1- Caracterizar o T.E.
A
Montenegro, Maria, A. et al. Transtorno do Espectro Autista - TEA: Manual Prático
de Diagnóstico e Tratamento. Disponível em: Minha Biblioteca, Thieme Brazil, 2018
Association, American P. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais -
DSM-5-TR: Texto Revisado. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Grupo A,
2023
introdução gabriel
Ao longo dos anos, várias teorias tentaram explicar a causa do autismo, incluindo a teoria
clássica da “Mãe Geladeira”. Esta teoria atribui o autismo à falta de vínculo afetivo da mãe
com a criança. Atualmente esta teoria não é mais aceita e hoje o autismo é considerado
como sendo causado por várias etiologias genéticas e ambientais. Insultos precoces do
sistema nervoso em desenvolvimento como prematuridade, complicações perinatais, uso de
drogas ou álcool na gestação também podem estar associados ao autismo. Por outro lado,
é preciso deixar claro que não há evidência científica de que glúten, caseína, adoçantes
artificiais, deficiências vitamínicas e aspectos emocionais ou psicológicos causam autismo.
Apesar dos grandes avanços científicos das últimas décadas, ainda
Não existe um marcador biológico ou exames laboratoriais que confirmem o diagnóstico do
autismo. Como na grande maioria dos transtornos psiquiátricos, o diagnóstico é feito com
base na observação clínica, comportamental e mental do paciente
O autismo é compreendido hoje como um espectro de transtornos
com ampla variedade de expressões, denominados transtornos do espectro autista (TEA),
que incluem: transtorno autístico, síndrome de Asperger, transtornos invasivos ou globais do
desenvolvimento não especificado, assim como dois transtornos raros: a síndrome de Rett e
o transtorno desintegrativo da infância
Prevalência gustavo
A frequência de transtorno do espectro autista nos Estados Unidos foi reportada como
estando entre 1 e 2% da população, com estimativas similares em amostras de crianças e
de adultos. Porém, a prevalência parece ser menor entre afro-americanos (1,1%) e crianças
latinas (0,8%) se comparada à de crianças brancas (1,3%), mesmo depois de considerados
os efeitos dos recursos socioeconômicos. A prevalência reportada do transtorno do
espectro autista pode ser afetada por diagnósticos errôneos ou tardios ou falta de
diagnóstico para indivíduos de alguns contextos étnico-raciais. A prevalência em outros
países que não os Estados Unidos se aproxima de 1% da população (a média de
prevalência global é de 0,62%), sem variação substancial entre regiões geográficas ou
etnicidade e entre amostras de crianças e de adultos. Mundialmente, a proporção entre os
sexos masculino e feminino em amostras epidemiológicas bem determinadas é de cerca de
3:1, com preocupações relativas à falta de reconhecimento do transtorno do espectro
autista em mulheres e meninas.
Etiologia vitoria
Apesar dos grandes progressos já realizados, ainda conhecemos pouco sobre seus
mecanismos precisos e sobre sua etiologia.
há evidências de fatores
genéticos, pois há alto risco de recorrência de TEA em irmãos (2 a 10%), com taxas que
podem chegar a 18,7% se amplo espectro de comprometimentos for considerado. As taxas
de concordância em gêmeos monozigóticos estão entre 36 a 96%, e em gêmeos dizigóticos
pode chegar a 27%
Estudos de neuroanatomia e de ressonância magnética estrutural
sugerem que diversos sistemas neurais distribuídos por todo sistema nervoso central são
afetados. Além disso, achados revelam, de forma consistente, aumento do volume cerebral
às custas tanto de substância branca quanto cinzenta e alargamento de ventrículos
(Courchesne et al., 2007). Evidências de estudos neurofisiológicos e de neuroimagem
funcional, neuroimagem estrutural, genética molecular e processamento de informações
têm levantado a hipótese de que o TEA está associado à alteração nas redes neurais (Lai et
al., 2013).
kaique
A ressonância magnética funcional tem identificado que uma sé-rie de regiões do cérebro,
incluindo córtex pré-frontal medial, sulco temporal superior, junção temporoparietal,
amigdala e giro fusiforme estão hipoativas em indivíduos com TEA durante tarefas nas
quais per-cepção e cognição sociais são usadas (Lai et al., 2013). Isso sugere um
desenvolvimento atípico do assim chamado cérebro social. Entretanto, as estruturas
cerebrais não funcionam separadamente, sendo também importante compreender como
estas estruturas interagem com todo o sistema neural.
