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Inteligências Múltiplas na Educação

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EDUCAÇÃO E APRENDIZAGEM: A importância das inteligências múltiplas na

construção do saber
Jackcilene Carvalho Silva *
Humberta Porto**

RESUMO

O contexto educacional contemporâneo está associado a grandes e novas propostas de


aprendizagem, que visam à reorganização e a estruturação do campo da inteligência e do
processo de ensino aprendizagem. Tal abordagem é devido ao fato que o ser humano possui não
apenas um tipo de inteligência, mas uma pluralidade e elas podem ser desenvolvidas conforme a
teoria de Howard Gardner (1983). Partindo deste pressuposto, o objetivo deste trabalho é analisar
as contribuições de Gardner (1994) no processo de ensino aprendizagem e o papel do professor
neste contexto, em que a fragilidade do sistema avaliativo ainda é notória: busca mensurar a
inteligência do educando através de teste quantitativos. Este propósito será alcançado através da
revisão bibliográfica, coletando informações a partir de livros, artigos e demais materiais
científicos. A análise comprovou que todas as crianças apresentam diversidade em seu perfil de
inteligência e ressaltou a importância do uso da IM como ferramenta do educador no processo de
estímulo e construção do conhecimento.

Palavras chave: Inteligências Múltiplas. Educação. Aprendizagem.

1 INTRODUÇÃO

*
Jackcilene Carvalho Silva - Graduanda do curso de Pedagogia do Centro Universitário do Sul de Minas
(UNIS/MG) - [Link]@[Link]
**
Humberta Porto - Professora do Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS/MG) -
[Link]@[Link]
Este trabalho aborda a importância da teoria das Inteligências Múltiplas no processo de
ensino e aprendizagem, analisando as vantagens encontradas em trabalhar com essa concepção
dentro do contexto escolar.
Adentre da sala de aula existem diversos indivíduos, cada um com sua especificidade. A
teoria ressalta a existência de oito inteligências múltiplas, conforme aponta Gardner em
Estruturas das Mentes (1994) que devem ser consideradas no planejamento docente, visando
atender a particularidade dos alunos no desenvolvimento acadêmico.
Tal abordagem se faz necessária pelo uso e a associação das inteligências múltiplas no
processo de ensino e aprendizagem, que auxilia no desenvolvimento cognitivo, sensorial,
emocional dentre outros aspectos fundamentais no desenvolvimento e formação da criança e do
adolescente.
O objetivo deste trabalho é salientar as vantagens de trabalhar com Teoria das
Inteligências Múltiplas no contexto escolar - permitindo que outras inteligências, que não são tão
valorizadas pela escola, possam ser desenvolvidas – além de, discutir o papel do professor neste
cenário, que contribui com desenvolvimento pleno do ser humano.
Este intento será conseguido mediante revisão bibliográfica que é “dedicada a reconstruir
teoria, conceitos, ideias, ideologias, polêmicas, tendo em vista, em termos imediatos, aprimorar
fundamentos teóricos” (DEMO, 2000, p.20).

2 INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Em 1983 o psicólogo Howard Gardner se tornou conhecido mundialmente ao apresentar


sua teoria de Múltipla Inteligência, que contestaria a mediação clássica da época: o Quociente de
Inteligência, o famoso QI, que era a base para definir se uma pessoa era inteligente ou não.
Através de sua pesquisa, Gardner estabeleceu que o QI não deve mensurar a inteligência
de uma pessoa. Segundo o pesquisador, uma pessoa apresenta de 7 a 8 tipos de inteligências
divergentes, algumas desenvolvidas, outras não. (GARDNER, 1995)

A teoria das inteligências múltiplas, por outro lado, pluraliza o conceito tradicional. Uma
inteligência implica na capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos que são
importantes num determinado ambiente ou comunidade cultural. A capacidade de
resolver problemas permite à pessoa abordar uma situação em que um objetivo deve ser
atingido e localizar a rota adequada para esse objetivo. A criação de um produto cultural
é crucial nessa função, na medida em que captura e transmite o conhecimento ou
expressa as opiniões ou os sentimentos da pessoa. Os problemas a serem resolvidos
variam desde teorias científicas até composições musicais para campanhas políticas de
sucesso. (GARDNER, 1995, p.21)

Esta teoria movimentou o campo da psicologia cognitiva ao ultrapassar a percepção


psicológica de inteligência como capacidade ou potencial de uma pessoa, ou seja, aconteceu uma
grande revolução e surgiram novas percepções dentro da psicologia.
Gardner (1983) propôs identificar os tipos de inteligência que poderiam estar presentes
em cada pessoa, propondo originalmente sete diferentes tipos de inteligências: linguística, lógico-
matemática, espacial, corporal-cinestésica, inteligência musical, interpessoal e intrapessoal.
Posteriormente, a inteligência naturalística foi adicionada à lista.

