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Noções de Empreendedorismo para Ensino Secundário

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REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA


INSTITUTO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA
EDUCAÇÃO – INDE

Modulo 3
11ª Classe ESG,
2º ano ETP Médio

EMPREENDEDORISMO E A GESTÃO DA PRODUÇÃO

NOÇÕES DE
EMPREENDEDORISMO
PARA

ENSINO SECUNDÁRIO GERAL


== MÓDULO 3 ==
EMPREENDEDORISMO E A GESTÃO da
produção
Este módulo faz parte de um conjunto de quatro módulos
do aluno e dois livros do professor desenvolvidos pelo
Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação –
INDE, do Ministério de Educação e Cultura de
Moçambique.

Ficha técnica:

1. Título: Módulo 3 – Empreendedorismo e a Gestão da Produção


2. Elaboradores: Adelino Novais Estêvão, Consultor; Constantino Pedro
Marrengule, Docente universitário – UEM; André Manhiça Machava, Docente
universitário – UP; José Rafael, Docente - Escola Secundária da Matola; Júlio
Silva, Docente – Escola Industrial de Maputo; Maria Bona – Técnica
pedagógica – INDE; Fondo – Técnico pedagógico – INDE; Juvêncio – Técnico
Pedagógico – INDE; Chelengo – Técnico Pedagógico – DNETP; Gina – Técnica
Pedagógica – DNESG
3. Capa:
4. Maquetização:
5. Impressão:
6. Ano: 2009
Índice

Prefácio
O Módulo 3 é parte integrante duma série de quatro módulos e enquadra-se
no processo de desenvolvimento de livros do aluno adequados para o ensino
e aprendizagem da disciplina de Noções de Empreendedorismo nas escolas
dos ensinos secundário geral e técnico profissional em Moçambique.
Sendo o Empreendedorismo uma disciplina nova, estes módulos vêm
responder a falta de uma literatura apropriada para o ensino e aprendizagem
desta matéria tendo em conta as realidades social, económica e cultural do
país.

Estes módulos contêm experiências colhidas de diversos técnicos, escolas


secundárias e técnicas, empreendimentos dos sectores privados e
instituições governamentais, o que proporciona ao aluno um quadro o mais
exacto possível sobre as questões abordadas.

Nossos votos vão para que com estes módulos, o aluno possa desenvolver o
amor pelo trabalho, o espírito e qualidades empreendedores que lhe irão
permitir alcançar o bem-estar social e económico individual e da sua
comunidade.

Introdução
O Empreendedorismo é uma disciplina profissionalizante e visa,
fundamentalmente, fazer face ao desemprego que é um dos principais
problemas que determina a prevalência da pobreza absoluta em
Moçambique.

O centro desta disciplina é o de preparar o aluno para que seja capaz de


aproveitar as oportunidades que se apresentam no contexto social,
económico e cultural local e no mundo, munindo-o com atitudes, valores,
habilidades e técnicas que o permitam ser bem sucedido no trabalho e na
vida.

No Módulo 3, o aluno reforça o desenvolvimento de uma cultura de trabalho


livre de preconceitos e consolida as qualidades empreendedoras pessoais.
Ainda neste módulo, o aluno deve consolidar seus conhecimentos e
habilidades na identificação de oportunidades de projecto e no planeamento
e gestão da produção e de marketing de pequenas empresas bem como no
relacionamento com o ambiente externo das empresas.
Os conteúdos dos módulos estão agrupados na forma de unidades
temáticas. No final de cada tema dentro de cada unidade temática, foram
incluídas algumas actividades que o aluno deve resolver antes de prosseguir
para o tema seguinte.

O aluno deve praticar cada actividade com seriedade para que desta forma
possa permitir uma maior reflexão sobre a unidade temática e melhorar a
compreensão das questões discutidas.

O aluno deverá aprofundar cada tema tratado neste módulo, ouvindo a


opinião de pessoas bem sucedidas e pondo em prática as sugestões feitas
nas diferentes unidades temáticas. O aluno deverá, igualmente, ler outros
livros, artigos, leis, regulamentos e outras publicações de forma a
complementar ou aprofundar as informações obtidas.
Agradecimentos
A riqueza destes módulos advém da variedade de experiências colhidas de
diversos técnicos, escolas secundárias e técnica, empreendimentos dos
sectores privados e instituições governamentais.

Assim, o nosso especial agradecimento vai para a equipa de elaboradores e


do seu líder o consultor Adelino Novais Estêvão.

Os agradecimentos são extensivos para as instituições tais como


Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Universidade Pedagógica (UP),
Instituto Industrial de Maputo (IIM), Escola Secundária da Matola, Escola do
Partido Frelimo da Matota, Instituto de Desenvolvimento da Educação (INDE),
Direcção Nacional do Ensino Técnico Profissional (DNETP), Direcção Nacional
do Ensino Secundário Geral (DNESG) e Autoridade Tributária de Moçambique
pela disponibilidade de seus técnicos para participaram na elaboração dos
manuais.

Os agradecimentos vão também para a UNIDO, EMOSE, Ministério de


Indústria e Comércio e Ministério de Plano e Desenvolvimento pelas suas
valiosas contribuições.
1ª – Unidade temática

Empreendedorismo e dignidade no trabalho

Conteúdos
1.1 Dignidade no trabalho
 Mitos e convicções sobre a natureza do
trabalho;
 Mitos e convicções sobre os negócios;
 Valor de trabalho;
 O negócio e a família.

1.2 Desenvolvimento de competências


 Competências empreendedoras pessoais;
 Avaliação de competências empreendedoras;
 Actividades para o desenvolvimento de
competências empreendedoras.

Objectivos
 Identificar mitos e convicções existentes na sua
comunidade sobre a natureza e estatuto social
do trabalho;
 Identificar o valor de quaisquer tipos de
trabalho;
 Distinguir obrigações do empreendedor face ao
negócio e a família;
 Descrever as competências empreendedoras
pessoais
 Avaliar as competências empreendedoras
pessoais;
 Implementar um plano de desenvolvimento de
competências empreendedoras pessoais.

1.1 Dignidade de trabalho

 Introdução
De certeza que você já viveu ou ouviu falar de alguns trabalhos que são
menosprezados e considerados de humilhantes, por ex: quem tem o trabalho
de limpar as casas de banho, varrer os passeios de estradas e coveiros que
trabalham nos cemitérios.
Imagine se toda gente pensasse da mesma maneira e ninguém aceitasse
fazer o trabalho por considerá-lo humilhante, as casas de banho das nossas
casas, escolas e serviços estariam num estado impróprio e com riscos de
contrairmos doenças, tal é o caso da cólera.
Neste tema, discutiremos sobre mitos e convicções relacionados com a
natureza do trabalho e o negócio. Abordaremos também, sobre o valor do
trabalho e a relação negócio e a família.

 Mitos e convicções sobre a natureza do trabalho


No Módulo 1, você aprendeu que mitos são convicções ou ideias pré –
concebidas e amplamente disseminadas, mas falsas, sobre certos aspectos
da vida. Podem-se construir mitos sobre:
 O trabalho
 A superioridade racial;
 Uma sociedade sem classes;
 A perfectibilidade humana;
 A alimentação;
 A aquisição de conhecimentos empresariais ou de liderança.

Para discussão do conteúdo dos mitos sobre natureza do trabalho, vamos


analisar em conjunto uma história da vida real conforme o relato a seguir:

A história dos dois irmãos gémeos


Uma pessoa encontra um jovem sujo, mal educado e bêbado e pergunta-lhe: O
que se passa contigo?... Andas sujo, falas tão mal e por cima és um bêbado! O
jovem responde: Saí ao meu pai. Ele era bêbado, batia todos os dias a nossa
mãe... Eu não tive outra hipótese se não ser igual a ele.
Num outro dia, a mesma pessoa cruza-se com o irmão gémeo do primeiro jovem e
pergunta-lhe: E então tu? O que sucedeu contigo? És bem arranjadinho,
empresário distinto... e um verdadeiro cavalheiro! O jovem responde: Fiz tudo que
esteve a meu alcance para não sair ao nosso pai. Ele era bêbado, batia todos os
dias a nossa mãe... Eu não tive outra hipótese se não esforçar-me para não ser
igual a ele.
Nesta história temos duas pessoas com mesmos traços físicos e que
possivelmente tenham tido as mesmas oportunidades. Um decidiu construir
uma convicção negativa, segundo ele, herdada do seu pai. E o seu irmão
gémeo optou por construir uma convicção positiva na condução da sua vida.

 Histórias destas e outras menos dignificantes acontecem com


frequência nas diferentes comunidades do nosso país e não se diferem
daquelas que constróem mitos sobre a natureza do trabalho segundo o
sexo (tomar conta de crianças é trabalho para as mulheres); raça (só o
branco é que dirige melhor o trabalho); nível de escolaridade (fazer
limpeza na casa de banho ou ser guarda é para pessoas que não
estudaram, só o camponês é quem tem que cultivar a terra); crenças
religiosas; etnia; região geográfica.
 É importante valorizar qualquer tipo de trabalho. Nenhuma actividade
está predestinada para uma classe ou grupo de pessoas em particular.
Muitas vezes, é o trabalho menosprezado que gera maior rendimento
enquanto que a maior parte das pessoas o evita.

 Mitos e convicções sobre negócios


À semelhança dos mitos em torno da natureza do trabalho, também existem
mitos sobre o negócio ou carreira empresarial. Você deve procurar
desenvolver e consolidar em si e na sua comunidade convicções positivas
sobre a carreira empresarial, tais como:

 Um empreendedor satisfaz as suas necessidades e as da sua


comunidade através dos seus produtos e serviços;
 Ser “patrão” de si mesmo, produzindo riqueza e contribuindo com
impostos para o desenvolvimento social e económico do pais;
 A empresa criada pelo empresário é a principal fonte de riqueza do
país e cria postos de emprego para você e para os outros.

 Valor de trabalho
A sociedade tende a atribuir um estatuto específico a certos tipos de
trabalho, sendo alguns deles priorizados comparativamente a outros. Por
exemplo, ser guarda, empregado doméstico e engraxador de sapatos são
menosprezados enquanto que ser médico, engenheiro e advogado são
profissões altamente valorizadas. Contudo, todas as actividades ou
profissões encontram-se inter-relacionadas e complementam-se.
Alguns valores que se podem obter a partir de qualquer trabalho ou
profissão independentemente da sua natureza:
 Auto emprego;
 Ser reconhecido na sua comunidade;
 Gerar rendimento para si;
 Melhorar o seu nível de vida;
 Investir os seus recursos e capacidades;
 Ser útil a sociedade;
 Desenvolver seus talentos;
 Preservar a sua cultura;
 Competir e ganhar.
É essencial que você desenvolva uma atitude e convicções positivas para
consigo próprio, seu trabalho e perspectivas futuras, o que lhe permitirá
avançar. Lembre-se que mesmo o trabalho menosprezado constitui uma
porta para você triunfar.

 O Negócio e a Família
Um dos fracassos mais frequentes nos negócios tem a ver com a maneira de
gerir, gastos supérfluos, uso indevido dos recursos, retirada de produtos,
empréstimos mal parados.
É importante consciencializar a sua família e seus amigos que,
provavelmente, não haverá benefícios visíveis logo a partida, pelo contrário
a fase inicial é um momento que requer sacrifícios e compreensão. A família
deve ajudá-lo através de:

 Apoio moral, conselho e encorajamento;


 Contribuição em dinheiro, terreno, instalações, mobília, e outros bens
materiais se os tiverem;
 Mão de obra para empresa.
Se os membros da família fizerem parte do negócio, eles devem ter
responsabilidades claras e cumprirem o funcionamento do mesmo. Isto ajuda
a evitar possíveis conflitos e mal-entendidos que podem surgir se os
membros da família não conhecerem as suas responsabilidades nem os seus
limites. É necessário tratar a família e o negócio de forma distinta e
separada.

Veja a tabela a seguir:

Obrigações do empreendedor face ao negócio e a família

Obrigações face ao Obrigações face a


negócio família
-- Esclarecer
Esclarecer osos objectivos
objectivos dodo -- Usar
Usar oo seu
seu salário
salário (fixo)
(fixo) para
para
negócio e seu funcionamento;
negócio e seu funcionamento; as
as despesas
despesas dada sua
sua casa;
casa;
-- Esclarecer
Esclarecer osos papéis
papéis e e limites
limites -- Incentivar
Incentivar aa sua
sua familia
familia a a
dos membros da familia
dos membros da familia apoiá-lo;
apoiá-lo;
envolvidos
envolvidos -- Apoiar
Apoiar parentes
parentes a a iniciar
iniciar
-- Investir
Investir no
no negócio
negócio também
também seus negócios;
seus negócios;
com
com seus
seus recursos;
recursos; -- Definir
Definir formas
formas dede contribuir
contribuir
-- Fazer
Fazer acompanhamento
acompanhamento do do em
em preocupações
preocupações familiares
familiares ee
negócio;
negócio; da
da comunidade
comunidade sem sem pôrpôr em
em
-- Ter
Ter seu
seu salário
salário fixo;
fixo; perigo
perigo aa vida
vida ou
ou continuidade
continuidade
-- Garantir
Garantir a a continuidade
continuidade do do
do negócio.
negócio.
seu
seu negócio
negócio
O processo de criação da empresa é crucial e deve ser aproveitado o
máximo possível. Quando a empresa estiver bem estabelecida a influência
da família pode ser minimizada e privilegiado o uso de profissionais.

Resumo
Mitos são convicções ou ideias pré–concebidas e amplamente disseminadas, mas falsas,
sobre certos aspectos da vida.

Mitos sobre a natureza do trabalho resultam da discriminação de certos tipos de trabalho,


por sexo, cor da pele ou raça, etnia, nível escolar, religião, região geográfica e outras
formas discriminatórias.

As convicções positivas promovem o empresariado, conduzem ao sucesso e seja qual for


o trabalho tem valor independentemente da sua natureza.

A definição clara do envolvimento da família, responsabilidades e limites no negócio evita


conflitos e mal-entendidos.

 Actividades
1. Com base nas vivências da sua comunidade, família e amigos, de certeza você encarou
certos tipos de mitos.
a) Faça um levantamento dos mitos e convicções negativas sobre a natureza do
trabalho que são comuns na sua comunidade;
b) Faça um relato de situações de mitos sobre a natureza do trabalho que você
tenha encarado.

2. Procure participar na sua comunidade, nalgumas práticas de trabalhos manuais ou


actividades cívicas, por exemplo, a limpeza e faça uma análise ou avaliação dos
benefícios desses trabalhos para a sua comunidade.

3. Converse com empresários de sucesso que conhece, procurando saber como é que
enfrentam os falsos juízos sobre negócios nas comunidades.

4. Olhe para sua família ou comunidade e procure descobrir algumas disputas envolvendo
um empreendedor face a sua família e face ao seu negócio. Cite dois casos e para cada
um, apresente possíveis soluções para a gestão dos conflitos.
1.2 Desenvolvimento de competências

 Introdução
Neste conteúdo, falaremos das competências empreendedoras pessoais e as
formas de desenvolvimento.

Estas competências você pode adquiri-las quer através dum programa de


formação quer através da experiência prática da actividade empresarial

 Significado de competência
As competências empreendedoras pessoais são um pré-requisito essencial
para que você realize eficazmente as tarefas e enfrente os desafios nos
projectos.
A competência empreendedora é a característica nuclear em termos da sua
adaptabilidade às novas realidades no meio onde você vive.

Recorde que um empreendedor é aquele que tem a capacidade de


transformar as dificuldades em oportunidades, que enfrenta os desafios com
optimismo e convicção de vencer. Ao fazer tudo isto, ele demonstra
competências que é:

A combinação perfeita de conhecimento, habilidade de fazer e a motivação


apropriada que uma pessoa deve possuir para realizar com sucesso determinadas
tarefas.
A seguir, você pode ver alguns traços genéticos geralmente associados a
empreendedores e as influências sociais do carácter empreendedor.

Traços e influências sociais associados ao empreendedor


Traços
Traços associados
associados a
a Influências
Influências sociais
sociais
indivíduos empreendedores
indivíduos empreendedores associadas
associadas
ao
ao carácter
carácter empreendedor
empreendedor

-- Atenção
Atenção às às oportunidades
oportunidades -Disponibilidade
-Disponibilidade de de modelos
modelos
-- Ansiedade
Ansiedade apropriados
apropriados
 Competências empreendedoras pessoais
-- Criatividade
Criatividade -Experiência
-Experiência de
de carreira
carreira
Os empreendedores - Decisão
têm um carácter forte e decisivo.
- Decisão durante a vida
Portanto, devem
durante a vida
-- Faro
Faro ee visão
visão -Ambiente
-Ambiente social
social pobre
pobre
adquirir as atitudes ePoder
os comportamentos desejáveis para sobreviver.
Resultados A
-- Carácter
Carácter independente PLanificação
independente -Antecedentes
-Antecedentes familiares
familiares
seguir, veja as atitudes
-- Aspiração e àos
Aspiração à
comportamentos -Educação
liderança desejáveis e adquiríveis
liderança -Educação familiar
familiar
classificados em três
-- Autogrupos
Auto controlo
controlo de competências empreendedoras
-Herança/tradição
-Herança/tradição pessoais
empresarial
empresarial
Auto confiança e Fixação
Fixação de
de Procura de
nomeadamente, poder, planificação
-- Necessidade
Necessidade de e resultados. -Nível
de realização
realização -Nível académico
académico atingido
atingido
objectivos
-- Propensão
auto estima para
Propensão correr objectivos
para correr riscos
riscos -Influência
-Influência negativa/
negativa/ positiva
oportunidades
positiva
-- Autoconfiança
Autoconfiança Recolha
Recolha de
de dos
dos colegas
colegas
-- Automotivação
Automotivação informacão
informacão -Marginalidade
-Marginalidade social
social
Persuasão e Cumprimento de
Planeamento
Planeamento
Perseverança sistemático
sistemático e
e
contratos
monitoria
monitoria
Persistência

Assunção de riscos

Eficiência

Qualidade
 Avaliação de competências empreendedoras pessoais
As competências empreendedoras pessoais realçam a capacidade duma
pessoa de identificar/ desenvolver ideias inovadoras de projectos, mobilizar
recursos, organizar a produção, serviços, efectuar transacções, correr riscos
lutando continuamente pelo desenvolvimento e pela excelência.

A avaliação de competências empreendedoras pessoais ajudam a verificar e


descobrir em si as fortes e as fracas.

 Actividades para desenvolvimento de competências


Uma das actividades para o desenvolvimento de competências é a
elaboração do plano que deve observar os seguinte passos:

 Exame do seu perfil de competências empreendedoras pessoais;


 Identificação das competências em que obteve pontuação baixa;
 Identificação das competências que parecem ser mais fortes em si;
 Identificação das competências em que deve melhorar;
 Elaboração do seu plano de desenvolvimento de competências com base
no seguinte formato.
Formato de um plano para desenvolvimento de competências

Competência fraca que Medidas que a tomar para Prazo para


você identificou em si melhorar avaliação

As competências empreendedoras pessoais podem ser avaliadas e


desenvolvidas por meio de actividades práticas e jogos, tais como:
 Jogo de lançamento de arco para avaliar e desenvolver a sua capacidade
de correr riscos;

 Jogo de construção de torre para avaliar e desenvolver a sua capacidade


de planificação;

 Jogo de envelopes para avaliar e melhorar competências de qualidade,


eficiência, planificação, organização, e outras;

 Exercício de união de nove pontos para avaliar e melhorar, criatividade,


inovação e resolução de problemas ou busca de soluções.

 Escrita da sua autobiografia para avaliar e melhorar a sua capacidade de


fixar objectivos, resolver problemas, persistência, etc.