Um dos achados neuroquímicos mais frequentemente replicados nas
pesquisas com TEA tem sido o de níveis periféricos elevados do neuro-transmissor
serotonina, porém o significado deste achado permanece não explicado (Anderson et al.,
1989). O papel da dopamina tem sido investigado em razão de os sintomas de
hiperatividade, maneirismos e estereotipias apresentarem resposta positiva ao uso de
antipsicóticos
Critérios Diagnósticos para Transtorno do Espectro Autista
caio
A. Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos,
conforme manifestado pelo que segue, atualmente ou por história prévia (os exemplos são
apenas ilustrativos, e não exaustivos; ver o texto do DSM-5):
1. Déficits na reciprocidade socioemocional, variando, por exemplo, de abordagem social
anormal e dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido
de interesses, emoções ou afeto, a dificuldade para iniciar ou responder a interações
sociais.
2. Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação
social, variando, por exemplo, de comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anor-
malidade no contato visual e linguagem corporal ou déficits na compreensão e uso de
gestos, a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal.
3. Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos, variando, por
exemplo, de dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais
diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos, a
ausência de interesse por pares.
isa a
B. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, conforme
ma- nifestado por pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por história prévia (os
exem- plos são apenas ilustrativos, e não exaustivos; ver o texto):
[Link] motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos (p. ex., este-
reotipias motoras simples, alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases
idiossincráticas).
2. Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de
comportamento verbal ou não verbal (p. ex., sofrimento extremo em relação a pequenas
mudanças, dificuldades com transições, padrões rígidos de pensamento, rituais de
saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos
diariamente).
3. Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco (p. ex.,
forte apego a ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente
circunscritos ou perseverativos).
4. Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos
sensoriais do ambiente (p. ex., indiferença aparente a dor/temperatura, reação contrá- ria a
sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fasci- nação
visual por luzes ou movimento
isa s
C. Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento (mas
podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as
capacidades limitadas ou podem ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na
vida).
D. Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social,
profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente.
E. Essas perturbações não são mais bem explicadas por deficiência intelectual (trans- torno
do desenvolvimento intelectual) ou por atraso global do desenvolvimento. Defi- ciência
intelectual ou transtorno do espectro autista costumam ser comórbidos; para fazer o
diagnóstico da comorbidade de transtorno do espectro autista e deficiência intelectual, a
comunicação social deve estar abaixo do esperado para o nível geral do desenvolvimento.
cassio
Nos últimos anos tem aumentado muito o diagnóstico do transtorno do espectro autista
(TEA), todavia ainda ocorre com frequência um atraso entre o momento das primeiras
preocupações dos pais e o diagnóstico e início de um tratamento adequado.
Escalas de triagem permitem a detecção de distúrbios que poderiam
não ser suspeitados. Estas escalas não são instrumentos diagnósticos, mas permitem que
os pacientes com risco de determinada condição possam ser encaminhados precocemente
para uma investigação mais especializada. Estes instrumentos de triagem podem ser
aplicados em crianças
com atraso na comunicação verbal ou não verbal ou em situações de regressão da
linguagem ou das habilidades sociais. Destacamos que as escalas de triagem podem
implicar em falsos
positivos (casos que não terão confirmado o diagnóstico de TEA) ou mesmo falsos
negativos (que poderão ser identificados posteriormente como TEA). Para diminuir o risco
desta última possibilidade, devemos considerar a possibilidade de negação por parte dos
pais diante da pos-sibilidade de TEA, atenuando a intensidade das respostas. Além disso, é
importante a observação durante a consulta dos com-portamentos da criança e, ainda, o
questionamento de outros conta-tos da criança, como a escola, por exemplo, a respeito das
atitudes do paciente
mari
Quatro escalas de triagem têm sido as mais utilizadas na maioria
dos países.
1. Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT).
2. Escala de Pontuação para Autismo na Infância - Childhood Autism Rating Scale (CARS).
q3. Childhood Autism Spectrum Disorders Test (CAST).
