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Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento
Documentos
139
ISSN 0103 - 0205
N ov embro, 2005
Trialelo: Método para
Determinação da Epistasia
2 Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
República Federativa do Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva
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Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
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Ministro
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Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
ISSN 0103-0205
Novembro, 2005
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Centro Nacional de Pesquisa de Algodão
Documentos 139
Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
Máira Milani
Campina Grande, PB.
2005
4 Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
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Supervisor Editorial: Nívia Marta Soares Gomes
Revisão de Texto: Máira Milani
Tratamento das ilustrações: Geraldo Fernandes de Sousa Filho
Capa: Flávio Tôrres de Moura/Maurício José Rivero Wanderley
Editoração Eletrônica: Geraldo Fernandes de Sousa Filho
1ª Edição
1ª impressão (2005) 1.000 exemplares
Todos os direitos reservados
A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui
violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).
EMBRAPA ALGODÃO (Campina Grande, PB).
Trialelo: Método para Determinação da Epistasia, por Máira Milani. Campina
Grande, 2005.
21p. (Embrapa Algodão. Documentos, 139).
[Link]ética Quantitativa. I. Milani, M. II. Título. III. Série.
CDD 575.1
Embrapa 2005
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Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
Autor
Máira Milani
[Link]. Engº Agrº, Embrapa Algodão, Rua Osvaldo Cruz, 1143, Centenário,
58107-720, Campina Grande, PB.
6 Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
7
Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
Apresentação
A agropecuária é uma das áreas que mais tem se beneficiado da evolução dos
estudos genéticos, com o aumento de produtividade e a melhoria de
características de interesse econômico e/ou nutricional. Os estudos genéticos
básicos, como a determinação do tipo de herança envolvida em uma
característica são essenciais, para esta evolução.
Esta publicação divulga uma metodologia simples para a determinação dos
efeitos epistáticos em características de interesse econômico, contribuindo para
aprimoramento das pesquisas em fitomelhoramento.
Robério Ferreira dos Santos
Chefe Geral da Embrapa Algodão
8 Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
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Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
Sumário
Trialelo: Método para Determinação da Epistasia............................ 11
Epistasia ..................................................................................11
Método para determinação da epistasia: Trialelo ............................12
Determinação da Epistasia com uso dos Trialelos........................... 17
Referências Bibliográficas .......................................................... 19
10 Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
11
Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
Trialelo: Método para
Determinação da Epistasia
Máira Milani
Epistasia
A maioria das características de interesse econômico apresenta segregação
contínua, tais como produção, altura de planta e ciclo, sendo determinadas por
vários genes e/ou muito influenciadas pelo ambiente. Para essas características e
dependendo do ambiente um único genótipo pode ter vários fenótipos e um
mesmo fenótipo pode estar associado a vários genótipos (HARTL, 1991). Os
fenótipos observados são obtidos por mensurações, não havendo possibilidade
de identificarem-se classes distintas, como no caso dos caracteres qualitativos, o
que exige a utilização de metodologias biométricas apropriadas, as quais estão
fundamentadas na utilização de estatísticas, tais como média, variância,
covariância e correlação de caracteres (RAMALHO et al., 2000).
As metodologias utilizadas para estudo dos caracteres quantitativos resumem-se
no uso dos componentes de médias e componentes de variância. A utilização da
variância, uma estatística de segunda ordem, ao invés de médias, é preferida,
porque esta última pode, algumas vezes, não representar realmente o que está
ocorrendo. Utilizando-se as médias, o que se obtém no final é uma soma
algébrica de cada um dos locos individualmente, e pode ocorrer, por exemplo,
que os genes dominantes estejam presentes, mas atuando em sentidos opostos
nos vários locos, o que resultaria em um efeito final nulo ou pequeno,
resultando, evidentemente, em uma idéia errônea do que realmente ocorre. O uso
da variância elimina esta desvantagem porque como os efeitos individuais de
cada loco são elevados ao quadrado, não há possibilidade de se cancelarem.
