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Patrística e Escolástica na Filosofia Medieval

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PATRÍSTICA E A ESCOLÁSTICA

FILOSOFIA MEDIEVAL E SUAS CARACTERÍSTICAS

Por volta do século II d.C., o


cristianismo começou a ganhar
força em contraposição à cultura
greco-romana então vigente.

O cristianismo, de início perseguido, ao começar a ser aceito e


expandido, se contrapôs às concepções tradicionais a fim de
conseguir adeptos para sua fé.
ARANHA 2016, p. 114 (adaptado)
Cristianismo
O cristianismo surgiu no interior do império
romano, a partir do ano 1 de nossa era, com
os seguidores dos ensinamentos de Cristo.
[Link]
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Constituía originalmente uma corrente heterodoxa do judaísmo e


manteve as escrituras hebraicas – o Velho Testamento – como parte
de seu livro sagrado (a Bíblia).

O desenvolvimento inicial ocorreu com a edificação da Igreja Católica


– única representante da fé cristã por muitos séculos, até o início da
Idade Moderna.
COTRIM 2016, p. 239 (adaptado)
Características da Idade Média

O teocentrismo gerava um ideal de vida mais voltado para a


contemplação dos ideais celestes; MEIER, 2014, p. 216 (adaptada)

Universo cultural dominado pela religião e a preocupação com o além;


Desvalorização do corpo, do prazer e da curiosidade intelectual;
Sociedade hierarquizada em três classes: nobres, religiosos e servos;
Universo estático, dominado pela vontade divina;
Quase não havia apoio à arte, só fomentada pela igreja.

[Link] (adaptado)

4
Entre o final do século IV e início do século V, São Jerônimo traduziu a
Bíblia do hebraico, grego e aramaico para o latim a pedido da Igreja
Católica. Essa tradução, conhecida como Vulgata, veio a se tornar a
versão oficial da Bíblia Católica por consenso no Concílio de Trento,
em 1546.

O latim era a língua oficial da Igreja Católica e a língua falada em


todo mundo (língua universal).
A estética medieval e a estilização

Na Europa ocidental,
durante a Idade Média, não
houve grande interesse
pelas artes, consideradas
coisas terrenas ligadas à
cultura pagã, capazes de
prejudicar o fortalecimento
da alma e do espírito.

Aranha e Martins (2016, p. 381).


A Igreja Católica
utilizou-se da
pintura e da
escultura para fins
didáticos, ou seja,
para ensinar a
religião.
Aranha e Martins (2016, p. 381).
As obras de arte assumiram
a condição de símbolos que
manifestavam a natureza
divina e canalizavam a
devoção do homem para a
divindade suprema.

Aranha e Martins (2016, p. 381).


A FILOSOFIA
[Link]
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Era uma época de grande
penetração da filosofia grega entre
as autoridades e as camadas mais
cultas de Roma, de suas províncias
e da Europa medieval.

Boa parte da doutrina cristã integra elementos de diversas


correntes do pensamento grego.

A tarefa de construir essa doutrina foi realizada pelos padres da


Igreja e outros eclesiásticos, com o propósito de explicar e
justificar diversos aspectos de sua fé.
COTRIM 2016, p. 239-240 (adaptado)
Nesse processo, não se poderia contrariar as
[Link]
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verdades reveladas por Deus aos humanos ou


as suas interpretações das escrituras sagradas.
COTRIM 2016, p. 240 (adaptado)

A principal das fontes utilizadas pelo cristianismo


era a revelação divina:

Revelação: manifestação de Deus ao homem por meio de uma série


de verdades ou mandamentos, seja pela palavra, seja nos outros
signos, recolhidos nas obras sagradas – a Bíblia.

ARANHA 2016, p. 114 (adaptado)


Fé versus razão
O cristianismo baseia-se na fé, na
crença irrestrita às verdades
reveladas por Deus a alguns
intermediários – relatadas nas
Sagradas Escrituras e interpretadas [Link]
religi%c3%a3o-israel-terra-santa-3241434/

segundo as autoridades da Igreja.