4. Questionário de Comunicação Social (SCQ).
A aplicação destas escalas é relativamente fácil, podendo ser efe-tuada em curto espaço de
tempo e não necessita de um treinamento prolongado. A Academia Americana de Pediatria
(AAP) recomenda que seja efe-tuada a triagem para TEA em todas as crianças aos 18 e 24
meses de idade, com base no fato da frequência deste distúrbio na população e também na
resposta destas crianças à intervenção mais precoce. A AAP indica que as crianças que
pontuarem como positivas devem ser ime-diatamente encaminhadas para avaliação mais
especializada
lais
Questões Diagnósticas Relativas à Cultura
Haverá diferenças culturais nas normas de interação social, comunicação não verbal e
relacionamentos; indivíduos com transtorno do espectro autista, entretanto, apresentam
prejuízos marcados em relação aos padrões de seu contexto cultural. A cultura influência na
percepção de comportamentos autistas, a saliência percebida de alguns comportamentos
sobre outros, bem como as expectativas em relação ao comportamento das crianças e às
práticas parentais. Discrepâncias consideráveis são encontradas na idade de diagnóstico de
transtorno do espectro autista em crianças de contextos étnico-raciais diversos; a maioria
dos estudos encontra diagnósticos tardios entre crianças de contextos étnicos socialmente
oprimidos. Além de terem diagnósticos tardios, crianças afro-americanas são mais
frequentemente diagnosticadas erroneamente com transtorno de adaptação ou da conduta
do que crianças brancas.
maycon
Questões Diagnósticas Relativas ao Sexo e ao Gênero
O transtorno do espectro autista é diagnosticado de três a quatro vezes mais
frequentemente no sexo masculino do que no feminino, e, em média, a idade em que a
pessoa é diagnosticada é mais tardia para o sexo feminino. Em amostras clínicas, pessoas
do sexo feminino têm mais propensão a apresentar transtorno do desenvolvimento
intelectual concomitante, assim como epilepsia, sugerindo que meninas sem prejuízos
intelectuais ou atrasos de linguagem podem não ter o transtorno identificado, talvez devido
à manifestação mais sutil das dificuldades sociais e de comunicação. Em comparação com
pessoas do sexo masculino com transtorno do espectro autista, pessoas do sexo feminino
podem ter uma melhor conversação recíproca e ser mais propensas a compartilhar
interesses, a integrar os comportamentos verbais e não verbais e a modificar seus
comportamentos dependendo da situação, apesar de terem dificuldades de compreensão
social similares às do sexo masculino. A tentativa de esconder ou mascarar
comportamentos autistas (p. ex., ao copiar as roupas, a voz e o jeito de mulheres
socialmente bem-sucedidas) também pode dificultar o diagnóstico em alguns indivíduos do
sexo feminino. Comportamentos repetitivos podem ser um pouco menos evidentes em
indivíduos do sexo feminino do que em indivíduos do sexo masculino, e interesses
especiais podem ter um foco mais social (p. ex., um cantor ou uma atriz) ou “normativo” (p.
ex., cavalos), ainda permanecendo incomuns em sua intensidade. Em relação à população
geral, foi reportado que as taxas de variação de gênero aumentaram para o transtorno do
espectro autista, com mais alta variação entre indivíduos do sexo feminino se comparados
aos indivíduos do sexo masculino
Desenvolvimento e Curso
gustavo
A idade e o padrão de início também devem ser observados para o transtorno do espectro
autista. As características comportamentais do transtorno do espectro autista tornam-se
inicialmente evidentes na primeira infância, com alguns casos apresentando falta de
interesse em interações sociais no primeiro ano de vida. Os sintomas costumam ser
reconhecidos durante o segundo ano de vida (12 a 24 meses), embora possam ser vistos
antes dos 12 meses de idade, se os atrasos do desenvolvimento forem graves, ou
percebidos após os 24 meses, se os sintomas forem mais sutis. A descrição do padrão de
início pode incluir informações sobre atrasos precoces do desenvolvimento ou quaisquer
perdas de habilidades sociais ou linguísticas. Nos casos em que houve perda de
habilidades, pais ou cuidadores podem relatar história de deterioração gradual ou
relativamente rápida em comportamentos sociais ou nas habilidades linguísticas. Em geral,
isso pode ocorrer entre 12 e 24 meses de idade.
vitoria
Estudos prospectivos demonstram que, na maioria dos casos, o início do transtorno do
espectro autista está associado com o declínio de comportamentos sociais e
comunicacionais críticos nos primeiros dois anos de vida. Esses declínios das funções são
raros em outros transtornos do neurodesenvolvimento e podem ser indicadores
especialmente úteis da presença de transtorno do espectro autista. Em casos raros há
regressão do desenvolvimento após dois anos de desenvolvimento normal (anteriormente
descrito como transtorno desintegrativo da infância), o que é muito mais incomum e pede
uma investigação médica mais extensa (i. e., síndrome de Landau-Kleffner e picos e ondas
contínuas durante a síndrome de ondas lentas no sono). Muito vezes inclusas nessas
condições de encefalopatia estão perdas de habilidades além da comunicação social (p.
