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Curso de
Direitos Humanos
Aula 1: Introdução ao conceito e à história da internacionalização dos
direitos humanos
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PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL. Todos os direitos reservados.
Curso de Direitos Humanos
Aula 1: Introdução ao conceito e à história da internacionalização [Link]
dos direitos humanos
SUMÁRIO
MÓDULO 01 - PARTE GERAL.................................................................................................................. 3
DIREITOS HUMANOS................................................................................................................... 3
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Curso de Direitos Humanos
Aula 1: Introdução ao conceito e à história da internacionalização [Link]
dos direitos humanos
MÓDULO 01 - PARTE GERAL
PROFESSOR CAIO PAIVA
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🏳🏳 DIREITOS HUMANOS
Aula 1 – Introdução ao conceito e à história da internacionalização dos direitos humanos
1. Introdução ao conceito
• Conceituar – também – significa reduzir um objeto de estudo. A busca por um conceito de
direitos humanos pode se revelar difícil, pois trata-se de um objeto de estudo muito permeável a
contingências políticas, ideológicas e históricas.
• A dificuldade conceitual aumenta quando se constata a variedade de terminologias existentes para
explicar e delimitar o sentido dos direitos mais importantes para o ser humano, como por exemplo
direitos fundamentais, direitos do homem, liberdades públicas, liberdades fundamentais, direitos
humanos fundamentais, direitos individuais, direitos públicos subjetivos etc.
• Considero que há duas técnicas para se conceituar direitos humanos.
• A técnica generalista trabalha com um conceito de direitos humanos material, no sentido de não
separar – ao menos de forma rígida – as ordens jurídicas nacional e internacional, incluindo naquela
categoria todos os direitos essenciais à consecução de uma vida digna, estejam eles previstos em
Constituições nacionais ou em tratados internacionais.
• Já a técnica específica trabalha com um conceito de direitos humanos formal, no sentido de
considerar como integrante deste catálogo de direitos essenciais à consecução de uma vida digna
somente aqueles previstos em instrumentos internacionais, no que eles se diferenciam, portanto,
dos direitos fundamentais, que são assegurados pelas Constituições nacionais e protegidos pela
ordem jurídica interna.
• A técnica específica revela-se mais adequada no contexto de um curso como esse, principalmente
porque favorece a compreensão do Direito Internacional dos Direitos Humanos como uma disciplina
autônoma, que não se confunde com o Direito Constitucional.
• Assim, embora exista grande semelhança no catálogo de direitos humanos e dos direitos
fundamentais, seus mecanismos de proteção e o intérprete último dos seus textos não se confundem.
• Gosto do conceito de Direito Internacional dos Direitos Humanos apresentado por Cançado
Trindade:
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• Finalmente, vejamos porque as demais terminologias não podem substituir a expressão direitos
humanos para designar o conjunto de direitos previstos em instrumentos internacionais para a
consecução de uma vida digna.
• A expressão direitos fundamentais surgiu no contexto da proteção nacional dos direitos essenciais
do ser humano, não sendo adequada, portanto, para designar direitos previstos em tratados
internacionais.
• A expressão direitos do homem, utilizada, por exemplo, na Declaração dos Direitos do Homem e
do Cidadão (França, 1789) e na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (Bogotá,
1948), foi cada vez menos utilizada após a Declaração Universal dos Direitos Humanos, considerado
o seu caráter sexista.
• As expressões liberdades públicas e liberdades fundamentais, muito utilizadas pela doutrina
francesa, devem ser evitadas atualmente por representarem mais os direitos de liberdade (de
primeira geração), não contemplando, portanto, toda a unidade e interdependência dos direitos
humanos.
• Finalmente, a expressão direitos humanos fundamentais, utilizada, por exemplo, no preâmbulo da
Declaração Universal dos Direitos Humanos e por um setor da doutrina, segue a técnica generalista.