Estas, então, são as sete inteligências que descobrimos e descrevemos em nossa


pesquisa. É uma lista preliminar, como eu disse; obviamente, cada forma de inteligência
pode ser subdividida, ou a lista pode ser reorganizada. O ponto importante aqui é deixar
clara a pluralidade do intelecto. (GARDNER, 1993. p. 15)

A pluralidade de intelecto é divergente entre uns e outros e a contribuição para o


desenvolvimento é de grande relevância pois o desenvolvimento pessoal e interacional são
interligados, isto é, não existe a melhor inteligência. Para individualizar melhor quais os aspectos
que marcam as categorizações feitas por Gardner, faremos uma breve descrição acerca das oito
inteligências.

2.1 Inteligência Linguística

Consiste na capacidade de usar as palavras, englobando as capacidades relacionadas com


a linguagem oral formal e verbal. Tem como potencial e habilidade a capacidade de aprender
devido à facilidade os dos códigos linguísticos, seja a língua materna ou idiomas estrangeiros.
Também está relacionada com o pensamento e a introspecção, permitindo e aprofundando uma
grande reflexão sobre as ideias e conhecimentos. A inteligência linguística inclui as habilidades
de: semântica, a discussão dos significados ou contradições das palavras; sintaxe, o domínio das
regras de ordenação das palavras; a fonética, consiste na sensibilidade dos sons das palavras e
interações musicais, já as dimensões pragmáticas ou o uso da linguagem.
A sintaxe e a fonologia encontram-se próximas da inteligência linguística, já a semântica
e a pragmática se envolvem com outras inteligências, como a lógica matemática e a pessoal. A
transmissão pode ocorrer através de gestos e escrita, permanecendo em seu interior um trato
vocal.
Desse modo, Gardner afirma que o que:

O dom da linguagem é universal, e seu desenvolvimento nas crianças e


surpreendentemente constante em todas as culturas. Mesmo nas populações surdas, em
que uma linguagem manual de sinais não é explicitamente ensinada, as crianças
frequentemente “inventam” sua própria linguagem manual e a utilizam secretamente.
Dessa forma, nós vemos como uma inteligência pode operar independentemente de uma
específica modalidade de input ou de um canal de output. (1995, p.25)

2.2 Inteligência Musical

A Inteligência Musical consiste na capacidade de expressar, discriminar, perceber e


transformar formas musicais, conforme lembra (ARMSTRONG, 2001, p. 18). “A inteligência
musical de todos os talentos é a que surge mais cedo e que qualquer indivíduo normal que teve
uma exposição frequente à música pode participar com alguma habilidade de atividades musical.”
(ARMSTRONG, 2001, p. 18)

Quando estava com três anos de idade, Yehudi Menuhin foi introduzido por seus pais,
clandestinamente, na Orquestra de São Francisco. O som do violino de Louis Persinger
fascinou tanto a criança que ela insistiu em ganhar o violino em seu aniversário e em ter
Louis Persinger como seu professor. Conseguiu ambos. Quando estava com dez anos de
idade, Menuhin era um músico internacional. (MENUHIN, 1977 apud GARDNER,
1995, p. 22)

Dentre todos os talentos, habilidades e capacidades que podem ser observadas nos
indivíduos, o talento musical é o que desabrocha primeiro. Além disso, tal inteligência
proporciona maior clareza em outras formas de intelecto, “Os filósofos antigos incluíam a música
como parte do currículo, que ajudava no desenvolvimento pessoal e público. No entanto, em
nossa época, a música nas escolas tem pouco valor; dedicam-se mais tempo para a leitura e
cálculos. Ironicamente, a música pode ser um dos importantes meios para se desenvolver essas
habilidades tão desejadas.” (CAMPBELL; DICKINSON, 2000, p. 132).
2.3 Inteligência Espacial

