INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE FONTE DO SABER
AFH
Depressores do SNC
Autores
Classe:11ª Fernando Muondo
Grupo: Fátima Paulo
Sala: 21 Glória José Ribeiro
Período: Manhã Jorge A. Daniel
Curso: Enfermagem geral Jucelina Teodoro Zua
Teodoro Cambo
André Manuel
Orientador
_____________________________
Malanje
1
INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE FONTE DO SABER
AFH
Depressores do SNC
Classe:11ª
Grupo:
Sala: 21
Período: Manhã
Curso: Enfermagem geral
Autores
Fernando Muondo
Fátima Paulo
Glória José Ribeiro Trabalho do Iºtrimestre do Instituto
Técnico Privado de Saúde Fonte Do
Jorge A. Daniel Saber como requisito para a disciplina de
Anatomia e Fisiologia Humana (AFH).
Jucelina Teodoro Zua
Teodoro Cambo
André Manuel
Orientador
_____________________________
Malanje
2
Introdução
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o termo drogas de abuso
(DA) pode ser definido como um tipo de substância natural ou sintética que quando
ingerida é capaz de modificar uma ou várias funções fisiológicas, sendo elas ilícitas ou
não, suscetíveis a provocar dependência e/ou tolerância¹. As Drogas Depressoras do
SNC são substâncias que diminuem a atividade do cérebro, fazendo com que esse
sistema passe a funcionar lentamente, o seu principal efeito é de diminuir a atividade
neuronal, afetando inicialmente as sinapses cerebrais, podendo levar a satisfação e
euforia no primeiro estágio.
O bem-estar que é promovido acarreta a uma diminuição intensa da atividade do
organismo, tanto física quanto psiquíca. As drogas que estão sendo abordadas neste
trabalho são álcool e opióides. Estas drogas são classificadas lícitas em nosso país, mas
se tornam ilícitas no uso indiscriminado. O uso indiscriminado destas substâncias leva a
dependência, caracterizado por transtorno psicológico e físico causando alterações
comportamentais o que caracteriza o abuso ou o excesso como a origem do problema.
Assim, a relação entre sujeito e a droga configura uma doença, cujo grau é dado pela
sua intensidade ou pela sua predominância de uso
As complicações do uso de drogas não se restringem apenas à gestantes, mas
também ao feto, pois essas substâncias são transferidas ao feto pela barreira placentária
e hematoencefálica (BHE) sem metabolização prévia, atuando principalmente sobre o
SNC, causando déficits cognitivos ao recém-nascido, malformações, síndromes de
abstinência, dentre outros6-7 . 2.
Objetivos
O objetivo geral deste trabalho é descrever os principais mecanismos
toxicológicos das drogas de abuso depressoras do SNC.
Metodologia
Foi realizada revisão sistemática da bibliografia de artigos científicos indexados
nos bancos de dados, Google acadêmico, Scielo, PubMed e dados da Organização
Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas (ONU), nos idiomas
português e inglês; artigos completos; sem um limite temporal, mas priorizando estudos
dos últimos 10 (Dez) anos.
3
Resumo
As Drogas Depressoras do Sistema Nervoso Central (SNC), tais como álcool,
benzodiazepínicos, inalantes e opióides são substâncias que induzem a diminuição da
atividade cerebral. O uso indiscriminado dessas substâncias pode causar dependência ou
tolerância, considerada um transtorno mental, onde o portador perde o controle quanto
ao consumo da substância prejudicando suas funções fisiológicas, bem como o estado
físico, psíquicas e emocionais, quando essa dependência se refere a gestantes é ainda
mais grave. Infelizmente no Brasil há poucos estudos epidemiológicos sobre consumo
de drogas durante gestação, mesmo este sendo um grave problema de saúde pública, já
que seu consumo interfere no desenvolvimento fetal trazendo alterações neurológicas,
malformações, uma vez que pode ser facilmente ultrapassada pela barreira placentária.
Desta forma, foi objetivo descrever os principais mecanismos toxicológicos das drogas
de abuso depressoras do SNC através da revisão da literatura.
Palavras-chave: drogas de abuso; álcool; opióides; Psicotrópicos; Prevenção.