De acordo com a doutrina católica, a fé em si mesma seria a fonte


mais elevada das verdades reveladas, especialmente aquelas
consideradas essenciais ao ser humano e que dizem respeito à sua
salvação.
COTRIM 2016, p. 240-241 (adaptado)
Toda investigação, filosófica ou
científica, não poderia contrariar
as verdades estabelecidas pela
fé católica.
[Link]

Os filósofos não precisavam mais se dedicar à busca da


verdade, pois ela já teria sido revelada por Deus aos seres
humanos. Restava-lhes apenas demonstrar racionalmente as
verdades da fé.
COTRIM 2016, p. 241 (adaptado)
[Link]
A PATRÍSTICA
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A Filosofia cristã dos primeiros


séculos, elaborada pelos padres da
Igreja, é denominada Patrística.

Essa Filosofia tinha uma preocupação “apologética” – defesa do


cristianismo contra os ataques dos chamados “pagãos” e defesa
contra as heresias.

Devido a essa necessidade de esclarecer os seus pressupostos,


o Cristianismo recorre à Filosofia, à argumentação racional, nos
moldes da Filosofia grega clássica.
MEIER 2014, p. 176 (adaptada)
O primeiro filósofo cristão foi São Justino, mártir em Roma no
ano de 167.

De acordo com Justino, o cristianismo é a verdadeira Filosofia, e


passa a defender a ideia de uma Filosofia cristã.

Divisão da Patrística
Historicamente, a Patrística pode ser dividida em dois períodos:

❖ Inicialmente, até o ano 200, essa Filosofia é praticamente defesa


do cristianismo contra seus adversários.

MEIER 2014, p. 176 (adaptada)


Nessa fase, o pensador mais expressivo foi Justino.

Essa Filosofia faz uma seletiva releitura da Filosofia grega,


especialmente da metafísica platônica, que era altamente favorável
para a implantação de um tipo de cristianismo que fomentava a
austeridade, o autocontrole.

Fazendo uma releitura do platonismo, surge a conhecida escola


neoplatônica cristã de Alexandria.

❖ A segunda fase vai até o ano 450, fase em que nascem os


primeiros sistemas de Filosofia cristã. Aqui teremos o auge da
Patrística.
MEIER 2014, p. 176 (adaptada)
Uma das principais correntes da filosofia patrística, inspirada
na filosofia greco-romana, tentou munir a fé de argumentos
racionais, buscando conciliar o cristianismo e o pensamento
pagão. Seu principal expoente foi Santo Agostinho.

Santo Agostinho

Aurélio Agostinho (354 - 430 d.C.)


foi professor de retórica em escolas
romanas, e despertou para a filosofia
com a leitura de Cícero (106-43 a.C.);
COTRIM 2016, p. 242 (adaptado)
Supremacia da alma em Agostinho

Em sua obra, Agostinho argumenta em favor da supremacia do


espírito sobre o corpo (a matéria). A alma teria sido criada por Deus
para reinar sobre o corpo, dirigindo-o para a prática do bem.

O pecador, utilizando-se do livre-arbítrio costumaria inverter essa


relação, fazendo o corpo assumir o governo da alma. Isso provocaria a
submissão do espírito (eternidade) à matéria (transitório).

Para Agostinho, ser livre é servir a Deus, pois o prazer de pecar é a


escravidão. Ser livre é fazer o que se deve, inspirado no amor
verdadeiro de Deus.
COTRIM 2016, p. 243 (adaptado)
Boas obras ou graça divina?
Segundo ele, o ser humano que trilha a via do pecado só consegue
retornar aos caminhos de Deus e da salvação mediante a combinação
de seu esforço pessoal de vontade e a concessão da graça divina.

Sem a graça de Deus, o ser humano nada pode conseguir. Essa graça
seria concedida apenas aos predestinados à salvação.
[Link]
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A questão da graça marcou


profundamente o pensamento
medieval cristão.

COTRIM 2016, p. 243 (adaptado)


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[Link]
A ESCOLÁSTICA

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A Escolástica, muito mais do que
Filosofia ou Teologia, era um
método, um jeito de aprender a
pensar e a sustentar uma argumen-
tação, específico nas universidades medievais,
entre 1150-1500.

A dialética ocupava lugar central, pois a polêmica questão que


sempre se fazia presente era a relação entre fé e razão, sem
que houvesse a contradição.
MEIER 2014, p. 176 (adaptado).
Nas universidades medievais, as disciplinas ou saberes eram
definidos em sete. Esses saberes eram estruturados em dois grupos.

