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Estudo Bíblico: Gênesis e Criação

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Estudo Bíblico

1. Qual é o assunto principal ?


2. Qual é a lição principal ?
3. Qual é o melhor versículo ?
4. Quem é o personagem principal ?
5. O que essa passagem ensina a respeito de Cristo ?
6. Essa passagem traz algum exemplo a seguir ?
7. Essa passagem menciona algum erro que devamos evitar ?
8. Ela apresenta algum dever que devamos cumprir ?
9. Há alguma promessa cujo devamos esperar ?
10. Há alguma oração que devamos imitar ?

Bíblia em um ano. A ideia é ler a Bíblia toda em um ano, priorizando e separando a


primeira parte do dia a Deus, sendo um momento devocional e dedicado ao
entendimento de cada passagem.

Gênesis 1, 2 e 3
⁃ Disse Deus: E assim foi feito. Eternidade da Palavra de Deus.
A criação não pode ser nem mesmo remotamente considerada uma emanação de Deus …
mas, é antes um produto de sua vontade pessoal”
Haja. A palavra de Deus tem o poder de trazer à existência o que não existia (Hb
11.3). A vontade de Deus é irresistível, realçada pelo imperativo divino.

Separação: Aparece 5x só no 1º Capítulo de Gênesis. Princípio Bíblico.


Justamente como Deus ordena que haja separação entre luz e escuridão, bem como
entre terra e mar, ele chama os israelitas a se separarem das nações pagãs.
Separação é o conceito fundamental tanto para a criação quanto para a existência de
Israel (Gn 3.15; 12.1; Lv 20.24; Nm 8.14).
separados [bāḏal]. Este termo denota a separação do que não se pertence, bem como a
separação dos componentes de uma tarefa particular. Luz e trevas – como águas acima
e abaixo do firmamento – não se pertencem e têm tarefas distintas.

Criados a imagem e semelhança de Deus: Emil Brunner diz: “A mais poderosa de todas
forças espirituais é a visão que o homem tem de si mesmo, a forma como ele entende
sua natureza e seu destino; de fato ela é uma força que determina todas as demais
que influenciam a vida humana”. Nosso ser e função provêm da imagem de Deus.
Somos feitos à imagem de Deus, porém somos apenas uma semelhança (1.26). Não somos
Deus.
Façamos = Elohim:
Façamos. O “haja” impessoal (ou seus equivalentes) dos sete atos criativos
anteriores é substituído pelo “façamos” pessoal. Somente na criação da humanidade é
anunciada de antemão a intenção divina. A fórmula “e assim se fez” é substituída
por uma bênção tríplice. Nestas formas, o narrador põe a humanidade mais perto de
Deus do que o restante da criação.

REFLEXÕES TEOLÓGICAS SOBRE O PRÓLOGO


Teologia Própria
A existência de Deus não é explicada, porém é axiomática e autoevidente (cf. Rm
1.19,20). Seu caráter emerge por meio de sua atividade íntima com a criação. A
transcendência de Deus é ecoada pela frase reiterada: “e assim Deus fez”. Todo o
relato é estruturado para comunicar a onipotência e transcendência de Deus.

O mal:
Embora o narrador não explique a existência das trevas ou do abismo que veio a ser
o mar, ele deixa claro que Deus o limita e o controla.
O estado pré-criado da terra com as trevas e o caos pressupõe que tudo quanto é
hostil à vida não é um resultado do pecado. Esta é a descoberta de Jó (Jó 38–41).
Jó é mistificado por toda sua experiência de sofrimento. A resposta de Deus é
deixar claro que tudo o que é negativo na criação, da perspectiva humana, não é o
resultado do pecado humano. As forças caóticas – mar, trevas e coisas parecidas –
são um mistério aos seres humanos.
Embora essas forças pareçam, por um instante, hostis à vida, os seres humanos ainda
podem confiar na benevolência do Criador, porque as forças malevolentes da criação
só operam dentro de suas restrições.

