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Efeito do Boro em Mudas Cítricas

Artigo acerca de boro
Direitos autorais
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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA

TESE

EFICIÊNCIA DO BORO SOBRE O CRESCIMENTO, COMPOSIÇÃO


MINERAL E VARIÁVEIS FISIOLÓGICAS EM MUDAS CÍTRICAS

PATRÍCIA DA SILVA ALEXANDRE

2015
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA

EFICIÊNCIA DO BORO SOBRE O CRESCIMENTO, COMPOSIÇÃO


MINERAL E VARIÁVEIS FISIOLÓGICAS EM MUDAS CÍTRICAS

PATRÍCIA DA SILVA ALEXANDRE

Sob a Orientação do Professor


Walter Esfrain Pereira

Tese submetida como requisito para


obtenção do título de Doutora em
Agronomia, no Programa de Pós-
Graduação em Agronomia.

Areia, PB
Abril de 2015

ii
iv
v
Às pessoas mais importantes da minha vida, meus pais: Francisco de Assis Alexandre e
Terezinha da Silva Alexandre.
Aos meus irmãos, Paulo, Carlos, Isabel e Camila.
Aos meus sobrinhos, Daniel, Matheus e Gabriel.
Aos meus primos, Eduardo e Lucas
Às minhas tias, Maria Lúcia, Cícera Alexandre, Maria Alexandre e Maria Gomes.

Dedico

vi
AGRADECIMENTOS

A Deus, pelo dom da vida e por me permitir realizar mais este sonho.
A minha família, pelo amor, força e confiança em mim depositada.
Aos meus irmãos Carlos e Camila, pela ajuda no desenvolvimento do trabalho.
Ao meu orientador, Walter Esfrain Pereira, pela confiança, paciência, pelos
conhecimentos transmitidos, pelo empenho e dedicação ao meu trabalho.
Ao professor Ademar Pereira de Oliveira, pelas valiosas contribuições.
Ao professor José Félix de Brito Neto, pelo apoio durante a condução do experimento
e pelas valiosas contribuições.
Ao professor Leossávio César de Souza, pela contribuição.
A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, os quais
contribuíram para minha formação.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela
concessão da bolsa.
A todos os funcionários do PPGA, nas pessoas de Eliane e Adriana. E aos demais
funcionários da Fitossanidade, nas pessoas de Saulo, Thomás, Nino e Dona Francisca. Aos
funcionários do Departamento de Solos e Engenharia Rural, nas pessoas de Ednaldo, Gilson,
Seu Patrocínio e Dona Marielza.
A todos os funcionários do CCA/UFPB, pela amizade e apoio. Em especial aos
funcionários da Biblioteca nas pessoas de Katiane, Eron, Paulo, Roberval, Dona Cícera e
Jadson.
Aos amigos que aqui fiz: Carlos (Carlão), Gilcean, Edson, Edna de Oliveira, Daiana,
Mayara, Leandra, Cosmo, Janaína Mondego, Kedma, Perla Gondim, Severino, Tony, Reinaldo,
Márcia Gondim, Ykesaky, Carlos Dornelles, Begna Janine, Claudiana, Amanda e Amália.
Enfim, a todos que contribuíram de maneira significativa para o meu crescimento. A
todas as pessoas que de maneira direta ou indireta contribuíram na realização deste trabalho.

Muito obrigado!!

vii
“Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no
sonho que se tem ou que seus planos nunca vão dar certo ou
que você nunca vai ser alguém. Quem acredita sempre
alcança...”
Renato Russo

“A simplicidade é o último degrau da sabedoria”.


Khalil Gibran

viii
ALEXANDRE, P. S. Eficiência do boro sobre o crescimento, composição mineral e
variáveis fisiológicas em mudas cítricas. 2015. 104f. Tese (Doutorado em Agronomia),
Universidade Federal da Paraíba, Areia, 2015.

RESUMO

A deficiência de boro em citros limita o crescimento de folhas e raízes, devido à interrupção da


divisão celular. Por outro lado, a toxidez por boro reduz o crescimento da planta, aumentando
o período de formação da muda e diminuindo a sua qualidade. Nesse sentido, objetivou-se com
este experimento avaliar o efeito da adubação boratada sobre o crescimento, a composição
mineral e as variáveis fisiológicas em mudas cítricas. No Capítulo I foi avaliado o crescimento
de três copas cítricas (tangerineiras ‘Ponkan’e ‘Mexerica, e laranjeira ‘Bahia’) cultivadas em
vermiculita e adubadas com boro (0; 0,5; 2,5 e 5,0 mg L-1), verificando-se que a maior altura
das mudas de tangerineira ‘Mexerica’ foi obtida com doses superiores a 2,0 mg L-1. Verificou-
se que o diâmetro e as demais características avaliadas não foram influenciadas pela adubação
boratada. No Capítulo II foi avaliado os teores foliares de macro e micronutrientes das mudas
cítricas cultivadas em vermiculita e adubadas com boro. Com exceção do N, todos os demais
macronutrientes apresentaram teores foliares inadequados para a cultura dos citros. No Capítulo
III foi avaliado o efeito da adubação boratada sobre as variáveis fisiológicas de mudas cítricas.
Verificou-se que a transpiração nas mudas de tangerineira ‘Ponkan’ aumentou, e que a taxa
fotossintética das mudas de ‘Mexerica’ diminuiu. Doses acima de 2,6 mg L-1 reduziram o índice
de clorofila.
Palavras-chave: Citrus, nutrição mineral, fotossíntese.

ix
ALEXANDRE, P.S. Efficiency of boron on growth, mineral composition and physiological
variables in citrus seedlings. 2015. 104f. Thesis (D. Sc. in Agronomy), Universidade Federal
da Paraíba, Areia, 2015.

ABSTRACT

Boron deficiency in citrus limits the growth of leaves and roots, due to the interruption of cell
division. Moreover, the toxicity of boron decreases the plant growth, increasing the period of
formation of seedlings and loss of quality. In this sense, the aim of this experimente was to
evaluate the effect of borated fertilization on growth, mineral composition and physiological
variables in citrus seedlings. In chapter I, it was evaluated the growth of three scions
(‘Ponkan’and ‘Mexerica’ tangerine, and ‘Bahia’ orange) citrus grown in vermiculite and
fertilized with boron (0, 0.5; 2.5; 5.0 mg L-1), verifying that the greater height of seedlings of
‘Mexerica’ tangerine was obtained at doses greater than 2,0 mg L-1. It was found that the
diameter and the other variables were not influenced by boron. In chapter II, it was evaluated
foliar concentrations of macro and micronutrients of citrus seedlings grown in vermiculite and
fertilized with boron. Except for N, all other macronutrients showed inadequate foliar
concentration for citrus culture. In chapter III, it was evaluated the effects of borated
fertilization on the physiological variables of citrus seedlings. It was found that the transpiration
of ‘Ponkan’ tangerine seedlings increased, and photosynthetic rate of ‘Mexerica’ tangerine
seedlings decreased. Doses above 2.6 mg L-1 reduced the chlorophyll content of ‘Ponkan’ and
‘Mexerica’ tangerine.

Keywords: Citrus, mineral nutrition, photossintesis

x
LISTA DE TABELAS

CAPÍTULO I

Tabela 1. Análise de água utilizada na irrigação de mudas cítricas adubadas com boro ....... 12

Tabela 2. Autovetores de três componentes principais (CP1, CP2 e CP3) das variáveis
relacionadas ao crescimento de mudas cítricas adubadas com boro .................... 21

CAPÍTULO II

Tabela 1. Análise de água utilizada na irrigação de mudas cítricas adubadas com boro ....... 34

Tabela 2. Autovetores de quatro componentes principais (CP1, CP2, CP3 e CP4) dos teores
foliares de macro e micronutrientes de mudas cítricas adubadas com boro ........... 49

CAPÍTULO III

Tabela 1. Análise de água utilizada na irrigação de mudas cítricas adubadas com boro ....... 62

Tabela 2. Autovetores de três componentes principais (CP1, CP2 e CP3) das variáveis
relacionadas as trocas gasosas de mudas cítricas adubadas com boro ................. 80

xi
LISTA DE FIGURAS

CAPÍTULO I

Figura 1. Altura das mudas de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubadas com
doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro ............................. 15
Figura 2. Altura (cm) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias após o
transplantio ............................................................................................................... 16
Figura 3. (a) Diâmetro e (b) Taxa relativa de diâmetro (TRD) de três copas cítricas cultivadas
em vermiculita, aos 368 dias após o transplantio ................................................... 17
Figura 4. Taxa relativa de altura (TRALT) de mudas de três copas cítricas cultivadas em
vermiculita, aos 340 dias após o transplantio ......................................................... 18
Figura 5. Área foliar de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias após o
transplantio .............................................................................................................. 19
Figura 6. (c) Massa da matéria seca foliar (MMSF) e (d) massa da matéria seca radicular
(MMSR) de mudas de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias após
o transplantio ........................................................................................................... 20
Figura 7. Autovalores das variáveis relacionadas ao crescimento de mudas cítricas nos dois
primeiros componentes principais (CP1 e CP2) e agrupamento dos tratamentos .. 22

CAPITULO II

Figura 1. Teor foliar de nitrogênio de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubado
com doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro ................... 36
Figura 2. Teor foliar de nitrogênio de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368
dias após o transplantio ......................................................................................... 37
Figura 3. Teor foliar de fósforo de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubado com
doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro ............................. 38
Figura 4. Teor foliar de fósforo de três copas cítricas cultivadas em vermiculila, aos 368 dias
após o transplantio .................................................................................................. 38
Figura 5. Teor foliar de potássio de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias
após o transplantio .................................................................................................. 39

xii
Figura 6. Teor de cálcio foliar de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias
após o transplantio .................................................................................................. 40
Figura 7. Teor de magnésio (Mg) e enxofre (S) foliar de três copas cítricas cultivadas em
vermiculita, aos 368 dias após o transplantio ......................................................... 41
Figura 8. Teor foliar de boro de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubadas com
doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro ............................. 42
Figura 9. Teor foliar de boro de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias após
o transplantio ........................................................................................................... 43
Figura 10. Teor de manganês (Mn) foliar de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e
adubadas com doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro ..... 44
Figura 12. Teor de zinco (Zn) foliar de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubadas
com doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro ..................... 46
Figura 13. Teor foliar de zinco (Zn) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368
dias após o transplantio ........................................................................................... 47
Figura 14. Teor de ferro (Fe) e cobre (Cu) foliar de três copas cítricas cultivadas em
vermiculita, aos 368 dias após o transplantio ......................................................... 48
Figura 15. Autovalores das variáveis relacionadas ao teor foliar de nutrientes de mudas cítricas
nos dois primeiros componentes principais (CP1 e CP2) e agrupamento dos
tratamentos .............................................................................................................. 50

CAPÍTULO III

Figura 1. Taxa simples de fluorescência de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e


adubadas com doses de boro, aos 340 dias após o início da aplicação do boro ..... 66
Figura 2. Taxa simples de fluorescência de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos
340 dias após o transplantio .................................................................................... 67
Figura 3. Índice de clorofila “a” e b de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 340
dias após o transplantio ........................................................................................... 68
Figura 4. Índice de flavonoides de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubadas
com doses de boro, aos 340 dias após o início da aplicação de boro ...................... 69
Figura 5. Índice de flavonoides de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 340 dias
após o transplantio .................................................................................................. 70

xiii
Figura 6. Índice de antocianinas de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubadas
com boro, aos 340 dias após o início da aplicação de boro .................................... 70
Figura 7. Índice de antocianinas de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 340 dias
após o transplantio .................................................................................................. 71
Figura 8. Índice de balanço de nitrogênio (NBI_G) de três copas cítricas cultivadas em
vermiculita e adubadas com doses de boro, aos 340 dias após o início da aplicação
de boro .................................................................................................................... 72
Figura 9. Índice de balanço de nitrogênio (NBI_G) de três copas cítricas cultivas em
vermiculita, aos 340 dias após o transplantio ......................................................... 73
Figura 10. Estimativa da fotossíntese de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e
adubadas com doses de boro, aos 340 dias após o início da aplicação de boro ...... 74
Figura 11. Fotossíntese líquida de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 340 dias
após o transplantio .................................................................................................. 75
Figura 12. Transpiração (E) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubado com
doses de boro, aos 340 dias após o início da aplicação de boro ............................. 76
Figura 13. Transpiração (E) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 340 dias após
o transplantio ........................................................................................................... 77
Figura 14. Condutância estomática (gs) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos
340 dias após o transplantio .................................................................................. 78
Figura 15. Concentração interna de CO2 (Ci) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita,
aos 340 dias após o transplantio ........................................................................... 79
Figura 16. Autovalores das variáveis relacionadas as trocas gasosas e fotossíntese nos dois
primeiros componentes principais (CP1 e CP2) e agrupamento dos tratamentos . 81

xiv
SUMÁRIO

RESUMO
ABSTRACT
1. INTRODUÇÃO GERAL ................................................................................................ 1
2. OBJETIVO GERAL ....................................................................................................... 2
2.1 Objetivos Específicos ................................................................................................ 2
3. REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 4

CAPITULO I ....................................................................................................................... 7
Variáveis de crescimento de mudas cítricas adubadas com boro .................................. 7
RESUMO .............................................................................................................................. 8
ABSTRACT ......................................................................................................................... 9
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 10
2. MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................... 12
2.1 Local e obtenção das mudas .................................................................................... 12
2.2 Delineamento experimental .................................................................................... 12
2.3 Características avaliadas ......................................................................................... 13
2.4 Análise estatística ..................................................................................................... 14
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................... 15
3.1 Altura ......................................................................................................................... 15
3.2 Diâmetro (mm) e Taxa relativa de diâmetro (TRD) .............................................. 16
3.3 Taxa relativa de altura (TRALT) ........................................................................... 18
3.4 Área foliar ................................................................................................................. 18
3.5 Massa da matéria seca foliar e massa da matéria seca radicular ........................ 19
3.6 Análise de componentes principais ........................................................................ 21
CONCLUSÕES ................................................................................................................... 23
5. REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 24

