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Emoções e Tomada de Decisão no Coaching

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Prof.

Fábio Eduardo da Silva


NEUROLIDERANÇA E
NEUROCOACHING
AULA 4
Aluno: Sérgio Peçanha Amaral de Almeida
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Email: [Link]@[Link]
Aluno: Sérgio Peçanha Amaral de Almeida

TEMA 1 – EMOÇÃO – O QUE É ISSO?

1.1 Conceitos

Emoção é um conjunto reações orgânicas voltadas a orientar a adaptação


do organismo ao seu meio ambiente. Sua função mais básica para nos orientar é
a avaliação (julgamento) dos estímulos que nos chegam quanto à importância e a
valência (valor). Por exemplo, se enxergamos que o rosto de uma pessoa
expressa raiva e essa pessoa está olhando para nós, esse estímulo captura nossa
atenção e será processado com prioridade. Ele é importante e sua valência é
negativa. Nessa situação, precisamos reagir de uma forma apropriada. Talvez
precisemos enfrentar ou mesmo lutar com essa pessoa. Ou talvez seja mais
oportuno fugir. Mas, se o estímulo for positivo, precisamos aproveitar e ter ações
adequadas, por exemplo de aproximação. É responsável por atribuir valor aos
estímulos que percebemos (julgamento), por isso influi em nossa atenção,
motivação, raciocínio e ação. Registra a valência de cada experiência para
compararmos com as futuras, por isso está associada à memória, “carimbando”
cada uma com um significado, um valor. Como modula todos esses elementos,
tem função crucial na tomada de decisão. Por final, a emoção é parte essencial
na comunicação, especialmente a não verbal, crucial para as interações sociais,
sendo, em nível não consciente, parte essencial da comunicação humana
(Damásio, 1996, 2000, 2011; Gazzaniga; Heatherton, 2005; Cosenza; Guerra,
2011; Ferreira, 2014).
A emoção age de forma não consciente, preparando o organismo para um
comportamento adaptativo. Ela pode ser observada publicamente, por exemplo
na expressão da raiva, mas por vezes não é percebida pela própria pessoa que a
está manifestando. Quando nos referimos à percepção consciente do efeito
emocional, estamos falando de sentimentos. Estes são privados, e não podem ser
vistos por um observador externo, somente por quem os está experimentando.
(Damásio, 1996, 2000, 2011).
Podemos classificá-las em primárias (universais), as mais importantes para
a evolução (raiva, medo, tristeza, nojo, surpresa e alegria), e secundárias, que
recebem influência cultural forte (como remorso, culpa e submissão) (Gazzaniga;
Heatherton, 2005; Damásio, 1996, 2000, 2011).
Para Ekman (citado por Gonzaga; Rodrigues, 2018), as emoções têm
caráter evolutivo e nos preparam para lidar rapidamente com eventos básicos da
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nossa vida. As seis emoções básicas se relacionam com temas universais, os


quais, com base em avaliações automáticas que fazemos do mundo, agem como
gatilhos que disparam emoções. O quadro a seguir mostra os temas universais e
as emoções relacionadas (Gonzaga; Rodrigues, 2018, p. 9):

Quadro 1 – Temas universais e as emoções relacionadas

Emoção Tema universal / Gatilho associado acionada por...

Raiva Reação a ataque, defesa de próprios interesses

Medo Sensação de ameaça iminente

Tristeza Perda de algo de valor

Nojo Violação a gostos ou preferências pessoais

Surpresa Alguma novidade que se apresenta

Alegria Presença ou percepção de algo de valor

1.2 Base neurológica

• Estriado – Estrutura muito importante, relacionada ao sistema de


recompensa do cérebro e, como consequência, aos comportamentos
motivados. Essa estrutura registra o valor de uma recompensa e aprende
sobre o estímulo e as ações que permitiram tal recompensa, e assim
procura reconduzir o organismo a obtê-la novamente (Phelps; Delgado,
2009).
• Amígdala – Ligada ao aprendizado e à memória emocional ou valor
emocional, se positivo ou negativo, de cada estímulo que nos chega.
Também está relacionada ao reconhecimento das emoções nas faces, em
especial para a emoção do medo. Na sua interação com o hipocampo,
modula o registro (memória) de eventos emocionais, garantido que tenham
prioridade, que não sejam esquecidos. Também orienta a atenção e a
tomada de decisão. Junto com o estriado, represa o valor dos fatos
(Gazzaniga; Ivry; Mangun, 2006).
• Hipocampo – Funciona em colaboração com a amígdala e está
relacionado à fixação de novas memórias, recentes e de longo prazo.
Também se relaciona com a orientação espacial. Está conectado e troca
informações com áreas corticais, tendo função importante nos processos
cognitivos de aprendizagem e memória, em especial na navegação,
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exploração e locomoção. De forma complementar, também se liga com as


regiões relacionadas ao controle das emoções e a comportamentos
motivados, como septo, amígdala, tálamo, hipotálamo, estriado, entre
outras (Cosenza; Guerra, 2011; Gazzaniga; Heatherton, 2005; Santos;
Bueno; Andrade, 2010; Kapczinski et al., 2011; Higgins; Georg, 2010).
• Córtex pré-frontal – Região crucial em nosso processamento mental,
recebe e efetua múltiplas influências. É essencial aos processos de
raciocínio, que esporadicamente podem se tornar conscientes, e aos
processos emocionais, que embora sejam usualmente não conscientes,
podem se manifestar na forma de sentimentos que vêm a ser percebidos
(Gil, 2005; Purves, 2005). O córtex orbitofrontal é parte do córtex pré-frontal
e divide-se em córtex pré-frontal ventromedial (área central) e córtex pré-
frontal látero-orbital (áreas laterais). Tem a função de “regular nossas
capacidades de inibir, avaliar e agir com a informação emocional e social.”
Dessa forma se relacionam- com a tomada de decisão (Gazzaniga; Ivry;
Mangun, 2006, p. 565).
• Córtex pré-frontal ventromedial (CPFvm) – Um caso clássico da
literatura e que destacou o papel do CPFvm na tomada de decisão foi o de
Phineas Gage. Operário da construção de estradas de ferro nos Estados
Unidos., Gage teve essa região de seu cérebro atravessada por uma barra
de ferro, após uma explosão. Não morreu, se recuperou, mas seu
comportamento social e sua personalidade mudaram drasticamente, razão
pela qual perdeu seu emprego. Gage não fazia mais escolhas vantajosas.
Outros casos semelhantes confirmaram a importância dessa estrutura para
a tomada de decisão, com destaque para aquelas de cunho econômico,
mas também para o comportamento social, interpessoal (Damásio, 1996).

