Startup
A startup (termo da língua inglesa sem tradução oficial) termo que representa uma "empresa" emergente
e recém-criada ainda em fase de desenvolvimento, que tem como objetivo principal desenvolver ou
aprimorar um modelo de negócio, preferencialmente escalável, disruptivo e repetível. Uma startup é
comumente relacionada a tecnologia, mas pode aparecer em vários setores;[1][2] O termo tornou-se
popular internacionalmente durante a bolha da internet. quando um grande número de "[Link]"
foram fundadas. Mas qualquer empresa que nasce em qualquer segmento, seja tradicional ou inovador é
uma startup (uma potencial "empresa" que nasce).
O uso do termo 'empresa' é questionado para startups;[1][2][2] pois o processo de criação/amadurecimento
da startup é dividido em quatro passos e, somente no último esta ganha o status de empresa, sendo
organização o nome preferido nos passos anteriores.
Visão esquemática do conceito de pivô no modelo de
desenvolvimento do cliente[3]
Investimento
As startups enfrentam vários desafios, pois se encontram em um campo de negócios arriscado e
incerto,[2] especificamente na sua fase inicial. Como consequência, startups precisam ser financiadas de
modos diferentes em cada fase do seu desenvolvimento[carece de fontes?].
O investimento para o início da startup é chamado capital semente, de maneira que ela tenha fundos
suficientes para se sustentar até atingir um estado onde consiga se manter financeiramente sozinha ou
receba novos aportes financeiros. Formas de capital semente incluem recursos do próprio empreendedor,
familiares e amigos, Investimento-Anjo, recursos aportados por
Aceleradoras e financiamento coletivo (Equity Crowdfunding).
Em estágios mais avançados, a startup pode obter investimento de
Capital de risco (em inglês: Venture Capital) em troca de ações da
empresa emergente.
Tipos de investimento
Riscos que uma startup pode
correr.[3]
Investimento próprio (Bootstrapping)
Investimento do próprio empreendedor na sua ideia. Nesse tipo de
financiamento, o empreendedor tira dinheiro da poupança, usa seus recursos próprios ou faz empréstimos
pessoais para lançar o seu negócio. Além da verba financeira, uma das formas de bootstrapping mais
comum é a em que o(s) empreendedor(es) investem o tempo e o(s) conhecimento(s) que eles possuem
para tracionar o negócio e tentar obter o capital necessário a partir de editais, investidores ou
naturalmente pelas vendas da empresa.
Investimento-Anjo
É o investimento efetuado por pessoas físicas com seu capital próprio* em empresas nascentes com alto
potencial de crescimento (as empresas emergentes) apresentando as seguintes características:[4]
1. É efetuado por profissionais (empresários, executivos e profissionais liberais) experientes, que
agregam valor para o empreendedor com seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamentos
além dos recursos financeiros, por isto é conhecido como smart-money.
2. Tem normalmente uma participação minoritária no negócio.
3. Não tem posição executiva na empresa, mas apoiam o empreendedor, atuando como um
mentor/conselheiro.
O Investimento com recursos de terceiros é chamado "gestão de recursos". É efetivado por
fundos de investimento e similares, sendo uma modalidade importante e complementar a
de Investimento-Anjo, normalmente aplicado em aportes subsequentes.
O Investidor-Anjo é normalmente um (ex-)empresário/empreendedor ou executivo que já trilhou uma
carreira de sucesso, acumulando recursos suficientes para alocar uma parte (normalmente entre 5% a 10%
do seu patrimônio) para investir em novas empresas, bem como aplicar sua experiência apoiando a
empresa. Importante observar que diferentemente que muitos imaginam, o Investidor-Anjo normalmente
não é detentor de grandes fortunas, pois o investimento-anjo para estes seria muito pequeno para ser
administrado.
Importante observar que o investimento-anjo não é uma atividade filantrópica e/ou com fins puramente
sociais. O Investidor-Anjo tem como objetivo aplicar em negócios com alto potencial de retorno, que
consequentemente terão um grande impacto positivo para a sociedade através da geração de
oportunidades de trabalho e de renda. O termo "anjo" é utilizado pelo fato de não ser um investidor
exclusivamente financeiro que fornece apenas o capital necessário para o negócio, mas por apoiar ao
empreendedor, aplicando seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamento para orientá-lo e
aumentar suas chances de sucesso.
