Cálculo de Campos Magnéticos em Partículas
Cálculo de Campos Magnéticos em Partículas
E/P28.1: Uma carga elétrica pontual > 0 está passando pela origem com
z
velocidade = . Para baixas velocidades, o campo magnético que essa partícula
produz em um ponto do espaço é:
y
× ×
( )= =
4 4 x
(note que estou usando no lugar de ̂ no numerador). Note que as posições são
definidas tomando-se a própria carga pontual como referência/origem.
× (− + ̂) 1
( )= =
4 (√ + ) √2 4
z
A Figura ao lado ilustra esse campo magnético (é um S
campo saindo ortogonalmente da página).
y
x
Direitos reservados ao autor: José Arnaldo Redinz / Universidade Federal de Viçosa – MG (Nov. 2022) Ver. 1.6
2
Podemos notar que os resultados acima se encaixam na ideia de que as linhas “de força” de são
de são círculos em planos xz. Essas são as mesmas linhas “de força” do campo z
de um fio reto transportando uma corrente. Esse fio é uma fila de portadores
Estamos usando aqui o termo “linhas “de força” do campo ” com o “de força” entre aspas porque
essas linhas são tangentes ao campo magnético e não à força magnética = × (pois é ortogonal
a ). Para o campo elétrico e a força elétrica vale = e as linhas tangentes a são também tangentes a
. Elas são mais propriamente linhas de força. Portanto, o mais correto é chamar as linhas tangentes ao
campo apenas de “linhas de campo” ou “linhas de ”. Mas, enfim, aqueles cientes desse contraste entre os
casos magnético e elétrico podem aceitar o uso do termo “linhas de força do campo ” como um simples e
inofensivo abuso de linguagem.
E/P28.2:
e
No modelo de Bohr para o átomo de Hidrogênio o elétron se move em órbitas circulares,
centradas no próton. Portanto, a órbita de do elétron é uma espira circular de raio =
p
com corrente elétrica = / , sendo o módulo da carga de um elétron e o período
orbital (o tempo para dar uma volta completa). Se é o módulo da velocidade orbital do
elétron, então =2 / e:
= =
2
A Figura ao lado ilustra essa órbita do elétron (e) centrada no próton (p). Note que a corrente
e
elétrica tem o sentido oposto ao da velocidade do elétron porque a carga do elétron é
negativa (e o sentido da corrente é oposto ao do movimento do portador de carga nesse
p
caso).
Para velocidades baixas podemos usar a lei de Coulomb e a lei de Biot-Savart (para uma corrente
pontual) e calcular os campos de força que o elétron cria na posição central do próton (posição " ").
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3
O elétron atrai o próton da direção radial, graças ao seu campo elétrico radial:
( )= ̂
4
A Figura ao lado ilustra a seta (verde) desse campo na posição do próton. A seta aponta para o elétron, pois
sua carga é negativa. Esse campo de força vai produzir no próton a força atrativa / = , que é a reação à
×
( )=
4
Note que é a posição do próton ( ) em relação ao elétron e que a carga vai ser – , a carga do elétron. O
Portanto:
⨀
( )=
4
sendo ⨀ um vetor unitário apontando para fora da página: ⨀ = −⨂. Esse campo magnético não vai produzir
força magnética = × ( ) no próton posto que o próton está em repouso nesse referencial: = 0.
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4
sendo = | | a distância de P até a partícula, que está na origem. Note que 90 < < 180 e que
cos( ) < 0, ou seja, a componente y de é negativa, conforme a Figura.
z
− 90
Para a partícula vemos que = . Portanto:
× × ( cos( ) + sen( ) ̂ ) y
( )= = 2 −
4 4
x
= sen( )
2
× (− ) × ( cos( ) + sen( ) ̂ )
( )= = (− ) = sen( )
4 4 4
Vemos que as duas partículas produzem campos magnéticos no mesmo sentido (pois elas constituem
duas correntes elétricas no mesmo sentido, para a direita, que é o sentido de e de − ), mas o campo
magnético da partícula é o dobro, porque sua carga elétrica é o dobro (e os módulos das velocidades são
iguais). Os dois campos saem ortogonalmente da página.
3
( )+ ( )= sen( )
4
Para = 0 ou = 180°, que é a direção que coincide com e , não há campo magnético.
z
E/P28.6: Duas partículas se movem como na Figura ao lado (com velocidades
baixas).
y
a) O campo magnético em P é?
×
( )=
4
Note que nessa expressão o vetor posição é a posição onde o campo está sendo calculado: posição tendo a
própria partícula como origem/referência. Note também que, como sempre, estou usando no lugar de ̂ no
numerador (isso poupa o cálculo inútil de um vetor unitário).
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5
× × (− ̂ )
( )= ( )= = = (− )
4 4 4
′ = − ′ . Portanto:
′× ′ (− )× ̂ ′ ′
( )= ( ′) = = ′ ′ = (− )
4 4 4
1
( )+ ( )= ( + ′) (− )
4
Se as duas cargas tiverem o mesmo sinal, seus campos magnéticos serão paralelos entre si e vão se somar.
1 ′
/ = (− ̂ )
4 ε (2 )
Analogamente, / =− / . Se as duas cargas tiverem o mesmo sinal, elas vão se repelir ( é
empurrada para baixo e é empurrada para cima (ação e reação)). Caso contrário, elas vão se atrair.
