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A Alegria Perdida do Sapateiro

Ficha de interpretação sobre AUTO DA BARCA DO INFERNO

Enviado por

Tânia Silva
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O Sapateiro Pobre

Havia um sapateiro, que trabalhava à porta de casa, e todo o santíssimo dia cantava; tinha
muitos filhos, que andavam rotinhos pela rua, pela muita pobreza, e à noite enquanto a mulher
fazia a ceia, o homem puxava da viola e tocava os seus batuques muito contente.
Defronte dele morava um ricaço, que reparou naquele viver, e teve pelo sapateiro tal
compaixão, que lhe mandou dar um saco de dinheiro, porque o queria fazer feliz.
O sapateiro lá ficou admirado; pegou no dinheiro e à noite fechou-se com a mulher para o
contarem. Naquela noite o sapateiro já não tocou viola; as crianças andavam a brincar pela
casa e faziam barulho, fizeram-no errar a conta e ele teve de lhes bater, e ouviu-se uma
choradeira, como nunca tinham feito quando tinham mais fome. Dizia a mulher:
– E agora, o que havemos nós de fazer a tanto dinheiro?
– Enterra-se.
– Perdemo-lhe o tino; é melhor metê-lo na arca.
– Mas podem roubá-lo, o melhor é pô-lo a render.
– Ora isso é ser onzeneiro.
– Então levantam-se as casas, e fazem-se de sobrado, e depois arranjo a oficina toda
pintadinha.
– Isso não tem nada com a obra; o melhor era comprarmos uns campinhos; eu sou filha de
lavrador e puxa-me o corpo para o campo.
– Nessa não caio eu.
– Pois o que me faz conta é ter terra; tudo o mais é vento.
As coisas foram-se azedando, palavra puxa palavra, o homem zanga-se, atiça duas solhas na
mulher, berreiro de uma banda, berreiro de outra, naquela noite não pregaram olho. O vizinho
ricaço reparava em tudo, e não sabia explicar aquela mudança. Por fim o sapateiro disse à
mulher:
– Sabes que mais, o dinheiro tirou-nos a nossa antiga alegria! O melhor era ir levá-lo outra vez
ao vizinho dali defronte, e que nos deixe cá com aquela pobreza que nos fazia amigos um do
outro.
A mulher abraçou aquilo com ambas as mãos e o sapateiro com vontade de recobrar a sua
alegria e a da mulher e dos filhos, foi entregar o dinheiro e voltou para a sua tripeça a cantar e
trabalhar como o costume.

Contos Tradicionais Portugueses

I
1. Sublinha o sinónimo correspondente à palavra que se encontra em itálico. Só existe uma
opção correta, para cada frase.
a. … “isso é ser onzeneiro”
a) comerciante
b) avarento
c) esperto
c) pobre

b. …”o homem zanga-se, atiça” …


a) prega (bater)
b) acende
c) sacode
d) esfrega

c. … “atiça duas solhas na mulher” …


a) peixes marinhos
b) gargalhadas
c) moedas
d) bofetadas
d. … “voltou para a sua tripeça”…
a) ofício de sapateiro
b) fazenda
c) festa
d) terra

2. Identifica as personagens deste texto.

3. Caracteriza-as.

4. Refere o que o vizinho decidiu fazer.

5. Explica o que aconteceu na casa do sapateiro depois de ter recebido a oferta.

6. Aponta a forma como o sapateiro e a mulher resolveram o conflito.

7. Salienta a moral, o ensinamento que este conto pretende transmitir.

8. Este texto é um conto popular. Situa a ação no tempo e no espaço, mencionando as


características ou a estrutura deste tipo de textos.

9. Este conto contém várias expressões populares.


9.1. Explica o sentido das seguintes:
a) … ”Perdemo-lhe o tino”…
b) … “puxa-me o corpo para o campo” …
c) … “tudo o mais é vento” …
d) ”palavra puxa palavra” …

II

1. Completa a tabela com as formas verbais corretas da 1.ª pessoa do singular


do verbo adorar:
Indicativo
Presente Pretérito Pretérito Pretérito mais-que-perfeito Futuro
imperfeito perfeito Simples Composto (simples)
(simples)

Conjuntivo
Presente Pretérito Futuro Condicional
imperfeito (simples)

2. Indica a classe e a subclasse das palavras da frase.


“O José e a prima foram à praia, ontem.”

3. Identifica as funções sintáticas dos constituintes sublinhados na mesma frase:

4. Classifica o tipo de sujeito.

III

Lê, atentamente, o primeiro e o último parágrafo deste conto tradicional. A tua tarefa consiste
em redigir a parte do conto em falta.

HISTÓRIA DO COMPADRE RICO E DO COMPADRE POBRE


Moravam numa aldeia dois compadres. Um era pobre e o outro rico, mas muito miserável.
Naquela terra era uso todos quantos matavam porco dar um lombo ao abade. O compadre rico,
que queria matar porco sem ter de dar o lombo, lamentou-se ao pobre, dizendo mal de tal uso.
Este deu-lhe de conselho...

(...)

Desta maneira o compadre pobre teve porco e vinho sem lhe custar nada.

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