Improbidade
Administrativa
TÓPICOS E SPE CIAIS II – 2023.1
F RANCISCO WILLIAN BRITO BE ZE RRA II
I - Considerações Introdutórias
1. Noções de Patrimônio Público:
◦ Lei 7.347/1985 (Lei da Ação Popular): Art. 1º, §1º
◦ Conjunto de bens e interesses de valor econômico, artístico, estético,
histórico ou turístico pertencentes à União, DF, Estados, Municípios e aos
respectivos órgãos e entes da Administração Pública direta ou indireta
◦ Erário: parcela com valor econômico, recursos públicos provenientes de
atividades fiscalizatórias, exploração de atividade econômica, tratado também
como cofres ou recursos em espécie.
I - Considerações Introdutórias
2. Fontes:
◦ Convenção Interamericana de combate à corrupção: ratificada pelo brasil
em 2002;
◦ Convenção da OCDE de combate à corrupção de funcionário público
estrangeiro;
◦ Destaque para a previsão de responsabilização da Pessoa Jurídica;
◦ Convenção de Mérida de Combate à Corrupção (ONU)
◦ Combate à lavagem de dinheiro; previsão da colaboração premiada; compromisso de editar
normas de Compliance na Administração Pública;
◦ Ratificada pelo Brasil em 2006.
I - Considerações Introdutórias
2. Fontes:
◦ Constituição Federal de 1988:
◦ Art. 5º, LXXIII;
◦ Art. 14, §9º -> Inelegibilidade;
◦ Art. 15, V -> cassação de direitos políticos;
◦ Art. 37, §4º -> Moralidade pública;
◦ Art. 129, §3º -> Atuação do MP no combate à Improbidade;
◦ Legislação Esparsa:
◦ Lei 8.429/1992 – Lei de Improbidade;
◦ Lei 12. 846/2013 – Lei Anticorrupção
◦ Lei de ação Civil Pública; Lei da Ação Popular; Lei de Licitações, LC 101, etc)
I - Considerações Introdutórias
3. Natureza Jurídica:
◦ Entende-se majoritariamente se tratar de ilícito de natureza civil;
◦ Art. 37, §4º, CF/88 determina a imposição de sanções, “sem prejuízo da ação penal
cabível”
4. Histórico no Brasil de repressão à Improbidade
◦ Lei 3.164/1957 – Lei Pitombo-Godói
◦ Lei 3.502/1958 – Lei Bilac Pinto
◦ Lei 8.429/1992 – Lei de Improbidade Administrativa (LIA)
◦ Deixou de combater apenas o enriquecimento ilícito e acrescentou casos de prejuízo
ao erário e de atentado aos princípios da administração pública, bem como enumera
sanções gradativas
I - Considerações Introdutórias
5. Lei 14.230/2021
◦ Alterações significativas na LIA;
◦ 26/10/2021 – Entrada em vigor.
◦ Retroatividade:
◦ Regra: Irretroativa por ser direito sancionador;
◦ Exceção: Retroage nos casos em que for mais benéfica ao Réu
◦ IMPORTANTE! ARE 843989 STF: A revogação da modalidade culposa não retroage para os
casos em que já houve trânsito em julgado, mesmo que em fase de execução. (Tema 1199
Repercussão Geral)
I - Considerações Introdutórias
5. Lei 14.230/2021
◦ ADI 7042 e 7043 - Transitadas em julgado
◦ “declarar a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei 14.230/2021; e, em consequência, declararam a
constitucionalidade: (a) do § 14 do art. 17 da Lei 8.429/1992, incluído pela Lei 14.230/2021; e (b) do art. 4º,
X, da Lei 14.230/2021”.
◦ ADI 7236 – Liminar – Suspensão dos dispositivos
◦ Art. 1º, §8º - não é improbidade ato decorrente de divergência interpretativa
◦ Art. 12, §§1º e 10 – afeta apenas cargo da época da improbidade, a contagem retroage à decisão colegiada;
◦ Art. 17-B, §3º - oitiva obrigatória do Tribunal de Contas (limitação de atividade fim do MP)
◦ Art. 21, §4º - absolvição penal como fato impeditivo à responsabilização pela improbidade.