CAPÍTULO II ..................................................................................................................... 29
Composição mineral de mudas cítricas adubadas com boro .......................................... 29
RESUMO ............................................................................................................................. 30
ABSTRACT ........................................................................................................................ 31

xv
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 32
2. MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................... 34
2.1 Local do experimento e obtenção das mudas ......................................................... 34
2.2 Delineamentos experimental ................................................................................... 34
2.3 Características avaliadas ......................................................................................... 35
2.4 Análises estatística ................................................................................................... 35
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................... 36
3.1 Teores foliares de macronutrientes ........................................................................ 36
3.1.1 Nitrogênio .............................................................................................................. 36
3.1.2 Fósforo ................................................................................................................... 37
3.1.3 Potássio .................................................................................................................. 39
3.1.4 Cálcio ...................................................................................................................... 40
3.1.5 Magnésio e Enxofre .............................................................................................. 41
3.2 Teores foliares de micronutrientes ......................................................................... 42
3.2.1 Boro ......................................................................................................................... 42
3.2.2 Manganês ............................................................................................................... 44
3.2.3 Zinco ....................................................................................................................... 46
3.2.4 Ferro e cobre ......................................................................................................... 47
3.3 Análise de componentes principais ........................................................................ 49
4. CONCLUSÕES ............................................................................................................... 51
5. REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 52
CAPÍTULO III ................................................................................................................... 57
Variáveis fisiológicas em mudas cítricas adubadas com boro ........................................ 57
RESUMO ............................................................................................................................. 58
ABSTRACT ........................................................................................................................ 59
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 60
2. MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................... 62
2.1 Localização do experimento e obtenção das mudas .............................................. 62
2.2 Delineamento experimental .................................................................................... 62
2.3 Características avaliadas ......................................................................................... 63
2.4 Análise estatística ..................................................................................................... 65
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................... 66
3.1Taxas simples de fluorescência (SFR_G) ................................................................. 66

xvi
3.2 Clorofila “a” e Clorofila “b” ................................................................................... 67
3.3 Índices de flavonoides (FLAV) ............................................................................... 69
3.4 Índices de antocianinas (ANTH_RG) .................................................................... 71
3.5 Índices de balanço de nitrogênio (NBI_G) ............................................................ 72
3.6 Fotossínteses líquida (A) ........................................................................................... 74
3.7 Transpiração (E) ...................................................................................................... 75
3.8 Condutância estomática (gs) ................................................................................... 77
3.9 Concentração interna de CO2 (Ci) ......................................................................... 79
3.10 Análise de Componentes Principais ..................................................................... 79
4. CONCLUSÕES ............................................................................................................... 82
5. REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 83

xvii
1 INTRODUÇÃO

A citricultura é uma importante atividade do agronegócio brasileiro. Os frutos que


pertencem a este grupo são do gênero Citrus, sendo as principais espécies as laranjas doces
(Citrus sinensis), tangerinas (Citrus reticulata Blanco), os limões (Citrus limon), as limas
ácidas (Citrus aurantifolia) e os pomelos (Citrus paradise) (DONADIO et al., 1998).
O Brasil é atualmente o maior produtor mundial de citros. A produção do país
concentra-se nas regiões Sudeste e Nordeste com 79,7% e 9,6% respectivamente. No Sudeste
destacam-se os estados de São Paulo com mais de 13 milhões de toneladas produzidas e o estado
de Minas Gerais com 894.543 toneladas colhidas na safra de 2013 (IBGE, 2015). Enquanto que
na região Nordeste merece destaque o estado da Bahia com uma produção de 994.817 toneladas
na safra de 2013 (IBGE, 2015).
A atividade citrícola tem grande importância social e econômica para o país. O setor
contribui na geração de empregos, na formação de capital, na geração de renda, na agregação
de valor e, também no desenvolvimento regional (ZULLIAN et al., 2013). A citricultura em
2009 gerou 230 mil empregos diretos e indiretos no Brasil com uma massa salarial anual de R$
676 milhões (NEVES et al., 2010).
Com o crescimento da citricultura é necessário que o uso de mudas de alta qualidade
seja priorizado, uma vez que a muda representa um dos fatores fundamentais para o
desenvolvimento da produção de citros, pois constitui a base da formação dos pomares
refletindo durante toda vida útil (REZENDE et al., 2010). Para que o sucesso na produção de
mudas seja satisfatório é necessário que o material propagativo possua uma alta qualidade
genética e sanitária, vindo a originar plantas sadias, uniformes e vigorosas. Em geral o uso de
mudas enxertadas são as mais utilizadas para propagação comercial de citros (CARVALHO et
al., 2005).
Dentre os porta-enxertos utilizados na formação das mudas, o limoeiro ‘Cravo’ (Citrus
limonia L. Osbeck) é o mais utilizado (PRADO et al., 2008), isso deve-se as características de
facilidade de formação de mudas, compatibilidade com todas as copas, produção precoce, altas
produções de frutos, resistência à seca, além da tolerância a tristeza (POMPEU JÚNIOR, 2005).
Outro fator importante na produção de mudas cítricas está relacionado ao substrato, o
qual é determinante no desenvolvimento das mudas de porta-enxertos, uma vez que o mesmo é
a primeira fonte nutritiva e qualquer mudança na sua composição pode alterar a formação das
plantas (FERREIA et al., 2009; FERMINO et al., 2010). O novo sistema de produção de mudas

1
determinou a necessidade do uso de substratos leves de boa drenagem e isentos de
contaminantes prejudiciais à sanidade e ao vigor das mudas (ZANETTI et al., 2003). Dentre os
substratos inertes, a vermiculita tem sido muito utilizada, de modo que é necessário fazer a
suplementação nutricional a base de macro e micronutrientes para otimizar o crescimento das
mudas (ALVA et al., 2006; MILNER, 2002).
A adubação deve fornecer todos os nutrientes necessários ao crescimento das mudas
de citros (MILNER, 2002), de modo que a fertilização com macro e micronutrientes
principalmente N, Ca, P, K, B e Cu tem proporcionado efeitos significativos sobre a nutrição e
o crescimento (SOPRANO; BRITO, 1997; BERNARDI et al., 2000). Nutrientes fornecidos em
poucas ou em quantidades exageradas podem causar deficiência e/ou toxidez, vindo a
influenciar diretamente no desenvolvimento das culturas.
Em citros, a deficiência causada por micronutrientes é mais evidente quando refere-se
ao boro, a qual provoca uma inibição do crescimento meristemático e precário desenvolvimento
das pontas das radicelas e dos ápices dos ramos, devido a participação desse nutriente na síntese
de bases nitrogenadas (MALAVOLTA, 2006).
Para Vitti (1992) os efeitos do boro relacionam-se ao tamanho e qualidade do fruto,
uma vez que o mesmo atua na formação da parede celular, germinação do grão de pólen,
crescimento do tubo polínico e transporte de carboidratos.
Assim como a deficiência de boro pode gerar sérios problemas a cultura dos citros, a
toxidez também causa prejuízos, interferindo no crescimento do material vegetativo e atrasando
consequentemente o período de formação da muda e ocasionando perda da qualidade desejada
(MATTOS JÚNIOR et al., 2008).

2 OBJETIVO GERAL

 Avaliar a influência da adubação com boro sobre as variáveis de crescimento, a


composição mineral e as variáveis fisiológicas de mudas cítricas.

2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Avaliar o crescimento de mudas cítricas adubadas com boro;

2
 Determinar as trocas gasosas e o teor de clorofila de mudas de cítricas adubadas com
boro;

 Determinar os teores foliares de macro e micronutrientes em mudas cítricas adubadas


com boro;

 Estimar os índices de antocianinas e flavonoides das mudas de citros adubadas com


boro.

 Comparar o desempenho de três copas enxertadas sobre o limoeiro ‘Cravo’ em função


da adubação com doses de boro.

3
3 REFERÊNCIAS

ALVA, A. K.; PARAMASIVAM, S.; FARES, A.; OBREZA, T. A.; SCHUMANN, A. W.


Nitrogen best management practice for citrus trees II. Nitrogen fate, transport, and components
of N budget. Scientia Horticulturae, Amsterdam, v.109, p.223-233, 2006.

BERNARDI, A. C. C.; CARMELLO, Q. A. C.; CARVALHO, S. A. Development of citrus


nursery trees grown in pots in response to NPK fertilization. Scientia Agricola, Piracicaba,
v.57, n.4, p.733-738, 2000.

CARVALHO, S. A.; GRAF, C. C. D.; VIOLANTE, A. R. Produção de material básico e


propagação. In: MATTOS JÚNIOR, D.; DE NEGRI, J. D.; PIO, R. M.; POMPEU JÚNIOR, J.
Citros. Campinas: Instituto Agronômico e Fundag, 2005. p.279-316.

DONADIO, L. C.; STUCHI, E. S.; CYRILLO, F. L. de L. Tangerinas ou mandarinas. Boletim


Citrícola, Jaboticabal: Funep, n.5, p.01- 40, 1998.

FERMINO, M. H.; GONÇALVES, R. S.; BATTISTIN, A.; SILVEIRA, J. R. P.; BUSNELLO,


A. C.; TREVISAM, M. Aproveitamento dos resíduos da produção de conserva de palmito como
substrato para plantas. Horticultura Brasileira, Brasília, v.28, p 282-286, 2010.

FERREIRA, M. G. R.; ROCHA, R. B.; GONÇALVES, E. P.; RIBEIRO, G. D. Influência do


substrato no crescimento de mudas de cupuaçu (Theobroma grandiflorum Schum.), Acta
Scientiarum Agronomy, v.31, n. 4, p.677-681, 2009.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Levantamento da


produção agrícola. 2013. Disponível em:
[Link]
pdf/[Link]. Acesso em 20 de março de 2015.

MALAVOLTA, E. Manual de nutrição mineral de plantas. São Paulo. Ceres. 2006. 638 p.

4
MATTOS JÚNIOR, P.; BOARETTO, R. M.; CORRÊA, E. R. de L.; ABREU, M. F. de;
CARVALHO, S. A. de. Disponibilidade de boro em substrato para produção de porta-enxerto
de citros em fase de sementeira. Bragantina, Campinas, v.67, n.4, p.983-989, 2008.

MILNER, L. Manejo de irrigação e fertirrigação em substratos. In: FURLANI, A. M. C.;


BATAGLIA, O. C.; ABREU, C. A.; FURLANI, P. R.; QUAGGIO, J. A.; MINAMI, K.
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6
CAPÍTULO I

VARIÁVEIS DE CRESCIMENTO DE MUDAS CÍTRICAS ADUBADAS


COM BORO

7
RESUMO

A muda constitui a base da formação dos pomares, e dentro do sistema de produção vários
fatores podem afetar o seu crescimento, entre os quais o material genético utilizado, o manejo
hídrico, nutricional e os substratos. Objetivou-se com este experimento avaliar o crescimento
de mudas cítricas cultivadas em vermiculita e adubadas com boro. O experimento foi realizado
em ambiente protegido. Foram utilizadas mudas enxertadas com um ano de idade e
transplantadas para vasos plásticos com capacidade de 3,6 L preenchidos apenas com
vermiculita expandida de textura fina. As mudas foram irrigadas em dias alternados com
solução nutritiva. O delineamento adotado foi o de blocos ao acaso em esquema fatorial com
quatro doses de boro (0; 0,5; 2,5; 5,0 mg L-1) e três copas (tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’,
e laranjeira ‘Bahia’), com quatro repetições e quatro mudas por unidade experimental.
Mensalmente foram avaliados a altura e o diâmetro das mudas para posterior cálculo da taxa
relativa de crescimento em altura e em diâmetro. No final do experimento (aos 368 dias após
início da aplicação dos tratamentos) foram determinadas a área foliar, a massa da matéria seca
da parte aérea e radicular. Os dados foram submetidos a análise de variância, sendo os efeitos
das doses de boro avaliados mediante regressão polinomial, enquanto as médias das copas
foram comparadas pelo teste de Tukey. Aplicou-se também análise de componentes principais
e de agrupamento pelo método TwoStep Cluster. Doses superiores a 2,0 mg L-1 de boro
proporcionou maior altura nas mudas da tangerineira Mexerica. O diâmetro e demais
características avaliadas não foram influenciadas pela adubação borratada. A tangerineira
Mexerica apresentou maior crescimento em comparação a tangerineira ‘Ponkan’ e laranjeira
‘Bahia’.

Palavras-chave: Adubação, vermiculita, solução nutritiva.

8
ABSTRACT

The seedling is the basis of the formation of orchards, and within the production system several
factors can affect their growth, among which stand out from the genetic material used, the water,
nutrient management and substrates. The aim of this experiment was to evaluate the growth of
citrus seedlings grown in vermiculite and fertilized with boron. The experiment was conduct in
a greenhouse environment. Seedlings were use grafted with one year of age, transplanted to
plastic pots with 3.6 L capacity filled with expanded vermiculite of fine texture. The seedlings
were water every two day with nutrient solution. The design adopted was the randomized blocks
in factorial 4x3, with: four boron doses (0, 0.5, 2.5, 5.0 mg L-1) and three scions (‘Ponkan’
tangerine, ‘Mexerica’ tangerine and ‘Bahia’ orange), with four replications and four plants per
plot. Monthly it were evaluated the height and diameter of the seedlings for subsequent
calculation of the relative growth rate in height and diameter. At the end of the experiment (368
days after the start of treatment application) were determined leaf area, dry matter of root and
shoot. Data were subjected to analysis of variance, principal component and cluster analysis.
Doses greater than 2.0 mg L-1 of boron provided greater height in the seedlings of ‘Mexerica’
tangerine. The diameter and other variables were not influenced by boron fertilization. The
‘Mexerica’ tangerine showed higher growth compared to ‘Ponkan’ tangerine and 'Bahia'
orange.