O investimento-anjo em uma empresa é normalmente feito por um grupo de 2 a 5 investidores, tanto para
diluição de riscos como para o compartilhamento da dedicação, sendo definido 1 ou 2 como investidores-
líderes para cada negócio, para agilizar o processo de investimento. O investimento total por empresa é
em média entre R$ 200 mil a R$ 500 mil, podendo chegar até R$ 1 milhão.
Capital de Risco
O capital de risco (em inglês: Venture Capital) é uma modalidade de investimentos alternativos utilizada
para apoiar negócios por meio da compra de uma participação acionária, geralmente minoritária, com
objetivo de ter as ações valorizadas para posterior saída da operação. Este tipo de investimento é feito
com a startup em um estagio ainda inicial, próximo a seu modelo de negócios, o que implica seu alto
risco (Que nomeia o tipo de investimento).
Séries A, B e C
São modalidades de investimentos aplicados a uma startup a partir do seu modelo de negócios
consolidado que evolui a partir deste e recebendo rodadas de investimento partindo da casa dos milhões
de dólares.[5]
LoveMoney
Nome atribuído ao capital investido acreditando no empreendedor e seu potencial e não diretamente no
potencial de sua startup. Esse dinheiro surge da venda do produto a familiares e amigos ou até mesmo do
investimento de valores para permitir que o empreendedor prossiga sua jornada e acredite em seu
potencial. O LoveMoney é uma fonte muito importante ao empreendedor, não só na forma financeira mas
na forma de apoio familiar ao empreendedor. "Empreender é amar, e LoveMoney e investir amor".
SmartMoney
O SmartMoney[6] é a modalidade de investimento em que o investidor financeiro também investe seu
Know-How para auxiliar a equipe a tracionar seu projeto. Ele é um Mentor-investidor.
Métricas e crescimento acelerado
Outro tema que vem ganhando importância nas empresas emergentes de tecnologia é a utilização de
métricas que de maneira simples exponham ao empreendedor o atual estágio de seu negócio.
Bastante utilizadas para avaliação de Investidores no momento de captação de recursos para as empresas
emergentes, métricas como o custo de aquisição de clientes (CAC), índice de cancelamento (Churn Rate)
ou o valor do tempo de vida do cliente (Lifetime Value) estão a tornar-se cada vez mais necessárias as
empresas emergentes de crescimento acelerado.
Locais de desenvolvimento
Incubadoras
Incubadoras são entidades que visam promover os empreendimentos inovadores como as empresas
emergentes, elas oferecem um suporte para desenvolvimento de ideias. Esse suporte está na infraestrutura
e no suporte gerencial, que orienta o caminho a ser seguido pelos empreendedores em relação à gestão
dos negócios e à competitividade. Já Frenkel et al. (2005) defendem que as empresas incubadas têm tido
taxas de sucesso maiores do que as que não passam por processos de incubação; sucesso esse medido em
aumento do número de empregados, reduções de custos e aumento das vendas e do lucro (FRENKEL;
SHEFER; MILLER, 2005 apud Fernandes, JRC 2015).
Por sua vez Dee et al. (2011) mostram que as incubadoras providenciam diversos apoios para estas
empresas iniciantes, tais como: aconselhamento, assistências administrativa, financeira e mercadológica,
além de espaço físico (DEE et al., 2011 apud Fernandes, 2015).
Aceleradoras
As aceleradoras diferenciam-se do modelo de incubação, pois: 1. Oferecem um processo de inscrição
aberto e altamente competitivo; 2. Investem recursos financeiros, em geral em troca de participação em
cotas ou acionária; 3. Focam-se na equipe, ao invés dos fundadores individuais; 4. Têm limitação
determinada para o tempo do programa de aceleração; 5. Dedicam intensas atividades de mentoria e
networking; e 6. Operam com grupos de start-ups/TIC ao invés de start-ups/TIC individuais. (MILLER;
BOUND, 2011 apud Fernandes 2015).