2. Introdução à história da internacionalização dos direitos humanos
• No artigo do professor Cançado Trindade indicado anteriormente – e que consta, ao final, como
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leitura complementar –, ele se vale do mito de Sísifo para explicar a história da proteção internacional
dos direitos humanos, apontando o seguinte:
“Constato hoje com nitidez que, laborar na proteção internacional dos direitos humanos, é
como o mito do Sísifo, uma tarefa que não tem fim. É como estar constantemente empurrando
uma rocha para o alto de uma montanha, voltando a cair e a ser novamente empurrada para
cima. Entre avanços e retrocessos, desenvolve-se o labor da proteção. Ao descer da montanha
para voltar a empurrar a rocha para cima, toma-se consciência da condição humana, e da
tragédia que a circunda. Mas há que seguir lutando: na verdade, não há outra alternativa”.
• A história da internacionalização dos direitos humanos (ou dos direitos humanos de um modo
geral) é a história do nascimento e do desenvolvimento da uma consciência jurídica universal,
responsável pela evolução do Direito para proteger de forma eficaz o ser humano em todas e
quaisquer circunstâncias.
• A formação da consciência jurídica universal capaz de afirmar, em 1948, que “Todos os seres humanos
nascem livres e iguais em dignidade e direitos” (DUDH, art. 1º), decorre de múltiplas fontes, como
textos religiosos, políticos, filosóficos e, principalmente, das lutas, batalhas e reivindicações por
direitos humanos dos mais diversos movimentos feministas, antidiscriminação etc. Há, inclusive,
quem encontre nos romances uma fonte de mudança cerebral para gerar mais empatia e vislumbre
de novas formas de organização social (Lynn Hunt, A invenção dos direitos humanos).
• Assim, pode-se dizer que, de um modo geral, em praticamente todos os períodos da história da
humanidade, o discurso pela proteção dos direitos humanos foi sendo gradativamente construído
e por vezes submetido a períodos cíclicos, como relatado por Cançado Trindade, valendo-se da
metáfora do mito de Sísifo.
• Há fragmentos de limitação de poder e, portanto, de direitos humanos, na antiguidade oriental
(Código de Hamurabi, século XVIII a.C.; Cilindro de Ciro, século VI a.C.), na tradição grega, nos
alicerces romanos, na tradição judaico-cristã, na tradição inglesa dos direitos e da lei (início do
século XIII, com a Magna Carta), na filosofia do contrato social a partir do século XVII (Locke, Hobbes
e Rousseau), no Iluminismo, na revolução americana, na revolução francesa, no sufrágio universal e
começo do feminismo, no movimento trabalhista, entre outros eventos históricos.
• Reproduzo a seguir, por considerar didático, os quadros sinóticos elaborados pelo professor André
de Carvalho Ramos (em sua obra Curso de Direitos Humanos) sobre a evolução histórica dos direitos
humanos:
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A fase pré-Estado Constitucional
• Antiguidade (no período compreendido entre os séculos VIII e II
a.C.): primeiro passo rumo à afirmação dos direitos humanos, com
a emergência de vários filósofos de influência até os dias de hoje
(Zaratustra, Buda, Confúcio, Dêutero-Isaías), cujo ponto em comum
foi a adoção de códigos de comportamento baseados no amor e
respeito ao outro.
Antigo Egito: reconhecimento de direitos de indivíduos na codificação
de Menes (3100-2850 a.C.).
Suméria antiga: edição do Código de Hammurabi, na Babilônia (1792-
A Antiguidade Oriental e o 1750 a.C.) – primeiro código de normas de condutas, preceituando
esboço da construção de esboços de direitos dos indivíduos, consolidando os costumes e
direitos estendendo a lei a todos os súditos do império.
Suméria e Pérsia: edição, por Ciro II, no século VI a.C., de uma
declaração de boa governança.
China: nos séculos VI e V a.C., Confúcio lançou as bases para sua
filosofia, com ênfase na defesa do amor aos indivíduos.
Budismo: introduziu um código de conduta pelo qual se prega o
bem comum e uma sociedade pacífica, sem prejuízo a qualquer ser
humano.
Islamismo: prescrição da fraternidade e solidariedade aos
vulneráveis.
Consolidação dos direitos políticos, com a participação política dos
cidadãos (com diversas exclusões).
Platão, em sua obra A República (400 a.C.), defendeu a igualdade e
Herança grega na a noção do bem comum.
consolidação dos direitos Aristóteles, na Ética a Nicômaco, salientou a importância do agir
humanos com justiça, para o bem de todos da pólis, mesmo em face de leis
injustas.