1.3 Emoção e cognição na Tomada de Decisão

As pessoas com lesões no CPFvm mantêm seus níveis intelectuais, lógica,


memória e a capacidade de aprendizado, linguagem e percepção iguais aos que
tinham antes. Reconhecem suas falhas decisórias, mas não conseguem repará-
las. As capacidades intelectuais/cognitivas são mantidas, mas as afetivas não.
Esse contraste fez com o neurocientista português, Antônio Damásio (1996, 2000,
2011), evidenciasse o papel da emoção para a tomada de decisão, e criasse a
sua hipótese dos marcadores somáticos. Esses marcadores antecipam
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consequências de uma decisão, pela atualização dos efeitos emocionais de


decisões prévias semelhantes. Nem todas as decisões orientadas pelas emoções
são boas, mas o conhecimento racional, consciente, sozinho não é suficiente para
que as decisões sejam vantajosas ao organismo. Em resumo, a TD é tanto
racional como emocional, consciente e inconsciente (Damásio, 1996, 2000, 2011;
Bechara, Damásio, 2005).

1.4 Refletindo sobre as emoções

Como vimos, as emoções são cruciais em praticamente tudo o que


fazemos. Organizamos nossas vidas buscando ter emoções positivas e nos
esquivando daquelas negativas. Estamos atentos às emoções dos outros,
organizamos atividades (passatempos, entretenimentos) para manipular nossas
emoções (Damásio, 2000).
Elas são formadas por 5 componentes (Scherer, citado por Rodrigues;
Oliveira; Diogo, 2015, p. 140):

Avaliação cognitiva: fornece uma avaliação de eventos e estímulos;


Sintomas corporais: alterações fisiológicas desencadeadas por um
estado emocional;
Tendências de ação: componente motivacional para preparação e
direção das respostas motoras;
Expressão: expressões faciais e vocais quase sempre acompanham
um estado emocional (em diferentes padrões) para comunicar reações
e intenções de ações;
Sentimentos: experiência subjetiva da experiência de emoções.

Esses componentes se combinam e orientam nossa atenção, julgamento,


motivação, memória, raciocínio, comunicação, tomada de decisão e a ação. Mas,
o quanto percebemos dessa imensa importância? Ou melhor, o quanto nos damos
conta dessa crucial e contínua influência?
Aparentemente, muito pouco, visto que a maior parte dessa influência se
dá em níveis não conscientes. E seria possível perceber mais? Possivelmente
sim. Aqui adentramos na área do autoconhecimento, mais especificamente da
inteligência emocional.

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TEMA 2 – INTELIGÊNCIA EMOCIONAL (IE)

2.1 Apresentando a Inteligência Emocional

Para considerar a Inteligência Emocional, precisamos nos reportar às


pesquisas de Peter Salovey e John Mayer, sobre a relação da emoção com
inteligência. Para esses pesquisadores, Inteligência Emocional (IE) é “a habilidade
para controlar os sentimentos e emoções em si mesmo e nos demais, discriminar
entre elas e usar essa informação para guiar as ações e os pensamentos” (Neta;
García; Gargallo, 2008, p.12). Daniel Goleman tornou o conceito de IE
mundialmente conhecido por meio do lançamento de seu livro, com o mesmo
nome. O trabalho de Goleman foi criticado por incluir habilidades não
necessariamente relacionadas à inteligência emocional. Mayer e Salovey
revisaram seu conceito inicial sobre IE, considerando quatro habilidades mentais
inter-relacionadas (Neta; García; Gargallo, 2008; Goleman, 2001; Woyciekoski,
Hutz, 2009):

A inteligência emocional implica a habilidade para perceber e valorar


com exatidão a emoção; a habilidade para acessar e ou gerar
sentimentos quando esses facilitam o pensamento; a habilidade para
compreender a emoção e o conhecimento emocional, e a habilidade
para regular as emoções que promovem o crescimento emocional e
intelectual
A percepção e identificação emocional se referem à habilidade para
perceber e identificar as emoções próprias e alheias, incluindo na voz
das pessoas, nas obras de arte, na música, nas histórias. O segundo
componente, a facilitação emocional, envolve a habilidade para usar
as emoções para facilitar os processos cognitivos (na solução de
problemas, tomada de decisões, relações interpessoais). Compreender
a emoção implica conhecer os termos relacionados com as emoções e
as formas como estas se combinam, progridem e mudam. O último nível,
o de regulação emocional, trata da habilidade de saber usar estratégias
para mudar os próprios sentimentos e saber avaliar se elas são eficazes
ou não (Neta; García; Gargallo, 2008, p. 13).

2.2 Cinco habilidades da IE de Goleman

• Autoconsciência – Base da IE, reconhecer os próprios sentimentos ou


emoções, quando ocorrem, é a chave para o autocontrole e as demais
características da IE. É crucial também para distinguir os seus processos
emocionais dos demais (Goleman, 2001).
• Autocontrole – Lidar com as próprias emoções / sentimentos (por
exemplo, raiva, tristeza, medo), para que sejam apropriados aos diferentes

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contextos e necessidades, por exemplo o foco / concentração e raciocínio


numa atividade. (Goleman, 2001).
• Motivação – Modular as emoções na direção de metas, por exemplo,
adiando a satisfação, conter a impulsividade e reverter a frustração, bem
como ativar o entusiasmo imaginando recompensas/aspectos positivos do
processo e produto (força de vontade consciente), podem ser chaves para
manter a motivação no nível ótimo na direção das metas. (Goleman, 2001).
• Empatia – Perceber conscientemente o espelhamento neuronal (que
captura automaticamente as intenções, emoções e ações) e usá-lo para
perceber os sinais que as pessoas nos enviam, que nos indicam suas
necessidades e intenções. Ser ouvinte atento e compreender o ponto de
vista do outro, pelo outro. Essencial nas áreas assistenciais, de ensino,
vendas e administração/gestão (Goleman, 2001).
• Lidar com relacionamentos, ou com a emoção das outras pessoas –
inteligência interpessoal, boa capacidade de negociação, persuasão.
(Goleman, 2001).

Para Goleman, a IE e social é o que diferencia o comportamento dos


líderes. Em revisão de seu conceito, Goleman apresenta um modelo de IE com
duas perspectivas: intrapessoal (emocional) e interpessoal (social), conforme é
mostrado na Figura 1 (Gonzaga; Rodrigues, 2018, p. 16-17).

