FACULDADE DE DIREITO
CURSO DE LICENCIATURA EM DIREITO
TRABALHO DE CAMPO DE DIREITO COMUNITÁRIO
2º ano
Tema: Protocolo de Maputo
Estudante:
Fernando
Pemba, aos Novembro de 2024
Sumário
INTRODUÇÃO....................................................................................................................................................1
Objectivo Geral.....................................................................................................................................................1
Objectivos Especificos.....................................................................................................................................1
Justificativa...........................................................................................................................................................1
Problema...............................................................................................................................................................2
Metodologia..........................................................................................................................................................2
DESENVOLVINENTO: PROTOCOLO DE MAPUTO......................................................................................3
Conceito do Protocolo..........................................................................................................................................3
Recomendações, Desafios e críticas.................................................................................................................5
Conclusão.............................................................................................................................................................6
INTRODUÇÃO
A pesquisa intitulada Protocolo de Maputo representa um marco significativo no avanço dos
direitos das mulheres no continente africano. Este documento, adotado em Moçambique em
2003, na cidade de Maputo, reflete o compromisso dos Estados africanos em promover e
proteger os direitos das mulheres, reconhecendo a necessidade de enfrentar as desigualdades de
gênero e as violações que frequentemente atingem essa população.
No âmbito do estudo do direito comunitário, o Protocolo de Maputo estabelece uma estrutura
normativa específica para a promoção dos direitos das mulheres, alinhando-se com os princípios
de igualdade e não discriminação. A sua adoção é um passo decisivo para a construção de uma
sociedade mais equitativa e justa na África.
Objectivo Geral
Falar sobre Protocolo de Maputo
Objectivos Especificos
Descrever o âmbito de aplicação do protocolo Maputo;
Discutir os desafios na implementação do protocolo Maputo.
Justificativa
No enfrentamento das desigualdades de gênero e na defesa dos direitos das mulheres na África, o
Protocolo de Maputo representa um marco significativo. Ele estabelece diretrizes que buscam
combater a discriminação, a violência e práticas prejudiciais, como a mutilação genital feminina
e os casamentos infantis, oferecendo um arcabouço legal para os Estados-membros. Em
consonância com compromissos internacionais, como a CEDAW, o Protocolo promove a
implementação de políticas que respeitam os direitos das mulheres, buscando sinergia entre as
normas regionais e globais.
Além disso, o Protocolo estimula o empoderamento econômico e social das mulheres,
incentivando sua participação ativa na sociedade e respeitando as particularidades culturais dos
países africanos. A análise do Protocolo de Maputo é fundamental para compreender as
transformações necessárias para alcançar a igualdade de gênero e a proteção dos direitos
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humanos na África, refletindo um compromisso coletivo dos Estados africanos em construir um
futuro mais justo e equitativo.
Problema
O Protocolo de Maputo, formalmente denominado Protocolo à Carta Africana dos Direitos
Humanos e dos Povos sobre os Direitos das Mulheres em África, marca um momento
significativo na luta pela igualdade de gênero e pelos direitos das mulheres no continente
africano. Este instrumento legal não apenas aborda as violações históricas e sistemáticas que as
mulheres enfrentam, mas também estabelece diretrizes claras para promover seus direitos em
várias áreas, como saúde, educação, participação política e empoderamento econômico. Sua
adoção e implementação são essenciais para transformar as normas sociais e culturais que
sustentam a desigualdade de gênero, criando um ambiente onde as mulheres possam exercer
plenamente seus direitos e contribuir de forma ativa para o desenvolvimento sustentável de suas
comunidades.
De que maneira o Protocolo de Maputo pode ser implementado de forma eficaz pelos Estados-
membros da União Africana para assegurar a proteção e promoção dos direitos das mulheres,
enfrentando as barreiras culturais, sociais e políticas que ainda persistem no continente? Esta
questão central procura investigar os desafios que os países africanos enfrentam na aplicação das
disposições do Protocolo, além das estratégias necessárias para superar essas barreiras e
promover um progresso real na igualdade de gênero e nos direitos humanos das mulheres na
África.
