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Abaddom: A Luta de Sia pela Liberdade

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Abaddom

por

Éder dos Santos

eder@[Link]
CENA 1 (INT. DIA QUARTO)

Quarto em penumbra, algumas luminárias acessas. SIA, 30 anos


está na cama. Ela dorme de barriga pra cima com o corpo bem
espalhado pela cama, está suada, veste uma regata clara e uma
calça de pijama clara, ambas sem estampas. Acorda assustada
porém bem sonolenta. Senta na cama ainda confusa anda até a
cômoda e pega um copo d'água. Tenta beber e se irrita. Cospe
a água na parede. Depois vira o copo bem rápido deixando
muito do líquido vazar pelas laterais da boca. Quebra o copo
na mão. Limpa os cacos com a outra mão e certifica de que não
está ferida.

CENA 2 (INT. DIA QUARTO)

SIA liga a luminária principal que elimina a penumbra do


quarto. Ela se dirige até a cortina e rasga com apenas um
movimento, ela grita. Ela se senta abaixo da janela tapada
por tijolos e chora alto com a cortina nas mãos.

CENA 3 (INT. DIA QUARTO)

SIA está embaixo da cama deitada de lado.

CENA 4 (INT. DIA QUARTO)

SIA abre as gavetas da cômoda uma a uma lentamente sem


prestar muita atenção no que tem dentro.

CENA 5 (INT. DIA QUARTO)

SIA se senta ao chão em frente a TV ligada com chuviscos

CENA 6 (INT. DIA QUARTO)

SIA está de pé em frente à porta. Ela faz o movimento de


abrir na maçaneta repetidas vezes.

CENA 7 (INT. DIA QUARTO)

SIA está de pé em frente à porta. Ela bate, esmurra e grita


para tentar sair.

CENA 8 (INT. DIA QUARTO)

Ela está no centro do quarto deitada de bruços no chão. Ouve-


se o barulho da porta se abrindo. DRAKE, 40 anos, com
bermuda, camisa floral e viseira; deixa a porta entreaberta e
se dirige até onde SIA está deitada. Ele se inclina para
cumprimentá-la. SIA dispara rumo a porta em fuga jogando
DRAKE no chão. Ao sair ela bate a porta.

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2.

DRAKE se levanta devagar batendo a roupa. Suspira fundo e


abre o armário tirando SIA de lá amarrada e amordaçada. Ele a
senta na cama e fica de pé em frente a ela. SIA chora.

DRAKE
Olá SIA, já passamos por isso antes.
se quer que eu deixe a porta aberta eu
deixo, mas é pior, olha o seu estado.
Posso te soltar?

SIA assente com a cabeça. DRAKE a desamarra.

SIA
(interrompendo o choro)
Você disse que as coisas aqui mudam,
com certo prazo... DRAKE, DRAKE! Você
disse.

DRAKE
Prazo? Você ainda tem alguma noção de
quanto tempo se passou? Você sequer
consegue me dizer quanto tempo tem da
nossa última conversa. Horas, dias,
anos? Aqui o tempo não manda.

SIA
Esse lugar, esse "aqui", você disse
que não era permanente, que ainda
tinha chance de sair.

DRAKE
Chance não, é certo, você vai sair.

SIA
(surpresa)
Quando?

DRAKE
Tempo de novo? Que frustrante. O que
você tem pra me contar?

SIA
Consegui mais ver mais um pedaço do
meu sonho, ou sonho lúcido, ou
maluquice da minha cabeça perturbada.

DRAKE
Então vamos montar esse quebra-cabeça.

SIA
Acho que não é um parente do doente, é

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3.

um médico, aliás, uma médica. Ela


cuida dele, mas não consegue salvá-lo.
Eu te disse, ele não morreu ao relento
e sozinho. Ele tinha ajuda.

DRAKE
Mas por que ainda te incomoda?

SIA
Eu ainda sinto, dor e solidão no
sonho, não sinto o amparo ou a
proteção de estar sendo cuidado. Por
isso surtei quis correr pra longe
quando chegou, é como se a dor ficasse
maior. Leito de morte e mesmo com
alguém do lado ele está só, sofrendo,
angustiado, é muito forte.

DRAKE caminha até a cama e se senta ao lado de SIA.

DRAKE
(abraçando-a)
Vai dar certo minha pequena.

SIA
Eu sei DRAKE, eu sei.

CENA 9 (EXT. DIA CAMPO ABERTO)

Uma maca hospitalar com um paciente e uma médica de pé ao


lado. A médica tem o rosto coberto por um saco preto enquanto
o paciente tem a cabeça coberta por um saco vermelho. O
paciente se contorce na maca enquanto a médica tenta controla-
lo com os braços.

CENA 10 (INT. DIA QUARTO)

A TV está ligada e ouve-se o som bem baixo. SIA acorda


assustada, ela está de pé quando sai do transe. Indiferente e
cansada. A cortina está no lugar de antes, como se não
houvesse sido rasgada nunca. Se volta à cômoda e pega o mesmo
copo d'agua e derrama sobre a cabeça. Respira fundo e senta-
se de frente à TV.

Está passando um vídeo VHS de família, antigo. SIA não


reconhece ninguém mas presta bastante atenção.

CENA 11 (INT. DIA QUARTO)

DRAKE, de terno e fumando um charuto, entra no quarto. SIA


está de pé em frente a janela de tijolos com a cortina

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4.

aberta.

DRAKE
Olá.

SIA
(sem se virar)
Oi. O que foi aquilo?

DRAKE
Achei que iria gostar. Foi ruim?

SIA
(se virando e sentando na cama)
Foi bizarro, não era minha a história
mas me fez sentir saudade deles. Me
senti mal. Mas assisti tudo e me senti
péssima.

DRAKE
Me intriga isso em você.

SIA
Sofrer é viver.

DRAKE
Sofrer é sofrer.

SIA se levanta e abraça DRAKE que lentamente corresponde.

DRAKE
(ainda abraçados)
Chegou o dia pequena. A porta está
aberta, pode ir.

SIA hesitante se aproxima da porta. Recua e beija a mão de


DRAKE agachada.

DRAKE
(tirando a mão e ajudando-a a
levantar)
O que é isso SIA, não sou uma
divindade, vai logo.

SIA sai pela porta

CENA 12 (INT. NOITE HOSPITAL)

Um corredor de hospital longo, penumbra e vazio. SIA caminha


por ele. Chega onde estão as macas, agora o corredor já tem
pessoas, profissionais e pacientes. Ela enxerga uma maca

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5.

vazia. Fica tonta e perde a consciência. Acorda na maca com


um médico com um saco vermelho na cabeça.

MÉDICO
Vai ficar tudo bem.

SIA
Eu não preciso de ficar aqui. Vou
embora.

MÉDICO
Embora? Pra onde?

MÉDICO a impede se levantar e ela se debate, grita e chora.

MÉDICO
Não vai doer.

CENA 13 (EXT. DIA CAMPO ABERTO)

O mesmo homem de capuz vermelho na maca. Ele está debilitado


mas ainda tenta sair da situação. SIA vestida de médica de pé
ao seu lado.

SIA
(com um bisturi na mão)
Vai ficar tudo bem.

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