Além disso, a variância tem outras vantagens, como permitir obtenção de
12 Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
estimativas de herdabilidade e predições do ganho esperado com a seleção, o
que não é possível com médias (RAMALHO et al., 1993).
Os efeitos dos genes, para expressar os fenótipos, dependem de sua ação e de
sua interação. Esta última pode ser dividida em interação alélica e não-alélica.
Interação alélica é a ação combinada dos alelos de um mesmo gene e expressa
os efeitos do vigor híbrido ou heterose. Já interação não-alélica é a ação
combinada de alelos de genes diferentes. A epistasia é um tipo de interação não-
alélica, na qual a expressão de um gene é inibida por outro (RAMALHO et al.,
2000).
Na ausência de epistasia, o valor genotípico para todos os locos controlando
uma característica é igual à soma dos valores genotípicos para os locos
individuais. Quando a epistasia está presente, o valor genotípico para de um
indivíduo não é estimado completamente pela soma dos valores genotípicos
individuais (FEHR, 1991).
Existem três tipos de interações epistáticas: 1) tipo i, a qual pode ser
denominada interação aditiva x aditiva (aa) ou homozigota x homozigota, e é
muito importante no melhoramento de plantas autógamas; 2) tipo j, interação
aditiva x dominante (ad) ou dominante x aditiva (da) e também pode ser
denotada de homozigota x heterozigota ou heterozigota x homozigota, e que
não é possível fixar com a seleção e 3) tipo l, interação dominante x dominante
(dd) ou heterozigota x heterozigota, tendo sua maior importância na produção de
híbridos. Nestas expressões, aditivo refere-se ao valor genético (“breeding
value”) e dominante, aos desvios de dominância. Para dois locos, aditivo x
aditivo é a interação dos valores de melhoramento em ambos os locos, aditivo x
dominante é a interação entre valores de melhoramento em um loco e desvios de
dominância no outro, e dominante x dominante é a interação de desvios de
dominância em ambos os locos. As interações epistáticas são dependentes dos
efeitos médios dos genes e desvios de dominância nos locos individuais. Como
resultado, são dependentes do grau médio de dominância e da freqüência gênica
na população (FEHR, 1991; RAMALHO et al., 1993).
Método para determinação da epistasia: Trialelo
Na maioria dos métodos utilizados para estimarem-se os componentes de
variação genéticos e ambientais, assume-se que as interações não-alélicas
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Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
estejam ausentes, embora não se preveja um teste válido para esta
pressuposição. Além de que as estimativas dos componentes de dominância
invariavelmente estão associadas a um erro padrão maior do que os
componentes aditivos (KEARSEY E JINKS, 1968).
Um método experimental desenvolvido para superar o segundo problema foi
proposto por Comstock e Robinson (1952) e denominado Delineamento III, que
permite a análise de gerações derivadas de cruzamentos aleatórios de F2
proveniente de duas linhas puras e contrastantes. A análise trialélica é uma
extensão deste delineamento na qual é possível não somente obter uma
estimativa eficiente da variância devido à dominância como testar a presença de
epistasia, por meio de cruzamentos aleatórios entre a geração F2 e suas gerações
antecessoras (KEARSEY E JINKS, 1968; JINKS et al., 1969). Isto ocorre
porque há mais quadrados médios disponíveis na análise de variância, tornando
possível estimar variâncias de pequena ordem (HALLAUER E MIRANDA FILHO,
1988).
A análise trialélica tem dois propósitos básicos (Rawlings e Cockerham, 1962),
sendo o primeiro, contribuir para o entendimento da ação gênica na estrutura do
híbrido triplo e o segundo, prognosticar quais parâmetros genéticos devem ser
estimados e que hipóteses devem ser testadas. Apresenta como limitação, o
número de linhagens que deve ser utilizado, pois se deve manter um número de
híbridos triplos que possa ser manuseável. Também, presta-se para verificar
Fig. 1. Esquema de cruzamentos utilizado com o Delineamento III Fonte: Comstock e
Robinson (1952).