Keywords: fertilization, vermiculite, nutrient solution

9
1. INTRODUÇÃO

O Brasil é atualmente o maior produtor mundial de citros, com uma produção em 2013
de aproximadamente 20 milhões de toneladas gerando uma renda de mais de seis bilhões de
reais (IBGE, 2015). O país é o responsável por 60% da produção mundial de suco de laranja,
além de ser o campeão de exportações do produto (MAPA, 2013).
Dentro do sistema de produção os principais fatores que afetam o desenvolvimento e
a qualidade das mudas são os materiais genéticos, os manejos hídricos e nutricionais, as
embalagens e os substratos (SILVA; SIMÕES; SILVA, 2012), porém é consenso que a escolha
de mudas de qualidade atestada é o fator preponderante no sucesso da atividade citrícola
(GOMES, 2013).
As mudas enxertadas são as mais utilizadas na formação de pomares de citros. As
características das mudas estão relacionadas a relação copa/porta-enxerto, a qual deve ser
perfeita, uma vez que podem exercer influência direta na rentabilidade do futuro cultivo
(STUCHI et al., 2008).
O substrato é determinante no desenvolvimento sadio das mudas de porta-enxerto.
Diferentes substratos têm sido utilizados na formação de mudas cítricas, dentre os quais
destaca-se a vermiculita, sendo necessário fazer uso de uma suplementação a base de macro e
micronutrientes visando assim o melhor desenvolvimento da muda (ALVA et al., 2006),
evitando possíveis deficiências nutricionais.
Dentre os micronutrientes a deficiência por boro é a que provoca mais limitações as
plantas, resultando em rápida inibição do crescimento meristemático e precário
desenvolvimento das pontas das radicelas e dos ápices dos ramos devido a participação desse
nutriente na síntese de bases nitrogenadas (MARSCHNER, 1995; MALAVOLTA 2006).
De acordo com Yamada (2000) a carência de boro paralisa o crescimento dos tecidos
meristemáticos das folhas e das raízes, devido à interrupção da divisão celular. Em citros a
deficiência de boro constitui um problema para algumas variedades de porta-enxertos, em
decorrência da resposta característica dos citros, pois o sistema visual de toxidez ocorre a níveis
distintos de concentrações foliares do nutriente conforme a variedade (CHAPMAN, 1958).
Os prejuízos devido à toxidez de B são relacionadas ao menor crescimento do material
vegetativo, com consequente atraso no período de formação da muda e perda da qualidade
desejada (MATTOS JÚNIOR et al., 2008). Espécies e genótipos susceptíveis a toxidez por boro

10
geralmente tem altas concentrações de boro nas folhas e nas brotações do que os genótipos mais
tolerantes (NABLE; BANUELOS; PAULL, 1997).
A toxidez por boro induz a clorose e senescência das folhas, reduz o vigor das plantas,
bem como o número de frutos, o tamanho, peso e a qualidade, resultando consequentemente
numa grande perda da produção e valor comercial (JIANG et al., 2009).
Pesquisas tem indicado que plantas de laranja são sensíveis ao excesso de boro
(MAAS, 1990) e que diferentes porta-enxertos podem influenciar grandemente a muda quanto
à tolerância a toxidez por boro (EL-MOTAIUM; HU; BROWN, 1994; PAPADAKIS et al.,
2004). Mudas de “Newhall” (Citrus sinensis Osb.) enxertadas sobre Citrange [Citrus sinensis
(L). Osb. X Poncirus trifoliata (L.) Raf.] são mais tolerantes ao excesso de boro (GUIDONG;
CUNGANG; YUNHUA, 2011). Contudo, o efeito do boro nas culturas ainda não está
totalmente claro, fazendo-se necessário que mais pesquisas sejam desenvolvidas visando a
obtenção de respostas mais concretas sob o real papel deste elemento no desenvolvimento das
culturas.
Diante do exposto, este experimento teve como objetivo avaliar o crescimento de três
copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubadas com boro.

11
2. MATERIAL E MÉTODOS

2.1 Local e obtenção das mudas

O experimento foi desenvolvido em ambiente protegido localizado no Campus II da


Universidade Federal da Paraíba, em Areia-PB, durante os meses de condução do experimento
efetuou-se a medição da temperatura interna e externa do ambiente, a qual variou de 23 a 31,5
°C.
Utilizaram-se mudas enxertadas de laranjeira ‘Bahia’ (Citrus sinensis L. Osbeck),
tangerineira ‘Ponkan’ (Citrus reticulata Blanco) e tangerineira ‘Mexerica’ (Citrus reticulata
Blanco) com um ano de idade e enxertadas em limoeiro ‘Cravo’ (Citrus limonia L. Osbeck).
As mudas foram transplantadas para vasos plásticos com capacidade de 3,6 L
preenchidos apenas com vermiculita expandida de textura fina. As mesmas foram irrigadas com
a solução nutritiva de Hoagland e Arnon (1950), sendo que inicialmente usou-se meia força da
solução, após 30 dias passou-se a irrigar as mudas com 100% da solução. As irrigações
ocorreram em dias alternados e cada vaso recebeu 0,5 L de água contendo os respectivos
tratamentos. A água utilizada foi proveniente de uma cisterna, cujas propriedades químicas
encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1. Análise de água utilizada na irrigação de mudas cítricas adubadas com boro

pH C.E. Ca++ Mg++ Na+ K+ SO4-2 CO3-2 HCO3- Cl- RAS PSI Clas.

(dSm-1) -------------------------- mmolc L-1 -----------------------------

7,21 0,326 1,20 0,40 1,33 0,10 0,37 0,00 - 1,5 1,49 *** C1S1

2.2. Delineamento experimental

O delineamento experimental adotado foi em blocos ao acaso em esquema fatorial,


sendo os fatores: doses de boro (0; 0,5; 2,5; 5,0 mg L-1), as quais foram determinadas com base
na literatura, considerando-se a deficiência, a suficiência e a toxidez de boro, respectivamente,

12
e três copas (laranjeira ‘Bahia’, tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’), com quatro repetições. A
unidade experimental foi composta por quatro mudas.

2.3 Características avaliadas

Mensalmente foram avaliados a altura das mudas e o diâmetro do caule, para posterior
cálculo da taxa relativa de crescimento em altura e em diâmetro (TRALT e TRCD). No final
do experimento, aos 368 dias após o transplantio, foram determinadas a área foliar e a massa
da matéria seca da parte aérea e da parte radicular.
As leituras referentes à altura e diâmetro do caule foram realizadas com o auxílio de
régua, efetuando-se a medição a partir do colo da muda até o ápice da folha e a medição do
diâmetro do caule efetuado no colo da planta com o auxílio de um paquímetro digital.
Para o cálculo da taxa relativa do crescimento em altura e em diâmetro utilizou-se a
seguinte fórmula de acordo com Hunt (1990).

lnY2 − lnY1
𝑇𝑅 =
t 2 − t1
Sendo: TR = taxa relativa do crescimento em altura e diâmetro;
Y1 = valor numérico da variável no tempo t1;
Y2 = valor numérico da variável no tempo t2;
ln = logarítimo neperiano.

A determinação da área foliar foi realizada aos 368 dias após o transplantio. Para o
efeito, as mudas foram retiradas dos recipientes, lavadas em água corrente, em seguida as folhas
previamente identificadas foram colocadas sobre uma cartolina e digitalizadas com câmera
digital. Posteriormente, as imagens foram processadas no software Sigma Scan Pro 5.0 Demo
([Link]).
Para a determinação da massa da matéria seca da parte aérea e da raiz, as mudas foram
separadas em parte aérea e radicular, em seguida foram acondicionadas em sacos de papel,
identificados e colocados para secar em estufa de circulação forçada de ar a 60 oC, até atingirem
peso constante.

13
2.4 Análise estatística

Os resultados foram submetidos inicialmente a análise de variância. Posteriormente,


as médias das copas foram comparadas pelo teste de Tukey e os efeitos das doses de boro foram
avaliadas aplicando-se análise de regressão polinomial. Realizou-se também a análise de
componentes principais e de agrupamento pelo método TwoStep Cluster As análises foram
realizadas com o software SAS 9.3 (SAS, 2011).

14
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Altura

Com relação as características de crescimento avaliadas para a variável altura das


mudas, apenas as mudas da tangerineira ‘Mexerica’ foram influenciadas pelas doses de boro
(Figura 1), na qual inicialmente as mudas diminuíram a altura, com aumento a partir de 2,0 mg
L-1 de boro no substrato. Já a altura das mudas da tangerineira ‘Ponkan’ e da laranjeira ‘Bahia’
não sofreram influência das doses de boro, com valor médio de 60,4 e 50,7 cm, respectivamente.

75,0
Ponkan  Mexerica ■ Bahia
70,0
ŷM = 65,209 - 5,225x + 1,3266#x2
65,0 R² = 0,99
Altura (cm)

ŷP = 60,4ns
60,0

55,0
ŷB = 50,7ns
50,0

45,0
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

# = significativo a 10 % pelo teste F.

Figura 1. Altura das mudas de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubadas com
doses de boro, aos 368 dias após início da aplicação do boro.

Verifica-se que houve diferença estatística entre as copas, de modo que, as mudas da
tangerineira ‘Mexerica’ apresentaram maior altura (65,21cm) seguida pela tangerineira
‘Ponkan’ (60,4 cm) e diferindo estatisticamente da laranjeira ‘Bahia’ (50,74 cm) (Figura 2).

15
70 a a
60 b
50

Altura (cm)
40
30
20
10
0
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 2. Altura (cm) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias após o
transplantio.

A biomassa acumulada pelas mudas da tangerineira Mexerica pode ter resultado em


um aumento na altura. Segundo Dechen e Nachtigall (2007), isso pode ter ocorrido devido a
atuação do boro nos processos biológicos como metabolismo de carboidratos, metabolismo de
N, atividade de hormônios e fotossíntese influenciando dessa maneira a divisão celular nos
pontos de crescimento, o que pode resultar em aumento na altura das plantas.
De acordo com Fernandes (2002) a altura das plantas pode não ser um bom indicativo
da qualidade da muda, devido a fatores que podem influenciar os tratamentos, como competição
entre as plantas em função da luminosidade que pode causar estiolamento destas por mais
controlado que seja o ambiente utilizado para a condução do experimento. Segundo Fochesato
et al. (2007) mudas produzidas em recipientes onde as condições são restritas respondem com
diferentes níveis de crescimento, os quais influenciarão o tempo de obtenção das mesmas.
As mudas apresentaram sintomas de toxidez por boro, apresentando folhas amareladas
e com consequente queda das mesmas. Para Guidong, Cuncang e Yunhua (2011), a toxidez por
boro influencia o crescimento das raízes e dos rebentos, o que ocasiona num menor crescimento
do material vegetativo, com consequente atraso do período de formação da muda e perda da
qualidade desejada (MATTOS JÚNIOR et al., 2008).

3.2 Diâmetro e taxa relativa de diâmetro (TRD)

Não foi verificado efeito significativo das doses de boro. As copas diferiram
estatisticamente, tendo a laranjeira Bahia apresentado diâmetro médio de 12 mm, superior às
16
tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’ que tiveram diâmetro de 11 e 10,8 mm respectivamente
(Figura 2). Com relação à TRD, a tangerineira ‘Ponkan’ apresentou valor médio de 1,12 mm
m-1 dia-1 diferindo estatisticamente da tangerineira ‘Mexerica’ e da laranjeira ‘Bahia’ que
apresentaram 0,89 e 0,79 mm m-1 dia-1 respectivamente (Figura 2).

12,5 (a) 1,2 a (b)

TRD (mm m--1 dia-1)


a
12
Diâmetro (mm)

1 b
11,5 b
b 0,8
11 b
0,6
10,5
10 0,4
Ponkan Mexerica Bahia Ponkan Mexerica Bahia
Copas
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 3. Diâmetro (a) e taxa relativa do diâmetro (TRD) (b) de três copas cítricas cultivadas
em vermiculita, aos 368 dias após o transplantio.

O diâmetro do colo tem sido reconhecido como um dos melhores indicadores de


padrão de qualidade. As mudas de pequeno diâmetro e muito altas são consideradas de
qualidades inferior, quando comparadas com aquelas de maior diâmetro de colo (GRAVE et
al., 2007).
O diâmetro do caule representa um fator importante para o desenvolvimento do porta-
enxerto, pois determina o momento de se fazer a enxertia, podendo ser antecipada (SILVA et
al., 2012; NASCIMENTO et al., 2012; FERNANDES et al., 2011), sendo essa uma
característica desejável por diminuir o tempo de formação da muda cítrica.
Os resultados encontrados neste experimento diferem dos encontrados por Lacerda et
al. (2009), que estudando influência da adubação com boro (0 a 3,0 mg dm3) em mudas de
umbuzeiro verificaram aumento linear do diâmetro com a elevação dos teores de boro no
substrato.

17
3.3 Taxa relativa de altura (TRALT)

Não houve efeito significativo das doses de boro sobre a taxa relativa da altura
(TRALT), de modo que o valor médio das mudas variou de 1,63 a 1,81 mm m-1 dia-1 (Figura
3).

a
TRALT (mm m-1 dia-1)

1,8

a
1,7
a

1,6

1,5
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 4. Taxa relativa da altura (TRALT) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos
368 dias após o transplantio.

A taxa relativa de altura é considerada como índice de eficiência da planta e, expressa


o crescimento em termos de taxa de aumento da massa por unidade de massa presente
permitindo comparações mais equitativas, permitindo comparações mais equitativas que a taxa
absoluta de crescimento (HUNT, 1990).

3.4 Área foliar

A adubação com boro não influenciou a área foliar das mudas cítricas. E as copas
cítricas não diferiram estatisticamente entre si (Figura 5).
Os resultados estão de acordo com os encontrados por Lacerda et al. (2009), o qual
estudando a influência da adubação boratada em mudas de umbuzeiro, verificaram que a mesma
não influenciou a área foliar das referidas mudas. E diferem dos encontrados por Keles, Öncel

18
e Yenic (2004), os quais verificaram que a adubação boratada em excesso reduziu a área foliar
das mudas cítricas.

AF (cm2 muda-1) 310 a

300 a

290
a
280

270
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 5. Área foliar (AF) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias após
o transplantio.

A área foliar pode ser considerada um índice de produtividade, dada a importância dos
órgãos fotossintetizantes na produção biológica (SCALON et al., 2003), sendo a fotossíntese,
por sua vez dependente da extensão da área foliar e do tempo de permanência das folhas em
plena atividade na planta, de modo que, o aumento da área foliar pode resultar no aumento da
taxa de interceptação de radiação solar, com consequente aumento no metabolismo de
carboidratos, da produtividade das plantas (SOUZA et al., 2011) e produção de seiva orgânica
pelas folhas (SALISBURY; ROSS, 1991).

3.5 Massa da matéria seca foliar (MMSF) e massa da matéria seca radicular (MMSR)

É possível verificar na Figura 6 que tanto a MMSF quanto a MMSR não foram
influenciadas pelas doses de boro aplicadas no substrato. Entretanto foi observado sintomas de
toxidez por boro em ambas as copas irrigadas com 2,5 e 5,0 mg L-1
Quando se trata de MMSF verifica-se que não existiu diferença estatística entre as
copas. Já para a MMSR, a maior massa da matéria seca radicular foi da tangerineira ‘Mexerica’
com valor médio de 28,1 g kg-1, seguida pela tangerineira ‘Ponkan’ (22,8 g kg-1) e pela laranjeira
‘Bahia’ que teve valor médio de 21,1 g kg-1.

