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Forças: Conceitos e Leis de Newton

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0.

1 Forças

Na Física, o conceito de força é extre-

mamente importante e muito abrangente.

É através da força (interação) que conse-

guimos mover coisas. Por exemplo, po-

demos mover um tijolo de um ponto a a

um ponto b simplesmente empurrando o

tijolo. O ato de empurrar signica que es-

tamos aplicando uma força (interagindo)

no tijolo.

Na natureza existem 4 forças funda-

mentais (ou interações fundamentais) que


ura 1: Exercendo uma força de contato. O ato de
urar um tijolo é um exemplo de força de contato. regem todo o universo. Essas forças são

responsáveis por todos os processos que

observamos na natureza, são elas: Interação Gravitacional, Força Nuclear Forte,

Força nuclear Fraca e Interação Eletromagnética. Vemos, portanto, que o con-

ceito de força está intimamente ligado a descrição e a maneira como percebemos

a natureza.

0.1.1 Noções gerais

Todo mundo possui uma compreensão básica do conceito de força com base

na experiência cotidiana. Quando você empurra ou puxa um corpo, exerce força

sobre ele. Da mesma forma, você exerce uma força sobre a bola ao lançá-la ou

chutá-la. Nesses exemplos, a palavra força está associada ao resultado da atividade

muscular e a alguma mudança no estado de movimento de um corpo. Contudo,

forças nem sempre causam movimento em um corpo.

As Forças que agem em um corpo/sistema podem ser colocadas em duas cate-

gorias: Forças de contato e Campo de Forças. Como o nome já antecipa, Forças de

contato necessitam da interação direta do agente (quem ou o que produz a força)

1
Figura 2: Alguns exemplos de forças aplicadas a diversos corpos. Em cada caso,
uma força é exercida sobre a partícula ou corpo dentro da área pontilhada. O
ambiente externo a esta área fornece essa força.

e de quem sofre a ação. Já no Campo de Forças não há a necessidade de interação

de contato e, além disso, podem agir através do espaço vazio. Como exemplo, um

campo gravitacional gera uma força de atração que mantem o sistema Solar coeso

em orbitas estáveis sem que haja qualquer tipo de contato enre as partes do sis-

tema. Estudaremos neste curso principalmente as forças de contato. Gostaríamos

então de poder responder as perguntas gerais relacionadas às inuências das forças

sobre ot movimento, como, por exemplo, Como as forças causam a alterações no

movimento? e Por que alguns corpos aceleram em taxas mais altas que outros?,

entre outra.

Antes de estudarmos propriamente como as forças agem em um sistema, pre-

cisamos caracterizá-la. Força é uma grandeza vetorial que possui modulo, direção

e sentido. A unidade de força no SI (Sistema Internacional) é o Newton:

Kg · m
[F~ ] = N = .
s2

Como além do modulo a força também possui direção e sentido, nada melhor

que usar uma grandeza vetorial para representá-lo. Sendo assim, uma força F~ é

uma grandeza vetorial e como tal, podemos empregar todo o nosso conhecimento

do cálculo vetorial para estudá-la. Na primeira Fig. 3 vemos a composição de

duas forças F~1 + F~2 (soma de dois vetores) gerando um terceiro vetor ~
R que é

2
a resultante da soma vetorial. Na segunda Fig. 3 vemos o processo inverso, ou

seja, a decomposição da força F~ em duas componentes F~y e F~x cuja soma fornece

F~ = F~x + F~y . A Fig. 3 ilustra como calcular a soma vetorial. Mais adiante,

colocaremos em prática o que foi aprendido no curso de cálculo vetorial.

Figura 3: c

Podemos

0.1.2 Leis de Newton

Iremos enunciar as três leis de Newton, porém, estudaremos as suas consequên-

cias mais adiante. As três leis foram formuladas pelo físico inglês Sir Isaac New-

ton ainda no século XVII e encontram-se primariamente publicadas em seu livro

Philosophiae Naturalis Principia Mathematica . As três leis formam o alicerce da

mecânica Clássica e podem ser anunciadas da seguinte forma:

1◦ Lei de Newton Um corpo permanece em seu estado de repouso ou de movi-

mento retilíneo e uniforme a menos que seja compelido a mudar esse estado

por forças aplicadas.

