Vidros
Tópicos
• Conceito
• História
• Características e Propriedades
• Fabricação
• Classificação Química
• Tipos
• Aplicações
• Vantagens e Desvantagens
[Link]
O que é o Vidro?
Segundo a definição aceita internacionalmente, o vidro é um produto
inorgânico, amorfo, de fusão, que foi resfriado até atingir a rigidez, sem formar
cristais.
Para entender isso é preciso atender ao fato de que as substâncias
sólidas, quando submetidas a altas temperaturas, se fundem. Depois de esfriar,
tem uma curva de resfriamento típica, no primeiro trecho há simplesmente
diminuição da temperatura até a temperatura de fusão, enquanto a massa
toda se solidifica ela permanece constante porque nesse patamar o calor
perdido é compensado pelo calor de cristalização. Depois que toda a massa se
solidifica a temperatura desce ao patamar correspondente a transformação de
estado liquido em estado solido.
Segundo a definição do químico George W. Morey autor do livro “The Properties
of Glass” o vidro é uma substância inorgânica obtida por fusão, que se encontra em uma
condição contínua e análoga ao estado líquido, mas que devido a uma variação
reversível da viscosidade durante o resfriamento, possui uma viscosidade tão elevada
que pode ser considerado rígido para fins práticos.
O vidro apresenta uma curva de solidificação diferente, não há o patamar de
cristalização, e o vidro realmente não tem cristais, nem fibras, nem grãos. Em suma, ele
não abandona o estado liquido.
[Link]ória
Historicamente falando não há consenso sobre o primeiro povo a fabricar
vidro. O que se sabe é que foram encontrados objetos de vidro nas necrópoles
egípcias, o que supõe que o vidro seja conhecido cerca de 4.000 anos a.C.. Outros
historiadores atribuem aos navegadores fenícios a descoberta. Diz a lenda que
durante um acampamento as margens do rio Belus, acenderam uma fogueira
com lenha para cozer os animais caçados e usaram pedras de Trona, que é um
carbonato de sódio natural, para apoiar os vasos onde seria preparado o alimento,
deixaram o fogo aceso durante a noite e pela manha encontraram diversos blocos
brilhantes e transparentes. O chefe da caravana, Zelu, percebeu que a areia
também havia sumido, então ordenou que fossem acesas as fogueiras novamente
e assim uma esteira de liquido rubro e fumegante se formou e o mesmo tocou sua
faca no liquido e o moldou causando espanto em todos.
A descoberta do vidro pelos fenícios e um artefato que foi identificado como um dos
peitorais do faraó Tutankhamon (c. 1333 a 1323 a.C.)
Também se sabe que mesmo durante a idade da pedra o vidro também era utilizado,
mas era obtido de forma natural,. Usava-se a obsidiana produto de lava vulcânica,
constituído principalmente de sílica, ocorria principalmente quando a lava resfriava
de forma rápida como quando jorra sobre uma superfície liquida.
Elas eram moldadas e utilizadas como pontas de flecha e lanças.
O vidro transparente teve como precursores os árabes. Com as Cruzadas, o
vidro foi introduzido na Europa, Veneza foi o primeiro empório, visto que era o centro
das atenções bélicas. Ali foi desenvolvida a alta técnica garantindo assim o
monopólio, no entanto, em 1612 foi publicado um livro “Laerte Vetraria”, que
difundiu estas técnicas inclusive o consumo por todo o mundo.
Por volta de 300 a.C. uma descoberta revolucionou o vidro e sua utilização, o
sopro que consiste em colher uma pequena porção do material em fusão com a ponta
de um tubo e soprar pela outra extremidade, de maneira a se produzir uma bolha no
interior da massa que passará a ser a parte interna da embalagem facilitando assim a
fabricação de recipientes que eram feitos de forma bem mais trabalhosa no Egito.
Ainda hoje se usa o principio sopro para moldar embalagens mesmo nos
equipamentos mais modernos
Também a partir de gotas colhidas na ponta de tubos e sopradas, passou-se a
produzir vidro plano, depois que a bolha estava grande se cortava o fundo deixando a
parte que estava presa no tubo e com a rotação deste se produzia um disco de vidro
plano, que era utilizado para fazer vidraças e vitrais.