19
(b)
23 (a) a 30
a

MMSR (g muda-1)
MMSF (g muda-1)

22 28
a
26
21
24 ab
20 22 b
a
19 20
Ponkan Mexerica Bahia Ponkan Mexerica Bahia
Copas Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 6. (a) Massa da matéria seca foliar (MMSF) e (b) massa da matéria seca radicular
(MMSR) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias após o
transplantio.

Os resultados estão de acordo com os encontrados por Papadakis et al. (2003) que
estudando a resposta de dois genótipos de citros em seis diferentes concentrações de boro (0,05,
0,25, 0,50, 1,0, 2,0, 5,0 mg L-1) verificou que os tratamentos não influenciaram o teor de massa
seca.
A adubação boratada aplicada em doses crescentes no substrato não influenciou a
produção de massa da matéria seca radicular em mudas de mamoeiro (SILVA; RODAS;
CARVALHO, 2014). Mudas de laranja ‘Newhall’ enxertadas sobre Trifoliata e plantas de
‘Skagg’ bonanza enxertadas tanto no ‘Trifoliata’ quanto no citrange ‘Carrizo’ tiveram sua
massa da matéria seca reduzida com doses excessivas de boro no substrato (SHENG et al.,
2010).
A toxidez por boro exerce diferentes efeitos sob os mais diversos processos nas plantas
vasculares, entre os efeitos estão a alteração no metabolismo, redução da divisão celular das
raízes, teor de clorofila e taxa fotossintética reduzidas e redução dos níveis de lignina e suberina
(REID, 2007).
Em fruteiras, a deficiência de B causa mal funcionamento do tecido do câmbio
vascular, responsável pela multiplicação de células dos vasos condutores provocando colapso
imediato do floema e posteriormente do xilema, quando a deficiência é aguda. Assim, ocorre
um menor transporte de fotossintatos para as raízes, que têm o crescimento reduzido,
prejudicando a absorção de água e nutrientes (QUAGGIO et al., 2003).
20
3.5 Análise de componentes principais

Verifica-se na Tabela 2 e na Figura 7 os autovetores e autovalores respectivamente das


variáveis relacionadas ao crescimento das mudas cítricas. Para explicar satisfatoriamente a
variabilidade entre as copas foram necessários três componentes principais que explicam 76,4%
da variabilidade total dos dados.

Tabela 2. Autovetores de três componentes principais (CP1, CP2 e CP3) das variáveis
relacionadas ao crescimento de mudas cítricas adubadas com boro.
Características CP1 CP2 CP3

MS Folha 0,384 -0,111 -0,369

MS Caule 0,347 0,423 0,123

MS Raiz 0,420 0,193 0,030

MS total 0,449 0,220 -0,125

Altura 0,380 0,115 0,351

Diâmetro -0,315 0,342 0,421

TRALT -0,252 0,245 0,628

TRDIAM 0,131 -0,453 0,363

AF 0,174 0,572 0,075

ƛ 4,06 1,51 1,31

VA (%) 45,1 61,0 76,43

ƛ = autovalor da matriz de correlação; VA = variância acumulada; TRALT = taxa relativa de crescimento


em altura; TRDIAM = taxa relativa de diâmetro AF = área foliar; MS = massa da matéria seca (folha,
caule, raiz e parte aérea); MS total = massa da matéria seca total da parte aérea (folha + caule).

Para o primeiro componente principal (CP1), as variáveis relacionadas foram massa


seca (foliar, caulinar, radicular e total), altura das mudas, diâmetro do caule e taxa relativa de
crescimento em altura (TRALT). Para o segundo componente principal (CP2), as principais
variáveis foram a taxa relativa do diâmetro (TRDIAM) e a área foliar (AF). Já para o terceiro
componente principal (CP3) foi a TRALT.

21
AF 1.02
G1

0.82
Caule
DIAM
B_0.5 0.61

TRALT M_0
0.41 PA
B_5 Raiz M_0.5
M_5
G2
0.20 ALT G3

B_2.5
B_0
-1.02 -0.82 G1 -0.61 -0.41 -0.20 0.20 0.41 0.61 0.82 1.02
CP2 P_5
-0.20 M_2.5 Folha
P_0.5

-0.41
P_2.5
P_0
G1
-0.61

-0.82 G1 TRDIAM

-1.02

CP1

PA = parte aérea total (folha + caule); ALT = altura; TRDIAM = taxa relativa de diâmetro; TRALT = taxa relativa
do crescimento em altura; AF = área foliar.
Copas: P = ‘Ponkan’; M = ‘Mexerica’; B = ‘Bahia’. Boro (0; 0,5; 2,5; 5,0 mg L-1)

Figura 7. Autovalores das variáveis relacionadas ao crescimento de mudas cítricas nos dois
primeiros componentes principais (CP1 e CP2) e agrupamento dos tratamentos.

Com base nos escores dos três primeiros componentes principais foram determinados
três grupos de tratamentos (Figura 7). A tangerineira ‘Mexerica’ (Grupo 3) apresentou maiores
valores de altura, parte aérea e raiz, apresentando os maiores scores no primeiro componente
principal (CP1).
No Grupo 1, a tangerineira ‘Ponkan’ foi a que apresentou maior taxa relativa de
diâmetro (TRDIAM).
No Grupo 2, constituído pela laranjeira ‘Bahia’ a taxa relativa de crescimento da altura
e o diâmetro das mudas cítricas apresentaram os maiores valores.
No Grupo 3, a tangerineira ‘Mexerica’ foi a que apresentou maior massa da matéria
seca total, massa da matéria seca radicular e altura das mudas.
22
4. CONCLUSÕES

 Doses superiores a 2,0 mg L-1 de boro proporcionaram maior altura nas mudas da
tangerineira ‘Mexerica’;
 O diâmetro e demais características avaliadas não foram influenciadas pela adubação
boratada;
 Formou-se três grupos de tratamentos em função das copas, sendo o grupo constituído
pela tangerineira ‘Mexerica’ o que apresentou maior crescimento.

23
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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YAMADA, T. Boro: será que estamos aplicando a dose suficiente para o adequado
desenvolvimento das plantas? Informações Agronômicas – POTAFOS, n.90, p.1-5, 2000.

28
CAPITULO II

COMPOSIÇÃO MINERAL DE MUDAS CÍTRICAS ADUBADAS COM


BORO

29
RESUMO

Na produção de mudas, o estado nutricional das plantas deve ser considerado como ponto
fundamental, uma vez que irá refletir no futuro pomar, originando um produto de qualidade.
Pesquisas relacionadas com a adubação com micronutrientes em citros ainda são escassas.
Portanto, objetivou-se com esse experimento determinar a composição mineral foliar de mudas
cítricas em substrato adubado com boro. Utilizou-se um delineamento em blocos ao acaso no
esquema fatorial com quatro doses de boro (0; 0,5; 2,5; 5,0 mg L-1), três copas (tangerineira
‘Ponkan’, tangerineira ‘Mexerica’ e laranjeira ‘Bahia’) e quatro repetições. As mudas foram
transplantadas para vasos com capacidade de 3,6 L contendo apenas vermiculita expandida de
textura fina. As mesmas foram irrigadas com solução nutritiva em dias alternados. No final do
experimento foram determinados os teores foliares de macro e micronutrientes. Os dados foram
submetidos a análise de variância, sendo os efeitos das doses de boro avaliadas mediante
regressão polinomial, enquanto as médias das copas foram comparadas pelo teste de Tukey.
Aplicou-se também análise de componentes principais e de agrupamento pelo método TwoStep
Cluster. Com exceção do N, todos os demais macronutrientes apresentaram teores foliares
inadequados para a cultura dos citros. O aumento da dose de boro reduziu o teor foliar de
micronutrientes e provocou toxidez nas mudas cítricas. A laranjeira ‘Bahia’ apresentou maior
teor foliar de nitrogênio e potássio, enquanto que a tangerineira ‘Ponkan’ apresentou maiores
teores foliares de boro.

Palavras-chave: Nutrição mineral; produção de mudas; ácido bórico

30
ABSTRACT

In seedling production, the nutritional status of plants should be considered as a key point, as it
will reflect in the future orchard, resulting in a quality product. Searches related to fertilization
with micronutrients in citrus are still scarce. Therefore, the aim of this experiment was to
determine the leaf contents of macro and micronutrients of citrus seedlings in fertilized
substrate with boron. It was used a randomized block design in a factorial 4x3, with four boron
doses (0, 0.5, 2.5, 5.0 mg L-1), and three scions (‘Ponkan’ tangerine, ‘Mexerica’ tangerine and
‘Bahia’ orange) with four replications. The seedlings were transplanted to pots with 3.6 liter
capacity containing expanded vermiculite of fine texture. The pots were irrigated with nutrient
solution every two day. At the end of the experiment were determined foliar concentration of
macro and micronutrients. Data were subjected to analysis of variance, and the effects of boron
doses evaluated by polynomial regression, while the average of the crowns were compared by
Tukey test. It applied also principal component analysis and cluster analysis. Except for N, all
other macronutrients showed inadequate foliar for citrus culture. Increasing boron dose reduced
the foliar micronutrient and caused toxicity in citrus seedlings. The 'Bahia' orange showed
higher leaf content of nitrogen and potassium, while the Ponkan “tangerine’ had higher leaf
content of boron.

Keywords: Mineral nutrition; seedling production; boric acid

31
1 INTRODUÇÃO

A citricultura é uma das atividades mais importantes do cenário agrícola brasileiro


(NASCIMENTO et al., 2012).
Por ser uma cultura cujo ciclo de vida é longo torna-se necessário o uso de mudas
sadias, vigorosas, apresentando crescimento rápido e com um sistema radicular bem
desenvolvido, visando dessa maneira a obtenção dos resultados desejados durante todo o ciclo
da planta (ORIOLI; ORIOLI JÚNIOR; OLIVEIRA, 2008).
Na fase de produção de mudas o conhecimento do comportamento da combinação
copa/porta-enxerto é importante, uma vez que tal interação pode contribuir para acelerar ou
retardar o crescimento da muda (SCHÄFER, 2004). Para que a muda cítrica se desenvolva de
forma satisfatória é necessário que a mesma seja cultivada em substratos que promovam o
crescimento adequado, tanto em fase de sementeira quanto em viveiro (SPIER, 2008).
A produção de mudas em ambiente protegido requer atenção quanto aos métodos de
adubação, específicos para cada porta-enxerto e para cada variedade copa utilizada (REZENDE
et al., 2010), uma vez que a função da adubação é atender a demanda da planta e corrigir
possíveis deficiências nutricionais principalmente de elementos pouco móveis, como é o caso
do boro.
Vários autores (BERNARDI; CARMELLO; CARVALHO, 2000; MATTOS
JÚNIOR; CARVALHO; PEDROSO, 2001; BOAVENTURA et al., 2004) estudaram a
adubação com macronutrientes na produção de mudas em substrato. Por outro lado, estudos
envolvendo micronutrientes não têm tido a mesma abordagem (MATTOS JÚNIOR et al.,
2008).
Dentre os micronutrientes, o boro tem importante função fisiológica para o
crescimento e desenvolvimento das plantas, além de desempenhar importante papel na estrutura
e formação da parede celular e das membranas, metabolismo de carboidratos e no crescimento
do tubo polínico (GOLDBACH; WIMMER, 2007; CAMACHO-CRISTÓBAL; REXACH;
GONZÁLEZ-FONTES, 2008).
Em pomares de citros, a deficiência de boro é muito comum e é responsável por uma
perda de produtividade e má qualidade dos frutos (SHORROCKS, 1997; HAN et al., 2008).
A toxidez por boro causa prejuízos relacionados ao menor crescimento do material
vegetativo, com consequente atraso do período de formação da muda e perda da qualidade
desejada.

32
Altas concentrações de boro nas raízes podem levar a altas concentrações do nutriente
nas folhas, uma vez que o boro move-se passivelmente a partir das raízes com o fluxo de
transpiração acumulando primeiramente nas folhas maduras quando essa retransposição é
restrita (TAKANO; MIWA; FUJIWARA, 2008). Porém, o desbalanço desse nutriente constitui
um problema para algumas variedades de porta-enxertos, em decorrência da resposta
característica dos citros, pois o sintoma visual da toxidez ocorre a níveis distintos de
concentrações foliares do nutriente conforme a variedade (CHAPMAN, 1958).
Devido as poucas informações sobre as respostas de mudas cítricas após a exposição
a teores elevados de boro, e o fato de ser pouco estudada a combinação entre muda/porta-
enxerto em condições de ambiente protegido, torna-se de suma importância buscar respostas
que possam nortear a produção de mudas, visando assim o melhor desenvolvimento da cultura.
Diante do exposto, objetivou-se com este experimento avaliar os teores foliares de
macro e micronutrientes de mudas cítricas em substrato contendo apenas vermiculita e adubado
com boro.

33
2 MATERIAL E MÉTODOS

2.1 Local do experimento e obtenção das mudas

O experimento foi desenvolvido em ambiente protegido localizado na Universidade


Federal da Paraíba, em Areia-PB, durante os meses de condução do experimento efetuou-se a
medição da temperatura interna e externa do ambiente, a qual variou de 23 a 31,5 °C.
Utilizaram-se mudas enxertadas de laranjeira ‘Bahia’ (Citrus sinensis L. Osbeck),
tangerineira ‘Ponkan’ (Citrus reticulata Blanco) e tangerineira ‘Mexerica’ (Citrus reticulata
Blanco) com um ano de idade e enxertadas em limoeiro Cravo (Citrus limonia L. Osbeck).
As mudas foram transplantadas para vasos plásticos com capacidade de 3,6 L
preenchidos apenas com vermiculita expandida de textura fina. As mesmas foram irrigadas com
a solução nutritiva de Hoagland e Arnon (1950), sendo que inicialmente usou-se meia força da
solução, após 30 dias passou-se a irrigar as mudas com 100% da solução. As irrigações
ocorreram em dias alternados e cada vaso recebeu 0,5 L de água contendo os respectivos
tratamentos. A água utilizada foi proveniente de uma cisterna, cujas propriedades químicas
encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1. Análise de água utilizada na irrigação de mudas cítricas adubadas com boro

pH C.E. Ca++ Mg++ Na+ K+ SO4-2 CO3-2 HCO3- Cl- RAS PSI Clas.

(dSm-1) -------------------------- mmolc L-1 -----------------------------

7,21 0,326 1,20 0,40 1,33 0,10 0,37 0,00 - 1,5 1,49 *** C1S1

2.2 Delineamentos experimental

O delineamento experimental adotado foi de blocos ao acaso em esquema fatorial


representado por doses de boro (0; 0,5; 2,5; 5,0 mg L-1), as quais foram determinadas com base
na literatura considerando-se a deficiência, a suficiência e a toxidez de boro respectivamente, e
três copas (laranjeira ‘Bahia’, tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’), com quatro repetições. A
unidade experimental foi composta por quatro mudas.