4
Fundamentação Teórica
1. Conceitos e definição de drogas psicotrópicas
Todo mundo já tem uma idéia do significado da palavra droga. Em linguagem
comum, de todo o dia (“Ah, mas que droga” ou “logo agora, droga...”, ou ainda, “esta
droga não vale nada!”), droga tem um significado de coisa ruim, sem qualidade. Já em
linguagem médica, droga é quase sinônimo de medicamento. Dá até para pensar porque
uma palavra designada para apontar uma coisa boa (medicamento, afinal este serve para
curar doenças), na boca do povo tem um significado tão diferente.
O termo droga teve origem na palavra droog (holandês antigo) que significa
folha seca; isso porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base de
vegetais.
Atualmente, a medicina define droga como qualquer substância capaz de
modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de
comportamento. Por exemplo, uma substância ingerida contrai os vasos sangüíneos
(modifica a função) e a pessoa passa a ter um aumento de pressão arterial (mudança na
fisiologia). Outro exemplo, uma substância faz com que as células do nosso cérebro (os
chamados neurônios) fiquem mais ativas, “disparem” mais (modificam a função) e,
como conseqüência, a pessoa fica mais acordada, perdendo o sono (mudança
comportamental).Efeitos que as drogas psicotrópicas causam à saúde
Mais complicada é a seguinte palavra: psicotrópico. Percebe-se claramente que é
composta de duas outras: psico e trópico. Psico é fácil de se entender, pois é uma
palavrinha grega que se relaciona a nosso psiquismo (o que sentimos, fazemos e
pensamos, enfim, o que cada um é). Mas trópico não é, como alguns podem pensar,
referente a trópicos, clima tropical e, portanto, nada tem a ver com uso de drogas na
praia! A palavra trópica, aqui, se relaciona com o termo tropismo, que significa ter
atração por. Então, psicotrópico significa atração pelo psiquismo, e drogas psicotrópicas
são aquelas que atuam sobre nosso cérebro, alterando de alguma maneira nosso
psiquismo.
Então, podemos definir droga como qualquer substância capaz de modificar a
função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de
comportamento.
5
Drogas Psicotrópicas ou Substâncias Psicoativas, são substâncias que atuam
sobre o Sistema Nervoso Central no cérebro, alterando de alguma maneira o psiquismo.
2. Efeitos das drogas psicotrópicas à saúde
Essas alterações do psiquismo não são sempre no mesmo sentido e direção.
Obviamente, dependerão do tipo de droga psicotrópica ingerida. E quais são esses tipos?
Um primeiro grupo é aquele em que as drogas diminuem a atividade de nosso
cérebro, ou seja, deprimem seu funcionamento, o que significa dizer que a pessoa que
faz uso desse tipo de droga fica “desligada”, “devagar”, desinteressada pelas coisas. Por
isso, essas drogas são chamadas de Depressoras da Atividade do Sistema Nervoso
Central, é a parte que fica dentro da caixa craniana; o cérebro é o principal órgão. Em
um segundo grupo de drogas psicotrópicas estão aquelas que atuam por aumentar a
atividade de nosso cérebro, ou seja, estimulam o funcionamento fazendo com que o
usuário fique “ligado”, “elétrico”, sem sono.
Por isso, essas drogas recebem a denominação de Estimulantes da Atividade do
Sistema Nervoso Central. Finalmente, há um terceiro grupo, constituído por aquelas
drogas que agem modificando qualitativamente a atividade de nosso cérebro; não se
trata, portanto, de mudanças quantitativas, como aumentar ou diminuir a atividade
cerebral. Aqui a 8 mudança é de qualidade! O cérebro passa a funcionar fora de seu
normal, e a pessoa fica com a mente perturbada. Por essa razão esse terceiro grupo de
drogas recebe o nome de Perturbadores da Atividade do Sistema Nervoso Central.
Resumindo, então, as drogas psicotrópicas podem ser classificadas em três
grupos, de acordo com a atividade que exercem em nosso cérebro:
1 Depressores da Atividade do SNC.
2 Estimulantes da Atividade do SNC.
3 Perturbadores da Atividade do SNC.
Essa é uma classificação feita por cientistas franceses e tem a grande vantagem
de não complicar as coisas, com a utilização de palavras difíceis, como geralmente
acontece em medicina. Mas se alguém achar que palavras complicadas, de origem grega
ou latina, tornam a coisa mais séria ou científica (o que é uma grande besteira!), a seguir
estão algumas palavras sinônimas:
6
1. Depressores - também podem ser chamadas de psicolépticos.
2. Estimulantes - também recebem o nome de psicoanalépticos, noanalépticos,
timolépticos etc.