Reflexão sobre a superioridade normativa de determinadas normas,
mesmo em face da vontade do poder.
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Contribuição na sedimentação do princípio da legalidade.
Consagração de vários direitos, como propriedade, liberdade,
personalidade jurídica, entre outros.
Reconhecimento da igualdade entre todos os seres humanos, em
A República Romana especial pela aceitação do jus gentium, o direito aplicado a todos,
romanos ou não.
Marco Túlio Cícero retoma a defesa da razão reta (recta ratio),
salientando, na República, que a verdadeira lei é a lei da razão,
inviolável mesmo em face da vontade do poder.
Cinco livros de Moisés (Torah): apregoam solidariedade e
preocupação com o bem-estar de todos (1800-1500 a.C.).
Antigo Testamento: faz menção à necessidade de respeito a todos,
O Antigo e o Novo Testamento em especial aos vulneráveis.
e as influências do cristianismo Cristianismo contribuiu para a disciplina: há vários trechos da Bíblia
e da Idade Média (Novo Testamento) que pregam a igualdade e solidariedade com o
semelhante.
Filósofos católicos também merecem ser citados, em especial São
Tomás de Aquino.
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A crise da Idade Média, início da Idade Moderna e os primeiros diplomas de direitos humanos
Idade Média: poder dos governantes era ilimitado, pois era fundado na vontade divina.
Surgimento dos primeiros movimentos de reivindicação de liberdades a determinados estamentos,
como a Declaração das Cortes de Leão adotada na Península Ibérica em 1188 e a Magna Carta inglesa
de 1215.
Renascimento e Reforma Protestante: crise da Idade Média deu lugar ao surgimento dos Estados
Nacionais absolutistas e a sociedade estamental medieval foi substituída pela forte centralização do
poder na figura do rei.
Com a erosão da importância dos estamentos (Igreja e senhores feudais), surge a ideia de igualdade
de todos submetidos ao poder absoluto do rei, o que não excluiu a opressão e a violência, como o
extermínio perpetrado contra os indígenas na América.
Século XVII: o Estado Absolutista foi questionado, em especial na Inglaterra. A busca pela limitação
do poder é consagrada na Petition of Rights de 1628. A edição do Habeas Corpus Act (1679) formaliza
o mandado de proteção judicial aos que haviam sido injustamente presos, existente tão somente no
direito consuetudinário inglês (commom law).
1689 (após a Revolução Gloriosa): edição da “Declaração Inglesa de Direitos”, a Bill of Rights (1689),
pela qual o poder autocrático dos reis ingleses é reduzido de forma definitiva.
1701: aprovação do Act of Setlement, que enfim fixou a linha de sucessão da coroa inglesa, reafirmou
o poder do Parlamento e da vontade da lei, resguardando-se os direitos dos súditos contra a volta da
tirania dos monarcas.
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O debate das ideias: Hobbes, Grócio, Locke, Rousseau e os Iluministas
Thomas Hobbes (Leviatã – 1651): é um dos primeiros textos que versa claramente sobre o direito
do ser humano, que é ainda tratado como sendo pleno no estado da natureza. Mas Hobbes conclui
que o ser humano abdica de sua liberdade inicial e se submete ao poder do Estado (o Leviatã), cuja
existência justifica-se pela necessidade de se dar segurança ao indivíduo, diante das ameaças de seus
semelhantes. Entretanto, os indivíduos não possuiriam qualquer proteção contra o poder do Estado.
Hugo Grócio (Da guerra e da paz – 1625): defendeu a existência do direito natural, de cunho racionalista,
reconhecendo, assim, que suas normas decorrem de “princípios inerentes ao ser humano”.
John Locke (Tratado sobre o governo civil – 1689): defendeu o direito dos indivíduos mesmo contra o
Estado, um dos pilares do contemporâneo regime dos direitos humanos. O grande e principal objetivo
das sociedades políticas sob a tutela de um determinado governo é a preservação dos direitos à vida,
à liberdade e à propriedade. Logo, o governo não pode ser arbitrário e deve seu poder ser limitado
pela supremacia do bem público.