34
2.3 Características avaliadas

Ao final do experimento aos 368 dias após o início da aplicação do boro as plantas
foram coletadas e separadas em parte aérea e radicular. Sendo em seguida identificadas,
acondicionadas em sacos de papel e levadas para secar em estufa de circulação forçada de ar a
60 °C até atingirem peso constante. Em seguida, as folhas foram moídas em moinho tipo Wiley
TE-650® utilizando-se peneira de 20 mesh, e posteriormente colocado em potes plásticos
previamente identificados e encaminhados ao Laboratório de Análise de Solo e Planta em
Jaboticabal-SP. As análises de macro e micronutrientes foliares foram realizadas com base na
metodologia descrita por Bataglia et al. (1983). Os teores de nitrogênio foliar foram
determinados em soluções obtidas a partir de extratos preparados por digestão sulfúrica pelo
método micro Kjeldahl; o fósforo foi determinado em extrato preparado via digestão. O
enxofre, cálcio, mangnésio, cobre, ferro, manganês e zinco foram determinados a partir de
leituras em espectrofotômetro de absorção atômica, enquanto que o boro foi determinado pelo
método colorimétrico-curcumina.

2.6 Análise estatística

Os resultados foram submetidos inicialmente à análise de variância. Posteriormente,


as médias das copas foram comparadas pelo teste de Tukey e os efeitos das doses de boro foram
avaliadas aplicando-se análise de regressão polinomial. Realizou-se também a análise de
componentes principais e de agrupamento pelo método TwoStep Cluster. Todas as análises
foram realizadas com o software SAS 9.3 (SAS, 2011).

35
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Teores foliares de macronutrientes

3.1.1 Nitrogênio

As mudas das tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’ foram influenciadas pelas doses de


boro. De modo que os teores foliares de nitrogênio diminuíram linearmente nas mudas da
tangerineira ‘Mexerica’ com o aumento das doses de boro (Figura 1), enquanto que nas mudas
da tangerineira ‘Ponkan’ houve um ajuste quadrático em função das doses de boro, a partir da
dose de 2,45 mg L-1 o teor foliar de nitrogênio das mudas da tangerineira ‘Ponkan’ reduziu. O
teor foliar de N nas mudas da laranjeira ‘Bahia’ não foram influenciadas pelas doses de boro,
com valor médio de 25,6 g kg-1.

28,0 ŷP = 24,221 + 2,0202x - 0,4117#x2


Ponkan  Mexerica ■ Bahia R² = 0,96
N foliar (g kg-1)

25,0
ŷB = 25,6ns

22,0
ŷM = 24,051 - 0,6661*x
R² = 0,72

19,0
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

#, * = significativo a 10 e 5 % respectivamente pelo teste F

Figura 1. Teor foliar de nitrogênio de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubado
com doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro.

Para as copas é possível verificar que houve diferença estatística entre as mesmas
(Figura 2), de modo que a laranjeira ‘Bahia’ apresentou o teor médio de nitrogênio foliar de
25,6 g kg-1 seguida pela tangerineira ‘Ponkan’ (25,0 g kg-1) e ‘Bahia’ (23 g kg-1 ).

36
26 a
a

N foliar (g. kg-1) 24


b

22

20
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 2. Teor foliar de nitrogênio de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368
dias após o transplantio.

De acordo com Ribeiro, Guimarães e V (1999), os teores foliares de nitrogênio estão


adequados para a cultura dos citros.
O teor foliar de N é um bom indicador para ajustar as doses de N definidas conforme
a produção pendente de frutos (QUAGGIO; CANTARELLA; RAIJ, 1998).

3.1.2 Fósforo

O teor foliar de fósforo da tangerineira ‘Ponkan’ aumentou linearmente com a elevação


das doses de boro (Figura 3). Já o teor foliar de fósforo nas mudas da tangerineira ‘Mexerica’
e laranjeira ‘Bahia’ não foram influenciadas pelas doses de boro.
O teor médio de fósforo foliar encontrado foi 0,78; 0,8 e 0,66 g kg-1 respectivamente
para as tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’, e laranjeira ‘Bahia’, respectivamente. Os mesmos
encontram-se abaixo dos recomendados para a cultura (RIBEIRO; GUIMARÃES; V., 1999).

37
0,95
Ponkan  Mexerica ■ Bahia ŷP = 0,7262 + 0,0306*x
0,9 R² = 0,57

P foliar (g kg-1) 0,85 ŷM = 0,8ns


0,8

0,75

0,7 ŷB = 0,66ns
0,65

0,6
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

* = significativo a 5 % pelo teste F

Figura 3. Teor foliar de fósforo de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubado com
doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro.

Entre as copas verificou-se diferença estatística (Figura 4), tendo a tangerineira


‘Mexerica’ apresentado teor foliar médio de fósforo de 0,80 g kg-1 superior as demais copas.

0,9
a
a
0,8
P foliar (g. kg-1)

0,7 b

0,6

0,5

0,4
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 4. Teor foliar de fósforo de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias
após o transplantio.

38
O fósforo é exigido em menor quantidade pelas plantas cítricas (FAQUIN, 2005).
Apesar da pouca exigência por fósforo, os teores de N foliar adequados encontrados nessa
pesquisa influenciaram ainda mais na disponibilidade de fósforo para as mudas cítricas.
De acordo com Del Rivero (1964) a absorção de boro pelos citros reduz o teor foliar
de fósforo e favorece a relação K:Ca, aumentando dessa forma o teor de potássio e diminuindo
o de cálcio.

3.1.3 Potássio

O teor foliar de potássio não foi influenciado pelas doses de boro. É possível verificar
que para as copas, houve diferença estatística entre as mesmas, sendo que as mudas da
tangerineira‘Ponkan’ e da laranjeira ‘Bahia não diferiram entre si, apresentando médias de 24,7
e 23,3 g kg-1 respectivamente. Já as mudas da tangerineira ‘Mexerica’ apresentaram menor teor
de potássio, correspondente a 16,8 g kg-1 (Figura 5).

30
a
25 a
K foliar (g kg-1)

20
b

15

10

5
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 5. Teor foliar de potássio de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias
após o transplantio.

De acordo com Ribeiro, Guimarães e V. (1999), os teores foliares de potássio estão


acima dos recomendados para a cultura (10 a 15 g kg-1). Apesar do efeito antagônico existente
entre o N e o K, nessa pesquisa os valores adequados de nitrogênio não influenciaram nos níveis

39
foliares de potássio das mudas cítricas. De acordo com Reese e Koo (1975), o aumento dos
níveis de potássio resultam apenas em aumento dos teores do elemento, mas não interferem nos
teores de N.

3.1.4 Cálcio

As doses de boro não influenciaram o teor foliar de cálcio das mudas cítricas
estudadas. Comportamento diferente foi verificado pelas copas cítricas, as quais diferiram
estatisticamente entre si (Figura 6), tendo a tangerineira ‘Mexerica’ apresentado maior teor de
cálcio (12,3 g kg-1), seguida pela tangerineira ‘Ponkan’ e a laranjeira ‘Bahia’. Os teores
encontrados estão muito abaixo dos recomendados para a cultura do citros (35 a 45 g kg-1)
(RIBEIRO; GUIMARÃES; V., 1999).

14

a
Ca foliar (g kg-1)

12

b
10 b

8
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 6. Teor foliar de cálcio de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias
após o transplantio.

Os resultados obtidos estão de acordo com os observados por Khan et al. (2012), os
quais verificaram que os teores foliares de Ca das mudas cítricas não foram influenciados pela
adubação com boro e zinco.
Umas das peculiaridades das plantas cítricas é o fato da concentração de Ca nas folhas
ser superior à de outros nutrientes, incluindo o N, em todos os tecidos, com exceção dos frutos,

40
cuja característica não é comum a outras culturas (MATTOS JÚNIOR; BOARETTO;
QUAGGIO, 2012).
O boro e o cálcio são imóveis no floema, exceto algumas culturas que produzem
polióis (sorbitol, manitol e dulcitol) que complexam os elementos e os translocam para
diferentes partes da planta.

3.1.5 Magnésio e Enxofre

Assim como os demais macronutrientes os teores foliares de magnésio e enxofre não


sofreram influência da adubação boratada (Figura 7). Também não houve diferença estatística
entre as copas para ambos os teores foliares de magnésio e enxofre.

0,8
9 a a
a a
Mg foliar (g kg-1)

S foliar (g kg-1)

8,5 0,75
8
a
7,5 0,7
7 a
0,65
6,5
6 0,6
Ponkan Mexerica Bahia Ponkan Mexerica Bahia
Copas Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 7. Teores foliares de magnésio (Mg) e enxofre (S) de três copas cítricas cultivadas em
vermiculita, aos 368 dias após o transplantio.

Os teores foliares de magnésio encontrados foram 8,5; 8,6 e 7,5 g kg-1 para as
tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’, e para a laranjeira ‘Bahia’, respectivamente. De acordo
com Ribeiro, Guimarães e V. (1999), os valores obtidos nessa pesquisa estão muito acima
daqueles recomendados para a cultura (2,5 a 4 g kg-1). Já para o teor foliar de enxofre, os valores
registrados foram de 0,74; 0,75 e 0,64 g kg-1, valores estão muito abaixo dos recomendados
para os citros (2 a 3 g kg-1).

41
A concentração de macronutrientes nas partes da planta podem ocorrer conforme o
crescimento da muda e o acúmulo de matéria seca (REZENDE et al., 2010). Aos 368 dias o
acúmulo de macronutrientes obedeceu a seguinte ordem: N>K>Ca>Mg>P>S. Diferindo em
alguns nutrientes dos resultados encontrados por Rezende et al. (2010) N>Ca>K>P>Mg>S e
dos resultados obtidos por Tecchio et al. (2006) K>N>Ca>P>Mg>S em mudas cítricas.

3.2 Teores foliares de micronutrientes

3.2.1 Boro foliar

O teor foliar de boro aumentou linearmente com o incremento da adubação boratada


(Figura 8).

1250
Ponkan  Mexerica ■ Bahia
1050 ŷP = 63,315 + 198,22*x
R² = 0,98
B foliar (mg kg-1)

850

650

450 ŷM = 90,109 +148,51*x


R² = 0,99
250 ŷB = 92,125 +141,75*x
R² = 0,99
50
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

* = significativo a 5 % pelo teste F

Figura 8. Teor foliar de boro de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubado com
doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro.

Os resultados encontrados nesse experimento estão de acordo com os observados por


Silva, Rodas e Carvalho (2014), Sheng et al. (2010), Mattos Júnior et al. (2008), e Papadakis et
al. (2003) que verificaram aumento do teor de boro na folha proporcionalmente ao aumento das
doses utilizadas.
42
O teor foliar de boro variou de 82 a 1221 mg kg-1, tais valores são bem superiores aos
encontrados por Papadakis, Dimassi e Therios (2003), entre 0,13 e 4,13 mg kg-1. Segundo
Ribeiro, Guimarães e V. (1999) os teores foliares de boro recomendados para a cultura dos
citros fica em torno de 36 a 100 mg kg-1. Com base nesses valores e nos obtidos nessa pesquisa
é oportuno afirmar que houve toxidez por boro.
As copas apresentaram teores bem acima do nível adequado para a cultura 459,7 g kg-
1
, 387,1 g kg-1 e 375,6 g kg-1 para as tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’, e laranjeira ‘Bahia’,
respectivamente (Figura 9).

470 a
B foliar (mg kg-1)

430

a
390 a

350
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 9. Teor foliar de boro de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias após
o transplantio.

Esse aumento no teor foliar de boro pode ser explicado pelo fato que o transporte de
boro através do xilema ser altamente influenciado pela transpiração (BROWN; SHELP, 1997).
A alta concentração de boro nas folhas pode indicar que o micronutriente pode ter sido
distribuído para as folhas via fluxo de transpiração e que a remobilização do boro das folhas
para os outros órgãos é limitada (EATON, 1944).
Alguns trabalhos relatados na literatura afirmam haver variações na concentração de
B nas folhas das plantas cítricas, de acordo com a variedade e o porta-enxerto (BOARETTO et
al., 2008; PAPADAKIS et al., 2004; TAYLOR; DIMSEY, 1993).

43
3.2.2 Manganês

A adubação com boro diminuiu o teor de manganês foliar nas mudas cítricas de
laranjeira ‘Bahia’ à medida que as doses de boro aumentaram no substrato (Figura 10). Já as
mudas das tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’ não foram influenciadas e apresentaram valor
médio de manganês foliar de 13,8 e 19,8 mg kg-1.

30
Ponkan  Mexerica ■ Bahia
ŷB = 23,788 -1,3629x
25 R² = 0,82
Mn foliar (mg kg-1)

20
ŷM = 19,8ns
15
ŷP = 13,8ns
10

5
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg kg-1)

* = significativo a 5 % pelo teste F

Figura 10. Teor foliar de manganês (Mn) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e
adubado com boro doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro.

Os teores foliares de manganês encontrados nas copas das mudas cítricas diferiram
estatisticamente entre si, variando de 13,8; 19,8 e 21,1 mg kg-1 (Figura 11), considerados baixos
para a cultura, que tem como teores foliares adequados valores de 35 a 50 mg kg-1 (RIBEIRO;
GUIMARÃES; V., 1999). O excesso de boro pode causar diminuição nos teores foliares de
manganês (DEL RIVERO, 1964).

44
25
a
a

Mn foliar (mg kg-1)


20

15 b

10

0
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 11. Teor foliar de manganês de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368
dias após o transplantio.

Essa redução do teor foliar de manganês pode ser por conta da interação negativa entre
o B e Mn nas plantas cultivadas (ZAHARIEVA, 1986). Estudando o efeito da adubação com
boro sobre dois porta-enxertos de citrus, Papadakis, Dimassi e Therios (2003) verificaram que
o boro não afetou a absorção de manganês, concluindo que o excesso de B impediu o Mn de
atuar eficazmente nos principais sítios metabólicos e nos órgãos dos dois porta-enxertos
avaliados.
Os resultados encontrados estão de acordo com os obtidos por Ullah et al. (2012) e
Sotiropoulos et al. (2006), que trabalhando com adubação foliar com boro em plantas de
Kinnow mandarin (Citrus reticulata Blanco) e adubação de porta-enxertos de cereja,
respectivamente, verificaram que a adubação foliar com boro reduziu o teor manganês nas
folhas.
De acordo com Faquin (2005), os teores obtidos nesse experimento estão adequados
para a cultura. Os teores considerados tóxicos para manganês (Mn) variam de acordo com a
espécies de 100 a 7.000 mg kg-1 (FAQUIN, 2005).