 Realização duma encenação sobre uma negociação com gerente dum


banco para avaliar e melhorar a sua capacidade de persuasão e uso de
estratégia de influência.
 Resumo
A competência empreendedora é a característica nuclear em termos de sua
adaptabilidade às novas realidades no meio onde você vive e resulta duma
combinação perfeita de conhecimento, habilidade de fazer e a motivação apropriada
que você deve possuir para realizar com sucesso uma determinada tarefa.
As competências empreendedoras pessoais estão agrupadas em: poder, planificação e
resultados.

Na auto avaliação de competências pode-se identificar aquelas que em si são fortes e


fracas.

Para elaborar o seu plano para desenvolvimento das competências, deve ter em conta
a análise do seu perfil, identificação das competências com fraca pontuação, definir
medidas e prazos para desenvolvê-las.
As actividades práticas e jogos podem desenvolver as competências empreendedoras
pessoais
 Actividades

1. Imagine que se encontra numa das margens de um rio que vamos chamar de “
PONTO A” e pretende atravessar para o outro extremo que vamos chamar de “PONTO
B” levando consigo um saco de amendoim, um rato e um gato. Porém, note que há um
problema, pois, só poderá atravessar com uma única coisa de cada vez. Como proceder
sem correr o risco de o gato comer o rato ou o rato comer o amendoim? Avalie o quanto
criativo você é!
2. Desenhe quatro linhas rectas (sem levantar a caneta do papel) que atravessem os
nove pontos. Avalie a sua criatividade, inovação e busca de soluções.
. . .

. . .

. . .

3. Escreva a sua autobiografia com cerca de 3 a 4 páginas abrangendo os seguintes


elementos.
 Quem é, a sua família, comunidade e nível académico.
 Experiências infantis e aspirações.
 Experiências como gestor num estabelecimento de ensino.
 Como se vê a si mesmo no futuro.
- Avalie sua autonomia, independência, fixação de objectivos e resolução de
problemas.

2a – Unidade temática

2. Atitude no uso de dinheiro e do tempo

Conteúdos
2.1 Atitude no uso de rendimento
 Relação entre consumo, poupança e
investimento;
 Plano de poupança;
 Clube de poupança;

2.2 Atitudes no uso do tempo


 Plano e controle de uso de tempo;

Objectivos
 Explicar a relação entre consumo, poupança e
investimento;
 Elaborar um plano de poupança individual e
colectiva;
 Implementar um plano de poupança individual e
colectivo;
 Participar num clube de poupança da turma;
 Elaborar um plano de gestão de tempo;
 Implementar um plano de gestão de tempo;

2.1 Atitudes no uso de dinheiro

 Introdução
O uso do dinheiro para um certo fim significa deixar de lado outra alternativa
ou diminuir o montante usado, isto acontece sobretudo quando o rendimento
não chega para tudo. Por exemplo, uma pessoa tem que decidir se usa o seu
rendimento para fins de consumo, de poupança ou de investimento.
Tal como você viu no Módulo 1, neste conteúdo voltaremos a discutir sobre a
relação entre consumo, poupança e investimento.

 Relação entre consumo, poupança e investimento


Há três formas principais de usar o rendimento, nomeadamente consumo,
poupança e investimento. Dado que muitas vezes o nosso rendimento é fixo,
estas três formas de uso interelacionam-se.
A seguir, veja a ilustração da relação entre consumo, poupança e
investimento.
Relação entre consumo, poupança e investimento

50

Se o seu rendimento for fixo, por exemplo 100 e consumir todo ele, então
não resta nada para poupar e muito menos para investir. Mas se consumir
apenas até a metade, a outra metade ficará na poupança e possivelmente
poderá usá-la para investir no fut

 Plano de poupança
De certeza que na 9ª classe, 2ª unidade, você discutiu com o seu professor o
conteúdo sobre poupança.
Neste contexto, o plano de poupança é feito antes para satisfazer planos
futuros de investimento, por exemplo:
 iniciar um novo negócio, substituir equipamento, expandir os negócios,
etc;
 Para se prevenir contra futuras necessidades de consumo que podem
revelar-se mais importantes do que as actuais, por ex: o pagamento de
receitas médicas, propinas escolares, etc;
 Para concretizar futuros planos de investimento, construir uma casa,
pagar o dote da noiva, etc;
 Para manter excedentes que possam ser usados em momentos de
necessidade;
 Para cumprir os requisitos legais de cidadania e impostos, etc;
É importante poupar uma parte do dinheiro quando se tenciona investir e
obter mais rendimentos e sair do 14iclo vicioso da pobreza.

 Quem deve poupar?


Todos devem poupar, pois, cada pessoa deve estar interessada em alcançar
algum crescimento económico e melhorar a sua situação económica. Por
exemplo:

 Os estudantes devem poupar para as suas necessidades futuras de


consumo e investimento;
 Os pobres devem poupar para acumular recursos de modo a investir e
aumentar os seus ganhos e aumentar as possibilidades de quebrar o
ciclo da pobreza;
 Os empresários/empresas – para substituírem o seu equipamento ou
aumentarem o volume das suas operações;
 O estado – para financiar o crescimento do activo público.
Exemplo dum plano mensal de poupança
O Amade tem um rendimento mensal de 3000,00MT. Ele concluiu que
precisa de apenas 2000,00MT para suas necessidades prioritárias. Pretende
investir no futuro
num projecto ainda por identificar para melhorar o seu nível de vida .
Exemplo de um plano mensal de poupança
Poupança Total acumulado
mensal (em MT)
(em MT)

Janeiro 1000 1000


Fevereiro 1000 2000
Março 1000 3000
Abril 1000 4000
Maio 1000 5000
Junho 1000 6000

Com base no plano de poupança do Amade, em Junho, no final de seis


meses, espera acumular 6000,00 MT
 Clube de poupança
Leia o texto a seguir, sobre o “XITIQUE” uma prática de poupança amplamente difundida nas
comunidades do nosso país.

O “XITIQUE”
O “XITIQUE” é umas das formas de poupança mais comuns entre as comunidades em
Moçambique. É constituído um grupo de pessoas que acordam entregar as suas
contribuições, numa base periódica e montante fixo, de forma cíclica. Isto significa que
se o XITIQUE for entregue semanalmente, então por semana haverá um membro que
recebe a contribuição de todos incluindo a dele. Geralmente, no momento de entrega
é celebrado uma cerimónia onde os membros e outros convidados podem cantar,
dançar e divertir.
O membro que recebe o montante usa-o por exemplo para construir sua casa, ampliar
seu negócio, comprar um meio de transporte, pagar despesas médicas, pagar propinas
da escola e outras aplicações.
Nos últimos tempos, esta prática de poupança regista progressos, para além da
contribuição que serve para fazer as entregas, há um valor muito mais inferior que
cada membro contribui que é utilizado para fins sociais. Por exemplo, se um dos
contribuintes tiver algum problema social, o mesmo é ajudado a partir deste fundo.
Diferentes grupos de pessoas, por exemplo, entre vendedores ambulantes,
engraxadores de sapatos, camponeses, vendedores de mercado,
funcionários públicos, praticantes de comercialização agrícola adoptam
formas de poupança que lhes permitem acumular um certo montante que o
utilizam para diferentes fins.

Os passos para criar clube de poupança são os seguintes:

1ª – Reunião constitutiva - reunir com a turma ou com todos colegas a


participar no clube. Discutir qual será a finalidade da poupança, o montante
ou meta de poupança e o prazo para acumular o dinheiro necessário;

2ª – Criar uma estrutura associativa (Pode ser na primeira ou segunda


reunião) - o clube de poupança deve ser liderado por um órgão directivo
encabeçado por um presidente do clube eleito por voto pela assembleia de
todos alunos envolvidos. Deve haver tesoureiro e um conselho fiscal para
fiscalizar o trabalho da direcção;

3ª – Implementação – Decidir quanto é que cada membro ou aluno vai


contribuir e se vai ser semanalmente ou mensalmente. Recolher as
contribuições e depositar num banco ou na caixa da Direcção da escola ou
outra forma segura. O montante poupado pode ser usado para:

 Compra de material escolar, pagamento de folha de teste, exames, etc;


 Participar na feira escolar com produtos ou serviços preparados por
vocês;
 Investir num projecto escolar;
 Organizar festa da turma, aniversários dos colegas, etc.

 Resumo
As três formas de uso de rendimento são: consumo, poupança e investimentos. Todas
são interdependentes.
Se você consumir apenas parte do seu rendimento, então a outra parte ficará como
poupança e poderá usá-la para investir no futuro.
O plano de poupança permite definir o seu limite de consumo e saber o montante que
pode acumular num determinado período.
O clube de poupança é uma actividade que permite praticar a poupança colectiva,
associativismo e ajuda mútua.

Actividades
1 - Você em associação com os colegas de turma ou escola deve iniciar uma
poupança colectiva criando um clube ou associação de poupança .

2 – Estudo de Caso
Não há crédito sem poupança!
Numa comunidade do nosso pais um grupo de pessoas criou, em 2001, uma
associação de crédito e poupança com a designação “Associação Vencer”. Esta
associação tem como objectivo apoiar os projectos dos membros e aos praticantes
do emprego informal (engraxadores, ambulantes, vendedores de mercados, etc.).
Dada as características do trabalho exercido por este grupo de pessoas é lhes
difícil ter acesso as instituições oficiais de poupança e crédito, neste caso os
bancos e serviços financeiros.
Em 2001, a associação iniciou uma caixa de crédito e poupança e até 2005
conseguiu acumular 100.000,00Mt para em seguida começar a dar crédito.
90% dos clientes são jovens praticantes do emprego informal. Hoje em dia, tem
500 clientes que depositam suas poupanças na caixa da Associação vencer e
destes 150 já se beneficiaram de crédito.
Para se inscrever à caixa de crédito e poupança não é necessário pagar dinheiro.
Mas os interessados devem entregar 25,00MT para pagar a caderneta e 10 MT
para iniciar a poupança.
O filiado da caixa de crédito e poupança não recebe nenhum juro sobre a sua
poupança, pois, o tempo entre o depósito e o levantamento é muitas vezes curto,
visto que a maioria dos filiados trabalham no comércio informal.
As entregas de poupanças são feitas diariamente mas não é obrigatório que os
filiados o façam diariamente. Contudo é importante que os filiados façam
depósitos para manter dinheiro na conta.
Oferece-se crédito para jovens que tenham pequeno rendimento fixo ou que
tenham pequenos projectos iniciados por eles. O crédito varia de 500 MT á 2000
MT. A devolução é mensal á taxa de juro de 15%. Os interessados devem formar
grupos sólidos de três pessoas constituídos por amigos de confiança, colegas ou
parentes.
- Inspirando neste caso, implemente o seu clube de poupança oferecendo
serviços de depósitos de poupanças e crédito.

2.2 Atitudes no uso do tempo

 Introdução
A posse de um conjunto de competências técnicas é cada vez mais condição
imprescindível para gerir eficazmente o tempo.
Particularmente você que é estudante mas também tem outras ocupações
tais como ajudar os deveres em casa, tirar cursos profissionais, fazer cultura,
praticar desporto, ir ao cinema ou entretenimento mas também ter um
descanso; como espera atingir estes objectivos se o dia continua a ter
apenas 24 horas? A resposta parece ser incontornável: Planeando de forma
eficiente o uso do recurso tempo.
Neste conteúdo, faremos uma breve revisão sobre gestão do tempo que
você aprendeu na 9ª classe, 2ªunidade, e trataremos com destaque os
princípios e plano de gestão do tempo.
 Princípios de gestão do tempo
Veja a seguir três princípios que podem ajudá-lo a gerir melhor o seu tempo,
nomeadamente, ritmo biológico, regime de alimentação e matriz de gestão
de tempo.

 Ritmo biológico
Cada pessoa tem o seu próprio instinto interno que o ajuda a definir o seu
ritmo de vida. Ficar cansado, sentir-se fresco ou voltar a ficar cansado é uma
questão muito pessoal.
Não ignore o seu instinto interno. Aprenda a fazer o uso dele.

Faça as tarefas mais difíceis quando estiver com mais energia e as tarefas
fáceis ou de rotina ficam para quando estiver mais cansado e sonolento
(depois do almoço, por exemplo)

 Regime de alimentação
O seu padrão de energia é em grande medida determinado pela sua
alimentação:

 Inicie o dia com um pequeno almoço e tome-o sentado;


 Opte por um almoço leve para que o seu cérebro funcione bem;
 Opte por jantares leves;

 Matriz de gestão de tempo


A partir do momento em que define o que é mais importante para si, pode
distribuir as suas acções por quatro “quadrantes” diferentes, em função do
carácter de importância e da urgência. Pode utilizar, para isso, a matriz de
gestão do tempo.
Matriz de gestão do tempo

Importante Não importante


Urgentes (1º Quadrante) (2º quadrante)
Resolução de Atendimento de
problemas telefonemas e de
visitas ocasionais
Não urgentes (3º quadrante) (4º quadrante)
Planear, Actividades
desenvolver, suplementares
formar, etc.
 No 1º quadrante: temos as acções importantes e urgentes
 No 2º quadrante: temos as acções importantes, contribuem para o bem
estar;
 No 3º Quadrante: São as coisas urgentes mas não importante;
 No 4º quadrante: São as coisas não urgentes e não importantes.

Grelha de planificação
Tempo

Tarefas 1 2 3 4 5

 Plano de gestão do tempo

 Fixação de objectivos

A fixação de objectivos é uma actividade inevitável. Toda e qualquer


actividade é guiada pelas metas que nós próprios fixamos e que nos
orientam na obtenção de resultados, dentro dos prazos previamente
estabelecidos.

Para você estar seguro que fixou correctamente um objectivo, o mesmo


deve reunir os cinco requisitos básicos. Isto é, um objectivo deve ser:

 Relevante
 Específico
 Alcançável
 Registável
 Mensurável
Exemplo dum objectivo formulado correctamente: aumentar 10% de
produção média diária, com investimento máximo de 5000,00 Mts até 31 de
janeiro.
 Regras para o planeamento do seu tempo
 Considere o dia, a semana, o mês ou ano como um conjunto.
 Preveja os compromissos e obrigações fixos de curto, médio e longo
prazos;
 Reserve, sistematicamente, tempo para reflexão e para trabalho
individual;
 Utilize grelhas de planeamento que permitam uma fácil leitura.
Exemplo duma grelha
Duração Decisão

Data Actividades Importante Urgente Previsão Real Fazer delegar Rejeitar adiar

Não se esqueça, ainda, quando fizer o seu plano diário, de:

 Agrupar as actividades relacionadas;


 Reservar tempo para pensar. Deverá planear apenas 60% do seu tempo
de trabalho e deixar 40% para imprevistos;
 Centrar-se nos objectivos e resultados a atingir
 Planear os assuntos mais importantes no período de dia em que a sua
energia e concentração estão mais elevados. Reserve o período de tarde
para as tarefas de rotina.
 Utilize os últimos minutos no seu local de trabalho para planear o dia
seguinte.

 Resumo
É importante desenvolver as competências técnicas necessárias para uma gestão eficaz
do tempo.

Você pode procurar gerir o seu tempo tendo em conta três princípios importantes
nomeadamente a) ritmo biológico, b) regime de alimentação e c) matriz de gestão do
tempo.
Na planificação do seu tempo é importante fixar primeiro os objectivos ou metas a
alcançar. Estes objectivos devem satisfazer os cinco requisitos básicos nomeadamente
ser relevante, específico, mensurável, alcançável e registável.

Uma vez fixado o objectivo, deve classificar as actividades ou acções em quatro


quadrantes de acordo com a sua importância e urgência.

1. Identifique os quadrantes correspondentes, na matriz de gestão do tempo, nos


seguintes grupos de actividades:

 Grupo A: Prevenção, manutenção, desenvolvimento de relações e identificação de


novas oportunidades.
 Grupo B: Pormenores, pequenas tarefas; correspondência e passa tempo;
 Grupo C: Atendimento de crises, problemas urgentes e projectos com data
marcada.
 Grupo D:Interrupções, telefone, relatórios e correspondências e questões urgentes
2. Defina um objectivo ou meta a alcançar num determinado dia a sua escolha:
 Faça a lista das acções nesse dia;
 Classifique as acções com base na matriz de gestão do tempo;
 Faça um plano ilustrando a ordem de sequência e duração das acções ou
actividades.

 Actividade

3ª – Unidade temática

3. Identificação de oportunidades de projectos

Conteúdos
3.1. Identificação de oportunidades de projectos
 Identificação de oportunidades com base na situação geográfica;
 Identificação de oportunidades com base na adição de valor de
bens e serviços;
 Mitos e convicções sobre os negócios;
 Identificação de oportunidades na cadeia de valores de bens e
serviços;
 Oportunidades além fronteira;
 Projecto e feira.

3.2 Análise FOFA


 Análise FOFA;
Objectivos
 Identificar oportunidades de projectos com base em:
1)Situação geográfica;
2) Adição de valor de bens e serviços;
3) Cadeia de valores de bens e serviços.
 Descrever o potencial de oportunidades existentes no âmbito de:
1) Integração na SADC;
2) Acordos com a União Europeia e Outros mercados externos;
3) Outros contextos sócio económicos em mercados externos:
- Aplicar a Analise FOFA para selecção de oportunidades;
- Identificar oportunidades de projectos escolares;
- Participar em feiras escolares.

3.1 Identificação de oportunidades de negócio

 Introdução
Uma oportunidade de projecto é a expectativa de fazer um projecto bem sucedido.
Nesta conteúdo, faremos uma breve revisão sobre as reais motivações a
partir das quais os empreendedores identificam e implementam projectos.
Mais adiante focalizaremos a nossa discussão na identificação de
oportunidades de projectos com base na região geográfica, adição de valor,
cadeia de valor, oportunidades além fronteira, feira e projecto escolares.

 Tipos de necessidades
As oportunidades de projecto devem satisfazer necessidades expectativas
de pessoas ou de grupos de pessoas.

Conforme aprendeu no Módulo 1 na 3ª unidade, as necessidades de pessoas


são classificadas em cinco categorias diferentes.

A Pirâmide a seguir de Maslow ilustra mais uma vez, as necessidades


obedecendo uma certa hierarquia.

Pirâmide das necessidades de Maslow

Necessidades mais
elevadas surgem a 5ª: Auto
realização
medida que as de
nível inferior são
4ª: Estima
satisfeitas.
3ª: Afecto

2ª: Segurança

1ª: Fisiológicas
De acordo com Maslow, as necessidades mais elevadas surgem à medida
que as de nível inferior são satisfeitas.
Reveja no Modulo 1:
1ª. Necessidades fisiológicas ou básicas
2ª. Necessidades de segurança.
3ª. Necessidades psicológicas ou afectivas.
4ª. Necessidades de estima
5ª. Necessidades de auto realização

Veja a seguir, exemplos de projectos que procuram satisfazer as cinco


classes de necessidades apresentadas na Pirâmide de Maslow.

Exemplos de oportunidade de projecto baseadas nas classes de


necessidades
Nível de necessidade Oportunidade de projecto
Básico Moageira, confecção de vestuários,
clinica médica, Fabrica de telhas,
escolas, etc.
De segurança Extintores, empresa de segurança,
guardas, seguros, etc.
Afecto Loja de cosméticos que vende perfumes
e desodorizante, floricultura, diversões,
etc.
Estima Vender bens e serviços de luxo, por
exemplo: relógios de ouro, carros de luxo
e casas, iate
Auto-realização Prestar serviços de consultoria, relações
públicas, serviços de assessoria, etc.

 Identificação de oportunidades com base na situação geográfica


Você se encontra num meio geográfico, que pode ser aldeia, localidade, vila,
distrito, cidade, província, país ou região. Nestes diferentes meios
geográficos existem variedades de oportunidades que pode explorar e
contribuir para o desenvolvimento social e económico desse meio.