Artefato romano do sec IV e ilustração egípcia
A fabricação de vidro por volta do século XII era um grande mistério, vidreiros
foram confinados na ilha de Murano na Itália, para que não se espalhassem os
conhecimentos que eram passados de pai para filho, neste local foi desenvolvido um
tipo de vidro muito claro e transparente chamado de cristallo, por ter a transparência
de um cristal, ate os dias de hoje os vidros de Murano são conhecidos por sua
qualidade.
[Link]ísticas e Propriedades
3.1Composição
São basicamente feitos por areia, calcário, barrilha, alumina, corantes e
descorantes. As matérias primas que compõem o vidro são os vitrificantes, fundentes e
estabilizantes.
Os vitrificantes são usados para dar maior característica à massa do vidro e são
compostos de anidrido sílico, anidrido bórico e anidrido fosfórico.
Os fundentes possuem a finalidade de facilitar a fusão da massa silícea, e são
compostos de óxido de sódio e óxido de potássio.
Os estabilizantes têm a função de impedir que o vidro composto de silício e álcalis
seja solúvel, e são: óxido de cálcio, óxido de magnésio e óxido de zinco.
A sílica, matéria prima essencial, apresenta-se sob a forma de areia; de pedra
cinzenta; e encontra-se no leito dos rios e das pedreiras.
Depois da extração das pedras, da areia e moenda do quartzo, procede-se a
lavagem a fim de eliminar-se as substâncias argilosas e orgânicas; depois o material é posto
em panelões de matéria refratária, para ser fundido.
A mistura vitrificável alcança o estado líquido a uma temperatura de cerca de
1.300°C e, quando fundem as substâncias não solúveis surgem à tona e são retiradas.
Depois da afinação, a massa é deixada para o processo de repouso, de assentamento, até
baixar a 800°C, para ser talhada.
Os vidros coloridos são produzidos acrescentando-se à composição corantes como o
selênio (Se), óxido de ferro e cobalto para atingir as diferentes cores.
Composição do Vidro sodo-cálcico
Alumina
Magnésio Potassio
0,7%
4,0% 0,3%
Cálcio
9,0%
Sódio
14,0%
Sílica
Sódio
Cálcio
Magnésio Sílica
72,0%
Alumina
Potassio
3.2 Propriedades Físicas
As Principais propriedades dos vidros são:
Transmissão de luz/radiação, reflexão, absorção.
Índice de Refracção
Propriedades Térmicas
Resistência
Dureza e Resistência à abrasão
Durabilidade Química
Durabilidade às Intempéries
Densidade
Transmissão da Luz
É a capacidade de transmitir radiação, em geral, e luz visível, em particular, que
dá ao vidro uma significância única.
Índice de Refração
É a medida da quantidade de luz que é “flexionada” quando passa através do
vidro e é comparativamente constante para os vidros. É de 1,52 para os vidros de soda-
cal, e varia de 1,47 para os vidros de boros silicato a 1,56 para os vidros de chumbo.
Propriedades Térmicas
Propriedades térmicas significantes incluem:
• Temperatura máxima de trabalho
Pontos de tensão típicos são:
• Vidros de soda-cal 520ºC
• Vidros de borossilicato 515ºC
• Sílica fundida (pyrex) 987ºC
Deve-se notar que as vantagens do borossilicato não são devido à temperatura
de trabalho mas sim pela resistência ao choque térmico.
• Calor Específico
È a medida da quantidade de calor necessário para aumentar a temperatura do
material em 1ºC para cada unidade do seu peso. O vidro tem um valor quase constante
variando cerca de 25% que valem, 0,85-1,00 kJ/kgºC
• Condutividade Térmica
Expressa o quão rapidamente o calor passa através de um material, medido aqui em
W/mºC. Essa propriedade varia muito nos materiais. O valor para o vidro de soda-cal é
de 1,02 W/mºC, 1,13 para o borossilicato e 1,38 para sílica fundida. São valores muito
baixos comparados com 71,0 W/mºC do ferro e 218,5 do alumínio.
