UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE –
UNESC GRADUAÇÃO EM DIREITO
JOÃO VENICIO HENRIQUE LAURENTINO
WANESSA PIRES RIBEIRO DO VALE
GABRIELA DOS REIS HERCHMANN
GEOVANNA WAYHS RIGHETTO
MARCOS ANTUNES PLÁCIDO
SABRINA GALVÃO
ANÁLISE CRÍTICA DO FILME “SUBSTITUTOS”
CRICIÚMA
2023
JOÃO VENICIO HENRIQUE LAURENTINO
WANESSA PIRES RIBEIRO DO VALE
GABRIELA DOS REIS HERCHMANN
GEOVANNA WAYHS RIGHETTO
MARCOS ANTUNES PLÁCIDO
SABRINA GALVÃO
ANÁLISE CRÍTICA DO FILME “SUBSTITUTOS”
Análise crítica apresentada para a disciplina de Sociologia
Jurídica, no setor de graduação em Direito, da Universidade
do Extremo Sul Catarinense (UNESC – Criciúma/SC).
Orientador: Prof. Dr. ISMAEL DE CORDOVA
CRICIÚMA
2023
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ...............................................................................................
.
2 ANÁLISES DE ESTRUTURAÇÃO SOCIAL E ANOMIAS .............................
2.1. AUGUSTE COMTE ..........................................................................
2.2. ÉMILE DURKHEIM ..........................................................................
2.3. MAX WEBER ...................................................................................
2.4. KARL MARX ....................................................................................
2.5. ANOMIA POR TRANSGRESSÃO DE NORMAS .................................
2.6. ANOMIA POR CONFLITO DE NORMAS...........................................
3 PONTOS IMPORTANTES.............................................................................
CONCLUSÃO .................................................................................................
.
REFERÊNCIAS ...............................................................................................
1. Introdução
O filme norte-americano de ficção científica "Substitutos", dirigido por
Jonathan Mostow e lançado em setembro de 2009, adapta a história em
quadrinhos de Robert Venditti. Estrelado por Bruce Willis no papel de Tom
Greer, o filme se passa em 2054 e apresenta uma sociedade em que
humanos utilizam robôs, chamados substitutos, para realizar suas
atividades diárias. Esses androides, criados pela empresa Virtual Self
Industries (VSI), foram desenvolvidos para proteger os humanos de
qualquer tipo de violência, mas a trama se desenvolve em torno de um
assassinato que coloca em questão a segurança dessa tecnologia.
A história gira em torno da investigação conduzida pelo agente do FBI,
Tom Greer, que busca desvendar o mistério de como dois substitutos
foram assassinados, bem como seus usuários. Essa investigação leva
Greer a uma reflexão sobre os perigos que essa tecnologia representa
para a sociedade e a humanidade, culminando no colapso do sistema de
robôs que dominava o cotidiano das pessoas.
2. Análise Sociológica
O enredo de "Substitutos" levanta questões que podem ser exploradas à
luz de teorias sociológicas de importantes pensadores como Auguste
Comte, Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx. Essas análises
sociológicas ajudam a entender as implicações da tecnologia avançada
sobre a estrutura social, as normas e as relações de poder.
2.1. Augusto Comte
Auguste Comte, o fundador do positivismo e considerado o "pai" da
sociologia, propôs a Lei dos Três Estados para descrever o
desenvolvimento da sociedade: teológico, metafísico e positivo. No filme,
o uso dos substitutos representa claramente o Estado Positivo, onde a
razão e a ciência são a base das decisões e do funcionamento da
sociedade. A tecnologia avança de tal forma que os seres humanos
confiam inteiramente na ciência para viver de maneira protegida e
idealizada. No entanto, essa evolução gera tensões entre aqueles que
aceitam e os que rejeitam essa realidade artificial.