Aceleradora versus Incubadora
As incubadoras e as aceleradoras buscam garantir um melhor desempenho das empresas que por elas
passam (LEE; LEE; PENNINGS, 2001), observando-se que ambas são similares, uma vez que pretendem
auxiliar os empreendedores nos estágios iniciais de seus negócios (COHEN, 2013 apud Fernandes,
2015).
Modelo de negócios em cenários de mudanças
Ruy Guerra discute uma problemática bastante atual que é a criação de novos negócios com modelos que
possam gerar valor e permanecer lucrativos e inovadores.
Estes negócios são, geralmente, gerados em cenários de muita incerteza. Guerra citando Ries diz: “uma
startup é uma instituição humana desenhada para entregar um novo produto ou serviço sob condições de
extrema incerteza” (GUERRA, 2012).
Com o objetivo de permitir que se crie um ambiente propício a inovação, surge, segundo o mesmo artigo,
a fórmula “lean startup” que consiste na constante busca por um casamento perfeito entre o produto e o
cliente, e baseia-se essencialmente na ideia de que startups são hipóteses, e que é preciso aplicar “o
método científico na identificação da oportunidade de mercado”. O professor Ruy Guerra ressalta, em
suas notas de aula, que: [...]é recomendado que um modelo seja adotado para minimizar riscos e reduzir
prazos no lançamento de startups: uma vez obtido um “produto mínimo viável” (“minimum viable
product”), é importante buscar feedback do cliente sobre o produto, suas características e funcionalidades,
iterando e pivotando produto e modelo de negócio à medida que se aprende com o processo.
E lembra, novamente, Eric Ries, citando que “a combinação de excelentes produtos com ótimos modelos
de negócio é que farão a diferença no mundo competitivo da inovação tecnológica”.
Vitor Andrade reforça também que a essência da metodologia Lean é a preocupação em estabelecer um
método científico para viabilizar o aprendizado de forma rápida na busca de um modelo de negócios
repetível e escalável.
Para entender melhor este cenário complexo, que se intensifica na década atual, Marty Neumeier (2010)
cita o levantamento dos problemas capciosos de nossa década, “problemas tão difíceis e pervasivos, que
parecem não ter solução”. Neste estudo, patrocinado pela Neutron e pela Universidade de Stanford,
consta a seguinte lista: 1. Equilibrar metas de longo prazo e demandas de curto prazo 2. Prover retorno
sobre conceitos inovadores 3. Inovar com a crescente velocidade das mudanças 4. Vencer a guerra pelo
talento classe mundial 5. Combinar rentabilidade e responsabilidade social 6. Proteger margens em um
setor “commoditizante” 7. Multiplicar o sucesso por meio de colaboração entre silos 8. Encontrar espaços
inexplorados e ao mesmo tempo rentáveis no mercado 9. Enfrentar o desafio da eco-sustentabilidade 10.
Alinhar a estratégia à experiência
Empresa Emergente e Agilidade
Neste cenário surge o manifesto ágil que rediscute o processo de desenvolvimento de software e ressalta a
importância de valores como foco no cliente, nas mudanças, na agilidade e em equipes multidisciplinares
e extremamente capacitadas (FOWLER, 2001; FOWLER, HIGHSMITH, 2001).
O manifesto não se aplica somente a desenvolvimento de produtos de software, mas, sim, a repensar as
empresas amplamente.
A organização ágil envolve processos e pessoas em todo o ciclo de negócios, em cenários onde as
mudanças são uma constante, os prazos cada vez mais curtos e os clientes mais exigentes. No artigo
Journey towards agility: the agile wheel explored o grupo de pesquisas Agile Manufacturing Research
Group (AMRG), introduz o agile wheel reference model (AWRM), identificando práticas e políticas que
devem ser seguidas pela organização ágil.
Empresas Emergentes e Inovação
Além da responsabilidade social e da sustentabilidade que por si só já se constituem desafios globalmente
discutidos com impactos sérios na qualidade de vida dos próximos milênios, a inovação constante e o
talento são fatores que estão sempre citados nos diversos modelos.