Figura 1 – IE com duas perspectivas: intrapessoal (emocional) e interpessoal


(social)
Intrapessoal (eu) Interpessoal (outro)

Autoconsciência Consciência social


Inteligência
Emocional
Gestão de
Autogerenciamento
relacionamentos

Fonte: Gonzaga; Rodrigues, 2018, p. 16-17.

TEMA 3 – Inteligência Emocional (IE) no contexto da liderança/gestão


organizacional internacional

Segundo o Fórum Econômico Mundial (WEF, 2016), estamos na quarta


revolução industrial, caracterizada por desenvolvimentos em genética, robótica,
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inteligência artificial, nanotecnologia, impressão em 3D, biotecnologia, automação


em transporte, aprendizagem automática e economia compartilhada, entre outros
fatores.
Concomitantes à revolução tecnológica, há um conjunto de fatores que
trazem mudanças socioeconômicas, geopolíticas e demográficas mais amplas,
cada uma interagindo em múltiplas direções e se intensificando mutuamente. À
medida que setores inteiros se ajustam, a maioria das ocupações passa por uma
transformação fundamental. Enquanto alguns trabalhos são ameaçados pela
redundância e outros crescem rapidamente, os trabalhos existentes também
passam por uma mudança nos conjuntos de habilidades necessários para
executá-los. O debate sobre essas transformações é muitas vezes polarizado
entre aqueles que preveem novas oportunidades sem limites e aqueles que
preveem deslocamentos maciços de empregos (WEF, 2016, p. 7).

A questão, então, é como os negócios, o governo e os indivíduos


reagirão a esses desenvolvimentos. Para evitar o pior cenário possível -
mudanças tecnológicas acompanhadas de escassez de talentos,
desemprego em massa e desigualdade crescente - a requalificação e
melhoria de qualificação dos trabalhadores de hoje será crítica. Embora
muito tenha sido dito sobre a necessidade de reforma na educação
básica, simplesmente não é possível enfrentar a atual revolução
tecnológica esperando que a força de trabalho da próxima geração
esteja mais bem preparada. Em vez disso, é fundamental que as
empresas assumam um papel ativo no apoio às suas atuais forças de
trabalho através de reciclagem, que os indivíduos adotem uma
abordagem proativa para seu aprendizado ao longo da vida e que os
governos criem o ambiente favorável, de forma rápida e criativa, para
auxiliar esses esforços (WEF, 2016, p.7).

As áreas mais influenciadas por essas mudanças incluem consumo, saúde,


energia, mídia, entretenimento, finanças, infraestrutura e mobilidade. Para se
adaptar a esse contexto, o referido fórum indica que os profissionais deverão
desenvolver competências até 2020.

Quadro 2 – Competências que profissionais deverão desenvolver até 2020,


segundo o Fórum Econômico Mundial

Tipo de habilidade Habilidade Definição


A capacidade de gerar ou usar diferentes
Flexibilidade
conjuntos de regras para combinar ou agrupar as
cognitiva
coisas de diferentes maneiras.
A capacidade de apresentar ideias incomuns ou
Habilidades inteligentes sobre um determinado tópico ou
Criatividade
cognitivas situação, ou desenvolver maneiras criativas de
resolver um problema.
A capacidade de combinar informações para
Raciocínio lógico formar regras gerais ou conclusões (inclui
encontrar um relacionamento entre eventos
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aparentemente não relacionados) e / ou aplicar


regras gerais a problemas específicos para
produzir respostas que façam sentido
A capacidade de dizer quando algo está errado ou
Sensibilidade ao é provável que dê errado. Não envolve resolver o
problema problema, apenas reconhecendo que existe um
problema.
A capacidade de escolher os métodos
Raciocínio
matemáticos corretos ou fórmulas para resolver um
matemático
problema.
A capacidade de imaginar como algo vai ficar,
Visualização após isso ser movimentado ou quando suas partes
são movidas ou reorganizadas.
Compreender as implicações de novas
Aprendizado ativo informações para a resolução de problemas atuais
e futuras e para a tomada de decisões.
Conversando com outras pessoas para transmitir
Expressão oral
informações de maneira eficaz.
Competências de Compreensão de Compreender sentenças escritas e parágrafos em
conteúdo leitura documentos relacionados ao trabalho.
Comunicar eficazmente por escrito, de acordo com
Expressão escrita
as necessidades do público.
Usando tecnologia digital, ferramentas de
Alfabetização em
comunicação e redes para acessar, gerenciar,
TIC
integrar, avaliar e criar informações.
Dando total atenção ao que as outras pessoas
estão dizendo, tendo tempo para entender os
Escuta ativa pontos que estão sendo feitos, fazendo perguntas
conforme apropriado e não interrompendo em
momentos inapropriados.
Habilidades de
Usando lógica e raciocínio para identificar os
Processo Pensamento
pontos fortes e fracos de soluções alternativas,
crítico
conclusões ou abordagens para problemas.
Monitorar / avaliar o desempenho de si mesmo, de
Monitorando o eu
outros indivíduos ou organizações para melhorar
e os outros
ou tomar ações corretivas.
Habilidades de
Resolução de Capacidades desenvolvidas usadas para resolver
resolução de
problemas problemas novos e mal definidos em configurações
problemas
complexos complexas do mundo real.
complexos
Gestão de
Determinar como o dinheiro será gasto para
recursos
realizar o trabalho e contabilizar esses gastos.
financeiros
Obtenção e observação para o uso apropriado de
Habilidades de Gestão de
equipamentos, instalações e materiais necessários
gerenciamento de recursos materiais
para realizar determinado trabalho.
recursos
Motivar, desenvolver e dirigir as pessoas enquanto
Gestão de
elas trabalham, identificando as melhores pessoas
pessoas
para o trabalho.
Gerenciamento Gerenciando o próprio tempo e o tempo dos
de tempo outros.
Coordenando
Ajustar ações em relação às ações dos outros.
com os outros
Inteligência Estar ciente das reações dos outros e entender por
emocional que eles reagem como eles.
Negociação Reunir os outros e tentar reconciliar as diferenças.
Habilidades sociais Persuadir os outros a mudarem de ideia ou
Persuasão
comportamento.
Orientação de Procurando ativamente maneiras de ajudar as
serviço pessoas.
Treinando e
Ensinar os outros a fazer alguma coisa.
ensinando outros

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Julgamento e
Considerando os custos e benefícios relativos de
tomada de
ações potenciais para escolher o mais adequado.
Habilidades de decisão
Sistemas Determinar como um sistema deve funcionar e
Análise de
como as mudanças nas condições, nas operações
sistemas
e no ambiente afetarão os resultados.
Fonte: WEF, 2016, p. 52-3.

