros não autorizados a acessá-los.

6.7. Governança e Boas Práticas


Agora que exploramos a ênfase que a LGPD traz sobre os princípios de segurança e o impacto que as vulnerabilidades
podem trazer, vamos falar sobre governança e boas práticas, que também ganharam destaque na redação da lei.

O estabelecimento de um modelo de governança para tratar do ciclo de vida do dado pessoal é estratégico e primordial
para a segurança de qualquer empresa, e a lei prevê isto!

Assim, com esta força e obrigatoriedade, os agentes de tratamento, recebem a incumbência de formular regras e diretrizes
de boas práticas e governança que norteiem e estabeleçam as premissas e condições de toda a cadeia de tratamento de
dados, demonstrando a forma de funcionamento, procedimentos, meios para assegurar um canal de comunicação com o
titular, no qual de forma facilitada possa registrar reclamações e/ou requisições, mecanismos para o gerenciamento e
mitigação de riscos, ações educativas e demais ações que promovam a segurança e proteção no tratamento de dados
pessoais.

Assim, conforme definição da Lei, ficam as diretrizes norteadoras para estes quesitos de governança e boas práticas:

Observados a estrutura, a escala e o volume de suas operações, bem como a sensibilidade dos dados tratados, a
probabilidade e a gravidade dos danos para os titulares dos dados, o controlador, poderá implementar e demonstrar a
efetividade do programa de governança em privacidade que, no mínimo:

a) demonstre o comprometimento do controlador em adotar processos e políticas internas que assegurem o


cumprimento, de forma abrangente, de normas e boas práticas relativas à proteção de dados pessoais;
b) seja aplicável a todo o conjunto de dados pessoais que estejam sob seu controle, independentemente do modo
como se realizou sua coleta;
c) seja adaptado à estrutura, à escala e ao volume de suas operações, bem como à sensibilidade dos dados
tratados;
d) estabeleça políticas e salvaguardas adequadas com base em processo de avaliação sistemática de impactos e
riscos à privacidade;
e) tenha o objetivo de estabelecer relação de confiança com o titular, por meio de atuação transparente e que
assegure mecanismos de participação do titular;
f) esteja integrado a sua estrutura geral de governança e estabeleça e aplique mecanismos de supervisão internos e
externos;
g) conte com planos de resposta a incidentes e remediação; e
h) seja atualizado constantemente com base em informações obtidas a partir de monitoramento contínuo e
avaliações periódicas;

Dessa forma, enfatizamos que as organizações devem coletar o mínimo de dados e apenas o necessário justificado sempre
por sua finalidade e garantindo a segurança e privacidade dos dados do início ao fim.

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