A Inteligência Espacial apresenta-se como capacidade a compreensão do mundo por meio


de uma perspectiva física, mental e tridimensional; facilidade de estabelecer mentalmente
distâncias entre pontos físicos, reconhecimento de formas e cenário físicos com emoções,
percebendo assim o mundo visual-espacial.
Brennand e Vasconcelos (2005) acrescentam que essa inteligência, que se traduz na
percepção dos espaços, permite que os indivíduos sejam capazes de executar modificações sobre
percepções iniciais de espaço, recriando aspectos, mesmo na ausência do contato material, e por
isso habilita os indivíduos a desenharem, mapearem e visualizarem objetos em várias dimensões.
(2005, p.31)
Segundo Gardner (1995), a inteligência espacial caracteriza a solução de problemas como
o uso do sistema notacional de mapas ou, ainda, da visualização de um objeto a partir de um
ângulo diferente, como por exemplo, o jogo de xadrez. Por isso, segundo o autor, quando há
danos em determinadas regiões do hemisfério do cérebro (complementar), isso pode causar
prejuízos na capacidade do indivíduo de se deslocar por espaços que já tenha conhecido, de
reconhecer rostos ou cenas, e de observar detalhes pequenos (GARDNER, 1995, p.26). Gardner
ainda afirma que: “Assim como o hemisfério esquerdo, durante o curso da evolução, foi
escolhido como o local do processamento linguístico nas pessoas destras, o hemisfério direito é o
local mais crucial do processamento espacial.” (1995, p. 26)

2.4 Inteligência Lógico-Matemática

Em conformidade com Gardner (1994), a inteligência consiste na capacidade de usar os


números de forma eletiva e raciocinar bem; relacionando o pensamento abstrato englobando as
capacidades matemáticas e lógicas. Geralmente tal inteligência é medida e identificada através do
teste de QI, em que são verificadas habilidades específicas, cálculos e as velocidades em
execução.
Identifica-se uma grande complexidade envolvendo todo seu espaço, é considerada algo
natural, se manifesta na infância, permeia e modifica ao longo da vida. A capacidade lógica surge
de acordo com seu aprendizado e aprofundamento. Suas características de identificação são
notáveis, como afetividade pelos números, análise de raciocínio, resolução de desafios, dentre
outras características.

Subitamente, eu dei um pulo e corri para o milharal. No início do campo (os outros ainda
estavam no fundo) gritei “Eureka, eu já sei. Eu sei o que os 30% de esterilidade
são!” ...Eles me pediram para comprova-lo. Eu sentei, peguei um saco de papel e um
lápis e comecei a rabiscar, o que não havia feito em meu laboratório. Tudo aconteceu tão
rápido; a resposta veio e eu sai correndo. Agora, eu a desenvolvi passo a passo – era uma
complicada série de etapas – e cheguei ao mesmo resultado. Eles olharam para o
material e era exatamente como eu havia dito que era; exatamente como eu havia
diagramado. Como eu sabia, sem tê-lo feito no papel? Por que eu tinha tanta certeza?
(KELLER, 1983, p. 104)

Apresentam-se duas características: a resolução do problema rapidamente e a solução do


mesmo antes de ser trabalhado e pensado. Dialogando com Gardner (1994), Piaget estudou
cuidadosamente seu desenvolvimento em crianças. Esta inteligência se baseia nos conhecimentos
empíricos (sensorial), onde algumas partes dos cérebros são mais importantes no processo de
cálculos.

2.5 Inteligência Intrapessoal

A Inteligência Intrapessoal consiste na capacidade dos conhecimentos internos de uma


pessoa. Sentimental, disciplinar e emocional são aspectos utilizados para discriminar, orientar e
utilizar como maneira de entendimento e orientação ao próprio comportamento.

[...] o conhecimento dos aspectos internos de uma pessoa: o acesso ao sentimento da


própria vida, à gama das próprias emoções, à capacidade de discriminar essas emoções e
eventualmente rotulá-las e utilizá-las como uma maneira de entender e orientar o próprio
comportamento. A pessoa com boa inteligência intrapessoal possui um modelo viável e
efetivo de si mesma. Uma vez que esta inteligência é a mais privada, ela requer a
evidência a partir da linguagem, da música ou de alguma forma mais expressiva de
inteligência para que o observador a perceba funcionando. (GARDNER, 1995, p. 28)

Uma pessoa com esta inteligência desenvolvida percebe-se um modelo viável e efetivo de
si mesmo. Também é importante ressaltar que o autoconhecimento é uma habilidade fundamental
para conhecer o mundo ao seu redor.

Uma pessoa quando apresenta esta inteligência desenvolvida, percebe-se uma gama de
vontade em conhecer a si próprio, suas emoções e refletir sobre seus erros e aprender e
acertar com eles. Desse modo, indivíduos autistas e esquizofrênicos são exemplos de
pessoas que possuem a inteligência intrapessoal prejudicada (BRENNAND;
VASCONCELOS, 2005).