Metodologia
Este capítulo aborda as abordagens metodológicas que servirão como fundamento para o estudo
em questão, além dos procedimentos que serão adotados, considerando sua natureza e objetivos.
De acordo com Prodanov e Freitas (2013, p. 126), a Metodologia é entendida como um conjunto
de procedimentos intelectuais e técnicos necessários para alcançar os objetivos propostos: os
métodos científicos.
No que diz respeito ao tipo de pesquisa, opta-se pelo método qualitativo, que, segundo Marques,
Nanfroi e Castilho (2006, p. 30), é caracterizado pela impossibilidade de quantificação dos
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dados. Assim, a utilização da abordagem qualitativa permitirá uma análise aprofundada de
manuais científicos e artigos acadêmicos.
DESENVOLVINENTO: PROTOCOLO DE MAPUTO
Conceito do Protocolo
Um protocolo é um conjunto de normas ou orientações que define como as partes envolvidas
devem se comportar ou interagir em situações específicas. Ele estabelece diretrizes e
procedimentos a serem seguidos para assegurar a organização, a clareza e a eficácia nas
comunicações e nas ações entre indivíduos, grupos ou instituições. Em outras palavras, um
protocolo é um acordo formal entre as partes que determina regras, orientações ou procedimentos
a serem cumpridos. Em diversos contextos, como na diplomacia, no direito internacional e em
organizações, os protocolos são empregados para regular as relações e comportamentos entre os
signatários.
O Protocolo de Maputo, oficialmente conhecido como Protocolo à Carta Africana dos Direitos Humanos
e dos Povos sobre os Direitos das Mulheres em África, é um tratado regional aprovado em julho de 2003
pela Assembleia da União Africana em Maputo. Seu principal objetivo é assegurar a igualdade de gênero
e promover os direitos das mulheres em várias áreas, como saúde, educação e participação política no
continente africano. O protocolo aborda a eliminação da discriminação contra as mulheres, a violência
de gênero, os direitos sexuais e reprodutivos, além da proteção especial para mulheres em situações
vulneráveis.
Entre suas disposições, o protocolo estabelece que a idade mínima para o casamento é de 18 anos
e que nenhuma união pode ser realizada sem o pleno consentimento de ambas as partes. A
monogamia é incentivada como forma preferencial de casamento, e ambos os cônjuges têm o
direito de acordar sobre seu regime matrimonial e local de residência. Além disso, confere à
mulher o direito de adquirir, administrar e gerir livremente seus bens durante o casamento.
No que concerne ao divórcio, o protocolo estabelece que os homens e as mulheres gozam dos
mesmos Direitos em caso de separação de corpos, divórcio e anulação do casamento e garante
que estes casos de ruptura devem ser decididos por via judicial.
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O protocolo de Maputo garante, por outro lado, que o homem e a mulher têm o mesmo Direito
de pedirem a separação de corpos, divórcio ou anulação do casamento. Logo que seja concedido
pelo juiz, a mulher e o homem têm o Direito à partilha equitativa dos bens comuns adquiridos
durante o casamento.
Em caso de viuvez, o protocolo de Maputo proíbe que a viúva seja submetida a algum tratamento
desumano, humilhante ou degradante.
Em matéria de Direito de sucessão, o protocolo de Maputo estabelece que como os homens, as
mulheres têm o Direito de herdar os bens dos seus parentes, em partes equitativas.
A viúva também tem Direito a uma parte equitativa na herança dos bens do seu cônjuge. Tem o
Direito, independentemente do regime matrimonial, de continuar a viver no tecto conjugal.
Em caso de um novo casamento, conserva este Direito caso a casa lhe pertença ou lhe fosse
atribuída como herança.
O protocolo de Maputo insta os Estados membros a proibirem, com medidas legislativas
acompanhadas por sanções, a escarificação e todas as formas de mutilações genitais femininas,
incluindo a sua medicação e actividades paramédicas afins, bem como todas as outras práticas
nefastas.