3. Perturbadores - também chamados de psicoticomiméticos, psicodélicos,
alucinógenos, psicometamórficos etc.
3. Modalidades das grogas psicotrópicas
Existem duas modalidades de drogas depressoras, que são:
3.1 Drogas depressoras de uso médico
Em algumas circunstâncias, essas substâncias podem trazer muitos benefícios,
principalmente quando usada como utilidade terapêutica. Assim sendo, as drogas
depressoras do sistema nervoso central são consideradas legais e, por isso, permitidas
para tratamento médico.
Como já referido, um ótimo exemplo é a morfina. Usada pela medicina há
séculos, ela é um potente analgésico, cuja função é aliviar sintomas relacionados a
crises de dores agudas ou crônicas. Muitas vezes, ela é indicada até para controle da dor
do câncer.
Explicando melhor, as dores agudas são aquelas que surgem repentinamente,
geram muito desconforto e precisam ser logo resolvidas. Já a dor crônica também pode
ser aliviada pela morfina, principalmente em tratamentos de pacientes que passaram por
grandes cirurgias.
3.1.1. O álcool
Existem outros tipos de drogas depressoras que, mesmo sendo legais, trazem
muito risco aos usuários. O melhor exemplo é o álcool. Como nos casos dos
medicamentos, a “dosagem” também é um fator elementar e determinante dos efeitos
sobre o cérebro e os demais órgãos do corpo.
Mesmo que haja controvérsia, o consumo moderado de álcool pode até gerar
efeitos positivos. Ou, ao menos, não causar prejuízos ao organismo. Mas enquanto a
ciência não comprovar tal hipótese, o ideal é evitar o consumo exagerado dessa
substância.
7
Em linhas gerais, o consumo excessivo de álcool pode ser muito prejudicial,
tanto no âmbito mental quanto físico. Um dos problemas físicos mais comuns são os
danos às funções do fígado, por exemplo. Se o usuário apresentar predisposição para o
problema, há o risco elevado de causar dependência e levar ao alcoolismo.
3.2. Drogas depressoras não recomendadas
Existem ainda outros elementos depressores — classificados como ilegais —
que podem ter efeitos bem graves no organismo. Tais drogas integram o grupo de
substâncias ilícitas, já que são bastantes prejudiciais à saúde mental e física.
Entre elas, talvez a heroína seja o maior exemplo. De uso injetável, a droga cai
na corrente sanguínea e causa um efeito muito rápido. Por isso, provoca euforia
momentânea, o que leva ao vício. Porém, quando passa o efeito, o usuário tem
sensações de ansiedade e de depressão.
As drogas depressoras ilegais podem ter um efeito devastador na vida dos
dependentes químicos. O uso frequente pode levar à dependência, além de causar graves
prejuízos à saúde e à vida pessoal. Nesse contexto, é importante que as pessoas que
convivem com quem se encaixam nesse perfil busquem ajuda profissional para ajudá-
las.
4. Os principais tipos de drogas depressoras
Em geral, a classificação das drogas é feita conforme os efeitos que causam no
sistema nervoso central. Como já falamos sobre os medicamentos, vamos citar outras
classes. Confira!
4.1 Drogas estimulantes
Diferentemente das depressoras, essas drogas possuem ação estimulante que
acelera as atividades do sistema nervoso central. Entre as mais utilizadas pela população
estão o crack, a cocaína, a cafeína e a nicotina.
Seus principais efeitos sobre o corpo são:
euforia e agressividade;
agitação com fala descoordenada;
muita ansiedade.
8
4.2 Drogas perturbadoras
Essa classe também é chamada de alucinógenas, já que alteram as funções
psíquicas do indivíduo e modifica a sua percepção da realidade. Seu uso pode causar
alucinações e delírios. Nessa categoria, as mais comuns são a maconha, solventes, LSD
e cogumelo.
Os prejuízos mais comuns associados ao uso são:
redução da memória e da concentração;
dificuldade de ajuste social, tais como desemprego;
aumento de conflitos afetivos e familiares;
consequências físicas, tais como doenças cardíacas, renais e hepáticas.
A comunicação no Sistema Nervoso Central (SNC) ocorre por vias excitatórias ou
inibitórias. Em vias excitatórias, canais iônicos são abertos para permitir a entrada
global de íons com cargas positivas, resultando em despolarização de neurônios. Já em
vias inibitórias, movimentos iônicos, como saída de cargas positivas da célula ou
entrada de cargas negativas, causam hiperpolarização de neurônios, suprimindo sua
atividade.