Para calcular a força magnética que faz em ′ precisamos calcular primeiro o campo magnético que produz
na posição de ′.
× × 2 (− ̂ )
( )= = = (− )
4 4 (2 ) 16
/ = ′× ( )= (− ′ ) × (− ) = (− ̂ )
16 16
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6
′× ′ (− ) × 2 ̂ ′ ′
( ′) = = ′ ′ = (− )
4 4 (2 ) 16
′ ′
/ = × ( ′) = × (− ) = ̂
16 16
Se as duas cargas tiverem o mesmo sinal, elas vão se repelir ( é empurrada para baixo e é empurrada para
cima (ação e reação)). Duas correntes de sentidos opostos se repelem mutuamente. Se as duas cargas tiverem
sinais opostos ( < 0), elas vão se atrair ( é puxada para cima e é empurrada para baixo (ação e
reação)). Duas correntes de mesmo sentido se atraem mutuamente.
/ 1 1
= =
/ ε ′ ′
sendo a velocidade da luz, ≅ 3 × 10 m/s. Vemos que a força elétrica entre as partículas é bem maior que
a força magnética. Estamos supondo aqui que ≪ e ′ ≪ , que é o regime de validade da expressão do
campo magnético de uma partícula, ( ), que estamos usando. Para portadores de carga se movendo em
fios transportando corrente elétrica esse regime se justifica porque as velocidades de arraste dos portadores
são em geral minúsculas, da ordem de mm/s.
No caso de fios transportando corrente, eles são eletricamente neutros e, por isso, a força magnética
não tem a concorrência da força elétrica. Os fios transportando corrente são eletricamente neutros porque os
elétrons livres fluem por entre os íons positivos e a soma das cargas elétricas é zero. Não há excessos de carga
elétrica nos fios transportando corrente, com exceção das densidades de carga superficiais necessárias para
produzir o campo elétrico dentro do fio, de acordo com a lei de Ohm: = . Já discutimos um pouco sobre
essas densidades de carga em um capítulo anterior. Fato é que essas densidades de carga são minúsculas,
c) Invertendo o sentido da velocidade de ′, de tal forma que as duas partículas se movam no mesmo sentido,
as forças magnéticas passam a ser:
/ = ′× ( )= ′ × (− ) = ̂
16 16
Essa força inverte de sentido.
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′× ′ ×2 ̂ ′ ′
( ′) = = ′ ′ =
4 4 (2 ) 16
O campo magnético de ′ inverte de sentido.
A força em por ela estar imersa no campo magnético de ′ com a mesma velocidade = é:
′ ′
/ = × ( ′) = × = (− ̂ )
16 16
Essa força também inverte de sentido (ação e reação).
Se as duas cargas tiverem o mesmo sinal, elas vão se atrair ( é empurrada para baixo e ′ é
empurrada para cima (ação e reação)). Duas correntes de mesmo
sentido se atraem mutuamente.
∆
×
( )=
4
(note que estou usando no lugar de ̂ no numerador). Note que nessa expressão o vetor posição éa
posição onde o campo está sendo calculado: posição tendo o próprio elemento de corrente como
origem/referência.
Para o elemento de corrente superior vemos que =∆ . A posição do ponto P tendo esse elemento de
corrente como origem/referência é (seta vermelha):
= − cos( ) − sen( ) ̂
Portanto:
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× ∆ × (− cos( ) − sen( ) ̂ ) ∆
( )= = = sen( )(− )
4 4 4
∆ 1
( )= (− )
2 √2
Para o elemento de corrente lateral vemos que =∆ ̂ . A posição do ponto P tendo esse elemento
de corrente como origem/referência é (seta azul):
= sen( ) + cos( ) ̂
Portanto:
× ∆ ̂ × ( sen( ) + cos( ) ̂ ) ∆
( )= = = sen( )(− )
4 4 4
Concluindo:
∆ 1
( )= (− )
2 √2
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no sentido da corrente, os outros dedos da mão direita vão apontar no sentido de . A magnitude do campo é
(de acordo com a lei de Ampère):
( )=
2
sendo s o raio (distância) medido em relação ao fio (s é o raio das coordenadas cilíndricas com o eixo z ao
longo do fio). Portanto, no ponto P mostrado na Figura o campo magnético é:
( )=
2
Esse campo sai ortogonalmente da página. Está no sentido de leste para oeste.
( )= (− )
2
Esse campo entra ortogonalmente na página. Está no sentido de oeste para leste.
O enunciado do problema menciona um ponto abaixo do fio, ou seja, como o ponto Q da Figura, com
= 5,5 m e uma corrente no fio = 800 A. Com esses dados obtemos ( ) ≅ 2,9 × 10 T, apontando de
oeste para leste (ao longo de –x).