2.6 Inteligência Interpessoal

A Inteligência Interpessoal está diretamente ligada às nossas habilidades sociais e de


relacionamento; envolve a capacidade de perceber e fazer distinções no humor, intenções,
motivações e sentimentos das outras pessoas. Desse modo, “pode incluir sensibilidade a
expressões faciais, voz e gestos; a capacidade de discriminar muitos tipos diferentes de sinais
interpessoais; e a capacidade de responder efetivamente a estes sinais de uma maneira
pragmática, ou seja, influenciando pessoa a seguir determinada linha de pensamento e de ação.”
(ARMSTRONG, 2001, p.14)
Para Gardner, a inteligência interpessoal:

...está baseada numa capacidade nuclear de perceber distinções entre os outros; em


especial, contrastes em seus estados de ânimo, temperamentos, motivações e intenções.
Em formas mais avançadas, esta inteligência permite que um adulto experiente perceba
as intenções e desejos de outras pessoas, mesmo que elas os escondam. Essa capacidade
aparece numa forma altamente sofisticada em líderes religiosos ou políticos, professores,
terapeutas e pais. (1995, p. 27)

A Inteligência Interpessoal é altamente valorizada nas interações pessoais, valorização da


organização e trabalho em equipe, pois possui importância na interação e na cooperação.

2.7 Inteligência Corporal-Cinestésica

Nesta inteligência é desenvolvida a grande capacidade de domínio dos movimentos


corporais, uso do próprio corpo ou parte dele para resolver problemas. (ARMSTRONG, 2001,
p.16). É considerada a manifestação da inteligência humana uma vez que é responsável pelo
equilíbrio, velocidade, flexibilidade e expressão corporal.

Inteligência corporal é a capacidade de usar o próprio corpo de maneiras altamente


diferenciadas e hábeis para algum propósito expressivo assim como voltados a objetivos...
É também a capacidade de trabalhar habilmente com objetos, tanto os que envolvam
movimentos finos dos dedos e das mãos, quanto os que exploram movimentos grosseiros
do corpo. (GARDNER, 1994, p. 61)
2.8 Inteligência Naturalística

A Inteligência Naturalística consiste no relacionamento com a natureza; habilidade do ser


humano em reconhecer e classificar as espécies tanto da fauna e flora, em conformidade com
Armstrong (2001). Esta inteligência não foi descrita nas obras de Gardner (1994), sua primeira
apresentação surgiu de uma entrevista concedida por Gardner e Maísa Lacerda Nazario em 1996.

[...] a inteligência naturalista se manifestaria em pessoas que possuem em intensidade


maior do que a maioria das outras; uma atração pelo mundo natural, extrema sensibilidade
para identificar e entender a paisagem nativa e, até mesmo, um certo sentimento de êxtase
diante do espetáculo não construído pelo homem.(ANTUNES, 2006, p. 62)

3 AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A EDUCAÇÃO

Na perspectiva de educação contemporânea, ainda se permeia modelos poucos plausíveis


para o desenvolvimento pleno do ser humano - discussão e ponto crucial para o estudo de
Gardner e de outros pesquisadores. Os modelos utilizados pelo sistema de avaliação utilizam uma
nota para medir a inteligência dos discentes.
Neste sentindo, podemos salientar que o estímulo de uma inteligência não deve estar
limitado a uma avaliação onde requer a atribuição de notas. Por isso, é necessário o
desenvolvimento e trabalho das IM dentro do processo educacional; não se submetendo apenas às
inteligências tradicionais acarretadas, mas sim em todas que os educandos possuem.

As diversas concepções anteriores de inteligência valorizavam apenas as inteligências


linguística e lógico-matemática e se baseavam na crença de que a inteligência humana é
totalmente determinada por fatores hereditários. Assim, ao se adotar a concepção de
inteligências múltiplas, é inevitável que sejam desencadeadas profundas mudanças na
prática escolar. (SMOLE, 1999, p. 16)