Trott (2002) em Innovation and New Product Development discute a gestão de inovação em
desenvolvimento de novos produtos. Neste, faz um levantamento da definição de inovação. Segue
algumas destas definições:• O processo de realizar melhorias (introduzindo novos recursos) • A ação de
introduzir algo novo (The American Heritage Dictionary). • O processo de traduzir ideias novas em algo
tangível com impactos sociais • Uma nova ideia, método ou dispositivo (Merriam-Webster Online) • A
exploração bem sucedida de novas ideias (Department of Trade and Industry, UK). • A mudança que cria
uma nova dimensão de performance - Peter Drucker (Hesselbein, 2002) • Uma ideia criativa que é
realizada [(Frans Johansson)] (Harvard Business School Press, 2004) • A capacidade de realizar
continuamente um estado futuro desejado ([John Kao, The Innovation Manifesto, 2005])
Tidd, Bessant e Pavitt (2005) classificam os tipos de inovação em: produtos, processos, posicionamento e
paradigma.
Os autores reafirmam também as vantagens estratégicas da inovação em produtos e serviços, processos e
projetos.
Ainda com o objetivo de auxiliar a criação e desenvolvimento de empreendimentos inovadores com
potencial de crescimento exponencial, foi proposto o Business Model Canvas, Alexander Osterwalder que
trouxe uma importante contribuição para, ao definir os nove blocos básicos de um modelo de negócio e
seus relacionamentos. No centro, os clientes, seus segmentos e as proposições de valor. Permeando, os
canais, o relacionamento com o cliente, fluxos de receita, atividades-chaves, recursos, parceiros e
estrutura de preço e custo.
Todos estes elementos precisam ser cuidadosamente pensados e repensados em cenários dinâmicos onde
parceiros, concorrentes, investidores e clientes têm novas e crescentes demandas.
As atividades das start-ups/TIC, são relacionadas ao conceito de inovação e tecnologia. A relação entre as
start-ups/TIC e a inovação fica mais completa na medida em que pode ser associada a algum tipo de
pesquisa, assim como com a imitação e com a adoção de novos produtos, de novos processos de
produção e de novas técnicas organizacionais, onde as incertezas estão presentes (Fernandes, 2015).
Habilidades para acessar e compartilhar informações
Haeckel and Nolan (1999) discutem também que a empresa que almeja sobreviver deve desenvolver um
QI que inclui: habilidades para acessar o conhecimento e a informação, habilidade para extrair
significado dos dados, habilidade para integrar e compartilhar estas informações. E detalham como a
tecnologia da informação é importante para obter vantagem competitiva.
Para auxiliar o compartilhamento e a validação das informações não só internamente, mas também com
investidores, parceiros, mentores, Vitor Andrade, em notas de sala de aula, ressalta a importância da
ferramenta visual para desenhar o modelo de negócios. Andrade ressalta ferramentas como Business
Model Canvas, Business Model ToolBox como auxiliadoras deste processo.
Estes modelos e ferramentas não são essenciais somente em startups, mas devem ser usadas também em
empresas que estão constantemente se renovando e, portanto, mais preparadas para enfrentar mudanças.
Apesar da mudança do paradigma industrial, o livro A grande Transição de James Martin (1996) continua
atual e discute a necessidade da criação dos processos de negócio de uma empresa que priorize a
definição e redefinição constante do fluxo estratégico de valor. O autor segue a reflexão citando Kearns
em Prophits in the dark que diz: “É preciso qualidade para entrar no jogo”. E, ainda, empresas que
realmente desejam prosperar, precisam criar arquiteturas completamente novas, que redefinam a
organização do trabalho, as informações e as pessoas.
O fluxo estratégico de valor tem sido objeto de estudos há várias décadas, desde que entramos na era do
conhecimento e a gestão de negócios e os cenários envolvidos se tornaram muito mais complexos e
globalizados (MARTIN, 1996).
Competências essenciais
Desenvolver competências para reagir à mudança é a resposta para os cenários atuais. Equipes
multidisciplinares e auto-gerenciáveis e a tecnologia da informação são fatores críticos de sucesso.
No livro A empresa orientada pelo design de Marty Neumeier (2010), o autor propõe o design como
solução através da construção da cultura da inovação, trazendo a gestão do design para dentro da
empresa.