14 Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
falhas do modelo simples, estimar a interação genótipos x ambientes sem
ambigüidade de respostas porque permite discriminar os efeitos da interação com
os efeitos aditivos, dominantes e epistáticos (PERKINS E JINKS, 1970, 1971) e
pode ser importante para detectar epistasia em alguns cruzamentos, mesmo que
a epistasia não mostre significância na análise estatística (JINKS E PERKINS,
1970). Em um trabalho realizado com Nicotiana rustica, por JINKS et al.
(1973), foi possível verificar que a epistasia pode ser relacionada ao cultivo em
ambientes extremos com o uso da análise trialélica.
No trialelo, uma amostra de genótipos de uma população é cruzada com 3
testadores, conforme Figura 2. Dois deles (L1 e L2) são linhas homozigóticas e o
terceiro (L3) é o F1 entre L1 e L2. As progênies do i-ésimo genótipo são
denominadas por L1i, L2i e L3i, respectivamente. Considerando 2 locos com 2
alelos, são possíveis 9 genótipos, cujos valores genotípicos esperados
encontram-se na Tabela 1 (KEARSEY E JINKS, 1968).
Com L1 = AABB e L2 = aabb, o valor do contraste (L1i + L2i – 2L3i) para os
cruzamentos com AABB será explicado em detalhes. Os genótipos dos 3
cruzamentos serão, neste caso, L1i = AABB, L2i = AaBb e L3i = ¼ (AABB +
AABb + AaBB + AaBb). Para os valores genotípicos esperados de L1i, L2i e L3i,
tem-se:
Fig. 2. Esquema de cruzamentos utilizado no trialelo.
Fonte: Kearsey e Jinks (1968).
Tabela 1: Valores genotípicos esperados para as famílias derivadas dos cruzamentos
com cada um dos 9 possíveis genótipos
a = aditivo; d = dominante; i = aa (aditivo x aditivo); j = ad + da (aditivo x dominante + dominante x
aditivo) e l = dd (dominante x dominante)
L1 = parental AABB; L2 = parental aabb; L3 = geração F1
Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
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16 Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
aA +aB + aa
dA + dB +dd
(aA + dA + aB + dB) + ½ (aa + ad + da +dd)
O valor esperado para o contraste (L1i + L2i – 2L3i) será, portanto, ½ (aa – ad –
da +dd) e está livre dos efeitos aditivos e de dominância. O mesmo pode ser
encontrado para os 8 genótipos restantes, conforme exposto na Tabela 2
(WRICKE E WEBER, 1986).
Se não forem verificados efeitos epistáticos, Kearsey e Jinks (1968) propõem
que deve-se proceder à análise da soma (L1i + L2i) e da diferença (L1i - L2i). As
variâncias para soma e para diferença são duas vezes maiores que os quadrados
médios para genótipos e interações da análise de variância (Tabela 3).
Considerando as freqüências alélicas p e q, nenhum componente de variância da
população base pode ser estimado. Isto somente é possível no caso de dois
alelos com freqüências iguais. Uma população que preenche esta condição é uma
população F2 derivada de um cruzamento de duas linhagens homozigóticas
(WRICKE E WEBER, 1986). O componente aditivo para cada família será
fornecido pela fonte de variação soma e o componente de dominância pela fonte
da diferença.
Tabela 2. Valores genotípicos do contraste (L1i + L2i – 2L3i), considerando a geração
F1 dos cruzamentos trialélicos, (P1 = AABB e P2 = aabb).