Através dessa premissa podemos observar que a busca pela introdução de novas teorias,
propostas e métodos são evidentes. A teoria de Gardner (1994) se destaca neste campo por
defender que o ser humano possui inteligências múltiplas e que o intelecto tem suas pluralidades,
não se acarreta apenas a uma inteligência. Esta premissa é de suma importância dentro do âmbito
escolar, uma vez permite uma nova visão de inteligência, podendo se submeter a mudanças
curriculares e nas práticas escolares; visando o desenvolvimento pleno do ser humano.
Segundo Antunes (2006), a inteligência em seu sentido amplo é a capacidade cerebral
pela qual conseguimos penetrar na compreensão das coisas escolhendo o melhor caminho,
podemos observar que é imprescindível que a escola busque sempre compreender as capacidades
de seus alunos para que possam desenvolver competências e habilidades para viver em plena
sociedade, pois é na escola que tudo se permite a aprofundar os aprendizados em si.
Segundo Antunes (2006) o indivíduo, portanto, não seria inteligente sem sua língua, sua
herança cultural, sua ideologia, sua crença, sua escrita, seus métodos intelectuais e outros meios
do ambiente.
Deve-se permitir um olhar atento às grandes diversidades encontradas dentro do ambiente
escolar. Dito isso, o professor, que atua como mediador do conhecimento necessita deste olhar
atento para facilitar este processo pleno de desenvolvimento. Entretanto, devido a todas as
diversidades encontradas na sociedade, ainda se diferem ideias sobre as inteligências.

Há escolas de ensino médio que encorajam ou “contratam” os melhores alunos do país


para que eles venham estudar nelas. Eles amam os alunos que têm as melhores notas,
mas desprezam alunos medianos ou que estão nos últimos lugares, sem saber que lá se
encontram muitos “Einstein’s”. (CURY, 2019, p. 20)

Neste cenário podemos observar que a escola vem transmitindo uma visão que não condiz
com seu papel. A escola é um espaço de troca de saberes e construção de conhecimento e não um
ambiente de competição onde se destaca quem apresenta as melhores notas, situação que causa
em outros alunos um sentimento de constrangimento e incapacidade.

Quantos alunos não desenvolvem gravíssimas crises emocionais no Japão, na China, nos
Estados Unidos, no Brasil, por não serem os melhores da classe? Alguns se matam, sem
saber que é possível ser o número dois, três, dez, com dignidade. Sem saber ainda que
nem sempre os melhores da classe serão os maiores profissionais, empreendedores,
cientistas. (CURY, 2019, p. 20)

É importante salientar que cada ser tem um tempo de aprendizagem, que sua contribuição
é importante para o contexto social em que vive, ressalta-se que dentro do mundo contemporâneo
o conhecimento apresentado é digno e de suma rentabilidade. Como corpo docente a escola se
necessita repensar suas práticas e métodos, para não cometer injustiças.
Salienta-se que o bem estar dos educandos é um dos atos motivacionais neste processo,
portanto o ambiente escolar deve ser um espaço de grandes descobertas e construções,
proporcionando momentos e oportunidades significativas aos educandos sejam emocional,
matemático e entre outros.

Segundo o dicionário citado anteriormente, felicidade é o estado de alguém afortunado, de


uma pessoa sem problemas. Se a pessoa que não tem problemas ou que pode resolvê-los
sempre é uma pessoa feliz e se a inteligência é a faculdade de compreender ou resolver
problemas, percebe-se que, quanto mais inteligentes nos tornamos, mais facilmente
construímos nossa felicidade. (ANTUNES, 2005, p. 12)

Nessa perspectiva, o professor não deve ser um transmissor e sim proporcionar


ferramentas e auxílio pela busca e construção do conhecimento, descobertas e aprimoramento;
incentivando na busca e desenvolvimento das inteligências de forma que cada pessoa se sinta
pertencente na sociedade satisfatoriamente.
O professor como mediador, não perde seu valor, mas, acaba transformando sua profissão,
ainda mais importante, por encorajar, nortear e contribuir para busca plena da felicidade.

O professor não perde espaço nesse novo conceito de escola. Ao contrário, transforma a
sua na mais importante das profissões, por sua missão de estimulador da inteligência e
agente orientador da felicidade. Perdeu seu espaço, isso sim, a escola e, portanto, os
professores que são simples agentes transmissores de informações. (ANTUNES, 2006,
p .13)

Com toda transformação global a escola deve-se manter com uma imagem atualizada e
prazerosa, altamente qualificada e pronta para proporcionar aos alunos algo inovador e
inesperado, é no âmbito escolar que as mudanças acontecem, cada um com o seu papel
renovando o conhecimento.