I - Considerações Introdutórias
5. Conceito:
◦ Improbidade administrativa é toda ação ou omissão dolosa do agente
público, desleal ou inepta, que promove dano ao Erário, enriquecimento
ilícito ou lesão a princípio da Administração pública
II – Sujeito Passivo
•Art. 1º, caput e §§5º a 7º, LIA;
• Primário
• § 5º Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de
suas funções e a integridade do patrimônio público e social dos Poderes Executivo, Legislativo
e Judiciário, bem como da administração direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados,
dos Municípios e do Distrito Federal.
• § 6º Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de
entidade privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes
públicos ou governamentais, previstos no § 5º deste artigo.
• Secundário
• § 7º Independentemente de integrar a administração indireta, estão sujeitos às sanções desta
Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada para cuja
criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita
atual, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a
contribuição dos cofres públicos.
III – Sujeito Ativo
•Art. 2º: Agente Público (interpretação ampla):
oSujeito ativo primário;
oAinda que provisoriamente;
oMesmo que sem remuneração;
oPor nomeação, eleição (STF, salvo presidente da república), designação, contratação ou
qualquer forma de investidura no cargo, emprego ou função;
oArt. 3º: Aquele que não sendo agente público, concorrer com o agente ou o
induza à prática do AIA
oSujeito ativo secundário;
oPessoas Jurídicas também se enquadram no conceito.
o Não de Pune PJ se ela for punível pela Lei 12.846/2013 (lei anticorrupção).
Agentes políticos
Efetivos ou temporários
Perspectiva funcional Servidores públicos
Estatutários ou CLT
Particulares em
colaboração
Sujeito Ativo
Agente público (agente
primário)
Vinculados à entidade
privada criada ou
custeada ainda que
parcialmente pela ADM
Perspectiva patrimonial
Vinculado a entidade
privada que receba
Indutor subvenção, incentivo ou
benefício fiscal
Terceiro (agente
Concorrente
secundário)
Beneficiário
III – Sujeito Ativo
•STJ:
• Não existe litisconsórcio passivo necessário para punição de sujeito ativo
primário.
• Para punir o sujeito ativo secundário, é necessário o litisconsórcio com pelo
menos um sujeito ativo primário.
• Dirigente de entidade privada que gerencia recurso público equipara-se a
agente público.
• Médico que no momento estiver atuando como agente privado que cobra
seus honorários, mesmo que tenha vínculo com o SUS e operando em
hospital conveniado ao SUS, não responderá por improbidade.
• Estagiário é agente público para fins da LIA.
III – Sujeito Ativo
•Responsabilidade sucessória (art. 8º e 8º-A):
• Art. 8º O sucessor ou o herdeiro daquele que causar dano ao erário ou
que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos apenas à obrigação de
repará-lo até o limite do valor da herança ou do patrimônio transferido.
• Art. 8º-A A responsabilidade sucessória de que trata o art. 8º desta Lei
aplica-se também na hipótese de alteração contratual, de
transformação, de incorporação, de fusão ou de cisão societária.
• restrita à obrigação de reparação integral do dano causado,
• até o limite do patrimônio transferido,
• não lhe sendo aplicáveis as demais sanções
• exceto no caso de simulação ou de evidente intuito de fraude, devidamente
comprovados.
IV – Modalidades de Improbidade
•Art. 1º, §1º criou três modalidade de improbidade:
• Art. 9º: Enriquecimento Ilícito;
• Art. 10: Lesão ao Erário;
• Art. 11: Ofensa aos princípios da Adm. Pública;
•Art. 1º, §2º - exigência de dolo específico
• STF: Vontade de praticar conduta típica, adicionada de especial finalidade.
•Art. 1º, §3º - exigência de comprovação do dolo específico
IV – Modalidades de Improbidade
1. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
• É a modalidade mais grave;
• Denota também ato criminoso como corrupção;
• Exige:
• Ação Ilícita (“indevida”) – não admite omissão;
• Auferir qualquer vantagem patrimonial;
• Em razão do cargo que ocupa (nexo de causalidade)
• Cargo, mandato, função, emprego, etc.
• Dolosamente;
IV – Modalidades de Improbidade
1. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
• OBS: O ganho patrimonial pode ser tanto uma pretensão positiva
(acréscimo de recursos), quanto negativa (economia de recursos);
• CUIDADO! Não se exige o dano ao erário, tendo em vista que o prejuízo do
poder público não é elementar do tipo, podendo haver enriquecimento
sem prejuízo.