aa = aditivo x aditivo; ad = aditivo x dominante; da = dominante x aditivo e dd = dominante x
dominante
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Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
Tabela 3. Análise de variância para o cruzamento triplo na ausência de epistasia
⊥
n = número de famílias; r = número de repetições; t = número de tratamentos e b = número de blocos
Pelas esperanças dos quadrados médios, E(QM), podem-se calcular os
parâmetros:
Determinação da Epistasia com uso dos Trialelos
Alguns trabalhos foram realizados com o uso de análise de cruzamentos triplos
(SINGH E SINGH, 1976; NANDA et al., 1982; VIRK et al., 1986;
SUBBARAMAN E RANGASAMY, 1989; NANDA et al., 1989; SRINIVASAN E
PONNUSWANY, 1993; WOLF E HALLAUER, 1997; ETA-NDU E OPENSHAW,
1999; UPADHYAYA E NIGAM, 1998 e 1999) e existe grande divergência
quanto à importância da estimativa da epistasia. Esta variação ocorreu devido ao
tipo de genitores utilizados nos cruzamentos, a geração avaliada, a espécie
utilizada, número de locais avaliados, interação genótipos x ambientes e até
mesmo com as mesmas condições e cultivares diferentes.
Estudando cruzamentos triplos em trigo, Singh e Singh (1976) verificaram que
os resultados da análise realizada revelaram que o componente devido à epistasia
foi importante para altura de planta, comprimento de espiga, número de
espiguetas por espiga, número de grãos por espiga e produção por planta.
Porém, Nanda et al.(1982) utilizando cultivares diferentes como parentais e
avaliando as mesmas características, não verificaram a presença de epistasia.
Ainda com trigo, Nanda et al. (1989) observaram a existência de epistasia do
aditiva x aditiva para produção, número de grãos por espiga e índice de colheita.
Avaliando o cruzamento triplo de 20 famílias F7 com a geração F2 do mesmo
cruzamento, em ervilha, Virk et al. (1986), verificaram que o componente devido
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à epistasia não mostrou-se importante para explicar os resultados e que para
isso o componente devido à dominância foi fundamental.
Em arroz, Subbaraman e Rangasamy (1989), verificaram a presença da epistasia
para a maioria dos caracteres estudados, exceto peso de 100 grãos, para o qual,
também, não ocorreu presença de epistasia dos tipos i, j e l. Porém, esses
efeitos podem estar confundidos com efeitos ambientais, pois a análise foi
realizada apenas em um local e uma safra.
Em soja, Hanson e Weber (1962) e Hanson et al. (1967) verificaram que
aproximadamente 70% da variação genética da produtividade de grãos pode ser
atribuída à epistasia.
Em milho, os melhoristas vêm obtendo sucesso explorando a heterose do
híbrido em cruzamentos de linhas puras em que os efeitos epistáticos podem
contribuir para a expressão da heterose. Para testar esta hipótese, Wolf e
Hallauer (1997) realizaram o cruzamento das linhagens B73 x Mo17, obtendo
F1 e F2, e utilizaram o cruzamento triplo entre F2, os parentais e F1. Verificaram
que os efeitos epistáticos foram significativos para comprimento de espiga,
número de fileiras de grãos na espiga, altura de espiga e florescimento e que a
presença da epistasia pode ter contribuído para a manifestação da heterose.
Utilizando esta mesma metologia, Eta-Ndu e Openshaw (1999) obtiveram
resultados semelhantes para produção.
A epistasia afetou o comportamento de 8 em 11 características estudadas em
amendoim por Upadhyaya e Nigam (1998, 1999), e houve maior interação
entre epistasia e ambientes do que destes com efeitos aditivos e de dominância.
Entre estas características estão conteúdo e qualidade de óleo, sempre utilizadas
como parâmetros em programas de melhoramento desta cultura. Assim, os
autores sugerem que a presença de epistasia seja considerada na escolha do
método de melhoramento a ser utilizado.
Khattak et al., (2002) utilizaram uma modificação do método proposto por
Kearsey e Jinks (1968). Eles cruzaram as gerações parentais e F1 com 9
variedades de Vigna radiata e verificaram que a partição da epistasia total
indicou que a interação aditiva x aditiva (tipo i) foi importante para altura de
planta, em vários estádios de desenvolvimento da cultura, enquanto que para as
características ligadas a maturação dos frutos e precocidade, os efeitos das
interações aditiva x dominante e dominante x dominante foram mais
importantes.
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Trialelo: Método para Determinação da Epistasia
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