• Expansão Térmica
É uma propriedade crítica no projeto, tanto por causa da necessidade de criar espaço
em torno dos elementos que expandem e por causa dos problemas de diferenças de
expansão entre materiais que são combinados para trabalharem juntos num elemento
de construção.
• Transmissão Térmica - coeficiente U
As transferências térmicas através de uma parede por condução, convecção e radiação
são expressas pelo coeficiente U (antigo coeficiente K). Este representa o fluxo de
calor que atravessa 1m² de parede para uma diferença de temperatura de 1ºC entre o
interior e o exterior de um local. Quanto menor o coeficiente U menor são as perdas
térmicas.
Resistência
A resistência de um material é uma propriedade que não pode ser descrita em
termos de uma característica. A capacidade de suportar compressão, tensão, flexão,
torção e outros esforços, não é uniforme nos materiais. O vidro, com sua composição
química extraordinária, e seu estado de pseudo-líquido não cristalizado, é um material
quebradiço com qualidades de resistência muito diferentes.
Assim como o concreto, o vidro é muito resistente a compressão e pouco
resistente à tração, sendo os valores de 1.000 N/mm² e 100 N/mm², respectivamente.
Dureza
A dureza nos materiais, a resistência à abrasão e penetração, etc. são difíceis
de definir. O teste de “arranhão” usa a escala de dureza Moh. Os outros testes são uma
medida de resistência à penetração. O vidro é um material naturalmente duro,
comparável com o aço, a sua dureza é uma das propriedades mais importantes e a
base do envidraçado. A escala Moh de 1 a 10 estende do talco (silicato de magnésio)
com 1 ao diamante com 10. O quartzo, uma forma natural de sílica tem uma dureza de
7. O vidro de soda-cal tem uma dureza de 5,4-5,8.
Durabilidade Química
A dureza do vidro corresponde à sua durabilidade química. Ela é usualmente
medida na escala de 1-4 e relata a resistência à água, ácido e intempéries de água e
dióxido sulfúrico. A corrosão natural provocada pelas intempéries pode ser da ordem
de 8 mícrons por ano. Borossilicatos duros são particularmente resistentes ao ácido, e
os vidros de soda-cal podem ser feitos para resistirem ao ataque alcalino. A maioria
dos vidros, entretanto, são suscetíveis à cal e soluções concentradas de soda cáustica e
são atacados também por ácido hidrosulfúrico e fosfórico, que, como resultado, são
usados na água-forte.
Durabilidade ás Intempéries
É o resultado da combinação da dureza e durabilidade química, dependendo da
resistência natural do material ao ataque químico, e sua capacidade de suportar a
limpeza necessária para o desempenho de um transmissor de luz sem distorções.
Densidade
Alta densidade nos materiais proporcionam vantagens em certos aspectos (por
exemplo no isolamento acústico), mas é geralmente desvantajoso quando se trata do
manuseio, fixação e suporte. O vidro é um material razoavelmente leve com uma
densidade de 2,47 para o soda-cal e 2,2 para a sílica fundida. Vidros com chumbo têm
densidade entre 3 e 6. A adição de fluidos e modificadores geralmente tem o efeito de
aumentar a densidade.
4. Fabricação
As etapas de produção incluem o transporte das matérias-primas para a
fábrica; a classificação dos materiais; a pesagem, a mistura das matérias-primas e
a introdução da massa no forno.
O processo "float" produz um vidro sem ondulações de superfície, eliminando
assim a deficiência visual inerente ao processo anterior, denominado "por
estiramento", pois a massa de vidro é literalmente arrastada sobre roletes.
Atualmente, 98% do vidro no Brasil é fabricado por este processo e o produto se
denomina "vidro cristal".
O processo de fabricação do vidro float é realizado em cinco etapas principais,
divididas da seguinte forma:
• Mistura da composição do vidro
• Fusão
• Transformação
• Recozimento
• Corte
4.1 Mistura da composição do vidro
As matérias-primas que compõem o vidro são dosadas, pesadas e
misturadas em uma quantidade pré-determinada chamada de batch. Após a
mistura correta dos ingredientes, a composição é enviada ao forno de fusão.