IV – Modalidades de Improbidade
1. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
• Condutas exemplificativas:
• Verbos:
• Receber;
• Perceber;
• Utilizar;
• Adquirir;
• Aceitar;
• Incorporar;
• Usar.
IV – Modalidades de Improbidade
2. ATOS LESIVOS AO ERÁRIO
• Art. 10: caput (descrição genérica); incisos (rol exemplificativo de condutas);
• Ação ou omissão;
• Enseje perda de patrimonial: desvio, apropriação, malbaratamento, ou
dilapidação dos bens ou haveres do sujeito passivo;
• Verbos:
• Facilitar; • Conceder; • Liberar;
• Permitir; • Frustrar; • Celebrar.
• Doar; • Ordenar;
• Realizar; • Agir;
IV – Modalidades de Improbidade
2. ATOS LESIVOS AO ERÁRIO
• Posição do anterior do STJ: deve-se provar o dano, podendo presumi-lo
em situações específicas como no fracionamento indevido de objeto de
licitação para garantir dispensa indevida.
• A lei afasta essa possibilidade do dano in re ipsa (art. 10, VIII)
• Art. 10 §1º Nos casos em que a inobservância de formalidades legais ou regulamentares
não implicar perda patrimonial efetiva, não ocorrerá imposição de ressarcimento,
vedado o enriquecimento sem causa das entidades referidas no art. 1º desta Lei.
• § 2º A mera perda patrimonial decorrente da atividade econômica não acarretará
improbidade administrativa, salvo se comprovado ato doloso praticado com essa
finalidade.
IV – Modalidades de Improbidade
3. Atos ofensivos aos princípios da Adm. Pública
• Art. 11;
• Inovação trazida pela LIA;
• ROL TAXATIVO; (art. 11, §3º)
• Demanda o nexo causal entre dano e função ou cargo do agente.
• Exige o Dolo específico (Art. 11, §1º) fim de obter proveito ou benefício
indevido para si ou para outra pessoa ou entidade
• Aplicável todas as modalidade (art. 11, §2º)
• § 4º Os atos de improbidade de que trata este artigo exigem lesividade
relevante ao bem jurídico tutelado para serem passíveis de sancionamento e
independem do reconhecimento da produção de danos ao erário e de
enriquecimento ilícito dos agentes públicos.
• § 5º Não se configurará improbidade a mera nomeação ou indicação política
por parte dos detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de
dolo com finalidade ilícita por parte do agente.
IV – Modalidades de Improbidade
I - (revogado);
II - (revogado);
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo, propiciando beneficiamento por
informação privilegiada ou colocando em risco a segurança da sociedade e do Estado;
IV - negar publicidade aos atos oficiais, exceto em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado ou de outras hipóteses
instituídas em lei;
V - frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter concorrencial de concurso público, de chamamento ou de procedimento licitatório, com vistas à
obtenção de benefício próprio, direto ou indireto, ou de terceiros;
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, desde que disponha das condições para isso, com vistas a ocultar irregularidades;
VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de
afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço.
VIII - descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades
privadas.
IX - (revogado);
X - transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços na área de saúde sem a prévia celebração de contrato, convênio ou
instrumento congênere, nos termos do parágrafo único do
X - (revogado);
XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou,
ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas;
XII - praticar, no âmbito da administração pública e com recursos do erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição
Federal, de forma a promover inequívoco enaltecimento do agente público e personalização de atos, de programas, de obras, de serviços ou de
campanhas dos órgãos públicos.
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
A. Perda dos valores ou bens acrescidos ilicitamente:
• Não é uma sanção propriamente dita, mas uma tentativa de recompor o status
quo ante – tem base no enriquecimento sem causa – ART. 18 – se reverte em
favor da PJ vítima do AIA;
• Previsto apenas nos casos doas art. 9º (enriquecimento do próprio agente) e 10
(valores e bens acrescidos a terceiros);
• Não há que se falar no art. 11 por sua natureza residual, se houve
enriquecimento ou dano, não se aplica esta modalidade;
• OBS: pode ser acumulado com a sanção de ressarcimento do dano, tendo em
vista que o enriquecimento não pressupõe necessariamente o dano. Ex.: Devolver
o valor recebido a título de propina e ressarcir o bem ou valor desviado com o ato
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
A. Perda dos valores ou bens acrescidos ilicitamente:
• Alcance objetivo:
• IMPORTANTE: o perdimento de bens poderá alcançar os bens ou valores e seus frutos, mas não
alcançará bens e valores presentes no patrimônio do agente antes do ato de improbidade;
• Cuidado! Não se encontrando os bens e valores, poderá haver conversão em ação de
indenização, que, então, poderá alcançar os bens anteriores ao ato ímprobo.