45
3.2.3 Zinco

Verifica-se que houve um ajuste quadrático do teor de Zn na laranjeira ‘Bahia’ em


função da adubação com boro (Figura 12). Comportamento diferente apresentaram as mudas
das tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’, as quais não sofreram influência da adubação
boratada.

25 Ponkan  Mexerica ■ Bahia ŷB = 6,5102 + 10,782x -1,9934*x2


R² = 0,80
20
Zn foliar (mg kg-1)

15
ŷP = 8,7ns
10

5 ŷM = 8,0ns

0
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

* = significativo a 5 % pelo teste F

Figura 12. Teor foliar de zinco (Zn) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubado
com doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro.

As copas das mudas cítricas não diferiram estatisticamente (Figura 13), tendo as mudas
da laranjeira ‘Bahia’ apresentado teor foliar de zinco de 12,4 mg kg-1, seguida pelas
tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’ que apresentaram teores médios foliares de 8,6 e 8,0 mg
kg-1, respectivamente.

46
13 a
12

Zn foliar (mg kg-1)


11
10
9 a
a
8
7
6
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 13. Teor foliar de zinco de três copas cítricas cultivadas em vermiculita, aos 368 dias
após o transplantio.

Segundo Ribeiro, Guimarães e V. (1999), os teores de zinco das mudas cítricas estão
muito abaixo dos recomendados para a cultura dos citros, uma vez que os valores adequados
variam entre 35 a 50 mg kg-1. Tem sido relatado que níveis adequados de zinco em plantas
estimula a fotossíntese, o metabolismo de ácidos nucléicos e a biossíntese de proteínas (KHAN
et al., 2012).
Os resultados encontrados nas tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’ diferem dos
obtidos por Khan et al. (2012), que estudando a adubação de mudas cítricas verificaram
aumento nos teores foliares de zinco após a adubação com boro e zinco em mudas de Feutrell’s
early (Citrus reticulata Blanco). O fato do zinco ser um elemento com baixa mobilidade em
laranjeiras pode ter influenciado a absorção do mesmo por parte das mudas cítricas.

3.2.4 Ferro e cobre

Diferente dos demais micronutrientes, o ferro e o cobre não sofreram influência da


adubação com boro (Figura 14), assim como também não houve diferença estatística entre as
copas cítricas. Os teores foliares médios de ferro foram 98,8, 95,1 e 95,6 mg kg-1 para as
tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’, e para a laranjeira ‘Bahia’ respectivamente. Tais teores

47
encontram-se dentro da faixa ótima para a cultura dos citros (RIBEIRO, GUIMARÃES; V.,
1999).
Os teores foliares médios de cobre variaram de 2,4 a 1,9 mg kg-1. Os quais encontram-
se abaixo da faixa ótima para a cultura (4 a 10 mg kg-1) no que se refere a nutrição adequada da
muda cítrica (RIBEIRO; GUIMARÃES; V., 1999).

102 2,5 a
a

Cu foliar (mg kg-1)


a
Fe foliar (mg kg-1)

98 2 a
a a

94 1,5

90 1
Ponkan Mexerica Bahia Ponkan Mexerica Bahia
Copas Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 14. Teores foliares de ferro (Fe) e cobre (Cu) de três copas cítricas cultivadas em
vermiculita, aos 368 dias após o transplantio.

Às vezes, teores excessivos dos micronutrientes metálicos podem ser encontrados na


análise de folhas sem que essa apresente sintomas de toxicidade, o que pode levar a
interpretação errada do estado nutricional, pois estes nutrientes podem apenas estar aderidos na
superfície da folha e sem estarem disponíveis para a planta (MATTOS JÚNIOR et al., 2012).
Aos 368 dias o acúmulo de micronutrientes obedeceu a seguinte ordem:
Fe>Mn>Zn>Cu, os resultados corroboram com os obtidos por Rezende et al. (2010)
Fe>Mn>Cu>Zn, sendo que os valores encontrados nessa pesquisa foram superiores aos de
Rezende et al. (2010).
Os teores foliares dos nutrientes não dependem unicamente da disponibilidade do
elemento no solo, pois sofrem influência de outros fatores, como taxa de crescimento da planta,
idade da folha, combinações copa e porta-enxerto, e interações com outros nutrientes
(MATTOS JÚNIOR et al., 2012).

48
3.3 Análise de componentes principais

A Tabela 2 e a Figura 15 apresentam os autovetores das variáveis relacionadas ao teor


foliar de macro e micronutrientes de mudas de citros adubadas com boro. Visando explicar
satisfatoriamente a variabilidade entre os tratamentos foram necessários três componentes,
principais com variância acumulada de 72,5 %, da variabilidade total dos dados.

Tabela 2. Autovetores em três componentes principais (CP1, CP2 e CP3) dos teores foliares
de macro e micronutrientes de mudas cítricas adubadas com boro.

Características CP1 CP2 CP3

N 0,350 0,218 -0,253

P -0,378 0,305 0,172

K 0,384 0,336 -0,073

Ca -0,422 -0,195 0,036

Mg -0,359 0,282 -0,021

S -0,376 0,152 -0,272

B -0,179 0,242 0,627

Fe 0,108 0,372 0,172

Mn -0,031 -0,632 0,114

Zn 0,134 -0,057 0,412

Cu -0,276 0,083 -0,469

ƛ 4,81 1,81 1,36

VA (%) 43,72 60,15 72,5

ƛ = autovalor da matriz de correlação; VA = variância acumulada

Para o primeiro componente (CP1), as variáveis relacionadas foram os teores foliares


de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e cobre. Já para o segundo componente
principal (CP2), as principais variáveis foram ferro e manganês. Enquanto que para o terceiro
componente principal (CP3) foram boro e cobre.
49
Com base nos escores dos três primeiros componentes principais foram determinados
quatro grupos de tratamentos (Figura 15).

1.3

1.1

G3 0.8 Fe
P_2.5 K
P P_5
Mg
B 0.5
N
S P_0
0.3 P_0.5
Cu
B_5
CP2 M_2.5 M_0.5
-1.3 -1.1 -0.8 -0.5 -0.3 0.3 Zn 0.5 0.8 1.1 1.3
M_0 B_2.5 B_0
-0.3 G1
M_5 Ca
G4 -0.5 B_0.5

-0.8 G2

-1.1

Mn-1.3

CP1

Copas: P = ‘Ponkan’; M = ‘Mexerica’; B = ‘Bahia’. Boro (0; 0,5; 2,5; 5,0 mg L-1)

Figura 15. Autovalores das variáveis relacionadas ao teor foliar de nutrientes de mudas cítricas
nos dois primeiros componentes principais (CP1 e CP2) e agrupamento dos
tratamentos.

No grupo 1, a laranjeira ‘Bahia’ em três concentrações de boro e a tangerineira


‘Ponkan’ com 0,5 mg L-1 de B apresentaram os maiores teores de N e K foliar.
A laranjeira ‘Bahia’ com a dose de 0,5 mg L-1 (grupo 2) apresentou os maiores teores
de manganês foliar e os menores de Fe. No grupo 3, os maiores teores de boro foliar foram
observados na tangerineira ‘Ponkan’.
No grupo 4, a tangerineira ‘Mexerica’ apresentou os maiores teores de P, Ca, Mg e S
foliar.
50
4. CONCLUSÕES

 Com exceção do N, todos os demais macronutrientes apresentaram teores foliares


inadequados para a cultura dos citros;
 O aumento da dose de boro reduziu o teor foliar de micronutrientes e provocou toxidez
nas mudas cítricas;
 A laranjeira ‘Bahia’ apresentou maior teor foliar de nitrogênio e potássio, enquanto que
a tangerineira ‘Ponkan’ apresentou maiores teores foliares de boro;
 Formou-se quatro grupos de tratamentos, sendo o grupo constituído pela tangerineira
‘Ponkan’ o que apresentou maiores teores foliares de boro.

51
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ULLAH, S.; KHAN, A. S.; MALIK, A. V.; AFZAL, I.; SHAHID, N.; RAZZAQ, K. Foliar
application of boron influences the leaf mineral status, vegetative and reproductive growth,
yield and fruit quality of ‘Kinnow’ mandarin (Citrus reticulata Blanco). Journal of Plant
Nutrition, Philadelphia, v.35, p.2067-2079, 2012.

ZAHARIEVA, T. Comparative studies of iron inefficient plant species with plant analysis.
Journal of Plant Nutrition, Philadelphia, v.9, p.939-946, 1986.

56
CAPITULO III

VARIÁVEIS FISIOLÓGICAS EM MUDAS CÍTRICAS ADUBADAS


COM BORO

57
Resumo

O boro é um microelemento essencial para as plantas superiores. Existe um intervalo muito


estreito entre a suficiência e a toxidez de boro. A toxidez por boro pode induzir a distúrbios no
metabolismo, redução na taxa fotossintética e condutância estomática. Objetivou-se com este
experimento avaliar a influência da adubação boratada sobre as trocas gasosas e índices de
fluorescência em mudas cítricas. As mudas com um ano de idade foram enxertadas em limoeiro
cravo (Citrus limonia L. Osbeck). Utilizou-se um delineamento em blocos ao acaso no esquema
fatorial 4x3, sendo quatro doses de boro (0; 0,5; 2,5; 5,0 mg L-1), três copas (tangerineiras
‘Ponkan’ e ‘Mexerica’, e laranjeira ‘Bahia’) e quatro repetições. As mudas foram transplantadas
para vasos com capacidade de 3,6 L. contendo apenas vermiculita expandida de textura final,
nos quais foi utilizada a solução completa de Hoagland e Arnon. Aos 340 dias após o
transplantio foram realizadas as leituras com os sensores de refletância (Multiplex ®), sendo
avaliado o teor simples de fluorescência, índice de flavonoides, índice de antocianinas e o índice
de balanço de nitrogênio. As clorofilas “a” e “b” foram determinadas com o auxílio do
Clorofilog e com o IRGA foram determinadas a fotossíntese líquida, transpiração, condutância
estomática e concentração interna de CO2. Os dados foram submetidos a análise de variância,
sendo as médias das copas comparadas pelo teste de Tukey e os efeitos das doses de boro
avaliadas mediante análise de regressão polinomial, também foi realizada análise de
componentes principais e de agrupamento pelo método TwoStep Cluster. A adubação boratada
aumentou a transpiração das mudas e reduziu a fotossíntese; doses acima de 2,6 mg L-1 reduzem
o teor de clorofila das tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’. O boro reduziu o índice de
flavonoides.

Palavras-chave: Citros; condutância estomática; solução nutritiva.

58
Abstract

Boron is an essential microelement for higher plants. There is a very narrow range between
sufficiency and boron toxicity. The toxicity of boron can induce disturbances in metabolism,
reduction in photosynthetic rate and stomatal conductance. The objective of this experiment
was to evaluate the influence of fertilization borated on gas exchange and fluorescence levels
in citrus seedlings. The seedlings with one year of age were grafted in Rangpur lime (Citrus
limonia L. Osbeck). We used a randomized block design in a factorial scheme 4x3, with four
boron doses (0, 0.5, 2.5, 5.0 mg L-1), three scions (‘Ponkan’ tangerine, ‘Mexerica’tangerine
and ‘Bahia’ orange) and four replicates. The seedlings were transplanted to pots with a capacity
of 3.6 L. containing only expanded vermiculite fine texture, in which was used the complete
solution of Hoagland and Arnon. To 340 days after transplanting were done readings with
reflectance sensors (Multiplex®), and rated the simple fluorescence content, flavonoids index,
anthocyanins index, and the balance index Nitrogen. Chlorophylls "a" and "b" were determined
with the aid of Clorofilog and IRGA were determined net photosynthesis, sweating, and internal
CO2 concentration. Data were subjected to analysis of variance and the averages of the crowns
compared by Tukey test and the effects of boron doses evaluated by polynomial regression
analysis was also performed principal component analysis and cluster analysis. The borated
fertilization increased transpiration of plants and reduced photosynthesis; above 2.6 mg L-1
doses reduce the chlorophyll content of tangerine and Ponkan Tangerine. Boron reduced
flavonoid content.

Keywords: Citrus; Stomatal conductance; nutrient solution.

59
1. INTRODUÇÃO

A formação de mudas cítricas com garantias de alta qualidade genética e sanitária faz
parte das estratégias para manter a competitividade dos pomares (SETIN; CARVALHO, 2011).
Embora os macronutrientes ocupem papel principal na nutrição de citros, os
micronutrientes também são essenciais para o crescimento reprodutivo e vegetativo, produção
e qualidade dos frutos cítricos (ULLAH et al., 2012)
Dentre os micronutrientes, destaca-se o boro que é parte integrante do comportamento
do crescimento e da produtividade das plantas cítricas, uma vez que o mesmo aumenta a
germinação dos grãos de pólen, a elongação do tubo polínico, consequentemente a percentagem
de frutificação e finalmente a produção (ABD-ALLAH, 2006).
A exigência de boro das plantas dicotiledôneas é maior do que qualquer outro
micronutriente (MARSCHNER, 2012), existe uma linha muito tênue entre a deficiência e a
toxidez por boro, tornando esse microelemento diferente dos demais micronutrientes (YUA;
RUAN, 2008).
A deficiência de boro pode reduzir a expansão celular (DELL; HUANG, 1997)
levando a uma rápida interrupção da elongação das raízes e a redução da expansão foliar, devido
ao importante papel que o mesmo desempenha sob a estrutura e função na parede celular
(MARSCHNER, 2012; DELL; HUANG, 1997).
Quando a concentração de boro é alta nas folhas isso pode induzir um distúrbio
metabólico que dá origem a sintomas típicos de toxicidade, embora a causa permaneça incerta.
Tem sido observado que a toxidez por boro pode causar depleção da fotossíntese em oliveiras
(CHATZISSAVVIDIS; THERIOS, 2010) e em plantas de kiwi (SOTIROPOULOS et al.,
2002).
Em citros, altas concentrações de boro na solução nutritiva podem inibir o crescimento
da planta (altura das plantas, volume da raiz e massa seca de vários tecidos), resultando em
sintomas de toxidez nas folhas velhas (PAPADAKIS; DIMASSI; THERIOS, 2003). Essa
toxidez resulta em diminuição da taxa fotossintética e da condutância estomática causada por
uma combinação de fatores como dano oxidativo, redução da atividade fotossintética das
enzimas, prejudica a capacidade de transporte de elétrons, provoca alterações na estrutura da
folha e na ultraestrutura dos cloroplastos (HAN et al., 2009; PAPADAKIS et al., 2004; KELES;
ÖNCEL; YENICE, 2004).