Trivium Quadrivium
Os saberes que o Incluía os saberes
compunham eram voltados ao estudo do
aquelas ferramentas objeto:
indispensáveis para a ▪ aritmética;
capacitação da mente ▪ música;
humana no estudo de um ▪ geometria;
texto: ▪ astronomia.
▪ lógica (dialética);
▪ gramática; Todas elas estavam
▪ retórica. submetidas à teologia.
MEIER 2014, p. 177 (adaptado).
A partir do século XIII, o aristotelismo penetrou de forma
profunda o pensamento escolástico. Isso se deveu à descoberta
de muitas obras de Aristóteles, desconhecidas até então.
COTRIM 2016, p. 245 (adaptado)

Principais questões da filosofia escolástica

✓ A questão da razão e da fé, da filosofia e da teologia;


✓ As investigações científicas e filosóficas não poderiam ir
contra verdades da fé;
✓ A prova da existência de Deus e da imortalidade da alma.

SANTOS, 2009 (adaptado)


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Santo Tomás de Aquino

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[Link]
A filosofia de Tomás de Aquino (1226-1274)
também teve o objetivo claro de não contrariar a fé.

Tomas de Aquino reviveu em grande parte o pensamento aristotélico


em busca de argumentos que explicassem os principais aspectos da fé
cristã.

Ele fez da filosofia de Aristóteles um instrumento a serviço da


solução dos problemas teológicos que enfrentava.
COTRIM 2016, p. 247-248 (adaptado)
Ser e essência para Aquino

Uma novidade trazida por Tomás de Aquino é a distinção entre ser (ou
a existência) e a essência, o que implicou a metafísica em duas
partes: a do ser em geral e a do ser pleno, que é Deus.

Em todas as criaturas o ser (ou existir) é diferente de sua essência.


Para um ser humano, existir é continuar sendo sua essência (ser
humano); quando ele deixa de existir, sua essência desaparece.

O único ser realmente pleno, no qual o ser (ou existir) e a essência se


identificam, é Deus. Deus é ato puro.
COTRIM 2016, p. 248 (adaptado)
24
REFERÊNCIAS
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: introdução à filosofia, volume único. Maria Lúcia de Arruda Aranha,
Maria Helena Pires Martins. 6 ed. São Paulo: Moderna, 2016.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos de filosofia/ Gilberto Cotrim, Mirna Fernandes. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

MEIER, Celito. Filosofia: por uma inteligência da complexidade: volume único: ensino médio. Celito Meier. 2ª ed. Belo
Horizonte, MG: PAX Editora e Distribuidora, 2014.

SANTOS, R. Escolástica: A filosofia durante a Idade Média. 2009. Disponível em:


<[Link]
[Link]>. Acesso em: 27 jul. 2022.
25

Material Complementar

No material complementar de hoje, temos o


vídeo Filosofia medieval cristã - Patrística
e Escolástica para reforçar o conhecimento
e sanar a curiosidade de cada estudante.
⮚ Disponível em:
[Link]
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26

ATIVIDADE DE SALA
Questão 1 – Descreva o que é o Teocentrismo e por que o período
medieval é um período teocêntrico?

Questão 2 – Por que na Idade Média havia a desvalorização da


curiosidade intelectual? Justifique sua resposta.

Questão 3 – Fale sobre a supremacia do espírito sobre o corpo. Por que


que um deve prevalecer sobre o outro?

Questão 4 – Descreva porque a arte se tornou importante no período


medieva e qual era a sua finalidade.

Questão 5 – Descreva qual foi a importância do pensamento filosófico


para a Igreja Católica, e qual a relação entre filosofia e teologia.
Questão 6 – O que foi a Patrística? Descreva sobre a importância desse
período para a Igreja medieval?

Questão 7 – Qual foi o primeiro momento da Patrística? Qual a


importância desse momento para a fortificação da Igreja Católica?

Questão 8 – O que foi a Escolástica? Qual a importância desse período


na Idade Média?

Questão 9 – Quais eram os saberes ensinados nas Universidades


Medievais? E por que esses saberes eram divididos em dois grupos?

Questão 10 – Quais eram as principais questões da filosofia


escolástica?

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