Não nos parece difícil associar as ideias de inteligência e de felicidade e seu estimulo ao
papel da escola neste nascer de um novo milênio. A escola, como centro transmissor de
informações, já não se justifica. Afinal de contas, esse centro pode e deve ser substituído
por outros, menos cansativos, menos onerosos e, principalmente, mais eficiente.
(ANTUNES, 2006, p.13)

Como o próprio autor nos traz a educação precisa do novo, de construções e descobertas e
não meras transmissões, os agentes responsáveis por essas mudanças é certamente os educadores
capacitados para mediar à construção do conhecimento de cada educando, neste sentido o
professor não perde seu papel, mas sim se mostra como colaborador dessa construção.
Por muito tempo, acreditou-se que todo processo de ensino se fixava na figura do
professor. Essa visão fez com que o ensino ganhasse autonomia sobre a aprendizagem e
alguns “métodos” de ensino passassem a ser usados indistintamente, como se sua
eficiência garantisse a aprendizagem de todos. (ANTUNES, 2006, p. 97)

A visão discutida é contrária às proposições previstas hoje, percebe-se um ponto


fundamental entre a associação do ensino e a compreensão de como se processa aprendizagem.
Esta premissa no releva a importância construtivista da aprendizagem, levando ao aluno
consciência das necessidades exigidas a partir do seu conhecimento.

4 A INTELIGÊNCIA MÚLTIPLA E SUAS CONTRIBUIÇÕES

Segundo Armstrong (2001), existem dois tipos de experiências que podem “paralisar ou
cristalizar” o desenvolvimento das inteligências: as experiências cristalizadoras, que ocasionam
principalmente na infância, onde ocorre o desenvolvimento inicial rumo à maturidade da
aprendizagem; e as experiências paralisadoras que são as que desligam as inteligências,
geralmente envolvem vergonha e humilhação e outros sentimentos negativos.
Partindo desta perspectiva, o professor assume um novo papel perante o ambiente escolar
como agente e proporcionador do conhecimento.

Em síntese, o papel do novo professor é o de usar a perspectiva de como se dá a


aprendizagem, para que, usando a ferramenta dos conteúdos postos pelo ambiente e pelo
meio social, estimule as diferentes inteligências de seus alunos e os leve a se tornarem
aptos a resolver problemas ou, quem sabe, criar “produtos” válidos para seu tempo e sua
cultura. (ANTUNES, 2006, p.98)

Toda mudança gera interrogações e baseia-se em certezas e grandes indagações. A certeza


é que o ato e a importância social que o professor possui dentro de uma determinada sociedade
aumentam, em que sua missão de mediar e ajudar nas construções e descoberta de um homem
melhor se ocasiona em um mundo melhor. A angústia se determina na incerteza deste mediador,
onde se ocasiona a limitação do professor de não ter todas as inteligências desenvolvidas, porém
isto não impede a ação e ajuda do processo de contribuição deste processo.
Segundo Antunes (2006), quando o professor acredita nas múltiplas inteligências e em
suas habilidades em motivá-las, ele se descobre um extraordinário estimulador de habilidades em
seus alunos. Esta é uma das principais descobertas, os professores como agentes importantes, não
perdendo o seu papel dentro da sala de aula, estudando e se aprofundando dentro deste modelo,
não confiando somente em sua intuição. Esta mudança está associada a um paradigma de
humildade e aceitação de algo novo. Muitos profissionais apresentam dificuldades em aceitar a
concepção de múltiplas inteligências, por não terem acesso a esta informação no seu processo de
construção, porém a superação de tais dificuldades resulta em algo imprescindível.
Ainda, no mundo em que vivemos existem inúmeros fatores que podem influenciar
diretamente neste desenvolvimento, como fatores históricos, culturais e familiares. O estímulo e
desenvolvimento das Inteligências Múltiplas ajudam a retroceder inteligências que em algum
momento da vida foram paralisadas por alguma razão.
Gardner (1995) demonstra que é possível desenvolver e ofertar um ambiente favorável,
que nos leve a percepção e entendimento das diferenças, o entendimento do papel social e
cultural voltado ao indivíduo.
“As inteligências múltiplas oferecem uma possibilidade para todos os professores
pensarem sobre suas aulas para que sejam melhores e analisarem porque umas funcionam bem
para uns alunos e outras não. Também ajuda a ampliar os métodos do educador.”
(ARMSTRONG, 2001).
Neste contexto, Armstrong (2001) exibe que esta ferramenta nos auxilia no processo de
ensino aprendizagem, em que os discentes terão influência diretamente neste processo,
estimulando assim fatores vinculados às inteligências.