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O campo magnético da Terra tem o sentido de sul para norte, com magnitude da ordem de 5 × 10
T, que é comparável ao campo do fio no ponto Q. Portanto, utilizar uma bússola no ponto Q pode não ser
uma boa idéia, pois a agulha da bússola vai apontar na direção do campo magnético resultante, que nesse
caso seria a direção nordeste (norte+leste). Foi através de um evento como esse, em que a orientação de uma
bússola era perturbada pelo campo magnético de um fio, que Hans Oersted descobriu, em 1820, que
correntes elétricas produzem campos magnéticos. Antes dessa descoberta se acreditava que não havia
nenhuma relação entre os fenômenos elétricos e os fenômenos magnéticos. Hoje sabemos que esses dois
fenômenos têm uma mesma origem, as cargas elétricas. Portanto, são dois fenômenos intimamente ligados
entre si.
dedos da mão direita vão apontar no sentido de . A magnitude do campo é (de acordo com a lei de Ampère):
( )=
2
sendo s o raio (distância) medido em relação ao fio (s é o raio das coordenadas cilíndricas com o eixo z ao
longo do fio).
Vamos começar calculando a força magnética no fio 1. A força magnética em um fio reto de
= ×
sendo um vetor comprimento de módulo que aponta na direção do fio e no sentido da corrente no fio.
Para um fio infinito, como os definidos nessa questão, essa força será infinita. Portanto, só está bem definida a
= × (1) + (1)
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sendo (1) o campo magnético produzido pelo fio 2 sobre o fio 1 e assim por diante. Vemos na Figura que:
(1) = (− ) (1) = =
2 2 (2 )
Portanto:
= × − + ⇒ = − + (− ̂ )
2 2 2 2
Se as correntes e tiverem a mesma magnitude, o fio 1 vai ser empurrado para cima, ao longo de +z. Isso
porque o fio 2 (mais próximo) repele mais intensamente do que o fio 3 atrai. Lembrando que: correntes
paralelas se atraem e correntes antiparalelas se repelem.
= × (2) + (2)
Obtemos:
(2) = (− ) (2) = = (− )
2 2
Portanto:
= (− ) × (− + ) ⇒ = (− + ) ̂
2 2
Se as correntes e tiverem a mesma magnitude, o fio 2 vai sofrer uma força resultante nula. O fio 2 será
igualmente repelido pelos fios 1 e 3. Correntes opostas se repelem.
= × (3) + (3)
Obtemos:
(3) = (− ) (3) = =
2 (2 ) 2
Portanto:
= × − + ⇒ = − + (− ̂ )
2 2 2 2
Se as correntes e tiverem a mesma magnitude, o fio 3 vai ser empurrado para baixo, ao longo de -z. Isso
porque o fio 2 (mais próximo) repele mais intensamente do que o fio 1 atrai.
Note que a expressão = × para a força em um fio só se aplica se o campo for uniforme
sobre o fio, ou seja, se ele tiver o mesmo valor em todos os pontos do fio. Caso contrário, teríamos que fazer
uma integral de = × . O campo de um fio reto não é uniforme, pois ele depende do raio s e tem
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direção diferente em cada ponto do espaço. Mas, nesse caso específico, estamos calculando a força que um
fio faz em outro fio paralelo ao primeiro. Nesse caso é uniforme sobre o fio que está sofrendo a força. não
tem que ser uniforme no espaço todo, para que valha = × , ele tem que ser uniforme apenas no fio
sobre o qual estamos calculando a força magnética. O campo deve ter o mesmo valor em todos os pontos
do fio sobre o qual estamos calculando a força magnética. Nesse caso podemos usar = × .
E/P28.30: Um fio fino que transporta uma corrente tem a forma mostrada na
Figura ao lado. O campo magnético em P é?
Devemos separar o fio em três partes, dois fios retos longos e um fio
curvo com a forma de um arco de círculo de raio R. O princípio da superposição diz que o campo magnético
em P é a soma vetorial dos campos magnéticos dessas três partes.
×
( )=
4
(note que estou usando no lugar de ̂ no numerador). Note que nessa expressão o vetor posição éa
posição onde o campo está sendo calculado: posição tendo o próprio elemento de corrente como
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× = (− ̂ )
Segue que:
( )= (− ̂ ) = (− ̂ )
4 4
( )= ( )= (− ̂ ) = (− ̂ ) = (− ̂ ) ( ) = (− ̂ )
4 4 4 4
Concluindo: o fio formado pelos segmentos retos e pelo segmento curvo produz no ponto P um campo
magnético para dentro da página de magnitude:
( )=
4
E/P28.31: Dois fios se juntam para formar o circuito mostrado na Figura ao lado.
O campo magnético em P é?
Nesse exercício podemos aproveitar nossos resultados obtidos no
exercício anterior. Os (4) segmentos retos não contribuem para o campo
magnético em P. O segmento curvo de cima contribui com um campo entrando ortogonalmente na página
(− ̂ ) de magnitude:
Para o segmento curvo de baixo o raciocínio é o mesmo, mas note que a regra da mão direita diz que o campo
magnético desse fio está saindo ortogonalmente da página (+ ̂ ). A magnitude desse campo será:
4
Portanto, o campo magnético em P será:
( )= ( − ) ̂
4
(lembre que o eixo z está saindo ortogonalmente da página). Se as duas correntes tiverem a mesma
magnitude, o campo magnético em P será nulo. Se fizermos =− o circuito se torna equivalente a uma
espira circular com corrente no sentido horário e o campo no centro dessa espira é:
( )= (− ̂ )
2
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Se fizermos =− o circuito se torna equivalente a uma espira circular com corrente no sentido anti-
horário e o campo no centro dessa espira apenas inverte de sentido.