ex., perda do autocuidado, do controle de esfincteres e de habilidades motoras)
kaique
Associação com Pensamentos ou Comportamentos Suicidas
Indivíduos com transtorno do espectro autista têm maior risco de morte por suicídio do que
aqueles sem o transtorno. Crianças com transtorno do espectro autista que apresentaram
problemas com a comunicação social tiveram maior risco de automutilação com intenção
suicida, pensamentos suicidas e planos de se suicidar até os 16 anos de idade se
comparadas com aquelas sem problemas de comunicação social. Adolescentes e jovens
adultos com transtorno do espectro autista têm maior risco de tentar suicídio se comparados
com indivíduos do mesmo sexo e idade, mesmo depois de ajustes relativos a fatores
demográficos e comorbidades psiquiátricas.
isa a
Consequências Funcionais do Transtorno do Espectro Autista
Em crianças pequenas com transtorno do espectro autista, a ausência de capacidades
sociais e comunicacionais pode ser um impedimento à aprendizagem, especialmente à
aprendizagem por meio da interação social ou em contextos com seus colegas. Em casa, a
insistência em rotinas e a aversão à mudança, bem como sensibilidades sensoriais, podem
interferir na alimentação e no sono e tornar os cuidados de rotina extremamente difíceis (p.
ex., cortes de cabelo e cuidados dentários). As capacidades adaptativas costumam estar
abaixo dos resultados de QI medido. Dificuldades extremas para planejar, organizar e
enfrentar a mudança causam impacto negativo no sucesso acadêmico, mesmo para alunos
com inteligência acima da média. Na vida adulta, esses indivíduos podem ter dificuldades
de estabelecer sua independência devido à rigidez e à dificuldade contínuas com o novo.
caio
Muitos indivíduos com transtorno do espectro autista, mesmo sem transtorno do
desenvolvimento intelectual, têm funcionamento psicossocial insatisfatório na idade adulta,
conforme avaliado por indicadores como vida independente e emprego remunerado. As
consequências funcionais no envelhecimento são desconhecidas; isolamento social e
problemas de comunicação (p. ex., redução da busca por ajuda) provavelmente têm
consequências para a saúde na velhice.
A comorbidade com transtorno do desenvolvimento intelectual, epilepsia, transtornos
mentais e condições médicas crônicas pode estar associada com maior risco de
mortalidade prematura para indivíduos com transtorno do espectro autista. Mortes
relacionadas a lesões ou envenenamento são maiores do que na população geral, assim
como mortes por suicídio. Afogamento é a principal causa de mortes acidentais de crianças
com transtorno do espectro autista.
cassio
TERAPIA OCUPACIONAL A terapia ocupacional (TO) pode ajudar a melhorar o
comportamento da criança com TEA e também sua independência para atividades do dia a
dia e desempenho escolar. Não existe um plano único para todos os pacientes com TEA. O
ideal é um plano individualizado para cada paciente. Os principais objetivos da TO são
Comunicação. Interação com outras pessoas. Independência em atividades do dia a dia.
Habilidades motoras. Resposta a estímulos sensoriais. Como expressar adequadamente
sentimentos.
Parte dos problemas de interação social da criança com TEA é devido
a problemas sensoriais. A grande maioria dos pacientes com TEA tem dificuldades
sensoriais, que podem estar relacionadas com a hipersensibilidade (um carinho incomoda)
ou a hipossensibilidade (não chora quando se machuca). Às vezes a criança está irritada
em razão de algum estímulo sensorial, mas não consegue identificar isto
A terapia ocupacional com ênfase na integração neurossensorial tem
como base expor a criança a um estimulo sensorial de forma repetitiva, fazendo que, com o
tempo, o paciente consiga processar o estímulo de forma mais eficiente.
FONOTERAPIA
isa s
A intervenção fonoaudiológica deve ser capaz de estimular as seguintes áreas:
comunicação (fala e linguagem), socialização, autonomia e competências acadêmicas deve
ser iniciada o mais precoce possível, mesmo que o diagnóstico ainda não tenha sido
formalmente realizado
É importante identificar qual o meio comunicativo que a criança
utiliza para se comunicar e valorizá-lo, estimulando outras formas de expressão. Durante as
tentativas de comunicação, devemos procurar ficar em uma posição que facilite a atenção
compartilhada da criança. Também é preciso evitar muitas informações ao mesmo tempo,
usando linguagem simples e objetiva, sem metáforas na fala, já que a criança com TEA
possuem muita dificuldade em entender as inferências da linguagem e as palavras de duplo
sentido. As atividades utilizadas devem ser bem estruturadas, com o uso de recursos
concretos. A intervenção com as crianças que ainda não falam, têm como prioridade a
estimulação da fala, procurando favorecer o aumento na quantidade de palavras faladas, e
que essas tenham funcionalidade em sua comunicação. O aumento da quantidade de
palavras facilita o trabalho de desenvolvimento das outras habilidades de linguagem, como:
estruturar frases (sintaxe), relacionar palavras com seu significado (semântica) e o uso
dessa linguagem para pedir, protestar, perguntar, narrar (pragmática).