5 A IMPORTÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

São evidentes que todas as crianças apresentam diversidade em seu perfil de inteligência e
que suas prioridades variam uns aos outros. Porém, no contexto social em que vivemos é
inevitável não saber de tudo devido ao grande fluxo de informações que recebemos a todo o
momento.
Nesta percepção, demonstra a importância do uso das Inteligências Múltiplas, no auxílio
do professor, como ferramenta no processo de estímulo e construção do conhecimento. A teoria
nos traz um ramo de oportunidades, em que o professor oferta métodos altamente qualificados
para suprir as necessidades apresentadas por cada aluno. Esta prática possibilita que o aluno tenha
incentivo em sua área de interesse, possibilitando assim uma aprendizagem prazerosa.
O desenvolvimento deste rol muitas das vezes requer grandes desafios, pois vai requerer a
compreensão e o entendimento de cada educando para poder utilizar este recurso como
ferramenta em seu cotidiano.
A importância da teoria e do seu uso no espaço escolar, segundo Gardner (2000, p.174)
está na identificação dos pontos fracos e fortes, abordando toda uma gama de possibilidades
educacionais.
A teoria não se apresenta como a cura dos males da educação, e sim como uma forma de
estímulos para professores, alunos e a todos envolvidos neste processo. Instigando e
proporcionando aos alunos pelo conhecimento e ao entendimento do assunto requerido, não
dominando os fatos, mais sim com a percepção do “porquê” de estar aprendendo.
Como trás o autor Gardner (2000), a experiência além de estimular a Inteligência facilita a
assimilação do conteúdo aplicado em sala de aula e também faz com que se compreenda melhor
o conteúdo ativo na escola.

6 INTELIGÊNCIA E SEUS ESTÍMULOS

Propor uma proposta pedagógica no mundo contemporâneo em que vivemos, onde o ato
promissor seja o desenvolvimento pleno do aluno, atendendo suas especificidades é algo
desafiador ao professor. Entretanto existem ferramentas crucias que podem auxiliar os docentes
neste satisfatório processo, analisando os interesses, comportamentos, gostos, ou seja, realizando
um mapeamento individual de cada aluno para auxiliar em seu desenvolvimento.
Nesta perspectiva segundo Armstrong (2001), na época em que entram na escola, elas
provavelmente já estabeleceram maneiras de aprender que seguem mais as linhas de algumas
inteligências do que outras. (ARMSTRONG, 2001, p. 37)
O educando ao iniciar sua vida escolar, já apresentam algumas características que se
assemelham a determinadas inteligências. Analisando as contribuições de Armstrong (2001)
observam-se os interesses e algumas propostas capazes de atender cada inteligência em
particularidade, como descreve nos próximos parágrafos.
Inteligência Linguística: pensam por intervenção das palavras, gostam de escrever,
dialogar, utilizar diários, ouvir e contar histórias, desta maneira, apresentará maior capacidade
nas tarefas associadas.
Inteligência lógico-matemática: o aluno apresenta o hábito de questionar, resolver
problemas lógicos e experimentar. Uma maneira de se trabalhar com estes alunos é utilizando
materiais para explorar, jogos regidos pela lógica e pensar.
Inteligência Espacial: exploração de recursos de imagens como slides, jogos de animação,
apreciação de desenho e planejamento de atividades relacionadas.
Inteligência Corporal: são aqueles que mais gostam de apresentar festivais de dança ou
teatro, necessitam de esportes, jogos de movimentos e dramatizações.
Inteligência Musical: a aprendizagem se da por meio dos ritmos e melodias. A utilização
de musicas que se relaciona com o conteúdo é uma opção.
Inteligência Naturalística: explorar a natureza de forma interdisciplinar, ofertando a
oportunidade de aprender com a natureza.
Inteligência Intrapessoal e Interpessoal: uma opção de recurso para utilizar na
aprendizagem é a organização de grupos e mediação por meio de alunos. A intrapessoal consiste
na capacidade de resolver conflitos interiores, com emoções próprias, se autoconhecer e entender
necessidades.
Tabela 1 – Oito Formas de Aprender. Inteligências Múltiplas na Sala e Aula
Crianças que são PENSAM ADORAM PRECISAM DE
extremamente
Linguísticas Em palavras Ler, escrever, contar Livros, fitas, materiais
histórias, fazer jogos para escrever, papel,
de palavras diários, diálogos,
discussões, debates,
histórias