O principal neurotransmissor inibitório é o GABA (ácido gama-aminobutírico), que
atua em receptores do tipo GABA-A, permitindo a entrada de cloreto, levando à
hiperpolarização da célula. Alguns fármacos atuam potencializando a ação do GABA,
ou seja, ativando vias inibitórias, que podem diminuir a atividade do SNC. São os
chamados depressores do SNC, como os hipnóticos-sedativos, anestésicos,
antiepilépticos e ansiolíticos.
4.2.1. Barbitúricos
Os barbitúricos são derivados 5,5-di-substituídos do ácido barbitúrico que
aumentam a resposta inibitória GABAérgica. De acordo com a sua estrutura química
podem variar em termos de resposta e tempo de ação. Se administrados em altas doses,
podem provocar morte por parada cardiorrespiratória. Alguns dos exemplos mais
conhecidos são o tiopental (utilizado como medicação adjuvante de anestesia -
principalmente na medicina veterinária), e o fenobarbital (popularmente conhecido pelo
nome comercial de Gardenal®).
9
4.2.2. Benzodiazepínicos
Na década de 60, Hoffmann-La Roche introduziu o clorodiazepóxido no mercado
com o nome comercial Librium® e buscou modificações moleculares para melhorar sua
atividade. O diazepam (Valium®) lançado em 1963, tornou-se o protótipo da classe dos
benzodiazepínicos.
Esses fármacos são agonistas GABAérgicos relativamente mais seguros do que os
barbitúricos, porém ainda com baixa margem terapêutica e alto índice de dependência.
Outros exemplos dessa classe são o clonazepam (Rivotril®), o lorazepam (Lorax®), o
flunitrazepam (Rohypnol®), o midazolam (Dormonid®), entre vários outros.
4.2.3. Z-drugs
Os agonistas GABA não-benzodiazepínicos, ou Z-drugs, foram introduzidos no
mercado na década de 90. Atuam no receptor GABA de forma seletiva, sendo mais
seguros e apresentando menos efeitos colaterais do que os BZD, menor tolerância e
menor risco de dependência. São utilizados no tratamento da insônia, com rápido início
da hipnose e com menos efeitos amnésicos. São eles: zolpidem, zaleplona e zoplicona.
Apesar de não se enquadrar como substância terapêutica, um depressor do SNC
muito utilizado é o álcool. É a droga mais consumida no Brasil, de acordo com o último
Levantamento sobre o Consumo de Drogas no país realizado pela FioCruz. O
mecanismo de ação do álcool no cérebro é o mesmo que o mencionado acima para os
barbitúricos, BZD e Z-drugs. Inclusive, as mesmas observações sobre tolerância,
dependência e margem terapêutica também podem ser aplicadas aqui.
5. Fatores de risco para uso de fármacos do Sistema Nervoso Central
Os fármacos que atuam no Sistema Nervoso Central (SNC) interferem na
neurotransmissão, seja na pré-sinapse, no bloqueio ou na ativação de receptores pós-
sinápticos. Essa categoria engloba os medicamentos ansiolíticos, hipnóticos,
antidepressivos, antipsicóticos, antiepilépticos, anestésicos, opioides, fármacos de abuso
e estimulantes do SNC, como anfetaminas(1).
5.1. Fatores de risco gerais
Para melhorar a compreensão do assunto é necessário estar a par das condições
que representam fatores de risco para o uso de drogas. Eles são:
10
5.1.1. Traumas e adversidades na infância (abuso e negligência)
Um dos fatores que mais influenciam os adolescentes e jovens e os tornam mais
propensos ao consumo de substâncias ilícitas é o histórico de traumas ou de abuso na
infância.
Crianças que sofreram maus tratos, foram negligenciadas pelos pais ou tiveram
uma vida muito difícil têm uma forte tendência a alimentar esses traumas e a se
tornarem revoltadas.
Alguns desses indivíduos tornam-se reclusas em si mesmo, não conseguem
expor os sentimentos e, à medida que alcançam mais idade, a situação piora ainda mais.
Por isso, essas adversidades podem ser consideradas o pilar para o envolvimento
precoce com o vício.