Dessarte, cada uma das coletividades citados possuem suas próprias
normas, entretanto durante o enredo é constatado o descumprimento de
tais normas feitas em grande maioria pelo grupo tecnológico. Tal fato é
mostrado em duas ocasiões, o primeiro acontece quando um indivíduo
assassina e se apropria do substituto de outro cidadão, uma proibição
salientada desde o início. E o segundo momento é ao fim do filme, quando
o protagonista faz a dura decisão de desligar de vez todos os substitutos,
trazendo os indivíduos de volta para a realidade, o que gerou uma vasta
desordem em diversos aspectos sociais.
2.2. Émile Durkheim
Durkheim, um dos principais sociólogos franceses, enfatizou a importância
da coesão social e do funcionalismo para manter a harmonia da
sociedade. Em "Substitutos", a VSI e o governo incentivam o uso dos
substitutos para manter a ordem e a paz social, mas a trama revela que
essa dependência tecnológica gera disfunções, como crimes e
descontentamento entre os que rejeitam os robôs. A tentativa de criar
uma sociedade perfeita por meio da tecnologia falha, assim como a
harmonia entre os seus componentes.
2.3. Max Weber
Weber focava no conceito de dominação racional-legal, onde a ordem
social é mantida por meio de regras e leis impostas por autoridades
burocráticas. No filme, a VSI, em conjunto com o governo, exerce
dominação sobre a população, levando-os a acreditar que os substitutos
são a chave para uma vida segura e plena. Weber também acreditava que
o poder e a dominação eram distintos, mas interligados. No caso dos
"Substitutos", a sociedade se submete à tecnologia, acreditando que essa
submissão é para o bem de todos.
2.4. Karl Marx
O conceito marxista de alienação e exploração capitalista também
está presente no filme. A VSI detém o monopólio da produção dos
substitutos e incentiva o consumo desenfreado dessas máquinas. Os
indivíduos, em busca de status e perfeição estética, se tornam
dependentes dos substitutos, caindo na lógica capitalista de constante
renovação de seus "corpos" artificiais. A crítica de Marx ao capitalismo
como sistema de exploração é evidente na forma como a empresa lucra
com a insegurança e vaidade das pessoas, alienando-as da realidade de
suas próprias vidas.
ANOMIA POR TRANSGRESSÃO DE NORMAS: UM ESTUDO BASEADO
EM TECNOLOGIAS FUTURISTAS
Quando se trata de anomia por transgressão de normas, como elucidado
por Ana Lucia Sabadell, qualquer ação que vá contra uma norma
estabelecida pode ser classificada como uma transgressão. Essa
transgressão pode acontecer tanto por simples descumprimento quanto
por uma postura de convicção, quando alguém decide infringir a norma
por não a considerar justa ou legítima.
Essa teoria pode ser observada em muitos cenários futuristas
representados no cinema e na literatura. Em uma obra fictícia que explora
o uso massivo de androides substitutos, os cidadãos são capazes de viver
suas vidas sem saírem de suas casas, controlando esses androides à
distância para realizar todas as suas tarefas diárias, como trabalhar,
socializar e realizar compras. Com a massiva adoção dessa tecnologia,
uma nova norma social é estabelecida, onde os indivíduos interagem
principalmente através de suas versões robóticas, enquanto seus corpos
físicos permanecem imobilizados e conectados a essas máquinas.
Entretanto, um grupo de dissidentes, liderados por um profeta, rejeita o
uso dessa tecnologia por convicção. Eles acreditam que o uso dos
androides não traz benefícios à humanidade e, portanto, formam uma
comunidade paralela, onde o uso dessas máquinas é estritamente
proibido. Esse grupo não apenas se rebela contra a norma imposta pelo
Estado e pela indústria de tecnologia, mas também estabelece sua
própria regra: apenas humanos, sem o auxílio de substitutos, podem
participar de suas interações sociais. Esse tipo de rebelião se encaixa na
transgressão por convicção, onde o grupo age em desacordo com a
norma vigente por não acreditar em sua legitimidade ou justiça.