Criação por meio da Palavra


Visto que tudo existe por meio da palavra de Deus, não devemos pensar na criação
independentemente de Deus. A palavra de Deus é a força criativa e limítrofe da
vida. Justamente como Deus chama o mundo à existência, também chama Abraão e a
igreja à existência (Rm 4.17; Hb 11.3; 2Pe 3.5). Por meio da palavra de Deus, a
criação é jungida a Deus, e os produtos da criação jungidos entre si. Cristo, como
o Logos de Deus, ilustra isso poderosamente (Cl 1.15–17). Por meio de Cristo, o Pai
junge o povo ao Deus Triúno.

árvore do conhecimento do bem e do mal. Este conhecimento cria consciência ética,


como Adão e Eva mais tarde experimentam quando descobrem sua nudez, símbolo de sua
vulnerabilidade e capacidade de usar ou abusar do sexo. “Bem e mal” é um merisma de
todo o conhecimento moral: a capacidade de criar um sistema de ética e fazer
julgamentos morais. O conhecimento do bem e do mal representa sabedoria e
discernimento para decidir e agir “bem” (isto é, o que faz a vida progredir) e
“mal” (isto é, o que a obstrui). A menos que conheçamos tudo, só conhecemos
relativamente; a menos que conheçamos compreensivelmente, não podemos conhecer
absolutamente. Portanto, somente Deus no céu, que transcende o tempo e o espaço,
possui a prerrogativa de conhecer verdadeiramente o que é bom e mau para a vida.
Assim, a árvore representa conhecimento e poder de apropriar-se só de Deus (Gn
3.5,22).

para cuidar dele e cultivá-lo. O trabalho é dom de Deus, não um castigo pelo
pecado. Mesmo anterior à queda, a humanidade tem deveres a cumprir. Em outros
lugares no Pentateuco, esta expressão descreve somente a atividade dos sacerdotes.
O último termo inclui guardar o jardim contra a usurpação de Satanás (ver 3.1–5).

17. não coma dela … Esta proibição singular (cf. 1.29) confronta os humanos com a
norma do Criador. A árvore é boa, porém pertence exclusivamente a Deus. Pecado
consiste num alcance ilícito de incredulidade, uma afirmação da autonomia humana de
conhecer a moralidade à parte de Deus. A criatura deve viver pela fé na palavra de
Deus, não por uma auto-suficiência professa de conhecimento (Dt 8.3; Sl 19.7–9; Ez
28.6,15–17).

Certamente morrerá. O veredicto para a desobediência é a pena de morte (ver 20.7;


Êx 31.14; Lv 24.16). Embora a afirmação possa referir-se à morte física,
primariamente, o que está em vista é a morte espiritual, que acarreta a perda da
relação com Deus e entre si. Quando o homem e a mulher comem da árvore, destruíram
imediatamente a relação com Deus e entre si (ver 3.7–13). A morte física, um
julgamento adicional, é uma bênção indireta, o fim do sofrimento da vida e o início
do prospecto para a vida isentam do pecado e da morte

Cena 2: Dádiva do Matrimônio (2.18–23)


18. não é bom [lō’ ṭôḇ]. A frase lō’ ṭôḇ é altamente enfática. Essencialmente, é
ruim para Adão viver sozinho. Deus planeja o matrimônio, o qual acarreta intimidade
e relação sexual. O relacionamento é modelado segundo Deus que não existe em
isolamento, mas é uma triunidade, cercado por uma corte celestial.
auxiliadora [‛ēzer]. Deus cria a mulher para ajudar Adão, isto é, para honrar sua
vocação, partilhar de seu desfruto e para respeitar a proibição. A palavra auxiliar
pressupõe que o homem tem prioridade governamental, porém ambos os sexos são
mutuamente dependentes. O homem é criado primeiro, com a mulher a auxiliar o homem,
não vice-versa (ver também 1Tm 2.13); contudo, isso não significa superioridade ou
inferioridade ontológica. A palavra auxiliadora, usada por Deus 16 das 19 vezes que
aparecem no Antigo Testamento, significa a contribuição essencial da mulher, não
inadequação.
correspondente [negdô]. O hebraico significa “igual e adequado”. Homens e mulheres
diferem em sexualidade, porém são iguais como portadores da imagem divina e em sua
condição diante de Deus.
Por que Deus determina que não é bom que Adão esteja sozinho e então lhe dá
animais? Não deveria ter-lhe dado primeiramente a mulher? De fato, Adão deve
compreender que não é bom viver sozinho. Antes que esbanje seu dom mais precioso em
algo que não há como apreciar, Deus espera até que Adão esteja preparado para
apreciar a dádiva da mulher.