Alguns princípios norteadores destas empresas são a promoção da criatividade, a colaboração, foco na
agilidade, na capacitação contínua, recompensas à solução de problemas complexos e todas as ações
devem sempre estar articulados com uma visão de longo prazo.
Estabelecer uma cultura de inovação esbarra em uma série de fatores ambientais que estão arraigados no
dia a dia da empresa.
Kanter (2003), no estudo da promoção da criatividade em ambientes empresariais, elaborou uma lista de
fatores que devem ser combatidos: predominância de relacionamentos verticais; ausência de ações que
promovam as comunicações horizontais; ferramentas, recursos, veículos formais para inovação limitadas;
reforço da cultura da inferioridade (onde se reforça a crença que as inovações Sempre ocorrem de fora
para dentro).
Relembrando a reinvenção do fluxo de valor de Martin (1996), “um fluxo de valor é um conjunto de
atividades do início ao fim que gera um resultado para o cliente”. [...] “a reinvenção do fluxo de valor
sucateia o processo de trabalho existente, substituindo por um processo radicalmente diferente” [...].
Focando o cliente interno e externo é preciso perguntar a todo instante: Existe uma melhor forma de fazer
isto? E estar preparado para reavaliar e mudar continuamente.
De forma que o modelo para lançamento de startup que testa e avalia hipóteses deve estar presente no dia
a dia das empresas para que a mesma possa continuamente sobreviver e se adaptar a mudanças.
Bessand e Tidd argumentam que este processo é contínuo, mas evolutivo.
O processo de desenvolvimento de novos produtos e serviços – evoluindo da simples ideia para os
produtos, serviços ou processos de sucesso – é um processo gradual de redução de incertezas por meio de
uma série de estágios de resolução de problemas, desde a fase de busca e de seleção até a implementação,
conectando o mercado e os fluxos tecnológicos relacionados durante o mesmo (BESSAND, TIDD, 2007).
Cooper sugere um processo sistemático em estágios que permitem reduzir a incerteza através de critérios
de decisão avaliados a cada fase de desenvolvimento.
A empresa adaptada à nova década deve, portanto, ser orientada ao design, incluindo métodos e
ferramentas que possibilitam a criação e avaliação contínua de produtos, processos e fluxos de valor que
possam encantar o cliente externo e interno a todo tempo.
Silvio Meira (2012), analisando o cenário da inovação no Brasil, apresenta a proposta de Etkowitz e
Leydesdorff, composta por três hélices em interação fundamentais no desenvolvimento da inovação na
sociedade e economia.
Meira ressalta que governo, academia e indústria são tão essenciais como “a dupla hélice do DNA
interage para criar, manter e evoluir a vida”. Fazendo a analogia para reforçar a importância deste tipo de
modelo para a sobrevivência dos modelos de negócio brasileiros no contexto mundial. O modelo explora
o papel de cada uma das instituições no arranjo; os processos de comunicação entre as entidades e com os
ecossistemas de conhecimento ao redor e as organizações híbridas que se desenvolveram com a
participação de mais de uma das hélices.
A ampliação do modelo por Leydesdorff incluiu outras hélices essenciais como o usuário e o contexto
onde este usuário está inserido que explicam o funcionamento dos sistemas globais, nacionais, regionais,
locais de inovação, sem deixar de lado as considerações sobre firmas individuais, representando não
somente o ambiente (ou “ambiente social”) onde as inovações ocorrem, mas também as interações entre
conhecimento, inovação e ambiente em um mesmo cenário.
A proposta de Silvio Meira concebida na rede de business designers IKEWAI é que a quinta hélice seja o
capital empreendedor “já que conceitos, capacidades e conexões associadas a investimento de risco e seus
agentes são absolutamente essenciais para os processos de inovação”.
Neste contexto, é importante pensar ainda em Venture capital no cenário brasileiro. Segundo Meirelles (et
al, 2008) que amplia esta discussão, a expressão venture capital, da língua inglesa, é na maioria das vezes
traduzida para a língua portuguesa como capital de risco e capital empreendedor.
