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Mecanismos de Defesa em Mulheres Obsessivas

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Módulo 05 de psicanálise – Luciana Cabral Cunha

Escolher um mecanismo de defesa e pesquisar como ela se manifesta.

Escreva um texto reflexivo sobre a pesquisa feita citando exemplos de manifestação do


mecanismo de defesa escolhida para a pesquisa.

“Afinal de contas, o que ela vê nele? Poderia conseguir alguém muito melhor.”

As pessoas tendem a dizer essas coisas sobre uma mulher que ama demais, ao observarem o
que parece ser seu esforço nobre para rar o melhor de uma situação aparentemente
insa sfatória. Porém, pistas que explicam o mistério de sua dedicação em geral podem ser
encontradas em suas experiências infan s. A maioria de nós cresce e mantém os papéis
adotados em nossas famílias de origem. Para as mulheres que amam demais, esses papéis
frequentemente significam que negam as próprias necessidades e tentam suprir as
necessidades de outros membros da família.

Muitas vezes, foram forçadas pelas circunstâncias da vida a crescerem rápido demais,
assumindo prematuramente responsabilidades, porque um dos pais estava muito doente sica
ou emocionalmente para exercer suas funções parentais. Ou talvez um dos pais es vesse
ausente devido a morte ou divórcio e veram que preencher esse vazio, ajudando a cuidar dos
irmãos e da mãe ou do pai presente. Também pode ter ocorrido a necessidade de se tornarem
a própria mãe em casa, enquanto sua mãe trabalhava fora para sustentar a família. Ou vivido
com ambos os pais, mas como um estava zangado, frustrado, ou infeliz e o outro não reagia
solidariamente se veem em papéis de confidente, ouvindo detalhes de seu relacionamento
com que não podiam lidar emocionalmente. Assim o faziam por temer pela mãe ou pelo pai
que sofreria caso não recebesse atenção, e também temiam a perda do amor se não
representassem o papel des nado a elas. E então não se protegeram, e seus pais também não
as protegeram, porque precisavam considerá-las fortes, mais fortes do que eram. Embora
fossem imaturas para essas responsabilidades, acabaram os protegendo. Quando isso
aconteceu, aprenderam a cuidar de todos em sua volta, menos de si mesmas. As mulheres que
amam obsessivamente são cheias de medo- medo do abandono, do desprezo, do desvalor, da
indiferença ou da destruição. Devido a uma interação de fatores culturais e biológicos,
desenvolvem no inconsciente predileção por relacionamentos problemá cos.

Um dos mecanismos de defesa u lizado por mulheres obcecadas é o da negação e controle.

Na infância, cada uma desenvolvera um método para sobreviver que incluía negação e
tenta va de obter controle. Mais tarde, na idade adulta, esses métodos foram prejudiciais para
essas mulheres. Seus mecanismos de defesa, contribuíram muito para sua dor.

A prá ca da negação e controle, descrita de um modo magnânimo como “deixar passar as


falhas dele” ou “manter uma a tude posi va”, evita convenientemente o aspecto cúmplice de
como as falhas de seu parceiro permitem a ela assumir seus papeis familiares. Quando seu
impulso de controlar usa a máscara de ser “ú l”, e “dar incen vo”, esse po de interação
ignora sua necessidade de superioridade e poder.

O mecanismo de defesa da negação e o controle, levam as mulheres que estão em


relacionamentos destru vos reencenar seus an gos conflitos, pra cando a tenta va de mudar
ao outro em vez de a si mesmas.
Trouxe para o meu trabalho um estudo de caso que fora publicado no livro mulheres que
amam demais que exemplifica na pra ca o mecanismo de defesa da negação e controle.

Ruth: 28 anos; casada e com duas filhas.