4.2 Fusão
Dentro do forno, a composição é fundida a uma temperatura de 1600ºC.
Esse processo é lento e determinado pelas correntes internas do tanque de fusão,
que pode chegar a uma capacidade de até 3.000 toneladas. Após esta etapa, o
vidro é refinado para que as bolhas de gases originadas do processo sejam
eliminadas. Em seguida, a massa de vidro fundido é condicionada à temperatura e
viscosidade correta para ser transformado.
4.3 Transformação
A massa de vidro fundido é despejada em uma piscina de estanho derretido,
a uma temperatura de 650ºC. Devido à diferença de densidade dos dois materiais, o
vidro flutua sobre o estanho feito óleo sobre a água e é por isso que o nome do
processo é float (flutuar). A partir deste momento, o vidro é conduzido para fora do
banho de estanho por máquinas especiais que determinam a largura da lâmina de
vidro, onde a espessura da chapa será dada pela velocidade de extração do vidro de
dentro dessa piscina de estanho.
4.4 Recozimento
A lâmina de vidro float é recozida dentro de um forno linear contínuo
chamado de “annealing lehr” que resfria a chapa de vidro de forma controlada,
permitindo que as tensões do material que acabou de passar do estado líquido
para sólido sejam controladas, possibilitando assim, o corte do vidro.
4.5 Corte
Nas fábricas modernas a lâmina contínua de vidro recozido é inspecionada
automaticamente por scanners de alta precisão, que poderão identificar defeitos
pontuais, ópticos e dimensionais. Após esta etapa, o sistema computadorizado
seleciona e dimensiona o corte, transformando a lâmina continua de vidro em
chapas de dimensões exigidas pelo mercado. Estas chapas são empilhadas
automaticamente por robôs, formando pilhas de lâminas de vidro float, prontas
para serem enviadas ao cliente.
5. Classificação química
O componente básico do vidro é a sílica. Entretanto, os problemas de
manufatura tem historicamente levado à introdução de outros materiais para
facilitar a produção e melhorar a qualidade. Infelizmente esses materiais
trouxeram com eles um declínio das propriedades que agora procuramos.
Considerando o número de materiais disponíveis e necessários para fabricar o
vidro, pode-se constatar que o número de tipos de vidro que podem ser feitos é
infinito, com composições e desempenhos muito variáveis. No entanto, os vidros
mais usados em edifícios entram em cinco grupos, quimicamente:
• Vidro de sodo-cálcico
• Vidros de sílica fundida ou quartzo
• Vidros de boro-silicato
• Vidros de chumbo
• Vidros de silicato de alumínio
5.1 Vidro de sodo-cálcico
É o vidro comercial mais comum e o mais barato, e responde por 90% da
produção. Não resiste a altas temperaturas, a mudanças bruscas de temperatura,
nem a produtos químicos corrosivos. É o tipo de vidro utilizado no
desenvolvimento do processo de Float.
5.2 Vidros de sílica fundida ou quartzo
Esses incluem o único componente do vidro realmente importante, e é
caracterizado por altas temperaturas de fusão e trabalho, um coeficiente de
expansão térmico baixo (e assim resistência ao choque térmico), e alta resistência
química. O seu alto ponto de fusão o torna caro e difícil de produzir como um
vidro derretido primário. Os vidros dessa família são aplicados em laboratórios de
alta tecnologia.
5.3 Vidros de boro-silicato
Esses vidros são muito resistentes à corrosão química, e tem um
coeficiente de expansão térmica baixo, um terço do coeficiente do vidro de soda-
cal. Esta família de vidros tem uma enorme gama de usos: utensílios domésticos
(Pyrex) e de laboratórios, lâmpadas e ainda é usado em vidros resistentes ao fogo
aumentando a resistência ao impacto e baixando o coeficiente de expansão.
5.4 Vidros de chumbo
É um vidro com baixas temperaturas de fusão e trabalho, possui um alto
índice de refratividade e densidade. A quantidade de óxido de chumbo pode
variar muito (até três vezes), e vidros com alto teor de chumbo (onde o óxido de
chumbo compreende até 80% do total) são usados como protetores de radiação.
