Quadro mural
Características do Texto Dramático Moçambicano
Antes de caracterizar o teatro moçambicano, importa referir que este ainda está em
desenvolvimento. O seu início reporta à década de 1960, quando se revelava uma tendência
generalizada para a formação de uma identidade africana, e mais especificamente moçambicana.
Lindo Nhlongo foi um dos primeiros autores a inscrever-se nesta dinâmica de teatro nacional, em
1971, a sua peça A Conferencia Dramática sobre o Lobolo foi a primeira obra abordar uma temática
exclusivamente africana.
Teatro moçambicano resulta da incorporação dos elementos culturais moçambicanos no teatro, a
dança e a música, fazendo-se assim adaptações de textos moçambicanos, contos que tinham a ver
com a realidade de Moçambique. A partir deste pressuposto, desenham-se as seguintes
características:
Após a independência em 25 de Junho de 1975, Moçambique passou a desenvolver um teatro
“revolucionário”, informativo e propagandista, destacando os valores de um país
independente (é um teatro de intervenção social, mas com cariz artístico);
O teatro moçambicano é tragicómico, isto é, algumas vezes retrata peripécias trágicas, outras
cómicas;
O teatro de Moçambique retrata uma das riquezas de Moçambique: a grande diversidade
linguística e cultural. Nesta perspectiva associa-se a multiplicidade de ritos, de danças e
ritmos musicais moçambicanos.
O texto dramático ainda não foi exaustivamente explorado pelos autores moçambicanos, o
que significa que não existem muitos dramaturgos, tem sido necessário proceder à adaptação
de contos.
Drama vs Ritual
Para uma primeira apreciação desses conceitos, apresentam-se as definições de drama e ritual, sendo
que, posteriormente, será apresentada a diferença entre ambos.
Drama – é a arte de representação em que um actor retrata o comportamento de uma personagem, o
qual, por sua vez, revela a vida profunda da personagem. Este tipo de texto dramático inspira-se na
realidade da vida presente.
Ritual – é um cerimonial que se deve observar na prestação de um culto, consignada num
determinado livro, carregando com ele um valor religioso, cultural, simbólico, etc.
A diferença entre o drama e ritual observa-se no facto do primeiro consistir na encarnação de
personagem que surge numa peca teatral, ou seja, procura imitar personagens com as quais se
identifica até ao mais ínfimo pormenor, tanto na maneira de vestir, falar, entre outras características.
Ao passo que o ultimo tem a ver com a devoção a alguma coisa ou alguém.
José Machuza jr.