O trabalho de Meirelles (et al, 2008) apresenta, com base na literatura e em fontes secundárias de dados,
características e tendências, assim como a potencialidade desta alternativa de financiamento para as
empresas em geral e, sobretudo, para as empresas de base tecnológica.
Mauricio Carvalho no blog da IKEWAI fala de importantes características que devem estar presentes no
espírito empreendedor.
"O empreendedor deve ter a sensibilidade de captar necessidades e aspirações adormecidas, a audácia
para acordá-las e a perseverança para nutri-las diariamente. [...] O empreendedor é um eterno aprendiz,
nunca satisfeito com aquilo que aprendeu, sempre buscando aquela peça nova de conhecimento que vai
encaixar no gigantesco quebra-cabeças que vem montando ao longo de sua vida, até sua missão encontrá-
lo.[...]A missão do empreendedor nunca é o lucro. A missão do empreendedor é quase sempre algo
intangível e coletivo. É ajudar outros a serem mais eficientes, a viver melhor, a não sofrer, a sonhar mais
alto, a chegar mais longe. Por isso, não existe empreendedorismo solitário O empreendedor é, acima de
tudo, um missionário. Sua grande obra é disseminar aquele sonho para outros. É descobrir e agregar
novos sonhadores que estejam dispostos a alimentar e transformar aquela ideia em algo cada vez mais
real. É cometer erros, aprender com eles e não ter medo de cometer novos erros[...]."
Tipos de startups
Startups jurídicas (LawTech)
Startups jurídicas constituem um ramo específico dentro das Startups. Elas têm como principal objetivo
reduzir gastos com tempo e burocracia, e estão presentes em diversos países. As Startups jurídicas, em
sua maioria, buscam otimizar a eficiência da justiça, principalmente em países como o Brasil, onde o
aparato estatal é altamente complexo e o sistema judiciário muitas vezes demora anos para realizar um
único processo.[7]
Essas empresas específicas da área jurídica buscam desenvolver protótipos de software e fazer uso das
tecnologias para romper o padrão tradicional de mercado do ramo jurídico. As alterações propostas nesse
padrão provocam uma certa ruptura com a atual conjuntura desse espaço e implementam um novo ponto
de vista sobre o assunto. Para isso, elas fazem uso da tecnologia blockchain, algoritmos avançados e
inteligência artificial. LiberFly, Legal Labs, JusBrasil, Finch Soluções, Lexio,[8] Looplex, NetLex, Advys
e, Justto, dentre outras do mesmo gênero, são alguns exemplos de startups jurídicas que atuam no
Brasil.[9]
No início, as startups jurídicas focaram em desenvolvimento de softwares e em formas de aplicar
tecnologia ao gerenciamento de processos, armazenamento de documentos e busca eletrônica.
Atualmente, existem startups trabalhando em diversos segmentos do Direito, como na automação e
gestão de documentos, na compilação de notícias sobre o ramo, consultorias sobre o tema, resolução de
conflitos online, monitoramento e extração de dados públicos, análise de jurisprudência, gestão de
escritórios e departamentos jurídicos, criação de rede profissional e ferramentas para confecção de
documentos jurídicos.[10]
Os serviços prestados por startups jurídicas costumam ser seis vezes mais baratos que o normal, podendo
diminuir as despesas dos escritórios e melhorar a vida dos profissionais da área jurídica. Dessa forma, a
advocacia concentra seus esforços em métodos e técnicas para a resolução do conflito legal,
simplificando atividades burocráticas de modo mais rápido e eficiente com o uso de ferramentas de
inteligência.[11]
Dezenas de startups jurídicas presentes no Brasil cooperam através da Associação Brasileira de Lawtechs
& Legaltechs (AB2L). A AB2L visa o desenvolvimento de empresas que unam a atividade jurídica ao uso
de recursos tecnológicos, buscando aprimorar as práticas profissionais, além de se comprometer com o
compartilhamento do conhecimento legal e com o acesso à justiça.[12][13]
Não se deve confundir startups do direito (startups jurídicas) com direito das startups. Direito das startups
se refere a uma compilação de instrumentos de Direito Empresarial e Propriedade Intelectual utilizada por
startups em geral. Porém, não é somente uma compilação de instrumentos, mas também é um adaptação
deles à realidade das startups e da nova economia que elas criaram. Ou seja, um documento jurídico que
pode ser mais rebuscado para uma empresa de grande porte, pode ser mais simplificado para uma startup,
se adaptando à realidade dessas.[14]
Devido ao surgimento de startups jurídicas, faculdades e instituições de ensino têm centralizado novos
grupos de pesquisa e ensino sobre empreendedorismo, disposições financeiras, contratuais e societárias,
visando englobar o aprendizado de fundamentos da informática e programação. Há o incentivo do estudo
do Direito em paralelo com novas áreas do conhecimento, estabelecendo não simplesmente uma nova
área de reflexão jurídica, mas aplicando inovações tecnológicas eficazes a legislação comum.[15]
Startups em saúde (Healthtech )
Não existe um nome usado por todos, mas startups em saúde podem ser chamada de Healthtech, nome
usado na internet. Pires[1] discute startups na área de saúde.
