Aula 09
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de
Justiça) Bizu Estratégico - 2022
(Pós-Edital)
Autor:
Elizabeth Menezes de Pinho Alves,
Heloísa Tondinelli, Jefferson de
Souza Correia, Késia Vieira Ramos
de Oliveira, Leonardo Mathias,
Paulo Júnior
12 de Agosto de 2022
08203001360 - Carlos Anderson Costa Ribeiro
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Heloísa Tondinelli, Jefferson de Souza Correia, Késia Vieira Ramos de Oliveira, Leonardo Ma
Aula 09
BIZU ESTRATÉGICO DE NOÇÕES DE DIREITO PENAL
(TJ-MG)
Olá, prezado aluno. Tudo certo?
Neste material, traremos uma seleção de bizus da disciplina de Noções de Direito Penal para o
concurso do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais – Cargo: Oficial Judiciário.
O objetivo é proporcionar uma revisão rápida e de alta qualidade aos alunos por meio de tópicos
que possuem as maiores chances de incidência em prova.
Todos os bizus destinam-se a alunos que já estejam na fase bem final de revisão (que já
estudaram bastante o conteúdo teórico da disciplina e, nos últimos dias, precisam revisar por algum
material bem curto e objetivo).
Késia Oliveira Leonardo Mathias
@kesiaramosoliveira @profleomathias
1
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de Justiça) Bizu Estratégico - 2022 (Pós-Edital)
[Link]
08203001360 - Carlos
2487464
Anderson Costa Ribeiro
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Heloísa Tondinelli, Jefferson de Souza Correia, Késia Vieira Ramos de Oliveira, Leonardo Ma
Aula 09
ANÁLISE ESTATÍSTICA
Primeiramente, vejamos o conteúdo de Noções de Direito Penal inserido no edital para o concurso do
TJ-MG:
Noções de Direito Penal: 4.1. Dos crimes contra a fé pública 4.2. Dos crimes contra a administração
pública.
Pessoal, segue abaixo uma análise estatística dos assuntos mais exigidos no âmbito da disciplina de
Noções de Direito Penal em concursos realizados pela IBFC.
Noções de Direito Penal
Assunto % de cobrança
Dos crimes contra a fé pública 15,15%
Dos crimes contra a administração pública. 84,85%
2
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de Justiça) Bizu Estratégico - 2022 (Pós-Edital)
[Link]
08203001360 - Carlos
2487464
Anderson Costa Ribeiro
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Heloísa Tondinelli, Jefferson de Souza Correia, Késia Vieira Ramos de Oliveira, Leonardo Ma
Aula 09
Neste material trataremos apenas os tópicos com maior incidência, por possuírem um custo-benefício
elevado no nosso concurso.
Segue uma tabela contendo a numeração dos bizus referentes a cada tópico abordado e os respectivos
cadernos de questões selecionadas no nosso SQ:
Noções de Direito Penal – TJ-MG
Assunto Bizus Caderno de Questões
Dos crimes contra a administração
1a9 [Link]
pública.
OBS:. Como não localizamos muitas questões elaboradas pela IBFC, inserimos questões de outras bancas
que possuem um nível de cobrança semelhante e sugerimos que refaçam as questões propostas pelo
professor ao final do PDF.
3
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de Justiça) Bizu Estratégico - 2022 (Pós-Edital)
[Link]
08203001360 - Carlos
2487464
Anderson Costa Ribeiro
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Heloísa Tondinelli, Jefferson de Souza Correia, Késia Vieira Ramos de Oliveira, Leonardo Ma
Aula 09
Apresentação
Antes de começarmos, gostaria de me apresentar. Meu nome é Késia Oliveira
e sou natural do Rio de Janeiro. Sou graduada em Direito e Pós-Graduada em
Direito Administrativo e Contratos pela UCAM e em Direito Público pela
Faculdade Legale.
Atualmente, exerço o cargo de Auditora de Controle Interno no Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ). Também
fui aprovada no 7 º Concurso para Analista do MPU - Especialidade: Direito -
e no VII Concurso para Analista do TRF 1 - Especialidade: Oficial de Justiça
Avaliador Federal (2° lugar – Subseção Judiciária de Poços de Caldas - MG).
Serei a responsável pelo Bizu Estratégico de Noções de Direito Penal e, com ele, pretendo abordar
os tópicos mais cobrados nessa disciplina, de maneira concisa e objetiva, por meio de uma linguagem bem
clara!
Espero que gostem!
Bons estudos!
4
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de Justiça) Bizu Estratégico - 2022 (Pós-Edital)
[Link]
08203001360 - Carlos
2487464
Anderson Costa Ribeiro
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Heloísa Tondinelli, Jefferson de Souza Correia, Késia Vieira Ramos de Oliveira, Leonardo Ma
Aula 09
Noções de Direito Penal
Crimes contra a Administração Pública
DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
O conceito de funcionário público para fins penais está no art. 327 do CP:
✓ Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade
paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada
para a execução de atividade típica da Administração Pública.