A Figura que nos ajuda mais a resolver esse problema é a que mostra as seções transversais dos fios,
como mostrado ao lado. Se s é a distância até o eixo comum dos fios (eixo z),
esperamos, dada a simetria da distribuição de corrente, que a magnitude do ×
campo magnético produzido por esse cabo dependa apenas de s, ou seja:
×
= ( ) .
. . s
Quanto à direção e sentido, serão dadas pela regra da mão direita. tem ×
a direção tangente aos círculos coaxiais e concêntricos ao cabo e o sentido dos
dedos da mão direita, quando o polegar dessa mão aponta no sentido da corrente.
Vemos então que a corrente no fio interno vai contribuir com campos no sentido anti-horário, pois a corrente
nesse fio sai do plano da página. A corrente no fio externo vai contribuir com campos no sentido horário, pois
a corrente nesse fio entra no plano da página. Pensando em um sistema de coordenadas cilíndricas, com o
eixo z saindo ortogonalmente da página, o fio interno contribui com campos na direção + enquanto que o
fio externo contribui com campos na direção − .
Agora vamos usar a lei de Ampère para determinar a função ( ). A lei de Ampère diz que:
∙ =
sendo C uma curva fechada qualquer (curva amperiana), orientada, vetores comprimento infinitesimal
tangentes à curva C, com sentido ao longo da orientação de C e a corrente interna à essa curva, ou seja, o
saldo de corrente que atravessa a superfície aberta delimitada pela curva C. Essa corrente possui um sinal, de
acordo com a orientação de C. Orientando os dedos da mão direita no sentido da orientação de C, o polegar
dessa mão vai definir o sentido positivo das correntes que contribuem para .
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O “pulo do gato” consiste em se escolher uma curva C de tal forma que a função ( ) saia de dentro
da integral na lei de Ampère. Para que isso ocorra ( ) deve ser uma constante sobre a curva, ou seja, a curva
deve ser uma curva em que o raio s é constante. Essa curva é um círculo concêntrico ao cabo coaxial. Portanto,
adotemos C=círculo de raio s orientado no sentido horário. Assumindo um também no sentido horário
obtemos:
∙ = ( )
Na lei de Ampère obtemos:
∙ = ( ) = ( )2
Agora devemos considerar as diferentes regiões no cabo coaxial, pois para cada região haverá uma
diferente.
×
Região < , dentro do fio interno: a curva C é o círculo vermelho de raio s,
orientado no sentido horário (ver a Figura ao lado). De acordo com a regra da mão ×
s.
direita, a corrente positiva será a corrente entrando na página. Portanto, vemos . .
que a corrente interna a essa curva é negativa e é dada por: ×
=− =− =−
( )2 =− ⇒ ( )=−
2
Note que assumimos lá atrás que o campo magnético estava no sentido horário. O sinal negativo na expressão
acima indica que o campo magnético nessa região está no sentido anti-horário. Esse resultado está de acordo
com a regra da mão direita para o sentido do campo magnético.
Região < < , no vácuo entre os fios: a curva C é o círculo vermelho de raio
×
s, orientado no sentido horário (Figura ao lado). Vemos que a corrente interna a
essa curva é dada por: ×
.
=− . .s
Da lei de Ampère: ×
( )2 =− ⇒ ( )=−
2
O sinal negativo na expressão acima indica que o campo magnético nessa região está no sentido anti-horário.
Trata-se do campo (apenas) do fio interno (amarelo).
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Região < < , dentro do fio externo: a curva C é o círculo vermelho de raio s,
orientado no sentido horário (Figura ao lado). De acordo com a regra da mão ×
direita, a corrente positiva será a corrente entrando na página. Portanto, vemos
que a corrente interna a essa curva é dada por: ×
.
. .
−
=− + ′ ′=− + ( − )= −1 + s
( − ) − ×
Da lei de Ampère:
− −
( )2 = −1 + ⇒ ( )= −1 +
− 2 −
Região > , fora do cabo: a curva C é o círculo vermelho de raio s, orientado
×
no sentido horário (Figura ao lado). De acordo com a regra da mão direita, a
corrente positiva será a corrente entrando na página. Portanto, vemos que a
×
.
corrente interna a essa curva é dada por: s
. .
=− + =0 ×
Da lei de Ampère:
( )2 = 0⇒ ( )=0
Não há campo magnético fora do cabo. Essa é a razão de ser do cabo coaxial, minimizar o campo magnético
externo e a interferência dos campos da corrente nesse cabo com outros dispositivos elétricos na sua
vizinhança.
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À medida que nos afastamos da origem o campo magnético vai aumentando, até que saímos do fio
interno e o campo começa a decair. Quando entramos no fio externo o campo decai mais rapidamente até que
ele se anula na superfície desse fio e em toda a região exterior ao cabo.
E/P28.40: Um solenóide cilíndrico longo possui N espiras, comprimento L e corrente . Calcule o campo
magnético próximo ao centro do solenóide.