ANOMIA POR CONFLITO DE NORMAS: DUAS REALIDADES EM
CONFLITO
De acordo com Ana Lucia Sabadell, a anomia por conflito de normas
ocorre quando duas ou mais regras entram em disputa para reger o
mesmo comportamento ou fato típico. No contexto do filme citado, essa
situação se manifesta claramente com a existência de duas sociedades
paralelas: uma que adota a tecnologia dos androides substitutos e outra
que a rejeita.
Os que utilizam os substitutos são vistos como parte da sociedade
legitimada, pois esse estilo de vida é valorizado e aceito como norma pela
maioria. Por outro lado, os dissidentes que vivem sem o auxílio dos
androides são marginalizados, sendo muitas vezes percebidos como uma
sociedade à parte, sem o mesmo reconhecimento ou identidade. Esse
conflito normativo gera uma tensão crescente entre os dois grupos,
exacerbando a divisão social e criando um ambiente de desconfiança e
hostilidade.
Um exemplo claro do conflito de normas é visto no desenrolar da trama,
quando o profeta, líder dos dissidentes, revela ser o próprio criador dos
primeiros substitutos. Ele toma posse de uma arma desenvolvida pela
empresa criadora dos androides com o objetivo de eliminar todos os
operadores, forçando a sociedade a retornar ao modelo de interação
humana tradicional, sem a mediação de máquinas. Além disso, suas ações
são motivadas por vingança, após a morte injusta de seu filho, que foi
assassinado por engano no lugar dele. Esse evento culmina em um
conflito direto entre as normas vigentes e a tentativa de restabelecimento
de uma ordem anterior, refletindo a complexidade da anomia por conflito
de normas.
PRINCIPAIS PONTOS DE ANÁLISE
A obra cinematográfica discutida oferece uma rica simbologia que reflete
os desafios do mundo moderno, onde as interações pessoais estão sendo
gradualmente substituídas pelas comunicações virtuais. As pessoas, cada
vez mais conectadas através de telas e dispositivos, tendem a perder o
contato humano direto, levando a um isolamento social crescente. Esta
crítica está fortemente presente no filme, que projeta um futuro próximo
dominado pela tecnologia.
Tecnologia e Alienação
No filme, a tecnologia permite que as pessoas controlem robôs substitutos
remotamente, o que as isenta de saírem de suas casas para realizar
tarefas cotidianas. Esses substitutos vivem em nome de seus operadores,
que, confortavelmente instalados em casa, se desconectam da realidade
física. Tal cenário reflete uma crítica ao uso exacerbado da tecnologia na
sociedade moderna, onde o conforto proporcionado pelos avanços
tecnológicos pode gerar uma alienação crescente.
Relações Humanas e Isolamento
Com a dependência dos substitutos, a interação humana direta diminui
drasticamente, e os indivíduos passam a se isolar cada vez mais. No filme,
as pessoas se habituam a viver sem qualquer tipo de contato físico ou
social verdadeiro, comunicando-se apenas por meio de seus avatares.
Isso reflete um fenômeno que já pode ser observado no mundo atual,
onde muitos indivíduos preferem interações virtuais em vez de encontros
presenciais, afetando a qualidade das relações interpessoais.
Aparência e a Busca pelo Corpo Perfeito
O filme faz uma crítica incisiva à obsessão contemporânea com a
aparência. No mundo fictício, os substitutos podem ser modificados de
acordo com a vontade de seus operadores, oferecendo uma versão
idealizada e "perfeita" de si mesmos. Essa busca pela perfeição física, no
entanto, contrasta com o estado real dos operadores, que muitas vezes se
tornam descuidados, sedentários e com problemas de saúde devido ao
uso prolongado dos substitutos. Um exemplo contundente é o
personagem da esposa de Greer, cuja verdadeira aparência choca ao ser
revelada, pois o avatar que ela utiliza é uma versão altamente idealizada
de si mesma.