Trataremos nos próximos tópicos dos crimes mais são cobrados nas provas concursos.
1. Peculato
O peculato pode ser praticado de diversas maneiras:
PECULATO-APROPRIAÇÃO E PECULATO DESVIO - Artigo 312 do Código Penal.
✓ Trata-se da conduta do funcionário público que se apropria de dinheiro, valor ou qualquer outro
bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito
próprio ou alheio.
PECULATO-FURTO- Artigo 312, § 1° do Código Penal. Também chamado de peculato impróprio,
caracteriza-se não pela apropriação ou desvio de um bem que fora confiado ao agente em razão do
cargo, mas da subtração de um bem que estava sob guarda da administração.
✓ Nesse crime o agente não possui a guarda do bem, praticando verdadeiro furto, que, em razão das
circunstâncias (ser o agente funcionário público e valer-se desta condição para subtrair o bem),
caracteriza-se como o crime de peculato-furto.
PECULATO CULPOSO - Artigo 312, § 2° do Código Penal. Essa modalidade culposa se verifica quando
o agente, sem ter a intenção de participar do crime funcional praticado por outro funcionário,
acaba, em razão do seu descuido, colaborando para isso.
✓ O CP estabelece, ainda, que no caso do crime culposo (somente neste!), se o agente reparar o dano
antes de proferida a sentença irrecorrível (ou seja, antes do trânsito em julgado), estará extinta a
punibilidade. Caso o agente repare o dano após o trânsito em julgado, a pena será reduzida pela
metade.
5
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de Justiça) Bizu Estratégico - 2022 (Pós-Edital)
[Link]
08203001360 - Carlos
2487464
Anderson Costa Ribeiro
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Heloísa Tondinelli, Jefferson de Souza Correia, Késia Vieira Ramos de Oliveira, Leonardo Ma
Aula 09
PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM – Artigo 313 do Código Penal. O peculato por erro de
outrem é uma modalidade muito assemelhada ao peculato apropriação. No entanto, nessa
modalidade, o agente recebe o bem ou valor em razão de erro de outra pessoa.
2. Concussão
O crime de concussão está previsto no art. 316 do CP, que assim dispõe:
✓ Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos,
e multa.
Trata-se de crime próprio, só podendo ser praticado pelo funcionário público, ainda que apenas
nomeado (mas não empossado)
A conduta é a de exigir vantagem indevida. Vejam que o agente não pode, simplesmente, pedir ou
solicitar vantagem indevida. A Lei determina que deve haver uma “exigência” de vantagem indevida.
Este crime é muito confundido com o de corrupção passiva.
Se o agente exige, teremos concussão! Se o agente apenas solicita, recebe ou apenas aceita
promessa de vantagem, teremos corrupção passiva.
3. Excesso de Exação
O crime de excesso de exação, previsto no art. 316, § 1° do CP, prevê uma espécie de concussão, só
que específica em relação à exigência de tributo ou contribuição social indevida:
✓ § 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou,
quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: Pena -
reclusão, de três a oito anos, e multa.
O dispositivo estabelece como conduta punível, também, a conduta de exigir tributo ou
contribuição social devida, mas mediante utilização de meio de cobrança vexatório ou gravoso,
não autorizado por lei. Portanto, são dois núcleos diferentes previstos neste tipo penal.
O § 2°, por fim, estabelece uma qualificadora, no caso do agente que, além de exigir indevidamente
o tributo ou contribuição social, desviá-lo dos cofres da administração pública, em proveito próprio
ou de terceiros:
✓ § 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para
recolher aos cofres públicos: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
4. Corrupção passiva
6
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de Justiça) Bizu Estratégico - 2022 (Pós-Edital)
[Link]
08203001360 - Carlos
2487464
Anderson Costa Ribeiro
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Heloísa Tondinelli, Jefferson de Souza Correia, Késia Vieira Ramos de Oliveira, Leonardo Ma
Aula 09
A corrupção passiva está tipificada no art. 317 do CP.
A conduta é a de solicitar, receber vantagem ou aceitar promessa do recebimento de vantagem
futura.
A corrupção passiva pode ser imprópria, quando o ato a ser praticado pelo funcionário público em
troca da vantagem for legítimo (o funcionário recebe a vantagem, por exemplo, para agilizar o
andamento de uma certidão). Por outro lado, considera-se como corrupção própria aquela na qual
o agente recebe a vantagem ou aceita a promessa de vantagem para praticar ato ilícito.
✓ O § 2°, por fim, estabelece uma forma “privilegiada” do crime. É a hipótese do “favor”, aquela
conduta do funcionário que cede a pedidos de amigos, conhecidos ou mesmo de estranhos, para
que faça ou deixe de fazer algo ao qual estava obrigado, sem que vise ao recebimento de qualquer
vantagem ou à satisfação de interesse próprio:
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou
multa.