mari
É importante que algumas famílias estejam conscientes de que nem toda criança
desenvolverá oralidade, mas que há outras formas de comunicação que podem ser
estimuladas. No entanto, a oralidade deve ser estimulada ao máximo.
Para as crianças que já falam, devemos procurar desenvolver a funcionalidade da sua
comunicação, estimulando a produção de frases cada vez mais completas, com uso de
preposições, artigos, pronomes (elementos de ligação). O reconto de histórias e a narração
de eventos envolvendo a própria criança devem ser estimulados após ela ter condições de
formular pequenas frases. Todo o trabalho de intervenção fonoaudiológica deve conter
atividades que desenvolvam as expres-sões faciais da criança e do outro, associando-as
aos sentimentos. Por exemplo, quando a criança faz algo que não estava combinado
durante as sessões, mostrar a ela a expressão do fonoaudiólogo de tristeza, ou de
frustração. Isso facilitará o desenvolvimento de estratégias para que ela consiga se
expressar e dizer ao outro quando não entendeu o que ele disse, poder falar o que está
sentindo e o que quer. Outro momento fundamental no desenvolvimento das crianças com
TEA é quando essas entram no período da alfabetização. Estimular ha-bilidades
necessárias ao desenvolvimento da leitura e escrita
TERAPIA COMPORTAMENTAL
lais
Para qualquer nível de gravidade do transtorno do espectro autista (TEA) é consenso que o
tratamento deve ser realizado com terapias comportamentais, baseando-se na reabilitação
das áreas cognitivas afetadas (Dawson et al., 2012). Graças à alta capacidade de
neuroplasticidade na infância, é possível criar e remodelar redes neurais de acordo com os
estímulos que as crianças recebem. O cérebro é capaz de mudar sua estrutura física e
também sua atividade. Quando o tratamento do TEA é direcionado a comportamentos e
aprendizagens funcionais, as crianças podem apresentar melhora significativa
Diversas habilidades são trabalhadas durante todo o processo terapêutico, dentre elas: os
comportamentos sociais, como comunicação funcional e contato visual, comportamentos
acadêmicos que são requisitos para escrita, leitura, interpretação e matemática. Além disso,
o objetivo também é desenvolver e treinar habilidades de vida diária (Roane et al., 2016). A
redução de comportamentos como as estereotipias, autolesões,
agressões também fazem parte de todo o tratamento, já que esses com-portamentos
interferem na integração e desenvolvimento do indivíduo não só com o diagnóstico de TEA,
mas também com outras síndromes e transtornos que apresentam deficiência intelectual. A
estratégia principal das terapias é gerar comportamentos que estimulem a plasticidade
cerebral e consequentemente novos recursos que possam gerar novas conexões,
estabelecendo assim, uma via de mão dupla
TERAPIA FARMACOLÓGICA
maycon
Intervenções farmacológicas bem indicadas podem auxiliar no
aprendizado escolar e facilitar as intervenções terapêuticas, além de possibilitar o manejo
de certos comportamentos mais graves e desafiadores, favorecendo o funcionamento
social. Os alvos farmacológicos principais incluem comorbidades como ansiedade,
depressão, TDAH, irritabilidade e comportamentos disruptivos, auto e heteroagressivos,
comportamentos semelhantes ao transtorno obsessivo compulsivo (TOC; comportamentos
repetitivos ou estereotipias) e problemas de sono. As medicações mais utilizadas são:
haloperidol, clonidina, psicoestimulantes, antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da
recaptação de serotonina, anticonvulsivantes (estabilizadores de humor) e antipsicóticos
atípicos.
O uso de psicofármacos deve ser considerado pensando-se no custo--benefício,
ressaltando-se que o uso de medicação associado à orientação de pais é sempre mais
eficaz que o uso apenas da medicação
2- Discutir a colaboração do aspecto familiar/social para a evolução da doença