TEMA 4 – TÉCNICAS PARA GERIR AS EMOÇÕES I

Tendo visto a importância das emoções para nossa vida, tanto pessoal
como profissional, apresentamos técnicas para melhor percebê-las e lidar com
elas.

4.1 Treino de atenção

O treino de atenção permite mantê-la de forma constante, receptiva ao que


ocorre, com calma e clareza, elementos essenciais a IE. Quanto mais atenção,
mais controle sobre as reações emocionais. O treino da atenção pode focar-se no
corpo, permitindo perceber as reações corporais das emoções – lembrando que
as emoções têm componentes psicológicos e fisiológicos, que são mais fáceis de
serem percebidos; se percebemos mais a experiência emocional, melhor a
gerenciamos (Tan, 2014).
Wallace (2018) apresenta uma série de técnicas em seu livro A revolução
da atenção, do qual extraímos uma relacionada à atenção contínua:

Permaneça relaxado, imóvel e vigilante. Essas três qualidades do


corpo devem ser mantidas durante todas as sessões de meditação.
Quando já tiver estabelecido seu corpo com essas três qualidades, faça
três respirações lentas, suaves e profundas, inspirando e expirando
pelas narinas. Deixe que sua consciência permeie todo o corpo enquanto
respira, notando qualquer sensação relacionada à respiração. Entregue-
se e desfrute dessas respirações profundas, como se estivesse
recebendo uma massagem interna bem suave (Wallace, 2018, p. 38).
Com essa preparação você estabelece uma base de relaxamento. Sem
perder essa sensação de calma, passe agora a enfatizar o cultivo da
estabilidade da atenção. [...] Com esse objetivo, em vez de manter a
atenção nas várias sensações da respiração ao longo de todo o corpo,
foque a sua atenção apenas nas sensações da expansão e relaxamento
do abdômen, em cada uma das respirações. Como fez anteriormente,
observe a duração de cada inspiração e de cada expiração e observe,
também, a duração das pausas entre as respirações. Por puro hábito, os
pensamentos não intencionais formarão uma cascata em sua mente,
como uma verdadeira cachoeira (Wallace, 2018, p. 55).
Uma forma de estancar esse fluxo implacável de encandeamento de
ideias é contar as respirações. Tente isso agora, contando “um”, no
início da primeira inspiração; em seguida preste bastante atenção às
sensações da respiração durante todo o restante da inspiração e durante
toda a expiração. Conte “dois” no início da próxima respiração e continue
fazendo dessa forma enquanto achar que é útil. Deixe que essa

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contagem mental seja breve para que sua atenção à contagem não
substitua a consciência da própria respiração. O objetivo da contagem é
inserir breves lembretes na prática – “lembrar de lembrar” – para que
você não seja arrastado pelas distrações. [...] Essa fase da prática diz
respeito principalmente à atenção plena à respiração, não à contagem.
(Wallace, 2018, p. 55).

Indicamos que você conte até 20 e depois retorne a contagem ao zero.


Após aperfeiçoar essa sequência, pode avançar para números maiores, como 30
e 50, por exemplo.

4.2 Classificação das emoções

Quando uma pessoa consegue classificar seus sentimentos com palavras,


tem mais facilidade para lidar com suas emoções, visto que esse processo ativa
o CPFvm que regula a amígdala – o disparador emocional do cérebro (Tan, 2014).
A prática é simples: cada vez que tomamos consciência de nós mesmos,
procuramos avaliar nossos sentimentos (que são baseados em emoções),
tentando classificá-los dentre as emoções possíveis.
Ampliando um pouco a lista das emoções básicas indicadas anteriormente,
indicamos oito emoções e suas famílias sugeridas por Goleman (2001, p. 303-
304):

Alegria, prazer - felicidade, alívio, contentamento, deleite, diversão,


orgulho, prazer sensual, arrebatamento, gratificação, satisfação, bom
humor, euforia, êxtase, mania.
Tristeza - sofrimento mágoa, desânimo, desalento melancolia,
autopiedade, solidão, desamparo, desespero, depressão,
Medo, ansiedade, apreensão, nervosismo, preocupação,
consternação, cautela, escrúpulo, inquietação, pavor, susto, terror,
fobia e Pânico
Raiva/ira - fúria, revolta, ressentimento, exasperação, indignação,
vexame, acrimônia, animosidade, aborrecimento, irritabilidade,
hostilidade, ódio
Amor - aceitação, amizade, confiança, afinidade, dedicação, adoração,
paixão, ágape
Surpresa - choque, espanto, pasmo, maravilha
Desprezo, nojo - desdém, antipatia, aversão, repugnância, repulsa
Vergonha - culpa, vexame, mágoa, remorso, humilhação,
arrependimento, mortificação, contrição

4.3 Técnica de rSOL+ – chave de presentificação, autopercepção e


mudança de estado de consciência

A técnica rSOL+, é uma chave (sigla) para: r: respiração, Sujeito, Objeto,


Lugar, + emoção positiva. É uma técnica de presentificação, ou seja, de tornar-se
presente, consciente do momento e do local. Ela pode ser feita várias vezes ao

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dia, e sugerimos que você tenha como objetivo uma quantidade de vezes – por
exemplo, pode começar fazendo uma vez por dia, durante uma semana. Depois,
2, 4 e até 8 vezes por dia, sucessivamente, na medida em que consolida o hábito.
Quando ele se consolidar, você fará a técnica espontaneamente, muitas vezes
por dia. Vamos à descrição da sequência:

• Respiração – Inicio com algumas respirações (r) conscientes, para trazer


a atenção para a minha respiração e acalmá-la, se não estiver calma. Essa
etapa pode incluir a imaginação de uma cor, por exemplo a respiração com
cor dourada (ou outra que acha conveniente), imaginando a conexão com
o sol, trazendo o foco dessa conexão no centro do peito, tornando-o um
pequeno sol.
• Sujeito – Chamar-me mentalmente pelo meu nome, para que eu me sinta
mais presente em mim mesmo. Depois, mentalmente percebo alguns
elementos em mim.
• Corpo – Disposição, sensações, postura, dores, tensões, necessidades):
conexão carinhosa e atenta com meu corpo
• Emoção – Como está meu humor, positivo ou negativo? Com qual
intensidade, ou quão alerta estou? Como está minha motivação,
preocupação, ansiedade? Estou fazendo julgamentos mentais? Se sim,
que emoção está guiando (enviesando) esses julgamentos?
• Pensamento, vontade, foco – Estou calmo ou agitado? Focado ou
disperso? Muitos pensamentos ou poucos? Minha força de vontade está
forte ou fraca? Há pensamentos repetitivos em minha mente? Que padrões
percebo neles?
• Objeto (de relação) – Com o que ou com quem me relaciono neste
momento? Quais as características? O que estou fazendo?
• Lugar – Onde estou? Quais são as características deste local? Existem
influências coletivas em curso neste momento? Quais?
• Emoção + – Evoco uma lembrança feliz, prazerosa, na qual me sentia
confiante, produtivo(a). Pode ser também um agradecimento por coisas
boas que me aconteceram-acontecem. Busco sentir essa emoção em todo
o corpo. O que muda nele com a emoção evocada?