Geralmente quando o teor de chumbo é maior que 10% tais vidros ganham a
denominação comercial de "cristal“. Os teores de óxido de chumbo podem chegar
até a 25%.
5.5 Vidros de silicato de alumínio
Enquanto ainda compreende mais de 50% de sílica, o alumínio, contudo,
nesses vidros é dez vezes maior do que nos de soda-cal. O óxido de boro também
está presente, e o vidro resultante tem uma grande durabilidade química. É
utilizado na fabricação do gorila glass, presente nos smartphones.
6. Tipos de Vidros
Vidro Plano
De acordo com o processo de fabricação existem dois tipos de vidro plano: o float
e o impresso.
Vidro Float (vidro comum) é um vidro plano
transparente, incolor ou colorido, com espessura
uniforme e massa homogênea.
O vidro impresso é um vidro plano translúcido,
incolor ou colorido, que recebe a impressão de
um padrão (desenho) quando está saindo do forno
6. Tipos de Vidros
Vidro Curvo: O processo de curvatura consiste
em colocar o vidro float sobre um molde (matriz)
de aço comum ou inoxidável dentro de um carrinho.
Em seguida, esse veículo entra embaixo do forno
suspenso. Após o encaixe da máquina ao carrinho,
o vidro é curvado a uma temperatura média de 650
graus, adquirindo a curvatura definida pelo molde
por meio de gravidade.
6. Tipos de Vidros
Vidros de Segurança
Vidro Temperado: O vidro temperado é um vidro float que recebe um tratamento
térmico que o torna mais rígido e mais resistente à quebra. Em caso de quebra
produz pontas e bordas menos cortantes, fragmentando-se em pequenos
pedaços arredondados.
6. Tipos de Vidros
Vidros de Segurança
Vidro Laminado: é um tipo de vidro de segurança
que mantém em conjunto os estilhaços quando
quebrado. É composto por duas ou mais placas de
vidro, que são unidas por uma ou mais camadas
intermediárias de polivinil butiral (PVB) ou resina.
Quando quebrado, os estilhaços ficam presos nesta
camada intermediária. Esta característica produz
efeito de uma "teia de aranha" quando o impacto não
é totalmente suficiente para furar o vidro
6. Tipos de Vidros
Vidros de Segurança
Vidro Aramado: O aramado foi o primeiro vidro de segurança a ser utilizado na
construção civil e na decoração de ambientes. É um vidro impresso, translúcido,
disponível em várias cores. Nele é incorporada uma rede metálica de malha
quadrada. É considerado vidro de segurança, segundo as normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
6. Tipos de Vidros
Vidros de Segurança
Vidro a prova de Balas ou Blindado: O vidro blindado é um vidro
multilaminado que protege ambientes e veículos automotores contra disparos
de armas de fogo. Cada fabricante desse tipo de vidro pode lançar mão de
uma composição específica. Na maioria das vezes, o vidro blindado é
fabricado por meio de um processo de calor e pressão, que utiliza –
intercaladamente – duas ou mais lâminas de vidro, polivinil butiral (PVB) ou
resina, poliuretano e lâminas de policarbonato. Todos os itens são unidos,
tornando-se resistentes. São estas camadas plásticas entre as lâminas de
vidro que amortecem o impacto e aumentam a resistência do material.
6. Tipos de Vidros
Vidros de Segurança
Vidros Resistentes a Fogo, também chamados de antifogos,
são vidros laminados compostos por várias lâminas
intercaladas com material químico transparente, como o gel
intumescente, que se funde e dilata em caso de incêndio. Ou
seja, no momento em que o vidro recebe calor procedente do
fogo e a temperatura eleva-se, o processo de intumescência é
ativado, criando uma barreira opaca ao fogo.
O desempenho do vidro resistente ao fogo depende de muitos
detalhes técnicos envolvendo a instalação e o tipo de vidro a
ser utilizado. . Todo projeto necessita de um sistema completo
resistente ao fogo pelo tempo necessário de acordo com a
legislação nacional de cada país. Os especificadores devem
estar atentos se existe a necessidade da utilização de um vidro
pára-chamas (que impede a propagação do fogo, mas deixa o
calor passar para outro ambiente) ou um corta-fogo (barra
tanto a chama como o calor).