A Figura abaixo (copiada da internet) ilustra como os campos magnéticos com linhas de força circulares das
espiras se superpõem no espaço para resultar no campo
magnético do solenóide.
região com ≅0
As Figuras que seguem tentam tornar essa ideia mais
quantitativa. Considere um corte transversal do solenóide (o
retângulo) em que vemos a corrente saindo do plano da página
na seção superior (segmentos de corrente 1 e 2, bolinhas com
pontinhos) e a corrente entrando no plano da página na seção
inferior (segmentos de corrente 3 e 4, bolinhas com cruzinhas). Considere um
ponto P fora do solenóide e um ponto Q dentro do solenóide. Vemos na Figura ao P
lado que os campos magnéticos produzidos pelos segmentos 1 e 2, que estão 1 2
dispostos simetricamente em relação a P e Q, se superpõem produzindo um
Q
campo resultante ao longo de +z no interior do solenóide e ao longo de –z na z
região externa ao solenóide.
A conclusão disso tudo é que na região dentro do núcleo do solenóide (Q) a superposição produz um
campo intenso e basicamente axial, mas cujas linhas de força se espalham próximo das bordas (onde a
simetria dos segmentos 1 e 2 e 3 e 4 deixa de existir), refletindo o fato de que o campo é mais fraco nessas
regiões de bordas. Na região exterior (P) a superposição é menos efetiva e o campo é fraco. Na região central
o campo magnético é axial e intenso. Esses fatos serão mais verdadeiros à
medida que as espiras forem mais juntas, mais apertadas umas contra as
outras, e o solenóide for mais longo. Em um solenóide infinito não há efeitos
de borda: o campo interno é axial e uniforme (constante) e o campo externo é
nulo. A Figura ao lado mostra um segmento de um solenóide infinito, com as
z
linhas de em azul (a curva vermelha será utilizada mais adiante). Se a
corrente estiver descendo nos lados da frente das espiras, o campo magnético
no interior do solenóide terá o sentido +z, ou seja:
= ̂
Queremos calcular o valor exato de , que será uma aproximação razoável para o campo magnético na região
central de um solenóide longo de tamanho finito L.
Note que no caso de um solenóide infinito não podemos especificar seu tamanho e seu número de espiras
, ambos são infinitos. Podemos especificar apenas a razão = / que é a densidade de espiras por
unidade de comprimento.
∙ =
sendo C uma curva fechada qualquer, orientada, vetores comprimento infinitesimal tangentes à curva C,
com sentido ao longo da orientação de C e a corrente interna a essa curva, ou seja, o saldo de corrente
que atravessa a superfície aberta delimitada pela curva C.
̂∙ =
Considere então a curva vermelha mostrada na Figura anterior. Trata-se de um retângulo orientado
com um dos lados (L1, de comprimento ) dentro do solenóide, orientado paralelamente ao campo , um lado
(L2) no exterior do solenóide, onde não há campo, e dois lados (L3 e L4) ortogonais ao campo (onde ele
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19
existe, mas note que ̂ ∙ = 0 em L3 e L4). Na integral acima, realizada em cada um desses quatro lados, só
resta a integral no lado L1, de onde obtemos:
̂∙ = = =
Note que a curva subentende uma superfície retangular que é cortada por algumas espiras. Cada espira que
corta essa superfície contribui com + para a corrente interna (lembre-se que, de acordo com a regra da
mão direita, as correntes saindo do plano da página são positivas). A quantidade de espiras que corta essa
superfície é e, portanto:
= = ⇒ =
= =
= ̂
O campo magnético de um solenóide muito longo é confinado ao interior de seu núcleo, axial, e de
magnitude tanto maior quanto maior a corrente circulando nele e maior a densidade de espiras por unidade
de comprimento. O fator na expressão acima significa que supomos que o núcleo do solenóide está vazio
(vácuo). Se preenchermos esse núcleo com uma liga de ferro especial, podemos mudar esse valor,
aumentando bastante o campo magnético do solenóide. O Permalloy (níquel+ferro), por exemplo, possui
≅ 100.000 , ou seja, ao preenchermos o núcleo de um solenóide com Permalloy, aumentamos seu
campo magnético em cerca de 105 vezes, com a mesma corrente e mesma densidade de espiras. Essa
amplificação do campo magnético se dá porque as correntes elétricas microscópicas (orbitais e de spin) que
existem dentro do Permalloy se organizam, sob ação do campo magnético fraco da corrente no solenóide, e
passam a gerar, elas mesmas, um campo magnético intenso no espaço. A essa organização dos momentos
magnéticos do núcleo damos o nome de magnetização. A corrente elétrica no solenóide produz um campo
que magnetiza (orienta os momentos de dipolo magnético em uma mesma direção) o material dentro do
núcleo, que passa a produzir um campo magnético intenso no espaço.
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20
( )2 =
Essa equação pode ser obtida da aplicação da lei de Ampère a essa simetria particular, qual seja: = ( ) .
Portanto, a aplicação da lei de Ampère a uma curva amperiana circular de raio fornece (exemplo 28.10):
∙ = ⇒ ( )2 =
=
2
Por exemplo, se é a média aritmética de e , segue que o campo médio no interior do solenóide é:
= = =
2 2 ( + )/2 ( + )
ℎ ℎ
= = 1+ ≅ 1−
( + + ℎ) 2 2 2 2
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21
E/P28.46: Um solenóide toroidal de raio médio = e espiras onde circula uma corrente , como no
exercício anterior 28.46. Agora preenchemos o espaço interior do solenóide com um material magnético de
permeabilidade relativa ≅ 80.