• Alcance subjetivo:
• O agente público;
• Partícipe;
• Beneficiário;
• Herança.
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
B. Ressarcimento Integral do Dano:
• Mais uma vez a doutrina critica informando não se tratar de sanção em sentido estrito,
mas de reparação de danos à PJ vítima do AIA;
• Previsto como consequência dos atos tipificados nos art. 9º, 10 e 11;
• IMPORTANTE: as indenizações não são apenas pelos danos materiais, podendo, assim, alcançar os
princípios da ADM.
• IMPORTANTE! Em regra se fala em ressarcimento integral, mas para Pessoas Jurídicas de Direito
Privado que recebem auxílio econômico/financeiro do poder público, este valor será limitado ao
valore recebido da ADM.
• O alcance subjetivo é o mesmo da situação da perda de bens e valores.
• OBS: Art. 12, § 6º Se ocorrer lesão ao patrimônio público, a reparação do dano a que se
refere esta Lei deverá deduzir o ressarcimento ocorrido nas instâncias criminal, civil e
administrativa que tiver por objeto os mesmos fatos.
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
C. Suspensão dos Direitos Políticos:
• É sanção em sentido estrito, considerada gravíssima;
• Existe uma gradação segundo o tipo de improbidade:
• Art. 9º: até 14 anos;
• Art. 10: até 12 anos;
• Não é considerado efeito automático, devendo estar previsto expressamente na
sentença.
• OBS: Suspenso pela ADI 7236
• § 10. Para efeitos de contagem do prazo da sanção de suspensão dos direitos políticos,
computar-se-á retroativamente o intervalo de tempo entre a decisão colegiada e o trânsito
em julgado da sentença condenatória.
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
D. Multa Civil:
• É sanção em sentido estrito;
• Trata-se de sanção pecuniária, independente do dever de ressarcir ou indenizar, com
intuito de desestimular a prática do AIA;
• Deverá ser calculada de forma proporcional à gravidade do ato.
• O Alcance objetivo é o mesmo do ressarcimento ou devolução de bens e valores;
• Alcance subjetivo também é o mesmo – REsp 951.389/STJ;
• OBS: mas não alcança a herança no caso do art. 11.
• Tem natureza real e não pessoal;
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
D. Multa Civil:
• Também tem uma gradação conforme a gravidade do ato:
• Art. 9º: Até o limite da vantagem percebida;
• Art. 10: Até o valor do dano causado;
• Art. 11: Até 24 x a remuneração;
• Art. 12,
• § 2º A multa pode ser aumentada até o dobro, se o juiz considerar que, em virtude da situação
econômica do réu, o valor calculado na forma dos incisos I, II e III do caput deste artigo é ineficaz para
reprovação e prevenção do ato de improbidade.
• § 3º Na responsabilização da pessoa jurídica, deverão ser considerados os efeitos econômicos e
sociais das sanções, de modo a viabilizar a manutenção de suas atividades.
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
E. Perda da Função Pública:
• Também uma pena em sentido estrito;
• Retira dos quadros do funcionalismo aquele que não tem condições morais e éticas
para compor a Adm.
• Não é mais cabível em todas as modalidades, mas apenas no enriquecimento ilícito e
dano ao erário;
• Só produz efeito após o trânsito em julgado
• IMPORTANTE: mudança de entendimento: STJ entendia que alcançava qualquer
função pública, independente de ter havido mudança. Jurisprudência mais recente da
1ª Turma entende que só alcança a função ocupada para a realização do ato improbo.
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
E. Perda da Função Pública:
• Alcança a perda de aposentadoria? Duas correntes
• 1ª corrente: caberia, tendo em vista que a aposentadoria representa continuação da relação
do agente com a ADM – STF ARE1.321.655.