2◦ Lei de Newton Quando uma força resultante externa atua sobre um corpo,

ele se acelera. A aceleração possui a mesma direção e o mesmo sentido da

força resultante. O vetor força resultante é igual ao produto da massa do

3
corpo pelo vetor aceleração do corpo.

X
F~ = m~a. (1)

3◦ Lei de Newton Quando um corpo A exerce uma força sobre um corpo B


(uma ação), o corpo B exerce uma força sobre o corpo A (uma reação).

Essas duas forças têm o mesmo módulo e a mesma direção, mas possuem

sentidos opostos. Essas duas forças atuam em corpos diferentes.

Um corpo em movimento pode ser observado

de qualquer sistemas de referência. Da forma



como é colocada a 1 Lei, seria natural perguntar-

mos em relação a que sistema de referência o corpo

permanece em repouso ou MRU? A Primeira Lei

do Movimento de Newton, às vezes chamada Lei

da Inércia, dene um conjunto especial de siste-

mas de referência chamados referenciais inerciais.

Essa lei também pode ser enunciada da seguinte

maneira:

1◦ Lei de Newton Se um corpo não interage


Figura 4: Representação esquemática das fo
com outros corpos, é possível identicar um
de ação e reação.
sistema de referência em que o corpo tem

aceleração zero.

Qualquer referencial que se move com velocidade constante em relação a um

referencial inercial é em si um referencial inercial. Essa armação é fácil de se

mostrar. Seja R um referencial inercial e R0 um outro sistema de referência que se

move com velocidade constante V~ em relação ao primeiro, conforme mostra a Fig.

5.
Vemos, por inspeção, que

~r0 = ~r − V~ t, (2a)

t0 = t. (2b)

4
Figura 5: Transformada de Galileu

As relações acima são conhecidas como Transformações de Galileu. Diferenciando

com relação ao tempo a equação (2b), teremos:

d 0 d d ~ 
~r = ~r − Vt , (3a)
dt dt dt
~v 0 = ~v − V~ . (3b)

Agora, se diferenciarmos a equação acima com relação ao tempo, obtemos:

d 0 d d
~v = ~v − V~ , (4a)
dt dt dt
0
~a = ~a. (4b)

A equação acima nos diz que a aceleração será igual nos dois referenciais. Segundo

a mecânica newtoniana a massa da partícula tem o mesmo valor qualquer que seja

o referencial utilizado, isto é, m = m0 , de modo que

m0~a0 = m~a, (5a)

F~ 0 = F~ , (5b)

que nos diz que a força tem a mesma forma nos dois sistemas de referência, isto

é, as Leis de Newton são invariantes por uma Transformação de Galileu, também

5
conhecida como Princípio da Relatividade Newtoniana. As leis de Newton só são

válidas em referenciais inerciais.

Da segunda lei de Newton, em particular a equação (1), podemos obter as

equações de movimento que descrevem o movimento de uma partícula de massa

m, a saber:

X
m~a (t) = F~ (t) , (6a)

d2 X
m ~
r (t) = F~ (t) , (6b)
dt2
d2 1 X~
~
r (t) = F (t) . (6c)
dt2 m

Em geral, a força pode ser uma função que depende do tempo, ou ainda da posição

ou até mesmo da velocidade. Veremos ao longo do curso casos mais gerais. A

equação vetorial (6c) pode ainda ser reescrita em termos de suas componentes, a

saber:

d2 x 1 X
= Fx (t) , (7a)
dt2 m
d2 y 1 X
= Fy (t) , (7b)
dt2 m
d2 z 1 X
= Fz (t) , (7c)
dt2 m

onde Fx , Fy , e Fz representam as componentes da forças que que agem sobre o

sistema. As três equações acima formam um conjunto de equações diferenciais de

segunda ondem que, quando solucionadas para as componentes x, y e z, fornecem

a posição da partícula para um tempo t. O conjunto de todos os pontos nos fornece

uma curva que nos permite avaliar a trajetória da partícula. Para que a solução

da equação diferencial (6c) seja única, devemos fornecer as condições iniciais em

que o sistema se encontra quando as forças começam a agir no sistema. A seguir

resolvemos alguns exemplos.