Os materiais magnéticos podem ser divididos basicamente em dois grupos: “duros” (hard) e “moles”
(soft). Os materiais “duros” são aqueles capazes de preservar um estado magnetizado (pólos N e S em suas
extremidades) e são geralmente utilizados na fabricação de imãs. Os materiais “moles” se magnetizam
intensamente pelo estímulo de um campo magnético externo e se desmagnetizam tão logo esse estímulo
cessa. Por isso eles são usados em núcleos de motores e transformadores elétricos, tanto de corrente contínua
(CC) quanto de corrente alternada (CA). Esses materiais amplificam o campo magnético produzido por
correntes em solenóides, amplificando as forças, os torques e as potências. Um exemplo de material
magnético “mole” é uma liga de aço-carbono-silício.
( á )
=
2
Na presença do material dentro do núcleo, basta substituir por :
( ) ( á )
= ≅ 80
2
( )
é o campo magnético no interior do solenóide criado pela corrente nas espiras e pelos milhões e
milhões (≅ 10 ) de correntes microscópicas dentro dos átomos que compõem o material magnético.
( á )
Basicamente, o campo atua sobre essas correntes microscópicas que estavam orientadas ao acaso e
organiza essas correntes, orientando-as paralelamente entre si, fazendo com que seus campos magnéticos
microscópicos se sobreponham e criem um campo magnético intenso no espaço.
( )
O campo magnético que existe no espaço dentro do núcleo é a superposição do campo
( á )
magnético criado apenas por , , com o campo magnético criado pelas correntes atômicas
( ô )
(órbita+spin) no material, que podemos chamar de . Portanto, sendo esses campos
colineares, segue que:
( ) ( ) ( ô )
= +
( ô ) ( ) ( ) ( )
Concluindo: = − ≅ 79 . A maior parte do campo magnético
no espaço é oriunda das correntes atômicas no material magnético que ocupa o núcleo do solenóide.
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E/P28.60:
componentes x são iguais e se somam. Conclusão: para calcular o campo que os dois fios produzem no eixo
x basta calcular a componente de um fio e multiplicar por dois, ou seja:
=2
Para calcular o de um fio usaremos a Figura que segue, que mostra apenas o fio superior. Da lei de Ampère
=
2 .
= cos( )
P x
com cos( ) = / . Portanto, como = + concluímos que:
= cos( ) = = =
2 2 2 +
=
+
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= →
+
ou seja, o campo magnético produzido pelos dois fios decai rapidamente para zero, com o quadrado da
distância .
E/P28.71:
s
R
Um fio cilíndrico reto, longo, com seção transversal circular de raio R transporta
z
uma corrente que não está distribuída uniformemente em sua seção transversal.
Se s é o raio medido em relação ao eixo do fio (eixo z na Figura ao lado), a densidade de corrente no fio é dada
por:
( )= ̂
com uma constante (positiva). A corrente se concentra mais próximo à superfície do fio, pois ( ) cresce
com o raio s. Note que o fio é um cilindro maciço, com corrente fluindo em todo seu volume, na direção axial.
= ∙
sendo SF a superfície da seção transversal do fio (um disco de raio R), um vetor unitário ortogonal à essa
superfície, = ̂, e uma área infinitesimal nessa superfície. Note que é o fluxo de através de SF.
Portanto:
= ∙ = ̂∙ ̂2 =2 =2
3
Conclusão:
3
=
2
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b) Vamos usar a lei de Ampère para calcular o campo magnético produzido por esse fio. Nosso ponto de
partida será o reconhecimento de que essa distribuição de corrente produz um campo magnético com a
simetria cilíndrica, ou seja:
= ( )
O vetor tem a direção tangente aos círculos concêntricos ao fio e com sentido dos
dedos da mão direita, quando o polegar dessa mão aponta no sentido da corrente. ×
× s
A Figura que nos ajuda mais a resolver esse problema é a que mostra a seção ×
transversal do fio, como mostrado acima. A corrente está entrando no plano da
Agora vamos usar a lei de Ampère para determinar a função ( ). A lei de Ampère diz que:
∙ =
sendo C uma curva fechada qualquer, orientada, vetores comprimento infinitesimal tangentes à curva C,
com sentido ao longo da orientação de C e a corrente interna à essa curva, ou seja, o saldo de corrente
que atravessa a superfície aberta delimitada pela curva C. Essa corrente possui um sinal, de acordo com a
orientação de C. Orientando os dedos da mão direita no sentido da orientação de C, o polegar dessa mão vai
definir o sentido positivo das correntes que contribuem para .
O “pulo do gato” consiste em se escolher uma curva C de tal forma que a função ( ) saia de dentro
da integral na lei de Ampère. Para que isso ocorra ( ) deve ser uma constante sobre a curva, ou seja, a curva
deve ser uma curva em que o raio s é constante. Essa curva é um círculo concêntrico ao fio. Portanto,
adotemos C=círculo de raio s orientado no sentido horário. Já sabemos que também está no sentido horário
e obtemos:
∙ = ( )
Na lei de Ampère obtemos:
∙ = ( ) = ( )2
Agora devemos considerar as diferentes regiões no fio, pois para cada região haverá uma
diferente.