5.1.2. Distúrbios mentais
A instabilidade psíquica é um dos problemas que motivam as pessoas à procura
de drogas. Sobretudo, os indivíduos em condição social mais vulnerável, como os
moradores de rua, tendem a buscar nessas substâncias o alívio para o sofrimento.
Porém, mesmo entre as classes mais privilegiadas há pessoas com doenças mentais ou
emocionais que levam ao abuso de entorpecentes. O maior perigo é que a associação
entre drogas e doenças mentais gera um ciclo vicioso: a doença é vista como causa e
também como consequência das drogas na vida desses sujeitos.
5.1.3 Pobreza
O livre acesso às drogas ocorre em todos os lugares e expõe a sociedade ao risco dos
impactos negativos resultantes desse problema. Entretanto, nas regiões habitadas por
pessoas menos favorecidas, a disseminação desse hábito é bem maior.
Outras questões de ordem estrutural, como a fome, o desemprego e a falta de estrutura
familiar, também contribuem para piorar a situação. O desequilíbrio emocional também
estimula a adesão ao vício, condição que pode gerar quadros de violência e de
agressividade.
5.1.4. Uso por colegas
11
Além da disponibilidade de drogas, outro fator de motivação ao consumo é a
convivência com pessoas ou com grupos de usuários. Jovens e adultos que moram nas
proximidades dos locais de acesso aos entorpecentes ou convivem com pessoas viciadas
tornam-se mais vulneráveis ao vício.
5.1.5. Filhos de usuários de drogas
Crianças afetadas pelo uso de substâncias ilícitas pelos pais têm a forte tendência
de exibir níveis mais elevados de tensão emocional e de outros sintomas relacionados a
essa questão. Muitas delas acabam se envolvendo precocemente com os tóxicos.
A maior parte dos filhos de usuários de drogas apresenta comprometimento
cognitivo e no desenvolvimento motor e físico. Também são mais susceptíveis a
doenças respiratórias — como asma e bronquite —, além de reações alérgicas ou
quadros de intolerância alimentar.
Mergulhados no submundo das drogas, muitos pais negligenciam o cuidado e a
educação dos filhos. Isso resulta em inúmeros problemas ao longo da vida de quem
cresceu nesses ambientes hostis.
Na infância, eles apresentam irritabilidade, agressividade e déficit de atenção.
Também são mais propensos aos desvios de comportamento e têm muita dificuldade de
aprendizado.
Na adolescência, o transtorno de hiperatividade e alguns aspectos característicos
da personalidade antissocial costumam ser comuns. Quando adultos, a instabilidade
emocional cursa com doenças como a depressão, a síndrome do pânico e a
esquizofrenia.
6. Consequências das drogas
Os agravos sobre a saúde, os prejuízos na economia e as questões sociais são as
vertentes mais preocupantes em relação ao abuso de drogas.
Saúde
Diversos são os efeitos do consumo de tóxicos sobre a saúde do dependente
químico. O vício em entorpecentes concorre para prejuízos à saúde mental, emocional e
física. Alguns desses danos podem ser irreversíveis ou fatais.
12
Social
Para a sociedade, as consequências das drogas geram impactos negativos em
variados contextos e contribuem para acentuar os problemas sociais já presentes em
nosso cotidiano. A violência e a intrínseca relação com o crime são questões que
desafiam bastante as entidades governamentais.
Para o usuário, o consumo desenfreado dessas substâncias causa o
comprometimento da capacidade crítica, reduz o juízo de valor e o torna refém da
marginalidade e da exclusão social.
Tais consequências reafirmam a gravidade desse problema e reforçam a
importância de buscar alternativas que possam, urgentemente, atenuar os seus impactos.
Economia
Informações recentemente divulgadas pela BBC afirmam que, em termos
globais, o tráfico de drogas movimenta valores tão elevados que influenciam até o
Produto Interno Bruto (PIB). Tecnicamente, esse indicador é usado para avaliar o
crescimento ou a desaceleração da economia de um país.
O que chama a atenção nessa notícia é o grande impacto do uso de drogas em
todo o planeta. Mesmo nos países desenvolvidos, o controle sobre o comércio ilegal de
entorpecentes também não é efetivo. Ou seja, em escala mundial, crianças, adolescentes
e jovens estão expostos aos riscos decorrentes desse problema. Essa realidade deixa
clara a necessidade de buscar alternativas de intervenção o quanto antes.