Para finalizar, fazemos um questionamento sobre o momento que vivemos,


com o objetivo de quebrar a habituação perceptiva. Esta experiência que estou

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vivendo, é sonho ou realidade? Estou sonhando ou acordado? Algo estranho


ocorre neste momento? Como cheguei a este momento?

4.4 Cavalgando as emoções – eu não sou minhas emoções por isso posso
treinar o autocontrole

Para onde você está indo? Pergunte ao cavalo!

Era uma vez, na antiga China, um homem sobre um cavalo que passou
por um homem que caminhava pela estrada. O homem perguntou:
cavaleiro, para onde o senhor está indo? O homem no cavalo respondeu:
não sei, pergunte ao cavalo (Tan, 2014).

Figura 2 – Cavaleiro chinês guiado pelo cavalo

Crédito: Vinsintus/Shutterstock.

Como as emoções modulam nossa percepção, avaliação e interação com


a “realidade”, além de modular também nossa motivação (vontade), podemos
refletir que a emoção é um guia, evolutivo, voltado a nos orientar com vistas à
adaptação, à sobrevivência. Como ela funciona em grande medida de forma não
consciente, ao menos sua parte física é independente de qualquer vontade
consciente. Na analogia da história acima, podemos pensar que a emoção é o

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cavalo. O cavaleiro não exerce influência sobre a direção escolhida, deixa que o
leve para onde desejar, por isso não sabe para onde está indo. Possivelmente,
nem percebe que está sobre um cavalo, tal como o centauro, metade humano,
metade cavalo, não tem ciência de que ele ou ela não é suas emoções, que são
processos corporais. Mas, se percebermos que o cavalo existe (atenção focada
aos processos corporais é algo necessário), podemos exercer influência sobre
ele).
Por sorte, podemos, sim, amansar e guiar o animal. Isso tem início
compreendendo o cavalo e observando suas preferências, tendências e
comportamentos. Assim o que compreendemos, aprendemos nos
comunicar e trabalhar com ele. Por fim, o animal nos levará para onde
queremos ir. Dessa forma, criamos uma escolha para nós mesmos. [...]
em outras palavras, aprendemos a cavalgar (Tan, 2014).

Figuras 3 e 4 – Analogias para emoção

Crédito: Krikkiat/Shutterstock; Warpaint/Shutterstock.

Mas como? Prestando atenção ao nosso corpo (onde primeiro se


expressam nossas emoções) e, em especial, à nossa respiração (rédeas da
consciência), e percebendo que não somos nossas emoções. Usualmente,
percebemos as emoções como parte de nossa mente, elas “se transformam na
nossa própria existência”. (Tan, 2014)

Com a prática suficiente de meditação [atenção plena], você pode


acabar por notar uma mudança sutil, mas importante - pode começar a
sentir que as emoções que são simplesmente o que você sente, e não o
que você é. As emoções passam de algo existencial (sou) para algo
empírico (sinto). Com mais prática, pode haver outra mudança Sutil em
- você acaba por ver as emoções simplesmente com fenômenos
fisiológicos. As emoções se transformam no que sentimos com o corpo,
assim passamos de “eu estou com raiva” para “sinto raiva no meu corpo”
(Tan, 2014).

Técnica, principalmente quando estivermos em situações onde nossas


emoções estão intensificadas, podemos perguntar: Para onde o Sr. está indo?
E respondemos: pergunte ao cavalo! Então respiramos conscientemente por
alguns instantes e focamos nossa atenção ao corpo, buscando identificar que
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emoção estamos sentindo fisicamente. Aí, falamos mentalmente ou verbalmente:


sinto (nome da emoção) no meu corpo.
Com base nesta e em outras técnicas, é possível ir da compulsão/reação
para a escolha/resposta. Possibilita-nos autocontrole, que implica em 5
características (Tan, 2014):

1. Autorrepreensão: avaliar emoções incômodas e impulsos.


2. Confiança: manter padrões de honestidade e integridade.
3. Consciência: assumir a responsabilidade pelo desempenho
pessoal.
4. Adaptação: flexibilidade ao lidar com desafios.
5. Inovação: estar à vontade com novas ideias, abordagens e
informações.

TEMA 5 – TÉCNICAS PARA GERIR AS EMOÇÕES II

5.1 Lidar com situações incômodas

Tan (2014), propões quatro princípios para lidar com situações incômodas:

1. Saiba quando não está sentindo dor.


2. Não se sinta mal por se sentir mal.
3. Não alimente seus monstros.
4. Comece cada pensamento com gentileza e humor.

Saiba quando não está sentindo dor. Basicamente, é valorizar os


momentos em que não temos dor; trata-se de saborear essa liberdade, o que
tende a nos tornar mais felizes. Em geral, quando sentimos dor ou algum mal-
estar, podemos pensar que bom será quando estivermos livres dessa
circunstância; mas, ao estarmos livres, não valorizamos isso! Em complemento,
até mesmo quando estamos sentindo dor, frequentemente há intervalos –
percebê-los é muito importante para recuperar forças e enfrentar os momentos
que se seguiram (Tan, 2014).
Não se sinta mal por se sentir mal. Nos incomodamos por estarmos
incomodados, nos sentimos mal por nos sentimos mal, por ter emoções ou
sentimentos ruins, por sermos egoístas etc. Nos cobramos um padrão mais
elevado e nos culpamos por não manifestá-lo. “Puxa, sou uma pessoa tão boa, por
que estou sentindo toda essa inveja? [...] talvez, se eu fosse mesmo um bom
meditador, não me sentiria assim. Portanto, devo ser um hipócrita e um pedaço
inútil de [...]” (Tan, 2014).