• 2ª corrente: não cabe, tendo em vista que houve extinção do vínculo existente entre Adm. E
o agente, a aposentadoria tem outra natureza jurídica, além de não estar prevista na LIA. É a
corrente majoritária e prevalente no STJ, inclusive não alcança seque o agente que pede
aposentadoria antes do trânsito e julgado da sentença.
• A CF/88 exclui o Presidente da República do alcance desta sanção (cabe
impeachment), bem como deputados e senadores, já que a aplicação desta sanção é
privativa das mesas de suas respectivas casas.
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
E. Perda da Função Pública:
• IMPORTANTE
• Para deputados federais e senadores, importante lembrar que mesmo no caso de perda dos
direitos políticos, cabe ao poder judiciário comunicar a decisão às casas legislativas que,
respeitados a ampla defesa e contraditório, deverão decidir pela perda ou não do mandato
(art. 55, §3º CF/88). O mesmo se aplica para deputados estaduais.
• Cabe o perdimento do cargo para todos os demais cargos incluindo políticos
(prefeitos, vereadores, governadores), magistrados, membros do MP, Tribunais de
Contas – STJ REsp 1.191.613/MG.
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
2. Espécies de Sanções:
F. Proibição de Contratar ou receber benefícios fiscais ou financeiros:
◦ Alcança tanto o agente público como terceiros partícipes;
◦ Gradação:
◦ Art. 9º: Até 14 anos;
◦ Art. 10: Até 12 anos;
◦ Art. 11: Até 4 anos;
◦ § 4º Em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a sanção de proibição
de contratação com o poder público pode extrapolar o ente público lesado pelo ato de improbidade,
observados os impactos econômicos e sociais das sanções, de forma a preservar a função social da
pessoa jurídica, conforme disposto no § 3º deste artigo.
◦ § 8º A sanção de proibição de contratação com o poder público deverá constar do Cadastro Nacional
de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013,
observadas as limitações territoriais contidas em decisão judicial, conforme disposto no § 4º deste
artigo
V – SANÇÕES AOS AGENTES IMPROBOS
3. Considerações finais:
◦ Art. 12,
◦ § 5º No caso de atos de menor ofensa aos bens jurídicos tutelados por esta Lei, a
sanção limitar-se-á à aplicação de multa, sem prejuízo do ressarcimento do dano e da
perda dos valores obtidos, quando for o caso, nos termos do caput deste artigo.
◦ § 7º As sanções aplicadas a pessoas jurídicas com base nesta Lei e na Lei nº 12.846, de
1º de agosto de 2013, deverão observar o princípio constitucional do non bis in idem.
◦ § 9º As sanções previstas neste artigo somente poderão ser executadas após o trânsito
em julgado da sentença condenatória.
VI – APLICAÇÃO DAS SANÇÕES
• Parâmetros previstos na própria LIA: gravidade, extensão do dano, proveito
patrimonial obtido;
• Parte da doutrina (José dos Santos Carvalho Filho) defende a aplicação do
art. 59 do CP;
• Matheus Carvalho defende a aplicação do art. 7º da Lei anticorrupção
(colaboração, grau de culpa, efeitos, etc.)
• Não é obrigatória a aplicação de todas as sanções ao mesmo tempo;
• É vedado ao juiz aplicar pena abaixo do mínimo legal previsto;
• STJ entende que, quando da condenação à reparação do dano, é necessária
a aplicação de pelo menos mais uma sanção em sentido estrito.
VII – Procedimento
• Art. 17 e seguintes;
• ADIs 7042 e 7043 –
• Inconstitucionalidade parcial dos §§6º-A e 10-C do art. 17 -> legitimidade para
propor a demanda não é apenas do MP.
• Reestabeleceu a legitimidade do sujeito passivo.
• Inconstitucionalidade do art. 17, §20 – é possível a defesa do administrador
pela advocacia pública, mas não é obrigatória.
VII – Procedimento
• Aplicação subsidiária do CPP, inclusive quanto a aplicação de medidas cautelares;
• Ampla defesa e contraditório;
• O silêncio não presume culpa. (art. 17, §18)
• Art. 17, §10-F – nulidade da sentença
• Condenar por capitulação diferente da realizada na inicial.
• Não houver a produção das provas pedidas pelo réu licitamente.