Lógicas- Raciocinando Experimentar, Coisas para explorar e


Matemáticas questionar, resolverpensar, materiais
problemas lógicos, científicos,
calcular manipulativos, idas ao
planetário e ao museu
de ciências
Espaciais Por imagens e Planejar, desenhar, Arte, LEGOs, vídeos,
figuras visualizar, rabiscar filmes, slides, jogos de
imaginação, labirintos,
quebra-cabeças, livros
ilustrados, idas a
museus de arte
Corporal – Por meio de Dançar, correr, pular, Dramatização, teatro,
Cinestésicas construir,
sensações somáticas tocar, movimento, coisas
gesticular para construir,
esportes e jogos de
movimento,
experiências táteis,
aprendizagem prática
Musicais Por meio de ritmos e Cantar, assobiar, Tempo para canta,
melodias cantarolar, batucar idas a concertos, tocar
com as mãos e os músicas em casa e na
pés, escutar escola, instrumentos
musicais
Interpessoais Percebendo o que os Liderar, organizar Amigos, jogos de
outros pensam relacionar-se, grupo, reuniões
manipular, mediar, sociais, eventos
fazer festa comunitários, clubes,
mentores/aprendizados
Intrapessoal Em relação as suas Estabelecer Lugares secretos,
necessidades, objetivos, meditar, tempos sozinhas,
sentimentos e objetos sonhar, planejar, projetos e escolhas no
refletir seu ritmo pessoal
Naturalísticas Por meio da natureza Brincar com animais Acesso à natureza,
e das formas naturais de estimação, cuidar oportunidade de
do jardim, investigar interagir como
a natureza, criar animais, instrumentos
animais, cuidar do para investigar a
planeta Terra natureza, (por
exemplo, lupas e
binóculos)
Fonte: (ARMSTRONG, 2001, p.38)
Para a efetivação deste processo se dá com a presença e auxilio do professor, estudo e
formação continuada na Teoria de Garner, valorizando as capacidades que os alunos possuem, e
assim assume uma postura capaz de mediar o desenvolvimento das Inteligências.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo realizado buscou dar ênfase na importância da teoria das inteligências múltiplas
no contexto educacional, salientando suas contribuições no desenvolvimento cognitivo, moral
dos educandos e o grande espaço do professor, o mediador deste processo.
A teoria das Inteligências Múltiplas é primordial para educação, dado que as diferenças e
habilidades particulares são valorizadas fazendo com que os alunos sintam-se motivados, aptos e
valorizados ao resolverem problemas. Além de assumirem seu papel na sociedade com confiança
e eficiência.
Com base na pesquisa conclui-se que o rol das inteligências é de grande rentabilidade no
contexto educacional, em que permeia grande pluralidade de intelecto e insere o educando na
sociedade com dignidade e respeito; apreciando e valorizando suas capacidades e inteligências. O
professor neste processo é primordial; ele não perde seu valor, mas torna sua profissão umas das
mais apreciadas.
Estimular seus alunos a novas descobertas requer desafios, quando o docente não
apresenta todas as inteligências desenvolvidas, porém requer ferramentas que os auxiliam neste
processo, como a formação continuada - deixando confiante neste papel.
Há anos esta teoria contraria as avaliações presentes, em que as maiores notas mensuram
os melhores alunos. Todavia, Gardner (1995), nos traz um pensamento inovador em que não há
saberes melhores e nem piores, mas sim saberes diferentes.
O uso do teste QI apresenta uma visão errônea, mensurando a inteligência de cada pessoa
através de um padrão preestabelecido dentro da sociedade. A teoria deve ser cada vez mais
presente no ambiente escolar, proporcionando o desenvolvimento completo ao educando e
contribuindo com sua autoestima e segurança no meio em que vive.
Destarte, a teoria das Inteligências Múltiplas requer reconhecimento e valorização no
processo de desenvolvimento e alfabetização do educando. Apresentando então, um ensino
voltado ao aluno, que acentua suas particularidades e buscando oferecer um aprendizado de
qualidade e promissor.

EDUCATION AND LEARNING: the importance of multiple intelligences in the


construction of know

ABSTRACT
The contemporary educational context is associated with large and new learning
proposals, which aim at the reorganization and structuring of the field of intelligence and the
teaching-learning process. Such an approach is due to the fact that the human being has not only
a type of intelligence, but a plurality and they can be developed according to Howard Gardner's
theory. Based on this assumption, the objective of this work is to analyze Gardner's contributions
in the teaching process and the role of the teacher in this context, in which the fragility of the
evaluation system is still notorious: it seeks to measure the intelligence of the student through
quantitative tests. This purpose will be achieved through the literature review, collecting
information from books, articles and other scientific materials. The analysis proved that all
children present diversity in their intelligence profile and stressed the importance of using MI as
an educator's tool in the process of stimulus and construction of the knowledge.

Keywords: Multiple Intelligences. Education. Apprenticeship.

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