Abbé Charles de Saint-Pierre (Projeto de paz perpétua -1713): defendeu o fim das guerras europeias
e o estabelecimento de mecanismos pacíficos para superar as controvérsias entre os Estados em uma
precursora ideia de federação mundial.
Jean-Jacques Rousseau (Do contrato social -1762): prega que a vida em sociedade é baseada em um
contrato (o pacto social) entre homens livres e iguais (qualidades inerentes aos seres humanos), que
estruturam o Estado para zelar pelo bem-estar da maioria. Um governo arbitrário e liberticida não
poderia sequer alegar que teria sido aceito pela população, pois a renúncia à liberdade seria o mesmo
que renunciar à natureza humana, sendo inadmissível.
Cesare Beccaria (Dos delitos e das penas – 1766): sustentou a existência de limites para a ação do
Estado na repressão penal, balizando os limites do jus puniendi que reverberam até hoje.
Kant (Fundamentação da metafísica dos costumes - 1785): defendeu a existência da dignidade
intrínseca a todo ser racional, que não tem preço ou equivalente. Justamente em virtude dessa
dignidade, não se pode tratar o ser humano como um meio, mas sim como um fim em si mesmo.
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A fase do constitucionalismo liberal e das declarações de direitos
As revoluções liberais, inglesa, americana e francesa, e suas respectivas Declarações de Direitos
marcaram a primeira afirmação histórica dos direitos humanos.
“Revolução Inglesa”: teve como marcos a Petition of Rights, de 1628, que buscou garantir determinadas
liberdades individuais, e o Bill of Rights, de 1689, que consagrou a supremacia do Parlamento e o
império da lei.
“Revolução Americana”: retrata o processo de independência das colônias britânicas na América do
Norte, culminado em 1776, e ainda a criação da Constituição norte-americana de 1787. Somente em
1791 foram aprovadas 10 Emendas que, finalmente, introduziram um rol de direitos na Constituição
norte-americana.
“Revolução Francesa”: adoção da Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão pela
Assembleia Nacional Constituinte francesa, em 27 de agosto de 1789, que consagra a igualdade e
liberdade, que levou à abolição de privilégios, direitos feudais e imunidades de várias castas, em
especial da aristocracia de terras. Lema dos revolucionários: “liberdade, igualdade e fraternidade”.
Projeto de Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã: de 1791, proposto por Olympe de Gouges,
reivindicou a igualdade de direitos de gênero.
1791: edição da primeira Constituição de França revolucionária, que consagrou a perda dos direitos
absolutos do monarca francês, implantando-se uma monarquia constitucional, mas, ao mesmo
tempo, reconheceu o voto censitário.
Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão consagrada como sendo a primeira com
vocação universal. Esse universalismo será o grande alicerce da futura afirmação dos direitos humanos
no século XX, com a edição da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
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A fase do constitucionalismo social
Antecedentes: a) Final do século XVIII – próprios jacobinos franceses defendiam a ampliação do
rol de direitos da Declaração Francesa para abarcar também os direitos sociais, como o direito à
educação; b) 1793 – revolucionários franceses editaram uma nova “Declaração Francesa dos Direitos
do Homem e do Cidadão”, redigida com forte apelo à igualdade, com reconhecimento de direitos
sociais como o direito à educação; c) Europa do século XIX – movimentos socialistas ganham apoio
popular nos seus ataques ao modo de produção capitalista. Expoentes: Proudhon, Karl Marx, Engels,
August Bebel; d) Revolução Russa (1917): estimulou novos avanços na defesa da igualdade e justiça
social; e) introdução dos chamados direitos sociais – que pretendiam assegurar condições materiais
mínimas de existência em várias Constituições, tendo sido pioneiras a Constituição do México (1917),
da República Federativa da Alemanha (também chamada de República de Weimar, 1919) e, no Brasil,
a Constituição de 1934; e f) plano do Direito Internacional – consagrou-se, pela primeira vez, uma
organização internacional voltada à melhoria das condições dos trabalhadores (a OIT, criada em 1919
pelo próprio Tratado de Versalhes que pôs fim à Primeira Guerra Mundial).
A fase da internacionalização dos direitos humanos
Nova organização da sociedade internacional no pós-Segunda Guerra Mundial;
fatos anteriores levaram ao reconhecimento da vinculação entre a defesa da
Carta da Organização democracia e dos direitos humanos com os interesses dos Estados em manter
das Nações Unidas e a um relacionamento pacífico na comunidade internacional.