• § 19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa:
◦ I - a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia;
◦ II - a imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março
de 2015 (Código de Processo Civil);
◦ III - o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato, competindo ao
Conselho Nacional do Ministério Público dirimir conflitos de atribuições entre membros de Ministérios
Públicos distintos;
◦ IV - o reexame obrigatório da sentença de improcedência ou de extinção sem resolução de mérito.
VII – Procedimento
• Aplicação subsidiária do CPP, inclusive quanto a aplicação de medidas cautelares;
• Ampla defesa e contraditório;
• O silêncio não presume culpa. (art. 17, §18)
• Art. 17, §10-F – nulidade da sentença
• Condenar por capitulação diferente da realizada na inicial.
• Não houver a produção das provas pedidas pelo réu licitamente.
• § 19. Não se aplicam na ação de improbidade administrativa:
◦ I - a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor em caso de revelia;
◦ II - a imposição de ônus da prova ao réu, na forma dos §§ 1º e 2º do art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março
de 2015 (Código de Processo Civil);
◦ III - o ajuizamento de mais de uma ação de improbidade administrativa pelo mesmo fato, competindo ao
Conselho Nacional do Ministério Público dirimir conflitos de atribuições entre membros de Ministérios
Públicos distintos;
◦ IV - o reexame obrigatório da sentença de improcedência ou de extinção sem resolução de mérito.
VIII – Acordo de Não Persecução Cível
• Art. 17-B
• Competência: MP (lei) e Sujeito Passivo da improbidade (STF);
• Resultados esperados:
• o integral ressarcimento do dano
• a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes
privados.
• Requisitos cumulativos :
• oitiva do ente federativo lesado;
• aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão do Ministério Público competente para
apreciar as promoções de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação;
• homologação judicial.
VIII – Acordo de Não Persecução Cível
• Prazo: desde as investigações até a fase de execução das penas (§4º);
• Demanda presença de defesa técnica (§5º);
• O descumprimento acarreta na vedação de nova celebração de acordo pelo prazo de 5
anos.
VIII – Prescrição
• Art. 23;
• 8 anos contados do ato de improbidade ou da cessação da permanência.
• Antes eram 5 anos contados do afastamento do cargo;
• A instauração do inquérito suspende o prazo por 180 dias.
• O inquérito tem prazo de 365 dias, com a possibilidade de uma renovação.
• Vencido o prazo, a ação deverá ser proposta em até 30 dias;
• Interrompe o prazo:
• Ajuizamento da ação;
• Publicação de sentença ou acórdão de condenação.
• Após interrompido, o prazo volta a correr pela metade.
• A prescrição beneficia a todos os réus;
• Poderá ser declarada de ofício pelo juiz, ouvido o MP.
IX – Indisponibilidade de bens
• Art. 16
• Pode ser antecedente ou incidente;
• Natureza jurídica
• STJ (antes da 14.230) – tutela de evidência;
• Doutrina após 14.230 – tutela de urgência.
• Exige a comprovação de fumus boni iuris e periculum in mora;
• Em regra demanda contraditório prévio
• O perigo não pode ser presumido;
• Em casos de relevante urgência poderá ser concedido inaudita altera pars.
IX – Indisponibilidade de bens
• Em caso de pluralidade de agentes, a soma dos bens sobre os quais recai
indisponibilidade não pode ultrapassar o total dos valores de enriquecimento ilícito ou
dano ao erário;
• Pode alcançar bens e valores que estão no exterior;
• Contra a decisão que a decretar, cabe agravo de instrumento;
• Não cabe indisponibilidade de bens para assegurar os valores referentes às multas;
IX – Indisponibilidade de bens
• §11: A ordem de indisponibilidade de bens deverá priorizar veículos de via terrestre,
bens imóveis, bens móveis em geral, semoventes, navios e aeronaves, ações e quotas de
sociedades simples e empresárias, pedras e metais preciosos e, apenas na inexistência
desses, o bloqueio de contas bancárias, de forma a garantir a subsistência do acusado
e a manutenção da atividade empresária ao longo do processo.
• Garantido o não bloqueio de valores de até 40 salários mínimos (§13) e bens de família (§14)
• O imóvel adquirido com valores decorrentes do ato de improbidade não recebe a
proteção do bem de família.