Identificação de oportunidade de projecto com base na região geográfica - refere-se ao


processo de identificação de oportunidades numa dada área ou região geográfica que
pode ser uma localidade, aldeia, vila, cidade, província ou outras formas de
delimitação geográfica
Isto significa que o empreendedor concentra a sua investigação nessa
determinada área e procura explorar todas possibilidades de projectos.
Ao pretender identificar oportunidades, você deve observar e orientar-se
pelo seguinte:
. Características básicas da região - procura aproveitar determinadas
particularidades geográficas tais como extensão da área, relevo, clima,
recursos naturais, principais actividades económicas. Por exemplo, se a
região tem um clima chuvoso então é fácil iniciar projectos agrícolas.
. Demografia – refere-se às características duma determinada população,
prestando atenção à situação demográfica da região, como número de
habitantes, ocupações ou profissões, idade, sexo, nível de rendimento das
pessoas , cultura, etc.
São exemplos:
 Abrir uma confecção de “cofió”, chapéu maometano, pode ser um bom
projecto numa região com predominância de população muçulmana.
 Se numa região a população for maioritariamente jovem, haverá
possibilidade de sucesso de projectos jovenís tais como recreação,
vestuários para jovens, etc.
Recursos e factores de produção existentes na região – Por
exemplo se uma determinada região é rica em recursos naturais é
possível explorá-los conforme se apresenta no quadro a baixo.

Exemplos de oportunidades de projectos a partir de


recursos da região
Recursos natural existente Oportunidade de projecto
Terra arável Projectos de agro-pecuária
Argila Fabrico de tijolo
Sol intenso Produção de energia solar
Praia Barco de recreio
Vento Gerador eólico

Ambiente sócio económico da região – Há diversos aspectos que podem


despertar a identificação de oportunidades tais como bens e serviços
importados ou exportados, tipo de indústrias e rede comercial existentes,
infra- estruturas económicas e sociais existentes (rede de estradas,
transporte, energia, água, serviços de saúde, escolas, incentivos do governo,
serviços de crédito e entre outros).

 Identificação de oportunidades com base na adição de valor de


bens
No salão de cabeleireiro, para além de cortar o cabelo, o cliente pode ser
lavado o cabelo com champoo. O facto deste salão de cabelereiro lavar o
cabelo, o serviço ganha um outro valor quando comparado com aquele que
não o faz.

Identificação de oportunidades com base em adição de valor - refere-se ao


processo de identificação de mais oportunidades procurando agregar um valor
(preço) maior do que o actual dum produto ou serviço.
Para a adição de valor, deve haver melhorias no produto ou serviço prestado
que significa passar por outras transformações que permitem ganhar novos
atributos tais como a sua qualidade, utilidade, aparência ou a maneira como
é disponibilizado. Por exemplo, no lugar de vender o milho em grãos, a
pessoa pode primeiro moer e vender em forma de farinha a melhor preço.
A adição de valor não implica necessariamente aumento de preço do
produto ou serviço. Muitos estabelecimentos usam a adição de valor como
medida de concorrência para superar os seus concorrentes.
Um restaurante ou empresa que investe para um bom atendimento também
esta adicionar o valor ao seu produto ou serviço do que aquele que não se
importa com a satisfação dos clientes.

 Identificação de oportunidades com base na cadeia de valor


Em Moçambique, acontece que em cada uma das regiões existem sectores
económicos que são principais. Nas zonas urbanas, geralmente, predomina a
actividade industrial, o comércio e serviços enquanto que nas zonas rurais as
actividades predominantes variam de zona para zona. A agricultura e a
criação de animais, a pesca, a caça e outras são as actividades
predominantes.
O estudo de cadeia de valor permite que diferentes agentes económicos ou
projectos estejam virados a um determinado sector ou actividade económica
que é principal na região.

Identificação de oportunidades com base na cadeia de valor - refere-se ao


processo de identificação de oportunidades procurando complementar as
actividades prestadas por outras empresas ou agentes económicos.
A cadeia de valor se estabelece a partir de grupo de pessoas ou empresas
que trabalhando no mesmo sector se complementam com os diferentes
produtos ou serviços que oferecem uns aos outros. Por exemplo, numa
determinada região se a actividade económica é basicamente pesca é
preciso que o trabalho dos pescadores seja complementado por outros
agentes económicos que pode ser através de fornecimento de insumos,
conservação do pescado ou sua venda.

O estabelecimento da cadeia de valor permite repartir os riscos daquilo que


seria um grande investimento para a mesma pessoa em pequenos
investimentos de várias pessoas. Esta partilha de risco é benéfica, pois, a
cadeia de valor é como uma organização associativa de empresas
trabalhando cada uma na sua área mas interligadas com as outras, o que
torna a actividade dinâmica.

O estabelecimento da cadeia de valor fortalece o sector e torna-o auto-


suficiente.
 Oportunidades além fronteira
Moçambique está inserido na SADC , Comunidade Económica da África
Austral constituída pelos seguintes países: África do Sul, Botswana, Lesotho,
Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia, Tanzania,
Zimbabwe e Madagáscar.
A SADC vem trabalhando na integração económica das economias e dos
mercados dos países membros.
No contexto desta integração Moçambique rubricou vários protocolos tais
como:

a) Transporte;

b) Livre circulação de bens e pessoais.

Moçambique possui também acordos que o permitem ter acesso a outros


mercados tais como:

African Growth and Opportunity Act (GOA) - Protocolo assinado entre os


países africanos e os EUA no qual estes estão isentos do pagamento de
impostos quando exportam seus produtos ao mercado americano; África,
Caraíbas e Pacífco (ACP); União Europeia (UE).

À luz destes acordos, os empreendedores nacionais podem explorar


oportunidades de negócio com isenção ou redução de taxas alfandegárias.

 Zona de comércio livre da SADC


A implementação do comércio livre na zona da SADC teve início a 01 de
Janeiro de 2008.
Os produtos, para beneficiarem de tarifa zero no acto da importação, devem ser
originários dos países membros da SADC. Assim, os produtos devem ser
acompanhados de um certificado de origem.

 Feira e projecto escolares


Nos módulos 1 e 2, você teve a oportunidade de organizar e participar em
projectos e feiras escolares da sua escola.
A feira e o projecto escolares são actividades que permitem praticar o
Empreendedorismo. Nestas actividades, você tem a oportunidade identificar
e implementar iniciativas de projectos, preparar e expor os seus produtos e
serviços na feira escolar. Estas actividades são realizadas com a supervisão
do seu professor e dentro do contexto de ensino e aprendizagem de Noções
de Empreendedorismo.
Neste módulo, você deverá também praticar o Empreendedorismo por meio
da sua participação em projectos e feiras escolares.
 Resumo
Uma oportunidade de projecto é a expectativa de fazer um projecto bem sucedido
motivado por consumidores ou por necessidades de consumidores que não estão a ser
satisfeitas.
São cinco tipos de necessidades que precisam ser satisfeitas nomeadamente fisiológicas,
de segurança, afectivas, de estima e de auto-realização.
A identificação de oportunidades de projecto pode ser na base de:
 Situação geográfica;
 Adição de valor;
 Cadeira de valor.
Você pode também identificar oportunidades no mercado internacional, tirando proveitos
dos acordos comerciais, no âmbito de SADC, União Europeia, EUA e outros.
A feira e o projecto escolar são actividades que permitem praticar o empreendedorismo.

 Actividades

1. Com base nas características do seu bairro, aldeia, vila ou cidade em termos de
relevo, clima, hidrografia, ocupação das pessoas, tipos de recursos naturais existentes e
outras características. Faça uma lista de pelo menos 20 oportunidades de projectos que
você poderia iniciar que têm muita possibilidade de ter sucesso.

2. Identifique 3 atributos que permitam melhorar a utilidade, qualidade ou baixar o preço


dos seguintes produtos:
A. Madeira em toros;
B. As calças de uniforme duma escola;
C. A mesa de jantar da sua casa
D. Uma chávena de chá
E. Girassol
F. Ananás

3. O distrito de Montepuez é potencialmente rico em cereais e sobretudo o milho


produzido maioritariamente pelo sector familiar. Identifique 4 oportunidades de projectos
que formam cadeia de valor tendo como base o milho.

4. Escolha uma actividade económica de grande importância no desenvolvimento da sua


região e identifique uma cadeia de valor constituída de pelo menos 4 serviços.

5. Identifique e prepare produtos ou serviços para exposição na feira escolar.

3.2 Análise FOFA

 Introdução
O ponto de partida é a avaliação inicial da ideia de projecto. A pergunta
chave a responder é se uma dada oportunidade merece algum esforço.
Responder a esta pergunta implica fazer avaliações profundas.
Podemos começar por calcular rapidamente o tempo, o esforço e os custos
envolvidos e compará-los com o rendimento potencial que será gerado para
determinar se há benefícios potenciais suficientes para nos motivarem a
entrar no projecto.
Neste conteúdo, voltaremos a tratar com detalhes a aplicação da Análise
FOFA para selecção de oportunidades de projectos. Você aprendeu a Análise
FOFA também no Módulo 1.
 Análise FOFA
Para um empreendedor, o processo que o leva a seleccionar uma
determinada oportunidade de projecto pode parecer um carrossel. E xemplo:
“Ao longo da minha viagem ao lado dum empresário de sucesso, fiz a seguinte
pergunta: Como é que o senhor seleccionou o seu projecto? Resposta: É muito
simples. Eu seleccionei um projecto onde a matéria prima não é facilmente disponível.
Surpreso com a resposta, pedi uma explicação e respondeu: “Uma vez sabido como
obter as matérias primas, não fiquei preocupado com o mercado, dado que, muitas
pessoas não fariam o mesmo tipo de projecto em virtude de haver escassez de
matérias primas. Eu percebi que ele tinha a sua própria força na procura de matérias
primas. Portanto, a disponibilidade de matérias primas era o primeiro passo de ideia
de projecto para ele.

A Análise FOFA consiste num estudo criterioso em que se compara as forças


e as fraquezas que são factores internos com as oportunidades e ameaças
que são factores externos. Os factores internos estão dentro do projecto e
pode geri-los, enquanto os externos estão fora deste e não pode controlá-los.
Factores externos
Os factores internos
são as forças e as
fraquezas e os Factores
externos são as
oportunidades e as internos
ameaças
Factores externos
Você deve
seleccionar um
projecto em
que as suas forças
constituem um factor altamente relevante. Estas forças será necessário usá-
las com maior proveito, para eliminar as fraquezas, aproveitar as
oportunidades e vencer as ameaças.

Você deve escolher Oportunidades


um projecto onde as
suas forças
constituem o factor Forças
altamente relevante
Fraquezas

Ameaças
Factores
internos e
externos para
um projecto empresarial
Ambiente de oportunidades dum projecto
Matéria prima Transporte
Clientes Fornecedores

Rivais Empreendedor; Créditos


Instalações;
Lei Calamidade
Equipamentos;
Mão de obra;

Fundos; Imagem;
Doenças Electricidade água mão-de-obra
Experiência
A Análise FOFA permite ao empreendedor verificar a possibilidade de
sucesso do seu projecto no mercado. Uma vez verificado, isto permite a ele
tomar uma decisão sobre se deve continuar com o projecto ou não.
Exemplos de questões que um empreendedor pode considerar ao fazer a
auto-avaliação utilizando a análise FOFA, a fim de determinar a sua
vantagem comparativa no mercado face aos concorrentes:
Forças - são aspectos, qualidades que colocam os produtos em vantagem
quando comparados com os da concorrência, nomeadamente,
- Produtos de alta qualidade;
- Preços acessíveis para o cliente, mas lucrativos;
- Capacidade do produto satisfazer os gostos dos consumidores;
- Eficiência e eficácia a servirem os clientes;
- Habilidade para atrair clientes;
- Boa localização da empresa;
- Bom pessoal de vendas e bem treinado;
- Espírito empresarial elevado e eficaz; etc.
Fraquezas - são limitações/ constrangimentos que os produtos da empresa
enfrentam no mercado:
- Ser novo e ter uma imagem fraca no mercado;
- Fraca imagem de distribuição;
- Capacidades de promoção do produto abaixo da média;
- Custos unitários mais elevados em relação a concorrentes;
- Incapacidade de financiar as mudanças necessárias de comercialização;
- Localização afastada ou de acesso difícil para os clientes;
Oportunidades - são possibilidades externas que podem ocorrer e
beneficiar a empresa. A empresa não tem controlo sobre esses
acontecimentos que podem ou não suceder. As possibilidades podem ser de:
- Conseguir grandes encomendas (por exemplo, do governo devido a
mudanças políticas);
- Mudança nos gostos e na moda dos consumidores;
- Mudança na tendência do mercado devido a novos acontecimentos, (por
exemplo, uma escola a ser aberta na vizinhança, uma grande empresa a
ser criada na zona)
- Desaparecimento de barreiras comerciais em mercados estrangeiros
atractivos (por exemplo, a Lei para o Crescimento e a Oportunidade de
África (AGOA) dos EUA que acabou com as taxas sobre a importação de
mercadorias produzidas em África e permite aos países africanos
exportar para a América);
- Crescimento mais rápido do mercado;
- Satisfação entre empresas rivais.
Ameaças - são acontecimentos indesejáveis que podem ocorrer no mercado
em prejuízo da empresa:

- Entrada de empresas com custos mais baixos;


- Aumento nas vendas das mercadorias substitutas;
- Mudanças desfavoráveis nas taxas de câmbio e nas políticas comerciais;
- Exigências dispendiosas feitas pelos regulamentos;
- Poder crescente de negociação de clientes e fornecedores;
- Mudanças nos gostos e nas necessidades dos clientes;
- Mudanças demográficas adversas;
- Mudanças negativas nas políticas do governo;
- Criação de novas empresas;
- Baixa de preços pelos concorrentes;
Se a sua posição for mais forte que a dos seus concorrentes, então isso
significa que você tem uma vantagem competitiva em relação a eles. Se os
seus produtos forem colocados no mercado irão atrair mais os clientes, pois,
venderá mais produtos, terá mais lucros e a sua empresa crescerá.

 Resumo

Análise FOFA é o processo de comparação das forças e oportunidades com as


fraquezas e ameaças para a avaliação de diferentes oportunidades de modo
a chegar a uma decisão.
As forças e as fraquezas são factores internos e o empreendedor pode
controlá-las. As oportunidades e as ameaças são factores externos e o
empreendedor não consegue controlá-las.
Você deve escolher um projecto onde as suas forças é o factor mais relevante
através do qual eliminará as fraquezas, vencerá as ameaças e aproveitará as
oportunidades.

Uma cidade de Moçambique embora situada junto a praia tem problemas sérios de falta de
peixe fresco. Os poucos estabelecimentos com licença para comercializar pescados nem
sempre têm peixe para venda. Os citadinos incluindo instâncias turísticas (hotéis,
restaurantes, quiosques) compram o peixe com grupos de rapazes que percorrem as ruas e
os bairros da cidade durante longas horas vendendo diferentes tipos de pescados (peixes,
mariscos, lulas, etc.) a preços altos, sem as mínimas condições de conservação nem de
higiene. Um aluno de Noções de Empreendedorismo (NE) teve a ideia de abrir um
estabelecimento para venda de vários tipos de pescados nessa Cidade. Para analisar melhor
se vale a pena iniciar esse projecto considerou os seguintes factores:

i) Com o aumento de turistas, há muita gente que procura comprar diferentes tipos
de pescados (peixes, mariscos, lulas, etc.).

ii) O peixe a venda na rua tem preço alto e há risco de estar estragado.

iii) Um dos poucos estabelecimentos que vende peixe vai abrir mais uma loja para venda
também de diferentes tipos de pescados (peixes, mariscos, lulas, etc.).

iv) O avó do aluno possui instalações com condições para venda de pescados que não
estão a ser utilizadas.
v) O aluno sabe elaborar um plano de negócio e gerir uma pequena empresa

vi) O aluno não tem licença para venda de pescados.

Com base nos factores acima, faça análise FOFA da oportunidade de abrir um
estabelecimento para venda de pescados, identificando:

a) Forças
b) Oportunidades
c) Fraquezas
d) Ameaças

4ª – Unidade temática

4. GESTÃO DE PRODUÇÃO

Conteúdos
4. Gestão de produção
 Tipos de produção;
 Ciclo de produção;
 Organização e dimensionamento de processo de produção;
 Desenho de produto;
 Qualidade;
 Embalagem;
 Gestão de stock;

Objectivos

 Classificar os tipos de produção em função da quantidade de unidades


produzidas;
 Descrever as fases de ciclo de produção;
 Dimensionar processos de produção de pequenas empresas;
 Organizar processos de produção de pequenas empresas;
 Explicar os princípios gerais de desenho de um produto ou serviço;
 Explicar o que é a qualidade;
 Explicar as relações entre qualidade e mercado e qualidade e gestão de
produção;
 Indicar as funções gerais de gestão de qualidade;
 Reconhecer a importância de embalagem de produtos;
 Descrever os factores de embalagem de produtos de pequenas empresas;
 Descrever os diferentes métodos de aprovisionamento;
 Reconhecer a importância do diagrama ABC na gestão de stock;
 Construir o diagrama ABC.

4. Gestão de Produção
 Introdução
Nesta unidade temática, falaremos da gestão de produção, particularmente,
dos tipos de produção, do ciclo produtivo, da organização e
dimensionamento de processo de produção bem como do desenho de
produto. Mais adiante discutiremos sobre a qualidade, a embalagem e a
gestão de stock.

 Tipos de produção
O tipo de produção é fundamental porque é ela que condiciona a escolha
dos métodos de gestão de produção que forem mais adaptados. Portanto, é
uma análise indispensável a qualquer projecto de instalação ou dum
empreendimento.
Os tipos de produção em função das quantidades de unidades produzidas
classificam-se em unitária, por pequena séria, por séries médias e por
grandes séries. Veja os pormenores no quadro a baixo.
Tabela 9: Tipos de produção em função das quantidades produzidas
Tipo de Nº de Exemplos
produção unidades
produzidas
Unitária 1 Navios, aviões, bombas para
uso nuclear
Por pequena séria 100 Máquinas ferramenta
Por séries médias 1 000 Ferramentas Mercado
Por grandes 100 000 Electrodomésticos, artigos de
séries Despezo ou moda, jornais
reciclagem do
Note que os números ligados às noções de pequeno, médio e grande
Estudos são
e projectos
fim da vida útil
sensivelmente diferentes, conforme o tipo de produto em causa, e que os
números apontados apenas dão uma ordem de grandeza média.
 Ciclo de produção Desenvolvimento e
planeamento de
Actividade processo
Ciclo de produção - sequência de acções ou etapas interdependente, entre as
s pós estabelecer com exactidão o ponto de partida e de chegada.
quais não é possível
venda
Veja a seguir, o diagrama com os elementos dum tipo de ciclo de produção:
Etapas de um ciclo
deprodução
Esquema de ciclo de produçãotipo
Compras
Assistência
técnica
Produção ou
prestação de
Instalação e serviços
serviços de
terceiros Controlo de
qualidade

Vendas e Embalagem e armazenagem


distribuiçã
o
 Organização e dimensionamento de processo de produção
Para responder a procura de clientes, o seu processo de produção deve ter
um certo tamanho e estar organizado de certa maneira que o permita
produzir a quantidade necessária de produtos ou serviços num dado período
de tempo.

 Processo de produção
Qualquer actividade de produção envolve os processos de entrada-
transformação-saída. Se você, ficar bem afastado do edifício duma fábrica irá
notar estas etapas. Por exemplo, uma fábrica de automóveis usa seus
funcionários e instalações para transformar aço, plástico, tecido, pneus e
outros materiais em veículos, que finalmente, são vendidos aos
consumidores. Estas etapas de processo são resumidamente ilustradas no
diagrama de fluxo a baixo.

