DPOC
- Tem repercussões sistêmicas
- Caracterizada pela limitação crônica do fluxo aéreo e associada a uma resposta
inflamatória anormal à inalação de partículas ou gases nocivos.
- Obstrução crônica ao fluxo aéreo - uma associação de inflamação nas pequenas
vias aéreas (bronquiolite respiratória) e destruição parenquimatosa (enfisema).
Os sintomas têm início insidioso, são persistentes, pioram com exercício, e tendem
a aumentar em frequência e intensidade ao longo do tempo, com episódios de
agravamento que duram geralmente alguns dias (exacerbações).
-É uma doença prevenível, tratável e considerada incurável até o momento.
-O tabagismo é o principal fator desencadeante.
Diagnóstico
-Diante da suspeita de DPOC, devemos realizar a Espirometria
VALOR DO VEF1/CVF PÓS- BRONCODILATADOR = 0,7 (limitação ao fluxo aéreo
persistente).
Atenção: Em
pessoas idosas ou
mais jovens, a
confirmação
diagnóstica por
pneumologista pode
ser necessária, uma
vez que a relação
fixa de < 0,7 pode
não ter acurácia
para a detecção de
obstrução em
determinados
grupos etários.
Indicações de espirometria para diagnóstico de DPOC:
• Suspeita clínica da doença
• Alterações radiológicas sugestivas (hipertransparência, sinais de aumento
da capacidade pulmonar total e infiltração ao longo dos feixes
broncovasculares)
• Policitemia
• Saturação de Oxigênio (SpO2) abaixo de 93% em ar ambiente
Classificação Segundo A Gravidade Da DPOC
VEF1, isoladamente, não é bom preditor de sintomas e exacerbações.
Preconiza-se que a gravidade da doença seja também avaliada com base no
perfil de sintomas e na frequência das exacerbações, fatores a se considerar na
indicação do tratamento e na monitorização.
Classificação Segundo Sintomas E Exarcebações:
E - >2 exarcebações ou > 1 hospitalização mMRC e CAT
A – 0-1 exarcebações -mMRC ou CAT <10 são instrumentos
B- 0-1 exacerbação – mMRC >2 ou CAT >10 que avaliam a
percepção subjetiva
da sintomatologia
dos pacientes com
DPOC
Avaliação Diagnóstica Complementar
• Radiografia de tórax (PA e perfil)
• Hemograma completo
• Oximetria em repouso
• Eletrocardiograma em repouso e ecocardiograma
• Dosagem de alfa-1-antitripsina
• Outras avaliações: sintomas psiquiátricos; estado nutricional; risco
cardiovascular.
Diagnóstico diferencial: Outras doenças podem apresentar quadro clínico
semelhante, como asma, insuficiência cardíaca e bronquiectasias, devendo ser
excluídas como causa dos sintomas.
Critérios de hospitalização/internamento
• Resposta inadequada ao manejo ambulatorial;
• Início de novos sinais: cianose, confusão mental, edema periférico, piora da
saturação de oxigênio
• Piora acentuada dos sintomas de base acompanhado de necessidade de
oxigênio ou esforço respiratório;
• Exacerbações frequentes ou hospitalização prévia;
• Comorbidades graves
• Suporte domiciliar ineficiente.
• Indicação de UTI: Instabilidade hemodinâmica, hipoxemia sintomática
persistente PaO2< 40mmHg, confusão ou letargia, necessidade de
ventilação mecânica
Critérios de encaminhamento ao pneumologista
• DPOC muito grave (GOLD 4);
• DPOC com exacerbações (≥2 por ano) ou 1 internação hospitalar ou muito
sintomático (mMRC ≥ 2), apesar do tratamento otimizado durante 3 meses;
• Suspeita de cor pulmonale;
• Avaliação para oxigenoterapia domiciliar prolongada (Sat O2 < 92%, medida
em repouso, no ar ambiente e fora de exacerbação);
• Paciente com DPOC e tabagismo ativo, motivado para a cessação com falha
no tratamento na APS;
• Necessidade de medicações disponibilizadas pelo SUS apenas com
prescrição do especialista (LME).