60
Sabe-se que as plantas cítricas são sensíveis ao excesso de boro (MAAS, 1990). Dentre
os vários fatores que podem induzir a toxidez por boro destacam-se o uso excessivo de
fertilizante ricos em boro, a água de irrigação (NABLE; BANUELOS; PAULL, 1997; PARKS;
EDWARDS, 2005).
Plantas estressadas modificam a absorção de energia luminosa que é usada para a
conversão da quantidade fotossintética, fluorescência da clorofila e emissão de calor. O estresse
também modifica o fluxo de energia de fótons através da folha alterando assim a absorção,
refletância e propriedades de transmitância e a fluorescência azul-verde (TREMBLAY et al.,
2012).
Os efeitos do boro sobre as culturas ainda não está totalmente claro, sendo necessário
mais estudos aprofundados que busquem responder e confirmar os reais benefícios desse
microelemento para o crescimento e desenvolvimento das culturas, visando dessa maneira uma
melhor produção e qualidade dos frutos.
Diante do exposto, este experimento teve como objetivo avaliar o efeito da adubação
boratada sobre as trocas gasosas, índices de clorofila e flavonoides.

61
2. MATERIAL E MÉTODOS

2.1 Local e obtenção das mudas

O experimento foi desenvolvido em ambiente protegido localizado no Campus II da


Universidade Federal da Paraíba, em Areia-PB, durante os meses de condução do experimento
efetuou-se a medição da temperatura interna e externa do ambiente, a qual variou de 23 a 31,5
°C.
Utilizaram-se mudas enxertadas de laranjeria ‘Bahia’ (Citrus sinensis L. Osbeck),
tangerineiras ‘Ponkan’ (Citrus reticulata Blanco) e ‘Mexerica’ (Citrus reticulata Blanco) com
um ano de idade e enxertadas em limoeiro ‘Cravo’ (Citrus limonia L. Osbeck).
As mudas foram transplantadas para vasos plásticos com capacidade de 3,6 L
preenchidos apenas com vermiculita expandida de textura fina. As mesmas foram irrigadas com
a solução nutritiva de Hoagland e Arnon (1950), sendo que inicialmente usou-se meia força da
solução, após 30 dias passou-se a irrigar as mudas com 100% da solução. As irrigações
ocorreram em dias alternados e cada vaso recebeu 0,5 L de água contendo os respectivos
tratamentos. A água utilizada foi proveniente de uma cisterna, cujas propriedades químicas
encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1. Análise de água utilizada na irrigação de mudas cítricas adubadas com boro

pH C.E. Ca++ Mg++ Na+ K+ SO4-2 CO3-2 HCO3- Cl- RAS PSI Clas.

(dSm-1) -------------------------- mmolc L-1 -----------------------------

7,21 0,326 1,20 0,40 1,33 0,10 0,37 0,00 - 1,5 1,49 *** C1S1

2.2 Delineamento experimental

O delineamento experimental adotado foi em blocos ao acaso em esquema fatorial,


sendo os fatores: doses de boro (0; 0,5; 2,5; 5,0 mg L-1), as quais foram determinadas com base
na literatura considerando-se a deficiência, a suficiência e a toxidez de boro respectivamente, e

62
três copas (laranjeira ‘Bahia’, tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’), com quatro repetições. A
unidade experimental foi composta por quatro mudas.

2.3 Características avaliadas

2.3.1 Analisador de gás por infravermelho (IRGA)

As medições foram realizadas nas folhas das mudas cítricas. As variáveis: fotossíntese
líquida (A), condutância estomática (gs), concentração interna de CO2 (Ci) e a taxa de
transpiração (E) foram medidas com o analisador de gás por infravermelho (IRGA), modelo
6400 XT, fabricado pela Licor USA.

As avaliações foram realizadas aos 340 dias após o início da aplicação com boro e no
horário de 8:00 as 12:30, sendo utilizada a folha localizada no terço médio da muda, a qual
encontrava-se totalmente expandida. O IRGA foi previamente calibrado em relação à
concentração de CO2 e vapor d’água e zerado utilizando-se o ar sem CO2 e H2O.

63
2.3.2 Multiplex®

O Multiplex® (Force – A, Orsay, França) é um sensor óptico que gera fluorescência


nos tecidos da planta com uso de fontes múltiplas de excitação de luz (ultravioleta, azul, verde
e vermelho) para estimar simultaneamente os teores de vários compostos, como antocianina,
flavonoides, além do índice de balanço de nitrogênio e a taxa simples de fluorescência.

Através das leituras realizadas com o Multiplex® foi possível estimar


simultaneamente o índice de antocianinas (ANTH), flavonoides (FLAV), taxa simples de
fluorescência (SFR_G) e índice de balanço de nitrogênio (NBI_G). As avalições foram
efetuadas aos 340 dias após o início da aplicação com boro, no horário de 8:00 às 12:30.

64
2.3.3 Clorofilog

O medidor eletrônico de teor de clorofila, é um equipamento que permite identificar o


estado das lavouras de forma simples e direta. O teor de clorofila é proporcional a nutrientes
fundamentais, como nitrogênio (FALKER, 2015). O equipamento mede o teor de clorofila por
método não destrutivo, permitindo o acompanhamento do estado nutricional da planta durante
o seu desenvolvimento.

As leituras do teor de clorofila foram realizadas aos 340 dias após o início da aplicação
do boro, no horário de 8:00 às 12:30, sendo utilizado o valor médio de cinco medidas efetuadas
na parte adaxial da folha.

2.4 Análise estatística

Os resultados foram submetidos inicialmente à análise de variância. Posteriormente,


as médias das copas foram comparadas pelo teste de Tukey e os efeitos das doses de boro foram
avaliadas aplicando-se análise de regressão polinomial. Realizou-se também a análise de
componentes principais e de agrupamento pelo método TwoStep Cluster. Todas as análises
foram realizadas com o software SAS 9.3 (SAS, 2011).

65
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Taxas simples de fluorescência (SFR_G)

A taxa simples de fluorescência (SFR_G) está diretamente relacionada ao teor de


clorofila. É a razão entre a fluorescência da clorofila medida no vermelho distante e a
fluorescência da clorofila no vermelho, em qualquer excitação no visível. Devido à
sobreposição da absorção e ao espectro de emissão de clorofila, a reabsorção ocorre em
comprimento de onda mais curto (vermelho) e não mais nos longos (infravermelho)
(MULTIPLEX® 3.0 Force A, Orsay, Franca, 2010). Portanto, a SFR_G das mudas de laranjeira
‘Bahia’ e tangerineira ‘Mexerica’ foram influenciadas pela adubação boratada (Figura 1). Nas
mudas da laranjeira ‘Bahia’ verificou-se diminuição linear do teor de clorofila à medida que as
doses de boro aumentaram no substrato. Já para as mudas da tangerineira ‘Mexerica’ houve um
ajuste quadrático em função das doses de boro, de maneira que, quando a proporção de boro
aumentou no substrato o conteúdo de clorofila aumentou inicialmente, atingindo o máximo
valor estimado com 2,6 mg L-1 de boro. As mudas da tangerineira ‘Ponkan’ não foram
influenciadas pela adubação boratada e apresentaram um valor médio de 3,07.

4 Ponkan  Mexerica ■ Bahia


Taxa simples de fluorescência

ŷB = 3,8235 - 0,1727* x
R² = 0,99
ŷP = 3ns

ŷM = 2,5598 + 0,5833x - 0,1117#x2


R² = 0,53

2
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

* e # = significativo a 5 e 10 %, respectivamente pelo teste F

Figura 1. Taxa simples de fluorescência de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e


adubada com doses de boro, aos 340 dias após o início da aplicação do boro.

66
Verificou-se também que houve diferença estatística entre as copas cítricas, e que as
mudas da laranjeira ‘Bahia’ apresentaram um valor médio de taxa simples de fluorescência
superior (3,48) as mudas das tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’ (3,07 e 2,85, respectivamente)
(Figura 2).

4
Taxa simples de fluorescência

a
ab
3 b

1
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 2. Taxa simples de fluorescência de três copas cítricas cultivadas em vermiculita aos
340 dias após o transplantio.

Em plantas deficientes de N ocorre redução dos teores de clorofila, diminuindo


também a reflectância no infravermelho devido a mudanças na estrutura das células da planta,
e esse decréscimo induz um aumento na reflectância no vermelho (AYALA-SILVA; BEYL,
2005).

3.2 Clorofila a e clorofila b

Não foi verificado efeito das doses de boro sobre os teores de clorofila “a” e “b”,
(Figura 3). Para a clorofila “a” não houve diferença significativa entre as copas sendo as médias
de clorofila “a” 35,4; 34.9 e 36,1 para as tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’ e laranjeira
‘Bahia’, respectivamente. Já para a clorofila “b” verificou-se diferença significativa entre as
copas (Figura 3), de maneira que, a laranjeira ‘Bahia’ apresentou maior índice de clorofila (24),

67
e as tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’ não diferiram estatisticamente e apresentando valor
médio de clorofila “b” de Os valores 19,2 e 16,8 respectivamente.

37 a a
36 a 24
a
35

Clorofila b
Clorofila a

34 21
b
33
32 18 b
31
30 15
Ponkan Mexerica Bahia Ponkan Mexerica Bahia
Copas Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 3. Índice de clorofila “a” e “b” de três copas cítricas cultivadas em vermiculita aos 340
dias após o transplantio.

Um dos fatores que determinam a eficiência na absorção de luz pela folha é o teor de
clorofila, pois quanto maior o teor de clorofila maior será a proporção de luz incidente absorvida
(SANT’ANNA, 2009). Com a determinação da clorofila pode-se obter uma estimativa indireta
do estado nutricional da planta (RAMBO et al., 2004). O conteúdo de clorofila em folhas é
conhecidamente relacionado à disponibilidade de N nas folhas (SCHLEMMER et al., 2005),
sendo possível através da concentração de clorofila predizer a dose ótima de adubação
nitrogenada (PELTONEN et al., 1995).
Além do teor de N outros fatores podem influenciar a concentração de clorofila como
o status de água e a variedade (SHAVER; KHOSLA; WESTFALL, 2011).
As clorofilas a e b são pigmentos chave das reações luminosas. Mas apenas a clorofila
“a” pode participar diretamente nas reações luminosas que convertem energia solar a energia
química (LICHTERTHALER; MIEHÉ, 1997).

68
3.3 Índices de flavonoides

O índice de flavonoides das mudas cítricas foi influenciado pela adubação com boro
(Figura 4). Nas mudas da laranjeira ‘Bahia’ e da tangerineira ‘Mexerica’ verificou-se
diminuição linear no índice de flavonoides à medida que as doses de boro aumentaram no
substrato. Já para as nas mudas da tangerineira ‘Ponkan’ houve ajuste quadrático em função das
doses de boro, de maneira que, quando a proporção de boro aumentou no substrato o índice de
flavonoides aumentou inicialmente, atingindo o máximo valor estimado com 2,1 mg L-1 de
boro.

0,9 Ponkan  Mexerica ■ Bahia


0,8 ŷB = 0,78 - 0,0323*x
Índice de Flavonoides

R² = 0,68
0,7
0,6
0,5
0,4 ŷM = 0,6001 - 0,0274*x
0,3 R² = 0,94
ŷP = 0,4761 + 0,0963x - 0,0229*x2
0,2 R² = 0,80
0,1
0
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

* = significativo a 5% pelo teste F

Figura 4. Índice de flavonoides de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubado com
doses de boro, aos 368 dias após o início da aplicação do boro.

Verifica-se na Figura 5 que houve diferença estatística entra as copas cítricas, e que as
mudas da laranjeira ‘Bahia’ apresentaram maior índice de flavonoides (0,716), seguida pela
Tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’ (0,488 e 0,545), respectivamente.

69
0,8
a

Índice de flavonóides
0,7

0,6 b
b
0,5

0,4

0,3
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 5. Índice de flavonóides de três copas cítricas cultivadas em vermiculita aos 368 dias
após o transplantio.

Os flavonoides são uma classe de polifenóis, que fazem parte do metabolismo


secundário, cujo teor aumenta com a menor disponibilidade de nitrogênio (BRAGAZZA;
FREEMAN, 2007; LIU et al., 2010), e que é geralmente inversamente relacionado ao conteúdo
de clorofila. (TREMBLAY et al., 2012).

3.4 Índices de antocianinas (ANTH_RG)

Observa-se na Figura 6 que nas mudas da laranjeira ‘Bahia’ houve um aumento linear
do índice de antocianina em função da adubação boratada. Comportamento contrário
apresentaram as mudas das tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’, as quais não foram
influenciadas pela adubação com boro, apresentando um valor médio de 0,226 e 0,242,
respectivamente.

70
0,25
Ponkan  Mexerica ■ Bahia ŷM = 0,24ns
0,24

Índice de ANTH_RG
0,23

ŷP = 0,23ns
0,22

ŷB = 0,2067 + 0,0076*x
0,21
R² = 0,87

0,2
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

* = significativo a 5% pelo teste F

Figura 6. Índice de antocianinas analisadas na parte vegetal (folhas) de três copas cítricas
cultivadas em vermiculita e adubado com doses de boro, aos 340 dias após o início
da aplicação do boro.

Não houve diferença estatística entre as copas com relação ao índice de antocianinas
(Figura 7), tendo a tangerineira ‘Mexerica’ apresentado maior valor médio de antocianinas
(0,242).

0,245 a
0,24
Índice de antocianinas

0,235
0,23
0,225 a a
0,22
0,215
0,21
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 7. Índice de antocianinas de três copas cítricas cultivadas em vermiculita aos 340 dias
após o transplantio.
71
Polifenóis incluindo antocianinas e flavonóides na camada da epiderme, os quais são
emitidos a partir do metabolismo secundário da planta são também afetados pela
disponibilidade de N na planta (CEROVIC et al., 1999). Quando sob baixa disponibilidade de
N, plantas alocam o excesso de C na síntese de polifenóis. Por outro lado, alto conteúdo de
polifenóis é, portanto, um potencial indicador de baixos teores de N nas culturas (CEROVIC et
al., 1999).
O uso apenas do índice de flavonóides para determinar o teor de nitrogênio na cultura
é difícil, uma vez que o seu conteúdo nos tecidos das plantas pode variar em resposta a vários
fatores (TREMBLAY et al., 2012).