Diagrama de fluxo de processo de produção


Fonte: Nigel Slack - Administração da Produção

Entradas – é o processo de transformação que podem ser classificado em:


 Recursos para serem transformados que geralmente são compostos por
materiais, informações ou consumidores.
 Recursos de transformação compostos por instalações, equipamentos e
pessoal (recursos humanos).
Transformação – Consiste na conversão do estado ou condição dos
recursos a ser transformados (materiais, informações ou consumidores)
para resultar num bem ou serviço.
Saída – é a obtenção do bem ou serviço.

Veja a seguir, um exemplo ilustrando processo de produção de caixas de


cartão canelado.

Processo de fabrico de caixas de cartão canelado

Impressão Cortes transversais


Chapa de cartão
canelado

Dobragem Fixações Montagem da caixa


Note que, neste processo, a chapa de cartão canelado, que a empresa
compra de fornecedores, passa por várias etapas de transformação
nomeadamente cortes, impressão, dobragem, fixações e montagem, e sai o
produto final que é a caixa de cartão.

 Capacidade de produção
Na definição da capacidade de produção, você deve analisar o que poderá
ser a quantidade de saídas aceitáveis no momento actual e, também, em
função das perspectivas de evolução da sua empresa no futuro.

 Tecnologia de produção
A tecnologia de produção refere-se às opções técnicas que você encontra
para o processo de transformação das entradas em produtos finais. As suas
opções podem ser por processos manuais, mecanizados ou mistos.
 Lay out (arranjo físico) de processo de produção
Definida a capacidade e a tecnologia a utilizar no processo de produção, há
que estudar a forma concreta como se irá desenvolver fisicamente o ciclo de
produção na empresa. É necessário definir o layout (arranjo físico) e, em
geral, a organização de todo o processo de produção.
Por layout entende-se o planeamento da localização das máquinas,
empregados, postos de trabalho, áreas de serviço para clientes, armazéns e
padrão de fluxos de pessoas e materiais em redor, dentro e nas
movimentações de entradas e saídas das instalações de produção.
Numa fábrica há que planear qual a sequência das operações de fabrico,
quantos equipamentos estarão disponíveis para cada tipo de operação e
qual a forma como fluirão os materiais e as pessoas entre eles, onde estarão
situados os armazéns e como serão abastecidos do exterior bem como as
áreas e a forma como serão carregados os meios de transporte utilizados
para distribuir o produto.
Lay out duma pequena carpintaria
ARMAZÉM GERÊNCIA PRODUTOS
SEMICABADO

MÁQUINAS

ENTRADA SAÍDA
1 2 3

MATÉRIAS
PRIMAS

CENTRO PRODUTOS
No planeamento da localização,
SOCIAL vocêACABADOS
deve considerar os seguintes
requisitos:
 Matérias primas devem estar perto das portas;
 Máquinas e ferramentas devem estar numa área segura para evitar
perdas;
 O gabinete do gerente deve estar colocado num ponto que possibilita ver
as actividades produtivas;
 As etapas de produção devem estar localizadas numa sequência
contínua. Por exemplo etapa 3 depois da etapa 2, e assim em diante;
 Deve haver indicação de passadeiras, áreas restritas, etc.;
 O armazém de produtos acabados deve estar no lado oposto da entrada
das matérias primas.
Os arranjos físicos podem ter diferentes formatos tais como em linha, em
“U” e em “S”, de acordo com a criatividade do projectista mas sempre
procurando eficiência no processo de produção.

Exemplos de lay out em linha e em U

Lay out em linha

Lay out em “U”


Geralmente, o lay out em linha traz dificuldades com a variação nos tempos
de processamento em cada etapa. Os lay out em U ou em serpentina são
melhores porque os trabalhadores podem se ajudar uns aos outros se uma
etapa fica sobrecarregada. Também permite a fácil partilha do uso de
equipamentos e ferramentas.
O quadro a seguir ilustra um exemplo de dimensionamento de processo de
produção.

Tabela 10: Exemplo de um processo de dimensionamento


Etapas ou operação Equipamento ou Duração
método usado
1ª. Demarcação da chapa Compasso 30min por
de alumínio chapa
2ª. Corte em peças Tesoura eléctrica 15min por
chapa
3ª. Aquecimento das Fogão a carvão 5min por peça
peças
4ª. Arrefecimento ao ar Exposição ao ar 3min por peça
livre livre
5ª. Formação do produto Torno repuxador 5min por artigo
(panela, forma, etc.)
6ª. Lavagem Manual com 2min por artigo
petróleo
7a. Polimento Manual com lixas 2min por artigo
8ª. Armazenagem

Esta oficina pode atingir uma produção de 22 artigos por dia.


 Desenho de produto
O desenho do produto diz respeito às formas, materiais, estética, facilidade
de utilização, técnicas de acondicionamento e embalagem do produto. O
desenho de produto é importante porque dele depende o sucesso da
empresa.
Ao desenhar o produto, há vários factores a considerar que vamos agrupá-
los em duas categorias: a) elementos do produto e b) relação com os
produtos concorrentes no mercado.
Elementos de um produto - deve ter em consideração os seguintes
factores:
 Desenvolver um produto em resposta ao que os consumidores querem;
 Usar a forma, cor, embalagem, marca, quantidade e qualidade que os
consumidores desejam;
 Decidir se o seu produto será igual ou melhor que os dos seus
concorrentes;
 Determinar a disponibilidade de materiais para fabricar o produto a um
preço que os consumidores podem pagar e ao mesmo tempo que permita
à empresa obter lucros.
. Relação com os produtos concorrentes - analisar a concorrência
directa (de produtos semelhantes) e indirecta (de substitutos) é uma das
tarefas a ser executada pelo empreendedor. Isto implica a identificação de
potenciais concorrentes, descobrir as suas forças, estratégias e o seu
provável impacto no produto proposto.

 Qualidade
No seu quotidiano, de certeza já acompanhou histórias de jovens discutindo
sobre a qualidade de certos produtos tais como marcas de celulares, tipo de
sapatilhas entre outros. Mas afinal, o que entende por qualidade?

A qualidade pode ser simplesmente descrita como a capacidade do produto ou


serviço de satisfazer as necessidades e expectativas dos consumidores.

Qualidade é a conformidade com os requisitos do consumidor. Contudo,


temos que estar cientes que as ideias dos clientes mudam, portanto os
requisitos mudam. Assim, a qualidade (ou melhor a percepção de qualidade)
também muda constantemente. A qualidade é um conceito dinâmico e
portanto um empreendedor deve tentar seguir sempre as mudanças a nível
do consumidor.
Em Moçambique, O Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ)
é a entidade responsável pelo estabelecimento de normas (padrões de
qualidade) dos produtos nacionais. Compete também ao INNOQ, fazer a
avaliação da conformidade de produtos e serviços e através deste obter-se
certificados de qualidade.

Os padrões de qualidade de cada país são harmonizados com base na ISO


(Organização Internacional de Normalização). Se você pretender obter um
certificado internacional de qualidade para seus produtos ou serviços, então
deve recorrer a ISO com o apoio do INNOQ.

Com o processo de integração dos países da SADC, por exemplo com a


criação da zona de comércio livre, bem como a internacionalização dos
mercados, no âmbito da economia global, a observância de padrões de
qualidade tornou-se num factor de competitividade entre as empresas.
 Relação entre qualidade e procura no mercado
É importante fixar padrões de qualidade para satisfazer a demanda do
mercado. Esta abordagem traz os seguintes benefícios:
- Ajuda a melhorar a imagem da marca da empresa, a reter e a expandir o
mercado;
- Ajuda a imagem do empreendedor e a sua reputação no mercado;
- Facilita a uniformização do produto;
- Ajuda a reduzir os custos de produção;
- Permite à empresa determinar custos e preços competitivos antes da
produção;
-Permite ao empreendedor cumprir os padrões de qualidade.

 Relação entre qualidade e gestão de produção


A qualidade do produto final é influenciada pelas actividades em cada fase
do processo de produção. Se forem compradas matérias-primas de
qualidade inferior, não será possível obter um produto de alta qualidade. Se
o desenho do produto for mau, o empreendedor não pode esperar um
produto final de alta qualidade.
As fases e as actividades da empresa que têm um impacto na qualidade são:

 Marketing e pesquisa de mercado;


 Desenho e desenvolvimento do produto;
 Compra de matérias-primas;
 Produção;
 Embalagem e armazenamento;
 Vendas e distribuição;
 Instalações;
 Assistência técnica e serviços;
Para verificar a qualidade deve proceder as medições ao longo de todo o
processo de produção, isto é, desde a entrada até a saída.

 Funções gerais de gestão de qualidade


Segundo a Organização Internacional de Padronização, a gestão da
qualidade envolve todas as actividades de função geral de gestão que
determinam:

- Política de Qualidade - intenção geral e direcção duma organização


tendo em vista a qualidade.

- Planificação da Qualidade - estabelecer o que uma empresa vai fazer


para alcançar a qualidade.

- Controlo de Qualidade - técnicas operacionais e actividades que são


usadas para satisfazer os requisitos de qualidade.

- Garantia de Qualidade - todas as actividades planeadas e


sistematicamente implementadas dentro do sistema de qualidade e
demonstradas para certificar que uma entidade irá cumprir os requisitos de
qualidade.

Sistema de Qualidade — estrutura organizacional, procedimentos,


processos e recursos para implementar a gestão de qualidade.

 Funções de gestão de qualidade para micro e pequenas empresas


Para assegurar qualidade na sua micro ou pequena empresa, sugere-se que
faça o seguinte:

 Determinar as necessidades e os desejos dos clientes e traduzi-los em


requisitos dos produtos;
 Documentar e executar cada passo do processo de produção;
 Fixar um padrão do seu produto, tendo em conta as necessidades dos
consumidores e formular os requisitos específicos para cada passo do
processo de produção;
 Indicar no processo de produção onde deve ser feito o controlo de
qualidade e designar uma pessoa para fazer a inspecção;
 Fornecer aos trabalhadores instruções claras sobre o que fazer e como
fazer;
 Motivar os trabalhadores envolvendo e consciencializando-os da
importância daquilo que devem fazer;

 Embalagem
Na sociedade em que vivemos, a embalagem faz parte do nosso dia a dia e
carrega consigo um valor inestimável, daí a razão do seu estudo. O que
significa embalar um produto?

Embalar refere-se embrulhar, acondicionar, encher ou comprimir os artigos


para evitar que sejam estragados, partidos, escapem, sejam roubados,
contaminados, etc. no processo de transporte, armazenagem e utilização.

Embalar ajuda a tornar os artigos fáceis de manusear e os torna


mais atractivos para o cliente.

 Importância da embalagem
A importância da embalagem compreende:

-Protecção: os bons materiais de embalagem são geralmente bastante


fortes para proteger o conteúdo.
-Fácil de transportar: as mercadorias bem embaladas são fáceis de
manusear e transportar para o consumidor.
-Preservação: os produtos alimentares e químicos são preservados dos
germes atmosféricos e da contaminação.
-Promoção: os artigos bem embalados e de forma atractiva criam uma boa
imagem do produto.
-Proporção: os produtos são geralmente embalados em tamanhos
relativamente pequenos. Isto torna fácil colocá-los aos retalhistas além do
preço mais baixo, mantendo a qualidade.
-Distribuição: os artigos embalados podem ser facilmente entregues aos
clientes, por exemplo, através dos serviços de encomendas postais.
-Facilidade de venda: as máquinas automáticas podem vender produtos
embalados com facilidade.
-“Self-service” também é possível com produtos embalados.
-Rótulos com instruções: Os rótulos em produtos embalados servem de
guia para informar os clientes sobre o conteúdo e o uso do produto.

 Tipos de Embalagem
Os tipos mais comuns de embalagem são:
 Garrafas e latas de conserva
 Sacos
 Contentores de plástico
 Fardos
 Latas
 Caixas

Os materiais mais comuns usados para embalagem compreendem:

 Metais – alumínio, folha-de-flandres e aço;


 Plástico – polietileno, jarricans, garrafas, etc.;
 Madeira - madeira, caixas, etc.;
 Papel - papel, cartão, cartão canelado, etc;
 Vidro – garrafas;
 Laminados – folhas de alumínio, chapas de plástico;
 Polyester
 Juntas para sacos, etc.
A natureza dos produtos determina o tipo de embalagem a utilizar. Por
exemplo, óleo, vinho e outros líquidos são colocados em garrafas, latas ou
caixas de cartão. Algodão, junta e outros produtos volumosos são
comprimidos em fardos. Produtos frágeis como frutas, manteiga, etc. são
embalados em caixas ou latas.

 Factores de embalagens
Os factores que você deve considerar ao escolher o tipo de embalagem a ser
usada para um produto compreendem:
- Disponibilidade dos materiais de embalagem nas quantidades necessárias;
- Custo da embalagem em relação ao valor da mercadoria a ser embalada;
- Tipos de artigos a serem embalados, por ex: líquido, sólido ou gasoso;
- Propósito da embalagem;
- Meio de transporte a utilizar;

 Gestão de stock
Os bens adquiridos pela empresa são, em regra geral, encaminhados para os
armazéns onde ficam depositados até serem posteriormente utilizados quer
pelos serviços da empresa quer pelos seus clientes. É o conjunto destes bens
que constitui o stock.

Stock – é toda a matéria, produto ou mercadoria que se encontra armazenada


na empresa à espera de uma futura utilização pelos serviços utilizadores.

 Armazenamento
O armazenamento requer essencialmente a existência de recintos,
armazéns, que é o local onde se guardam os bens que não tem utilização
imediata.
O local de armazenamento deve obedecer fundamentalmente as seguintes
condições:
 Próximo do local de recebimento dos bens;
 Próximo dos departamentos que servem;
 Permitir ás pessoas interessadas um fácil acesso aos bens armazenados;
 Os bens armazenados devem estar protegidos de incêndios, roubos e
deteriorações.

 Instrumentos de gestão do stock


A gestão de stock implica todo um conjunto de actividades de natureza
administrativa que permitem conhecer, em qualquer momento, de uma
maneira clara e precisa o seguinte:
 A quantidade de bens que entram no armazém;
 A quantidade de bens que saem do armazém;
 A quantidade de existência de cada um dos bens nos armazéns;
 Analisar os desvios entre as quantidades existentes e as que deviam
existir.
Assim, a gestão de stock requer a realização das seguintes tarefas básicas:

1º Estabelecimento de um registo de existência com base nas guias de


remessas enviadas pelos fornecedores:
2º Elaboração de fichas de stock ou de inventário de acordo com as
diferentes espécies de bens existentes em armazém e que são escrituradas
em quantidades, quer pelas entradas quer pelas saídas de existências.

Exemplo duma guia de entrada


Encomenda nº: Guia de entrada nº _____________
Data: _____/_____/__________
Código Designação Quantidades Existência
Recebida Aceite

Recepção: Armazém Gestão de stock Compras Contabilidade


___/___/____ ___/___/____ ___/___/____ ___/___/____ ___/___/____
Exemplo de guia de saída
Requisição nº: Guia de saída nº _____________
Data: _____/_____/__________
Código Designação Quantidades Existência
Recebida Aceite

Requisitante: Armazém Gestão de stock Compras Contabilidade


___/___/____ ___/___/____ ___/___/____ ___/___/____ ___/___/____

Estas fichas normalmente indicam as quantidades disponíveis, a data em


que foram recebidas e os artigos que foram feitos. Uma ficha de inventário
(cujo exemplo é dado abaixo) é mantida para cada artigo existente no
armazém. Sempre que um produto entra ou sai, é registada na ficha. Assim,
à qualquer momento, a quantidade de qualquer artigo que fica no armazém
pode ser verificada.

Ficha de inventário (cardex)


Designação do material:
Código: Unidade de utilização
Local de arrumação:
Data Referência Entrada Saída Existência

O circuito administrativo de gestão de stock pode ser esquematizado da


seguinte maneira.
Guia de remessa Registo de entrada

Ficha de stock (cardex)

 Métodos de reaprovisionamento
Os materiais e componentes
Requisições necessários
Registo de para
saídas a actividade produtiva devem

ser reabastecidos em tempo oportuno. Para isso, há que determinar as


quantidades que devem ser encomendadas e em que datas precisas para
que o custo total seja o menos elevado possível. Esta questão é indissociável
da gestão de stock.
Os quatro métodos principais de reaprovisionamento articulam-se à volta de
dois parâmetros principais:
 A quantidade encomendada que pode ser fixa ou variável;
 A data de reaprovisionamento que pode ser em períodos fixos ou
variáveis.
Vamos estudar sucessivamente os quatro métodos de reaprovisionamento
que se ilustram no quadro a seguir.

Tabela 11: Métodos de reaprovisionamento

Período fixo Período variável

Quantidade Método de Método de ponto de encomenda


fixa reaprovisionamento

Quantidade Método de reposição Método de períodos e


variável quantidades variáveis

Método de reaprovisionamento - este método é o mais simples e na


prática pouco usado. Pode ser aplicado para artigos de baixo valor
(Categoria C do diagrama ABC, que você vai estudar logo a seguir). Por
exemplo em cada dia 10 deve-se requisitar 20 caixas de alfinetes.
Método de reposição - Neste método, supõe-se que o consumo é regular
e que se conhece o consumo total anual. Por exemplo, no dia 10 de cada
mês, o fiel de armazém requisita caixas de alfinetes em função do nível de
stock existente, a fim de reaprovisionar.
Método do ponto de encomenda - O ponto de encomenda corresponde
ao nível de stock mínimo em que se deve desencadear a ordem de compra.
Assim, o ponto de encomenda é o nível de stock necessário para cobrir as
necessidades durante o prazo que decorre entre o pedido e a chegada da
encomenda. Exemplo: A partir do momento em que o stock de caixas de
alfinete atinge 5, faz-se uma encomenda de 20 caixas.

Método com quantidades variáveis e datas variáveis - Trata-se da


gestão de artigos caros da categoria A no diagrama ABC cujos preços variam
e que apresentam um carácter mais ou menos especulativo. Por exemplo
metais. Este método é utilizável para um número reduzido de artigos no
máximo uma dezena.

 Princípio da classificação ABC


Muitas empresas têm enormes quantidades de stock que se torna difícil
vigiar todos os artigos. Quando o número de artigos chegam as centenas ou
milhares, o seu controlo constante torna-se não só impossível como até
extremamente oneroso. Chegou-se a conclusão que na maioria das
empresas uma pequena percentagem dos artigos em stock é que são
responsáveis para os grandes investimentos em stock e, pelo contrário, uma
grande percentagem de artigos em stock eram responsáveis por apenas um
valor insignificante dos capitais investidos em armazéns.
A classificação ABC consiste em diferenciar os artigos em função do valor
das saídas anuais de stock que eles representam. Esta classificação baseia-
se num principio, muito conhecido, dos 80-20:
20% dos artigos representam 80% do valor total das saidas e os 80% dos
artigos que ficam apenas representam 20%.

Esta classificação é, portanto, fundamental para uma empresa, pois


condiciona o tipo de gestão que se vai aplicar (a cada um dos artigos).

A classificação ABC pode ser baseada em dois critérios:


1º Critério: valor das saídas anuais em stock;
2º Critério: valor em stock.

A aplicação simultânea, dos dois critérios e a comparação dos resultados é,


muitas vezes, útil para medir o rigor com o qual se gerem os stocks.

Gráfico da classificação ABC (Curva de Pareto)

Da mesma forma que 20% dos artigos representam, muitas vezes, 80% dos
valores de saídas, também se verifica numa empresa que 20% dos clientes
representam 80% da facturação. Por isso, é frequentemente necessário
combinar a classificação dos artigos por valores de vendas anuais com a
classificação dos clientes por total da facturação anual.
A classificação ABC é uma ferramenta importante na gestão de stock
sobretudo quando se trata de elevado número de artigos:

Artigos de classe A - os artigos classificados como de classe A requerem


uma gestão mais cuidadosa, uma vigilância estreita e frequente. Trata-se no
entanto de uma operação não muito dispendiosa para a empresa, uma vez,
que o número de artigos que caem nesta classe não é muito elevado.
Estes artigos embora poucos representam a maior percentagem de
investimentos devem ser mantidos num nível de stock baixo evitando a sua
ruptura.