×
×
Região < , dentro do fio: a curva C é o círculo vermelho de raio s, orientado no sentido s
horário, como na Figura ao lado. De acordo com a regra da mão direita, a corrente positiva ×
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será a corrente entrando na página. Portanto, vemos que a corrente interna a essa curva é positiva e é dada
por:
3
= ∙ = ̂∙ ̂2 =2 =2 =2 =
3 2 3
sendo SDs a superfície do disco de raio s subentendida pela curva amperiana. Novamente o elemento de área
conveniente aqui é a coroa circular de espessura infinitesimal : =2 . Da lei de Ampère:
( )2 = ⇒ ( )=
2
Note que assumimos lá atrás que o campo magnético estava no sentido horário. O sinal positivo na
expressão acima indica que o campo magnético nessa região está mesmo nesse sentido. Esse resultado está
de acordo com a regra da mão direita para o sentido do campo magnético de um fio reto.
Região > , no vácuo fora do fio: a curva C é o círculo vermelho de raio s, orientado no
sentido horário, como na Figura ao lado. A corrente interna a essa curva é dada por: ×
×
s
= ×
Da lei de Ampère:
( )2 = ⇒ ( )=
2
E/P28.74: Um fio reto cilíndrico tem a forma de um fio oco, de raio menor e raio maior . Esse fio transporta
uma corrente uniformemente distribuída em sua seção transversal.
A Figura que nos ajuda mais a resolver esse exercício é a que mostra a ×
seção transversal do fio, como mostrado ao lado. A corrente está entrando no
plano da página. Se s é a distância até o eixo do fio (eixo z), esperamos, dada a ×
s
simetria da distribuição de corrente, que a magnitude do campo magnético
produzido por esse fio dependa apenas de s, ou seja: ×
= ( )
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Quanto à direção e sentido, serão dadas pela regra da mão direita. tem a direção tangente aos círculos
concêntricos ao fio e com sentido dos dedos da mão direita, quando o polegar dessa mão aponta no sentido
da corrente. Vemos então que a corrente no fio vai produzir um campo no sentido horário, pois a corrente
entra no plano da página. Pensando em um sistema de coordenadas cilíndricas, com o eixo z entrando
ortogonalmente na página, o campo está na direção + .
Agora vamos usar a lei de Ampère para determinar a função ( ). A lei de Ampère diz que:
∙ =
sendo C uma curva fechada qualquer, orientada, vetores comprimento infinitesimal tangentes à curva C,
com sentido ao longo da orientação de C e a corrente interna à essa curva, ou seja, o saldo de corrente
que atravessa a superfície aberta delimitada pela curva C. Essa corrente possui um sinal, de acordo com a
orientação de C. Orientando os dedos da mão direita no sentido da orientação de C, o polegar dessa mão vai
definir o sentido positivo das correntes que contribuem para .
O “pulo do gato” consiste em se escolher uma curva C de tal forma que a função ( ) saia de dentro
da integral na lei de Ampère. Para que isso ocorra ( ) deve ser uma constante sobre a curva, ou seja, a curva
deve ser uma curva em que o raio s é constante. Essa curva é um círculo concêntrico ao cabo coaxial. Portanto,
adotemos C=círculo de raio s orientado no sentido horário. Sabendo que também está no sentido horário
obtemos:
∙ = ( )
Na lei de Ampère obtemos:
∮ ∙ = ( )∮ = ( )2 ×
Agora devemos considerar as diferentes regiões no fio, pois para cada região
haverá uma diferente. ×
s
Região < , dentro da cavidade oca do fio: a curva C é o círculo vermelho de
×
raio s, orientado no sentido horário. De acordo com a regra da mão direita, a
Da lei de Ampère: × s
( )2 =0⇒ ( )=0
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raio s, orientado no sentido horário. Vemos que a corrente interna a essa curva é positiva e é dada por:
−
= ′= ( − )=
( − ) −
Na expressão acima, note que a densidade de corrente no fio é = / = / ( − ) e a área do fio que
passa por dentro da curva amperiana é a área da coroa circular de raios e > : = ( − ).
Da lei de Ampère:
− −
( )2 = ⇒ ( )=
− 2 −
= × s
E/P28.77: Um fio cilíndrico reto, longo, com seção transversal circular de raio
s
transporta uma corrente que não está distribuída uniformemente em sua seção
z
transversal. Se s é o raio medido em relação ao eixo do fio (eixo z na Figura
acima), a densidade de corrente no fio é dada por:
2
( )= 1− ̂
A corrente se concentra mais próxima ao centro do fio, pois ( ) decai com o raio s ( ( = ) = 0 e
( = 0) = 2 / ). A curva de ( ) × é uma parábola com a boca para baixo.
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= ∙
sendo SF a superfície da seção transversal do fio (um disco de raio ), um vetor unitário ortogonal à essa
superfície, = ̂, e uma área infinitesimal nessa superfície. Note que é o fluxo de através de SF.
Portanto:
2 4
= ∙ = 1− ̂∙ ̂2 = 1−
e ainda tem a direção tangente aos círculos concêntricos ao fio e com sentido dos dedos da mão direita,
quando o polegar dessa mão aponta no sentido da corrente.