Por esta razão. Este aparte do narrador indica o arquétipo propósito da história.
Todo casamento é divinamente ordenado. A explicação inspirada almeja corrigir as
culturas que dão prioridade aos vínculos parentais acima dos vínculos maritais.
deixa. Visto que o esposo e a esposa são uma só carne, a união matrimonial tem
prioridade sobre a união procriativa. As obrigações do esposo para com sua esposa
têm precedência sobre outras prioridades.
uniu. Esta é a linguagem do compromisso pactual. O matrimônio descreve a relação de
Deus com seu povo (Os 2.14–23; Ef 5.22–32).
uma só carne. A intenção de Deus de que o casamento seja monógamo está implícita
pela unidade completa e profunda solidariedade da relação.
25. não sentiam vergonha. Nesse estado ideal, homem e mulher viam suas pessoas e
sexualidade com integridade, e por isso não sentiam vergonha em sua nudez. Aqui,
sua nudez é uma imagem de franqueza e confiança. Com a perda da inocência na queda,
sentirão vergonha e tentação, e por isso precisarão proteger sua vulnerabilidade
pelo obstáculo da roupa (3.7).

Ato 2: A Queda e Suas Conseqüências (3.1–24)


Cena 1: Tentação e Queda (3.1–7)
Ele é malevolente e mais sábio que os humanos, mantendo-os sob seu domínio. Ele
conhece os assuntos divinos (3.5) e usa o diálogo para introduzir confusão.
astuta [‛ārûm]. O jogo de palavras “despido” e “sagaz” (‛ārûm; em 2.25 e 3.1) liga
as duas cenas e chama a atenção para a dolorosa vulnerabilidade de Adão e Eva. A
astúcia de Satanás é vista em sua ardilosa distorção das palavras de Deus. Com
aparência sutil, o adversário fala como um teólogo angélico cativante.
tinha feito. A serpente não é uma figura mitológica, mas uma parte da história
real.
ela perguntou. Deus mune a humanidade de linguagem para subjugar a terra, para
trazer tudo sob seu domínio. A serpente perverte a linguagem, usando-a para trazer
confusão e atrair Adão e Eva ao seu controle.
Deus realmente disse … Satanás polidamente manobra Eva para o que pudesse parecer
uma discussão teológica sincera, porém subverte a obediência e distorce a
perspectiva ao enfatizar a proibição de Deus, não sua provisão, reduzindo a ordem
divina a uma questão: pondo em dúvida sua sinceridade, difamando seus motivos e
negando a fidedignidade de sua ameaça.
não coma de qualquer árvore. As acusações sutis da serpente às palavras de Deus
distorcem inteiramente a verdade. Ela quer que a palavra de Deus pareça dura e
restritiva.
podemos … ou vocês morrerão. Eva gradualmente cede às negações e meias-verdades da
serpente, depreciando seus privilégios, fazendo acréscimo à proibição e minimizando
a ameaça.
4. Certamente morrerão. Tentando remover os temores de Eva, a serpente contradiz a
palavra de Deus (2.17).
5. como Deus, conhecendo. A palavra hebraica para “conhecer” é yōḏē‛a, um
particípio plural masculino. O significado é ambíguo. De um lado, o plural pode ser
usado como uma forma honorífica para Deus, na qual a tradução apresentada é
legítima. Do outro, pode ser um plural computável, em cujo caso a tradução seria
“vocês serão como seres divinos, conhecedores do bem e do mal”. O último
significado é mais provável, visto que, depois de comerem o fruto proibido, o texto
diz sem ambigüidade: “se tornarão como um de nós, conhecedores do bem e do mal”
(lit., Gn 3.22). Em qualquer caso, a serpente faz com que Deus pareça estar
restringindo-os da humanidade plena.
A Forma do Pecado (3.6)
6. fruto … sabedoria. Eva toma a decisão de dar prioridade aos valores pragmáticos,
à aparência estética e aos desejos sexuais acima da palavra de Deus. Armstrong
afirma: “O que Adão e Eva buscaram na árvore do conhecimento não era conhecimento
filosófico ou científico tão desejado pelos gregos, mas conhecimento prático que
lhes daria bênção e satisfação”. Não estão buscando mais informação, mas fome de
poder que vem do conhecimento – conhecimento que tem o potencial para o mal termina
igualmente para o bem.
bom. À luz do capítulo 1, esta afirmação é seguramente irônica. Bom já não está
radicado no que Deus diz que intensifica a vida, mas no que a pessoa pensa ser
desejável para elevar a vida. Distorcem o que é bom para o que é mal.
sabedoria [haśkîl]. Esta é mais bem compreendida como “prudência” ou “competência”
(isto é, dar atenção a uma situação ameaçadora, ter a percepção de sua solução,
agir decisivamente e com isso efetuar sucesso e vida e impedir fracasso e morte).
ele comeu. O homem decide obedecer à sua esposa, não a Deus (ver 3.17).