6. Tipos de Vidros
Vidros Acústicos
Os vidros acústicos impedem que os ruídos passem de um ambiente para outro.
Vidro laminado acústico: É um vidro laminado com
um PVB especial e por isso funciona como um
excelente isolante acústico.
Vidro duplo ou insulado: É o conjunto de dois vidros
separados por uma camada de ar ou gás, conferindo
redução na propagação de som, na entrada de calor
e uma infinidade de combinações decorativas.
Largamente utilizado na construção civil dos países
europeus, o vidro duplo está presente no nosso dia a
dia, como por exemplo, na porta dos freezers e
refrigeradores. O duplo envidraçamento pode ser
composto por qualquer tipo de vidro, melhorando a
performance térmica e acústica
6. Tipos de Vidros
Vidro Colorido
Vidro Pintado: Produzido a partir de um vidro float,
recebe na linha de produção uma pintura especial, o
que lhe confere, além do acabamento colorido e de alto
brilho, maior resistência. Sua versatilidade possibilita a
utilização em móveis, residências, escritórios, hotéis,
lojas e museus.
Vidro Serigrafado: No processo de fabricação do vidro
serigrafado ou pintado a quente, a imagem que se
deseja aplicar ao vidro é gravada em uma tela de
poliéster e transferida para a peça de vidro, por meio de
emissão luminosa. Esse processo lembra o de revelação
fotográfica. Após a aplicação do esmalte cerâmico, o
float passa pela têmpera e é submetido a tratamento
térmico. Depois de fundida a mais de 560 graus, a tinta
adere à peça. Portanto, o vidro float torna-se
serigrafado e temperado
6. Tipos de Vidros
Vidros Especiais
Com avanço tecnológico na criação de micro camadas surgiram inúmeros
tipos de vidros especiais. Na realidade, esses vidros possuem camadas de diversos
tipos de materiais diferentes, camadas essas de dimensões microscópicas, que
oferecem diversas características diferenciadas ao vidro. Tipos de vidros especiais:
controle solar, autolimpante, baixa reflexão e baixo-emissivo.
Vidro com baixa reflexão É um vidro float extra clear (vidros com baixa concentração
de ferro em sua composição e por isso são extremamente claros e não esverdeados)
que recebe uma camada capaz de reduzir a reflexão em 5 vezes. Ideal para vitrine,
showrooms, museus, concessionárias, display e etc.
6. Tipos de Vidros
Vidros Especiais
Vidro de proteção solar: Também conhecido como
vidro refletivo ou de controle solar, oferece uma
solução arquitetônica contemporânea, sendo indicado
para locais onde há grande incidência de raios solares,
como fachadas de prédios, janelas, portas, sacadas e
coberturas, pois proporciona melhor conforto térmico.
Da radiação solar que passa pelo envidraçamento,
parte é automaticamente refletida para o ambiente
externo, e parte é absorvida pelo vidro, minimizando a
quantidade de calor que atinge efetivamente o
ambiente interno. A transformação do vidro float em
refletivo consiste na aplicação de uma camada
metalizada numa de suas faces, feita pelos processos
pirolítico (on-line) ou de câmara a vácuo (off-line)
6. Tipos de Vidros
Vidros Especiais
Vidro autolimpante: Para a produção do
autolimpante, o float recebe uma película com uma
camada com partículas de dióxido de titânio (TiO2). A
camada de cobertura age de duas formas: na
primeira, quebra as moléculas orgânicas; e, na
segunda, elimina a poeira inorgânica. A quebra das
moléculas orgânicas é feita por meio do processo
chamado fotocatalítico. . Essa camada aproveita a
força dos raios UV (Ultravioleta) e da água da chuva
para combater a sujeira e os resíduos que se
acumulam no exterior e desta forma, mantém a
superfície do vidro limpa. Esse tipo de vidro possui um
grande caráter sustentável, pois dispensa uso de
materiais para limpeza e economia de agua.