Artigos da classe B - Os artigos classificados como da classe B, requerem


uma gestão menos rigoroso que os da classe A. A sua vigilância deve ser
cuidada embora menos frequente.

Artigos da Classe C - Os artigos desta classe são controlados de forma


aleatória. Os stock de segurança podem ser altos, de forma a evitar rupturas
de stock.

Veja agora um exemplo que irá permitir determinar os artigos das classes A,
B e C bem como construir o diagrama.
Neste exemplo consideramos uma empresa que gere 10 artigos e cujos
valores de saídas de stock e valores de stock sejam os seguintes:
Tabela 12: Exemplo de gestão de stock

Artigo Valor do Número Total Quant. Total


artigo de saídas em stock
01 25 159 3975 35 875
02 134 56 7704 12 1608
03 23 12 276 4 92
04 5 70 350 25 125
05 87 30 2610 1 87
06 2 75 150 10 20
07 9 140 1260 20 180
08 1 80 80 10 10
09 0.5 150 75 50 25
10 6 35 210 5 175
Note que, este
exemplo limita-se à 10 artigos. É evidente que um caso assim tão simples
não necessita de classificação ABC, concebida para um número superior de
artigos.
Passos para resolução:
1) Calcular o valor anual de saídas de cada artigo;
2) Ordenar os valores obtidos por ordem decrescente;
3) Acumular os valores encontrados;
4) Calcular em percentagem os valores acumulados;
5) Calcular a percentagem acumulada de artigos;
6) Verificar a classe a que pertence cada artigo.
E, assim, temos:

Artigo Valor Número Total Total % Valor % Artigos


do de acumulado acumulado acumulados
artigo saídas
02 134 56 7704 7704 46 10
01 25 159 3475 11679 69 20
05 87 30 2610 14289 85 30
07 9 140 1260 15549 93 40
04 5 70 350 15899 95 50
03 23 12 276 16175 97 60
10 6 35 210 16385 98.1 70
06 2 75 150 16535 99 80
08 1 80 80 16615 99.5 90
09 0.5 150 75 16690 100 100

Se colocarmos em abcissas os vários artigos, e em ordenadas o total das


saídas, obteremos a curva de Pareto, designada por curva ABC.
Note que os dois primeiros produtos representam 69% de saídas totais e
20% do número total de artigos. Estes produtos constituem a classe A.
Os produtos que representam 97% das saídas são constituídos por 60% do
número de artigos. Os artigos 05, 07, 04 e 03 constituem a classe B.
Por fim, os 4 últimos artigos formam a classe C representando 3% do valor
total dos artigos.
 Resumo
Em função das quantidades e da repetitividade, a produção pode ser classificada em
unitária; por pequenas séries; por séries médias e por grandes séries.
O dimensionamento e organização de processo de produção compreende: fixação da
capacidade de produção, escolha de tecnologia (dentre processos manuais e
mecanizados), e planeamento de arranjo físico (lay out).
A imagem e a capacidade de obter lucros duma empresa dependem em larga medida do
desenho do seu produto.
Um produto de qualidade é aquele que tem a capacidade de satisfazer as necessidades
e expectativas dos seus utilizadores;
As funções de embalagens compreendem protecção, conservação, facilitar o
manuseamento e transporte e servir de veículo informativo.
São quatro métodos principais de reaprovisionamento, a saber: método de
reaprovisionamento, método de reposição, método de ponto de encomenda e método
com quantidades e datas variáveis.
A classificação ABC baseia-se no princípio segundo o qual 20% dos artigos em stock
representam 80% do valor total das saídas (vendas) e os 80% dos artigos que ficam
apenas representam 20% das vendas. Está classificação permite identificar os artigos
mais importantes para os quais deve-se tomar mais atenção.

Actividades

1. Classifique a produção de cada empresa em função da quantidade de unidades


produzidas:
a) A fábrica de canetas produz 100.000 canetas por dia.
b) A Tipografia “Zigonzo” produz 100 cadernos por dia.

2. Visite uma carpintaria e observe o seu processo de produção. Faça um breve relatório
apresentando:
a) Capacidade diária de produção;
b) Sequência das etapas envolvidas no processo de produção; identifique os métodos,
ferramentas ou equipamentos empregues; e o tempo total que leva para produção
de um produto, por exemplo cama.
c) Identifique quais são os requisitos de qualidade dos produtos. Identifique formas de
melhorar as características dos produtos tendo em conta as necessidades de
utilizadores.
d) Diga em que etapa é recomendável verificar as características de qualidade;
e) Identifique como deveria ser embalados tendo em conta as funções de protecção,
conservação, manuseamento e informação.

3. Identifique os métodos de reaprovisionamento com base nas situações apresentadas a


baixo:
a. O fiel do armazém requisita em todas 4ª feiras qualquer quantidade de
desperdícios para as oficinas
b. Nos dias 1 de cada mês, o João compra o saco de arroz para a sua casa
c. Assim que restarem no armazém apenas 10 sacos de cimento, o dono autoriza a
compra de 50
4. Escolha uma resposta correcta apenas. Ponto de encomenda significa:
A. Local ou armazém aonde se efectuam requisições de stock;
B. Quantidades mínimas que devem ser encomendadas regularmente;
C. A quantidade mínima em armazém que determina uma nova ordem de compra;
D. Respostas A e C
E. Nenhuma das anteriores

5. Considere a empresa RAFA, Lda que gere os artigos apresentados na tabela a baixo.

Artigo Valor do Número Total Quant. Total


artigo de em
saídas stock
01 33 14 300 43 670
02 12 121 465 37 160
03 75 13 45 3 1221
04 3 69 220 2 134
05 65 34 4610 2 3000

Faça:
 Classificação ABC
 Curva de Pareto
5ª– Unidade temática

5. PRODUÇÃO MAIS LIMPA

Conteúdos
5. Produção mais limpa

 O meio ambiente e os problemas globais;


 Efluentes de processos de produção;
 Princípios gerais da produção mais limpa;

Objectivos

Ao concluir esta unidade você será capaz de:

 Explicar o que é o meio ambiente;


 Explicar a relação entre a actividade humana e os seguintes problemas
ambientais:
o Efeito de estufa;
o Camada de ozono;
o Desmatamento;
o Poluição.
 Identificar os tipos de efluentes de processos de produção;
 Reconhecer a importância da produção mais limpa;
 Descrever os princípios da produção mais limpa.

5. Produção Mais Limpa (P+L)


 Introdução
Nesta unidade temática vamos discutir sobre o significado do meio
ambiente, o meio ambiente e os problemas mundiais, tipos de efluentes de
processos de produção e princípios de produção mais limpa.
 Significado de meio ambiente
O meio ambiente é tudo aquilo que nos rodeia, constituído por factores que
podemos ver e outros que não podemos ver.

O meio ambiente é aquilo que rodeia o homem e o que aí se encontra, constituído por:
 Factores sociais
 Factores económicos
 Factores políticos
 Factores geográficos e
 Factores naturais.

 Meio ambiente e os problemas globais


As alterações climáticas constituem o maior problema do ambiente. Elas
resultam de emissão de gases de efeito de estufa principalmente as
actividades humanas tais como queima de combustíveis fósseis como o
petróleo, carvão e gás natural. O dióxido de carbono é o principal gás
associado ao agravamento do efeito de estufa, que se traduz no
aquecimento global da atmosfera do planeta. Este aquecimento, que pode
atingir 5,8ºC até ao final do século, tem implicações no aumento do nível do
mar (que pode atingir 88 cm no mesmo prazo). Também ao nível da
biodiversidade, existirão efeitos muito significativos, nomeadamente, a
extinção de várias espécies. Em termos meteorológicos prevê-se um
aumento da frequência de secas e cheias, com uma redução de precipitação
na primavera.
Estes fenómenos são provocados sobretudo pela acção do homem e se
resumem nos seguintes problemas globais:

Crescimento da população mundial – Hoje, a população mundial é de


cerca de seis bilhões de pessoas, isto é, seis vezes mais do que era no início
da revolução industrial, no século 17. Isto resulta no aumento da pressão na
exploração dos recursos naturais para satisfazer as necessidades dessa
população (alimentação, habitação, vestuário, diversão e outras).

Processos de produção – Os processos de produção afectam o ambiente


porque usam matérias primas e recursos energéticos do ambiente e libertam
efluentes (sólidos, líquidos e gases) que são ambiente.

Veja a seguir, no diagrama de fluxo de processos de produção, a geração de


resíduos que depois são despejados no meio ambiente.
Processo de produção de bens
Energia

Matérias primas Transformação Produtos

resíduos resíduo
s

Meio ambiente
Efeito de estufa – O dióxido de carbono na atmosfera permite a passagem
da luz do sol e retém o calor da irradiação na superfície da terra dando
origem ao fenómeno efeito de estufa.

Influência dos gases na retenção do calor

Radiação
Radiação solar
solar
Calor
Calor retido
retido
Fonte:

Estufa
Estufa de
de vidro:
vidro: CO2,
CO2, CFC,
CFC, CH4,
CH4, Valor
Valor de
de
água
água

O aumento da concentração de CO2 no ar aumenta o efeito de estufa. A


remoção de CO2 do ar pela fotossíntese de plantas e algas diminui o efeito
de estufa.
O aumento das emissões e concentração de gases na atmosfera são
provocadas sobretudo pelas seguintes acções do homem:
 Combustão de petróleo, gás, carvão mineral e vegetal;
 Emissão de gases pelas indústrias e veículos automóveis;
 Desmatamento e queimadas das florestas;
 Fermentação de produtos agrícolas.
A continuação do aumento deste fenómeno tem consequências indesejáveis
para a humanidade, a saber:
 Mudanças climatéricas;
 Elevação dos níveis dos oceanos;
 Propagação de doenças;
 Perda de produção agrícola.
Camada de ozono - alguns gases como os clorofluorcarbonos (CFC’s),
destrõem o ozono, provocando um buraco na sua camada e assim
aumentando a penetração de raios ultravioletas do sol.
Pesquisas mostram que o aumento de 1% de incidência na radiação
ultravioleta (UB-B) ao nível da superfície da terra aumenta em 1% a
frequência de câncro da pele e doenças oculares.
Desmatamento – O derrube desenfreado de florestas provoca alterações
climatéricas, perdas de biodiversidade, exposição do solo à erosões e
destruição de habitats. Estima-se que entre 20% a 50% das espécies de
organismos vivos estarão extintos no início do próximo século.
Poluição – é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e
biológicas do meio ambiente, causadas por qualquer forma de matéria ou
energia resultante da actividade humana que, directa ou indirectamente:
 Seja nociva à saúde, a segurança e o bem estar da população;
 Crie condições inadequadas de uso do meio ambiente;
 Provoca danos à fauna, flora, ao equilíbrio ecológico, á propriedades
públicas, privadas e estéticas;
 Não esteja em harmonia com os arredores naturais.

O ar atmosférico, água dos rios, lagos, mares e dos lençóis e os solos são
geralmente poluídos em consequência da actividade humana.

 Efluentes de processos de produção


Toda actividade humana produz resíduos. Efluentes ou resíduos referem-se
aos desperdícios gerados que resultam da actividade humana. De mesmo
modo, os processos de produção geram efluentes que podem ser:
 Sólidos: são exemplos limalha de ferro, plásticos, bagaço, pós, cinzas,
papel, etc.;
 Líquidos: lamas, óleos de motores, águas de lavagem, água dos esgotos,
tintas;
 Gasosas: gases de escape e chaminés, vapores.
Os resíduos classificam-se em perigosos e não perigos. Os perigosos tem
efeitos nocivos ao meio ambiente, por exemplo poluição do ar, água e solos,
por isso a sua geração torna-se num problema ambiental.

 Princípios gerais de produção mais limpa


A contínua degradação do planeta resultante da actividade humana e que
como consequências visíveis são as mudanças climatéricas vem despertando
uma consciência pro-activa nos diferentes segmentos da sociedade sobre as
questões ambientais.

 Abordagem internacional e nacional


Nas décadas de 1950 e 1960, o meio ambiente era o grande diluidor de
resíduos nas águas e no mar, com a inexistência quase total da
responsabilidade no impacto ambiental.
Nas décadas de 70 e 80 foram implantados sistemas de licenciamento para
tratamento ambiental.
Gradualmente, a partir da década de 90, há preocupação em implementar
um programa de gestão ambiental, com foco para o conceito de
sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável.

Em 1997, em Quioto (Japão), os países participantes na reunião anual da


convenção das Nações Unidas para as alterações climatéricas assinaram um
acordo - Protocolo de Quioto – que estabeleceu metas de redução de gases
causadores de efeito de estufa e prevenção das consequências do aumento
da temperatura da terra.

Todavia, os níveis de emissões continuam a crescer e os receios da


comunidade científica vieram a confirmar-se e são cada vez mais as
evidências do aquecimento global e as consequências que poderemos sofrer
pelo agravamento do efeito de estufa.
Em Moçambique, o Ministério para Coordenação da Acção Ambiental
(MICOA), é o órgão do estado responsável por coordenar as actividades
intersectoriais conducentes a preservação do meio ambiente.

Outras acções do Governo incluem a obrigatoriedade dos estudos de


impacto ambiental e de programas de gestão ambiental para projectos
classificados como susceptíveis de causar impactos negativos. No âmbito da
revolução verde, iniciou uma campanha nas escolas, comunidades e
instituições para massificação de plantio de árvores.

No cumprimento do protocolo de Quioto, constitui dever de todos nós evitar


a contínua degradação do meio ambiente através de acções que incluem, o
combate ao desmatamento que conduz à erosão entre outros problemas; a
poluição através de emissão de gases que consequentemente destroem a
camada de ozono e regista-se o aquecimento global devido ao aumento da
temperatura; entre outras acções.

 Significado e abordagens da P+L


A definição de produção mais Limpa foi desenvolvida pela PNUMA em Paris
no ano de 1989. Desde então, tem se expandido e uma orientação de
desenvolvimento sustentado foi adicionada.

Produção mais limpa é aplicação de uma estratégia técnica, económica e ambiental


integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de
matérias-primas, água e energia, através da não geração, minimização ou
reciclagem dos resíduos e emissões com benefícios ambientais, de saúde
ocupacional e económica”

Ou seja:
Produção mais Limpa é uma abordagem sistematicamente organizada para
actividades de produção, a qual tem efeitos positivos no meio ambiente.
Estas actividades incluem minimização de uso de recursos, ecoeficiência
melhorada e redução na fonte, com objectivo de melhorar a protecção do
meio ambiente e reduzir riscos para os organismos vivos (Glavic e Lukman,
2006)

O quadro a baixo apresenta as diferenças entre as abordagens tradicional e


as baseadas na produção mais limpa.
Diferenças de abordagem nas questões ambientais
Tratamento tradicional Tratamento com base na P+L
PpoObrigações face a família
Resíduo é gerado! Que devo Resíduo é gerado! De onde
fazer? vem?
- Evitar a geração de resíduos
- Tratar os residuos com recurso a com recurso a produção mais
técnicas de fim de tubo (depois limpa:
da geração):  Redução do consumo de
matérias primas, água e
 Colocação de filtros nos energia;
escapes e chaminés;  Reciclagem de resíduos
 Tratamento dos efluentes  Uso de tecnologias
sólidos e líquidos; limpas;
 Depósitos em aterros  Monitoramento
sanitários, inceneração,
etc

Note que a produção mais limpa tem ênfase na prevenção da geração de


resíduos e dos desperdícios energéticos. Isto é possível identificando as
fontes de geração para de lá eliminar ou minimizar.

1) Para processos de produção, a produção mais limpa inclui:


 Uso mais eficiente das matérias primas e da energia;
 Redução de materiais tóxicos e perigosos;
 Minimização das fontes de resíduos sólidos, líquidos e emissões.
2) Para produtos, a estratégia é baseada em ecodesenho, isto é,
desenvolvimento de produtos ecológicos ou amigos do ambiente,
buscando a redução dos impactos ambientais ao longo do ciclo de vida
desses produtos.
As mudanças climatéricas constituem o maior problema do ambiente deste, e
eventualmente, dos próximos séculos. Este problema é resultante sobretudo da
actividade do homem.

Os principais problemas ambientais globais são: Crescimento populacional,


Processos de produção, Efeito de estufa, Camada de ozono, Desmatamento e
Poluição.

O Protocolo de Quioto estabelece metas de redução de gases causadores de efeito


de estufa e prevenção das consequências do aumento da temperatura da terra.

Em, Moçambique, o MICOA é a órgão do estado responsável pela coordenação


intersectorial das acções de preservação do meio ambiente.

Os efluentes ou simplesmente resíduos podem ser sólidos, líquidos e gasosos; e


classificam-se em perigosos e não perigosos. Os perigos são aqueles que são
nocivos ao meio ambiente.

A produção mais limpa tem ênfase na prevenção da geração de resíduos e dos


desperdícios energéticos, através da eliminação ou minimização na fonte.

Não gerar desperdícios, resulta ganhos económicos ao mesmo tempo que evita a
degradação do planeta.

 Resumo

 Actividades

1. Recolha mais informação do Protocolo de Quioto e faça um resumo relatando as


suas principais abordagens.
2. Observe o ambiente na sua localidade, distrito ou autarquia e:
a) identifique consequência visíveis de problemas ambientais;
b) Sugira acções locais para mitigação ou prevenção.
3. Com base no dia a dia na sua escola ou em sua casa:
a) Faça listagem de resíduos sólidos, líquidos e gasosos gerados;
b) Identifique as fontes principais de sua geração:
c) Identifique medidas para evitar ou minimizar a geração dos resíduos.
4. Visita uma repartição do MICOA e recolha informações sobre políticas e as acções
do governo na a área ambiental na sua região.
6ª – Unidade temática
6. NOÇÕES DE MARKETING
Conteúdos
6. Gestão de Marketing
 Segmentação de mercado;
 Marketing mix;
 Técnicas de venda, distribuição e promoção de bens e serviços;
 Arte de vender;
 Plano de Marketing;
Objectivos
 Explicar o que é segmento de mercado;
 Descrever os factores a considerar na segmentação de mercado;
 Explicar o que é Marketing mix;
 Descrever os elementos de Marketing mix;
 Descrever as técnicas de:
o Venda;
o Distribuição e;
o Promoção de bens e serviços.
 Descrever as qualidades de um bom vendedor;
 Aplicar os princípios de Marketing no projecto e feira escolar;
 Elaborar um plano de Marketing.

6. Noções de Marketing
 Introdução
Vender ou prestar serviços são objectivos de qualquer empresa, pois só
assim é que pode assegurar a sua própria sobrevivência. O Marketing surge
na década 50 nos Estados Unidos da América, quando a oferta de produtos e
serviços ultrapassou a procura dos mesmos. A preocupação das empresas já
não se limitava ao sector de vendas, estendia-se a outros departamentos da
empresa e principalmente à produção, que deve criar novos produtos que
satisfaçam não só as necessidades como também os desejos dos
consumidores.
Nesta unidade, falaremos sobre Marketing, segmento de mercado, o
Marketing mix e as técnicas de venda, de distribuição e de promoção de
bens. E mais adiante, sobre a arte de vender e o plano de Marketing.

 Significado de Marketing
Em anos, o termo “Marketing” conotou dois processos diferentes, mas
relacionados; o primeiro trata de procurar e estimular consumidores e o
segundo da distribuição física de produtos. Com o aumento da concorrência
nos mercados, o pessoal de Marketing tem dedicado a maioria do seu tempo
a função de estimular e procurar consumidores. Mas afinal, o que é
Marketing?

