0% acharam este documento útil (0 voto)
26 visualizações2 páginas

Arquipélago de Qih: Flora, Fauna e Cultura

Enviado por

Thaynan Ferreira
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
26 visualizações2 páginas

Arquipélago de Qih: Flora, Fauna e Cultura

Enviado por

Thaynan Ferreira
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Em meio ao Oceano Pacífico, há — entre os Estados Unidos e o Japão

— uma cadeia verdadeiramente ciclópica de ilhas. Por séculos imemoriáveis,


ela permaneceu oculta — devido a tempestades e nevoeiros intermináveis que
a circundam — dos olhos do homem da indústria. Ela é o Arquipélago de Qih.
Neste relatório, descreverei minhas vivências nele; sua flora, fauna, geologia e
cultura.
O Arquipélago de Qih — cujo nome deriva de seu povo nativo, os qih —
é composto por regiões rochosas altamente erodidas e selvas tropicais úmidas
e biodiversas, que são dividas em três grandes ilhas: Insula Pater, Insula Mater
e Insula Animus.
Na Insula Pater, o solo é vulcânico, teoricamente fértil; as formações
rochosas são absolutamente incomuns, e sua aparência traz inquietação ao
coração de qualquer homem que se preze – é como se os ventos esculpissem-
nas com intenção, deixando-as contorcidas, retorcidas, lisas, porosas; a flora é,
praticamente, não existente, mesmo com a presença de um solo, teoricamente,
fecundo; e toda a fauna parece evitar o lugar, como se ele fosse maldito. Tudo
isso torna a Insula Pater um lugar de puro silêncio – estranho, profundo,
silêncio. Nela, jaz um grande vulcão ativo, chamado, pelos nativos, de "Urgat
Gōm" ("O Pai", "O Patriarca", em tradução livre). Antes de finalizar com esta
ilha, devo ressaltar que, no tocante à flora, há, por mais incrível que pareça,
uma espécie neste ermo inóspito. É uma planta pequena, dura, seca e
retorcida, que parece estar morta. Estranhamente, ela produz uma seiva muito
parecida com o mel de abelhas. Ela é usada em rituais obscuros dos nativos.
A Insula Mater possui a maior densidade populacional, tanto entre o
povo qih quanto entre nós. Há um grande centro portuário estadunidense,
Safeharbour, uma cidade cosmopolita, rapidamente industrializada, altamente
desenvolvida, avançada, evoluída; há, também, o maior vilarejo qih: Synōk,
onde o povo é comandado por mulheres-oráculo sinistras. A flora é tropical,
densa, extremamente densa, sombria — infernal. É como se a selva fosse um
organismo único e vivo com seus ruídos cacofônicos. O relevo é
majoritariamente plano, com alguns rios de planalto aqui e ali. Os qih acreditam
que eles são filhos da selva em si, e realizam sacrifícios terríveis e orgias
satânicas para "Hôoyo" ("Matriarca"), que, aparentemente, é a "primeira" —
seja lá o que isso significa.
Agora, quanto à Insula Animus, não há muito a se dizer. Os nativos
evitam-na, e não há acessos para lá. De longe, parece uma encosta galesa:
um planalto sombrio repleto de névoa e carente de vida; pedras, rochas e nada
mais. A única coisa de destaque que se pode dizer é que a nascente do Rio
"Hgo Ùm” está lá, em algum lugar não especificado.
De tudo que já expus, este é o aspecto mais assombroso deste rincão
esquecido por Deus: o Arquipélago, com suas três ilhas, forma uma
circunferência quase perfeita ao redor de uma fossa abissal maciça — não, d'A
fossa abissal, d'A Profundeza. Um lugar sem fundo que alcança as entranhas
deste mundo. E, lá, em 1946, encontraram o mineral mais precioso, poderoso e
perigoso do mundo. E, por ele, uma guerra verdadeiramente genocida foi
travada. E trouxemos o inferno às Ilhas.
— Zeng Hong, 1946. Excerto de "O Arquipélago Qih: Sua Geografia e Seu
Povo Antes da Guerra".

Você também pode gostar