•
Tratamento medicamentoso no DPOC
Objetivos: Medicamentos:
Aliviar sintomas SABA: Broncodilatador de Curta Ação
Melhorar tolerância ao esforço SAMA: Antimuscarínico de Curta Ação
Melhorar estado de saúde LABA: Broncodilatador de Longa Ação
Prevenir a progressão LAMA: Antimuscarínico de Longa Ação
Prevenir e tratar exacerbações IC: Corticosteróide inalatório
Reduzir mortalidade
Tempo de Tempo
Beta²-Agonistas de ação Beta²-Agonistas de de ação
Curta-Ação (SABA) Longa-Ação (LABA)
Fenoterol 4-6 h Formoterol 12h
Salbutamol 4-6 h Indacaterol 24h
(albuterol)
Salmeterol 12h
Terbutalina 4-6 h
Vilanaterol 24h
Tempo
Anticolinérgicos de
Tempo
de Longa-Ação ação
Anticolinérgicos de
(LAMA)
de Curta-Ação ação
(SAMA) Tiotrópio 24h
Ipatropio 6-8h Umeclidínio 24h
Brometo de 12-24h
Glicopirrônio
Broncodilatadores inalatórios são a base do tratamento: redução e prevenção
dos sintomas
Uso regular ou quando necessário de LABA ou LAMA melhora VEF¹ e sintomas. São
superiores aos SABA no alívio dos sintomas
Combinação de LABA+LAMA são superiores a outros medicamentos isolados e
reduzem exacerbações
LABA e LAMA melhoram função pulmonar, dispneia, estado de saúde e
exacerbações.
LAMA tem efeito superior nas exacerbações.
Uso de inaladores combinados pode ser mais eficaz.
Monoterapia com ICS não é recomendada a longo prazo.
LABA+LAMA+ICS é superior a LABA+ICS
Corticosteroide inalatório (ICS) é indicado em casos de eosinofilia>300 cel/mcL,
histórico de asma e > 1exacerbação/ano ou histórico de hospitalização
Corticosteroide inalatório (ICS) não é recomendado quando ocorrem pneumonias
de repetição, histórico de infecção por micobactéria, eosinófilos <100 cel./mcL
Inibidor de PDE4 pode ser considerado quando há limitação do fluxo aéreo
sever, bronquite crônica e exacerbações associado a broncodilatadores com ou
sem ICS
Inibidor de PDE4 pode ser considerado quando há limitação do fluxo aéreo
sever, bronquite crônica e exacerbações associado a broncodilatadores com ou
sem ICS
Azitromicina pode ser considerada em ex-tabagistas com exacerbações frequentes
Tratamento na exacerbação do DPOC
• Piora da dispneia + aumento no volume da expectoração +escarro de
aspecto amarelado ou esverdeado
• Oxigenoterapia e ventilação
• Broncodilatadores inalatórios: salbutamol 6 - 10 puus a cada 20 minutos.
• Corticoides sistêmicos: prednisona 30- 40 mg, por 5 ou 7 dias.
• Antibioticoterapia
A exacerbação aguda da DPOC - “evento caracterizado por piora da dispneia e/ou
tosse com expectoração, com piora dos sintomas nos últimos 14 dias, que pode
estar acompanhado por taquipneia e/ou taquicardia, e frequentemente está
associado com inflamação local e sistêmica causada por infecção, poluição ou
outro insulto
Medidas à via aérea”.
não farmacológicas no DPOC
Ou seja- independente do tratamento estar disponível, podemos estar frente a
uma exacerbação do DPOC e que, esta é uma condição inflamatória sistêmica.
• Intervenção breve para abandono do tabagismo
• Imunizações:
• Vacinação para Influenza anual
• COVID 19
• pneumo 23
• dTPa e Zoster em >50 anos
• Atividade física
• Evitar exposição a fatores de risco ambientais
• Reabilitação pulmonar
• Oxigenoterapia (hipoxia <88% em ar ambiente)
• Suporte ventilatório (pacientes hospitalizados)