 
Exemplo 1
P~
Seja F (t) = √1 ı̂ + ̂ + k̂ κ, onde κ é uma constante. O pro-
3

6
blema em questão trata-se de um sistema sob a ação de uma força externa

constante. A equação diferencial que rege o sistema em questão é mostrada

a seguir

d2 1 X~
~
r (t) = F (t) , (8a)
dt2 m
d2   1 1  
xı̂ + y̂ + z k̂ = √ ı̂ + ̂ + k̂ κ, (8b)
dt2 m 3
κ  
ẍı̂ + ÿ̂ + z̈ k̂ = √ ı̂ + ̂ + k̂ . (8c)
3m

Portanto, o sistema de equações diferenciais que encontramos é mostrado a

seguir:

d2 x κ
2
=√ , (9a)
dt 3m
2
dy κ
2
=√ , (9b)
dt 3m
d2 z κ
=√ , (9c)
dt2 3m

cuja solução é calculada a seguir:

t Z t
d2 z
Z
κ
2
dt = √ dt, (10a)
t0 dt t0 3m
Z ż(t)  
dz κ
d =√ (t − t0 ) , (10b)
ż(t0 ) dt 3m
κ
ż (t) − ż (t0 ) = √ (t − t0 ) . (10c)
3m

Podemos integrar a equação acima mais uma vez no tempo para que possa-

mos agora obter a função posição z (t). Procedendo desta forma, obtemos:

Z t Z t Z t
dz κ
dt = ż (t0 ) dt + √ (t − t0 ) dt, (11a)
t0 dt t0 t0 3m

7
Z z(t) Z t Z t
κ
dz = ż (t0 ) dt + √ (t − t0 ) dt. (11b)
z(t0 ) t0 3m t0

Fazendo uma mudança de variável na última integral do membro esquerdo,

(
u = t − t0
, (12)
du = dt
(
t0 → u = 0
, (13)
t → u = t − t0

obtemos

Z t−t0
κ
z (t) − z (t0 ) = ż (t0 ) (t − t0 ) + √ udu, (14a)
3m 0
κ (t − t0 )2
z (t) = z (t0 ) + ż (t0 ) (t − t0 ) + √ . (14b)
3m 2

Analogamente ao que foi feito para a componente z (t), podemos calcular as

outras componentes, a saber:

κ (t − t0 )2
x (t) = x (t0 ) + ẋ (t0 ) (t − t0 ) + √ , (15a)
3m 2
κ (t − t0 )2
y (t) = y (t0 ) + ẏ (t0 ) (t − t0 ) + √ . (15b)
3m 2

A solução completa é mostrada a seguir:

~r (t) = x (t) ı̂ + y (t) ̂ + z (t) k̂. (16)

A equação paramétrica acima descreve o movimento retilíneo uniformemente

variável em três dimensões.

Exemplo 2 F (t) = f~ exp (−λt).


P~
Seja A força resultante agora é variável e

representa um movimento em que a força resultante tende a zero quando

t → ∞. A equação de movimento para essa conguração é mostrada a

8
seguir:

ẍı̂ + ÿ̂ + z̈ k̂ = f~ exp (−λt) , (17)

onde f~ é um vetor constante mostrado a seguir

f~ = fx ı̂ + fy ̂ + fz k̂. (18)

As três equações que surgem para cada uma das componente da aceleração

são mostrada a seguir:

d2 x
= fx exp (−λt) , (19a)
dt2
d2 y
= fy exp (−λt) , (19b)
dt2
d2 z
= fz exp (−λt) , (19c)
dt2

Calcularemos a solução para a componente z uma vez que o resultado para

as outras componentes podem ser obtidos de forma análoga. Integrando a

equação (19c) em relação ao tempo, obtemos:

t Z t
d2 z
Z
2
dt = fz exp (−λt) dt, (20a)
t0 dt t0
Z ż(t)  
dz fz
d = − [exp (−λt) − exp (−λt0 )] , (20b)
ż(t0 ) dt λ
fz
ż (t) − ż (t0 ) = − [exp (−λt) − exp (−λt0 )] . (20c)
λ

