1Os suicídios privados (aqueles que ocorrem em espaços particulares, reservados e
protegidos) também demonstram seu caráter de transgressão às regras do público-privado,
se elas não ocorrem em função da localização no espaço geográfico, dão-se em função das
práticas afetivas. Estes suicídios transigem quanto à adequação do lugar, mas rompem com
a prática de discrição imposta aos afetos na vida contemporânea. Estes eventos são
marcados por uma exibição, dita exacerbada, de paixões e emoções. Ousar trazer a morte,
com seus sentimentos, mensagens, cenas para o lugar do habitat cotidiano e familiar
contraria as regras de estabilidade do público-privado. Entretanto, neste caso é o afeto
provocado que é publico em demasia. Embora, o local adequado para os sentimentos e as
experiências íntimas seja o espaço privado das residências, a morte com sua falta de
racionalidade e suas emoções exigem, por parte da sociedade, um lugar mais sigiloso, mais
asséptico e racional: o hospital.
Os eventos de suicídios talvez sejam uma d