Startups Financeiras (Fintech)
Fintech é toda empresa que se propõe a oferecer serviços relacionados ao seu dinheiro, só que a custos
bem mais baixos que os dos bancos, e beneficiando-se do imenso alcance da internet.
Startups de Recursos Humanos (HRtech)
Nomenclatura usada para se referir à startups que oferecem serviços voltados aos Recursos Humanos.
Termo pouco conhecido, o HR Tech é muito difundido em outros países onde a cultura de empreender no
formato de Startup é mais comum, no Brasil existem apenas dezessete HR Techs que foram registradas na
Associação Brasileira de Startups, os processos de recrutamento e seleção (R&S) vem sendo
revolucionados por essas empresas. Sites especializados oferecem serviços específicos tanto para
empresas quanto para candidatos, alguns destaques são: Trampos, Catho, Manager e [Link].[16]
Dicionário de termos mais usados
O termo startup ("empresa emergente") traz consigo vários outros que fazem parte da língua da
inovação, eles são em inglês para atingirem o maior numero possível de pessoas e unificar este
conhecimento, sendo alguns destes localizados para o português:[17]
Boostrapping: Bootstrap significa criar sua startup usando somente recursos próprios,
sem recorrer a investidores externos. Se há alguma entrada de capital, ela vem dos
primeiros clientes. Os bootstrappers costumam ser empreendedores com capacidade
acima da média e experientes;
Saída: É quando um sócio, investidor ou empreendedor entrega seu percentual da
empresa em troca de uma quantia de dinheiro e deixa a sociedade. Essa é a meta de
quase todos que colocam dinheiro em negócios em fase inicial;
Lean startup: Lean, que significa enxuto, é um conceito de gestão que prioriza a
eliminação de desperdícios. Para as startups, o conceito do americano Eric Ries deve
transformar uma metodologia pensada originalmente para empresas de tecnologia em um
método aplicável a qualquer empreendimento nascente. Não confunda com “barato”, ou
seja, usar o mínimo de capital no projeto da startup;
Pivot: Pivot, ou pivotar em uma tradução livre para o português, significa redirecionar o
modelo de negócios da empresa em busca de saídas mais lucrativas, mas mantendo a
base para não perder a posição já conquistada;
Meetup: É um encontro informal em que os empreendedores têm a chance de falar sobre a
sua ideia. Geralmente, as pessoas conversam de pé, para facilitar a circulação e o
networking, este encontro obrigatoriamente deve ocorrer em um bar ou estabelecimento
similar em dias de baixo movimento ( Segunda-Feira, Terça-Feira ou Quarta-Feira), para
fomentar o ecossistema local;
Sócio-capitalista: Diferente do investidor, o sócio-capitalista não gosta de correr riscos
altos. Por isso, ele investe em modelos mais tradicionais e se envolve na gestão da
empresa;
Aceleradoras: Apesar de semelhante às incubadoras em alguns aspectos, as aceleradoras
são focadas em empresas que tenham um enorme potencial de crescimento. Em geral, são
lideradas por empreendedores ou investidores experientes, usam capital privado e se
baseiam em sessões de mentoring;
Pré-aceleradora: É semelhante a aceleradora, no entanto não possui capital semente ou
investimento financeiro por parte da pré-aceleradora nas startups, além de que ela não
recebe participação nas ações da startup como ocorre em algumas aceleradora;
Venture capital: É o termo usado para todas as classes de investidores de risco. No Brasil,
os fundos de venture capital investem entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões em empresas