7. Dicas de prevenção às drogas
Saiba dizer “não”
O primeiro cuidado que uma pessoa deve ter para se manter distante do consumo de drogas é
saber recusar seu consumo, sem se preocupar com o julgamento de outras pessoas. Dizer a alguém que
lhe oferece drogas que você não tem interesse em consumir aquele produto pode ser feito de maneira
tranquila e cordial, sem precisar ofender ou agredir quando se sentir pressionado para aceitar a oferta.
Escolha bem suas companhias
Os amigos são a principal porta de entrada para o consumo das drogas, por isso é importante
saber escolher bem com quem você convive para poder prevenir o uso dessas substâncias nocivas à
saúde.
13
Conte com sua família e participe de grupos de apoio
A harmonia em ambientes familiares é uma ótima estratégia para contribuir para a prevenção do
uso de drogas na adolescência, mas também na vida adulta. Para pessoas que enfrentam dificuldades em
ambientes familiares, a participação em grupos comunitários, ou até mesmo religiosos, pode ser uma
ótima alternativa para que eles se mantenham distantes dos problemas e do uso de drogas.
Pratique esportes
Praticantes de atividades físicas geralmente se mantêm distantes do uso de drogas. Como o
exercício físico estimula a produção de endorfina, que é um hormônio relacionado com a sensação de
prazer, esses indivíduos procuram com menor frequência o uso de drogas para se sentirem melhores.
14
Conclusões
Os depressores do SNC são psicofármacos de extrema relevância clínica e
importante no tratamento de diversas condições de saúde. Entretanto, devem ser
utilizados com segurança e cautela, sempre orientado por um profissional da saúde.
Conclui-se que o uso de fármacos que atuam no SNC entre estudantes de
enfermagem esteve associado à idade, à insatisfação com o relacionamento com os
colegas de curso, à insônia, à doen- ça crônica, à depressão e à ansiedade em níveis
mais elevados.
15
Referências bibliográficas
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas - OBID [Link]
CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas -
Departamento de Psicobiologia da Unifesp - Universidade Federal de São Paulo -
Escola Paulista de Medicina.
1. Whalen K, Finkel R, Panavelil TA. Farmacologia ilustrada. Porto Alegre:
Artmed; 2016.
2. United Nations Office on Drugs and Crime. World Drug Report 2018: opioid
crisis, prescription drug abuse expands; cocaine and opium hit record highs [Internet].
2018 [cited 2021 Feb 24]. Available from:
[Link] report-2018_-
opioid-crisis--prescription-drug-abuse-expands-cocaine-and-opium-hit-record-
[Link]
3. Bastos FIPM. III Levantamento Nacional sobre o uso de drogas pela população
brasileira. Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ICICT; 2017. 528 p.
4. Preta BOC, Miranda VIA, Bertoldi AD. Psychostimulant Use for
Neuroenhancement (Smart Drugs) among College Students in Brazil.
2019;55(4):613–21. [Link]
1. OMS (Organização Mundial da Saúde). Classificação de transtornos mentais e de
comportamento da CID-10. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1993.
2. FERREIRA AMC. Gravidade de dependência e motivação para tratamento. O Portal
dos psicólogos, 2007.
3. CARLINE EA, et al. Drogas psicotrópicas - o que são e como age. Revista IMESC,
2001.
4. PRATA MME, et al. O processo saúde-doença e o dependente químico: interface e
evolução. Brasília, 2009.
5. YAMAGUCHI ET, et al. Drogas de abuso e gravidez. Ver. Psiq. Clín. São Paulo.
2008. 10. Kassada DS. Prevalência do uso de drogas de abuso por gestantes. Acto paul
[Link], 2013.
6. RENNER FW, et al. Avaliação do uso de drogas por gestantes atendidas em hospital
de ensino do interior do Rio Grande do Sul. Ahead of print. Santa Cruz do sul, 2016.
7. BROLIO MP, et al. A barreira placentária nutricional. Ver. Bras. Reprod. Anim. Belo
Horizonte, 2010.
8. PINTO AFC, et al. Gaba e dependência de Etanol. Jornal Brasileiro de Psiquiatria.
São Paulo,2013.
16
9. HEICKMANN W, et al. Dependência do álcool: aspectos clínicos e diagnósticos.
Saúde direta. Brasil, 2009.
10. MALTA DC, et al. Prevalência do consumo de álcool e drogas entre adolescentes:
análise dos dados da pesquisa nacional de saúde escolar. Ver Bras Epidemiol, 2011.
17