Marketing é tudo aquilo que se faz para procurar saber quem são os seus clientes,
quais são as suas necessidades e preferências e como atraí-los e deixá-los
satisfeitos.
O Marketing é um elemento importante na criação e exploração duma empresa.
Não importa se o seu produto ou serviço é bom, se não fizer o Marketing no modo
certo, ninguém vai comprá-lo.
Se no passado o Marketing se dedicava a procura e estímulo de
consumidores, hoje vai mais além. Veja a seguir, as funções de Marketing
em função do estado da procura.
Tabela 15: Tarefas de Marketing em funções do estado de procura
Se a procura é Exemplo É tarefa de Marketing
Negativa Aderência o serviço Inverter
Nula militar Criar
Estagnada Lixo urbano Desenvolver
Em queda Cigarro sem nicotina Revitalizar
Irregular Viver no meio rural Sincronizar
Em excesso Hospedagem Reduzir
Indesejável Viatura própria Destruir
Norma Álcool, drogas Manter
açúcar

 Segmentação de mercado
Ao olharmos a cada pessoa num estádio de futebol completamente lotado,
vemos que cada pessoa é única: umas sorriem, outras não, umas estão
calmas, outras agitadas. E, no entanto, se nos afastarmos de helicóptero,
começamos a não conseguir distinguir estes pormenores e a fazer
associações de outro tipo.
A partir duma determinada altura, ainda conseguimos distinguir os homens
das mulheres, os jovens dos adultos, as cores dos fatos, mas, por fim, lá bem
alto, todos os elementos parecem semelhantes.

Segmento de mercado – é um conjunto de consumidores com características


semelhantes, ou seja, que se satisfazem com mesmo tipo de produtos ou serviços.
É deste modo que você deve olhar para os consumidores, procurando
agregá-los ou dividi-los em grupo com características semelhantes.
Quando você, já tiver seleccionado um segmento de mercado, é possível
levar a cabo acções de Marketing específicas para satisfação de cada
segmento definido.

 Factores de segmentação dos mercados


Os factores principais que você deve tomar em conta na segmentação de
mercado são os seguintes:
Factores de segmentação de mercado
Geográficos Região Litoral, Interior, Norte,
Tamanho do trabalho Centro Sul
Importância da cidade A,B,C,D
Densidade Número de habitantes
populacional Urbana, suburbana, rural
Clima Tropical: ( húmido, seco,
Faixa etária altitude)
Até 6, 7-11, 12-17, 18-34,
etc.
Socio- Sexo Masculino, feminino
económicas Tamanho da família 1, 2-3, 4-5, 6 ou mais
Ciclo de vida da Jovem, solteiro, casados, etc.
família Salário mínimo, médio, alto
Rendimento Básico , médio, superior
profissional Católica, muçulmana, etc.
Instrução Negra, mista, branca, etc.
Religião Moçambicano, Sul Africanos,
Raça etc.
Nacionalidade
Personalidade Estilo de vida Indivíduo normal,
Personalidade Extrovertido, conservador,
etc.
Comportamen Benefícios Economia, prestígio, etc.
to do procurados, Não consumidor, ex-
consumidor Frequência de consumidor,
face ao utilização, Nenhuma, média, forte,
produto Fidelidade à marca, absoluta.
Conhecimento do Alheio, consciente,
produto, informado, desejoso,
Sensibilidade ao intenção de comprar.
preço, Indiferente, fraca, sensível
Sensibilidade ao Indiferente, fraca
serviço, sensibilidade,
Receptividade à Indiferente, fraca
publicidade sensibilidade, forte
sensibilidade

 Marketing mix
Você dispõe de um conjuntos de factores (internos) que o permitem
controlar e actuar sobre o mercado. Estes meios são os quatro elementos
que compõem o marketing-mix, designados os 4 Ps de Marketing:
1. O produto
2. O preço
3. Praça
4. Promoção

Marketing-mix consiste num esforço de procurar incorporar características em cada um


dos quatro elementos de Marketing para que o produto ou serviço se torne mais atractivo
ou mais útil.
Desta forma, os consumidores se sentem atraídos a adquiri-lo ou a optar por
ele em detrimento dos produtos oferecidos pelos outros fornecedores ou
concorrentes. Exemplos dessas características ou sub factores são
apresentados no quadro a seguir:
Exemplos de sub-factores dos 4 Ps de Marketing
Produto: Praça:
Qualidade, características, Canais de distribuição, cobertura
estilo, marca, embalagem, geográfica, pontos de venda,
garantias, assistência técnica e quantidade de stock, transporte.
outros serviços.
Preço: Promoção:
Nível de preço, descontos ou Vendedores (força de venda),
reduções, condições de publicidade, relações públicas,
pagamento anúncios, cartazes,

 Técnicas de vendas de bens e serviços


Você pode vender seus produtos e serviços observando alguns termos e
condições de pagamento, de entrega e aos serviços pós venda, etc.

Termos e condições de venda são as formas ou condições em que o vendedor e o


comprador acordam para este último ter acesso, usar e possuir os produtos do
primeiro.

Os termos e condições mais comuns para venda de bens e


serviços são os seguintes:
 Venda á dinheiro
Quando os bens e serviços são feitos a pronto pagamento. É a forma
preferida de vender pelas empresas porque é o método mais eficaz e
simples. Quando os bens/ serviços são vendidos a pronto pagamento, o
vendedor deve passar um recibo ao comprador.
O recibo é o documento emitido em duplicado pelo vendedor e serve de
comprovativo de pagamento efectuado pelo comprador.

Um exemplo dum recibo


J & S, Lda RECIBO
Caixa Postal 21 Venda a dinheiro Nº
Lugela, Zambézia 0120
Tel 06 211119 Data 30/12/2009
NUIT 01245
Recebemos a importância de cem meticais (100, 00 Mts)
para o pagamento de duas pastas de arquivo.
Assinatura
______________

 Venda à crédito
Significa dar as suas mercadorias ou prestar os seus serviços a um cliente
que promete pagar mais tarde. Quando os bens ou serviços são vendidos a
crédito é passada uma factura.
Exemplo de factura
J & S, Lda Factura Nº: 192
Caixa Postal 21 Lugela, 30 Dezembro 2009
Lugela, Zambézia
Tel 06 211119
NUIT 01245
Quantidade Descrição Preço unitário Total
2 Pastas de arquivo 50,00 100,00
IVA (17%) 17,00
TOTAL 117,00
Termos de entrega: Entrega imediata.
Termos de pagamento: 90 dias com 1.5% de desconto se for
totalmente pago antes de 30 dias.
Assinatura
_______________

Quando os fornecedores entregam as mercadorias ou materiais devem ser


acompanhadas duma guia de remessa que enumera as mercadorias
entregues. A pessoa que recebe deve comparar as mercadorias recebidas
com as da guia de remessa e/ou comparar a guia de remessa com a
encomenda que foi feita e assegurar que as mercadorias entregues são as
que foram encomendadas e que se encontram em bom estado. O comprador
deve assinar a guia de remessa para confirmar a recepção das mercadorias
e devolver uma cópia ao fornecedor.

Exemplo duma guia de remessa


J & S, Lda Guia de Remessa Nº: 192
Caixa Postal 21 Lugela, 30 de Dezembro de 2009
Lugela, Zambézia
Tel 06 211119
NUIT 01245
Quantidade Descrição Preço unitário Total
2 Pastas de arquivo 50,00 100,00
IVA (17%) 17,00
TOTAL 117,00

Todas as mercadorias foram recebidas em bom estado

Entregue por: Assinatura:


_____________ _______________

 Pagamento em géneros
O pagamento em géneros ou em serviços prestados é
muito popular na economia informal em que as pessoas
normalmente não têm dinheiro para pagar pelos bens e
serviços. Às vezes é designado por troca directa.
 Pagamento a prestações
Quando um cliente não puder pagar de imediato pelas mercadorias ou pelos
serviços a fornecer, deve pedir para depositar algum dinheiro como
pagamento parcial e continuar a pagar em pequenas prestações até acabar
o pagamento do valor total. Dependendo da política da empresa, o cliente
pode ou não levar os produtos com ele até acabar de pagar. Este método de
pagamento é designado por pagamento em prestações.
 Condições de vendas á crédito
Vender a crédito (sem um pagamento inicial) é uma maneira de você poder
vender os seus produtos. Contudo, por mais necessário que seja para manter
a fidelidade do consumidor e aumentar as vendas, é preciso ter muito
cuidado ao vender à crédito. Em particular, você deve vender a crédito
quando:

1º O cliente é bem conhecido e foi cuidadosamente avaliado. A avaliação


pode basear-se nos 4 Cs do crédito que são: carácter, capacidade, condições
e caução.
2º Quando você puder comprar a crédito. Se você não puder comprar a
crédito, então não é aconselhável vender a crédito pois isto limita o capital
circulante.
3º Quando você tiver capital circulante suficiente para financiar vendas a
crédito.
4º Se você for confrontado com uma crise, por ex: o prazo das mercadorias
estiver prestes a terminar.
5º Você pode vender a crédito se houver leis eficazes e fortes que apoiem a
venda a crédito e a cobrança das vendas a crédito.

o Carácter: primeiro avalia-se se a pessoa ou firma está disposta a pagar


as suas dívidas. Geralmente, é feito considerado a reputação e a ética da
firma ou indivíduo quanto ao pagamento das suas dívidas.
o Capacidade: é a habilidade do cliente de pagar totalmente a dívida a ser
contraída. A capacidade depende do desempenho da sua empresa ou do
montante do rendimento com o qual vai pagar a dívida.
o Condições: estas são as circunstâncias segundo as quais uma empresa
ou um indivíduo está a funcionar e que podem afectar o seu rendimento
presente ou futuro.
o Caução: é um bem ou qualquer outra coisa que se possa vender e que o
devedor apresenta como garantia no caso de não pagar a dívida e que o
empreendedor pode vender para pagar o montante em dívida. Pode ser
uma casa, terras, animais, electrodomésticos, acções, etc.

 Técnicas de distribuição de bens ou serviços


O sucesso de qualquer empresa depende de como os seus produtos (bens e
serviços) são distribuídos e vendidos aos clientes. Muitos empreendedores
apresentam como preocupação a questão de como levar as mercadorias ou
serviços certos para os lugares certos, nos momentos certos, com o menor
custo. Veja a seguir, principais opções para distribuição de bens e serviços:

(A) Distribuição directa

você faz ou Vende directamente aClientes que usam


importa um ou consomem o
produto produto.
(B) Distribuição á retalho
Você faz ou importa e vende O retalhista vende-os Os clientes usam
produtos a retalhistas.
aos clientes. ou consomem-no

(C) Distribuição à grosso

Você faz o Retalhista O cliente


grossistavende-
produto e vende-o ao usa ou
o ao retalhista
vende-o ao cliente consome
Você também pode fazergrossista
a distribuição através de agentes de Marketing e
vendas que são entidades que vendem os produtos em nome da empresa e
recebem uma comissão com base no valor das quantidades vendidas.

 Factores a considerar ao escolher uma técnica de distribuição


Ao escolher a técnica para distribuir os seus produtos, você deve ter em
conta o seguinte:
 Natureza do produto - Geralmente produtos grandes e pesados são
distribuídos directamente para minimizar as despesas de transporte.
 Natureza do mercado – Por exemplo, a venda directa seria preferível
quando os mercados são pequenos e estão localizados numa área
estreita.
Natureza dos intermediários (retalhistas e agentes) - Quando o tipo
desejado de intermediários não estiver disponível, então pode ser necessário
fazer a venda directa.

 Técnicas de promoção de bens ou serviços


A promoção engloba todos os meios que você emprega para influenciar as
pessoas para que possam comprar mais os seus produtos/ serviços. Os
empreendedores organizam várias actividades de promoção para
comunicarem com os clientes tendo em mente quatro objectivos:
 Informar o público sobre a disponibilidade do seu produto
 Atingir um segmento específico do mercado e assim “colocar” o produto
 Estabilizar ou aumentar as vendas

Há duas técnicas principais de promoção para atrair os consumidores, como


pode ver a seguir:
A - Fazer publicidade
De certeza já ouviu e viu várias empresas tais como a mcel, a vodacom, as
escolas privadas a fazer publicidade. Fazer publicidade é a disseminação de
informação sobre um produto junto dos consumidores.
Exemplos de métodos de fazer publicidade:
-Uso da imprensa através de jornais, revistas, rádio, televisão, cinema,
letreiros, cartazes, folhetos, etc.;
-Uso de música ou bandeiras para chamar a atenção;
-Porta a porta;
-Exposição dos produtos fora da loja.
B - Promoção das vendas
A promoção das vendas pode ser feita do seguinte modo:
-Organizar uma sala de vendas ou exposição;
-Dar amostras grátis e prendas;
-Ser educado para com os clientes;
-Comunicar com os clientes e compreender as suas necessidades;
-Mostrar conhecimento do seu produto, dos seus benefícios e do seu uso;
-Melhorar a qualidade dos bens e serviços;
-Dar aos seus produtos um nome distinto;

 Mensagens publicitárias
Para um pequeno empreendedor os meios menos dispendiosos de anunciar
seriam letreiros e cartazes. O letreiro deve ser claro e visível e não deve ser
caro. Deve dar aos eventuais clientes uma ideia dos produtos que são
oferecidos pela empresa.

Exemplo de um letreiro

ABC
ABC FABRICANTES
FABRICANTES DE
DE SAPATOS
SAPATOS

Sapatos
Sapatos paraHomens
paraHomens ee Mulheres
Mulheres

Compre
Compre um
um par
par ee leve
leve um
um par
par de
de chinelos
chinelos grátis
grátis

 Directivas para preparar mensagens publicitárias


Quando começa um projecto, pode não ter meios para pagar os serviços
publicitário tais como fazer o seu logotipo e preparar o seu anúncio.
Contudo, é possível preparar um anúncio eficaz usando certas directivas e
usando sua própria criatividade que atraia atenção de eventuais clientes:
 Deixe algum espaço para que haja equilíbrio.
 O anúncio deve ser fácil de reconhecer e deve sobressair.
 O título deve realçar os benefícios para os consumidores.
 O conteúdo deve ser simples e fácil de compreender.
 Deve incluir informação importante logotipo, nome da empresa,
localização, número de telefone, serviços prestados.
 Deve ser honesto ao fazer publicidade. Tem que fornecer aquilo que
promete.

 Arte de vender (venda criativa)


Na venda há geralmente um diálogo de pessoa para pessoa entre o
comprador e o vendedor. O propósito do contacto pessoal é permitir ao
empreendedor ou seu representante (vendedor) convencer o comprador a
aceitar o produto pelo preço estabelecido. Ao vender, deve-se dizer ao
cliente como é que o produto vai satisfazer as suas necessidades, como usá-
lo e porque seria bom comprá-lo.
Um processo de venda criativa ou seja a arte de vender inclui os seguintes
passos:

Prospecção  Pré-abordagem  Abordagem  Apresentação


 Lidar com Objecções  Fechar o negócio  Seguimento.

Prospecção - Significa localizar os clientes. Ao fazer a prospecção você


descobre aonde ir, com quem falar, o que fazer e dizer.
Pré-abordagem - Nesta fase, você reúne informação sobre os seus
próprios produtos e os produtos dos concorrentes e possíveis clientes. Isto
irá ajudá-lo na venda dos seus produtos para satisfazer as necessidades dos
consumidores.
Abordagem - É o primeiro encontro cara a cara com o seu cliente e as
primeiras dez palavras usadas são mais importantes do que as mil palavras
seguintes. O propósito desta fase é criar uma boa impressão e ganhar
clientes. Você ou o vendedor deve começar por sorrir, apresentar-se e,
sempre que possível, com um aperto de mão.
Apresentação dos produtos: Consiste em atrair a atenção do cliente. A
sua proposta deve despertar interesse no consumidor.
Você pode alcançar a venda criativa agindo da seguinte maneira:
-Insistir num produto desde o começo da apresentação;
-Mencionar mais as vantagens do produto do que as suas características, por
ex: estes sapatos são confortáveis e resistentes em vez de “são de pele”;
-Dar toda a atenção ao cliente/comprador;
-Envolver o comprador na conversa e não ficar a falar sozinho;
-Escutar o comprador para que ele se sinta importante e para compreender
as suas necessidades;
Lidar com objecções: As objecções surgem quando um comprador diz
“não” ao preço ou a qualidade do produto. Este é o começo da venda e
significa que o comprador está interessado no produto. Os métodos
seguintes podem ser empregues para lidar com as objecções:

 Escutar o cliente sem interrompê-lo;


 Usar um método “Sim, mas”. Se, por exemplo, o cliente disser “O seu
preço é muito alto ou mais alto que o dos seus concorrentes”, diga “Sim,
o custo inicial é um pouco mais elevado mas a longo prazo faz
economias porque o nosso produto é mais resistente e elegante”;
 Perguntar ao cliente de que é que não gosta no produto e dar uma
alternativa para satisfazer a sua necessidade;
 Desviar a atenção do comprador do aspecto negativo para outra
vantagens mais atractivas.
Fechar o negócio: encontrar uma maneira de fazer o cliente agir ou
comprar o produto requer que você perguntas tais como:
 Quer que eu reserve um para si?
 Que cor prefere?
 Quer que façamos a entrega a domicílio ou vem buscar?
Seguimento: Este é o apoio que você dá ao seu cliente depois de vender ou
comprar os seus bens ou serviços. Isto leva a clientela a fazer novas
compras. Pode ser feito por carta ou telefone para dizer “obrigado pela
compra e se precisar de mais estamos à sua disposição”.

 Como tratar os clientes


O vendedor é a empresa ou produto para a maioria de seus clientes. Um
vendedor deve tratar bem os clientes fazendo o seguinte:
-Cumprimentar os clientes e sempre que possível, tratá-los pelo seu nome;
-Quando já estiver a atender um cliente e chegarem outros, cumprimente os
clientes que estão à espera e diga-lhes que vai atendê-los a seguir;
-Seja educado e amável. Isto faz com que os clientes se sintam bem-vindos e
gostem de visitar a empresa;
-Apresente-se limpo, com bom aspecto e sorria;
-Escute atentamente o que os clientes dizem e faça perguntas para saber de
que precisam;
-Seja paciente, dê aos clientes tempo para fazer perguntas e decidir o que
querem comprar;
-Seja honesto e digno de confiança;
-Não discuta com os clientes. Permita-lhes que digam não, se não quiseram
o produto e pergunte-lhes o que querem;
-Agradeça aos clientes por virem à sua empresa mesmo se não compraram
os seus produtos.

 Qualidades de um bom vendedor


Um vendedor é uma pessoa cuja tarefa principal é vender ou fazer vender
os produtos duma empresa, contactando directamente os potenciais
clientes. Hoje, perseguindo o mesmo objectivo de vender, o vendedor é
aquela pessoa que, estando próxima do cliente, conhece as suas
necessidades, conquista a sua confiança e depois apresenta o seu produto
ou serviço e o vende.
As características de um bom vendedor segundo estudos mais recentes de
McMurry e Herbert Greenberg são:
1. Empatia, habilidade de se colocar no lugar do cliente;
2. Impulso do ego, uma grande necessidade pessoal de realizar a venda,
não somente pelo dinheiro que irá ganhar.
Porém, duma forma geral há uma tendência de consenso de que um bom
vendedor deve ter as seguintes qualidade:
Tabela 18: Qualidades de um bom vendedor
7. Ter interesse
1. Boa aparência
8. Ter responsabilidade
2. Boa linguagem
9. Ser pontual
3. Ser ouvinte
10. Ter bom senso
4. Equilíbrio e boas
maneiras
11. Saber persuadir
5. Ter maturidade
12. Ter uma natureza amigável
6. Ter conhecimento
( produtos e dos
clientes)

 Plano de Marketing
Plano de Marketing consiste num conjunto de acções programadas tendo em
vista os seguintes objectivos:
 Provocar procura dos seus produtos no mercado
 Superar os concorrentes
 Satisfazer os consumidores

O plano de Marketing tem como base o estudo de mercado onde você


recolhe informações sobre:
 Clientes, suas necessidades e preferências;
 Concorrentes, suas forças, fraquezas e estratégias de actuação;
 Ambiente geral, padrões de tendências, novas tecnologias, produtos
substitutos, incentivos, licenças ou restrições legais.
Com base na informação recolhida, você pode elaborar o seu plano de
Marketing orientando-se nos 4 Ps de Marketing:

Produto (tipos e características) - Você tem de decidir que tipos de


produtos ou serviços que vai oferecer, qualidade, cor, tamanho, a
embalagem, que marca irá ostentar, que peças sobressalentes vai vender,
que consertos vai fazer. Isto tudo deve ser decidido tendo em conta atrair os
clientes.