que já faturam alguns milhões;
Investidor-anjo: São pessoas que procuram empresas bem iniciantes – muitas vezes
apenas uma ideia – e investem entre R$ 50 mil até R$ 500 mil em startups de conhecidos
para vender sua parte a investidores maiores no futuro;
Pitch: O pitch é uma apresentação sumária de 1 a 7 minutos com objetivo de conquistar o
interesse da outra parte (investidor ou cliente) pelo seu negócio. É uma ferramenta
essencial para empreendedores conseguirem investimento para seu negócio;
MVP (Minimum Viable Product): É o protótipo do negócio, uma simulação podendo ser de
baixa fidelidade ou alta fidelidade, utilizado para testar aspectos do produto ou de seu
modelo de negócios;
Unicórnio: É o termo que se refere a todas as startups que atingiram um valuition igual ou
superior a US$ 1.000.000,00 (um bilhão de dólares);
FabLab: É um Laboratório de Fabricação, é um espaço compartilhado que conta com
equipamentos e maquinário para o desenvolvimento de produtos e protótipos, muito
utilizado pelos Makers;
Maker: Oriundo da cultura "Do it yourself" (DIY), em português "Faça você mesmo", é a
denominação que as startups que trabalham com hardware ou produtos físicos recebem;
Makers: Adeptos e praticantes da cultura Maker;
SW (Startup Weekend): É um evento da empresa canadense TechStarts que tem como
propósito disseminar a cultura de startups pelo mundo, é um evento imersivo que em 54h
os participantes criam uma startup apenas da ideia.
Hackathon: É uma maratona de solução de problemas, a hackathon é um evento para
incentivar a criação de startups a partir de um problema real, uma das obrigações de uma
hackathon é que os dados utilizados nela sejam reais e que a premiação do evento seja em
dinheiro;
Know-how: É todo conhecimento técnico e vivencias que são carregadas por aquele
individuo;
Elevator Pitch: É o termo utilizado especificamente para os pitchs entre 30 segundos e
dois minutos, é o pitch utilizado para atrair o cliente ou investidor para a ideia do projeto. O
nome vem da associação ao tempo que se teria para apresentar a ideia dentro de um
elevador, ou dentro dele ate a porta da reunião em que o ouvinte esta indo.
Referências
1. Pires, Jorge Guerra (3 de junho de 2019). «ALGUNS INSIGHTS EM STARTUPS:
VENCENDO O DILEMA DA 'PERSONALIZAÇÃO VS. CUSTO' DA MEDICINA DE
PRECISÃO?» ([Link] Revista
Eletrônica Gestão & Saúde. 10 (2): 261 – 275. ISSN 1982-4785 ([Link]
sn/1982-4785). doi:10.26512/gs.v10i2.24842 ([Link]
2). Consultado em 22 de agosto de 2021
2. Blank S, Dorf B. The Startup Owner's Manual: The Step-By-Step Guide for Building a Great
Company. K & S Ranch. 2012.
3. Guerra Pires, Jorge (2020). «Alguns insights em Startups um novo paradigma para a tríplice
aliança ciência, tecnologia e inovação» ([Link]
8626). Revista Eletrônica de Gestão e Saúde. Consultado em 1 de fevereiro de 2020
4. «O QUE É UM INVESTIDOR-ANJO» ([Link]
[Link]). Anjos do Brasil. 22 de fevereiro de 2016. Consultado em 22 de fevereiro de
2016
5. «Do Seed ao Series C: as rodadas de investimentos para alavancar uma empresa» (https://
[Link]/blog/rodadas-de-investimentos/). [Link].
Consultado em 24 de setembro de 2018
6. Negócios, Semente (31 de julho de 2018). «Venture Capital: como o smart money ajuda no
desenvolvimento da starup» ([Link]
s-digitais/). Blog Semente Negócios. Consultado em 28 de fevereiro de 2021
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Ligações externas
O que é uma startup? ([Link]
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