A Forma das Conseqüências do Pecado (3.7)


7. os olhos de ambos se abriram. Ironicamente, seus olhos se abriram trazendo-lhes
vergonha. Este conhecimento do bem e do mal não é um estado neutro, maturidade
desejada ou um progresso da humanidade, como comumente se argumenta. Deus deseja
salvar os humanos de sua inclinação para a ética autônoma. Visto que Adão e Eva
obtiveram este estado pecaminoso, não devem comer da árvore da vida, e são
perenemente consignados ao estado de proibição como seres inclinados a escolher seu
próprio código de ética (Gn 3.22). À guisa de contraste, no reino de Deus alguém
escolhe conhecer a Deus e viver em conformidade com sua palavra (Dt 8.3).
nudez [‛ārûm]. Na Bíblia, ‛ārûm geralmente descreve alguém despido de roupa
protetora e “nu” no sentido de ser indefeso, fraco ou humilhado (Dt 28.48; Jó 1.21;
Is 58.7). Com o senso de culpa e a perda da inocência, o casal agora sente vergonha
em seu estado de nudez. Sua morte espiritual se revela por meio de sua alienação
recíproca, simbolizada pela confecção de folhas de figueira para servir de
obstáculos, e por sua separação de Deus, simbolizada por se esconderem por entre as
árvores.
7. folhas de figueira. Essas são folhas bastante fortes e largas para vestir-se.

Proto-Evangelho: Porei inimizade. Em sua graça soberana, Deus converte as


depravadas afeições da mulher por Satanás em desejo justo por ele [Deus].
entre sua descendência e o descendente dela. “Descendência” é a tradução de zera‛,
“semente”, que comumente é usada como figura para descendentes. Como faz o termo em
português, zera‛ pode referir-se a um descendente imediato (Gn 4.25; 15.3), um
descendente remoto, ou um grande grupo de descendentes. Aqui, e por toda a
Escritura, os três sentidos são desenvolvidos e incorporados. Nesse texto de
Gênesis, podemos inferir ambos os sentidos, singular e coletivo. Visto que a
semente da mulher luta contra a semente da serpente, inferimos que ela tem um
sentido coletivo. Visto, porém, que somente a cabeça da serpente é representada
como esmagada, esperamos um indivíduo que aplicará o golpe fatal e será ferido
unicamente em seu calcanhar.
A semente da serpente não é literal, como em serpentes pequenas, pois já ficou
estabelecido que a serpente é apenas um disfarce para um espírito celestial.
Tampouco a semente são demônios, pois tal interpretação não se ajusta ao contexto,
e Satanás não é pai dos demônios. Ao contrário, a semente da serpente se refere à
humanidade natural, a qual ele tem conduzido à rebelião contra Deus, e os réprobos
que amam a si mesmos (Jo 8.31,44; 1Jo 3.8). Cada um dos personagens do Gênesis será
ou da semente da mulher que reproduz sua inclinação espiritual, ou da semente da
serpente que reproduz sua incredulidade. A pergunta inexprimível para o leitor é:
“De qual semente é você?”
Este … você. Deus anuncia uma batalha de campeões, e haverá uma semente que vence
Satanás. Visto que o Adão natural fracassou, finalmente o descendente da mulher
viria a ser o Adão celestial e sua comunidade (ver Dn 7.13,14; Rm 5.12–19; 1Co
15.45–58; Hb 2.14; Ap 12).
Esmagará … ferirá [šup]. Ambas as palavras portuguesas traduzem a mesma raiz
hebraica. O paralelismo pressupõe que ambos os indivíduos são gravemente feridos.
Haveria luta, aflição e sofrimento para vencer-se esta batalha contra a serpente
(ver Is 53.12; Lc 24.26,46,47; Rm 16.20; 2Co 1.5–7; Cl 1.24; 1Pe 1.11). O juízo de
Deus revela que o sofrimento exerce uma parte sobre aqueles que se identificam com
a vitória de Deus contra a serpente. Como resultado, a moralidade não se confundirá
com prazer e recompensa. Adão e Eva devem servir a Deus movidos por um desejo de
retidão, não por um desejo de autogratificação, o qual originalmente guiou a este
lugar de juízo (ver Reflexões Teológicas).