Relata que sabia que Sam nha problemas de desempenho sexual antes mesmo de se
casarem. “Havíamos tentado fazer amor algumas vezes, e aquilo nunca realmente deu certo,
mas ambos púnhamos a culpa disso no fato de não sermos casados. Par lhávamos convicções
religiosas muito fortes – na verdade, nos conhecemos em curso noturno em uma escola
religiosa e saímos juntos durante dois anos antes de ao menos tentarmos ter relações sexuais.
Àquela altura, estávamos noivos, com a data de casamento marcada, por isso interpretamos a
impotência de Sam como o modo de Deus evitar que pecássemos antes de nos casarmos.
Pensei que Sam era apenas um jovem muito mido e que eu conseguiria ajudá-lo a superar
isso quando es véssemos casados. Ansiava por conduzi-lo naquilo tudo. Só que não foi isso
que aconteceu.

Em nossa noite de núpcias, Sam estava pronto para ir em frente, então perdeu a ereção e me
perguntou em voz baixa: “Você ainda é virgem? “Quando não lhe respondi imediatamente, ele
disse: “Não achei que fosse,” Ele se levantou, foi para o banheiro e fechou a porta. Nós dois
choramos nos lados opostos daquela porta. Foi uma noite longa e desastrosa, a primeira de
muitas outras.

Antes de conhecer Sam, eu havia sido noiva de um homem de quem nem mesmo gostava
muito, mas ele me seduziu e fizemos amor. Depois disso, sen que nha me casar com ele para
me redimir. Ele acabou se cansando de mim e simplesmente foi embora. Eu ainda estava
usando minha aliança de solteira para sempre depois daquela experiencia. Mas Sam era muito
gen l e nunca me pressionou sexualmente, por isso me sen segura e aceita. Dava para ver
que Sam era muto gen l era menos sofis cado e mais conservador do que eu na área sexual, e
isso fez com que eu me sen sse no controle da situação. Esse fato, junto com nossas
convicções religiosas, garan u-me que éramos perfeitos um para o outro.

Depois de nosso casamento, devido a culpa que eu sen a, assumi toda a responsabilidade de
curar a impotência de Sam. Lia todos os livros que encontrava, enquanto ele se recusava a ler
ao menos um. Guardei todos aqueles livros na esperança de que os lesse. Mais tarde descobri
que ele realmente lia todos, quando eu não estava olhando. Também estava louco por
respostas, mas eu não sabia, porque Sam não falava sobre isso. Ele me perguntou se eu
concordava em que fossemos apenas amigos e men , dizendo que sim. A pior parte para mim
não foi a falta de sexo na minha vida; de qualquer modo eu não ligava muito para isso. Foi
minha culpa, minha sensação de que de alguma maneira eu arruinara tudo, desde o começo.

A terapia era algo que eu não havia tentado. Perguntei- lhe se ele iria comigo. Ele respondeu
que de modo algum. Aquela altura eu estava obcecada pela sensação de que eu o privara da
maravilhosa vida sexual que ele poderia ter se não vesse se casado comigo. Ainda sen a que
talvez houvesse algo que um terapeuta pudesse me dizer que ajudaria, algo que os livros não
disseram. Estava desesperada para ajudar Sam. E ainda o amava. Agora percebo que grande
parte do que sen a era culpa e pena, que eu achava que era amor.

Fui a terapeuta especializada em sexualidade humana, na verdade fui procurar ajuda pra Sam,e
fui direcionada pela terapeuta a voltar atenção para eu mesma, visto que Sam não estava
presente, mas poderíamos trabalhar comigo e com meus sen mentos sobre o que estava
acontecendo e deixando de acontecer entre eu e Sam. Eu não estava ne um pouco preparada
para falar sobre meus sen mentos. Nem mesmo sabia que os nha. Passamos a primeira hora
comigo tentando voltar o assunto para Sam,e ela me conduzindo gen lmente de volta para
mim mesma e meus sen mentos. Pela primeira vez, percebi o quanto eu era boa em me evitar.
Principalmente por minha terapeuta ser tão honesta comigo,decidi vê –la de novo, embora não
véssemos trabalhado no que eu estava certa que era o meu verdadeiro problema – Sam.