Preço - Você tem que decidir os preços que vai cobrar. Também significa
definir que descontos vai dar e se vai vender a crédito. Para fixar os preços,
você tem de saber:
 Os seus custos;
 Quanto é que os clientes estão dispostos a pagar;
 Os preços cobrados pelos seus concorrentes.
Praça ou distribuição - Se o seu projecto não estiver localizado perto dos
seus clientes, você precisa procurar modos de buscar os seus produtos a um
local onde é fácil para os clientes comprarem, isto é distribuição. Lembre-se
que a distribuição pode ser directa, à retalho ou à grosso.
Promoção - Escolha o tipo de promoção e publicidade que possam atrair os
clientes.

 Resumo
Marketing é tudo aquilo que você faz para procurar saber quem são os seus
clientes, quais são as suas necessidades e preferências e como atraí-los e deixá-
los satisfeitos.
O segmento de mercado é um conjunto de pessoas ou consumidores que se
satisfazem com o mesmo tipo de produto ou serviço.
O Marketing mix é composto por quatro elementos ou factores que actuam sobre
o mercado também designados de 4Ps (Produto, Preço, Praça e Promoção) de
Marketing.
Em técnicas de vendas, são quatros os principais termos e condições de venda de
bens e serviços, a saber: venda à dinheiro, venda à crédito, pagamento em
géneros e pagamento em prestações.
Você pode colocar ou distribuir os seus produtos através de distribuição directa, à
retalho, à grosso e agentes de Marketing.
A promoção engloba todos os meios que você emprega para influenciar as
pessoas para que possam comprar os seus produtos/ serviços que pode ser
através de publicidade, exposições, descontos ou uso de vendedores.
Um processo de venda criativa ou arte de vender inclui os seguintes passos:
Prospecção, pré-abordagem, abordagem, apresentação, Lidar com objecções,
fechar o negócio e seguimento. Um bom vendedor deve ter habilidade de sentir o
que o cliente sente e possuir grande vontade de realizar a venda não somente
pelo dinheiro que irá ganhar.
Plano de Marketing consiste num conjunto de acções programadas tendo em vista
provocar procura dos seus produtos no mercado, superar os concorrentes e
satisfazer os consumidores. Na sua elaboração baseia-se na informação recolhida
do estudo de mercado e orienta-se pelos 4Ps de Marketing.

1. Com base nos conhecimentos que você adquiriu nesta unidade, identifique dois
exemplos de factores a considerar para segmentar os seguintes mercados:
a) Roupas
b) Bebidas alcoólicas
c) Perfumes
2. Escolha a alternativa correcta que diz respeito ao marketing-mix
A. Produto, preço, promoção e praça
B. Produto, praça, pilares e portões
C. Respostas A e B
D. Nenhuma das anteriores
3. Suponha que você é proprietário de um empreendimento que produz pasta
dentífrica. Faça um plano de Marketing tendo como objectivos atrair os consumidores
em detrimentos de outras marcas.

a) Dê um nome a sua pasta dentífrica;


b) Defina as características físicas, químicas e de qualidade que a tornem mais
atractiva;

c) Fixe um preço, tendo em conta os preços doutras marcas e justifique a sua


decisão;

d) Defina a forma que vai usar para distribuir o produto tendo em conta facilitar o
acesso de potenciais clientes;

e) Desenhe um letreiro publicitando a sua pasta dentífrica;

4. Apresente e discuta na turma o seu plano de Marketing do exercício acima.


 Actividades

7ª– Unidade temática


_____________________________________________________________________________
7. LEGISLAÇÃO E SERVIÇOS DE LEGALIZAÇÃO E DE APOIO

Conteúdos
7.1 Serviços de legalização e apoio para as
empresas
 Legislação sobre a actividade económica;
 Instituições de legalização de empresas;
 Instituições de apoio às empresas;
7.2 Sistema financeiro em Moçambique
 Organização e composição do sistema
financeiro em Moçambique;
 Instituições de microfinanças
 Vantagens e desvantagens de créditos;
 Benefícios de seguros e responsabilidades
inerentes à sua adesão.

Objectivos
 Identificar a principal legislação que regula o
exercício de actividade económica;
 Identificar as diferentes instituições que prestam
serviços de legalização e apoio para empresas;
 Descrever a organização e composição do sistema
financeiro em Moçambique;
 Identificar os serviços básicos prestados pelas
instituições de crédito e sociedades financeiras;
 Identificar as vantagens e desvantagens dos
créditos;
 Identificar os benefícios de seguros e
responsabilidades inerentes à sua adesão.

7.1 Serviços de legalização e de apoio para empresas


 Introdução
À semelhança do que acontece em outras sectores, o exercício da actividade
económica é regida por leis que vão desde a definição dos requisitos para o
seu desenvolvimento; a indicação das entidades ou instituições que velam
pelo cumprimento integral dos regulamentos estabelecidos bem como a
indicação daquelas que ajudam o empreendedor a se tornar legal.
Nesta unidade, abordaremos sobre a legislação da actividade económica e
as diferentes instituições que prestam serviços de legalização e apoio às
empresas.

 Legislação sobre actividade económica


Em Moçambique, a actividade económica é regida pelo Código Comercial. O
Código Comercial regula os empresários e as empresas comerciais, bem
como os actos considerados comerciais.
O actual Código Comercial foi aprovado pelo decreto-lei N° 2/2005, de 27 de
Dezembro que também revoga o anterior Código Comercial aprovado pela
Carta de Lei de 28 de Junho de 1888.
Outros instrumentos regulamentares da actividade económica em
Moçambique são:
 Lei de investimento (Lei 3/93, de 24 de Junho) operacionalizada pelo
respectivo regulamento, aprovado pelo Decreto 14/93, de 21 de Julho,
que regulamenta os processos de investimento nacionais e estrangeiros
no país.
 Regulamentos de licenciamento de actividade comercial e da actividade
industrial, aprovados pelos Decretos n° 49/2004, de 17 de Novembro e N°
39/2003, de 26 de Novembro. Estes regulamentos trouxeram um novo
ímpeto na facilitação e simplificação do licenciamento de actividades
comercial e industrial.

 Instituições de legalização de empresas


Você tem que analisar os requisitos legais e benefícios do registo da sua
empresa antes de proceder ao registo.
O quadro a baixo, contém as formalidades principais a cumprir na
constituição duma empresa. Note que a 4ª, 5ª e 7ª formalidades são
necessárias no caso de você decidir constituir uma sociedade que veremos
logo a seguir.

Principais formalidades na constituição de empresas


1º Escolha a forma jurídica.
2º Reserva de nome. Requer uma certidão de reserva
de nome. O nome escolhido deve ser único.
3º Abertura de conta bancária. Abrir conta em nome
da futura empresa num banco da praça.
4º Estatuto de sociedade. Apresentar o projecto de
estatuto de sociedade
5º Escritura pública, no caso de sociedades
6º Registo Provisório.
7º Publicação de estatuto no BR
8º Registo Definitivo. Depois da publicação da
escritura no BR
9º Obtenção do NUIT – Número Único de Identificação
Tributária
10º Vistoria (se for o caso) das instalações
11º Obtenção do alvará ou licença
12º Declaração de início de actividade
13º Inscrição na segurança social dos trabalhadores
14º Inscrição no regime tributário, nas finanças

 Formas jurídicas das empresas

A luz do Código Comercial e do Código das sociedades comerciais, as


empresas em Moçambique tomam as seguintes formas legais:

Empresas Individuais

Sociedades Em nome colectivo


Em comandita
Por quotas
Unipessoais por quotas
Anónimas
Você pode rever esta matéria na Unidade temática 5 na Módulo 1, onde foi
tratada com pormenor.
 Registo comercial

O registo Comercial tem por finalidade dar a conhecer as pessoas singulares


e colectivas que já estão habilitadas a ser comerciantes, sendo definido
como obrigatório para a constituição de sociedades.

O incumprimento da obrigação de matricular leva ao pagamento de multa,


sem prejuízo de ocorrência de processo criminal.

Em Moçambique, as repartições encarregadas do registo comercial são as


Conservatórias de Registo Comercial.
Instituições envolvidas no registo comercial de
empresas

Instituição Assistência ou serviços prestados

Conservatório 1. Reserva de nome. constitui o


de registo comprovativo de que não existe nenhuma
comercial empresa com o mesmo nome ou
semelhante.
2. Registo comercial definitivo. Documentos
a juntar.
Notário 1. Reconhecimento e autenticação de
documentos
2. Escritura pública.
Imprensa Publicação dos estatutos no Boletim da
Nacional República (BR).

Banco ou Abertura da conta em nome da empresa. É


instituições feito num banco ou instituições financeiras
financeiras existentes na praça em nome da futura
empresa.

Consulte os pormenores deste quadro na Unidade temática 5 do Módulo 1.

Veja a seguir, exemplo de minutas para pedidos de reserva de nome (A) e


registo comercial (B).
EXMO SENHOR CONSERVADOR DO REGISTO
COMERCIAL DO MAPUTO
(A) Minuta para reserva de nome

XIGUINHA, casado -----------------, de --------, anos de idade, natural


de ----------------, Maputo e residente em Maputo, filho de ---------------------, e
de --------------, portador do Bilhete de Identidade Número----------------------
emitido pelo Arquivo de Identificação Civil de Maputo em ----------------------,
de Setembro ________ , requer a [Link] se digne mandar certificar se se
encontra matriculada nessa Conservatoria alguma ASSOCIAÇÃO
denominada " ____________ " ou outra por tal forma que possa induzir
em erro.
PEDE DEFERIMENTO
(B) Minuta para pedido de registo de sociedades

EXMO SENHOR CONSERVADOR DO REGISTO


COMERCIAL DE MAPUTO
XIGUINHA,LIMITADA, sociedade por quotas de responsabilidade limitada, com
sede nesta cidade. Requer a [Link] se digne matricular e inscrever o seu pacto
social, que se constitui em ..../.../..., entre os sócios:
1- António Xiguinha, Natural de Maputo, casado com Maria Xiguinha, sob o
regime de comunhão geral de bens, ambos residentes nesta cidade.
.2- Amelia Xiguinha, Natural de Inhambane, solteira maior, residente em
Maputo..
Apresenta a escritura de----/-----/-----/, lavrada no 2º cartório notarial desta
cidade, A FLS-----DO LIVRO----
PEDE DEFERIMENTO
Maputo -------/-----/---------

Fonte: Portaldogoverno, 2009

 Registo fiscal e Segurança social


O registo fiscal é feito no Bairro fiscal. O registo de segurança social é feito
no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).

Instituições de registo e assistência


Instituição Assistência

Finanças - Bairro 1. Obtenção do NUIT


Fiscal 2. Declaração de início de actividade.
3. Recebimento de impostos: IRPC, IRPS,
IVA, ISPC.
4. Legalização de livros obrigatórios:
Inventário, balanço, razão, diário e livro de
actas
Instituto Nacional Inscrição dos trabalhadores na Segurança
de Segurança Social.
Social (INSS)

O registo pode ser solicitado também junto dos Balcões de Atendimento


Único.

 Licenciamento
A responsabilidade de licenciamento de actividades económicas é partilhada
entre os ministérios de tutela, órgãos locais ou autárquicos que muitas vezes
é em função da dimensão do empreendimento.

A – Licenciamento comercial
A luz do regulamento comercial, Decreto 49/2004, de 17 de Novembro, as
actividades comerciais podem ser de diferentes tipos nomeadamente agente
comercial, agente de comercialização agrícola, banca, barraca, cantina,
comércio ambulante, comércio, cumulativo, comércio geral, comércio á
grosso, comércio á retalho, comércio rural, exportação e importação.

Órgãos a que compete ao licenciamento comercial


(Decreto 49/2004, de 17 de Novembro)
Órgão Tipo de Actividade
Competente

Ministro da Filiais, delegações, agências ou outras formas de


Indústria e representação de entidades estrangeiras.
Comércio Nota: a renovação da licença para as entidades
aqui referidas é da competência do Director
Nacional do Comércio.

Governador Agente comercial, agente de comercialização


Provincial agrícola, banca, barraca, cantina, comércio
ambulante, comércio cumulativo, comércio
geral, comércio por grosso, comércio a retalho,
comércio rural, exportação, importação, loja,
prestação de serviços, tenda e outras
actividades comerciais não reguladas por
legislação específica e registo de operadores de
comércio externo.

Entidades e pessoas singulares estrangeiras que


pretendam prestar serviços, ao abrigo de
contratos de empresas nacionais, por período
não superior a 6 (seis) meses.

Administrador Actividades comerciais desenvolvidas em


Distrital barracas, tendas ou bancas e comércio
ambulante, quando praticadas nas zonas rurais,

As actividades referidas no ponto acima,


praticadas em quaisquer espaço urbano, desde
que não abrangidas pelos órgãos acima
referidos.
Exemplo de minuta para licenciamento a grosso
(em nome individual sem importação nem exportação)

SENHOR GOVERNADOR DA CIDADE DE MAPUTO


EXCELÊNCIA
F .............., de ...anos de idade, de nacionalidade ................... natural
de ....... , distrito de ...............ProvÍncia de .................., e residente na
Avª /Rua.......... n° ... portador( a) do B.I./dire nº ..... emitido pelo
Arquivo de ldentificação/Direcção de Migração de .......... em / / ,
desejando exercer 0 comércio a grosso dos artigos abrangidos pelas
classes ...........no estabelecimento sito em (indicar a localização
completa:Avª/Rua.................do regulamento de Licenciamento de
actividades Comerciais aprovado pelo Decreto n° 49/2004, de 17 de
Novembro, vem muito respeitosamente requerer a Vossa Excelência
se
digne, nos termos do n° 2 do artigo 9 do citado Regulamento,
autorizar 0 seu
licenciamento, vistoria e emissão do respectivo alvará.
Pede Deferimento
Maputo, ...../... ./ ....

Fonte: Portaldogoverno, 2009


O pedido de licenciamento da actividade rural exercida em tenda, barraca ou
banca, comércio ambulante e agentes de comercialização agrícola é feito
através de:

 Preenchimento dum formulário;


 O requente deve ser portador de Bilhete de Identificação;
 Um pedido de vistoria.

B – Licenciamento de actividade industrial


Em Moçambique, o início da actividade industrial carece de autorização
prévia, que habilite o seu titular ao exercício de actividade requerida e que
virá mencionada no respectivo alvará, carecendo de averbamento, quaisquer
alterações às condições fixadas no mesmo.

A luz do regulamento industrial, Decreto 39/2003, de 26 de Novembro, as


indústrias são classificadas como sendo de grande, média, pequena e micro
dimensão, tendo em conta os seguintes critérios: o valor do investimento
inicial, a potência instalada ou a instalar e o número de trabalhadores. Para
fazer parte de determinada categoria, basta reunir dois dos critérios
referidos.

Classificação de indústrias em Moçambique


(Decreto N° 39/2003, de 26 de Novembro)
Potência
Investimento Número de
Instalada ou a
Categorias Trabalhadores
Inicial (USD) Instalar (KvA)

Grande Igual ou Superior a Igual ou Superior Igual ou


Dimensão 10.000.000 a 1000 Superior a 250

Média Igual ou Superior a Igual ou Superior Igual ou


Dimensão 2.500.000 a 500 Superior a 125

Pequena Igual ou Superior a Igual ou Superior Igual ou


Dimensão 25.000 a 10 Superior a 25

Micro Igual ou inferior a Igual ou inferior a Igual ou inferior


Dimensão 25.000 10 a 25

A competência para a autorização referente a instalação dos


estabelecimentos industriais caberá, respectivamente:
 Ao Ministro da Indústria e Comércio, tratando-se de estabelecimentos
industriais de grande e média dimensão (podendo delegar ao
Governador de Província a competência para os estabelecimentos de
média dimensão);
 Estabelecimentos Industriais de micro dimensão não carecem de
autorização, devendo apenas estar devidamente registadas.

Você pode também licenciar o seu empreendimento nos balcões únicos,


conselhos municipais, administrações distritais, onde já vigora o
licenciamento simplificado. O procedimento é o seguinte:
 Ir ao Balcão de Atendimento Único, Conselho Municipal ou Administrações
distritais;
 Apresentar o seu Bilhete de Identidade (BI) e Cartão de NUIT;
 Preencher um formulário.
Você irá receber a sua licença, em um dia, sem precisar primeiro de vistoria,
planta topográfica, estudo de impacto ambiental e outros procedimentos.
A inspecção será feita depois de início da [Link] a seguir, minuta
para pedido de instalação de estabelecimentos industriais de pequena
dimensão em nome individual.
Minuta para pedido de licenciamento
industrial

SENHOR GOVERNADOR DA CIDADE DE MAPUTO


MAPUTO
EXCELÊNCIA
Fulano ............, de..... anos de idade estado civil ...............
nacionalidade ... ..........................natural de .............distrito de ...........
Província ................. de ..........., .... portador do BI/PP/Dire n° ....., emitido
pelo Arquivo de identificação/Direcção da Migração de............... residenle na
Rua/Avª ...................... nº ... , caixa postal.... , telefone n° ........,
email ..... ...... , Bairro............... , distrito Municipal n° ......., nesta cidade,
desejando instalar e exercer a actividade industrial do tipo............................ ,
com denominação de ......................., nas instalaçães sitas na
Rua/Avª.............. , n° ..., Bairro ................., Distrito Municipal nº....... , nesta
cidade, informando que empregará ......., trabalhadores dos
quais......homens e...... mulheres, utilizará .......... máquinas do tipo .......,
potência eléctrica instalada kva, valor inicial de invcstimento ..........USD
capacidade prevista de produção ........unidades e principais
produtos ....................... , vem mui rcspeitosamente requerer a [Link] se
digne autorizar o registo da referida indústria e consequente a emissão da
ficha, cuja actividade iniciar-se-á no dia .... ./. ... ./. .... ,nos termos do
disposto no ponto n°1 do artigo 10 do Rcgulamento do Licenciamento da
Actividade Industrial, aprovado pelo Decreto n° 39/2003 de 26 de Novembro.
Pelo que,
Pede Defcrimento
Maputo, .../.../...

Fonte: Portaldogoverno, 2009

 Instituições de apoio às empresas


Geralmente, os empreendedores precisam de apoio e de informação em
áreas como mercado, fornecedores de matérias-primas, serviços públicos e
financeiros, mão-de-obra, requisitos de qualidade, impostos, registo e
obtenção de licença.

Assim, você pode obter apoio e informação a partir de várias fontes a seguir
indicadas:
Associação de industriais, comerciais, camponeses, pescadores, moageiros,
etc.;
- Câmara do Comércio e Indústria para comerciantes e industriais;
- Centro de promoção de Investimento (CPI);
- Balcões de Atendimento Únicos (BAU);
- Organizações Não Governamentais que apoiam as micro e pequenas
empresas;
- Serviços públicos: Electricidade, de telecomunicações, de água e esgotos,
etc.;
- Serviços Financeiros: Os bancos comerciais, as instituições de micro
financiamento, bancos de investimento, instituições de crédito, etc.

