Inteligências Múltiplas na Educação
Inteligências Múltiplas na Educação
construção do saber
Jackcilene Carvalho Silva *
Humberta Porto**
RESUMO
1 INTRODUÇÃO
*
Jackcilene Carvalho Silva - Graduanda do curso de Pedagogia do Centro Universitário do Sul de Minas
(UNIS/MG) - [Link]@[Link]
**
Humberta Porto - Professora do Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS/MG) -
[Link]@[Link]
Este trabalho aborda a importância da teoria das Inteligências Múltiplas no processo de
ensino e aprendizagem, analisando as vantagens encontradas em trabalhar com essa concepção
dentro do contexto escolar.
Adentre da sala de aula existem diversos indivíduos, cada um com sua especificidade. A
teoria ressalta a existência de oito inteligências múltiplas, conforme aponta Gardner em
Estruturas das Mentes (1994) que devem ser consideradas no planejamento docente, visando
atender a particularidade dos alunos no desenvolvimento acadêmico.
Tal abordagem se faz necessária pelo uso e a associação das inteligências múltiplas no
processo de ensino e aprendizagem, que auxilia no desenvolvimento cognitivo, sensorial,
emocional dentre outros aspectos fundamentais no desenvolvimento e formação da criança e do
adolescente.
O objetivo deste trabalho é salientar as vantagens de trabalhar com Teoria das
Inteligências Múltiplas no contexto escolar - permitindo que outras inteligências, que não são tão
valorizadas pela escola, possam ser desenvolvidas – além de, discutir o papel do professor neste
cenário, que contribui com desenvolvimento pleno do ser humano.
Este intento será conseguido mediante revisão bibliográfica que é “dedicada a reconstruir
teoria, conceitos, ideias, ideologias, polêmicas, tendo em vista, em termos imediatos, aprimorar
fundamentos teóricos” (DEMO, 2000, p.20).
2 INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS
A teoria das inteligências múltiplas, por outro lado, pluraliza o conceito tradicional. Uma
inteligência implica na capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos que são
importantes num determinado ambiente ou comunidade cultural. A capacidade de
resolver problemas permite à pessoa abordar uma situação em que um objetivo deve ser
atingido e localizar a rota adequada para esse objetivo. A criação de um produto cultural
é crucial nessa função, na medida em que captura e transmite o conhecimento ou
expressa as opiniões ou os sentimentos da pessoa. Os problemas a serem resolvidos
variam desde teorias científicas até composições musicais para campanhas políticas de
sucesso. (GARDNER, 1995, p.21)
Quando estava com três anos de idade, Yehudi Menuhin foi introduzido por seus pais,
clandestinamente, na Orquestra de São Francisco. O som do violino de Louis Persinger
fascinou tanto a criança que ela insistiu em ganhar o violino em seu aniversário e em ter
Louis Persinger como seu professor. Conseguiu ambos. Quando estava com dez anos de
idade, Menuhin era um músico internacional. (MENUHIN, 1977 apud GARDNER,
1995, p. 22)
Dentre todos os talentos, habilidades e capacidades que podem ser observadas nos
indivíduos, o talento musical é o que desabrocha primeiro. Além disso, tal inteligência
proporciona maior clareza em outras formas de intelecto, “Os filósofos antigos incluíam a música
como parte do currículo, que ajudava no desenvolvimento pessoal e público. No entanto, em
nossa época, a música nas escolas tem pouco valor; dedicam-se mais tempo para a leitura e
cálculos. Ironicamente, a música pode ser um dos importantes meios para se desenvolver essas
habilidades tão desejadas.” (CAMPBELL; DICKINSON, 2000, p. 132).
2.3 Inteligência Espacial
Subitamente, eu dei um pulo e corri para o milharal. No início do campo (os outros ainda
estavam no fundo) gritei “Eureka, eu já sei. Eu sei o que os 30% de esterilidade
são!” ...Eles me pediram para comprova-lo. Eu sentei, peguei um saco de papel e um
lápis e comecei a rabiscar, o que não havia feito em meu laboratório. Tudo aconteceu tão
rápido; a resposta veio e eu sai correndo. Agora, eu a desenvolvi passo a passo – era uma
complicada série de etapas – e cheguei ao mesmo resultado. Eles olharam para o
material e era exatamente como eu havia dito que era; exatamente como eu havia
diagramado. Como eu sabia, sem tê-lo feito no papel? Por que eu tinha tanta certeza?