3.5 Índices de balanço de nitrogênio (NBI_G)

O balanço de nitrogênio das mudas da tangerineira ‘Mexerica’ aumentou linearmente


com a elevação das doses de boro no substrato (Figura 8). Já as mudas da tangerineira ‘Ponkan’
e laranjeira ‘Bahia’ não sofreram influência da adubação boratada e apresentaram valores
médios de 1,69 e 1,11, respectivamente.

1,9 Ponkan  Mexerica ■ Bahia


ŷP = 1,69 ns

1,65
Índice de NBI_G

ŷM = 1,25 + 0,1041* x
1,4 R² = 0,75

1,15
ŷB = 1,11 ns
0,9
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

* = significativo a 5 % pelo teste F

Figura 8. Índice de balanço de nitrogênio (NBI_G) de três copas cítricas cultivadas em


vermiculita e adubado com doses de boro, aos 340 dias após o início da aplicação
do boro.

72
Verificou-se diferença estatística entre as copas cítricas (Figura 9), de modo que as
mudas da tangerineira ‘Ponkan’ apresentaram valor médio de NBI_G de 1,69.

1,8 a
Índice de balanço de nitrogênio

1,7
1,6
1,5 a
1,4
1,3
1,2 b
1,1
1
0,9
0,8
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 9. Índice de balanço de nitrogênio de três copas cítricas cultivadas em vermiculita aos
340 dias após o transplantio.

A relação entre clorofila e flavonóides é chamada de índice de balanço de nitrogênio


(NIB), o qual tem sido proposto com um indicador sensível do status de nitrogênio nas culturas
(CEROVIC et al., 2012; TREMBLAY et al., 2012).
O fornecimento de nitrogênio influencia a síntese de proteínas bem como a síntese de
compostos fenólicos. Várias hipóteses têm sido propostas para explicar a relação entre a
disponibilidade de N, o crescimento da planta e a presença de compostos fenólicos
(CARTELAT et al., 2005). Com baixos teores de N, as plantas direcionam o excesso de carbono
para síntese de compostos fenólicos (HERMS; MATTSON, 1992). Portanto, altos teores de
compostos fenólicos diminuem o índice de balanço de nitrogênio, sendo também um potencial
indicador de baixos teores de N nas culturas.
Assim, neste experimento para a tangerineira ‘Ponkan’ e a laranjeira ‘Bahia’ não
houve alteração do direcionamento do carbono diferente da tangerineira ‘Mexerica’, na qual o
carbono foi direcionado preponderantemente para a síntese de clorofila (Figura 1), aumentando
consequentemente, o NBI.

73
3.6 Fotossínteses líquida

As mudas da tangerineira ‘Mexerica’ foram influenciadas pela adubação boratada


apresentando uma redução linear da fotossíntese com a elevação das doses de boro no substrato
(Figura 10). As mudas da tangerineira ‘Ponkan’ e laranjeira ‘Bahia’ não foram influenciadas
pela adubação com boro.

7 Ponkan  Mexerica ■ Bahia

6 ŷP = 5,39 ns
A (µmol m-2s-1)

5
ŷM = 6,3588 - 0,5053#x
4 R² = 0,61

3
ŷB = 3,47 ns
2
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

# = significativo a 10 % pelo teste F

Figura 10. Fotossíntese líquida (A) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubada
com boro, aos 340 dias após o início da aplicação do boro.

Os resultados observados neste experimento estão de acordo com os encontrados por


Sheng et al. (2010) que trabalhando com porta-enxertos de citros verificaram redução da
fotossíntese, à medida que as doses de boro aumentaram no substrato influenciando
negativamente no crescimento e na habilidade de fornecimento de fotossintatos, que podem
reduzir a translocação de carboidratos para a raiz, inibindo seu crescimento e a função das
raízes.
Com relação a influência das copas cítricas sobre a fotossíntese é possível verificar
que não houve diferença estatística, de modo que a tangerineira ‘Ponkan’ apresentou valor
médio de fotossíntese líquida de 5,40 µmol m-2s-1, superior as demais copas (Figura 11).

74
6

Fotossíntese líquida (µmol m-2s-1)


a a

4
a

2
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 11. Fotossíntese líquida de três copas cítricas cultivadas em vermiculita aos 368 dias
após o transplantio.

Em qualquer fase do desenvolvimento, uma diminuição na fotossíntese implica em


prejuízo no crescimento e acúmulo de fitomassa na planta. Uma complexa cadeia de eventos
está relacionada à produtividade de um pomar cítrico, como os efeitos das condições climáticas
sobre a produção fotossintética, o crescimento da copa, a indução e a intensidade de
florescimento, a fixação dos frutos e a massa e o número final de frutos maduros colhidos, além
da eficiência do uso da água e nutrientes (GOLDSCHIMIDT, 1999).

3.7 Transpiração

A adubação boratada aumentou linearmente a taxa de transpiração das mudas da


tangerineira ‘Ponkan’ à medida que as doses de boro aumentaram no substrato (Figura 12). Por
outro lado, as mudas da tangerineira ‘Mexerica’ e laranjeira ‘Bahia’, não foram influenciadas
pela adubação boratada e apresentaram valor médio de (E) de 11,9 e 1,40 mmol m-2s-1.

75
70 Ponkan  Mexerica ■ Bahia
ŷP = - 6,816 + 12,299*x
60 R² = 0,77

50
E ( mmol m-2s-1)
40

30
ŷM = 11,9 ns
20 ŷB = 1,40 ns

10

0
0 1 2 3 4 5
Doses de boro (mg L-1)

* = significativo a 5% pelo teste F

Figura 12. Transpiração (E) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e adubada com
doses de boro, aos 340 dias após o início da aplicação do boro.

A transpiração é o principal mecanismo envolvido na regulação da temperatura foliar


e que menores aberturas estomáticas levam à redução da transpiração e aumento da temperatura
do tecido foliar (MACHADO et al., 2005).
Verificou-se que não houve diferença estatística entre as copas cítricas, de modo que
a tangerineira ‘Ponkan’ apresentou valor médio de transpiração de (17,78 mmol m-2s-1) superior
a tangerineira ‘Mexerica’ (11,91 mmol m-2s-1) e a laranjeira ‘Bahia’ (1,40 mmol m-2s-1) (Figura
13).

76
20 a

Transpiração (mmol m-2s-1)


18
16
14 a
12
10
8
6
4
a
2
0
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 13. Transpiração de três copas cítricas cultivadas em vermiculita aos 340 dias após o
transplantio.

A absorção e redistribuição de boro pelas plantas é determinada pela taxa de


transpiração. As diferenças nos valores da transpiração e o transporte de boro no xilema explica
por que o acúmulo de boro varia entre as espécies de plantas e de genótipos (NABLE;
BANUELOS; PAULL, 1997; BROWN; SHELP, 1997). Em regiões mais frias, onde as plantas
apresentam menor taxa de transpiração, a absorção de boro é reduzida, agravando os casos de
deficiência (QUAGGIO et al., 2003).

3.8 Condutância estomática

Verifica-se na Figura 14, que a condutância estomática das mudas cítricas não foi
influenciada pelas doses de boro aplicadas no substrato, assim como não houve diferença
estatística entre as copas. O valor médio de gs para as mudas da tangerineira ‘Ponkan’, da
laranjeria ‘Bahia’ e tangerineira ‘Mexerica’ foi de 0,063, 0,062 e 0,045 mol m-2s-1,
respectivamente.

77
70 a a
60

gs (µmol m-2s-1)
50 a
40
30
20
10
0
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Figura 14. Condutância estomática (gs) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita e
adubada com doses de boro, aos 340 dias após o início da aplicação do boro.

A condutância estomática controla a fotossíntese (JONES, 1998), e o comportamento


dos estômatos é influenciado por ambos os estímulos externos e internos (NOBEL, 1999).
Portanto pode ser esperado efeito negativo dos estômatos sobre os processos fotossintéticos em
algumas condições, quando houver umidade relativa baixa ou temperatura do ar (RIBEIRO et
al., 2004).
A baixa condutância estomática causa diminuição na assimilação de CO2 pela redução
da disponibilidade de CO2, que pode ser indicada pela redução dos valores da concentração
intracelular de CO2 (JONES, 1998; NOBEL, 1999).
A condutância estomática varia em função de fatores ambientais como temperatura do
ar e do solo, temperatura noturna, umidade do solo, turgescência e potencial da água da folha,
diferença de pressão de vapor entre a folha e o ar e de fatores inertes à própria planta (ALLEN;
ORT, 2001; ERISMANN; MACHADO; TUCCI, 2008; RIBEIRO et al., 2009).
Em citros um dos fatores que afeta a gs é o potencial da água na folha (RIBEIRO,
2006). A perda de água por transpiração interfere na condutância estomática fazendo com que
as plantas estejam mais susceptíveis ao crescimento nos períodos de estiagem (LEAKEY et al.,
2009).

78
3.9 Concentração interna de CO2 (Ci)

As doses de boro não influenciaram a concentração interna de CO2 (Figura 15). De


modo que o valor médio encontrado nas mudas das tangerineiras ‘Ponkan’ e ‘Mexerica’, e
laranjeira ‘Bahia’ foram 209,9, 210,3 e 242,3 µmol CO2 mol-1, respectivamente.

250
a
240
Ci(µmol m-2s-1)

230

220
a a
210

200
Ponkan Mexerica Bahia
Copas

Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Figura 15. Concentração interna de CO2 (Ci) de três copas cítricas cultivadas em vermiculita
aos 340 dias após o transplantio.

Os resultados estão de acordo com os obtidos por Gimeno et al. (2012) que
verificaram que a toxidez por boro não influenciou a concentração interna de CO2 de plantas
de limoeiro ‘Verna’.

3.10 Análises de componentes principais

A Tabela 2 e a Figura 16 apresentam os autovetores das variáveis relacionadas as


trocas gasosas de mudas cítricas. Para explicar satisfatoriamente a variabilidade do conjunto de
dados foram necessários três componentes principais, que explicam 85,2% da variabilidade.

79
Tabela 2. Autovetores de três componentes principais (CP1, CP2 e CP3) das variáveis
relacionadas ao crescimento de mudas cítricas adubadas com boro.

Variáveis CP1 CP2 CP3


FOT 0,304 0,328 -0,224

gs 0,327 0,206 0,216

Ci -0,207 -0,442 0,360

E 0,334 0,252 0,059

Cla -0,219 -0,149 0,221

Clb -0,361 0,148 0,070

SFR_G -0,299 0,359 0,211

FLAV -0,302 0,096 -0,452

ANTH_G 0,161 -0,506 -0,191

NBI_G 0,209 0,035 0,644

ƛ 6,42 2,17 1,64

VA (%) 53,5 71,5 85,2

ƛ = autovalor da matriz de correlação; VA = variância acumulada; FOT= fotossíntese; gs = condutância estomática;


Ci = Concentração interna de CO2; E = transpiração; Cla = clorofila a; Clb = clorofila b; SFR_G = taxa simples
de fluorescência; FLAV = flavonoides; ANTH_G = antocianinas; NBI_G = índice de balanço de nitrogênio.

Para o primeiro componente principal (CP1), as variáveis relacionadas foram


fotossíntese, condutância estomática, concentração interna, transpiração, clorofila a, clorofila
b, clorofila total, teor de clorofila (SFR_G), flavonoides e índice de balanço de nitrogênio
(NBI_G). Para o segundo componente principal (CP2), as principais variáveis foram
concentração interna, SFR_G e antocianinas. Já para o terceiro componente principal (CP3)
foram os flavonoides e o NBI_G.

80
1.1

SFR_G 0.8 FOT


G1
P_0.5
Tr
B_0 0.5
P_0COND
G4 Clb M_0.5 M_2.5
FLAV 0.3
B_0.5
C ClT NBI_G
P P_2.5
2
-1.3 -1.1 -0.8 -0.5 -0.3 0.3 0.5 0.8 1.1
B_2.5 P_5
-0.3
Cla M_0

B_5 -0.5
G2
G3 M_5
-0.8
FERARI
Ci
-1.1
ANTH_RG

-1.3

CP1

FOT = fotossíntese; E = transpiração; COND = condutância estomática; NBI_G = índice de balanço de nitrogênio;
ANTH_G = antocianina; Ci = concentração interna de CO2; FLAV = flavonoides; SFR_G = taxa simples de
fluorescência.
Copas: P = ‘Ponkan’; M = ‘Mexerica’; B = ‘Bahia’. Boro (0; 0,5; 2,5; 5,0 mg L-1)

Figura 16. Autovalores das variáveis relacionadas as trocas gasosas nos primeiros
componentes principais (CP1 e CP2) e agrupamento dos tratamentos.

Com base nos escores dos três primeiros componentes principais foram determinados
quatro grupos de tratamentos (Figura 16). No grupo 1, a tangerineira ‘Mexerica’ apresentou os
maiores valores de fotossíntese e transpiração (E) e condutância estomática (gs). No grupo 2, a
taxa de excitação da clorofila e o valor de antocianinas foram maiores nas mudas de ‘Mexerica’
adubadas com 5,0 mg L-1. No grupo 3, a tangerineira ‘Ponkan’ apresentou maior valor de índice
de balanço de nitrogênio. E a laranjeira ‘Bahia’ apresentou maior concentração interna de CO2.
Já o grupo 4 os maiores valores de SFR_G, flavonoides, clorofila b e clorofila total
foram obtidos na laranjeira ‘Bahia’. É possível observar também na Figura 16, que à medida
que os teores de fotossíntese, transpiração e condutância estomática aumentavam a
concentração interna de CO2 reduziu, assim como a clorofila a.
81
4. CONCLUSÕES

 A adubação boratada aumentou a transpiração da tangerineira ‘Ponkan’ e reduziu a taxa


fotossintética da tangerineira ‘Mexerica’;
 Doses de boro acima de 2,6 mg L-1 diminuíram o índice de clorofila na copa de tangerina
‘Ponkan’ e ‘Mexerica’;
 O índice de flavonoides reduziu com o aumento das doses de boro no substrato;
 A fotossíntese líquida foi maior nas mudas da tangerineira ‘Mexerica’.
 Formaram-se quatro grupos de tratamentos, sendo o grupo 1 constituído pela
tangerineira ‘Mexerica’, com maior taxa de fotossíntese líquida.

82
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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