Entre nossa segunda e terceira sessões ve um sonho vivido e perturbador ,no qual era
ameaçada e perseguida por uma figura que não conseguia ver o rosto, ao descrever para a
terapeuta ela me ajudou a trabalhar com o sonho até perceber que a figura ameaçadora era
meu pai ,eu lembrei que fui molestada sexualmente com frequência quando eu nha entre 09
e 15 anos. Eu havia enterrado todo esse aspecto da minha vida, e quando as lembranças
começaram a voltar só pude deixar vir aos poucos, por serem devastadoras.

Sam era gen l, um bom homem, mais sua família também era disfuncional, eram
extremamente rigorosos .Se ele demorasse no banheiro, seus pais ba am na porta, suas mãos
deveriam ficar expostas quando estavam a mesa, não poderia ficar no colo, sua família dizia
que ele seria criado para ser um menino puro e limpo. O tratamento terapêu co de algum
modo tornou as coisas entre nos dois piores como casal,eu teria de abandonar o controle para
ele poder experimentar ter o próprio controle de si mesmo e de seus sen mentos.

Conclusão; a historia de Ruth ilustra outra faceta do mecanismo de defesa; negação e o


controle. Ela sabia antes de se casar quais eram os problemas de Sam e na verdade o fracasso
sexual não a surpreendeu, era exatamente a garan a de que ela nunca mais teria de se sen r
sem o controle da sua sexualidade. Poderia tomar a inicia va, ser a pessoa no controle.

Nesse caso, somente com o enfrentamento da dor do passado e do presente que foi evitada
de sen r pelo mecanismo de defesa do ego é que a recuperação emocional ocorrerá.

NORWOOD, R. Mulheres que amam demais; quando você con nua a desejar e esperar que ele
mude/, tradução de Maria Clara De Biase. – Rio de Janeiro; Rocco;2011.

Common questions

Com tecnologia de IA

Ruth's background and family dynamics significantly contribute to her relationship issues with Sam. Having assumed adult responsibilities at a young age due to familial circumstances, she develops a pattern of neglecting her emotional needs while focusing on others'. Her unresolved childhood trauma, including the experience of sexual molestation, underpins her sense of guilt and responsibility in her marriage. Ruth's upbringing likely taught her to equate control with safety, which leads her to assume responsibility for Sam's impotence, reinforcing her compulsion to solve issues she perceived as her own fault. This relates to her need to feel valuable by being needed, a role instilled by the lack of appropriate parental support in her formative years .

Ruth's recurring dream reveals underlying psychological issues such as her unresolved childhood trauma and fear of confronting personal history. The dream, where she is pursued by a faceless figure that later represents her father, signifies her suppressed memories of being molested, a critical issue she buried through denial and control mechanisms. Addressing these repressed experiences was crucial for understanding her compulsion to control her surroundings, including her marital dynamics. The dream indicates that despite external attempts to manage her environment (e.g., Sam's sexual issues), the root of Ruth's challenges lies within her internal struggles with past traumas affecting her current relationship .

Societal and cultural contexts contribute to the development of obsessive love in women by reinforcing gender stereotypes and roles that prioritize caretaking and emotional labor. From a young age, women are often socialized to prioritize relationships and others' well-being over their own, internalizing the idea that their value lies in nurturing and supporting others. This is compounded by family dynamics and societal expectations that pressure women to resolve relational difficulties and maintain familial harmony, often at personal costs. For women like Ruth, these cultural narratives justify excessive emotional investment in dysfunctional relationships, masking underlying issues such as control and denial as virtues of commitment and resilience .