(KELLER, 1983, p. 104)
Uma pessoa com esta inteligência desenvolvida percebe-se um modelo viável e efetivo de
si mesmo. Também é importante ressaltar que o autoconhecimento é uma habilidade fundamental
para conhecer o mundo ao seu redor.
Uma pessoa quando apresenta esta inteligência desenvolvida, percebe-se uma gama de
vontade em conhecer a si próprio, suas emoções e refletir sobre seus erros e aprender e
acertar com eles. Desse modo, indivíduos autistas e esquizofrênicos são exemplos de
pessoas que possuem a inteligência intrapessoal prejudicada (BRENNAND;
VASCONCELOS, 2005).
Através dessa premissa podemos observar que a busca pela introdução de novas teorias,
propostas e métodos são evidentes. A teoria de Gardner (1994) se destaca neste campo por
defender que o ser humano possui inteligências múltiplas e que o intelecto tem suas pluralidades,
não se acarreta apenas a uma inteligência. Esta premissa é de suma importância dentro do âmbito
escolar, uma vez permite uma nova visão de inteligência, podendo se submeter a mudanças
curriculares e nas práticas escolares; visando o desenvolvimento pleno do ser humano.
Segundo Antunes (2006), a inteligência em seu sentido amplo é a capacidade cerebral
pela qual conseguimos penetrar na compreensão das coisas escolhendo o melhor caminho,
podemos observar que é imprescindível que a escola busque sempre compreender as capacidades
de seus alunos para que possam desenvolver competências e habilidades para viver em plena
sociedade, pois é na escola que tudo se permite a aprofundar os aprendizados em si.
Segundo Antunes (2006) o indivíduo, portanto, não seria inteligente sem sua língua, sua
herança cultural, sua ideologia, sua crença, sua escrita, seus métodos intelectuais e outros meios
do ambiente.
Deve-se permitir um olhar atento às grandes diversidades encontradas dentro do ambiente
escolar. Dito isso, o professor, que atua como mediador do conhecimento necessita deste olhar
atento para facilitar este processo pleno de desenvolvimento. Entretanto, devido a todas as
diversidades encontradas na sociedade, ainda se diferem ideias sobre as inteligências.
Neste cenário podemos observar que a escola vem transmitindo uma visão que não condiz
com seu papel. A escola é um espaço de troca de saberes e construção de conhecimento e não um
ambiente de competição onde se destaca quem apresenta as melhores notas, situação que causa
em outros alunos um sentimento de constrangimento e incapacidade.
Quantos alunos não desenvolvem gravíssimas crises emocionais no Japão, na China, nos
Estados Unidos, no Brasil, por não serem os melhores da classe? Alguns se matam, sem
saber que é possível ser o número dois, três, dez, com dignidade. Sem saber ainda que
nem sempre os melhores da classe serão os maiores profissionais, empreendedores,
cientistas. (CURY, 2019, p. 20)
É importante salientar que cada ser tem um tempo de aprendizagem, que sua contribuição
é importante para o contexto social em que vive, ressalta-se que dentro do mundo contemporâneo
o conhecimento apresentado é digno e de suma rentabilidade. Como corpo docente a escola se
necessita repensar suas práticas e métodos, para não cometer injustiças.
Salienta-se que o bem estar dos educandos é um dos atos motivacionais neste processo,
portanto o ambiente escolar deve ser um espaço de grandes descobertas e construções,
proporcionando momentos e oportunidades significativas aos educandos sejam emocional,
matemático e entre outros.
O professor não perde espaço nesse novo conceito de escola. Ao contrário, transforma a
sua na mais importante das profissões, por sua missão de estimulador da inteligência e
agente orientador da felicidade. Perdeu seu espaço, isso sim, a escola e, portanto, os
professores que são simples agentes transmissores de informações. (ANTUNES, 2006,
p .13)
Com toda transformação global a escola deve-se manter com uma imagem atualizada e
prazerosa, altamente qualificada e pronta para proporcionar aos alunos algo inovador e
inesperado, é no âmbito escolar que as mudanças acontecem, cada um com o seu papel
renovando o conhecimento.