Garante às mulheres o Direito de exercerem um controlo sobre a fecundidade e decidirem sobre
a sua maternidade, o número de filhos e o espaçamento de nascimentos, assim como sobre a livre
escolha de métodos contraceptivos.
Protege as mulheres idosas, deficientes físicas ou em situação de angústia e garante uma
reparação apropriada a qualquer mulher cujos Direitos e liberdades, tal como reconhecidos pelo
protocolo, sejam violados.
Em caso de conflitos, o protocolo insta os Estados a protegerem as mulheres pedintes de asilo,
refugiadas, repatriadas ou deslocadas, contra todas as formas de violência, o estupro e outras
formas de exploração sexual, bem como certificarem de que tais violências são consideradas
como crimes de guerra, genocídio e ou crimes contra a humanidade e que os seus autores são
processados judicialmente.
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Recomendações, Desafios e críticas
O Protocolo de Maputo recomenda que os Estados membros promovam a igualdade no emprego
e assegurem o direito a uma remuneração igual para homens e mulheres em funções de valor
equivalente. Além disso, o protocolo solicita que medidas sejam adotadas para combater a
exploração e o uso de mulheres em publicidade de caráter pornográfico ou degradante à sua
dignidade.
Embora considerado por muitos observadores como uma revolução nas mentalidades africanas, o
Protocolo enfrentou críticas, especialmente por parte de comunidades cristãs e islâmicas. A
comunidade católica, em particular, contestou as disposições relacionadas à saúde reprodutiva,
como a definição do aborto como um direito humano, o que gerou forte oposição dos bispos
africanos da Igreja Católica Romana.
A comunidade muçulmana foi contra matérias relativas a mutilação genital, casamentos
monogâmicos e proibição de muitas práticas tradicionais. A título de exemplo no Níger em 2009
um grupo de mulheres muçulmanas saiu às ruas num protesto denominada “Satânico Maputo
Protocolo” em protesto a fixação da idade para mínima para matrimónio (Maputo Protocol,
2014).
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Conclusão
Conclui-se que um protocolo é um acordo formal entre as partes que estabelece regras, diretrizes
ou procedimentos a serem seguidos. Nesse sentido, o Protocolo de Maputo, oficialmente
denominado Protocolo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos das
Mulheres em África, é um tratado regional essencial que visa garantir a igualdade de gênero e
promover os direitos das mulheres em várias áreas, como saúde, educação e participação política
no continente africano.
Este Protocolo não se limita a abordar a eliminação da discriminação contra as mulheres e a
violência de gênero, mas também ressalta a importância dos direitos sexuais e reprodutivos,
reconhecendo que esses aspectos são fundamentais para o empoderamento feminino. Além disso,
destaca a necessidade de proteção especial para aquelas mulheres em situações vulneráveis,
como as afetadas por conflitos armados ou crises humanitárias.
A implementação eficaz do Protocolo de Maputo é crucial para transformar as normas sociais e
culturais que perpetuam a desigualdade de gênero. Ao fornecer um arcabouço legal claro e
mecanismos de responsabilização, o Protocolo não apenas promove os direitos das mulheres,
mas também contribui para a formação de sociedades mais justas e equitativas. A análise
contínua e a investigação sobre o impacto desse tratado são essenciais para identificar progressos
e desafios na luta pela igualdade de gênero na África.
Portanto, ao considerar o Protocolo de Maputo como uma ferramenta poderosa na promoção dos
direitos das mulheres, fica evidente que seu sucesso depende da vontade política dos Estados-
membros em implementá-lo efetivamente e da mobilização da sociedade civil para garantir que
esses direitos sejam respeitados e promovidos em todos os níveis. Assim, o Protocolo representa
não apenas um compromisso formal, mas uma oportunidade real para transformar a vida das
mulheres africanas e construir um futuro mais igualitário.
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Referências bibliográficas
[Link] disponível em 30 de Março de
2016
[Link]
desenvolvimento-da-africa-austral, disponível em 29 de Março de 2016
[Link] disponível em 01 de Abril de 2016
[Link]
SADC_Think_Tank_Conference_Maputo_2012_PT.pdf, disponível em 30 de Março de
2016