5. Prevaricação
O crime de prevaricação é tipificado no art. 319 do CP.
A conduta é retardar ou deixar de praticar ato de ofício, ou, ainda, praticá-lo contra disposição
expressa da lei.
Exige-se que o agente pratique o crime para satisfazer interesse ou sentimento pessoal (dolo
específico). Não se admite o crime na forma culposa.
LEMBREM-SE:
FAVORZINHO GRATUITO = CORRUPÇÃO PASSIVA PRIVILEGIADA
SATISFAÇÃO DE INTERESSE PRÓPRIO = PREVARICAÇÃO
DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
6. Resistência
A partir deste tópico, os crimes são comuns. Ou seja, podem ser praticados por qualquer pessoa.
7
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de Justiça) Bizu Estratégico - 2022 (Pós-Edital)
[Link]
08203001360 - Carlos
2487464
Anderson Costa Ribeiro
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Heloísa Tondinelli, Jefferson de Souza Correia, Késia Vieira Ramos de Oliveira, Leonardo Ma
Aula 09
A conduta punida é a resistência comissiva (ação), ou seja, aquela na qual o agente pratica uma
conduta, qual seja, o emprego de violência ou ameaça ao funcionário que irá executar o ato legal.
Entende-se, ainda, que essa violência deve ser contra o funcionário público, não contra coisas.
Caso o crime seja praticado mediante violência o agente responde não só pelo crime de resistência,
mas responde de maneira autônoma pela violência:
✓ Art. 329 (...) § 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.
7. Desobediência
Está tipificado no art. 330 do CP. Aqui o agente deixa de fazer algo que lhe fora determinado ou faz
algo cuja abstenção lhe fora imposta mediante ordem de funcionário público competente.
==25f4a8==
Trata-se, portanto, de crime omissivo ou comissivo, a depender da conduta do agente.
Esse crime não se configura quando o réu desobedece a ordem que possa lhe incriminar, pois não
está obrigado a contribuir para sua incriminação.
8. Desacato
Nos termos do art. 331 do CP:
✓ Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena - detenção,
de seis meses a dois anos, ou multa.
O conceito de “desacatar” pode ser definido como a falta de respeito, a humilhação, com gestos ou
palavras, vias de fato, até mesmo agressões físicas, etc.
Entretanto, isto não significa que a mera crítica ao exercício da função pelo servidor seja
considerada desacato, desde que seja realiza de maneira condizente com os padrões de respeito e
urbanidade.
Não se exige que o funcionário esteja na repartição ou no horário de trabalho, mas sim que o
desacato ocorra em razão da função exercida pelo servidor exige-se que o ato seja praticado na
presença do funcionário público.
Além disso, entende-se que se o ofendido já não é mais funcionário público (demitido, aposentado,
etc.), o crime de desacato não se caracteriza, ainda que praticado em razão da função
anteriormente exercida pelo funcionário.
9. Corrupção ativa
✓ Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a
praticar, omitir ou retardar ato de ofício:
8
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de Justiça) Bizu Estratégico - 2022 (Pós-Edital)
[Link]
08203001360 - Carlos
2487464
Anderson Costa Ribeiro
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Heloísa Tondinelli, Jefferson de Souza Correia, Késia Vieira Ramos de Oliveira, Leonardo Ma
Aula 09
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Este crime pode ser cometido de duas formas diferentes (é, portanto, crime de ação múltipla):
oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público.
O elemento subjetivo é o dolo, exigindo-se que o agente possua a finalidade especial de agir
consistente no objetivo de fazer com que, mediante a vantagem oferecida ou prometida, o
funcionário público aja de tal ou qual maneira.
Aqui, não se pune a corrupção subsequente. O que seria isto? Vejam que se exige que a promessa
ou oferecimento seja anterior à prática do ato19, não havendo o crime se o ato já fora praticado
pelo funcionário público.
Note-se que a existência da corrupção ativa independe da passiva, e vice-versa. Assim, pode
acontecer de o agente oferecer ou prometer a vantagem e funcionário não a aceitar. Neste caso,
haverá apenas corrupção ativa.
A Doutrina entende que o mero pedido de favor, o famoso “jeitinho”, não configura o crime de
corrupção ativa.
--------------
Vamos ficando por aqui.
Esperamos que tenha gostado do nosso Bizu!
Bons estudos!
“O conselho da sabedoria é:
Procure obter sabedoria; use tudo o que você possui para adquirir entendimento”.
Provérbios 4:7
Késia Oliveira Leonardo Mathias
@kesiaramosoliveira @profleomathias
9
TJ-MG (Oficial Judiciário - Oficial de Justiça) Bizu Estratégico - 2022 (Pós-Edital)
[Link]
08203001360 - Carlos
2487464
Anderson Costa Ribeiro