Não nos parece difícil associar as ideias de inteligência e de felicidade e seu estimulo ao
papel da escola neste nascer de um novo milênio. A escola, como centro transmissor de
informações, já não se justifica. Afinal de contas, esse centro pode e deve ser substituído
por outros, menos cansativos, menos onerosos e, principalmente, mais eficiente.
(ANTUNES, 2006, p.13)
Como o próprio autor nos traz a educação precisa do novo, de construções e descobertas e
não meras transmissões, os agentes responsáveis por essas mudanças é certamente os educadores
capacitados para mediar à construção do conhecimento de cada educando, neste sentido o
professor não perde seu papel, mas sim se mostra como colaborador dessa construção.
Por muito tempo, acreditou-se que todo processo de ensino se fixava na figura do
professor. Essa visão fez com que o ensino ganhasse autonomia sobre a aprendizagem e
alguns “métodos” de ensino passassem a ser usados indistintamente, como se sua
eficiência garantisse a aprendizagem de todos. (ANTUNES, 2006, p. 97)
Segundo Armstrong (2001), existem dois tipos de experiências que podem “paralisar ou
cristalizar” o desenvolvimento das inteligências: as experiências cristalizadoras, que ocasionam
principalmente na infância, onde ocorre o desenvolvimento inicial rumo à maturidade da
aprendizagem; e as experiências paralisadoras que são as que desligam as inteligências,
geralmente envolvem vergonha e humilhação e outros sentimentos negativos.
Partindo desta perspectiva, o professor assume um novo papel perante o ambiente escolar
como agente e proporcionador do conhecimento.
São evidentes que todas as crianças apresentam diversidade em seu perfil de inteligência e
que suas prioridades variam uns aos outros. Porém, no contexto social em que vivemos é
inevitável não saber de tudo devido ao grande fluxo de informações que recebemos a todo o
momento.
Nesta percepção, demonstra a importância do uso das Inteligências Múltiplas, no auxílio
do professor, como ferramenta no processo de estímulo e construção do conhecimento. A teoria
nos traz um ramo de oportunidades, em que o professor oferta métodos altamente qualificados
para suprir as necessidades apresentadas por cada aluno. Esta prática possibilita que o aluno tenha
incentivo em sua área de interesse, possibilitando assim uma aprendizagem prazerosa.
O desenvolvimento deste rol muitas das vezes requer grandes desafios, pois vai requerer a
compreensão e o entendimento de cada educando para poder utilizar este recurso como
ferramenta em seu cotidiano.
A importância da teoria e do seu uso no espaço escolar, segundo Gardner (2000, p.174)
está na identificação dos pontos fracos e fortes, abordando toda uma gama de possibilidades
educacionais.
A teoria não se apresenta como a cura dos males da educação, e sim como uma forma de
estímulos para professores, alunos e a todos envolvidos neste processo. Instigando e
proporcionando aos alunos pelo conhecimento e ao entendimento do assunto requerido, não
dominando os fatos, mais sim com a percepção do “porquê” de estar aprendendo.
Como trás o autor Gardner (2000), a experiência além de estimular a Inteligência facilita a
assimilação do conteúdo aplicado em sala de aula e também faz com que se compreenda melhor
o conteúdo ativo na escola.
Propor uma proposta pedagógica no mundo contemporâneo em que vivemos, onde o ato
promissor seja o desenvolvimento pleno do aluno, atendendo suas especificidades é algo
desafiador ao professor. Entretanto existem ferramentas crucias que podem auxiliar os docentes
neste satisfatório processo, analisando os interesses, comportamentos, gostos, ou seja, realizando
um mapeamento individual de cada aluno para auxiliar em seu desenvolvimento.
Nesta perspectiva segundo Armstrong (2001), na época em que entram na escola, elas
provavelmente já estabeleceram maneiras de aprender que seguem mais as linhas de algumas
inteligências do que outras. (ARMSTRONG, 2001, p. 37)
O educando ao iniciar sua vida escolar, já apresentam algumas características que se
assemelham a determinadas inteligências. Analisando as contribuições de Armstrong (2001)
observam-se os interesses e algumas propostas capazes de atender cada inteligência em
particularidade, como descreve nos próximos parágrafos.
Inteligência Linguística: pensam por intervenção das palavras, gostam de escrever,
dialogar, utilizar diários, ouvir e contar histórias, desta maneira, apresentará maior capacidade
nas tarefas associadas.