A Figura que nos ajuda mais a resolver esse problema é a que mostra a seção
transversal do fio, como mostrado ao lado. A corrente está entrando no plano da
×
página e o campo estará, portanto, no sentido horário. Pensando em um sistema de × s
×
coordenadas cilíndricas, com o eixo z entrando ortogonalmente na página, tem a
direção + .
Agora vamos usar a lei de Ampère para determinar a função ( ). A lei de Ampère diz que:
∙ =
sendo C uma curva fechada qualquer, orientada, vetores comprimento infinitesimal tangentes à curva C,
com sentido ao longo da orientação de C e a corrente interna à essa curva, ou seja, o saldo de corrente
que atravessa a superfície aberta delimitada pela curva C. Essa corrente possui um sinal, de acordo com a
orientação de C. Orientando os dedos da mão direita no sentido da orientação de C, o polegar dessa mão vai
definir o sentido positivo das correntes que contribuem para .
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O “pulo do gato” consiste em se escolher uma curva C de tal forma que a função ( ) saia de dentro
da integral na lei de Ampère. Para que isso ocorra ( ) deve ser uma constante sobre a curva, ou seja, a curva
deve ser uma curva em que o raio s é constante. Essa curva é um círculo concêntrico ao fio. Portanto,
adotemos C=círculo de raio s orientado no sentido horário. Já sabemos que também está no sentido horário
e obtemos:
∙ = ( )
Na lei de Ampère obtemos:
∙ = ( ) = ( )2
Agora devemos considerar as diferentes regiões no fio, pois para cada região haverá uma
diferente.
×
×
Região < , dentro do fio: a curva C é o círculo vermelho de raio s, orientado no s
×
sentido horário, como na Figura ao lado. De acordo com a regra da mão direita, a corrente
positiva será a corrente entrando na página. Portanto, vemos que a corrente interna a essa
curva é positiva e é dada por:
2 4
= ∙ = 1− ̂∙ ̂2 = 1−
sendo SDs a superfície do disco de raio s subentendida pela curva amperiana. Portanto:
2
= −
2
Da lei de Ampère:
( )2 = − ⇒ ( )= −
=
( )
Da lei de Ampère:
( )2 = ⇒ ( )=
2
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O campo inicialmente cresce com s dentro do fio, porque a corrente vai aumentando com s. Mas a corrente
está mais concentrada próximo ao centro do fio e então o campo começa a decair com s próximo da periferia
do fio (o crescimento da distância prevalece sobre o crescimento da corrente). Fora do fio o campo decai com
1/s, que é o decaimento usual do campo magnético externo de um fio reto e longo. Note que o campo é
contínuo na superfície do fio. O máximo de ( ) dentro do fio pode ser obtido através da identificação do raio
∗ ∗
onde a derivada de ( ) se anula. Esse máximo ocorre em = √6 /3 ≅ 0,82 .
= (| |)
Agora vamos usar a lei de Ampère para determinar a função (| |). A lei de Ampère diz que:
∙ =
sendo C uma curva fechada qualquer, orientada, vetores comprimento infinitesimal tangentes à curva C,
com sentido ao longo da orientação de C e a corrente interna à essa curva, ou seja, o saldo de corrente
que atravessa a superfície aberta delimitada pela curva C. Essa corrente possui um sinal, de acordo com a
orientação de C. Orientando os dedos da mão direita no sentido da orientação de C, o polegar dessa mão vai
definir o sentido positivo das correntes que contribuem para .
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O “pulo do gato” consiste em se escolher uma curva C de tal forma que a função (| |) saia de dentro
da integral na lei de Ampère. Para que isso ocorra (| |) deve ser uma constante sobre a curva, ou seja, a
curva deve ser uma curva em que a distância |z| é constante. Essa curva é uma reta paralela à placa, já que o
eixo z é ortogonal à placa. Portanto, adotemos C=retângulo de lados e orientado no sentido horário,
conforme a Figura ao lado (retângulo em verde).
∙ = (| |) + (| |) + 0 + 0 = 2 (| |) = 2 (| |)
Agora temos que computar a corrente que atravessa a área retangular delimitada por essa curva
retangular. Cada fio que corta essa área contribui com uma corrente positiva, pois está entrando no plano
da página. A quantidade de fios que atravessa esse retângulo é , portanto:
=
Concluindo:
2 (| |) = ⇒ (| |) = =
2
Concluímos que o módulo do campo magnético produzido por essa placa independe da distância | |,
ou seja, o campo magnético é uniforme em cada um dos lados da placa (ele apenas inverte de sentido quando
vamos de um lado para o outro).
Essa distribuição de correntes uniforme em uma placa plana infinita é análoga à distribuição uniforme
de cargas ( ) em uma placa plana infinita, que também produz um campo elétrico uniforme em cada um dos
lados da placa, apenas com uma inversão de sentido:
=
2
A Figura ao lado (retirada do site da Mahavir metal corporation) mostra um
fio condutor de cobre com a geometria do tipo placa plana, similar a que foi
considerada nesse exercício. Dentre suas vantagens, em relação ao condutor
cilíndrico, estão a flexibilidade, a pouca exigência de espaço e a facilidade de dissipação de calor.
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