 Resumo
Em Moçambique, o exercício da actividade económica é regido pelo Código Comercial,
Decreto 2/2005, 27 de Dezembro. Outros instrumentos legais incluem:
 Lei de investimento (Lei n° 3/93, de 24 de Junho);
 Regulamento de investimento (Decreto 14/93, de 21 de Julho)
 Regulamento para licenciamento comercial (Decreto 49/2004, de 17 de Novembro
e para licenciamento industrial (Decreto 39/2003, de 26 de Novembro).

Em Moçambique, a luz do código comercial e de sociedades, as empresas tomam as


seguintes formas legais: empresa em nome individual e sociedades. As sociedades
podem ser em nome colectivo, em comandita, por quotas, unipessoal por quotas e
sociedade anónima de responsabilidade limitada.

As principais formalidades para o estabelecimento legal de empresas compreendem


escolha de forma jurídica, registo comercial, registo nas finanças, registo na segurança
social e obtenção de licença ou alvará de actividade;

O registo comercial compete as conservatórias de registo comercial e também pode ser


feito através dos Balcões de Atendimento Único.

O licenciamento comercial e industrial compete aos ministros dos sectores de tutela, os


governadores provinciais e os administradores, dependendo da natureza e dimensão dos
empreendimentos.

As instituições de apoio às empresas incluem repartições governamentais, associações


empresariais, instituições para promoção de investimentos; serviços públicos (água,
telefone, electricidade, etc.), instituições financeiras e de crédito.

 Actividades
1. Faça um resumo de uma página dos conteúdos de um dos seguintes instrumentos
legais:
 Código comercial
 Regulamento de investimento;
 Regulamento para licenciamento comercial;
 Regulamento para licenciamento industrial.

2. Faça visita a uma das seguintes instituições: Balcão Único, Repartição de finanças,
Conservatória de registo comercial ou administração de distrito. Informe-se sobre:
 Requisitos e procedimentos legais para registo de empresas, obtenção de alvará e
impostos para um empreendimento de pequena dimensão.
 Faça um relatório e junte diferentes minutas.

3. Identifique associações empresariais na sua região e os serviços por elas prestados.

7.2 Sistema financeiro em Moçambique


 Introdução
Em Moçambique, existem instituições que são confiadas pelo estado para
proceder ao controle da emissão de dinheiro; controle de entrada e saída de
divisas, concessão de créditos a curto, médio e longo prazos; entre outras
actividades financeiras. É o conjunto dessas instituições que perfazem o
sistema financeiro do país.
Nesta secção, abordaremos sobre a organização e composição do sistema
financeiro em Moçambique. Em seguida discutiremos sobre as vantagens e
desvantagens de créditos e por fim falaremos dos benefícios de seguros e as
responsabilidades inerentes à sua adesão.

 Organização e composição do sistema financeiro em Moçambique


A luz da Lei n° 2/92, de 03 de Janeiro, que define natureza, objectivos e
funções do Banco de Moçambique e Lei n° 15/99, de 01 de Novembro, sobre
instituições de crédito e sociedades financeiras, o sistema financeiro do país
é constituído por:

 Um Banco central – Banco de Moçambique


 Instituições de crédito
 Sociedades financeiras
 Entidades licenciadas para o exercício de funções de crédito.

Composição do sistema financeira em Moçambique


BANCO CENTRAL - BANCO DE MOÇAMBIQUE

Instituições
Instituições de
de crédito
crédito Sociedades
Sociedades financeiras
financeiras Entidades
Entidades
licenciadas
licenciadas
.. Bancos
Bancos .. Administradoras
Administradoras dede .. Entidades
Entidades
.. Sociedades
Sociedades de
de locação
locação compras
compras emem grupo
grupo licenciadas
licenciadas para
para oo
financeira
financeira .. Corretoras
Corretoras exercício
exercício de
de funções
funções
.. Cooperativas
Cooperativas de
de crédito
crédito .. De
De capital
capital de
de risco
risco de
de crédito
crédito
.. Sociedades
Sociedades de
de factoring
factoring .. De
De corretagem
corretagem
.. Sociedades
Sociedades de
de .. Gestoras
Gestoras de
de património
património
investimento
investimento .. Gestoras
Gestoras de
de
.. investimentos
investimentos
 Banco de Moçambique
O Banco de Moçambique é o Banco Central da República de Moçambique. O
Banco de Moçambique é o banqueiro do Estado, consultor do Governo no
domínio financeiro, orientador e controlador das políticas monetária,
financeira e cambial, gestor das disponibilidades externas do país,
intermediário nas relações monetárias internacionais e supervisor das
instituições financeiras.
I. Das funções especificas do Banco de Moçambique incluem:
II. Emissão de dinheiro no país sob a forma de notas e moedas e
substituição das notas velhas;
III. É um banco para todos os bancos comerciais. Guarda uma parte do
total dos depósitos dos bancos comerciais.
IV. Autoriza, controla e supervisiona todas as actividades bancárias dos
bancos comerciais;
V. Concede empréstimos aos bancos comerciais em último recurso.
Quando os bancos comerciais têm falta de dinheiro, pedem
emprestado ao Banco de Moçambique;
VI. Controla a estabilidade da moeda no país através de: taxa de
desconto, operações do mercado livre, controlo selectivo, reservas
obrigatórias variáveis e outros instrumentos de controlo monetário.
VII. O Banco de Moçambique é uma pessoa colectiva de direito público,
dotada de autonomia administrativa e financeira, com a natureza de
empresa pública.
VIII. A sede do Banco de Moçambique situa-se na Cidade de Maputo , tem
delegações nalgumas províncias e há perspectivas de se expandir até
ao nível distrital.

 Instituições de crédito
A luz da Lei 15/99, de 01 de Novembro, instituições de crédito são empresas
cuja actividade consiste em receber do público depósitos ou outros fundos
reembolsáveis, a fim de os aplicarem por conta própria mediante a
concessão de crédito. Neste grupo, integram as seguintes instituições:

 Bancos comerciais: Millenium BIM, Barclays, Standard Bank, BCI Fomento,


etc.;
 Bancos de investimento: BIM Investimentos;
 Bancos de Micro finanças - Socremo, Procrédito, etc.
 Cooperativas de crédito: Tchuma, Caixa Cooperativa de Crédito, etc.
 Sociedades de factoring
 Sociedades de investimento
 Sociedades de locação financeira

 Sociedades Financeiras
A luz da Lei 15/99, de 01 de Novembro, sociedades financeiras são empresas
que não sendo instituições de crédito exercem uma ou mais das seguintes
actividades:
 operações de crédito, incluindo concessão de garantias e outros
compromissos, excepto locação financeira e factoring;
 consultoria, guarda, administração e gestão de carteira de valores
mobiliários;
Integram neste grupo, as seguintes empresas:

 Sociedades administradoras de compras em grupo


 Sociedades correctoras
 Sociedades de capital de risco
 Casas de Câmbio
 Sociedades financeiras de corretagem
 Sociedades gestoras de patrimónios
 Sociedades gestoras de fundos de investimento

 Entidades licenciadas para função de crédito


São entidades habilitadas para o exercício de funções de crédito. São
exemplos: Crédito Popular, AMODER, Kulima, Federação “Save Children”,
Care Internacional de Moçambique, Cedi-Crédito, Lhuvuko, etc.

 Instituições de microfinanças

Uma instituição de microfinanças é uma entidade de carácter singular ou


colectiva que se dedica a prestação de serviços financeiros, incluindo
poupança e empréstimos de reduzida e média dimensão, especialmente
orientada para pessoas tradicionalmente excluidas do sistema financeiro
tradicional.

As iniciativas de microfinanças têm como objectivos o alívio da pobreza,


através da garantia do acesso de financiamento para desenvolvimento dos
pequenos e médios negócios e facilitação da compra de bens duradouros
pelas famílias de baixo rendimento.

Em Moçambique, as actividades das microfinanças são reguladas pela lei nr


9/2004 de 21 de Julho e do decreto Nr 57/2004 de 10 de Dezembro. As
mesmas agrupam-se em:

 Microbancos - os microbancos estao autorizadas a captar poupancas e


conceder créditos ao público. Exemplos Socremo e Banco Procrédit.
 Cooperativas de Credito - A sua missão principal é conceder crédito e a
recepção de depósitos respeitantes apenas aos membros. Temos neste
grupo, o caso da cooperativa de Crédito Tchuma.

 Organizacoes de Poupanca e Empréstimos - Fazem parte deste


grupo todas entidades financeiras que recebem exclusivamente depósitos
dos membros podendo fornecer créditos aos mesmos mediante
montantes regulados por lei.

 Operadores de Microcréditos - São pessoas singulares ou colectivas,


exceptuando sociedades comerciais que fornecem crédito ao público.

 Intermediários de Captação de Depósitos - Recebem depósitos por


conta de uma instituição de crédito autorizada.

No conjunto dos seus produtos destaca-se a oferta simultanea ou em


separado do seguinte:
 Depósitos de valores de pequena com recurso a colectores e agentes de
crédito
 Microcréditos em grupo e solidário e sem exigência de garantias reais.
 Linhas de crédito garantidas pelos depósitos dos clientes
 Linhas de depositos e microcréditos para responder a necessidades
particulares incluindo educacao dos filhos; assegurar compras de bens
duradouros; e desastres familiares e naturais.
 Linhas de Micropoupanca e creditos rotativos
 Linhas de credito com exigencia de garantias reais de pequena dimensao
 Linhas de crédito para pequenos negócios condicionadas a formacao em
gestao e assistida por agentes de crédito.

 Vantagens do recurso a microfinanças


 O acesso é simples o que responde melhor as necessidades das pessoas
com baixos rendimentos;
 Por conceder crédito em grupo, abre espaço para o cultivo da disciplina
financeira e da cultura de poupança;
 A acção dos colectores e agentes de crédito encorajam a poupança;
 Nos empréstimos rotativos, estimula o desenvolvimento de capacidades
de gestão; e
 Encoraja o desenvolvimento de capacidades empreendedoras entre as
pessoas de baixo rendimento.

 Desafios do recurso a microfinanças


 Os juros das microfinanças são frequemente altos em comparação com o
sistema financeiro tradicional; e
 Os montantes emprestados são geralmente de pequena dimensão e com
frequência insuficientes para fazer investimentos em capital fixo para
empreendedores que se queiram iniciar nos negócios; e

 Vantagens e desvantagens de créditos

Um crédito é empréstimo, em dinheiro ou em espécie, que deve ser


reembolsado mais tarde com ou sem juros. Os empréstimos podem ser
obtidos de membros da família, amigos e pessoas de boa vontade, grupos
informais e associações de concessão de crédito, cooperativas de poupança
e crédito, bancos e outras instituições financeiras, governo (através do
fornecimento de capital inicial), etc.

Vantagens e desvantagens de créditos em


dinheiro
Vantagens Desvantagens

. Pôr à disposição do . O empreendedor pode ter que pagar


empreendedor juros e outros encargos sobre os fundos
recursos extra emprestados, o que aumenta as suas
. Monitorização externa despesas de funcionamento
e maior interesse nas . Os fundos do empréstimo podem não ser
operações da empresa disponibilizados no momento em que são
obrigam o credor a precisos.
trabalhar arduamente . As condições de reembolso podem ser
e com disciplina. duras e causar problemas de fluxo de
caixa ao empresário.
. O empreendedor fica sujeito ao controlo
externo do seu negócio.
. No caso de não pagamento do
empréstimo, o empresário pode perder a
segurança além do colapso da empresa
criada

 Vantagens e desvantagens de créditos em produtos


Algumas pessoas iniciam projectos usando mercadorias que lhes foram
fornecidas a crédito. Depois de as terem vendido, usam as vendas para
pagar aos fornecedores mas ficam com os lucros realizados nas vendas. Este
tipo de crédito é designado por crédito do fornecedor. As vantagens e
desvantagens do crédito do fornecedor são as seguintes:
Vantagens e desvantagens de créditos em
produtos
Vantagens Desvantagens

. Uma forma segura de . Pode estar associado a preços mais


obter artigos para a elevados. Isto acontece sobretudo quando
empresa (matérias- o empresário não tem a possibilidade de
primas e serviços) mudar para outro fornecedor.
. Pode não implicar o . Pode levar ao fornecimento de bens e
pagamento de juros serviços de qualidade inferior uma vez
. Reduz os custos de que não há concorrência.
funcionamento . Leva à inflexibilidade no planeamento
eliminando coisas como das fontes de abastecimento.
obtenção, encomenda,
etc.

 Benefícios de seguros e responsabilidades inerentes à sua adesão

Qualquer empresa corre o risco de ter um prejuízo, por exemplo devido a um


incêndio, assalto, etc. O seguro assenta na teoria da associação de riscos
enfrentados por indivíduos, empresas, instituições, etc. Isto significa que
cada pessoa ou empreendedor exposto a um risco paga uma pequena
quantia para fazer um seguro contra todos os riscos. Todas as pequenas
cotizações são reunidas num único fundo. Aqueles que efectivamente
sofrerem prejuízos, ou seja se o risco se concretizar, têm direito a uma
indemnização retirada do fundo em questão.
Os indivíduos que contribuem são chamados “segurados” enquanto que a
entidade que gere o fundo é chamada “seguradora”.
Deste modo, o contrato de seguro é feito entre o segurado e a seguradora. O
segurado é a pessoa que procura estar coberta contra todos os riscos ou
protegida no caso do risco segurado acontecer. A seguradora é a companhia
de seguros que aceita gerir o fundo e compensar os segurados, no caso de
perda ou de concretização do risco segurado.

Veja a seguir, os benefícios que advém dos seguros bem como as


responsabilidades inerentes à sua adesão.
Benefícios e responsabilidades de adesão ao seguro
Benefícios do segurado Responsabilidades do
segurado

. Voltar a posição inicial . Revelar todos os factos


que detinha antes de materiais relevantes a cerca do
ocorrer o prejuízo; que pretende assegurar sem
. Garantia da omissão nem falsificação;
continuidade do seu . Pagar os valores a seguradora
empreendimento ou para a manutenção do seguro;
negócio mesmo em caso
de ocorrência do risco . Ceder à companhia seguradora
assegurado os bens que sobraram do
. Maior confiança do prejuízo, caso hajam.
empreendedor.

 Resumo
O sistema financeiro de Moçambique é constituído por Banco de Moçambique, na
qualidade de Banco Central, instituições de crédito, sociedades financeiras e entidades
licenciadas para o exercício de funções de crédito.

O Banco de Moçambique é o banqueiro do Estado, consultor do Governo no domínio


financeiro, orientador e controlador das políticas monetária, financeira e cambial, gestor
das disponibilidades externas do país, intermediário nas relações monetárias
internacionais e supervisor das instituições financeiras.

As iniciativas de microfinanças têm como objectivos o alívio da pobreza, através da


garantia do acesso de financiamento para desenvolvimento dos pequenos e médios
negócios e facilitação da compra de bens duradouros pelas famílias de baixo rendimento.
Pedir crédito tem vantagens e desvantagens. Dentre as vantagens destaca-se o facto do
empreendedor poder ter a disposição dum recursos extra. Dentre as desvantagens incluem
pagamento de juros e necessidade de disponibilizar garantias que em caso de não
pagamento podem ser penhorados.
O seguro é vantajoso porque o empreendedor recupera o seu património inicial em caso de
ocorrer um prejuízo. Porém, constitui responsabilidade do segurado pagar os valores e
fornecer informação verdadeira a seguradora.

Suponha que Alicate Xipenete foi estudante da Escola Secundária de Doene (Nova
Mambone – Govuro) ao norte da Província de Inhambane. Ele tem um sonho de infância
que é tornar-se um engenheiro electrotécnico. Porém, dado que não conseguiu entrar
para universidade e valendo-se do facto de ter tido a cadeira de Noções de
Empreendedorismo na escola, decidiu começar com negócio de venda de roupa usada.
Depois de contactar os armazenistas da zona da sua residência constatou que os fardos
de roupa usada variavam entre 3.000,00MT (TRÊS MIL METICAIS) a 5.000,00MT (CINCO
MIL METICAIS). Infelizmente, ele não se dispõe de tais valores e ninguém na família está
em condições de o ajudar.
Você que já falou do Sistema Financeiro Moçambicano, responda as seguintes perguntas:
a) Quais são as diferentes opções do jovem Alicate de obter crédito?
b) Justifique a sua resposta.
Suponha que Blanka & Companhia é uma fábrica de sabão e óleo localizada na Província
de Inhambane; Neste momento funciona em instalações próprias contando com 50
trabalhadores. Para o seu funcionamento usa maquinaria importada da África do Sul;
camiões para o transporte da matéria prima localmente produzida que é a copra. A
empresa tratou seguro contra todos os riscos.
a) Isto beneficia a empresa em (marque com X uma resposta correcta):
A. Maior confiança
B. Garantia de continuidade mesmo em caso de materialização de risco
C. Boas relações interpessoais
D. Respostas A e B
Visita uma instituição de microfinanças e produza um relatório sobre criação,
funcionamento e serviços oferecidos.
 Actividades

Referências bibliográficas

1. JOLLY, B & BILLY, B. ano. Enterpreneurship Education. Uganda –


Adaptado para Moçambique. PINO, O & NOVAIS, A. [Link]ções de
Empreendedorismo – Modulos 5 e 6
2. Sareen, S.B (2001), Programa de Formação para Criação de Novas
Empresas, Instituto de Desenvolvimento Empresarial – India.
3. SOUSA, António (1990). Introdução à Gestão. Editorial Verbo, Lisboa.
4. Curtois, A & Martin, C. (1994), Gestão da Produção, 3ª Edição, Edições
Técnicas - Porto
5. LOUSÃ, Aires (2000). Técnicas de Organização Empresarial – Bloco I e
II. Porto Editora Portugal.
6. Slack, N. et all (1997). Administração da Produção – Editora Atlas S. A.
São Paulo
7. BRITO, Dalva (2005). Plano Geral de Contabilidade. Moçambique
Editora, Maputo.
8. ESPERANÇA, José P. Et al, Finanças Empresariais, 1a Edição, Dom
quixote,2005, Pp (29-60);
9. PRONACI (2002), Gestão do Tempo, 2ª Edição, AEP, Portugal
10. CADI, (2002), Manual do Curso de Planenamento e Controle de
processos Produtivos, Edição 2002, CADI- Maputo.

Competências basicas do aluno:


 Lidera acções que concorrem para o bem-estar da sua comunidade realizando qualquer tipo
de trabalho sem complexo nem preconceito;
 Demonstra os seguintes elementos que caracterizam a personalidade de um empreendedor:
a) Criatividade; b) Tomada de decisões; c) Habilidade interpessoais; d) Comunicação eficaz;
e e) Solução de problemas
 Demonstra as seguintes competências empreendedoras pessoais: a) Iniciativa, auto-
confiança e persistência; b) Ver e agir em oportunidades; c) Persuasão e de influência aos
outros; d) Sede de informação; e) Orientação para alta qualidade de trabalho; f) Honra com
compromissos; g) Orientação para eficiência; h) Planificação sistemática; i) Resolução de
problemas; j) Rigor e vigorosidade; k) Tomada de riscos calculados;
 Gera ideias inovadoras para o sucesso individual e da sua comunidade;
 Gera poupança a partir do seu rendimento para um futuro investimento;
 Planifica o uso do tempo de forma racional.
 Identifica oportunidades de projectos com base no ambiente sócio económico nacional e/ou
internacional procurando agregar valor nos produtos e serviços nacionais
 Explora a diversidade, complexidade e a mudança produzindo bens e serviços que
satisfazem as necessidades da sociedade.
 Usa recursos naturais energéticos e materiais de forma sustentável preservando o meio
ambiente.
 Enfrenta a concorrência na base da diferenciação, qualidade e adição de valor de seus
produtos.
 Observa a legislação na legalização e exercício de actividade empresarial cumprindo todas
formalidades e pagando os impostos e as taxas devidas.
 Usa os serviços das instituições de crédito e sociedades financeiras
 Demonstra responsabilidade no uso do dinheiro alheio

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