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Trata-se de uma imagem superior que nosso ego faz de si mesmo e que
vai gerar uma nova perturbação. É oportuno então desapegar-se desta imagem, e
o humor pode auxiliar. Ao brincar com uma imagem de “um ser superior” que
construímos de nós mesmos, tornamos o desapego desta imagem mais leve e
fácil. Se a criamos é porque não gostamos/aceitamos a nossa “situação real”.
Aceitá-la é o desafio possível.

Figura 5 – Meus monstros

Crédito: Mssa/Shutterstock.

Não alimente seus monstros. E se existissem monstros que ocupam


nossa mente, desequilibram nossas emoções e nos provocam aborrecimentos?
Se eles fossem inevitáveis e poderosos e nos sentíssemos impotentes para
mandá-los embora? Imagine que sejam! O que fazer? Cortar seus suplementos
de comida! Se assim o fizermos, ficarão com fome, se tornarão mais fracos, talvez
até nos abandonem, ou conforme nossa habilidade para conversar com eles,
talvez se tornem nossos amigos, em vez de inimigos.

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Pense na raiva, por exemplo. Se você está com muita raiva de alguém
e examina essa raiva com a mente plena, talvez você descubra que a
raiva não é constante; ela vem e vai sutilmente. Pode, ainda, perceber
sua mente constantemente alimentando a raiva, repetindo uma ou mais
histórias para si mesmo. Se você parar de represá-las, poderá perceber
a raiva se dissipando por falta de combustível. O Monstro da Raiva
precisa se alimentar de nossas histórias. Sem elas para comer, o
Monstro da Raiva fica com fome e em algum momento desaparece. Ao
não a alimentar, você economiza energia mental, e o Monstro da Raiva
o deixa sozinho e vai brincar em outro lugar. Ele sabe que há muitas
pessoas dispostas a alimentá-lo por aí. Não nutrir os monstros é um
ótimo negócio (Tan, 2014).

Comece cada pensamento com gentileza e humor. “Em cada situação,


ruim ou não, é útil começar cada pensamento com gentileza e compaixão por si e
pelos outros. [...] Também considero muito útil ver humor nos meus pontos fracos.”
(Tan, 2014).
Humor e gentileza/compaixão podem ter caráter curativo sobre nossas
emoções, e também quando consideramos as “emoções dos outros”. Se
treinarmos usar carinho e comédia em situações difíceis, nossas e de demais
pessoas, talvez a vida se torne uma grande comédia e/ou uma grande
unidade/harmonia.

5.2 Lidar com provocações (Ferrovia Transiberiana)

Para lidar com tais situações, é preciso percebê-las. Marc Lasser (citado
por Tan, 2014), sugere que notemos três padrões:

• Corpo: respiração rápida, coração disparado, estômago revirado.


• Emoções: reação de tudo ou nada, sentindo-se como caça diante
do caçador ou tendo uma explosão emocional (o que Goleman chama
de “sequestro da amígdala”).
• Pensamentos: sentimento de vítima [estamos sendo injustiçados],
pensamentos de culpa e crítica, dificuldade de atenção.

Frequentemente, essas provocações nos remetem a experiências


anteriores, sejam elas com a mesma pessoa ou com outras. Relacionam-se
também com processos nossos, por exemplo o sentimento de autoinadequação
e/ou insegurança e/ou desvalor. Tais experiências nos produzem dor, “quase
como um nervo exposto” (Tan, 2014).

Se eu, por exemplo, estou me sentindo muito inseguro quanto a meu


desempenho profissional, a mera sugestão da minha chefe de que ela
está ligeiramente preocupada com o andamento do meu projeto pode
gerar uma reação em mim. Por outro lado, se estou muito confiante no
meu trabalho, minha reação quanto à minha chefe será completamente
diferente (Tan, 2014).

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A prática da Ferrovia Transiberiana foi criada para lidar com provocações


e/ou situações incômodas. Ela tem cinco passos: 1. Parar. 2. Respirar. 3. Notar
(Observar). 4. Refletir (Pensar). 5. Reagir (Escolher Resposta). PRORR, do
original, PROPEr, adaptação para nossa língua, para facilitar a memorização
(Tan, 2014).
A prática tem esse nome, considerando as iniciais da expressão em inglês
(SBNRR, SiBerian North RailRoad), o que em nossa língua não faz muito sentido.
No entanto a imagem de uma Ferrovia na Sibéria, um local muito gelado, pode
ser útil para esfriar o calor das emoções que estão sendo trabalhadas (Tan, 2014).

Figura 6 - Ferrovia Transiberiana

Crédito: Serjio74/Shutterstock.

Primeiramente, parar. A primeira atitude a fazer quando nos sentimos


insultados é parar. Essa pausa sagrada é muito importante e poderosa. Não
reagir imediatamente a uma provocação é uma escolha e um sinal explícito de
força, que será reconhecido pela outra pessoa (Tan, 2014).
Depois, respirar. O segundo passo reforça o primeiro e ainda produz um
efeito muito importante: a respiração consciente (principalmente se for profunda)
acalma a mente e o corpo (Tan, 2014).

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Na sequência, notar/observar. Agora, é possível perceber, anotar, sentir


a emoção se manifestando no corpo: rosto, pescoço, ombros, peito, costas.
Ocorrem mudanças na temperatura e na tensão do nosso corpo? Mindfulness é
requerida nesse momento – perceber a situação presente, sem julgar (Tan, 2014).
“O mais importante, nesse ponto, é vivenciar a dificuldade emocional
simplesmente como um fenômeno físico e não existencial. Se você estiver
sentindo raiva, por exemplo, sua observação não é ‘tenho raiva’, é ‘estou sentindo
raiva no meu corpo’” (Tan, 2014).
Depois, é hora de refletir/pensar. Esse é o momento no qual buscamos a
origem de nossa emoção, qual a história que está por trás. Nos sentimos
inadequados e/ou inseguros e/ou desvalorizados? Se a experiência envolver outra
pessoa, coloque-se no lugar dela. Pense nas seguintes afirmações: todos querem
ser felizes; essa pessoa acha que agir assim a deixará feliz, de algum modo (Tan,
2014).
Nesse nível, refletimos e adicionamos outra perspectiva, esquivando-nos
de julgar a pessoa à nossa frente. Se o fizermos, possivelmente estaremos
projetando nossas experiências anteriores, mal elaboradas, sobre a pessoa que
está estimulando; porém, se ela consegue produzir tal estímulo, é porque existe
em nós um ambiente receptivo propício (Tan, 2014).
Na sequência, devemos reagir/escolher a resposta. Neste momento,
vamos imaginar uma resposta que produzisse um resultado positivo. Não é
necessário responder, mas apenas imaginar possibilidades positivas e ou gentis.