Declaração Universal de Conferência de São Francisco (abril a junho de 1945): Carta de São Francisco.
Direitos Humanos Declaração Universal de Direitos Humanos (também chamada de “Declaração
de Paris”), aprovada sob a forma de resolução da Assembleia-Geral da ONU,
em 10 de dezembro de 1948).
• Precedentes históricos que mais de perto influenciaram a internacionalização dos direitos
humanos, superando-se, assim, a ideia de soberania estatal absoluta, bem como projetando a
ideia da pessoa como sujeito de direito na ordem jurídica internacional:
• Direito Internacional Humanitário: conhecido como o componente de direitos humanos no direito
da guerra. Seu desenvolvimento remonta ao século XIX e prossegue no século XX, por meio de
uma série de tratados (como as convenções de Genebra e de Haia) que buscam proteger tanto os
combatentes quanto os não combatentes. Flávia Piovesan: “o Direito Humanitário foi a primeira
expressão de que, no plano internacional, há limites à liberdade e à autonomia dos Estados, ainda
que na hipótese de conflito armado”. Também contribuiu para a condição do indivíduo como sujeito
de Direito internacional.
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• Liga das Nações: organização internacional criada após a Primeira Guerra Mundial, por meio do
Tratado de Versalhes (1919), para assegurar a paz e a segurança internacionais. Sua estrutura
orgânica era semelhante à da ONU. A Liga fracassou, não conseguiu evitar a Segunda Guerra Mundial
e foi dissolvida, transformando-se na ONU.
• Organização Internacional do Trabalho (OIT): criada no âmbito da Liga das Nações, com o fim da
Primeira Guerra Mundial, em 1919, como uma parte do Tratado de Versalhes, tendo como objetivo
estabelecer parâmetros mínimos para a proteção do trabalhador, disciplinando a sua condição no
plano internacional por meio de diversas convenções. Com o fim da Liga, foi incorporada à ONU
como uma de suas agências especializadas.
Para finalizar, reproduzo a seguir uma cronologia dos destaques da história dos direitos humanos, que vai de
450 a.C. até 1998, extraída da obra Direitos Humanos: Referências Essenciais:
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LEITURAS COMPLEMENTARES
1. Antônio Augusto Cançado Trindade, Desafios e conquistas do Direito Internacional dos Direitos
Humanos no início do Século XXI: [Link]
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2. COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 10a ed. São Paulo: Saraiva,
2015. [leitura recomendada apenas fora do período de estudos para concursos, pois se trata de
obra mais densa]
3. HUNT, Lynn. A invenção dos direitos humanos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. [uma leitura
mais leve, para ser encarada como um “lazer produtivo”]
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Vídeo:
1. A história dos direitos humanos: [Link]
Podcast:
1. Fronteiras do Tempo, episódio #29: Declaração Universal dos Direitos Humanos.
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SIMULADO
1. As revoluções liberais inglesa (1628 e 1689), americana (1776) e francesa (1789), com suas respectivas
declarações de direitos, marcaram a primeira clara afirmação histórica dos direitos humanos, proclamando
tanto direitos civis e políticos quanto direitos econômicos, sociais e culturais.
2. As Constituições do México de 1917, da Alemanha de 1919 e do Brasil de 1934 situam-se no
contexto da fase do constitucionalismo social, tendo contribuído para a história dos direitos humanos por
questionarem os fundamentos liberais que regeram as declarações de direitos decorrentes das revoluções
liberais.
3. O Direito Humanitário é o eixo ou a vertente da proteção internacional dos direitos humanos que
tem como objetivo assegurar a assistência humanitária para vítimas de desastres naturais.
4. A Liga das Nações, em que pese o seu fracasso, é considerada um “laboratório” para a constituição
da Organização das Nações Unidas.
5. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) não pode ser apontada como um precedente histórico
da internacionalização dos direitos humanos, pois foi criada após a Segunda Guerra Mundial.
GABARITO
Q1 ERRADO
02 CERTO
Q3 ERRADO
Q4 CERTO
05 ERRADO
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