6. Tipos de Vidros
Vidros Especiais
Vidro baixo-emissivo: É um vidro produzido em
processo off-line e que apresenta baixa emissividade, ou
seja, não permite a troca de calor entre o ambiente
interno e externo. Quando utilizado como vidro duplo,
isola termicamente até 5 vezes mais do que um vidro
transparente monolítico. Possui aparência de um vidro
float incolor, reduzindo a entrada de calor ou frio. Usado
no mercado de refrigeração comercial e na construção
civil, em fachadas e coberturas. Sua eficiência vem de
uma fina camada de óxido metálico aplicada em uma
das faces do vidro. Essa película filtra os raios solares,
intensificando o controle da transferência de
temperaturas entre ambientes sem impedir a
transmissão luminosa.
6. Tipos de Vidros
Espelho: Espelhos são produzidos a partir de um vidro
float que recebe sobre uma das superfícies camadas
metálicas, como a prata, o alumínio ou o cromo. Em
seguida, o produto recebe camadas de tinta que têm
como função protegê-lo
Vidro acidado: São vidros tratados com ácido e com
aparência esbranquiçada. Oferece diversas opções
estéticas para arquitetos e decoradores, pois combinam
a leveza do vidro com a sutileza da translucidez, dando
um toque de nobreza ao design de móveis e à decoração
dos mais diversos ambientes.
6. Tipos de Vidros
Vidro jateado: É um vidro trabalhado com jatos
de grãos de areia, que agridem mecanicamente o
vidro, transformando-o em translúcido e
levemente áspero. Usado em móveis e
decoração.
Vidro craquelado: São vidros laminados
compostos por uma lâmina interna de vidro
temperado com duas lâminas externas de vidros
comuns (float). No processo de produção do
craquelado, o vidro temperado interno é
quebrado e fragmenta-se, ficando aderido à
película plástica e preso às lâminas externas.
6. Tipos de Vidros
Lã de vidro: É produzida fazendo passar o vidro
fundido através de pequenos furos ou orifícios, à
medida que os filetes de vidro fundido escorrem
através dos orifícios, eles são atingidos por jactos
de ar ou vapor a alta pressão fazendo com que o
produto seja produzido. A temperatura do vidro,
a dimensão dos orifícios e a pressão dos jactos
condicionam o tipo de fibra fabricada. A fibra de
vidro é um material incombustível, não
absorvente, quimicamente estável, resiste ao
ataque de insetos, roedores e fungos. As fibras de
vidro são utilizadas para reforçar plásticos, fitas,
tendo variadas aplicações. Destacam-se como
isolante térmico e acústico e são produzidas a
partir de vidros de baixa alcalinidade
6. Tipos de Vidros
Vidro fotovoltaico: Pequenas lâminas de
células fotovoltaicas fabricadas com silício, um
material semicondutor, são instaladas em vidros
simples, laminados ou duplos e dão origem aos
vidros fotovoltaicos. Esses vidros permitem a
absorção da radiação solar e convertem a
energia em eletricidade. Cada painel de vidro
pode abrigar diversas células ligadas entre si.
Fios instalados no interior dos perfis de alumínio
conduzem a energia elétrica de um painel para
outro, sucessivamente, até as baterias de
armazenamento.
6. Tipos de Vidros
Tijolos ou blocos de vidro: São fabricados por um processo algo complexo.
Primeiro, duas peças de vidro retangulares ou quadradas são fabricadas. Essas
metades são unidas por fusão a altas temperaturas, sendo o ar no espaço entre os
vidros evacuado, de modo a criar-se um vácuo. Por fim, as bordas são revestidas por
plástico, para melhor vedação.
7. Aplicações gerais do Vidro na Construção Civil
Há uma infinidade de possibilidades do uso do vidro na Construção Civil,
desde que o projeto, escolha e instalação e do vidro seja realizada por um profissional
qualificado, e de acordo com as normas regulamentadoras exigidas.
As normas que regulamentam o uso do vidro na Construção Civil são:
• NBR7199: Projeto, execução e aplicações de vidros na construção civil - Esta
norma fixa as condições que devem ser obedecidas no projeto de envidraçamento
em construções.