Dependência Tecnológica e o Mundo Real
Outro ponto importante levantado pelo filme é a dependência excessiva
da tecnologia. Quando o protagonista Tom Greer perde seu substituto, ele
é forçado a interagir com o mundo real novamente. Esse retorno ao
contato com a realidade física é repleto de desafios, pois ele redescobre
sensações esquecidas, como a audição do ambiente exterior e o toque de
outras pessoas. O desconforto que ele sente ao se deparar com o mundo
fora da tecnologia ilustra os riscos de uma sociedade demasiadamente
dependente de avanços tecnológicos.
Divisão Social e Discriminação
A obra também aborda a divisão da sociedade em dois grupos: os que
utilizam os substitutos e os que se recusam a adotá-los. Aqueles que
optam por não usar a tecnologia são marginalizados e vistos com
desconfiança pela sociedade majoritária, criando um ambiente de
preconceito e discriminação. Este aspecto reflete como a adoção de novas
tecnologias pode reforçar desigualdades sociais, excluindo aqueles que
não aderem a determinadas inovações.
CONCLUSÃO
No filme "Substitutos", há uma crítica clara à forma como a sociedade
pode se fragmentar em função de tecnologias disruptivas. A obra, dirigida
por Jonathan Mostow, oferece uma reflexão sobre o impacto social dessas
inovações tecnológicas, dialogando com diversas teorias sociológicas
contemporâneas.
O filme explora, por exemplo, as teorias de Durkheim sobre a
funcionalidade social. Os indivíduos que aceitam o uso dos substitutos são
vistos como aqueles que promovem a harmonia social, enquanto os que
rejeitam essa prática são percebidos como desestabilizadores da ordem
vigente. Isso reflete a ideia de Durkheim de que a coesão social depende
da aceitação e do cumprimento de normas comuns.
Além disso, há uma clara crítica à exploração capitalista, conforme
discutida por Karl Marx. A obsessão com a compra de substitutos cada vez
mais "perfeitos" ilustra a lógica de consumo capitalista, onde os
indivíduos são incentivados a adquirir continuamente novos produtos,
mesmo que os anteriores ainda funcionem. Isso se conecta ao conceito de
alienação, onde as pessoas perdem sua essência em busca de uma
aparência ou status proporcionado por bens materiais, no caso, os robôs
substitutos.
Por fim, o filme também dialoga com as teorias de Max Weber sobre
dominação. A empresa que fabrica os substitutos exerce diferentes
formas de poder sobre a população, incentivando a dependência dos
robôs. Essa dinâmica de dominação tecnológica reflete os mecanismos de
controle social que Weber descreve em suas análises sobre autoridade e
poder na sociedade.
Dessa forma, "Substitutos" oferece uma análise profunda e crítica do
impacto da tecnologia na sociedade contemporânea, ilustrando as
tensões entre inovação tecnológica, alienação social e desigualdade.
REFERÊNCIAS
ADOROCINEMA. Substitutos. Disponível em:
[Link]
BEZERRA, Juliana. Émile Durkheim. Disponível em:
[Link]
BEZERRA, Juliana. Karl Marx. Disponível em:
[Link] marx/.
CINEMA COM RAPADURA. Substitutos. Disponível em:
[Link]
NET SABER RESUMOS. Os Substitutos (The Surrogates). Disponível em:
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PORFÍRIO, Francisco. Auguste Comte. Disponível em:
[Link]
PORFÍRIO, Francisco. Max Weber. Disponível em:
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SILVA, Gustavo da Motta. LUDORF, Sílvia Maria Agatti. Significados
Corporais no Filme “substitutos” a Partir da Visão Sociológica de David Le
Breton: Uma Análise Sob o “Manto de Arlequim”. Disponível em:
[Link]