The therapeutic approach was significant for Ruth's emotional recovery because it redirected her focus from Sam to herself. Initially, Ruth sought therapy to 'fix' Sam, but the therapist gently guided her to explore her own feelings and experiences, which were overshadowed by her focus on Sam. This shift was crucial because Ruth needed to confront and process her own buried emotions and past trauma, such as the sexual abuse she endured during her childhood. By understanding and addressing her own psychological needs and feelings of guilt, Ruth could begin to dismantle her mechanisms of denial and control, paving the way for her to care for herself rather than others .

Denial and control are defense mechanisms used particularly by women who love obsessively. In these relationships, women might deny the reality of their partners' flaws and attempt to exert control under the guise of being helpful or encouraging. This mechanism allows them to maintain roles they adopted in their families of origin, often stemming from childhood experiences where they had to assume adult responsibilities prematurely. These mechanisms, while serving to protect from emotional pain, ultimately contribute to ongoing relational dysfunction. For example, Ruth in the case study practiced denial by interpreting Sam's impotence as preventable divine intervention, allowing herself to feel in control and necessary, consistent with her learned behavior to care for everyone but herself .

The case study of Ruth reveals that religious convictions can significantly influence personal relationships by providing a framework for interpreting problems and justifying behaviors. Ruth and Sam's strong religious beliefs led them to rationalize Sam's sexual impotence as divine intervention rather than a relationship issue needing direct attention. This belief allowed Ruth to assume a position of control and avoid confronting deeper personal and relationship challenges. The religious context reinforced her avoidance behaviors, making it difficult to address the root causes of their marital issues, such as control and denial, as she felt their union was preordained and externally guided .

Guilt plays a central role in Ruth's actions and decisions. Her sense of guilt manifests in her overwhelming compulsion to 'fix' her husband Sam's impotence, a problem she inaccurately perceives as her burden due to unresolved childhood experiences. Ruth's guilt is compounded by her internalized responsibility to salvage relationships and her fear of abandonment, which she associates with being unworthy if others fail. This emotion drives her to ignore her own needs for self-care, as she strives to make Sam reliant on her, thus validating her self-worth through his improvement. The therapy helped Ruth realize that much of what she deemed as love was actually guilt masking her true feelings .

Therapeutic interventions for women facing similar issues as Ruth should include trauma-informed therapy and experiential techniques to address unresolved childhood experiences and develop healthier relational patterns. Interventions should focus on increasing self-awareness, emotional regulation, and boundary setting by encouraging patients to explore and express their feelings openly. Cognitive Behavioral Therapy (CBT) could help reframe negative thought patterns, while Eye Movement Desensitization and Reprocessing (EMDR) might assist in resolving past trauma. Couples therapy could facilitate healthier communication and relationship dynamics, and individual counseling can offer support in redefining self-worth and identity apart from relationships .

Childhood family roles significantly impact adult relationships for women who love obsessively by perpetuating patterns of neglecting their own needs while catering to others. Often forced to assume adult responsibilities early due to family dysfunction (e.g., absent or incapacitated parents), these women grow up prioritizing others' needs over their own as a survival mechanism. In adulthood, they replicate these roles, seeking partners with issues that enable a continuation of these dynamics, allowing them to feel needed and in control. As seen with Ruth, who felt responsible for Sam's sexual dysfunction, these ingrained roles perpetuate unhealthy dependency and inhibit emotional growth and healing .

Ruth's feelings of safety and acceptance with Sam significantly contributed to her sense of control within the relationship. Her previous experiences with a more assertive partner left her feeling vulnerable and compelled to conform, whereas Sam's gentleness and lack of sexual pressure positioned Ruth as the dominant force, providing her with a false sense of security through control. This dynamic allowed Ruth to maintain emotional distance from unresolved issues by focusing on managing Sam's perceived deficiencies, thereby neglecting her own emotional needs. The imbalance of power rooted in these dynamics prevented authentic intimacy and growth and allowed denial to perpetuate their marital conflicts .

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