Inteligência lógico-matemática: o aluno apresenta o hábito de questionar, resolver
problemas lógicos e experimentar. Uma maneira de se trabalhar com estes alunos é utilizando
materiais para explorar, jogos regidos pela lógica e pensar.
Inteligência Espacial: exploração de recursos de imagens como slides, jogos de animação,
apreciação de desenho e planejamento de atividades relacionadas.
Inteligência Corporal: são aqueles que mais gostam de apresentar festivais de dança ou
teatro, necessitam de esportes, jogos de movimentos e dramatizações.
Inteligência Musical: a aprendizagem se da por meio dos ritmos e melodias. A utilização
de musicas que se relaciona com o conteúdo é uma opção.
Inteligência Naturalística: explorar a natureza de forma interdisciplinar, ofertando a
oportunidade de aprender com a natureza.
Inteligência Intrapessoal e Interpessoal: uma opção de recurso para utilizar na
aprendizagem é a organização de grupos e mediação por meio de alunos. A intrapessoal consiste
na capacidade de resolver conflitos interiores, com emoções próprias, se autoconhecer e entender
necessidades.
Tabela 1 – Oito Formas de Aprender. Inteligências Múltiplas na Sala e Aula
Crianças que são PENSAM ADORAM PRECISAM DE
extremamente
Linguísticas Em palavras Ler, escrever, contar Livros, fitas, materiais
histórias, fazer jogos para escrever, papel,
de palavras diários, diálogos,
discussões, debates,
histórias
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo realizado buscou dar ênfase na importância da teoria das inteligências múltiplas
no contexto educacional, salientando suas contribuições no desenvolvimento cognitivo, moral
dos educandos e o grande espaço do professor, o mediador deste processo.
A teoria das Inteligências Múltiplas é primordial para educação, dado que as diferenças e
habilidades particulares são valorizadas fazendo com que os alunos sintam-se motivados, aptos e
valorizados ao resolverem problemas. Além de assumirem seu papel na sociedade com confiança
e eficiência.
Com base na pesquisa conclui-se que o rol das inteligências é de grande rentabilidade no
contexto educacional, em que permeia grande pluralidade de intelecto e insere o educando na
sociedade com dignidade e respeito; apreciando e valorizando suas capacidades e inteligências. O
professor neste processo é primordial; ele não perde seu valor, mas torna sua profissão umas das
mais apreciadas.
Estimular seus alunos a novas descobertas requer desafios, quando o docente não
apresenta todas as inteligências desenvolvidas, porém requer ferramentas que os auxiliam neste
processo, como a formação continuada - deixando confiante neste papel.
Há anos esta teoria contraria as avaliações presentes, em que as maiores notas mensuram
os melhores alunos. Todavia, Gardner (1995), nos traz um pensamento inovador em que não há
saberes melhores e nem piores, mas sim saberes diferentes.
O uso do teste QI apresenta uma visão errônea, mensurando a inteligência de cada pessoa
através de um padrão preestabelecido dentro da sociedade. A teoria deve ser cada vez mais
presente no ambiente escolar, proporcionando o desenvolvimento completo ao educando e
contribuindo com sua autoestima e segurança no meio em que vive.
Destarte, a teoria das Inteligências Múltiplas requer reconhecimento e valorização no
processo de desenvolvimento e alfabetização do educando. Apresentando então, um ensino
voltado ao aluno, que acentua suas particularidades e buscando oferecer um aprendizado de
qualidade e promissor.
ABSTRACT
The contemporary educational context is associated with large and new learning
proposals, which aim at the reorganization and structuring of the field of intelligence and the
teaching-learning process. Such an approach is due to the fact that the human being has not only
a type of intelligence, but a plurality and they can be developed according to Howard Gardner's
theory. Based on this assumption, the objective of this work is to analyze Gardner's contributions
in the teaching process and the role of the teacher in this context, in which the fragility of the
evaluation system is still notorious: it seeks to measure the intelligence of the student through
quantitative tests. This purpose will be achieved through the literature review, collecting
information from books, articles and other scientific materials. The analysis proved that all
children present diversity in their intelligence profile and stressed the importance of using MI as
an educator's tool in the process of stimulus and construction of the knowledge.
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