No programa Busque dentro de você, antes de praticar o exercício da


Ferrovia Transiberiana, convidamos nossos participantes a falar sobre
uma situação na qual se sentiriam provocados. Isso os prepara para o
exercício. Geralmente pedimos que se reúnam em grupos de três, nos
quais cada pessoa fale por três minutos. O tópico da conversa é: —
Descreva uma situação na qual você se sinta provocado: 1. Qual o
acontecimento? 2. Que sentimentos ele desperta? Qual o primeiro
sentimento — raiva, isolamento? 3. Onde, no seu corpo, você sente
isso? Você está sentindo isso agora? Em casa, recomendo que você
pense na última vez que se viu emocionalmente provocado e se
pergunte as questões acima. Isso o preparará para a meditação a seguir
(Tan, 2014).

5.3 Integrando e transformando transferências

“A busca de coerência promove o autoengano” (Callegaro, 2011, p. 113).


Os pressupostos que se baseiam na presente técnica se inspiram na perspectiva
de que frequentemente podemos confundir e identificar erroneamente a origem
de uma emoção ao fazermos associações com experiências imediatas ou
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passadas não percebidas conscientemente (Cozenza; Guerra, 2011). Também


porque utilizamos de um intérprete cerebral, que cria narrativa para obter ordem
e coerência no nosso mundo psicológico. Tais narrativas podem distorcer nossa
memória, com base em conhecimentos gerais ou experiências passadas. O
intérprete cerebral produz essas distorções da memória para construir um modelo
de Eu e do mundo frequentemente diverso da realidade objetiva. Na perspectiva
do novo inconsciente, a disparidade entre as nossas crenças conscientes e o
nosso comportamento são evidentes e fundamentais (Callegaro, 2011).

O intérprete também pode nos ajudar a ter uma sensação de ordem em


nossas vidas, fazendo com que conciliemos atitudes do presente com
ações e sentimentos do passado. Isso cria a confortadora sensação de
que sempre soubemos como as coisas iriam terminar, ou mesmo
melhora nossa opinião sobre nós mesmos. Mas também tem o potencial
de nos guiar para o caminho das ilusões. Se as explicações e as
racionalizações simples oferecidas pelo intérprete criam fortes
distorções que nos impedem de ver a nós mesmos sob uma luz realista,
obviamente corremos o risco de repetir os fracassos passados no futuro
(Schacter, 2003, citado por Callegaro, 2011, p. 112).

Por essa razão, a busca do autoconhecimento pode ser de muita utilidade


para que possamos reduzir tais distorções:

as várias formas de distorção estão tão enraizadas na percepção


humana, que existem poucos bons remédios para evita‑ las por
completo. O melhor que podemos fazer talvez seja aceitar que o
conhecimento, as opiniões e os sentimentos atuais podem influenciar
nossas recordações do passado e moldar nossas impressões de
pessoas e objetos no presente. Ao exercer a devida vigilância e ao
reconhecer as possíveis fontes de nossas convicções tanto sobre o
presente como sobre o passado, podemos atenuar as distorções que
surgem quando a memória age como um fantoche a serviço de seus
mestres. (Schacter, 2003, citado por Callegaro, 2011, p. 112).

Freud estudou casos clínicos e propôs o conceito de transferência,


segundo o qual sentimentos e impulsos, defesas, atitudes, fantasias e avaliações
vividas, ou relativas a relacionamentos atuais, seriam reflexos e/ou repetições
negativas ou positivas de experiências prévias com outras pessoas. Estudos
atuais sobre memória implícita dão base a essa perspectiva, mesmo que a
interpretação não seja da mesma forma que Freud. Tais sentimentos e sensações
inconscientes se manifestam na comunicação, principalmente a não-verbal, e na
interação interpessoal, em geral se constituindo em dicas para a qualidade dos
relacionamentos e para o nosso desenvolvimento emocional (Cosenza; Guerra,
2011; Callegaro, 2011).
Estímulos externos podem também ser considerados negativos ou
positivos quando encontram receptividade em processos emocionais prévios e
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memórias implícitas (Callegaro, 2011). Por exemplo, frustrações, mágoa,


inadequação, desvalor, desamor, sentimento de exclusão, injustiça e raiva são
experiências que podem ser catalisadas por situações atuais sem que nos demos
conta de que são prévias em nossas vidas. Em complemento, por vezes
exatamente a experiência que nos produz irritação, ofensa, não está apenas em
nosso passado, mas em nosso próprio comportamento emocional presente –
porém, isso não é percebido conscientemente.

A transferência é um processo inconsciente que se caracteriza pela


generalização de memórias implícitas da situação original para uma
situação atual. Na transferência de aprendizagem implícita que envolve
o acionamento dos EIDs [esquemas primitivos], é a forma de avaliação
dos estímulos que determina o desencadeamento das reações. A ideia
de que a avaliação (ou a interpretação) dos estímulos determina a forma
de reagir é um dos alicerces conceituais fundamentais de qualquer
abordagem no escopo das terapias cognitivas. O modelo do novo
inconsciente pode contribuir para entender melhor as particularidades da
avaliação inconsciente que realizamos e os mecanismos, também
inconscientes, pelos quais desencadeamos determinados esquemas e
certas reações (Callegaro, 2011, p. 261).

Podemos ser agressivos, sem ter muita noção consciente disto, e nos
irritarmos com pessoas agressivas. Da mesma forma, podemos ser
depressivos, arrogantes, egoístas e assim por diante, sem que nos demos conta
de que o fazemos. Ao observarmos pessoas que expressam tais
comportamentos, podemos nos sentir injustiçados, vitimados, o que justifica uma
reação nossa (interna ou externa) em igual (ou pior) medida do que estamos
recebendo. Ao voltarmo-nos para dentro, diante desses estímulos que nos
incomodam, poderemos encontrar tais experiências ao integrá-las e aceitá-las em
nós, dissolvendo nosso ambiente propício à reação para aqueles estímulos.
Recordemo-nos de que são processos emocionais em nós, que servem como
medida de avaliação de intensidade e valor daquilo que percebemos pelos
sentidos sensoriais. Tal avaliação se dá de forma não consciente:

De acordo com os pesquisadores do novo inconsciente, avaliamos de


forma inconsciente e reagimos de modo automático a praticamente
qualquer objeto, situação, coisa ou pessoa [...], sendo que cada estímulo
provoca uma reação afetiva imediata positiva ou negativa [...]. Essa
avaliação instantânea inconsciente acontece de forma independente de
ostentarmos posições fortes ou atitudes extremadas, uma vez que
atitudes fracas também produzem as mesmas reações. Estímulos nunca
vistos anteriormente também disparam avaliações automáticas, mesmo
se não puderem ser processados com facilidade por não se encaixarem
em estereótipos ou categorias previamente existentes (Callegaro, 2011,
p. 261-262).