Podemos integrar a equação acima mais uma vez no tempo para que possa-

mos agora obter a função posição z (t). Procedendo desta forma, obtemos:

Z t Z t Z t
dz fz
dt = ż (t0 ) dt + − [exp (−λt) − exp (−λt0 )] dt, (21a)
t0 dt t0 t0 λ
Z z(t) Z t Z t Z t
fz fz
dz = ż (t0 ) dt − exp (−λt) dt + exp (−λt0 ) dt, (21b)
z(t0 ) t0 t0 λ t0 λ

9
fz t
Z
fz
z (t) − z (t0 ) = ż (t0 ) (t − t0 ) − exp (−λt) dt + exp (−λt0 ) (t − t0 ) ,
λ t0 λ
fz fz
z (t) = z (t0 ) + ż (t0 ) (t − t0 ) + 2 [exp (−λt) − exp (−λt0 )] + exp (−λt0 ) (t − t0 ) ,
λ λ

portanto

 
fz fz 1
z (t) = z (t0 ) + ż (t0 ) (t − t0 ) + 2 exp (−λt) + − + (t − t0 ) exp (−λt0 ) .
λ λ λ
(23)

As soluções para as outras componentes são obtidas imediatamente a partir

da solução acima.

Exemplo 3 Seja o seguinte plano inclinado representado pela Fig. 6. Queremos

calcular a magnitude da força F de modo que o bloco esteja em equilíbrio.

Figura 6: Representação de um plano inclinado

Do diagrama de corpo livre mostrado na Fig. 6, obtemos as seguintes equa-

ções de movimento:

mg sin θ − F cos (α + θ) − µN = 0, (24)

mg cos θ + F sin (α + θ) − N = 0. (25)

10
Da equação (25) encontramos a primira condição, a saber:

N = mg cos θ + F sin (α + θ) . (26)

Substituindo esta condição na equação (24), obemos:

mg sin θ − F cos (α + θ) − µ [mg cos θ + F sin (α + θ)] = 0, (27a)

mg sin θ − F cos (α + θ) − µmg cos θ − µF sin (α + θ) = 0, (27b)

mg sin θ − F [cos (α + θ) + µ sin (α + θ)] − µmg cos θ = 0. (27c)

Isolando F na equação acima, temos:

sin θ − µ cos θ
F = mg . (28)
cos (α + θ) + µ sin (α + θ)

Portanto, para que o sistema representado na Fig. 6 esteja em equilíbrio, a

equação (28) tem que ser satisfeita.

Exemplo 4 Seja o seguinte sistema representado pela Fig. 7. Queremos calcular a

magnitude da massa M para que o sistema esteja em equilíbrio. Novamente,

aplicaremos a condição de equilíbrio no sistema em questão.

Figura 7: Representação de um plano inclinado

Do diagrama de corpo livre mostrado na Fig. 7, obtemos as seguintes equa-

11
ções de movimento:

T − M g sin α− = 0, (29)

N − M g cos α = 0, (30)

mg − T = 0. (31)

Da equação (31) obtemos a seguinte condição:

T = mg. (32)

Através da equação (30) , obtemos a primeira condição de equilíbrio:

N = M g cos α. (33)

Substituindo o resultado T = mg na equação (29), obtemos a segunda con-

dição de equilíbrio:

T − M g sin α = 0, (34a)

M g sin α = T, (34b)

M g sin α = mg, (34c)

M sin α = m. (34d)

Portanto, a magnitude da massa M para que o sistema esteja em equilíbrio

deve ser:
m
M= . (35)
sin α

Exemplo 5 O sistema representado na Fig. 8 estava em equilíbrio antes da apli-

cação de uma força P~ no ponto B. Na posição de equilíbrio inicial, a hate

fazia um angulo θ0 com o segmento AC . Após a aplicação de uma força

P~ (essa força não corresponde a força peso!), a nova posição de equilíbrio

atingida pelo sistema é tal que o angulo entre a haste e o segmento AC é de

θ. Sabendo-se que a constante da mola é k e o tamanho da haste é l , calcule:

1. A distensão da mola.

12
Figura 8: Exercicio 5

O triângulo ABC é isosceles, portanto, vale a seguinte relação:

 
 θ0
AB θ0 = 2l sin , (36a)
2
 
 θ
AB θ = 2l sin , (36b)
2

onde AB θ0 é a distância entre os pontos A e B antes da aplicação
~ e AB é a nova distância entre os pontos A e B após o

da força P
θ
sistema atingir a nova posição de equilíbrio. Sendo assim, a enlongação

da mola será:

 
∆x = AB − AB θ0 ,
θ
(37)
   
θ θ0
= 2l sin − 2l sin . (38)
2 2

2. A força elástica.

A força elástica é dada pela lei de Hooke

F = −kx. (39)

13
Portanto, o módulo da força que a mola exerce na haste é dada por:

F = k∆x, (40)
    
θ θ0
= 2kl sin − sin . (41)
2 2

3. Expresse o angulo θ correspondente a posição de equilíbrio em termos

de k, P e l.

Para encontrar uma expressão que relacione o angulo θ em termos das

quantidades fornecidas, devemos aplicar a condição de equlíbrio 2, ou

seja:
X
~τ ext = 0. (42)

Iremos calcular separadamente a contribuição que cada força fornece

para o torque. A Força P~ pode se decomposta da seguinte forma:

P⊥ = P sin θ, (43a)

Pq = p cos θ. (43b)

Apenas a componente P⊥ contribui para o torque. ⊥


Lembre-se que

(perpendicular) signica componente perpendicular a haste e q (paralela)


signica componente paralela a haste e, como sabemos, apenas as com-

ponentes ⊥ contribuem para o torque. Sendo assim, o torque devido a

força P~ no ponto B é

τ P = lP sin θ. (44)

Calcularemos agora a contribuição da força elástica para o torque. A

força elástica também pode ser decomposta em termos de uma compo-

nente paralela e uma perpendicular a haste, ou seja

F⊥ = F sin γ, (45a)

Fq = F cos γ, (45b)

onde γ é o angulo que a força elástica faz com a haste. Como o triângulo

ABC é isosceles, o angulo γ relaciona-se com o angulo θ a partir da

14
seguinte relação:
π θ
γ= − , (46)
2 2
portanto,

   
π θ θ
F⊥ = F sin − = F cos , (47a)
2 2 2
   
π θ θ
Fq = F cos − = F sin . (47b)
2 2 2

O torque devido à força elástica é dada pela seguinte expressão:

 
θ
τ F = lF cos . (48)
2

Usando agora a condição de equilíbrio, obtemos:

τ F − τ P = 0, (49a)
 
θ
lF cos − lP sin θ = 0. (49b)
2

Substituindo o módulo da força elástica

    
θ θ0
F = 2kl sin − sin , (50)
2 2

na equação anterior, obtemos:

      
2 θ θ0 θ
2kl sin − sin cos − lP sin θ = 0,
2 2 2
          
2 θ θ0 θ θ θ
2kl sin − sin cos − 2lP sin cos = 0,
2 2 2 2 2

onde usamos a identidade

   
θ θ
sin θ = 2 sin cos . (51)
2 2

15
Podemos simplicar ainda mais a equação anterior:

         
θ θ0 θ θ
2l kl sin − sin − P sin cos = 0. (52)
2 2 2 2

A equação acima admite duas soluções, a saber:

 
θ
cos = 0, (53a)
2
      
θ θ0 θ
kl sin − sin − P sin = 0. (53b)
2 2 2

A primeira equação é satisfeita para θ = π. A segunda equação pode

ser reescrita da seguinte forma:

     
θ θ θ0
kl sin − P sin = kl sin , (54a)
2 2 2
   
θ θ0
(kl − P ) sin = kl sin , (54b)
2 2
   
θ kl θ0
sin = sin , (54c)
2 kl − P 2

ou ainda   
kl θ0
θ = 2 arcsin sin . (55)
kl − P 2

4. Determine o valor de θ correspondente ao equilíbrio se P = 14 kl e θ0 = π


3
.

Substituindo os valores dados na equação (55), obtemos:

  
kl 1π
θ = 2 arcsin 1 sin , (56a)
kl − 4 kl 23
  π 
4
θ = 2 arcsin sin , (56b)
3 6
θ = 1.4594 rad,

ou ainda

θ = 83.62◦

16

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