• NBR11706: Vidro na construção civil - Esta norma fixa as condições exigíveis
para vidros planos aplicados na construção civil.
Na Construção Civil é comumente utilizado em fachadas, coberturas, pisos, divisórias,
portas, janelas, escadas e paredes, além de ser usado como elemento de segurança
em guarda-corpos, o vidro proporciona muita interação entre ambientes e garante
amplitude, leveza e visibilidade.
8. Vantagens e Desvantagens
Vantagens Desvantagens
Reciclabilidade Fragilidade
Transparência Alto custo
Não absorvente (impermeabilidade) Peso
Baixa condutividade térmica Dificuldade no fechamento Hermético
Durabilidade Dificuldade de manipulação.
Higiênico Não recomendado para áreas sujeitas a
terremoto
Versátil
9. Curiosidades
Técnicas de reciclagem
Reciclagem 1 – Para produção de Vidro
É a reciclagem mais comum, e portanto a mais conhecida que este
produto sofre. Tem como principal vantagem a diminuição da energia
necessária para a fundição. Nesse tipo de reciclagem, o vidro é
rederretido, possibilitando a produção de novos utensílios. Este processo
já é utilizado com eficiência em escala industrial.
9. Curiosidades
Técnicas de reciclagem
Reciclagem 2 - Agregado para cimento Portland
Estudos estão sendo feitos no intuito de verificar a possibilidade da
utilização de sucata de vidro em substituição a uma porcentagem dos
agregados para propiciar maior economia de agregados naturais que são
os comumente utilizados.
Para este fim, o vidro é moído e/ou quebrado em cacos - estão sendo
feitos estudos para a determinação da melhor maneira de inserir o vidro
na pasta de cimento
Reciclagem 3 - Agregado para concreto asfáltico
A sucata de vidro é utilizada na forma de cacos e adicionada ao concreto
asfáltico como se fosse um agregado comum. A vantagem neste caso é a
mesma do agregado para cimento Portland. Não há necessidade de
nenhum equipamento especial para esta utilização.
9. Curiosidades
Técnicas de reciclagem
Reciclagem 4 – Outros
Além das formas de reciclagem citadas acima, existem inúmeras outras,
tais como: agregados para leitos de estradas, materiais abrasivos, blocos
de pavimentação, cimento a ser aplicado em encanamentos, tanques
sépticos de sistemas de tratamento de esgoto, filtros, janelas, clarabóias,
telhas etc. Todas estas aplicações utilizam a sucata de vidro moída e/ou
em cacos (o tamanho do vidro varia conforme a aplicação) adicionada em
porcentagens adequadas aos elementos já constituintes
10. Conclusão
Concluímos assim, que o vidro é um material com qualidades
extraordinárias, as quais ainda estão sendo aperfeiçoadas com o
avanço da ciência, e indispensável na concepção arquitetônica.
Existe uma vasta gama de tipos de vidro disponíveis no mercado,
mas é necessário o seu profundo conhecimento para ter
capacidade de tomar as decisões corretas no momento da sua
escolha tendo em vista o seu propósito, para tirar o máximo
proveito possível das suas particularidades. Além disso,
constatamos que é de extrema importância compreender as
propriedades do vidro para que os seus limites sejam respeitados
e as suas qualidades otimizadas.
11. Bibliografia
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Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro,
[Link], acessado em 26 de abril de 2015
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Centro de Informações sobre Reciclagem e Meio Ambiente,
Manual do Vidro 2000. Saint Gobain disponível em [Link]-
[Link]
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Ed. [Link], E.G.R. Materiais de construção. Ed. Globo.
PIANCA, J. Batista. Manual do Construtor. 3a edição. 5 volumes. Ed. Globo.
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Revistas Técnicas – Arquitetura e Construção, Finestra e Téchne - Editora
Pini VERÇOSA, Enio. Materiais de construção. Porto Alegre. Editora da
UFRS. 2000.
WIGGINTON, Michael, Glass in Architecture, editora Phaidon 1996.
ZANOTTO, Edgar Dutra. Vidros: Arte, Ciência e Tecnologia de 4000 a.C. a
2000 d.C -