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Ao mudarmos processos emocionais em nós, mudamos também nossa


medida de valor, e, por conseguinte, “construímos novas realidades”. Tendemos
a perceber tanto nossos aspectos positivos quanto negativos fora de nós, mas sob
certa perspectiva toda realidade é interna, seja ela sensorial ou
valorativa/semântica. Por essa razão, estímulos iguais podem provocar reações e
interpretações das mais diversas em diferentes pessoas. O que é agradável e
desafiador para uma pessoa pode ser desagradável e produzir efeitos
depressivos/agressivos em outra. Perceber nossos processos emocionais ligados
à atribuição de valor/causalidade é parte essencial do processo de
autoconhecimento e autodesenvolvimento. Isso é mais facilmente possível por
meio de práticas de atenção plena, uma vez que por meio dela podemos observar
e transformar tais processos:

as avaliações automáticas são onipresentes nas interações sociais, e a


compreensão de seu impacto no relacionamento humano é fundamental
para uma abordagem psicoterápica eficaz. [..] não podemos ser
introduzidos [apresentados] a uma pessoa sem experimentar algum
imediato sentimento de atração ou repulsão (Callegaro, 2011, p. 261-
262).

A presente técnica tem duas fases. Na primeira, o desafio é reconhecer o


movimento de transferência, via memórias implícitas e neurônios espelho. Não
percebemos que o julgamento que fazemos dos outros depende de processos
internos nossos, não de fatos externos. Nossa emoção é relativamente “cega”,
fechada, inflexível. Podemos nos sentir certos, inocentes, vítimas, injustiçados,
bons, humildes. Podemos sentir raiva, disfarçada de senso de justiça, o que pode
justificar ataques e julgamentos severos. Usualmente, não percebemos nossas
emoções. Selecionamos/enviesamos/editamos memórias para não perceber os
processos comuns internos e externos, ou a relação com processos anteriores e
atuais que impulsionam o nosso julgamento e reação. Em tais situações, podemos
nos defender, atacando de forma direta ou dissimulada, consciente,
semiconsciente, ou não consciente. Mediados por nosso viés emocional,
experimentamos forte crença ou certeza sobre o outro, convicção essa que nos
impede de perceber o outro em si, de se questionar se o que percebemos é ou
não correto. Muitas vezes, nem conseguimos ter interesse pelo outro, por conta
da visão que ele tem da realidade. Nossa versão é suficiente, convincente, correta.
Nesses processos, temos pouca ou nenhuma tolerância à crítica, ficando sem
flexibilidade. Buscamos o controle, resistimos à mudança, focamos nos
problemas, nas dificuldades, na dor e sofrimento.
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Em complemento, não são apenas aspectos negativos que podem nos


incomodar nos outros. Por vezes, são seus sucessos, capacidades, confiança,
elevada autoestima, criatividade etc. que nos perturba. Eles expressam algo que
também há em nós, mas talvez não tenhamos tido oportunidade, condições ou
coragem de desenvolver.
Perceber tais sentimentos e emoções é o desafio dessa primeira fase.

Figura 7 – Da transferência a integração

+
- + +

Crédito: Fábio Eduardo da Silva.

A segunda fase inicia-se com o movimento da integração da sombra.


Para nosso processo de crescimento, “o outro não existe”! Ao menos não como
nós o construímos, isolado, separado de nós. Ao dissolvermos um pouco dessa
ilusão, iniciamos o processo de transformação, no qual percebemos nossas
semelhanças (tanto positivas como negativas) com os outros e a necessidade que
temos de ajuda e de ajudar. Precisamos muito uns dos outros para crescer e, ao
sentirmos isso como realidade, passamos a colaborar e a valorizar as pessoas.
E, ao desconstruirmos as ilusões que fazemos dos outros, buscamos conhecê-los
mais profundamente. Buscamos uma integração mais profunda, que pode inspirar
sentimentos de unidade, de uma grande família universal.

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Figura 8 – Integração da sombra

+- +- +- ±

Crédito: Fábio Eduardo da Silva.

Nesse nível, o foco é no crescimento coletivo, na necessidade de


cooperação, e de entender como podemos colaborar da melhor forma. Qual é
nossa função, missão, sentido nesse processo? Agora, não é mais algo pessoal,
mas coletivo. Julgamentos negativos e certezas (convicções muito fortes) são
alertas para processos internos, são indicadores de necessidades de crescimento.
Padrões internos anteriores são atualizados, percebidos, e inicia-se uma nova
fase.
Para facilitar tais percepções, sugere-se algumas “questões sem resposta”.
Elas devem ser feitas como se soubéssemos as respostas (e de fato sabemos);
contudo, não as responderemos. Em vez disso, soltamos, deixamos, abrimo-nos
para ouvir. Ou seja, apenas falamos mentalmente ou verbalmente as questões e
silenciamos para ouvir. É possível que surjam respostas, várias ou poucas,
coerentes ou antagônicas, conhecidas ou surpreendentes. É possível também
que não surjam respostas. Se assim for, tudo certo.
Considere pessoas que lhe causam reações adversas (sejam elas de seu
relacionamento ou não); escolha uma delas para a prática. Faça um breve
relaxamento antes de fazer as questões, ou as realize logo após acordar, antes
de levantar-se. Use os modelos de questões a seguir, e permita-se criar outras
questões que se adaptem a você:

• Se eu fosse o(a) .......... eu me sentiria ..........


• O que eu preciso aprender com ............. é .............
• O que eu preciso aprender com essa situação é .............
• O que eu estou projetando no(na) ............. é .............
• O que eu não vejo em mim e que me perturba nessa situação é ...............

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• Essa experiência me reporta a outra, passada, na qual ...............


• O que eu realmente vejo no(na) é .............
• Eu não quero resolver essa situação porque ......................
• A melhor forma de eu resolver é ...................
• Se eu resolver isso dentro de mim eu ...................
• Para que eu me sinta muito bem comigo mesmo(a) o que eu preciso é
................

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