À mulher. A mulher é frustrada em suas relações naturais íntimas no lar: parto


doloroso de filhos e insubordinação a seu esposo. O controle substitui a liberdade;
a coerção substitui a persuasão; a divisão substitui a multiplicação.
dores. O contexto indica que a dor física está em pauta aqui. Justamente como o
labutar do homem no solo resistente agora será muito difícil e doloroso; o labutar
da mulher na geração de filhos pode envolver grande penúria (cf. este conceito da
labuta dolorosa em Sl 127.2 e Pv 5.10).
dará à luz filhos. A imortalidade é substituída pela progênie, abrindo a porta à
história redentora. O privilégio de gerar e suscitar filhos pactuais salva as
mulheres da perda de sua liderança (1Tm 2.15).
desejo. A estrutura quiasmática da frase de termos pares “desejo” e “domínio”,
pressupondo que seu desejo será dominar. Esta interpretação de uma passagem ambígua
é validada pela mesma parelha no contexto não ambíguo de 4.7.
dominará. Ironicamente, o homem a dominará. Sua alienação recíproca é profundamente
ilustrada pela descrição que Deus faz dos poderes porfiantes, em lugar de amor e
carinho, que advirão. A liderança masculina, não a dominação feminina, foi assumida
na situação ideal e anterior à queda (ver 2.18–25; Reflexões Teológicas).
17. a Adão. Como se dá com os outros, o castigo de Deus se ajusta ao delito. Em
resposta ao pecado de Adão de comer, o discurso de Deus para Adão faz menção de
“comer” não menos de cinco vezes (3.17–19). Adão igualmente sofrerá dor e
frustração nas relações naturais.
solo. A relação natural do homem com o solo – o dominará – é revertido; em vez de
submeter-se a ele, o resistirá e eventualmente o deglutirá (ver Gn 2.7; Rm 8.20–
22). A ecologia da terra em parte depende da moralidade humana (Gn 4.12; 6.7; Lv
26; Dt 11.13–17; 28; Jl 1 e 2).
trabalho penoso. O narrador usa o mesmo termo usado para a angústia da mulher. O
trabalho em si é uma bênção do trabalho de Deus, não uma maldição (ver 2.15), mas
agora veio a ser maldito pela alienação da humanidade do solo que gera vida. A
humanidade nunca mais será sempre recompensada pelo árduo trabalho.
ao pó voltará. Ironicamente, transgredir as fronteiras divinamente ordenadas não
traz ao homem e à mulher a vida elevada que esperaram, mas, em vez disso, lhes traz
o caos e a morte. A morte física é tanto ruína quanto favor. Ela torna toda
atividade vã, porém livra os mortais da eterna consignação à maldição e abre
caminho à salvação eterna que sobrepuja ao túmulo.

Epílogo: Salvação Além da Queda (3.20–24)


20. deu o nome. À designação genérica de mulher, Adão adiciona um nome pessoal que
define o destino dela.
mãe de todo vivente. Ao dar-lhe Adão o nome de Eva, dá-se o início da esperança.
Adão revela sua restauração em relação a Deus crendo na promessa de que a mulher
fiel gerará o descendente que derrotará Satanás. Embora esta história esteja
saturada de morte – julgamento da serpente, dor do parto, conflito de vontades –,
um raio de esperança permanece na promessa de que a semente da mulher que nutre
inimizade para com a serpente derrotará a incorporação do mal.
e viva para sempre. Em seu fracasso, a humanidade não participaria da imortalidade.
A morte é tanto juízo quanto livramento.

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